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Escolhas & Percursos

...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...

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12.05.12

Pe. Tolentino Mendonça: o elogio do silêncio

mpgpadre

Mesmo que construamos a palavra como uma torre, temos de aceitar que ela (...) muitas vezes nos incapacita para a comunicação

 

        Quando penso no contributo que a experiência religiosa pode dar num futuro próximo à cultura, ao tempo e ao modo da existência humana, penso que mais até do que a palavra será a partilha desse património imenso que é o silêncio. Já a bíblica narrativa de Babel ponha a nu os limites do impulso totalitário da palavra. Mesmo que construamos a palavra como uma torre, temos de aceitar que ela não só não toca cabalmente o mistério dos céus, como muitas vezes nos incapacita para a comunicação e a compreensão terrenas. Precisamos do auxílio de outra ciência, a do silêncio. Já Isaac de Nínive, lá pelos finais do século VII, ensinava: «A palavra é o órgão do mundo presente. O silêncio é o mistério do mundo que está a chegar».

       Na diversidade das tradições religiosas e espirituais da humanidade, o silêncio é um traço de união extraordinariamente fecundo. Na tradição muçulmana, por exemplo, o centésimo Nome de Deus é o nome inefável que não pode ser rezado senão no silêncio. Os místicos não se cansaram de explorar essa via. Veja-se o persa Rûmi (1207-1247) que aconselha ao seu discípulo: «Àquele que conhece Deus faltam-lhe as palavras». Noutra geografia temos a anotação espiritual de Lao-Tsé, «o som mais forte é o silencioso», ou a de Bashô, «silêncio/ uma rã mergulha/ dentro de si», ou a de Eléazar Rokéah de Worms, cabalista judeu que afirmava: «Deus é silêncio».

       Também a Bíblia coteja minuciosamente o silêncio de Deus. E este nem sempre é um silêncio fácil, mesmo se somos chamados a acreditar na verdade do dístico que nos oferece o Livro das Lamentações: «É bom esperar em silêncio a salvação de Deus». O silêncio de Deus fustiga os salmistas: «Ó Deus, não fiques em silêncio; não fiques mudo nem impassível!» (83,2); leva Job a erguer-se numa destemida teologia de protesto; e faz o inconformado profeta Habacuc dizer: «Tu contemplas tudo em silêncio» (Hab 1, 13). O silêncio do Pai será particularmente enigmático na agonia no Getsémani e na experiência da Cruz, onde Jesus lança o grito: «Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?». Contemplamos neste grito o mistério de Deus e o do Homem no mais devastador silêncio que o mundo conheceu. Contudo, é no lancinante silêncio que sucede ao seu grito que reside a revelação pascal de Deus.

 

José Tolentino Mendonça, Editorial Agência Ecclesia.

08.05.12

Paróquia de Tabuaço - dia da Mãe 2012

mpgpadre

       Dia da Mãe. Eucaristia com as crianças da catequese, com os dois corais, com um ofertório dedicado à missão da mãe, da família e a Nossa Senhora, como Mãe da Igreja, uma flor, um poema, um "cartão"... para homenagear as mães da nossa paróquia. Como música de funda, "Mãe, olha para mim", da Irmã Maria Amélia da Costa e também escolhida para o momento de ação de graças da Eucaristia.

 

07.05.12

Dia da Mãe 2012

mpgpadre

       Cada comunidade assinala à sua maneira as data comemorativas. Em Tabuaço, a opção solenizar o Ofertório, e oferecer a cada mãe/mulher adulta, uma rosa e um cartão a assinalar o dia, e com a leitura de um poema. Em Pinheiros, a oferta de uma rosa, um cartão e a leitura de um poema. Das duas paróquias temos algumas imagens. Em Carrazedo, cada pessoa levou uma flor, ou um ramos de flores e no momento de ação de graças, os que tinham as mães presentes oferecem-lhe a flor/o ramo. As pessoas cujas mães já faleceram ofereceram a flor/ramo a Nossa Senhora, Mãe nossa.

       A frase escolhida para o cartão de comum a Tabuaço e Pinheiros é de Ermes Ronchi: "Como Deus não podia estar em toda a parte, criou as Mães" (As casas de Maria). Aqui ficam imagens de Pinheiros e de Tabuaço. Podem ver-se mais no perfil do facebook: PINHEIROS || TABUAÇO:

06.05.12

Eu sou a videira, vós sois os ramos...

mpgpadre

       1 – Prestemos atenção à força e luminosidade das palavras de Jesus no Evangelho deste domingo:

“Eu sou a verdadeira vide e meu Pai é o agricultor… Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira, assim também vós, se não permanecerdes em Mim. Eu sou a videira, vós sois os ramos. Se alguém permanece em Mim e Eu nele, esse dá muito fruto, porque sem Mim nada podeis fazer... Se permanecerdes em Mim e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes e ser-vos-á concedido. A glória de meu Pai é que deis muito fruto. Então vos tornareis meus discípulos”.

       No domingo passado, Jesus apresentava-Se como o Bom Pastor, Aquele que cuida de todo o rebanho e conhece cada ovelha pelo seu nome, Aquele que dá a vida, por opção livre, testemunhando na Sua carne, com toda a Sua vida, o amor de Deus. Esse é o Seu alimento. Há de ser também o nosso. Alimentar-nos de Deus, da Sua Palavra, da Sua presença, do Seu Espírito de Amor. Só em comunhão estreita com Ele daremos fruto em abundância.

       Hoje Jesus utiliza uma imagem igualmente feliz e expressiva. Ele é a videira, nós os ramos. Os ramos – todos os discípulos – só produzirão fruto se ligados à vide. Se cortados, ou “desligados” da videira, se não lhes chegar o “alimento” que percorre a cepa, os ramos secam, serão cortados, servirão para queimar. O fruto produzido atesta a ligação. A fé é o ponto de partida, o sustento e a chegada; são as obras, contudo, que mostram até que ponto a “ligação” a Deus é efetiva.

       As palavras de Jesus convocam-nos para uma vida comprometida com os outros, neste tempo e no lugar em que nos encontramos. Dar fruto para verificar a fé. Dar muito fruto para ser mais forte a nossa ligação a Deus e a nossa comunhão com os outros. Dar fruto para fortalecermos a nossa filiação divina.

 

       2 – As missivas dos apóstolos, às primeiras comunidades cristãs, têm a preocupação de avivar a fé e a pertença a Cristo, como cabeça da Igreja, o estreito seguimento do Mestre e do Seu jeito de viver e de amar. Neste sentido, a urgência de transformar a fé em obras concretas de amor, de serviço e de partilha. Os ramos bem unidos à videira darão frutos em abundância!

       A fé desligada da vida, da história e do tempo, seria artificial, vazia, condenada ao fracasso. A fé em Jesus Cristo conduz-nos aos outros, ao mundo, à transformação das realidades temporais, envolve-nos na promoção do bem, na prática das obras de misericórdia (corporais e espirituais), expressão da CARIDADE que é o próprio Deus.

       Diz-nos São João, na sua primeira Carta:

“Não amemos com palavras e com a língua, mas com obras e em verdade… É este o seu mandamento: acreditar no nome de seu Filho, Jesus Cristo, e amar-nos uns aos outros, como Ele nos mandou. Quem observa os seus mandamentos permanece em Deus e Deus nele”.

       Por mais argumentos que tenhamos sobre a fé que possuímos, esta é verificável pela nossa vida. Amemos com obras e em verdade, não apenas com palavras. Estas têm valor e espaço quando confortam, abençoam, acolhem, protegem, interpelam, como expressão da caridade. É contraproducente pregar a estômagos vazios. As palavras não excluem o serviço, promovem-no; não impedem a caridade, incentivam-na. O mandamento é acreditar em Jesus Cristo como filho de Deus, a fé, e amar-nos uns aos outros, a caridade. É a nossa ligação a Deus que põe em evidência e fortalece a nossa ligação aos outros. O alimento de Jesus é fazer a vontade de Deus. Para isso Ele vai ao encontro de todos, mas sobretudo dos que têm mais necessidade de cura, de atenção, de acolhimento, do pão e da paz.

 

        3 – A vivência da fé engloba duas dimensões que se completam, a pessoal e a comunitária. Com efeito, cada pessoa, única e irrepetível, acolhe a fé “à sua maneira”. Não conta apenas o conteúdo, também o recipiente, e nem todos são iguais. Mas a fé é cristã, é referida a Cristo, é a fé de Cristo, a fé do Corpo de Cristo que é a Igreja. Nós somos membros, somos os ramos da videira, só produzimos fruto de qualidade e abundante se estivermos ligados à verdadeira vide. A fé sem obras é morta. A fé desligada da comunidade crente é uma contradição, uma farsa. A fé (como a religião) liga-nos a Deus e aos outros.

       A primeira leitura dá-nos conta do percurso de São Paulo, da conversão até à comunidade-mãe, Jerusalém, e como procura integrar-se antes de qualquer outra missão. Barnabé, por sua vez, torna-se seu padrinho, garantindo aos apóstolos que Saulo/Paulo não é uma ameaça mas um apóstolo entusiasta de Jesus.

"Saulo chegou a Jerusalém e procurava juntar-se aos discípulos. Mas todos o temiam, por não acreditarem que fosse discípulo. Então, Barnabé tomou-o consigo, levou-o aos Apóstolos e contou-lhes como Saulo, no caminho, tinha visto o Senhor, que lhe tinha falado, e como em Damasco tinha pregado com firmeza em nome de Jesus”.

       Numa altura em que a Igreja goza de paz e é benquista por todos, Paulo dá testemunho de Jesus Cristo e da forma como se “converteu”. No entanto, bem cedo Paulo começa a ser perseguido pelos helenistas que querem dar-lhe a morte. A comunidade protege-o e envia-o em nova missão, para outras comunidades cristãs.

       Movidos e inspirados pelo Espírito Santo, procuremos que a nossa fé se aprofunde na prática da caridade e inserida na comunidade paroquial. Ramos que se ligam à videira. Cristãos unidos a Cristo. Fé projetada e comprometida com a vida e com os outros. 


Textos para a Eucaristia (ano B): Atos 9, 26-31; 1 Jo 3, 18-24; Jo 15, 1-8. 

 

Reflexão dominical na página da Paróquia de Tabuaço

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