...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...
22
Jul 17
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

1 – «O reino dos Céus pode comparar-se a um homem que semeou boa semente no seu campo».

A parábola do trigo e do joio tem pontos de contacto com a de domingo passado: a semente é lançada com a certeza que a terra produzirá. Tal como a chuva e a neve que caem do céu à terra e não regressam sem terem surtido efeito, também a palavra de Deus, a semente em nós semeada, há de produzir abundantemente. Essa é a vontade de Deus, que toma a iniciativa, que confia em nós, que nos conhece e nos sabe frágeis mas capazes de sermos terra trabalhada. Deus é um Deus clemente e compassivo, paciente e cheio de misericórdia. Ele espera e confia. Uma e outra vez. Deixa que o tempo nos amadureça. Age assim connosco, para que, com Ele, aprendamos a agir uns com os outros: cuidando, esperando pacientemente, confiando.

A semente lançada à terra é boa semente. Vem de Deus. Logo tem tudo para frutificar. Mas não basta a semente ser boa, as condições podem ditar a dimensão e a qualidade dos frutos.

Os servos querem cortar o mal pela raiz. Por vezes também somos assim. Queremos rapidamente eliminar todo o mal. Como diz o velho aforismo, corremos o risco de deitar fora juntamente a água suja e o bebé que está lá dentro. Ou, numa outra imagem também feliz, a árvore que está à nossa frente pode impedir-nos de ver toda a floresta! Algum distanciamento, algum cuidado e perseverança pode ajudar-nos a acolher o bem que existe nos outros. Daí o velho conselho: o travesseiro é o melhor conselheiro! Dormir sobre o assunto. Pensar e repensar! Contar até 20! A pressa é inimiga da perfeição!

parabola_joio_trigo.jpg

2 – «O reino dos Céus pode comparar-se ao grão de mostarda que um homem tomou e semeou no seu campo. Sendo a menor de todas as sementes, depois de crescer, é a maior de todas as plantas da horta… as aves do céu vêm abrigar-se nos seus ramos».

Nesta parábola sobrevém a confiança em Deus. Deus vela pela humanidade, pelo mundo. A pequena semente parece não ter a dureza, a grandeza e o aspeto para sobreviver. Quantas as situações da vida em que a esperança se tornou um minúsculo grão de nada ou de pouca coisa?! Mas desistir não é o caminho. O caminho é persistir. Enquanto há vida há esperança. Por vezes não é fácil. Nada fácil. Parece que o mundo inteiro está contra nós! Mas fazemos das tripas coração e das fraquezas forças para prosseguir. Deus segue connosco, solidário com as mazelas que vamos experimentando.

 

3 – «O reino dos Céus pode comparar-se ao fermento que uma mulher toma e mistura em três medidas de farinha, até ficar tudo levedado».

Ser fermento que leveda a massa, testemunhar a fé, transparecer Jesus Cristo, viver como quem se gasta a favor do outro, a favor de todos, como Jesus Cristo, a favor da humanidade inteira.

Perguntavam à Madre Teresa de Calcutá como seria possível "converter" e transformar o mundo! Como pretendia fazê-lo sozinha? Sozinha não, com Cristo, por Cristo. Eu e tu, somos dois! Soma quem tens em casa e eu somo quem tenho em casa, seremos quatro, seis, dez, vinte, cem, mil! Grão a grão enche a galinha o papo. Faz pelo menos a tua parte!


Textos para a Eucaristia (ano A): Sab 12, 13. 16-19; Sl 85 (86); Rom 8, 26-27; Mt 13, 24-43.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE


13
Jun 15
publicado por mpgpadre, às 18:16link do post | comentar |  O que é?

1 – A vida sempre nos escapa no seu admirável mistério.

Não é possível controlar todos os movimentos da vida. Podemos levar uma vida certinha, alimentar-nos de forma saudável, praticarmos desporto, tentarmos que os sentimentos não nos traiam nem nos levem por caminhos que previamente não escolhemos e, de repente, uma situação inesperada altera a nossa vida, uma doença, a morte de um familiar, mudança no trabalho, uma palavra ou um gesto que nos magoou! No lado oposto, deixarmo-nos levar como as folhas de outono pelo vento e, então, qualquer brisa nos despedaçará.

O equilíbrio é um caminho possível para absorver a beleza e a alegria da vida.

A vida, em definitivo, não se escreve a preto e branco. Saber para onde caminhamos, saber o chão que pisamos e o que nos faz viver, poderá ser importante para acolhermos as surpresas da vida! Importa que sejamos suficientemente maleáveis para lidar com situações adversas, convictos que nunca estamos preparados para tudo.

Não nos deixemos paralisar com o medo do futuro, com aquilo que virá, de bom ou de mau. Vivamos hoje com toda a garra que nos é possível. Se esperamos pelas possibilidades de amanhã poderemos nunca viver as realidades de hoje .

Para os cristãos há uma segurança definitiva: Deus.

A confiança pressupõe uma dose de abandono, exigindo, por vezes, fazer como a criança quando se lança para os braços do pai ou da mãe, confiando que vai ficar seguro…

parabola do grao de mostarda.jpg

2 – As parábolas de Jesus mostram uma profunda certeza: Deus cria e recria o mundo constantemente, mesmo quando tudo parece silencioso, inócuo, sem movimento.

«O reino de Deus é como um homem que lançou a semente à terra. Dorme e levanta-se, noite e dia, enquanto a semente germina e cresce, sem ele saber como…

É como um grão de mostarda, que, ao ser semeado na terra, é a menor de todas as sementes que há sobre a terra; mas, depois de semeado, começa a crescer e torna-se a maior de todas as plantas da horta…»

O reino de Deus não é fruto do ocaso. Na primeira parábola, a semente lançada à terra, noite e dia vai produzindo o seu efeito sem intervenção humana, desponta, desabrocha da terra, cresce, produz a espiga e depois o trigo maduro. Assim o mundo se mantém apesar de tudo, da noite e do dia, das violências e das guerras. Deus tudo sustenta. Ele dá-nos a semente (a Palavra de Deus), o campo (o mundo, as pessoas) e o fruto (todo o bem que se possa realizar)! Mas conta connosco. Para preparar a terra, lançar a semente, vigiar para que os pássaros ou outros animais não destruam a sementeira, arrancar algumas ervas daninhas quando ainda é possível sem arrancar também o trigo (cf. Mt 13, 24-30) sobretudo o trabalho da ceifa e da colheita. Deus conta comigo e contigo, conta connosco, para construir com mais amor a família de Deus.

A segunda parábola explicita a esperança. O que é pequeno ao nosso olhar, em Deus tornar-se-á abundante, imenso, maior.

 

3 – A vida sem Deus é nada, o nada com Deus é tudo. Em alternativa, o vazio, o acaso, as coincidências e os destinos, o mundo que nos controla, nos sujeita e nos absorve, aniquilando a nossa memória, a nossa vida por inteiro. Caímos à terra e nada mais. Tornamo-nos pó. Pó somente. E por mais romântico que possa parecer, apelando para a nossa humildade ou indigência, ninguém quer ser apenas pó, desaparecendo para sempre, até da memória dos entes queridos, pois também os que perdurarem hão perecer e com eles desaparecerá qualquer vestígio da nossa existência... fiquem árvores ou filhos ou livros, mas nós não ficaremos. Nada de nós sobrevirá à nossa morte!

Só Deus garante que não seremos apenas pó, ainda que do pó nos tenha chamado à vida, com o Seu Espírito. Voltaremos à terra, mas em Deus não ficaremos enterrados, esquecidos, abandonados aos bichinhos. Como a Jesus, Deus ressuscitar-nos-á, fará surgir um rebento novo, nova vida.

_______________________

Textos para a Eucaristia (B): Ez 17, 22-24; Sl 91 (92); 2 Cor 5, 6-10; Mc 4, 26-34.

 

Reflexão Domincial COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso blogue CARITAS IN VERITATE.


12
Jul 14
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – «Saiu o semeador a semear. Quando semeava, caíram algumas sementes ao longo do caminho: vieram as aves e comeram-nas. Outras caíram em sítios pedregosos, onde não havia muita terra, e logo nasceram, porque a terra era pouco profunda; mas depois de nascer o sol, queimaram-se e secaram, por não terem raiz. Outras caíram entre espinhos e os espinhos cresceram e afogaram-nas. Outras caíram em boa terra e deram fruto: umas, cem; outras, sessenta; outras, trinta por um».

       Depois da intervenção de Jesus, os discípulos interrogam-n’O sobre a opção de falar em parábolas. A troca de palavras é um desafio à escuta atenta e à disponibilidade para viver segundo a Palavra de Deus. Os ouvidos endurecidos daquele Povo, e de todos os povos, impedem de ouvir.

Por outro lado, Jesus sublinha também o facto de aos discípulos ter sido dado a graça de contemplar o mistério de Deus, há tanto desejado pelos profetas, a presença de Deus no meio do povo e da história.

       2 – Antes de qualquer interpretação, a explicação de Jesus: «Quando um homem ouve a palavra do reino e não a compreende, vem o Maligno e arrebata o que foi semeado no seu coração. Este é o que recebeu a semente ao longo do caminho. Aquele que recebeu a semente em sítios pedregosos é o que ouve a palavra e a acolhe de momento com alegria, mas não tem raiz em si mesmo, porque é inconstante, e, ao chegar a tribulação ou a perseguição por causa da palavra, sucumbe logo. Aquele que recebeu a semente entre espinhos é o que ouve a palavra, mas os cuidados deste mundo e a sedução da riqueza sufocam a palavra, que assim não dá fruto. E aquele que recebeu a palavra em boa terra é o que ouve a palavra e a compreende. Esse dá fruto e produz ora cem, ora sessenta, ora trinta por um».

       Como acontece em outras parábolas, o significado parece dividir os bons e os maus, os pobres e os arrogantes, os ouvintes e os indiferentes à Palavra de Deus. Porém, quando Jesus fala dirige-se a todos. E todos somos chamados a escutar e a levar à prática as Suas palavras. Somos discípulos. Engrossamos a multidão.

       Ao longo da vida, ora entusiasmados com a Palavra de Deus, sem alteramos a nossa vida; ora desatentos, porque andamos preocupados com muitas coisas. O ideal é que sejamos terra fértil em que a palavra de Deus frutifique. Ponhamos os talentos a render. Guardar os dons, atrofia-nos, deixa-nos raquíticos. Limitamos a vida ao mínimo e Jesus chama-nos à abundância.

 

       3 – A vida ensina-nos a não ser ingénuos. E muito bem!? A ingenuidade faz-nos agir antes de pensar. Com o passar do tempo, dizemos, aprendemos, tornamo-nos mais inteligentes e mais sábios. Já não nos deixamos enganar com a mesma facilidade. Afastamos as pessoas com mais destreza, mantendo-as fora dos nossos afetos. Não nos magoamos do mesmo jeito, temperamos emoções e sentimentos.

       A sabedoria faz-nos ultrapassar a ingenuidade, mas destrói também o nosso altruísmo e generosidade. Pouco a pouco tornamo-nos cínicos. O medo de sermos enganados e de que gozem com a nossa boa vontade, levar-nos-á a ser cautelosos e calculistas. Obviamente que a vida não é branco e preto: uma descrição não encaixa em todos!

       Quem anda à chuva molha-se. Se a escolha é ficar em casa, na sua concha, então não se molha mas também não experimenta a densidade da chuva, ou como sabe bem chapinhar na água, ou apreciar o sol a enxugar a nossa roupa ensopada!

       Refere o Apóstolo, na segunda leitura, vivemos na certeza da eternidade de Deus, que não anula a nossa fragilidade e pertença ao mundo histórico e temporal. "Os sofrimentos do tempo presente não têm comparação com a glória que se há de manifestar em nós... Sabemos que toda a criatura geme ainda agora e sofre as dores da maternidade". Vivemos no mundo, porém, renovados pelo Espírito que nos impele para acolher o reino de Deus, expandindo-o à nossa volta.

       O Senhor Deus garante a Sua presença e ação no mundo. Cabe-nos criar as condições para que o fruto se multiplique. O reino de Deus avança pela força do amor de Deus. Embarcamos? Ou ficamos a ver a água a passar?


Textos para a Eucaristia (ano A): Is 55, 10-11; Sl 64 (65); Rom 8, 18-23; Mt 13, 1-23.

 

Reflexão dominical COMPLETO na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso blogue CARITAS IN VERITATE.


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