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11.04.12

Tabuaço - Semana Santa 2012

mpgpadre

       A Páscoa continua. A Quaresma conduz-nos a um novo começo, ou ao começo por excelência, à vida nova que Jesus Cristo nos traz pela Sua ressurreição. O túmulo está vazio. É tempo, agora, de O procurar onde Se pode encontrar, em casa, no coração, no mundo, na oração, na escuta da Palavra, e essencialmente nos Sacramentos, que se prolongam no compromisso quotidiano com as pessoas que nos rodeiam.

       Porém, para que a Páscoa seja mais efetiva, importa não esquecer a travessia, o que nos conduziu à celebração festiva da Ressurreição. Fizemos quaresma, celebrámos a Semana Maior da nossa fé, envolvemo-nos na festa. A Semana Santa é (deve ser) aglutinadora da vivência da comunidade crente. Aqui ficam alguns recortes, em imagens, em formato de vídeo, desta Semana Santa, deste ano da graça de 2012, na paróquia de Nossa Senhora da Conceição:

 

10.04.12

Pinheiros - Eucaristia e visita pascal

mpgpadre

       A celebração da Páscoa é sempre motivo de festa, de convívio, de encontro em família. Também de recordar os que já partiram e continuam a fazer parte da família e da comunidade. E também lembrança dos que estão longe, doentes ou em trabalho. A visita pascal, na paróquia de Pinheiros, é à segunda feira de Páscoa. Aqui ficam algumas das imagens, em formato de vídeo, deste dia de festa e de fé...

 

08.04.12

Levaram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde O puseram

mpgpadre

       1 – A morte de Jesus surpreende os seus discípulos, e muitos dos judeus que O seguiam, que esperavam d'Ele a salvação de Israel, que como Messias haveria de iniciar novos tempos, uma realeza que devolveria o esplendor a todo o povo de Israel, como povo eleito, como povo da Aliança. Esperava-se que "impusesse" a omnipotência de Deus. Nada disso aconteceu. Aquele Jesus, que toma consciência da Sua filiação divina, não passa de mais um fracassado da história. Tantas palavras, tantos gestos e milagres, e tem o mesmo destino de outros profetas, de outros desgraçados, de outros injustiçados pelas sociedades do seu tempo.

       Com a morte, advém a dispersão dos Apóstolos e de todos aqueles que andavam com Ele. Já antes se mantinham à distância. O que mais se aproxima é Pedro, que vai até ao pátio, para junto dos soldados, mas logo que alguém o interpela nega a sua identificação com o Mestre dos Mestres. A primeira igreja dorme quando o seu Senhor clama a Deus, rezando em brados de agonia. Dorme quando se aproximam os que O levarão ao Calvário e o seu discípulo de confiança O entrega com um gesto de intimidade, um beijo.

       Mas mais surpreendente é a ressurreição. Se a morte cala todos os que seguem Jesus; a Sua ressurreição deixa sem palavras os que fazem a experiência de encontro com Jesus ressuscitado. A morte é escandalosa, Jesus morre abandonado por todos, "sem Deus". Ele que Se apresentara como Filho, agora sente a angústia da morte. Sente o desalento de morrer sozinho. Só num derradeiro momento, Se entrega às mãos d'Aquele que o pode livrar da morte eterna e que O ressuscitará. 

       Diga-se, no entanto, que a postura de Jesus, como a de muitos profetas, não deixa antever nada de bom. Jesus tem consciência que para se manter fiel a Deus e à Sua missão, dificilmente sobrevirá por muito tempo. Assim aconteceu com os profetas de Israel.

       A ressurreição é algo de novo, de diferente, que não cabe nos nossos (pré) conceitos humanos, nos limites da nossa história e do nosso tempo. E nem o anúncio da ressurreição que Jesus faz aos seus discípulos abre para qualquer esperança. A ressurreição, para os que a professam, é para a vida futura, para o fim dos tempos. Mas eis que com Jesus chega o fim do tempo, o fim do mundo como o conhecemos. Ele ressuscita e aparece aos seus discípulos. A "igreja" acorda. Surpreende-se. Reúne-se à volta do Seu Mestre e Senhor. Forma-se como comunidade, comunidade nova, convocada pela vida nova de Cristo Jesus.

 

       2 – Passado o sábado, surge o primeiro dia da nova criação, o DOMINGO (Dies Domini: Dia do Senhor). Os amigos de Jesus voltam ao lugar da morte, voltam ao passado, para se reencontrarem na proximidade física com o corpo do Mestre, mas são abalroados pelos acontecimentos. Os "rumores" têm fundamento, o corpo de Jesus não está no sepulcro, não pode estar, não é possível, o que é que aconteceu, onde puseram o Seu corpo sem vida?

       Maria Madalena, e certamente outras Marias e outras mulheres, vai venerar o seu Senhor, vai chorar para junto da Sua sepultura. Com o sábado, dia sagrado, nem deu para fazer convenientemente o luto pelo amigo que morreu. Não é a mesma coisa, mas há algum conforto junto do corpo daqueles que partiram para sempre, a memória dos tempos passados em convivência. Como muitas pessoas sentem a necessidade urgente de ir ao cemitério, para chorar, para se sentirem próximas dos seus entes amados, também Maria Madalena, agradecida por tudo o que Jesus fez por ela, ao curá-la das suas enfermidades, tornando mais belos e fáceis os seus dias. Maria Madalena não encontra forma de agradecer convenientemente. A sua vida perdera encanto, por uma doença grave – sete demónios –. A riqueza material não lhe aliviava o sofrimento atroz. Jesus cura-a e ela coloca, como outras mulheres e outros senhores, os seus bens ao serviço de Jesus e dos seus discípulos. Mas não apenas os bens, vai também ela servi-los. E agora que Ele morreu, sente que não agradeceu o suficiente.

       "No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi de manhãzinha, ainda escuro, ao sepulcro e viu a pedra retirada do sepulcro. Correu então e foi ter com Simão Pedro e com o outro discípulo que Jesus amava e disse-lhes: «Levaram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde O puseram». Pedro partiu com o outro discípulo e foram ambos ao sepulcro. Corriam os dois juntos, mas o outro discípulo antecipou-se, correndo mais depressa do que Pedro, e chegou primeiro ao sepulcro. Debruçando-se, viu as ligaduras no chão, mas não entrou. Entretanto, chegou também Simão Pedro, que o seguira. Entrou no sepulcro e viu as ligaduras no chão e o sudário que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não com as ligaduras, mas enrolado à parte. Entrou também o outro discípulo que chegara primeiro ao sepulcro: viu e acreditou".

       Chega Maria, chega Pedro, chegamos nós – o discípulo amado –, e encontramos o túmulo vazio. E agora, que fazer? Ardia cá dentro a esperança que tudo não tivesse passado de um sonho, mas Ele morreu, o seu Corpo foi entregue para ser depositado, a pedra rolou pesada no sepulcro escavado na rocha! Não queríamos acreditar, mas aconteceu mesmo. Agora com o túmulo vazio, o que pensar? Terá acontecido o que Ele tinha prometido, ressuscitar e encontrar-Se com os Seus?

       Debruçamo-nos para ver o lugar da morte, e encontramos o túmulo vazio, com os sinais de uma presença, ou melhor, de uma ausência, não se encontra lá ninguém, só as roupas que O embrulharam na morte. Acreditam, não há sinais de assalto, de roubo, tudo está direitinho. Houve tempo para deixar tudo muito bem arrumado.

 

       3 – Vai ser uma longa jornada. Se a via crucis (Via sacra, Caminho da Cruz) atravessa uma semana, a via lucis (também Via sacra, Caminho da Luz), atravessa os Céus, traz-nos um novo dia e estará por muitas semanas, muitos meses, muitos anos. A Igreja que germina aos pés da cruz, nasce iluminada pela LUZ da ressurreição. Com efeito, a cruz só vale para nós na medida em que a Luz no-la mostra como sinal de amor, de dádiva até ao fim. O que nos salva não é, de modo nenhum, o sofrimento de Jesus Cristo, o que nos salva, verdadeiramente, é o Seu amor por nós. Ainda que o amor envolva o sofrimento. Quem ama, de verdade, arrisca-se a sofrer. Jesus arrisca sofrer por amor. É o amor que O liga a Deus, é o amor que O liga à humanidade, é o amor que nos liga uns ao outros para nos tornarmos comunidade.

       O encontro com o Ressuscitado provoca o anúncio da vida nova, o testemunho. Não se pode calar aquele que vive, que festeja, que tem motivos para sorrir. A festa é "barulhenta". Não há festa que não envolva pessoas, que não envolva música e dança, que não envolva partilha e comunhão. Ninguém faz festa sozinho. Precisamos dos outros para chorarmos, para que as nossas lágrimas tenham algum sentido. Precisamos dos outros para fazer festa. Como a mulher que encontra a dracma perdida e chama as amigas para festejar com elas, gastando tudo o que encontrou. Ou como o pastor que encontrou a ovelha perdida, depois de tanto procurar, e salta, grita, rejubila.

       Obviamente, a festa também acontece cá dentro, mas não cabe em nós. Uma boa notícia sabe melhor quando partilhada. A ressurreição é um acontecimento tão surpreendente que não cabe nas palavras dos discípulos, não cabe em casa, ainda que seja em casa que a festa se inicie. Há que espalhar por outros a alegria da vida nova.

       "Pedro tomou a palavra e disse: «Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a começar pela Galileia, depois do batismo que João pregou: Deus ungiu com a força do Espírito Santo a Jesus de Nazaré, que passou fazendo o bem e curando a todos os que eram oprimidos pelo Demónio, porque Deus estava com Ele. Nós somos testemunhas de tudo o que Ele fez no país dos judeus e em Jerusalém; e eles mataram-n'O, suspendendo-O na cruz. Deus ressuscitou-O ao terceiro dia e permitiu-Lhe manifestar-Se, não a todo o povo, mas às testemunhas de antemão designadas por Deus, a nós que comemos e bebemos com Ele, depois de ter ressuscitado dos mortos. Jesus mandou-nos pregar ao povo e testemunhar que Ele foi constituído por Deus juiz dos vivos e dos mortos. É d'Ele que todos os profetas dão o seguinte testemunho: quem acredita n’Ele recebe pelo seu nome a remissão dos pecados»".

 

       4 – A nova terra e os novos céus, aguardados e prometidos pelos profetas e concretizados pela RESSURREIÇÃO de Cristo Jesus, não se encontram assim tão visíveis. A missão dos cristãos é fazer com que a ressurreição de Cristo, e a comunhão nesta ressurreição, pelo batismo e pelos outros sacramentos, seja luminosa para a história e para o mundo. Com a ressurreição todos os recantos deveriam ficar iluminados pela esperança, pela paz, pela vida nova, pelo encontro com o divino. 

      Porém, ao longo da história da Igreja, como na atualidade, os sinais de morte, de desistência, de destruição, de crise, continuam a imperar. Podemos perguntar-nos onde está a eficiência da Ressurreição de Jesus Cristo? Onde está a vida nova que engendramos (que Deus engendra em nós) a partir do batismo? Teremos, talvez, que morrer ainda, de morrer primeiro, de morrer para muitos vícios e seguranças pessoais, de morrer para muitas tradições e costumes, e manias. Não há PÁSCOA se não houver morte. Não há vida nova, se a vida "anterior" continuar a reinar nos gestos e nas palavras que deveriam ligar-nos aos outros.

       As duas missivas do Apóstolo São Paulo propostas como alternativa para a segunda leitura deste DOMINGO, são por demais provocadoras:

       "Se ressuscitastes com Cristo, aspirai às coisas do alto, onde Cristo Se encontra, sentado à direita de Deus. Afeiçoai-vos às coisas do alto e não às da terra. Porque vós morrestes e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, que é a vossa vida, Se manifestar, então também vós vos haveis de manifestar com Ele na glória".

       É urgente aspirar às coisas do alto. Morremos e a nossa vida está escondida com Cristo em Deus, Ele atrai-nos, deixemo-nos atrair.

       "Cristo, o nosso cordeiro pascal, foi imolado. Celebremos a festa, não com fermento velho, nem com fermento de malícia e perversidade, mas com os pães ázimos da pureza e da verdade".

       Se nos fosse possível manteríamos o melhor de dois mundos, o do passado, da morte, do velho, do tradicional, e o da vida nova, da esperança, da ressurreição, da adesão a Cristo Jesus. É um risco que sai caro, acabamos por nem viver num mundo nem em outro. Como seria possível colocar vinho novo em odres velhos? Pergunta-se Jesus. Para vinho novo, vasilhames novos, não se vá perder uma e outra coisa, os odres e o vinho. Se a vida é nova, vivamos como novas criaturas, de Deus e para Deus, compartilhando com os outros o melhor de nós mesmos: o Deus que nos habita.


Textos para a Eucaristia: Act 10, 34a, 37-4 ; Col 3, 1-4; 1Cor 5, 6b-8 ; Jo 20, 1-9.

 

Reflexão dominical na página da Paróquia de Tabuaço.

07.04.12

Sexta-feira santa - Adoração da Santa Cruz

mpgpadre

       A sexta feira da SEMANA SANTA medita a paixão redentora de Jesus na CRUZ. Segundo os dados históricos, que aceitam os estudiosos, Jesus morreu no dia 7 de abril do ano 30, então com 37 anos (sabendo-se que o seu nascimento terá ocorrido 6 a 7 anos antes do início da era cristã, mas cujo erro inicial na datação do Seu nascimento provocou este desfasamento). Este ano quase coincidiu. Celebramos a morte de Jesus em 6 de abril. Em várias paróquias, ontem foi o dia da via-sacra, como por exemplo em Carrazedo e Pinheiros. Na paróquia de Tabuaço, seguimos a liturgia proposta para sexta feira santa, a adoração da Santa Cruz, com a Liturgia da Palavra (em que se proclamou, a três vozes, o evangelho da Paixão, segundo são João), a adoração da Santa Cruz, a Comunhão, e, no final, a procissão do Senhor morto para a Capela de Santa Bárbara. Aqui fica o registo fotográfico:

 

 

 

 

 

 

       Para ver todas as imagens da SEMANA SANTA 2012, da paróquia de Tabuaço, clique AQUI.

03.04.12

Domingo de Ramos e Via Sacra

mpgpadre

       A Semana Santa inicia-se com a grande solenidade do Domingo de Ramos na Paixão do Senhor. E assim foi neste espaço pastoral de Tabuaço, Pinheiros, Távora e Carrazedo, no dia um de abril, talvez dia de desenganos... Na véspera, a Via-sacra em Távora, e neste dia em Tabuaço, encenada pelas crianças e adolescentes da catequese. Deixamos algumas imagens deste dia (só dispomos de fotos de Tabuaço, não conseguimos "contratar" fotógrafos para as outras comunidades).

       Em todas as comunidades há momentos específicos para celebrar a SEMANA SANTA. O programa deste espaço paroquial poderá ser visualizado AQUI.

01.04.12

Cristo Jesus não Se valeu da sua igualdade com Deus

mpgpadre

       1 – "Cristo Jesus, que era de condição divina, não Se valeu da sua igualdade com Deus, mas aniquilou-Se a Si próprio. Assumindo a condição de servo, tornou-Se semelhante aos homens. Aparecendo como homem, humilhou-Se ainda mais, obedecendo até à morte e morte de cruz" (2.ª leitura).

       Este belíssimo hino, recolhido por São Paulo na sua missiva aos Filipenses, faz uma apresentação detalhada, sintética, clarividente, expressiva, da vida e missão de Jesus. A Sua condição inicial, que dá origem e alimenta o hoje do Seu compromisso, o trajeto de oblação, de entrega, de kénose (abaixamento), de amor pela humanidade. O amor por nós leva-O a assumir a nossa identidade e a nossa finitude.

       O mistério da Sua paixão, da Sua morte como oferenda, pleniza o Seu projeto de caridade a favor de todo o povo. Não apenas a favor dos amigos, ou dos bons, mas em benefício de todos, bons e maus, amigos e estranhos, judeus, gregos ou troianos.

       Vem de Deus, para habitar connosco, na história e no tempo. A divindade humaniza-se, o Universal particulariza-se num determinado período da história e num espaço civilizacional concreto. Faz-Se homem, para que descubramos por Ele e com Ele o caminho de regresso a Deus Pai, descobrindo a nossa origem, o nosso alimento e o nosso fim: Deus.

       Toda a Sua vida é serviço e doação. Assume-nos por inteiro. Identifica-Se homem. Em tudo igual a nós, exceto no pecado. Não Se alheia da obra criada por Seu amor. Por amor vem. Por amor permanece. Por amor dá a Sua vida. Por amor elevar-nos-á às alturas da glória, até Deus, Seu e nosso Pai.

 

       2 – Nas concepções tradicionais da religião, Deus mantém-se distante, alheado como Juiz impenetrável, impassível, pronto a irritar-se e a castigar, à espera das oferendas, sacrifícios e súplicas da humanidade, vergada à Sua omnipotência.

       Com Cristo Jesus, é Deus Quem procura a humanidade, imiscuindo-Se na nossa história. Deus está onde está a humanidade. As alegrias e as tristezas, as lutas e as esperanças, o sofrimento e a festa, a morte e a vida, que nos envolvem na nossa existência terrena e mortal, integram a história de Jesus, em todo o seu esplendor.

       A liturgia deste domingo é particularmente feliz. A SEMANA SANTA conduz-nos do sucesso e da fama à morte infame, numa cruz, para logo nos encher com a LUZ da Páscoa, em que nada ficará igual, e até o túmulo se encherá de luz e de vida nova.

       Visualizamos a entrada triunfal de Jesus na cidade santa de Jerusalém. É acompanhado por uma multidão imensa, que O aclama como Rei, filho de David, deixando entrever o reconhecimento do Messias prometido e esperado. É sol de pouca dura.

       Ainda ressoam os cânticos, os clamores, e já Jesus Se senta à volta da mesa, mais discretamente, quase silenciosamente. Estão lá apenas os mais íntimos. Como não nos revermos também nesta passagem. Quando as coisas correm bem, todos nos rodeiam e aplaudem, mas quando é necessário trabalhar, esforço e dedicação, com quantos dos nossos amigos poderemos contar?!

       A Ceia pascal é um interregno. Uma pausa para o café. Para descansar. Para ganhar coragem. Para sentir mais próxima a presença dos amigos e sentir o conforto dos mais chegados, preparando-os para a despedida, deixando-lhes as recomendações finais, como um testamento, um compromisso para a vida. Vou partir, mas a minha presença será ainda mais íntima, mais profunda, mais firme. Ainda a Ceia não terminou e já cheira a morte, a traição. O medo e a ansiedade começam a tomar conta dos discípulos. Sente-se aquele tremor no estômago e as pernas não querem obedecer. O vinho parece ter produzido efeito. Nem todos ficam para enfrentar as dificuldades maiores.

 

       3 – Em poucas horas, Jesus experimenta a euforia de uma multidão em festa e de uma multidão furiosa pedindo a Sua cabeça. No triunfo está lá toda a gente. Olhamos para o lado e vemos que não falta ninguém. Também lá nos queremos. Sentimo-nos confortáveis, pertencemos ali, aquele é o nosso povo, a nossa gente, e apesar dos encontrões, não desarmamos, deixamo-nos levar pelo entusiasmo.

       A vida tem altos e baixos e nos momentos do sofrimento, do suor e das lágrimas, nem todos estamos disponíveis. A casa é um espaço mais pequeno. Onde pulsa a vida, o espaço é mais íntimo, facilita o encontro, coração a coração, é mais afetivo, permite o abraço, o choro e o riso desbragado, a casa é o outro em quem coloco a minha vida, é o outro que me acolhe como irmão. Se pudéssemos ficaríamos em casa para sempre. Esta começa a desfazer-se quando alguém abandona o círculo familiar. Judas é o primeiro a sair. Saem os outros, para o Jardim das Oliveiras. A casa não pode ser profanada, há de ser o lugar do reencontro, da vida nova, da vida ressuscitada, quando de novo todos se reconhecerem como irmãos.

       Aqueles que contam acompanham Jesus. Mas ainda não estão amadurecidos o suficiente na sua fé. Maior é o medo. Quando nos sentimos ameaçados na nossa vida biológica, as reações passam pela paralisia, como em sonhos, não conseguimos mexer-nos, ou fugimos rapidamente para nos libertarmos do perigo iminente. Assim acontece com os discípulos. Adormecem, tal é a ansiedade, enquanto o seu Mestre reza, roga a Deus, transpira gotas de sangue, é a Sua hora. Levar o amor até ao fim, mesmo que isso custe a própria vida (biológica), é o alimento, a vontade de Jesus. Numa hora desta, só Deus Lhe pode valer, só Deus Lhe pode dar ânimo (alma) para prosseguir.

       É a vida. Agora que era tão útil a presença dos seus amigos mais íntimos, todos correm rapidamente para não serem "agarrados" por aquela onda de ódio e violência. Mantêm-se à distância. Com medo, com "pena" do Mestre, mas afastados o suficiente para preservarem as suas vidas.

 

       4 – Como não nos revermos nesta SEMANA SANTA de Jesus?! Transpira suor, sangue e lágrimas. Prossegue no limite do desfalecimento. Clama em altos brados. Leva as forças ao limite, por amor. É paixão. Redentora. Homem e Deus envolvidos na mesma história.

       Quantos pais não "morrem" todos os dias pelos filhos? E por causa deles. Canseiras, preocupações, trabalho, lágrimas. A vida até ao esgotamento! Onde parece que não há mais ânimo, lá se encontram argumentos para prosseguir. O amor supera as limitações físicas. Quantos não são testados, todos os dias, até ao limite da sua coragem – uma doença repentina, a falta de trabalho e de pão para a mesa, o sofrimento e a doença crónica de um familiar, o conflito que se agudiza dentro de portas, ou o ambiente desastroso com os colegas de trabalho –, uma via crucis sem solução à vista, um calvário que perdura no tempo, sem sinais esperançosos, sem abertura no céu enublado de lágrimas, de cansaço, de derrota.

       Jesus não passa ao largo das nossas lutas. Não desvia o olhar. Enfrenta connosco as angústias da sobrevivência. "O Senhor Deus abriu-me os ouvidos e eu não resisti nem recuei um passo. Apresentei as costas àqueles que me batiam e a face aos que me arrancavam a barba; não desviei o meu rosto dos que me insultavam e cuspiam. Mas o Senhor Deus veio em meu auxílio, e, por isso, não fiquei envergonhado; tornei o meu rosto duro como pedra, e sei que não ficarei desiludido" (1.ª Leitura).

       Está (quase) sozinho. Os apóstolos tornaram-se apóstatas. À distância. Sua Mãe e algumas mulheres, que sabem o que é sofrer, o que é sofrer por amor, o que é dar a vida pelos filhos e verem os filhos morrer (repentinamente ou aos poucos), elas não desviam o olhar. É doloroso. É a vida. Faz parte da vida. Dali ninguém as tira. Nem a força bruta dos soldados em fúria, nem a multidão cega pela gritaria. Elas que estavam na primeira hora permanecerão até à última hora, até ao suspiro final. 

       "O véu do templo rasgou-se em duas partes de alto a baixo. O centurião que estava em frente de Jesus, ao vê-l’O expirar daquela maneira, exclamou: «Na verdade, este homem era Filho de Deus». Estavam também ali umas mulheres a observar de longe, entre elas Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago e de José, e Salomé, que acompanhavam e serviam Jesus, quando estava na Galileia, e muitas outras que tinham subido com ele a Jerusalém" (Evangelho).

 

       5 – Regressemos a nossas casas. O espetáculo terminou. Jesus morreu. Morreu por amor. Morreu por nós. Morreu para nos salvar. Morreu para nos mostrar que o amor há de ser mais forte, mais firme, mais "violento" e revolucionário que todas as forças do mal e da morte.

       Aguardemos. Com Maria, a Quem Ele nos confia, e com as outras mulheres, voltemos ao lugar onde pulsa a vida, nas suas lutas e nas suas festas, a casa, a nossas casas. Façamos luto. Não deixemos, porém, que o medo e a angústia tomem conta da nossa alma (do nosso ânimo), rezemos com Ela, vigilantes, firmes na esperança, confiantes na promessa de Deus. Não temamos a noite. O SOL esconde-se por entre as lágrimas, os nossos olhos ficam nublosos, mas a LUZ há de ser tão intensa que prevalecerá para além das nossas dores e da nossa treva. A caminho da Páscoa!


Textos para a Eucaristia (ano B): Is 50,4-7; Salmo 21 (22); Filip 2,6-11; Mc 14,1 - 15,47.

 

 Reflexão Dominical na página da Paróquia de Tabuaço

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