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Escolhas & Percursos

...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...

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12.10.13

Não foram 10 os que ficaram curados? Onde estão os outros 9?

mpgpadre

       1 – O amor exige amor. O bem realizado provoca a gratidão. A gratidão só é possível partindo da humildade e do reconhecimento do bem que o outro nos faz. Quem agradece abre-se ao dom alheio, disponibiliza-se a valorizar o que recebeu. Em muitas situações da vida, o melhor agradecimento está em usar bem o que se recebeu.

       Amar implica relação, coração que se debruça sobre alguém. Tem implícita uma resposta positiva. O Papa Bento XVI, servindo-se de conceitos gregos, apresenta o amor nos seus diversos graus. Ágape, é o amor oblativo, o nível superior, que procura o bem do outro, sem esperar nada em troca. Neste sentido, o amor de Deus é sobretudo ágape (caritas = caridade). Deus dá-Se totalmente ao ser humano. Noutro polo está o eros, “o amor de quem deseja possuir aquilo que lhe falta, ansiando pela união do amado”. Haverá alguma coisa que o homem é e tem e que Deus não possua já?

       Porém, sublinha Bento XVI, “o amor de Deus também é eros... o Omnipotente espera o «sim» das suas criaturas, tal como um jovem esposo espera o sim da sua esposa… Na Cruz o próprio Deus mendiga o amor da sua criatura: Ele tem sede do amor de cada um de nós… A resposta que o Senhor deseja ardentemente de nós é, antes de mais, que acolhamos o seu amor e nos deixemos atrair por Ele. Aceitar o seu amor não basta. Devemos corresponder a esse amor e, depois, empenharmo-nos em comunicá-lo aos outros”.

       2 – Jesus passa entre a Samaria e a Galileia, a caminho de Jerusalém e encontra 10 leprosos. Está em movimento, a caminhar. Vem ao nosso encontro, ao nosso caminho. Cabe-nos acolher a Sua presença: «Jesus, Mestre, tem compaixão de nós». A cura coloca-nos a caminhar, e no caminhar, no sair de si, está a cura para muitos dos nossos males físicos e espirituais.

       A narração continua e mostra a atitude de um dos leprosos que, vendo-se curado, glorifica a Deus em alta voz e se prostra aos pés de Jesus para Lhe agradecer. Era um estrangeiro, um samaritano, inimigo dos judeus, impuro como leproso e impuro por ser samaritano. Ainda assim, só ele glorifica a Deus e agradece a Jesus.

       Rapidamente o desabafo de Jesus: «Não foram dez os que ficaram curados? Onde estão os outros nove? Não se encontrou quem voltasse para dar glória a Deus senão este estrangeiro?» Jesus, quando os curou não lhes perguntou pela origem, pela classe social, pela religião, pelas suas histórias passadas. Simplesmente, curou-os. Atendeu aos seus pedidos. Também aqui Jesus dá a Sua vida, dá a Sua graça. Cura. Sem esperar receber nada em troca. É o amor-ágape. Brota da Sua benevolência, da Sua compaixão, de um coração que transborda de Amor. Seguindo a reflexão de Bento XVI, seria expectável o agradecimento. Uma resposta. Um obrigado. Uma palavra. Um gesto. O amor gera amor.

       Não basta, responder ao amor com amor, é necessário comunicá-lo, testemunhá-lo aos outros e daí o envio: «Levanta-te e segue o teu caminho; a tua fé te salvou». Levantar-se. Pôr-se a caminho. De novo. Sempre. A fé como ponto de partida, como condição para nos fazermos caminho.

 

       3 – Cientes da palavra de Deus que hoje toca o nosso coração, que propósitos para renovar aspetos da nossa vida? Agradeço o que sou, o que tenho, a minha família? Agradeço o sol ou a chuva de cada manhã? Louvo a Deus por tudo o que de bom me rodeia? Reconheço os dons que Deus dá aos outros? E de que forma eu agradeço pelos dons que Ele me dá? Ponho-os a render? Guardo-os para mim?

       Não tenhamos medo de usar muitas vezes o “obrigado”. Agradeçamos a quem nos faz a refeição. Elogiemos este ou aquele prato confecionado. Obrigado a alguém que nos deu a passagem, nos emprestou um lápis, agradeçamos a Deus por cada sorriso que nos predispõe para o bem. Agradeça. Louve. Hoje. Faça um elogio a cada pessoa da sua família. Há sempre oportunidades. Pelo penteado, pela roupa, pela refeição, pela expressividade do rosto, pelo olhar, pelo sorriso. Um elogio. Um obrigado. Muda o seu olhar. Muda a atitude de quem escuta. Faça o domingo acontecer. Hoje.


Textos para a Eucaristia (ano C): 2 Reis 5, 14-17; 2 Tim 2, 8-13; Lc 17, 11-19.

 

10.10.13

Papa Francisco - Transitar em paciência

mpgpadre

TRANSITAR EM PACIÊNCIA:

 

       "É um tema do qual me fui apercebendo, durante anos, ao ler um livro de um autor italiano, com um título muito sugestivo: Teologia del fallimento, ou seja, teologia do fracasso, onde se expõe como Jesus entrou em paciência. Na experiência do limite, no diálogo com o limite, forja-se a paciência. Às vezes, a vida leva-nos não a «fazer», mas sim a «padecer», suportando, sustentando as nossas limitações e as dos outros. Transitar a paciência é apercebermo-nos de que o que amadurece é o tempo. Transitar em paciência é deixar que o tempo paute e amasse as nossas vidas".

       "Transitar em paciência implica aceitar que a vida é isso: uma aprendizagem contínua. Quando uma pessoa é nova, julga que pode mudar o mundo; e isso está certo, tem de ser assim. Mas, depois, quando procura, descobre a lógica da paciência na própria vida e na dos outros. Transitar em paciência é assumir o tempo e deixar que os outros façam a sua vida. Um bom pai, tal como uma boa mãe, é aquele que vai intervindo na vida do filho o suficiente para lhe marcar as pautas de crescimento, para o ajudar, mas que depois sabe ser espetador dos fracassos próprios e alheios, e os supera".

 

       "... segurar o papagaio [de papel] assemelha-se à atitude que é preciso ter perante o crescimento da pessoa: em dado momento, é preciso dar-lhe corda, porque «rabeia». Dito de outra maneira: é preciso dar-lhe tempo. Temos de saber pôr o limite no momento justo. Mas, outras vezes, temos de saber olhar para o outro lado e fazer como o pai da parábola, que deixa que o filho se vá embora e desperdice a sua fortuna, para que faça a sua própria experiência"

 

       "Quantas vezes, na vida, é preciso travar, não querer atingir tudo de repente! Transitar na paciência pressupõe todas essas coisas: é claudicar da pretensão de querer solucionar tudo. É preciso fazer um esforço, mas entendendo que uma pessoa não pode tudo. Há que relativizar um pouco a mística da eficácia".

 

In SERGIO RUBIN e FRANCESCA AMBROGETTI, Papa Francisco. Conversas com Jorge Bergoglio.

09.10.13

Papa Francisco - CREDO de Bergoglio

mpgpadre

«Quero crer em Deus Pai, que me ama como filho, e em Jesus, o Senhor, que me infundiu o seu Espírito na minha vida, para me fazer sorrir e levar-me assim ao reino eterno da vida.

Creio na minha história que foi trespassada pelo olhar amoroso de Deus e, num dia de Primavera, 21 de Setembro, saiu ao meu encontro para me convidar a segui-lo.

Creio na minha dor, infecunda pelo egoísmo, onde me refúgio.

Creio na mesquinhez da minha alma, que procura engolir sem dar… sem dar.

Creio em que os outros são bons, e que devo amá-los sem temor, e sem trai-los nunca à procura de segurança para mim.

Creio na vida religiosa.

Creio que quero amar muito.

Creio na morte quotidiana, ardente, de que fujo, mas que me sorri convidando-me a aceitá-la.

Creio na paciência de Deus, acolhedora, boa como uma noite de Verão.

Creio que o meu papá está no Céu junto do Senhor.

Creio que o padre Duarte também lá está intercedendo pelo meu sacerdócio.

Creio em Maria, a minha mãe, que me ama e nunca me deixará só.

E espero a surpresa de cada dia na qual se manifestará o amor, a força, a traição e o pecado, que me acompanharão até ao encontro definitivo com esse rosto maravilhoso que não sei como é, de que me desvio continuamente, mas que quero conhecer e amar.

Ámen.»

 

In SERGIO RUBIN e FRANCESCA AMBROGETTI, Papa Francisco. Conversas com Jorge Bergoglio. Paulinas Editora. Prior Velho 2013

08.10.13

Papa Francisco - sobre a DOR

mpgpadre

       "A dor não é uma virtude em si mesma, mas o modo como é assumida pode ser virtuoso. A nossa vocação é a plenitude e a felicidade, e, nessa busca, a dor é um limite. Por isso, o sentido da dor só é entendido plenamente através da dor de Deus feito Cristo...

       Por isso, a solução passa por entender a Cruz como semente de ressurreição. Toda a tentativa de suportar a dor obterá resultados parciais, se não for fundamentada na transcendência. É uma dádiva entender e viver a dor em plenitude. Mais ainda: viver em plenitude é uma dádiva...

       Tanto a dor física como a espiritual puxam para dentro, onde ninguém pode entrar; implicam uma dose de solidão. Do que a pessoa precisa é de saber que alguém a acompanha, que gosta dela, que respeita o seu silêncio e reza para que Deus entre nesse espaço que é pura solidão".

 

       "A dor é algo que está ligado à fecundidade. Atenção! Não é uma atitude masoquista, mas sim aceitar que a vida nos marca limites".

 

In SERGIO RUBIN e FRANCESCA AMBROGETTI, Papa Francisco. Conversas com Jorge Bergoglio. Paulinas Editora. Prior Velho 2013

07.10.13

Papa Francisco - o trabalho e o desemprego

mpgpadre

       - Certamente, a longo da sua vida sacerdotal, muita gente desempregada o deve ter procurado. Qual a sua experiência?

       É gente que não se sente pessoa. É que, por mais que as suas famílias e os seus amigos os ajudem, querem trabalhar, querem ganhar o pão com o suor do seu rosto. É que, em última instância, o trabalho unge a dignidade a pessoa. A unção de dignidade não é dada pelos antepassados, nem pela formação familiar, nem pela educação. A dignidade, enquanto tal, só vem pelo trabalho. Comemos o que ganhamos, mantemos a nossa família com o que ganhamos. Não interessa se é muito ou pouco. Se é mais, melhor. Podemos ter uma fortuna, mas se não trabalharmos, a dignidade vai-se abaixo.

 

- A pior parte fica com os que querem trabalhar e não podem.

 

       O que acontece é que o desempregado, nas suas horas de solidão, sente-se infeliz, porque «não ganha a vida». Por isso, é muito importante que os governos dos diferentes países, através dos ministérios competentes, fomentem uma cultura do trabalho, e não da dádiva. É verdade que em momentos de crise há que recorrer à dádiva para sair da emergência (...). Mas depois é preciso ir fomentando fontes de trabalho porque, e não me canso de o repetir, o trabalho outorga dignidade.

 

- Na outra ponta está o problema do excesso de trabalho... Será necessário recuperar o sentido do ócio?

 

       O seu sentido mais recto. O ócio tem duas aceções: como desocupação e como gratificação. Dizendo de outra maneira: uma pessoa que trabalha deve ter tempo para descansar, para estar em família, para ter prazer, ler, ouvir música, praticar um desporto. Mas isto está a ser destruído, em boa medida, com a supressão do descanso dominical. Há cada vez mais pessoas a trabalhar aos domingos, consequência da competitividade introduzida pela sociedade de consumo. Nesses casos vamos para outro extremo: o trabalho acaba por desumanizar. Quando o trabalho não dá lugar ao ócio saudável, ao repouso reparador, então escraviza, porque uma pessoa já não trabalha pela dignidade, mas sim pela competitividade. Está viciada a intenção pela qual estou a trabalhar...

       A Igreja sempre disse que a chave da questão social é o trabalho. O homem trabalhador é o centro. Hoje, em muitos casos, isto não é assim. Facilmente se é despedido, se não render como previsto. Passa a ser uma coisa, não é tido em conta como pessoa... Não nos esqueçamos que uma das principais causas do suicídio é o fracasso laboral no âmbito de uma competitividade feroz. Por isso, não se pode olhar para o trabalho apenas pelo lado funcional. O centro não é o lucro, nem o capital. O homem não é para o trabalho, mas sim o trabalho para o homem.

 

In SERGIO RUBIN e FRANCESCA AMBROGETTI, Papa Francisco. Conversas com Jorge Bergoglio, Paulinas Editora. Prior Velho 2013

05.10.13

Senhor, aumenta a nossa fé

mpgpadre

       1 – É de FÉ que HOJE a liturgia da Palavra nos fala.

       O pedido humilde dos apóstolos: «Aumenta a nossa fé».

       A resposta decidida de Jesus: «Se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis a esta amoreira: ‘Arranca-te daí e vai plantar-te no mar’, e ela obedecer-vos-ia. Quem de vós, tendo um servo a lavrar ou a guardar gado, lhe dirá quando ele voltar do campo: ‘Vem depressa sentar-te à mesa’? Não lhe dirá antes: ‘Prepara-me o jantar e cinge-te para me servires, até que eu tenha comido e bebido. Depois comerás e beberás tu’? Terá de agradecer ao servo por lhe ter feito o que mandou? Assim também vós, quando tiverdes feito tudo o que vos foi ordenado, dizei: ‘Somos inúteis servos: fizemos o que devíamos fazer’».

       Jesus desafia a viver a fé de forma humilde mas simultaneamente corajosa, sem reservas, como o senhor que ordena o serviço aos seus servos, não deixando que as dúvidas e hesitações momentâneas se tornem paralisantes. Viver a fé como quem se lança numa aventura, um salto no escuro, ou melhor, um salto na LUZ de Jesus Cristo, que nos mostra o Pai e tudo o que nos ampara, o AMOR, do qual nem a morte nos separará. A fé envolve a confiança e a entrega. Como a criança se lança de encontro aos braços da mãe/pai.

       A propósito a sugestiva imagem de Santo Agostinho: “ter fé é assinar uma folha em branco e deixar que Deus escreva nela o que quiser”. Temos consciência que é mais fácil pedir a Deus que se faça a nossa vontade e não tanto a Sua, como rezamos no Pai-nosso.

       2 – Na primeira carta Encíclica, Lumen Fidei, o Papa Francisco, sintonizado com Bento XVI, diz-nos que a fé é sobretudo luz, ainda que haja momentos de grande sofrimento, como se o chão debaixo de nós estivesse a desaparecer. Com efeito, “a fé não é luz que dissipa todas as nossas trevas, mas lâmpada que guia os nossos passos na noite, e isto basta para o caminho... o serviço da fé ao bem comum é sempre serviço de esperança que nos faz olhar em frente, sabendo que só a partir de Deus, do futuro que vem de Jesus ressuscitado, é que a nossa sociedade pode encontrar alicerces sólidos e duradouros” (n.º 57).

       Por vezes tudo parece em vão, fugidio, injustificável. Tristeza. Solidão. Doença. Traição. Morte de alguém próximo. Expetativas defraudadas, em relação a um emprego, a uma pessoa…

       Com Habacuc apetece gritar: «Até quando, Senhor, chamarei por Vós e não me ouvis? Até quando clamarei contra a violência e não me enviais a salvação? Porque me deixais ver a injustiça?»

       Deus não deixará de nos responder. Não se eliminam as dúvidas e contrariedades, mas sobrevém a presença de Deus, que nos atrai do futuro, da eternidade: «Embora esta visão só se realize na devida altura, ela há de cumprir-se com certeza e não falhará. Se parece demorar, deves esperá-la, porque ela há de vir e não tardará».

       Só em Deus, com a Luz da Fé, poderemos compreender e relativizar tudo o que entendemos ser empecilho. A certeza de que Deus, Pai/Mãe, está na nossa vida, assegura-nos um chão que nos permite viver confiantes, apesar dos tropeços que encontramos no caminho.

 

       3 – Senhor, aumenta a nossa fé. Não apenas a minha fé, mas a fé da Igreja, vivida em comunidade, partilhada, celebrada. Imaginemos, como há tempos referia o Papa Francisco, que estamos num estádio de futebol, às escuras, e se acende uma pequena de luz (um isqueiro, uma vela), e cada um acende a sua pequena luz. Com cada pequena luz acesa, em conjunto, o estádio fica mais iluminado, sendo possível ver pessoas e os seus rostos.

       O apóstolo são Paulo exorta Timóteo a reavivar o dom de Deus, nele e nos outros. Não com timidez, mas com coragem.

“Exorto-te a que reanimes o dom de Deus que recebeste pela imposição das minhas mãos. Deus não nos deu um espírito de timidez, mas de fortaleza. Sofre comigo pelo Evangelho, confiando no poder de Deus, com o auxílio do Espírito Santo, que habita em nós”.

       O desafio de Jesus aos apóstolos é sancionado por Paulo aos discípulos. Mesmo no sofrimento e na perseguição, há que manter firme a fé e a confiança em Deus, confiando no Seu amor por nós e no Espírito Santo que nos habita.


Textos para a Eucaristia (ano C): Hab 1,2-3; 2,2-4; 2 Tim 1,6-8.13-14; Lc 17,5-10.

 

03.10.13

LEITURAS: O tempo pede uma Nova Evangelização

mpgpadre

D. MANUEL CLEMENTE, O tempo pede uma Nova Evangelização. Paulinas Editora. Prior Velho 2013, 160 páginas.

       O atual Patriarca de Lisboa e Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, catedrático, licenciado em História e em Teologia, é um escritor muito acessível, envolvente, comunicador por excelência. Esteve, juntamente com o Bispo de Lamego, D. António Couto, Presidente da Comissão Episcopal da Missão e Nova Evangelização, no Sínodo Extraordinário dos Bispos sobre a Nova Evangelização para a transmissão da Fé, realizado no Vaticano, no início de outubro de 2012.

       Este livro, que se lê de uma assentada, retrata a Nova Evangelização, a urgência de evangelizar de novo, e sempre, com alegria, com entusiasmo, aproveitamento tudo o que de bom existe, potenciando os meios de comunicação social, aprendendo da História, colhendo a sabedoria dos mais velhos, mas também criando possibilidades para os jovens, que estes cheguem de outros países.

       D. Manuel vai às origens da Nova Evangelização, quanto a utilização do termo, da insistência de João Paulo II, da prossecução desta clareza em Bento XVI, que se estende às estruturas eclesiais e sobretudo a todas as pessoas da Igreja, apostando na vivência da Palavra de Deus, testemunhando Jesus Cristo.

       O livro recolhe diversas intervenções de D. Manuel Clemente, em ambiente eclesial, universitário, para diferentes auditórios, e que foram revistos e aprofundados em ordem à publicação deste livro.

       A dimensão histórica está bem vincada. O cristianismo ao longo dos tempos. Como bem clara é a história de Portugal e dos portugueses, com as suas lutas, sonhos, avanços e recuos, partidas e chegadas, com mistura de diversas culturas e povos.

       No primeiro texto, as CINCO grandes EVANGELIZAÇÕES. A primeira evangelização foi sobretudo a dos mártires, nos primeiros séculos. A segunda evangelização, com o desaparecimento da estrutura imperial, centra-se sobretudo no campo, a partir do século V, com os monges. A terceira evangelização, século XII e seguintes, crescimento populacional, animação comercial, capitalização e reurbanização, com novos evangelizadores, sobretudo com os mendicantes, discípulos de São Francisco de Assis e de São Domingos de Gusmão. No século XVI voltou a ser urgente evangelizar de novo, quarta grande evangelização, com as paróquias e as dioceses a precisarem de pastores mais dedicados e presentes. Nas últimas décadas a constatação da urgência de novamente evangelizar, quinta evangelização, com os grande reptos: a) sociedade fragilizada nas famílias... b) cultura com notas de fragmentação, errância e retraimento subjetivo... c) com o contraponto de grandes generosidades de pessoas e grupos... d) a "nova evangelização" terá que retomar o contributo das quatro anteriores - testemunho evangélico (mártires), experiência comunitária de adoração e serviço (monges), proximidade com todos, de pobres para pobres (frades), evangelização permanente do mundo em redor (missionários)...

       Seguem-se depois outros textos muito interessantes, situando de maneira privilegiada a alma português e dos portugueses, desde a fundação da nacionalidade, descobrimentos, descoberta de novos mundos, ir e chegar, partir e voltar, a religiosidade, piedade popular, a cultura, os usos e costumes, assimilação de outras influências, dos que vêm e ficam, ou dos que vão e voltam para ficar.

       É uma leitura agradável e recomendável para crentes e não crentes, para quem sabe para onde vai e para quem anda em busca de caminho, para quem quiser conhecer os contributos da religião na cultura na alma e na história portuguesa, e o contributo da história para viver melhor a religião, a fé cristã. Vejam-se os dois últimos textos - "Os portugueses em 2030" e "A nossa vida é uma corrente que flui". Partir do passado, conhecer a alma e o povo, para lançar os desafios de hoje e de amanhã e, por outro lado, o testemunho pessoal. No último texto, D. Manuel Clemente parte da água em que enxertou a sua corrente e como a sua corrente desembocou em outras correntes e profundidades...

01.10.13

Editorial Voz Jovem - Ide e fazei discípulos

mpgpadre

       Enquanto aguardámos o lançamento do Ano Pastoral 2013/2014, e a publicação da CARTA PASTORAL de D. António Couto, nosso Bispo, propomos a reflexão que se segue, introduzindo a temática sobre a qual incidirá o próximo Plano Pastoral da Diocese de Lamego - Ide e fazei discípulos.

 

       Decorre, de 11 de outubro de 2012 a 24 de novembro de 2013, solenidade do Cristo Rei e, na nossa Diocese, Dia da Igreja Diocesana, o ANO DA FÉ no qual procuramos acolher, traduzir, viver sob o lema pastoral: [Com MARIA] Vamos juntos construir a Casa da Fé e do Evangelho.

       O lema aglutinador enquadra o ano da Fé e a inevitabilidade da Nova Evangelização, com uma linguagem mais acessível e vivência mais autêntica da Fé, redescobrindo a beleza do Evangelho, deixando-se preencher pela alegria da salvação, tornando-se testemunha, em palavras e gestos, do amor de Jesus Cristo.

       O lema aponta para um movimento, que não tem fim, com a finalidade de edificar a Igreja como Casa onde todos cabem, para onde todos são chamados, onde a Fé e o Evangelho são alimento para a vida quotidiana. Uma CASA com ramificações em todas as casas, em todas as famílias, e em todas as dimensões da vida, como refere o nosso Bispo, D. António, na Carta Pastoral.

       A Casa está em construção permanente. Jesus é a pedra angular. Sólidos alicerces: a graça de Deus, a Palavra, os Sacramentos, a vida em comunidade. Somos pedras vivas deste edifício. As portas estão escancaradas, para ACOLHER e para PARTIR ao encontro dos outros.

       No início de pontificado, em 22 de outubro de 1978, o Papa João Paulo II lançava um desafio aos jovens e extensível a toda a Igreja: “Não, não tenhais medo! Antes, procurai abrir, melhor, escancarar as portas a Cristo!”

        Bento XVI, no início do seu pontificado, a 24 de abril de 2005, renovava o apelo: “Quem deixa entrar Cristo não perde nada, nada do que torna a vida livre, bela e grande. Não! Só nesta amizade experimentamos o que é belo e o que nos liberta. Queridos jovens: Não tenhais medo de Cristo! Ele não tira nada, concede tudo. Quem se dá a Ele, recebe cem por um. Sim, abri, escancarai as portas a Cristo – e encontrareis a verdadeira vida”.

       Na Jornada Mundial da Juventude, na Alemanha, acentua a interpelação: “Atrevei-vos a colocar os vossos talentos e dons ao serviço do Reino de Deus... tende a ousadia de ser santos brilhantes, em cujos olhos e corações reluz o amor de Cristo, levando assim a luz ao mundo…”

        «Ide, pois, fazei discípulos de todos os povos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a cumprir tudo quanto vos tenho mandado. E sabei que Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos» (Mt 28, 19-20).

       Após a Ressurreição, Jesus aparece aos seus discípulos e envia-os. Envia-nos.

       Ide e fazei discípulos.

       Nunca deixamos de ser discípulos, alunos, aprendizes de Jesus Cristo. Simultaneamente, a missão de comunicar a alegria que recebemos. Ilustrativo o encontro de Maria com Isabel: “Logo que chegou aos meus ouvidos a tua saudação, o menino saltou de alegria no meu seio” (Lc 1, 44). Quem recebe a Boa Notícia, não pode fazer outra coisa senão passá-la ao próximo.

       Ide e fazei discípulos.

       É uma tarefa de sempre. Como os discípulos da primeira hora, temos de viver Jesus, deixando que Ele nos fale e aja através de nós, pelo Espírito Santo. Logo nos tornamos mensageiros do Seu amor, da Boa Notícia da salvação.

       São Paulo deixou o mote: “se eu anuncio o Evangelho, não é para mim motivo de glória, é antes uma obrigação que me foi imposta: ai de mim, se eu não evangelizar!” (1 Cor 9, 16).

       O Papa Francisco, em vésperas da Sua eleição, já convocava a Igreja para sair a levar esta boa notícia a todos os recantos: “Evangelizar supõe na Igreja a "parresia" [coragem, entusiasmo] de sair de si mesma. A Igreja está chamada a sair de si mesma e ir para às periferias, não só as geográficas, mas também as periferias existenciais: as do mistério do pecado, as da dor, as da injustiça, as da ignorância e da indiferença religiosa, as do pensamento, as de toda a miséria… Quando a Igreja não sai de si mesma para evangelizar torna-se autorreferencial e então adoece… A Igreja, quando é autorreferencial, sem se aperceber, julga que tem luz própria, deixa de ser o mysterium lunae [mistério da lua]… [que o próximo Papa] …ajude a Igreja a sair de si para as periferias existenciais, que a ajude a ser a mãe fecunda que vive da “doce e reconfortante alegria de evangelizar”.

       Estão a decorrer as Avalanches da Fé, uma proposta de D. António Couto, para percorrer todo o chão da Diocese de Lamego, levando Jesus Cristo, com o entusiasmo e a alegria dos jovens, a todas as pessoas e realidades envolventes. A perspetiva entra já neste novo ano pastoral: IDE E FAZEI DISCÍPULOS… 

 

in Boletim Paroquial Voz Jovem, setembro 2013.

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Velho - Mafalda Veiga

Festa de Santa Eufémia

Pinheiros, 16/17 de setembro de 2012

Primeira Comunhão 2013

Tabuaço, 2 de junho

Profissão de Fé 2013

Tabuaço, 19 de maio