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Escolhas & Percursos

...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...

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20.02.12

51. Aprenda a dizer não (com razões razoáveis) para valorar o sim.

mpgpadre

Aprenda a dizer não (com razões razoáveis) para valorar o sim.

Há muitas situações em que temos de dizer não.
Não por birra, ou por maldade, ou por orgulho, ou por que nos apetece chatear os outros, ou porque dessa maneira mantemos a nossa posição, ou porque não nos queremos comprometer.

Há muitas situações que seria mais fácil dizer sim, mas para sermos honestos e justos temos que responder (claramente) não. Falo também por experiência própria nas comunidades paroquiais como na escola (enquanto professor de EMRC).
O que nos pedem, e a forma como o fazem, graúdos e miúdos, enternece-nos, mas nem sempre é o caminho da verdade. Porque também nem sempre o caminho mais fácil é o que nos leva mais longe e ao destino certo.

Na liturgia da Palavra deste Domingo, escutávamos, na segunda epístola de São Paulo aos Coríntios, que Deus responde sempre SIM às Suas promessas, a favor de toda a humanidade. O Apóstolo e os seus companheiros procuram também que a sua linguagem, para a comunidade, seja sempre sim, e não alternadamente, umas vezes sim e outras não. Sempre sim.
No Evangelho, e como refletíamos ontem, Jesus convida à transparência na linguagem: "sim, sim" e "não, não".
São duas formas que apostam na transparência e na benevolência. Não há que enrolar os outros com meias verdades, e no caminho da prática cristã o sim é ponto de partida, de chegada, é alimento, é sustento da fé.

No caso presente - e mais uma vez não pretendemos ser nem taxativos nem definitivos, estamos a caminho, a partilhar e a aprofundar alguns pensamentos (positivos) - trata-se de não termos medo daquilo que o nosso não possa provocar. Obviamente, não dizemos não para irritar o outro, ou para lhe fazer mal, mas dizemos "NÃO" quando a verdade e a caridade o impõem. Sublinhamos: verdade e caridade. Havemos de cá voltar. A sinceridade por vezes é desculpa para ofendermos os outros e a sua dignidade. Tenho de ser sincero... e digo o que me dá na real ganha sem olhar à pessoa que tenho diante de mim (não confundir com outra situação: sou brando e  agressivo, conforme a simpatia que a pessoa gera em mim - este seria um caso típico de acepção de pessoas).

Queremos ser agradáveis e dizemos sim. É mais fácil... a não ser que nos estejam a pedir algo, ou a pedir o nosso tempo e trabalho, aí o sim pode já não ser do nosso agrado. Mas sempre é mais simples, mais gratificante, mais cómodo, dizer sim. Como pais, como educadores, quantas vezes a tentação de dizer sim é maior?! Na volta temos sorrisos, palavras agradáveis, boa disposição. É da nossa natureza, dizendo sim conseguimos um fácil aplauso e/ou louvor.
Aliás, é bom dizer sim e sentirmo-nos bem porque fomos e pudemos ter sido prestáveis. Mas que o sim não tenha como fim o aplauso fácil. Que seja um sim convicto, consciente, e que dignifica a nossa postura, procurando a tal coerência de vida, dizemos "sim" porque está de acordo com as nossas convicções.

Se dizemos "não", temos amuos, contestação, indisposição, irritação.
Quantos filhos não quereriam ter pais que lhes dissessem "não", quantos filhos não gostariam que os pais um dia lhes tivessem dito não! Na adolescência e na juventude, os pedidos dos filhos por vezes são forma de testarem os pais, são momentos de afirmação e são ocasiões para o pais/educadores dizerem "não" (quando se justifica) e explicar porquê. Dar razões. Confiar neles. Do mesmo jeito, quando for possível dizer sim. Confiar. Estar atento. Ser claro. Ouvir as razões do filho/aluno. Não ter medo de fazer concessões, até como forma de responsabilizar. Não há vitórias ou derrotas no relacionamento humano. Há ganhos, crescimento, partilha, enriquecimento mútuo. Nunca ganhamos à custa do sofrimento do outro. Nunca sairemos vencedores de um conflito emocional/afetivo. Sairemos todos a perder. Vale a pena apostar no diálogo, na compreensão. Nem sempre é fácil. Ou quase nunca é fácil. E neste campo, depende muito de pessoa para pessoa e também das pessoas que estão frente a frente.

Se um filho ou um aluno não tiver limites, não saberá distinguir o certo do errado, o justo do injusto, o verdadeiro da mentira, a liberdade da libertinagem.
Uma das histórias da minha infância é sintomática. Aprendi com os meus pais, mas também na escola (ou vice versa): um homem foi condenado à morte por roubar. Já várias vezes tinha sido denunciado. E foi condenado à morte na forca. como último desejo pediu para beijar a mãe, quando estava com a corda no pescoço. A mãe aproximou-se e o filho (mesmo ladrão continua a ser filho querido) arrancou-lhe o nariz com os dentes. E deu a sua explicação: quando eu era pequenino e cheguei a casa com uma agulha (roubada), se a mãe não a tivesse aceitado, mas perguntado onde a tinha encontrado e me tivesse obrigado a devolvê-la e me desse duas bofetadas (hoje já não se usam bofetadas, passou de moda), talvez eu nunca me tivesse tornado ladrão e hoje não estaria aqui.

Trata-se mais uma vez do justo equilíbrio e que na prática, no concreto do dia a dia, não é fácil, sobretudo para os pais a tempo inteiro (isto é para os pais que realmente se preocupam e acompanham o crescimento dos filhos).
Há que não ter medo de dizer "NÃO". Os filhos precisam de ouvir o "não" firme dos pais, reconhecendo a sua preocupação e o seu amor. Ninguém diz "não" para chatear os filhos. Penso eu. Ou para chatear os alunos. Penso eu que não. Ou para chatear as pessoas a quem se diz não...

Quando se equilibra o não com o sim, procurando o melhor para aqueles que estão ao nosso encargo, então quer o não quer o sim serão compensadores, se levarem a uma vida mais saudável e se resultarem do melhor que há em cada um...
Do dizer ao fazer vai um longo caminho... mas podemos começar... o caminho faz-se caminhando, às vezes tropeçando, ou caindo... importa não desanimar. Deus caminha connosco e nos outros podemos encontrar-nos com Ele.

19.02.12

50. Quero seguir-Te, Senhor...

mpgpadre

Quero seguir-Te, Senhor...

Este tema integra o projecto "Bom Mestre", que reúne os hinos das Jornadas Diocesanas da Juventude, sendo o Pe. Marcos Alvim o autor da maioria das letras e das músicas. Este projecto foi editado pelo SDPJ de Lamego e Edições Salesianas.

Quero seguir-Te (XVI Jornada da Juventude – Tabuaço 2001)
Letra: Pe. José Augusto Marques
Música: Pe. Marcos Alvim

Quantas vezes vagueei pelo mundo,
À procura dum sentido para a vida!
Procurei-o no prazer mais profundo,
Na beleza e na ilusão desmedida!

Quero seguir- Te,
Esquecer-me de mim,
Tomar a Tua cruz até ao fim!
Quero amar-Te no rosto do irmão,
Assumir a sua dor,
Viver o Teu perdão.

Sinto a felicidade que sonhei,
És Tu, Senhor, em mim, a revelar-Te!
Com a alma a transbordar, eu serei
Uma chama de luz a proclamar- Te!

Há um ano atrás, na Semana de Formação Bíblica e que terminava com o concerto de oração do Pe. Marcos Alvim, utilizámos esta canção para refletir, rezar e cantar.
Hoje sugerimo-la do mesmo jeito, ainda que nesta aldeia global.

Meditação (adaptada) das Edições Salesianas, para esta música:

A vida quase se resume a duas decisões importantes. A primeira é saber se queremos viver a vida em movimento ou parados. Procurando algo melhor e maior ou resignando-nos à mediocridade. A segunda é a decisão sobre a meta. Se nos decidimos pelo movimento contra o imobilismo da morte, convém saber bem para onde queremos ir.
Que procuramos? O que queremos encontrar? O que é que pode encher o nosso coração de beleza e sentido?
Podem parecer-nos perguntas vagas, difíceis... Perguntas a que se responde... "mais tarde". Mas são as perguntas mais urgentes.
Quando não investimos o melhor das nossas energias a escolher o rumo dos nossos passos, o objecto dos nossos desejos profundos, há sempre alguém que escolhe por nós. Alguém que decide que para sermos felizes não precisamos mais do que consumir objectos, emoções ou relações. Alguém que decide por nós que é inútil voar alto.
Neste processo de escolha, não estamos sozinho. Podemos escutar as vozes de outros, da nossa família, daqueles que nos amam e que realmente gostam de nós. Daqueles que, como nós, também procuram uma vida cheia, plena, abundante. Podemos escutar a voz de Jesus de Nazaré.
Ele sugere um caminho exigente. Mas viável. Um caminho que pede maturidade. Mas que, ao mesmo tempo, nos faz crescer interiormente.
Resumindo, Jesus propõe que vivamos a nossa vida numa busca constante do amor. Que as nossas mãos deixem de agarrar tudo o que passa à frente para passarem a dar. Que descubramos que só ao darmos aos outros a nossa vida encontramos a nossa verdadeira vocação.

19.02.12

Todas as promessas de Deus são um sim em seu Filho

mpgpadre

       1 – Deus responde-nos sempre sim. Mesmo quando Lhe dizemos não, Deus não desiste de procurar-nos, de nos dar sinais e de enviar mensageiros.

       Mas escutemos a poesia que nos chega do Apóstolo Paulo e que nos recorda o sim permanente de Deus, que devemos imitar: "Porque o Filho de Deus, Jesus Cristo, que nós pregamos entre vós – eu, Silvano e Timóteo – não foi sim e não, mas foi sempre um sim. Todas as promessas de Deus são um sim em seu Filho. É por Ele que nós dizemos ‘Ámen’ a Deus para sua glória".

       Certamente que estamos cientes duma passagem do Evangelho em que Jesus, de forma inequívoca, desafia que a linguagem seja "sim, sim" e "não, não", mas num contexto diferente do presente. Jesus falava da necessidade de sermos coerentes entre as palavras que proferimos e a vida que levamos e que no trato com o nosso semelhante sobressaísse a transparência de quem ama e se dá aos outros.

       Uma perspetiva que, ao fim e ao cabo, implica o mesmo compromisso: estar diante das pessoas com o melhor de nós mesmos, respondendo de forma a exprimir, a viver, a multiplicar a caridade. É a vida de Deus. Há de ser a nossa vida. Em Deus é um SIM contínuo, pleno, repleto de Amor. Em nós é um sim que se vai solidificando, com o perigo de se desvanecer em hesitações, cansaços, dúvidas e até recuos. Mas a lentidão do nosso sim não nos deve levar à desistência mas à insistência.

 

       2 – A postura de Jesus, ao longo da Sua vida pública, certamente espelho da sua vida anterior e privada, em Nazaré, junto dos seus familiares, revela o Rosto de um Deus próximo, Pai, Amigo, que Se enternece, que Se compadece. Em Jesus, Deus atende às necessidades daqueles que encontra e/ou que vêm ao Seu encontro, pois já ouviram falar d'Ele, no seu íntimo a ânsia por encontrar "o tal" Messias.

       Depois da primeira jornada de Cafarnaum (veja-se a homilia de D. António, Bispo de Lamego, na tomada de posse), Jesus regressa e são muitas as pessoas que voltam para O escutar, para O rever. Eis que quatro homens fazem descer um paralítico, através da abertura do teto, pois de outro modo seria impossível aproximar de Jesus.

       Ao ver a fé daquela gente, Jesus disse ao paralítico: «Filho, os teus pecados estão perdoados». Estavam ali sentados alguns escribas, que assim discorriam em seus corações: «Porque fala Ele deste modo? Está a blasfemar. Não é só Deus que pode perdoar os pecados?» Jesus, percebendo o que eles estavam a pensar, perguntou-lhes: «Porque pensais assim nos vossos corações? Que é mais fácil? Dizer ao paralítico ‘Os teus pecados estão perdoados’ ou dizer ‘Levanta-te, toma a tua enxerga e anda’? Pois bem. Para saberdes que o Filho do homem tem na terra o poder de perdoar os pecados, ‘Eu to ordeno – disse Ele ao paralítico – levanta-te, toma a tua enxerga e vai para casa’». 

       Jesus diz sim à fé daquelas pessoas e transporta-as para mais longe. As necessidades físicas são fundamentais, mas sem descurar a vida espiritual. Melhor, as necessidades corporais só são verdadeiramente satisfeitas na envolvência do mundo espiritual. Um corpo são num mundo afetivo e espiritual desfragmentado não existe. Se as dores físicas passam para a disposição, a deficiência espiritual torna o corpo pesado, fraco, doente, paralisando-o.

 

       3 – O perdão é parte essencial da cura. Isso mesmo o mostra Jesus. Obviamente, não confundir, o mal físico não é, de modo nenhum, consequência do pecado, como Jesus o dirá noutra ocasião, mas em muitas doenças do nosso tempo a falta de perdão equivale à falta de cura. Perdoar-se a si mesmo, tolerando as próprias fraquezas. Perdoar aos outros, reconhecendo-os como irmãos e sabendo das próprias fraquezas e limitações, acolher o perdão vindo de Deus, que salva, que resgata, que nos introduz numa vida nova.

       Um dos elementos fundamentais que Jesus traz é precisamente o perdão dos pecados. É um "privilégio" de Deus, mas um "privilégio instrumental", a favor de todo o povo, da humanidade inteira, livrar do pecado, do mal, dando-nos uma nova oportunidade, de vivermos em Deus e a partir d'Ele, numa vida em abundância.

       É o que sucede também com o povo de Israel, antecipando o tempo de Jesus Cristo e do Seu Corpo que é a Igreja. Ao povo é dada uma nova oportunidade, uma nova vida, não em atenção aos méritos, mas ao sim de Deus, à Sua misericórdia e benevolência. Deus esquece, perdoa os desvios e os pecados, reintroduzindo uma nova dimensão, a vida nova que se adquire pelo perdão: "Eis o que diz o Senhor: «Não vos lembreis mais dos acontecimentos passados, não presteis atenção às coisas antigas. Eu vou realizar uma coisa nova, que já começa a aparecer; não o vedes? Vou abrir um caminho no deserto, fazer brotar rios na terra árida. O povo que formei para Mim proclamará os meus louvores... Sou Eu, sou Eu que, em atenção a Mim, tenho de apagar as tuas transgressões e não mais recordar as tuas faltas".

       Em Deus um sim permanente. Procuremos que a nossa vida seja um sim a Deus, efetivando-se no nosso sim aos outros.


Textos para a Eucaristia (ano B): Is 43,18-19.21-22.24b-25; 2 Cor 1,18-22; Mc 2,1-12.

 

Reflexão Dominical na página da Paróquia de Tabuaço.

18.02.12

49. Rir de si mesmo... ...para viver mais tempo e com mais qualidade de vida.

mpgpadre

Rir de si mesmo...
...para viver mais tempo e sobretudo com mais qualidade de vida.

Por vezes levamos a vida demasiado a sério, colocando-lhe uma carga tempestiva e destrutiva que ela não tem. Obviamente que há momentos na vida de uma pessoa (ou mesmo de uma comunidade inteira, ou de uma família) que não são nada fáceis, sabendo-se contudo que de pouco adianta chorar pelo leite derramado. Se a tristeza pagasse dívidas, haveria muitas pessoas que que já tinham saldo positivo. Mas infelizmente não. Pouco resolvemos se nos indispusermos com o mundo, com a família, com os amigos ou até mesmo com Deus atribuindo-Lhe as culpas da insatisfação pessoal e atual. Não é que Deus não seja bom ouvinte...

Há dias, ouvia, e já estou a desviar um pouco, ouvia um comentário muito significativo a este propósito. Aquela pessoa, era uma pessoa concreta, com nome próprio e tudo, com família, não merecia o que lhe fizeram e referia-se a familiares. Embora tenha sido referido de uma pessoa concreta, certamente já o ouvimos em relação a muitas pessoas. No final, a conclusão de quem se lamentava pela pessoa amiga foi: "Eu costumo dizer que Deus 'castiga' os melhores"... Já Santa Teresa dizia a Jesus: Tratas assim os amigos, não podes ter muitos. Mais coisa menos coisa. Em todo o caso, e não poderia deixar de rebater, se foram pessoas da família que colocaram a pessoa naquela situação, como concluir que foi Deus? Se foi a família, então parte essencial da responsabilidade é das pessoas que lhe fizeram o que fizeram e da própria, ainda que de forma inconsciente e/ou, que deixou que lho fizessem, ou lho fizessem daquela maneira, ou que se deixasse magoar naquela situação. O relacionamento humano às vezes é bem confuso e complexo!

Mas voltemos ao ponto de partida.
A vida nem sempre é fácil. Como a rosa que tem espinhos. Espinhos que defendem a beleza da rosa, como o esforço que fazemos, por vezes sacrifício, que engrandecem, justificam e valorizam o resultado final. A caminhada é tão ou mais importante que a chegada.
Mas temos que descomplicar. Analisar para ver o que vale mesmo a pena, aquilo pelo qual vale a pena discutir ou até chatear-se.
Claro que cada pessoa é única e irrepetível, e cada pessoa reage a seu modo. Basta uma alfinetada (no sentido real, mas também no sentido simbólico) para alterar todo o sistema e colocar os motores todos a trabalhar ao mesmo tempo, atropelando-se mutuamente emoções, sentimentos, razão, pensamentos, desvarios.
A sensibilidade é diferente de pessoa para pessoa e por vezes a mesma pessoa, por diferentes motivos, pode alternar facilmente nas reações a situações idênticas. A sensibilidade e os motivos. Como dizíamos, há momentos tão dolorosos que não permitem sorrir.
Sorrir deveria ser uma opção de vida. Os outros não têm culpa das nossas indisposições. Mas também não é possível separar-nos, deixando a indisposição no trabalho ou em casa, para onde vamos, vão também as nossas preocupações, as nossas dores os nossos sonhos e projetos. Também o dizemos muitas vezes, como exemplo, participar na Missa festivamente, como que esquecendo-se dos problemas... mas também à oração levamos a nossa vida toda!

O convite de hoje: rir de si mesmo. Ser palhaço, ainda que por um instante, da própria vida, e das situações que até podem ter uma carga negativa e sacrificial. Quando as coisas estão mais frios, escuras, fundas, procure rir ou sorrir.
É mais fácil sorrirmos para os outros, mesmo que a alma esteja a sangrar por dentro.
É mais fácil rir dos outros e das situações caricatas que fazem, ou cinicamente, rir da vida e da situação dos outros. É de todos conhecida esta pequena história: um homem já ao psiquiatra, pois a sua tristeza é do tamanho do mundo e já não sabe o que fazer. O psiquiatra dá-lhe uma sábia recomendação. Todos os dias, na praça, há um palhaço que faz rir toda a gente e é uma terapia para muitos. O homem simplesmente responde: "Esse palhaço, que faz rir toda a gente, sou eu".
Às vezes é mais fácil rir/sorrir para os outros. E dever ser uma opção de vida que nos salva e traz saúde.
Mas, do mesmo modo, fazer o esforço por rir de nós, para que a vida seja mais leve, ainda que em breves instantes, qual medicamento que se toma faz efeito e depois passa, mas no caso, o rir de nós, tornar mais leve a nossa vida, pode ser oportunidade para que a saúde volte para nós e para aqueles que nos rodeiam.

"Todavia, saber o aspeto divertido da vida e a sua dimensão alegre, e não levar tudo tragicamente, isso, eu considero importante - diria até que é necessário... Um escritor afirmou que os anjos podem voar porque não levam as coisas tão a sério... Talvez pudéssemos voar um pouco mais se não nos déssemos tanta importância" (Cardeal Joseph Ratzinger/Papa Bento XVI).

Este elemento introduzido por Bento XVI é muito importante.
Voltemos a ler: não nos demos tanta importância. Só Deus é Deus. Não podemos resolver todos os problemas do mundo, às vezes, nem todos os problemas que nos afligem, em casa, no trabalho, com a família, com os amigos, com os conhecidos. Tudo tem o seu tempo. Há problemas, como já referimos por aqui, que se resolvem mesmo que não nos preocupemos. Há problemas que não se revolvem por mais que nos preocupemos. Então procuremos viver, com alegria, e sobretudo com amor, com paixão, sem dramatismos, só Deus é Senhor da História e do tempo. Como pessoas não somos insignificantes, somos as asas de Deus para florir o mundo que é o nosso.

17.02.12

48. Exercitemos a gratidão para nos tornarmos mais humanos

mpgpadre

Exercitemos a gratidão para nos tornarmos mais humanos, reconhecendo os outros, todos aqueles que contribuem, pouco ou muito, para que sejamos o que somos.

A gratidão coloca-nos num patamar que nos engrandece e promove saudavelmente os outros. Quem não sabe agradecer, também não sabe valorizar a história que herdou, ou a vida que floresce à sua volta.

No evangelho, a um dado momento, Jesus cura 10 leprosos. No final só regressa um para agradecer, louvando a Deus. É nesse contexto que Jesus fala da gratidão ou falta dela: «Não foram dez os que ficaram purificados? Onde estão os outros nove? 18Não houve quem voltasse para dar glória a Deus, senão este estrangeiro?» (Lc 17, 17-18).
Obviamente, quando Jesus decide curá-los não está a pensar em Si mesmo, ou nos louvores que Lhe seriam retribuídos, mas tão somente quer a qualidade de vida que vai proporcionar àquelas pessoas. Mesmo que intuindo a ingratidão futura, Jesus não hesita e cura-os. Além do mais, não era um agradecimento tanto pessoal como de louvor e glorificação de Deus e pelas maravilhas operadas a favor de todo o povo.

A gratidão irmana com outra qualidade fundamental para a vivência solidária e inclusiva (de todos na sociedade que nos rodeia): a HUMILDADE. Diríamos que só uma pessoa verdadeiramente saberá da força purificadora e sublime da GRATIDÃO, pois só na humildade que nos reconhecemos como irmãos, só na humildade e gratidão reconhecemos o valor dos outros e dos seus gestos, a importância que têm na nossa vida e como nos fazem bem à saúde.

Quem não sabe agradecer não tem memória. Quem não tem memória vive ao sabor dos ventos, sem orientação, sem raízes, sem referências, sem história, sem família, de onde partir e onde regressar.

A ingratidão configura arrogância e prepotência. Aquele que se considera autosuficiente, sem necessidade de ninguém à sua volta, sabendo-se que a nossa comodidade de vida atual dependem de milhares pessoas do passado e do presente. Sem esses pessoas e o seu trabalho, engenho e arte, estaríamos na pré-história.

São conhecidas algumas expressões curiosas sobre a ingratidão: "cuspir no prato em que se come", "morder a mão daquele que nos alimenta", "pagar o amor com o desamor".

Mais uma vez, para lá da reflexão genérica, também hoje se pode adequar (e muito) à vida quotidiana e concreta.
A gratidão também se exercita.
Por vezes, tão habituados a tudo o que fazem por nós, que nem nos damos conta do quanto dependemos dos outros e o quanto estamos gratos ao seu esforço e dedicação. Agradecer a Deus a vida, o dia, as pessoas que Ele coloca cada dia à nossa beira. Seríamos selvagens se estivéssemos sós no mundo. Agradecer a quem nos faz a refeição, a quem nos abre a porta, a quem nos emprestou um lápis. O exercício da gratidão faz bem aos outros, mas também nos sabe bem.

A gratidão também nos salva.
Um obrigado/a é uma forma de reconhecer o outro, como pessoa, que existe, existe diante de mim e comigo, e o que ela fez/faz por mim constantemente. Estou-te (muito) grato/a por mais este gesto que me faz viver, me faz sentir vivo, que me lembra que o que faço também é importante, e também é importante para ti. A gratidão pode incluir aquele/a que vive para si, isoladamente.
Agradecer é reconhecer a grandeza do outro na minha vida, pois sem ele/ela não existia. Os meus pais, os meus irmãos, a pessoa que encontro ao longo do dia, o padeiro, o vendedor, o eletricista, o funcionário que me atende, aquele/a que me saúda pela tarde...

O desafio para hoje: exercitar a gratidão.
Por vezes é mais fácil pedir perdão, do que dizer obrigado/a. Diga-o muitas vezes, mesmo àquelas pessoas que têm a "obrigação" de o atender/servir. Vai-lhes valorizar o que fazem, por vezes de forma monótona e cansada, mas um obrigado e um sorriso, a acompanhar, é um lenitivo até para os mais cansados e desiludidos. E também assim educamos os que estão à nossa volta. Se não soubermos o valor de um "obrigado/a", poderemos não saber apreciar a beleza da vida que nos envolve...

16.02.12

47. Olhar para o mundo, para as coisas e sobretudo para os outros com o olhar de Deus

mpgpadre

Olhar para o mundo, para as coisas e sobretudo para os outros com o olhar de Deus.
Como nos lembrava o poeta português, Fernando Pessoa, se olharmos para os outros com o olhar meigo e puro de Deus, os nossos juízos de valor e as nossas descobertas serão diferentes. Voltamos à perspetiva de ontem: encontramos nos outros o que procuramos, ou seja, o nosso olhar sobre os outros é decisivo. Não é o que ele é, mas o que eu vejo, ou como vejo. A mesma pessoa pode ser vista de maneira diferente, pela mesma pessoa em ocasiões diferentes, ou com disposições diferentes, ou ser vista de maneira diferente por duas pessoas diferentes. O nosso olhar, e tudo o que está por detrás deste nosso olhar, é que nos define quem é o outro. Pode ser criminoso e podemos conseguir ver uma pessoa humana, sensível, amável. Pode ser um santo e nós vermos nessa santidade apenas farsa, cinismo.

Precisamos de nos olhar nos olhos, olhos nos olhos, face a face, rosto que irrompe pela nossa vida, e que nos interpela, nos desafia.
Precisamos do olhar do outro para nos sentirmos gente.
Os outros precisam do nosso olhar para se sentirem gente.
Há olhares que salvam, que protegem, que envolvem, que desafiam, que promovem, que resgatam, que elevam, que nos orientam para o futuro, para Deus.
Há um pequeno vídeo que está disponível na internet sobre uma criança que chora, esperneia, porque os pais (ou algum outro familiar), o estão a ver. Logo que o seu campo de visão deixa de ver os familiares, ele cala-se, levanta-se, à procura deles. Logo que volta a vê-los deita-se ao chão e começa a fazer fitas.
Diz bem da realidade.
Precisamos de ver e de ser vistos. Ou traduzindo: precisamos de amar e ser amados e de nos sentirmos amados/olhados.

Se alguém já teve contacto com as galinhas, sucede um pouco como nas pessoas. A galinha põe o ovo, e fica a cacarejar até que o/a dono/a vai ao seu encontro e tira o ovo do galinheiro, a galinha sossega, pois viu aquele que o alimenta.

"Todos buscamos nos olhos do outro a evidência de que existimos, a certeza de que sabemos amar, de que somos capazes de relações verdadeiras, a garantia de que temos valor para alguém, de que merecemos atenção, interesse, talvez amor. Quem, pelo contrário, está sozinho é levado até a duvidar de si mesmo" (ERMES RONCHI, Os Beijos não dados. Tu és a Beleza. A amizade é a mais importante viagem. Paulinas 2012.)

No Evangelho sobressai, em muitas ocasiões, o olhar de Jesus, que acolhe, que perdoa, que desafia, que salva. Olha para a multidão, olha em redor, fita o seu olhar, deste e daquele. Olha para Pedro no momento da negação. Olhar para Judas. Pedro acolhe o olhar do Mestre e arrepende-se. Judas foge ao olhar de Jesus, não por falta de confiança no amor e no perdão do Mestre, mas por vergonha, deixa que esta seja mais forte que o olhar de Jesus.
Jesus olha para Sua Mãe, nas Bodas de Canaã e no alto da Cruz: viu a Sua Mãe e ao pé dela viu o discípulo amado.
Olha para Zaqueu e nesse olhar dá-se o encontro redentor. Zaqueu sente-se visto por Jesus e converte a sua vida.
Há olhares que matam.
Há olhares que salvam.
Há olhares que perdoam e transformam a vida.
Jesus olha para a mulher adúltera, mas também para aqueles que a queriam condenar. É um olhar de ternura, de compreensão, de redenção. Vai e não voltes a pecar.
Jesus olha para o alto, para Deus, constantemente, de onde Lhe vem a força e o alimento. E depois olha com o olhar do Pai para cada pessoa que se cruza no seu caminho. Procuremos que o nosso olhar seja purificado com o olhar de Deus, para nos reconhecermos como irmãos.

Célebre aquela página em que Jesus convida a equilibrar o nosso olhar: "Porque reparas no argueiro que está na vista do teu irmão, e não vês a trave que está na tua vista?" (Mt 7,3).

 

Faz lembrar uma pequena estória: uma vaca que só comia trevos de quatro folhas, para dar sorte. O dono procurava por todo o lado, sabendo da mania da sua vaca. Mas precisava dela para dar leite, e depois para vender por um bom preço. Pensou, pensou, pensou, pensou. Comprou uns óculos para a vaca e neles pintou um trevo de quatro folhas. A partir de então a vaca só via trevos de quatro folhas e comia regalada. Muitas vezes a realidade que nos circunda é valorizada conforme o nosso olhar, depende dos óculos que usamos. De nosso, olhar com o olhar de Deus.

Há olhares que salvam.
Há olhares que matam.
Olhar envergonhado, olhar maldoso, olhar perverso e manhoso, olhar desconfiado, olhar cínico.
Olhar de desafio e de compaixão. Olhar de ternura, da mãe para o filho e dos filhos para os pais.
Olhar apaixonado e fresco de namorados e o olhar cansado, que se desvia e esconde, de tantos relacionamentos que a falta de atenção, de diálogo e de compreensão, mortificaram.
Há olhares de sofrimento, na dor da perda e do desencanto da vida e de tantos desencontros.
Há olhares que acolhem, serenos, meigos, atentos, vigilantes, envolventes.
E há olhares gastos pelo tempo e pelas agruras da vida.
Há olhares que se escondem, como diria a Mafalda Veiga, para não ver, para não vermos o que um dia havemos de ser, e passa ao lado...
Há olhares de gratidão e olhares de traição.
Há olhares que salvam.
Há olhares que matam.
E destroem, aniquilam, escravizam, humilham.
Os olhos são o que são as almas e as pessoas. Também aqui, a parte vale pelo todo, o olhar, mas sobretudo a pessoa que olha.

Há olhares que salvam, resgatam, puxam para a realidade.
E no olhar de outro(s) me encontro, descubro, "crio" a minha identidade. Não somos ilhas. Precisamos que nos vejam e nos descubram. Precisamos de retribuir o olhar, e também dessa forma nos sentimos vivos. Somos nós, porque estamos perante os outros e perante Deus. Como seria se não houvesse mais ninguém para nos ver? Morreríamos, ou deixávamos de ser humanos.

Há olhares de perdão e de súplica (pedindo ajuda, ou pedindo perdão).
Há olhares esfomeados/famintos. Há olhares melancólicos e olhares sem vida, sem expressão.

O olhar do outro pode ser a minha casa. Relembramos o filósofo francês, E. Levinas, o rosto, onde se encontra o olhar, é essencial, o face a face, um diante do outro. Estar diante do outro, ou o outro diante de mim, em que o rosto, o olhar se torna reconhecimento, apelo, desafio. No olhar o mandamento: não matarás. O outro vem até mim. No olhar do outro posso encontrar-me no melhor que sou, ou no que em mim há de negro. O olhar do outro potencia o que eu sou e o que eu faço. Ainda, do mesmo jeito, dependa muito do meu olhar, como me deixo olhar, como vejo os outros, como me vejo a mim.

E muito mais se pode dizer do olhar.
Que o nosso seja, como o de Jesus, ou como o de Maria, um olhar que resgata, que acolhe, que observa atentamente as necessidades do outro, e que salva.

15.02.12

46. Quem procura encontra.

mpgpadre
Quem procura encontra.

Se cruzar os braços à espera que lhe cai do céu o que deseja, corre o sério risco de ver passar navios. Ou como quem diz, “fia-te na Virgem e não corras”. Neste caso, num sentido um pouco diferente daquele que queremos refletir hoje. Rezar para que Nossa Senhora acuda num teste, ou pedir para ganhar o euro milhões mas sem preencher o boletim de apostas, ou numa qualquer provação, mas sem mexer um dedo para tentar resolver.

 

«Digo-vos, pois: Pedi e ser-vos-á dado; procurai e achareis; batei e abrir-se-vos-á; porque todo aquele que pede, recebe; quem procura, encontra, e ao que bate, abrir-se-á. Qual o pai de entre vós que, se o filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, se lhe pedir um peixe, lhe dará uma serpente? Ou, se lhe pedir um ovo, lhe dará um escorpião? Pois se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do Céu dará o Espírito Santo àqueles que lho pedem!» (Lc 11, 9-13; cf. Mt 7, 7-11).

 

Em muitas situações da vida, só se encontra o que se procura e quando se procura. Muitas vezes, e acontece-nos a todos, por preguiça, por falta de confiança (insegurança), por cansaço, desistimos mesmo antes de procurar. Situações que se revolveriam facilmente, bastava uma palavra, um gesto, um olhar, mas por medo e/ou acanhamento não se tomou a iniciativa. E tudo ficou igual. Ou piorou.

Há uma expressão muito certeira quando solicitámos algo a alguém: o não está sempre certo, vamos tentar o sim. Não temos nada a perder e podemos ganhar – sublinho que no relacionamento humano, e em situações de voluntariado, ou de afetividade, os termos perder e ganhar não são muito ajustáveis, pois não se trata de ganhar ou perder, mas de avançar partilhando e enriquecendo-se mutuamente, ou não.

 

Na reflexão de ontem falámos na direção, ou melhor, na orientação, no sentido da nossa vida. Saber para onde se caminha, para que valha a pena pôr-se a caminho. Ter alguns objetivos, metas, tarefas, por mais pequenas que sejam, para cada dia ou semana, ou mês, para que nos sintamos úteis. Num sentido similar, diríamos, que a procura precisa de ter alguns objetivos, por mais pequenos que sejam, alguma orientação.

Num sentido de fé – voltemos a ler to texto do Evangelho – a procura é antes de mais de Deus. Procurámo-l’O para o encontrar, numa busca sem fim, num encontro sempre novo. Parafraseando Santo Agostinho, procuremo-l'O até o encontrar, e depois de O encontrar, continuemos a procurá-l'O… O mistério de Deus quanto mais se desvela para nós, tanto mais se esconde. É mistério, não é segredo, pois este quando revelado deixa de o ser.

 

A expressão contudo aplica-se ao nosso dia a dia. A procura tem também o sentido do aperfeiçoamento, ou da santidade (na vida do cristão). Procuramos que a nossa vida seja melhor, tenha mais utilidade, procuramos aproveitar melhor o tempo, valorizar as pessoas que Deus coloca à nossa beira, desenvolver as nossas capacidades, fazendo render os nossos talentos e os nossos dons.

Nem sempre a vida é fácil. Também a beleza da rosa é protegida pelos espinhos. Para alguns é mais difícil, pela situação familiar, pela situação profissional, ou por alguma predisposição genética e/ou educacional. Mas a desistência só tem sentido quando se tentou, e tentou, e tentou, quando claramente não é humanamente realizável.

Damos um exemplo: não vou pôr-me a procurar ouro no areal (não sou geólogo), mas creio que a areia não é o sítio mais indicado. Posso procurar vezes sem conta, estarei a procurar onde não é humanamente possível encontrar. (A não ser que haja ouro já trabalhado e que alguém tenha perdido).

Por vezes é preciso escavar fundo da alma, para encontrarmos um sentido para situações que não compreendemos de imediato, outras vezes é necessário escavar o nosso coração para compreendermos o mal que alguém nos fez, ou para aceitarmos esta e aquela pessoa que nos prejudicaram, disseram mal de nós, puseram em causa a nossa honra. Escavar como quem procura metais preciosos, o que exige sacrifício, suor, trabalhos, e por vezes sem compensação. Mas na vida, o caminho feito conta tanto ou mais do que a meta onde se chegou. Aliás, a meta só será alcançável se se fizer ao caminho. Qual mulher grávida que suporta todo o desconforto por um bem que apagará, fará quase esquecer toda a dor, todo o sofrimento, por vezes, a antecipação do parto não faz desaparecer a dor mas justifica-a, apazigua a ansiedade. Qual Miguel Ângelo que da pedra tosca, depois de muito trabalho, suor e sacrifício, nos dava a beleza e perfeição da estátua de Moisés ou de David…

 

Outro aspeto concreto, difrente, mas ilustrativo, é quando procuramos determinada qualidade ou defeito no outro, seja uma pessoa que nos é mais próxima, seja em alguém que acabamos de conhecer, seja uma pessoa de quem gostemos ou por quem tenhamos simpatia/empatia, seja uma pessoa de quem não gostamos tanto, ou que nos provoca mal estar, sempre encontraremos. Se procuramos uma qualidade ou qualidades, facilmente encontramos. Se procurarmos um defeito ou defeitos, facilmente enontramos. Em algum momento já fizemos essa experiência, encontrarmos na pessoa o que procuramos (e não estamos a falar em nenhuma situação em particular, mas em quase todas as situações... salvem-se as excepções.

Procuremos, então, nos outro(s) e de preferência as qualidades...

 

Não cessemos de procurar… podemos até não encontrar… ou não encontrar no tempo que desejaríamos… mas valerá a pena o sonho, o caminho feito… e cada jornada só tem sentido no final se houver um início, e se houver caminhada… Aquele que perseverar será salvo… (cf. Mt 24, 13)

14.02.12

45. Desafio para hoje: encontrar o NORTE da minha vida.

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Desafio para hoje: encontrar o NORTE da minha vida.
Não a direção, mas o sentido da minha existência.
É mais fácil caminhar quando sabemos para onde vamos.
Quando não sabemos o destino, tudo se torna muito complicado, andamos às voltas, às voltas, às voltas, numa indecisão permanente.

Para se traçar uma linha (mais ou menos) direita, com o giz, num quadro preto (ou num quadro branco, com o respetivo marcador), sem uma régua, olha-se na direção, para o ponto onde a linha vai terminar... os olhos não seguem a mão, a mão e os dedos seguem para o ponto que se fixou com olhar... pode experimentar. Já experimentei. Traçando a linha, a olhar para o giz e para as mãos, lá vai oscilando, ora para cima, ora para baixo. Fixando o ponto final, a linha segue muito direita, mantendo a confiança...

Uma pequena estória:

Era uma vez um Cavalo-marinho que juntou sete libras de ouro e foi à aventura pelo mundo fora.
       Pouco depois de partir encontrou uma Enguia que lhe perguntou:
       – Eh! Pá! Onde vais?
       – Vou cm busca de aventuras – respondeu orgulhosamente o Cavalo-marinho.
       – Tens sorte – disse a Enguia – dá-me quatro libras e eu dou-te uma barbatana, de modo que chegarás muito mais depressa.
       – Obrigadinho, é esplêndido – disse o Cavalo-marinho; pagou-lhe, montou na barbatana e desapareceu com o dobro da velocidade.
       Em breve encontrou uma Esponja que lhe disse:
       – Eh! Pá! Onde vais?
       – Em busca de aventuras – replicou o Cavalo-marinho.
       – Tens sorte – disse a Esponja – por pouco dinheiro dou-te esta mota a jacto e tu viajarás muito mais depressa.
       Assim o Cavalo-marinho comprou a mota com o restante dinheiro e atravessou os mares cinco vezes mais depressa.
       Em breve encontrou um Tubarão que lhe disse:
       – Eh! Pá! Onde vais?
       – Em busca de aventuras – replicou o Cavalo-marinho.
       – Tens sorte; se tomares este atalho – disse o Tubarão apontando a sua boca aberta – pouparás imenso tempo. – Obrigadinho – disse o Cavalo-marinho e enfiou rapidamente na boca do Tubarão sendo prontamente devorado.

Certamente que o desfecho se advinha. Também nós podemos ser devorados pelo tempo, pela história, por algumas pessoas que encontramos no nosso caminho, se não soubermos para onde vamos.

É célebre a frase do célebre Séneca: "Não há ventos favoráveis para quem não sabe para onde vai" ou "Quando se navega sem destino, nenhum vento é favorável". As ondas batem de um e outro lado, o vento pode tomar várias direções, e arrastará o barco também nas mais variadas direções, até chegar a um destino incerto, ou até mesmo naufragar. Poderíamos voltar àquele ponto em que refletimos na necessidade de sermos contracorrente, se for preciso, para chegarmos onde queremos ir.

Como é que os MAGOS conseguiram encontrar Jesus, na gruta/parte baixa da casa, lá em Belém? Deixaram-se conduzir por uma Estrela. Não uma qualquer estrela, desconhecida, mas aquela Estrela luminosa... Sabiam para onde queriam ir, sabiam aonde seriam conduzidos se seguissem aquela ESTRELA. No regresso às suas vidas, voltaram por outro caminho, guiados pela LUZ que irradiou do presépio.

A fadista de Portugal, Amália Rodrigues, canta com toda a força da voz: "De que adianta correr se não sabes para onde vais?"
É que se não sabemos para onde vamos, nem sequer vale meter-nos ao caminho, porque não sabemos que caminho tomar.

Em todas as dimensões da vida, são necessárias metas, objetivos, finalidades. Vamos realizar isto ou aquilo por algum motivo, para determinado fim, para atingir este ou aquele fim.

Como cristão, o nosso NORTE há de ser, sempre, JESUS CRISTO. É por Ele que vamos, é para Ele que caminhamos. É d'Ele que partimos. É com Ele que nos fazemos à estrada.
Há que ter uma linha orientadora na nossa vida. Em último caso, e o primeiro dos grandes objetivos: a felicidade. Não como um fim final, mas saboreando-a a caminhar.
No nosso dia a dia pode ajudar-nos termos pequenos objetivos a que nos propomos cada semana, ou cada dia. Sem dramatismos. Na vida tem de haver lugar para a espontaneidade, para a surpresa, para a festa. Estas terão muito mais valor, serão mais envolventes, se o nosso dia tem algumas coisas planeadas. O melhor improviso é aquele que se prepara. É conhecida a expressão do Presidente do Conselho, para o seu secretário, pedindo-lhe o discurso: "passa-me aí o improviso".
A vida é imprevisível. Ainda assim com um NORTE que nos leva a dar sentido a tudo o que fazemos. Diríamos mesmo que para haver festa é necessário a féria, os dias comuns,...

Não deixe(s) que outros guiem a sua/tua vida. Não se/te deixe(s) arrastar pela leve aragem. Não vá(s) sempre pelo que os outros dizem, veja/vê se o que dizem se ajusta à sua/tua vida, às suas/tuas convicções profundas... na expressão popular não seja(s) "maria vai com todos"...

14.02.12

Brasão de D. António Couto: "Vejo um Ramo de Amendoeira"

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É este o brasão de D. António José da Rocha Couto, Bispo de Lamego.

 

 

       Predomina o verde, com besante de ouro no ponto de honra, carregado de uma flor de amendoeira, à cor branca natural. Filactéria inferior de prata, debruada a verde com a legenda em vermelho: Vejo um ramo de amendoeira.

       O ornato superior feito com a cruz a rematar a elipse e o chapéu preto de seda de copa redonda e abas direitas, forrado de ver, com cordões de seis nós de cada lado.

       As armas procuravam mostrar a nobreza e a ascendência de quem as possuía. Aqui trata-se sobretudo de um programa de vida e um grito de esperança.

       O verde exprime a esperança, dirigida aos humildes e oprimidos, num mundo muito instável, em que os mais débeis são os mais sacrificados e/ou esquecidos.

       O besante de ouro, cuja simbologia aponta para a fidelidade ao rei até à morte, aqui fidelidade a Deus e ao seu povo.

       O círculo central pode ainda ser interpretado como referência à divindade, mas também ao cosmos e ao mundo.

       A flor de amendoeira exprime esperança, mesmo em situações adversas e desfavoráveis. Em pleno inverno, brota a flor de amendoeira, num misto de cor, alegria e festa.

 

A expressão é do profeta Jeremias (1, 11-12):

       "Depois foi.me dirigida a palavra do Senhor nestes termos: «Que vês, Jeremias?» E eu respondi: «Vejo um ramo de amendoeira». «Viste bem - disse o Senhor - porque Eu vigiarei sobre a minha palavra para a fazer cumprir»".

 

Da homilia de D. António Couto, na tomada de posse, no passado dia 29 de janeiro, na Sé Catedral de Lamego:

       Numa página sublime do Livro dos Números (17,17-26), Deus ordena a Moisés que recolha as varas de comando dos chefes das doze tribos de Israel, para, de entre eles, escolher um que exerça o sacerdócio em Israel. Em cada vara foi escrito o nome da respectiva tribo. Por ordem de Deus, o nome de Levi foi substituído pelo de Aarão. As doze varas foram colocadas, ao entardecer, na presença de Deus, na Tenda do Encontro. Na manhã seguinte, todos puderam ver que da vara de Aarão tinham desabrochado folhas verdes, flores em botão, flores abertas e frutos maduros (Números 17,23). Dos frutos é dito o nome: amêndoas! Vara de amendoeira em flor e fruto, que, por ordem de Deus, ficará para sempre na sua presença, diante do Propiciatório (cf. Hebreus 9,4), entre Deus e o povo, para impedir que o pecado do povo chegue a Deus, e para facilitar que o perdão de Deus chegue ao povo. Já ninguém estranhará agora que o candelabro (menôrah) que, noite e dia,/ ardia/ na presença de Deus, estivesse ornamentado com flores de amendoeira (Êxodo 25,31-35; 37,20-22). E também já ninguém estranhará que a tradição judaica tardia refira que a vara do Messias havia de ser de madeira… de amendoeira.

       Aí estão as coordenadas exactas do lugar do sacerdote e do bispo: entre Deus e o povo. Mais concretamente: pertinho de Deus, mas de um Deus que faz carícias ao seu povo, um Deus que ama e que perdoa; pertinho do povo, o suficiente para lhe entregar esta carícia de Deus.

 (O Báculo tem desenhadas as flores de amendoeira)

 

Frei Isidoro Barreira (+ 1634), fala desta como a árvore vigilante, cujo fruto é símbolo da vida de Cristo:

 

       «A amendoeira é a árvore que na Sagrada Escritura se acha muitas vezes referida, encobrindo mistérios profundos, como ela sabe encobrir seu fruto e ser misteriosa nele. Assim o ter Jeremias aquela visão da vara vigilante, que outra versão diz que foi amendoeira, coisa então lhe deu muito em que cuidar (...) porque esta árvore não somente apregoa fertilidade em mostrar flores, tanto na manhã da primavera, mas também em prognosticar fartura de pão, que esse ano se há de seguir; porque escrevem os naturais que, quando virmos as amendoeiras carregadas de fruto, depois que lhe cai a flor, é sinal de grande fertilidade, e abundância de pão, que esse ano haverá. (...) A amêndoa antes de ser madura, e prestar para se comer, cresce devagar, e está mais tempo na árvore que os outros frutos, sendo ela a primeira que sai com flores e [a que] ultimamente os recolhe. A sua casca interior é muito dura, e a de fora muito amarga, e enfim o fruto ainda que seja doce, não se chega a comer sem trabalho; o fruto que após a esperança vem, devagar vem, e mais tempo se espera do que se goza. Nunca esse chega sem ânsias e cuidados, porque vencida uma dificuldade, se levanta outra, após um inconveniente se segue outro, após uma tardança, maior tardança. Assim que esse fruto se não colhe sem custar, e sempre custa muito, se se espera muito; muito cansa, se chega devagar... Doce é a amêndoa, mas amarga a casca (...)

       (...) A amêndoa é fruto de muito mistério: na primeira casca amargoso, na segunda resguardado, e fortalecido, e no interior comer suavíssimo, que sustenta e conforta, dando saúde, e vida. A cruz à primeira vista mostra trabalhos, e aflições, após isso já descobre fortaleza, e amparo, que é do género humano; é torre e castelo, e espada com que o Senhor sopeou o mundo, e triunfou dos inimigos: além disso é muito suave, e saboríssima no fruto, que de si dá, como a Igreja canta o louvor da mesma Cruz, chamando-lhe santo lenho, doce Planta que dá tão doce e suave fruto (...) A casca da amêndoa trabalhosa é de quebrar, o fruto fácil de comer. O rigor da Cruz dificultoso é de passar, mas vencido ele, segue-se o gostar doçuras eternas, às quais ninguém chega sem esperanças, que sempre vai fundando na fé, e caridade»

 

In (D.) José Manuel Cordeiro, O bispo, servidor da esperança. Paulinas 2011

13.02.12

44. Exercício: olhar a vida a partir do fim.

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Exercício: olhar a vida a partir do fim.

Talvez não do inverso, mas a partir do fim.

É uma tarefa complexa. O futuro a Deus pertence. Podemos vislumbrar o dia de amanhã, com a incerteza, o mistério e a surpresa que é sempre o futuro, mas a nossa vida daqui a 10 anos, ou daqui a 20, 30, 40 anos, a partir da nossa morte, do nosso fim biológico/terrenos (ou mesmo a partir da eternidade de Deus) torna-se uma tarefa árdua, mas não deixa de ser um desafio provocatório.

Um dos retiros do Seminário, não sei especificar o ano, nas férias de Carnaval, na Casa de São José, em Lamego, naquela casa gélida, aquecida pelas pessoas que aí trabalhavam (e trabalham), foi orientado pelo então Pe. João Evangelista Salvador, sacerdote da Diocese de Coimbra e atualmente Bispo Auxiliar do Porto.
Quando nos testemunhava o dom da sua vocação, as dúvidas e incertezas, e o que o levou em definitivo a avançar (espero que a memória não me tenha atraiçoado, foi seguramente há mais 14 anos), terá conversado com um irmão que o convidou a ver-se no futuro e a olhar a vida desde o fim. O mesmo exercício nos foi proposto. Chegado ao fim da vida, ao olhar para trás, o que gostaria de ter sido, o que gostaria de ter feito, que escolhas teria realizado. Ver-se a partir de Deus, do Definitivo, do Eterno, olhar através dos olhos de Deus, para toda a vida passada (ainda por viver). Chegou à conclusão, vendo a partir do fim, que gostava de viver numa lógica de Infinito, as realidades últimas. Todas as escolhas humanas são dignas, cada pessoa há de seguir o caminho que mais o aproxima de Deus. Ele sentiu que a vida que mais o colocava nas realidades últimas, era a opção pelo sacerdócio ordenado.

Há um santo que, São Francisco de Borja, que acompanhou o corpo de D. Isabel de Portugal, para a sepultura real, em Granada. Sabia que a rainha era adulada por uma beleza era inigualável, mas na morte, diante do cadáver, já em decomposição, ficou chocado com algo comum a todos as pessoas: a degradação física e a fealdade da morte biológica. Decidiu "não servir nunca mais a um senhor que pudesse morrer". Viria a tornar-se santo. Aquele que viria a ser São Francisco de Borja, olhou a vida a partir do fim, neste caso, o fim terreno e mortal da Imperatriz Isabel.

Em ocasiões em que nos deparámos com a morte de alguém, ouvimos os mais variados comentário sobre o falecido que ora já não se pode defender com as mesmas armas dos vivos: "nem aproveitou...", "trabalhou como um mouro, nem gozou", "trabalhou, deixa cá tudo, a outros que nada fizeram", "tanta coisa, e no fim...", "para quê tantas chatices, se todos morremos", "de que lhe valeu todo o trabalho"... É de alguma forma a visão bíblica de Qohélet (Eclesiastes) e de Job, tudo é vão, a não ser que Deus garanta, ainda que no fim, a justiça e o futuro... Outras expressões, quando as pessoas envelhecem (pode não ser cronologicamente), são igualmente ilustrativas: "se eu soubesse...", "como estou represo... enganou-me bem, bem me avisaram mas não quis ouvir". Ou em situações de debilidade em que se reconhece a atenção dada a um ou outra pessoa, e a quem se doaram bens, mas quando a doença aperta são outros que cuidam...

A nossa vida é imprevisível. Mas este exercício pode ajudar-nos a não embarcar em euforias desmedidas nem a nos deixarmos abater perante as maiores adversidades. Tentar olhar a vida a partir do fim, olhar para nós como se tivéssemos mais 5, 20 ou 30 anos, e tentar olhar para este entretanto que medeia o hoje que vivemos, o amanhã que chegará (se Deus quiser), e os anos que aproveitámos ou desperdiçamos! Se víssemos a vida pelo fim, a partir da morte, ou como crentes, a partir da eternidade de Deus, será que valorizaríamos todas as coisas da mesma forma como o fazemos hoje? Será que dispúnhamos do tempo da mesma maneira? Olhando para trás, o que faríamos de diferente? Alguns dizem nada, como se isso fosse concretizável. Se olharmos para o passado, sem dramatismo nem falsa nostalgia, haveria sempre alguma coisa que faríamos de outro modo, ainda que em linhas gerais seguíssemos um caminho muito idêntico. Para não mudar nada no passado, teríamos que ter sido perfeitos, isto é, deuses.

Tentar colocar-nos no fim é um exercício similar a tentar colocar-nos no lugar do outro. Não é fácil. Mas devemos fazê-lo. Ajuda-nos a compreender, a aceitar as nossas limitações, como as limitações dos outros - por vezes são o espelho das minhas/nossas fraquezas.
Do mesmo modo, olhar a vida a partir da morte, ou melhor, como crentes, a partir da vida em plenitude, em Deus, levar-nos-á a relativizar quer os sucessos quer os insucessos, sabendo que a plenitude virá no fim, ainda que a devamos testemunhar desde já, ao jeito de Jesus Cristo. Para um não crente, ou descrente, em todo o caso, olhando para trás, como se estivesse no fim, como gostaria de ser recordado, ou gostaria de ser recordado?

Como me vejo daqui a 10 anos, o que terei feito da minha vida? Quais as pessoas que continuarão a ser fundamentais? Quais as pessoas que acha estarão a seu lado nos anos de vacas magras?

Não se trata de fazer futurologia, mas de olhar para o amanhã profeticamente, para viver hoje com mais intensidade (e com mais descontração - hoje estamos, amanhã só Deus sabe). No fim, poderemos rever a nossa vida toda, para trás, mas não a podemos reviver, não poderemos apagar os desvios, como não podemos festejar o bem realizado. No fim, para os cristãos, haverá tempo para a esperança e para o louvor. E a haver arrependimento pelo mal feito (feito está), ou pelas omissões, nada mais poderei fazer a não ser como desafio para outros...

Olhando a minha, a tua, a nossa vida, a partir do fim, que mudanças faríamos hoje? Colocada a questão de uma forma mais urgente: e se eu morresse hoje, amanhã, daqui a uma semana, o que valeria a pena ainda realizar?

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