...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...
30
Set 17
publicado por mpgpadre, às 20:57link do post | comentar |  O que é?

1 – Não há santos sem passado nem pecadores sem futuro (Papa Francisco). Deus não Se cansa de nos perdoar, nós é que nos cansamos de pedir perdão. O Papa coloca a ênfase na misericórdia de Deus que nos alcança, nos acaricia e nos eleva, perdoando-nos.

A conversão é permanente. Enquanto vivemos estamos a tempo de alterarmos a trajetória que nos afasta de Deus e dos outros.

Nos domingos precedentes víamos como a comunidade procurava acolher, na prática, os ensinamentos de Jesus acerca do perdão, não desistindo dos erráticos, dando-lhes segundas e terceiras oportunidades, procurando integrá-los, e como Pedro percebe que tem de perdoar muitas vezes, não até sete vezes, sempre, mas até setenta vezes sete, diz-lhe Jesus, até ao infinito.

O contexto aproxima-nos da morte de Jesus. Depois de ter entrado triunfalmente na cidade santa, aclamado por aqueles que O acompanham, Jesus "entra" em choque com as autoridades judaicas. No templo expulsa os que compravam e vendiam, gerando uma crescente onda de indignação.

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2 – As parábolas tornam acessível a mensagem de Jesus. Cabe-nos tirar as lições que nos ajudam a viver Jesus, a traduzir Jesus para a nossa vida, a testemunhar Jesus. Que pretende Jesus dizer-nos com esta parábola? Até que ponto é atual para nós?

Mais uma estória luminosa: «Um homem tinha dois filhos. Foi ter com o primeiro e disse-lhe: ‘Filho, vai hoje trabalhar na vinha’. Mas ele respondeu-lhe: ‘Não quero’. Depois, porém, arrependeu-se e foi. O homem dirigiu-se ao segundo filho e falou-lhe do mesmo modo. Ele respondeu: ‘Eu vou, Senhor’. Mas de facto não foi. Qual dos dois fez a vontade ao pai?»

O próprio Jesus dá a resposta em outra parte do Evangelho: «Nem todo o que me diz: 'Senhor, Senhor' entrará no Reino do Céu, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está no Céu» (Mt 7, 21). As palavras valem o que valem. Para Deus valem tudo, pois o próprio Jesus é a Palavra de Deus dada ao mundo. Palavra de Deus encarnada! Também para nós as palavras devem contar.

Na parábola, o filho mais velho responde negativamente ao pai, mas acaba por refletir e por fazer o que o pai lhe tinha pedido. Cumpriu, ainda que tivesse hesitado. Há sempre tempo para arrependimento. Uma perna quebrada e emendada não é quebrada. Não adianta responder por responder, só para agradar, e depois não fazer. Os interlocutores ainda estão a tempo de se converter, de dar uma oportunidade à vontade de Deus e aos Seus desígnios de amor e salvação. É a provocação de Jesus: «Os publicanos e as mulheres de má vida irão diante de vós para o reino de Deus. João Baptista veio até vós, ensinando-vos o caminho da justiça, e não acreditastes nele; mas os publicanos e as mulheres de má vida acreditaram. E vós, que bem o vistes, não vos arrependestes, acreditando nele».

 

3 – A oração inicial da Eucaristia (coleta) ambienta-nos e sintoniza-nos com a liturgia da Palavra, como podemos ver neste domingo: «Senhor, que dais a maior prova do vosso poder quando perdoais e Vos compadeceis, derramai sobre nós a vossa graça, para que, correndo prontamente para os bens prometidos, nos tornemos um dia participantes da felicidade celeste».

Constatamos que o poder de Deus está no perdão e suplicamos a Sua graça, para que possamos caminhar para a felicidade eterna.

Há espaço para o arrependimento e para a conversão, como o filho mais velho da parábola deste domingo, ou como o filho pródigo na parábola lucana do Pai misericordioso. Através do Profeta, Deus faz saber que se o ímpio, «abrir os seus olhos e renunciar às faltas que tiver cometido, há de viver e não morrerá». Em definitivo, Deus não quer a morte do pecador, mas que se converta e viva. A glória de Deus é o Homem vivo (Santo Ireneu).


Textos para a Eucaristia (ano A):  Ez 18, 25-28; Sl 24 (25); Filip 2, 1-11; Mt 21, 28-32.


23
Set 17
publicado por mpgpadre, às 22:21link do post | comentar |  O que é?

1 – O reino de Deus, diz Jesus, pode comparar-se a um proprietário que sai muito cedo para contratar trabalhadores para a sua vinha, ajustando com eles a respetiva remuneração. Hoje os trabalhadores necessários estão previamente contratados. Mas lá vai surgindo espaço para mais alguém, sobretudo se há mais uvas para apanhar ou se é necessário apressar a colheita.

Todos os trabalhos que estão ligados à terra dependem do trabalho humano e da natureza. Se chove em excesso ou em défice vem prejuízo, ou pelo menos não tanto lucro. Uma trovoada com granizo pode estragar o trabalho de um ano. Tanto trabalho e para nada! É uma fatia importante do ganha-pão de muitas pessoas!

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 2 – O Senhor da Vinha, o nosso Deus, toma a iniciativa. Vem à nossa procura, vem ao nosso encontro. Pelas praças e vielas, pelas aldeias e cidades. Em Jesus, sai do Seu conforto, do Seu mundo e mistura-Se connosco, vem para o nosso mundo.

No reino de Deus, a vinha do Senhor, há sempre lugar para mais um, há lugar para todos. Há trabalho para quem quiser trabalhar, para quem quiser comprometer-se, para quem quiser "vindimar", cortar uvas, recolhê-las, carregar baldes, descarregar tinas. Este "Senhor" sai várias vezes ao dia. Não desiste de nos procurar e nos rogar: «Ide vós também para a minha vinha e dar-vos-ei o que for justo». A meio da manhã, ao meio dia, pelas três horas da tarde e ao cair da tarde. Vai encontrando pessoas e convoca-as: «Porque ficais aqui todo o dia sem trabalhar?». Distração dos próprios ou incúria dos rogadores? «Ninguém nos contratou».

Como faz este nosso "Senhor" caber-nos-á fazer o mesmo. Sair, procurar, encontrar pessoas para a vinha do Senhor, lançar-lhes o convite. É preciso não nos cansarmos de ir, de chamar, de insistir. «Ide vós também para a minha vinha». Pode haver alguém que não escute! Pode haver quem prefira ficar encostado a preguiçar ou à espera que outros façam! Cabe-nos a nós, a mim e a ti, anunciar, envolver, desafiar. Esta missão faz parte da nossa condição de batizados.

 

3 – Deus não deixará sem recompensa nem sequer um copo de água dado em Seu nome. A garantia é dada aos jornaleiros: pagar-vos-ei o que é justo. Ao anoitecer, o capataz cumpre o mandato do dono da vinha e paga o salário aos trabalhadores a começar pelos últimos. Atualmente, o pagamento é feito no final da semana ou no final da vindima, isto quando os patrões não optam por pagar apenas quando recebem da venda das uvas! O trabalhador merece o seu salário e a demora pode fazer muita diferença para quem sobrevive com pouco.

A prontidão de Deus em pagar corresponde à insistência com que sai ao nosso encontro para nos contratar. E quanto nos paga? Quanto nos pagam os nossos pais por serem pais? Tudo! Nada menos do que tudo. Sempre. Eles acolhem-nos com alegria nos braços quando nascemos e estão sempre prontos para nos acolher, mesmo que pelo meio tenhamos sido ingratos, distraídos, distantes, mesmo que só tenhamos "trabalhado" quando o dia estava a findar.

Na nossa lógica muito humana, muito justa e generosa, o proceder do dono da vinha é injusto e, talvez quem sabe, maldoso. Os da última hora recebem o mesmo que os da primeira que trabalharam durante todo o dia, que sofreram a dureza do tempo e o calor!

O dono da vinha parece agir indiscriminadamente, favorecendo os preguiçosos, os desleixados, os que não se importam se têm trabalho ou não! Mas um Pai que ama como Mãe é assim. Não é falta de exigência, é excesso de amor. E o amor autêntico não é divisível, compartimentalizado, ou se ama ou não se ama, ainda que a confiança possa progredir. Não amo um pouquito (para não deixar abusar!) e depois já amo mais (para reconquistar!).

Ama com tudo, com todas as forças, com a vida toda.


Textos para a Eucaristia (ano A): Is 55, 6-9; Sal 144 (145); Filip 1, 20c-24. 27a; Mt 20, 1-16a.


22
Jul 17
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

1 – «O reino dos Céus pode comparar-se a um homem que semeou boa semente no seu campo».

A parábola do trigo e do joio tem pontos de contacto com a de domingo passado: a semente é lançada com a certeza que a terra produzirá. Tal como a chuva e a neve que caem do céu à terra e não regressam sem terem surtido efeito, também a palavra de Deus, a semente em nós semeada, há de produzir abundantemente. Essa é a vontade de Deus, que toma a iniciativa, que confia em nós, que nos conhece e nos sabe frágeis mas capazes de sermos terra trabalhada. Deus é um Deus clemente e compassivo, paciente e cheio de misericórdia. Ele espera e confia. Uma e outra vez. Deixa que o tempo nos amadureça. Age assim connosco, para que, com Ele, aprendamos a agir uns com os outros: cuidando, esperando pacientemente, confiando.

A semente lançada à terra é boa semente. Vem de Deus. Logo tem tudo para frutificar. Mas não basta a semente ser boa, as condições podem ditar a dimensão e a qualidade dos frutos.

Os servos querem cortar o mal pela raiz. Por vezes também somos assim. Queremos rapidamente eliminar todo o mal. Como diz o velho aforismo, corremos o risco de deitar fora juntamente a água suja e o bebé que está lá dentro. Ou, numa outra imagem também feliz, a árvore que está à nossa frente pode impedir-nos de ver toda a floresta! Algum distanciamento, algum cuidado e perseverança pode ajudar-nos a acolher o bem que existe nos outros. Daí o velho conselho: o travesseiro é o melhor conselheiro! Dormir sobre o assunto. Pensar e repensar! Contar até 20! A pressa é inimiga da perfeição!

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2 – «O reino dos Céus pode comparar-se ao grão de mostarda que um homem tomou e semeou no seu campo. Sendo a menor de todas as sementes, depois de crescer, é a maior de todas as plantas da horta… as aves do céu vêm abrigar-se nos seus ramos».

Nesta parábola sobrevém a confiança em Deus. Deus vela pela humanidade, pelo mundo. A pequena semente parece não ter a dureza, a grandeza e o aspeto para sobreviver. Quantas as situações da vida em que a esperança se tornou um minúsculo grão de nada ou de pouca coisa?! Mas desistir não é o caminho. O caminho é persistir. Enquanto há vida há esperança. Por vezes não é fácil. Nada fácil. Parece que o mundo inteiro está contra nós! Mas fazemos das tripas coração e das fraquezas forças para prosseguir. Deus segue connosco, solidário com as mazelas que vamos experimentando.

 

3 – «O reino dos Céus pode comparar-se ao fermento que uma mulher toma e mistura em três medidas de farinha, até ficar tudo levedado».

Ser fermento que leveda a massa, testemunhar a fé, transparecer Jesus Cristo, viver como quem se gasta a favor do outro, a favor de todos, como Jesus Cristo, a favor da humanidade inteira.

Perguntavam à Madre Teresa de Calcutá como seria possível "converter" e transformar o mundo! Como pretendia fazê-lo sozinha? Sozinha não, com Cristo, por Cristo. Eu e tu, somos dois! Soma quem tens em casa e eu somo quem tenho em casa, seremos quatro, seis, dez, vinte, cem, mil! Grão a grão enche a galinha o papo. Faz pelo menos a tua parte!


Textos para a Eucaristia (ano A): Sab 12, 13. 16-19; Sl 85 (86); Rom 8, 26-27; Mt 13, 24-43.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE


02
Jul 16
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

1 – Seguir Jesus é a vocação primeira do cristão. Sem pausas nem descanso. Segui-l'O em todas as circunstâncias.

Para O seguir e para O imitar, para O viver e O anunciar é necessário abrir-Lhe o coração e a vida para que Ele nos habite e nos transforme, nos converta e nos redima. Não é possível amar o que não se conhece. O conhecimento é um primeiro passo para amar. Quanto mais se amar mais se quer conhecer e quanto mais se conhecer maior a possibilidade de amar a pessoa e não uma imagem da mesma.

A oração é o ambiente natural para saber quem é Jesus para nós. A oração, a escuta, a meditação da palavra de Deus. O cristão, como a Igreja, deve ter a consciência da sua identidade lunar. Jesus Cristo é o nosso Sol. Somos embaixadores e não chefes de estado. O embaixador não se comunica, mas comunica o seu povo. Somos de Cristo. Somos cristãos. Sermos embaixadores de Jesus é um compromisso, para que Cristo viva em nós e através de nós chegue a todo o mundo.

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2 – Somos discípulos missionários. Expressão que ganhou corpo na Assembleia Geral do Episcopado da América Latina e Caribe, em 2007, em Aparecida, no Brasil, sob o tema "Discípulos e missionários de Jesus Cristo, para que nele nossos povos tenham vida".

Bento XVI, no discurso inaugural, clarificou a estreita ligação: "O discípulo, fundamentado assim na rocha da Palavra de Deus, sente-se impelido a anunciar a Boa Nova da salvação aos seus irmãos. Discipulado e missão são como os dois lados de uma mesma medalha: quando o discípulo está apaixonado por Cristo, não pode deixar de anunciar ao mundo que somente Ele nos salva (cf. Atos 4, 12)… o discípulo sabe que sem Cristo não há luz, não existe esperança, não há amor e não existe futuro".

O Papa Francisco, relator-presidente de Aparecida, utiliza amiúde esta expressão, muitas vezes sem a conjunção aditiva "e", acentuando o perigo da autorreferencialidade do cristão e da Igreja. O centro, o SOL, é Jesus Cristo. Devemos d'Ele aprender a vida e o amor, a verdade e o serviço. Discípulos. Para O darmos aos outros, levando a todos os Evangelho de Jesus. Missionários. Não podemos ser missionários se não formos verdadeiros discípulos do Senhor. Sendo discípulos autênticos procuraremos imitá-l’O e como Ele anunciar a Boa Nova a todos. A luz que nos habita não se pode esconder.

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3 – "Ide: Eu vos envio como cordeiros para o meio de lobos. Não leveis bolsa nem alforge nem sandálias, nem vos demoreis a saudar alguém pelo caminho". Para seguir Jesus é necessário deixarmos de lado todos os acessórios que nos pesam. Ele envia-nos. Ele não nos chama para ficarmos instalados à sombra da bananeira, mas para irmos ao encontro dos outros. Por aldeias e cidades. De coração a coração. Não há desculpas nem justificações. "Quem tiver lançado as mãos ao arado e olhar para trás não serve para o reino de Deus". Podemos adiar, arranjar outras coisas que fazer, mas serão sempre passatempos, porque a missão é seguir Jesus e dá-l'O aos outros.

"Quando entrardes nalguma casa, dizei primeiro: ‘Paz a esta casa’… Ficai nessa casa, comei e bebei do que tiverem, que o trabalhador merece o seu salário. Não andeis de casa em casa". Não é uma mensagem qualquer que levamos, mas o próprio Jesus. Só Ele conta. Vamos para levar a Sua paz e bênção e salvação.

"Quando entrardes nalguma cidade e não vos receberem, saí à praça pública e dizei: ‘Até o pó da vossa cidade que se pegou aos nossos pés sacudimos para vós. No entanto, ficai sabendo: Está perto o reino de Deus’”. A fé não se impõe, propõe-se. Façamos o que nos compete: anunciar o Reino de Deus e a Sua proximidade. Deus fará o resto.

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Textos para a Eucaristia (C): 1 Reis 19, 16b. 19-21; Sl 15 (16); Gal 5, 1. 13-18; Lc 9, 51-62.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE


25
Jun 16
publicado por mpgpadre, às 20:27link do post | comentar |  O que é?

1 – Seguir Jesus é a vocação primeira do cristão. Não por capricho. Não para quando dá jeito. Não para ser socialmente beneficiado. Não para ter estatuto, sabendo que, hoje como ontem, o cristão é olhado com desconfiança, murmurando-se sobre os seus propósitos e seriedade, sua coerência e compromisso com a justiça e com a verdade.

É uma resposta ao chamamento de Deus. É um encontro com Jesus, crucificado-ressuscitado. É uma opção para sempre, para todas as ocasiões. Não há meio-termo. Ou se é discípulo ou é-se outra coisa qualquer. Ou se é apóstolo ou apóstata. Há uma luz que brilha a partir do interior, que nos transforma e que atrai os outros. Como bem sublinhou o Papa Bento XVI sobre o cristianismo e a transmissão da fé, esta far-se-á por atração e não por proselitismo ou imposição.

Obviamente que há um caminho a fazer-se, conscientes que Ele segue connosco, amparando-nos na fragilidade, dando-nos a mão na queda, levantando-nos, desafiando-nos a continuar. Maior que o nosso pecado é a Sua misericórdia infinita.

Seguir Jesus implica-nos por inteiro, corpo e espírito, além das circunstâncias. Por vezes apetece ficar por casa a ver a bola ou a novela. Porque está muito frio. Porque está muito calor. Porque chegou uma visita! Seguir Jesus não dá direito a folgas nem a descanso nem a férias nem a reservas. Não somos cristãos de parêntesis. Havendo momentos em que somos cristãos e momentos em que deixamos de o ser por nos ser conveniente. Colocar a nossa fé num parêntesis, uma hora ao sábado ou ao domingo ou numa ocasião festiva! E depois vivemos como nos dá na real gana. Não dá para ser cristão dentro Igreja e não o ser ao sair da Igreja.

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2 – Jesus vai mostrando as condições do seguimento e do discipulado. Como a mulher pecadora, importa reconhecer as próprias fragilidades, colocar-se aos pés de Jesus (como depois Maria, irmão de Marta), para O escutar, para O conhecer, para sentir o Seu Coração a pulsar. Renunciar a Si próprio, nas variantes de egoísmo, tomar a própria cruz, com as suas sombras e luzes, e estar disposto a perder a própria vida para ganhar a vida em Cristo, aqui e para a eternidade.

Depois de lhes ter dito que o Filho do Homem vai ser rejeitado pelos anciãos, pelos príncipes dos sacerdotes e pelos escribas, e será morto, para três dias depois ressuscitar, preparando-os para o que lá vem, Jesus decide prosseguir em direção a Jerusalém. Envia alguns mensageiros à sua frente à procura de hospedagem. Mas como outrora aconteceu em Belém, também agora não encontram quem os hospede. Sublinha o evangelista que também eles iam a caminho de Jerusalém. João e Tiago reagem intempestivamente: «Senhor, queres que mandemos descer fogo do céu que os destrua?» Como é possível que alguém se recuse a acolher Jesus? Ou acolhem-n'O ou que Deus os castigue! A reprimenda de Jesus a João e a Tiago – tal como a Pedro: Vai-te da minha frente, Satanás –, é clarificadora. Não é com violência que se responde às contrariedades!

Seguem por outras povoações. Há pessoas que se aproximam de Jesus, falando em segui-l’O ou respondendo ao Seu chamamento com algumas condições, como sepultar um familiar ou despedir-se da família. A uns e a outros, Jesus responde: «As raposas têm as suas tocas e as aves do céu os seus ninhos; mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça... Deixa que os mortos sepultem os seus mortos; tu, vai anunciar o reino de Deus... Quem tiver lançado as mãos ao arado e olhar para trás não serve para o reino de Deus».

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3 – A prioridade é o seguimento. Por certo que Jesus não menospreza a família e os amigos. Mas nada se pode intrometer entre nós e Jesus. Seguir Jesus implica que não há outras seguranças que não Ele. Ele é o garante da nossa vida presente e futura.

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Textos para a Eucaristia (C): 1 Reis 19, 16b. 19-21; Sl 15 (16); Gal 5, 1. 13-18; Lc 9, 51-62.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

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17
Jan 15
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

1 – João percebe que Aquele Jesus é o Messias que estava para vir e que já está no MEIO de nós. Àqueles dois discípulos, e a nós também, João mostra Jesus: É o Cordeiro de Deus. Como a dizer-nos: agora o tempo é outro, já não faz sentido serdes meus discípulos, quando todos devemos ser discípulos d'Ele, Aquele sobre Quem desceu o Espírito Santo. Os discípulos ouvem-no, deixam-no e passam a seguir Jesus. Veja-se a sequência de testemunho. João dá testemunho de Jesus. Comunica aos Seus discípulos Quem é o Messias. E os discípulos, escutam e fazem uma escolha.

Duas atitudes nos são sugeridas: sermos testemunhas, em palavras e obras, de Jesus, e como João apontarmos sempre para Ele que está no MEIO de nós; como discípulos, sermos ouvintes da Palavra de Deus, para nos pormos a caminho, seguindo atrás de Jesus.

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2 – Jesus volta-Se e vê-nos. Vai à frente, mas não indiferente. Ele sabe que O seguimos, que O procuramos, e que podemos perder-nos. Seguindo-O de perto, decalcando as Suas pegadas, podemos escutar a Sua voz: «Que procurais?». Teremos então oportunidade de nos aproximarmos mais: «Rabi, onde moras?».

«Vinde ver». A resposta de Jesus é um convite para entrarmos em Sua casa. Ele quer ser a nossa morada. Quer-nos a morar com Ele. Só assim O conheceremos, só assim O seguiremos, só assim podemos transparecê-l'O.

O encontro com Jesus tem hora marcada. Eram quatro horas da tarde. O pormenor temporal que o evangelho de São João nos dá é significativo. Aquele encontro não é abstrato, desligado da vida, fruto da imaginação. É real, como real são os discípulos que seguem Jesus. Um dos que foram ver onde Jesus morava e ficaram com Ele nesse dia é André, irmão de Simão Pedro.

O encontro com Jesus muda-nos. Não basta saber alguma coisa sobre Ele. É o primeiro passo. Depois, segui-l'O pelo caminho, permanecendo junto d'Ele, na Sua casa. E se Ele se torna a nossa morada, o inevitável acontece: não podemos calar o que vimos e ouvimos.

André vai procurar o seu irmão e diz-lhe: «Encontrámos o Messias», e levou-o a Jesus. Atente-se no pormenor: André não diz muitas coisas sobre Jesus, nem tenta convencer Pedro, simplesmente o leva a Jesus. O testemunho sobre Jesus é fundamental, pois não podemos amar o que desconhecemos. Cada um de nós ouviu falar de Jesus, e alguém nos levou a Ele. O encontro pessoal com Jesus será incontornável para que Ele seja a nossa morada e n’Ele nos sintamos em casa.

 

3 – Dá-se o encontro de Jesus com Pedro. E mais uma vez somos surpreendidos. Ele precede-nos. Sabe quem somos, trata-nos pelo nome. O Seu olhar vai ao fundo de nós, onde Ele nos descobre e nos desconcerta. Jesus fita os olhos em Simão e diz-lhe: «Tu és Simão, filho de João. Chamar-te-ás Cefas» – que quer dizer ‘Pedro’.

E tudo muda de novo. És Simão mas chamar-te-ás Cefas, serás Pedro, pedra, rocha sobre a Qual edificarei a minha Igreja. Sublinhe-se desde já que a Igreja é de Cristo, não de Pedro. É Ele que a edifica, mas conta com Pedro e conta connosco.

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Textos para a Eucaristia (ano B): 1 Sam 3, 3b-10. 19; Sl 39 (40); 1 Cor 6, 13c-15a. 17-20; Jo 1, 35-42.

 

Reflexão completa na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso blogue CARITAS IN VERITATE.


30
Ago 14
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – E vós que dizeis que Eu sou? Pergunta essencial que Jesus nos faz sobre o testemunho que estamos dispostos a dar, identificando-nos com Ele e permitindo que Ele transpareça em nós.

       Pedro, como víamos, responde também por nós: Tu és o Messias, o Filho de Deus. És único para mim. Seguir-Te-ei por onde fores.

       A profissão de fé de Pedro é reveladora. Mas a consciência do que acaba de dizer parece não ter ainda a consistência do seguimento, a luz da fé que brotará com toda a força na Ressurreição de Jesus.

       O Mestre previne os seus discípulos para que não se deixam iludir por facilidades. Ele é o Messias, o Enviado de Deus, mas não dispensa ninguém de trabalhar, de fazer o seu próprio caminho. Ele é Guia, mas não nos substitui os pés, a vontade. Teremos que viver a nossa vida, enfrentando os dias bons e os dias nebulosos. Ele estará sempre connosco. Sempre de mão estendida para não nos deixar afundar. Esta confiança que nos vem da fé ajuda-nos a encarar as intempéries que advirão pelo caminho.

       O Filho do Homem, que é também o Filho de Deus, vai sofrer. Vai passar as passas do Algarve, vai ser entregue às autoridades e será morto. No entanto, não há que se deixar afugentar pela morte, pois a ressurreição, três dias depois, trará a vitória de Deus-Amor.

        2 – Quando nos dão uma má notícia deixamos de ter disponibilidade para boas notícias. Os discípulos já não ouvem Jesus a falar de ressurreição e logo Pedro O contesta, dizendo: «Deus Te livre de tal, Senhor! Isso não há de acontecer!»

       Jesus volta-Se para Pedro e diz-lhe: «Vai-te daqui, Satanás. Tu és para mim uma ocasião de escândalo, pois não tens em vista as coisas de Deus, mas dos homens». E logo para os discípulos, que hoje somos nós: «Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me. Pois quem quiser salvar a sua vida há de perdê-la; mas quem perder a sua vida por minha causa, há de encontrá-la. Na verdade, que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua vida? Que poderá dar o homem em troca da sua vida?»

       Aí estão as linhas de orientação para sermos verdadeiramente discípulos, seguidores de Jesus. Seguir atrás do Mestre. Quando queremos ir à frente, ou sem Ele, corremos o risco de perder a vida em vão. É preciso sermos aquela pedra frágil cuja força nos vem do alto, de Jesus Cristo, pelo Espírito Santo. Precisamos de não impedir que Deus trabalhe em nós e através de nós. Podemos ter o mundo inteiro nas mãos, mas se nos faltar a caridade, faltar-nos-á a própria vida, como dom partilhável. Precisamos de GASTAR a vida a favor dos outros, a exemplo de Jesus que dá a vida pela humanidade inteira.

 

       3 – Há tantos caminhos quantas as pessoas. Resposta do então Cardeal Joseph Ratzinger, em Sal da Terra (1996), quando lhe perguntaram quantos caminhos havia para Jesus Cristo, lembrando que a própria Igreja é definida como caminho de Cristo. Ou Jesus, como único caminho que nos conduz ao Pai.

       Dito isto, facilmente se conclui que cada um é chamado a fazer o seu próprio caminho. Mas não estamos sós. A reprimenda dada a Pedro surge neste contexto. Se queremos passar à frente de Jesus ou prosseguir sem Ele, estaremos sob o domínio de Satanás, diabolizando a nossa ligação com os outros. Há que avançar seguindo Jesus.

       4 – A nossa vocação: fazer com que o nosso caminho, seguindo a vontade de Deus, nos aproxime do caminho que é Jesus Cristo. Se nos faltarem as forças, não temamos pois a nossa vida está unida a Deus, cuja mão nos serve de amparo (Salmo).

       Jeremias sente, como Pedro, como Paulo, e como nós, o chamamento de Deus ao qual não pode virar costas: "A palavra do Senhor tornou-se para mim ocasião permanente de insultos e zombarias. Então eu disse: «Não voltarei a falar n’Ele, não falarei mais em seu nome». Mas havia no meu coração um fogo ardente, comprimido dentro dos meus ossos. Procurava contê-lo, mas não podia".

       Por vezes pode ser mais fácil deixar andar, ao sabor do vento. Mas se Ele verdadeiramente nos seduziu, a Sua voz há de ressoar dentro de nós até ao Infinito. Mas também a Sua Mão nos guiará.


Textos para a Eucaristia (ano A): Jer 20, 7-9; Sal 62 (63); 2 Rom 12, 1-2; Mt 16, 21-27.

 

 


03
Fev 14
publicado por mpgpadre, às 10:00link do post | comentar |  O que é?

«Ide, pois, fazei discípulos de todos os povos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a cumprir tudo quanto vos tenho mandado. E sabei que Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos»

(Mt 28, 19-20).

        Após a Ressurreição, Jesus aparece aos seus discípulos e envia-os. Envia-nos.

Ide e fazei discípulos.

       Nunca deixamos de ser discípulos, alunos, aprendizes de Jesus Cristo. Simultaneamente, a missão de comunicar a alegria que recebemos. Ilustrativo o encontro de Maria com Isabel: “Logo que chegou aos meus ouvidos a tua saudação, o menino saltou de alegria no meu seio” (Lc 1, 44). Quem recebe a Boa Notícia, não pode fazer outra coisa senão passá-la ao próximo.

Ide e fazei discípulos.

       É uma tarefa de sempre. Como os discípulos da primeira hora, temos de viver Jesus, deixando que Ele nos fale e atue em nós, pelo Espírito Santo. Logo nos tornamos mensageiros do Seu amor, da Boa Notícia da salvação.

       Refere São Paulo: “se eu anuncio o Evangelho, não é para mim motivo de glória, é antes uma obrigação que me foi imposta: ai de mim, se eu não evangelizar!” (1Cor 9,16).

       O Papa Francisco, em vésperas da Sua eleição, já convocava a Igreja para sair a levar esta boa notícia a todos os recantos: “Evangelizar supõe na Igreja a "parresia" [coragem, entusiasmo] de sair de si mesma. A Igreja está chamada a sair de si mesma e ir para às periferias, não só as geográficas, mas também as periferias existenciais: as do mistério do pecado, as da dor, as da injustiça, as da ignorância e da indiferença religiosa, as do pensamento, as de toda a miséria… Quando a Igreja não sai de si mesma para evangelizar torna-se autorreferencial e então adoece… A Igreja, quando é autorreferencial, sem se aperceber, julga que tem luz própria, deixa de ser o mysterium lunae [mistério da lua]… [que o próximo Papa] …ajude a Igreja a sair de si para as periferias existenciais, que a ajude a ser a mãe fecunda que vive da “doce e reconfortante alegria de evangelizar”.

       O nosso Bispo, D. António Couto, na Carta Pastoral que enforma o ano pastoral e o lema que enquadra a vivência da fé neste chão da Diocese de Lamego, sublinha algumas prioridades, algumas delas constantes: primado da graça; vida de oração; proximidade; amor; Igreja como casa aberta a todos, dando também continuidade ao lema pastoral do ano anterior, "Vamos juntos construir a Casa da Fé e do Evangelho"; missão evangelizadora/missionária da Igreja; acolhimento do Evangelho com alegria, para o comunicar por palavras e com a vida; formação de cristãos conscientes e empenhados.

“Santa Maria, Mãe da Igreja e nossa Mãe, Senhora dos Remédios e de Fátima, [Virgem da Conceição], ícone do primado da graça e da oração, do serviço humilde que gera laços de comunhão e de missão, sê nossa companheira nos caminhos que agora nos propomos percorrer para sabermos melhor levar Cristo aos nossos irmãos e os nossos irmãos a Cristo.

Que Deus nos abençoe e nos guarde,

Que nos acompanhe, nos acorde e nos incomode,

Que os nossos pés calcorreiem as montanhas,

Cheios de amor e de alegria,

Que a tua Palavra nos arda nas entranhas,

E nos ponha no caminho de Maria”.

          (D. António Couto, Carta Pastoral, 24.11.2014)

 

       O IDE pressupõe o estar com Jesus, alimentar-se d’Ele, escutando a Sua Palavra, acolhendo a Sua mensagem, procurando imitá-l’O nas Suas obras. Deixemo-nos atrair por Jesus, identificando-nos com a Sua vontade e o Seu projeto de conciliação e amor, para depois nos deixarmos fazer ENVIADOS, na expressão do Papa Francisco, sermos verdadeira e simultaneamente discípulos missionários. IDE E FAZEI DISCÍPULOS…

 

       Pode fazer o download da calendarização pastoral da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição:


07
Jul 13
publicado por mpgpadre, às 09:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – VOCAÇÃO, SEGUIMENTO, ENVIO. Jesus chama. A primeira vocação é a proximidade com Ele. Habitar com Ele. Deixar que Ele nos habite. Vem e segue-me, diz Jesus a cada um. Vinde e vede. A minha casa será também a vossa casa. A minha vida será também a vossa vida. O meu Pai será também o vosso Pai. Meu Deus e vosso Deus. Vinde.

       Como víamos no domingo anterior, é um chamamento que nos envolve na totalidade. Assim também o seguimento é para todas as horas. O envio está inscrito no chamamento, na vocação, e agrafado ao seguimento. Jesus chama-nos para O seguirmos, para vivermos com Ele e para nos enviar. Não há vocação sem seguimento. Não há seguimento de Jesus, sem envio aos irmãos.

       2 – O envio descrito hoje no Evangelho é preparatório, é um estágio. O ENVIADO é Jesus. É o Enviado do Pai. Entretanto, os discípulos que O seguem, são introduzidos na Sua vida, e na lógica do serviço à humanidade. Qual novo Moisés – o grande líder do judaísmo escolheu 72 anciãos para o ajudarem a governar o Povo eleito –, Jesus designa 72 discípulos e envia-os dois a dois, a todas as cidades onde irá depois. À imagem de João Batista, também eles vão preparar o caminho, ao mesmo tempo que se preparam para o futuro, quando Jesus já não estiver fisicamente no meio deles.

       A primeira condição, no chamamento, no seguimento e no envio, é a ORAÇÃO. A ligação estreita Àquele que nos assume como filhos. Sem a ligação ao Pai, em Jesus Cristo, pelo Espírito Santo, não poderá haver ligação aberta e generosa aos outros. A seara é grande. É à minha porta e em minha casa. Mas a minha casa é também o mundo. São os meus vizinhos. Os amigos e os que me provocam azia. A seara é o mundo inteiro, para o qual somos enviados a transformar com o amor de Deus. A incendiar com a Luz da Fé, da Esperança e da Caridade. O dono da Seara não nos faltará. Sempre enviará. Com a oração tomamos consciência desta certeza, predispondo-nos à escuta de Deus e da Sua vontade para nós.

       A intimidade com Deus leva-nos à CONFIANÇA. Se é Deus que nos chama e nos envia, nada há a temer. Ele vai connosco. Acompanha-nos onde nos encontra, no caminho que percorremos. “Ide: Eu vos envio como cordeiros para o meio de lobos. Não leveis bolsa nem alforge nem sandálias”. Neste sentido, a LEVEZA. Não precisamos de muitas coisas, precisamos de ser mediadores da Palavra. Levamos Deus. Qual Tesouro em vasos de barro!

       O envio provoca PRESSA, como a pressa de Maria quando se dirige para a montanha em auxílio da Sua prima Isabel. Não podemos fixar-nos muito tempo no acessório e secundário. Por isso não poderemos ir sobrecarregados com os nossos medos e ambições. Há que levar Cristo a toda a parte, a todas as dimensões da vida, social, política, económica, desportiva, cultural. Não “vos demoreis a saudar alguém pelo caminho”. Não vos entretais com desculpas. Ide. Avançai. O tempo urge. É necessário espalhar a Boa Nova.

        E o que levamos nós? Cristo e a PAZ que Ele nos dá. E se vamos, entramos. Não ficamos a meio do caminho, entremos na casa, no coração, na vida das pessoas. Não tenhamos medo do compromisso e do envolvimento com os outros. Assim em cada casa, assim em cada cidade. Sem imposições. A Paz que ora levamos, e o anúncio do reino de Deus, é uma proposta. Temos que tornar credível a proposta que fazemos, sem a impor pela força, pela ameaça, ou pelo desvirtuamento da mensagem. A mensagem é uma Pessoa: JESUS CRISTO.

 

       3 – Se Jesus vai connosco no caminho, caminhamos mais seguros. Os méritos não são nossos, mas d'Ele, no Espírito Santo que nos assiste, contando com os nossos dons e com as nossas fragilidades através das quais o Senhor faz maravilhas. Como diz o Apóstolo, não me glorio “a não ser na Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo”.

       Uma das dádivas do Senhor é a ALEGRIA. Se estamos constantemente carrancudos, como podemos testemunhar a beleza do Evangelho, como podemos anunciar a confiança em Deus?

       Os discípulos regressam cheios de entusiasmo. Sabem que o sucesso é devido ao NOME de Jesus, a Quem até os espíritos demoníacos obedecem. “Não vos alegreis porque os espíritos vos obedecem; alegrai-vos porque os vossos nomes estão escritos nos Céus”.


Textos para a Eucaristia (ano C): Is 66, 10-14c; Gal 6, 14-18; Lc 10, 1-12.17-20.

 


30
Jun 13
publicado por mpgpadre, às 09:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – O “Senhor, porção da minha herança e do meu cálice”, é o meu chão sagrado, minha casa e meu descanso. Só Ele é Deus. Ele preenche o meu coração. Só n'Ele deposito toda a confiança, pois só o Senhor garante o meu ontem, o meu hoje e o meu amanhã.

       “O Senhor está sempre na minha presença, com Ele a meu lado não vacilarei”. Ele guia o meu peregrinar. Ele guarda os meus passos. Não vacilarei. Com o salmo respondemos à palavra de Deus, na condição de crentes e de membros do Seu povo. Rezamos a nossa vocação e a nossa entrega.

       Nas Suas mãos, o meu destino. Assim vive a tribo sacerdotal de Levi. Na terra prometida, 11 das 12 tribos recebem o seu quinhão de terra, para cultivar, para ganhar o pão de cada dia. A tribo de Levi não recebe terra, a sua terra é o Templo.

       2 – “Senhor, porção da minha herança e do meu cálice”. Ele me guarda de dia e de noite. Está sempre comigo. “Por isso o meu coração se alegra e a minha alma exulta e até o meu corpo descansa tranquilo”. Ele conhece as profundezas da minha alma. Quer-me por inteiro, também os meus medos, insuficiências e pecados.

       “Até de noite me inspira interiormente”. Posso caminhar seguro. As seguranças materiais são relativas bem como as seguranças familiares, afetivas, na medida em que são a prazo, por mais duradouras que sejam. “Vós não abandonareis a minha alma na mansão dos mortos, nem deixareis o vosso fiel sofrer a corrupção”.

       O Senhor é a minha herança. Ele assegura a minha história, dar-lhe-á continuidade.

 

       3 – “Senhor, porção da minha herança e do meu cálice”. Ele me chama à Sua presença, para que não vacile o meu olhar.

       É a vocação de cada crente, ainda que haja vocações específicas de serviço à comunidade. Patriarcas, Profetas e Reis, Juízes e Sacerdotes. Na primeira leitura Deus abraça Eliseu (Deus é salvação), através de Elias (o Senhor é Deus), para que possa dar continuidade à profecia. Não importa tanto o ponto de partida, mas a resposta firme. Eliseu não é profeta nem descendente de profetas. É proprietário, trabalha nos campos da família.

“Elias passou junto dele e lançou sobre ele a sua capa… Eliseu afastou-se, tomou uma junta de bois e matou-a; com a madeira do arado assou a carne, que deu a comer à sua gente. Depois levantou-se e seguiu Elias, ficando ao seu serviço”.

      A vocação e o seguimento geram alegria e festa. Quem se sente próximo de Deus não quererá esconder para si tamanha alegria. A delicadeza para com a sua gente também faz parte da vocação.

 

       4 – “Senhor, porção da minha herança e do meu cálice, está nas vossas mãos o meu destino”. És Tu Senhor a minha luz. Tu, o meu Deus. Se me dás a mão não temerei nenhum mal. Tu me chamas. Desde sempre. Para estar Contigo e para ser por Ti enviado.

       Também a nós nos diz Jesus: «Quem tiver lançado as mãos ao arado e olhar para trás não serve para o reino de Deus». Para seguir Jesus não podemos ficar toda a vida a fazer cálculos, tentando equilibrar o seguimento com as nossas seguranças materiais e/ou afetivas.

       O próprio Jesus experimenta a dureza do caminho. Nem sempre é fácil. Ele toma-nos a dianteira. “Aproximando-se os dias de Jesus ser levado deste mundo, Ele tomou a decisão de Se dirigir a Jerusalém”. O Mestre entrevê o Seu fim, mas não Se deixa intimidar. A Sua entrega é uma opção e uma proposta. Alguns não O querem receber, mas nem por isso Ele lhes quer mal. Tiago e João queriam destruir aqueles que não quiseram receber o Mestre…

 

       5 – “Senhor, porção da minha herança e do meu cálice”. Se Deus é o meu chão sagrado, a minha casa, o meu forte, então como não experimentar a alegria e a paz?! Como não espalhar o Evangelho por toda a parte e a todos levar a bondade de Deus?

       Ele libertou-nos do pecado e da escuridão. É urgente viver como filhos da luz, vivendo no Espírito em que fomos batizados. Que a liberdade, em Cristo, nos conduza à caridade, “pela caridade, colocai-vos ao serviço uns dos outros, porque toda a Lei se resume nesta palavra: «Amarás o teu próximo como a ti mesmo». Se vós, porém, vos mordeis e devorais mutuamente, tende cuidado, que acabareis por destruir-vos uns aos outros. Por isso vos digo: Deixai-vos conduzir pelo Espírito…”

       Ele é “a porção da minha herança e do meu cálice”,nas Suas mãos está o meu destino, Ele me conduz aos prados verdejantes, é o meu alimento, a terra que trabalho com esmero e carinho e que me devolve o pão de cada dia.


Textos para a Eucaristia - ano C - 13.º Domingo do Tempo Comum:

1 Reis 19,16b.19-21; Sl 15 (16); Gal 5,1.13-18; Lc 9,51-62

 


18
Abr 13
publicado por mpgpadre, às 10:16link do post | comentar |  O que é?

Mensagem de Bento XVI para o 50º Dia Mundial de Oração pelas Vocações

21 de Abril de 2013 - 4.º Domingo de Páscoa

 

As vocações sinal da esperança fundada na fé

 

Amados irmãos e irmãs!

       No quinquagésimo Dia Mundial de Oração pelas Vocações que será celebrado no IV Domingo de Páscoa, 21 de Abril de 2013, desejo convidar-vos a reflectir sobre o tema «As vocações sinal da esperança fundada na fé», que bem se integra no contexto do Ano da Fé e no cinquentenário da abertura do Concílio Ecuménico Vaticano II. Decorria o período da Assembleia conciliar quando o Servo de Deus Paulo VI instituiu este Dia de unânime invocação a Deus Pai para que continue a enviar operários para a sua Igreja (cf. Mt 9,38). «O problema do número suficiente de sacerdotes – sublinhava então o Sumo Pontífice– interpela todos os fiéis, não só porque disso depende o futuro da sociedade cristã, mas também porque este problema é o indicador concreto e inexorável da vitalidade de fé e amor de cada comunidade paroquial e diocesana, e o testemunho da saúde moral das famílias cristãs. Onde desabrocham numerosas as vocações para o estado eclesiástico e religioso, vive-se generosamente segundo o Evangelho» (Paulo VI, Radiomensagem, 11 de Abril de 1964).

       Nestas cinco décadas, as várias comunidades eclesiais dispersas pelo mundo inteiro têm-se espiritualmente unido todos os anos, no IV Domingo de Páscoa, para implorar de Deus o dom de santas vocações e propor de novo à reflexão de todos a urgência da resposta à chamada divina. Na realidade, este significativo encontro anual tem favorecido fortemente o empenho por se consolidar sempre mais, no centro da espiritualidade, da acção pastoral e da oração dos fiéis, a importância das vocações para o sacerdócio e a vida consagrada.

       A esperança é expectativa de algo de positivo para o futuro, mas que deve ao mesmo tempo sustentar o nosso presente, marcado frequentemente por dissabores e insucessos. Onde está fundada a nossa esperança? Olhando a história do povo de Israel narrada no Antigo Testamento, vemos aparecer constantemente, mesmo nos momentos de maior dificuldade como o exílio, um elemento que os profetas de modo particular não cessam de recordar: a memória das promessas feitas por Deus aos Patriarcas; memória essa que requer a imitação do comportamento exemplar de Abraão, o qual – como sublinha o Apóstolo Paulo – «foi com uma esperança, para além do que se podia esperar, que ele acreditou e assim se tornou pai de muitos povos, conforme o que tinha sido dito: Assim será a tua descendência» (Rm 4,18). Então, uma verdade consoladora e instrutiva que emerge de toda a história da salvação é a fidelidade de Deus à aliança, com a qual Se comprometeu e que renovou sempre que o homem a rompeu pela infidelidade, pelo pecado, desde o tempo do dilúvio (cf. Gn 8,21-22) até ao êxodo e ao caminho no deserto (cf. Dt 9,7); fidelidade de Deus que foi até ao ponto de selar anova e eterna aliança com o homem por meio do sangue de seu Filho, morto e ressuscitado para a nossa salvação.

       Em todos os momentos, sobretudo nos mais difíceis, é sempre a fidelidade do Senhor – verdadeira força motriz da história da salvação–que faz vibrar os corações dos homens e mulheres e os confirma na esperança de chegar um dia à «Terra Prometida». O fundamento seguro de toda a esperança está aqui: Deus nunca nos deixa sozinhos e permanece fiel à palavra dada. Por este motivo, em toda a situação, seja ela feliz ou desfavorável, podemos manter uma esperança firme, rezando como salmista: «Só em Deus descansa a minha alma, d'Ele vem a minha esperança» (Sl62/61,6). Portanto ter esperança equivale a confiar no Deus fiel, que mantém as promessas da aliança. Por isso, a fé e a esperança estão intimamente unidas. A esperança «é, de facto, uma palavra central da fé bíblica, a ponto de, em várias passagens, ser possível intercambiar os termos “fé” e “esperança”. Assim, a Carta aos Hebreus liga estreitamente a “plenitude da fé” (10,22) com a “imutável profissão da esperança” (10,23). De igual modo, quando a Primeira Carta de Pedro exorta os cristãos a estarem sempre prontos a responder a propósito do logos – o sentido e a razão – da sua esperança (3,15), “esperança” equivale a “fé”» (Enc. Spe salvi, 2).

       Amados irmãos e irmãs, em que consiste a fidelidade de Deus à qual podemos confiar-nos com firme esperança? Consiste no seu amor. Ele, que é Pai, derrama o seu amor no mais íntimo de nós mesmos, através do Espírito Santo (cf.Rm 5,5).E é precisamente este amor, manifestado plenamente em Jesus Cristo, que interpela a nossa existência, pedindo a cada qual uma resposta a propósito do que quer fazer da sua vida e quanto está disposto a apostar para a realizar plenamente. Por vezes o amor de Deus segue percursos surpreendentes, mas sempre alcança a quantos se deixam encontrar. Assim a esperança nutre-se desta certeza: «Nós conhecemos o amor que Deus nos tem, pois cremos nele» (1 Jo 4,16). E este amor exigente e profundo, que vai além da superficialidade, infunde-nos coragem, dá-nos esperança no caminho da vida e no futuro, faz-nos ter confiança em nós mesmos, na história e nos outros. Apraz-me repetir, de modo particular a vós jovens, estas palavras: «Que seria da vossa vida, sem este amor? Deus cuida do homem desde a criação até ao fim dos tempos, quando completar o seu desígnio de salvação. No Senhor ressuscitado, temos a certeza da nossa esperança» (Discurso aos jovens da diocese de São Marino-Montefeltro, 19 de Junho de 2011).

       Também hoje, como aconteceu durante a sua vida terrena, Jesus, o Ressuscitado, passa pelas estradas da nossa vida e vê-nos imersos nas nossas actividades, com os nossos desejos e necessidades. É precisamente no nosso dia-a-dia que Ele continua a dirigir-nos a sua palavra; chama-nos a realizar a nossa vida com Ele, o único capaz de saciar a nossa sede de esperança. Vivente na comunidade de discípulos que é a Igreja, Ele chama também hoje a segui-Lo. E este apelo pode chegar em qualquer momento. Jesus repete também hoje: «Vem e segue-Me!» (Mc10,21). Para acolher este convite, é preciso deixar de escolher por si mesmo o próprio caminho. Segui-Lo significa entranhar a própria vontade na vontade de Jesus, dar-Lhe verdadeiramente a precedência, antepô-Lo a tudo o que faz parte da nossa vida :família, trabalho, interesses pessoais, nós mesmos. Significa entregar-Lhe a própria vida, viver com Ele em profunda intimidade, por Ele entrar em comunhão com o Pai no Espírito Santo e, consequentemente, com os irmãos e irmãs. Esta comunhão de vida com Jesus é o «lugar» privilegiado onde se pode experimentara esperança e onde a vida será livre e plena.

       As vocações sacerdotais e religiosas nascem da experiência do encontro pessoal com Cristo, do diálogo sincero e familiar com Ele, para entrar na sua vontade. Por isso, é necessário crescer na experiência de fé, entendida como profunda relação com Jesus, como escuta interior da sua voz que ressoa dentro de nós. Este itinerário, que torna uma pessoa capaz de acolher a chamada de Deus, é possível no âmbito de comunidades cristãs que vivem uma intensa atmosfera de fé, um generoso testemunho de adesão ao Evangelho, uma paixão missionária que induza a pessoa à doação total de si mesma pelo Reino de Deus, alimentada pela recepção dos sacramentos, especialmente a Eucaristia, e por uma fervorosa vida de oração. Esta «deve, por um lado, ser muito pessoal, um confronto do meu eu com Deus, com o Deus vivo; mas, por outro, deve ser incessantemente guiada e iluminada pelas grandes orações da Igreja e dos santos, pela oração litúrgica, na qual o Senhor nos ensina continuamente a rezar de modo justo» (Enc. Spe salvi, 34).

       A oração constante e profunda faz crescer a fé da comunidade cristã, na certeza sempre renovada de que Deus nunca abandona o seu povoe que o sustenta suscitando vocações especiais, para o sacerdócio e para a vida consagrada, que sejam sinais de esperança para o mundo. Na realidade, os presbíteros e os religiosos são chamados a entregar-se de forma incondicional ao Povo de Deus, num serviço de amor ao Evangelho e à Igreja, num serviço àquela esperança firme que só a abertura ao horizonte de Deus pode gerar.

       Assim eles, com o testemunho da sua fé e com o seu fervor apostólico, podem transmitir, em particular às novas gerações, o ardente desejo de responder generosa e prontamente a Cristo, que chama a segui-Lo mais de perto. Quando um discípulo de Jesus acolhe a chamada divina para se dedicar ao ministério sacerdotal ou à vida consagrada, manifesta-se um dos frutos mais maduros da comunidade cristã, que ajuda a olhar com particular confiança e esperança para o futuro da Igreja e o seu empenho de evangelização. Na verdade, sempre terá necessidade de novos trabalhadores para a pregação do Evangelho, a celebração da Eucaristia, o sacramento da Reconciliação.

       Por isso, oxalá não faltem sacerdotes zelosos que saibam estar ao lado dos jovens como «companheiros de viagem», para os ajudarem, no caminho por vezes tortuoso e obscuro da vida, a reconhecer Cristo, Caminho, Verdade e Vida (cf. Jo 14,6); para lhes proporem com coragem evangélica a beleza do serviço a Deus, à comunidade cristã, aos irmãos. Não faltem sacerdotes que mostrem a fecundidade de um compromisso entusiasmante, que confere um sentido de plenitude à própria existência, porque fundado sobre a fé n'Aquele que nos amou primeiro (cf. 1 Jo 4,19).

       Do mesmo modo, desejo que os jovens, no meio de tantas propostas superficiais e efémeras, saibam cultivar a atracção pelos valores, as metas altas, as opções radicais por um serviço aos outros seguindo os passos de Jesus. Amados jovens, não tenhais medo de O seguir e de percorrer os caminhos exigentes e corajosos da caridade e do compromisso generoso. Sereis felizes por servir, sereis testemunhas daquela alegria que o mundo não pode dar, sereis chamas vivas de um amor infinito e eterno, aprendereis a «dar a razão da vossa esperança» (1 Ped 3,15).

 

Vaticano, 6 de Outubro 2012.

PAPA BENTO XVI


24
Abr 12
publicado por mpgpadre, às 11:36link do post | comentar |  O que é?

 

Senhor da messe e pastor do rebanho,

faz ressoar em nossos ouvidos

o teu forte e suave convite: “Vem e segue-Me”!

Derrama sobre nós o teu Espírito:

que Ele nos dê sabedoria para ver o caminho

e generosidade para seguir a tua voz.

Senhor, que a messe não se perca por falta de operários.

Desperta as nossas comunidades para a missão.

Ensina a nossa vida a ser serviço.

Fortalece os que querem dedicar-se ao Reino,

na vida consagrada e religiosa.

Senhor, que o rebanho não pereça por falta de pastores.

Sustenta a fidelidade dos nossos bispos, padres e ministros.

Dá perseverança aos nossos seminaristas.

Desperta o coração dos nossos jovens

para o ministério pastoral na tua Igreja.

Senhor da messe e pastor do rebanho,

chama-nos para o serviço do teu povo.

Maria, Mãe da Igreja,

modelo dos servidores do Evangelho,

ajuda-nos a responder “sim”.

Ámen.


22
Jan 12
publicado por mpgpadre, às 09:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – "Depois de João ter sido preso, Jesus partiu para a Galileia e começou a proclamar o Evangelho de Deus, dizendo: «Cumpriu-se o tempo e está próximo o reino de Deus. Arrependei-vos e acreditai no Evangelho».

       O primeiro anúncio de Jesus corresponde ao pré-anúncio de João Batista que proclamava iminente a vinda do reino de Deus e do Messias, promovendo a conversão, o arrependimento, a penitência, para que desse modo as pessoas pudessem reconhecer e acolher o dom de Deus. Em Jesus cumpre-se esse desiderato de João.

       No Evangelho de São Marcos, que nos irá acompanhar mais de perto neste ciclo de leituras do ano B, refere-se que o início da vida pública de Jesus prossegue depois de João ter sido preso, pressupondo que existe uma ligação próxima e subsequente entre uma e outra missão.

       Com Jesus cumpre-se o tempo, é chegada a plenitude dos tempos, na qual Deus Se manifesta pelo Seu Filho muito amado. E para que essa missão se possa efetivar através dos tempos, Jesus chama a Si discípulos. Quando chegar o momento de Jesus regressar ao seio de Deus Pai serão eles a prosseguir com a missão de anunciar a Boa Nova a todos os povos e a tornar presente o mistério de Deus connosco e no meio de nós.

       "Caminhando junto ao mar da Galileia, viu Simão e seu irmão André, que lançavam as redes ao mar, porque eram pescadores. Disse-lhes Jesus: «Vinde comigo e farei de vós pescadores de homens». Eles deixaram logo as redes e seguiram-n’O. Um pouco mais adiante, viu Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João, que estavam no barco a consertar as redes; e chamou-os. Eles deixaram logo seu pai Zebedeu no barco com os assalariados e seguiram Jesus". 

       2 – A conversão é a atitude de todo aquele que quer acolher o dom que vem dos outros e, para nós crentes, o dom que Deus nos dá constantemente. Conversão e humildade, neste concreto, significam a mesma disponibilidade para se abrir ao outro e ao Totalmente Outro (ou Totalmente Próximo), ao mistério da vida divina que irrompe na nossa história através de Jesus, o Emanuel, Deus feito homem para viver em nós, connosco, nos revelar o caminho para sermos felizes, para chegarmos ao Pai, e a fim de nos inserir na lógica da salvação, da vida eterna que pode e deve iniciar-se já no tempo que dispomos neste mundo.

       Na primeira leitura que escutamos, vemos como a palavra de Deus é anunciada ao povo de Nínive. Sob a ameaça de castigo, sobressaindo uma linguagem muito humana, Deus faz saber que o caminho para que o povo se mantenha como povo e as pessoas possam viver confiantes e com dignidade, e possam encontrar a felicidade, passa pela conversão, pela mudança de hábitos e de atitude, passa por alterarem a forma de se relacionarem e de se protegerem mutuamente. Se cada um só pensar em si mesmo, fechando-se ao outro, mais tarde ou mais cedo sobrevém a desgraça, a frustração, o vazio, a ansiedade. Precisamos dos outros para nos sentirmos bem, para partilharmos o que somos, o que temos e o que fazemos, para desabafar nos momentos de crise, e para apreciarmos as coisas boas. Isso só é possível com os outros. Ninguém é alegre sozinho por muito tempo. Ninguém faz festa se não tiver com quem festejar. Do mesmo modo, precisamos de pátria, de casa, de espaços comuns. Somos ser sociais. Se cada um só pensar em si, pouco restará para a nossa dimensão social e solidária. Com efeito é na solidariedade que sobrevivemos como sociedade.

       "Os habitantes de Nínive acreditaram em Deus, proclamaram um jejum e revestiram-se de saco, desde o maior ao mais pequeno. Quando Deus viu as suas obras e como se convertiam do seu mau caminho, desistiu do castigo com que os ameaçara e não o executou". 

       Esta é uma mensagem muito atual e pertinente para nós, para a sociedade deste tempo, para Portugal, para a Europa e para o mundo. Se os países mais ricos só pensarem nos seus cidadãos, se os mais ricos, empresas e pessoas, só pensarem nos lucros que poderão obter, a sociedade corre o sério risco de se autodestruir, como facilmente se pode ver nesta Europa pouco comunitária.

 

       3 – Para nós cristãos importa em cada momento viver na presença do Senhor, como se fora a última oportunidade para realizar algo de grandioso e definitivo. Diz de forma intuitiva o Apóstolo São Paulo, na segunda leitura, "o que tenho a dizer-vos, irmãos, é que o tempo é breve. Doravante, os que têm esposas procedam como se as não tivessem; os que choram, como se não chorassem; os que andam alegres, como se não andassem; os que compram, como se não possuíssem; os que utilizam este mundo, como se realmente não o utilizassem. De facto, o cenário deste mundo é passageiro".

       Chegou o tempo, o reino de Deus está entre nós, em desenvolvimento. Cabe-nos a tarefa importante de o tornar visível para os nossos companheiros de viagem, neste tempo em que vivemos. O tempo é pouco, é sempre insuficiente para o bem que podemos fazer. É breve se o aplicarmos em ternura, perdão, em partilha solidária, na luta pela justiça, na prossecução da paz.

       A nossa fragilidade, porém, nem sempre nos envolve positivamente na transformação do mundo. Por conseguinte, ousamos pedir: "Mostrai-me, Senhor, os vossos caminhos, ensinai-me as vossas veredas. Guiai-me na vossa verdade e ensinai-me, porque Vós sois Deus, meu Salvador". Deixemos que no nosso coração ressoe esta oração, para também nós nos torarmos a oração de Deus para o tempo de hoje.


Textos para a Eucaristia (ano B): Jonas 3,1-5.10; Sl 24 (25) 1 Cor 7,29-31; Mc 1,14-20. 

 

Reflexão Dominical na página da Paróquia de Tabuaço


08
Nov 11
publicado por mpgpadre, às 09:35link do post | comentar |  O que é?


07
Nov 11
publicado por mpgpadre, às 15:25link do post | comentar |  O que é?


04
Jun 11
publicado por mpgpadre, às 15:49link do post | comentar |  O que é?

       Esta é uma epquena estória que fala da confiança em Deus e como Deus pode guiar-nos. Quando nos confiamos nas Suas mãos, Ele guia-nos por caminhos novos, às vezes desconhecidos, mas sempre em direcção à verdade e ao bem, à justiça e à felicidade. Vale a pela ler, meditar e escutar também a suave música da Irmã Glenda:


30
Mai 11
publicado por mpgpadre, às 15:47link do post | comentar |  O que é?

       Algum tempo depois, Deus colocou à prova a fé de Abraão. “Pega no teu filho Isaac” – disse Deus, “o filho que tanto amas. Vai até ao cimo de uma montanha na terra de Moriá. Aí, deves sacrificá-lo em meu nome”.

       Abraão não questionou aquilo que escutara. A prática de sacrificar crianças não era estranha entre alguns dos povos vizinhos. Na manhã seguinte, cortou lenha para a fogueira, albardou o jumento e partiu para a montanha com Isaac e dois servos. Ele tinha-os informado que iria fazer um sacrifício, não havia explicado mais nada.

       À medida que se aproximavam da montanha, Abraão pediu aos servos para esperar com o jumento, enquanto ele e Isaac iriam prosseguir com a cerimónia.

       Isaac transportou a lenha. Abraão levava uma faca e um pote com brasas para acender a fogueira.

       “Oh, sabeis do que nos esquecemos?” – perguntou Isaac. – “Não temos o cordeiro para o sacrifício!”

       “Deus tratará de arranjar um” – respondeu Abraão, lacónico.

       Os dois continuaram a subir. No cimo da montanha, Abraão construiu um altar em pedra e deitou sobre este a lenha. Subitamente, agarrou Isaac com violência, amarrou-o e deitou-o em cima do altar. Levantou a sua faca. “Abraão” – chamou Deus.

       “Aqui me tendes” – respondeu Abraão. “Não magoes o teu filho” – disse Deus. “Tudo isto Me provou que estás disposto a obedecer-me”. Abraão baixou a faca. Olhou à sua volta. Atrás de si encontrava-se um carneiro selvagem,  preso num silvado. Abraão desamarrou o seu filho e sacrificou o carneiro. O seu amado filho estava salvo. “A partir de agora” – disse Deus, “podeis estar certo de que abençoarei o teu filho e os filhos do teu filho por todas as gerações vindouras”.

 

Mónica Aleixo, in Boletim Voz Jovem, maio 2011.


15
Mai 11
publicado por mpgpadre, às 17:19link do post | comentar |  O que é?

       Decorreu a Semana de Oração pelas Vocações, culminando neste dia do Bom Pastor. Aqui fica a Mensagem do Presidente da Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios, D. António Francisco dos Santos, Bispo de Aveiro


31
Mar 11
publicado por mpgpadre, às 10:19link do post | comentar |  O que é?

       Deus lembrou-se da promessa que havia feito a Abraão e Sara e, finalmente, estes tiveram um filho. Sara ficou radiante: “Deus trouxe-me alegria e riso” – disse ela. Deram ao menino o nome de “Isaac”, cujo próprio nome significa “ele ri”.

       À medida que o seu filho crescia, Sara começou a ficar preocupada. “Mandai embora Agar e Ismael. – murmurou a Abraão – Não quero que Ismael herde o que na verdade pertence ao nosso Isaac”.

       Abraão ficou desalentado com o que Sara dissera. Afinal de contas, Ismael também era seu filho.

       Deus disse-lhe para fazer a vontade a Sara. “Deixa partir o rapaz e a sua mãe. – concordou Deus – A minha promessa para convosco irá concretizar-se através dos filhos de Isaac; mas cuidarei também dos filhos de Ismael”.

       Na manhã seguinte, Abraão mandou Agar e Ismael embora apenas com alguma comida e um odre com água. Eles caminharam sem parar pelo deserto seco e poeirento. Em breve haviam já bebido a água. Quase imediatamente voltaram a sentir sede.

       Desesperada, ela pousou a criança na sombra de um arbusto e afastou-se um pouco. Enterrou a cabeça nas suas mãos. “Não quero vê-lo morrer” – soluçou ela.

       Deus escutou-a a chorar. “Vai buscar o teu filho”, – disse Deus – ele será pai de uma grande nação”.

       Agar olhou para cima espantada. O deserto reluzia com o calor. Então escutou novamente Deus a falar. “Olha à tua volta, – disse Deus – olha com olhos de ver”.

       Agar percorreu com os olhos a paisagem estéril. Então riu bem alto de alegria.

       “Existe um poço!” – gritou – Podemos sobreviver aqui! Podemos construir uma vida nova para nós… e Ismael pode aprender a caçar… e tudo ficará bem”

       Os anos passaram e Ismael tornou-se um homem. Casou com uma mulher egípcia. Agar soube que a promessa que Deus lhe fizera estava a realizar-se.

 

Mónica Aleixo, in Boletim Voz Jovem, Março 2011.


20
Mar 11
publicado por mpgpadre, às 14:31link do post | comentar | ver comentários (1) |  O que é?

       1 – Voltemos à Montanha - ao monte Tabor - onde Jesus Se transfigura, mostrando-nos claramente a Sua identidade divina. Estivemos na Montanha, durante algumas semanas, para escutarmos e reflectirmos com o Sermão da Montanha e nos deixarmos sensibilizar pela Mensagem de Jesus. A montanha, como víamos então, é um lugar de encontro com Deus, de revelação, de ensino. Moisés sobe à montanha e de Deus recebe as tábuas da Lei; Jesus sobe à montanha e deixa-nos o essencial da Sua palavra de salvação. Hoje, de novo, subimos com Ele, para nos deixarmos envolver pela nuvem luminosa, pela presença amorosa de Deus, no convite à escuta.

       Na montanha o ar é mais fresco, mais límpido, apetece encher os pulmões desta frescura. Como os carros, precisamos de combustível para vivermos em qualidade. Subimos, para nos refrescarmos com a presença de Deus e recebermos o combustível para descermos ao nosso mundo, com a energia, a sabedoria e a graça, para testemunharmos a salvação operada em nós pelo Senhor.

       2 – "Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e levou-os, em particular, a um alto monte e transfigurou-Se diante deles: o seu rosto ficou resplandecente como o sol e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz". A caminho da Páscoa, o tempo quaresmal incide na necessidade da oração, da caridade, e do jejum. É uma época penitencial, estamos na expectativa! Antes da glorificação, atravessámos a dor, o escárnio, a traição, a dúvida, as hesitações. Chegará a hora da agonia e da morte. O próprio Jesus relembra constantemente os momentos difíceis que estão para chegar.

       Alguns discípulos não resistirão. Os sinais que Jesus dá não são bons para quem espera sucesso e vida facilitada com a Sua presença. Com efeito, mesmo quando sabemos que as coisas não são fáceis, precisamos de sinais de esperança e estes só os encontramos em Deus. Jesus sabe isso. Chama Pedro, Tiago e João e "abre o jogo", fazendo-os subir à montanha, e deixando vislumbrar a Sua luminosidade, a Sua identidade divina: «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência. Escutai-O».

       A revelação é acompanhada com um desafio: escutar Jesus.

       A experiência é tal que os discípulos querem permanecer na montanha: "Senhor, como é bom estarmos aqui! Se quiseres, farei aqui três tendas: uma para Ti, outra para Moisés a outra para Elias". Como é bom sentirmos a presença de Deus. Mas temos que "regressar" à terra. A salvação que Deus nos dá, compromete-nos com este mundo. Jesus é peremptório: "Levantai-vos e não temais".

 

       3 – Deus não nos quer instalados no nosso comodismo. Jesus di-lo aos discípulos. Deus revela-o a Abrão (= Abraão): "Deixa a tua terra, a tua família e a casa de teu pai e vai para a terra que Eu te indicar. Farei de ti uma grande nação e te abençoarei; engrandecerei o teu nome e serás uma bênção. Abençoarei a quem te abençoar, amaldiçoarei a quem te amaldiçoar; por ti serão abençoadas todas as nações da terra".

       Abrão deixará a Sua terra, a casa dos seus pais, irá para uma terra estranha, mudará de nome e mudará de vida. Ele é o arameu errante, peregrino. Torna-se para nós um paradigma. Sente o chamamento de Deus. Era mais cómodo e mais tranquilo cruzar os braços e ficar sob o tecto do seu pai biológico. Põe-se em movimento, segue a voz de Deus, para realizar a Sua vontade. Deus estará com ele. Deus está connosco na nossa peregrinação terrena, desafiando-nos a novos caminhos.

 

        4 – Vivemos em permanente tensão (escatológica). Fomos salvos na morte e ressurreição de Jesus Cristo. Vivemos em peregrinação. A salvação acontece em Jesus. Acontece para a história. Mas ainda não se manifestou totalmente aquilo que havemos de ser. Tensão nesta vida até à eternidade, tensão desde a Cruz, desde a Páscoa de Cristo até ao fim dos tempos.

       "Ele salvou-nos e chamou-nos à santidade, não em virtude das nossas obras, mas do seu próprio desígnio e da sua graça. Esta graça, que nos foi dada em Cristo Jesus, desde toda a eternidade manifestou-se agora pelo aparecimento de Cristo Jesus, nosso Salvador, que destruiu a morte e fez brilhar a vida e a imortalidade, por meio do Evangelho".

       A certeza da salvação é um motivo de sobra no nosso compromisso com a salvação do mundo inteiro. O conforto que esta esperança nos traz, alegra-nos como aos discípulos no alto da montanha, mas como a eles também a nós Jesus nos faz descer até ao nosso semelhante, para que todos O conheçam e tenham n'Ele a vida eterna.

___________________________

Textos para a Eucaristia (ano A): Gen 12,1-4; 2 Tim 1,8b-10; Mt 17,1-9.

 


10
Nov 10
publicado por mpgpadre, às 09:58link do post | comentar |  O que é?

Semana dos Seminários:

 

Seminário, comunidade dos discípulos de Cristo e irmãos no presbitério.

 

Samuel repousava no templo do Senhor.

       A lâmpada do Deus não se tinha apagado. O Senhor chamou Samuel. Ele respondeu:

       - Eis-me aqui.

       Samuel pensou que a voz insistente que o chamava no silêncio e no segredo da noite era a voz do sacerdote Eli. Quando compreendeu que era o Senhor, respondeu:

       - Fala, Senhor; o teu servo escuta (1 Sam 3, 1-21).

 

Jeremias vivia em Israel ao tempo da deportação e do exílio dos habitantes de Jerusalém.

       Ele diz-nos como Deus o chamou, consagrou e enviou, como profeta em tempo difícil. Jeremias não escondeu o seu temor nem calou as suas dificuldades:

       - Ah! Senhor Deus, eu não sei falar, pois ainda sou um jovem.

       Respondeu-lhe o Senhor:

       - Irás onde eu te enviar. Não tenhas medo, Jeremias. Eu estou contigo (Jer 1, 1-19).

 

Maria habitava em Nazaré.

       Diante do mensageiro de Deus que lhe anuncia que ela ia ser a Mãe de Jesus, Maria interroga-se:

       - Como pode ser isso?”. O Anjo respondeu: “O Espírito Santo virá sobre ti. Por isso Aquele que vai nascer é Santo e será chamado Filho de Deus”.

Maria disse então: “Faça-se em mim segundo a tua palavra”(Luc 1, 34-38).

 

Jesus estava em Cafarnaum

       Tinha passado a vigília da noite em oração. Caminhava, nessa manhã, ao longo do Mar da Galileia. Viu homens ocupados e preocupados com a faina da pesca e disse-lhes: “Vinde e segui-me. Farei de vós, pescadores de homens”. E eles deixaram as redes, imediatamente, e seguiram-no (Mt 4, 18-20).

 

João, depois do baptismo de Jesus, permanecera na margem além do Jordão.

       Ao ver passar Jesus, disse aos discípulos que estavam com ele:

       - Eis o Cordeiro de Deus.

       Os discípulos de João ouviram, compreenderam e seguiram Jesus. Jesus voltou-se para eles e disse-lhes:

       Que buscais?

       - Mestre, onde moras? - perguntaram eles.

       - Vinde ver, respondeu-lhes Jesus.

       Eles foram, viram e permaneceram” (Jo 1, 38-40).

 

Saulo tinha recebido ordens para perseguir os cristãos que viviam em Damasco, na Jordânia.

       Fez-se ao caminho com decisão e determinação. Era um israelita, descendente de Abraão, convicto e honesto. Subitamente uma inesperada visão interrompeu-lhe o caminho. Cegaram-se-lhe os olhos, mas o coração permaneceu vivo e atento ao diálogo que naquela hora nasceu:

       - Saulo, Saulo porque me persegues?

       - Quem és tu, Senhor?

       - Eu sou aquele a quem tu persegues. Ergue-te, entra na cidade e dir-te-ão o que tens a fazer( Act 9, 4-9).

 

Fonte: da Mensagem do Presidente da Comissão Episcopal Vocações e Ministérios, D. António Francisco dos Santos, Bspo de Aveiro.


07
Nov 10
publicado por mpgpadre, às 14:09link do post | comentar |  O que é?

       A Semana dos Seminários, proposta de oração e de partilha em todas as comunidades cristãs, propõe como tema para este ano: "SEMINÁRIO, Comunidade dos Discípulos de Cristo e Irmãos no Presbitério.

       O nosso Bispo, D. Jacinto Tomaz de Carvalho Botelho, e como em anos transactos, dirgiu a todos os sacerdotes uma carta de sensibilização. No final a invocação dos patronos dos dois seminários diocesanos:

       "Que, sob a protecção de Jesus, Maria e São José, padroeiros do Seminário Maior de Lamego, esta Semana seja oportunidade de crescimento na fé das nossas paróquias, e consequentemente elas se tornem alfobres de vocações sacerdotais. A Senhora de Lourdes, que nos habituamos a sentir e a amar como Mãe, desde o Seminário de Resende, faça com que a nossa resposta ao chamamento, seja rica de generosidade e contagie de entusiasmo o coração dos que o Senhor quer a trabalhar na sua vinha".

(Seminário Maior de Lamego)

(Catequese paroquial no Seminário de Resende)


09
Out 10
publicado por mpgpadre, às 10:56link do post | comentar |  O que é?
       A árvore genealógica de Abraão remontava ao tempo de Sem, que foi um dos filhos de Noé. Contudo, Abraão estava menos impressionado com o passado e mais preocupado com o futuro: teria ele descendentes que pudessem herdar a sua riqueza? A árvore genealógica da família iria prosperar?
       Um dia, ouviu Deus a falar com ele: “Abraão! Deixa o teu país. Deixa os teus familiares. Deixa o teu lar. Vai para uma terra que te mostrarei. Aí terás filhos, e os teus filhos terão filhos. A tua família tornar-se-á uma grande nação. Eles irão levar a minha bênção ao mundo”.
       Abraão sabia que tinha de obedecer. Rapidamente, reuniu a sua família mais próxima: a sua mulher, Sarai, e o seu sobrinho Lot. Reuniu a sua riqueza e chamou os seus escravos. Deixaram a cidade de Haran e toda a sua vida confortável e partiram para a terra de Canaã.
       Foi uma aventura ousada. Abraão e a sua família viveram como nómadas em tendas: estavam constantemente em movimento em busca de pastagens para os seus rebanhos. Houve anos bons e anos maus mas, com o passar do tempo, tanto Abraão como Lot acumularam riqueza. Os seus rebanhos ficaram tão grandes que não encontravam pastagens suficientemente amplas para todos num só local. Começaram as discussões.
       “Somos parentes” – disse Abraão. “Não devemos discutir. Lot, escolhe uma parte da terra para ti. Eu irei no sentido oposto”. Assim, Lot foi para Sul em direcção ao vale que era banhado pelo rio Jordão e fixou-se na cidade de Sodoma. Abraão continuou em Canaã, num local chamado Hebron.
       “Olha à tua volta” – disse-lhe Deus. “Irei oferecer-te toda esta terra. Pertencerá à tua família para sempre”.
“Querido Deus, falai comigo e mostrai-me o caminho que devo seguir”
Mónica Aleixo, in Boletim Voz Jovem, Setembro 2010.


13
Set 10
publicado por mpgpadre, às 10:47link do post | comentar |  O que é?

       1 - Não são os sãos que precisam de médico mas os doentes. É uma expressão utilizada por Jesus Cristo, para acentuar que são que os pecadores precisam de salvação. Destarte, aqueles que se têm por auto-suficientes, não precisam de salvação e nem de Salvador. A este propósito ouvimos Santo Agostinho: "Ó feliz culpa que nos valeu tão grande Salvador". Não se trata de humilhação, trata-se de reconhecer a nossa condição humana e finitiva, que se encontra e descobre com os outros e sobretudo com o Outro, Jesus Cristo, nosso Salvador.

       Isso mesmo nos é mostrado por Jesus nas três parábolas propostas no Evangelho de São Lucas: Um homem que perde uma das 100 ovelhas e deixam as 99 para ir ao encontro da ovelha perdida e ao encontrá-la fica radiante, faz uma festa. Uma mulher que tendo perdido uma de 10 dracmas, tudo faz para encontrar a dracma perdida e ao encontrá-la chama as amigas e faz uma festa. Um pai que quebra a cara, quando um dos filhos deseja a sua morte, pedindo a parte da herança que lhe cabe, sai de casa, volta sem nada, e o pai recebe-o como filho.

       A conclusão de Jesus não poderia ser mais óbvia: "haverá mais alegria no Céu por um só pecador que se arrependa, do que por noventa e nove justos, que não precisam de arrependimento... tínhamos de fazer uma festa e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado" (Evangelho).

       Em Jesus ecoam as palavras de alguns fariseus e doutores da Lei que se julgavam detentores da verdade e  únicos destinatários da salvação: «Este homem acolhe os pecadores e come com eles».

       Jesus responde com expressividade através destas três parábolas.

       2 - Deus criou-nos para a felicidade, que é sinónimo de santidade, para nos realizarmos como pessoas, vivendo como filhos, descobrindo a alegria de existirmos como povo, em comunhão fraterna com os outros. A ousadia de Deus na criação faz brotar o Seu AMOR em abundância por nós.

       O pecado (da soberba, do orgulho, do egoísmo e da arrogância) distanciou-nos d'Ele, levou-nos ao conflito e à ruptura com o nosso semelhante, com o nosso irmão.

       E quando nós desistíamos uns dos outros, Deus ainda assim nos amou e não desistiu de nós nem do Seu projecto de Amor.

       No monte Sinai, em Deus, expressa-se a desilusão (mais humana que divina, mais do mensageiro do que da Mensagem): "O Senhor falou a Moisés, dizendo: «Desce depressa, porque o teu povo, que tiraste da terra do Egipto, corrompeu-se. Não tardaram em desviar-se do caminho que lhes tracei»". Em Moisés, sobrevém o amor de Deus. Como Abraão, também Moisés descobre que Deus não quer a destruição do homem. Nas palavras do Profeta, a sensibilidade divina: "Então Moisés procurou aplacar o Senhor seu Deus, dizendo: «Por que razão, Senhor, se há-de inflamar a vossa indignação contra o vosso povo, que libertastes da terra do Egipto com tão grande força e mão tão poderosa?»" (Primeira Leitura).

       Abraão, Moisés, JESUS CRISTO, São Paulo, traduzem a preocupação de Deus por nós e pela humanidade inteira. Trazem-nos Deus, para que de novo nos tornemos felizes.

       "A graça de Nosso Senhor superabundou em mim, com a fé e a caridade que temos em Cristo Jesus. É digna de fé esta palavra e merecedora de toda a aceitação: Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores" (Segunda Leitura).

 

       3 - O projecto de Deus mantém-se desde toda a eternidade e para sempre: por amor nos criou, nos chamou e nos chama à vida, por amor nos dá um Salvador, o Seu próprio Filho. Deus nunca desiste de nós, como um Pai nunca desiste de seu Filho. Com amor de Pai e Mãe, Deus faz festa por nós e mesmo quando nos afastamos, Ele espera-nos, dá-nos o tempo que precisamos para voltar. Na volta, não nos estranha, acolhe-nos como filhos bem amados, inclui-nos na sua vida divina, "tudo o que é meu é teu".

       Não nos falte o discernimento para nos sabermos filhos amados, membros da família de Deus e, quando nos afastarmos, não nos falte a coragem para voltarmos ao lugar onde fomos e onde seremos sempre felizes.

____________________________

Textos para a Eucaristia (ano C): Ex 32,7-11.13-14; 1 Tim 1,12-17; Lc 15,1-32

 


07
Set 10
publicado por mpgpadre, às 15:01link do post | comentar |  O que é?

       1 - Ser cristão não é uma capa que se coloca sobre a pessoa, implica-nos 24 horas por dias. Não é uma roupa que vestimos quando nos convém ou quando vamos à Missa, ou ao domingo. Não, somos cristãos em toda e qualquer situação, com as nossas qualidades e com as nossas insuficiências, com o bem que fazemos e com os pecados que cometemos.

       No cristão, a sua identidade há-de confundir-se com todo o seu ser. Pelo baptismo, tornamo-nos novas criaturas, pela água e sobretudo pelo Espírito Santo; enxertados em/com Cristo, formamos um só Corpo, em que Ele é a Cabeça e nós os membros; inseridos na comunidade crente, formamos a Igreja, Corpo de Cristo, em todo o tempo e em todas as circunstâncias.

       No Evangelho deste domingo Jesus diz claramente a condição para ser discípulo: "Se alguém vem ter comigo, e não Me preferir ao pai, à mãe, à esposa, aos filhos, aos irmãos, às irmãs e até à própria vida, não pode ser meu discípulo. Quem não toma a sua cruz para Me seguir, não pode ser meu discípulo".

       Não há volta a dar: Deus em primeiro lugar, Deus em todos os recantos da nossa vida. Não é menosprezar outras dimensões da nossa vida, é enquadrá-las na relação com Deus.

 

       2 - "Quem poderá conhecer, Senhor, os vossos desígnios, se Vós não lhe dais a sabedoria e não lhe enviais o vosso Espírito Santo? Deste modo foi corrigido o procedimento dos que estão na terra, os homens aprenderam as coisas que Vos agradam e pela sabedoria foram salvos" (Primeira Leitura).

       Os desígnios de Deus são insondáveis, mas Ele próprio vem ao nosso encontro, pelos profetas, e na plenitude dos tempos, por Jesus Cristo, o Seu Filho Unigénito, dando-nos a conhecer o Seu plano salvador, o Seu amor por nós. Entrega-nos Jesus Cristo, para n’Ele sermos redimidos de todo o pecado e podermos ser aquilo que somos, imagem de Deus, filhos bem-amados.

       É também nesta lógica que nos tornamos cristãos, seguidores de Jesus Cristo, o Mestre dos Mestres, o Bom Pastor que nos conduz, o nosso Guia e Senhor.

       Podemos por vezes não discernir claramente qual é a vontade de Deus a nosso respeito, mas não deveremos cessar de procurar, deixando-nos envolver pelo Seu Santo Espírito, que ilumina a nossa inteligência e fortalece a nossa vontade para o bem.

 

       3 - Ser cristão, num primeiro momento, pode ser entendido como exigência, mas é sobretudo uma OPÇÃO de vida, por Deus e pelo outros, um CAMINHO que percorremos, em e com Jesus Cristo, um COMPROMISSO alegre em darmos o melhor de nós mesmos para que o mundo descubra a LUZ de Cristo.

       Seguir Jesus Cristo não é algo de sobrenatural, mas algo de muito humano e concreto. Aliás, Jesus Cristo vem até nós, da parte de Deus, como verdadeiro Homem, assumindo em tudo a nossa humanidade, a nossa finitude, vivendo humanamente, dizendo-nos que deveríamos como ser humanos. Entre nós não carrega a grandeza de Deus, mas revela grandeza da nossa filiação, da nossa humanidade.

       A este respeito, vejamos a recomendação do Apóstolo a Filémon, na Segunda Leitura, "Talvez ele se tenha afastado de ti durante algum tempo, a fim de o recuperares para sempre, não já como escravo, mas muito melhor do que escravo: como irmão muito querido. É isto que ele é para mim e muito mais para ti, não só pela natureza, mas também aos olhos do Senhor. Se me consideras teu amigo, recebe-o como a mim próprio".

       Aos olhos de Deus todos somos irmãos, filhos, discípulos bem-amados. Respiramos o que somos: seguidores de Jesus Cristo, a cada instante da nossa vida, na bonança ou na adversidade, em todas as ocasiões. Não é uma questão de apetite, é uma vocação permanente.

______________________

Textos para a Eucaristia (ano C): Sab 9, 13-19; Flm 9b-10.12-17; Lc 14, 25-33

 


25
Ago 10
publicado por mpgpadre, às 10:11link do post | comentar |  O que é?

       «Custa a crer que Deus nos revelaria a sua divina presença na vida de autodespojamento e humildade do Homem de Nazaré. Uma grande parte de mim procura influência, poder, sucesso e popularidade. Mas o caminho de Jesus é o do recato, da falta de poder e da pequenez. Não parece um caminho muito atraente. E, no entanto, quando penetrar na verdadeira, profunda comunhão com Jesus, descobrirei que é este caminho estreito que conduz à paz e à alegria verdadeiras.(...)

       Continuo tão dividido. Desejo sinceramente seguir-te, mas quero igualmente seguir os meus próprios desejos e ainda dou ouvidos às vozes que falam de prestígio, de sucesso, de reconhecimento humano, de prazer, de poder e de influência. Ajuda-me a ficar surdo a essas vozes mais atento à tua voz, que me chama a escolher o caminho estreito...

       Em todos os momentos da minha vida tenho que escolher o teu caminho. Tenho de escolher pensamentos que sejam os teus pensamentos, palavras que sejam as tuas palavras e acções que sejam as tuas acções. Não existem nem tempos nem lugares sem escolhas. E eu sei quanto resisto a escolher-te. »

 

Henri Nouwen, em "A caminho de Daybreak", in Conhecer e Seguir Jesus.


17
Jul 10
publicado por mpgpadre, às 09:27link do post | comentar |  O que é?

       Seguindo alguns blogues próximos, encontramos este belíssimo cântico, com uma interpretação magnífica. Obviamente que os gostos não se discutem. Mas e em nossa opinião, têm surgido grupos, coros, cantores, de inspiração cristã e/ou litúrgica que verdadeiramente encantam e nos ajudam a rezar, a contemplar a Deus.

       Ouça, relaxe, aprecie, reze, deixe-se encantar com a beleza, com a alegria, com as palavras, com a harmonia, com as vozes.


21
Jan 10
publicado por mpgpadre, às 14:42link do post | comentar |  O que é?
Sou eu, não temas. Não me ouves quebrar
em ti todos os meus sentidos?
O meu sentir que asas veio a encontrar,
voa, branco, à volta da tua face sem ruídos.
Não vês a minha alma de silêncio vestida
mesmo frente a ti aparecida?
Não amadurece minha oração em flor
no teu olhar como numa árvore de suave odor?

Eu sou o teu sonho, se sonhador fores.
Sou a tua vontade, se velar quiseres
e apodero-me da magnificência sem par
e arredondo-me como um silêncio estelar
sobre a estranha cidade do tempo a passar.


Rainer Maria Rilke (1875-1926) em «O Livro de Horas», in Conhecer e Seguir Jesus.


13
Jan 10
publicado por mpgpadre, às 10:31link do post | comentar |  O que é?

       Os vinte paradoxos que se seguem são também máximas para o nosso quotidiano, na necessidade de fazer opções que conduzam à vida, à alegria, à realização ou centrar a vida em si mesmo, cruzando os braços diante dos desafios do dia a dia. Optar viver, com qualidade, ou morrer sem deixar marcas no mundo para o qual somos enviados...


15
Nov 09
publicado por mpgpadre, às 13:42link do post | comentar |  O que é?

       Encerramos hoje a Semana dos Seminários. Propomos mais um vídeo sobre esta Semana. Com o Presidente da Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios, D. António Francisco dos Santos, Bispo de Aveiro, natural da Diocese de Lamego.

       No vídeo da Agência Ecclesia, podem ver-se imagens do Seminário Menor de Resende, no recreio, no salão de estudo, em grupo, entre imagens de outros Seminários...


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