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Escolhas & Percursos

...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...

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31.01.12

31. Rume contracorrente, não deixe que sejam os outros a guiar a sua vida.

mpgpadre

Rume contracorrente, não deixe que sejam os outros a guiar a sua vida.
Vamos por partes. Relembro que a acentuação de um aspeto não exclui outros importantes, por vezes nem o seu contrário. A vida não é branco e preto, também é cinzento. Ainda ontem dizíamos que a nossa vida há de ser "sim, sim" e "não, não", na opção pela verdade, na vivência da coerência entre o que dizemos, o que fazemos e o que somos.
Rumar contra a corrente, no concreto desta reflexão, significa que simplesmente não somos marionetas de alguém, do patrão, de uma ideologia, de um partido, ou até mesmo de uma religião. Obviamente, temos referenciais que nos indicam o caminho, pontos que norteiam a nossa vida, facilitando a nossa busca, mas, para o bem e para o mal, como bem recorda o célebre Augusto Cury, devemos ser sobretudo atores da nossa vida, da nossa história e não simplesmente espectadores passivos como se estivéssemos a ver um filme numa tela sem que possamos interagir e/ou alterar o rumo da estória.
Somos os artífices da nossa vida, da nossa felicidade, da nossa história.
Para o bem e para o mal.
Se as coisas correm bem, também teremos mérito.
Se as coisas correm mal, não há lugar para culpar e crucificar a quem entregamos o destino da nossa vida.

Nos dias que passam, sabemos como as influências exteriores podem ser mais fortes e eficazes do que os princípios que orientam a nossa vida. Televisão, internet, revistas, amigos, padrões que globalizam a cultura, a gastronomia, a indumentária, que padroniza até a vivência religiosa, política, a intervenção social.
Se formos a uma manifestação, quanto sabem mesmo as razões porque engrossam o número dos que protestam/se manifestam?! Ainda que possam vir a saber porque se juntaram...

Rumar contra a correnteza da moda, do que é mais fácil porque todos vão, todos fazem todos dizem, pode ser a nossa decisão por não deixarmos que sejam outros a viver por nós ou a obrigar-nos a viver como eles, ou a viver os seus projetos, os seus sonhos. Somos nós. Somos insubstituíveis. Somos filhos bem-amados do Senhor Deus. Temos os instrumentos que precisamos para sermos felizes

Há uma pequena estória que conta que um dia um animal feroz a fugir da aldeia foi por montes e vales, por meio dos matagais e dos trigais, de silvados, sempre de focinho baixo para melhor irromper pelo meio dos obstáculos, contornando, furando, desviando... os que o seguiram tentaram pisar onde pisou o animal... foram fazendo um carreio... outras pessoas passaram... ainda outras passaram... tornou-se caminho público... ligava agora uma aldeia a outra, era um caminho difícil, mas ninguém se perguntava por quê, ninguém questionava a possibilidade de um caminho mais suave, mais perto, mais cómodo... por que nunca se perguntaram... foi o animal feroz que fez o caminho...

Esta história ilustra esta reflexão. Se vamos por onde vão os outros, sem nos interrogarmos, sem refletirmos, podemos correr o sério risco de pisar caminhos que estão armadilhados, que não nos levam a lado nenhum, que nos desviam dos nossos objetivos, da nossa felicidade.

Rumar contra a corrente. Converter-se. Viver a partir do interior.
Contra a corrente. Quando lhe/te fecharam o rosto, abre-lhes o maior sorriso... depois fica ao encargo de quem se cruza por ti/si, ou entende como escárnio, ou sorriem também. Opte pelo bem, pela positiva. Não pague o mal com o mal, sabe bem, muito bem, pagar o mal com o bem, palavras doces e agradáveis à rispidez e amargura de outros.

Por vezes precisamos de nos deixa ir na correnteza, na leveza da vida, nos braços de Deus (havemos de refletir mais). Por vezes precisamos de contrariar a infelicidade que nos impõem, a maledicência geral, a amargura daqueles que podem querer o nosso infortúnio, ou melhor, que se sentem incomodados com a nossa alegria, com o nosso jeito de viver e de ver a vida...

Como cristãos, sempre a pergunta a fazer. Se Cristo estivesse aqui, que faria? Nem sempre será fácil perceber a resposta de Jesus Cristo... mas vale tentar.

31.01.12

S O C I E D A D E

mpgpadre

       A sociedade de hoje é pobre em diálogos.

       Os homens pensam que o diálogo é uma espada, mas não, com o diálogo constrói-se a paz. Quando se dialoga não há vencedores nem vencidos, mas sim uma união para conduzir à paz, à união, à tolerância e ao respeito mútuo, de irmãos para irmãos.

       Unidos em verdade e em concórdia, na justiça e na humildade, o mundo tornar-se-á melhor e como somos os promissores homens do amanhã e vivendo com todos estes valores temos a esperança que o mundo vai tornar-se mais justo, mais verdadeiro e unido. É essa a nossa esperança. As nossas armas serão uma atmosfera de apostolado, onde reine o diálogo, a verdade e a alegria e assim todos seremos mais felizes.

 

8.º Ano de Catequese, in Boletim Voz Jovem, janeiro 2012

30.01.12

30. Opção permanente pela verdade.

mpgpadre

Opção permanente pela verdade.
Verdade e verdades. A VERDADE e a minha, a tua, a dele, verdade, aproximação à verdade, ou uma parcela de verdade.

Leia-se a opção pela verdade como a procura pela coerência de vida.
Numa busca sincera, a limitação e a fragilidade podem impedir-nos momentaneamente de viver com decisão a verdade.

O Papa Bento XVI no Seu lema episcopal e papa tem a VERDADE como referencial: Cooperador da Verdade.
Cooperar para que a VERDADE de Deus, de Jesus Cristo possa inundar toda a terra com a sua força redentora.

Numa qualquer discussão, e quando vemos que os nossos argumentos falharam, lá vamos dizemos, eu fico com a minha verdade, tu ficas com a tua.

Há quem nos recorde que um ponto de vista é sempre a vista de um ponto. Ou num outro contexto: a história (registada), a tradição é sempre uma traição, pois toda a história leva a interpretação de quem conta (e quem conta um conto, por mais sério que seja, acrescenta um ponto), a tradução ou a reprodução de um texto pode levar a pequenas nuances que alteram "alguma coisa" mesmo mantendo o essencial.

Desde já podemos concluir que estas certezas (verdades) devem provocar tolerância nas discussões e em alturas que sabemos ter certeza, mas não conseguimos "convencer"/esclarecer o outro. Talvez o outro tenha um ponto de vista diferente. Se nos passássemos para o outro lado e o outro viesse para o nosso talvez nos aproximássemos na compreensão mútua. Mas não é fácil. É mais difícil quando tentamos competir com o outro pela verdade, ou quando a irritação já tomou conta do nosso discernimento.
Também aqui o convite ao distanciamento e ao exercício da tolerância.

Para nós crentes (mas creio que também para não crentes ou descrentes) há verdades que são essenciais, são referência, são o nosso norte e guia, a nossa orientação. Verdades que nos alimentam e abrem a nossa vida ao Infinito.
Deus como Verdade primeira e última. O Amor de Deus para connosco. O amor que nos liga uns aos outros. A vida e a morte. A ressurreição e a eternidade. A santidade que Jesus traz à humanidade que que se espalha nos homens e mulheres de todos os tempos.
Neste concreto diríamos, que há a VERDADE que é incontornável para nós, o próprio Deus. Não é discutível. Ainda que percebamos que num tempo em que tudo se discute poderá parecer arrogância. Mas, repetimos, até os mais libertinos têm referências intocáveis...

A nossa origem é a VERDADE. Jesus Cristo é a Palavra que Se faz carne = é a Verdade que Se faz Pessoa. A Verdade chegou até nós. Como seguidores Seus, havemos de ser para este tempo Sua transparência, procurando que sobressaiam em nós, nas palavras e nos gestos, os vários aspetos da VERDADE e que a próprio Verdade, Jesus Cristo, estando em nós, transparecer através de nós.

Nesta lógica, a nossa linguagem, para ser a de Jesus Cristo, há de chegar a ser "sim, sim", "não, não". Apostemos na clareza. Sejamos sinceros, connosco e com os outros, com a vida, como se estivéssemos diante de Deus, como a transparência do cristal. Obviamente, que no nosso dia-a-dia poderemos ter que dizer "talvez", "vou ver", vou "pensar melhor", mas com a preocupação de que o sim e/ou o não sejam autênticos, pensados, não precipitados, ou porque a nossa limitação humana nos faz hesitar/duvidar. Mas a preocupação fundamental - na relação com os outros, pessoal, familiar, profissional, socialmente - é optar pela verdade, mesmo que algumas situações se tornem dolorosas em consequência da verdade proferida e professada (com consciência e responsabilidade).
Optar pela verdade mesmo que saiamos prejudicados. A verdade liberta-nos, engrandece-nos, coloca-nos mais perto de Deus e aproxima-nos da humanidade.
Não adie um "não" só porque poderá perder um amigo. Se com a verdade perder um amigo, não lamente, pois não era amigo de verdade.
Atenção: nem tudo é branco ou preto.
Não adie um "sim", só porque lhe pode trazer mais trabalho, acrescentando um compromisso, pois só o amor nos redime.

30.01.12

Tomada de Posse de D. António, como Bispo de Lamego

mpgpadre

       Nomeado pelo Papa Bento XVI, no passado dia 19 de novembro de 2011, D. António José da Rocha Couto assumiu ontem, dia 29 de janeiro, a cátedra de Lamego, sucedendo a D. Jacinto Tomás de Carvalho Botelho, que esteve à frente da diocese durante 12 anos. D. Jacinto tomou ao seu encargo a diocese em 19 de março de 2000. Tendo completado 75 anos de idade em 11 de setembro de 2010, pediu a resignação, que foi aceite pelo Papa, mantendo-se, depois da aceitação da resignação, como Administrador Apostólico da diocese.

         A cidade de Lamego encheu-se de cor e sobretudo de cristãos para acolher o seu novo Bispo.

       Pelas 15h30, D. António, recebido pelo Administrador Apostólico, pelo Mons. Vigário-Geral e pelo Presidente  da Câmara Municipal de Lamego, no Seminário Maior de Lamego, segue no carro da Diocese até à Sé Catedral. Aqui é recebido por uma multidão em festa. À entrada para a Sé é saudado pelo Deão do Cabido e pelo Sr. Presidente da Câmara de Lamego.

       Pelas 16h00 o início da celebração eucarística. D. Jacinto presidiu à Procissão de entrada. Depois da saudação inicial, a Bula de Nomeação foi lida pelo Núncio Apostólico em Portugal e o Sr. D. Jacinto cedeu o lugar da presidência ao Sr. D. António, dirigindo-lhe algumas palavras de passagem de testemunho, como Bispo cessante e como diocesano (lembremos que D. Jacinto é natural da Diocese de Lamego e pertence ao presbitério desta diocese). A partir do momento em que assume a presidência da celebração, D. António passa também a presidir como Pastor à Diocese de Lamego.

        Presentes na tomada de posse, os Bispos de Portugal, muitos sacerdotes de Lamego, do Porto, de onde D. António é natural (Marco de Canaveses), de Braga, onde esteve nos últimos 4 anos como Bispo Auxiliar, dos Missionários da Boa Nova, autoridades civis da cidade e da diocese, muitos cristãos. A Sé Catedral foi pequena para acolher tanta gente. Muitas pessoas acompanharam a celebração em frente à Sé através dos plasmas aí colocados para este efeito.

        Na Homilia, partindo do Evangelho e da manifestação de Jesus em Cafarnaum, D. António deixou claro que o mensageiro, o enviado, mais que a mensagem comunica Aquele que O envia...

       Quase a terminar a celebração, a leitura da ATA de tomada de posse, pelo Chanceler da Cúria, Mons. Germano José Lopes.

       Também de Tabuaço um grupo de pessoas, associando-se assim a esta passagem de testemunho, do D. Jacinto para o D. António.

       Como cristãos, pedimos a Deus que esteja com o D. António e com as Suas preocupações pastorais. O Bispo é e referência de comunhão com Jesus Cristo, com as outras dioceses e seus bispos e com o Papa, sucessor de Pedro.

Fotos: KYMAGEM. Poderá ver mais fotos AQUI (também da Kymagem)

30.01.12

Homilia de D. António na tomada de posse...

mpgpadre

 

(foto: Kymagem)

 

       «Eis que faço novas todas as coisas» (Apocalipse 21,5), diz Deus. De tal modo novas, diz Deus, que ninguém pode dizer: «Já o sabia» (Isaías 48,7).

 

       Eis então Jesus a entrar com os seus discípulos em Cafarnaum, na sinagoga deles, e ensinava e ordenava tudo de forma nova. Tão nova que inutilizava todas as comparações e catalogações. Não era membro de nenhuma confraria, academia, partido, ordem profissional ou instituição, que à partida lhe conferisse algum crédito, alguma autoridade. Nenhum crédito, nenhum currículo, nenhum diploma, o precedia. A sua autoridade começava ali, no próprio acto de dizer ou de fazer. E as pessoas de Cafarnaum foram tomadas de tanto espanto, que tiveram de constatar logo ali que saía dos seus lábios e das suas mãos um mundo novo, belo e bom, ordenado segundo as pautas da Criação. Um vendaval manso de graça e de bondade encheu Cafarnaum, e transvazava como um perfume novo de amor e de louvor por toda a região da Galileia e da missão. Saltava à vista que Cafarnaum não podia conter ou reter tamanha vaga de perfume e lume novo.

       As pessoas de Cafarnaum sabiam bem o que diziam os escribas, e como diziam os escribas. Não eram senão repetidores, talvez mesmo apenas repetentes de pesadas e cansadas doutrinas que se arrastavam na torrente de uma velha e gasta tradição. Os escribas diziam, diziam, diziam, recitavam o vazio (Salmo 2,1), compraziam-se na sua própria boca, nas suas próprias palavras (Salmo 49,14), e nada, nada, nada acontecia: nenhum calafrio na alma, nenhum rio nascia no deserto, ninguém estremecia ou renascia. Mas Jesus começou a falar, e as pessoas de Cafarnaum sentem um frémito, um estremecimento novo (Isaías 66,2 e 5), assalta-as uma comovida emoção, uma lágrima de alegria lhes acaricia o coração. Era como se acabassem de escutar aquela palavra única que há tanto tempo se procura, palavra criadora que nos vai direitinha ao coração, a ternura de quem leva uma criança pela mão!

        As pessoas de Cafarnaum sabiam bem o que eram, e como se faziam os exorcismos. Estavam muito em voga naquele tempo. Eram longos, estranhos, complicados, cheios de fórmulas mágicas e ritos esotéricos. Mas Jesus diz uma palavra criadora: «Cala-te e sai desse homem», e tudo fica de imediato resolvido!

       Abre-se um debate. O primeiro de muitos que o Evangelho de Marcos vai abrir. «O que é isto?», perguntam as pessoas de Cafarnaum, que nunca tinham visto tanto e tão novo e tão prodigioso ensinamento.

       Mas é apenas o começo da jornada deste maravilhoso ANUNCIADOR do Evangelho de Deus (Marcos 1,14). Logo a abrir o seu Evangelho, Marcos ensina-nos que a jornada iniciada naquele primeiro sábado em Cafarnaum salta os clichés habituais, e vai de madrugada a madrugada, de modo a deixar já bem à vista aquela outra sempre primeira madrugada da Ressurreição! Jesus começa de manhã na sinagoga; caminha depois 30 metros para sul, e entra, pelo meio-dia, na casa de Pedro e levanta da febre para o serviço do Evangelho a sogra de Pedro; à tardinha, já sol- posto, primeiro dia da semana, toda a cidade de Cafarnaum está reunida diante da porta daquela casa, para ouvir Jesus e ver curados por Ele os seus doentes; de madrugada, muito cedo, Jesus sai sozinho para rezar, e os discípulos correm a procurá-lo para o trazer de volta a Cafarnaum, pois, dizem eles, todas as pessoas o querem ver e ter. Ninguém o quer perder.

       Desconcertante reviravolta. Jesus diz aos seus discípulos atónitos: «VAMOS a outros lugares, às aldeias vizinhas, para que TAMBÉM ali ANUNCIE (kêrýssô) o Evangelho» (Marcos 1,38). Com este grávido dizer, Jesus deixa claro que ANUNCIAR o Evangelho enche por completo o seu programa e o seu caminho. Com aquele «vamos» [«vamos a outros lugares»], Jesus desinstala e agrafa a si os seus discípulos para este trabalho de ANÚNCIO do Evangelho seja a quem for, seja onde for. Com aquele «também» inclusivo [«para que também ali anuncie o Evangelho»], Jesus classifica como ANÚNCIO do Evangelho todos os afazeres da inteira jornada de Cafarnaum: ensinar, libertar, acolher, curar, recriar: é esta a toada do ANÚNCIO do Evangelho. ANUNCIAR (kêrýssô) é então o afazer de Jesus. E qual é a primeira nota que soa quando Jesus se diz com o verbo 

       ANUNCIAR? É, sem dúvida, a sua completa vinculação ao Pai, de quem é o arauto, o mensageiro, o ANUNCIADOR. Pura transparência do Pai, de quem diz e faz o que ouviu dizer (João 7,16-17; 8,26.38.40; 14,24; 17,8) e viu fazer (João 5,19; 17,4). Recebendo todo o amor fontal do Pai, bebendo da torrente cristalina do amor fontal do Pai (Salmo 110,7; cf. 1 Reis 17,4), Jesus, o Filho, é pura transparência do Pai, e pode, com toda a verdade dizer a Filipe: Filipe, «quem me vê, vê o Pai» (João 14,9). É mesmo aqui que reside a sua verdadeira AUTORIDADE e a verdadeira NOVIDADE do seu MODO novo de dizer e de fazer, que se chama ANUNCIAR.

       A primeira nota de todo o ANUNCIADOR ou Arauto ou Mensageiro não assenta na capacidade deste, mas na sua fidelidade Àquele que lhe confia a mensagem que deve anunciar. É em Seu nome que diz o que diz, que diz como diz. No Enviado é o Rosto do Enviante que se deve ver em contra-luz ou filigrana pura. No Enviado ou Mensageiro ou Anunciador é verdadeiramente Deus que visita o seu povo.

       Pertinho de Deus, cheio de Deus, Jesus leva Deus aos seus irmãos. É esta a Autoridade de Jesus. Ele é o profeta «como Moisés», mais do que Moisés, com a boca repleta das palavras de Deus (Deuteronómio 18,18). E não só a boca, mas também as mãos e o coração. Bem diferente dos escribas e dos falsos profetas e do povo rebelde no deserto. Estes dispensam a Palavra de Deus. O que querem ter na boca é pão e carne. O que recolheu menos, no deserto, diz-nos o extraordinário relato do Livro dos Números 11,31-35, recolheu 4500 kg de carne de codorniz. E começaram a meter a carne à boca com tamanha avidez, que morreram de náusea. Foram encontrados mortos, ainda com a carne entre os dentes, por mastigar (Números 11,33). Vê-se que é urgente libertar o coração, as mãos, a boca. Vive-se da Palavra. Morre-se de náusea.

 

  (foto: Kymagem)

 

        Caríssimos irmãos mais pequeninos, jovens amigos, caríssimos pais, caríssimos idosos e doentes, caríssimos catequistas, acólitos, leitores, cooperadores na missão da evangelização e da caridade, ilustres autoridades, caríssimos seminaristas, caríssimos religiosos e religiosas, caríssimos diáconos e sacerdotes, Senhores Bispos, Senhor D. Jacinto, Senhor Núncio Apostólico, Senhor Cardeal Patriarca, e todos vós que comigo pisais hoje este chão de generoso vinho e de amendoeiras em flor.

 

 

 (foto: Kymagem)

 

       Numa página sublime do Livro dos Números (17,17-26), Deus ordena a Moisés que recolha as varas de comando dos chefes das doze tribos de Israel, para, de entre eles, escolher um que exerça o sacerdócio em Israel. Em cada vara foi escrito o nome da respectiva tribo. Por ordem de Deus, o nome de Levi foi substituído pelo de Aarão. As doze varas foram colocadas, ao entardecer, na presença de Deus, na Tenda do Encontro. Na manhã seguinte, todos puderam ver que da vara de Aarão tinham desabrochado folhas verdes, flores em botão, flores abertas e frutos maduros (Números 17,23). Dos frutos é dito o nome: amêndoas! Vara de amendoeira em flor e fruto, que, por ordem de Deus, ficará para sempre na sua presença, diante do Propiciatório (cf. Hebreus 9,4), entre Deus e o povo, para impedir que o pecado do povo chegue a Deus, e para facilitar que o perdão de Deus chegue ao povo. Já ninguém estranhará agora que o candelabro (menôrah) que, noite e dia,/ ardia/ na presença de Deus, estivesse ornamentado com flores de amendoeira (Êxodo 25,31-35; 37,20-22). E também já ninguém estranhará que a tradição judaica tardia refira que a vara do Messias havia de ser de madeira… de amendoeira.

       Aí estão as coordenadas exactas do lugar do sacerdote e do bispo: entre Deus e o povo. Mais concretamente: pertinho de Deus, mas de um Deus que faz carícias ao seu povo, um Deus que ama e que perdoa; pertinho do povo, o suficiente para lhe entregar esta carícia de Deus.

       Queridos filhos e irmãos, pais e mães que Deus me deu nesta dorida e querida Diocese de Lamego. Quero muito ver o vosso rosto. Já sabeis que trago notícias de Deus. E que conto muito com cada um de vós, para levar a todos os lugares e a todas as pessoas desta bela Diocese este vendaval de graça e de bondade que um dia Jesus desencadeou em Cafarnaum.

 

       Seja Louvado Nosso Senhor Jesus Cristo!

 

+ António Couto, Bispo de Lamego

30.01.12

Editorial Voz Jovem - janeiro 2012

mpgpadre

       Os dias que medeiam entre a Epifania e a Quaresma – Tempo Comum (1.ª parte) – são também sinal e expressão do amor de Deus por nós.

       O ano litúrgico recentra-nos em dois vértices: o NATAL e a PÁSCOA, e que incluem os tempos de preparação (Advento e Quaresma) e os tempos que se lhe seguem (tempo de Natal e tempo Pascal), tornando mais acessível o mistério da salvação.

       Com efeito, a Encarnação do Verbo tem como fim a Sua Manifestação plena no dar a vida pela humanidade. É no dar a vida que Jesus nos mostra o caminho de retorno a Deus. Com a Ressurreição percebemos o DOM da vida nova. É à luz da Páscoa que havemos de encarar toda a nossa vida de fé. Jesus assume a nossa fragilidade e finitude para nos (re)introduzir na eternidade.

       Depois do batismo de Jesus, por João Batista, iniciamos o chamado Tempo Comum ou Ordinário. O tempo comum celebra a Páscoa, em cada domingo, em cada Eucaristia. Com efeito, a Eucaristia, memorial da morte e ressurreição de Jesus, que Ele antecipou na Última Ceia, de forma a permanecer no meio de nós, faz-nos participantes da vida divina e alimenta-nos até à eternidade. Por esta razão, a Eucaristia é a oração mais completa da Igreja. Encaminhamo-nos para Deus, alimentamo-nos da presença de Deus entre nós. Na palavra proclamada, refletida e acolhida e pela condivisão do Corpo de Cristo, tornamo-nos com Ele um só Corpo.

       Na verdade, o tempo comum desafia-nos a deixar-nos surpreender por Deus em todos os momentos da nossa vida, também no silêncio e na aridez dos nossos dias, também na rotina e na azáfama, também nos vazios e nas dúvidas, nas contrariedades e nas nossas realizações humanas.

       É no dia a dia que nos afirmamos como pessoas, nos descobrimos sociedade, formamos Igreja, como crentes peregrinos, em busca de um sentido novo para a vida. Deus age em todo o tempo, em toda a parte, em todas as ocasiões.

       Será oportuno envolver-nos nas diversas manifestações de Deus, nos encontros e gestos de Jesus, cuja riqueza do Evangelho não se esgota num ciclo litúrgico. Daqui também, a necessidade da Igreja encontrar espaço para abranger melhor o mistério de Cristo, promovendo três ciclos de leituras. Encontrámo-nos no ciclo B, em que o Evangelho de São Marcos será a referência fundamental para os domingos.

 

       1 – “Eis o Cordeiro de Deus” (Jo 1, 35-42). O 2.º domingo do tempo comum, faz-nos viver a passagem de testemunho, de João Batista para Jesus, no sinal que dá aos seus discípulos para seguirem Jesus.

 

       2 – “Arrependei-vos e acreditai no Evangelho” (Mc 1, 14-20). A mensagem de Jesus desafia à fé e à conversão. No 3.º domingo, Jesus chama alguns Apóstolos, para que vivam com Ele e O acompanhem, para depois os enviar ao mundo.

 

       3 – “Uma nova doutrina, com tal autoridade que até manda nos espíritos impuros” (Mc 1, 21-28). No 4.º domingo, a certeza de que em Jesus está a força e a graça de Deus. Ele vem salvar-nos dos demónios que nos afastam de Deus e uns dos outros.

 

       4 – “Todos Te procuram… Vamos a outros lugares (…) a fim de também aí pregar” (Mc 1, 29-39). No 5.º domingo, o Evangelho mostra como o ministério de Jesus se revela em gestos concretos, cura a sogra de Pedro e muitos outros que acorrem à Sua presença. É urgente ir, partir, anunciar, pregar…

 

       5 – “Se quiseres, podes curar-me” (Mc 1, 40-45). No 6.º domingo, um leproso aproxima-se de Jesus com a certeza de n’Ele encontrar a cura. E nós? Com que confiança rezamos a Jesus?

 

       6 – “…para saberdes que o Filho do Homem tem na terra o poder de perdoar os pecados…” (Mc 2, 1-12). A salvação envolve toda a nossa vida, como podemos refletir neste 7.º domingo. Jesus vem para nos curar de todo o mal. Só o perdão dá lugar a uma vida nova.

 

       O reino de Deus está próximo, convertamo-nos de todo o coração e acreditemos no Evangelho… é tempo de salvação, Deus vem salvar-nos!

 

Editorial Boletim Voz Jovem, janeiro 2012.

29.01.12

D. António Couto inicia o seu pontificado em Lamego

mpgpadre

       No próximo dia 29 de janeiro, tomará posse, como Bispo de Lamego, o Sr. D. António Couto, que desempenhava as funções de Bispo auxiliar de Braga, e cuja nomeação foi feita pelo Santo Padre Bento XVI no passado dia 19 de novembro.

       Para preparar este evento, o Secretariado Diocesano da Pastoral Juvenil da Diocese de Lamego levou a efeito, no dia 21 de Janeiro, pelas 21 horas, uma vigília de oração, na Igreja Catedral, e no dia 28, pelas 21 horas, realizar-se-á também um concerto de Rão Kyao no Centro Paroquial de Almacave. 

       No dia 29 de janeiro, o Sr. D. António Couto será recebido junto do Seminário Maior pelo Sr. D. Jacinto Botelho e pelo Sr. Eng. Francisco Lopes, Presidente da Câmara Municipal de Lamego.

       Mais tarde, pelas 16 horas, terá início a procissão de entrada, que começará nos claustros da Igreja Catedral, a que se seguirá o Solene Pontifical da tomada de posse.

       O Sr. D. António Couto sucede ao Sr. D. Jacinto Botelho que pediu a renúncia do cargo pelo facto de ter completado 75 anos de idade, cargo esse que desempenhou ao longo de 12 anos e do qual foi empossado em 19 de Março de 2000.

       Um facto curioso: o primeiro Padre a ser ordenado, na Diocese, pelas Suas mãos, em 8 de Julho de 2000, foi o atual Pároco de Tabuaço, Pe. Manuel Gonçalves.

       Ao Sr. D. Jacinto Botelho agradecemos o afeto, a amizade, o carinho e a dedicação com que sempre nos presenteou ao longo do seu intenso ministério episcopal.

       Ao Sr. D. António Couto damos, desde já, as boas vindas e pediremos a Deus nas nossas orações pela sua pessoa e pela sua missão, com a certeza de que o acolheremos com alegria, e, como disse D. Jacinto Botelho, «o receberemos com júbilo, numa manifestação de Fé e de comunhão.»

 

Clara Castro, Boletim Voz Jovem, janeiro 2012

29.01.12

29. Vai onde DEUS te levar

mpgpadre

Vai onde DEUS te levar. Deixa-te guiar/iluminar/conduzir por Deus.
Escolhemos, para Domingo, o título de uma música, convidando a escutar e a refletir na letra desta canção.

Quando éramos crianças íamos onde os nossos pais nos levavam, ou os irmãos mais velhos, os que os temos.
Sinal de crescimento quando já não precisamos de or de mão dada com o pai ou com a mãe. Crescemos. Fazemos questão em dos desprendermos das mãos dos mais velhos. A confiança que tínhamos neles, passa para nós. Julgámos que esse era um sinal claro do nosso crescimento e da nossa independência, ou melhor, da nossa autonomia.
Um pouco como a parábola do Filho Pródigo e a sua necessidade de sair debaixo da proteção paterna para sentir que já é mais velho e que já não precisa de ser "orientado", guiado pelo Pai. Verifica depois, queé na proximidade do Pai que a segurança e confiança é maior e mais libertadora. Os outros ajudam-nos a encontrar-nos a nós próprioa.
Com os nossos pais sucedem o mesmo. Com a adolescência e juventude atrai-nos o que está fora de casa. Com a idade adulta-madura, a casa paterna de novo dos atrai. Mais à frente as mãos dos pais continuam a guiar-nos e até desejamos que seja assim por muito tempo. Já não são eles que nos seguram, são as suas mãos que seguramos mas que de novo nos trazem conforto.

No plano da fé, quanto mais nos deixarmos guiar por Deus, mais madura e adulta está a nossa fé. A nossa resistência a deixarmos que Deus nos guie é porque a nossa fé ainda é pequena, diminuta. Pode acontecer que só no fim de vida nos entreguemos totalmente nas mãos de Deus...

29.01.12

Se hoje ouvires a voz do Senhor, abre-Lhe o coração!

mpgpadre

       1 – "Se hoje ouvirdes a voz do Senhor, não fecheis os vossos corações". Respondemos à Palavra de Deus com a mesma Palavra de Deus, através dos salmos. E neste domingo ecoa nos nossos ouvidos esta recomendação: sermos ouvintes a partir do nosso coração. Habitualmente usamos duas palavras para o sentido da audição: ouvir e escutar. O ato de ouvir é comum ao ser humano e a outros seres vivos. Até as plantas ouvem, até as plantas têm necessidade de ser afagadas e de ouvir... Assim, na experiência doméstica de muitos, a constatação que um gato, um cão, um pássaro definham se estiverem muito tempo sem ouvir a voz dos donos. E como saltam euforicamente quando pressentem a proximidade do dono, quando ouvem o rugido da porta de entrada, ou mesmo quando ouvem o barulho do carro que estaciona.

       E por aqui também vemos como o ouvir mexe com o organismo, mexe também connosco.

       Como precisamos de ouvir ruído, um carro a passar, uma música, uma voz, alguém a conversar na rua!... ou simplesmente as vozes que saltam da televisão ou da rádio. Todos conhecemos pessoas que não gostam de ver televisão, ou nem prestam atenção ao que passa na rádio, mas que ligam os aparelhos para se sentirem menos sós. Quando a solidão ataca, ouvir uma voz pode ser acalentador!

 

       2 – Escutar é genuinamente humano, é prestar atenção, olhar, obedecer, é colocar-se em atitude de diálogo, de acolhimento não apenas de uma mensagem mas da pessoa que a profere. Quando a Palavra de Deus ressoa nos nossos ouvidos não pode ser apenas um ruído que perturba, mas o próprio Deus que vem habitar-nos, que desce ao nosso íntimo, ao nosso coração. Por vezes é necessário fechar os olhos (e até os ouvidos) para que a palavra de Deus possa dançar nas profundezas da nossa alma. Depois essa dança converter-se-á em alegria e há de brilhar através do nosso olhar, das nossas palavras e dos nossos gestos.

       O povo de Israel, no seu peregrinar pelo deserto, em diversos momentos, transformou a palavra de Deus em ruído exterior, sem deixar que ela tocasse as suas vidas. Em momentos de desânimo, quando a vida é mais complexa e mais dura, facilmente se esqueceram (e nos esquecemos?) das palavras de Deus, perdendo confiança e entregando-se à murmuração, como que exigindo uma intervenção permanente e milagrosa de Deus. Como se a fé em Deus (e nas Suas promessas) significasse o fim de todos os problemas e a ausência de dificuldades e da necessidade do esforço pessoal e comunitário. O salmo provoca a escuta e a mudança do coração, escutar a partir do interior, a partir da alma, para nos abrirmos ao mistério que nos chega de Deus, que pode transformar o mundo que habitamos.

 

       3 – Na primeira leitura, Deus fala a Moisés e por ele a todo o povo, prometendo-lhe o envio de um profeta que fale em Seu nome, para que o povo não se atemorize na Sua presença.

       «O Senhor teu Deus fará surgir no meio de ti, de entre os teus irmãos, um profeta como eu; a ele deveis escutar. Foi isto mesmo que pediste ao Senhor teu Deus no Horeb, no dia da assembleia: ‘Não ouvirei jamais a voz do Senhor meu Deus, nem verei este grande fogo, para não morrer’. O Senhor disse-me: ‘Eles têm razão; farei surgir para eles, do meio dos seus irmãos, um profeta como tu. Porei as minhas palavras na sua boca e ele lhes dirá tudo o que Eu lhe ordenar. Se alguém não escutar as minhas palavras que esse profeta disser em meu nome, Eu próprio lhe pedirei contas'».

       Com efeito, ainda que através do profeta, as palavras de Deus terão a mesma força e a mesma exigência. Deus colocará a sabedoria e as palavras nos seus enviados, para serem como que um esteio entre o povo, na fidelidade aos mandamentos, na procura constante por praticar o bem e a justiça, viver na concórdia e ajudando-se como família.

       A caminhada do deserto foi demorada e exigiu um grande esforço, não tanto pelas condições adversas, próprias da aridez e da oscilação climática (entre o calor e o frio extremos), mas sobretudo pelos recuos e avanços na vivência dos mandamentos, referência fundamental (e libertadora) para todo o povo.

       A lei, justa e esclarecida, equilibrada e para todos, é libertadora. Como alguém recorda, é como uma pequena cruz no canto de uma folha em branco, temos todo o espaço para preencher com a nossa escrita, com a nossa vida. Os dois pequenos traços cruzados dizem-nos que podemos escrever, que somos livres para agir, ainda que a folha já tenha uma marca. Se nos concentrarmos nessa marca e nos lamentarmos por a folha já se encontrar iniciada (trazemos já inscritas regras no nosso código genético), esqueceremos rapidamente que há muito mais para viver, alguém nos facilitou o caminho, sabemos por onde iniciar, de onde partir...

       A cada passo surgem vozes a murmurar e a lamentar-se pela falta de comodidade que teriam no Egito, ainda que não tivessem liberdade (tendo a folha já cheia de traços, sem espaço a preencher) e, naturalmente, a tentação de regressar a hábitos e tradições, próprias de um povo politeísta e bem mais permissivo na moral e nos costumes e pouco exigentes na defesa e valorização da vida humana.

 

       4 – Jesus é a palavra encarnada, o medo que os judeus tinham de escutar a voz de Deus, que vinha do alto como um estrondo, chega agora de forma indolor, quase silenciosa, entra na história (quase) anonimamente, não por entre as nuvens, mas a partir do interior da humanidade. A Palavra tem um rosto, é uma Pessoa, faz-Se carne em Jesus Cristo.

       A Palavra de Deus, mediada pelos profetas, perde por vezes a sua eficácia. Em alguns momentos, o povo distancia-se da palavra de Deus por não lhe reconhecer a força ou simplesmente por faltarem profetas – a Palavra de Deus torna-se inacessível, difícil de compreender pela multiplicação e ruído das palavras. Os escribas e doutores da lei tornaram demasiado complexa a palavra de Deus e, por outro lado, tornaram-na fator de divisão. Esclarecidos, sabiam como contornar a lei ou justificar os seus desvios, com outros preceitos. As pessoas mais simples procuravam cumprir mesmo não entendendo o que se lhes pedia, ou parecendo-lhes excessivo, mas sem terem como argumentar.

       Com Jesus Cristo, a Palavra volta a plantar-se no coração dos homens e das mulheres. Não nos atemoriza porque podemos escutá-la até no deserto das nossas preocupações, no mais íntimo de nós, até mesmo no silêncio mais profundo.

       Ele é o Mestre dos Mestres, é a Palavra que Se faz Pessoa e tem palavras de vida eterna. N'Ele as palavras são expressão da Sua intimidade com Deus, refletem o que pensa e a forma como age na relação com o mundo e com as pessoas.

       "Encontrava-se na sinagoga um homem com um espírito impuro, que começou a gritar: «Que tens Tu a ver connosco, Jesus Nazareno? Vieste para nos perder? Sei quem Tu és: o Santo de Deus». Jesus repreendeu-o, dizendo: «Cala-te e sai desse homem». O espírito impuro, agitando-o violentamente, soltou um forte grito e saiu dele. Ficaram todos tão admirados, que perguntavam uns aos outros: «Que vem a ser isto? Uma nova doutrina, com tal autoridade, que até manda nos espíritos impuros e eles obedecem-Lhe!» E logo a fama de Jesus se divulgou por toda a parte, em toda a região da Galileia".

       A palavra de Jesus liberta, cura, e desafia-nos à coerência de vida. A autoridade que se Lhe reconhece vem da simplicidade com que fala às multidões e a cada pessoa que encontra. Não fala como estranho, como alguém superior ou mais sábio, mas fala ao coração, com gestos, com autenticidade, de forma simples, mistura-se no meio do povo, deixa-se tocar, deixa-se arrastar no meio da multidão, vai onde precisam d'Ele, da Sua palavra ou dos seus gestos.

       Como discípulos deixemo-nos envolver pela Sua presença, pela Sua palavra, agindo sabendo que Ele está connosco, a olhar para nós, a contemplar a nossa vida.


Textos para a Eucaristia (ano B): Deut 18,15-20; Sl 94 (95); 1 Cor 7,32-35; Mc 1,21-28.

 

Reflexão Dominical na página da Paróquia de Tabuaço

28.01.12

28. A coerência de vida há ser um modo de viver

mpgpadre

A coerência de vida há ser um modo de viver.

Para alguns é fácil cumprirem com a palavra dada.

Antigamente bastava a palavra, a chamada palavra de honra. Quando alguém dava a sua palavra, não era preciso nenhum documento, e também era desnecessário recorrer à justiça para dirimir o que foi assumido verbalmente. Obviamente que estamos a falar de pessoas de bem, que preferiam sair prejudicadas, ou deixar de comer, do que deixar de cumprir com a palavra.

Hoje, infelizmente, o valor da palavra é menor. A crer no que vemos e ouvimos. Saliente-se que muitos não cumprem, porque as situações se alteraram dramaticamente. Mas também há muitos que aproveitam as situações desfavoráveis dos outros para se governarem. A palavra de honra levava consigo a dignidade da pessoa. Não cumprir seria uma vergonha, o que equivaleria hoje a dizer que alguns, pessoas e empresas, perderam a vergonha. Sublinhe-se, uma vez mais, que a generalização é perigosa e pode mesmo ser perversa, pois pode haver pessoas incumpridoras que tudo fizeram e tudo fazem para saldar os compromissos assumidos.

 

O Papa Paulo VI numa intervenção pública afirmou com clareza que existia um grande divórcio entre a fé e a cultura, o evangelho e a vida, a igreja e a sociedade, manifestando a necessidade da prática cristã iluminar a vida quotidiana. João Paulo II e Bento XVI têm acentuado a necessidade de a fé se tornar significativa para as pessoas e para o mundo, através do testemunho. O nosso tempo precisa sobretudo de testemunhas (mártires), mais do que mestres, ou então, mestres que sejam também testemunhas.

 

A coerência é exigida a todos. O ser humano, na sua identidade mais profunda, há de ser para o mundo, para os outros, o que é para si mesmo. Se quisermos, adequa-se também aqui a regra de ouro: faz aos outros o que queres que te façam a ti, ou não faças aos outros o que não queres que te façam a ti. O corpo que delimita a fronteira da nossa existência coloca-nos em comunhão e contacto com os outros e com o mundo. O ideal é que o corpo não se separe da nossa mente, dos nossos propósitos, das nossas convicções, mas que aquilo que nos aproxima dos outros (corporeidade) esteja revestido do que de melhor existe em nós.

 

Por maioria de razão, para o cristão, a coerência é um desafio e um compromisso, pelo facto de ter (ou dever ter) uma consciência mais apurada e esclarecida, porque o horizonte da sua vida não se confina ao tempo e à história, mas abre-se até à eternidade de Deus e porque deverá imitar quem lhe dá o nome: Cristo (cristãos = de Cristo). A identidade cristã remete-se para a postura de Jesus Cristo.

 

É o próprio Cristo que o lembra quando une os dois mandamentos: Amar a Deus e ao próximo como a si mesmo. Escutaremos depois o apóstolo são João a dizer que é mentiroso quem diz amar a Deus que não vê e não ama ao irmão que vê, ou o apóstolo são Tiago que recorda que é pela obras se vê a fé.

 

No evangelho deste domingo (IV Domingo do tempo Comum - ano B), diz-se que Jesus ensinava com autoridade e não como escribas, ou seja, Jesus não fala para os outros, não exige mais do que para si mesmo, da forma como vive assim o ensina.

 

A velha e popular expressar: "bem prega frei Tomás, faz o que ele diz e não o que ele faz", não serve de escusa nem de justificação para bonitas palavras ou discursos bem elaborados mas que depois não têm aplicação na vida. As nossas palavras hão de ilustrar-se com a nossa vida.

 

Com as nossas limitações e fragilidades, por vezes - não nos falte pelo menos essa consciência - distanciamo-nos nos gestos e nas obras daquilo que professamos/afirmamos com os lábios e outras vezes exigimos aos outros o que nem nós temos intenção de viver. Mas não nos iludamos, devemos buscar o ideal, e procurar que o possível do nosso quotidiano nos vá treinando para a perfeição, para o ideal, para a coerência.

Continuamos no nosso caminho de santidade.

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