...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...
06
Mar 17
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JOSÉ ANTONIO PAGOLA (2015). Ide e Curai. Evangelizar o mundo da saúde e da doença. Lisboa: Paulus Editora. 312 páginas.

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A doença e o sofrimento que acarreta nos próprios e na família e nos amigos é um tema de sempre. Poder-se-á dizer que é no sofrimento que se conhece o ser humano na sua profundidade. Os amigos e a resiliência da família e dos amigos testa-se no sofrimento, na doença crónica, nas doenças oncológicas, na SIDA, na toxicodependência, no alcoolismo, nas depressões profundas. Por vezes a persistência e a duração da doença são um autêntico desafio à coragem, à compaixão e ao amor. Mas não é fácil explicar, muito menos passar por algumas das situações dolorosas, para os próprios e para aqueles e aquelas que estão à sua volta.

A referência e o fundamento de qualquer compromisso cristão é Jesus Cristo, a força da Sua graça, a Sua postura e docilidade. O ministério de Jesus é um ministério de cura e de evangelização. Ide e evangelizai. Ide e batizai. Ide e curai. Tudo integra a missão de Jesus Cristo. Anuncia o Evangelho, a Boa Nova aos pobres, cura os doentes e todas as enfermidades, liberta os que são oprimidos pelos espíritos impuros. O desafio é igual para os seus discípulos e para a Igreja: Ide e anunciai o Evangelho, curai os enfermos, expulsai os demónios. Recebeste de graça, dai de graça.

A dimensão curativa foi sendo esquecida. A missão de Jesus inclui sempre a dimensão sanadora, curando e restaurando a dignidade dos esquecidos da sociedade e da própria religião. Neste livro, que agrega textos do autor escrito ao longo dos anos, indicações, sugestões, fundamentação bíblico-teológico. A caridade, nomeadamente na Cáritas, tem-se desenvolvido, mas muitas vezes falta maior organização, incluindo a pessoa como um todo, e não apenas a assistência às necessidades pontuais. A visita aos doentes e os visitadores é um dos aspetos que o autor sublinha, como início, mas não esquecendo que a pastoral da saúde e da doença deve incluir e comprometer toda a comunidade, interagindo com outras instituições, com Hospitais e Lares, dialogando com médicos e enfermeiros e outros agentes hospitalares, empenhando-se sobretudo em ir ao encontro dos doentes mais frágeis, excluídos, esquecidos, os que sugerem maior afastamento, com determinadas doenças, como, por exemplo, os doentes mentais. A preocupação com os doentes há estender-se também às famílias.

O autor propõe o conhecimento da realidade e dos doentes que existem no espaço territorial da paróquia, atendendo a todos, sabendo em que condições se encontram, se é ou não necessário pôr-se em contacto com a Cáritas, vendo quais as necessidades, mas também a atenção e o cuidado à família. A visita aos doentes deve resultar do compromisso de toda a comunidade e quem está comprometido com a pastoral da saúde deve estar envolvido na comunidade.

Tão importante como visitar um doente, é telefonar-lhe, escrever-lhe, fazer com que vizinhos e familiares se aproximem. A celebração dos sacramentos, da Unção dos Enfermos e do Viático, deve acontecer naturalmente, para quem tem fé, para quem não tem pode ajudá-la a rezar, franquear-lhe a possibilidade mas não forçar. A presença, a escuta, a atenção é mais importante.

Por um lado, deve promover-se a celebração comunitária a Unção dos Enfermos. Por outro, os doentes também devem participar, quanto possível, na vida da comunidade. Por conseguinte, além de celebrações específicas, como Unção dos Doentes, o Dia Mundial do Doente, preparadas também com os doentes, eliminar, por exemplo, as barreiras arquitetónicas...


25
Fev 16
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ANSELM GRÜN (2010). As oito bem-aventuranças. Caminho para uma vida bem conseguida. Braga: Editorial A.O., 184 páginas.

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       Anselm Grün é Monge beneditino, formado em economia e teologia, alemão. Através dos seus livros, conferências, procura testemunhar os tesouros da vida. É por muitos considerado um guia espiritual, reunindo grandes audiências. Já tivemos oportunidade de ler e de recomendar outros títulos, tais como: A sublime arte de envelhecer e tornar-se uma bênção para os outros; O Pai-Nosso. Uma ajuda para a vida autêntica; Que fiz eu para merecer isto? A incompreensível justiça de Deus.

       Este é mais uma belíssimo livro de bolso, que se lê com agrado sobre uma temática essencial da pregação e do proceder de Jesus. As Bem-aventuranças não garantem a vida eterna, mas são um caminho que nos levam a viver melhor e mais próximos do jeito de Jesus.

       O autor parte desde logo do significado de "Bem-aventurança", a procura da felicidade, comum a todos as pessoas, ainda que de maneiras distintas e caminhos diferentes.

       Jesus sobe ao MONTE com os discípulos. O monte aproxima-nos de Deus, da luz. Na cidade, a confusão, o barulho, a poluição. A montanha dissipa o nevoeiro e conduz-nos à calmaria, à natureza em que é possível ouvir os pássaros, o vento, ouvir a Deus. Tal como no Horeb ou Sinai, em que Deus dá a Lei ao Povo através de Moisés, agora Jesus, no monte, dá-nos uma leitura nova da Lei. As leis é para que vivamos harmoniosamente uns com os outros. "É possível uma boa convivência".

Anselm Grün segue de perto a interpretação de São Gregório de Nisa, lembrando-nos que ele "vê a montanha como o lugar para onde seguimos Jesus, a fim de nos elevarmos para cima das nossas concepções baixas e limitadas «até à montanha espiritual da contemplação mais sublime» (Gregório, 153). O monte está envolvido pela luz de Deus".

       Seguindo o título dos capítulos, o autor faz-nos perceber que as bem-aventuranças são promessa de uma vida em plenitude, acentuando também que "a felicidade não é uma consequência do comportamento, mas é expressão desse comportamento... as oito atitudes das Bem-aventuranças são o lugar onde podemos fazer a experiência de Deus e onde, em Deus, podemos experimentar a nossa verdadeira felicidade... são o caminho para uma vida bem conseguida... aponta um caminho. E podemos ver, no próprio Jesus, como é que Ele percorreu o caminho".

 

1.ª Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino de Deus.

"Quem é pobre em espírito está aberto a Deus que habita nele... Não usa Deus, a fim de ter alguma coisa para si, a fim de conseguir a satisfação dos seus desejos, ou a fim de se sentir melhor ou mais seguro em Deus. A pobreza em espírito é desinteressada... Para São Gregório de Nisa, a pobreza em espírito é a condição para a pessoa se elevar até Deus, em liberdade... A primeira bem-aventurança é, pois, uma caminho de liberdade interior para a verdadeira felicidade". Por deles é o reino de Deus..."O Reino dos Céus é o lugar onde Deus reina em nós. Quem é pobre em espírito, renuncia a ter as rédeas de tudo e a tudo controlar em si. está aberto ao domínio de Deus. Onde Deus reina nele, encontra o acesso ao próprio eu... se alguém se liberta de toda a dependência das coisas deste mundo, nele reina Deus. E o reinado de Deus faz dele verdadeiramente livre".

2.ª Bem-aventurados os que choram porque serão consolados.

É necessário fazer o luto de tudo o que não podemos ser, para valorizarmos o que somos e o que podemos ser, com as circunstâncias que nos contextualizam com o mundo e com o tempo atual. "Aquele que sou, saúda, tristemente, aquele que eu poderia ser" (Kierkegaard). "Jesus proclama bem-aventurados aqueles que estão dispostos a chorar, os que enfrentam a dor da despedida das ilusões. Só eles continuarão sãos, interiormente... Jesus descreve o luto como uma caminho para a felicidade... o luto é um caminho para eu enfrentar a realidade e para me libertar das ilusões com que encubro a realidade. No luto não me esquivo à dor... Ninguém pode realizar todas as possibilidades da vida... Cada decisão me dá alguma coisa e me priva de algo. Compromete-me. E em cada decisão, excluo alguma coisa. E tenho de fazer luto por aquilo que excluo. Se falho o luto, então encho esse défice que fica em mim com uma qualquer sucedâneo... O luto chora e, desse modo, fecunda a alma. A tristeza, pelo contrário, é apenas chorosa... É Cristo quem nos consola. Sim, Ele mesmo é a consolação. Se pomos o olhar n'Ele, no meio do nosso luto, já experimentamos a consolação... e o luto transforma o seu coração..."

3.ª Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra.

"A agressividade está a transformar-se num problema... Tudo tem de ser protegido, para não ser destruído... No terror, pratica-se uma agressividade sem limite. Onde ela é praticada em nome de Deus, não conhece barreiras. O valor do ser humano já não conta. O único objetivo é propagar o medo... As palavras de Jesus sobre a doçura e a mansidão parecem ser, de facto, de um outro mundo". Em contrapartida, "a mansidão nãos e deixa arrastar pelos impulsos, pela ira, ou pelos ciúmes. Permanece arreigada no solo... Jesus não proclama felizes os insensíveis. «Ditosos são, portanto, aqueles que não cedem rapidamente aos movimentos passionais da alma, mas conservam a serenidade no seu íntimo graças à temperança» (São Gregório, 170)... As palavras de Jesus desafiam-me a transmitir, também para fora, a mansidão que experimento dentro de mim... Confio no poder da ternura. Ela é água que amolece a pedra dura... Trabalhamos em nós próprios mas renunciamos a ser perfeitos... A minha terra pertence-me. Expande-se. Herdo a terra, isto é, tenho chão suficiente debaixo dos pés. Deixo de ser dividido... só nos pertencemos a nós próprios se lidamos amistosamente com o que assoma em nós..."

4.ª Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.

O autor contextualiza o tempo em que as Bem-aventuranças foram proclamadas por Jesus, o contexto das comunidades que acolheram a mensagem de Jesus, interpretações ao longo da história da Igreja, com pontes à filosofia grega e ocidental, ao ambiente semita, à religiosidade popular. Ponte importante com a atualidade. Começa por referir que "o rendimento médio nos vinte países mais ricos do mundo é 37 vezes superior ao dos vinte países mais pobres... nos últimos 40 anos duplicou a distância... entre as 100 maiores unidades económicas do mundo há 52 empresas mas apenas 48 estados... Não há justiça quanto à igualdade de oportunidades... A injustiça conduz, ultimamente, à guerra". Há, por outro lado, uma «judicialização» cada vez mais abrangente. Tudo está regulamentado. "Os juristas determinam casa vez mais a vida coletiva... já não valem a fidelidade e a confiança, mas unicamente a segurança legal". Anselm Grün constata que "as pessoas anseiam pela verdadeira justiça, por um mundo onde reine a justa distribuição dos bens e das oportunidades, no qual se faz justiça a todos, tanto aos pobres como aos ricos, tanto aos mais fortes como aos mais fracos... existe a convicção de que só onde reina a justiça pode florescer a paz... A fome e a sede de justiça referem-se a todos os homens, a uma ordem justa para todos, à vida em retidão que Deus pensou para todos... As virtudes da justiça, da prudência, da coragem e da temperança põem-nos em contacto com o nosso interior". Segundo São Gregório de Nisa, as virtudes enchem-nos "de doçura e de alegria, em todos os momentos da nossa vida". Com efeito, ainda citando São Gregório, "A bem-aventurança é uma convite a uma vida feliz. Que exercita a justiça não ficará saciado apenas no Além. Será feliz e viverá satisfeito já no meio da luta pela justiça".

5.ª Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.

No Jubileu Extraordinário da Misericórdia que decorre (8 de dezembro de 2015 a 20 de novembro de 2016), esta Bem-aventurança coloca-nos em sintonia e em sinfonia com o desejo do Papa Francisco de refletir e viver as Obras de Misericórdia. O Coração misericordioso e compassivo de Deus, que Se faz peregrino connosco, mas que nos Seus gestos encontremos o desafio e o compromisso para vivermos como irmãos, acolhendo e integrando todos, sobretudo os que se encontram em situação mais frágil. Partindo da atualidade, o autor começa por mostrar como o "mercado é implacável. Só o mais forte consegue impor-se, Os outros ficam pelo caminho. O carácter implacável do mercado parece influenciar também a vida social... Quem sabe «vender-se» bem, «vale» alguma coisa... Aqui só contam os números e não a pessoa". Quanto à misericórdia, dela fazem parte a compaixão e o «sofrer com». Segundo alguns, a compaixão é fraqueza (por exemplo o Terceiro Reich). "A falta de misericórdia leva ao endurecimento e à violência na convivência mútua... Só o mais forte consegue impor-se. Os outros extinguem-se". Por conseguinte, "neste mundo frio, cresce a aspiração a um mundo misericordioso... [em que] sejamos respeitados na nossa dignidade humana... Jesus manteve-se fiel à misericórdia. E declarou bem-aventurados os que são misericordiosos. Porque alcançarão. Ele acreditou na vitória da misericórdia e da compaixão... Se somos misericordiosos também experimentamos a misericórdia... É misericordioso o que lida consigo e com os outros... Lido amorosamente com a esta criança em mim, necessitada de ajuda. Confio em que a minha criança interior vá amadurecendo, no meu colo materno e no colo materno de Deus, e que venha a ser o que deve ser a partir de Deus... A misericórdia brota do amor ao próximo... A misericórdia devolve-nos a vida... A compaixão pela nossa doença devolve-nos a saúde... A misericórdia de Deus permite-nos ser mais misericordiosos connosco próprios... Quem é misericordioso compreendeu quem é Deus. E participa de Deus. Está em Deus. A misericórdia é, para nós, os seres humanos, o caminho para o coração de Deus".

6.ª Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.

Olhando para o nosso tempo, o autor conclui que "a desconfiança está na moda". Não se aceitam as palavras sem reservas, crê-se que há sempre segundas intenções. No entanto, "aspiramos à clareza e à pureza de sentimentos, a pessoas que possuem um coração puro, que fazem, sem segundas intenções, o que reconheceram ser reto, e que dizem o que para elas brilha como verdade... aspiramos à pureza do coração... O coração puro é o coração simples, sincero, claro... Jesus exorta-nos a deixarmos que a luz irradie sobre o nosso corpo e expulse todas as trevas. Quando nos encontramos com uma pessoa cujos olhos brilham, sem segundas intenções, então também algo em nós se torna claro e límpido". Na Transfiguração, os discípulos "veem, de repente, claramente, quem é Jesus Cristo. E no espelho de Jesus reconhecem-se a si próprios... A meta do ser humano é ver a Deus, na visão passar a ser um com Deus... Se vemos a Deus esquecemo-nos de nós mesmos. Fazemo-nos um com Deus e, ao mesmo tempo, connosco próprios, Na unidade com Deus tomamos consciência de nós próprios, chegamos ao nosso esplendor original e não falseados... Sentimo-nos luz, iluminados pela luz de Deus. Isto é o ápice da Encarnação, o mais alto a que um ser humano pode aspirar". A pureza do coração faz bem à saúde, pois aquele que se encontrou consigo próprio, com a sua luz interior, "deixa de procurar no exterior a cura das suas feridas. Já não espera, vinda do afeto e da ajuda dos outros, a sua saúde. Encontra-a em si mesmo se, graças à pureza, se tornou inteiramente ele próprio".

7.ª Bem aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus.

Olhando para o mundo atual, vemos como é frágil da paz. São disso exemplo as duas Guerras mundiais, mas igualmente tantas zonas de conflito bélico, em diferentes latitudes. No tempo de Jesus Cristo a paz é periclitante. O povo está sob o domínio romano e aquilo que se chama a paz romana (pax romana) não passava efetivamente de pacificação, de imposição da paz pela força, pelo domínio, pelo controlo apertado, aniquilando todos os focos de resistência e até povos inteiros. "Era uma paz violenta". A paz não é algo de passivo, de deixar correr, sem fazer nada, sem intervir, mesmo quando a violência o atinge. A paz é ativa, implica. "Criar paz significa a disponibilidade ativa para ir ao encontro das pessoas que estão em conflito e reconciliá-las entre si". Também em nós devemos fazer as pazes com os nossos inimigos: o nosso medo, a nossa depressão, a nossa susceptibilidade, a nossa falta de disciplina, e então os nossos inimigos convertem-se em amigos e "a nossa terra, de repente, torna-se maior do que nunca sucedeu antes. Em vez de dez mil soldados, temos à disposição trinta mil (cf. Lc 14, 31ss). Ficamos mais fortes... Só quem está em sintonia consigo próprio, ou pelo menos a caminho dessa meta, pode construir a paz entre as pessoas". Por outro lado, prossegue Anselm Grün, a construção da paz resultará do amor e do diálogo, superando o conflito interior para superar os conflitos exteriores, não pela violência mas pelo diálogo. "Se quero vencer os inimigos, não construirei a paz. O derrotado quer vir a ser, um dia, o vencedor. Assim voltará a levantar-se e a continuar a combater. Só quando se alcança um bom equilíbrio todos podem viver em paz... Construir a paz é um processo criativo... Quem cria paz, participa do poder criador de Deus, que fez tudo bem feito". Dando como exemplo Martin Luther King, o autor sublinha que "só o amor pode construir a paz. «O ódio não pode expulsar o ódio. Só o amor consegue. O ódio multiplica o ódio, a violência aumenta a violência, a dureza faz aumentar a dureza, uma espiral permanente de aniquilamento» (Feldmann, 702). O ódio não destrói apenas a convivência, prejudica também a pessoa".

8.ª Bem-aventurados os que sofrem perseguição, por causa da justiça, porque deles é o reino dos Céus.

"A injustiça no mundo clama ao céu. Mas não há quase ninguém que arrisque a pele pela justiça". No mundo atual parece que são felizes aqueles que estão do lado dos vencedores, dos lobos, daqueles que passam por cima dos outros. "A bem-aventurança desafia-nos, mas não sobrecarrega com coisas impossíveis. O que faz é fortalecer a nossa aspiração à coragem de nos empenharmos pela justiça, custe o que custar... A coragem é a expressão da liberdade interior... mantenho-me firma na justiça, mesmo que isso me cause desvantagens junto dos outros". O que me sucede de mal pode empurrar-se para a frente, para o bem. Seguindo de perto São Gregório de Nisa, o autor evoca a imagem das corridas. Os adversários que correm comigo levam-me a avançar, lutando. Os conflitos em que caio podem ajudar-me a ser mais forte.

"São Mateus compôs as oito Bem-aventuranças de tal modo que a primeira e a última contêm a promessa do Reino dos Céus. Os pobres em espírito são, como os perseguidos por causa da justiça, também pessoas interiormente livres, que não se deixam depender da opinião dos outros... porque encontraram em Deus a sua verdadeira essência. Deus reina nelas. E porque Deus reina nelas são por inteiro elas mesmas, livres do poder dos outros. Porque Deus é o seu centro, são elas próprias, no seu centro, estão em sintonia consigo mesmas".

As bem-aventuranças são um caminho para viver melhor e ser mais saudáveis.


31
Jan 16
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MICHELLE KNIGHT, com Michelle Burford (2014). Depois do Inferno. Alfragide: Casa das Letras. 276 páginas.

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A realidade ultrapassa a ficção. A imaginação cria cenários de extraordinária beleza, recria e inventa histórias que ultrapassam qualquer situação do nosso dia a dia. Novelas, séries, filmes que nos envolvem, positiva e negativamente. Como nas notícias, assim também nos trabalhos ficcionados, cada vez é maior a violência, a degradação, os crimes, bem pensados e executados. A este propósito poderíamos concluir que a ficação evolui com a realidade. Preferível que a ficção fosse apenas ficção, para distrair e descomprimir. Porém, o que é ficcionado muitas vezes não chega ao sofrimento real e a situações que estaríamos longe de imaginar.

Este é um livro, um relato real, que deixa transparecer a violência, a degradação e a depravação, a malvadez. Certamente que nunca conseguiremos entrar totalmente na mente ou no coração de Michelle Knight. Mas ficamos aterrados com a enormidade dos sofrimentos e dos maus tratos que lhe foram infligidos.

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Nunca teve uma vida feliz. Vivia numa carrinha, roubavam para comer. Depois morou numa casa em que de dia para dia apareciam mais familiares para com eles viverem. Durante anos foi violada por um familiar. Até que resolveu sair de casa, tornando-se sem.abrigo e traficante. Ficou grávida. Voltou a casa, depois do traficante de droga que mandava ter sido preso. Depois do nascimento do filho, os abusos continuaram. Um dia, o homem que a violava, agrediu com violência o seu filho Joey, pelo que a Segurança Social lhe retirou a guarda, apesar de não ser diretamente culpada. Tem de andar vários quilómetros para ir às audiências para tentar reaver o filho. Muda-se para casa de uma prima, Lisa. Começa a procurar empregro/trabalho, todos os dias.

No dia 23 de agosto de 2003, é o dia agendado para a audiência nos serviços sociais. Recusa do transporte assegurado pela segurança social porque um familiar se disponibiliza para a levar, mas chegado o dia não está disponível. Procura todas as formas pro se dirigir para a audiência, mas não sabe onde fica, caminha por muito tempo, pergunta mas ninguém sabe onde fica o local. Regressa ao seu bairro, continua a perguntar, na Loja da Family Dollar, mas sem sucesso. Aparece então Ariel Castro - o animal - que lhe diz que a pode levar, pois sabe onde fica. Como é pai de Emily, amiga de Michelle, esta, ainda que renitente, aceita a boleia e acabará por entrar na casa do "animal", para só sair sair 11 anos depois.

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Entretanto, Ariel Castro rapta mais duas jovens. São tratadas como animais, escravas sexuais, recorrendo à violência, e com pouco alimento. Além das condições inundas, dos maus tratos, da violência, ainda a fome. Ao longo dos anos, sempre com uma réstia de esperança sob as ameaças constantes, vão sofrendo o que há de mais atroz. Michelle engravida, durante o rapto, 4 vezes. Os fetos são abortados pela violência exercida sobre ela. É a mais odiada e por isso a mais violentada. Gina, a jovem raptada algum tempo depois tornar-se-á uma amiga importante para a animar nos momentos mais negros. A fé é outro ingrediente que a alimenta. As duas são as mais sacrificadas, ainda que Gina tenha sido mais preservada. Amanda, por sua vez, é "favorecida" porque o "animal" a considera esposa. Engravida e como a considera esposa deixa que a filha nasça. Depois do nascimento, leva a filha a passear de carro.

6 de maio de 2013, 11 anos depois, Ariel de Castro saiu de casa e Amanda aproveitou para pedir ajuda. Foram libertadas, Ariel castro viria a ser preso, tendo sido posteriormente condenado a prisão perpétua. Enforcou-se pouco tempo depois. Cada uma à sua maneira, as três vítimas de rapto tentam refazer a vida. Michelle mantém-se afastada da família e também do filho que foi adoptado aos 4 anos de idade, pelo que para preservar a vida do filho se tem mantida afastada.

É um testemunho arrepiante, mas de algum modo terapêutico para a autora. Ao mesmo tempo uma chamada de atenção para um número considerável de raptos. Os EUA nesta matéria são muito flagelados. É um desafio para que as mães cujos filhos foram raptados não percam a esperança e não deixem de procurá-los e também para que as pessoas quando virem algo suspeito, por menor que sejam, contactem as autoridades de imediato.

"Só através do perdão poderei recuperar a minha vida. Se não o perdoar, será como ficar presa duas vezes: primeiro, enquanto ele me sequestrou na sua casa e, agora, mesmo depois de ele ter morrido. Estou a deixar que o meu ódio por ele se vá esfumando para que eu possa verdadeiramente ter a minha vida de volta".

 

Outra história semelhante, o rapto e a luta pela dignidade:

Natascha Kampusch, 3096 dias, Edições Asa: 2011 


29
Nov 15
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JOSÉ LUÍS NUNES MARTINS (2015) Os Infinitos do Amor. 53 reflexões. Lisboa: Paulus Editora. 224 páginas.

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       Semana a semana chegam-nos as reflexões de José Luís Martins, contribuindo para que o ambiente digital fique mais rico com a sua partilha, e muitas pessoas se deliciem numa leitura poética, simples de perceber, envolvente, tocando a vida nas suas variadíssimas expressões, alegria, tristeza, solidão, morte, a força das palavras, a abertura para fé, o compromisso com o bem e com a verdade, a morte, a luta, a vida como caminho, a amizade, o trabalho e a família, a felicidade, o bem e o mal, a eternidade.

       O livro com que nos presenteia permite-nos (re)ler, sublinhar uma ou outra frase. O formato de papel de algum modo permite-nos assimilar melhor cada texto, sugestão, desafio e facilmente voltar a folhear e a escolher uma reflexão para uma ou outra ocasião. Pelo menos para quem aprendeu a mexer, tocar, manusear as folhas. Mas seja neste formato de livro impresso, seja através das plataformas digitais, as reflexões de José Luís Martins são provocantes (no bom sentido), comprometem-nos com o melhor de nós, lutando, não desistindo, não desvalorizando as qualidades pessoais para agir, pôr em prática. As obras, o agir, as escolhas e opções testam os dons. A partilha, a humildade de se colocar ao serviço dos outros, potenciando o melhor daqueles com quem nos cruzamos; apostando no ser e não tanto no ter; mais na autenticidade e não tanto nas aparências; não baixar os braços mesmo quando as dificuldades são muitas; aprender a gostar de si mesmo, sentindo-se bem consigo para se poder dar aos outros; a certeza que o amanhã virá a seguir às nossas noites por mais escuras e frias que sejam.

       Como refere o Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada, José Luís Martins é, mais que um filósofo, um pensador, um pensa-dor. A vida é um mundo denso e intenso. Vida e morte. Alegria e luto. Júbilo e tristeza. Paz e ansiedade. Perda e sofrimento. Há sempre esperança. A vida depende muito do que sou, das opções que toma, das atitudes que assumo. Há que gastar bem o tempo, que é breve, mudar o que depende de nós mudar e não gastar tempo com o que não depende de nós.

       A fé e a mensagem cristã deixa-se facilmente intuir nas ideias e convicções expressas pelo autor.

       Sublinhado, inolvidável, para Carlos Ribeiro que ilustra de forma simples e intuitiva cada mensagem.

       Valerá a pena transcrever algumas expressões que se espalham pelo livro:

"A felicidade depende sempre mais de nós do que das circunstâncias".
"A pobreza não retira a dignidade a ninguém, mas a riqueza pode fazê-lo com facilidade" 
"Devemos concentrarmo-nos no que temos, agradecer quando temos acesso ao essencial e procurar e procurar que aquilo que excede as nossas necessidades possa chegar a quem dele precisa" 
"É possível viver num palácio sem se deixar corromper por isso. Há quem se sirva dos seus bens para ser uma bênção na vida dos outros: esse é rico, muito rico no que importa. Fez-se feliz, por se ter feito pobre para que outros sejam ricos... fez-se rico, por ter sido capaz de dar tudo!" 
"Não é o peso da cruz que importa, mas sim a força dos ombros que a carregam".
O passado não se altera, mas o futuro pode sempre ser diferente". 
"Os que nos amaram deram-se-nos. Não se perderam porque existem em nós. Sou também aquele que amou. Que me ama... A saudade é muito mais doce mas, qual espada, muito mais dura, afiada e longa. Parece destruir o que celebra. Trata-se de uma das tristezas mais fundas... a de se haver perdido o que se teve, a de se continuar a amar o que já não está aqui connosco. A de se continuar a ser dois depois de deixarmos de sentir o outro". 
"As adversidades como a morte, a doença grave ou uma tragédia, mais séria não se conseguem anular, faça o que se fizer. Aplicar aí a nossa coragem, vontade e persistência no sentido de destruir isso só terá um resultado efetivo: aniquila-nos, porque estaremos a tentar empurrar, não uma pedra pesada, nem sequer uma montanha mas o próprio peso do mundo... sem termos os pés assentes em nada". 
"Não há heróis de um gesto só. Ninguém chega a ser bom de um momento para o outro. As grandes obras são consequência de percursos em que a vontade se sobrepõe à natureza passiva repetidas vezes... Ninguém chega a ser mau de súbito. Os grandes disparates aparecem na sequência de outros disparates, menores, que vão corrompendo com paciência e determinação os alicerces da nossa liberdade, a fim de que, convencidos de que somos mesmo assim, aceitemos fazer o que nos prejudica e arruína a nossa verdadeira felicidade". 
"Agradecer e perdoar fazem diferença. Muita. Em mim e no outro. Sempre.... Um olhar, uma palavra, um silêncio ou um pequeno gesto, são suficientes para levar trevas ou luz à vida de outros. Assim. Num instante. Dependemos uns dos outros. Nós não somos sós. Nunca. Por maior que seja a solidão em que nos sentimos. Por maior que seja a escuridão e o frio, há sempre alguém que chegará. Sempre. Sempre. Por mais que demore". 
"A vida precisa de tempo, ma não há pior do que adiar... muitos julgam que o momento de amar pode ser outro. Que sempre haverá tempo depois do tempo. Errado. O tempo não é nosso e que, portanto, não está ao nosso dispor". 
"O amor leva-me ao outro. Supero os meus limites, do espaço e do tempo. Porque me dou, passo a existir também no que me ultrapassa. Sou mais. Só o amor permite a conquista da eternidade. Só o amor resiste ao nascimento e à morte. Qualquer vida que nasce brota de um amor, de uma entrega gratuita e incondicional de algo ao espaço e ao tempo sem fim... A nossa vida não nos pertence. Somos uma parte do todo. Não o centro. Não estamos vivos, somos vida. Uma vida cheia de mistérios, mas de beleza sublime. Podem as lágrimas e sofrimentos parecer a eternidade... mas só o bem não tem fim... O amor faz-nos renascer a cada vez que parece matar-nos.
Somos mais do que tempo. Muito mais". 
"O orgulho, a vaidade e a soberba andam quase sempre juntos. São os superiores aliados da ignorância! O orgulhoso coloca-se a si mesmo acima da realidade. Mas, não só se julga superior aos outros como ainda deseja que eles partilhem dessa mesma opinião, ou seja, que todos pensem que ele é o melhor! Mais ainda, por se julgar o assim o suprassumo, considera poder tratar os outros como seus inferiores!" 
"No amor, apenas as intimidades devem estar em comunhão. Sem confusão, sem exclusão, sem que se anule parte alguma de cada um. Há quem se faça demasiado próximo e por isso anule o outro. Não. É preciso que haja espaço e tempo para que cada um possa ser quem é e o quer ser. Não se trata de nos defendermos, mas tão-só de respeitarmos o outro". 
"Há quem prefira partir do que chegar. Quem busque descobrir todos os cantos e mistérios do mundo... mas há também quem apenas queira ser feliz em qualquer lugar, buscando-se a si mesmo... nos outros. Só quem se busca se pode encontrar. Muitos são os que andam perdidos... mas o amor implica uma saída de si, uma aceitação do outro como outro, não como alguém em quem posso (e julgo dever) replicar o que sou. Só quando me esqueço de mim posso descobrir a verdade do outro. Apenas o olhar dos que nos amam importa, porque só esse nos vê, só esse nos revela quem somos". 
"À solidão não se opõe a multidão, mas o amor. Aquilo de que alguém abandonado está à procura é de alguém próximo, não do aplauso de um monte de gente." 
"Aquele que quer ser feliz deve dar-se. Ser é amar e amar é dar-se. Ninguém pode ser nada se não na sua relação com os outros e com o mundo. O ser mais perfeito seria imperfeito se se fechasse em si mesmo e assim se reduzisse à sua própria individualidade. A vida é o dom de ser dom. Serve para se chegar à vida do outro. Para ser o que lhe falta... amando-o." 
"A sinceridade jamais pode ser a razão para magoar alguém. Ser sincero é também saber escolher o que dizer e o que calar. Não devemos dizer tudo quanto pensamos, mais ainda se não o tivermos pensado com honestidade e inteligência. O silêncio é parte essencial da verdade e da sinceridade". 
"Há boas paixões. São as que trabalham como um fermento. De forma pacata, pacífica e paciente. Animam, mas não dominam. Orientam, mas não decidem. Iluminam, mas não cegam... Por paixões comuns, há quem perca a cabeça, o coração e a alma. Uma paixão forte que se consente pode fazer com que a mais digna das pessoas se destrua... se consuma, não ficando senão as cinzas em que ardeu. 
"A verdadeira chama, aquela que nos ilumina, aquece e orienta, não é a das paixões, é a chama da vida. A vida ela própria, assim, simples e pobre na aparência. Aquela vida que tem consciência de que é, em si mesma, um dom. Uma luz. Um presente do divino. Uma presença divina. Não se trata de uma alegria de cumprir fantasias, antes sim da virtude suprema de saber apreciar os momentos da vida sem necessidade de ser sob a séria ameaça de a perder. Este é o único fogo que não consome".


10
Out 13
publicado por mpgpadre, às 10:00link do post | comentar |  O que é?

TRANSITAR EM PACIÊNCIA:

 

       "É um tema do qual me fui apercebendo, durante anos, ao ler um livro de um autor italiano, com um título muito sugestivo: Teologia del fallimento, ou seja, teologia do fracasso, onde se expõe como Jesus entrou em paciência. Na experiência do limite, no diálogo com o limite, forja-se a paciência. Às vezes, a vida leva-nos não a «fazer», mas sim a «padecer», suportando, sustentando as nossas limitações e as dos outros. Transitar a paciência é apercebermo-nos de que o que amadurece é o tempo. Transitar em paciência é deixar que o tempo paute e amasse as nossas vidas".

       "Transitar em paciência implica aceitar que a vida é isso: uma aprendizagem contínua. Quando uma pessoa é nova, julga que pode mudar o mundo; e isso está certo, tem de ser assim. Mas, depois, quando procura, descobre a lógica da paciência na própria vida e na dos outros. Transitar em paciência é assumir o tempo e deixar que os outros façam a sua vida. Um bom pai, tal como uma boa mãe, é aquele que vai intervindo na vida do filho o suficiente para lhe marcar as pautas de crescimento, para o ajudar, mas que depois sabe ser espetador dos fracassos próprios e alheios, e os supera".

 

       "... segurar o papagaio [de papel] assemelha-se à atitude que é preciso ter perante o crescimento da pessoa: em dado momento, é preciso dar-lhe corda, porque «rabeia». Dito de outra maneira: é preciso dar-lhe tempo. Temos de saber pôr o limite no momento justo. Mas, outras vezes, temos de saber olhar para o outro lado e fazer como o pai da parábola, que deixa que o filho se vá embora e desperdice a sua fortuna, para que faça a sua própria experiência"

 

       "Quantas vezes, na vida, é preciso travar, não querer atingir tudo de repente! Transitar na paciência pressupõe todas essas coisas: é claudicar da pretensão de querer solucionar tudo. É preciso fazer um esforço, mas entendendo que uma pessoa não pode tudo. Há que relativizar um pouco a mística da eficácia".

 

In SERGIO RUBIN e FRANCESCA AMBROGETTI, Papa Francisco. Conversas com Jorge Bergoglio.


09
Out 13
publicado por mpgpadre, às 10:00link do post | comentar |  O que é?

«Quero crer em Deus Pai, que me ama como filho, e em Jesus, o Senhor, que me infundiu o seu Espírito na minha vida, para me fazer sorrir e levar-me assim ao reino eterno da vida.

Creio na minha história que foi trespassada pelo olhar amoroso de Deus e, num dia de Primavera, 21 de Setembro, saiu ao meu encontro para me convidar a segui-lo.

Creio na minha dor, infecunda pelo egoísmo, onde me refúgio.

Creio na mesquinhez da minha alma, que procura engolir sem dar… sem dar.

Creio em que os outros são bons, e que devo amá-los sem temor, e sem trai-los nunca à procura de segurança para mim.

Creio na vida religiosa.

Creio que quero amar muito.

Creio na morte quotidiana, ardente, de que fujo, mas que me sorri convidando-me a aceitá-la.

Creio na paciência de Deus, acolhedora, boa como uma noite de Verão.

Creio que o meu papá está no Céu junto do Senhor.

Creio que o padre Duarte também lá está intercedendo pelo meu sacerdócio.

Creio em Maria, a minha mãe, que me ama e nunca me deixará só.

E espero a surpresa de cada dia na qual se manifestará o amor, a força, a traição e o pecado, que me acompanharão até ao encontro definitivo com esse rosto maravilhoso que não sei como é, de que me desvio continuamente, mas que quero conhecer e amar.

Ámen.»

 

In SERGIO RUBIN e FRANCESCA AMBROGETTI, Papa Francisco. Conversas com Jorge Bergoglio. Paulinas Editora. Prior Velho 2013


08
Out 13
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       "A dor não é uma virtude em si mesma, mas o modo como é assumida pode ser virtuoso. A nossa vocação é a plenitude e a felicidade, e, nessa busca, a dor é um limite. Por isso, o sentido da dor só é entendido plenamente através da dor de Deus feito Cristo...

       Por isso, a solução passa por entender a Cruz como semente de ressurreição. Toda a tentativa de suportar a dor obterá resultados parciais, se não for fundamentada na transcendência. É uma dádiva entender e viver a dor em plenitude. Mais ainda: viver em plenitude é uma dádiva...

       Tanto a dor física como a espiritual puxam para dentro, onde ninguém pode entrar; implicam uma dose de solidão. Do que a pessoa precisa é de saber que alguém a acompanha, que gosta dela, que respeita o seu silêncio e reza para que Deus entre nesse espaço que é pura solidão".

 

       "A dor é algo que está ligado à fecundidade. Atenção! Não é uma atitude masoquista, mas sim aceitar que a vida nos marca limites".

 

In SERGIO RUBIN e FRANCESCA AMBROGETTI, Papa Francisco. Conversas com Jorge Bergoglio. Paulinas Editora. Prior Velho 2013


25
Jun 13
publicado por mpgpadre, às 11:53link do post | comentar |  O que é?


13
Mar 13
publicado por mpgpadre, às 14:00link do post | comentar |  O que é?

Gianfranco RAVASI. O que é o Homem? Sentimentos e laços humanos na Bíblia. Paulinas Editora, Prior Velho 2012, 144 páginas.

       O Cardeal Gianfranco Ravasi, que se encontra em Conclave para a eleição de um novo Papa, sendo um dos papáveis segundo a comunicação social, e que pregou o Retiro Quaresmal à Cúria Romana, na qual se incluía o então Papa Bento XVI, que tinha anunciado a renúncia ao Pontificado no dia 11 de fevereiro, com efeitos a partir do passado dia 28 de fevereiro, o último do mês, ajuda-nos a uma caminhada pela Bíblia, procurando o essencial do ser humana, em linha com a história da aliança de Deus com o povo, com a reflexão crente sobre a vida, o ser humano, imagem e semelhança de Deus, as formas de viver o amor, e o sofrimento.

       Este livro faz parte de uma coleção "Poéticas do viver crente. Linhas de Rumo", coordenada pelo Pe. Tolentino de Mendonça, com textos muito acessíveis, de fácil leitura, positivos, envolventes, alimentados na Palavra de Deus, para iluminar as horas que passam.

       O autor parte do sentir humano, com raízes na Bíblia, lançando pontes para outras religiões, para outras culturas, para tempos de antigamente e para os nossos dias. E nesse sentir, a evolução das emoções/sentimentos, na busca da mansidão que aproxima, constrói, fazendo-nos apostar nos outros, no perdão, na partilha, numa justiça que vai muito além da medida retribuitiva.

Do sentimento do medo, que nos dobra e escraviza, ao temor que nos abre o coração a Deus, como preparação para a festa do encontro com Deus, para saborear o amor, a alegria, a festa.

       O ser humano descobre-se na festa, na alegria, no amor, mas também no sofrimento. Também aqui, o autor não deixa de nos fazer viajar pela história do povo de Deus, descrita na Bíblia, mas também por outros mundos culturais e religiosos. O sofrimento diz-nos da nossa fragilidade e falibilidade. Mas poderá também fazer-nos encontrar connosco e com Deus. Há muitas reflexões teológicas sobre o sofrimento, nem sempre uma teologia do sofrimento. Job lança muitas luzes sobre o sofrimento, explorando a constatação que o sofrimento não é consequência do pecado. Jesus vai ainda mais longe. Vive. Não anula e não esconde o sofrimento. Há de entregar-Se. O Seu sofrimento é vicário, sofre por nós, em nossa vez, para nos libertar, para nos colocar na comunhão com Deus, em absoluto. A fraqueza e a debilidade poderão ser oportunidade para se manifestar a grandeza de Deus e o seu amor..

       O ser humano pode desenhar-se numa linha contínua, segundo o autor, na qual há lugar para o sentir, para o medo, para o sofrimento, para a festa, para o amor. Segundo ele, são vários (7) os rostos do amor: eclesial, social, nupcial, paterno e materno, familiar, de amigos (amical), e o amor pátrio. A este propósito alguns dos títulos dos capítulos finais: Amigos do peito, amigos na vida e na morte; Casal humano: à imagem do amor de Deus; A família; Cabelos brancos, «Coroa de Glória», sobre a velhice, com as virtudes que poderá trazer, ainda que não seja sinónimo de sabedoria ou de santidade...

       Mais uma leitura interessante para a Quaresma, ou para qualquer grande, sobre o ser humano, com as suas fraquezas, com a grandeza que lhe vem de Deus.


03
Fev 12
publicado por mpgpadre, às 12:00link do post | comentar |  O que é?

Essa mesma dor, como muitas vezes aprendemos, pode ser, contudo, um sinal de que a vida ainda está em nós, que não se quer deixar eliminar, lutando contras as adversidades, chamando-nos para essa luta 

        O cardeal-patriarca de Lisboa falava, recentemente, num “paradoxo” na relação entre o catolicismo e a dor humana, afirmando que a Igreja, por um lado, procura mitigar esse sofrimento e, por outro, dá-lhe um sentido sublime e transcendente.

       A aproximação do Dia Mundial do Doente recupera, anualmente, a reflexão e também a celebração sobre essa (apenas) aparente contradição: o crente não pode ignorar o sofrimento do outro, no qual reconhece o seu rosto e a face de Deus, ainda que tudo faça para o evitar. A história ensina-nos que a dor é uma marca constante do ser em humanidade. Não se pode fugir dela, mas também não é lícito permanecer impassível, como se não fosse possível ajudar quem sofre.

       O que muitos podem ver como fuga à realidade, na referência ao transcendente, é, por parte da doutrina católica, a resposta mais sincera que pode oferecer sobre a existência: como captar a beleza do momento que passa sem ser com a alma aberta ao infinito, mesmo (sobretudo) nos momentos mais duros?

       Já uma vez, neste espaço, escrevi sobre o que custa acreditar que o sofrimento tenha um qualquer objetivo purificador, que a vida tenha um propósito para lá deste ‘sem-sentido’ em que a natureza nos reduz a uma terrível insignificância, na sua arbitrariedade.

       O sofrimento, a doença que atinge sem olhar a quem, amplificam esse sentimento, até porque, talvez por uma questão cultural, vemos a dor como um castigo, uma perda do estado original de perfeição. Essa mesma dor, como muitas vezes aprendemos, pode ser, contudo, um sinal de que a vida ainda está em nós, que não se quer deixar eliminar, lutando contra as adversidades, chamando-nos para essa luta - e não nos largando enquanto não a ouvirmos...

       Muitos, perto ou longe de nós, vivem como se a dor não tivesse fim, como estivesse à espera de uma qualquer brecha para se fazer sentir. Acredito, como diz Leonard Cohen, que há mesmo uma fenda em tudo e que é assim que a luz entra. A fé católica e o seu ensinamento sobre o sofrimento podem ser, para muitos, essa mesma luz.

 

Octávio Carmo, Editorial Agência Ecclesia.


04
Jan 12
publicado por mpgpadre, às 10:42link do post | comentar |  O que é?

       Desconhecemos a autoria desta pequena estória, mas vale a pena refletir nela...:

       Ela deu um pulo assim que viu o cirurgião a sair da sala de operações.

       Perguntou:

       - Como é que está o meu filho? Ele vai ficar bom? - Quando é que eu posso vê-lo?

       O cirurgião respondeu:

       - Tenho pena. Fizemos tudo mas o seu filho não resistiu.

       Sally perguntou:

       - Porque razão é que as crianças pequenas tem câncer? Será que Deus não se preocupa? - Aonde estavas Tu, Deus, quando o meu filho necessitava?...'

       O cirurgião perguntou:

       - Quer algum tempo com o seu filho? Uma das enfermeiras irá trazê-lo dentro de alguns minutos e depois será transportado para a Universidade. Sally pediu à enfermeira para ficar com ela enquanto se despedia do seu filho. Passou os dedos pelo cabelo ruivo do seu filho.

       - Quer um cachinho dele?

       Perguntou a enfermeira.

       Sally abanou a cabeça afirmativamente.

       A enfermeira cortou o cabelo e colocou-o num saco de plástico, entregando-o a Sally.

       - Foi ideia do Jimmy doar o seu corpo à Universidade porque assim talvez pudesse ajudar outra pessoa, disse Sally. No início eu disse que não, mas o Jimmy respondeu:

       - Mãe, eu não vou necessitar do meu corpo depois de morrer. Talvez possa ajudar outro menino a ficar mais um dia com a sua mãe.

       Ela continuou:

       - O meu Jimmy tinha um coração de ouro. Estava sempre a pensar nos outros. Sempre disposto a ajudar, se pudesse.

       Depois de aí ter passado a maior parte dos últimos seis meses, Sally saiu do "Hospital Children's Mercy" pela última vez. Colocou o saco com as coisas do seu filho no banco do carro ao lado dela. A viagem para casa foi muito difícil. Foi ainda mais difícil entrar na casa vazia. Levou o saco com as coisas do Jimmy, incluindo o cabelo, para o quarto do seu filho. Começou a colocar os carros e as outras coisas no quarto exatamente nos locais onde ele sempre os teve. Deitou-se na cama dele, agarrou a almofada e chorou até que adormeceu. Era quase meia-noite quando acordou e ao lado dela estava uma carta.

       A carta dizia:

       - Querida Mãe, Sei que vais ter muitas saudades minhas; mas não penses que me vou esquecer de ti, ou que vou deixar de te amar só porque não estou por perto para dizer:"AMO-TE". Eu vou sempre amar-te cada vez mais, Mãe, por cada dia que passe. Um dia vamos estar juntos de novo. Mas até chegar esse dia, se quiseres adotar um menino para não ficares tão sozinha, por mim está bem. Ele pode ficar com o meu quarto e as minhas coisas para brincar. Mas se preferires uma menina, ela talvez não vá gostar das mesmas coisas que nós, rapazes, gostamos. Vais ter que comprar bonecas e outras coisas que as meninas gostam, tu sabes. Não fiques triste a pensar em mim. Este lugar é mesmo fantástico! Os avós vieram me receber assim que eu cheguei para me mostrar tudo, mas vai demorar muito tempo para eu poder ver tudo. Os Anjos são mesmo lindos! Adoro vê-los a voar! E sabes uma coisa?... O Jesus não parece nada como se vê nas fotos, embora quando o vi o tenha conhecido logo. Ele levou-me a visitar Deus! E sabes uma coisa?... Sentei-me no colo d'Ele e falei com Ele, como se eu fosse uma pessoa importante. Foi quando lhe disse que queria escrever-te esta carta, para te dizer adeus e tudo mais. Mas eu já sabia que não era permitido. Mas sabes uma coisa Mãe?... Deus entregou-me papel e a sua caneta pessoal para eu poder escrever-te esta carta. Acho que Gabriel é o anjo que te vai entregar a carta. Deus disse para eu responder a uma das perguntas que tu Lhe fizeste, "Aonde estava Ele quando eu mais precisava?"... Deus disse que estava no mesmo sítio, tal e qual, quando o filho dele, Jesus, foi crucificado. Ele estava presente, tal e qual como está com todos os filhos dele. Mãe, só tu é que consegues ver o que eu escrevi, mais ninguém. As outras pessoas veem este papel em branco. É mesmo maravilhoso não é!?... Eu tenho que dar a caneta de volta a Deus para Ele poder continuar a escrever no seu Livro da Vida. Esta noite vou jantar na mesma mesa com Jesus. Tenho a certeza que a comida vai ser boa.

       Estava quase a esquecer-me: já não tenho dores, o cancro já se foi embora. Ainda bem, porque já não podia mais e Deus também não podia ver-me assim. Foi quando ele enviou o Anjo da Misericórdia para me vir buscar. O anjo disse que eu era uma encomenda especial! O que dizes a isto?...

 

Assinado com Amor de Deus, Jesus e de Mim.


03
Jun 11
publicado por mpgpadre, às 10:16link do post | comentar |  O que é?

       «A nossa fé no amor de Deus é apenas uma fineza piedosa ou pode realmente curar nossas feridas? A fé no amor de Deus não é uma droga milagrosa que funciona em qualquer ferimento. Creio que ela me ajuda a confrontar, sem angústia, com minhas feridas.

       O amor de Deus é para mim uma atmosfera terapêutica, onde posso retirar as ligaduras das minhas chagas para que a expiração curativa de Deus sopre sobre elas. Minhas feridas querem justamente me remeter para a profundidade do amor de Deus. Elas me mostram que estou à mercê da graça desse maravilhoso amor, e que não posso me curar sozinho.

       A ferida pode me abrir para o amor de Deus, e este fluir para intimidade do meu ser através da minha predisposição. Então sinto repentinamente, através do meu ferimento, apesar de tudo, uma profunda paz interior. A ferida não pára de doer, mas eu deixo de ficar revolvendo-a. Nela eu sinto que sou aceite e amado por Deus. Isto transforma a dor de quem está ferido na dor de quem é amado, que é mais leve de suportar. Neste sentido, as feridas tornam-se lugar de experiência divina.»

 

Anselm Grün, em "Abra seu coração para o amor", in Abrigo dos Sábios.


26
Mai 11
publicado por mpgpadre, às 11:02link do post | comentar |  O que é?

Sofrimento

       Quando se aproxima, logo duvidamos do seu amor. Nesta sociedade que a todo o custo se esforça para não se esforçar, procurando o mais fácil, o que não dê muito trabalho e incomode pouco, o sofrimento já não é compreensível. E, em certa medida, é positivo. Devemos lutar contra o mal e contra o sofrimento.

       No entanto, este muitas vezes carrega o esforço, o amor, a dedicação, a ternura a pessoas ou a projectos.

       Aferimos daqui que o sofrimento pode ser tomado em dois sentidos antagónicos. Como condenação, quando nos aprisiona, nos subjuga, como fonte de desespero, de fuga e de demissão. Como redenção, quando se acolhe na sua inevitabilidade, quando e sempre que nos aproxima dos outros, seja nas situações em que solicitamos os outros, seja quando nos solicitam a pedir compreensão e ajuda. É redentor quando é oferecido pelo outro, como Cristo por nós, como as mães pelos filhos. O sofrimento de Nossa Senhora, até à cruz, exprime amor e oblação. Os sofrimentos de Jesus Cristo traduzem um amor sem medida pela humanidade.

Medo

       Diante dos sofrimentos vividos, dos desencontros, dos amores destruídos, dos desertos interiores, poderemos facilmente ser lavados ao medo. Podem ser medos por antecipação ou por desilusão. O medo do futuro, de ficar sozinho, da solidão, de falhar um projecto ou uma relação, o medo de ser criticado ou rejeitado. Ou o medo de arriscar de novo, de confiar naquela pessoa ou naquela instituição que nos deixou na mão, às vezes o medo de ser feliz por anteciparmos um sofrimento posterior.

 

       Jesus ensina-nos um outro caminho, o da

Esperança

       Sendo testado pelo sofrimento, pelo sacrifício, pela doação, Jesus mostrou-se sempre confiante na presença de Deus Pai nas suas palavras e nos seus gestos. Quando a desilusão advinha, pelas incompreensões, pelos mal-entendidos, pelo cansaço, Jesus retirava-se em oração para Se reencontrar e reencontrar o Pai.

       Por vezes, o grito do jardim das oliveiras era lancinante: “Abbá, Pai, tudo Te é possível, afasta de mim este cálice!” Mas recobrando ânimo logo se colocava no coração do Pai: “Mas não se faça o que Eu quero, e sim o que Tu queres” (Mc 14,36).

       É força que comunica aos seus discípulos: “No mundo tereis tribulações, mas tende confiança: Eu já venci o mundo!” (Jo 16, 33).

        Por conseguinte, na

Ressurreição

       Deus confirma o projecto de Jesus. Ao lugar do vazio, da morte e do sepulcro, sucede a alegria do encontro e da vida. A morte não tem a última palavra. A última palavra é do amor, é da vida, é de Deus.

       Consequentemente, como crentes cristãos, devemos sentir-nos ressuscitados/salvos com Jesus Cristo e comprometermo-nos com os outros e com o mundo, animados pela Esperança de Deus.

 

Editorial Voz Jovem, n.º 76, Maio 2006


22
Abr 11
publicado por mpgpadre, às 10:49link do post | comentar |  O que é?

       Hoje, em toda a Igreja, se celebra a Paixão de Cristo, do processo que o conduz à Cruz, do horto da agonia ao desespero do abandono e da traição, com momentos extraordinariamente sofríveis. O filme de Mel Gibson, a Paixão Cristo, ilustra bem as horas de agonia, de sofrimento atroz. Nos filmes tradicionais estávamos habituados a um certo "romantismo", em que o o rosto de Cristo aparecia "lavado", sem marcas de ser esbofeteado, ou melhor, esmurrado, e assim também o corpo. Este filme mostra explicitamente o que terão sido as últimas horas de Jesus Cristo.


28
Fev 11
publicado por mpgpadre, às 10:44link do post | comentar |  O que é?

       As mensagens de Nosso Senhor Jesus Cristo são tão ricas que dão margem a várias reflexões, com as quais podemos mudar e melhorar a nossa vida. Muitas vezes, nós nos lastimamos pelos nossos sofrimentos, quando deveríamos enfrentá-los, com coragem e paciência, na esperança de dias melhores. O pobre da parábola contada no Evangelho de São Lucas (16, 91-31) sofria, mas se contentava com as migalhas que caíam da mesa do rico. No entanto, ao morrer, “foi levado pelos anjos ao seio de Abraão”.

       O seu mérito não foi ser pobre, mas enfrentar sua vida de sofrimentos com galhardia e paciência, sem revolta.

       Ninguém gosta de sofrimento, mas ele acontece para todos. Jesus Cristo suou sangue ao pensar no sofrimento que O esperava, mas o enfrentou com coragem, paciência e amor. A Ressurreição do Senhor é uma prova de que o sofrimento, aqui na terra, é efêmero e o que importa é a abertura de nosso coração para Deus e Seus desígnios e para o nosso irmão, a fim de que possamos dar-lhe a mão e, juntos, vencer as dores, os sofrimentos e os obstáculos que surgem em nossa vida e na vida do outro.

       A dor lava a nossa alma do pecado, assim como a pedra preciosa cintila cada vez mais bela quando é burilada e fica livre das impurezas. Conhecemos vários exemplos, na vida dos santos de Deus e até no nosso quotidiano, de que o sofrimento nos enobrece, nos torna mais fortes, firmes e seguros “como o cedro do Líbano”.

       O Cristo afirma que fazer de nossas dificuldades um muro de lamentações não melhora a situação nem nos mostra caminhos melhores. Devemos enfrentar nossas dores como se elas fossem um trampolim para um amor maior; abraçar a nossa cruz com carinho e energia pode nos levar a dias de felicidade e à esperança de nossa ressurreição com Cristo Jesus.

 

Pe. Wagner Augusto Portugal in Canção Nova, via Mar com Sabor a Canela.


21
Fev 11
publicado por mpgpadre, às 10:20link do post | comentar |  O que é?

       Esta é uma proposta excelente, mais uma, em que a música nos é oferecida com um excelente diaporama, com imagens e efeitos belíssimos, de tal forma que as palavras e a musicalidade ganham cor, forma, tornam-se extremamaente expressivas. O trabalho deve-se a Arménio Rodrigues, com o blogue Faz-te ao Largo:


05
Fev 11
publicado por mpgpadre, às 10:19link do post | comentar |  O que é?


04
Nov 10
publicado por mpgpadre, às 10:13link do post | comentar |  O que é?

(Este texto não é da nossa autoria, mas é belíssimo. Guardámo-lo para estes dias em que celebramos Todos os Santos e os Fiéis Defuntos, no dia 1 e 2 de Novembro, respectivamente, e neste mês, conhecido como o mês das almas, e em que falamos de fé, na morte, na vida, na ressurreição, na vida eterna):

 

       A vida é preciosa e quando a vivemos com Fé, com alegria e conscientes de que ela tem continuidade, e tem sentido, aceitamo-la em todas as suas fases com tranquilidade e com naturalidade.

       Ela é para assim dizer uma peça de teatro em que cada pessoa é a figura principal: dividida em vários actos, uns alegres, outros mais violentos e mais dramáticos, mais tristes; mas todos fazem parte dessa mesma vida: em suma uma história... e finalmente, seja qual for o conteúdo, o fim é sempre o mesmo...Acabou, morreu, faleceu, ou para não ser tão doloroso diz-se partiu.

       Eu gosto mais deste termo “partiu”, dá-me como que uma sensação de viagem.

       Lembro-me, de que quando trabalhava em cuidados paliativos com os doentes da Sida., um dia, um deles andava numa azafama terrível à procura dos papéis de identidade porque, dizia ele, que ia partir no dia seguinte e queria ter tudo em ordem, claro que não era o caso da alta, fez as malas e despediu-se de nós e de noite ele partiu, (morreu).

       Quando cheguei de manhã vi a cama vazia...

 

       Cada um tenta gerir o sofrimento e a dor conforme pode... claro que não é fácil aceitar a morte de alguém que fez parte da nossa vida, da nossa infância, sim isso dói, porque a presença física vai faltar, e também porque a morte dos outros, nossos próximos é o espelho da nossa própria morte, mas dentro de nós fica toda a história toda a recordação, toda a saudade e mais que isso, a Promessa da Eternidade.

Impressiona-me muito ouvir frases como estas ao leito do moribundo:

“Somos pouca coisa”.

“Ao que nós chegámos”

“A vida é isto”

“Não podemos escapar”

Mas há também outras frases que nos ficam no ouvido:

"Que sossego”

“Parece que está a dormir”

“Que repouso”

“Parece que está a sorrir”

“Deus está com ele, ela”

E ainda outras frases:

“Para quê estar aqui?”

“De que vale toda a sua fortuna?”

“Morreu como todos”

       Todas estas frases têm sentido e são o sentir da nossa percepção da morte

       Muitas vezes quereríamos estar mais presentes, falar com eles mas isso não é possível, porque a distância é grande, ou porque fomos alertados na última hora,

       Outras vezes os nossos medos, recusando o processo de morrer incomoda-nos de tal modo que preferimos ficar á distância.

       Na quarta-feira telefonaram-me a dizer que a minha tia estava em cuidados paliativos Que estava em coma, eu e o meu marido deslocámo-nos 300 km e fomos despedir-nos.

       Estivemos umas duas horas com ela, ela já não falava mas de vez em quando abria os olhitos, sinal de que ia estando connosco, falámos dos belos tempos e ainda sorrimos.

       Todos íamos tocando nas suas mãos e nos seus braços com paz e tranquilidade, ela estava calma, estava com tranquilizantes, mas a nossa paz interior também ajudava muito.

       Ela não falava, mas enquanto estive ali sentada ao lado dela vivi tanta coisa linda... “os últimos instantes”.

       Os familiares mais chegados estavam lá, falamos de coisas banais, da aldeia, dos netos dela e de outros familiares. Fiquei muito feliz de ter estado com ela ainda em vida.

       Quando me despedi, disse-lhe Adeus disse-lhe que não tivesse medo, ela faleceu pela manhã.

       Foi um novo amanhecer... A vida continua.

       A morte é apenas o cortinado que foi fechado neste último acto.


23
Set 10
publicado por mpgpadre, às 15:39link do post | comentar |  O que é?

      "É tão breve o nosso tempo, é tão volátil, tão definitivamente passado, que ninguém sabe o tamanho do futuro e, mesmo que tenha muitos anos, será breve para gozar o esplendor da felicidade construída, pois ela devora o tempo e, quando se esfuma, já não há tempo para recomeçar outra vez"

 

       "... aprendemos que a felicidade se constrói, não se recebe, que o amor não é uma fantasia de conto de fadas, mas a entrega absoluta à arte de erguer, na comunhão das nossas energias, a felicidade de muitos por mais tempo do que o tempo efémero dos que foram felizes para sempre...

 

       "A felicidade é um combate, uma necessidade que exige trabalho, que nos põe à prova, que nos desafia, que se contrói e desconstrói, que se exalta, fervilha e logo desaparece, como se fosse um suspiro. Descobri, afinal, que amar não é a entrega egoísta ao outro. Ninguém é feliz no egoísmo. Ninguém ama uma só pessoa, uma só paisagem, uma só árvore. É grande o espaço que sobra para o sofrimento..."

 

       "O sofrimento tem uma virtude. Ensina-nos a saborear os momentos mais felizes, ensina-nos a procurar a felicidade, afastando-nos dele. Ninguém quer sofrer, todos os homens e mulheres aspiram à felicidade. Ninguém quer sobreviver apenas à tragédia e à mágoa. O nosso pranto perante a morte daqueles que amámos não é suficiente para que a felicidade possa ser o outro lado do sofrimento. Assim como o amor não é o inverso do ódio, nem a paz a parte contrária da guerra..."

 

MOITA FLORES, Mataram o Sidónio! Casa das Letras: 2010.


15
Set 10
publicado por mpgpadre, às 10:31link do post | comentar |  O que é?

       O nono e último dia da novena de preparação para a festa/romaria de Santa Eufémia, coincide com a memória de Nossa Senhora das Dores. Se Nossa Senhora esteve sujeita a diversas DORES por amor a Jesus Cristo, também a vida de Santa Eufémia é marcada pela dor e sofrimento, por ver os cristãos a serem torturados e mortos, sendo também ela sujeita a diversos tipos de tortura e ao martírio.

Para aprofundar a reflexão deste dia:


11
Set 10
publicado por mpgpadre, às 10:41link do post | comentar |  O que é?

       Quando passa mais um aniversário sobre os atentados das torres gémeas, nos EUA, a reflexão da novena em honra de Santa Eufémia centra-se no respeito pelos outros, contra o preconceito e a intolerância. Aí ficam as pistas de reflexão:


09
Mar 10
publicado por mpgpadre, às 10:14link do post | comentar |  O que é?

       Bento XVI visitou este Domingo a paróquia romana de São João da Cruz, num dia em que repetiu apelos para não se considerar as tragédias humanas como um castigo divino.

       Tanto na homilia da Missa a que presidiu de manhã como na alocução do meio-dia, da janela dos seus aposentos, antes do Angelus, Bento XVI comentou uma passagem do Evangelho, em que Jesus se vê interpelado sobre a morte de várias pessoas em circunstâncias trágicas.

       “Perante a apressada conclusão de considerar o mal como efeito da punição divina, Jesus restitui a verdadeira imagem de Deus que é bom e não pode querer o mal, advertindo sobre a tendência a pensar que as desgraças são o efeito imediato de culpas pessoas daqueles a quem acontecem”, disse Bento XVI

       O Papa frisou que Jesus convida a fazer uma diferente “leitura” desses factos, colocando-os na perspectiva da conversão: “as desventuras, os acontecimentos funestos, não devem suscitar em nós curiosidade ou a busca de alegados culpados, mas devem antes constituir ocasiões para reflectir, para vencer a ilusão de poder viver sem Deus, e para reforçar, com a ajuda do Senhor, o empenho de mudar de vida”.

       “Perante o pecado, Deus revela-se cheio de misericórdia e não cessa de chamar de novo os pecadores a evitarem o mal, a crescerem no seu amor e a ajudarem concretamente o pobre desamparado, para viverem a alegria da graça. Mas a possibilidade de conversão exige que aprendamos a ler os factos da vida na perspectiva da fé, isto é, animados pelo santo temor de Deus”, prosseguiu.

       Bento XVI assinalou que “perante sofrimentos e lutos, é autêntica sabedoria deixar-se interpelar pela precariedade da existência e ler a história humana com os olhos de Deus, o qual, querendo sempre e só o bem dos seus filhos, por um desígnio imperscrutável do seu amor, por vezes permite que sejam provados pelo sofrimento para os conduzir a um bem maior”.

       ... “É precisamente o fechar-se ao Senhor, o não percorrer o caminho da conversão de si próprio, o que leva à morte, à morte da alma. Na Quaresma, cada um de nós é convidado por Deus a imprimir uma viragem à sua existência, pensando e vivendo segundo o Evangelho, corrigindo alguma coisa no próprio modo de rezar, de agir, de trabalhar e nas relações com os outros”, apontou.

       ... Numa das últimas intervenções do seu dia, Bento XVI falou aos peregrinos portugueses presentes desta vez na Praça de São Pedro: “Saúdo cordialmente a todos os peregrinos de língua portuguesa, de modo particular aos fiéis paroquianos de Santo António de Nova Oeiras, no Patriarcado de Lisboa, desejando que esta vinda a Roma vos confirme na fé e na necessidade de a transmitir aos outros, porque é dando a fé que ela se fortalece. A Santíssima Virgem guie maternalmente os vossos passos. Acompanho estes votos, com a minha Bênção Apostólica”.

Leia a Notícia completa na Agência Ecclesia.


25
Fev 10
publicado por mpgpadre, às 11:06link do post | comentar |  O que é?

       Há pessoas que na doença descobrem o gosto de viver e se tornam mais saudáveis na convivência com os outros e na atitude diante das dificuldades. Há pessoas que são têm saúde, e tem os meios para viverem comodamente, mas têm atitudes doentias.

       Este é o testemunho de alguém que após a descoberta que tinha cancro, mudou a atitude perante a vida. Mais uma lição de vida:

 Podem aumentar a imagem, cliando na palavra "Full".


22
Jan 10
publicado por mpgpadre, às 18:01link do post | comentar |  O que é?

       Port-au-prince, a capital do Haiti, foi severamente atingida pelo sismo. Aqui vêem-se três jovens a reparar dos destroços da Catedral. No meio do entulho, a CRUZ está de pé, imponente, silenciosa, presente...


11
Dez 09
publicado por mpgpadre, às 09:41link do post | comentar |  O que é?

       Eu andava por um caminho atapetado da relva, e de repente ouvi uma voz atrás de mim: “Olha para ver se me reconheces!”
       Voltei-me, olhei para ela, e disse: “Não consigo me lembrar do teu nome!”
       Ela continuou: “Eu sou a primeira grande Dor que tiveste quando jovem”.
       Os olhos dela pareciam a manhã em que o orvalho ainda paira no ar.
       Fiquei em silêncio algum tempo, e depois lhe perguntei: “Perdeste aquele imenso fardo de lágrimas?”
       Ela sorriu, sem responder, e eu compreendi que as suas lágrimas haviam tido Tempo de aprender a linguagem do sorriso. Depois, suspirando, acrescentou:
       “Certa vez disseste que irias acariciar a tua tristeza para sempre...”
       Corando, eu respondi: “Sim, mas passaram-se anos e acabei esquecendo”.
       Então eu tomei as mãos dela nas minhas, e lhe disse: “Mas também tu mudaste muito”.
       Ela respondeu: “O que antes era sofrimento, agora se transformou em paz".

  

Rabindranath Tagore, em "Livro Estesia"
Postado a partir de Abrigo dos Sábios.


30
Out 09
publicado por mpgpadre, às 17:47link do post | comentar |  O que é?

       1 – Nasce a 3 de janeiro de 1840, em Tremeloo, na Bélgica, e os pais colocam-lhe o nome de José de Veuster. É o sétimo de oito filhos, de uma família de camponeses, pequenos proprietários, dedicando-se à agricultura e à pecuária. É uma família profundamente católica. Duas irmãs de Damião tornam-se religiosas e o irmão mais velho, Pânfilo, sacerdote dos Sagrados Corações de Jesus e de Maria (ss.cc.). 

       José segue, na vocação, o irmãos mais velho. Torna-se irmão dos ss.cc., com 18 anos, depois de uma luta acérrima com o latim e com o francês.

       O seu desejo é imitar São Francisco Xavier e tornar-se missionário em terras distantes. A ocasião surge quando o irmão, que ia para o Pacífico Sul, adoece. Imediatamente Damião se oferece para o substituir. Começa a sua saga de missionário.

 

       2 – A Congregação para a Propagação da Fé encarregou os missionários do ss.cc.; padres e irmãos, das Ilhas Sandwich, conjunto de ilhas que formam o arquipélago do Hawai. A primeira tarefa de Damião, o nome escolhido desde o noviciado, em 2 de fevereiro de 1859, foi aprender a língua kanaca e adaptar-se ao clima e aos costumes. Tarefa fácil para o entusiasmo do jovem missionário.

       Chega a Honolulu a 9 de novembro de 1863. No dia 21 de maio, do ano seguinte, 1864, é ordenado sacerdote e, em 24 de julho, segue para a Missão de Puna.

 

       3 – Junto dos canacas, os naturais destas ilhas, apresentou-se como o enviado de Jesus, Nosso Senhor, crucificado há muitas luas para salvar todos os homens. Substitui o padre Eustáquio.

       Encontra cerca de 10 católicos. A maioria são adoradores da Pele, deusa dos vulcões, e Maui, deus do fogo. Colhe as informações devidas, na aldeia de Kanopupu. Come e descansa na casa do catequista da aldeia, Oahu. No dia seguinte, coloca quatro estacas, onde edificará uma igreja. Por cima das estacas uma tábua que servirá de altar. Celebra missa para a meia dúzia de católicos.

       Vê entre os arbustos o primeiro leproso. Não descansa enquanto não o encontra, apesar dos conselhos em contrário. Passa a ser uma visita assídua na sua palhota, até que o leproso morre.

       Visita as várias paróquias, fala com os católicos, vê muitos protestantes aproximarem-se do catolicismo, batiza os catecúmenos, deixa catequistas, constrói igrejas, luta silenciosamente com o poder dos feiticeiros que o consideram inimigo.

 

       4 – É padre, carpinteiro, médico, enfermeiro, arquiteto. Faz o que é preciso. Em Kanopupu surge uma segunda pessoa com lepra. Uma bailarina. O marido escolhe expulsá-la, para não se contaminar e não contaminar os filhos. Damião faz tudo para a encontrar e socorrê-la. Em vão. Ou toda a família abandonava a aldeia, ou a que estivesse com sinais de lepra era expulsa.

       Posteriormente surge o degredo na ilha de Malokai.

       Entretanto troca com o padre Clemente. Deixa o distrito de Puna e vai tomar conta do distrito Kohala, fixando residência em Mahukona, onde o padre Eustáquio deixara uma bela igreja e uma comunidade afável e recetiva. Vai ter tempo para construir mais igrejas, em outras comunidades e de novo se deparar com o flagelo da lepra. Na casa paroquial tem dois retratos: São Francisco Xavier e Santo Cura d’Ars.

 

       5 – O bispo Monsenhor Maigret, Vigário do Pacífico, manifesta uma enorme vontade de enviar um missionário para Malokai, a ilha para onde são deportados todos os leprosos, arrancados às famílias. O Padre Damião oferece-se como voluntário. Em 1873 chega a Kalawao, aldeia de Malokai. E aí permanece 12 anos, morrendo com 49 anos de idade, leproso, em sofrimento, no dia 15 de abril de 1889.

       Em 3 de junho de 1995, é beatificado por João Paulo II e considerado Servo da Humanidade e, no dia 11 de outubro de 2009, é canonizado por Bento XVI.

 

Extraído do Boletim Voz Jovem, Outubro 2009

O boletim sairá em formato de papel, mas pode ser lido em: 

Formato PDF


24
Out 09
publicado por mpgpadre, às 15:10link do post | comentar |  O que é?

Clique na imagem e saiba mais sobre este livro/biografia do Apóstolo dos Leprosos.


13
Out 09
publicado por mpgpadre, às 10:22link do post | comentar |  O que é?


15
Set 09
publicado por mpgpadre, às 12:08link do post | comentar |  O que é?

        Completamos hoje a novena em honra de Santa Eufémia.

       Procurámos que estes dias fossem de reflexão, deixando-nos envolver pelo testemunho de vida de Santa Eufémia, na procura, como ela, de sermos cada dia mais fiéis à palavra de Deus, procurando em todas as horas imitar Jesus Cristo, na caridade e no perdão.

       Hoje celebramos, em toda a Igreja, a memória de Nossa Senhora das Dores.

       Nossa Senhora experimenta, como muitas mulheres e mães, o sofrimento inaudível por ver que o filho sofre mas nada pode fazer para aliviar essas dores. A espada trespassa o coração de Maria, vendo o filho apelidado de louco, de blasfemo, de falso profeta, de revolucionário político. Vê-O maltratado, açoitado, injuriado, vê-O crucificar e a morrer. Contempla-O nos seus braços já morto. Quanta dor e quanto sofrimento desta Mãe.

       Não deve haver dor tão grande como daquela Mãe que vê o Filho partir sem nada poder fazer!

       Eufémia experimenta uma dor, que se transforma em sofrimento, diferente, mas pelo mesmo amor a Jesus Cristo.

       Recusando negar a sua FÉ em Jesus Cristo, como seu Deus e Senhor, é presa, torturada e morta. Mas, segundo os relatos que chegaram até nós, não vacila, antes pelo contrário, sabendo qual será o desfecho, quer apressar esse momento para logo chegar junto de Deus e poder vê-l'O face a face.

       "Sejamos também nós perseverantes, como Maria, a Senhora das Dores, e como Santa Eufémia, e não deixemos de viver de acordo com o Evangelho na fidelidade constante a Jesus Cristo e ao Seu mandamento de amor" (Santa Eufémia. Virgem e Mártir. Pinheiros: 2009)


30
Abr 08
publicado por mpgpadre, às 18:05link do post | comentar |  O que é?


"Definitivo

Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.

Sofremos por quê?
Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado
e passamos a sofrer pelas nossas projecções irrealizadas,
por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido
ao lado do nosso amor e não conhecemos,
por todos os filhos que gostaríamos de ter
tido junto e não tivemos,
por todos os shows e livros e silêncios que
gostaríamos de ter compartilhado,
e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.
 
Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante
e paga pouco,
mas por todas as horas livres
que deixamos de ter para ir ao cinema,
para conversar com um amigo, para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe é impaciente convosco,
mas por todos os momentos
em que poderíamos estar confidenciando a ela
as nossas mais profundas angústias
se ela estivesse interessada em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu,
mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos,
mas porque o futuro está sendo
confiscado de nós,
impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos
e nunca chegamos a experimentar.

Por que sofremos tanto por amor?
O certo seria a gente não sofrer,
apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana,
que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez
companhia por um tempo razoável, um tempo feliz.

Como aliviar a dor do que não foi vivido?
A resposta é simples como um verso:

Se iludindo menos e vivendo mais!
A cada dia que vivo,
mais me convenço de que o desperdício da vida
está no amor que não damos, nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca,
e que, esquivando-se do
sofrimento, perdemos também a felicidade.
A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional..."


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