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Escolhas & Percursos

...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...

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30.04.16

Quem Me ama guardará a minha palavra e meu Pai o amará

mpgpadre

1 – “Um Anjo… mostrou-me a cidade santa de Jerusalém, que descia do Céu, da presença de Deus, resplandecente de glória… O seu esplendor era como o de uma pedra de jaspe cristalino... Na cidade não vi nenhum templo, porque o seu templo é o Senhor Deus omnipotente e o Cordeiro. A cidade não precisa da luz do sol nem da lua, porque a glória de Deus a ilumina e a sua lâmpada é o Cordeiro”.

A visão de São João, no Apocalipse, faz-nos ver os novos céus e a nova terra, que se constroem com e à volta de Jesus, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo e nos salva. No meio das intempéries e das trevas, há uma Luz nova que irradia e inunda toda a escuridão convertendo-a em claridade e esplendor. Do Céu desce a nova Jerusalém, a cidade do altíssimo, cidade santa, adornada de glória e majestade. Os Apóstolos têm aí gravados os seus nomes. É também aí que gravaremos os nossos nomes, como discípulos missionários.

A garantia de São João é um desafio. Esta cidade não precisa da luz do sol nem da lua, é alumiada por Deus, pela Sua Glória. A lâmpada permanentemente acesa é o Cordeiro, Filho Bem-amado do Pai. Os verdadeiros adoradores hão adorar a Deus em espírito e verdade. Não importa tanto o espaço mas a relação com Deus, a ligação aos outros, ainda que os espaços criem oportunidades para o encontro, para a celebração, multiplicando a Luz que vem de Deus. A luz da minha fé ao juntar-se à do outro fortalece-nos e ilumina outros…

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2 – Aí está (de novo) o olhar de Jesus. Terno. Apaixonado. Envolvente. Desafiador. Próximo. Profundo. Familiar. Suavidade e docilidade que não escondem a gravidade do momento. O olhar e a vida. O sorriso e o coração. Num ambiente recatado, simples, descontraído, mas sem perder a solenidade do momento e das palavras, e dos gestos. Depois de lavar os pés aos seus discípulos, durante a Ceia, Jesus é tocado por um misto de júbilo e de angústia. Vai partir. O cálice da alegria, pela proximidade com os seus, é também o cálice das lágrimas, pois logo dará a vida por eles e por nós.

Se o tempo é breve, urge relembrar-lhes o essencial da Sua mensagem e da Sua vida. As trevas aproximam-se. Antes de acontecer, Jesus previne e antecipa. Quando chegar a hora que, pelo menos, não sejam surpreendidos em absoluto. Do rosto de Jesus irradia luz que atravessa as trevas mais densas. A separação é sempre dolorosa, muito mais quando é definitiva. Saber que Ele estará presente, ainda que de forma diferente, é um lenitivo para a Sua ausência (física).

Escutai, pois, com atenção: «Quem Me ama guardará a minha palavra e meu Pai o amará; Nós viremos a ele e faremos nele a nossa morada. O Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas… Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não se perturbe nem se intimide o vosso coração. Vou partir, mas voltarei para junto de vós. Disse-vo-lo agora, antes de acontecer, para que, quando acontecer, acrediteis».

Com a mensagem que nos agrafa a Jesus – se nos amarmos uns aos outros e se O amarmos de todo o coração –, vem a Sua paz.

 

3 – O Jubileu da Misericórdia acentua o amor misericordioso, compassivo, que brota das entranhas maternas, espontâneo, umbilical. A misericórdia de Deus é visível e concretizável em Jesus, no Seu jeito de amar, de Se aproximar, de Se compadecer.

Neste Dia da Mãe torna-se ainda mais plástico este amor umbilical, entranhado, quase biológico. Não há amor como o de Mãe, tão profundo e natural, tão genuíno! Não há nada mais forte, mais íntimo que o amor da Mãe pelo filho. É um amor que concilia e apazigua.

Na Cruz, sabendo deste amor que permanece e nos faz querer permanecer na casa materna, ou que em nossa casa habite o amor da Mãe, amor que ultrapassa todas as barreias, até a da morte, Jesus dá-nos Maria por Mãe, para permanecer junto de nós e nos embalar, para nos lembrar do amor que Deus nos tem, unindo-nos como família e desafiando-nos a permanecermos de tal forma no amor de Deus que possamos guardar a Sua Palavra, vivendo como irmãos.

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Textos para a Eucaristia (ano C): Atos 15, 1-2. 22-29; Sl 66 (67); Ap 21, 10-14. 22-23; Jo 14, 23-29.

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE

29.04.16

Boletim Paroquial Voz Jovem: janeiro-março 2016

mpgpadre

O Boletim Paroquial de Nossa Senhora da Conceição de Tabuaço é um instrumento para preservar a memória e para avivar o compromisso batismal da nossa insercção ao Corpo de Cristo que é a Igreja. Sendo paroquial, privilegia os acontecimentos e celebrações vividos pela comunidade. Nesta edição, janeiro a março, o Voz Jovem é dedicado sobretudo à Semana Santa, mas incluindo outras notícias, como as Jornadas Arciprestais de Catequistas e das Famílias, o Dia do Pai e Festa do Pai-nosso, Festa da Apresentação do Senhor, com a bênção das Crianças. Deste número, que chega com algum atraso, incluímos também a Festa de São Vicente Ferrer, nos dias 5 e 9 de abril.

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O Boletim poderá ser lido a partir da página da Paróquia de Tabuaço, ou fazendo o download:

23.04.16

Como Eu vos amei, amai-vos também uns aos outros

mpgpadre

1 – «Meus filhos, é por pouco tempo que ainda estou convosco. Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros. Como Eu vos amei, amai-vos também uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros».

Na Última Ceia, Jesus deixa aos seus discípulos a síntese e o essencial da Sua mensagem. Para serem Seus discípulos, e reconhecidos como tal, terão de se amar uns aos outros como Ele os amou. É a única condição. Para eles e para nós, discípulos deste tempo.

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2 – Um Pai, vendo aproximar-se a hora da morte, chamou os seus 10 filhos. Pediu que cada um pegasse num vime e o partisse. Um a um, todos partiram o respetivo  vime. Depois pediu ao filho mais velho que pegasse em 10 vimes, os juntasse e os partisse ao meio. Tentou uma e outra vez, mas não conseguiu. Pediu que os outros filhos tentassem, mas nenhum obteve melhor resultado. Conclusão: juntos é possível enfrentar os maiores obstáculos. A união faz a força!

Quando um pai vai para longe, durante algum tempo, chama os filhos e pede-lhes para se portarem bem e ajudarem nas tarefas de casa, para fazer os trabalhos da escola, para ajudarem a mãe.

Quando alguém está a morrer, chama os que que são mais próximos e manifesta-lhes as suas últimas vontades. Ou deixa em testamento os seus últimos desejos.

O Testamento de Jesus é este: Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei.

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3 – O que diz no final, Jesus viveu-o, amadureceu-o, experimentou-o ao longo de toda a sua vida. A família de Nazaré, passou por diferentes provações que, por certo, ajudaram a amadurecer a união e a entreajuda, o acolhimento dos estrangeiros e a delicadeza para com os vizinhos. Durante algum tempo, refugiou-se no Egito, regressando a Nazaré. Uma cidade-aldeia em que todos são vizinhos e familiares e se auxiliam para sobreviver e enfrentar as dificuldades.

Intuímos uma vida honrada, de trabalho e de sacrifício. Vive-se com pouco. Os elevados impostos do Templo, do Império e das autoridades locais não permitem uma vida desafogada. Por outro lado, a sobrecarga de leis e de preceitos. 613 Mandamentos, 365 negativos (correspondem aos dias do ano solar) e 248 positivos, tantos como os órgãos do corpo humano. Não seria fácil cumprir tantos preceitos.

A delicadeza e a docilidade de Jesus vêm-lhe de um ambiente de fraterna entreajuda. A sobrevivência, o pão de cada dia, depende desta solidariedade. Também aí se manifesta a fé e a confiança em Deus, o que lhes traz paz diante da prepotência dos dirigentes e os motiva para enfrentar as dificuldades.

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4 – Durante os três anos de vida pública, Jesus age em conformidade com a educação recebida, com a cultura e a religiosidade do seu povo. A graça de Deus, a sabedoria, levam a valorizar a palavra dada, a ternura e a compaixão, os laços de amizade. Percebendo as injustiças e a inutilidade de muitas leis, terá tudo isso em conta na hora de falar e sobretudo de agir. Coloca-Se do lado dos mais frágeis. Fez isso connosco. Como nos recorda o apóstolo, Ele deu a vida por nós quando éramos pecadores. Com efeito, a própria Encarnação significa a identificação com a humanidade, fez-Se pobre para nos enriquecer com a Sua pobreza, assumindo a nossa fragilidade, gastando-Se na nossa finitude, para nos resgatar ao poder do pecado e da morte.

Toda a mensagem de Jesus está condensada no mandamento do amor. Amar, servir, dar a vida, proximidade, abaixamento. Modos de agir e de viver. Quem não serve para servir, não serve para viver. A glorificação de Jesus é a Sua paixão por nós. Tudo se encaixa na Sua entrega. A ressurreição diz-nos que a Sua vida é o Caminho, a Verdade e a Vida se queremos alcançá-l'O e entrar na vida eterna.


Textos para a Eucaristia (C): Atos 14, 21b-27; Sal 144 (145); Ap 21, 1-5a; Jo 13, 31-33a. 34-35.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE

 

16.04.16

Eu conheço as minhas ovelhas e elas seguem-Me

mpgpadre

1 – É surpreendente como um bebé sossega ao ouvir a voz da Mãe. Ao  nascer reconhecerá a voz e o ambiente calmo, ou alguma música que escutou dentro do ventre materno. Virá depois o cheiro e o toque, os passos a caminhar, facilmente identificáveis. O mesma ligação, ainda que mais ténue, do Pai.

É quase instintivo. Horários, barulhos, ambientes que progressivamente a criança irá interiorizando. Ainda ao colo da Mãe ou no berço começará a "negociar" (manipular) os pais, descobrindo, por exemplo, que o choro os traz imediatamente de volta.

Com os animais de estimação sucede algo de semelhante. Um gato, ou um cão, identifica a voz de quem o alimenta e afaga, reconhece o barulho do motor do carro a chegar, a porta a abrir, bem como os cheiros, aproximando-se se forem familiares, escondendo-se ou revelando "irritação" se forem estranhos. O barulho do prato de comida! Um animal doméstico pode até detetar o humor dos seus donos, mantendo-se por perto ou afastando-se. O cavalo aprendeu a reconhecer a voz do seu tratador e terá dificuldade em sossegar perante um estranho e dificilmente se deixará aparelhar ou cavalgar.

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2 – Jesus viveu grande parte da sua vida em ambientes rurais. Nazaré é uma pequena cidade, mais aldeia que cidade, em que todos se conhecem e se entreajudam. É carpinteiro, como São José, trabalhando a madeira, a pedra e o ferro. É uma parte do trabalho. Semeiam os campos, próprios ou arrendados. Têm um ou outro animal doméstico. Alguns cabritos ou ovelhas. Recolhem a lã e o leite, para consumo próprio ou para trocar por outros alimentos essenciais. Pela Páscoa comem o Cordeiro pascal com os outros familiares. Em conformidade com a Lei mosaica, todas as famílias se reúnem para comer o Cordeiro pascal. Se houver alguma família que não possa, as outras devem prover para que não lhes falte, condividindo. Este cordeiro é para comer naquele dia. Mata-se o cordeiro do tamanho necessário para a refeição da família ou de forma a partilhar com uma família que não tenha meios para comprar e matar um cordeiro. Não haverá sobras para o dia seguinte!

Os mais novos tomavam conta das ovelhas da aldeia, formando um só rebanho. As famílias ajudam-se nos campos, no cuidado dos animais de pequeno porte, nos trabalhos braçais e na lide doméstica, sobretudo aquando de festas religiosas, ou dos casamentos, e também por ocasião dos funerais. A aldeia forma uma só família.

As palavras de Jesus estão cheias de vida e de experiência: «As minhas ovelhas escutam a minha voz. Eu conheço as minhas ovelhas e elas seguem-Me. Eu dou-lhes a vida eterna e nunca hão de perecer e ninguém as arrebatará da minha mão. Meu Pai, que Mas deu, é maior do que todos e ninguém pode arrebatar nada da mão do Pai. Eu e o Pai somos um só». Ele sabe do que fala e o seu auditório compreende o que lhes diz. A vida emerge das Suas palavras.

 

3 – Jesus é o Bom Pastor que conhece todas as ovelhas e as chama pelo nome, dando a vida por elas. Não Se poupa nem Se guarda.

É o Bom Pastor que sai em busca das ovelhas. Se alguma se perde ou foge do redil, vai procurá-la. Se a encontra faz festa, como o Pai misericordioso faz festa pelo regresso do filho pródigo. Se a ovelha está ferida ou cansada, coloca-a aos ombros, e condu-la de volta ao rebanho. Mas não se pense que descura as que ficam no aprisco, condu-las às pastagens verdejantes e às águas refrescantes.

Jesus vive sintonizado com o Pai. É o Pai que Lhe confia as ovelhas. "Eu e o Pai somos Um só". Se as ovelhas são do Pai, Ele não deixará que se percam. Vem ao de cima a Misericórdia do Pai, que tudo fará para não perder nenhuma ovelha. Envia-nos como Bom Pastor o Seu Filho Jesus, a Quem confia toda a humanidade. Jesus vem congregar-nos numa só família. Um só rebanho, um só Pastor.

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Textos para a Eucaristia (C): Atos 13, 14. 43-52; Sal 99 (100); Ap 7, 9. 14b-17; Jo 10, 27-30.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE

15.04.16

Leituras - Rui Alberto e Sofia Fonseca: APRENDER A PERDOAR

mpgpadre

RUI ALBERTO E SOFIA (2015). Aprender a Perdoar. Uma alternativa saudável à amargura. Porto: Edições Salesianas. 150 páginas.

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Um sacerdote católico, que escreve habitualmente, publicando dinâmicas para grupos, e uma psicóloga, que trabalha com diferentes faixas etárias, crianças, adolescentes, adultos e casais. Juntaram-se para refletir sobre o perdão. Este é associado muitas vezes à religião, confundido com irenismo, com resignação, ou uma forma de pedido de desculpas.

 

Os autores procuram mostrar o que é e o que não é o perdão. O que exige e pressupõe. O perdão faz bem à saúde física e mental. Quem entra numa espiral de vingança e de rancor adoece afetiva e fisicamente podem manifestar-se diversas mazelas. Abrir-se ao perdão é apostar na vida, com esperança e confiança no futuro. Para o ofendido é um exercício custoso, que pode levar tempo, mas que vai valer a pena. Há ofensas que não é possível simplesmente esquecer ou deixar que o tempo cure. O tempo pode ajudar a fazer um enquadramento alternativo, mas a alternativa é proativa, é decidir-se a perdoar, porque o outro reconheceu o mal feito e pediu perdão, ou não reconheceu nem pediu perdão, mas o ofendido decidiu tocar a sua vida para a frente sem ficar preso à mágoa nem à pessoa que magoou e decide perdoar.

 

Por parte do ofensor também pode haver uma resposta ao perdão. Reconhecendo que errou. Não medindo o tamanho da ofensa, pois cada pessoa reage à sua maneira, prontificando-se a pedir perdão, a escutar aquele que ofendeu, a fazer algum gesto que permita ao ofendido perceber que está arrependido.

 

Perdoar não significa reconciliar-se, isto é, retomar o mesmo tipo de relação anterior à ofensa. No mundo cristão pressupõe-se. Mas posso perdoar e não me sentir com forças para retomar o compromisso e a relação onde estavam quando se deu a ofensa. Posso negociar novos termos para retomar o relacionamento. Por parte do ofendido e do ofensor deve haver esta abertura, para retomar, alternar, ou suspender a forma de se relacionarem e sobretudo se o comportamento se vai repetindo.

 

Perdoar não é apagar a memória e esquecer o mal feito. A memória também faz parte do perdão e da reconciliação.Ter presente o mal feito, não para estar sempre a cobrar, mas em ordem a amadurecer, a tentar não repetir os mesmos erros. Pode ser uma oportunidade para valorizar e dar mais qualidade à relação.

 

O perdão não anula a justiça. Pressupõe ou exige. Se pratiquei algum mal, algum dado, mesmo que o ofendido me perdoe devo recompensar, repor, devolver. O ofendido pode perdoar e ainda assim esperar ser ressarcido. Desta forma, a justiça ajuda a solidificar o perdão e a reconciliação.

 

Outro tema abordado: fazer as pazes. Podem-se fazer as pazes sem que haja verdadeira reconciliação, ainda que esta seja mais duradoura. Quero viver em paz com o outro, pessoa ou grupo, sem agressões mútuas, mas nem por isso estar numa relação ativa, apenas numa dinâmica de não-agressão.

 

O livro tem diversas técnicas, sugestões, dinâmicas, para ajudar a perdoar e a procurar o perdão, enquadrando a ofensa além da pessoa. Esta é mais que a ofensa. Isto vale para o ofendido e para o ofensor.

10.04.16

Leituras: WALTER KASPER - TESTEMUNHA DA MISERICÓRDIA

mpgpadre

WALTER KASPER (2016). Testemunha da Misericórdia. A minha viagem com Francisco. Em conversa com Raffaele Luise. Prior Velho: Paulinas Editora. 208 páginas.

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       O Cardeal Walter Kasper já é apelidado como teólogo do Papa Francisco, tal a proximidade espiritual e sintonia teológica e pastoral. Na primeira vez que o Papa falou da varanda do Palácio Apostólico, no Angelus, confidenciou que estava a ler um livro, que mostrou, sobre a misericórdia, de um dos seus cardeais, Walter Kasper, e que a leitura lhe estava a fazer muito bem, sublinhando uma das linhas fundamentais do seu pontificado: A misericórdia. Agendado o Sínodo Extraordinário dos Bispos para refletir sobre a família, o Papa Francisco pediu ao Cardeal alemão que apresentasse um conjunto de perguntas, questões, problemáticas, abrindo dessa forma o debate. E o que é certo é que a intervenção de Walter Kasper suscitou reações diversas, a favor e contra. Algumas sugestões que foi levantando e que provocaram celeuma, o que ajudou a fazer uma reflexão mais aberta e mais alargada.

       Nesta entrevista, guiada por Raffaele Luise, o Cardeal passa em revista diversos temas da vida da Igreja e da sociedade do nosso tempo e como a chegada do Papa Sul-americano, de surpresa em surpresa, tem como que levantando o pó, para que venha ao de cima o Evangelho de Jesus Cristo, na Sua opção pelos pobres. Nenhum tema problemático é deixado de fora: a família, a contracepção, a homossexualidade, a comunhão do recasados, o diálogo inter-religioso e o terrorismo, o ecumenismo. Os gestos proféticos do Papa Francisco, que está a fazer a revolução da amizade e da ternura, com a Sua simplicidade, doçura, com a prevalência de uma atitude dialogante de respeito, de escuta, de serviço. O magistério de Francisco, inequivocamente, tem aberto muitas portas, aproximado muitas pessoas.

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       Um dos temas que surge como pano de fundo é a misericórdia. Walter Kasper sublinha como sintoniza com o projeto do Papa de acentuar a misericórdia, desde a primeira intervenção, o Papa Bergoglio tem recuperado esta característica essencial de Deus, que transparece no Rosto e em toda a vida de Jesus e que há de transparecer na Igreja e nos seus membros. O Cardeal permite-nos ver de perto o Papa Francisco nesta revolução do coração. É um belíssimo testemunho que não ignora as dificuldades e os escolhos, mas apostando na persistência, na fidelidade ao Evangelho de Cristo, na firmeza dos princípios, mas colocando as pessoas em primeiro lugar, seguindo a postura de Jesus.

       As bem-aventuranças, segundo Kasper, constituem o programa pastoral do Papa Francisco, onde os mais pobres têm um lugar privilegiado, é deles o Reino dos Céus, são eles que devem estar na primeira linha das preocupações da Igreja e dos cristãos que a compõem. Uma Igreja pobres, dos pobres e para os pobres.

10.04.16

Leituras: WALTER KASPER - A MISERICÓRDIA

mpgpadre

Cardeal WALTER KASPER (2015). A Misericórdia. Condição fundamental do Evangelho e chave da vida cristã. Cascais: Lucerna. 264 páginas.

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       No primeiro ANGELUS, a 17 de março de 2013, o Papa Francisco citou este livro de Walter Kasper, sobre a misericórdia de Deus, e que lhe tinha feito muito bem. Milhões de pessoas, das que estavam na Praça de São Pedro às que acompanhavam pelos meios de comunicação social, repetição do momento, partilhas e comentários, o Cardeal Kasper ficava, por mérito próprio certamente, no centro das atenções. A partir de então tem sido citado muitas vezes. Segundo o próprio, logo naquele dia vendeu milhares de livros, esgotando os stocks. O Papa Francisco fazia-lhe a melhor das publicidades. Mais tarde, o Papa pediu-lhe para apresentar um relatório/reflexão sobre a Família, iniciando-se o debate de preparação para os Sínodos Extraordinário e Ordinário sobre a Família, realizados no mês de outubro de 2014 e de 2015.

       O autor procura mostrar que a misericórdia está no centro do Evangelho. Muitas vezes relegada para segundo plano, esquecida, acentuando-se a justiça em detrimento do perdão e da compaixão de Jesus Cristo. O Cardeal procura situar a misericórdia na atualidade, mostrando a urgência e a necessidade de refletir e colocar em andamento a misericórdia de Deus, visível em Jesus Cristo. O medo de acentuar a misericórdia, pensando-se que dessa forma a religião se tornaria laxista e desculpabilizante. Nada mais errado, a religião precisa de ser purificada pela misericórdia de Deus, pelo perdão, pela compaixão. A justiça é apenas um atributo de Deus, mas não o mais elevado, quando muito uma atributo que conduz sempre à misericórdia de Deus. Aliás, poder-se-á concluir que em Deus a justiça e a misericórdia se interligam. Deus é justo usando de misericórdia.

       A abordagem deste trabalho leva-nos à filosofia, à história das religiões ou à regra de ouro, ponto de partida e referência comum. A regra de ouro parece referir-se sobretudo à justiça, mas o seu propósito era evitar a vingança e a desproporção perante as ofensas recebidas. De algum modo se reveste de misericórdia, apelando para a compreensão.

       Por outro lado, o Cardeal mostra com clareza que o Deus do Antigo Testamento não é primeiramente um Deus absoluto, Juiz implacável, mas é um Deus que usa de misericórdia até à milésima geração. Como se canta no salmo: eterna é a Sua misericórdia.

       Com a Encarnação, a misericórdia de Deus ganha um rosto e um corpo, Jesus Cristo, que com palavras e gestos vive, anuncia e pratica a misericórdia do Pai. A compaixão de Jesus por cada pessoa que encontra é um jeito de ser, não é uma opção para alguns momentos, mas é a postura habitual do Mestre dos Mestres. A misericórdia da Trindade espelha-se em Jesus Cristo. Bem-aventurados os misericordiosos porque alcançarão misericórdia. Sede misericordiosos como o Vosso Pai celeste é misericórdia. Se em Jesus a Misericórdia é uma constante que o caracteriza, também a Igreja terá que se alimentar da misericórdia, do serviço, do perdão, da compaixão, imitando o Seu Divino Mestre.

       Alguns meses depois, e depois de alguns encontros com Walter Kasper, o Papa Francisco convocou o Jubileu Extraordinário da Misericórdia, colocando-a como centro do Seu pensamento e da Sua intervenção, recorrendo a Jesus como o Rosto da Misericórdia, a Maria, como Mãe de Misericórdia, e à Igreja como testemunha e dispensadora da Misericórdia divina.

09.04.16

Simão, Filho de João, Tu amas-me?

mpgpadre

1 –  “A preocupação de todo o cristão... há de ser a fidelidade, a lealdade à própria vocação, como discípulo que quer seguir o Senhor. A fidelidade no tempo é o nome do amor; de um amor coerente, verdadeiro e profundo a Cristo Sacerdote” (Bento XVI, em Fátima).

O amor é a fidelidade no tempo. Não é um sentimento passageiro, mas uma opção de vida. Jesus não passa pelas pessoas. Jesus permanece. "Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos" (Mt 28,20). Não estará num momento ou nas situações favoráveis, mas em todo o tempo, e em todas as situações da vida. Deus é amor. Quem ama permanece em Deus e Deus permanece nele.

Jesus volta a aparecer, junto à margem. Convida-nos para a Sua mesa. O entusiasmo inicial desvanece-se, logo passa e tudo regressa à rotina e ao cansaço. E eis que vemos Jesus, a chamar-nos, a alimentar-nos e a enviar-nos. Ainda não percebemos que a ressurreição nos leva para outros caminhos? A vida está aquém do sepulcro e além da morte. O Ressuscitado reenvia-nos para o HOJE. Por quê voltar atrás?

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2 – Jesus apareceu aos discípulos, na tarde daquele primeiro dia, encontrou-os fechados em casa com medo dos judeus. Oito dias depois voltou a aparecer-lhes, estando também Tomé, antes ausente. A alegria tomou conta deles, mas foi sol de pouca dura. Que fazer? Esperar que o Ressuscitado restaure em definitivo o Reino de Deus?

Pedro, para se distrair ou ocupar o tempo, decide ir pescar. Os outros seguem-lhe o exemplo. Tomé, Natanael, João, Tiago e mais dois discípulos. Já se tinham esquecido que Jesus os retirou da pesca real para os tornar pescadores de homens (cf. Mt 4, 19). E, com efeito, a noite não rendeu, não pescaram nada. Ao romper da manhã, Jesus apresenta-Se na margem. Jesus chega cedo à nossa vida. Eles não sabiam que era Ele. Muitas vezes também nós não nos apercebemos que Jesus nos visita ou que está diante de nós!

A pergunta de Jesus deixa-os boquiabertos: «Rapazes, tendes alguma coisa de comer?». Escutam o pedido e, de bom grado, O atenderiam, mas não pescaram nada. Então Jesus diz-lhes: «Lançai a rede para a direita do barco e encontrareis». Sucedem-se momentos extraordinários. Com Jesus, a pesca é abundante. Sem Ele, é inútil qualquer trabalho. Nesta pescaria são precisas muitas mãos. Pedro vai ao encontro de Jesus, outros discípulos puxam as redes. Pedro volta, sobe ao barco, ainda Hoje como Francisco, e puxa a rede para terra firme, com 153 grandes peixes. Não importa o número mas a comunhão de amor. Na margem, Jesus espera-os para os alimentar. Primeiro pediu-lhes que comer, agora tem o lume aceso e peixes a assar. Mas conta com eles, e connosco: «Trazei alguns dos peixes que apanhastes agora».

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3 – O amor é a fidelidade no tempo. Não é um instante, ainda que se alimente de instantes e se renove constantemente. Traduz-se em obras, gestos e atitudes. Jesus questiona Pedro: «Simão, filho de João, tu amas-Me mais do que estes?». Pedro responde o óbvio: «Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo». Jesus insiste. Na terceira e última resposta, Pedro reconhece-se humildemente, quase a sussurrar: «Senhor, Tu sabes tudo, bem sabes que Te amo».

Olhando-o nos olhos, Jesus desafia-o: «Apascenta as minhas ovelhas. Em verdade, em verdade te digo: Quando eras mais novo, tu mesmo te cingias e andavas por onde querias; mas quando fores mais velho, estenderás a mão e outro te cingirá e te levará para onde não queres». Mais uma vez não lhe promete facilidades. Jesus estará sempre com ele e connosco, desde que O amemos de todo o coração. Como a Pedro, ontem, também a nós, hoje, Jesus interpela: «Segue-Me».

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Textos para a Eucaristia (ano C): Atos 5, 27b-32. 40b-41; Sl 29 (30); Ap 5, 11-14; Jo 21, 1-19.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE

02.04.16

Meu Senhor e Meu Deus

mpgpadre

1 –  A plenitude da misericórdia divina é visualizável no mistério da Encarnação, Deus cabe na palma da mão, cabe no meu e no teu coração. A omnipotência reduz-Se à pequenez. Deus, em Jesus Cristo, faz-Se Caminho para nós e entra nos caminhos do tempo, vem ao nosso mundo. O mistério da Páscoa condensa e evidencia em definitivo a misericórdia de Deus que Se ajusta à nossa fragilidade. O coração de Deus compadece-se da nossa miséria e envolve-nos no Seu amor.

Com a Páscoa, uma enxurrada de vida nova. A morte não tem mais a última palavra. Esta é de Deus, é da vida, é do Amor. Jesus regressa trazendo-nos, na expressão de Bento XVI, a vastidão do Céu. Um vislumbre de luz que incendiou o mundo. Assim é a Luz da Fé, à minha luz, a luz do outro, e mais luz, como a chama de um isqueiro num estádio de futebol, quase invisível, mas logo que se acendem dezenas, centenas, milhares, o estádio fica todo iluminado. O encontro com Jesus ressuscitado, a experiência da misericórdia de Deus na nossa vida, impele-nos a sermos luz uns para os outros.

São João Paulo II quis que este 2.º domingo de Páscoa fosse tido sob o prisma da misericórdia, acentuando a Páscoa como expoente máximo da compaixão de Deus pela humanidade. Abaixa-Se para nos elevar, como a Mãe que se agacha para pegar o seu filho ao colo!

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2 – Páscoa de Jesus Cristo. Sepulcro sem corpo e sem vida. A vida está aquém do sepulcro e além da morte. Jesus ressuscitou. A vida germina de novo em abundância. Deixou-Se matar! Deus Pai ressuscitou-O, agora deixa-Se ver e encontrar, deixa-Se perceber ao nosso olhar e ao nosso coração. Não é fantasma, é Ele mesmo. Traz as marcas da crucifixão e a mesma mensagem: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós».

Na tarde daquele Primeiro Dia da Nova Criação, Jesus volta a colocar-Se no MEIO, congregando, unindo, é o ELO sem o Qual não existe comunidade. Não é um corpo que foi reanimado, mas uma forma totalmente nova de Se manifestar. É tanta a LUZ que encandeia num primeiro momento. A aparição assusta, os gestos e as palavras e as marcas de cumplicidade esclarecem e comprometem. A morte tinha sido violenta e abrupta a separação. Já havia rumores. Algumas mulheres afirmavam que Ele tinha ressuscitado! Para os discípulos não passam de rumores. Eis que vem Jesus, como sempre o havia feito, e centra-os à Sua volta, mas logo enviando-os, com uma missão específica: «Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos». A misericórdia divina tem novos intérpretes. Os discípulos são os braços, as pernas, as mãos, o coração de Jesus para o mundo das pessoas.

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3 – Mas como sermos testemunhas se não estávamos quando Jesus apareceu? É possível ser enviado sem a comunidade?

Tomé, chamado Dídimo, isto é, Gémeo, nosso irmão gémeo, lembra-nos que a fé não é um dado adquirido, mas é procura constante para encontrar Jesus, nas variadas situações da vida. Naquela tarde, Tomé não estava. Ouve o testemunho dos outros que viram Jesus. É um dizer indireto, em segunda mão. Tomé precisa de ver e de tocar. A fé não é mera abstração intelectual. Envolve-nos mental, afetiva e racionalmente. Oito dias depois, Jesus volta a colocar-se no MEIO deles, com Tomé presente. As marcas da paixão podem ver-se no Corpo de Jesus, e novamente a mensagem de sempre: a paz esteja convosco. É hora de Tomé ser surpreendido por Jesus: «Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; aproxima a tua mão e mete-a no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente». Tomé encontra-se com Jesus e ao vê-l'O confessa: «Meu Senhor e meu Deus!».

Não se pense que a incredulidade de Tomé foi assim tão diferente da dos outros discípulos. Eles tinham escutado rumores, mas só quando Jesus lhes apareceu é que acreditaram.

Contudo, o anúncio é crucial para a transmissão da fé. A fé chega-nos através da comunidade, pelo testemunho daqueles que fizeram a experiência de encontro com Jesus. Diz-nos Jesus: «Porque Me viste acreditaste: felizes os que acreditam sem terem visto».

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Textos para a Eucaristia (ano C): Atos 5, 12-16; Sl 117 (118); Ap 1, 9-11a. 12-13. 17-19; Jo 20, 19-31.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE

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