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Escolhas & Percursos

...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...

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14.03.12

D. António Couto: Se defendermos o Amor, o Amor defender-nos-á...

mpgpadre

por ocasião do Dia Nacional da Cáritas

D. António Couto, no no Dia da Cáritas:

 

UMA REDE DE CARIDADE

 

«Edificar o bem comum: tarefa de todos e de cada um»

 

       1. O Evangelho deste Domingo III da Quaresma faz-nos ver Jesus a entrar no Templo de Jerusalém, que Jesus chama de forma significativa e carinhosa «a Casa do meu Pai» (João 2,16) ou «a minha Casa» (Mateus 21,13; Marcos 11,17; Lucas 19,46). Dito isto, ganha uma enorme relevância a informação que nos é transmitida de Jesus ter encontrado na Casa do seu Pai, que é também a sua Casa, não filhos e irmãos, mas vendedores, banqueiros e comerciantes (João 2,14). Estávamos todos à espera que lá fosse encontrar filhos e irmãos. Na verdade, «a Casa do meu Pai», e «a minha Casa», por um lado, e o Mercado, por outro lado, são lugares incompatíveis. Trata-se, de facto, de duas maneiras diferentes de conceber e ocupar o espaço. Avista-se daqui a vida jovem, leve e bela dos primeiros cristãos que, conforme o relato dos Atos dos Apóstolos, «partiam o pão nas suas Casas com alegria e simplicidade de coração» (Atos 2,46).

 

       2. Casa, Casa, Casa, é uma das palavras mais belas que conheço. Mesa, Mesa, Mesa, é outra das palavras mais belas que conheço. O Mercado são casas, mas sem Casa. São mesas, mas sem Mesa. Lareiras, mas sem Lar. Corações, mas sem Amor. Sem Pai nem Mãe nem Filhos nem Irmãos. O gesto de Jesus, de derrubar pedras e mesas, é emblemático e ilustrativo. É urgente quebrar esta crosta de indiferença. É urgente a Casa, é urgente a Mesa, é urgente o Amor.

 

       3. Permiti-me, meus irmãos, que traga para aqui uma antiga história rabínica. Um homem tinha três amigos. Mas tinha-os catalogados por ordem de importância: o amigo n.º 1, o amigo n.º 2 e o amigo n.º 3. O amigo n.º 1 era naturalmente o melhor amigo do nosso homem; digamos que eram amigos íntimos, e, por isso, inseparáveis: andavam sempre juntos. O amigo n.º 2 era aquele amigo que o nosso homem encontrava de vez em quando, apenas de vez em quando, altura em que confraternizavam e punham a conversa em dia. O amigo n.º 3 era aquele género de amigo que o nosso homem encontrava muito raramente, por mero acaso, e de quem já nem sequer se lembrava do nome.

 

       4. Um dia, o nosso homem foi apanhado de surpresa. Chegou-lhe pelo correio uma carta que provinha do palácio do Rei. O nosso homem abriu a carta, leu, releu, e ficou muito preocupado. Tratava-se de uma intimação que obrigava o nosso homem a comparecer no palácio do Rei. Ora, acontece que o nosso homem, o homem desta história, nem sabia o que era um Rei, e muito menos um palácio. Tão-pouco sabia o caminho para o palácio. Mas preocupava-o sobretudo o modo como se devia comportar na presença do Rei. Não era o mundo dele.

 

       5. Ficou aflito. Já nem conseguia comer nem dormir. Apoderou-se dele uma grande tremedeira. Quando isto nos acontece, lembramo-nos naturalmente de recorrer aos amigos. Foi assim que o nosso homem foi desabafar com o seu melhor amigo, o amigo n.º 1. Expôs-lhe o assunto que o preocupava. Tinha sido intimado a comparecer no palácio do Rei, e tinha muito medo, pois nada percebia de palácios e de reis. Foi assim que pediu ao seu amigo n.º 1 o favor de o acompanhar naquela viagem difícil.Nem era nada demais, dado que andavam sempre juntos, eram amigos inseparáveis. O amigo n.º 1 respondeu assim ao nosso homem: é verdade que somos muito amigos; de facto, andamos sempre juntos. Pede-me o que quiseres, que eu estou disposto a ajudar-te; porém, nessa viagem, não te posso acompanhar.

 

       6. É assim que o nosso homem, desiludido, tem de ir à procura do seu amigo n.º 2. Pô-lo a par do seu problema, e implorou-lhe, da mesma maneira, que o acompanhasse naquela viagem difícil. O amigo n.º 2 ouviu atentamente a exposição do nosso homem, e respondeu assim: sim, disponho-me a acompanhar-te, mas com uma condição: vou contigo, mas só até à porta do palácio; daí para a frente, terás de ir sozinho, pois não te posso acompanhar. O nosso homem, porém, insistiu: mas o meu problema é dentro do palácio, porque eu não entendo nada de reis e de palácios. Compreendo, retorquiu o amigo n.º 2, mas, nesse caso, não te posso mesmo ajudar. Terás de ir sozinho.

 

       7. Foi então que o nosso homem se pôs a caminho para ver se encontrava o seu amigo n.º 3, aquele amigo de quem já nem se lembrava do nome nem de quando tinha sido a última vez que se tinham encontrado. Com alguma sorte, lá o encontrou, e expôs-lhe o problema, e suplicou-lhe que o acompanhasse naquela viagem difícil. O amigo n.º 3 ouviu atentamente, e nem sequer deixou o nosso homem terminar. Respondeu logo: mas é claro que te acompanho. Até te digo mais: ficaria mesmo muito triste, se soubesse que estavas a braços com esse problema, e não me tivesses dito nada!

 

       8. Permiti-me agora, meus irmãos, que descodifique a história, para entendermos melhor o seu alcance. O nosso homem, o homem desta história, sou eu, és tu, pode ser qualquer um de nós. O Rei é Deus. A viagem é a morte. O amigo n.º 1, aquele que anda sempre connosco, é a nossa própria vida, os nossos projetos, os nossos trabalhos, os nossos sonhos, as nossas ambições. De facto, andamos sempre juntos, somos inseparáveis. Todavia, naquela viagem, os nossos projetos e trabalhos não nos podem acompanhar. O amigo n.º 2, aquele que encontramos de vez em quando para confraternizar e pôr a conversa em dia, são os nossos próprios amigos. Aqueles que se mostram dispostos a ir connosco, mas só até à porta… do cemitério! O amigo n.º 3, aquele que muito raramente encontramos, de quem até acabamos por esquecer o nome, mas que até ficaria triste e sentido se não lhe disséssemos nada, e que é o único que nos pode acompanhar, é o Bem que fazemos, o Amor que pomos naquilo que fazemos.

 

       9. Bem vistas as coisas, está bom de ver que temos de inverter a ordem dos nossos amigos, e passar para 1.º lugar aquele que temos no catálogo em 3.º lugar. Decisivo, decisivo, decisivo é o Amor. Temos de nos encontrar muito mais vezes com este amigo. Na verdade, diz bem S. Paulo, tudo passa; só o Amor permanece (1 Coríntios 13,8).

 

       10. Contei esta história, porque hoje é o dia do Amor, da Caridade, da Caritas. Hoje é o dia de partir a crosta da indiferença, daquela couraça ou máscara a que nos agarramos tanto, para nos defendermos, para subirmos na vida, ainda que seja à custa dos outros. Hoje é o dia de não olharmos apenas para o nosso grupinho de amigos. Hoje é o dia de visitar e acolher cada ser humano, de o sentar à nossa mesa, de lhe lavarmos os pés e a alma e o coração. Hoje é o dia do Amor. Hoje é o dia de sermos irmãos, e não comerciantes ou banqueiros desalmados. Hoje é o dia de limparmos as lágrimas que correm de tantos rostos belos como os nossos, porque também neles se espelha a imagem de Deus.

 

       11. Hoje é o dia do Amor que rompe bolsos e derruba corações empedernidos. Sim, diz-nos Jesus em jeito de séria advertência: «Destas majestosas construções não ficará pedra sobre pedra» (Mateus 24,2; Marcos 13,2). Os Templos, as paredes, as pedras da nossa idolatria, «obra de mãos humanas», convém que sejam destruídos, para darem lugar a outros, «não feitos por mãos humanas» (Marcos 14,58). Paredes desabitadas, sem Deus aqui no meio dos seus filhos e filhas, são ídolos. Neste sentido, refere João Paulo II, expondo diante dos nossos olhos, com singular afeto, um belo programa, que a paróquia é «a própria Igreja que vive no meio das casas dos seus filhos e das suas filhas» (Christifideles Laici, n.º 26), e que a sua vocação «é a de ser a casa de família, fraterna e acolhedora» (Catechesi tradendae, n.º 67), e grava esta afirmação emocionada e mobilizadora: «O homem é amado por Deus. Este é o mais simples e o mais comovente anúncio de que a Igreja é devedora ao Homem» (Christifideles Laici, n.º 34), a todos os homens, porque a caridade tem a vastidão do mundo.

 

       12. Caríssimos irmãos da Caritas Diocesana, queridos avôs e avós, pais e mães, filhos e filhas, irmãos e irmãs, que Deus me deu nesta bela Diocese de Lamego, desafio-vos a todos a entretecermos, com as nossas mãos abertas e carinhosas, uma vasta rede de Amor em que todos nos sintamos unidos, envolvidos e empenhados. Apelo vivamente a que juntos defendamos o Amor, a Caridade, a Caritas. Se defendermos o Amor, o Amor defender-nos-á. O resto pouco vale. Até as mais majestosas construções caem.

 

       13. Apelo a todos os párocos e paroquianos de todas as paróquias desta nossa Diocese de Lamego a que, com a ajuda da Caritas Diocesana e em rede com ela e comigo, formemos o mais rapidamente possível – a tanto nos impele a urgência do Evangelho – em todas as paróquias Grupos de Caridade, Grupos Caritas, para que ninguém se sinta sozinho, abandonado ou desfigurado, mas todos transfigurados e configurados à Imagem de Cristo, Bom Pastor, que cuida carinhosamente de todas as suas ovelhas e vai, sem descanso, à procura da ovelha perdida até a encontrar.

 

       14. Ensina-nos, impele-nos, acaricia-nos, Senhor, com o vendaval manso do alento do teu Amor. Fica connosco, Senhor, bem no meio de nós, para te vermos bem no rosto dos nossos irmãos. Senhora do puro Amor, Mãe da Igreja e nossa Mãe, vela por nós, fica à nossa beira. É bom ter a Esperança como companheira.

 

Catedral de Lamego, 11 de março de 2012

D. António Couto, Bispo de Lamego

13.03.12

D. António Couto em terras de Tabuaço

mpgpadre

       11 de março, Domingo III da Quaresma, o nosso Bispo, D. António Couto, reservou a tarde para estar connosco em Tabuaço, a fim de benzer/inaugurar as obras de melhoramento da Igreja do Santuário de Santa Maria do Sabroso, na freguesia de Barcos, deste concelho/arciprestado de Tabuaço.

       O primeiro encontro foi com os sacerdotes a paroquiar neste espaço pastoral, à volta da mesa, na Santa Casa de Misericórdia de Tabuaço.

       Depois de breve visita às pessoas que se encontram no Lar, seguiu com o sacerdotes para o Santuário do Sabroso, para presidir à Eucaristia, com a bênção do altar e das obras realizadas neste templo antiquíssimo. No final a bênção do parque das merendas, no espaço circundante do Santuário. Houve ainda tempo para confraternizar com as pessoas, no lanche que se seguiu.

       Destaque-se uma significativa moldura humana, com paroquianos de Barcos mas também de paróquias vizinhas, como deste espaço: Tabuaço, Távora, Pinheiros, Carrazedo.

 

 

 

 

 

 

Para ver mais fotos, visite a nossa página do FACEBOOK (as fotos do Santuário foram-nos cedidas pelo Sr. Rui de Carvalho, Câmara Municipal de Tabuaço).

11.03.12

Ao terceiro dia, Ele levantar-se-á, e levantar-nos-á com Ele, dos escombros do pecado e da morte

mpgpadre

       1 – O centro e o conteúdo essencial da fé cristã é Jesus Cristo e o mistério da Ressurreição. Sem Páscoa não haveria vida nova, não haveria Igreja, que nasce precisamente com a ressurreição de Jesus, pedra após pedra se ergue com Ele do sepulcro, para a luz e para a vida, para o mundo e para as alturas.

       Mas por ora, enquanto não chega a Páscoa, é tempo de caminhar, é tempo da travessia por todos os desertos da solidão, da doença e da morte. Ao terceiro dia, Ele levantar-se-á, e levantar-nos-á com Ele, dos escombros do pecado, do sofrimento e do mal, para nos dar a Sua vida nova, um novo Templo de graça, de verdade e de paz. As "dores da maternidade" ainda fazem mossa, ainda fazem sofrer, ainda nos fazem dobrar sobre nós próprios, em posição que espera o afago e o abraço de Deus, para levantarmos o olhar e vermos os novos Céus e a nova Terra, que nos aguardam e atraem.

       O Evangelho deste terceiro domingo da Quaresma fala-nos do sinal maior que Jesus nos poderá dar: a Sua ressurreição. O templo cairá por terra e da terra, a que pertencemos, e a que Deus quis e quer pertencer, por Jesus Cristo, erguer-se-á o Templo do encontro, da festa, da alegria, até à eternidade.

       "Estava próxima a Páscoa dos judeus e Jesus subiu a Jerusalém. Encontrou no templo os vendedores de bois, de ovelhas e de pombas e os cambistas sentados às bancas. Fez então um chicote de cordas e expulsou-os a todos do templo, com as ovelhas e os bois; deitou por terra o dinheiro dos cambistas e derrubou-lhes as mesas; e disse aos que vendiam pombas: «Tirai tudo isto daqui; não façais da casa de meu Pai casa de comércio»...

       Então os judeus tomaram a palavra e perguntaram-Lhe: «Que sinal nos dás de que podes proceder deste modo?». Jesus respondeu-lhes: «Destruí este templo e em três dias o levantarei»... Muitos, ao verem os milagres que fazia, acreditaram no seu nome. Mas Jesus não se fiava deles, porque os conhecia a todos e não precisava de que Lhe dessem informações sobre ninguém: Ele bem sabia o que há no homem".

       O templo de pedra é sinal da presença de Deus no meio de nós, e daí a necessidade de ser respeitado por nele transparecer a Sua luz. É também sinal de outro templo, e da vida nova, o Templo que é o próprio Jesus Cristo, onde Se pode encontrar Deus de verdade, e o templo que somos nós, imagem e semelhança de Deus, sacrários vivos do Altíssimo.

 

       2 – Como em tudo na vida, o caminho também é importante. Não adianta correr se não sabemos para onde nos leva a estrada, a ruela, a avenida. Pode ter um piso agradável, macio, colorido, artístico, mas por aí não nos leva a bom porto, porque não sabemos também onde aportar. Não podemos navegar sem orientação. Para o barco que não sabe para onde navega, todo o vento é desfavorável. Como cristãos sabemos o destino: a vida eterna, a comunhão em plenitude junto de Deus. Mas a vida em Deus não é futuro, não somente futuro, é também presente, é também vida, é também a nossa casa, as nossas paixões, as nossas vivências, os nossos projetos; a eternidade vislumbra-se e inicia a partir daqui, do lugar em que me encontro, no mundo que é a minha casa, a minha família, a minha vizinhança, o mundo que é a minha aldeia, a minha paróquia, a minha vila e a minha cidade, a minha escola e o meu trabalho.

       Por sorte, não estamos num labirinto fechado, escurecido, traiçoeiro, ainda que possa haver labirintos na nossa vida e possam existir tantos caminhos quantas as pessoas que estão a caminhar. Os que nos precederam na fé, inspirados por Deus, clarearam a quaresma que temos de fazer para nos acercarmos da Páscoa, tapetearam a estrada para que as quedas não nos destruíssem e nos fizessem destruir.

       Escutemos Moisés: "Não terás outros deuses perante Mim... Não adorarás outros deuses nem lhes prestarás culto... Não invocarás em vão o nome do Senhor teu Deus... Lembrar-te-ás do dia de sábado, para o santificares..., o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus... Honra pai e mãe, a fim de prolongares os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te vai dar. Não matarás. Não cometerás adultério. Não furtarás. Não levantarás falso testemunho contra o teu próximo. Não cobiçarás a casa do teu próximo; não desejarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo nem a sua serva, o seu boi ou o seu jumento, nem coisa alguma que lhe pertença".

        É um bom ponto de partida para nos tornarmos cúmplices de Jesus Cristo. Os Mandamentos continuam a ser para a Igreja (e para os cristãos) e para o mundo (como base dos Direitos Humanos) uma referência fundamental, que nos exercitam na convivência com Deus, e na caridade para com todos.

 

       3 – Os sinais pedidos a Jesus são-nos também exigidos a nós, como seus discípulos, seus seguidores. Tal como Ele, o maior sinal para nós é a ressurreição que emoldura a CRUZ do amor, da paixão, da entrega que n’Ele, Deus feito homem, nos é ofertado em plenitude.

       "Os judeus pedem milagres e os gregos procuram a sabedoria. Quanto a nós, pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os gentios; mas para aqueles que são chamados, tanto judeus como gregos, Cristo é poder e sabedoria de Deus. Pois o que é loucura de Deus é mais sábio do que os homens e o que é fraqueza de Deus é mais forte do que os homens".

       No nosso itinerário quaresmal até à Páscoa, e até à vida eterna, há de haver lugar à partilha, à solidariedade, à comunhão, ao serviço, traduzindo em concreto a cruz, expressão do amor, da caridade, e daquela – a cruz –, dar sinais, deixar o vislumbre da LUZ que nos vem da RESSURREIÇÃO e de nos tornarmos, pela fé, pelo batismo, cúmplices de Jesus Cristo. Anunciamos a morte e a ressurreição até que Ele venha. Anunciamos como Ele, em palavras que se tornam vida gasta com os outros e a favor dos outros. No compromisso com os outros, na justiça e na caridade, a ressurreição acontecerá.


Textos para a Eucaristia (ano B): Ex 20, 1-17; 1 Cor 1, 22-25; Jo 2, 13-25.

 

Reflexão Dominical na página da Paróquia de Tabuaço.

09.03.12

Laurinda Alves com o Pe. Alberto Brito: OUVIR, FALAR, AMAR

mpgpadre

Ouvir, Falar, Amar. A compreensão é a única força de mudança, Oficina do Livro. Alfragide: 2011.

 

 

       Laurinda Alves à conversa com o Pe. Alberto Brito. Já o conhecia de um encontro/retiro no distante ano de 1998, em Braga, na Casa dos Jesuítas. Um pensamento clarificador. Não para eliminar as dúvidas, mas para colocar mais questões.

       A Laurinda Alves não precisa de apresentação, mas para quem desconhece pode sempre consultar o seu blogue pessoal: Laurinda Alves - A Substância da Vida. 

       Ouvir/escutar, "porque ouvir os outros é a maior escola da vida". Escutar com o coração, prestar atenção não apenas ao que a pessoa diz e à sua história de vida, mas à pessoa em si mesma. Diz o Pe. Alberto que se nos fixarmos apenas nas histórias das pessoas e não nas pessoas, ficamo-nos pela fofoquice. Ficar-nos-íamos pelo ouvir, como se estivéssemos a ouvir um rádio e não uma pessoa concreta.
        Falar. É assim que a comunicação acontece,
é "a comunicar e a dialogar que nos entendemos e que se constroem relações". Temos uma boca e duas orelhas/ouvidos. Escutámos com interesse, a história da pessoa, mas sobretudo escutar com atenção o que a pessoa é, o que a pessoa sente, o que a pessoa vive, ouvindo o seu grito, o seu desabafo, acolhendo a sua partilha. Pode não ser fácil... queremos falar mais que escutar... queremos que alguém nos escute, nos compreenda, que por vezes esgotámos o tempo com as nossas palavras e não escutámos a pessoa que está diante de nós, como apelo e desafio. Quem não ouve, ou não quer ouvir, corre o sério risco de ficar a falar sozinho.
        Amar, "porque é a partir da aceitação de nós próprios e dos outros que tudo é possível". Escutámos a pessoa, comunicamo-nos como irmãos, para acolhermos e aceitarmos os outros, aceitando-nos também a nós como pessoas, cidadãos, filhos de Deus. Como diz o Pe. Alberto, o que nos separa e divide não são as ideias ou as crenças, mas os sentimentos. O maior desejo do ser humano, de todo o ser humano, é amar e ser amado. E o maior medo é ser rejeitado pelo(s) outro(s). A escuta e a comunicação visam aproximar-nos dos outros, com amor, com paixão, celebrando a vida.
        Enquadra-se aqui outra realidade: a compreensão. "As pessoas quando se sentem compreendidas, mudam". É o que pode resultar da escuta que ama, das palavras que se tornam comunicação amistosa, dos sentimentos que se partilham e se acolhem.
        Seja/sê ouvinte (escutador não tanto de estórias, mas das pessoas que estão perto de ti); fala do que te vai na alma; confia, estimulando os outros à confiança, a libertarem-se do medo; ama, com toda a tua alma, faz do(s) outro(s) a tua casa, o teu refúgio, tendo sempre como horizonte originário e final o Senhor Deus.

       Mais uma leitura que recomendámos, e mais um texto que se lê de fio a pavio. Nesta entrevista perpassa uma grande alegria de quem pergunta e de quem responde, numa conversa fluente, também aqui ao correr da pena, ou melhor no fluir da conversa que existe entre pessoas amigas, entre familiares, entre pessoas que se respeitam e admiram.

       Vale a pena entrar neste diálogo entre e Laurinda Alves e o sacerdote jesuíta, Pe. Alberto Brito.

08.03.12

ERMES RONCHI - As casas de M A R I A

mpgpadre

ERMES RONCHI, As casas de Maria. Polifonia da existência e dos afectos. Paulinas: Prior Velho 2010.

 

 

       Há meia dúzia de dias trazíamos aqui uma sugestão de leitura deste mesmo autor: Os Beijos não dados. Tu és a Beleza. A amizade é a mais importante viagem. Anteriormente publicado em Portugal esta poesia sobre Maria.

       As casas de Maria é uma obra prima.

      É uma poema. Um poema perfumado em palavras, frases, parágrafos, páginas, que sabem a mel, e a doce de amora, sabem a pão, quente, fresco, acabado de sair do forno, é água refrescante, que nos sacia nos dias tórridos de verão e nos nossos desertos interiores.

        Há muitos livros bons e excelentes autores, cultores da vida, pintando-a de mil cores, aproximando o mistério, tornando acessível a beleza que nos rodeia, o mundo, as pessoas, a natureza, o próprio Deus. Este é um dos livros bons, de fácil leitura. A expressão que me ocorre, uma vez mais, é um livro escorreito, escrito ao correr da pena, deslizante, que nos faz deslizar pelas casas de Maria, da festa e da dúvida, casa do pão que se amassa com a força da persistência, misturado com as lágrimas da paixão e do amor, casa de acolhimento, de silêncio e de palavras que afagam, acariciam, e protegem, promovem a vida. Casa dos sonhos de José, do encantamento, da descoberta, do coração aberto para as surpresas que Deus envia.

       Há muita literatura sobre Maria.

       Há belíssimas páginas que engrandecem a Mãe de Jesus e no-l'A apresentam adornada de Graça e de Beleza, de Luz e Sol. Há belíssimas páginas que nos ajudam a venerar Maria, Senhor nossa, Mãe de Jesus e Mãe da Igreja.

       "As casas de Maria", não é um tratado teológico, um discurso, uma pregação, por mais úteis que estes sejam, é uma parábola sobre a vida quotidiana, sobre os sonhos, sobre a humanidade, nas suas aspirações, na sua limitação e na sua abertura ao Infinito. É uma carta escrita com o coração, com a tinta da fé, com as cores de muitas vivências.

       Se costuma sublinhar as leituras que faz, este será um sublinhado constante, a caneta poucas vezes se há de levantar de cada página.

       Leve, suave, simples, fácil de assimilar e mastigar, envolvente.

       Nas casas de Maria há lugar para nós, para cada uma, para a família e para a comunidade, para os filhos perdidos e achados, e os filhos mais pequenos, e para todos.

07.03.12

Cáritas Diocesana de Lamego: mensagem do Responsável

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O calendário litúrgico aproxima-nos a passos largos de mais um Dia Cáritas (III Domingo da Quaresma - 11 de março).

 

"Edificar o Bem Comum, tarefa de todos e de casa um", é o tema deste ano. Cada cristão, em verdadeiros espírito de partilha, é chamado a cooperar na construção dum mundo mais justo e fraterno, começando, antes de mais, pela atenção aos irmãos que fazem parte da comunidade paroquial.

 

"Se a caridade não está presente no anúncio do Evangelho, qual o Evangelho que se anuncia? Se a caridade não transparece do que se celebrar, que vida cristã é a que se celebra? Que Ressurreição?". Estas questões basilares expressam na perfeição a necessidade de viver a comunhão, promovendo a articulação/cooperação entre todas as Instituições, Movimentos, Grupos que, nas paróquias, atuam na dimensão do Serviço, sem desprezar a participação dos outros setores da Pastoral, em torno da opção preferencial de Cristo pelos mais pobres. É neste sentido que o Sr. Bispo exorta à prioritária e urgente organização do setor da caridade ao nível comunitário/paroquial.

 

A Cáritas, na qualidade de Serviço do Bispo para a dimensão sócio caritativa, congrega, em si mesma, as referidas "entidades" da Igreja que atuam no espaço diocesano, promovendo a sua animação e sensibilizando para um trabalho que é tão mais urgente, quanto a exigência dos tempos que estamos a atravessar.

 

Que cada paróquia possa partilhar um pouco do que tem.

Que o amor de Deus, derramado sobre nós, a todos se manifeste na partilha solidária.

 

Lamego, 27 de fevereiro de 2012

O Presidente da Direção,

 

Pe. Adriano Monteiro Cardoso.

 

Não deixe de ler também a Nota Pastoral para o Dia Cáritas 2012

06.03.12

Leituras: RONCHI: os Beijos não dados :: Tu és a Beleza

mpgpadre

ERMES RONCHI, Os Beijos não dados. Tu és a Beleza. A amizade é a mais importante viagem. Paulinas 2012. 

 

 

       Sempre que aqui trazemos a sugestão de uma leitura é porque ela é marcante para nós, e porque a temos como muito útil e agradável para quem vier a seguir esta indicação.

       Este é mais um daqueles livros que se lê de uma assentada, escorreito, ao correr da pena, de fácil compreensão, acessível a todos, simples, de uma simplicidade bela, como sugere o título do autor.

       O livro das Paulinas resulta de dois textos:

  • "Os Beijos não dados" - que fala da amizade e como ela é essencial/vital à existência humana. Sem amizade, o paraíso nunca seria possível. Adão está só, mesmo que rodeado por milhares de seres vivos, apesar de sentir constante a presença de Deus, mas sente-se só, não encontra um espelho, outro igual, alguém em quem se reveja, se confronto, alguém mais igual, que o ajude a identificar-se no meio da natureza. A amizade é crucial para uma existência feliz.
  • "Tu és a Beleza" - um pequeno tratado sobre a beleza, o assombro, a arte, o amor, Deus, o mundo, a natureza. A beleza é o pedacinho de Deus que nos habita e que existe no mundo criado. Deus deixou pedaços de Si e do Seu amor em nós e na natureza. Extrair beleza de tudo, é deixar-se habitar por Deus. Amar, viver, criar, deixar-se surpreender pelas pequenas e grandes coisas. Aquele que não se assombra, padece de cinismo, nada há que possam alegrá-lo, fazê-lo feliz, nada há de novo debaixo do sol.

       Uma mão cheia de páginas belas, criativas, envolventes.

       A leitura de um bom livro pode ajudar-nos a encarar a vida de forma mais positiva e a pensar a nossa própria existência. Uma revista, um jornal, um filme, um programa de televisão, um noticiário sobre o mal que grassa no mundo pode enfadar-nos, tornar-nos mais depressivos, não nos obriga a refletir, vemos, entra-nos pelos olhos, fixa-se no cérebro, como as luzes psicadélicas que não nos largam mesmo depois de há muito estarmos em ambiente mais tranquilo.

       Quer ler. Não gosta de ler. Então esta é uma boa leitura. Simples. Breve. Agradável.

05.03.12

Voz Jovem - A fé de Jesus Cristo e a nossa fé...

mpgpadre

       1. Jesus teve fé?

       Não é fácil aceitar que Jesus precisasse de ter fé, principalmente para os que pensam que Jesus sabia tudo, como os bem-aventurados. A resposta a esta pergunta leva-nos não só a um conhecimento mais profundo de Jesus, como nos ajuda a descobrir o valor da nossa própria fé.

       Em Lucas (Lc 2,52) diz-se concretamente que Jesus “ia crescendo em estatura, sabedoria e graça diante Deus e dos homens”. Assumiu todas as consequências da sua encarnação tais como a lei e a maturidade humana e as consequências do nosso pecado, como a ignorância e as tentações. Em tudo igual a nós, menos o pecado. Viveu uma humanidade muito mais profunda do que qualquer um de nós, e, na sua humanidade, encontrou no mais íntimo de Si mesmo o próprio Deus. Jesus sabe-se unido ao Pai com uma intimidade total e desconhecida para qualquer de nós.

       Apesar do Novo Testamento não falar expressamente da fé de Jesus, não há dúvida de que Se lhe atribui uma atitude de fé. Jesus é o autêntico crente em Deus, que promove entre os homens uma nova fé. Ele percorreu o nosso caminho de fé como modelo e percursor e fê-lo como nós no obscuro da terra e a partir da terra. Foi aí, que praticou a esperança e a obediência no meio de contradições, súplicas e lágrimas, superadas e transformadas em Amor. É o homem total porque foi o totalmente crente. Jesus é o primeiro dos crentes o “pioneiro” e nós, temos de percorrer o mesmo caminho com a mesma atitude.

 

       2. Que significa ter fé?

       Para São João a fé é uma entrega total e confiada na pessoa de Jesus. Segundo São Paulo, a fé está intimamente ligada à atitude de obediência (Rm 6,16-17;15,18) e à confiança (Rm 6,8; 2Cor 4,18; 1Tes 4,14). Na Carta aos Hebreus (11), a fé é a certeza de uma realidade que não se vê, a qual vai ligada à firme confiança na promessa e obediência fiel do homem a Deus. Esta atitude fundamental, que na Bíblia se chama fé, é, certamente, a atitude que define o mais íntimo e típico de Jesus. Ele entrega-se incondicionalmente ao Pai e aceita os seus planos em docilidade, confiança e abandono, mesmo nos momentos mais obscuros. Deste modo Jesus é o criador e consumador da nossa fé. Jesus fundamenta o poder de fazer milagres na fé que o anima “tudo é possível para aquele que tem fé” (Mc 9, 19.22-23). A força com que Jesus atua é a força de Deus.

 

       3. A fé cristã

       Para nós cristãos, crer em Jesus é fundamentalmente crer no que Ele acreditou e esperar a libertação que Ele esperou e alcançou. A fé de Jesus confronta o homem com a realidade de “Deus” em Quem acreditou e com os deuses oficiais, aos quais se opôs tenazmente. Pela sua humanidade Jesus é o caminho para levar os homens a fiarem-se de Deus, como Ele Se fiou e a ser de Deus como Ele foi.

       A fé de qualquer pessoa, como a de Jesus, tem que ser realizada na confiança e abandono nas mãos de Deus, muitas vezes, no escuro e na solidão da cruz. Crer é o mesmo que aceitar Jesus, mas não de qualquer maneira, mas precisamente em atitude crente no meio da dor.

       Diz-nos a Carta aos Hebreus (12,1-2): “corramos com perseverança a prova que nos é proposta, tendo os olhos postos em Jesus, autor e consumador da fé”. Neste texto, Jesus é apresentado como modelo perfeito dos crentes, aquele que levou a fé à plenitude da sua perfeição, experimentando-a na sua própria vida, numa situação humanamente muito dura, ao ter de escolher entre o gozo e a cruz, passando por cima das ofensas e desprezos. Jesus é, o modelo perfeito de fé perseverante.

       São Paulo considera Cristo como o primeiro ressuscitado, o irmão mais velho na glória, que viveu já como ressuscitado na história, por ter vivido plenamente a fé.

 

04.03.12

Se Deus está por nós, quem estará contra nós?

mpgpadre

       1 – "Se Deus está por nós, quem estará contra nós? Deus, que não poupou o seu próprio Filho, mas O entregou à morte por todos nós, como não havia de nos dar, com Ele, todas as coisas? Quem acusará os eleitos de Deus? Deus, que os justifica? E quem os condenará? Cristo Jesus, que morreu, e mais ainda, que ressuscitou e que está à direita de Deus e intercede por nós?"

       Duas certezas inabaláveis na nossa vida terrena: a morte e o amor (de Deus).

       O mal – expressão/manifestação da morte – é mais visível, mostra-se com mais facilidade, preenche as páginas dos (tele)jornais, choca mais, entra-nos pelos olhos, enquanto o bem muitas vezes passa despercebido.

       O amor – para além do mal e da morte – gera a vida. O amor é criativo, inventa a arte, a música, a beleza, a comunhão entre pessoas e povos. Se o amor não existisse, o mundo já há muito tinha desaparecido do mapa. O amor guarda a história, cimenta a cultura, constrói as civilizações, protege-nos do deserto da solidão e do abandono.

       Para o crente, o amor é mais forte que a morte e tem um nome: DEUS. O AMOR é Deus e Deus é Amor, é origem e sustentáculo do amor humano. O Apóstolo São Paulo, na sua epístola aos Romanos, na segunda leitura, coloca em evidência esta ligação a Deus, que nada poderá aniquilar. Deus está por nós. Ama-nos. Vem ao nosso encontro. Protege-nos como uma mãe a um filho que muito ama. Tal é o Seu amor que nos dá o Seu próprio Filho. Não O poupa ao sofrimento e à morte. Em Jesus, o amor de Deus vai até ao fim, até Se esvair em sangue, até a vida biológica se extinguir. 

       Abraão é testemunha privilegiada do amor de Deus e de como Deus Se coloca a nosso favor. "Abraão, Abraão, não levantes a mão contra o menino, não lhe faças mal algum... porque obedeceste à minha voz, na tua descendência serão abençoadas todas as nações da terra". Deus não poupa o Seu filho por amor à humanidade, poupa a humanidade, por amor.

        O mandamento de Deus é categórico: "Não matarás... não levantes a mão contra o teu filho... contra o teu irmão". Se assim for, a bênção espalhar-se-á pelas gerações.

 

       2 – Preparamo-nos para a Páscoa, acontecimento fulcral da história da salvação, acontecimento fundante da Igreja. Deus entra na história e no tempo, entranha-Se na humanidade, por Jesus Cristo. N'Ele, Deus feito homem, somos enxertados na vida de Deus. Com a ressurreição de Cristo, a nossa natureza humana é colocada à direita de Deus Pai. Nem o tempo nem a eternidade, nem a vida nem a morte nos separa do amor de Deus, pois Ele está por nós, como refere São Paulo.

       No episódio que o Evangelho deste domingo nos apresenta – a TRANSFIGURAÇÃO – Jesus irradia a presença luminosa de Deus, fazendo-nos vislumbrar os tempos da ressurreição e da eternidade.

       "Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João e subiu só com eles para um lugar retirado num alto monte e transfigurou-Se diante deles. As suas vestes tornaram-se resplandecentes, de tal brancura que nenhum lavadeiro sobre a terra as poderia assim branquear. Apareceram-lhes Moisés e Elias, conversando com Jesus. Pedro tomou a palavra e disse a Jesus: «Mestre, como é bom estarmos aqui! Façamos três tendas: uma para Ti, outra para Moisés, outra para Elias». Não sabia o que dizia, pois estavam atemorizados. Veio então uma nuvem que os cobriu com a sua sombra e da nuvem fez-se ouvir uma voz: «Este é o meu Filho muito amado: escutai-O»".

       Como aquela que está para ser mãe vai vivendo na expetativa, com o vislumbre do filho que vai chegar, através das ecografias, das fotos intrauterinas do feto, e experimentando a vida nova pelos movimentos no seu ventre, assim Jesus mostra, em antecipação, os tempos futuros, para solidificar confiança nos seus discípulos mais próximos. A alegria definitiva, a LUZ da ressurreição, transparece nesta epifania de Jesus. Uma evidência que nos envolve e desafia: no meio do quotidiano e da turbulência da vida atual é possível extrair luz, paz, vida, amor, encontro com Deus.

 

       3 – Uma certeza e uma tarefa neste segundo domingo da Quaresma.

       A certeza, que clarifica a nossa postura existencial: quanto mais perto de Deus e do Seu amor, mais distantes estaremos da morte e das suas manifestações (mal, injustiças, mentira, corrupção, conflitos, pobreza, distúrbios afetivos e emocionais).

       A tarefa (de sempre): escutar. A transfiguração faz-nos vislumbrar a Páscoa, cativando a nossa atenção, ajudando-nos a enquadrar o tempo presente, perpassado de alegrias e dores, temperado com mil cores de bem, de beleza e de amor, e de dúvida, conflito e de morte. O olhar não engana, mas por ora é a voz que ressoa nos nossos ouvidos: "Este é o meu Filho muito amado: escutai-O".

       A certeza facilita a tarefa de escutar Jesus, procurando que a Sua palavra se transforme em vida, cimentando e aprofundando em nós as marcas da ressurreição e do amor de Deus, sintonizando-nos com as pessoas que são pedacinhos de Deus, e despertando o nosso olhar para a LUZ que d'Ele nos chega.


Textos para a Eucaristia (ano B): Gen 22,1-2.9a.10-13.15-18; Rom 8,31b-34; Mc 9,2-10.

 

Reflexão Dominical na página da paróquia de Tabuaço.

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