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Escolhas & Percursos

...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...

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30.08.14

Se alguém quiser seguir-Me, tome a sua cruz e siga-Me

mpgpadre

       1 – E vós que dizeis que Eu sou? Pergunta essencial que Jesus nos faz sobre o testemunho que estamos dispostos a dar, identificando-nos com Ele e permitindo que Ele transpareça em nós.

       Pedro, como víamos, responde também por nós: Tu és o Messias, o Filho de Deus. És único para mim. Seguir-Te-ei por onde fores.

       A profissão de fé de Pedro é reveladora. Mas a consciência do que acaba de dizer parece não ter ainda a consistência do seguimento, a luz da fé que brotará com toda a força na Ressurreição de Jesus.

       O Mestre previne os seus discípulos para que não se deixam iludir por facilidades. Ele é o Messias, o Enviado de Deus, mas não dispensa ninguém de trabalhar, de fazer o seu próprio caminho. Ele é Guia, mas não nos substitui os pés, a vontade. Teremos que viver a nossa vida, enfrentando os dias bons e os dias nebulosos. Ele estará sempre connosco. Sempre de mão estendida para não nos deixar afundar. Esta confiança que nos vem da fé ajuda-nos a encarar as intempéries que advirão pelo caminho.

       O Filho do Homem, que é também o Filho de Deus, vai sofrer. Vai passar as passas do Algarve, vai ser entregue às autoridades e será morto. No entanto, não há que se deixar afugentar pela morte, pois a ressurreição, três dias depois, trará a vitória de Deus-Amor.

        2 – Quando nos dão uma má notícia deixamos de ter disponibilidade para boas notícias. Os discípulos já não ouvem Jesus a falar de ressurreição e logo Pedro O contesta, dizendo: «Deus Te livre de tal, Senhor! Isso não há de acontecer!»

       Jesus volta-Se para Pedro e diz-lhe: «Vai-te daqui, Satanás. Tu és para mim uma ocasião de escândalo, pois não tens em vista as coisas de Deus, mas dos homens». E logo para os discípulos, que hoje somos nós: «Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me. Pois quem quiser salvar a sua vida há de perdê-la; mas quem perder a sua vida por minha causa, há de encontrá-la. Na verdade, que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua vida? Que poderá dar o homem em troca da sua vida?»

       Aí estão as linhas de orientação para sermos verdadeiramente discípulos, seguidores de Jesus. Seguir atrás do Mestre. Quando queremos ir à frente, ou sem Ele, corremos o risco de perder a vida em vão. É preciso sermos aquela pedra frágil cuja força nos vem do alto, de Jesus Cristo, pelo Espírito Santo. Precisamos de não impedir que Deus trabalhe em nós e através de nós. Podemos ter o mundo inteiro nas mãos, mas se nos faltar a caridade, faltar-nos-á a própria vida, como dom partilhável. Precisamos de GASTAR a vida a favor dos outros, a exemplo de Jesus que dá a vida pela humanidade inteira.

 

       3 – Há tantos caminhos quantas as pessoas. Resposta do então Cardeal Joseph Ratzinger, em Sal da Terra (1996), quando lhe perguntaram quantos caminhos havia para Jesus Cristo, lembrando que a própria Igreja é definida como caminho de Cristo. Ou Jesus, como único caminho que nos conduz ao Pai.

       Dito isto, facilmente se conclui que cada um é chamado a fazer o seu próprio caminho. Mas não estamos sós. A reprimenda dada a Pedro surge neste contexto. Se queremos passar à frente de Jesus ou prosseguir sem Ele, estaremos sob o domínio de Satanás, diabolizando a nossa ligação com os outros. Há que avançar seguindo Jesus.

       4 – A nossa vocação: fazer com que o nosso caminho, seguindo a vontade de Deus, nos aproxime do caminho que é Jesus Cristo. Se nos faltarem as forças, não temamos pois a nossa vida está unida a Deus, cuja mão nos serve de amparo (Salmo).

       Jeremias sente, como Pedro, como Paulo, e como nós, o chamamento de Deus ao qual não pode virar costas: "A palavra do Senhor tornou-se para mim ocasião permanente de insultos e zombarias. Então eu disse: «Não voltarei a falar n’Ele, não falarei mais em seu nome». Mas havia no meu coração um fogo ardente, comprimido dentro dos meus ossos. Procurava contê-lo, mas não podia".

       Por vezes pode ser mais fácil deixar andar, ao sabor do vento. Mas se Ele verdadeiramente nos seduziu, a Sua voz há de ressoar dentro de nós até ao Infinito. Mas também a Sua Mão nos guiará.


Textos para a Eucaristia (ano A): Jer 20, 7-9; Sal 62 (63); 2 Rom 12, 1-2; Mt 16, 21-27.

 

 

24.08.14

LEITURAS: Walter Kasper - o EVANGELHO da FAMÍLIA

mpgpadre

WALTER KASPAER (2014). O Evangelho da Família. Prior Velho: Paulinas Editora. 72 páginas.

       No dia 17 de março de 2013, o Papa Francisco, na oração do ANGELUS, a primeira aparição na varanda do Palácio Apostólico, referiu que a leitura de um livro de Walter Kasper, sobre a misericórdia de Deus, lhe tinha feito muito bem. Menos de um ano depois, Walter Kasper recebeu o convite do Papa para refletir sobre a problemática da família, tendo em conta o Sínodo Extraordinário dos Bispos, no outono de 2014, e o Sínodo ordinário dos Bispos, em 2015, que terão como pano de fundo os "Desafios pastorais sobre a família no contexto da evangelização".

       Com efeito, foi enviado às Dioceses, paróquias, comunidades eclesiais, e disponibilizados em diferentes plataformas um extenso questionário procurando abranger os vários temas relacionados com a Família, dificuldades e potencialidades, a família e a Igreja, a família e a sociedade, novas formas de entender ou viver a família.

       No Consistório extraordinário dos Cardeais, 20 e 21 de fevereiro de 2014, coube a Walter Kasper a reflexão sobre a família, não antecipando conclusões do Sínodo, mas deixando pistas de reflexão, partindo da dinâmica bíblica, contextos, evoluções, conjugando a estrutura do matrimónio e da família com o anúncio do Reino de Deus, acentuando a misericórdia de Deus com a fidelidade às promessas feitas.

        Uma das problemática afloradas nesta apresentação, agora em livro, é a dos divorciados recasados, com a sugestão de uma prática pastoral de acolhimento, procurando dar respostas novas e acolhendo o contributo daqueles que vivem essas situações difíceis, para que a solução, o caminho encontrado, sob a sintonia do Papa, possa brotar dos anseios e preocupações das pessoas.

        Com grande sentido e abertura, o Cardeal avança com algumas hipóteses, para que a verdade esteja revestida da misericórdia de Deus, procurando que as respostas vão de encontro às sugestões das comunidades eclesiais de todo o mundo. A unidade a encontrar na reflexão não será fácil, mas como em outros momentos da história da Igreja, há que procurar um caminho comum, comprometendo-nos com a vivência do reino de Deus. É uma obrigação. Um compromisso. Um desafio, para que não se percam as gerações seguintes, dos filhos e dos netos.

       O livrinho, além da exposição feita aos Cardeais, apresenta alguns anexos explicativos das propostas apresentadas, entre as quais a sugestão do então professor Joseph Ratzinger (depois Papa Bento XVI) para se retomar de um modo novo a posição de Basílio, também partilhada pelo próprio Walter Kasper.

23.08.14

Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo

mpgpadre

– Sabes, ouvi uns comentários a teu respeito que me deixaram confuso e aborrecido.

– Ai sim, e são assim tão maus?!

– Preferia não ter ouvido e que não te chegasse aos ouvidos. Mas quero que ouças por mim, antes que alguém distorça mais.

– Mas achas que isso é importante? A quem é que ouvistes?

– A umas pessoas! Ouvi ao povo!

– Ao povo ou a algumas pessoas?

– Na verdade ouvi a fulano X.

– E achas que é de confiança, dás crédito ao que ele te disse?

– Sim, ele ouviu dizer. Eu acredito nele. É de confiança. Não me ia mentir. Não lhe perguntei, foi ele que falou no assunto.

– Então não ouviste em primeira mão?

– Não, mas como mo venderam assim to vendo.

– E quem lhe contou a ele? Será de confiança?

– Não sei, mas sei que quem mo disse merece a minha confiança. Quem lhe disse a ele não sei porque ele não quis dizer. Penso que não iria inventar!

– E que é que tu pensas? É também a tua opinião?

– Tu sabes que não. Nunca diria tal coisa. Sou teu amigo. E se te digo isto é para te avisar. Quem te avisa teu amigo é!

– Sim, mas isso não me interessa. Eu quero saber se tu és meu amigo, com os defeitos que eu possa ter. Opiniões que não sei de onde vêm, não me interessam muito, não me fazem perder o sono…

       1 – Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência. Mas poderia acontecer. Querermos saber o que outros dizem de nós, ou por autorrecriação virem dizer-nos mesmo sem querermos saber.

       2 – Adentremo-nos um pouco mais no Evangelho.

       Jesus continua a Sua missão, deslocando-se entre povoações. Entretanto pergunta aos seus discípulos: «Quem dizem os homens que é o Filho do homem?». Seria diferente se fossem os próprios a dizerem a Jesus o que iam ouvindo acerca d'Ele. Certamente que não se atreveriam a revelar algumas afirmações! Respondem-lhe: «Uns dizem que é João Baptista, outros que é Elias, outros que é Jeremias ou algum dos profetas».

       Temos amigos que fazem questão em nos dizer o que não queremos saber. No caso pessoal, e como pároco, prefiro que não me revelem quem possa dizer ou querer-me mal. O fundamental é saber e sentir que as pessoas amigas são amigas, e que podemos confiar nelas.

 

       3 – A pergunta mais importante: «E vós, quem dizeis que Eu sou?». Pedro responde, em nome próprio, mas também assumindo a primazia entre os discípulos, e respondendo por nós, como discípulos deste tempo: «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo».

       Quem é Jesus para mim? Que importância tem na minha vida? Que influência tem nas minhas escolhas? Em que é que sou diferente daqueles que não são cristãos? Deus tem um papel fundamental em tudo o que faço e em tudo o que digo?

       Para mim, Jesus é verdadeiramente o Filho de Deus que me revela a minha identidade e me desafia a ser irmão dos outros? Ou é um personagem interessante, mas que morreu e faz parte do passado?

       A nossa ligação a Jesus terá de ser "em primeira mão". Um carro, talvez fique mais barato em segunda mão, ainda que a garantia possa não ser tão fiável ou por tanto tempo. O que se diz, como víamos, é diferente se for em primeira, em segunda, ou terceira mão. Em absoluto, só poderemos pôr a mão no fogo quando o que transmitimos vem de nós. A nossa fé e a nossa adesão a Jesus Cristo faz-se, primeiramente, pelo que os nossos pais, familiares, comunidade, nos legou. Há uma altura da nossa vida, no amadurecimento da nossa fé, que teremos de ser nós a encontrar-nos com Jesus. Seguimo-l'O em primeira mão. Porque é nosso amigo. Porque nos faz bem. Porque a nossa vida é diferente tendo-O em nós, fazendo parte das nossas escolhas.

       A resposta que dermos implica-nos. Ele é Deus! Então a nossa identidade com Ele deve levar-nos a agir com a mesma disponibilidade e com o mesmo amor, servindo e dando a vida a favor dos irmãos. 


Textos para a Eucaristia (ano A): Is 22, 19-23; Sl 137 (138)Rom 11, 33-36; Mt 16, 13-20.

 

 

22.08.14

Leituras - JOSÉ ANTONIO PAGOLA - Volver a Jesús

mpgpadre

JOSÉ ANTONIO PAGOLA(2014). Volver a Jesús. Hacia la renovación de las parroquias e comunidades. Madrid: PPC. 128 páginas.

       O teólogo espanhol é já nosso conhecido nestas andanças de livros, textos e sugestões. Tem-se dedicado a refletir sobre Jesus e sobre os Evangelhos, contextualizando a época em que Jesus viveu e procurando que a Mensagem seja significativa neste tempo.

       Neste pequeno livro, Pagola desafia precisamente a regressar a Jesus, à Sua mensagem, à Sua vida, gestos, postura, procurando ver como Jesus fazia, abrindo caminhos para viver ao Seu jeito nos dias em que nos é dado viver a nossa vida.

       Mergulhar no Evangelho. Reportar-nos ao essencial: amor, perdão, acolhimento, proximidade, grande intimidade com o Pai, opção pelos pobres, denúncia do mal, do pecado, da hipocrisia, dos poderosos que usam os pobres.

       O ponto de partilha é a Exortação Apostólica do Papa Francisco, a Alegria do Evangelho, que convoca os cristãos, todos os cristãos, a viverem com alegria a sua fé, como pessoas corajosas, sem medo de falar, de mostrar Jesus Cristo, saindo ao encontro de todos, mas primeiramente dos pobres, dos mais pobres. Agindo ao jeito de Jesus.

       O texto é também uma proposta pastoral, para formar os Grupos de Jesus, para a escuta do Evangelho, em que o centro seja Jesus, cujos encontros podem ser em casas particulares, sem rigidez quanto ao número de pessoas, em que a escuta e meditação do Evangelho sejam a referência. Obviamente estes grupos deverão estar atentos e poderão cooperar ativamente me dinâmicas pastorais e paroquiais. O Objetivo primeiro é escutar Jesus, deixar-se converter pela Sua Palavra, com ligação ao compromisso social.

       Ter a coragem de colocar fim a estruturas que já não convertem, não mobilizam, não libertam a pessoa.

Esta leitura pode ser muito interessante para os Conselhos Pastorais: mostrando o que realmente vale a pena resgatar, viver, anunciar. No final só uma conclusão: só Jesus Cristo, só Deus é definitivo. Converter-se de todo o coração a Jesus. As estruturas e as tradições hão de estar ao serviço do reino de Deus, como a Igreja, como os cristãos. Anunciar Jesus. Sair dos lugares de conforto, espevitar a fé, promover os dons de cada um em benefício de todos.

O castelhano é de fácil e acessível leitura, mas esperando um pouco logo estará disponível em português. O autor como o livro foi-nos recomendado, informando que a tradução para português está pronta, faltando a publicação. Aguardemos.

       Para quem não tenha lido a Exortação Apostólica de Francisco, a Alegria do Evangelho, seria oportuno ler agora, por exemplo, enquanto se aguarda a publicação deste livro em português. Perceber-se-á melhor o contexto, o ambiente desta proposta de Pagola.

       Segue a apresentação do livro pelo próprio José Antonio Pagola:

21.08.14

Leituras - ISIDRO LAMELAS: St. Agostinho: A Alegria da Palavra

mpgpadre

ISIDRO PEREIRA LAMELAS, ofm, (2012). Santo Agostinho, A Alegria da Palavra. Gaudio ubi audio. Coimbra: Tenacitas. 192 páginas.

       Na primeira Exortação Apostólica, Evangelii Gaudium (A Alegria do Evangelho), o Papa Francisco dedica algumas páginas incisivas à homilia, como uma ferramenta válida para o anúncio do Evangelho, a que sacerdotes e bispos devem dar especial atenção, preparando bem, com uma leitura atenta e demorada do Evangelho, uma e outra vez, pois só na medida em que a Palavra de Deus diga algo e seja significativa para quem A anuncia poderá ser luminosa para quem A escuta. Ainda que o Espírito Santo inspire uns e outros. A homilia há de partir de Jesus e fazer voltar a Jesus, em dinâmica de desafio, de conversão. A homilia visa sempre comunicar Jesus Cristo, e não o pregador. Procura ser acessível e envolvendo os que escutam.

       Neste livro o Pe. Isidro Lamelas apresenta-nos um pregador exímio: SANTO AGOSTINHO. Outro tempo, uma cultura diferente, um ambiente específico, mas com muitas notas úteis para perceber bem o papel da homilia nas comunidades eclesiais, com algumas constantes que se mantiveram ao longo dos tempos.

       O Pe. Isidro Lamelas, OFM (Ordem dos Frades Menores) é natural de Penude, Lamego. Minha terra natal. Essa foi uma motivação inicial e acrescida para ler esta obra. Mas bastaram as primeiras páginas para perceber que valeu a pena procurar este título e reservar-lhe atenção, pela densidade da exposição, pelo conhecimento e investigação do autor, mas ao mesmo tempo numa escrita muito acessível e de fácil leitura. Por outro lado, é um instrumento valioso para enquadrar a homilia, a partir de Santo Agostinho, figura ímpar do cristianismo.

       Santo Agostinho é reconhecidamente uma das mentes mais brilhantes do cristianismo, sendo uma referência para os teólogos em diferentes campos da teologia mas também da filosofia, e com frases que se multiplicam na Internet. Sobre os Sacramentos, sobre a Teologia da Graça, sobre a Igreja. Uma das obras mais lidas do autor: Confissões. Testemunho da sua fé, o caminho da conversão a Jesus Cristo, a busca e o encontro com o Mestre dos Mestres.

       Menos conhecidos são os seus Sermões (populares). Ultimamente têm sido descobertos alguns e têm ganhado relevância nos meios académicos.

       O autor, Isidro Lamelas, dedica os primeiros capítulos a refletir sobre os aspetos mais importantes das homilias de Santo Agostinho, com o enquadramento histórico e mostrando como a referidas homilias apresentam um estilo específico de oralidade, pelo que seria mais fácil ouvir do que ler. A origem e o propósito: homilias dirigidas às comunidades crentes. Salienta-se o facto do pregador contextualizar as suas intervenções, tendo em conta as pessoas que tem à sua frente, partindo de uma leitura previamente escolhida, ou não, com um tema preparado, mas por vezes alterando a temática perante a necessidade de falar de outro assunto, com grande interação com o povo, em que o próprio provoca reações ou as expressa, aplausos, cansaço, fadiga, das pessoas ou dele próprio, ocasiões festivas, ouvintes que estão a entender ou nem por isso, sendo preciso explicar melhor ou deixar para outro dia o aprofundamento do tema.

       Uma nota sempre sublinhada é o facto do pregador hiponense partir sempre da Palavra de Deus, e a ela recorrer frequentemente. Usa uma linguagem muito viva, na procura de explicar  melhor possível. O mais importante é que a homilia esteja ao serviço da palavra, ainda que reconheça que a eloquência poderá ajudar a uma melhor compressão da mensagem. Porém, o mais importante é sempre o conteúdo, a Palavra de Deus.

       Numa segunda parte da obra, o Pe. Isidro apresenta algumas homilias, ou parte delas, sobretudo referidas à temática social. No momento de crise que a sociedade atravessa, as palavras de Santo Agostinho continuam válidas e incisivas.

       Ao ler este livro fiquei convencido da mestria do autor e da sua sugestão: as homilias de Santo Agostinho, que se leem com grande agrado, podendo a ajudar outros a preparar melhor as homilias, e a todos ajudar a viver/acolher melhor a Palavra de Deus.

19.08.14

Leituras: TIMOTHY RADCLIFFE - Imersos na Vida de Deus

mpgpadre

TIMOTHY RADCLIFFE (2013). Imersos na Vida de Deus. Viver o Batismo e a Confirmação. Prior Velho: Paulinas Editora. 334 páginas.

       Segundo D. José Cordeiro, Bispo de Bragança-Miranda, "Timothy Radcliffe, um teólogo brilhante, partilha aqui o dizer indizível da vida de Deus em nós. Na sequência de tantos livros atraentes sobre a questão vital do Cristinianismo, oferece-nos agora um rasgado horizonte da narrativa dos sacramentos do Batismo e da Confirmação. Emerge aqui a fascinante aventura da vida de Deus" (contracapa).

       Dominicano, Radcliffe conduz-nos através dos diversos momentos do Batismo, como celebração, alargando à história, à cultura circundante, à literatura, citando autores bem conhecidos, mas também cheio de histórias do dia a dia, na família e no convento, com pessoas de diferentes origens. A redescoberta do Batismo como sacramento que nos faz imergir na vida de Jesus Cristo e nos compromete com as pessoas que nos rodeia, com a família, com os colegas de trabalho. Ser cristãos não é uma capa que se veste, cedendo a tradições ou ritualismos, mas algo que nos identifica com Jesus, nos faz viver com alegria. Ser cristão, fazer o que Ele faz, assumir uma postura de proximidade e de vida nova, abençoados pela presença de Deus em nós.

       Ser batizado é deixar-se transformar pelo Espírito de Deus. É um acontecimento único, de vida nova, que nos compromete com os outros e com a transformação do mundo, modificando em nós os que nos afasta dos outros. O cristianismo é antes de mais um encontro pessoal com Jesus Cristo, que nos assume como irmãos. É uma história de amor, de Deus por nós, que nos quer bem, que nos quer livres e felizes. Ser cristão não é algo triste ou melancólico. Faz-nos sentir livres, úteis, filhos amados de Deus. E como Jesus, o compromisso do serviço e da proximidade, do diálogo. Não deveremos ter o ensejo do pensamento único, mas com humildade vivermos criativamente em cultura de diálogo, de encontro. Há sempre dons e talentos que podemos descobrir noutros que também são filhos de Deus.

       O Batismo liberta-nos do mal, e filia-nos em Deus. O autor parte de diversas situações quotidianos. Em todas as idades precisamos de nos convertermos, de abrirmos o nosso coração e a nossa mente, deixando que Deus possa ser visto através de nós. Ser filhos de Deus também nos faz encarar o sofrimento e a morte na sua relatividade, como oportunidades para nos aproximarmos mais dos outros ou os deixarmos aproximar.

       A opção comprometida com os mais pobres é uma exigência própria dos batizados. Seguir Jesus Cristo leva-nos ao encontro dos mais desvalidos para ajudarmos, para promovermos a dignidade da pessoa humana, mesmo que a aparência nos repugne. Jesus, diante da mulher apanhada em flagrante adultério, homem para ela como mulher e não tanto para o seu pecado, ainda que o convite a ela, como a nós, seja um caminho novo de libertação, de vida nova. Ele reabilita-nos para saborearmos a vida em abundância.

       Se não nos tornarmos como crianças não entraremos no Reino do Deus. Ao sermos batizados somos assumidos como crianças diante de Deus, que é Pai. Mas, e olhando para o Sacramento da Confirmação, o coração de crianças mas em cristãos corajosos, cuja maturidade da fé um desafio permanente.

 

»» Vale a pena ler a recensão feita pela Livraria FUNDAMENTOSAQUI.

18.08.14

Leituras - DANIEL SILVA - Retrato de uma Espia

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DANIEL SILVA (2012). Retrato de uma espia. Lisboa: Bertrand Editora. 432 páginas.

       Para os leitores de Daniel Silva este livro não é surpresa até porque está no mercado há algum tempo, tedo atingido topo de vendas. No entanto não foi essa a razão que nos levou a mais um título deste autor. Num presente comemorativo tive a oportunidade de pela primeira vez contactar com o autor, em ANJO CAÍDO que logo recomendámos - AQUI -. Quando um autor nos supreende logo queremos ler mais alguma coisa e foi o que me levou a este outro título.

        O protagonista é o mesmo: Gabriel Allon, espião israelita, reformado, que se dedica a restaurar quadros de famosos pintores. A mulher - Chiara - vem do mesmo ramo, a espionagem, e, além de companheira afetiva, com ele está ligada à arte mas também com ele regressa para ajudar casos que põem em causa a segurança de Israel e de todo o mundo ocidental. As forças são as conhecidas. Ambientando-se no 11 de setembro de 2001, no ataque à torres gémeas nos EUA, várias explosões, em vários países europeus, sintonizados com os horários dos atentados de 11 de setembro, provocam o regresso de Allon à espionagem. Colaboração com governos, com a CIA, FBI, M15, e outras secretas ocidentais é possível pôr em marcha uma plano de desmantelamento de algumas redes que se vão formando. A guerra entre palestinianos e israelitas é uma constante, assim como o fundamentalismo islâmico, ainda que se encontrem crentes muçulmanos moderados.

       Por outro lado, os que denunciam correm o sério risco de ser perseguidos ou meso mortos...

        O mundo da arte, compra e venda de famosos quadros ambienta ainda mais a intriga, o mistério, a espionagem.

       Infelizmente, ainda que o livro seja ficcionado, tem muitas semelhanças com a tensão entre países, entre grupos extremistas, toca de perto a violência gratuita contra inocentes, a explosão de bombas, os suícidos-bomba. A espionagem e contra-espionagem, lamentavelmente, não são apenas fruto da imaginação do cinema ou da literatura.

17.08.14

Leituras - SOLOMON NORTHUP - 12 Anos Escravo

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SOLOMON NORTHUP (2014). 12 Anos Escravo. Queluz de Baixo: Marcador Editora. 264 páginas.

 

       Como o próprio título indica, o livro fala de escravidão, na primeira pessoa. No final do século XIX, nos Estados Unidos da América. Alguns Estados já não permitiam a escravatura, mas havia outros onde estava em vigor. Solomon Northup é um homem livre, que nasceu livre, no Estado de Nova Iorque, com a mulher os filhos. A sua vida é tranquila, trabalhando por uma vida digna. É um bom carpinteiro e toca rabeca como ninguém.

       Em busca de trabalho, é abordado por dois homens que lhe prometem bom salário, prémios, na trabalhar num circo. Após um a noite de copos, acorda acorrentado se sem documentos que ateste a sua liberdade. Sempre que um "preto" viajasse teria que ter documentos como era um homem livre, para não correr o risco de ser levado à justiça, ou feito escravo num estado em que a escravatura fosse admissível. Mais tarde esses registo e os testemunhos vão ser uma enorme ajuda para ser declarado homem livre.

        Silenciado pela violência para não revelar que é homem livre, originário de Nova Iorque, com mulher e filhos, será vendido para o dono de uma plantação no Lusiana. É feito escravo. Durante 12 anos. Na própria pele fica a saber o que significa ser escravo e tratado como outro animal, cujo valor se calcula pela utilidade. Para o patrão cada escravo é uma mercadoria que pode dar-lhe dinheiro a ganhar. Ainda assim encontra patrões com bom coração, que julgam que a escravatura não tem nada de mal, mas que tratam os escravos com benevolência. Outros patrões cometem todo o tipo de tropelias. Para alguns as chicotadas são o pão nosso de cada dia. Cada escravo tem que produzir cada vez mais.

       Durante todo o tempo, Solomon sonha em regressar a casa, assumindo a sua vida de homem livre, para encontrar os braços da esposa e o carinho dos filhos.

       Fugir ou pedir a intercessão de quem possa levar informações a pessoas de bem que em Nova Iorque poderão despender esforços em vista à sua libertação. Alguns esforços são em vão. Outros são descobertos, dificultando ainda mais a vida como escravo. A rabeca ajuda-o a ter alguma paz, bem como os dotes para a carpinteira. Uma carta chega à sua terra natal, dando origem à sua libertação e respetivo regresso a casa. A mãe entretanto morrera e já tem um neto.

       O relato é feito pelo próprio Solomon, um ano depois de regressar à liberdade. É um testemunho na primeira pessoa, dando uma ideia mais precisa e real do que significa ser escravo.

       A história já está em filme, nomeado para 9 Óscares e venceu o Globo de Ouro para melhor drama.

16.08.14

Mulher, é grande a tua fé. Faça-se como desejas

mpgpadre

       1 – O amor de Deus não se circunscreve a um determinado círculo. É universal e concreto. Tem um Rosto. Uma Palavra. Um Corpo. Uma Vida. O amor de Deus visualiza-se em Jesus Cristo, no Qual nos descobrimos como irmãos, como família de Deus.

       A Encarnação de Deus realiza a redenção humana.

       Deus vem. Faz-Se um de nós. Dá-nos a Sua vida. Dá-nos o melhor de Si. O Seu maior e único amor: o Filho. Como facilmente verificamos, e como popularmente se diz, as moscas caçam-se com mel e nunca com o vinagre. O ser humano é salvo pelo amor, pela proximidade, pelo serviço. Nunca pela prepotência, pela instrumentalização.

       O percurso de Jesus leva-O ao encontro de povoações e de multidões. Porém, Ele não se perde em generalizações ou boas intenções. Está disponível. É todo ouvido, acolhimento. Acolhe o Amor do Pai. Acolhe-nos e envolve-nos nesse Amor maior. Sem fronteiras.

Na região de Tiro e de Sidónia, uma mulher, estrangeira, cananeia, faz-se ouvir: «Senhor, Filho de David, tem compaixão de mim. Minha filha está cruelmente atormentada por um demónio».

       Aparentemente há um diálogo de surdos. Veja-se a guerra que se desenrola atualmente em Israel, com os israelitas de um lado e os palestinianos do outro. Breves tréguas, mas logo surge um disparo e a violência continua. Uma cananeia aproxima-se de um judeu para lhe pedir a cura da filha.

       Jesus não lhe responde e os discípulos intercedem: «Atende-a, porque ela vem a gritar atrás de nós». A preocupação dos discípulos não é a mulher e as suas necessidades, mas o facto de ela estar a incomodar. Então Jesus responde o que os discípulos e as pessoas que os acompanham estavam à espera: «Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel... Não é justo que se tome o pão dos filhos para o lançar aos cachorrinhos».

       Esta era a posição oficial e popular: o Messias de Deus viria para restaurar o povo de Israel, como nação escolhida por Deus.

       A mulher não se cala. Como nenhuma mãe se cala quando em causa está o bem dos filhos: «Socorre-me, Senhor... Também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa de seus donos».

       Jesus não Se faz rogado e responde-lhe: «Mulher, é grande a tua fé. Faça-se como desejas». Esta mulher e mãe consegue o que queria: a cura da filha. O amor salva-nos. Expande o nosso coração. Faz-nos pensar nos outros e agir em prol deles.

       2 – O clamor da cananeia, é também o clamor dos salmistas, é o nosso clamor: "Deus Se compadeça de nós e nos dê a sua bênção, resplandeça sobre nós a luz do seu rosto. Na terra se conhecerão os vossos caminhos e entre os povos a vossa salvação". Se Deus é Pai e nos ama com amor de Mãe não deixará atender as nossas preces.

       O povo de Israel fora escolhido para ser um instrumento de salvação. Como promessa a Abraão, n'Ele serão abençoados todos os povos da terra. Não se estranham as palavras do profeta: «Respeitai o direito, praticai a justiça, porque a minha salvação está perto e a minha justiça não tardará a manifestar-se. Quanto aos estrangeiros que desejam unir-se ao Senhor para O servirem…hei de conduzi-los ao meu santo monte, hei de enchê-los de alegria na minha casa de oração. Os seus holocaustos e os seus sacrifícios serão aceites no meu altar, porque a minha casa será chamada 'casa de oração para todos os povos'».

       Por aqui se vê a lucidez de Isaías que alarga a Aliança a todos os povos da terra e que Jesus visualiza com a Sua vida.

       São Paulo depara-se, num tempo posterior, com discussão semelhante, judeus zelosos da sua predileção e pouco disponíveis para acolher pessoas de outros credos.

       Reafirma o Apóstolo: «Enquanto eu for Apóstolo dos gentios, procurarei prestigiar o meu ministério a ver se provoco o ciúme dos homens da minha raça e salvo alguns deles. Porque, se da sua rejeição resultou a reconciliação do mundo, o que será a sua reintegração senão uma ressurreição de entre os mortos? Porque os dons e o chamamento de Deus são irrevogáveis».

       São Paulo tudo fará para que judeus e gregos, religiosos e pagãos, escutem a Palavra de Deus e possam beneficiar do Evangelho de Jesus Cristo.


Textos para a Eucaristia (ano A): Is 56, 1.6-7;Sl 66 (67) Rom 11, 13-15.29-32; Mt 15, 21-28.

e no nosso blogue CARITAS IN VERITATE.

14.08.14

A minha alma glorifica o Senhor, que olhou para a Sua serva

mpgpadre

       1 – Em Maria, Mãe de Jesus, cumprem-se as promessas de Deus. N'Ela vem habitar a força do Espírito Santo, assumindo-A por inteiro, para Se tornar, com o Seu sim, Mãe do filho de Deus, do Deus connosco. A morada de Deus entre os homens é, antes de mais e por maioria de razão, Maria, desde sempre escolhida, desde sempre consagrada para ser a Mãe do Messias.

       Maria é preparada por Deus – Imaculada Conceição – para assumir uma missão muito peculiar na história da Salvação: ser Mãe do Filho de Deus. É um privilégio, segundo os Padres da Igreja, em atenção aos méritos futuros da paixão redentora de Jesus Cristo, no qual todos somos redimidos. Até mesmo Maria é salva pela morte e ressurreição de Jesus, Seu Filho.

       Puro Dom de Deus, Ela tornar-se-á também nossa Mãe. Mãe da Igreja. Melhor, Ela é a primeira Igreja que nos dá Cristo.

       2 – Na plenitude dos tempos, Deus revela-Se encarnando. A Palavra de Deus tem um rosto, uma identidade, um Corpo, que não ofusca a nossa humanidade, pelo contrário, revela e clarifica a nossa origem, o sustentáculo e o fim da nossa existência. Doravante, as promessas concretizam-se e dão luz à nossa busca. Não estamos sós, fechados entre o nascimento e a morte, num período de tempo limitado a umas dezenas de anos.

       Com efeito, diz-nos São Paulo, "Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram". A morte que veio por um homem, Adão, será vencida por outro homem, Jesus Cristo. A ressurreição de Jesus marca o início de um tempo novo. Ele abre-nos as portas da eternidade de Deus. Maria é assunta ao Céu, juntando-Se ao Seu filho e garantindo-nos que a seguir seremos nós, seguindo Jesus.

       Jesus entra na história, em Maria torna-se um de nós, para nos fazer entrar na vida de Deus. Assume-nos como seres humanos, criados à imagem e semelhança de Deus, e assume-nos como irmãos cuja pátria definitiva está no Céu, onde Ele já Se encontra à direita do Pai. Ora, em Maria esta promessa torna-se certeza: Ela já Se encontra onde Se encontra o Seu filho. A Mãe quer-se sempre perto dos Filhos.

 

       3 – O PRIVILÉGIO de Nossa Senhora – preservada de toda a mancha e da corrupção – diz-nos que TODA a vida, o Seu Corpo inteiro, é de Deus e para Deus. No início, durante e no fim. Mas é um privilégio instrumental, lunar, como é a Igreja. É a portadora do Corpo de Cristo, a Igreja, do Qual somos membros.

       Ela é iluminada, salva, pela LUZ que incide no Seu coração. A LUZ é para ser vista, é para revelar todo o bem que A preenche e que nos envolve. E logo nos primeiros instantes, Ela nos dá Jesus, colocando-O na manjedoura. Os Pastores e depois os Magos encontram o Menino envolto em panos e podem "pegar" n'Ele, adorá-l'O.

       No alto da Cruz, Jesus diz claramente que doravante a maternidade de Maria se expande para todos os seus discípulos. Dessa hora em diante cabe-nos acolher Maria, trazê-l'A para casa, para a nossa vida. Só assim nos tornamos discípulos amados de Jesus, só assim assumimos a fraternidade que Ele nos oferece. Partilha connosco a Mãe, para que nos assumamos, entre nós, como irmãos.

       Maria é Mãe, mas também discípula de Jesus. É a primeira Igreja. Gera Cristo. N'Ela refulge a Luz que vem da eternidade de Deus. Mas integra o Povo de Deus que peregrina ao encontro do Seu Senhor. Em vida: feliz porque escuta. Bem-aventurada Aquela que acreditou em tudo quando vem da parte do Senhor. E depois da morte, continua a dar-nos Jesus, e a acolher-nos como filhos. Ela é bem-aventurada por todas as gerações por nos ter dado o Salvador e nos mostrar como podemos responder e realizar o nosso sim a Deus em gestos de atenção, cuidado e intercessão a favor dos nossos irmãos.

       Somos chamados a partilhar a gravidez de Maria, acolhendo a Palavra que vem de Deus e dando à luz, ao mundo, o Deus que nos habita, preparando e antecipando JÁ a eternidade que nos espera.


Textos para a Eucaristia: Ap 11, 19a; 12, 1-6a.10ab; 1 Cor 15, 20-27; Lc 1, 39-56.

 

Reflexão COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso blogue CARITAS IN VERITATE.

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