Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Escolhas & Percursos

...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...

Escolhas & Percursos

...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...

16.03.10

Atitude XIS: gosto muito...

mpgpadre

       Um dos livros que recomendaríamos: Laurinda Alves, Atitude Xis. Um olhar positivo sobre a vida. Depois de "Xis Ideias para pensar", este é mais um recolha de textos, de reflexões, de pensamentos que voam, de interpelações, de desafios. E uma das formas de recomendar esta leitura é pelo texto que se segue: Gosto Muito.

Gosto muito

da lua cheia

do silêncio puro

da geometria

da minha rua

dos dias compridos

de abraços demorados

de sorrisos no elevador

de pessoas autênticas

de conversas eternas

das janelas todas abertas sobre o rio e a cidade

de luzes baixas e amarelas dentro de casa

e quadros grandes

da cor do fogo

de todas as estrelas do céu

do sol da manhã e da luz do dia

do barulho do mar ao entardecer

da maré vazia ao fim do dia

do vento quando deixa marcas na areia lisa

do rumor vegetal das folhas nas árvores

do manto lilás de folhas de jacarandá que cobre o chão

de coincidências, surpresas e milagres

de ver pessoas felizes

de olhos que riem

de cidades grandes com rio

da voz dos que amo

de estar calada

da casa cheia de amigos

de jantares improvisados

de ouvir tocar piano e violino sempre

de ficar abstracta, às vezes

de livros e de poetas

de acordar tarde

de certas rotinas

de me esquecer das horas

da areia da praia ao meio-dia, quando está a ferver

das vozes descombinadas no ar nas tardes de calor

do rapaz que passa na mota, ao meu lado

de quando sai a correr para a última fotografia com a luz do dia

dele muito mais do que de ninguém

de saber que ele sabe isso

gosto da luz dourada do entardecer reflectida nos seus olhos

gosto da intimidade

da verdade e da cumplicidade

de templos e lugares sagrados

de horizontes líquidos

do azul infinito

de riscos brancos no céu

da cor púrpura do entardecer

de histórias de pessoas

de descobrir umas mãos fortes

de ir mais longe com alguém

dos que rezam comigo

da lua árabe só com uma estrela, no alto do céu

de ficar em casa, embalada nos barulhos da casa

e ainda ter comigo todos os que mais amo

de adormecer e de sonhar acordada

de amar e ser amada

de alguém em especial

do amor dos amigos também

de estar com eles na praia até ser noite

de tantas outras coisas

e da vida, todos os dias.

Laurinda Alves, Atitudes Xis. Um olhar positivo sobre a vida. Oficina do Livro: 2007.

15.03.10

A Bíblia: a Voz, o Rosto e a Casa da Palavra

mpgpadre

        1. A VOZ DA PALAVRA: a revelação. É voz divina, que “ressoa nas origens da criação, quebrando o silêncio do nada e dando origem às maravilhas do universo”! É voz que desce nas páginas das Sagradas Escrituras, que nós lemos na Igreja, sob a guia do Espírito Santo.


       2. O ROSTO DA PALAVRA: Jesus Cristo. Está no Evangelho: O verbo (Palavra) se fez carne (Jo 1, 14). E aqui então aparece o Rosto. É Jesus Cristo, Filho do Deus eterno e infinito e ao mesmo tempo um homem mortal, ligado a uma época histórica, a um povo e a uma terra. É Ele quem nos revela o “sentido pleno” e unitário das Sagradas Escrituras, pelas quais o cristianismo é uma religião que tem no centro uma pessoa, Jesus Cristo, revelador do Pai.


       3. A CASA DA PALAVRA: a Igreja. Segundo Actos (2, 42), a Igreja proclama o ensinamento dos apóstolos, lendo e anunciando a Bíblia, inclusive na homilia e na Catequese. A Igreja celebra a “fracção do pão”, a Eucaristia, que é fonte e cume da vida e da missão da Igreja. Temos ainda a Liturgia das Horas, a leitura da Sagrada Escritura, que pela meditação, oração e contemplação conduz ao encontro com Cristo, Palavra do Deus vivo.


       Na Igreja temos a “comunhão fraterna”. Não basta ouvir a Palavra de Deus. Na Casa da Palavra temos os irmãos e irmãs de outras Igrejas e comunidades cristãs, que, embora ainda separadas, vivem uma unidade real através da veneração e do amor pela palavra de Deus.


       4. OS CAMINHOS DA PALAVRA: a missão. A Palavra de Deus deve percorrer os caminhos do mundo, que hoje são também os da comunicação, informática, televisiva e virtual. A Bíblia deve entrar nas famílias, para que pais e filhos a leiam, com ela rezem para que ela seja para eles uma lâmpada para seus passos no caminho da existência.


       A Bíblia apresenta-nos também o sopro de dor que se eleva da terra, vai ao encontro do grito dos oprimidos e do lamento dos infelizes. Traz no vértice a cruz, onde Cristo, sozinho e abandonado, vive a tragédia do sofrimento mais atroz e da morte. Mas pela presença do Filho de Deus, a escuridão do mal e da morte está iluminada pela luz pascal e pela esperança da glória.


Retirado do blogue "Faz-te ao Largo", postado a partir do nosso blogue Caritas in Veritate.

13.03.10

O pão dos outros

mpgpadre

       Remi está a conversar com a avó.

       Gosta de a ouvir falar dos seus tempos de menina.

       – Na minha aldeia, na Provença, pelo Ano Novo, no primeiro dia de Janeiro, toda a gente oferecia uma prenda a toda a gente. Vê lá se és capaz de adivinhar o que seria.

       Remi lança palpites:

       – Comprar prendas para a aldeia inteira… É preciso muito dinheiro. Quer dizer que as pessoas eram ricas?

       A avó riu-se:

       – Oh, não! Naquele tempo, tinha-se muito pouco dinheiro e ninguém na aldeia comprava prendas. Nem sequer havia lojas como há hoje.

       – Então faziam as prendas?

       – Não propriamente!

       – Então como é que faziam?

       – Era muito simples. Ora ouve…

       Antigamente, cada família fazia o seu pão. Não havia água corrente nas casas. Então íamos buscá-la à fonte, no largo da aldeia.

       E, no dia um de Janeiro, de manhã muito cedo, a primeira pessoa que saía de casa, colocava um pão fresco no bordo da fonte, enquanto enchia a bilha de água. Quem chegava a seguir pegava no pão e punha outro no mesmo lugar para a pessoa seguinte, e assim por diante…

       Desta forma, em todas as casas, se comia um pão fresco oferecido por outra pessoa. Nem sempre se sabia por quem, mas garanto-te que o pão nos parecia muito bom porque era como se fosse um presente de amizade.

       As pessoas que estavam zangadas pensavam que talvez estivessem a comer o pão do seu inimigo e isso era uma espécie de reconciliação…

       Durante alguns dias, esta história andou a martelar na cabeça de Remi.

       Uma manhã, teve uma ideia.

       Meteu no bolso uma fatia de pão de lavrador. É o pão que se come na casa de Remi.

       E na escola, um pouco antes do recreio, Remi pousou o pão bem à vista, em cima da carteira de Filipe, o seu vizinho.

       Filipe está sempre com fome e repete sem cessar a Remi:

       – Oh! Que fome, que fome eu tenho! Bem comia agora qualquer coisa!

       Quando Filipe viu a fatia de pão, que rica surpresa! Sabia muito bem quem lha tinha dado, mas fingiu que não sabia.

       No recreio, todo contente, comeu o pão sem dizer nada a Remi, mas…

       No dia seguinte, sabem o que é que Remi encontrou em cima da carteira, mesmo antes do recreio? … Um pedaço de cacete!

       Um grande pedaço bem estaladiço! Um verdadeiro regalo!

       Filipe ria-se.

       E assim continuaram a dar um ao outro presentes de pão.

       Na aula, a Carlota e a Sílvia estão sentadas logo atrás de Filipe e de Remi. Rapidamente souberam da história do pão e quiseram também participar nas surpresas.

       No dia seguinte, Sílvia levou uma fatia de cacetinhoe Carlota uma fatia de pão centeio.

       Outras crianças quiseram participar nas prendas de pão.

       Apareceu pão grosseiro, pão de noz, pão de sêmea, pão sem côdea, pão caseiro, pão fino, pão russo, negro e um pouco ácido, que Vladimir levou, pedaços de pão árabe, que a mãe de Ahmed cozera no forno, e ainda muitos outros tipos de pão.

       Desta forma, quase toda a turma se pôs a trocar pedaços de pão durante o recreio.

       A professora apercebeu-se das trocas e perguntou:

       – Mas o que é que vocês estão aí a fazer?

       Carlota e Remi contaram-lhe toda a história do pão dos outros.

       E logo após o recreio, o que é que estava em cima da secretária da professora? …um pedaço de pão!

       Toda a classe tinha os olhos postos na professora. Ela sorriu e comeu o pão.

       E, no domingo seguinte, quando Remi viu a avó, era ele que tinha uma história para lhe contar:

       – Sabes, avó? Olha, na minha turma…
 

Michèle Lochak, Le pain des autres Paris, Flammarion, 1980. In Contadores de Histórias.

12.03.10

8.ª Estação: o Cireneu ajuda Jesus a levar a Cruz

mpgpadre

       O tempo da Quaresma convida-nos a meditar na vida de Jesus como entrega permanente à humanidade, na Sua vida pública, mas sobretudo no mistério da Sua morte redentora. A CRUZ como expressão máxima do amor de Deus para connosco. A Via-sacra mostra-nos de forma eloquente os últimos momentos da vida de Jesus, com esforço, com sacrifício, sujeito às injúrias, às bofetadas, mas também a gestos de ternura como o das mulheres de Jerusalém.

      A Banda Jota oferece-nos esta magnífica canção sobre Simão de Cirene que ajuda Jesus a carregar a Cruz. Ouça, medite, envolva-se na caminhada de Jesus.

       Convidámo-lo a revisitar a Via-sacra, tradicional e popular, que apresentamos ao longo de 14 dias, no nosso blogue, com um pequeno texto bíblico e com uma oração, clicando na etiqueta VIA-SACRA.

       O papa João Paulo II, por sua vez, propôs novas estações para a Via-sacra, baseando-se nos Evangelhos. Não estranhemos, pois, que umas vezes ouçamos/meditemos na Via-sacra tradicional, que as nossas Igrejas têm representadas, e a Via-sacra bíblica. A proposta de João Paulo II para a Via-sacra:

1.º Estação: A oração de Jesus no Horto das Oliveiras

2.º Estação: A traição de Judas e a prisão de Jesus

3.º Estação: O Sinédrio condena Jesus

4.º Estação: Pedro nega Jesus por três vezes

5.º Estação: Pilatos julga Jesus

6.º Estação: Flagelação de Jesus e coroação de espinhos

7.º Estação: Jesus com a cruz às costas

8.º Estação: Simão de Cirene ajuda Jesus a levar a cruz

9.º Estação: As mulheres de Jerusalém

10.º Estação: Jesus é crucificado

11.º Estação: O ladrão arrependido e perdoado

12.º Estação: Maria ao pé da cruz

13.º Estação: A morte de Jesus

14.º Estação: Jesus é sepultado

       Habitualmente acrescenta-se uma 15.º Estação: a Ressurreição de Jesus. Esta última coloca-nos na celebração festiva da Páscoa de Jesus, é a passagem da Morte à Vida. se ficássemos pela 14.º Estação a nossa fé seria inútil, o nosso Salvador seria um fracassado...

12.03.10

O soldado de Cristo e a Palavra de Deus

mpgpadre

       Você tem uma única arma - a Palavra de Deus!

       A Palavra de Deus não necessita de aliados.

       Você deve confiar apenas na Palavra de Deus; não confie na sua própria sabedoria nem na sabedoria de outras pessoas.

       Nenhum castigo humano pode absolvê-lo do dever de falar e de dar reconhecimento a Deus.

       Não esqueça que o mundo odeia a Palavra de Deus mais do que qualquer outra coisa, e não há nenhuma outra coisa da qual o homem tanto necessite quanto a Palavra de Deus.

       Em cada derrota esteja certo disto: O Deus que levantou de entre os mortos Aquele que fora crucificado obteve a Sua vitória na derrota.

Toda e qualquer batalha que possa estar à sua espera já foi vencida por Ele.

       Você já tomou a sua posição ao lado de Cristo, não se surpreenda, pois, se for tratado como um pária.

       Observe bem este facto: a posição do Cristão neste mundo é com as suas costas contra a parede.

       Não aja como se fosse o único soldado de Jesus Cristo, mas obedeça às Suas ordens, mesmo que ninguém mais, excepto você, se prontifique a obedecer.

       Nunca pense que Deus necessita sempre de um homem com qualidades como as que você possui. É você quem precisa de Deus.

       Quando estiver a aguardar ordens do alto, não fique à procura de respostas dentro de si mesmo.

       Não confunda os mandamentos de Deus com as propostas de paz que o mundo oferece.

       Há um grande futuro adiante de si – o futuro de Deus! Avance!

  

Henry Vogel, in Caritas in Veritate.

12.03.10

Mudar em nós para mudar à volta: O vestido azul

mpgpadre

       Em tempo de Quaresma o apelo à mudança, à conversão, é permanente. Não é preciso mudar o mundo inteiro, basta que nós mudemos, que mudemos o nosso mundo interior, para que todo o mundo mude connosco. Leia agora com atenção esta estória que se segue e medite.

 

 

       Num bairro pobre de uma cidade distante, morava uma garotinha muito bonita. Ela frequentava a Escola local. Sua mãe não tinha muito cuidado e a criança quase sempre se apresentava suja. Suas roupas eram muito velhas e maltratadas.

       O Professor ficou penalizado com a situação da menina.

       - “Como é que uma menina tão bonita pode vir tão mal arrumada para a Escola?”

       Separou algum dinheiro do seu salário e, embora com dificuldade, resolveu comprar-lhe um vestido novo.

       Ela ficou linda no vestido azul!

       Quando a mãe viu a filha naquele lindo vestido azul, sentiu que era lamentável que sua filha, vestindo aquele traje novo, fosse tão suja para a escola. Por isso, passou a dar-lhe banho todos os dias, pentear os seus cabelos, cortar as suas unhas…

       Quando acabou a semana, o pai disse:

       - “Mulher, não acha uma vergonha que a nossa filha, sendo tão bonita e bem arrumada, more num lugar como este, caindo aos pedaços? Que tal você ajeitar a casa?

       Nas horas vagas, eu vou dar uma pintura nas paredes, consertar a cerca, plantar um jardim.”

       Logo mais, a casa se destacava na pequena vila pela beleza das flores que enchiam o jardim, e o cuidado em todos os detalhes. Os vizinhos ficaram envergonhados por morar em barracos feios e resolveram também arrumar as suas casas, plantar flores, usar pintura e criatividade.

       Em pouco tempo, o bairro todo estava transformado…

       Um homem, que acompanhava os esforços e as lutas daquela gente, pensou que eles bem mereciam um auxílio das autoridades. Foi ao Prefeito expor suas ideias e saiu de lá com autorização para formar uma comissão para estudar os melhoramentos que seriam necessários ao bairro.

       A rua, de barro e lama, foi substituída por asfalto e calçadas de pedra.

       Os esgotos a céu aberto foram canalizados e o bairro ganhou ares de cidadania.

       E tudo começou com um vestido azul…

       Não era intenção daquele professor consertar toda a rua, nem criar um organismo que socorresse o bairro. Ele fez o que podia, deu a sua parte. Fez o primeiro movimento que acabou fazendo que outras pessoas se motivassem a lutar por melhorias.

       Será que cada um de nós está fazendo A SUA PARTE no lugar em que vive? Ou será que somos daqueles que somente apontam os buracos da rua, as crianças à solta sem escola e a violência do trânsito? Lembremos que é difícil mudar o estado total das coisas. Que é difícil limpar toda a rua, mas é fácil varrer a nossa calçada. É difícil reconstruir um Planeta, mas é possível dar um vestido azul. Há moedas de amor que valem mais do que os tesouros bancários, quando endereçadas no momento próprio e com bondade. Você acaba de ganhar um lindo “vestido azul”! Vamos melhorar NOSSO PLANETA-CASA !

 

 

postado a partir de Caritas in Veritate.

11.03.10

O Rosto da Palavra: Jesus Cristo

mpgpadre

       Deus disse uma palavra. A palavra eterna fez-se humanidade no tempo. O rosto humano da palavra é Jesus Cristo. Depois ouviram-se outros sons, com sinais, letras e gramáticas. São as palavras sem rosto.

 

A palavra tem boca,

mas só o rosto fala

da abundância do coração,

das portas que não se abrem,

dos muros que resistem ao egoísmo,

dos excessos de luxo que sobram a alguns,

dos mínimos vitais que faltam a outros.

 

- O rosto de Cristo é a palavra viva que alimenta de verdade aqueles que só têm boca.

 

A palavra tem olhos,

mas só o rosto vê

para além das sombras,

as fábulas e das distâncias,

para além das danças,

dos símbolos e dos mitos,

para além dos astros,

dos túmulos e das máscaras,

para além do improvável e impossível,

para além da lógica e das evidências.

 

- O rosto de Cristo é a nova aurora que leva o sol da justiça àqueles que só têm olhos.

 

A palavra tem ouvidos,

mas só o rosto escuta

os sons do oceano,

o diálogo das crianças,

os contos da aldeia,

o segredo da esfinge,

as lendas das montanhas,

as perguntas do sábio.

 

- O rosto de Cristo é o aplauso divino aos nossos silêncios.

 

A palavra diz,

mas só o rosto sabe

porque é que Sócrates nada sabia,

porque motivo aquele velho canta,

o que vai dentro das pessoas,

o sentido do tsunami,

porque sou feliz ou não.

 

- O rosto de Cristo é a sabedoria divina aceite pela fé de quem só acreditava em certezas.

 

A palavra proclama,

mas só o rosto canta

a beleza do deserto selvagem,

as parábolas do Reino,

o esplendor do Taj Mahal,

a pobreza da Porciúncula.

 

- O rosto de Cristo é a porta que liberta para a verdade total as nossas miragens de liberdade.

 

A palavra escreve,

mas só o rosto sente

o que a palavra esconde,

a presença do transcendente,

a agressão de ser rejeitado,

a mensagem dos grafites,

as lágrimas dos pobres,

a mão que toca outra mão.

 

- O rosto de Cristo é a página em branco onde podemos escrever as nossas palavras.

 

A palavra lê,

mas só o rosto entende

o que a boca diz,

o que os olhos vêem,

o que os lábios recitam

o que os ouvidos ouvem,

o que o leitor declama,

o que o livro conta,

o que o poeta canta,

o que o crente reza.

 

- O rosto de Cristo é a palavra-chave de quem deseja descodificar o Livro dos livros.

 

A palavra recita,

mas só o rosto dialoga

com o santo e o pecador,

com a vitória e a derrota,

com o inteligente e o teimoso,

com o bom tempo e a tempestade,

com a esquerda e a direita,

com Pedro Bernardone e Francisco de Assis,

com o católico e o animista.

 

- O rosto de Cristo é a sala do encontro de Deus com o homem no diálogo universal da criação.

 

Frei Manuel Rito Dias, in Bíblica, n.º 327, Março-Abril 2010

10.03.10

Plácido Domingo e José Carreras

mpgpadre

       Possivelmente você já ouviu ao menos falar sobre os três tenores. O italiano Luciano Pavarotti, os espanhóis Plácido Domingo e José Carreras. É possível mesmo que os tenha assistido pela TV, abrilhantando eventos como a Copa do Mundo de futebol.

       O que talvez você não saiba é que Plácido Domingo é madrileno e José Carreras é catalão.

       E há uma grande rivalidade entre madrilenos e catalães. Plácido e Carreras não fugiram à regra. Em 1984, por questões políticas, tornaram-se inimigos. Sempre muito requisitados em todo o mundo, ambos faziam constar em seus contratos que só se apresentariam se o desafeto não fosse convidado.

       Em 1987, Carreras ganhou um inimigo mais implacável que Plácido Domingo. Foi surpreendido por um terrível diagnóstico de leucemia. Submeteu-se a vários tratamentos, como auto- transplante de medula óssea e trocas de sangue. Por isso, era obrigado a viajar mensalmente aos Estados Unidos. Claro que sem condições para trabalhar, e com o alto custo das viagens e do tratamento, logo sua razoável fortuna acabou.

 

       Sem condições financeiras para prosseguir o tratamento, Carreras tomou conhecimento de uma instituição em Madrid, denominada Fundación Hermosa. Fora criada com a finalidade única de apoiar a recuperação de leucêmicos. Graças ao apoio dessa fundação, ele venceu a doença.

       E voltou a cantar. Tornando a receber altos cachês, tratou de se associar à fundação. Foi então que, lendo os estatutos, descobriu que o fundador, maior colaborador e presidente era Plácido Domingo. Mais do que isso. Descobriu que a fundação fora criada, em princípio, para atender a ele, Carreras. E que Plácido se mantinha no anonimato para não o constranger por ter que aceitar auxílio de um inimigo.

       Momento extraordinário, e muito comovente aconteceu durante uma apresentação de Plácido, em Madrid. De forma imprevista, Carreras interrompeu o evento e se ajoelhou a seus pés. Pediu-lhe desculpas. Depois, publicamente lhe agradeceu o benefício de seu restabelecimento.

       Mais tarde, quando concedia uma entrevista na capital espanhola, uma repórter perguntou a Plácido Domingo por que ele criara a Fundación Hermosa. Afinal, além de beneficiar um inimigo, ele concedera a oportunidade de reviver a um dos poucos artistas que poderiam lhe fazer alguma concorrência. A resposta de Plácido Domingo foi curta e definitiva: "porque uma voz como essa não se podia perder." Fazer o bem sem ostentação é grande mérito.

 

postado a partir do nosso: Caritas in Veritate.

 

       Pode ler a mesma história no slideshow que se segue, com música de fundo dos tenores, bem como a interpretação da célebre canção, "Amigos para sempre", na segunda parte deste vídeo:

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Relógio

Pinheiros - Semana Santa

- 29 março / 1 de abril de 2013 -

Tabuaço - Semana Santa

- 24 a 31 de abril de 2013 -

Estrada de Jericó

Arquivo

  1. 2025
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2024
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2023
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2022
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2021
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2020
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2019
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2018
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2017
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2016
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2015
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2014
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2013
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2012
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2011
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2010
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D
  209. 2009
  210. J
  211. F
  212. M
  213. A
  214. M
  215. J
  216. J
  217. A
  218. S
  219. O
  220. N
  221. D
  222. 2008
  223. J
  224. F
  225. M
  226. A
  227. M
  228. J
  229. J
  230. A
  231. S
  232. O
  233. N
  234. D
  235. 2007
  236. J
  237. F
  238. M
  239. A
  240. M
  241. J
  242. J
  243. A
  244. S
  245. O
  246. N
  247. D

Velho - Mafalda Veiga

Festa de Santa Eufémia

Pinheiros, 16/17 de setembro de 2012

Primeira Comunhão 2013

Tabuaço, 2 de junho

Profissão de Fé 2013

Tabuaço, 19 de maio

Em destaque no SAPO Blogs
pub