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...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...

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26.09.15

Quem der um copo de água, não perderá a sua recompensa

mpgpadre

1 – "Há um «serviço» que serve aos outros; mas temos que guardar-nos do outro serviço cujo interesse é beneficiar os «meus», em nome do «nosso». Este serviço deixa sempre os «teus» de fora, gerando uma dinâmica de exclusão" (Papa Francisco, em Cuba). O contexto é o de domingo passado, em que Jesus diz claramente aos seus discípulos que quem quiser ser o primeiro seja o servo de todos. A tentação será servir-se, ou servir os seus, excluindo os que não fazem parte da minha família, do meu partido, da minha religião, do meu país, do meu grupo de amigos. Ora para Deus somos irmãos. Ele é Pai de todos. Todos são chamados a formar uma família feliz.

Acolher os distantes, o estrangeiro, o pobre, o estranho, o refugiado, não nos dispensa de tratar bem os de casa e os da vizinhança.

O Evangelho mostra os discípulos muito zelosos em relação ao grupo e aos próprios interesses. João diz a Jesus: «Mestre, nós vimos um homem a expulsar os demónios em teu nome e procurámos impedir-lho, porque ele não anda connosco». Não se põe em causa o bem mas quem o faz. Se fizesse parte do grupo, acrescentaria prestígio e estava em sintonia com Jesus. Ora, se não faz parte do grupo não terá direito a fazer o que quer que seja relacionado com Jesus.

Novamente a questão do protagonismo: quem é o maior?! Resposta clarificadora de Jesus: quem quiser ser o primeiro será o servo de todos. Os discípulos ainda precisam de caminhar muito mais. Veem alguém que lhes pode tirar o protagonismo e logo o afastam.

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2 – Sem Jesus fisicamente entre nós, Ele realmente Se faz presente pela Palavra proclamada, pelos Sacramentos, particularmente na Eucaristia, e muito especialmente Se faz presente nos pobres.

Não há privilégios nem privilegiados. A haver discriminação será a favor dos excluídos, menosprezados, esquecidos. Partimos da mesma condição: fazer o bem e em nome de Jesus para que não nos tornemos vaidosos ao ponto de fazermos depender os outros de nós, instrumentalizando-os.

Responde-lhes Jesus: «Não o proibais; porque ninguém pode fazer um milagre em meu nome e depois dizer mal de Mim. Quem não é contra nós é por nós».

Estamos habituados a diabolizar quem não pensa como nós. Pior, diabolizamos os que não fazem parte do nosso grupo, mesmo que tenham ideias semelhantes às nossas.

Jesus diz aos seus discípulos que o joio e o trigo crescem em simultâneo até à ceifa (cf. Mt 13, 24-30). Em vez de diabolizar há que integrar. Discutir ideias, mas acolher todas as pessoas. Há que procurar o bem em todos, a presença de Deus em cada um. O caminho de Jesus é o caminho do amor, da paixão, do serviço a todos, sem excluir, preferindo aproximar-se dos afastados. O caminho é amar. Amar sempre. Amar servindo. Não importa a quem. Não importa quem. Retomemos a parábola do Bom Samaritano (cf. Lc 10, 25-37). Para se ser bom não é preciso ser judeu, ou ser cristão, o que é preciso é fazer o bem sem olhar a quem.

 

3 – «Quem vos der a beber um copo de água, por serdes de Cristo não perderá a sua recompensa. Se alguém escandalizar algum destes pequeninos que creem em Mim, melhor seria para ele que lhe atassem ao pescoço uma dessas mós e o lançassem ao mar».

No dia em que se faz memória de São Vicente de Paulo, vale a pena meditar nas suas palavras: «O serviço dos pobres deve ser preferido a todos os outros e deve ser prestado sem demora… se tiverdes de deixar a oração… De facto não se trata de deixar a Deus, se é por amor de Deus que deixamos a oração: servir um pobre é também servir a Deus. A caridade é a máxima norma, e tudo deve tender para ela; é uma grande senhora: devemos cumprir o que ela manda».

Os discípulos discutem lugares e protagonismo: qual de nós será o maior no Reino de Deus? E afastam os que possam ocupar um lugar especial no coração de Jesus ou agir em Seu nome. Jesus não discute lugares, mas serviço. Não importa quem brilha! Importa quem faz transparecer Jesus e o Seu Evangelho de amor. No MEIO estará sempre Jesus, ainda que esteja no meio através dos mais pobres.

________________________

Textos para a Eucaristia (B): Num 11, 25-29; Sl 18 (19); Tg 5, 1-6; Mc 9, 38-43.45.47-48.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE

21.09.15

Quem quiser ser o primeiro será o servo de todos».

mpgpadre

1 – Morte e Ressurreição. Eis o mistério maior (e único) da nossa fé cristã. Em cada domingo, os cristãos celebram a Páscoa semanal, mas também em cada Eucaristia, sacramento no qual Jesus Se faz presente sob as espécies do vinho e do pão que pelo Espírito Santo Se transformam no Seu Corpo e no Seu Sangue. Oferenda que se torna atual no Sacramento da Eucaristia.

No Evangelho, cedo Jesus anuncia este mistério: «O Filho do homem vai ser entregue às mãos dos homens, que vão matá-l’O; mas Ele, três dias depois de morto, ressuscitará».

Apesar da Confissão de Fé, feita por Pedro em nome de todos, dos discípulos daqueles dias e de hoje, que somos nós, há ainda um longo caminho a percorrer, para amadurecer a fé, para perceber a vontade de Deus, para aperfeiçoar a identificação com Jesus e com o Seu Evangelho de serviço sem fronteiras.

O anúncio da morte e a chegada iminente do reino de Deus, leva os discípulos a discutir lugares, para ver quem ganha a dianteira. Alguns candidatos óbvios: Tiago e João, André e Pedro, Judas Iscariotes (um dos mais próximos de Jesus e com maior preponderância no grupo, sendo o responsável pelas economias e pela gestão logística das jornadas missionárias). Os Evangelhos (cf. Mc 10, 35-45; Lc 22, 24-27; Jo 13, 1-17) mostrar-nos-ão como Tiago e João solicitam a Jesus os lugares à Sua direita e à Sua esquerda. Este facto foi ligeiramente modificado por São Mateus (20, 20-28) que coloca a mãe dos dois a pedir, protegendo-os desta pretensão e ousadia. Esse episódio ser-nos-á apresentado daqui a quatro domingos, na versão de São Marcos.

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2 – O caminho serve para evangelizar. Mas por vezes Jesus deixa que os discípulos conversem e só os interpela em casa. Faz-nos lembrar aquelas famílias, cujos filhos vão discutindo sem que os pais intervenham, a não ser mesmo necessário, e quando chegam a casa aproveitam e esclarecem algum ponto, rebatendo ou alertando para alguma situação menos positiva. Também assim no contexto de um grupo ou uma turma, os reparos quanto possível devem fazer-se discretamente e de preferência individualmente. Neste caso, todo o grupo está em causa. Precisam de amadurecer ideias. Jesus deixa porquanto que discorram entre eles.

O evangelista refere que os discípulos estavam com receio em interrogar Jesus. Talvez por saberem o que Ele pensava. Mas querem tirar a limpo. Têm que arriscar. Vimos como Pedro repreendeu Jesus quando Ele anuncia a Sua morte para breve. Vê-se agora que a repreensão a Pedro é extensível a todos os discípulos. Se se aproxima a hora da morte de Jesus, há que assegurar o futuro sem Ele. Pelo caminho vão jogando uns com os outros sobre as cartadas de cada um: qual deles é o maior e que pode assumir um lugar de destaque?

Enquanto discutem lugares, Jesus chega-lhes a mostarda ao nariz para lhes recordar a missão do Filho do Homem que veio para servir e não para ser servido, veio para dar a vida pela humanidade. O serviço é o único caminho do discípulo. Quem quiser segui-l'O tem de correr atrás de Jesus, seguindo os Seus passos, de serviço e de auto oferenda pelos outros. O caminho do amor passa pela cruz. Aquele que ousar desviar-se da Cruz de Jesus, perde-se a si mesmo, pois não há amor que não acarrete preocupação, serviço, dedicação ao outro e até dar a própria vida pela vida de quem se ama. Qual o pai que não daria a vida pelo seu filho? Qual o pai que amando não sofre?

Não há caminho cristão sem cruz, sem serviço, sem humildade, sem a pequenez que deixa transparecer a grandeza de Deus.

Jesus chama-os, reúne-os à Sua volta – Cristo deve estar sempre no centro, no meio, Ele preside – e senta-se. É a atitude de quem ensina. E diz-lhes: «Quem quiser ser o primeiro será o último de todos e o servo de todos». E, para que não haja dúvidas, Jesus toma uma criança, coloca-a no MEIO deles, abraça-a e sublinha: «Quem receber uma destas crianças em meu nome é a Mim que recebe; e quem Me receber não Me recebe a Mim, mas Àquele que Me enviou».

Curioso: eles discutem o futuro para um tempo sem Jesus; Jesus propõe-lhes um futuro em que estará sempre no MEIO, pelo Espírito Santo, ou pelos mais pequenos do Reino. Não são os discípulos que devem ocupar o MEIO mas aqueles que eles devem servir.

______________________

Textos para a Eucaristia (B): Sab 2, 12. 17-20; Sl 53 (54); Tg 3, 16 – 4, 3; Mc 9, 30-37.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE

 

12.09.15

«E vós, quem dizeis que Eu sou?»

mpgpadre

1 – Nas costas dos outros vemos as nossas. Ouvimos o que dizem dos outros e ficamos a saber que as mesmas pessoas dirão coisas semelhantes a nosso respeito quando não estivermos presentes. E há aqueles que fazem as mesmas perguntas que Jesus: «Quem dizem os [outros] homens que Eu sou?».

A resposta dos discípulos é generosa, filtrando talvez algumas opiniões mais desfavoráveis: «Uns dizem João Baptista; outros, Elias; e outros, um dos profetas». Se nos entranharmos no Evangelho verificaremos outras visões acerca de Jesus: um louco ou tresloucado, um endemoninhado, um perigoso revolucionário, um herético, cujas blasfémias bradam aos céus.

Jesus dá um passo em frente: «E vós, quem dizeis que Eu sou?».

Percebemos bem as implicações desta pergunta. Saber o que os estranhos dizem a nosso respeito é relativo. As pessoas muito sensíveis deixam-se afetar facilmente pelas opiniões alheias, venham de onde e de quem vierem. Mas o importante mesmo é saber o que dizem de nós os nossos amigos. Até que ponto nos conhecem? O que dirão de nós quando não estivermos?

O DIZER implica-nos, implica a nossa amizade, implica a vida. Há ruído que se perde em palavreado, mas há também a comunicação que nos aproxima, nos irmana, nos familiariza com os outros. Pedro responde também em nosso nome: «Tu és o Messias».

É uma primeira Profissão de Fé que terá um longo caminho de amadurecimento. A firmeza da confissão de fé ditará a firmeza do seguimento. Jesus liga as duas realidades. Imediatamente, Jesus lhes diz o que significa ser Messias e as consequências do ACREDITAR e de O SEGUIR. O filho do homem vai sofrer muito, há de ser morto e ressuscitará. Que direis de Mim?

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 2 – As palavras de Jesus preanunciam espessas nuvens no horizonte e que merecem de novo a intervenção pronta de Simão Pedro, que O contesta abertamente. Voltando-Se, Jesus repreende-o: «Vai-te, Satanás, porque não compreendes as coisas de Deus, mas só as dos homens». Na interpretação de D. António Couto, Bispo de Lamego, a tradução deveria ser “Vai para trás de MIM, satanás". Isto é, não queiras ser Mestre, terás que ser discípulo e seguir-Me. Aliás é esse o desafio lançado aos discípulos mas também à multidão que Ele chama a Si: «Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me. Quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; mas quem perder a vida, por causa de Mim e do Evangelho, salvá-la-á».

Para a multidão, para os discípulos, para nós, ser discípulo de Jesus é segui-l'O, pois Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida. É necessário que Ele cresça e diminua o nosso ego.

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 3 – Vou dizer-te uma coisa... queria pedir-te um favor... mas antes quero que prometas que vais guardar para ti, que vais fazer tudo para atenderes ao meu pedido. Quando queremos dizer algo de importante, primeiro tentamos garantir a confiança de quem vai ser depositário dos nossos segredos. Quando queremos que alguém nos ajude, fazemos com que se compromete antes de lhe dizermos o que é…

Jesus avalia a firmeza dos apóstolos e da multidão, para saber que pode confiar, pode dizer-lhes mais coisas, pode abrir o Seu coração por inteiro e projetar já os tempos difíceis que estão para vir.

O tato de Jesus é extraordinário. Faz perguntas circunstanciais. Depois pergunta diretamente àqueles que estão com Ele, confia-lhes e desvenda-lhes um pouco do futuro, que progressivamente se vai evidenciar pela oposição e contestação de algumas franjas de judeus. Diz ao que vem. A minha vida será assim. Quereis seguir-Me? Sabei o que vos poderá acontecer.

O chamamento não é um exclusivo dos discípulos mais chegados, é para todos. Será necessário sempre um grupo mais comprometido, garantindo uma comunicação mais eficiente e uma maior fidelidade ao Evangelho. A perspetiva, contudo, é instrumental, é para chegar a mais pessoas, perdurar por mais tempo, e manter a mesma frescura inicial. Logo Jesus chama a multidão. A mensagem é para todos. Todos ficamos implicados: «Se alguém quiser seguir-Me, tome a sua cruz e siga-Me». O recado é clarividente: seguir ATRÁS, decalcando as Suas pegadas.

____________________

Textos para a Eucaristia: Is 50, 5-9a; Sl 114 (115); Tg 2, 14-18; Mc 8, 27-35.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA no nosso outro blogue Caritas in Veritate

11.09.15

Leituras: SOFIA LISBOA - NUNCA DESISTAS DE VIVER

mpgpadre

SOFIA LISBOA, com Natália Heleno Pereira (2014). Nunca Desistas de Viver. Alfragide: Lua de Papel. 208 páginas.

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        Sofia Lisboa era a vocalista dos Silence 4, banda cujo sucesso ainda lhes é reconhecido. Depois da banda terminar, tornou-se professora de fitness. Casou, engravidou, tinha tudo para ter a vida que sempre sonhou. Nova, bonita, realizada profissionalmente, com amigos. Mas eis que o telefonema lhe corta a vida em duas metades (antes e depois do telefonema): leucemia (um tipo dos mais graves). Tinha sobre si a sentença da morte.

      A pessoa que passa por uma grave doença, por um cancro, reage à sua maneira. Parafraseando Tolstoi,  as famílias felizes são iguais, as famílias tristes são originais, pois cada uma sofre à sua maneira, única, especial, irrepetível. Também as pessoas a quem a doença e/ou o sofrimento profundo bate à porta. Não há duas doentes iguais, ainda que a doença seja a mesma. A pessoa, com a sua predisposição, a sua educação, o seu otimismo ou o seu pessimismo, a família e os amigos que têm ou não tem. Tudo é diferente. Refira-se que quando a doença chega não leva em linha de conta se a pessoa é pobre ou rica, feliz ou infeliz, se é feia ou bonita, magra ou mais forte.

       Sofia Lisboa passou por diversas fases. Por momentos de esperança e otimismo, por momentos de tristeza e decepção. Não lhe faltaram os amigos. A família. O marido que a acompanhou intensamente durante o período mais difícil (viriam a separar-se, tão grande foi o desgaste da doença). Logo no início, a perda do bebé, consequência inevitável para iniciar os tratamentos. Foi a primeira grande perda, e com essa perda também a impossibilidade de ser novamente mãe (biológica).

       Vieram os tratamentos. Durante vários meses. Encontrou pelo caminho profissionais que eram amigos e competentes, mas também profissionais indispostos com a vida. A irmã deu-lhe uma segunda vida, já que a medula era compatível. O transplante trouxe a esperança, mas o combate ainda estava longe de ser bem sucedido, física e mentalmente. Para que o próprio organismo aceitasse a medula da irmã, foi submetida a intensos tratamentos, nomeadamente cortisona. Chegou um momento que dependia em tudo dos outros. Aumentou de peso, tinha pelos pelo corpo inteiro, usava fralda, não se podia levantar. Havia dias que o desejo era "partir", não fosse o peso que colocaria na família e nos amigos. Tinha perdido tudo: a beleza, a vida (de outrora), o filho, o marido...

       A família e os amigos fizeram-lhe "ver" que havia que viver não em função da vida anterior mas da que está pela frente. Como ela, como todos, é sempre mais fácil falar.

       Com a recuperação, também a possibilidade de fazer novas coisas, de começar a sair, ainda que com muitos cuidados. Outro dos propósitos era juntar o grupo Silence 4. A David Fonseca, o "razito" que teve o sonho de formar uma banda, apostada no som acústico e em duas vozes, uma masculina e outra feminina, pediu que voltasse a reunir o grupo. Se sobrevivesse então estaria lá para agradecer, cantar, vibrar, se morresse seria uma espécie de tributo e eternização. Uma parte da receita, como veio a acontecer, seria para a Liga Portuguesa contra o Cancro.

        Outro dos propósitos era escrever um livro sobre esta travessia, de forma a ajudar outros a enfrentar a doença com valentia, em lógica de "podemos ser derrotadas mas não desistentes", pois nem tudo depende de nós.

       O livro que ora propomos é precisamente este testemunho eloquente, este desafio, apesar de todas as dificuldades e do sofrimento atroz, é possível não desistir de viver.

 

Outras LEITURAS anteriormente recomendadas, que enfrentaram o cancro, sob diversas manifestações e com finais diferentes: (Manuel Forjaz, José Maria Cabral e Corbella faleceram pouco tempo depois dos emocionadas testemunhos)

 
  1. MANUEL FORJAZ: Não te distraias da vida
  2. Manuel Forjaz e JAC: 28 minutos e 7 segundos de vida
  3. José Maria Cabral: O desafio da Normalidade
  4. Fernanda Serrano: Também há finais felizes
  5. Chiara Corbella Petrillo: nascemos e jamais morremos

05.09.15

O Senhor ilumina os olhos dos cegos, e levanta os abatidos,

mpgpadre

1 – Jesus Cristo vem para todos. O Reino de Deus não tem excluídos, a não ser aqueles que se autoexcluem. A opção preferencial pelos mais frágeis situa a urgência e a obrigação da inclusão…

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2 – A doença e a deficiência (mas também a pobreza material) facilitam a exclusão. Dos próprios, quando já não têm voz…  De todos, quando remetemos para outros a responsabilidade de ajudar…

Naquele tempo, um leproso, um coxo, um cego, um surdo, tinham o mesmo tratamento que um publicano, uma mulher adúltera, ou uma prostituta. A exclusão é semelhante. Se estes podem ter alguma responsabilidade pessoal, aqueles não. De recordar o episódio em que Jesus cura um cego de nascença e conclui que nem ele nem os pais tiveram culpa alguma, excluindo qualquer leitura moral (cf. Jo 9).

Em resposta aos emissários de João Batista, Jesus responde-lhes: «Ide contar a João o que vistes e ouvistes: os cegos veem, os coxos andam, os leprosos ficam limpos, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e aos pobres é anunciado o Evangelho…» (Lc 7, 19-23).

Jesus vem de Deus para incluir, para salvar, para envolver. Não há nada que nos possa afastar do amor de Deus: nem a doença, nem a pobreza, nem o pecado, nem a raça ou a religião, nem a deficiência.

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3 – A multidão por vezes é um empecilho, impede-nos de ir onde queremos. Outras vezes é uma ajuda preciosa, guia-nos e ampara-nos. Trouxeram a Jesus um surdo que mal podia falar. Pedem-Lhe que imponha as mãos sobre ele. Jesus faz o que está ao Seu alcance. Afasta-Se com ele da multidão, mete-lhe os dedos nos ouvidos e com saliva toca-lhe a língua, ergue os olhos para Deus, e diz-lhe «Efatá», que quer dizer «Abre-te».

Jesus usa os sentidos. Aquela pessoa é surda e mal fala. Jesus aproxima-se dela ao máximo, tocando-lhe. Não é a magia a funcionar, é o toque humano que transforma, acolhendo, amando, salvando.

Os políticos, os atores, os mágicos precisam de quem aplauda. Jesus usa de discrição, no início e no fim, recomendando que não se conte nada a ninguém. Parece que este pedido, como quando se pede um segredo, não resultou o efeito pretendido, pois o feito é divulgado com assombro: «Tudo o que faz é admirável: faz que os surdos oiçam e que os mudos falem».

 

4 – A missão primeira de Jesus é o anúncio do Reino de Deus. As curas testemunham a Sua divindade. Porém, o grande milagre que Jesus opera é a conversão. Jesus é Deus connosco, que vem salvar-nos da surdez que nos impede de escutar os outros, da cegueira que nos impede de reconhecer os outros como irmãos.

Não é possível eliminar todo o mal, mas devemos eliminar o mal que nos é humanamente possível. Se existir alguma limitação que não é possível superar… Deus ama-nos, além das nossas limitações, do nosso pecado, das nossas insuficiências. Aceitar a nossa condição é meio caminho andado para a cura!

 

5 – Vale a pena concretizar os gestos e as palavras de Jesus com as recomendações de São Tiago. A fé em Jesus não admite aceção de pessoas. Mais um exemplo concreto: "Pode acontecer que na vossa assembleia entre um homem bem vestido e com anéis de ouro e entre também um pobre e mal vestido; talvez olheis para o homem bem vestido e lhe digais: «Tu, senta-te aqui em bom lugar», e ao pobre: «Tu, fica aí de pé», ou então: «Senta-te aí, abaixo do estrado dos meus pés». Não estareis a estabelecer distinções entre vós e a tornar-vos juízes com maus critérios? Escutai, meus caríssimos irmãos: Não escolheu Deus os pobres deste mundo para serem ricos na fé e herdeiros do reino que Ele prometeu àqueles que O amam?".

 

6 – A Virgem Mãe, cujo natal celebramos a 8 de setembro, vem ao mundo com esta missão de acolher Jesus e nos ensinar a acolher a Sua vontade – fazei o que Ele vos disser –, apressando o auxílio na Visitação e apressando a missão de Jesus, intercedendo a favor dos noivos de Caná da Galileia. Exemplo de inclusão e de intercessão!

_______________________

Textos para a Eucaristia (B): Is 35, 4-7a; Sl 145 (146); Tg 2, 1-5; Mc 7, 31-37.

 

REFLEXÃO DOMINCIAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

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