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Escolhas & Percursos

...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...

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05.09.20

Raul Minh'alma - Foi sem querer que te quis

mpgpadre

RAUL MINH'ALMA (2020). Foi sem querer que te quis. Lisboa: Manuscrito. 27.ª edição. 312 páginas.

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Em tempo de férias ou em outro qualquer tempo, este romance é uma excelente leitura, envolvente, despoletando diversas emoções e sentimentos, alegria e paz, revolta e tristeza, apreensão e ansiedade, num verdadeiro elogio ao amor, à vida, à generosidade, aos gestos de bondade, ao respeito pelos outros, procurando que o passado seja raiz e não prisão, que o presente seja efetivamente presente, pois o que há de vir, pode chegar de rompante ou pode nem sequer chegar para quem espera.

Raul Minh'alma é já um escritor consagrado pelos milhares de livros publicados e tal é o sucesso que cada livro novo que sai é sinónimo de venda garantia. Confesso que resisti a adquirir e a ler um livro que fosse, ainda que achasse os títulos interessantes e as descrições dos romances igualmente desafiadoras. Para um livro ser best-seller tem, pelo menos, dois caminhos: uma boa campanha de marketing ou por contágio de quem lê e recomenda a outros a leitura. Uma equipa que faça uma boa promoção, que coloque o livro em várias montras, bem publicitado, pode levar muitas pessoas a ler. Não menos eficaz, mesmo que leve mais tempo, mas por certo mais duradouro, o "passa-palavra". Por aí, não será apenas um best-seller, mas vários. E, a meu ver, é o que está a acontecer com Raul Minh'alma. Fui surpreendido. Depois de algumas entrevistas, achei por bem ler pelo menos um livro e agora, após a leitura deste, percebo o sucesso e sei que vou ler outros livros do autor, se Deus quiser e as circunstâncias o permitirem.

"Foi sem querer que te quis". Desde logo o título é muito sugestivo. Entra-se na leitura e somos envolvidos pela vida de Leonardo, que a qualquer momento pode morrer, que tem uma história de vida que o faz ser uma pessoa revoltada com a vida, sem indisposto com os outros, respondendo mal e exigindo tudo. Tem tudo, mas falta-lhe a alegria de viver que o leve a amar e a respeitar os outros. O avô é, ainda assim, a sua âncora, que lhe dá bons conselhos, e a quem respeita, ainda que o seu coração esteja demasiado cheio de nada. Beatriz trabalha num lar, como terapeuta ocupacional e faz também alguns domicílios. A vida dela dava um romance. A sua bondade é extrema, dá-se bem com todos, a todos procura tratar com delicadeza. O avô de Leonardo é um dos utentes do lar, com quem passa muito tempo a conversar, aprendendo a vida. Vai-se percebendo que os seus relacionamentos preenchem vazios, buracos, mas não são partilha de amor. Este é verdadeiramente o sentido da vida, cultivar a arte de amar e deixar que o amor transborde. O verdadeiro amor leva à partilha, transbordando. Quando se ama para preencher os próprios vazios, acaba-se por viver ás prestações, sem um rumo decidido, dependente das migalhas que os outros vão largando. A receita para ser feliz no amor, implica amor-próprio, autoconfiança, paz interior. Só se dá o que se tem, o que se cultiva.

Pouco a pouco, Leonardo vai descobrindo que há outro lado que faz sofrer, mas que dá muito mais sentido à vida. A bondade está lá, precisa de vir ao de cima. A sua rispidez é justificada pela certeza que pode morrer a qualquer momento e, por isso, não quer que as pessoas se apeguem a ele. O papel de Beatriz, pedido expresso de Nicolau, avô de Leonardo, é que lhe desperte a bondade e a alegria de viver, o faça sorrir e ver o lado positivo da vida. A tarefa de Beatriz leva-a a descobrir-se a si mesma e a enfrentar medos, vazios, a confiar mais em si, a não aceitar apenas as migalhas dos sentimentos dos outros.

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Como referiu numa entrevista, há histórias que criam procuram deixar vários ensinamentos, sendo realistas. Há histórias que acabam bem: e foram felizes para sempre! e há histórias que acarretam a perda, a doença, e um final que não é expectável num romance literário, mas que é possível na vida real.

Aqui fica a sugestão. Para lá da história, a narração é cuidada, agradavelmente bem escrita, escorreita, permitindo que nos vejamos na história, como se estivéssemos a ver um filme e fizemos parte da própria história ou estivéssemos por perto. É daqueles livros que depois de se começar a ler se quer avançar quanto antes para chegar mais à frente, chegar ao final da história.

12.08.20

Boletim Paroquial Voz Jovem - janeiro a junho de 2020

mpgpadre

Tempos novos estes!

No fim de semana de 14-15 de março, as celebrações comunitárias foram suspensas. Suspensos também os encontros de formação, de catequese, escolas da fé, celebração de sacramentos. O momento mais importante na vida da Igreja e das comunidades locais, a Páscoa, com as diversas celebrações, foi por certo a situação mais dura, assintomática, mas dolorosa!

Nada será como dantes?! Não seria de qualquer forma, houvesse ou não pandemia, pois a vida avança sempre, não permanece igual, amanhã estaremos diferentes! A alternativa: “vai ficar tudo bem”, com doses de otimismo e ingenuidade, sabendo que uns ficarão melhor que outros, uns sofrerão mais que outros, e para alguns as dificuldades  tornar-se-ão assustadoramente complexas.

Horas duras foram também os funerais, e na nossa comunidade tivemos três, em que a presença de pessoas foi demasiado limitada, só para os familiares mais próximos e com breves momentos de oração, sem a celebração da Eucaristia com o corpo presente, sendo colocada a intenção na Missa celebrada sem a presença física do povo. Recordámos assim: Ilídio Manuel (+ 04/04), Quintino Cardoso (+ 08/04), e João da Silva Martinho  (14/04). Com celebração da Eucaristia de corpo presente, mantendo as regras de distanciamento e uso de máscara, tivemos, entretanto, mais quatro funerais: José Manuel Moita Santos (+ 24/05); Maria da Graça (26/05); Teresa da Conceição Rebelo (+ 26/06) e João Esperança Lemos (08/97). Confiamo-los a Deus.

Regressámos às celebrações comunitárias a 30 e 31 de maio, sábado e Domingo de Pentecostes. A vida comunitária vai retomando, mas ainda com muitas reservas. A catequese regressará em outubro, os batizados e matrimónios, em tempo oportuno… mas urge caminhar, avançar, confiantes que o Senhor continua connosco, também nesta hora que passa.

Nesta edição, atividades pastorais antes do confinamento social do país e pós desconfinamento progressivo.

Pe. Manuel Gonçalves, Editorial do número 182, janeiro a junho de 2020.

Pode ler o Boletim clicando sobre a imagem, será direcionado para o Boletim em formato PDF:

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Ou fazer o download a partir da hiperligação:

BOLETIM PAROQUIAL VOZ JOVEM - janeiro a junho de 2020

 

07.08.20

Boletim Paroquial Voz Jovem - janeiro a junho de 2020

mpgpadre

Tempos novos estes!

No fim de semana de 14-15 de março, as celebrações comunitárias foram suspensas. Suspensos também os encontros de formação, de catequese, escolas da fé, celebração de sacramentos. O momento mais importante na vida da Igreja e das comunidades locais, a Páscoa, com as diversas celebrações, foi por certo a situação mais dura, assintomática, mas dolorosa!

Nada será como dantes?! Não seria de qualquer forma, houvesse ou não pandemia, pois a vida avança sempre, não permanece igual, amanhã estaremos diferentes! A alternativa: “vai ficar tudo bem”, com doses de otimismo e ingenuidade, sabendo que uns ficarão melhor que outros, uns sofrerão mais que outros, e para alguns as dificuldades  tornar-se-ão assustadoramente complexas.

Horas duras foram também os funerais, e na nossa comunidade tivemos três, em que a presença de pessoas foi demasiado limitada, só para os familiares mais próximos e com breves momentos de oração, sem a celebração da Eucaristia com o corpo presente, sendo colocada a intenção na Missa celebrada sem a presença física do povo. Recordámos assim: Ilídio Manuel (+ 04/04), Quintino Cardoso (+ 08/04), e João da Silva Martinho  (14/04). Com celebração da Eucaristia de corpo presente, mantendo as regras de distanciamento e uso de máscara, tivemos, entretanto, mais quatro funerais: José Manuel Moita Santos (+ 24/05); Maria da Graça (26/05); Teresa da Conceição Rebelo (+ 26/06) e João Esperança Lemos (08/97). Confiamo-los a Deus.

Regressámos às celebrações comunitárias a 30 e 31 de maio, sábado e Domingo de Pentecostes. A vida comunitária vai retomando, mas ainda com muitas reservas. A catequese regressará em outubro, os batizados e matrimónios, em tempo oportuno… mas urge caminhar, avançar, confiantes que o Senhor continua connosco, também nesta hora que passa.

Nesta edição, atividades pastorais antes do confinamento social do país e pós desconfinamento progressivo.

Pe. Manuel Gonçalves, Editorial do número 182, janeiro a junho de 2020.

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BOLETIM PAROQUIAL VOZ JOVEM - janeiro a junho de 2020

 

01.02.20

Boletim Paroquial Voz Jovem - outubro a dezembro de 2019

mpgpadre

A Festa do/a Padroeiro/a ocupa um lugar central na vida da comunidade crente, sabendo-se que envolve não apenas os mais fervorosos na fé mas também os que têm ligações mais esporádicas, cujas raizes se manifestam mais claramente nestas ocasiões.

Na Paróquia de Tabuaço não é diferente, a Festa da Padroeira, Nossa Senhora da Conceição, reveste-se de um momento único, para os que estão perto ou para os que estão mais longe, para os mais assíduos ou para os que não têm tanta disponibilidade espiritual. Precede a festa, a Novena da Imaculada Conceição, com outros momentos importantes como o compromisso dos acólitos ou as confissões, tudo culminando no dia 8 de dezembro, solenidade. Pela relevância, o destaque especial neste número do Boletim Voz Jovem, qua abarca os trimestre de outubro a dezembro de 2019, com outros momentos pastorais e/ou celebrativos: início da catequese paroquial, festa do acolhimento e magusto, festa de Natal da catequese, concerto de Natal na Igreja Matriz, Missa do Galo.

Pode ler o Boletim clicando sobre a imagem, será direcionado para o Boletim em formato PDF:VozJovem_outubro_dezembro_2019.jpg

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BOLETIM PAROQUIAL VOZ JOVEM - outubro a dezembro de 2019

26.10.19

Meu Deus, tende compaixão de mim, que sou pecador

mpgpadre

1 – Sincera, a oração aproxima-nos de Deus e dos outros.

O combustível da fé é a oração, pois coloca-nos diante de Deus, tal como somos, com a nossa pobreza, as nossas fragilidades, o nosso pecado, mas também com a beleza que nos filia em Deus, pois somos Sua imagem e semelhança. Se nos achegamos a Deus fechados no que somos, impedimos que Ele nos limpe a alma, nos ilumine o coração com a Sua graça infinita. A desgraça de Adão e Eva não é o pecado, para a falta de confiança em Deus e a incapacidade de se reconhecer com as suas faltas, deixando-se trespassar pelo Seu olhar misericordioso. O pecado não afasta Deus de nós. O pecado afasta-nos de Deus, pela vergonha do encontro, pelo temor por termos traído o Seu amor e acharmos que Ele nos vai destruir, ou não vai olhar para nós com a mesma predileção. A oração é remédio contra o medo e vergonha que nos impede de nos abrirmos à luz de Deus.

A oração é encontro connosco, com a realidade que nos identifica nas sombras e nas luzes, nas qualidades e nas imperfeições, nos sonhos e nos medos, nos projetos e nos fracassos. Encontramo-nos connosco para nos deixarmos embalar pelo olhar de Deus.

A oração é encontro, ou oportunidade de encontro, com os outros. A oração dilata o nosso coração para acolhermos os outros, reconhecendo-os como irmãos, tratando-os como iguais, cuidando deles como de Cristo. Há pessoas que acolheram Anjos sem o saber... Se nos colocarmos diante de Deus, com sinceridade de coração, reconhecê-l'O-emos como Pai e, consequentemente, nos assumiremos como irmãos. Não faz sentido que tratemos Deus por Pai sem reconhecermos e assumirmos os outros como irmãos. O amor a Deus, resposta ao amor de Deus por nós, exige, como resposta, o amor ao nosso semelhante. Cabe-nos amar os que Deus ama como filhos.

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2 – A oração purifica o nosso olhar, tornando-nos mais cientes do que somos. Jesus conta-nos a parábola de dois homens que sobem ao Templo para rezar, um fariseu e um publicano. A motivação para esta parábola, diz-nos o evangelista, é para aqueles que se consideravam justos, desprezando os outros. Estamos dentro da parábola.

O fariseu apresenta-se a Deus considerando-se acima de qualquer imperfeição, contrapondo o pecado dos outros: "Meu Deus, dou-Vos graças por não ser como os outros homens, que são ladrões, injustos e adúlteros, nem como este publicano. Jejuo duas vezes por semana e pago o dízimo de todos os meus rendimentos". O foco da sua oração não é Deus, não é o louvor ou a ação de graças, não é a intercessão por si, pela família ou pelos outros, a sua oração é crítica mordaz e destrutiva em relação ao seu semelhante. Poderia interceder, mas acusa sobranceiramente os outros.

A oração há de ser transparente, humilde, de quem reconhece a sua pobreza para se deixar enriquecer pela pobreza de Deus, pelo Seu amor, pela Sua graça infinita. Deus é Pai e como Pai bem sabe o que precisamos, bem sabe quem somos. E como Pai não está à espera que denunciemos os irmãos, que são igualmente Seus filhos, mas, quando muito, que intercedamos a favor deles, defendendo-os.

O publicano apresenta-se a Deus com a sua miséria, sem muitas palavras, mas com a sinceridade do seu coração: "Meu Deus, tende compaixão de mim, que sou pecador". Não precisamos de fingir diante dos nossos pais. Não precisamos de fingir diante de Deus que é Pai. Basta abrir o coração e deixar que Deus nos purifique.

A concluir Jesus diz que o publicano saiu justificado enquanto o fariseu tem um caminho longo a percorrer, "porque todo aquele que se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado".

 

3 – A soberba isola-nos, empobrece-nos, afasta-nos dos outros, impede que aprendamos, que cresçamos, amadurecendo. A pobreza dispõe-nos perante Deus e perante os outros, capacita-nos para aprendermos com os outros, enriquecendo o nosso vocabulário humano.

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Textos para a Eucaristia (ano C): Sir 35, 15b-17. 20-22a; Sl 33 (34); 2 Tim 4, 6-8. 16-18; Lc 18, 9-14.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço.

 

25.10.19

Boletim Paroquial Voz Jovem - junho a setembro de 2019

mpgpadre

A vida de uma comunidade é construída por diversos momentos, encontros, celebrações. Assinalar datas, fixar tempos e momentos, é uma forma de também tãornar visível a fé professada e o compromisso comunitário de partilhar a fé, partilhar a vida, aprofundar os laços que unem as pessoas que constituem a paróquia.

O Boletim Paroquial recorda alguns momentos que aconteceram, avivando-nos a memória, ajuda a escrever a história, ainda que nem tudo passe para o papel nem todas as experiências possam ser relatadas, mas fica pelo menos um vislumbre.

Nesta edição do Boletim, destaque para a Primeira Comunhão, inserida na Solenidade do Corpo de Deus, e para a Profissão de Fé, inserida na Solenidade de Pentecostes. Há depois, em texto e sobretudo fotos, outros momentos, celebrações, atividades pastorais que enriquece a comunidade, ajudam a fortalecer a fé, acentua a alegria em ser cristão, reforçam os laços de amizade entre todos. Pelo menos, é esse o propósito.

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BOLETIM PAROQUIAL VOZ JOVEM - junho a setembro de 2019

25.10.19

Boletim Paroquial Voz Jovem - maio de 2019

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Entre os dias 9 e 19 de maio de 2019, a Paróquia de Nossa Senhora da Conceição viveu a Visita Pastoral de D. Couto, Bispo de Lamego, que entre nós visitou as instituções, Câmara, Junta de Freguesia, Escola, visitou os doentes, esteve na Santa Casa da Misericórdia e no Centro de Promoção Social, celebrou os Sacramentos do Batismo, da Eucaristia, do Crisma, da Santa Unção, rezou por vivos e defuntos, reuniu-se com a catequese e com os agentes de pastoral, e com os párocos desta Zona Pastoral de Tabuaço.

O Boletim Voz Jovem dedica uma edição especial à Visita Pastoral. Não se pode colocar tudo, mas entre o texto, também publicado na Voz de Lamego, e as fotos pode ter-se uma ideia do que foi, servindo também como memória futura.

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BOLETIM PAROQUIAL VOZ JOVEM - maio de 2019

05.10.19

Se tivésseis fé como um grão de mostarda

mpgpadre

1 – Os Apóstolos fazem um pedido – aumenta  a nossa fé – e Jesus revela que a fé é também um caminho: «Se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis a esta amoreira: ‘Arranca-te daí e vai plantar-te no mar’, e ela obedecer-vos-ia». Um horizonte, um ideal. Mas, antes de tudo, é dom e como tal fazem bem os apóstolos em pedir que a sua fé seja aumentada. E faremos bem em rezar a fé, em pedi-la a Deus. Se é dom depende, antes de mais, de Quem a dá.

Todo o dom precisa de ser acolhido! A dádiva é divina. O acolhimento, a aceitação terá de ser nossa, minha e tua, depende da nossa vontade e, depois, é necessário darmos os passos para que a fé se entranhe, amadureça e nos transforme a partir de dentro.

O dom efetiva-se na partilha, multiplicando-se pelos outros. O que guardamos para nós, morre, e não podemos guardar o que não é nosso. O dom (da fé) foi-nos dado para nos iluminar, e às nossas opções, mas precisa tanto de ser acolhido como oferecido. Jesus é dom dado pelo Pai à humanidade para a todos salvar.

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2 – Jesus deixa de falar em fé e fala em serviço. A reflexão é importante, clarifica as escolhas e ajusta as opções. As palavras são importantes, dizem-nos, ajudam-nos a comunicar com os outros, expressam o que sentimos… Mas se ficarmos pela reflexão... se ficarmos pelas palavras... perdemos o comboio da vida, a carícia e o abraço, e a ajuda aos outros. A fé, parafraseando o Papa Francisco, trabalha-se artesanalmente!

«Quem de vós, tendo um servo a lavrar ou a guardar gado, lhe dirá quando ele voltar do campo: ‘Vem depressa sentar-te à mesa’? Não lhe dirá antes: ‘Prepara-me o jantar e cinge-te para me servires, até que eu tenha comido e bebido. Depois comerás e beberás tu’? Terá de agradecer ao servo por lhe ter feito o que mandou? Assim também vós, quando tiverdes feito tudo o que vos foi ordenado, dizei: ‘Somos inúteis servos: fizemos o que devíamos fazer’».

Servir e cuidar dos outros não é uma opção que façamos quando nos agrada ou quando gostamos da pessoa, é uma obrigação, uma missão. Acreditar em Jesus implica segui-l'O e querer o que Ele quer, fazer como Ele faz, gastar-se, como Ele, inteiramente pelos outros.

 

3 – São Paulo interpela Timóteo para que este molde a fé com a caridade. "Exorto-te a que reanimes o dom de Deus que recebeste pela imposição das minhas mãos. Deus não nos deu um espírito de timidez, mas de fortaleza, de caridade e moderação".

A fé não nos livra das adversidades. Na carta encíclica A Luz da Fé, escrita a quatro mãos, por Bento XVI e Francisco, há uma passagem que nos diz que “a fé não é luz que dissipa todas as nossas trevas, mas lâmpada que guia os nossos passos na noite, e isto basta para o caminho... o serviço da fé ao bem comum é sempre serviço de esperança que nos faz olhar em frente, sabendo que só a partir de Deus, do futuro que vem de Jesus ressuscitado, é que a nossa sociedade pode encontrar alicerces sólidos e duradouros”.

Visualiza-se nesta expressão papal a estreita ligação da fé com a vida. A fé dilata o nosso coração, faz-nos perceber que não estamos sós, não somos ilhas isoladas.

São Paulo alerta para as dificuldades do caminho. Sermos discípulos de Jesus não nos livra da provação. "Não te envergonhes de dar testemunho de Nosso Senhor, nem te envergonhes de mim, seu prisioneiro. Mas sofre comigo pelo Evangelho, confiando no poder de Deus. Toma como norma as sãs palavras que me ouviste, segundo a fé e a caridade que temos em Jesus Cristo. Guarda a boa doutrina que nos foi confiada, com o auxílio do Espírito Santo.

Em tudo a confiança em Deus, a certeza que também na adversidade Deus Se faz presente, concedendo as forças para prosseguir e para testemunhar a Boa Nova. Em vez dos queixumes, a gratidão. Na perseguição e na prisão, Paulo não se resignou, continuou a evangelizar, a dar testemunho do Evangelho.

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Textos para a Eucaristia (ano C):  Hab 1, 2-3; 2, 2-4; Sl 94 (95); 2 Tim 1, 6-8. 13-14; Lc 17, 5-10

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço.

22.09.19

Arranjai amigos com o vil dinheiro, para que, quando este vier a faltar, eles vos recebam nas moradas eternas

mpgpadre

1 – «Senhor, que fizestes consistir a plenitude da lei no vosso amor e no amor do próximo, dai-nos a graça de cumprirmos este duplo mandamento, para alcançarmos a vida eterna». A oração inicial da Eucaristia coleta-nos no mesmo propósito. A vida eterna tem as portas escancaradas pelo nosso amor a Deus, antes e acima de outros amores, e ao próximo como a nós mesmos, melhor, ao jeito de Jesus que ama dando-nos a Sua vida por inteiro.

Jesus dá-nos pistas que nos sincronizam com a vida eterna. Perceber-se-á que esta não se inicia no momento da morte, mas na vida presente. Não chegamos à meta se antes não dermos os passos que precisamos para lá chegar ou se nem sequer soubermos qual o caminho ou a direção que havemos tomar.

Aos discípulos daquele tempo, e a nós, discípulos deste tempo, Jesus conta a parábola do administrador infiel, vincando a sua esperteza. O patrão pede-lhe contas da administração, pois chegou-lhe aos ouvidos que andava a desperdiçar bens, pelo que o desenlace será o seu despedimento. Rapidamente o administrador lança contas à vida sobre o que sucederá, já que não tem forças para trabalhar e não quer sujeitar-se à mendicidade. Antes da demissão, e para que alguém o receba em sua casa, chama os devedores do seu senhor e reduz-lhes substancialmente a dívida. O seu senhor elogiou a sagacidade do administrador, apesar da sua desonestidade.

E, por sua vez, Jesus propõe-no como exemplo a seguir, não pela sua desonestidade, mas pela forma de lidar com o próximo.

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2 – "Arranjai amigos com o vil dinheiro, para que, quando este vier a faltar, eles vos recebam nas moradas eternas". O Administrador desonesto assegura de forma criativa e inteligente o seu futuro, usando o seu cargo. Dizem os entendidos, que o perdão da dívida significou a perda do seu rendimento e não do seu senhor, abdicou da comissão sobre a venda, lucro imediato, para garantir o futuro.

É isso que devemos fazer, segundo Jesus, usar os recursos que temos para assegurar o futuro, para que aqueles que tratamos com bondade, possam acolher-nos na vida eterna. São estes os passos que temos que dar: tratar com fidalguia o nosso semelhante!

Então a vida eterna é conquistada pelo nosso empenho em fazermos o bem, tornar-nos próximos dos outros, ajudando-os, amando-os e servindo-os? A resposta encontramo-la nas palavras e na vida de Jesus: a ligação, a intimidade e a proximidade com Deus (Pai), faz-nos irmãos dos outros. Assim com Jesus, assim connosco. É essa a plenitude da Lei que nos faz cidadãos do Céu. A fé em Jesus salva-nos do egoísmo e da morte. O mistério da sua morte e ressurreição torna-nos novas criaturas. Cabe-nos seguir a engrenagem da fé…

 

3 – Através das parábolas, não sendo invasivo, Jesus respeita as nossas opções, faz-nos sentir intervenientes em cada uma das histórias que nos apresenta e deixa que façamos as nossas escolhas, permitindo-nos, porém, entrever o caminho para O seguirmos.

A prioridade, clarividente, é cuidar do próximo. Para que não haja mal-entendidos, logo Jesus nos diz que a desonestidade não é o caminho dos discípulos. Há que saber lidar com o dinheiro, com os bens, de forma justa e honesta, no pouco e no muito, "Quem é fiel nas coisas pequenas também é fiel nas grandes; e quem é injusto nas coisas pequenas também é injusto nas grandes. Se não fostes fiéis no que se refere ao vil dinheiro, quem vos confiará o verdadeiro bem?"

Fica também vincada a relação entre a fé e a vida do dia-a-dia: não são separáveis. Não se é cristão apenas na oração, no espaço sagrado dos templos, mas na gestão do bolso, do dinheiro, dos bens que se adquirem, se herdam, se possuem. Como costuma dizer o Papa Francisco, o diabo entra pelo bolso. Pecadores, sim; corruptos, não. A fé não nos encerra na oração nem na Igreja, insere-nos no nosso mundo. E, do mesmo modo, não deixámos a vida quotidiana, o que somos e fazemos, à porta da Igreja. Não. A vida, os nossos sonhos e projetos, os nossos méritos e os nossos fracassos, seguem-nos na oração que nos coloca diante de Deus e em comunhão com os que estão no mesmo barco, com as suas realizações e com os seus pecados.

A precedência, a prioridade e a exclusividade há de ser para Deus. «Nenhum servo pode servir a dois senhores, porque, ou não gosta de um deles e estima o outro, ou se dedica a um e despreza o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro». Quem não tem preferências fica-se nas encruzilhadas, a meio caminho, incapaz de fazer opções. A opção por Deus implica-nos com a Sua vontade.

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Textos para a Eucaristia (ano C):  Am 8, 4-7; Sal 112 (113); 1 Tim 2, 1-8; Lc 16, 1-13.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço.

14.09.19

Haverá mais alegria no Céu por um só pecador que se arrependa...

mpgpadre

1 – O amor é a maior força que existe no ser humano. Melhor, é a força divina que nos habita! Por amor, Deus criou-nos e por amor nos desafia a viver na alegria e na abundância. Sem amor, a vida humana não existiria, pois é o amor que nos une, nos aproxima, nos humaniza. A falta de amor, ao invés, desumaniza-nos, desagrega-nos, desfamiliariza-nos.

 

2 – O amor de Deus não tem limites, não faz aceção de pessoas. Isso mesmo nos mostra Jesus que privilegia os excluídos, os pequenos, os pobres; alegra-se com os retornados à vida, pródigos de amor e de perdão, a precisarem de um olhar, um abraço, um colo!

Jesus não exclui ninguém, optando prevalentemente por se aproximar dos excluídos. Preferir não é excluir. Não são os sãos que precisam de médico! O filho do Homem veio para os pecadores, para os que estavam perdidos! São estes que precisam de cura.

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3 – Para responder às murmurações, Jesus conta-lhes uma parábola (que se desdobra em três). Vale a pena ler e reler cada uma das parábolas. A primeira salienta a alegria do Bom Pastor por reencontrar a ovelha perdida: «Quem de vós, que possua cem ovelhas e tenha perdido uma delas, não deixa as outras noventa e nove no deserto, para ir à procura da que anda perdida, até a encontrar?».

A segunda expressa a felicidade, que se converte em festa, da mulher que encontra a moeda perdida: «Qual é a mulher que, possuindo dez dracmas e tendo perdido uma, não acende uma lâmpada, varre a casa e procura cuidadosamente a moeda até a encontrar?».

E Jesus conclui dizendo que «haverá mais alegria no Céu por um só pecador que se arrependa, do que por noventa e nove justos, que não precisam de arrependimento».

 

4 – A terceira das parábolas é das mais expressivas: um Pai tem dois filhos, a quem dá tudo, tempo, carinho e bens!

O mais novo conclui que é tempo de abalar e experimentar novas coisas, conhecer outros mundos, encontrar outras pessoas. Sai de casa e cedo esbanja os seus bens, perdendo-se numa vida dissoluta. Os novos amigos são-no enquanto tem dinheiro, deixam de o ser quando ele precisa de ajuda. Após tantos contratempos e adversidades percebe que a felicidade que procurava afinal esteve sempre em casa do Pai. E regressa, pedindo perdão, reconhecendo que nem merece ser tratado por filho, tal foi o desplante em desejar a morte ao pai (a herança recebe-se por morte dos progenitores).

A figura do Pai ocupa toda a parábola e "justifica" a postura de Jesus, transparecendo a misericórdia de Deus que age como Pai, com amor de Mãe. Se olharmos para cada pormenor da parábola talvez nos faça espécie a benevolência paterna e a safadeza do filho mais novo que, aparentemente, é recompensado pelo seu atrevimento. É precisamente isso que o filho mais velho faz sentir ao Pai: esse teu filho consumiu os teus bens com mulheres de má vida e tu faz-lhe uma festa, matando o vitelo gordo? Como vemos, o filho mais velho reconhece-se filho, mas não reconhece o irmão. Para ele, o irmão morreu, desapareceu, fugiu, não é justo readquirir o estatuto de filho!

Se o nosso olhar for o do Pai então valorizaremos a vida e a felicidade dos filhos, dos nossos irmãos, e, consequentemente, deixaremos de nos fixar nos erros, nos pecados, nas injustiças! Não é fácil! Em nós prevalece sobretudo a consciência da justiça, da verdade e do meritório.

O mérito deve ser compensado! Mas sem negar tudo isso, Jesus desafia-nos a revestirmos todas as nossas escolhas com a misericórdia de Deus. São os pecadores que precisam de amor! São os doentes que precisam de aconchego! São os pródigos que precisam de abraços! Mas o amor do Pai, o carinho da Mãe, não é divisível, chega para um, dois, três, cem filhos. Dá-se a cada um totalmente! A injustiça é superada pelo amor, pela alegria e pela festa. Tenho a impressão que esta parábola só será bem compreendida por aqueles que são pais, e melhor pelas mães. Se um filho estiver doente vai merecer toda a atenção, cuidado, toda a disponibilidade materna/paterna... e outros filhos vão sentir-se (um pouco) excluídos e até quererão ficar doentes para receberem o mesmo tratamento fidalgo!

____________________________________________________________________________________________

Textos para a Eucaristia (ano C): Ex 32, 7-11. 13-14; Sl 50 (51); 1 Tim 1, 12-17; Lc 15, 1-32.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço.

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