1 – “Os olhos também comem”, mas só quando provarmos verificaremos se a apresentação corresponde ao sabor ou se, pelo contrário, “as aparências iludem”. O ideal é que o conteúdo corresponda ao aspeto. Se não corresponder, que preferíamos, que a apresentação da comida fosse boa e o sabor intragável, ou que o sabor fosse agradável apesar do aspeto menos conseguido?
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Fixemo-nos no Evangelho, de novo com São Marcos, no momento em que Jesus responde a alguns fariseus e escribas:
«Bem profetizou Isaías a respeito de vós, hipócritas, como está escrito: ‘Este povo honra-Me com os lábios, mas o seu coração está longe de Mim’. Vós deixais de lado o mandamento de Deus, para vos prenderdes à tradição dos homens... Não há nada fora do homem que ao entrar nele o possa tornar impuro. O que sai do homem é que o torna impuro; porque do interior dos homens é que saem os maus pensamentos».
Uma leitura atenta permite-nos ver com clareza a prioridade de Jesus. As tradições, os usos e costumes, só são verdadeiramente relevantes se promovem as pessoas, se as implicam interiormente e as colocam ao serviço dos outros. O que nos salva ou condena é o que nasce e cresce no nosso interior, o que nos leva a agir no bem ou no mal. As circunstâncias que nos rodeiam podem favorecer ou prejudicar as nossas opções, mas somos sempre nós a responder pelas nossas atitudes e pelos nossos atos.
2 – Jesus envolve-nos no Seu projeto salvador, sem impor nem pressionar. Deus chama-nos, conta connosco, mas respeita a nossa liberdade e consequentemente as nossas escolhas, mesmo quando nos desviamos dos Seus mandamentos.
Não cessa, porém, de nos apontar o CAMINHO, pelos profetas, pelos acontecimentos de cada tempo, pelas pessoas que coloca à nossa beira, por Jesus, o CAMINHO, a verdade e a vida. Podemos recusar, podemos distrair-nos, podemos seguir outros atalhos, podemos titubear. Ele mantem-Se e o Seu projeto de vida também.
Na primeira leitura, Moisés faz a proposta de Deus ao povo:
«Agora escuta, Israel, as leis e os preceitos que vos dou a conhecer e ponde-os em prática, para que vivais e entreis na posse da terra que vos dá o Senhor, Deus de vossos pais. Qual é, na verdade, a grande nação que tem a divindade tão perto de si como está perto de nós o Senhor, nosso Deus, sempre que O invocamos?»
Ainda hoje os Mandamentos são uma referência fundamental.
3 – Com o tempo a Lei traduz-se em práticas, costumes e tradições, algumas das quais se tornam obsoletas. Jesus vem para nos libertar de toda a escravização, de tradições que valham mais que as pessoas e que as submetem abusivamente a superstições, ameaças, diabolizações. O medo e a ameaça e as práticas mágicas, retiram às pessoas a capacidade de pensar e decidir por si mesmas.
A Lei de Moisés é levada à plenitude por Jesus Cristo, pela LEI da CARIDADE, pela Graça de Deus que nos habita e que nos atrai para Ele. Daí a insistência de Jesus na conversão interior, que leve ao compromisso com os outros. A lei ajuda-me a clarificar o meu lugar no mundo e a minha relação com os outros. Cada um de nós, contudo, vale mais. A lei é para nós. É para nos aproximar. A mais perfeita das leis é o AMOR, lei inscrita desde sempre no nosso coração.
Hoje, na segunda leitura, o apóstolo São Tiago mostra-nos como é possível viver na lógica do Deus de Jesus Cristo: “A religião pura e sem mancha, aos olhos de Deus, nosso Pai, consiste em visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e conservar-se limpo do contágio do mundo”. O amor a Deus vive-se e visualiza-se no amor ao próximo. Quanto mais nos envolvemos com os outros, para neles encontrarmos Deus, mais a nossa fé será uma verdadeira bênção.
Textos para a Eucaristia (ano B):
Dt 4,1-2.6-8; Tg 1,17-18.21-22.27; Mc 7,1-8.14-15.21-23.
Reflexão dominical COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço
e no blogue CARITAS in VERITATE