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...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...

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08.03.14

Adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele prestarás culto

mpgpadre

       1 – Jesus fez-Se pobre para nos enriquecer com a Sua pobreza (cf. 2 Cor 8,9). O Papa Francisco, na Sua mensagem para a Quaresma, partiu deste contexto paulino, acentuando que Deus Se manifesta, não pelo poder, pelo luxo, pelo espetacular, mas Se comunica pelo amor, pela Cruz, pelo despojamento. A Encarnação de Deus, Jesus Cristo feito Homem, dá-nos esta certeza de que Deus nos assume por inteiro, na nossa humana fragilidade e finitude, por amor.

       Outro belíssimo texto é o da Carta de São Paulo aos Filipenses, que recolhe um hino sobre o abaixamento de Cristo, que sendo de condição divina não se vale de Sua igualdade com Deus, mas identifica-Se com o ser humano (cf. Fil 2, 6-11). Sendo inocente, faz-Se pecado, faz-Se homem (cf. 2 Cor 5, 21), assumindo-nos, salvando-nos, levando-nos aos ombros, como o Bom Pastor, carrega-nos e por nós e para nossa salvação carrega a CRUZ.

       Neste primeiro domingo da QUARESMA, caminho aberto por Jesus para a eternidade de Deus, são-nos apresentadas as TENTAÇÕES do Mestre da Vida. De novo se visualiza o abaixamento (Kénose) de Jesus. Identifica-se connosco. Experimenta a dúvida, o cansaço da caminhada, o silêncio de Deus no meio das dificuldades. Chegam-nos aos ouvidos e ao coração aquelas palavras da Cruz: «Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?»

       A tentação do poder, do sucesso fácil, de um caminho macio. A tentação de usar o poder e a missão em benefício próprio. A tentação de usar Deus e a religião para escravizar os outros, libertando-se solitariamente… Quarenta dias ou o tempo necessário para purificar ideias, para canalizar energias, para assumir que só Deus é Deus e só Ele há de ser servido e adorado, para que n’Ele nos predisponhamos a servir os irmãos.

       2 – As tentações clarificam a proximidade de Jesus à nossa condição humana. Também Ele é provado na adversidade. Quantas vezes, no meio dos nossos desertos, interiores e exteriores, nos apetece gritar por Deus? Quantas vezes ficamos sem lágrimas e sem voz, sem palavras e sem forças? Quantas vezes quereríamos que Deus fosse a nossa testemunha contra aqueles que nos fazem mal?

       Mas fixemo-nos no Evangelho:

Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto... Jejuou quarenta dias e quarenta noites e, por fim, teve fome. O tentador aproximou-se e disse-lhe: «Se és Filho de Deus, diz a estas pedras que se transformem em pães». Jesus respondeu-lhe: «Está escrito: ‘Nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus’». Então o Diabo conduziu-O à cidade santa, levou-O ao pináculo do templo e disse-Lhe: «Se és Filho de Deus, lança-Te daqui abaixo, pois está escrito: ‘Deus mandará aos seus Anjos que te recebam nas suas mãos, para que não tropeces em alguma pedra’». Respondeu-lhe Jesus: «Também está escrito: ‘Não tentarás o Senhor teu Deus’». De novo o Diabo O levou consigo a um monte muito alto, mostrou-Lhe todos os reinos do mundo e a sua glória, e disse-Lhe: «Tudo isto Te darei, se, prostrado, me adorares». Respondeu-lhe Jesus: «Vai-te, Satanás, porque está escrito: ‘Adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele prestarás culto’».

       Num primeiro registo, as tentações não aparentam nada de mal, e no entanto, desde logo, Jesus mostra-nos uma evidente opção por Deus, por nós, a certeza que a Sua vida e a Sua missão não serão uma imposição pela força, pelo milagre. Ele vai caminhar connosco. Não corta caminho. Segue as dificuldades que se colocam à nossa vida. Não usará a missão em benefício próprio. «Só o pobre se faz pão» (Carlos Antunes). Na identificação connosco, Jesus não transforma as pedras em pão, mas oferecer-se-á, a Si mesmo, como Pão da vida, como alimento que nos sacia até à eternidade.

 

      

       3 - No aniversário dos Bombeiros Voluntários de Tabuaço, 3 de março, mas que ora se insere a comemoração nesta Eucaristia de ação dde graças, o exemplo de tantas pessoas que, em diferentes gerações e em circunstâncias variadas, souberam colocar a sua vontade, o seu talento e as suas energias, ao serviço desta vila e deste concelho, ou de outras terras deste nosso Portugal, protegendo bens e pessoas, em espírito de sacrífico de de generosidade. Nesta perspetiva, são luz para nos ajudarem a ultrapassar tantas tentações que podem vir pela frente, servir-se em vez de servir os outros. Jesus dá o mote: "Eu não vim para ser servido, mas para servir e dar a vida por muitos". O lema dos Bombeiros é precisamente "VIDA POR VIDA".

       Que cada um de nós, sigamos este referencial, na nossa vida pessoal, familiar, no nosso compromisso social, nas responsabilidades que assumimos, em tudo coloquemos a alegria de servir e dar a vida pelos outros.

 

       4 – Em jeito de resposta à Palavra de Deus, rezemos juntos, com os lábios e com o coração, o salmo proposto para este primeiro Domingo de Quaresma:

Compadecei-Vos de mim, ó Deus, pela vossa bondade,
pela vossa grande misericórdia,
apagai os meus pecados.
Lavai-me de toda a iniquidade
e purificai-me de todas as faltas.

Porque eu reconheço os meus pecados
e tenho sempre diante de mim as minhas culpas.
Pequei contra Vós, só contra Vós,
e fiz o mal diante dos vossos olhos.

Criai em mim, ó Deus, um coração puro
e fazei nascer dentro de mim um espírito firme.
Não queirais repelir-me da vossa presença
e não retireis de mim o vosso espírito de santidade.

Dai-me de novo a alegria da vossa salvação
e sustentai-me com espírito generoso.
Abri, Senhor, os meus lábios
e a minha boca cantará o vosso louvor.


Textos para a Eucaristia (ano A): Gen 2, 7-9; 3, 1-7; Sl 50 (51); Rom 5, 12.17-19; Mt 4, 1-11.

 

06.03.14

VÍTOR GASPAR por MARIA JOÃO AVILLEZ

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VÍTOR GASPAR por MARIA JOÃO AVILLEZ. Edição de Maria João Avillez e Publicações Dm Quixote. Alfragide 2014. 416 páginas.

 

       Vítor Gaspar, reconhecido pelos seus pares, mas desconhecido do público português até ao dia em que foi anunciado como Ministro das Finanças, do Governo de coligação, liderado por Pedro Passos Coelhos. Quando surge alguma figura, cuja missão, papel, cargo, se reveste de uma importância crucial para os destinos da nação portuguesa, logo vem a curiosidade, o querer saber melhor quem terá a responsabilidade de gerir os meios humanos e económicos, para que os laços entre todos possam ser fortalecidos, precavendo ou corrigindo as estruturas e/ou mecanismos que arredam alguns para as periferias.

       Teixeira dos Santos, do governo anterior, ou Vítor Gaspar, deste governo nos dois primeiros anos de governação, são dois excelentes técnicos de Finanças, competentes, que certamente procuraram fazer o melhor, num serviço ao país, cujas intervenções políticas foram marcadas pela moderação, responsáveis por gerir um dos maiores défices orçamentais, com limitado acesso aos mercados para financiar os compromissos do Estado português e, onsequentemente, de empresas e famílias.

 

MARIA JOÃO AVILLEZ - A Entrevistadora.

       Conhecida jornalista, envolvida nestas lides, com participação em jornais e programas de televisão e com alguns livros publicados, como três volumes da biografia de Mário Soares; Francisco Sá Carneiro: Solidão e Poder; Conversas com Salazar. É arguta. Não aceita qualquer resposta. Tem a mesma curiosidade que grande parte dos portugueses sobre quem é e as medidas que este homem assume. Cedo solicita-lhes permissão para o acompanhar, colhendo impressões, informações, comentários. Depois da demissão de Vítor Gaspar do governo, propõe-se a prosseguir o intenso debate, reflexão, diálogo com um Ministro que deixa um rasto de críticas mas também de reconhecimento aquém e além fronteiras. A jornalista percorre com Vítor Gaspar várias etapas da sua vida: infância e juventude, o homem, o estudioso, negociador, membro de várias instâncias internacionais, o Ministro... Perante a "normalidade" do processo político português e internacional, e com o facto de Vítor Gaspar insistir, com otimismo (cético), em sublinhar positivamente os vários acontecimentos, até as manifestações pedindo a sua demissão, sem nunca apontar defeitos a outros, quase que se ouve a gritar-lhe para que diga nomes, que mostre quem lhe fez a folha. Às tantas... sobre os problemas políticos: "Exatamente quais, santo Deus?" A resposta serena (ou não) de Vítor Gaspar: "Não preciso, não quero e não lhe vou comentar isso", "Ah... Ficaríamos a entender melhor o seu raciocínio e o seu julgamento se fosse mais claro". Resposta: "Pode-me fazer a pergunta 500 vezes que não vai ter uma resposta. Estive plenamente dedicado a esta tarefa durante dois anos. Foi para mim muito difícil. A minha única motivação doi o interesse de Portugal. Estou convencido de que responder à sua pergunta seria contraproducente". "Talvez fosse... mas as pessoas esperariam outra análise sua?" Resposta: "As pessoas esperam imensas coisas sobre os outros e são frequentemente desapontadas. Não vejo razão porque no meu caso haveria de ser diferente. Nenhuma personalidade pode satisfazer as expectativas que o público tem sobre ela, a menos que desista de ser quem é". "E o que é que o faz dizer isso?" Resposta: "O facto de as pessoas poderem ter certas expectativas a meu respeito. Não determina nem quem sou, nem a perceção que tenho de quem sou".

O livro traz um diálogo extremamente vivo, acutilante, com varidas questões, sobre variados assuntos, da vida profissional e "política" de Vítor Gaspar. A jornalista está sempre em busca da melhor e mais clarificadora resposta, colcoando-se no lugar dos portugueses, como crítica, em busca se razões e de esperança para Portugal e para a Europa.

 

VÍTOR GASPAR - O entrevistado.

       Em todo o livro não diz mal de ninguém. E se há algum reparo, incide sobre decisões políticas. Mesmo de quem publicamente mais o terá contrariado, Paulo Portas, formula um juízo positivo e generoso. É política. Terá razões e responsabilidades com o partido. Sobre António José Seguro. Sobre o Tribunal Constitucional - cumpre com as suas responsabilidades. Sobre os outros ministros. Sobre Mário Soares. Sobre Cavaco Silva. Sobre os portugueses e as manifestações. Vivemos em democracia - é normal, faz parte da cultura de uma país moderno, livre e democrático...

       Independentemente do que se possa pensar sobre Vítor Gaspar, e sobre a sua atuação como Ministro das Finanças, este é um diálogo inspirador, respeitando divergências, acolhendo contributos, envolvendo um desafio de esperança em Portugal e na Europa. É impressionante como em 400 páginas, centenas de perguntas, não se encontrem críticas pessoais, ou reparos cáusticos sobre outros intervenientes. Goste-se ou não, vale a pena a leitura deste diálogo, pelos muitos conhecimentos, informações  culturais, sociais, políticos, de alguém que conhece de forma bastante bem os mecanismos decisores na Europa e no Mundo, e em Portugal.

 

GUILHERME D'OLIVEIRA MARTINS - Posfácio.

       O conhecido político e atualmente Presidente do Tribunal de Contas, de uma área política diferente da de Vítor Gaspar, pelo menos no que diz respeito ao cargo que este último desempenhou como Ministro das Finanças, convida a fazer uma leitura atenta deste diálogo, que fará história, no seu entender, será um contributo significativo para narrar os tempos da crise económico-financeira, na qual o então Ministro das Finanças esteve de perto envolvido na procura de uma resposta eficaz. Reconhecendo o valor da entrevistadora, reconhece também que a história presente precisa de um certo distancionamento no tempo, para um juízo mais apurado, reconhecendo também a necessidade de se continuar a apostar no rigor das finanças públicas e no equilíbrio das contas.

 

Nota final - Neste como em outros governos, os ministros mais expostos foram e são os que não têm filiação partidária, pois além dos ataques dos media são atacados pelos partidos. Alguns dados mais: Miguel Relvas - muito atacado pela comunicação social e pela opinião pública, sempre defendido pelo partido. José Sócrates - atacado pelos mass media e pela opinião pública, sempre defendido pelo partido. Vítor Gaspar e Álvaro Santos Pereira - dentro dos partidos da coligação muitas vozes a pediram as suas cabeças. Em concreto, se o Ministro da Economia fosse do PSD ou do CDS nunca teria sido forçado a sair para dar lugar a outro membro, cujo papel será igual, mas com a diferença de ter um cartão de militante.

05.03.14

Quaresma 2014: Mensagem de D. António Couto,

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IDE ATÉ AO CORAÇÃO DE DEUS E DOS IRMÃOS

       1. Na sua mensagem para esta Quaresma, o Papa Francisco convida-nos a acolher Jesus que, por amor, se fez nosso irmão, descendo ao nosso nível, para nos entregar o amor, a paz, a alegria, a fraternidade e a verdade. Por isso, veio ter connosco. De longe e do alto, só nos podia atirar dinheiro, mas não nos enriquecia. Não tocava nem sarava as nossas feridas, não lavava os nossos pés, não afagava o nosso coração, não tornava mais divina a nossa humanidade. Ele, que é o «rosto humano de Deus e o rosto divino do homem» (Ecclesia in America [1999], n.º 67), desceu ao nosso mundo, fez-se pobre, caminhou e caminha connosco, no meio de nós, para nos enriquecer com a sua pobreza (2 Coríntios 8,9).

 

       2. Mas como Jesus não veio apenas ao meu encontro para só a mim se entregar por amor e só em mim fazer nascer o amor, mas veio ao encontro de todos e a todos se entregou por amor, então a minha fé é verificada pelo meu amor a Deus e a todos os meus irmãos amados por Deus. Diz bem o Apóstolo: «Quem não ama o seu irmão, que bem vê, não pode amar a Deus, que não vê» (1 João 4,20).

 

       3. E o Apóstolo insiste em pôr diante dos nossos olhos esta chave de verificação: «Nós sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos. Quem não ama, permanece na morte» (1 João 3,14). A verdadeira morte não é então o termo da vida, mas aquilo que, desde o princípio, impede de nascer: o não acolhimento do Deus que vem por amor e por amor se faz pobre, para, por amor, fazer nascer em nós o amor e novas e impensáveis pautas de fraternidade.

 

       4. Sim, então o amor ou a caridade não cabem, longe disso, naquilo que habitualmente designamos por solidariedade ou ajuda humanitária. O amor ou a caridade desborda sempre dessas realidades, e impele-nos ao anúncio do Evangelho, que é «a primeira caridade» (Evangelii Gaudium [2013], n.º 199; Novo millennio ineunte [2001], n.º 50) e «o primeiro serviço que a Igreja pode prestar ao homem e à humanidade inteira» (Redemptoris missio [1990], n.º 2), e que consiste em mostrar este Deus que vem por amor ao nosso encontro, para nos servir o amor e fazer nascer em nós, como resposta, o serviço humilde, próximo e dedicado do amor.

 

       5. Por isso, o tempo da Quaresma é um tempo diferente e um tempo em que devemos viver de frente, sem fugas, desculpas, meias-tintas, inverdades, meias-verdades ou mentiras. É tempo de ir até ao coração de Deus e dos irmãos. É tempo de entregarmos a Deus o nosso pó, a nossa cinza, que só Ele sabe transformar em amor (Génesis 2,7) e fazer-nos renascer como seus filhos verdadeiros, e, portanto, irmãos perfeitos no amor.

Toma em tuas mãos, Senhor,

A nossa terra ardida.

Beija-a.

Sopra nela outra vez o teu alento,

A tua aragem,

E veremos nela outra vez impressa a tua imagem.

 

Tu sabes bem, Senhor, que somos frágeis,

Mas que contigo por perto

Seremos fortes e ágeis,

Capazes de abrir estradas no deserto,

A céu aberto.

       6. Por isso e para isso, amados irmãos, insistentemente vos peço que deixeis que Deus renove a vossa vida. Frequentai os Sacramentos da Eucaristia e da Reconciliação, que nos comunicam a vida divina, e são a nossa verdadeira terapia. Tornemos mais fundo e mais fecundo o caminho da nossa iniciação cristã, não o deixando cair nunca na vala da finalização cristã!

 

       7. Aos sacerdotes peço encarecidamente que se entreguem à oração e convoquem as comunidades para a oração, para a escuta atenta e qualificada da Palavra de Deus, para a Eucaristia, para a Reconciliação, para a prática da caridade. A todos peço uma maior dedicação ao exercício do sacramento da Reconciliação ou Penitência segundo as normas da Igreja, expressas em tempos recentes, por exemplo, na Misericordia Dei (2002). Que seja proporcionada a todos os fiéis a prática concreta da «confissão pessoal», evitando-se o recurso abusivo à «absolvição geral» ou «coletiva», que arrasta consigo «graves danos para a vida espiritual dos fiéis e para a santidade da Igreja».

       8. A Quaresma convida-nos a dilatar o nosso coração até às periferias do mundo, olhando com um olhar de graça por e para os nossos irmãos de perto e de longe. Façamos um exercício de verdade. Despojemo-nos, não apenas do que nos sobra, mas também do que nos faz falta. Dar o que sobra não tem a marca de Deus. Jesus não nos deu coisas, mas deu a sua vida por nós. O Papa Francisco lembra-nos que a nossa esmola, que é igual à caridade, se for verdadeira, tem de doer! E eu acrescento que tem de doer e de nos encher de alegria (Tobias 4,16). Como em anos anteriores, peço aos meus irmãos de todas as paróquias da nossa Diocese de Lamego para abrirmos o nosso coração a todos os que sofrem aqui perto e lá longe. Neste sentido, vamos destinar uma parte da nossa esmola quaresmal para o fundo solidário diocesano, para aliviar as dores dos nossos irmãos de perto que precisam da nossa ajuda. Olhando para os nossos irmãos de longe, vamos destinar outra parte do esforço da nossa caridade para as missões dos Missionários Combonianos no Sudão do Sul, onde a guerra civil já provocou mais de 10.000 mortos e 700.000 deslocados, e as dificuldades dos nossos irmãos atingem o indescritível. Esta finalidade da nossa Renúncia ou Caridade Quaresmal será anunciada em todas as Igrejas da nossa Diocese no Domingo I da Quaresma, realizando-se a Coleta no Domingo de Ramos na Paixão do Senhor.

 

       9. Com a ternura de Jesus Cristo, saúdo todas as crianças, jovens, adultos e idosos, catequistas, acólitos, leitores, salmistas, membros dos grupos corais, ministros da comunhão, membros dos conselhos económicos e pastorais, membros de todas as associações e movimentos, departamentos e serviços, todos os nossos seminaristas, todos os consagrados, todos os diáconos e sacerdotes que habitam e servem a nossa Diocese de Lamego ou estão ao serviço de outras Igrejas. Saúdo com particular afeto todos os doentes, carenciados e desempregados, e as famílias que atravessam dificuldades. Uma saudação muito especial a todos aqueles que tiveram de sair da sua e da nossa terra, vivendo a condição de emigrantes.

 

Na certeza da minha oração e comunhão convosco, a todos vos abraça o vosso bispo e irmão, António.

 

FONTE: página oficial da DIOCESE de LAMEGO - AQUI.

03.03.14

D. António Couto - Introdução ao evangelho segundo Mateus

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D. ANTÓNIO COUTO. Introdução ao Evangelho segundo Mateus. Paulus Editora. Lisboa 2014. 112 páginas.

       Depois da publicação do "Quando Ele nos abre as Escrituras. Domingo Após Domingo. Uma leitura bíblica do Lecionário (Ano A)", inteirinho dedicado à liturgia de Domingo, centrado essencialmente no Evangelho, cujo evangelista principal, de domingos e solenidades é são Mateus, eis agora mais uma preciosa ajuda para entender o Evangelho da Igreja, isto é, o Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus.

       Com a seriedade com que nos habitou, com a profundidade que lhe reconhecemos, D. António faz-nos entrar DENTRO do texto do Evangelho mas também dentro da HISTÓRIA de Jesus Cristo, de uma forma muito, muito, acessível, simples e muito poética. Cada texto traz a sabedoria das Escrituras Sagradas, explicada, exemplificada, com ligações à história de Israel e à história da Salvação. Texto de Mateus mas ligado a outros textos e contextos.

       Os grandes discursos de Mateus, diversos acontecimentos que nos "agrafam" a Jesus, levam-nos àquele tempo, ou melhor trazem Jesus até nós, pois que Ele caminha connosco, queiramos nós escutá-l'O e segui-l'O e ainda seremos poucos para a sua seara. Ele diz o Pai, como o Espírito Santo diz o Filho e o Pai, mas também nos diz a nós. Estamos lá à beirinha de Jesus, escutando, interrogando-o, hesitando, duvidando, caminhando, ansiosos, de olhares perdidos que Ele faz questão em encontrar.

       O que surpreende sempre nos textos de D. António, para lá da vasta cultura bíblica, é a forma poética e ritmada de dizer, de explicar, de nos envolver nas belíssimas páginas do Evangelho, da Escritura Sagrada. Este é mais um extraordinário exemplo, como quem trabalha a prata e o ouro, ou quem de tosca pedra tira belas estátuas, ainda que aqui a imagem seja desajustada, pois a pérola é o próprio Evangelho. Mas é possível que a beleza do Evangelho se torne ainda mais transparente e acessível com este estudo de D. António. Vale a pena ler, meditar, deixar-nos guiar para dentro das páginas do livro e sobretudo fazer com que as páginas do Evangelho continue a escrever nas nossas vidas, dentro do coração de cada um.

       Já recomndámos a leitura dos comentários da Liturgia do DOMINGO: AQUI. Do mesmo modo poderá seguir as reflexões de D. António através do seu blogue pessoal: Mesa de Palavras - AQUI. Embora possam ser textos próximos, o autor e as leituras são as mesmas, mas o blogue permite uma ou outra atualização, que aqui ou acolá mais nos conduz ao Evangelho de Jesus.

 

A Livraria Fundamentos também recomenda este belíssimo trabalho: AQUI.

01.03.14

Não vos inquieteis com o dia de amanhã

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       1 – «Não vos inquieteis com o dia de amanhã, porque o dia de amanhã tratará das suas inquietações. A cada dia basta o seu cuidado».

       Só Deus garante que o chão não nos foge debaixo dos pés, mesmo quando experimentamos a instabilidade do mar alto, com o nevoeiro das nossas limitações, com as tempestades dos nossos fracassos. Ainda que pareça que vai a dormir, Ele está no nosso barco. Quantas situações nos apetece gritar para que Ele nos dê um sinal, uma prova?

       Aos seus discípulos, e hoje somos nós, Jesus mostra um CAMINHO claro de salvação e vida: «Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro».

       Aí está mais uma chave de leitura, uma escolha a fazer, uma prioridade a assumir.

       2 – «Não vos inquieteis com o dia de amanhã, porque o dia de amanhã tratará das suas inquietações. A cada dia basta o seu cuidado». O convite de Jesus é verdadeiramente libertador. É defensável a ambição, com conta peso e medida, a ambição solidária, que procura melhorar o mundo e não apenas a própria vida à custa dos outros, sabendo que estamos no mesmo barco, para o bem e para o mal.

Precisamos de pouco para viver bem: saúde, amor, amigos, companhia, saber que Alguém garante a nossa vida e o nosso futuro.

       Vale a pena ler/escutar o texto do Evangelho:

«Não vos preocupeis, quanto à vossa vida, com o que haveis de comer, nem, quanto ao vosso corpo, com o que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento e o corpo mais do que o vestuário? Bem sabe o vosso Pai celeste que precisais de tudo isso. Procurai primeiro o reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais vos será dado por acréscimo».

       Há muitas coisas que não dependem de nós. Estas podem paralisar-nos, se queremos controlar todas as coordenadas, ou podem libertar-nos se, reconhecendo as nossas limitações, nos apoiamos na bondade de Deus sem temermos arriscar a própria vida. As coordenadas são-nos interiores: Deus, bem, amor, verdade, perdão, comunhão.

 

       3 – «Não vos inquieteis com o dia de amanhã, porque o dia de amanhã tratará das suas inquietações. A cada dia basta o seu cuidado». O futuro por vezes serve de desculpa para hoje não nos comprometermos. Por medo, pois não sabemos o que trará o dia de amanhã. Por outro lado, adiamos, logo se vê, amanhã as coisas podem estar melhor, quando tivermos tempo, quando tivermos mais dinheiro, quando as condições forem mais favoráveis.

       Mas as circunstâncias nunca serão ideais.

       "O amor começa hoje. Hoje alguém sofre. Hoje alguém está na rua. Hoje alguém tem fome. Hoje temos de começar. Ontem já passou. Amanhã ainda não chegou. Somente hoje podemos anunciar Deus, amando, servindo, alimentando os que têm fome, vestindo os que estão nus, dando aos pobres um teto sobre as suas cabeças. Não espereis até amanhã. Amanhã eles estarão mortos, se nada lhes dermos hoje" (Madre Teresa de Calcutá).

       A vida não é a preto e branco, é multicolor. Nem todos conseguem exercitar-se de tal forma que nem o passado nem o futuro paralisem as suas vidas, mas é pelo menos um desafio, deverá ser um compromisso, para nos tornarmos mais saudáveis, para não nos arrependermos depois, para potenciarmos os nossos talentos, para ajudarmos o mundo a ser uma casa para todos.


Textos para a Eucaristia (ano A): Is 49, 14-15; Sl 62 (63); 1 Cor 4, 1-5; Mt 6, 24-34.

 

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  155. N
  156. D
  157. 2007
  158. J
  159. F
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  161. A
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  164. J
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  166. S
  167. O
  168. N
  169. D

Velho - Mafalda Veiga

Festa de Santa Eufémia

Pinheiros, 16/17 de setembro de 2012

Primeira Comunhão 2013

Tabuaço, 2 de junho

Profissão de Fé 2013

Tabuaço, 19 de maio