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Escolhas & Percursos

...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...

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18.09.11

Vinde vós também para a minha vinha

mpgpadre

       1 – Disse-lhes Jesus: "Porque ficais aqui todo o dia sem trabalhar?... Ide vós também para a minha vinha". Para Deus, que Jesus nos mostra com as Suas palavras, gestos, com a Sua vida, todas as horas são favoráveis à conversão e ao compromisso na construção do Reino de Deus. Por isso Ele, como o proprietário da parábola, chama-nos a todas as horas, sai, vem à nossa procura, ao nosso encontro, desafia-nos a desinstalarmo-nos do nosso comodismo e a trabalharmos na Sua vinha, no Seu reino de amor, de justiça e de paz.

        "O reino dos Céus pode comparar-se a um proprietário, que saiu muito cedo a contratar trabalhadores para a sua vinha... Saiu a meio da manhã, viu outros que estavam na praça ociosos e disse-lhes: ‘Ide vós também para a minha vinha e dar-vos-ei o que for justo’... Voltou a sair, por volta do meio-dia e pelas três horas da tarde, e fez o mesmo. Saindo ao cair da tarde, encontrou ainda outros que estavam parados e disse-lhes: ‘Ide vós também para a minha vinha'..."

       Ao amanhecer como ao anoitecer, Deus nunca desiste de nós. Tem sempre lugar para nós. Basta querer!

 

       2 – Não desiste porque nos ama infinitamente e, por conseguinte, dá-Se-nos total e plenamente. Não se dá aos bocados, não é quantificável o Seu amor por nós. Isso faz-nos espécie! Como é que Ele pode amar na perfeição quem toda a vida viveu de acordo com a Sua vontade e pode, na mesma plenitude, amar aquele que andou a maioria do tempo arredado dos caminhos da verdade e do bem? 

       Humanamente falando é um injustiça...: "Ajustou com eles um denário por dia e mandou-os para a sua vinha... Quando vieram os primeiros, julgaram que iam receber mais, mas receberam também um denário cada um". Na parábola, os que trabalharam todo o dia murmuram porque pensavam que iriam receber mais, ainda que tivessem ajustado o que realmente receberam. Mas a lógica de Deus é diferente, é a lógica do amor puro, infinito, sem limites, não quantificável com os nossos méritos. Deus dá-Se totalmente, dá todo o amor. Não mede. Por isso nos dá o Seu próprio Filho.

       É a dinâmica da parábola do Filho Pródigo (= Parábola do Pai Misericordioso). Quando o Filho se arrepende e volta, o Pai devolve-lhe a dignidade perdida, ele torna a ser filho, e como filho readquire todos os direitos. É também a lógica do Bom Samaritano que encontra uma vítima no caminho e cuida sem temer contaminações, assegurando-se que a vítima recuperará totalmente. Não olha a despesas ou ao tempo perdido. Deus é assim. Ama-nos, infinitamente.

 

       3 – Com efeito, a liturgia da palavra para este domingo, sublinha a proximidade de Deus, sempre pronto a escutar-nos, sempre pronto a acolher-nos, sempre pronto a vir ao nosso encontro. "O Senhor está perto de quantos O invocam, de quantos O invocam em verdade" (Salmo).

       Daí que o profeta nos convide a aproveitar dessa proximidade: "Procurai o Senhor, enquanto se pode encontrar, invocai-O, enquanto está perto. Deixe o ímpio o seu caminho e o homem perverso os seus pensamentos".

       O amor de Deus para connosco, a Sua proximidade há-de levar-nos à mudança de vida, à conversão do coração. Abandonemos todas as obras das trevas e procuremos viver segundo os ensinamentos de Deus, segundo a Sua vontade.

       No fundo, como nos refere o Apóstolo São Paulo, enquanto vivermos neste corpo mortal, glorifiquemos o Senhor, vivamos n'Ele e para Ele, procuremos viver em Jesus Cristo, ainda que atraídos pela eternidade divina, onde Ele já Se encontra à direita de Deus Pai e de onde nos atrai constantemente.

       "Cristo será glorificado no meu corpo, quer eu viva quer eu morra. Porque, para mim, viver é Cristo e morrer é lucro. Mas, se viver neste corpo mortal é útil para o meu trabalho, não sei o que escolher. Sinto-me constrangido por este dilema: desejaria partir e estar com Cristo, que seria muito melhor; mas é mais necessário para vós que eu permaneça neste corpo mortal. Procurai somente viver de maneira digna do Evangelho de Cristo".

       O dilema de Paulo, reflecte o amor a Jesus Cristo, que se concretiza na missão mas também na comunhão plena na eternidade.


Textos para a Eucaristia (ano A): Is 55,6-9; Sl 144 (145); Filip 1,20c-24.27a; Mt 20,1-16a.

 

Reflexão Dominical na Página da Paróquia de Tabuaço.

16.09.11

SETEMBRO: o caminho e a estalagem

mpgpadre

Não nos podemos instalar simplesmente nas vitórias de ontem, nos saberes adquiridos de um dia, nas experiências de uma determinada etapa

        Chega setembro e damos por nós a conjugar regressos. Há duas maneiras de encarar este reencontro com o nosso quadro habitual de vida. Podemos entendê-lo como um retomar simples de um percurso que a pausa estival interrompeu. Voltamos aos mesmos lugares, ao mesmo ritmo, aos mesmos tiques rotineiros, como se a vida fosse um contínuo inalterado. Ou podemos voltar, tendo ganho uma distância crítica e criativa, em relação ao modo como habitamos o real que nos cabe. Sentimos então, como naquele verso de Rainer Maria Rilke, que temos de chegar ao que conhecemos e arriscar olhá-lo como se fosse a primeira vez.

       De facto, a vida, nas suas várias expressões (laborais, familiares, afetivas…) precisa de recomeços que o sejam verdadeiramente. Não nos podemos instalar simplesmente nas vitórias de ontem, nos saberes adquiridos de um dia, nas experiências de uma determinada etapa. O recomeço supõe uma abertura esperançada em relação ao hoje, encarando-o com a pobreza e a ousadia de quem aceita, depois de ter percorrido já uma estrada, considerar que está novamente, e que estará até ao fim, a viver sucessivos pontos de partida.

       Neste sentido, precisamos de jogar a vida no aberto, mantendo uma plasticidade interior que é um grande investimento de confiança no modo como Deus se vai manifestando a cada momento. Talvez precisemos todos escutar mais profundamente a vida para captar essa novidade que nos chega por dentro, esse refazer das disposições interiores, essa rejuvenescida vontade de nos pormos à estrada, quando a tentação que nos sobrevém, a dada altura, é a de nos arrumarmos num canto qualquer.

       Há aquela frase exigente e fantástica que o D. Quixote repetia: “vale mais o caminho do que a estalagem”. Setembro abeira-se de nós assim, desafiando-nos não a um regresso à estalagem, à zona de conforto, à vida tornada mais ao menos maquinal, mas a expormo-nos aos reinícios autênticos, ao refazer humilde e apaixonado do nosso labor, às aprendizagens que nos avizinham silenciosamente do definitivo escondido no provisório que tateamos.

 

Pe. José Tolentino Mendonça, in Editorial da Agência Ecclesia.

14.09.11

Exaltação da Santa CRUZ: Capela da Matancinha e Cisma de Penude

mpgpadre

       No dia em que celebramos a Exaltação da Santa Cruz, repomos um post sobre a Capela da Matancinha, povoação da Freguesia e Paróquia de Lamego, nossa terra natal, e que exaltam em toda a sua estruta a CRUZ de Jesus Cristo, envolvendo também o Cisma, sedeado à volta da Capela e com o foco principal na Matancinha.

 

       No nosso blogue Caritas in Veritate, acompanhamos um blogue sobre Penude, minha terra natal. Um dos post's em evidência chama a atenção para o Cisma de Penude, que se concentrou à volta da minha povoação, Matancinha. O então pároco, Pe. Manuel Gonçalves da Costa, e o seu primo, Pe. Justino, envolveram-se numa dispusta, em que envolveu outros familiares, e que viria a provocar um Cisma, que reflectiu sobretudo à volta da Capela da Matancinha, em honra de Santa Cruz, feita à época e em forma de cruz.

       A cruz é o elemento presente nas mais diversas representações, acentuando-se a vivência do cristianismo pelo sacrifício, pelo sofrimento, pela penitência, olhando para Deus sobretudo como Juiz, um pouco na perspectiva jansenista.

     Como em todos os povos, quando se dão divisões, acontecem dentro das próprias famílias. Por exemplo, o meu avô materno fazia parte da "seita", a minha avó materna não.

       O que terá oficializado o cisma, foi a visita pastoral do Bispo de Lamego à paróquia, onde celebrou o Sacramento do Crisma. O Pe. Justino terá dito que estavam todos em pecado e que o Bispo tinha dado a comunhão até a uma mulher de cabeça descoberta.

       Sobre o Cisma de Penude pode consultar os textos na página PENUDE e MONTEMURO, onde é apresentado o texto do Dr. Manuel Gonçalves da Costa, parente próximo do então pároco de Penude, com o mesmo nome, e uma análise crítica de um dos autores do blogue e da página.

       Em cima, a Capela da Mantancinha, que esteve interdita por alguns anos, os iniciais, por aí se centrar a "seita", depois do Pe. Justino ter sido excumungado, bem como os seus seguidores.

       Nestas coisas não há imparcialidade. Vale a pena ver as várias perspectivas e para quem teve familares dum e doutro lado talvez a imparcialidade seja maior. Sublinhe-se no entanto, que Penude é um terra de gente crente praticante, em toda a extensão. As pessoas da Matancinha continua fervorosa na fé e na prática religiosa.

13.09.11

Pe. Manuel Pinto Afonso: uma vida ao serviço da Igreja

mpgpadre

(Pe. Manuel Pinto Afonso, em celebração presidida pelo então neo-sacerdote Pe. Marcos Alvim, e na residência com o Pe. Cândido)

Pe. Manuel Pinto Afonso: 

       Nasceu no dia 18 de Dezembro de 1915, em Cinfães, e foi ordenado sacerdote no dia 7 de Julho de 1940. Faleceu no dia 11 de Setembro de 2011, no Hospital de Lamego, com 95 anos de idade.

       Esteve como formador/professor no Seminário Maior por algum tempo, depois de ter sido ordenado, tendo-se tornado uma referência para o actual Bispo de Lamego, D. Jacinto Tomás de Carvalho Botelho, que via nele um modelo de sacerdote a seguir.

       Foi depois coadjuvar na paroquilidade de Ferreiros, sua terra natal. Na Igreja Paroquial, onde foi baptizado viria acolher o enlace matrimonial dos pais do actual Bispo de Aveiro, D. António Francisco dos Santos, a quem também baptizou.

       Entretanto veio para o Concelho/Arciprestado de Tabuaço, assumindo a paroquialidade de Barcos, Adorigo e Santa Leocádia, e colaborando como professor no Externato de Tabuaço. Foi nomeado pároco de Tabuaço, em 1961, assumindo também a direcção do Externato de Tabuaço, sucedendo ao Pe. Abel Ferreira Alves.

       Segundo D. Jacinto, ao longo da sua vida de sacerdote, manifestou uma grande predilecção por Nossa Senhora da Conceição, pelo que a Festa da Imaculada Conceição, Padroeira de Tabuaço, era um dos momentos mais queridos do pároco e da comunidade, bem como a novena que precede a Festa.

 (Monumento a Nossa Senhora da Conceição - 8/12/1998 e a vista de Tabuaço do miradouro de Nossa Senhora da Conceição)

 

        Em 8 de Dezembro de 1998, foi benzido o monumento em honra de Nossa Senhora da Conceição, que está sobre a Vila de Tabuaço e que exprime a forte devoção à Padroeira.

       Era um homem de oração e reconhecido pregador. Foi Arcipreste de Tabuaço durante muitos anos. A sua dedicação pastoral traduziu-se também no movimento dos Cursos de Cristandade, que tiveram, por sua iniciativa, uma grande implantação em Tabuaço, tornando-se a Residência Paroquial (actual Centro Paroquial) lugar para as reuniões dos cursistas de Tabuaço, mas também de Arciprestados vizinhos.

       Como professor, foi-lhe reconhecida a mestria nomeadamente em Português (Língua Portuguesa), mas em outras áreas. Aliás, foi com o propósito de ser um dos professores do Externato que terá sido "puxado" para a paroquilidade de Barcos, Adorigo e Santa Leocádia, as paróquias que estavam disponíveis no Arciprestado. Até que veio para a Vila e assumiu a direcção do Externato, onde muitas pessoas prosseguiram os seus estudos, abrindo portas para o futuro profissional.

       Nos últimos anos tinha a colaboração do Pe. Luís na paroquialidade de Tabuaço e Pinheiros. Ou melhor foram constituídos como Equipa Sacerdotal, segundo o Sr. Bispo D. Jacinto, a primeira da Diocese de Lamego, englobando o espaço pastoral: Tabuaço, Pinheiros, Barcos, Adorigo, Santa Leocádia.

       Foi sepultado na sua terra natal, Ferreiros, de Cinfães, no dia 12 de Setembro de 2011, um dia depois da sua morte. Presidiu às Exéquias solenes o Bispo de Lamego, D. Jacinto. Concelebraram o Bispo de Aveiro, D. António, e muitos sacerdotes da Diocese de Lamego, entre os quais os sacerdotes a exercer em Tabuaço, Pe. Luís, actual pároco de Barcos, Adorigo e Santa Leocádia, e que com ele formou equipa sacerdotal durante alguns anos, Pe. Ildo, pároco de Chavães e Arcos, Pe. Filipe, que nos últimos anos ia a sua casa celebrar Eucaristia com ele, o actual pároco de Tabuaço e Pinheiros, Pe. Manuel Gonçalves.

       A Igreja em que nasceu para a fé, estava repleta, esteve rodeado dos familiares, das pessoas que o acompanharam ao longo dos anos e dele cuidaram, de muitos amigos, a comunidade paroquial de Ferreiros, e da comunidade paroquial de Tabuaço, o Presidente da Câmara Municipal de Tabuaço, Dr. João Ribeiro, uma representação dos Bombeiros de Tabuaço.

11.09.11

Quantas vezes deverei perdoar? Até 70x7... sempre!

mpgpadre

       1 – "Errar é humano, perdoar é divino".

       Neste ditado popular temos uma constatação e um desafio. Por um lado, é próprio da nossa fragilidade humana errarmos, falharmos na nossa relação com os outros. Vale para uns e para outros. Estamos no mesmo barco. Somos da mesma carne. Num ou noutro tempo, lá cometemos um deslize, uma falha, uma palavra que ofende, um gesto que destrói o outro, uma palavra ou um gesto que destrói a confiança do outro, que mina a sua paz e a sua saúde. 

       Desde logo uma lição importante: se todos pecamos, isto é, se temos em nós o gérmen da fragilidade, do errar, mais consciente ou menos conscientemente, então a nossa compreensão e tolerância para com os outros deveria ser um modo de ser, uma constante, uma opção de vida.

       Por outro lado, sabemos como o perdão não é assim tão fácil de conceder. E porquê? Quem já se sentiu ofendido na sua dignidade? Quem foi insultado, traído, desprezado? Quem já foi vítima do ódio, da maledicência, do boato, da injúria, da violência, da injustiça? Quem já viu o seu nome lançado na lama? Como se sentiu, como se viu impelido a agir?

       Por vezes basta uma palavra fora de tempo, ou a ausência de uma palavra de solidariedade, para nos sentirmos ofendidos!

       Este é o grande desafio: perdoar. É a característica fundamental da caridade, a propriedade de Deus. Ama em perfeição. Perdoa em todas as situações. Só Ele nos liberta do peso do pecado e da culpa. Perdoar é divino. Mas é também um caminho, do crente e de toda a pessoa que quer ser livre, que quer ser saudável. É um ideal que devemos prosseguir com alegria, com paixão. O perdão liberta-nos do rancor, da irritação, do ódio, liberta o nosso coração para que ame, para que viva, para que aprecie o mundo à sua volta.

 

       2 – No Evangelho deste domingo encontrámos um Pedro muito benevolente: “Se meu irmão me ofender, quantas vezes deverei perdoar-lhe? Até sete vezes?”.

       Deverei perdoar? E quantas vezes? Cada um de nós já foi confrontado com esta questão várias vezes ao longo da sua vida. Não será difícil responder. Já que esta ou aquela pessoa me ofendeu, e se não foi uma ofensa à minha dignidade, então poderei vir a perdoar. E se a mesma pessoa me ofender de novo? Aí o perdão já se torna mais complexo, é que se perdoo novamente pode voltar a fazer o mesmo pois sabe como tenho um coração de manteiga. E uma terceira vez? Já é quebrar a cara e perder a vergonha! Perdoar, nem pensar! O abuso também tem um limite!

       Quando Pedro pergunta a Jesus se deve perdoar até sete vezes, ele está a ser demasiado generoso. Talvez pense que Jesus tenha um gesto de reconhecimento e de felicitação por tamanha generosidade. Mas Jesus surpreende-o: “Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete”. O número 7, para a Bíblia, significa perfeição, plenitude. Perdoar 7 vezes é perdoar sempre. Mas para que não restem dúvidas, Jesus eleva o perdão até ao infinito, perdoar sempre, em todas as situações, em todos os momentos, a todas as pessoas.

        Perdoar é divino, perdoar abre-nos o coração aos outros, à vida, à alegria, a Deus. Liberta-nos. Cura-nos. Perdoar traz-nos a confiança, devolve-nos a felicidade. É certo que há situações que não esquecerei, muito menos uma ofensa grave. Fica gravado na memória. Não é uma opção. Perdoar tem a ver com a vontade, é uma opção de vida, é uma escolha. Perdoo, sabendo que me fizeram mal, que feriram a minha dignidade, que me atraiçoaram. Quero bem àquela pessoa, ainda que saiba que me injuriou. Perdoar para sermos perdoados, como na parábola contada por Jesus. Deus perdoa-nos tudo, para que nós vamos perdoando àqueles que nos ofendem.

       Quando não perdoamos, o nosso coração vai-se enchendo de rancor, de ódio, de revolta, de irritação. Para onde quer que vamos, em tudo o que fazemos, acordados ou a dormir, a pessoa que nos ofendeu vai connosco, faz parte da nossa vida, em todas as horas, negativamente. Nem comemos com o mesmo entusiasmo, nem dormimos com a mesma tranquilidade, como que desejaríamos que essa pessoa passasse pelo mesmo... Paralisamos! Adoecemos! Morre em nós a vida nova que recebemos de Deus, em Jesus Cristo, pelo Espírito Santo.

       Embora seja divino, o perdão é uma escolha, é uma questão de saúde, de cura. 

 

       3 – O perdão é uma exigência da caridade ao jeito de Jesus Cristo. Quem ama perdoa. Os cristãos, seguidores de Jesus Cristo, são chamados a perdoar sempre, deixando-se tocar pela graça de Deus, fonte e origem de todo o amor, fonte e origem do perdão.

       Ben Sirá, alerta-nos para a urgência de pedirmos a Deus a nossa cura, perdoando aqueles que nos ofenderam.

       "O rancor e a ira são coisas detestáveis, e o pecador é mestre nelas. Quem se vinga sofrerá a vingança do Senhor, que pedirá minuciosa conta de seus pecados. Perdoa a ofensa do teu próximo e, quando o pedires, as tuas ofensas serão perdoadas. Um homem guarda rancor contra outro e pede a Deus que o cure? Não tem compaixão do seu semelhante e pede perdão para os seus próprios pecados? Se ele, que é um ser de carne, guarda rancor, quem lhe alcançará o perdão das suas faltas? Lembra-te do teu fim e deixa de ter ódio; pensa na corrupção e na morte, e guarda os mandamentos. Recorda os mandamentos e não tenhas rancor ao próximo; pensa na aliança do Altíssimo e não repares nas ofensas que te fazem".

       As nossas ofensas são perdoadas quando perdoamos as dos outros. A cura é-nos concedida quando libertamos o nosso coração de toda a cólera, sabendo que só desse modo imitámos o proceder de Deus. Como se nos recorda no Salmo: "Como a distância da terra aos céus, assim é grande a sua misericórdia para os que O temem. Como o Oriente dista do Ocidente, assim Ele afasta de nós os nossos pecados".

       Vivendo na graça de Deus, aprenderemos a força libertadora de nos sabermos perdoados, amados por Deus e de sabermos que o nosso perdão disponibiliza o nosso coração, a nossa vida, para a alegria, a confiança, para a disposição para nos encontrarmos e para descobrirmos a beleza da vida, para termos garra para enfrentarmos os momentos de dificuldade com mais serenidade.

 

       4 – Lembremo-nos da recomendação feita pelo Apóstolo São Paulo aos Romanos: "Nenhum de nós vive para si mesmo e nenhum de nós morre para si mesmo. Se vivemos, vivemos para o Senhor, e se morremos, morremos para o Senhor. Portanto, quer vivamos quer morramos, pertencemos ao Senhor. Na verdade, Cristo morreu e ressuscitou para ser o Senhor dos vivos e dos mortos".

       Se colocarmos Deus nos nossos pensamentos, na nossa vontade, nas nossas escolhas, nos nossos afazeres, se deixarmos que o Seu Espírito de amor actue em nós, tornar-se-á mais fácil entender que a vida se resolve e se decide na caridade, que, por sua vez, tem no perdão uma das expressões máximas do viver como Jesus viveu, amando, perdoando, fazendo o bem, dando a vida por nós, a que também nós estamos chamados.


Textos para a Eucaristia (ano A): Sir 27, 33 – 28, 9; Sl 102 (103); Rom 14, 7-9; Mt 18, 21-35.

 

09.09.11

Qual a classe média que está ameaçada?

mpgpadre

...mais que um enfraquecimento económico, foi debilidade de alma com dependência viciosa da banalidade, mau gosto, futilidade de vida e perda de valores humanos e patrimoniais.

        E cada vez mais se vão vendo e ouvindo notícias, debates, declarações, sentenças avulsas, sobre uma crise que desaba sobre todos, e onde todos parecem querer fugir na hora de assumir gestos concretos para a solução. Os verdadeiramente pobres já não sabem que dizer e fazer. Os chamados ricos não sentem alteração apreciável. Tal como está a impatrialidade do dinheiro, facilmente se arranja um colchão anónimo em qualquer recanto do planeta e aí se faz descansar em paz os milhões, escapando ao mais rigoroso sistema fiscalizante. Assim ignoram a crise dos outros aquietando a consciência com doações ou fundações que pouco remendam os andrajos ou saram as feridas. A crise, mais cedo ou mais tarde, vai passar e tudo continuará como dantes.

       O novo discurso parece centrar-se agora naquilo a que se chama a classe média. No presente contexto não se sabe bem o que seja, mas deve tratar-se de novos pobres que já foram quase ricos e se sentiram ludibriados pela publicidade, pelos empréstimos, pelos juros, pelas promessas, pela ascensão social que deu carro de luxo, muitos topos de gama, vivenda, piscina, decorador, alfaiate, segundo carro, segunda casa e uma infinidade de quinquilharias de marca que nada têm a ver com saúde, cultura, qualidade de vida ou dignidade. Foi uma espécie de volúpia do pequeno e grande luxo, o culto do supérfluo, o estatuto social como alvo primordial da vida. Tudo isso, mais que um enfraquecimento económico, foi debilidade de alma com dependência viciosa da banalidade, mau gosto, futilidade de vida e perda de valores humanos e patrimoniais.

       É essa classe média que está ameaçada?

       Há muito ferro velho ou plástico ou plasma que é preciso deitar fora. E se a crise ajudar a essa depuração num regresso ao essencial, acaba por ser benéfica.

       Porventura pouco interessa que tudo passe para voltarmos ao mesmo. Todas as classes precisam fazer uma reflexão mais que económica. Como dizia Bento XVI no voo de Roma para Madrid ‘a economia não pode funcionar apenas com uma autorregu-lação mercantil mas tem necessidade de uma razão ética para servir o homem.’ O pão de cada dia é sagrado em qualquer mesa. É mais que um objeto, é imagem do próprio coração do homem.

 

António Rego, editorial da Agência Ecclesia.

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