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Escolhas & Percursos

...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...

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23.02.19

Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam...

mpgpadre

1 –  Amar os amigos, rezar pelas pessoas de quem se gosta, emprestar de quem se espera algo em troca, fazer favores para mais tarde os cobrar, não é nada do outro mundo. Jesus convida a ir mais longe, a amar mais, a dar-se mais, a gastar-se totalmente em prol dos outros. «Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, abençoai os que vos amaldiçoam, orai por aqueles que vos injuriam. A quem te bater numa face, apresenta-lhe também a outra; e a quem te levar a capa, deixa-lhe também a túnica. Dá a todo aquele que te pedir e ao que levar o que é teu, não o reclames. Como quereis que os outros vos façam, fazei-lho vós também».

Aquele é (ou era) uma pessoa cinco estrelas, amigo do seu amigo. Eu sou amigo de toda a gente, desde que não me cheguem mostarda ao nariz, pois aí é que me ficarão a conhecer. É uma tautologia. Ser amigo do amigo não custa, é natural, lógico, não se esperaria outra coisa. Ora o Evangelho desafia-nos a superar-nos, a perdoar a quem nos ofende, a dizer bem (= a abençoar) de quem nos injuria, a optar por inverter qualquer resquício de ódio, de irritação contra o outro, colocando de lado a vontade de vingança. Não apenas a não dizer mal, não apenas a não fazer mal, mas positivamente, dizendo e fazendo bem.

A referência é Cristo, que passou fazendo o bem, sem exceção de pessoas. Isso não invalida a Sua opção preferencial pelos mais pobres, os excluídos da sociedade, da cultura, da política e da religião, da economia, doentes, leprosos e coxos, cegos e surdos, pecadores e publicanos, mulheres de vida duvidosa e crianças, estrangeiros e pedintes. A lógica é essa: incluir, devolver a dignidade perdida, recuperar, refazer o tecido humano e social, salvar pecadores.

Por vezes, ao olharmos para o mundo, podemos desanimar perante a espiral de violência, pobreza, corrupção, expressão de egoísmo, de inveja e de prepotência. Sempre foi assim… Isso é para quem tem dinheiro e conhecimentos... Que posso fazer para mudar as coisas? E, depois, ouvimos a Santa Teresa de Calcutá: o que faço pode ser apenas uma gota de orvalho no vasto oceano, contudo, essa gota faz diferença, sem ela o oceano não está completo.

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2 – Jesus não Se rende, não vacila, não Se cala diante das injustiças, da hipocrisia. Mais do que palavras usa a vida, os gestos, convivendo com os excluídos, misturando-Se com o povo, como dirá o Papa Francisco, tem o cheiro das ovelhas, entranha-Se nas suas vidas, com as suas alegrias e tristezas, lutas e sofrimentos.

Pela palavra e pelos gestos, Jesus não Se conforma com a falsidade, com a arrogância, com os abusos de poder, mas a Sua luta não passa pela força, pela violência, não passa por pagar com a mesma moeda. A Sua força é amor, a Sua vingança é o perdão, a Sua revolta é a compaixão.

 

3 – Para seguir Jesus, ser cristão, não basta não fazer mal, é preciso imitá-l'O, sendo fiel aos Seus ensinamentos. Há, a propósito, uma estória de um homem, que no seu viver escrupuloso pediu para ser encerrado numa cabana, com as mãos e os pés atados, para não fazer nada a ninguém. Quando morreu e foi à presença do Senhor, apresentou-se feliz pois nunca tinha feito mal a ninguém. Então o Senhor perguntou-lhe: e fizeste bem a quem? Quantas pessoas ajudaste? Os dons que eu te dei o que fizeste, guardaste-os para quem?

Seguir Jesus implica-nos com os outros, com a transformação positiva da realidade, procurando ser mais-valia em todas as situações. «Se amais aqueles que vos amam, que agradecimento mereceis? Também os pecadores amam aqueles que os amam. Se fazeis bem aos que vos fazem bem, que agradecimento mereceis? Também os pecadores fazem o mesmo. E se emprestais àqueles de quem esperais receber, que agradecimento mereceis? Também os pecadores emprestam aos pecadores, a fim de receberem outro tanto».

Não precisamos de querer ser melhores que os outros, pelo menos na intenção e na definição, precisamos de ir mais além em tudo o que fazemos. «Amai os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai, sem nada esperar em troca. Não julgueis e não sereis julgados. Não condeneis e não sereis condenados. Perdoai e sereis perdoados. Dai e dar-se-vos-á: deitar-vos-ão no regaço uma boa medida, calcada, sacudida, a transbordar. A medida que usardes com os outros será usada também convosco».

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Textos para a Eucaristia (ano C): 1 Sam 26, 2. 7-9.12-13.22-23; Sl 102 (103); 1 Cor 15, 45-49; Lc 6, 27-38.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

 

16.02.19

Bem-aventurados vós, os pobres, porque é vosso o reino de Deus

mpgpadre

1 – O Batismo marca o início da caminhada de fé, mas teremos constantemente de conferir a nossa fidelidade a Jesus Cristo. A caminhar, podemos distrair-nos, olhar demasiado para os nossos pés e não tanto para os outros que seguem connosco e para a luz que nos guia.

Algumas causas: cansaço da caminhada, sofrimento pelas perdas que vamos enfrentando, preocupações prioritárias com o presente e com o futuro, conflitos inevitáveis na família, na escola e no trabalho, exigências profissionais cada vez mais acentuadas, desafios em acompanhar as modas, a tendências, a opinião da maioria.

Daí a urgência de voltarmos a percorrer o tempo, a Palavra e a vida de Jesus. Quando escutamos o Evangelho devemos colocar-nos na primeira fila, entre os grupos a quem Jesus se dirige. Não vale colocar-nos ao lado ou detrás de Jesus, qual guarda-costas, de frente para os outros! Os outros somos nós, fariseus, saduceus, escribas, multidão, discípulos, apóstolos, doentes, leprosos, publicanos, pecadores, somos nós, mulheres de vida duvidosa,  estrangeiros, Judas e Herodes, Pilatos e Caifás, somos nós os outros. Então é para nós que Jesus fala, é a nós que Jesus interpela, chama e envia.

É connosco que Jesus conta. Ainda que a nossa inconstância tolde o nosso olhar e o nosso coração, paralisando diante do sofrimento que nos pede ajuda, ainda assim, Jesus chama-nos, conta connosco para levar o Evangelho a todo o mundo. Estamos a caminho!

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2 – Quando se dirige à multidão, Jesus coloca-se de forma a ser visto e a ser ouvido por todos. Na margem do lago, sobe para a barca de Simão, afasta-se um pouco e dessa forma facilita a comunicação. Sem megafones ou aparelhagens sonoras, não era fácil fazer-se ouvir. Ao descer do monte, Jesus coloca-se numa posição que Lhe permite olhar olhos nos olhos os discípulos e a multidão.

O monte é um lugar (teológico) privilegiado de encontro com Deus. O monte e o deserto, o silêncio e a oração, o Templo e o coração, evitando o ruído, a azáfama, a confusão, as distrações variadas. Jesus desce com os Apóstolos em direção à multidão, como Moisés a descer do Horeb (Sinai) para falar ao Povo e lhe revelar os Mandamentos. Com as Bem-aventuranças, Jesus dá vida, músculo e carnem, cor e alma aos Mandamentos.

Jesus dirige-se, antes de mais, para os discípulos, que estão inseridos na multidão. A multidão é impessoal, os discípulos têm rosto, têm olhar, são confrontados, deixam-se confrontar por Jesus. Também nós somos multidão, também estamos entre as pessoas vindas da Judeia e de Jerusalém, de Tabuaço e de Lamego, de Freigil e de Viseu. E agora, chegamo-nos à frente? Deixamos que o olhar de Jesus nos inunde a alma? Abrimos os ouvidos do coração para que as Suas palavras ressoem em nós e nos mobilizem? Ou preferimos manter-nos à distância?

 

3 – «Bem-aventurados vós, os pobres, porque é vosso o reino de Deus. Bem-aventurados vós, que agora tendes fome, porque sereis saciados. Bem-aventurados vós, que agora chorais, porque haveis de rir. Bem-aventurados sereis, quando os homens vos odiarem, quando vos rejeitarem e insultarem e proscreverem o vosso nome como infame, por causa do Filho do homem. Alegrai-vos e exultai nesse dia, porque é grande no Céu a vossa recompensa».

A fé não nos garante nem riqueza (material) nem sossego e acomodação, mas enriquece a nossa vida, dá alma ao nosso trabalho, dá significado às nossas relações humanas, impede o cinismo e a morte, torna-nos mais humanos, possibilita uma vida de esperança, na abertura ao Transcendente, na confiança de que tudo terá um sentido e não se perderá, pois Deus é também o nosso futuro e o nosso fim. Como tudo na vida, precisamos de persistência, de humildade, tornando-nos pobres, na pobreza do amor que acolhe Deus e que se gasta com os outros e a favor deles, ao jeito de Jesus.

Jesus não elogia o choro e abomina o riso, nada disso! Não privilegia o sofrimento, diabolizando a festa e a saúde, nada disso! O que Jesus sacraliza é a nossa abertura à graça de Deus e o nosso empenho pela verdade, pela justiça e pela paz, mesmo que isso exija suor e lágrimas, sacrifício e perseguição, injúria e maledicência. A nossa fidelidade há de ser com Jesus e com o Evangelho da Compaixão e não com os nossos caprichos e gostos imediatos.

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Textos para a Eucaristia (ano C): Jer 17, 5-8; Sl 1; 1 Cor 15, 12. 16-20; Lc 6, 17. 20-26.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

 

09.02.19

Faz-te ao largo e lançai as redes para a pesca

mpgpadre

1 – Depois do Jordão e do Batismo, depois do deserto e de Nazaré, Jesus continua a pregar a Boa Nova da salvação. Um profeta na Sua pátria, fazendo com que o mundo seja a Sua morada. Faz de nós, de mim e de ti, a Sua habitação. Encarnou e habitou entre nós. Depois, será Ele a construir-nos uma casa, já não feita por mãos humanas, uma habitação eterna. Vou para o Pai, vou preparar-vos um lugar, em casa de Meu Pai há muitas moradas. Quero que onde Eu estou vós estejais também.

A eternidade não está reservada para os bons nem tampouco se destina ao futuro. Este, diga-se, só a Deus pertence. A vida eterna, diz-nos o próprio Jesus, já está em ebulição, o Reino de Deus chegou até nós. Não se localiza aqui ou acolá, vai germinando dentro de nós, entre nós, sempre e quando nos predispomos a ser comunidade. Onde 2 ou 3 estiverem reunidos em Meu nome, Eu estarei no meio deles. Jesus é o Céu que desce à terra, vem para inaugurar um tempo de paz, de harmonia e de amor, um lugar em que todos possamos ser irmãos. Somos Sua família, pois primeiro quis Ele ser um de nós: minha Mãe, Meu irmão e Minha irmã é todo aquele que escuta a Palavra de Deus e a põe em prática.

A multidão aglomera-se à volta de Jesus, para ouvir a Palavra de Deus. O cenário é a margem do lago de Genesaré. Para que mais possam vê-l'O e escutá-l'O, sobe para o barco de Simão, afasta-Se um pouco da margem e, sentando-Se, começa a ensinar a multidão.

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2 – Jesus veio para que a Boa Nova chegue a todo o mundo. Ide e ensinai o Evangelho a toda a criatura, fazei discípulos de todas as nações. Humanamente falando, seria impossível Jesus chegar aos quatro cantos da terra, teria de deixar de ser verdadeiramente Homem. Assumindo-nos por inteiro, submete-Se às coordenadas espácio-temporais, sujeitando-Se ao nosso "sim" ou à nossa recusa.

O mandato de Jesus torna-se definitivo após a Sua ressurreição, mas já está em ação. Depois de falar às multidões, Jesus diz a Simão: «Faz-te ao largo e lançai as redes para a pesca». Nem sempre será fácil pescar, por razões variadas, por aselhice de quem lança as redes, pelo movimento das marés, pela rebeldia dos peixes, pelas circunstâncias do tempo, do dia ou do local. Pedro coloca as suas dúvidas, mas aquiesce pelo facto de ser o Senhor a ordenar. Um pescador experiente sabe as horas e os locais favoráveis. A faina durou a noite, agora é altura de meter a viola ao saco e regressar…

Contudo, Jesus diz-lhes para se fazerem ao largo e lançarem as redes. E eis que a pesca se multiplica ao ponto de ser necessário chamar outros companheiros. Todos são necessários.

Os discípulos são surpreendidos por Jesus. Pedro interpreta o que todos sentem: «Senhor, afasta-Te de mim, que sou um homem pecador». Mas isso não impede Jesus de nos chamar, o pecado não nos define, a condição de pecador, sim, define-nos conscientes de que estamos a caminho. A Pedro, aos Apóstolos e a cada um de nós: «Não temas. Daqui em diante serás pescador de homens».

 

3 – Isaías, tal como acontece com Pedro, tal como acontecerá connosco se nos deixarmos surpreender pelo mistério de Deus, sente a sua pequenez diante de Deus: «Ai de mim, que estou perdido, porque sou um homem de lábios impuros, moro no meio de povo de lábios impuros e os meus olhos viram o Rei, Senhor do Universo».

Deus olha para nós e aceita-nos como somos, ainda que nos desafie a darmo-nos cada vez mais. O pecado é só uma parte do que somos quando nos deixamos levar pela fraqueza e egoísmo. Mas somos sempre imagem e semelhança de Deus, temos inscrito em nós a nossa origem em Deus, pelo que a qualquer momento poderemos deixar que essa identidade sobrevenha além das nossas fragilidades e birrices. Veio um anjo, um dos serafins, com um carvão ardente e tocou os lábios do profeta: «Isto tocou os teus lábios: desapareceu o teu pecado, foi perdoada a tua culpa». E o logo a voz do Senhor se faz ouvir: «Quem enviarei? Quem irá por nós?».

Isaías coloca-se, então, confiante, nas mãos de Deus: «Eis-me aqui: podeis enviar-me». Como Pedro dirá a Jesus, já que és Tu quem o dizes, eu lançarei as redes!

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Textos para a Eucaristia (ano C): Is 6, 1-2a. 3-8; Sl 137 (138); 1 Cor 15, 1-11; Lc 5, 1-11.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

07.02.19

Passando pelo meio deles, seguiu o Seu caminho

mpgpadre

1 – «Cumpriu-se hoje mesmo esta passagem da Escritura que acabais de ouvir». Comentário de Jesus ao texto de Isaías que o próprio tinha proclamado na Sinagoga de Nazaré e que nos foi proposto há oito dias.

O evangelista dá-nos conta da admiração das pessoas pelas palavras de graça saíam da Sua boca. Alguns interrogam-se acerca d'Ele, porque O conhecem como filho de José! A reação de Jesus parece não corresponder ao testemunho dos nazarenos a Seu respeito. Ou Jesus ouve mais do que nós, o que acontece em muitas situações…: «Por certo Me citareis o ditado: ‘Médico, cura-te a ti mesmo’. Faz aqui na tua terra o que ouvimos dizer que fizeste em Cafarnaum. Em verdade vos digo: Nenhum profeta é bem recebido na sua terra. Em verdade vos digo que havia em Israel muitas viúvas no tempo do profeta Elias, quando o céu se fechou durante três anos e seis meses e houve uma grande fome em toda a terra; contudo, Elias não foi enviado a nenhuma delas, mas a uma viúva de Sarepta, na região da Sidónia. Havia em Israel muitos leprosos no tempo do profeta Eliseu; contudo, nenhum deles foi curado, mas apenas o sírio Naamã»

É uma provocação e tanto! Jesus alarga as bênçãos do Céu para pessoas estranhas ou além do povo judeu!

jesus-evangelho-lucas-4-21-30-4.jpg2 – A irritação contra Jesus sobe de tom. Ao ouvirem as Suas palavras, os presentes ficam furiosos e expulsam-n'O da Sinagoga e da cidade, levam-n'O ao cima da colina para o precipitarem dali abaixo. Mas, passando entre eles, Jesus segue o Seu caminho.

"Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo" (Nemo Nox). Esta expressão atribuída erradamente a Fernando Pessoa e que circula na Internet, ajuda-nos a perceber como as pessoas podem aproveitar as adversidades para crescer, para ficarem mais fortes, para prosseguirem o caminho.

Foram muitas as pedras que Jesus encontrou no caminho, mas prosseguiu o Seu caminho. Com firmeza e confiança no Pai. A oração foi o ambiente natural em que Jesus viveu, alimentando-se da presença paterna e do Seu Espírito de amor.

As escolhas que fazemos têm consequências na nossa vida. Nem tudo é branco e preto, pois a clarividência não é absoluta, há ângulos mortos, informação que nos escapa. Mas não podemos adiar indefinidamente as decisões, isso seria adiar a vida. É preciso refletir, ponderar, aconselhar-se e, como Jesus, rezar. Quanto mais as decisões implicarem com a nossa vida, e/ou com a dos outros, mais devemos rezar, procurando perscrutar a vontade de Deus a nosso respeito e perguntando-nos como agiria Jesus se estivesse no nosso lugar.

 

3 – A vocação e a missão de Jesus: alimentar-se do Amor do Pai e anunciar a Boa nova aos pobres, a libertação aos cativos. Vem para fazer a vontade d'Aquele que O enviou, identificando-se connosco, sem deixar de estar identificado e sincronizado com o Pai.

O profeta Jeremias fala-nos da sua vocação. É chamado desde sempre. É um chamamento que resulta em envio: «Antes de te formar no ventre materno, Eu te escolhi; antes que saísses do seio de tua mãe, Eu te consagrei e te constituí profeta entre as nações. Cinge os teus rins e levanta-te, para ires dizer tudo o que Eu te ordenar».

A vocação e missão fundem-se, pois somos chamados para sermos enviados. É o lema da nossa diocese: Igreja de Lamego, chamada e enviada em missão! Jesus é Ungido para anunciar, para levar a Boa Nova, com a Palavra e com a vida. Jeremias é chamado e enviado. E se é Deus que chama, então há de vir ao de cima a confiança em Deus e a firmeza do caminho a percorrer. «Não temas diante deles, senão serei Eu que te farei temer a sua presença. Hoje mesmo faço de ti uma cidade fortificada, uma coluna de ferro e uma muralha de bronze, diante de todo este país, dos reis de Judá e dos seus chefes, diante dos sacerdotes e do povo da terra. Eles combaterão contra ti, mas não poderão vencer-te, porque Eu estou contigo para te salvar».

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Textos para a Eucaristia (C): Jer 1, 4-5. 17-19; Sl 70 (71); 1 Cor 12, 31 – 13, 13; Lc 4, 21-30.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

26.01.19

Cumpriu-se hoje mesmo esta passagem da Escritura que acabais de ouvir

mpgpadre

1 – A palavra convoca-nos, humaniza-nos, irmana-nos, faz-nos comunidade. Pela palavra, Deus criou o mundo. Deus disse e assim se fez! Pela Palavra, feita Carne, Jesus, Deus salva-nos, reconciliando-nos uns com os outros, integrando-nos, novamente, na Sua comunhão. O Verbo encarnou e habitou entre nós!

Depois do Batismo, é tempo de Jesus a anunciar a Boa Nova da salvação. Para o evangelista São João, as Bodas de Caná marcam o início do ministério público de Jesus. Em São Lucas, depois do Batismo, Jesus é impelido ao deserto, vencendo connosco as tentações do poder, dos atalhos fáceis, das aparências, do egoísmo, e chega o tempo de pregar a Palavra que traz da eternidade.

A um sábado, como bom judeu, Jesus vai à Sinagoga, na terra em que cresceu, em que conhece as suas gentes. Todos O conhecem! Ainda que a pessoa esteja envolta em mistério, nunca totalmente decifrável, quanto mais Aquele que é o Filho de Deus! A Palavra de Deus reúne os judeus, fá-los recordar as maravilhas do Senhor, as dificuldades do caminho, e a esperança com que aguardam novos tempos. Jesus toma a Palavra, um trecho de Isaías: «O Espírito do Senhor está sobre mim, porque Ele me ungiu para anunciar a boa nova aos pobres. Ele me enviou a proclamar a redenção aos cativos e a vista aos cegos, a restituir a liberdade aos oprimidos e a proclamar o ano da graça do Senhor».

A Sinagoga é lugar de oração, de escuta e de meditação da Palavra de Deus. Jesus faz um comentário simples, mas lapidar: «Cumpriu-se hoje mesmo esta passagem da Escritura que acabais de ouvir». Desde a primeira hora, Jesus diz ao que vem. N'Ele Se cumprem as promessas de Deus. É a força do Espírito que O guia.

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2 – Hoje, em Igreja, continuamos a rede que se estende dos tempos antigos. Também nós nos deixámos convocar pela Palavra. A preocupação de Lucas, ao investigar as palavras e a vida de Jesus, é para que outros possam ler, escutar e mastigar confiantes a Palavra de Deus. "Já que muitos empreenderam narrar os factos que se realizaram entre nós, como no-los transmitiram os que, desde o início, foram testemunhas oculares e ministros da palavra, também eu resolvi, depois de ter investigado cuidadosamente tudo desde as origens, escrevê-las para ti, ilustre Teófilo, para que tenhas conhecimento seguro do que te foi ensinado".

Em Nazaré, Jesus lê, comenta a Escritura Sagrada, procura mostrar como a Palavra de Deus encaixa na Sua vida. É o que nos cabe fazer como cristãos e como comunidade, escutar a Palavra de Deus e procurar que ilumine as nossas opções, a nossa vida.

 

3 – Na primeira leitura, Neemias, pouco depois do povo voltar do exílio, procura reconstruir a cidade, mas também o povo. A Palavra de Deus é a oportunidade para recordar a Aliança celebrada entre Deus e Israel. O futuro começa a construir-se das raízes.

O Povo comove-se com a proclamação da Palavra. Neemias, Esdras e os Levitas dizem a todo o povo: «Hoje é um dia consagrado ao Senhor vosso Deus. Não vos entristeçais nem choreis». O sábado para eles... Domingo para nós, o Dia do Senhor, dia da alegria, oportunidade para louvarmos o Senhor pela vida, pelas maravilhas da criação, tempo para agradecermos as bênçãos e as graças recebidas e por aqueles que caminham connosco, partilhando as alegrias e as tristezas, as esperanças e as angústias uns dos outros.

Neemias acrescenta: «Ide para vossas casas, comei uma boa refeição, tomai bebidas doces e reparti com aqueles que não têm nada preparado. Hoje é um dia consagrado ao Senhor; portanto, não vos entristeçais, porque a alegria do Senhor é a vossa fortaleza».

A alegria do Senhor é a vossa fortaleza! Um dia de consagração para o Senhor, mas também para o Povo. A escuta da palavra e a reunião familiar, a festa, mas sem esquecer aqueles que não têm nada preparado! A proximidade com a Palavra de Deus faz-nos próximos e comprometidos uns com os outros.

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Textos para a Eucaristia (ano C): Ne 8, 2-4a. 5-6. 8-10; Sl 18 B (19); 1 Cor 12, 12-30; Lc 1, 1-4: 4, 14-21.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

03.01.19

Boletim Paroquial Voz Jovem - outubro a dezembro de 2018

mpgpadre

A Festa de Nossa Senhora da Conceição, na Paróquia de Tabuaço, é a festa da comunidade, a festa que envolve e mobiliza os crentes, com as suas famílias, e as entidades, mormente a Associação de Bombeiros Volunbtários de Tabuaço, que a têm como Madrinha. O boletim Voz Jovem, que abarca o último timestre do ano de 2018 faz eco da celebração, com algumas fotos que ilustram este acontecimento importante da vida comunitária.

Outros momentos da vida da paróquia, como Festa do Acolhimento, do 1.º Ano de Catequese, a Festa de Natal da Catequese, o movimento celebrativo e pastoral, passando pelo início da Catequese, o acolhimento ao João Miguel, o Magusto paroquial, a preparação dos Jovens para o Natal, o Presépio com impressão digital.

Pode ler o Boletim clicando sobre a imagem, será direcionado para o Boletim em formato PDF:
VOZJOVEM_outubro_dezembro_2018-1.jpg

Ou fazer o download a partir da hiperligação:

BOLETIM PAROQUIAL VOZ JOVEM - abril a junho de 2018

29.12.18

Filho, teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura...

mpgpadre

1 – "Tudo seria bem melhor se o Natal não fosse um dia, se as mães fossem Maria e se os pais fossem José; e se a gente parecesse com Jesus de Nazaré". Na canção do Pe. Zezinho está o desafio a fazermos com que o espírito do Natal esteja presente nas relações pessoais, familiares e profissionais, os valores do respeito, do amor e do cuidado, da vida, da alegria e da ternura, da simplicidade, da pobreza e da comunhão. Por outro lado, a referência à família de Nazaré como modelo, ainda hoje, para as famílias.

São Lucas apresenta-nos a perda e o encontro de Jesus no Templo, entre os Doutores da Lei (5.º mistério gozoso). Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém para celebrarem a Páscoa (judaica). Sem ostentação nem sobranceria, José e Maria assumem-se crentes entre os crentes, família como tantas outras, que procuram cumprir com os requisitos da religião. A família de Jesus está inserida na vida da comunidade, temente a Deus, cumpridora!

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2 – A família de Nazaré está imersa na tradição judaica, ainda que habitualmente houvesse a geração de mais filhos, sinal de bênção divina. Na pequena cidade de Nazaré, as famílias entreajudam-se, vivendo do que a terra produz. Nas hortas e nos campos, têm árvores de fruto, vinha, animais de pequeno porte, cabras e ovelhas, que garantem o leite, o fabrico do queijo e a lã; ajudam-se, trocando produtos e trabalho, e potenciam a arte de alguns (são José era carpinteiro). Ao sábado reúnem-se em família e em comunidade, para rezar, ler e meditar a Sagrada Escritura. Partilham as alegrias, o nascimento de uma criança, e as tristezas, a morte de um familiar.

 

3 – Maria, José e Jesus vão a Jerusalém com outras famílias. No regresso, apercebem-se da ausência de Jesus. Sabem-n’O ajuizado e julgam que vem com outros jovens da sua idade, em brincadeiras ou a falar da passagem à idade madura. Ao fim do dia, a família mais estrita junta-se para a última refeição e para dormirem no mesmo espaço, juntos. É aí que se dão conta que Ele não está. Procuram-n'O e verificam que não está na caravana. Têm de voltar atrás. Voltam a Jerusalém, onde O viram da última vez. Tinham feito um dia de viagem, fazem outro dia no regresso à cidade santa e encontram-n'O ao terceiro dia.

 

4 – Deste encontro podemos encontrar lições importantes:

– Podemos rezar em qualquer lado, em casa e no trabalho, e fazer da vida uma oração, mas a ida ao Templo permite-nos sair do nosso espaço e conforto para nos encontrarmos com Deus e com os outros. A oração há de ser, diz-nos Jesus, em espírito e verdade, em casa ou no Templo; terá que transparecer a nossa alma, comprometendo-se com a verdade, com a justiça e com a misericórdia.

– Ao Templo levamos a nossa vida, o louvor a Deus, a gratidão pelas graças recebidas; levamos também as nossas súplicas, pedidos e preocupações. Reencontramo-nos ao encontrá-l'O, fazendo silêncio e deixando que Ele nos fale ao coração. Os outros e a oração conjunta permitem-nos avalizar da nossa sintonia com Deus, afastando o risco da (auto)idolatria!

– O Templo, a Igreja, retempera a nossa vida, e faz-nos regressar a casa, iluminados pela Graça de Deus, revestidos do Seu amor.

– O regresso não nos dispensa de vigilância. Podemos perder-nos e dispersarmos do essencial. Como Maria e José, se perdemos Jesus, se Ele não está, é bom que regressemos para O reencontrar!

– Onde podemos encontrá-l'O? Podemos encontrar Jesus nas pessoas crentes e praticantes. Mas teremos, sempre, que ir mais atrás, até ao Templo, até ao coração, pelo silêncio, pela oração, pela Palavra, para que Ele nos fale ao coração.

– Três dias depois… o texto remete-nos para a vida nova que reencontramos em Jesus Cristo. Ele ressuscitará ao terceiro dia!

– E novamente, voltar a casa, à terra, à vida quotidiana e ser-Lhe submissos, isto é, dispostos a acolher a Sua vontade, traduzindo-a em obras de caridade.

 

5 – "Senhor, Pai santo, que na Sagrada Família nos destes um modelo de vida, concedei que, imitando as suas virtudes familiares e o seu espírito de caridade, possamos um dia reunir-nos na vossa casa para gozarmos as alegrias eternas".

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Textos para a Eucaristia (ano C): Sir 3, 3-7. 14-17; Sl 127; Col 3, 12-21; Lc 2, 41-52.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

22.12.18

... o menino exultou de alegria no meu seio!

mpgpadre

1 – A Boa Nova – Encarnação de Deus, nascimento de Jesus, Deus feito Homem, Páscoa – é o maior motivo da nossa alegria, reforçam-na, moldam-na e fazem-na explodir no anúncio a todos. Chamamento e envio: somos discípulos missionários, chamados deixar-nos contagiar pela proximidade a Jesus e enviados a difundi-l’O em toda a parte.

Há oito dias éramos inundados pelas palavras que nos interpelavam à alegria. A razão era a proximidade da celebração do nascimento de Jesus. Agora estamos mais perto, à porta do Natal. Então a ansiedade (como espera feliz na certeza do encontro e da festa) torna-se maior e deve ser mais intensa, mais vívida, mais profunda.

Alegra-te, Maria, porque achaste graça diante de Deus. A saudação do Anjo envolve Maria na Boa Nova que n'Ela Se fará carne. A resposta de Maria, partindo do silêncio, do recolhimento e da oração, faz-Se Palavra, faz-Se Jesus.

E que fazemos quando algo de muito bom nos acontece? A maioria conta-o à primeira pessoa que encontra, a uma pessoa de confiança, indo visitá-la ou telefonando-lhe e poucos são os que guardam para si. Maria recebe a maior das boas notícias. Então corre apressadamente para a montanha, como o mensageiro corre pelos montes a anunciar a paz!

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2 – São Lucas informa-nos que logo depois da anunciação, e sabendo que Isabel também foi favorecida pelo Senhor, "Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se apressadamente para a montanha, em direção a uma cidade de Judá".

Porque foi Maria tão longe para estar com Isabel? Para ajudar, certamente, mas porque ambas tinham um segredo imerso no mistério de Deus. Maria sabe que não pode fazer alarde da sua condição de Mãe de Deus, pelo escárnio a que se sujeita, pela inveja que pode suscitar e pela perigosidade em que se colocaria. Vai ter com Isabel e não precisará de revelar o Seu segredo. Se Maria sabe de Isabel, também Isabel saberá o que se passa com Maria!

Ao entrar em casa de Zacarias, Maria começa por saudar Isabel e, mais uma vez nos informa o evangelista que «Isabel ficou cheia do Espírito Santo e exclamou em alta voz: ‘Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Logo que chegou aos meus ouvidos a voz da tua saudação, o menino exultou de alegria no meu seio. Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor’».

Maria é feliz porque acreditou, porque confiou em Deus e porque acolheu os Seus desígnios: faça-se em Mim o que é do Teu agrado, Senhor, meu Deus e meu Tudo.

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Textos para a Eucaristia (ano C): Miq 5, 1-4a; Sl 79 (80); Hebr 10, 5-10; Lc 1, 39-45.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

16.12.18

Alegrai-vos sempre no Senhor... Seja de todos conhecida a vossa bondade»

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1 – «Alegrai-vos sempre no Senhor. Novamente vos digo: alegrai-vos. Seja de todos conhecida a vossa bondade». O 3.º Domingo do Advento é conhecido como Domingo da Alegria (Gaudete) e a liturgia da palavra dá-nos o fundamento e as razões para tal alegria.

A alegria dá trabalho, exige dedicação e até esforço. Esta maneira de dizer pode soar estranha, contudo, para lá da alegria espontânea, há a alegria que se conquista, que se procura, há a opção pelo copo meio cheio, a escolha da positividade. Uma pilha tem dois polos, um positivo e outro negativo. Também a vida, ainda que mais multifacetada, com matizes variadas, dependendo de muitas circunstâncias, crónicas e/ou pontuais, interiores ou exteriores, próprias ou alheias. E até o clima pode modificar a disposição e os comportamentos. Mas como somos seres racionais, com vontade própria, podemos insistir numa dinâmica positiva. Não precisamos de ser ingénuos, mas podemos escolher seguir adiante, apostar em tudo o que nos faz bem e nos aproxima dos outros.

O apóstolo Paulo convida à alegria, mas logo a agrafa à bondade. É que o bem que dizemos e que fazemos, e a habituação ao mesmo, ajuda-nos a solidificar a alegria com que acolhemos as maravilhas que o Senhor realiza em nós e através de nós.

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2 – Depois de João Batista pregar o arrependimento, a conversão, alguns perguntam-lhe o que fazer. Que fazer para a vida nos assemelhe a Deus? Como chegar a uma alegria que nos leve a acreditar na força do amor, do perdão e da confiança em Deus? E João responde-nos, concretizando: «Quem tiver duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma; e quem tiver mantimentos faça o mesmo» (todos); «Não exijais nada além do que vos foi prescrito» (publicanos e nós); «Não pratiqueis violência com ninguém nem denuncieis injustamente; e contentai-vos com o vosso soldo» (soldados, eu e tu).

 

3 – João Batista prepara e anuncia a Boa Nova que está a chegar. É necessário preparar o coração e a vida para Aquele que está a chegar. «Eu batizo-vos com água, mas está a chegar quem é mais forte do que eu, e eu não sou digno de desatar as correias das suas sandálias. Ele batizar-vos-á com o Espírito Santo e com o fogo. Tem na mão a pá para limpar a sua eira e recolherá o trigo no seu celeiro».

Numa das passagens do Principezinho (de Antoine Saint-Exupéry), a raposa diz ao pequeno Príncipe: "Se vieres, por exemplo, às quatro horas da tarde, eu, a partir das três, já começo a ser feliz. Quanto mais se aproximar a hora, mais feliz me sentirei. Às quatro em ponto já estarei agitada e inquieta; descobrirei o preço da felicidade!" É esta alegria que hoje evocamos, a alegria de sabermos que o Senhor está a chegar e que nos traz a salvação de Deus. Alegria que nos faz agir, aplanar os caminhos da nossa vida para que o Senhor possa passear-Se e viver em nós.

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Textos para a Eucaristia (ano C): Sof 3, 14-18a; Sl Is 12, 2-3. 4bcd. 5-6; Filip 4, 4-7; Lc 3, 10-18.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

06.12.18

Leituras: Gonçalo M. Tavares - Cinco Meninos, Cinco Ratos

mpgpadre

GONÇALO M. TAVARES (2018). Cinco Meninos, Cinco Ratos. Lisboa: Bertrand Editora. 224 páginas.

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Por vezes esquecemo-nos dos nossos autores ou até preferimos a leitura dos estrangeiros. Mas é um erro pensar que os escritores estrangeiros são melhores que os portugueses. Na verdade, como em tudo, a nacionalidade de um escritor é, talvez, o que menos conta na hora de escrever com imaginação e criatividade. Claro que o contexto também ajuda na na forma de escrever e, sobretudo, nas temáticas que são sendo exploradas. Depois há o marketing que é mais ou menos eficiente e aí depende muito do poder económico da editora, do autor e da país (que pode financiar ou promover diretamente os seus autores).

Gonçalo Tavares é um destes exímios escritores portugueses, já amplamente lidos e divulgados, quer internamente que internacionalmente. Já recebeu diversos prémios literários e as suas obras têm dado lugar, em diferentes países, a peças de teatro, pelas radiofónicas, dança, curtas-metragens, objetos de arte plástica, vídeos de arte, ópera, performances, projetos de arquitetura, teses académicas.

Não o conhecíamos, mas o oferta, da parte da família, de um livro pelo meu aniversário natalício, permitiu-me descobrir um autor genial. Cinco Meninos e Cinco Ratos, apresenta uma criatividade, imaginação, um surrealismo surpreendente. Avivaram-me a memória para livros de José Saramago, cuja imaginação se desmultiplica em personagens, acontecimentos, histórias, lendas, numa linguagem ao correr da pena, melhor, como quem fala... ou de Haruki Murakami, que nunca me farto de ler, e cuja arte da escrita é reconhecida, com um talento ímpar para criar personagens num mundo simultaneamente real e fantasmagórico... Assim, cada um no seus registo e com a sua idiossincrasia, Gonçalo Tavares é exímio a criar/inventar personagens, num texto de agradável leitura, e com personagens que despertam a imaginação, o sonho, um mundo de encantar, com os seus dramas, as suas ironias, as suas alegrias e dúvidas. O mundo fantástico, obviamente, tem raízes e "consequências" no mundo real.

Mais uma excelente leitura que recomendamos.

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