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Escolhas & Percursos

...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...

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27.01.12

27. A humildade vê-se melhor (comprova-se) na bonança.

mpgpadre

A humildade vê-se melhor (comprova-se) na bonança.
A humildade pode ser muita coisa, ou pode haver diversas maneiras de entender a humildade. Desde logo, a humildade se reconhece nos outros, nas palavras e nos gestos... Quando temos necessidade de dizermos de nós que somos pessoas humildes, algo de preocupante se passa... ou o dizemos para nos defendermos, ou o afirmamos para fazermos crer aos outros (e a nós próprios) que somos humildes.
Há pessoas pobres, que vivem humildemente, mas não são humildes, num sentido mais valorativo (ético/moral) do que se entende por humildade. Logo, não é a situação material que nos faz humildes ou arrogantes. Há de tudo, e também aqui há quem não se enquadre nas nossas concepções.
Há pessoas pobres, que são arrogantes e orgulhosas.
Há pessoas ricas, que são arrogantes e orgulhosas.
Há pessoas pobres, que são humildes e de extrema bondade.
Há pessoas ricas, que são humildes e sempre prontas para ajudar.
Há pessoas nem ricas nem pobres que são arrogantes e orgulhosas.
Há pessoas nem ricas nem pobres que são voluntariosas e espelham humildade.

Há pessoas que estão a caminho, estão à procura.
Há pessoas que já não caminham, julgam ter encontrado, mas talvez valesse a pena continuar a procurar. A vida humana é uma busca permanente. Como lembra santo Agostinho, procurar como quem há de encontrar e encontrar como quem há de procurar. Sobretudo para o crente, a busca de Deus é para sempre. Procuramos porque Ele já nos encontrou. Porque O descobrimos, nunca O possuiremos totalmente, continuamos sempre a procurá-l'O, a descobri-l'O, a encontrá-l'O...

A humildade abre-nos muitas possibilidades, como atitude. Se nos colocamos à defesa, com o pá atrás, ou nos fechamos nas nossas certezas e convicções, o mais certo é não avançarmos, é não descobrimos mais do que aquilo que já sabemos. A humildade é outro nome para a nossa para a busca, para o aperfeiçoamento. Só na medida em que reconhecemos que não sabemos tudo, ou que nos falta conhecer muito, é que nos disponibilizamos para procurar, para acolher o que vem dos outros e vem do Totalmente Outro (Totalmente Próximo), nos dispomos a alterar as nossas convicções ou, pelo menos, a completar o nosso vocabulário humano.

Por outro lado, a humildade, como dissemos antes, pode ter vários rostos.
Há dias veio-me com insistência este pensamento: é quando estamos "por cima" que se vê a grandeza da nossa alma e a beleza da nossa humildade.
Humildade não é o mesmo que humilhação, mesmo que seguindo a postura de Jesus a humildade possa passar pela humilhação, pelo dar a outra face.
Quando estamos derrotados, cabisbaixos, quando nos encontramos numa situação de indigência, em que a nossa vida apela à ajuda dos outros, o nosso olhar pede clemência e até alguma pena para nos sentirmos gente, desafia o outro a olhar com ternura e solidariamente para a nossa miséria, isso é uma forma de humildade que (quase) nos humilha diante dos outros. Também em nossas debilidades podemos manter a cabeça erguida, como quem sabe a distância que nos separa da nossa identidade (filhos de Deus), mas confia na abundância da misericórdia de Deus. E isto também é humildade: abrir-se à graça de Deus.

27.01.12

Obrigado, D. Jacinto...

mpgpadre

       Foram vários os momentos em que D. Jacinto (que passará a ser Bispo Emérito de Lamego no próximo dia 29 de janeiro, dia da tomada de posse de D. António Couto, novo Bispo de Lamego) passou por diversas ocasiões neste espaço pastoral, de Tabuaço, Távora, Pinheiros e Carrazedo. De Carrazedo não temos connosco imagens, mas em jeito de homenagem ficam algumas das imagens que recordam diversas ocasiões em que D. Jacinto nos visitou, para estar, para rezar connosco, para celebrar os Sacramwntos...

26.01.12

26. Enquadre com sabedoria os problemas a enfrentar

mpgpadre

Enquadre com sabedoria os problemas que tem de enfrentar.
Nem todas as questões têm a mesma importância.
Na nossa ralação com os outros, pais e filhos, professores e alunos, casais, colegas de profissão, na família ou na comunidade, surgem conflitos. É quase inevitável, porque somos diferentes, pensamos de maneira diferente. Não há mal nisso. É imperioso que as pessoas tenham as suas convicções e as defendam.
Em todo o caso, a dimensão/tamanho dos problemas que se geram pode ser equacionada. Às vezes o problema que temos pela frente tem mais a ver connosco ou com a pessoa que o gerou, do que com o problema em si mesmo.

Quando a mente está turbada pela irritação, não é nada fácil balizar os problemas e pesá-los para ver se valem a chatice ou não. Há que fazer um esforço, para que a nossa saúde mental melhore, e assim melhoremos a saúde dos outros.
Nem todos os problemas merecem que lhe dediquemos o mesmo tempo.
Os pais, os professores, cada pessoa, diante de um problema pode primeiro perguntar-se: vale a pena chatear-me por isto, é motivo suficiente, é razão que me anula e ofende, atenta ao meu carácter, ou desrespeita uma regra fundamental?

Quando estiver para iniciar uma discussão, pense se a razão que o/a leva a isso é mesmo importante... a não ser que seja para tornar claro desde o início as regras com que se quer jogar/viver.

Não gaste tempo inútil, com coisas inúteis. Discuta quando são coisas importantes, de forma clara, serena, tentando argumentar e não ofender.
Se não está certo das suas convicções, ou se não tem a certeza das motivações do outro, procure dialogar, escolhendo a tolerância, a compreensão, a caridade, e nunca a humilhação ou a imposição de valores.

Dos mais velhos para os mais novos: regras claras. Não alterar regras a meio do percurso, a não ser que não sejam justas. A haver castigos, que se mantenham. Dizer claramente o que se quer e quais as razões, quando a criança/adolescente têm idade para compreender....

Não discuta por tudo e por nada.
Tente ver toda a floresta, para lá da árvore, para lá do problema... vai logo deitar fogo à árvore que o/a incomoda, correndo o risco de destruir toda a floresta... ou vai deitar a água suja fora sem reparar que ainda lá se encontra o bebé... valerá a pena?!

Ou como alguém perguntou: ter razão ou escolher ser feliz?
Não é fácil darmos a dimensão aos nossos problemas, por vezes demasiado pequenos para lhes darmos tamanha importância, destruindo-nos e àqueles que estão à nossa volta...

Continuo a refletir nesta questão... no concreto nunca é fácil... mas seria mais saudável a nossa vida!

26.01.12

Boletim Paroquial Voz Jovem - janeiro 2012

mpgpadre

       O Boletim Paroquial Voz Jovem insere-se numa dinâmica de informação e reflexão, sobre as iniciativas e preocupações da comunidade paroquial, inserida no contexto mais amplo da Diocese de Lamego e de toda a Igreja, mas também inserida neste tempo e neste nosso mundo atual. Em janeiro, o editorial faz uma pequena abordagem sobre os domingos do tempo comum que vão até ao início da quaresma, há um texto sobre a tomada de posse do novo Bispo, D. António; mediatações sobre a sociedade e as atitudes que nos ligam aos outros, reflexão bíblica, notícias da paróquia, resumo da contabilidade paroquial, alguns números que caracterizam o ano pastoral de 2011, e imagens de outros tempos...

O Boletim poderá ser lido a partir da página da paróquia de Tabuaço, ou fazendo o download:

25.01.12

25. A conversão é a atitude permanente do cristão

mpgpadre

A conversão é a atitude permanente do cristão, mas também convite para todos. Obviamente, o sentido cristão da conversão leva-nos a um significado muito peculiar, deixar-se transformar pelo Espírito de Deus, tornando-se, com os seus gestos e com as suas palavras, nova criatura, num processo (sempre inacabado).
Entramos, de novo, na lógica da perfeição como caminho, ou da santidade. O ser humano, quem quer que seja, está chamado, desde logo, pela sua identidade humana, a aperfeiçoar-se cada vez mais, a abrir aos outros, a acolher os ensinamentos de pessoas mais velhas ou mais sábias. E até mesmo as pessoas que todos reconhecemos como arrogantes, até esses, têm necessidade dos outros e de aperfeiçoar alguns aspetos da sua vida, nem que sejam para serem mais ardilosos no que fazem.

A conversão tem também a ver com a adaptabilidade do ser humano.
Hoje, mais do que ontem, o ser humano tem que se adaptar e rapidamente a situações e desafios novos. A mudança que acontecia no mundo há 100 anos, permitia que as pessoas se adaptassem facilmente à evolução de costumes e de mentalidades, era em câmara muito lenta. Continua a afirmar-se que para mudar mentalidades é necessário uma geração, tempo e paciência. O que nos falta.
Hoje, numa década, em 5 anos, as mudanças são tão rápidas, que o nosso sistema tem alguma dificuldade em se adaptar, em se converter a novas situações.
O ser humano acomoda-se, tem necessidade de casa, de descanso, de repouso, de pisar a terra com a certeza de que está em terra. Mas ao mesmo tempo, a adaptabilidade é uma das suas características fundamentais de sobrevivência. E o que é certo, muitas foram as alterações ao longo dos séculos, e o ser humano foi-se adaptando.

Falar de conversão não é assim tão estranho, mesmo para não crentes, ou não praticantes. De facto, ao longo de uma vida, podemos ter necessidade de converter-nos várias vezes, mudar de profissão, mudar de local de emprego, mudar de habitação, deslocar-se para outra terra, aprender outra língua, aprender outra técnica para ser competitivo no trabalho...

Falar de conversão, no contexto da fé cristã, significa estar disponível para acolher a graça de Deus e para mudar sempre que necessário o nosso coração e nossa mente para podermos aproximar-nos de Deus e ser fiéis nas situações reais e concretas, do nosso tempo e no lugar onde habitamos, ao Evangelho da verdade e da caridade, isto é, traduzir em palavras e gestos concretos a fé que professamos e estar disponível para confrontar a nossa vida com a de Jesus Cristo.

A nossa fragilidade muitas vezes nos trai, na busca da verdade, na vivência da caridade, mas devemos prosseguir, na certeza que só tentando cumprimos a nossa missão como pessoas e como cristãos.

A conversão de São Paulo, que hoje celebramos, mostra como há alturas da vida em que podemos "cair do cavalo", cair em nós, tomar consciência do caminho a percorrer e do que ainda nos distancia da vontade de Deus. Ele era um judeu fervoroso, não era um judeu por ter nascido judeu, praticava, defendia, queria proteger o judaísmo. A perseguição aos cristãos têm a ver com essa vontade firme de proteger o judaísmo. Mas um dia deu-se conta que a perseguição aos cristãos o aproximou de Jesus Cristo e deixou-se converter por Ele.

De repente deixou de ver... no contacto com a intensidade de LUZ que vem de Jesus também nós podemos ficar cegos, e sobretudo se quisermos que os nossos olhos sejam mais fortes que a luz de Cristo, e que os nossos olhos nos conduzam pela vida... é necessário que nos caiam as escamas, ou seja, que os nossos olhos possam deixar passar a LUZ de Deus, possam ver com o olhar de Deus.
Como dizia o poeta, Fernando Pessoa, como tudo seria diferente se olhássemos para a vida, para o mundo e para as pessoas (não com o nosso mas...) com o olhar de Deus.

24.01.12

24. Seja generoso consigo mesmo.

mpgpadre

Seja generoso consigo mesmo.

Se ontem convidávamos a apreciar as qualidades dos outros, como forma de purificarmos o nosso olhar, o nosso coração, e nos tornarmos mais afáveis com os outros, mas também como forma de apostarmos na confiança. Quanto mais reconhecemos qualidades nos outros tanto mais isso nos pode ajudar a olhar a vida com generosidade, pela positiva, e mais tarde ou mais cedo também em nós se repercutirá a visão positiva da vida.

Não é um paradoxo: apreciar as qualidades dos outros :: ser generoso consigo mesmo. É antes uma forma de ver a vida, de incluir e não excluir, de conciliar em vez de opor, de agregar e não dividir, de comungar e não diabolizar.


Hoje acentuamos este aspeto: olhe para si com a mesma positividade e tolerância que aprecia os outros. Aposte na auto estima. Os espelhos (físicos) na maioria das vezes devolvem-nos uma imagem errada do que somos no nosso íntimo. Depende da disposição, é certo. Então, por que ficar de rastos diante de um espelho, um mero objeto, que nos devolve o que desejamos, ou que a nossa disposição permite. Nem sempre a horta da vizinha é melhor que a nossa, nem sequer a sopa.

Já pensaram que quando éramos mais novos, gostávamos sempre da comida dos estranhos e por vezes depreciávamos a comida feita em casa pelas nossas mães. E agora, que os anos vão passando, e Deus queira que vão passando muito anos sobre nós, apreciámos cada vez mais a sopa que a nossa mãe nos faz?!

 

Jesus apostava, como víamos ontem, em pessoas que à partida não desenvolviam grandes capacidades, mas fazia-as descobrir que eram filhas de Deus. Quantos se curaram ao aproximar-se de Jesus, quantos se sentiram salvos na Sua presença?

O desafio é o mesmo, antes de mais somos imagem de Deus, com a mesma capacidade de amar e ser amados, com o mesmo dom de recriar a vida. Olhar para nós com generosidade é reconhecer, antes de mais, que somos a obra prima de Deus... e então temos muito para louvar, para agradecer... Por outro lado, se temos uma visão positiva sobre nós, mais facilmente veremos os outros de forma positiva... Pense nisso.

23.01.12

23. Aprenda a apreciar as qualidades dos outros.

mpgpadre

Aprenda a apreciar as qualidades dos outros.
O célebre psiquiatra brasileiro, Augusto Cury, defende à saciedade que os defeitos que criticamos nos outros, são os defeitos que existem em nós. Odiamos neles, o que não gostamos em nós. Então tentemos inverter, procuremos apreciar, com humildade e generosidade, o que os outros nos podem oferecer de bom, de belo e de sábio.

Quando verificamos que existem pessoas que vivem com a desgraça alheia, só podemos concluir que ainda não descobriram que a maior felicidade e compensação vem de dentro, do que somos - numa perspetiva cristã, somos filhos amados de Deus -.
A autoestima não ilude as insuficiências que nos moldam, mas, no reconhecimento das nossas fragilidades, levam-nos a potenciar as nossas qualidades e a contar com as qualidades dos outros.
Há árvores que crescem, crescem, crescem, mas não são fator de crescimento para outras árvores, secam tudo em redor. Como seres humanos, o nosso caminho não é sermos árvores gigantescas contra os outros, ou com os outros distantes, mas árvores de fruto, que se amparam e protegem mutuamente, que se alimentam "da mesma seiva", buscam a mesma água, que partilham, o mesmo húmus, a mesma terra, crescem juntamente, não se impedem de buscar o sol e absorver as suas propriedades. O SOL que eu recebo não se esgota, por mais que eu recolha. Também outros poderão beneficiar do mesmo sol, da mesma luz, do mesmo calor.

Nesta imagem sugestiva, o desafio a valorizarmos o que de bom e bem os outros são capazes. Comecemos em casa. Por vezes, em casa, desdenhamos do que o outro tem, da forma como veste, das escolhas que faz, da maneira de falar, isto que lhe fica mal, a mim ficava melhor... Invertamos, procuremos os aspetos positivos, e certamente descobriremos rapidamente que existem muitos motivos para engrandecermos os outros (da nossa família, da nossa turma, no nosso local de trabalho, na nossa comunidade). O que o outro faz de bem não me empobrece, ensina-me, incentiva-me a procurar o bem e a fazer bem o que faço.

Apreciar os outros, é uma forma de descobrirmos neles a presença de Deus.
Quando depreciamos os outros, pensemos se não estamos a fazê-lo por inveja, por ciúme, ou porque nos revemos neles, criticando-os naquilo que não gostamos em nós, ou criticando-nos para escondermos as nossas fragilidades.
Isto acontece com alguma frequência: criticar o outro para esconder o que em nós é "censurável"... ou porque gostaríamos de ser assim como eles, ou fazer como eles fazem, ou termos a áurea que eles têm... Somos diferentes, não há mal nisso. Valorizemos os outros, veremos como nos sentimos melhor. Veremos como podemos, dessa forma, ganhar mais autoestima e confiança.

Jesus chama a Si pessoas que pouco têm para lhe oferecer, humanamente falando. Um técnico de recursos humanos não escolheria nenhum deles, a não ser Judas Iscariotes... talvez! Jesus aprecia neles o que eles ainda não foram capazes de desenvolver... mas acredita, e com o tempo eles tornam-se grandes pregadores, grandes missionários, pessoas extraordinárias...

22.01.12

Ninguém faz festa se não tiver com quem festejar

mpgpadre

       1 – "Depois de João ter sido preso, Jesus partiu para a Galileia e começou a proclamar o Evangelho de Deus, dizendo: «Cumpriu-se o tempo e está próximo o reino de Deus. Arrependei-vos e acreditai no Evangelho».

       O primeiro anúncio de Jesus corresponde ao pré-anúncio de João Batista que proclamava iminente a vinda do reino de Deus e do Messias, promovendo a conversão, o arrependimento, a penitência, para que desse modo as pessoas pudessem reconhecer e acolher o dom de Deus. Em Jesus cumpre-se esse desiderato de João.

       No Evangelho de São Marcos, que nos irá acompanhar mais de perto neste ciclo de leituras do ano B, refere-se que o início da vida pública de Jesus prossegue depois de João ter sido preso, pressupondo que existe uma ligação próxima e subsequente entre uma e outra missão.

       Com Jesus cumpre-se o tempo, é chegada a plenitude dos tempos, na qual Deus Se manifesta pelo Seu Filho muito amado. E para que essa missão se possa efetivar através dos tempos, Jesus chama a Si discípulos. Quando chegar o momento de Jesus regressar ao seio de Deus Pai serão eles a prosseguir com a missão de anunciar a Boa Nova a todos os povos e a tornar presente o mistério de Deus connosco e no meio de nós.

       "Caminhando junto ao mar da Galileia, viu Simão e seu irmão André, que lançavam as redes ao mar, porque eram pescadores. Disse-lhes Jesus: «Vinde comigo e farei de vós pescadores de homens». Eles deixaram logo as redes e seguiram-n’O. Um pouco mais adiante, viu Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João, que estavam no barco a consertar as redes; e chamou-os. Eles deixaram logo seu pai Zebedeu no barco com os assalariados e seguiram Jesus". 

       2 – A conversão é a atitude de todo aquele que quer acolher o dom que vem dos outros e, para nós crentes, o dom que Deus nos dá constantemente. Conversão e humildade, neste concreto, significam a mesma disponibilidade para se abrir ao outro e ao Totalmente Outro (ou Totalmente Próximo), ao mistério da vida divina que irrompe na nossa história através de Jesus, o Emanuel, Deus feito homem para viver em nós, connosco, nos revelar o caminho para sermos felizes, para chegarmos ao Pai, e a fim de nos inserir na lógica da salvação, da vida eterna que pode e deve iniciar-se já no tempo que dispomos neste mundo.

       Na primeira leitura que escutamos, vemos como a palavra de Deus é anunciada ao povo de Nínive. Sob a ameaça de castigo, sobressaindo uma linguagem muito humana, Deus faz saber que o caminho para que o povo se mantenha como povo e as pessoas possam viver confiantes e com dignidade, e possam encontrar a felicidade, passa pela conversão, pela mudança de hábitos e de atitude, passa por alterarem a forma de se relacionarem e de se protegerem mutuamente. Se cada um só pensar em si mesmo, fechando-se ao outro, mais tarde ou mais cedo sobrevém a desgraça, a frustração, o vazio, a ansiedade. Precisamos dos outros para nos sentirmos bem, para partilharmos o que somos, o que temos e o que fazemos, para desabafar nos momentos de crise, e para apreciarmos as coisas boas. Isso só é possível com os outros. Ninguém é alegre sozinho por muito tempo. Ninguém faz festa se não tiver com quem festejar. Do mesmo modo, precisamos de pátria, de casa, de espaços comuns. Somos ser sociais. Se cada um só pensar em si, pouco restará para a nossa dimensão social e solidária. Com efeito é na solidariedade que sobrevivemos como sociedade.

       "Os habitantes de Nínive acreditaram em Deus, proclamaram um jejum e revestiram-se de saco, desde o maior ao mais pequeno. Quando Deus viu as suas obras e como se convertiam do seu mau caminho, desistiu do castigo com que os ameaçara e não o executou". 

       Esta é uma mensagem muito atual e pertinente para nós, para a sociedade deste tempo, para Portugal, para a Europa e para o mundo. Se os países mais ricos só pensarem nos seus cidadãos, se os mais ricos, empresas e pessoas, só pensarem nos lucros que poderão obter, a sociedade corre o sério risco de se autodestruir, como facilmente se pode ver nesta Europa pouco comunitária.

 

       3 – Para nós cristãos importa em cada momento viver na presença do Senhor, como se fora a última oportunidade para realizar algo de grandioso e definitivo. Diz de forma intuitiva o Apóstolo São Paulo, na segunda leitura, "o que tenho a dizer-vos, irmãos, é que o tempo é breve. Doravante, os que têm esposas procedam como se as não tivessem; os que choram, como se não chorassem; os que andam alegres, como se não andassem; os que compram, como se não possuíssem; os que utilizam este mundo, como se realmente não o utilizassem. De facto, o cenário deste mundo é passageiro".

       Chegou o tempo, o reino de Deus está entre nós, em desenvolvimento. Cabe-nos a tarefa importante de o tornar visível para os nossos companheiros de viagem, neste tempo em que vivemos. O tempo é pouco, é sempre insuficiente para o bem que podemos fazer. É breve se o aplicarmos em ternura, perdão, em partilha solidária, na luta pela justiça, na prossecução da paz.

       A nossa fragilidade, porém, nem sempre nos envolve positivamente na transformação do mundo. Por conseguinte, ousamos pedir: "Mostrai-me, Senhor, os vossos caminhos, ensinai-me as vossas veredas. Guiai-me na vossa verdade e ensinai-me, porque Vós sois Deus, meu Salvador". Deixemos que no nosso coração ressoe esta oração, para também nós nos torarmos a oração de Deus para o tempo de hoje.


Textos para a Eucaristia (ano B): Jonas 3,1-5.10; Sl 24 (25) 1 Cor 7,29-31; Mc 1,14-20. 

 

Reflexão Dominical na página da Paróquia de Tabuaço

21.01.12

21. Procure valorizar sobretudo o que une

mpgpadre

Procure valorizar sobretudo o que une, e não tanto o que divide.
Ao olharmos para a nossa humanidade, certamente que há muitos aspetos que dividem. Somos diferentes, com sensibilidades distintas e quando toca a defender-nos, mas se acentua as divisões e o que afasta.

Vivemos o Oitavário de Oração pela Unidade dos Cristãos (18 a 25 de janeiro).
"Que todos sejam UM, como Eu e Tu, ó Pai somos uma só coisa". Na Sua oração Sacerdotal, de intercessão pelos discípulos e pela humanidade, o desejo de Jesus é que todos se tornem "um só rebanho", os que já fazem parte, os que estão a caminho e os que virão, os que estão fora, os que estão longe.
A Unidade pedida por Jesus, cedo cedeu à divisão, ao conflito.

A Igreja, sentindo como Seu este desafio do Mestre, com outras confissões religiosas, instituiu 8 dias de oração pela Unidade dos Cristãos. O mesmo Batismo, a mesma Fé, o mesmo Mestre e Senhor, Jesus Cristo, e no entanto divididos por questões culturais, políticas, por identidades nacionais ou locais, por caprichos e por tantas outras razões.

Este tempo de oração não visa que se convertam a esta ou àquela confissão cristã, mas que todos caminhemos para Jesus Cristo. Uma Igreja dividida é um contratestemunho para o mundo. A unidade na Igreja será uma resposta à oração de Jesus Cristo, uma opção pela Sua identidade, Corpo de Cristo, ainda que muitos e diversos sejam os seus membros.

O que se diz para a Igreja diz-se para as famílias, para as comunidades, para as nações, para os grupos de países. Como da paz, também da unidade se refira que o início está na conversão do coração, na disponibilidade de cada pessoa, a partir do seu íntimo, em construir a paz, a unidade, a viver solidariamente.

Se fôssemos à raiz dos nossos genes humanos, veríamos que o que nos une é bem mais do que aquilo que nos separa. Debaixo da pele, somos da mesma carne, corre-nos sangue nas veias, o código genético aproxima-nos uns dos outros.

Para os cristãos isto deverá ser ainda mais motivador. O nosso código genético mostra-nos a mesma origem divina e o mesmo destino: a vida eterna.
No entretanto da nossa vida, ninguém que está vivo pediu para nascer, aproveitemos o tempo que nos deram gratuitamente, para construir, para na abertura solidária aos outros, procurarmos viver ao jeito de Jesus Cristo, como quem se predispõe a dar a vida constantemente, em palavras e gestos.

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