...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...
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Ago 16
publicado por mpgpadre, às 15:01link do post | comentar |  O que é?

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       Os tempos conturbados, sob ameaça constante do terrorismo, não trazem originalidade, a não ser pela extensão, pela globalização rápida da violência, pela generalização e visualização das agressões, das mortes… há desculpas e justificações que se repetem e há fundamentalismos que não olham a meios.
       O terrorismo é surpreendente. Atualmente é levado a cabo sem precisar de muita organização ou preparação. Acontece em qualquer lugar, a qualquer hora, sem qualquer suspeita. O vizinho do lado. Um membro da família. Alguém que frequenta os mesmos espaços culturais, sociais e lúdicos.
       Violência sempre existiu. Houve momentos na história em que as trevas fizeram perigar a luz e a esperança. Numa guerra convencional há algumas regras. Só se atacam os exércitos ou locais de armamento. Civis, mulheres, crianças são para proteger. Sabe-se quem são os beligerantes. O terrorismo não respeita ninguém, nenhuma regra, nenhuma conduta, nenhuma trégua.
       A desculpa da religião existiu no passado, por exemplo, nas Cruzadas, levadas a cabo pelos países católicos para “evangelizar” os países muçulmanos; a caça às bruxas nos países evangélico-protestantes. A luz que se queria impor afinal eram trevas que impediam a verdadeira luz, inclusiva, promotora da verdade, da paz, da justiça, do respeito pelos outros, pela sua cultura e pela sua idiossincrasia e bem longe da postura de Jesus.
        O Papa Francisco, por ocasião das Jornadas Mundiais da Juventude, voltou a insistir que as religiões promovem a vida, a paz e concórdia. Há grupos fundamentalistas islâmicos, como há grupos católicos fundamentalistas. Há que procurar a paz. Lutar pela justiça. Usar de misericórdia.
       A violência confunde. A ameaça constante traz insegurança e incerteza.
        A Europa continua a dizer-se cristã. Já pouco. Os símbolos cristãos foram escondidos, privatizados, disfarçados e assim muitas manifestações culturais que pudessem beber na fé, na religião, no evangelho. Deus morreu com Nietzsche, mas também com muitos líderes políticos, sendo substituído pelo relativismo, pela indiferença, pela igualdade de ideologias, de géneros, de religiões… uma mixórdia onde vale tudo. A Europa (e o Ocidente), cada vez menos cristã, foi uma civilização inclusiva, com muitos pecados ao longo dos tempos, mas que promoveu a inculturação. Hoje, em qualquer cidade, por mais pequena que seja, há pessoas de várias cores, religiões, etnias…
       É sempre necessário a vigilância e o cuidado para que prevaleça a vida, a verdade, a solidariedade, a inclusão de todos e especialmente dos mais frágeis. O medo que se está a implantar é contrário a uma civilização integradora, capaz de respeitar e até promover as diferenças, sem as anular ou esquecer.
 
Publicado na Voz de Lamego, n.º 4375, de 9 de agosto de 2016


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       “O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; habitavam numa terra de som­bras, mas uma luz brilhou sobre eles” (Is 9, 1). Este texto do profeta Isaías é lido e relido no Natal, sublinhando que Jesus é essa LUZ: “O Verbo era a Luz verdadeira, que, ao vir ao mundo, a todo o homem ilumina... E a Vida era a Luz dos homens. A Luz brilhou nas trevas, mas as trevas não a receberam” (Jo 1, 4-5.9). Jesus é Luz que ilumina todo o homem! Logo acrescenta São João: nem todos se abrem à Luz verdadeira.
       Jesus vem libertar-nos de toda a espécie de escravidão, das superstições, do medo em relação às forças da natureza e a um Deus-Juiz iníquo, pondo a descoberto também aqueles que em nome da política ou da religião usurpam o lugar de Deus e espezinham aqueles que deveriam ajudar e servir.
       Jesus traz esperança. Devolve a dignidade às pessoas. Dá coragem aos mais frágeis para não desistirem dos seus sonhos e lutarem pelos seus direitos. O obstáculo nunca poderá ser Deus, que é Pai. Deus não pode ser nem desculpa nem justificação para amordaçar, para controlar, para subjugar, para agredir, para matar. Jesus leva até ao fim este propósito. Morre por amor, para nos libertar, para nos devolver por inteiro à nossa filiação divina, com a força de nos irmanar.
       O mundo ocidental levou tempo a assimilar esta mensagem libertadora e luminosa. A cristandade viveu momentos de trevas, de preconceito, sob ameaças do inferno. Contudo, a revolução francesa como a globalização cultural, as democracias modernas como a luta pela igualdade entre os géneros foram possíveis num mundo amplamente cristianizado.
       Hoje convivem no mundo judaico-cristão pessoas de todas as cores, raças, culturas, religiões. Verificou-se, porém, que o chão que se tinha como cristão permitiu duas guerras mundiais, a crise económico-financeira, que tem sacrificado milhões de pessoas, a crise dos refugiados, os atos terroristas. Não a LUZ mas as trevas. A luz não leva ao mal, mas o mal pode querer de regresso as trevas, a desconfiança, o medo, o preconceito. É um medo que se espalha pela violência gratuita perpetrada por interesses encapotados, como sublinhou o Papa Francisco, a caminho das Jornadas Mundiais da Juventude, na Polónia: encontramo-nos em guerra, mas não de religiões, mas de interesses estranhos e egoístas.
       O mal não vem da LUZ. Esta pode erradicar as trevas. Todavia, pode encandear aqueles que vivem nas trevas. As obras das trevas desejam trevas.
 
Publicado na Voz de Lamego, n.º 4374, de 2 de agosto de 2016


23
Ago 16
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       Temos pressa e queremos resultados imediatos. Bento XVI, no início do Seu pontificado, dizia de uma forma muito acessível, que a nossa pressa destrói, precipita-nos. A paciência de Deus, que brota do amor, da compaixão, da Sua misericórdia infinita, constrói. Deus é paciente, espera por nós. Sempre.
       Diante de situações complexas e difíceis, apela-se à paciência, à resignação, sugerindo-se que é uma atitude cristã. Resignação aqui entendida como demissão, indiferença, desistência. Porém, a paciência/resignação, em sentido cristão, exige força, persistência, luta. Sofrer com paciência as ofensas do próximo. Uma das obras de misericórdia. Criar distanciamento face a situações difíceis, não desistir à primeira contrariedade, não desistir das pessoas, tentar compreender quem é diferente e aceitar as próprias imperfeições para aprender a aceitar as falhas dos outros, sorrir quando não se tem uma resposta adequada, rir de si mesmo, não se levar demasiado a sério, como nos lembrava Bento XVI, pois isso pesa-nos e não nos deixa voar.
       A paciência é um dos qualificativos da caridade, segundo São Paulo. Somos pacientes não por desistência mas por amor, não por resignação passiva, mas por resiliência. Insistimos uma e outra vez. Lutamos contra o mal, a doença, o sofrimento, as injustiças, a corrupção, as situações de miséria provocadas pela prepotência; aprendemos a calar quando a nossa voz é ruído, para falarmos por quem não tem voz; calamo-nos, num sentido ainda mais cristão, para que fale Jesus Cristo.
       O mal, a doença e o sofrimento desafiam-nos e a resignação (passiva) nunca é uma opção. Só o será depois de termos feito tudo o que está ao nosso alcance para superar as adversidades. O mal deve ser combativo. Devemos procurar a cura, quando as doenças são curáveis. Devemos enfrentar o sofrimento, eliminando as suas causas ou minorando os seus efeitos. Uma resignação que nos demita da luta e do compromisso nem é humana e muito menos cristã.
       Posto isto, o reconhecimento de situações que nos escapam e para as quais não temos nem justificações nem soluções. Fazem parte da condição biológica e da fragilidade humana. Uma vida perfeita, imaculada, impassível, só seria possível se fôssemos Deus, que sofre por excesso de amor. Quem ama sofre. Sofre por se deparar com o sofrimento de quem se ama. A paciência de Deus faz-Se de dádiva, de presença, de compaixão. Olhando para o Seu povo, Deus não Se retira, não Se afasta, não fica indiferente. O pobre clamou e o Senhor ouviu a sua voz. Chegada a plenitude do tempo, dá-nos o Seu próprio Filho.
 
Publicado na Voz de Lamego, n.º 4363, de 17 de maio de 2016


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       Na Exortação Apostólica «Amoris Laetitia», o Papa Francisco, fala da pressa e da ansiedade que destrói e da necessidade de educar a paciência, a espera. Tudo tem o seu tempo e seu lugar. Apressar não permite saborear a vida nem o caminho a percorrer. Ter tudo de mão beijada, sem esforço e sem sabor. Daí a vacuidade de tantas vidas, pois tudo acaba por não ter sentido. Rápido chega e rápido se perde. Já dizem os mais velhos, o que não custa a ganhar não custa a gastar! Assim também a vida, o que não exige esforço e dedicação logo se desvaloriza.
       «Na época atual, em que reina a ansiedade e a pressa tecnológica, uma tarefa importantíssima das famílias é educar para a capacidade de esperar. Não se trata de proibir as crianças de jogarem com os dispositivos eletrónicos, mas de encontrar a forma de gerar nelas a capacidade de diferenciarem as diversas lógicas e não aplicarem a velocidade digital a todas as áreas da vida».
       De forma ponderada, sem dogmatismos, mas firme e desafiador: «O adiamento não é negar o desejo, mas retardar a sua satisfação. Quando as crianças ou os adolescentes não são educados para aceitar que algumas coisas devem esperar, tornam-se prepotentes, submetem tudo à satisfação das suas necessidades imediatas e crescem com o vício do ‘tudo e súbito’. Este é um grande engano que não favorece a liberdade; antes, intoxica-a. Ao contrário, quando se educa para aprender a adiar algumas coisas e esperar o momento oportuno, ensina-se o que significa ser senhor de si mesmo, autónomo face aos seus próprios impulsos. Assim, quando a criança experimenta que pode cuidar de si mesma, enriquece a própria autoestima. Ao mesmo tempo, isto ensina-lhe a respeitar a liberdade dos outros. Naturalmente isto não significa pretender das crianças que atuem como adultos, mas também não se deve subestimar a sua capacidade de crescer na maturação duma liberdade responsável. Numa família sã, esta aprendizagem realiza-se de forma normal através das exigências da convivência».
       É conhecida a estória da laranja. Leva tempo até amadurecer. Pode ter o tamanho de uma laranja e ter uma cor aproximada do que será no final. Mas é insuficiente, se por dentro continuar verde. Será intragável. A laranja leva o seu tempo, a crescer, a amadurecer, precisa de sol e de chuva, como outros frutos, e de tempo. Mesmo que se expusesse a mais calor, não amadurecia nem produziria mais sumo. Há um tempo para tudo.
 
Publicado na Voz de Lamego, n.º 4364, de 24 de maio de 2016


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       “O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; habitavam numa terra de som­bras, mas uma luz brilhou sobre eles” (Is 9, 1). Este texto do profeta Isaías é lido e relido no Natal, sublinhando que Jesus é essa LUZ: “O Verbo era a Luz verdadeira, que, ao vir ao mundo, a todo o homem ilumina... E a Vida era a Luz dos homens. A Luz brilhou nas trevas, mas as trevas não a receberam” (Jo 1, 4-5.9). Jesus é Luz que ilumina todo o homem! Logo acrescenta São João: nem todos se abrem à Luz verdadeira.
       Jesus vem libertar-nos de toda a espécie de escravidão, das superstições, do medo em relação às forças da natureza e a um Deus-Juiz iníquo, pondo a descoberto também aqueles que em nome da política ou da religião usurpam o lugar de Deus e espezinham aqueles que deveriam ajudar e servir.
       Jesus traz esperança. Devolve a dignidade às pessoas. Dá coragem aos mais frágeis para não desistirem dos seus sonhos e lutarem pelos seus direitos. O obstáculo nunca poderá ser Deus, que é Pai. Deus não pode ser nem desculpa nem justificação para amordaçar, para controlar, para subjugar, para agredir, para matar. Jesus leva até ao fim este propósito. Morre por amor, para nos libertar, para nos devolver por inteiro à nossa filiação divina, com a força de nos irmanar.
       O mundo ocidental levou tempo a assimilar esta mensagem libertadora e luminosa. A cristandade viveu momentos de trevas, de preconceito, sob ameaças do inferno. Contudo, a revolução francesa como a globalização cultural, as democracias modernas como a luta pela igualdade entre os géneros foram possíveis num mundo amplamente cristianizado.
       Hoje convivem no mundo judaico-cristão pessoas de todas as cores, raças, culturas, religiões. Verificou-se, porém, que o chão que se tinha como cristão permitiu duas guerras mundiais, a crise económico-financeira, que tem sacrificado milhões de pessoas, a crise dos refugiados, os atos terroristas. Não a LUZ mas as trevas. A luz não leva ao mal, mas o mal pode querer de regresso as trevas, a desconfiança, o medo, o preconceito. É um medo que se espalha pela violência gratuita perpetrada por interesses encapotados, como sublinhou o Papa Francisco, a caminho das Jornadas Mundiais da Juventude, na Polónia: encontramo-nos em guerra, mas não de religiões, mas de interesses estranhos e egoístas.
       O mal não vem da LUZ. Esta pode erradicar as trevas. Todavia, pode encandear aqueles que vivem nas trevas. As obras das trevas desejam trevas.
 
Publicado na Voz de Lamego, n.º 4374, de 2 de agosto de 2016


21
Ago 16
publicado por mpgpadre, às 16:00link do post | comentar |  O que é?

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       A Alegria do Evangelho centra-se na Pessoa de Jesus.
       Somos cristãos a partir do encontro pessoal e libertador com Jesus Cristo.
       Fomos batizados, na água e no Espírito Santo, a maioria de nós, quando ainda não sabíamos o que era a vida ou a fé, ou quem era Jesus. Fomos-Lhe apresentados e oferecidos, para ficarmos ao cuidado do Seu amor e da Sua bênção. Pelo batismo, os nossos pais e padrinhos e a comunidade crente assumiram a missão de nos educar na fé cristã, para amarmos a Deus e ao próximo como Ele nos ensinou. Tornámo-nos Corpo de Cristo, Ele a Cabeça, nós os membros. Pedras vivas do templo do Senhor que é a Igreja, novo Povo de Deus, convocado pela Palavra e pelos Sacramentos que nos sintonizam e agrafam com o mistério da morte e ressurreição de Jesus.
       A nossa infância foi validando, no ambiente familiar e na ligação à comunidade paroquial, a descoberta de Jesus, com fórmulas, orações, e as muitas histórias de Jesus e sobre Jesus.
        Quando termina o ano de catequese, em muitas das nossas comunidades paroquiais, voltam as inquietações e o tempo de avaliar o trabalho realizado. Será que conseguimos semear nas crianças e nos adolescentes o desejo de se encontrarem com Jesus? E nós, já nos encontrámos pessoalmente com Ele? Como vivemos e testemunhamos a nossa fé? Doutrinamos ou provocamos a procura de um Deus Misericordioso que Se envolve com a nossa história, com as nossas alegrias e tristezas, comprometendo-nos com os outros, na luta pela justiça, agindo solidariamente? Jesus vive entre nós? Sentimo-l’O no dia-a-dia das nossas escolhas? Ou ficou no passado da nossa história?
       Em Lisboa, no Terreiro do Paço, a 11 de maio, o Papa Bento XVI sublinhava que "o Ressuscitado oferece-Se vivo e operante, por nós, no hoje da Igreja e do mundo. Esta é a nossa grande alegria. No rio vivo da Tradição eclesial, Cristo não está a dois mil anos de distância, mas está realmente presente entre nós e dá-nos a Verdade, dá-nos a luz que nos faz viver e encontrar a estrada para o futuro... Para isso é preciso voltar a anunciar com vigor e alegria o acontecimento da morte e ressurreição de Cristo, coração do cristianismo, fulcro e sustentáculo da nossa fé, alavanca poderosa das nossas certezas, vento impetuoso que varre qualquer medo e indecisão, qualquer dúvida e cálculo humano. A ressurreição de Cristo assegura-nos que nenhuma força adversa poderá jamais destruir a Igreja".
 
Publicado na Voz de Lamego, n.º 4368, de 21 de junho de 2016


16
Ago 16
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       O Jubileu da Misericórdia alimenta-se da liturgia, permitindo acolher a Palavra de Deus ao longo do ano, refletindo-A e renovando propósitos que nos levam a ser misericordiosos como o Pai.
       Nos últimos três domingos (IX, X, XI, do Tempo Comum, ano C) fomos surpreendidos pela ternura, compaixão e proximidade de Jesus, que nos reabilita do pecado e da morte, “contaminando-Se” com a nossa fragilidade, deixando-nos contaminar com a Sua santidade.
       No primeiro episódio (Lc 7, 1-10), um centurião intercede por um dos seus servos, revelando uma grande humildade e uma grande fé, que o próprio Jesus testemunha. A compaixão do centurião leva-O a Jesus, cuja compaixão devolve a saúde ao servo. Atente-se à disponibilidade para partir. Nós temos que ver a agenda. Jesus parte e vai ao encontro de quem precisa da Sua ajuda! Sem hesitar.
       Num segundo momento (Lc 7, 11-17), Jesus, ao entrar na cidade de Naim, depara com um funeral. Uma pobre Mãe, viúva, leva o seu filho único a sepultar. Uma desgraça. A perda de um filho, arrasa qualquer pai. Acrescente-se o facto de ser filho único e a mãe ser viúva! O Evangelho mostra a comoção de Jesus. “Ao vê-la, o Senhor, compadeceu-Se dela”. Jesus não se fica pela contemplação da dor. Diz àquela mãe: “Não chores”. Aproxima-Se. Toca no caixão. E ordena: «Jovem, Eu te ordeno, levanta-te». Jesus levanta-nos, ressuscita-nos dos caixões que nos aprisionam, dos medos, do sofrimento e da perda e diz-nos que a última palavra não é da morte mas da vida.
       Neste último domingo (Lc 7, 36-50), uma mulher, pecadora, aproxima-se de Jesus, banha-lhe os pés com as lágrimas, derrama um vaso de alabastro, perfume de alto preço, enxuga-lhe os pés com os cabelos. Gestos que ressalvam a sua humildade e a predisposição para mudar de vida. Sente-se impelida por Jesus. Não tem muito a perder. Comprada às escondidas, rejeitada às claras. Vive e alimenta-se da escuridão. Não tem vida pessoal. Os afetos comprados não são afetos, são comércio que não tocam a alma, a não ser para a destruir. Quem a vê (de dia) desvia-se, com medo de ser contaminado e/ou que os outros levantem alguma suspeição. Se é pecadora pública, reconhecida como tal, outros contribuem para o seu pecado, comprando-a, expondo-a, promovendo a maledicência.
        Jesus deixa-Se tocar por esta mulher. Não Se desvia. Atrai-a para a Sua Luz. O amor tudo alcança. «A tua fé te salvou. Vai em paz». Os seus muitos pecados são-lhe perdoados porque muito amou.
 
Publicado na Voz de Lamego, de 14 de junho de 2016


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       Há mais alegria em dar do que em receber. Garante-nos Jesus.
       A vida como o pão, se não se consome, estraga-se. Por melhor que se acondicione, acaba por perder propriedades que nos fazem saboreá-lo mesmo sem nada a acompanhar. Também a vida, se se guarda, desperdiça-se.
       A vida só será plena e abundante no gastar-se a favor dos demais (cf. Lc 9, 18-24). Quem guarda tempo e dons para si, para o futuro, para ocasiões eventualmente mais favoráveis, não é discípulo de Jesus. O discípulo há de imitar Jesus, gastando-se em prol dos outros. Quem acumula para si, perde-se, porque se prende ao efémero e ao finito; quem se dá acumula tesouros para a eternidade. A vida é verdadeiramente minha quando a vivo na relação com os outros e com o mundo. A psicologia moderna lembra-nos que precisamos de gostar de nós para podermos gostar dos outros. Como podemos gostar dos outros se não gostamos de nós mesmos?
       O Papa Francisco sublinha a opção de Cristo que nos leva a centrar-nos nos outros e não em nós. Gostarmos e servimos os outros ajuda-nos a gostar de nós e a sentirmo-nos melhor connosco mesmos, mais úteis e mais felizes.
       Quem se centra demasiado em si mesmo, por mais qualidades que possua, acabará por se perder, se destruir e, fechando-se na sua concha, ficará humanamente raquítico, quando não paranoico, subserviente do aplauso constante dos outros como se fora o centro do Universo. A alegria do Evangelho liberta-nos do mofo para vivermos saudavelmente, caminhando com os outros. Como não lembrar mais uma vez o desejo do Papa Francisco: prefiro uma Igreja acidentada por sair, do que estagnada, doente, por se fechar, centrando-se em si própria.
       Esta semana assistimos, com o Brexit, a um reino unido desligando-se da União Europeia, colocando em causa o propósito das seis nações europeias que sonharam uma unidade entre os diferentes países, fortalecendo laços entre pessoas e povos, garantindo a paz, a prosperidade e o desenvolvimento. A crise económico-financeira, primeiro, e a crise dos refugiados, depois, colocou em causa o sonho de uma Europa solidária. Sobreveio a incapacidade de olhar além das fronteiras, reavivando egoísmos, nacionalismos. Uma Europa aparentemente a desintegrar-se, mas que pode tornar-se numa nova oportunidade, voltando (talvez) aos propósitos que estiveram na sua base. Também aqui vale o desafio de Jesus: quem guarda a sua vida, perde-a, quem a perde a favor dos outros, ganha-a agora e no futuro.
 
Publicado na Voz de Lamego, de 28 de junho de 2016


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