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Escolhas & Percursos

...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...

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31.10.14

SOLENIDADE DE TODOS OS SANTOS - reflexão

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1 – Sede santos porque Eu, o Senhor Vosso Deus, sou Santo.

O desafio da santidade é um compromisso de felicidade, de aperfeiçoamento, de vida no bem, na verdade e do amor. Não é o privilégio de alguns iluminados ou puros, é o caminho que todos podemos e devemos percorrer. Não é uma conquista ou uma usurpação, é dádiva de Deus que em Jesus Cristo nos redime e nos salva, nos introduz na Sua comunhão de vida nova. Pelo batismo, com efeito, tornamo-nos santos, isto é, filhos amados de Deus. Ao longo do tempo, vivemos neste itinerário de santidade, por vezes decididos, outras vezes aos tropeções.

Os discípulos de Jesus começaram a ser chamados de cristãos, pela primeira vez, em Antioquia; até então era chamados de santos, de eleitos. A santidade é própria daqueles que foram ungidos para Deus, e que na água e no Espírito Santo se tornaram membros do Corpo de Cristo, que é a Igreja.

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2 – Ao longo da nossa vida encontramos pessoas que refletem a luz de Deus, transparecem em serenidade, em bondade, em serviço, o que divisamos como santidade, perfeição, ação compassiva. Olhando para o bom Papa João XXIII, para Madre Teresa de Calcutá, para o Padre Américo, para são Francisco de Assis, para o Santo Cura d'Ars, para o Santo Padre Cruz, para Santa Teresa do Menino Jesus, e para tantas pessoas que passam por nós e que visualizam a santidade de Deus, não temos muitas dúvidas: há pessoas santas, pessoas boas, humildes, generosas, felizes e que fazem felizes os que estão à sua volta.

A santidade não passa de moda. É atual. Balança-nos para o futuro, para a eternidade. Compromete-nos com o mundo de hoje, aqui e agora. Não é para os outros, é para nós. A referência é Deus, ainda que os Seus santos nos façam sentir mais próximos, e nos permitam saber o quanto Deus é acessível para nós. A santidade está ao nosso alcance. O amor de Deus é-nos oferecido por inteiro em Jesus Cristo. Ser santo é participar da vida de Deus. Seguir Jesus.

 

3 – Durante o corrente ano, três figuras do Papado foram reconhecidas como Santos, João Paulo II e João XXIII, e como Beato, Paulo VI. Personalidades distintas, serviram a Igreja, anunciaram o Evangelho, levaram Jesus Cristo ao mundo.

Nem todos os santos adquirem a visibilidade que lhes permita serem propostos pela Igreja a todo o mundo. Neste dia de Todos os Santos evocamos sobretudo o inumerável número de santos que souberam lavar as suas vestes no sangue do Cordeiro e oferecer as suas vidas a favor dos seus irmãos: «Vi uma multidão imensa, que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas. Estavam de pé, diante do trono e na presença do Cordeiro, vestidos com túnicas brancas e de almas na mão».

Cento e quarenta e quatro mil, isto é, multidões de pessoas, um número incontável de filhos que se deixaram tocar pela presença de Deus nas suas vidas. Na adversidade e na bonança, não desistiram de buscar o bem, para si e sobretudo para os outros, procurando revestir de Cristo o mundo inteiro.

Imitando Jesus, fizeram-se próximos, na humildade e no amor, dos mais distantes, dos mais frágeis, perfumaram os caminhos por onde passaram com a alegria de testemunharem o amor de Deus.

 

4 – Paulo dirá um dia com toda a clareza: já não sou eu que vivo é Cristo que vive em mim. Para mim viver é Cristo. Seguindo Cristo, deveremos refulgir em nós a eternidade de Deus que nos vai preenchendo com o Seu amor infinito.

______________________________________________________________

Textos para a Eucaristia: Ap 7, 2-4.9-14; Sl 23 (24); 1 Jo 3, 1-3; Mt 5, 1-12a.

 

Reflexão COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso blogue CARITAS IN VERITATE

30.10.14

Fiéis Defuntos | reflexão do Pe. João Carlos

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       1 – Depois de ontem ter celebrado a Solenidade de TODOS os Santos, a Igreja faz hoje memória de TODOS os seus filhos defuntos. As datas seguidas cronologicamente estão igualmente próximas na sua simbologia e mensagem. Celebramos os Santos porque já morreram, sufragamos os defuntos para que vivam em plenitude a bem-aventurança eterna.

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        2 – Esta tradição, bela, de rezar pelos mortos encontra raízes bíblicas no Antigo Testamento (2 Mac 12, 43-46) e tem uma significação prenhe de esperança iluminada pelo Mistério Pascal de Cristo. É para esta tonalidade esperançosa que nos arrastam as leituras bíblicas das Missas deste dia a fim de que não vivamos esta data como os que não tem fé, como bem nos adverte S. Paulo: “Não queremos, irmãos, deixar-vos na ignorância a respeito dos defuntos, para que não vos entristeçais como os outros homens que não têm esperança. Se acreditamos que Jesus morreu e ressuscitou, do mesmo modo, Deus levará com Jesus os que em Jesus tiverem morrido.” ( 1 Tes 4, 13 – 14).

 
       3 – A nossa região está cheia de tradições que evocam esta devoção: dela falam as “alminhas” que colocadas à beira dos caminhos são um convite a rezar pelos que nos precederam nos caminhos da vida; nas igrejas são muitos os altares das almas, com frequentes representações do Juízo Final; na oração do terço ou do Angelus ainda se conserva, com frequência, uma intenção pelas almas das nossas obrigações e pelas mais abandonadas e o mesmo fazemos neste dia nas visitas aos cemitérios.

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        4 – No entanto, algumas coisas se vão perdendo: diminui o hábito de oferecer a Eucaristia pelos nossos familiares e benfeitores defuntos; porventura já não se reza pelos mortos quando passamos perto dum cemitério; e, para muitos, já se perdeu a chave de leitura das “alminhas”, não se sabe o que são e muito menos para que servem. Presos na voragem da vida não encontramos tempo para pensar nos mortos, nem na morte, nem para ler os sinais litúrgicos, artísticos e culturais, que frequentemente julgamos doutros tempos e de outro mundo. E, no entanto, a única coisa certa que temos neste mundo é que iremos para o outro mundo. “Desfeita a morada deste exílio terrestre, adquirimos no Céu uma habitação eterna” (Prefácio da Missa pelos Defuntos).

 
       5 – Corremos o risco de vivermos numa cultura cristã uma fé de pagãos. Este é um tempo propício a um olhar mais atento às tradições e símbolos que ainda se conservam e a lê-los devagar com a alma e o coração, para (re)descobrir a mensagem imensa que eles nos transmitem. Olhar - seguindo uma vez mais S. Paulo - para as coisas invisíveis é mais seguro do que olhar só para as visíveis. É que estas são passageiras, ao passo que as outras são eternas.
 
       6 – Pensar na morte não é necessariamente mal, antes pelo contrário, pode ser das melhores maneiras de viver com tranquilidade o nosso quotidiano. Olhamos com serenidade e esperança o presente e o futuro, iluminados pela nossa fé em Cristo ressuscitado. Rezemos hoje o final da bela e tradicional oração “Alma de Cristo”: “Na hora da minha morte, chamai-me e mandai-me ir para Vós para que, com os votos santos, Vos louve por todos os séculos dos séculos. Amém”
 
Pe. João Carlos,
Pró Vigário Geral da Diocese de Lamego

27.10.14

Boletim Paroquial Voz Jovem - julho a setembro 2014

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Com alguns dias de atraso, aí está o Boletim da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, Voz Jovem, trimestral, julho a setembro de 2014, recolhendo, em imagens e em texto acontecimentos, celebrações, vivências. Este número é especialmente dedicado à catequese paroquial, recordando em particular a Primeira Comunhão e a Profissão de Fé, mas também outras festas da Catequese, realizadas em maio e junho, bem como o encerramento da catequese. Faz eco do encontro-convívio do Grupo Coral de Nossa Senhora da Conceição com o Grupo Coral dos Bombeiros Voluntários Cruz Verde, de Vila Real, desta feita como "visitantes".

Entrando no verão, a participação de jovens no IV Verão em Missão, em Vila da Ponte. E, por último, mas não menos importante, o início do novo ano pastoral, com a participação no Dia da Igreja Diocesana, no Seminário Maior de Lamego, e, assinado pelo pároco, o enquadramento do novo ano pastoral, partindo da Carta Pastoral de D. António Couto à Diocese de Lamego, sob o lema: Ide e construí com mais amor a família de Deus.

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O Boletim poderá ser lido a partir da página da Paróquia de Tabuaço, ou fazendo o download:

26.10.14

Leituras: D. MANUEL MARTINS - Pregões de esperança

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D. MANUEL MARTINS (2014). Pregões de esperança. Prior Velho: Paulinas editora. 160 páginas.

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"... que os nossos políticos façam, sim, uma cimeira, não para combinarem entre si a distribuição de cadeiras ou a alternância do poder; mas para descobrirem finalmente as necessidades do Povo, que são cada vez mais, e procurarem, inquietos, os melhores caminhos de as satisfazerem" (p. 29).
"Sem trabalho não há pão, nem dignidade, nem liberdade, nem progresso. Sem trabalho, devidamente compensado, perdem-se as razões de viver. E hoje, e Portugal, há imensa gente que quer trabalhar e não encontra onde nem como; há imensa gente que trabalha e não recebe salários. Mas também há imensa gente - e isto não se esqueça nem deixe de dizer-se bem alto - que não quer trabalhar e, o que é pior, não deixa trabalhar quem deseja trabalhar" (pp 39-40)
"O sepulcro é morte. A Páscoa é vida. Todo aquele que quer ser filho da Páscoa aposta na vida" (p 42).
O grito da Páscoa "... é um grito de esperança. Não fomos criados para o escuro, mas para a luz; não fomos criados para o sofrimento que nasce da fome, das guerras e das injustiças, mas para a fraternidade e para a paz; não fomos criados para a morte, mas para a vida. A Páscoa de tudo isto é sinal e apelo" (p 52).
"O grande mal que nos pode bater à porta é o da distração ou o da habituação. É fácil estarmos no mundo, passarmos pela vida, sem vermos o mundo, sem sermos tocados pela vida. E assim vivemos sós, chegamos ao fim sós" (p 101).
"Lembra-te que não és dono de nada. Tudo o que tens está hipotecado a favor dos que mais precisam, que são muitos, que são cada vez mais" (p 106)

       D. Manuel Martins, o primeiro Bispo da Diocese de Setúbal, nascido em 1927, em Leça do Balio, em Matosinhos. Em 1975 foi nomeado Bispo da recém criada Diocese de Setúbal. Resignou em 1998. Ficou conhecido como o Bispo Vermelho pelas numerosas intervenções na defesa dos mais desfavorecidos, numa Setúbal cheia de problemas sociais, famílias destruturadas, problemas de toxicodependência, desemprego, trabalho precário, muitas greves.

       No dia da Ordenação Episcopal, contestação na rua pelo Bispo e o que significava. Na saída, o reconhecimento da maioria. Nunca foi um bispo de consensos. Nem de falas mansas. Como relembra o atual Presidente da Cáritas Portuguesa, Eugénio da Fonseca, que discordava com D. Manuel em muitas coisas, mas que foi amadurecendo e percebendo que a fé teria que ser interventiva a favor dos mais pobres, estes textos foram inicialmente recolhidos pela Cáritas Diocesana de Setúbal, em livro, e a maioria escritos para o jornal "A Seara". Esta reedição assume os textos anteriores e outros que D. Manuel Martins confiou à editora.

 

Os textos são agrupados por temas:

NATAL E PÁSCOA
AOS JOVENS
SER SOLIDÁRIOS
MARIA, MÃE
EM IGREJA

       Os textos de intervenção, digamos assim, brotam do compromisso batismal, cristão. A fé está ligada à vida, e ao compromisso. Seguir Jesus implica agir como Ele, fazendo-Se próximo dos mais necessitados de ajuda, material e espiritualmente falando. Em prosa, ou poesia, em contextos diversos, D. Manuel Martins utiliza uma linguagem simples, acessível, direta.

25.10.14

Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?

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1 –  Primazia do amor a Deus concretizável e traduzido no amor ao próximo, ficariam desfeitas com a resposta de Jesus aos fariseus: «‘Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu espírito’. Este é o maior e o primeiro mandamento. O segundo, porém, é semelhante a este: ‘Amarás o teu próximo como a ti mesmo’. Nestes dois mandamentos se resumem toda a Lei e os Profetas».

Respondendo à pergunta dos fariseus, logo Jesus acrescenta um segundo mandamento, semelhante ao primeiro, juntando-os. Nos dois mandamentos está contida toda a Sagrada Escritura, a Lei e os Profetas. O amor a Deus conduz e exige o amor ao próximo. Quem é o meu próximo? Próximo é quem se aproxima para ajudar (cf. Lc 10, 29-37).

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2 – Em Jesus, a evidência: tudo o que nos liga a Deus, aproxima-nos dos outros. Até mesmo a oração. A vida de Jesus é disso exemplo. A cumplicidade com Deus não Lhe rouba tempo para estar onde é necessário estar.

A hipocrisia que Jesus vislumbra em alguns grupos dirigentes não é uma novidade. Os profetas – Isaías, Jeremias, Ezequiel, Joel – deixam transparecer a dicotomia entre a religião e a vida concreta. São palavras duras, sobretudo em relação àqueles que tinham a missão e a obrigação de cumprir a palavra de Deus, visualizando-a na justiça, no cuidado dos mais desfavorecidos, órfãos e viúvas, no acolhimento dos estrangeiros, na solidariedade com os vizinhos, no perdão aos ofensores e aos devedores, na concórdia dentro da família.

 

3 – Diz o Senhor: «Não prejudicarás o estrangeiro… Não maltratarás a viúva nem o órfão… Se emprestares dinheiro a alguém do meu povo, não o sobrecarregarás com juros. Se receberes como penhor a capa do teu próximo, terás de lha devolver até ao pôr-do-sol, pois é tudo o que ele tem para se cobrir…»

É vontade de Deus que a justiça, a proximidade, o acolhimento, a generosidade, façam parte do nosso estilo de vida. Deus olha e vê o seu povo e a miséria dos seus eleitos. O mal que fizermos aos outros ou o bem que deixarmos de fazer, pesará nas nossas contas com Deus.

 

4 – Se nos calarmos, se silenciarmos o grito dos injustiçados, dos esquecidos, dos sem voz nem vez, Deus há de pedir-nos contas. Mas Ele não Se esquecerá. Ele não deixará de ouvir o seu clamor, sobretudo o clamor do pobre:

"Eu Vos amo, Senhor, minha força, / minha fortaleza, meu refúgio e meu libertador. / Na minha aflição invoquei o Senhor / e clamei pelo meu Deus. / Do seu templo Ele ouviu a minha voz / e o meu clamor chegou aos seus ouvidos".

Deus vem em meu auxílio, em todos os momentos da minha vida, conduz-me pela mão, e leva-me ao colo ou sustenta-me aos ombros. O pobre clamou, o Senhor ouviu a sua voz. 


Textos para a Eucaristia (A): Ex 22, 20-26; Sl 17 (18); 1 Tes 1, 5c-10; Mt 22, 34-40.

 

19.10.14

Leituras: JOÃO TEIXEIRA - Fazei o que ELE vos disser

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PINHEIRO TEIXEIRA, J. A. (2014). Fazei o que Ele vos disser. O que Maria diz à Igreja. Prior Velho: Paulinas Editora. 168 páginas.

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 "Ela foi o primeiro «livro» onde o Evangelho começou a ser «escrito» e a primeira vida onde o Evangelho começou a ser inscrito. Os seu silêncio foi o melhor eco da Palavra eterna do Pai. Foi nas «páginas» da sua existência que o Verbo começou a ganhar forma neste mundo".

 

       O Pe. João António, Reitor do Santuário de Nossa Senhora dos Remédios, dá à estampa este conjunto de reflexões sobre a vocação e a missão de Maria, como primeira discípula de Jesus Cristo, paradigma da Igreja, de ontem, de hoje e do futuro. Na celebração das suas Bodas de Prata Sacerdotais, 25 anos passados sobre a ordenação, o Pe. João António partilha connosco 25 reflexões que nos falam de Maria, e nos fala da Igreja. O que é Maria, assim deverá ser a Igreja.

       É um texto fluído, acessível, com recurso frequente a antíteses, entre o mínimo e o máximo, o que facilita muito a compreensão das ideias e das teses defendidas.

       Por outro lado, o sacerdote recorre à maximização da vida cristã, e da vida da Igreja, para se assemelhar à postura de Jesus e à postura de Nossa Senhora. Nunca é suficiente a oração, a fé, a caridade, o compromisso com os outros, a pobreza e o despojamento para que brilhe Jesus Cristo, o silêncio para que fale a Palavra de Deus.

O prefácio é do nosso Bispo, D. António Couto:
"Atravessamos um tempo nublado, insípido, incolor e indolor, de baixa densidade divina e humana, intelectual, moral, testemunhal. Um tempo como um espaço, nivelado e sem relevo, sem rostos, sem lágrimas, sem entranhas, mãos, pés e coração. Cai em cheio e com estrondo, neste nosso tempo, a figura de Maria, Mãe de Deus e nosso Mãe, mulher sensibilíssima e habitada, cidade do alto monte  alumiada, com luzes em todas as portas e janelas, farol e lar seguro, sempre aceso e aberto nesta noite do mundo... Com pinceladas firmes e seguras, o padre João António insere muito bem a figura de Maria na teologia, na eclesiologia, na mariologia, na pastoral e na cultura. E compreende-se sempre que a grande cultura anda no coração do povo simples e humilde, que continua a depositar com ternura, no regaço de Maria, as suas dores e a suas flores".

18.10.14

Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus

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1 – A Deus o que é de Deus. Os pobres são de Deus. Não podem ser usados em nome deste ou daquele partido, do poder ou da oposição, desta ou daquela organização. Estão salvaguardados por Deus e para Deus. A opção preferencial de Jesus pelos pobres é a garantia que estes não serão instrumentalizados, nem espezinhados, nem ignorados, nem esquecidos. Não está em causa qualquer qualificação moral, isto é, são pobres logo são pessoas boas. Não. Como vimos no domingo anterior, Deus chama bons e maus. Pobres e ricos. Brancos e pretos e amarelos. Homens e mulheres. Adultos e crianças e idosos. Portugueses e chineses. Todos são criados, amados, chamados por Deus. No entanto, para reconhecermos Deus há que O reconhecer sobretudo escondido nos pobres, nos desvalidos. Foi esse o propósito e a vida de Jesus. Jesus não pede o Bilhete de Identidade ou o Cartão de Cidadão. Jesus aproxima-Se rapidamente dos pobres, dos que sofrem. Ora a pessoa está antes do seu pecado!

 

A César o que é de César. Não useis a religião, como desculpa ou justificação para o vosso descompromisso social, político, económico. Em todos os campos, em todas as dimensões da vida, o cristão deverá agir como cristão, irradiando os valores do serviço, da verdade, da competência, da honestidade, da transparência, da justiça, do apoio preferencial àqueles que têm mais dificuldades, aos que não têm nem voz nem vez. Se um cristão vai para a política e deixa de ser cristão para ser político, prestará um mau serviço à política. Se se compromete politicamente, em todas as decisões, colocará a mais-valia de ser cristão, mesmo reconhecendo que na concretização de soluções e entendimentos possa ser necessário fazer cedências. Quando estas acontecem, que não firam a dignidade da pessoa, o valor da vida humana, não coloquem em causa o bem comum.

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2 – Se os pobres são de Deus, teremos que os tratar como trataríamos Deus. Afinal, Deus esconde-Se no ser humano. Em Jesus, Deus assumiu a nossa natureza humana. Nos gestos, nas palavras, na postura, Jesus vive para servir, amando, aproximando-Se, curando. Toca nas feridas das pessoas, mistura-se com o rebanho, não tem receio de ser apontado por comer com publicanos e pecadores, ou ser considerado impuro por se deixar tocar pela mulher pecadora, ou por afagar o rosto da mulher surpreendida em flagrante adultério.

Com Ele não há discussão sobre quem é o maior. Ou melhor, dá-se a inversão da primazia: maior é aquele que serve.

Um grupo de fariseus aproxima-se de Jesus, passa à frente da multidão que O escuta e acompanha. Já vimos como anciãos do povo e doutores da lei se colocam na primeira fila, não para escutar melhor, mas para evitar que o seu estatuto social se altere, ou para remediarem alguma "subversão" que as palavras de Jesus possam provocar.

 

Prontos para Lhe armarem uma cilada: «Mestre, sabemos que és sincero e que ensinas, segundo a verdade, o caminho de Deus, sem te deixares influenciar por ninguém, pois não fazes aceção de pessoas. Diz-nos o teu parecer: É lícito ou não pagar tributo a César?». Ou seja: colocas-te ao lado de César ou ao lado dos pobres?

Do que não estavam à espera era da resposta de Jesus: «Porque Me tentais, hipócritas? Mostrai-me a moeda do tributo». Eles apresentaram-Lhe um denário e Jesus perguntou: «De quem é esta imagem e esta inscrição?». Eles responderam: «De César». Disse-Lhes Jesus: «Então, dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus».

A opção preferencial pelos pobres não é contra ninguém, é a favor dos pobres. Quando a mãe ou o pai dão mais atenção ao filho que está doente, não estão a esquecer-se dos outros filhos, mas debruçam-se sobre o que mais precisa naquele momento, para que recupere e possa sentar-se na sala com toda a família!


Textos para a Eucaristia (ano A): Is 45, 1. 4-6; Sl 95 (96); 1 Tes 1, 1-5b; Mt 22, 15-21.

e no nosso blogue CARITAS IN VERITATE.

14.10.14

GAARA do DESERTO: Podemos mudar o caminho da nossa vida

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 «… Resta-me esforçar-me e fazer este percurso sozinho. Não quero continuar por este caminho de solidão. Ao fazer isto, talvez, talvez um dia possa ser como ele e por isso vou tentar ser Kazekage como qualquer outro shinobi da aldeia, para criar uma ligação que me permita viver ligado para sempre à aldeia. Quero esforçar-me para que todos reconheçam a minha existência assim. Penso nisto desde que conheci o Naruto Uzumaki. Até agora, eu tinha apenas ligações de ódio, instintos assassínios, com as pessoas à minha volta, mas ele esforçou-se por me mostrar que não devia ser assim. Agora começo a compreender algumas coisas: a dor, a tristeza, a própria alegria, ser capaz de compreender os outros e de ser compreendido pelos outros todos. Acho que foi isto que aprendi quando conheci e lutei contra o Naruto Uzumaki. Ele viveu a mesma dor que eu e ensinou-me que podemos mudar o caminho da nossa vida. A partir de agora quero ser alguém de quem as pessoas precisem, não como uma arma que seja perigosa para todos, mas como alguém em quem as pessoas possam sempre confiar. Como Kazekage da Aldeia Oculta na Areia».

12.10.14

HARUKI MURAKAMI - A peregrinação do rapaz sem cor

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HARUKI MURAKAMI (2014). A peregrinação do rapaz sem cor. Alfragide: Casa das Letras, 370 páginas.

 

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 "Porque não tenho identidade própria. Não tenho personalidade, sou de cor indefinida. Nada tenho para oferecer aos outros. Foi sempre esse o meu problema. Sinto-me um bocado como se fosse um recipiente vazio. De certa maneira, tenho fora, mas receio não possuir um conteúdo digno desse nome".

"Sempre me tive na conta de um tipo vazio, desprovido de cor e de identidade. Se calhar, era esse o meu papel dentro do grupo, representar o vazio...

Uma paisagem esvaziada de cor. Sem ter nenhum defeito, mas sem se destacar em nada...

Tu não eras o vazio. Ninguém te via assim... contribuías para nos tranquilizar... pelo simples facto de estares ali connosco, podíamos ser nós próprios... Era como se fosses uma âncora"

 

Cada um de nós terá um ou outro autor preferido. Por conseguinte, a sugestão de um livro ou de um autor é e será sempre muito relativo, o que a alguém poderá ser uma obra de arte, para outro poderá simplesmente ser uma seca, uma monotonia, ou algo banal.

Se tivéssemos que sugerir um romancista, Murakami seria uma das primeiras escolhas. É uma escrita acessível, fluida, em descrições envolventes, utilizando muitas imagens, histórias dentro da história principal, com avanços e recuos perfeitamente oportunos, com pontes culturais, entre o Japão e o Ocidente. Nesta história, Japão e Holanda, mas com a ambiência de fundo de um mundo global, com as referências a crenças japoneses mas também á religião cristão com a sua presença (nomeadamente) nas escolas privadas.

Cada personagem se pode identificar com cada um de nós.

O herói - digamos assim - nunca é tanto herói assim. Tem defeitos, dúvidas, hesitações. No caso concreto, é um estudante normal. Completa os estudos. Estuda só o necessário. Mas faz por seguir os seus sonhos, mesmo que tenha que se esforçar mais que o habitual. Aos trinta e seis anos, ainda tem uma vida toda por realizar, com muitas dúvidas. É feliz. Ou é mais ou menos feliz. Ocupado. Sonha e os sonhos atormenta-o. Parece que não consegue estabilizar, mantendo os amigos ou as amizades.

A história parte da adolescência. Um grupo de 5 jovens, que no compromisso com o voluntariado, nas férias, estreitam de tal forma os laços que não passam uns sem os outros. É um grupo coeso. Três rapazes e duas raparigas. Todos diferentes. Mas no entanto entendem-se às mil maravilhas. O rapaz sem cor, Tsukuru Tazaki, decide ir para Tóquio, para a universidade, onde se tornar engenheiro de estações de comboio. O seu sonho. Sempre gostou de estações, de observar as pessoas, a forma como as estações estão concebidas. No regresso a casa os 5 jovens voltam a encontrar-se, até que um dia não lhe atendem as chamadas e lhe dizem que cortam com ele, não querem mais falar com ele.

Não compreende. Num primeiro momento, não busca justificações, pois não lhas quiseram dar. Cortam simplesmente com ele. Vai-se abaixo. Foi um golpe brutal. Mas consegue sobreviver. O tempo apazigua as mágoas. Mas há mágoas que permanecem, ainda que pareça já não ter influência nas nossas vidas. É o que acontece com Tsukuru. Aquela ruptura continua a marcar a sua vida. Tem dificuldade em confiar nas pessoas da forma como confiava nos amigos, sempre o receio que novos amigos possam fazer o mesmo. Contudo, a sua busca está ainda no início. Resolve encontrar-se com os amigos, que seguiram caminhos diferentes, uma das raparigas foi assassinada, a outra casou e vive na Holanda, os outros dois mantiveram-se em Nagoia. O reencontro leva-lo-á a descobrir as razões que levaram à separação do grupo e a verificar que se nos momentos iniciais tivessem falado abertamente talvez a vida tivesse seguido um rumo diferente. Não é possível voltar atrás e também é impossível saber se as coisas seriam muito diferentes, ou muito próximas da atualidade. Há que prosseguir a vida. 

"É apenas uma questão de equilíbrio. De uma pessoa se acostumar a distribuir o peso que carrega. Pode acontecer que os outros considerem isto uma atitude de indiferença. Porém, manter o equilíbrio exige esforço e é mais difícil do que parece. Além disso, mesmo que se consiga atingir o equilíbrio, o peso suportado pelas balanças não diminuiu nem um bocadinho"

"Vamos fazer o possível por não perder o comboio"

"Sobrevivemos, tu e eu. E os que sobrevivem têm uma missão a cumprir. O nosso dever é continuar a viver, levar a vida o melhor que for possível. Mesmo que as nossas vidas estejam longe da vida".

 

Outros livros que li, de fio a pavio, que recomendamos.

11.10.14

Convidai para as bodas todos os que encontrardes

mpgpadre

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1 – Depois de três parábolas sobre a vinha, Jesus compara agora o reino de Deus a um rei que oferece um banquete. Para este banquete, convida os seus amigos. No entanto, um a um vão-se desculpando, apresentando todo o tipo de justificações ou de desculpas. Recusam o convite, e ainda tratam mal os emissários. Então o rei manda os seus exércitos para lhes dar uma lição definitiva, destruindo a cidade.

O rei alarga o convite: «Ide às encruzilhadas dos caminhos e convidai para as bodas todos os que encontrardes». Os servos reuniram todas as pessoas que encontraram pelo caminho, bons e maus.

Quando o rei entrou viu que a sala do banquete estava cheia de (novos) convidados. Reparou, contudo, que havia um homem que não estava com o traje nupcial: «Amigo, como entraste aqui sem o traje nupcial?». Como não obtivesse resposta, o rei mandou os criados que lhe amarrassem as mãos e os pés e o lançassem no exterior.

Jesus conclui o seu relato, dizendo: «Muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos».

 

2 – Esquecendo a parte bélica da parábola, o rei é o próprio Deus que convida. Aqueles que se julgam salvos, afinal estão a cavar a própria sepultura.

Jesus, na Sua missão evangelizadora, vem pelos caminhos e encruzilhadas da vida, e chama maus e bons. A salvação é para todos. A condição é deixar o que se está a fazer, a vida anterior, tudo o que nos distancia de Deus e dos outros, para entrar no banquete nupcial, na alegria da salvação, entrar no reino de Amor que Jesus inaugura. Ninguém está a mais. A sala enche-se a partir do momento em que todas as ruelas e vielas ficam vazias, a partir do momento em que as periferias vêm para o centro, vêm para Jesus, ou no momento em que o amor, Jesus, a vida em abundância, chega a todos os recônditos.

Um aviso apenas: quando seguimos Jesus devemos segui-l'O por inteiro. Temos de vestir o traje nupcial, despindo a roupagem anterior e vestindo um traje luminoso, que nos torne transparentes, afáveis, próximos, mais iguais, mais irmãos, dóceis, mais justos, mais amigos, mais família; um traje ágil, leve, atraente, que nos permita acariciar, dar as mãos, beijar, afagar o rosto do outro; trajes que não nos afastem e não nos cataloguem em categorias que nos dividam e nos levem a ter gestos mecânicos com muita etiqueta mas com pouco amor. Precisamos deixar que a nossa vida, atravessada pelo Espírito Santo, se converta e transpareça Jesus Cristo.

 

3 – A linguagem do Evangelho é sugestiva. Quem não se sente bem entre iguais, entre irmãos, num banquete, sem formalismos vazios, mas com a dignidade de se sentir convidado, de se sentir em família, de se sentir como príncipe ou princesa?! Somos mais que isso. Somos filhos. Estamos em casa, descontraídos, felizes.

Vejamos a descrição de Isaías sobre este banquete:

"Sobre este monte, o Senhor do Universo há de preparar para todos os povos um banquete de manjares suculentos, um banquete de vinhos deliciosos: comida de boa gordura, vinhos puríssimos… O Senhor Deus enxugará as lágrimas de todas as faces e fará desaparecer da terra inteira o opróbrio que pesa sobre o seu povo"

É um banquete para todos, com os melhores manjares, à discrição. O melhor que pode haver. É motivo para aclamar: «Eis o nosso Deus, de quem esperávamos a salvação; é o Senhor, em quem pusemos a nossa confiança. Alegremo-nos e rejubilemos, porque nos salvou. A mão do Senhor pousará sobre este monte». «O Senhor é meu pastor: nada me falta. Leva-me a descansar em verdes prados, conduz-me às águas refrescantes e reconforta a minha alma. / Para mim preparais a mesa à vista dos meus adversários; com óleo me perfumais a cabeça e o meu cálice transborda».


Textos para a Eucaristia (ano A): Is 25, 6-10a; Sl 22 (23); Filip 4, 12-14. 19-20; Mt 22, 1-14.

 

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