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06
Mar 14
publicado por mpgpadre, às 10:58link do post | comentar |  O que é?

VÍTOR GASPAR por MARIA JOÃO AVILLEZ. Edição de Maria João Avillez e Publicações Dm Quixote. Alfragide 2014. 416 páginas.

 

       Vítor Gaspar, reconhecido pelos seus pares, mas desconhecido do público português até ao dia em que foi anunciado como Ministro das Finanças, do Governo de coligação, liderado por Pedro Passos Coelhos. Quando surge alguma figura, cuja missão, papel, cargo, se reveste de uma importância crucial para os destinos da nação portuguesa, logo vem a curiosidade, o querer saber melhor quem terá a responsabilidade de gerir os meios humanos e económicos, para que os laços entre todos possam ser fortalecidos, precavendo ou corrigindo as estruturas e/ou mecanismos que arredam alguns para as periferias.

       Teixeira dos Santos, do governo anterior, ou Vítor Gaspar, deste governo nos dois primeiros anos de governação, são dois excelentes técnicos de Finanças, competentes, que certamente procuraram fazer o melhor, num serviço ao país, cujas intervenções políticas foram marcadas pela moderação, responsáveis por gerir um dos maiores défices orçamentais, com limitado acesso aos mercados para financiar os compromissos do Estado português e, onsequentemente, de empresas e famílias.

 

MARIA JOÃO AVILLEZ - A Entrevistadora.

       Conhecida jornalista, envolvida nestas lides, com participação em jornais e programas de televisão e com alguns livros publicados, como três volumes da biografia de Mário Soares; Francisco Sá Carneiro: Solidão e Poder; Conversas com Salazar. É arguta. Não aceita qualquer resposta. Tem a mesma curiosidade que grande parte dos portugueses sobre quem é e as medidas que este homem assume. Cedo solicita-lhes permissão para o acompanhar, colhendo impressões, informações, comentários. Depois da demissão de Vítor Gaspar do governo, propõe-se a prosseguir o intenso debate, reflexão, diálogo com um Ministro que deixa um rasto de críticas mas também de reconhecimento aquém e além fronteiras. A jornalista percorre com Vítor Gaspar várias etapas da sua vida: infância e juventude, o homem, o estudioso, negociador, membro de várias instâncias internacionais, o Ministro... Perante a "normalidade" do processo político português e internacional, e com o facto de Vítor Gaspar insistir, com otimismo (cético), em sublinhar positivamente os vários acontecimentos, até as manifestações pedindo a sua demissão, sem nunca apontar defeitos a outros, quase que se ouve a gritar-lhe para que diga nomes, que mostre quem lhe fez a folha. Às tantas... sobre os problemas políticos: "Exatamente quais, santo Deus?" A resposta serena (ou não) de Vítor Gaspar: "Não preciso, não quero e não lhe vou comentar isso", "Ah... Ficaríamos a entender melhor o seu raciocínio e o seu julgamento se fosse mais claro". Resposta: "Pode-me fazer a pergunta 500 vezes que não vai ter uma resposta. Estive plenamente dedicado a esta tarefa durante dois anos. Foi para mim muito difícil. A minha única motivação doi o interesse de Portugal. Estou convencido de que responder à sua pergunta seria contraproducente". "Talvez fosse... mas as pessoas esperariam outra análise sua?" Resposta: "As pessoas esperam imensas coisas sobre os outros e são frequentemente desapontadas. Não vejo razão porque no meu caso haveria de ser diferente. Nenhuma personalidade pode satisfazer as expectativas que o público tem sobre ela, a menos que desista de ser quem é". "E o que é que o faz dizer isso?" Resposta: "O facto de as pessoas poderem ter certas expectativas a meu respeito. Não determina nem quem sou, nem a perceção que tenho de quem sou".

O livro traz um diálogo extremamente vivo, acutilante, com varidas questões, sobre variados assuntos, da vida profissional e "política" de Vítor Gaspar. A jornalista está sempre em busca da melhor e mais clarificadora resposta, colcoando-se no lugar dos portugueses, como crítica, em busca se razões e de esperança para Portugal e para a Europa.

 

VÍTOR GASPAR - O entrevistado.

       Em todo o livro não diz mal de ninguém. E se há algum reparo, incide sobre decisões políticas. Mesmo de quem publicamente mais o terá contrariado, Paulo Portas, formula um juízo positivo e generoso. É política. Terá razões e responsabilidades com o partido. Sobre António José Seguro. Sobre o Tribunal Constitucional - cumpre com as suas responsabilidades. Sobre os outros ministros. Sobre Mário Soares. Sobre Cavaco Silva. Sobre os portugueses e as manifestações. Vivemos em democracia - é normal, faz parte da cultura de uma país moderno, livre e democrático...

       Independentemente do que se possa pensar sobre Vítor Gaspar, e sobre a sua atuação como Ministro das Finanças, este é um diálogo inspirador, respeitando divergências, acolhendo contributos, envolvendo um desafio de esperança em Portugal e na Europa. É impressionante como em 400 páginas, centenas de perguntas, não se encontrem críticas pessoais, ou reparos cáusticos sobre outros intervenientes. Goste-se ou não, vale a pena a leitura deste diálogo, pelos muitos conhecimentos, informações  culturais, sociais, políticos, de alguém que conhece de forma bastante bem os mecanismos decisores na Europa e no Mundo, e em Portugal.

 

GUILHERME D'OLIVEIRA MARTINS - Posfácio.

       O conhecido político e atualmente Presidente do Tribunal de Contas, de uma área política diferente da de Vítor Gaspar, pelo menos no que diz respeito ao cargo que este último desempenhou como Ministro das Finanças, convida a fazer uma leitura atenta deste diálogo, que fará história, no seu entender, será um contributo significativo para narrar os tempos da crise económico-financeira, na qual o então Ministro das Finanças esteve de perto envolvido na procura de uma resposta eficaz. Reconhecendo o valor da entrevistadora, reconhece também que a história presente precisa de um certo distancionamento no tempo, para um juízo mais apurado, reconhecendo também a necessidade de se continuar a apostar no rigor das finanças públicas e no equilíbrio das contas.

 

Nota final - Neste como em outros governos, os ministros mais expostos foram e são os que não têm filiação partidária, pois além dos ataques dos media são atacados pelos partidos. Alguns dados mais: Miguel Relvas - muito atacado pela comunicação social e pela opinião pública, sempre defendido pelo partido. José Sócrates - atacado pelos mass media e pela opinião pública, sempre defendido pelo partido. Vítor Gaspar e Álvaro Santos Pereira - dentro dos partidos da coligação muitas vozes a pediram as suas cabeças. Em concreto, se o Ministro da Economia fosse do PSD ou do CDS nunca teria sido forçado a sair para dar lugar a outro membro, cujo papel será igual, mas com a diferença de ter um cartão de militante.


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