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Escolhas & Percursos

...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...

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28.10.17

Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?

mpgpadre

1 – Um doutor da Lei aproxima-se de Jesus. O propósito é experimentá-l'O, testar os Seus conhecimentos, ver se O apanha em contradição e, dessa forma, expô-l'O diante dos discípulos e perante as multidões. Saduceus, fariseus, herodianos, doutores da Lei, autoridades judaicas encontram em Jesus um inimigo comum. Não é que Jesus lhes tenha feito mal, pelo menos diretamente, mas o Seu saber, o Seu dizer e o Seu fazer, o Seu modo de agir, de Se aproximar, de Se dar, o modo de conviver com todos, especialmente com os mais desfavorecidos, provoca ciúme, ódio, inveja. Ele é LUZ que ilumina as trevas e que expõe os corações de todos. Se vivermos nas trevas qualquer lampejo de luz nos magoa a vista. Se nos habituarmos a viver a meia-luz, uma luz mais diurna vai-nos fazer perceber que afinal estávamos mais nas trevas que na luz.

É essa a alegoria da caverna de Platão. Dentro da caverna, pessoas voltadas para o interior, habituam-se a viver na escuridão. A luz do exterior projeta sombras de uma realidade alternativa a evitar. Há que permanecer no interior, mantendo tudo como está.

The Chief Priests Ask Jesus  (Les princes des prê

 2 – Jesus é seguido por multidões de pessoas sobretudo simples. Daí a ardilosidade das classes dirigentes, para não criar anticorpos entre o povo, de quem procura a simpatia. Víamos a tramoia da semana passado sobre os impostos para o império romano. Hoje a pergunta parece mais óbvia, menos dada a polémicas. O âmbito é diferente, pois fixa-se na religião e na lei mosaica. «Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?».

No judaísmo, entre grupos mais religiosos judaicos havia várias discussões sobre os mandamentos. Com o passar do tempo, os 10 Mandamentos foram multiplicados até ao número de 613 preceitos, divididos em 248 prescrições (248 corresponderiam aos ossos do corpo humano) e 365 proibições (365 correspondem aos dias que o ano tem). Vê-se desta forma o simbolismo no número de preceitos, mas também o facto que tantas minudências baralharem a vida das pessoas do povo. A resposta de Jesus é expectável, mostrando que conhece as Escrituras: «Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu espírito». Deus é a primeira referência e todos os mandamentos são decorrentes da ligação de Deus com a humanidade. Amar a Deus de todo o coração e com todas as forças é o primeiro e o maior mandamento.

 

3 – Jesus acrescenta um segundo mandamento semelhante ao primeiro: «Amarás o teu próximo como a ti mesmo». E conclui: «Nestes dois mandamentos se resumem toda a Lei e os Profetas».

A verticalidade exige a horizontalidade. Voltar-se para Deus sem os outros seria esquecer que Ele é Deus de todos e para todos. Só mesmo fundamentalismos estupidificantes para defender uma religião sem os outros, que seria tão nefasta como uma religião sem Deus, meramente sociológica, sem horizonte de futuro, sem saída, e com o risco de alguém ocupar o lugar de Deus, como infelizmente aconteceu no passado e acontece em muitos movimentos religiosos.

O diálogo poderia continuar, como na versão lucana (Lc 10, 25-37) em que o Doutor da Lei, reconhecendo a justeza e honestidade da resposta, insiste a perguntar a Jesus: quem é o meu próximo? Nessa ocasião, Jesus apresenta a belíssima parábola do Bom Samaritano. Próximos são todos os que precisam de ajuda, mas o importante é se eu me faço próximo de quem precisa, se me aproximo para ver e para ajudar, para levantar a pessoa que se encontra prostrada. Daí o desafio de Jesus, assumido pela nossa diocese de Lamego: Vai, e faz tu também do mesmo modo.


Textos para a Eucaristia (ano A): Is 45, 1. 4-6; Sl 95 (96); 1 Tes 1, 1-5b; Mt 22, 15-21.

22.10.17

IGNACIO LARRAÑAGA - O POBRE DE NAZARÉ

mpgpadre

IGNACIO LARRAÑAGA (2013). O Pobre de Nazaré. O que precisamos de saber sobre Jesus. 4.ª Edição. Prior Velho: Paulinas Editora. 400 páginas.

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Durante 3 anos, Jesus espalhou magia por aldeias e cidades da Galileia, fez-Se docilidade, agiu compassivamente, desafiou os grandes deste mundo, mas também os excluídos, aqueles para descobrirem a grandeza e a alegria do serviço, este para se sentirem filhos queridos de Deus, com dons que os tornariam importantes. As lideranças judaicas viram-se acossadas não apenas pelas palavras de Jesus mas sobretudo pela Sua postura. Por inveja e ciúme, porque Ele atraía multidões; por medo e cobardia, porque se sentiram ameaçados no seus postos de conforto e privilégio. Foi entregue por um dos discípulos mais próximos, Judas, preso, violentamente agredido, escarnecido, obrigado a carregar a trave da cruz, para nela ser crucificado, andou de Anás para Caifás, ridicularizado, injuriado, acusado de blasfémia e por instigar a revolução, é morto como uma assassino.

Entretanto algo de extraordinário deverá ter acontecido, três dias depois de morto apresenta-Se vivo aos Seus discípulos, às mulheres que andavam com o grupo. Os discípulos deixam de se guiar pelo medo, para se guiarem por uma vontade indómita de anunciar Jesus, de mostrar que Ele está vivo, que morreu e ressuscitou, que o Pai não O deixou para sempre no túmulo do esquecimento, para o resgatou para uma vida nova, gloriosa, definitiva, para a qual também somos atraídos.

A pregação "convincente" e coerente dos Apóstolos geram novos discípulos, à dezenas, às centenas, nem sempre fáceis de gerir, pois trazem interesses e motivações diversas, como ao tempo de Jesus os discípulos e as multidões que O seguiam. Formam-se grupos, comunidades, onde se escutam os Apóstolos, recordando palavras de Jesus, feitos, milagres, gestos, encontros, onde se procura manter viva a recordação de tudo quanto diz respeito a Jesus. Os Evangelhos são uma resposta a esta inquietação de preservar tudo quanto diz respeito a Jesus. Os evangelistas recolhem testemunhos, algumas orações, ou pequenos textos e colocam por escrito. Os Evangelhos, podemos dizer com segurança, são escritos pela comunidade, mais do que por um escritor individual, pois resultam da vivência da mensagem de Jesus numa determinada comunidade, num determinado contexto. Os evangelhos escritos contém as preocupações da comunidade, as suas dificuldades, os seus pontos fortes. Também aqui se pode dizer que não há comunidade sem Evangelho, a Boa Nova de Jesus, mas o Evangelho chega até nós pelo filtro e pela vivência de comunidades concretas.

A formação dos Evangelhos tem então esta sequência, Jesus é morto e é ressuscitado pelo Pai. Os discípulos anunciam'O vivo, atraem outras a seguir Jesus, formam-se comunidades, onde se recorda tudo o que aconteceu sobretudo naqueles três anos de vida pública de Jesus. Surge a necessidade de colocar por escrito, para que não se percam as Suas palavras e não se corram o risco do esquecimento, pois também um dia os Apóstolos hão de morrer e então já não há como confrontar o que corresponde à mensagem de Jesus e o que não corresponde.

São quatro as versões do Evangelho, mas ainda assim há muitas "lacunas" na biografia de Jesus, até porque os evangelhos não têm a preocupação de fazer biografias, mas de mostrar o essencial da mensagem de Jesus, concentrados sobretudo no mistério da morte e da ressurreição de Jesus.

Ao longo do tempo, mas sobretudo a partir do século XVIII houve a preocupação de escrever e publicar a Vida de Jesus, onde se limassem todas as lacunas temporais, reconstituindo a vida de Jesus, tentando fazer concordar os 4 evangelhos, entrelaçando-os. Algumas vidas de Jesus desviam-se dos Evangelho e criam biografias alternativas, baseadas nos evangelhos apócrifos ou em algumas insinuações ou lendas criadas com o decorrer do tempo.

Hoje o que há mais, e vende muito bem, são biografias alternativas à vida de Jesus.

Ignacio Larrañaga apresenta de forma brilhante, escorreita, uma narrativa possível da vida de Jesus, tendo como base próxima os 4 evangelhos e os outros escritos neotestamentários, procurando lançar pontes com a história, com descobertas arqueológicas, com outras ciências que nos aproximam dos nossos antepassados.

É uma escrita fácil de ler, quase se escuta a sua leitura, envolve-nos nos evangelhos, no olhar, nas palavras, nos gestos de Jesus, inclui-nos nas Palavra que também nos dirige a nós, podemos rever-nos nas perguntas que Lhe fazem ou nas respostas que lhes (nos) dá e nos desafios que lhes (nos) lança.

São 400 páginas que parecem 10, tão motivadora e empolgante é a leitura. É uma linguagem acessível para todos.

Uma nota mais pessoal, mas que tem ganhado terreno: Judas não trai Jesus por dinheiro ou por ânsia de poder (num sentido mais pessoal), mas por zelo, querendo que Jesus Se resolva e apresse o Reino de Deus, eliminando rapidamente todos os corruptores, derrubando as autoridades estrangeiras e restabelecendo a realeza judaica. Judas acredita em Jesus e sabem que Ele vem de Deus e pode fazer mais do que aquilo que estará disposto a mostrar. Quando Jesus anuncia aos Seus discípulos que vai ser morto - contrário do que seria expectável por todos - Judas coloca-se em ação para O obrigar a agir. Judas é um dos discípulos mais próximos de Jesus. A cumplicidade de Judas com Jesus não espanta nenhum dos outros apóstolos, é natural, são bons amigos. O facto de Judas se enforcar denota o seu arrependimento, isto é, se ele fosse traidor (por dinheiro ou para usurpar o poder da liderança), então dar-se-ia por satisfeito. Segundo o autor, Judas é maníaco depressivo. Mais que traição uma tática para obrigar Jesus a ser Deus. Porém, Jesus assume o caminho da pobreza, é o Pobre de Nazaré, aprende a obediência, até à morte e morte de Cruz. Serviço, delicadeza, oferecimento da própria vida, despojamento, amor...

21.10.17

«Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus»

mpgpadre

1 – «Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus». Segundo o sacerdote e teólogo espanhol, José Antonio Pagola, os pobres são de Deus, não são de César. Não podem ser instrumentalizados pelos poderes, pelo debate político-partidário. Os pobres são filhos queridos, amados de Deus, que ninguém pode utilizar para se promover, para disputar lugares. É um compromisso de todos. A começar pelos seguidores de Jesus, os seus discípulos, que nesta HORA somos nós, eu e tu. Não podemos olhar para o lado à espera que alguém resolva. Como disse alguém acerca dos incêndios que assolaram o país e ceifaram a vida a mais de uma centena de pessoas, destruindo sonhos, projetos, famílias, destroçando comunidades, todos temos um quinhão de responsabilidade. Também para com os pobres.

A dimensão moral vem depois. Não ajudamos esta pessoa ou aquela família porque merece. Emocionalmente prontificamo-nos a ajudar quem faz pela vida. Temos dificuldade em ajudar quem espreguiça a vida e está sempre à espera de ser ajudada, dispensando-se a qualquer esforço.

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2 – A armadilha lançada a Jesus é ardilosa. Os judeus estão colonizados pelo grande império romano. É sabido que a elevada carga de impostos gera pobreza, servidão, exige elevados sacrifícios e privações. Muitas vezes os são uma arma de arremesso. Os ricos safam-se com alguma facilidade, pelo que têm e pelas influências que vão granjeando. Os pobres nem têm bens nem têm como se defender das exigências. Os fariseus e os herodianos parecem colocar-se ao lado dos pobres. Devemos ou não pagar os impostos ao imperador? Não pagando, a carga que pesava sobre os mais desfavorecidos seria aliviada. Porém, alguns impostos destinam-se às castas dirigentes, beneficiam os amigos de Herodes e todos aqueles que circulam perto do poder. Se quisessem ajudar os mais pobres renunciavam ou diminuíam os impostos para o Templo, abdicando de alguns privilégios.

Se Jesus respondesse que não se deveria pagar tributo ao imperador seria acusado de instigar à revolta. Se dissesse que se deveria pagar, então sancionava uma situação insustentável de pobreza.

 

3 – Para responder, Jesus devolve a pergunta: «De quem é esta imagem e esta inscrição?». Ora, nas moedas está o rosto de César e assim Jesus lhes responde lapidarmente: «Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus».

Jesus confronta-os com a hipocrisia com que se apresentam a armar-lhe mais uma tramoia. Surgem sorrateiramente. Como sói dizer-se, perguntar não ofende, depois logo se vê a resposta. Sabem que estão a tramar Jesus, a colocá-l'O entre a espada e a parede. Ele terá que responder sim ou sopas! Para Alguém que Se rodeia de pelintras e convive com pobres, doentes, coxos, cegos, leprosos só pode estar contra o poder e contra medidas que dificultem a vida a quem tem muito pouco.

O Mestre dos Mestres já tinha repreendido os seus discípulos pela disputa de lugares e de poder: quem entre vós quiser ser o primeiro seja o servo de todos. Os chefes das nações exercem o seu poder como senhores sobre os demais; o poder dos discípulos é o serviço. Jesus não entra em debates filosóficos ou políticos. Aponta o jeito de ser discípulo: servir amando, amar servindo, gastando a vida. Os poderes políticos têm os seus ritmos e os seus tempos e na ordenação das sociedades são necessários. Diz Jesus a Pilatos: nenhum poder terias se não te tivesse sido dado! Também César devia agir em lógica de serviço e de cuidado, mas essa é a missão primordial dos discípulos de Jesus que hão de levar essa dinâmica a todos os recantos do mundo, a todas as dimensões da vida.


Textos para a Eucaristia (ano A): Is 45, 1. 4-6; Sl 95 (96); 1 Tes 1, 1-5b; Mt 22, 15-21.

14.10.17

Reuniram todos os que encontraram, maus e bons

mpgpadre

1 – Depois da vindima, o banquete! Depois do trabalho, a festa! E quanto mais o trabalho (justamente remunerado), mais intensa a festa e a alegria. Nem todos têm trabalho condigno para terem acesso a um condigno banquete. As causas são variadas, mas, seguidores de Jesus, temos de fazer com que o banquete se alargue a todos.

Jesus continua a chamar-nos para o Seu banquete, para o Seu reino. Tudo está preparado. Uns e outros vão recusando, vão-se desculpando. Não têm tempo. Têm muitos afazeres.

Uma sugestiva e conhecida estória: Um homem foi convocado pelo Rei. Ficou assustado e recorreu aos seus amigos. Tinha três amigos. O mais íntimo, o número 1, encontrava-se com ele todos os dias, a todas as horas, eram inseparáveis. Com amigo número 2 encontrava-se uma vez por semana ou quando calhava. Ao amigo número três encontrava uma vez por outra. Foi ter com o número 1 que lhe disse: nem pensar, pede-me tudo, menos isso. O número 2 disse-lhe que o acompanhava mas ficaria à porta, não entraria. Foi então ter com o amigo número 3 que imediatamente se disponibilizou a acompanhá-lo à presença do Rei. O homem somos nós. O Rei é Deus. A convocação para ir à Sua presença é o momento da nossa morte. O amigo número 1 são as coisas que nos ocupam e preocupam, deixamo-las todas, nenhuma seguirá connosco. O amigo número 2 são os nossos familiares e amigos, acompanham-nos, mas ficam à porta, do cemitério e do lado de cá da vida. O amigo número 3 é o bem que fazemos, acompanha-nos para a eternidade.

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2 – Jesus espalhou um sonho, anunciou um reino, revelou a alegria de Deus, o amor de Deus, para com todos, mas sobretudo para com os mais frágeis, pobres, mendigos, leprosos, mulheres, pecadores, publicanos. Em Jesus, a certeza que temos Pai, que nos ama com coração de Mãe, um Pai que Se dispõe a tudo, por causa de nós.

A delicadeza de Jesus faz mossa nas lideranças judaicas, instaladas no poder, vivendo comodamente. Naquele tempo, como hoje, há uma multidão de famintos, de pobres, de excluídos, lázaros que não têm assento à mesa, que ficam fora, fora das muralhas, afastados e impedidos pelos portões da indiferença, da corrupção, do egoísmo. Contudo, Jesus não Se deixa vencer, nem iludir, não Se deixa comprar, nem se deixa corromper! Denuncia com a Sua postura, com as Suas palavras, com as parábolas que nos apresenta.

 

3 – Jesus tem consciência que se aproxima para o final da sua vida. A afronta de doutores da lei e anciãos do povo é cada vez mais evidente. Todavia, Jesus continua a pregar, continua a estar próximo dos pecadores e dos publicanos, continua a responder aos fariseus, às lideranças judaicas. O recurso às parábolas facilita o diálogo, pois, embora a linguagem seja clara, deixa margem para que cada um encaixe ou recuse os Seus ensinamentos, sem se sentir forçado.

O Rei da parábola continua a enviar os seus servos para chamarem todos os que encontrarem. Hoje (e amanhã) o convite é idêntico: «Ide às encruzilhadas dos caminhos e convidai para as bodas todos os que encontrardes». Os servos saíram “pelos caminhos, reuniram todos os que encontraram, maus e bons. E a sala do banquete encheu-se de convidados”. Há lugar para mim e para ti.

Pode acontecer que alguém não vista o traje nupcial. O Rei chama, uma e outra vez. Não desiste. Nunca desiste de nós. Basta acolhê-l'O e teremos lugar à mesa. Para o banquete, bons ou maus, todos precisamos de vestir o traje da verdade, da justiça, da caridade, da comunhão com os outros. Não podemos ir de qualquer maneira, aos empurrões, com trajes esfarrapados pela arrogância, pela violência, pela vingança. Vistamo-nos de humildade, transparência, de amor, de misericórdia, para nos "afeiçoarmos" aos Rei, isto é, para termos feições semelhantes às de Deus que Se revelam em Jesus, feições de paz e de compaixão, de ternura e de bondade.


Textos para a Eucaristia (ano A): Is 25, 6-10a; Sl 22 (23); Filip 4, 12-14. 19-20; Mt 22, 1-14.

07.10.17

Respeitarão o meu filho...

mpgpadre

1 – Praça de São Pedro, 19 de abril de 2005, primeiras palavras de Bento XVI: «Depois do grande Papa João Paulo II, os Senhores Cardeais elegeram-me, simples e humilde trabalhador na vinha do Senhor. Consola-me saber que o Senhor sabe trabalhar e agir também com instrumentos insuficientes»

O amor à vinha, o trabalho dedicado e a certeza que o Senhor vela pelos trabalhadores e provê à produtividade da vinha, para lá das circunstâncias e dos contratempos. Deus cuida da Sua vinha com amor. Mantém-Se próximo, pronto a acudir. Confia nos seus trabalhadores e confia-lhes o cuidado da mesma, aguardando que eles possam fazê-la frutificar e todos possam beneficiar dos seus frutos.

Jesus conta outra parábola sobre o reino de Deus, novamente à volta da vinha. «Havia um proprietário que plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe, cavou nela um lagar e levantou uma torre; depois, arrendou-a a uns vinhateiros e partiu para longe».

A vinha é do Senhor. Ele confia-no-la, esperando pela colheita. Na devida altura manda os servos receber os frutos. Os vinhateiros, por sua vez, querem assumir o controlo, ocupando o lugar do seu Senhor e, por isso, maltratam os enviados, matam-nos, escorraçam-nos.

Aquele Senhor, o Bom Deus, não desiste. Não desiste dos bons frutos que há para recolher, não desiste de nós. Envia novos mensageiros. Dá-nos mais oportunidades. Envia, então, o Seu próprio filho.

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2 – «Respeitarão o meu filho». Depois de todas as tentativas para "resolver as coisas a bem", e não tendo conseguido, Aquele Senhor decide fazer uma última aposta, mais alta, mais arriscada. Arrisca o que Lhe é mais querido, o Seu próprio Filho. Arrisca tudo, a Sua vida na vida do Filho. Confia que os vinhateiros reconhecerão a Sua deferência ao enviar-lhes o próprio filho.

A ocasião (por vezes) faz o ladrão. A ganância vem ao de cima. Está ali a oportunidade de eliminarem o filho e ficarem eles donos e senhores daquela vinha. É o que fazem, agarram e filho e matam-no.

A parábola espelha bem a história da salvação e as lideranças judaicas veem-se retratadas nos vinhateiros prepotentes, gananciosos e assassinos a quem Deus confiou a Sua vinha para administrar, cuidar e fazer frutificar. Deus envia o Seu próprio Filho, Jesus Cristo, que que é expulso da Sua própria vinha, é ferido e morto. Este é o mistério da Encarnação que desemboca no mistério pascal.

Na continuação, Jesus provoca os seus interlocutores, provoca-nos: «Por isso vos digo: Ser-vos-á tirado o reino de Deus e dado a um povo que produza os seus frutos». Ou mudamos de atitude ou autoexcluímo-nos do Seu reino de amor.

 

3 – A primeira leitura já nos apresentava a belíssima imagem da vinha. «Vou cantar, em nome do meu amigo, um cântico de amor à sua vinha. O meu amigo possuía uma vinha numa fértil colina. Lavrou-a e limpou-a das pedras, plantou-a de cepas escolhidas. No meio dela ergueu uma torre e escavou um lagar. Esperava que viesse a dar uvas, mas ela só produziu agraços».

Isaías deixa-nos ver o cuidado e o amor do seu amigo à vinha que plantou. O lagar foi preparado. Foi construída uma torre para guardar a vinha dos assaltantes. Foram escolhidas boas cepas. «A vinha do Senhor do Universo é a casa de Israel e os homens de Judá são a plantação escolhida». Tudo aponta para bons resultados.

Mas parece que até Deus "não controla" todas as circunstâncias, já que nos criou livres, com a possibilidade de Lhe dizermos não e de não produzirmos na abundância do amor e da compaixão.

E agora, o que fazer, se fiz tudo pela vinha e ela não deu nada? Eis o que vou fazer: «Vou tirar-lhe a vedação e será devastada; vou demolir-lhe o muro e será espezinhada. Farei dela um terreno deserto: não voltará a ser podada nem cavada, e nela crescerão silvas e espinheiros; e hei de mandar às nuvens que sobre ela não deixem cair chuva».

As palavras do profeta denotam o desencanto pela infidelidade do povo, cujos membros deveriam viver como família!


Textos para a Eucaristia (ano A): Is 5, 1-7; Sl 79 (80); Filip 4, 6-9; Mt 21, 33-43.

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