...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...
18
Dez 16
publicado por mpgpadre, às 09:00link do post | comentar |  O que é?

1 – O sonho comanda a vida. O Sonho é uma constante da vida. Sempre que o homem sonha, o mundo pula e avança (António Gedeão). Deus quer, o homem sonha e a obra nasce (Fernando Pessoa). A vida acaba quando o sonho acaba, quando já não há esperança, nem aquém nem além. Sonhos e projetos, confiança no futuro, promessa de eternidade a iniciar-se na história. A esperança é a última a morrer, faz-nos passar ao outro mar.

       Há pessoas que já há muito deixaram de sonhar. Dizem elas, como desabafo, como desilusão, mas com a réstia de esperança que o que desdizem afinal não se confirme. Para os adeptos de futebol, quando a equipa está a perder, até ao último minuto vivem num misto de realidade e esperança... ainda falta um minuto, alguém vai marcar! A vida é mesmo assim. É claro que muitas pessoas vivem voltadas para o passado e esquecem-se de viver o presente e projetar o futuro. Mas mesmo em situações mais extremas, a saudade do passado é a forma de se manterem vivas, sonhando/esperando que voltem esses tempos. Seria ótimo que a presença do passado as levasse a procurar apreciar e viver novas situações.

       Outros há, que sonham o tempo todo, sempre com ganas de viver, de sugerir, de projetar. Por vezes, colam-se apenas aos sonhos e esquecem-se que os sonhos precisam de ser concretizados no tempo e na história e não apenas projetados na mente. Há sonhos que nunca realizaremos mas que, ainda assim, nos puxam para a frente, para o futuro. Há o sonho de deixar marcas positivas no mundo. Mesmo aqueles que deixam marcas negativas é com o sonho de não serem esquecidos. Sonhamos a dormir e sonhamos acordados. Quando jovens sonhamos mudar o mundo. Quando entrados na idade, sonhamos que outros sonhem em mudar o mundo.

       José teve um sonho. Não foi um sonho qualquer. Foi um sonho para mudar o mundo, a história, a sua e a nossa, a história da humanidade. O sonho de José faz dele uma personagem importante para a história da salvação, Deus entre nós, Deus connosco. Não há que ter medo de sonhar. Os sonhos equilibram a mente, por um lado, e, por outro, ajudam-nos a levantar-nos cada dia com um sorriso.

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       2 – José teve um sonho. Outro José, noutro contexto, conhecido como José do Egipto, e antepassado de São José, tornou-se importante à custa dos sonhos que interpretou para o Faraó, ganhando relevância, o que lhe permitiu salvar a sua família e o seu povo da miséria. São José tem um sonho que, do mesmo modo, faz com que se assuma guardião da Família sagrada.

       São Mateus apresenta-nos o nascimento de Jesus, sublinhando o mistério de Deus que age em nós e através de nós. A Virgem Imaculada concebeu por virtude do Espírito Santo. José, tomando consciência da gravidez de Maria, sem que tivesse convivido com Ela, decide repudiá-la em segredo, evitando difamá-la e açambarcando com a responsabilidade. Ao fugir assumia-se por culpado de "desonrar" Maria e impedia que Ela fosse condenada e quem sabe apedrejada.

       Mas os nossos pensamentos nem sempre são os de Deus e as nossas decisões nem sempre são as mais justas, ainda que assim o julguemos. Deus, também aqui, impele a escrever a história de uma maneira nova. Em sonho, Deus envia o Seu Anjo que revela a missão que José há de assumir: «José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que nela se gerou é fruto do Espírito Santo. Ela dará à luz um Filho e tu pôr-Lhe-ás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados».

       O sonho altera a decisão de José, que recebe Maria por esposa, tornando-se o protetor da Sagrada Família, dando o nome a Jesus, assegurando que Maria e José terão um lar seguro e confortável para viver.

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       3 – O sonho vem de longe e a promessa também. A primeira leitura recorda-nos essa promessa feita ao povo eleito, através do rei Acaz, a quem Isaías desafia a pedir um sinal. Acaz não se sente confortável o suficiente para pedir um sinal ao Senhor, considerando uma tentação ou mesmo uma blasfémia. Quando pedem um sinal a Jesus, Este repreende-os por testarem a Deus, dizendo que é uma geração perversa, que não está atenta aos verdadeiros sinais nem ao tempo novo que está a emergir com a Sua vida.

       Agora, contudo, é o próprio Deus que sanciona o sinal. Isaías, em nome de Deus, diz a Acaz: «Escutai, casa de David: Não vos basta que andeis a molestar os homens para quererdes também molestar o meu Deus? Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: a virgem conceberá e dará à luz um filho e o seu nome será Emanuel».

       São Mateus, ao concluir o relato do sonho de São José, diz claramente que a promessa se cumpre agora. Logo que José desperta do sonho, age em conformidade com as palavras do Anjo do Senhor.

       O sonho é verdadeiramente importante se nos faz acordar e nos leva a agir. Por si mesmo, o sonho é pouco relevante se não tiver consequência, se não conduzir à mudança de vida. Os sonhos, com efeito, não são nem positivos nem negativos, mesmo que pareçam pesadelos. Quando muito fazem sobressair a necessidade da nossa mente ordenar o que pensamos, os conhecimentos que vamos armazenando ao longo da vida, as sensações e emoções que vivemos. Mas, havendo algum sonho a que demos mais importância, que seja para nos ajudar a melhorar a nossa vida e a vida dos irmãos.

       Do mesmo jeito, os sonhos, os projetos, as promessas, sejam um catalisador para nos envolver-nos na transformação positiva do mundo, empenhando-nos em transparecer e testemunhar a misericórdia de Deus, plenizada e encarnada em Jesus Cristo.

 

       4 – O Apóstolo Paulo, tal como São José, também foi surpreendido por Deus. As suas certezas e convicções são postas em causa com o surgimento de Deus na sua vida. A caminho de Damasco, em busca da verdade, Paulo é "apanhado" por Jesus e de perseguidor passa a seguidor.

       Em mais esta belíssima missiva, aos Romanos, o Apóstolo aponta para Jesus, que nasceu, segundo a carne, da descendência de David mas, segundo o Espírito, foi constituído Filho de Deus. A missão do Apóstolo é transparecer, testemunhar, anunciar Jesus Cristo, levá-l'O a todo o mundo, pregando o Evangelho da santidade, o mesmo é dizer, o Evangelho da caridade.

       A referência primeira, para o apóstolo, e para nós também, é a ressurreição de Jesus Cristo. Ele torna-Se para sempre o nosso Salvador. O Filho de Deus nasceu como um de nós, da nossa carne e dos nossos ossos, para nos ressuscitar para Deus, elevando-nos com Ele para a eternidade.

       A oração de coleta resume bem este mistério da nossa fé: "Infundi, Senhor, a vossa graça em nossas almas, para que nós, que pela anunciação do Anjo conhecemos a encarnação de Cristo, vosso Filho, pela sua paixão e morte na cruz alcancemos a glória da ressurreição".

       Pela oração predispomo-nos a acolher o sonho de Deus, o Seu projeto de amor, de vida nova, em que todos nos reconheçamos como irmãos e nos tratemos como tal.


Textos para a Eucaristia (A): Is 7, 10-14; Sl 23 (24); Rom 1, 1-7; Mt 1, 18-24.


02
Jan 16
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

1 – Todos os encontros podem deixar marcas em nós, mas contam verdadeiramente aqueles que nos tocam a alma e mudam a nossa vida. Se cada encontro pode influenciar-nos e enriquecer-nos, há aqueles que nos ajudam a ver a vida de um perspetiva diferente, a acreditar no amanhã, a depositar os nossos sonhos no futuro com esperança. Sentimos que chegamos a casa. Há estrelas que brilham no firmamento e nos atraiam para o melhor que a vida tem para nos dar.

Os Magos vêm de longe. Seguem com leveza e com pressa de chegar. É uma das características destes dias: Maria com pressa de chegar junto de Isabel; os pastores com pressa de chegar ao Presépio, e os Magos com pressa de adorarem o Deus Menino.

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2 – «Onde está o rei dos judeus? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-l’O». Quando não sabemos a direção é melhor parar e perguntar. O GPS – a estrela – levar-nos-á ao destino, mas a confusão da cidade pode distrair-nos do caminho.

Herodes fica perturbado. O medo toma conta do seu coração. Habituou-se ao poder e não quer que nada ponha em causa a sua comodidade. Chama os príncipes dos sacerdotes e os escribas do povo, informa-se acerca do local do nascimento do Messias, que segundo as profecias será «em Belém da Judeia, porque assim está escrito pelo Profeta: ‘Tu, Belém, terra de Judá, não és de modo nenhum a menor entre as principais cidades de Judá, pois de ti sairá um chefe, que será o Pastor de Israel, meu povo’».

O alvoroço provocado pela notícia de que o Messias nasceu mobiliza Herodes e a cidade. Deve também inquietar-nos, desinstalar-nos, levar-nos a querer saber mais, a descobrir onde O encontrar.

O mais triste é se estamos ao pé do sino e não ouvimos as horas, por habituação, por desleixo ou preguiça. O alvoroço está instalado. Ficamos com Herodes, comodamente instalados à espera que as notícias nos cheguem aos ouvidos, ou seguimos com os Magos, para fora do palácio e da cidade, e vamos a Belém?

 

3 – A esperança de Israel concretiza-se n'Aquele Menino. Todos se hão de prostrar diante d'Ele porque d'Ele virá todo o bem. "Prostrar-se-ão diante dele todos os reis, todos os povos o hão de servir. Socorrerá o pobre que pede auxílio e o miserável que não tem amparo".

O nascimento de Jesus é um acontecimento inaudito, Deus assume-nos por inteiro. A todos. Vem para o Seu povo, mas ao alcance de todos os povos, como relembra o Velho Simeão: «Agora, Senhor, deixareis ir em paz o vosso servo, porque os meus olhos viram a vossa salvação, que pusestes ao alcance de todos os povos: luz para se revelar às nações e glória de Israel, vosso povo» (Lc 2, 22-35). Os magos mostram que a Mensagem de Deus e os sinais da Sua presença no meio de nós chegam a toda a parte.

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4 – Logo que os magos se afastam do palácio, da cidade, e das distrações, a Estrela que os guia volta a estar visível. Por vezes precisamos de nos afastarmos um pouco, fazendo silêncio para ver melhor e para perceber o que nos rodeia e que caminho havemos de retomar.

"Eis que a estrela que tinham visto no Oriente seguia à sua frente e parou sobre o lugar onde estava o Menino. Ao ver a estrela, sentiram grande alegria. Entraram na casa, viram o Menino com Maria, sua Mãe, e, prostrando-se diante d’Ele, adoraram-n’O. Depois, abrindo os seus tesouros, ofereceram-Lhe presentes: ouro, incenso e mirra".

Os magos chegam finalmente onde se sentem em casa, junto de Jesus. E dão-lhe os presentes, simbólicos, a um tempo: ouro realeza; incenso divindade, e mirra humanidade. Há mais alegria em dar do que em receber. E mais que dar, importa dar-se. É o que fazem os pastores, é o que fazem os magos. Dão o melhor que têm porque se querem dar fazendo-se presentes. E recebem o maior presente: Jesus, Deus Menino. E tudo muda.

O encontro com Jesus fá-los voltar por outro caminho. "E, avisados em sonhos para não voltarem à presença de Herodes, regressaram à sua terra por outro caminho". Também o nosso encontro com Jesus nos há de levar por outro caminho, não preferentemente ao palácio, mas ao mundo.

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Textos para a Eucaristia: Is 60, 1-6; Sl 71 (72); Ef 3, 2-3a. 5-6; Mt 2, 1-12.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE.


26
Dez 15
publicado por mpgpadre, às 21:59link do post | comentar |  O que é?

1 – Jesus, Deus connosco, ensina-nos o caminho da fraternidade, da partilha, da comunhão, pelo perdão e pelo amor, colocando os outros em primeiro lugar, servindo-os. A quadra de Natal recorda-nos esta família de Nazaré, cujo ambiente promove o diálogo, o respeito pelas diferenças e pela missão de cada um, e sobretudo, o acolhimento da vontade de Deus.

Não é uma família extraordinária e, muito menos, extraterrestre. É uma família simples, pobre ou remediada, de uma pequena cidade-aldeia, de Nazaré. Não vive num palácio. São José trabalha a pedra, a madeira e em tudo o que é necessário às construções daquele tempo. Maria cuida da casa, dos animais, recolhe o leite, fabrica o queijo, fia a lã, trata das roupas, amassa a farinha e coze o pão. E, como em qualquer família judaica, Maria tem o cuidado por Jesus, ensina-O a rezar, a ler, a comportar-se. Sendo rapaz, a partir dos 7/8 anos, passa a acompanhar o pai, ajudando-o e aprendendo a mesma profissão. Filho de um carpinteiro, carpinteiro será.

A religião marca o ritmo das famílias e das aldeias. Como sublinha São Lucas, a Sagrada Família ia todos os anos a Jerusalém pela festa da Páscoa. É nesse contexto que "perdem” Jesus. É a idade em que os rapazes são iniciados na vida adulta: vão ao Templo e, pela primeira vez, leem a Sagrada Escritura em público.

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2 – Indo em caravana, com os membros da família alargada e com as pessoas da mesma cidade, protegendo-se mais facilmente dos salteadores, era possível que as crianças, nas correrias e brincadeiras, se afastassem dos pais. No regresso de Jerusalém, Maria e José "perdem-se" de Jesus.

Durante o dia da caminhada, as crianças mais crescidas poderiam ir juntas. No final do dia, a família reúne-se para a refeição e para descansar. É então que se apercebem que Jesus não voltou e procuram-n'O entre familiares e conhecidos.

Encontram-n’O no Templo entre os doutores da Lei, que se admiram com a sua sabedoria. Maria questiona-O: «Filho, porque procedeste assim connosco? Teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura». Jesus responde-lhes: «Porque Me procuráveis? Não sabíeis que Eu devia estar na casa de meu Pai?».

Sobrevém o clima de diálogo. Maria pergunta a Jesus se tinha consciência de que Ela e São José estavam preocupadíssimos. Jesus responde-lhes com outra pergunta e que aponta para a Sua identidade original e para a missão que terá de assumir.

Visualiza-se a delicadeza de Maria e de José. Maria guarda estes acontecimentos e palavras no coração e certamente também José. Logo o evangelista nos lembra que "Jesus ia crescendo em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens".

A família de Nazaré também tem a sua dose de dificuldades, por ocasião do nascimento de Jesus, na fuga para o Egipto e agora na "perda" de Jesus. Como é que se terão sentido Maria e José?

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3 – O texto do Evangelho diz-nos, entre muitas coisas, algo essencial: se nos perdermos de Jesus, como aconteceu com Maria e José, e por mais caminho que tenhamos percorrido, é imprescindível que regressemos a todos os lugares onde O pudermos encontrar. Não adianta correr se não sabemos para onde vamos.

Peçamos com fé: "Senhor, Pai santo, que na Sagrada Família nos destes um modelo de vida, concedei que, imitando as suas virtudes familiares e o seu espírito de caridade, possamos um dia reunir-nos na vossa casa para gozarmos as alegrias eternas".

Maria e José estão atentos à vontade de Deus, fazendo com que Jesus esteja no centro das suas preocupações e das suas vidas, por maiores que sejam as dificuldades e os desafios. Assim ter de ser connosco. Encontrar Jesus, para O levarmos na nossa vida…

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Textos para a Eucaristia: Sir 3, 3-7. 14-17a; Sl 127 (128); Col 3, 12-21; Lc 2, 41-52.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE


24
Dez 15
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

1 – O Natal é luz, é paz, é esperança. O Natal é amor, solidariedade, é vida. O Natal é ternura, justiça, é alegria. O Natal é humanidade, compaixão e misericórdia. O Natal é encontro e transformação, o Natal é vida nova e tempo novo. O Natal é bênção e chegada. É vinda e salvação, inclusão e fraternidade. O Natal é partilha e verdade. O Natal é aconchego e denúncia, é transparência do bem e do mal, é desafio e provocação. O Natal é Jesus a nascer em nós. Deus a fazer-Se um connosco. O Natal é acolhimento e calor. Proximidade e reconciliação. O Natal é tempo da família, dos afetos, e da gratidão. O Natal é Casa de Oração e de Misericórdia. É tempo da memória agradecida. É a oportunidade para recomeçar, para partir, para descobrir, é o tempo para construir, para criar ou solidificar os laços. Todas as comemorações nos fazem parar, refletir, olhar para trás, fazer propósitos para caminhar, emendar a mão, ir ao encontro do irmão.

       À nossa volta não faltam sinais: luzes, enfeites, decorações, Pais-natais, árvores de Natal, Presépios, estrelas, anjos, renas... doces, bolos, convites, prendas... campanhas de solidariedade (algumas das quais servem para as marcas venderem mais). É um tempo muito especial, muito sensível. Sentimentos à flor de pele. As lembranças da infância e do tempo perdido; os sonhos e as vidas que se desfizeram; a família e os que já ficaram para trás. Tudo lembra. Muito mais nestas alturas em que a família se reúne. A alegria mistura-se com a nostalgia. A festa traz-nos de volta os familiares e amigos que estão longe, fisicamente ou pelos meios tecnológicos de comunicação; mas traz-nos também os que já morreram.

       Aos desertos exteriores – pobreza, guerra, toxicodependência, corrupção, fosso entre ricos e pobres, desemprego, fome – acrescem os milhentos desertos interiores – a solidão, falta de sentido para a vida, o vazio da alma. Nestas palavras emprestadas por Bento XVI, e que novamente retomo, um diagnóstico que se torna um desafio a levarmos Luz a todos os recantos, a levar Luz às trevas, ao pecado, aos momentos de desencanto.

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       2 – O Natal é Luz que vem do Céu, da eternidade para o tempo, do Infinito para a história. O Deus que nos criou por amor, por amor nos quer salvar.

       O profeta do Advento e que nos introduz no Natal, Isaías, proclama: «O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; para aqueles que habitavam nas sombras da morte uma luz começou a brilhar. Multiplicastes a sua alegria, aumentastes o seu contentamento. Rejubilam na vossa presença, como os que se alegram no tempo da colheita, como exultam os que repartem despojos».

       Ao longo de gerações, Deus não deixou de Se manifestar, de nos enviar os Seus mensageiros, de nos falar, como Pai e Mãe, perscrutando o nosso coração e o nosso olhar, chamando-nos a Si, procurando-nos nos nossos caminhos, muitas vezes incertos e perdidos. «Nestes dias, que são os últimos, falou-nos por seu Filho, a quem fez herdeiro de todas as coisas e pelo qual também criou o universo».

       Desde sempre pendeu sobre nós a Misericórdia do Deus altíssimo. Chegado o tempo, Deus quebrou o jugo que pesava sobre todo o povo, para restabelecer a paz e a justiça. «Porque um menino nasceu para nós, um filho nos foi dado. Tem o poder sobre os ombros e será chamado "Conselheiro admirável, Deus forte, Pai eterno, Príncipe da paz". O seu poder será engrandecido numa paz sem fim, sobre o trono de David e sobre o seu reino, para o estabelecer e consolidar por meio do direito e da justiça, agora e para sempre. Assim o fará o Senhor do Universo».

       Por conseguinte, podemos dizer e alegrar-nos com o Profeta: «Como são belos sobre os montes os pés do mensageiro que anuncia a paz, que traz a boa nova, que proclama a salvação... Eis o grito das tuas sentinelas que levantam a voz. Todas juntas soltam brados de alegria, porque veem com os próprios olhos o Senhor que volta para Sião. Rompei todas em brados de alegria, ruínas de Jerusalém, porque o Senhor consola o seu povo, resgata Jerusalém. O Senhor descobre o seu santo braço à vista de todas as nações e todos os confins da terra verão a salvação do nosso Deus».

       Deus nos dará a paz em abundância. E com a abundância da paz que nos desafia a ser irmãos, a alegria do coração, que nos faz atravessar por vales e montanhas, por mares revoltos e por todas as tempestades que nos atrasam e nos desviam do caminho que nos leva a Jesus.

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       3 – Há Natal e há mais luz, Luz que vem de Deus para nos guiar. Haverá Natal quando o homem quiser, quando o homem sonhar, quando cada um de nós dos outros cuidar, e então haverá Natal porque Deus quer, porque Deus vem, porque Deus nos ama e nos envolve em ternura e misericórdia, porque Deus nos redime e salva, porque Deus nos quer bem e nos assume como filhos no Filho que é nosso irmão, para que n'Ele, Jesus Cristo, dando as nossas mãos e o coração, possamos voltar a ser como no paraíso, como no início, como irmãos, família que caminha, apoiando-se nos momentos bons e nos enfadonhos, nos sonhos e nos agravos. Nunca escravos, sempre irmãos.

       Naqueles dias, saiu um decreto de César Augusto, para que todos se recenseassem na sua terra natal. Maria e José tiveram que partir, da cidade de Nazaré para a cidade de David, chamada Belém. «Enquanto ali se encontravam, chegou o dia de ela dar à luz e teve o seu Filho primogénito. Envolveu-O em panos e deitou-O numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria».

       Logo o Anjo do Senhor se aproxima dos pastores que andavam por ali e os cerca de luz, dizendo-lhes: «Não temais, porque vos anuncio uma grande alegria para todo o povo: nasceu-vos hoje, na cidade de David, um Salvador, que é Cristo Senhor. Isto vos servirá de sinal: encontrareis um Menino recém-nascido, envolto em panos e deitado numa manjedoura».

       Quando alguém chega, quando alguém nasce, é tempo para cantar, agradecer, louvar. É a bênção de Deus que chega até nós. Juntemo-nos aos Anjos e aos Pastores e cantemos: «Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados».

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       4 – «Manifestou-se a graça de Deus, fonte de salvação para todos os homens». Um Menino nos foi dado. Deus no meio de nós. Deus connosco. Tal é o Seu amor que nos assumiu inteiramente, abaixando-Se, colocando-Se ao mesmo nível que nós, para nos elevar com Ele às alturas do Céu, donde veio, de onde nos atrai, para onde nos encaminha, de onde nos acompanha.

       «No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. No princípio, Ele estava com Deus. N’Ele estava a vida e a vida era a luz dos homens. A luz brilha nas trevas e as trevas não a receberam. O Verbo era a luz verdadeira, que, vindo ao mundo, ilumina todo o homem. Àqueles que O receberam e acreditaram no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus. Estes não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. E o Verbo fez-Se carne e habitou entre nós. Nós vimos a sua glória, glória que Lhe vem do Pai como Filho Unigénito, cheio de graça e de verdade».

        Acreditando no Filho de Deus, recebemos o poder e a graça de nos tornarmos também nós filhos de Deus e instrumento de salvação para os outros, fazendo com que a Luz que nos salva, incidindo em nós, reflita para os outros.

 

Pe. Manuel Gonçalves

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Textos para a Eucaristia:

Missa da Noite - Is 9, 1-6; Sl 95 (96); Tito 2, 11-14; Lc 2, 1-14;
Missa do Dia - Is 52, 7-10; Sl 97 (98); Hebr 1, 1-6; Jo 1, 1-18.


08
Mai 15
publicado por mpgpadre, às 10:05link do post | comentar |  O que é?

M. FERNANDO DA SILVA (2015). José, o esposo de Maria. Prior Velho: Paulinas Editora. 256 páginas.

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       No últimos anos, a figura de São José adquiriu uma maior relevância na Igreja, traduzida na liturgia, com os Papas a transparecerem a devoção popular e a própria devoção. Neste momento, três festas que se relacionam diretamente com São José: a 19 de março, solenidade; a 1 de maio, São José Operário, e a Festa da Sagrada Família, no domingo entre o Natal e a solenidade de Santa Maria, no primeiro dia no novo ano.

       O Papa Francisco, eleito a 13 de março de 2013, inaugurou o Pontificado precisamente no dia 19 de março, dando um sinal claro que entregava a Igreja e o Pontificado à proteção de São José. Seguidamente alguns gestos, prosseguindo com o desejo do Papa Bento XVI, de incluiu o nome de "São José, esposo de Maria" em todas as anáforas, uma vez que por ocasião da reforma litúrgica o Papa Paulo VI já incluíra no Cânone romano; e consagrar o Vaticano a São José, Padroeiro Universal da Igreja. Consagração planeada por Bento XVI.

       O Pe. Manuel Fernando da Silva, sacerdote da Arquidiocese de Braga, com ligações à Prelatura da Opus Dei, apresenta-nos um texto belíssimo sobre a figura de São José, escolhido por Deus para proteger e cuidar da sagrada Família de Nazaré, com o seu trabalho, bondade, com a sus descrição e santidade de vida. Não se sabe muito sobre São José, a não ser nas referências pontuais nos evangelhos da infância, em São Mateus e São Lucas e numa ou outra referência pontual. O autor procura apresentar-nos uma espécie de biografia de São José, partindo dos dados do Evangelho, dos silêncios, das "insinuações" que o texto vai propondo, do ideal homem justo, trabalhador e honesto que figura entre os crentes do povo eleito.

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       O autor recorre com mestria ao contributo dos Papas, mormente de Paulo VI, João Paulo II, Bento XVI e de Francisco, a quem dedica um capítulo. Se Bento XVI tem o mesmo nome de Batismo, pelo que se compreende de sobremaneira a sua especial devoção a São José; o atual Papa não se fica atrás em devoção. Curiosamente o autor clarifica a fé de Francisco, em São José que dorme, numa Homilia do Cardeal Ratzinger / Bento XVI em 19 de março de 1992. O então Cardeal parte de uma imagem em alto-relevo, de um retábulo português da época barroca, que retrata a fuga para o Egipto, em que São José é apresentado dentro de uma tenda a dormir, vestido, com botas altas, pronto para se pôr a caminho. Não apenas dorme, mas vigia, está disponível para escutar a palavra de Deus e pôr-se em marcha.

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       É conhecida a devoção do Papa Francisco que mandou vir da Argentina uma imagem de São José a dormir, a que dá uma explicação muito semelhante à do Cardeal Ratzinger / Bento XVI: São José dorme, sonha, escuta Deus, vigia a Igreja. O Papa quando tem alguma dificuldade coloca um papelinho debaixo da imagem, pedindo a solicitude de São José.

       A ligação espiritual à Opus Dei também é visível nestas páginas, não mais do que quando os jesuítas citam prevalentemente Santo Inácio de Antioquia, ou outro ilustre desta ordem, ou os franciscanos exemplificam com São Francisco ou outros ilustres, ou os dominicanos clarificam com São Domingos, ou os beneditinos com São Bento, ou como nós que citamos o nosso Bispo ou os Papas.

 

       É um livro que se lê bem, com uma linguagem acessível, com um discurso que nos faz acompanhar a vida de São José, referenciado sempre à Família, com Maria e com Jesus. Para quem seguir esta recomendação verá a riqueza das ligações bíblicas aos patriarcas, profetas, aos salmos. Envolver-se na vida de São José é envolver-se e entranhar-se na vida de Maria e de Jesus, no mistério da salvação que é revelado em plenitude no Deus que se faz Menino e vem habitar com pessoas "normais".

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       Uma das histórias mais populares acerca de São José, e que o autor inclui neste livro, é a escada milagrosa atribuída a São José, no Estado do Novo México, nos EUA. Em 1898, a Capela de Loretto foi restaurada, levando um piso superior, para aumentar a capacidade, mas ficou sem escada de acesso. As irmãs requisitaram os carpinteiros da região mas nenhum apresentou uma solução que não implicasse a redução do espaço interno da capela. Confiaram-se a São José e no último dia de novena em Sua honra, apareceu um desconhecido com um jumento e uma caixa de ferramentas. Resolveria o problema com a condição de trabalhar com à porta fechada. Alguns meses depois a escada estava construída e o homem desapareceu sem deixar rasto. Passados 130 anos ainda não se descobriu tamanho mistério. Sem cola nem pregos, continua a não ameaçar ruína. A madeira, analisada, é da Judeia, mas não se sabe como veio ali parar. Concluiu-se que tinha sido São José a contruí-la. A escada tem 33 degraus, correspondente à idade com que, segundo popularmente se diz, morreu Jesus Cristo (terá morrido com 37 anos, tendo em conta que morreu no ano 30 da nossa era. Jesus nasceu à volta do ano 7 a.C, com o erro com que foi achado o Seu nascimento).


03
Jan 15
publicado por mpgpadre, às 18:00link do post | comentar |  O que é?

«Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-l’O». Vieram de longe, mas querem estar perto do Messias. Andam em busca. No Céu uma estrela brilhante aponta-lhes um caminho, uma estrada, um sentido novo para as suas buscas. Perguntam. Informam-se. Acreditam que outros possam ter informações mais precisas. Em definitivo é a Estrela que os conduz até Jesus, até Belém.

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Num olhar rápido sobre o Evangelho, algumas notas soltas:

  1. Procurar sempre, sem desfalecer. Por cada descoberta, novos desafios. Buscar Deus em toda a parte, na terra, nas pessoas, no céu.
  2. Atentos e vigilantes. Nunca nos darmos por satisfeitos. Despertos para perceber os sinais de Deus que surgem no horizonte.
  3. Levantar o olhar, o coração e a vida. Há mais mundo e mais vida para lá do nosso umbigo. Levantar o olhar para o horizonte, para o Céu, para Deus, donde nos virá a luz. Se olharmos apenas para baixo, para os pés, acabaremos por tropeçar e de nos perdermos dos outros que seguem connosco.
  4. Não ter medo de sair, de ir ao encontro de Deus.
  5. Pôr-se a caminho. Não basta um exercício intelectual sobre a busca. É necessário descruzar os braços e mover as pernas, sair do seu espaço de conforto, fazer-se à estrada que se faz tarde.
  6. Vigilância. Pelo caminho surgirão outras luzes. A confusão da cidade. Os apelos do mundo, da moda, do tempo. Algumas luzes serão brilhantes e ofuscarão a Luz que vem das alturas, podem levar-nos a errar, podem baralhar-nos na nossa busca.
  7. g)Não desistir. Se estamos baralhados. Se há muitas luzes, muitos caminhos, procuremos o que nos leva mais longe, o que nos leva a Belém, o que nos leva a Jesus. Ainda que tenhamos que abandonar a cidade e ir ao deserto, aos nossos desertos. Não desista. Procure. Há de encontrar.
  8. É sempre possível retomar o caminho (enquanto estamos vivos).
  9. Ir até à fonte. Beber nos afluentes pode ajudar-nos a prosseguir viagem, mas a sede só se saciará verdadeiramente quando chegarmos à fonte, ao Presépio, quando chegarmos junto do Deus Menino.
  10. A leveza dos passarinhos, que os faz voar, é precisamente a agilidade em dobrar as pernas. Prostremo-nos em adoração diante d'Aquele que Se abaixou à nossa dimensão.
  11. Demos o melhor que temos. Demos o nosso coração, a nossa vida por inteiro. Os magos deram as suas riquezas. A nossa riqueza é a nossa vida, a nossa fragilidade, a nossa pobreza e o nosso pecado.
  12. Façamos a experiência da Alegria no encontro com Jesus. Há momentos da nossa vida em que tudo parece estar contra nós. Deus está a nosso favor. Encontramo-nos com Ele e ainda não experimentámos uma alegria profunda? Talvez ainda não O tenhamos encontrado. A luz da Fé abre-nos para a alegria do encontro com Jesus.
  13. Não voltemos ao mesmo lugar, mesmo que aí já tenhamos sido feliz, como nos diz a canção. Se encontrámos Jesus, a nossa vida não mais será a mesma. Regressámos à nossa vida, mas por outros caminhos, com outro sentido e outra luz. Doravante temos um MOTIVO maior que preenche todos os nossos dias e os nossos afazeres e nos compromete com os irmãos. Há que buscar e prosseguir por novos caminhos. Mas sobretudo deixar que Jesus Se faça CAMINHO connosco.

Reflexão completa na página da Paróquia de Tabuaço

ou o nosso blogue CARITAS IN VERITATE


18
Mar 14
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

       «Filho, porque procedeste assim connosco? Teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura».

       «Quando ainda estava longe, o pai viu-o e, enchendo-se de compaixão, correu a lançar-se-lhe ao pescoço e cobriu-o de beijos... Trazei o vitelo gordo e matai-o; vamos fazer um banquete e alegrar-nos, porque este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi encontrado»

       Dois momentos significativos que nos mostram a figura de São José pelos olhos de Maria e pelos olhos de Jesus e nos fazem compreender a paternidade de Deus.

       Pelos olhos de Maria, na subida ao Templo de Jerusalém (Lc 2, 41-51), à festa da Páscoa, quando Jesus tinha 12 anos, José é um Pai cuidadoso, preocupado, cumprindo a sua missão de Pai, levando a família a celebrar uma das festas mais importantes do Judaísmo, deixando-se entrever que era o proceder habitual da família de Nazaré. José tem a responsabilidade de cuidar da esposa e do filho, da segurança na viagem e dos víveres. Maria fala-nos da sua aflição e da aflição de José, em busca do filho que se perdeu ou se encontrou no Templo. Maria e José, depois de toda a caminhada, do cansaço, do padecimento, não perdem tempo a gritar com o filho, dizem-lhe que O amam, e perguntam-lhe se compreende como o coração dos pais fica apertadinho quando não sabem dos filhos.

       Pelos olhos de Jesus, na parábola do Filho Pródigo, onde se vislumbram as impressões digitais de São José como Pai de Jesus, atento, cuidadoso, que confia no filho e respeita a sua liberdade e o seu espaço, que comunica elevada dose de amor, de carinho, de proximidade, de compreensão, que está pronto a celebrar a vida com a família. Os traços que caracterizam Deus como Pai inspiram-se na figura de São José, que assume, em casa, na vida de Jesus, uma paternidade firme, trabalhadora, responsável, suficientemente próximo e amigo, atento ao crescimento de Jesus, passando-lhe pouco a pouco as responsabilidades de cuidar da casa, sem se desligar dos deveres na comunidade e na história de Israel. Um dia Jesus poderá facilmente concluir que a família é muito mais que a soma dos membros com ligações sanguíneas, mas estrutura-se, alimenta-se e fortalece-se com os laços de caridade.

       Os filhos não precisam de pais super-heróis, mas de pais normais, que choram e riem, que brincam, que afagam e repreendem, que escutam. O mais importante não é ser um pai perfeito, mas ser um pai presente, ativo, interventivo, amigo sem deixar de ser pai, que desafia o filho a fazer o melhor, mas que abraça quando a vida não segue nos carris, que alerta sem querer ter razão…


Textos para a Eucaristia: 2 Sam 7, 4-5a. 12-14a. 16; Rom 4, 13. 16-18. 22; Mt 1, 16. 18-21. 24a ou Lc 2, 41-51a.

 

Reflexão completa na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso blogue CARITAS IN VERITATE.


01
Fev 14
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – Passaram 40 dias do Natal, celebração do nascimento de Jesus. Conforme a tradição religiosa dos judeus, o Menino é levado ao Templo para em Seu nome ser oferecido, mediante as possibilidades da família, um par de rolas ou duas pombinhas. O acontecimento sublinha a fé dos pais e a pertença ao Povo da Aliança.

       Em pouco tempo, é a segunda vez que Jesus é levado ao Templo. Oito dias depois do nascimento para ser circuncidado e lhe porem o nome; 40 dias depois, apresentação, sacrifício e louvor, bênção e proteção de Deus. Passado este tempo, a Mãe da criança, no caso presente Maria, poderá de novo participar no culto.

       Alguns anos depois veremos de novo Maria, José e Jesus no Templo de Jerusalém, a cidade santa, por volta dos 12 anos de idade. Nessa ocasião Jesus mostrará que já tem vontade própria e que a Sua vontade se conformará com a de Deus Pai.

       2 – Porquanto, passaram 40 dias. Vejamos Maria e José. Estão radiantes. Deus foi generoso com eles. José, o homem dos sonhos novos acolheu o mistério que lhe foi revelado pelo Anjo. Está felicíssimo e com Maria apresenta o REBENTO. Cada criança deveria ser luz e salvação para a família. Também Aquele Menino é uma bênção do tamanho do mundo.

       José vestiu a melhor roupa que tinha. Maria arranjou-se o melhor que pôde. É um dia de festa. A melhor roupa é sempre o coração disponível para amar e para se deixar transformar por Deus.

       O coração vai em festa. Não cabem dentro de si. Dançam interiormente. Há muita vida pela frente. Não sabem com exatidão o que poderá reservar o futuro para o Seu Menino, mas se O souberem com Deus isso basta para enfrentar todo o perigo, toda a treva. Um dia será o próprio Jesus a confiar-Se a Deus: «Pai nas Tuas mãos entrego o Meu espírito» (Lc 23, 46). Maria estará por perto, recordando-se (talvez) das palavras de Simeão.

       3 – Fixemos o nosso olhar e o nosso coração e a nossa vida em Jesus. Maria e José aproximam-se do Velho Simeão, homem justo e piedoso, e colocam-lhe Jesus nos braços.

       Diz-nos o Evangelho que Simeão foi ao Templo movido pelo Espírito Santo, que lhe revelara que não morreria sem ver o Messias. Mais uma luz: deixarmo-nos guiar pelo Espírito Santo, o que nos permitirá reconhecer Jesus nos outros e recebê-l’O em nossos braços.

       Simeão deixa que as palavras fluam: «Agora, Senhor, segundo a vossa palavra, deixareis ir em paz o vosso servo, porque os meus olhos viram a vossa salvação, que pusestes ao alcance de todos os povos: luz para se revelar às nações e glória de Israel, vosso povo». 

Maria e José ficam admirados com o que d'Ele diz Simeão. Mas o santo sábio diz a também a Maria: «Este Menino foi estabelecido para que muitos caiam ou se levantem em Israel e para ser sinal de contradição; – e uma espada trespassará a tua alma – assim se revelarão os pensamentos de todos os corações».

       Tal como o parto, também a salvação virá com dor e sofrimento e esforço e com muito amor. Só este, com efeito, possibilitará que as horas mais amargas sejam enfrentadas com esperança. O Menino será a Luz das Nações. Será um SINAL de contradição. A luz não condena, mas põe a descoberto as "imperfeições" ou as manchas da parede… Mas só vendo, podemos corrigir e caminhar…


Textos para a Eucaristia: Mal 3, 1-4 ; Sl 23 (24) Hebr 2, 14-18; Lc 2, 22-40.

 

Reflexão dominical COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso blogue CARITAS IN VERITATE.


03
Jan 14
publicado por mpgpadre, às 11:00link do post | comentar |  O que é?

Papa FRANCISCO. Espírito de Natal. Paulus Editora. Apelação 2013. 88 páginas.

       A Paulus Editora brinda-nos com este pequeno livro, com mensagens do Papa Francisco para o Natal, homilias na noite de Natal, mensagens à Diocese de Buenos Aires, reflexões sobre esta quadra.

       Diríamos desde logo que os textos apresentados são do papa Francisco e não são do Papa Francisco, pois referem-se a um período anterior, como Arcebispo de Buenos Aires, o então D. Jorge Maria Bergoglio. São do Papa Francisco pois a linguagem acessível, simples, familiar, transparecendo proximidade de fé é a mesma que atualmente utiliza como Bispo de Roma, como Papa. Assim também os temas estão na base do discurso, das mensagens e das homilias de Francisco. A este propósito se vê claramente uma continuidade. A pessoa é a mesma, como Arcebispo e Cardeal e como Papa, as coordenadas são semelhantes: fé em Cristo, alegria, proximidade sobretudo com os mais próximos, diálogo, cultura do encontro e da proximidade.

       Obviamente que a esta altura do campeonato há muito livros escritos sobre o Papa Francisco, muitos livros com as suas intervenções na Argentina, e agora como Papa. A Paulus faz-nos o favor de agregar textos para esta quadra, desafiando-nos a colocar Jesus Cristo no centro do Natal, com Maria e José, com as pessoas simples, como os pastores, em contágio com o mundo inteiro, como os magos do Oriente.


28
Dez 13
publicado por mpgpadre, às 16:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – José sonha novamente. Todos sonhamos: uma vida melhor, mais fácil, mais feliz, na companhia daqueles que nos fazem sentir vivos. Porém, nem tudo é como sonhamos. O sonho exige dedicação e, por vezes, sacrifício e renúncia. José sonhou e acolheu Maria como esposa, dando-lhe casa e proteção. José volta a sonhar e dá a Maria e a Jesus outra casa, outros cuidados, foge com eles para um lugar seguro. A verdadeira CASA é onde estão os nossos amigos.

       Em sonho, o Anjo do Senhor interpela José: «Levanta-te, toma o Menino e sua Mãe e foge para o Egipto, pois Herodes vai procurar o Menino para O matar». Para escutar Deus é preciso fazer silêncio. No silêncio da noite, José é visitado pelo Anjo do Senhor. Ainda ensonado, José toma o Menino e Sua Mãe e parte para o Egipto, onde permanecerá até à morte de Herodes. Não lhe ouvimos nenhum lamento, apenas a pressa para proteger a família.

       Após a morte de Herodes, o Anjo do Senhor volta a aparecer a José, em sonhos: «Levanta-te, toma o Menino e sua Mãe e vai para a terra de Israel, pois aqueles que atentavam contra a vida do Menino já morreram». José levantou-se, tomou o Menino e sua Mãe e voltou para a terra de Israel". Entretanto fica a saber que o filho de Herodes governa a Judeia e, tendo receio de colocar a família em perigo, segue para Nazaré. José permanece em atitude de escuta, de silêncio, de sonho, para perceber a vontade de Deus.

       Em todas as etapas vem ao de cima o cuidado de José, a sua serenidade, o seu silêncio, a sua fé, a sua predisposição para escutar a voz de Deus, através do Anjo, a sua prontidão em agir, em acolher a vontade de Deus. José não é uma figura decorativa. A sua missão é essencial para resguardar Jesus e a Maria de diferentes perigos.

       2 – A família de Nazaré passou por momentos difíceis, desde o início. Maria encontra-se grávida. José, homem justo e temente a Deus, fica a saber da gravidez misteriosa daquela que lhe estava prometida. Surge a primeira sombra. José dorme antes de tomar qualquer decisão. A travesseira é boa conselheira. A bondade e a prudência de José dão frutos. Reza e deixa-se inspirar por Deus.

       Logo depois novas dificuldades. Têm que partir com certa urgência para a cidade de Belém (casa do pão), para se recensearem na terra natal de José. A gravidez de Maria está avançada, a qualquer instante pode dar à luz. Confiam em Deus. Partem. Chegados a Belém não encontram lugar em hospedarias ou, visto de outro ângulo, cedem a habitação própria para que outros tenham um teto onde ficar naqueles dias agitados. Continuam a confiar na providência de Deus. E até os animais ajudam a aquecer o lugar onde vai nascer o salvador do mundo. Afinal a minha, a tua casa, a verdadeira casa, é onde estão os que nos querem bem. Jesus está em casa, com José e com Maria, com os pastores e com os magos.

       Novas dificuldades. Herodes quer matar o Menino. Têm de fugir à pressa e procurar abrigo em outro país. Mas não desanimam. Põem mãos à obra e partem. Deus não deixará de estar com eles, Deus não deixará de estar connosco.

       No regresso a casa, têm de adiar esse sonho e fixar-se em Nazaré, para que fiquem garantidas a estabilidade e a segurança. Pela vida fora outras adversidades chegarão. Até ao fim. Não têm a vida facilitada. Também por esta razão, a família de Nazaré pode ser um estímulo para as nossas famílias. Confiar em Deus, procurando cada um dar o melhor de si para o bem de todos, com prudência e sobretudo com muito amor, cuidando especialmente dos mais frágeis.

       3 – Ser família é, hoje mais que nunca, um desafio enorme. Se a humanidade está em crise é porque antes a família começou a colapsar. Há uma mão cheia de desculpas e/ou descuidos. A família tonar-se-á um fardo dispensável se apenas olhamos para as próprias necessidades.

       Por outro lado, os bens materiais não podem ocupar o espaço dos afetos, dos sentimentos, da disponibilidade de tempo e atenção. O mais importante são os filhos, ou os pais e avós, mais importante é a companhia. Sem esta, tudo o mais vale pouco. Só quando os pais morrem é que damos pela sua falta, só quando não temos mão nos filhos é que percebemos que não tivemos tempo para eles!

       Na família aprende-se a viver e a respeitar as diferenças dos seus membros, aprende-se a ser filho e irmão, a ser mãe e pai, aprende-se a ser neto e ser avó e avô. Na família aprende-se a acolher o outro e a respeitar o seu espaço. Assim na família, assim na sociedade.


Textos para a Eucaristia (ano A):

Sir 3, 3-7.14-17ª; Sl 127(128) Col 3, 12-21; Mt 2, 13-15.19-23.

 


22
Dez 13
publicado por mpgpadre, às 09:00link do post | comentar |  O que é?
       1 – "A virgem conceberá e dará à luz um filho e o seu nome será Emanuel". O sinal dado por Deus ao povo da Aliança, através do profeta Isaías, ganha consistência e realidade com o nascimento de Jesus Cristo, Verbo Encarnado, Filho de Deus, nascido da Virgem Maria, pelo poder do Espírito Santo.
       Será um Deus próximo, no meio de nós. Naqueles dias, o povo vivia um tempo de trevas, de afastamento, conflito, divisões, uma noite contínua. Porém, Deus não afasta a Sua mão, e muito menos o Seu coração. Desafia o regresso à Aliança, acalenta a esperança: «Escutai, casa de David: Não vos basta que andeis a molestar os homens para quererdes também molestar o meu Deus? Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: a virgem conceberá e dará à luz um filho».
       É um sinal que vem do futuro, como promessa e como esperança, mas também como aviso e como compromisso. A mensagem profética reclama dos que molestam o seu próximo, em particular aqueles que tem o poder e a missão para cuidar do povo. O sinal – A virgem dará à luz um filho – há de envolver-nos já, aqui e agora (hic et nunc) no cuidado com os mais frágeis, aqueles que Deus nos dá para O acolhermos e amarmos.
       2 – São Mateus acentua, de forma clarividente, a ligação do Messias ao povo eleito. Envolvido pela Luz divina, cujo nascimento está marcado pelo mistério, o Filho de Deus está genealogicamente inserido no povo hebreu, na sua cultura e na sua história. Vejamos a Boa Notícia:
"O nascimento de Jesus deu-se do seguinte modo: Maria, sua Mãe, noiva de José, antes de terem vivido em comum, encontrara-se grávida por virtude do Espírito Santo. Mas José, seu esposo, que era justo e não queria difamá-la, resolveu repudiá-la em segredo. Tinha ele assim pensado, quando lhe apareceu num sonho o Anjo do Senhor, que lhe disse: «José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que nela se gerou é fruto do Espírito Santo. Ela dará à luz um Filho e tu pôr-Lhe-ás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados». Tudo isto aconteceu para se cumprir o que o Senhor anunciara por meio do Profeta, que diz: «A Virgem conceberá e dará à luz um Filho, que será chamado ‘Emanuel’, que quer dizer ‘Deus connosco’». Quando despertou do sono, José fez como o Anjo do Senhor lhe ordenara e recebeu sua esposa".
       O Deus que salva (= Jesus), nasce pelo poder do Espírito Santo no seio de Maria. São José faz parte deste mistério de salvação, sendo-lhe revelado a origem do Menino Deus e a missão de Lhe dar o NOME, preparando-Lhe uma CASA e uma FAMÍLIA humana. O sonho de José revela-nos, a todos, a vinda do Filho de Deus à terra, para habitar junto de nós e nos habitar.
       Ele é o Emanuel, Deus connosco, Deus no meio de nós. Vem para salvar o povo dos seus pecados, libertando-nos de tudo o que gera ruína, divisão, afastamento dos outros e de Deus.
       3 – O sonho alimenta a vida. José tem um sonho. Sem sonho. Sem esperança. Sem luz. Sem caminho. Sem saída. Morte. Tristeza. Deserto. Desencanto. Escuridão. Mar revolto. Águas agitadas. Tempestade. Fuga. Distância. Indiferença. Desespero. Morte. Sem sonho. É preciso sonhar. Esperar. E deixar-se iluminar, guiar, é preciso sair de si, e de dentro do sonho. Há vida e luz e horizonte e esperança. E Deus. No meu e no teu sonho. Procurar. Encontrar. Acolher e amar. Viver. Criar. Juntar. Comungar. Dar. Partilhar. Viver, como filhos de Deus, irmãos em Jesus Cristo.
       E eis que vem, do alto, do Céu, da eternidade, de Deus, o Filho. Traz-nos a paz que brota do amor sem limites nem tréguas. É o AMOR que salva e nos dá uma vida nova. Uma vez inundados pela LUZ que nos chega de Jesus, uma vez convertidos, assumimos a missão de levar a outros esta Mensagem de salvação. Com efeito, tornamo-nos discípulos missionários, apóstolos. "Ele é Jesus Cristo, Nosso Senhor. Por Ele recebemos a graça e a missão de apóstolo, a fim de levarmos todos os gentios a obedecerem à fé, para honra do seu nome, dos quais fazeis parte também vós, chamados por Jesus Cristo".
        Cristo constitui-nos, como a São Paulo, Apóstolos do Evangelho: a Alegria que salva, a Boa Notícia que nos provoca e nos assume como discípulos missionários. A Alegria do Evangelho é como a luz que se acende para colocar em lugar que ilumine toda a casa e não para ficar escondida debaixo do alqueire. Ou como a água do rio que se vai entranhando na terra, avança fertilizando as margens, com a vida que transporta no seu seio. Assim o Evangelho, vida que gera vida. Alegria que transborda. Boa notícia que se espalha.

Textos para a Eucaristia (ano A): Is 7, 10-14; Rom 1, 1-7; Mt 1, 18-24.

 

Reflexão Dominical na página da Paróquia de Tabuaço.


25
Mar 13
publicado por mpgpadre, às 11:45link do post | comentar |  O que é?

       Com o aproximar do fim do mês o Boletim Paroquial Voz Jovem, em mais uma edição especial, desta feita dedicada ao Papa Francisco, eleito no último conclave, no dia 13 de março. Juntamos imagens, do Papa com os seus antecessores, o aparecimento na varanda, as primeiras palavras, um breve biografia, sublinhados da primeira homilia como Papa, perante os Cardeais.

       Mas o boletim grava outros acontecimentos, como a festa da Apresentação, imagens da Solenidade de São José, Dia do Pai, e as habituais informações paroquiais, os horários da Semana Santa, e outras atividades pastorais previstas para depois da Páscoa.

   O Boletim poderá ser lido a partir da página da paróquia de Tabuaço, ou fazendo o download:


22
Mar 13
publicado por mpgpadre, às 10:00link do post | comentar |  O que é?

       No passado dia 19 de março, celebrou-se a solenidade de SÃO JOSÉ, Patrono Universal da Igreja. Foi também o dia para assinalar a figura do pai, dos nossos pais. Nas comunidades paroquiais de Tabuaço e de Távora, e no âmbito da catequese, lugar para que as crianças/adolescentes promovessem a festividade deste dia. Em Tabuaço, a Eucaristia solenizada pelo Grupo Coral da Catequese, encenação do Evangelho - Parábola do Filho Pródigo -, e no momento de ação de graças, leitura de um poema e distribuição pelos pais de um cravo e um cartão.

       Em Távora, a distribuição de um cartão também alusivo a São José e ao pais, no ofertório, e, no momento de ação de graças pequenas frases das crianças sobre os seus pais, o que se alargou também ao grupo coral.

       Ficam algumas imagens, que podem ser visualizadas nos respetivos perfis no facebook: Paróquia de Tabuaço || Paróquia de Távora.


05
Fev 13
publicado por mpgpadre, às 10:40link do post | comentar |  O que é?

       No passado dia 2 de fevereiro, tradicionalmente o Dia das Candeias, a Igreja celebra a festa da Apresentação de Jesus no Templo (mas algumas terras continuam a clebrar em honra de Nossa Senhora das Candeias).

       Como em outras paróquias, também na de Nossa Senhora da Conceição, oportunidade para envolver as ciranças da catequese, acentuando a LUZ, a BÊNÇÃO, as primícias. A clebração da Eucaristia iniciou com a bênção das velas, recordando o nosso batismo: à LUZ que é Cristo Jesus vamos buscar luz para as nossas vidas.

       O Evangelho (que disponibilizámos), foi encenado por crianças e adolescentes da catequese, e com um bébé. No momento de ação de graças, a bênção e distribuição do pão, símbolo da primícias da terra, como oferenda a Deus, pedindo que nos dê fartura de pão e sobretudo de sentido para a nossa vida. No final a bênção de todas as crianças da catequese, renovando o desafio da fé para nos tornarmos bênção uns para os outros.

       Para outras fotos visitar a página da Paróquia de Tabuaço no facebook.


03
Jan 13
publicado por mpgpadre, às 10:38link do post | comentar |  O que é?

(Esboço do Editorial Voz Jovem - dezembro 2012)

 

       1 – Como é que um acontecimento tão longínquo pode dizer-nos respeito e modificar a nossa vida? Como é que a nossa fé poderá hoje ter a vitalidade que tinha para os apóstolos e nas primeiras comunidades cristãs?

       Com efeito, o Natal é tão atual agora como no tempo de Jesus. Como? Precisamente porque se trata de um evento intemporal. O mistério de Deus envolve a humanidade toda. Jesus nasce para todos. É luz de Israel que revelará a todas as nações, como profetiza o velho Simeão por altura da apresentação de Jesus no templo (Lc 2, 21-39).

        O grande salto de Deus é a Encarnação. Ora Se Deus pode ENCARNAR, de forma discreta, quase no anonimato e dar-Se a conhecer ao mundo inteiro, simbolizado na adoração dos Magos, então o acesso ao Deus Menino é igual para as pessoas de todos os tempos e lugares. Os pastores souberam da boa e alegre NOTÍCIA, a partir do Céu, sob o qual também nos encontramos. Pisámos a mesma terra, protegida pelo mesmo Céu.

       As circunstâncias são diferentes como diferente é o tempo que passa, mas é o mesmo Deus que quer habitar em nós e ficar entre nós. Um dia lá em Belém, hoje em qualquer coração, em todas as casas, em todas as aldeias e cidades.

 

 

       2 – Como reagiria eu se Maria e José me batessem à porta? Tenho lugar para Deus na minha vida? São interpelações feitas por Bento XVI na missa da noite de Natal, no Vaticano. Como viver hoje o Natal?

       Se estamos cheios de nós mesmos não há lugar para os outros. Importa voltar ao mistério do Natal. Deus, na Sua grandeza ousa assumir a nossa natureza frágil, “como se dissesse: Sei que o meu esplendor te assusta, que à vista da minha grandeza procuras impor-te a ti mesmo. Por isso venho a ti como menino, para que Me possas acolher e amar” (Bento XVI, missa da noite de Natal).

       A LUZ projetada então em Belém, há de invadir-nos de novo. A glória a Deus implica-nos na promoção da paz e da justiça na terra dos homens. Voltemos à expressividade de Bento XVI:

       “Onde não se dá glória a Deus, onde Ele é esquecido ou até mesmo negado, também não há paz… Se a luz de Deus se apaga, apaga-se também a dignidade divina do homem. Então deixamos de ser, todos, irmãos e irmãs, filhos do único Pai que, a partir do Pai, se encontram interligados uns aos outros”.

       Esta é a candura de Deus que Se faz Menino, vulnerável, mas cuja Luz é redenção. Com o Menino aprendamos a ser irmãos, tornemo-nos verdadeiramente filhos de Deus, reconhecendo no outro a PRESENÇA do Deus altíssimo que por amor Se faz criança, inocente, frágil, com um olhar que nos procura e nos desafia.

 

       3 – Viver hoje o Natal imitando Maria.

       Docilidade que escuta e se dispõe a acolher o mistério que vem de Deus. Não compreende tudo. Nem tudo se encerra nos nossos esquemas racionais, há mais vida para lá das nossas justificações e para lá do que é palpável. O essencial só é visível aos olhos do coração.

       Docilidade que interroga. Não aceitar tudo o que vem do mundo, ou das pessoas que nos rodeiam ou que venha com a roupagem do divino. Em ano da fé, importa de novo interrogar os fundamentos da nossa fé, as razões da nossa esperança. Ela interroga o Anjo. Interroga Jesus. Medita os acontecimentos.

       Docilidade no serviço. Pressa em ser prestável. Primeiro ajudar e só depois pensar. Quem pensa demasiado como ajudar, quase nunca descobre a alegria de servir. Simplesmente servir, em casa da sua prima Isabel (Lc 1, 39-45), nas bodas de Canaã (Jo 2, 1-11). Serviço que começa por casa e pela família.

 

       4 – Viver hoje o Natal imitando José.

       Não fazer julgamentos precipitados. José descobre que Maria está grávida. O filho não é seu. Não se precipita. Aguarda. Pensa. Reflete. Sonha. Só então percebe como os planos de Deus vão além dos planos humanos e temporais. É um homem justo. Não lhe conhecemos palavras. Mas conhecemos o compromisso com Maria e com Jesus. Conhecemo-lo como trabalhador. Protege a sua casa com trabalho e com dedicação, dá um nome a Jesus e constrói a casa para serem verdadeiramente família, em Belém ou em Nazaré.

 

       5 – Viver hoje o Natal com a Família de Nazaré.

       A vida nunca é a ideal. Maria e José encontram dificuldades por altura do nascimento, tem de ser criativos para protegerem o Menino, e logo depois a necessidade de deixarem a casa e a terra para sobreviverem. Tinham o suficiente. Sem ostentações. Mas em clima de oração e de diálogo. Cumprem com as tradições religiosas. Apresentam Jesus no Templo. Todos os anos vão ao Templo de Jerusalém, pela Páscoa. Estão inseridos na comunidade, vivem a fé na abertura à comunidade. Quando encontram Jesus não O recriminam, perguntam-lhe as razões de tal atitude…

       Compreensão e tolerância. A religião há de aproximar, proteger, promover a vida, o diálogo, a harmonia. Não é propriedade privada. A religião abre-nos aos outros. Maria e José colocam Jesus na manjedoura, abrem as portas para os pastores, para os magos, para nós!

 

       6 – Viver hoje o Natal com a postura de Jesus.

       Jesus alimenta-se da vontade de Deus. Vive a partir de Deus. Isso não significa que não deva obediência a Maria e a José. O episódio narrado por Lucas é significativo (Lc 2, 41-52). Não se trata apenas da perda de Jesus no templo. Muito mais. Primeiro, mostra como a família se insere na prática da religião. Como Jesus acompanha os pais. Como nos situa no essencial: ocupamo-nos das nossas coisas, Jesus ocupa-se sobretudo com as coisas de Deus. Quando não há lugar para Deus, deixa de haver espaço para os outros.

       Escuta Maria (e José). Regressa com eles. Respeita. É obediente. Alimenta a sabedoria em família.

 

       7 – Viver o Natal a partir do Natal de Jesus.

        É recorrente que as festas do Natal tenham muito de benéfico para as famílias e pontualmente para pessoas mais carenciadas, com campanhas solidárias. Não é menos verdade, que esta e outras festas são oportunidade de negócio. Para muitas pessoas não é mais do que isso. Tudo se resume a comprar e a vender, a gastar e a consumir. Como no Antigo Testamento, também hoje as posses parecem ser sinal de bênção. O consumo pode iludir por certo tempo o questionamento da vida.

       Cada vez mais o Natal dispensa Jesus. Dispensa a LUZ que nos vem do alto. E definitivamente a vida pulsa mais nos afetos e sentimentos que nos bens que possuímos. Com conta, peso e medida, estes ajudam-nos a viver melhor, mas por vezes são apenas fonte de preocupação. No presépio (curral) onde o milagre acontece não há muitas coisas, mas há calor. Aquele nascimento irradia luz. Abre as portas. Aquela criança é uma bênção. Para os pais. Para Israel. Para os pastores. Para os magos. Para os povos da terra.

       E hoje? As vidas que nascem (e as que estão para nascer) são bênção para os pais? Para a sociedade? Como é que acolhemos quem irrompe na nossa vida?

       Viver hoje Natal, com desprendimento, com simplicidade, acentuando os afetos, atendendo a cada olhar, recebendo o outro como presente de Deus, e oferecendo-nos como DOM a favor de todos, concretizando em nossa casa, na nossa rua, no nosso bairro, na nossa comunidade.


publicado por mpgpadre, às 10:35link do post | comentar |  O que é?

       1 – Como é que um acontecimento tão longínquo pode hoje modificar a nossa vida?

       Com efeito, o Natal é tão atual agora como no tempo de Jesus. Como? Trata-se do mistério de Deus que envolve a humanidade toda. Jesus é luz de Israel que Se revelará a todas as nações (cf. Lc 2, 21-39). É o mesmo Deus que quer habitar em nós. Um dia lá em Belém, hoje em cada coração.

 

       2 – Como reagiria eu se Maria e José me batessem à porta? Tenho lugar para Deus na minha vida? Interpelações de Bento XVI na noite de Natal. Se estamos cheios de nós mesmos não há lugar para os outros.

       Importa voltar ao mistério do Natal. Deus, na Sua grandeza, assume a nossa natureza frágil, “…Por isso venho a ti como menino, para que Me possas acolher e amar”.

       De novo as palavras de Bento XVI:

       “Se a luz de Deus se apaga, apaga-se também a dignidade divina do homem. Então deixamos de ser, todos, irmãos e irmãs, filhos do único Pai que, a partir do Pai, se encontram interligados uns aos outros”.

 

       3 – Viver hoje o Natal imitando Maria.

       Docilidade na escuta. Não compreende tudo. O essencial só é visível aos olhos do coração.

       Docilidade que interroga. Maria interroga o Anjo e Jesus. Guarda e medita os acontecimentos. Interroguemos a nossa fé. Não aceitar tudo o que vem do mundo, ou com a roupagem do divino…

       Docilidade e pressa no serviço. Primeiro ajudar e só depois pensar. Quem pensa demasiado como ajudar, quase nunca ajuda…

 

       4 – Viver hoje o Natal imitando José.

       Não fazer julgamentos precipitados. José descobre que Maria está grávida. O filho não é seu. Não se precipita. Aguarda. Pensa. Reflete. Sonha. Só então percebe como os planos de Deus vão além dos planos humanos e temporais.

       5 – Viver hoje o Natal com a Família de Nazaré. A vida nunca é a ideal. Maria e José encontram dificuldades, têm de proteger o Menino, no nascimento. Depois, têm de deixar a casa e a terra para sobreviver.

       Compreensão e tolerância. A religião abre-nos aos outros. Maria e José abrem as portas para os pastores e os magos. Cumprem com as tradições religiosas. Apresentam Jesus no templo, vão lá todas as páscoas, voltam para O procurar, interrogam para perceber, guardam no coração o que ultrapassa a compreensão humana.

 

       6 – Viver hoje o Natal com a postura de Jesus.

       Jesus alimenta-se da vontade de Deus. Vive a partir de Deus. Mas obedece a Maria e a José (cf. Lc 2, 41-52).

 

       7 – Viver o Natal a partir do Natal de Jesus.

       Cada vez mais o Natal dispensa Jesus… A vida pulsa mais nos afetos e sentimentos que nos bens que possuímos. No presépio (curral) onde o milagre acontece não há muitas coisas, mas há calor, luz. Aquela criança é uma bênção. Para os pais. Para Israel. Para os povos da terra.

       E hoje? As vidas que nascem (e as que estão para nascer) são bênção para os pais? Para a sociedade? Como é que acolhemos quem irrompe na nossa vida?

 

in Boletim Voz Jovem, dezembro 2012

Para uma melhor compreensão consultar o esboço: Viver o Natal em 2013


30
Dez 12
publicado por mpgpadre, às 09:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – Quando nos damos conta que Jesus não segue connosco, como é que reagimos?

       Podemos até nem perceber que Jesus já não vai connosco.

       Bento XVI propõe-nos o ANO da FÉ, na procura do fundamento, do sentido, da matriz da fé. O que nos move. O que nos diz Jesus. O que é roupagem e o que é essencial. Em que Deus acreditamos? Quem segue connosco no caminho?

       2 – Na festa da Sagrada Família, é-nos proposta mais uma pérola do Evangelho de São Lucas. Por volta dos 12 anos, José e Maria levam Jesus a Jerusalém, ao Templo, como faziam cada ano pela Páscoa. Entrado nos 12 anos, podia discutir os temas da Bíblia, já não era a criança. Chegara a idade de também se interrogar sobre os fundamentos da fé e de se preparar (a partir dos 13 anos) para cumprir com a Lei, de se apresentar no Templo nas 3 festas principais: Páscoa, das Semanas (Pentecostes) e das Cabanas.

       Leia-se com atenção o relato de São Lucas e veja-se como a família teve um papel preponderante na Sua educação, na inserção na comunidade, e na atitude de diálogo, de confiança e de compreensão:

“Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém… Quando eles regressavam, passados os dias festivos, o Menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que seus pais o soubessem… Passados três dias, encontraram-n’O no templo, sentado no meio dos doutores, a ouvi-los e a fazer-lhes perguntas… Quando viram Jesus, seus pais ficaram admirados; e sua Mãe disse-Lhe: «Filho, porque procedeste assim connosco? Teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura». Jesus respondeu-lhes: «Porque Me procuráveis? Não sabíeis que Eu devia estar na casa de meu Pai?». Mas eles não entenderam as palavras que Jesus lhes disse. Jesus desceu então com eles para Nazaré e era-lhes submisso. Sua Mãe guardava todos estes acontecimentos em seu coração. E Jesus ia crescendo em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens”.

       3 – Fica desde logo claro que Maria e José perderam Jesus pelo caminho. São pessoas, não são Deus. Podia acontecer a qualquer família. Pelos 12 anos, as crianças ganhavam a liberdade de se juntar aos da sua idade, e viajarem juntos. À noite regressavam para os pais. Nessa ocasião, Maria e José deram-se conta que Jesus não se encontrava na caravana. Tinham feito um dia de viagem para norte. Viajam outro dia de regresso a Jerusalém e encontram Jesus ao terceiro dia (pode ser já uma imagem da ressurreição, Jesus aparece/ressuscita ao terceiro dia).

       A perda de Jesus, lido o texto com atenção, exprime antes de mais a prioridade da missão: primeiro as coisas de Deus. Mostra como a família de Jesus é profundamente religiosa. Todos os anos vai ao Templo. José é um homem justo, face à Lei, cumpridor dos requisitos da Torah. Veja-se a conjugação entre liberdade e obediência. Jesus esclarece a prioridade.

 

       4 – Mas há outros elementos que importa sublinhar. Maria e José dão-se conta que Jesus não está com eles no caminho e imediatamente voltam à sua procura. A família protege os seus membros. Por isso é família. Maria e José deixam o caminho para procurar Jesus.

       Chegam perto de Jesus, e não discutem com Ele, mostram a preocupação e perguntam-lhe pela razão de ter procedido daquele modo. Mais uma lição importante para pais, para educadores, para a forma como lidar uns com os outros. Perguntar. Escutar as razões dos outros. Tentar compreender o porquê de determinada atitude.

       No mesmo registo, a epístola de São Paulo aos Colossenses:

"…perdoai-vos mutuamente… revesti-vos da caridade… Filhos, obedecei em tudo a vossos pais, porque isto agrada ao Senhor. Pais, não exaspereis os vossos filhos, para que não caiam em desânimo".

       5 – Voltemos uma vez mais à narrativa evangélica.

       Maria, José e Jesus voltam juntos para casa. São família na festa e na dificuldade. Maria e José não deixam o filho para trás. Perderam-no e vão procurá-lo. Jesus não contesta a “repreensão” de Maria. Regressa com os pais, em atitude filial, obediente, crescendo com eles em graça e sabedoria.

       Bem Sirá, inspirado por Deus, deixa-nos uma preciosidade:

“Deus quis honrar os pais nos filhos e firmou sobre eles a autoridade da mãe. Quem honra seu pai obtém o perdão dos pecados e acumula um tesouro quem honra sua mãe. Filho, ampara a velhice do teu pai e não o desgostes durante a sua vida”.


Textos para a Eucaristia (ano C): Sir 3, 3-7.14-17a; Col 3, 12-21; Lc 2, 41-52.

 


20
Dez 12
publicado por mpgpadre, às 10:58link do post | comentar |  O que é?

 

A NOTÍCIA DO NATAL

Chega uma criança

À madrugada

Desarmada

Traz mãos e pés e uns olhos tão bonitos

Traz um rasto de lume e de esperança

E uma espada

Apontada

À raiz dos nossos conflitos.

1. É assim que vem Jesus em filigrana pura, em contra-luz coada de alegria, e atravessa ao colo de Maria as páginas arenosas da Escritura. Ei-lo que vem rosado de ternura, acorda, esfrega os olhos azulados de lonjura, salta para o chão, vê-se que procura a minha mão, sabe o meu nome e o de toda a criatura.

 

2. Conta-me histórias, a dele e a minha, mas conta também as estrelas uma a uma, apresenta-me Abraão, Moisés, David, demora-se um pouco no caminho com Elias, Isaías, Miqueias, Jeremias, recebe os pastores dos campos de Belém, canta com eles, acena aos anjos nas alturas, fica longamente extasiado a abrir os presentes trazidos pelos magos.

 

3. O espaço que habita é um curral que os animais gratuitamente acederam partilhar com ele, com ele brincam, vê-se que sabem de cor a partitura de Génesis um e de Isaías onze.

 

4. Maria e José também conhecem e jogam esse jogo, esfuziante corre-corre de alegria, até eu dou por mim a fazer casinhas num prato de aletria, mas na sala ao lado há gente a dormir longe dali, refastelada e dormente, indiferente, trocando a luz do dia pela romaria.

 

5. Oh humanidade sem sal, sem sol e sem sonho, só com sono, acorda que já a luz desponta, todo o tempo é pouco porque o tempo é graça, não fiques atolada na desgraça, desconsolada e triste, como quem tem sempre que pagar a conta.

 

6. Levanta-te, olha em redor e vê que já nasceu o dia, e há-de andar por aí uma roda de alegria. Se não souberes a letra, a música ou a dança, não te admires, porque tudo é novo. Olha com mais atenção. Se mesmo assim ainda nada vires, então olha com os olhos fechados, olha apenas com o coração, que há-de bater à tua porta uma criança. Deixa-a entrar. Faz-lhe uma carícia. É ela que traz a música e a letra da canção. Ela é a Notícia.

 

+ António Couto

 

Ps – O mais belo Natal de Jesus para todos e um Novo Ano cheio das maravilhas do nosso Deus, são os votos do vosso bispo e irmão, António.


27
Abr 12
publicado por mpgpadre, às 10:12link do post | comentar |  O que é?

       Casa de Nazaré, casa bendita, casa onde se fala ao coração: o amor sob cada silêncio, a esperança sob cada medo, a poesia dos gestos quotidianos, os olhos simples sobre as coisas, o instante que empalidece no eterno e o eterno que germina em cada instante. Casa: onde é possível encontrar Deus nos gestos.

       Casa de trabalho e de repouso: «Em paz me deito e adormeço tranquilo nos braços de Deus» (cf. Sl 3,6; 4,9). Quase um terço da vida nos braços de Deus.

       Casa onde se fala ao coração. Jesus é o mais forte (Mc 1,7), diz João Batista: porque é o único que fala ao coração do homem, que toca o centro do humano. O profeta antigo invocava: «Falai ao coração de Jerusalém» (Is 40,2). Quantas vozes falam à nossa volta: muitos falam aos instintos do homem e fazem ressoar somente as suas cordas mais graves; poucos falam à sua inteligência e ajudam-no a compreender. A voz de Deus é a única que fala ao coração e atinge o centro do homem. Esta é a sua força...

 

       Naquela casa aprendeu a palavra. Cada menino que nasce, ainda antes de começar a compreender, é alimentado com palavras, cumulado de palavras. De repente, os seus pais falam-lhe e não para lhe fornecer noções. Introduzem-no na vida, levam-no com braços de palavras, introduzem-no no seu amor à força de palavras. Torna-se humano este mar de palavras.

       Isto fará a Palavra de Deus connosco: faz-nos humanos, conduz-nos à vida, introduz-nos naquele amor que é a vida de Deus.

 

ERMES RONCHI, As casas de Maria


22
Mar 12
publicado por mpgpadre, às 15:43link do post | comentar |  O que é?

       Aí está, para já em formato digital, e no fim de semana em papel, distribuído gratuitamente aos paroquianos, o Boletim Paroquial Voz Jovem, na sua edição de março, com o número 140. Os temas, como é habitual, estão relacionados com a vivência da fé, na comunidade paroquial, e na aberura à Igreja e à sociedade. Neste mês os assuntos relacionam-se com a Quaresma, a conversão, com o Dia de São José e do Pai, com o Dia Diocesano do Catequista, a reflexão bíblica, continuando o texto de janeiro, e as informações próprias da vida paroquial.

       Boa leitura.

       O Boletim poderá ser lido a partir da página da paróquia de Tabuaço, ou fazendo o download:


21
Mar 12
publicado por mpgpadre, às 10:00link do post | comentar |  O que é?

       Como é já habitual, a Eucaristia solene do dia 19 de março, em honra de São José e dedicada aos Pais, contou com a bela presença das famílias, pais e mães, crianças e adolescentes da catequese, e é por estas animado, no canto como nos gestos. Cada criança/adolescente entregou aos pais um postal realizado na catequese, e a todos os pais/homens foi entregue um cravo. No ofertório símbolos da fé e da vida, da Eucaristia e de São José, do trabalho e da beleza. E ainda tempo para um poema de Florbela Espanca dedicado aos pais.

 

       Pode visualizar mais algumas fotos aqui: Paróquia de Tabuaço no Facebook

       E as mesmas fotos em formato de vídeo, com uma belíssima música, "Enche-nos com o Teu Espírito".


08
Mar 12
publicado por mpgpadre, às 10:34link do post | comentar |  O que é?

ERMES RONCHI, As casas de Maria. Polifonia da existência e dos afectos. Paulinas: Prior Velho 2010.

 

 

       Há meia dúzia de dias trazíamos aqui uma sugestão de leitura deste mesmo autor: Os Beijos não dados. Tu és a Beleza. A amizade é a mais importante viagem. Anteriormente publicado em Portugal esta poesia sobre Maria.

       As casas de Maria é uma obra prima.

      É uma poema. Um poema perfumado em palavras, frases, parágrafos, páginas, que sabem a mel, e a doce de amora, sabem a pão, quente, fresco, acabado de sair do forno, é água refrescante, que nos sacia nos dias tórridos de verão e nos nossos desertos interiores.

        Há muitos livros bons e excelentes autores, cultores da vida, pintando-a de mil cores, aproximando o mistério, tornando acessível a beleza que nos rodeia, o mundo, as pessoas, a natureza, o próprio Deus. Este é um dos livros bons, de fácil leitura. A expressão que me ocorre, uma vez mais, é um livro escorreito, escrito ao correr da pena, deslizante, que nos faz deslizar pelas casas de Maria, da festa e da dúvida, casa do pão que se amassa com a força da persistência, misturado com as lágrimas da paixão e do amor, casa de acolhimento, de silêncio e de palavras que afagam, acariciam, e protegem, promovem a vida. Casa dos sonhos de José, do encantamento, da descoberta, do coração aberto para as surpresas que Deus envia.

       Há muita literatura sobre Maria.

       Há belíssimas páginas que engrandecem a Mãe de Jesus e no-l'A apresentam adornada de Graça e de Beleza, de Luz e Sol. Há belíssimas páginas que nos ajudam a venerar Maria, Senhor nossa, Mãe de Jesus e Mãe da Igreja.

       "As casas de Maria", não é um tratado teológico, um discurso, uma pregação, por mais úteis que estes sejam, é uma parábola sobre a vida quotidiana, sobre os sonhos, sobre a humanidade, nas suas aspirações, na sua limitação e na sua abertura ao Infinito. É uma carta escrita com o coração, com a tinta da fé, com as cores de muitas vivências.

       Se costuma sublinhar as leituras que faz, este será um sublinhado constante, a caneta poucas vezes se há de levantar de cada página.

       Leve, suave, simples, fácil de assimilar e mastigar, envolvente.

       Nas casas de Maria há lugar para nós, para cada uma, para a família e para a comunidade, para os filhos perdidos e achados, e os filhos mais pequenos, e para todos.


25
Dez 11
publicado por mpgpadre, às 00:05link do post | comentar |  O que é?

       1 – É NATAL. É festa, alegria, júbilo. É tempo de CELEBRAR o amor de Deus para connosco. É luz, é vida, presença de Deus na nossa história. É dia, é graça, é hora de acordar e de viver. É tempo de esperança e paz, Deus veio até nós. "O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; para aqueles que habitavam nas sombras da morte uma luz começou a brilhar. Multiplicastes a sua alegria, aumentastes o seu contentamento... Porque um menino nasceu para nós, um filho nos foi dado. (Is 9,1-6: Missa da meia-noite).

       As trevas dissipam-se pois se levanta no horizonte uma grande LUZ, o Deus que vem, que nasce, o Deus que faz a Sua morada em nós, na nossa vida, no mundo em que vivemos. A alegria substitui o medo e a escuridão. "Não temais, porque vos anuncio uma grande alegria para todo o povo: nasceu-vos hoje, na cidade de David, um Salvador, que é Cristo Senhor" (Lc 2,1-14).

       É hora de louvar, agradecer, cantar. "Cantai ao Senhor um cântico novo pelas maravilhas que Ele operou... O Senhor deu a conhecer a salvação, revelou aos olhos das nações a sua justiça... Os confins da terra puderam ver a salvação do nosso Deus... Aclamai o Senhor, terra inteira, exultai de alegria e cantai..." (Sl).

       O nascimento de Jesus Cristo, Deus feito homem, modifica a história para sempre, e há de transformar a nossa vida. A presença do próprio Deus em nós, e entre nós, é razão mais que suficiente para nos envolvermos no bem, na justiça, na paz, para nos deixarmos inundar com a Luz que d'Ele nos chega. "Àqueles que O receberam e acreditaram no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus..." (Evangelho).

 

       2 – "Muitas vezes e de muitos modos falou Deus antigamente aos nossos pais, pelos Profetas. Nestes dias, que são os últimos, falou-nos por seu Filho, a quem fez herdeiro de todas as coisas e pelo qual também criou o universo..."

       É o amor que preside à criação e que sustenta o universo inteiro e, por maioria de razão, o ser humano, imagem e semelhança de Deus. Deus criou-nos para sermos felizes, para vivermos como família, harmoniosamente, sob o Seu olhar misericordioso, deixando-nos transparecer pelo Sua presença, para que não houvesse opacidade na nossa vida. Deus como comunhão de vida e de amor, fonte da comunhão a existir entre os homens de toda a terra.

       Porque nos ama infinitamente, Deus não cessa de nos falar e de querer habitar em nós. De muitas formas. Nas mais diversas ocasiões e circunstâncias, pela criação, pelos profetas, pela história. Nem sempre nos mostramos disponíveis para O acolher, para O escutar. Nem sempre a nossa vida cumpre com a nossa identidade, filhos de Deus.

       Chegada a hora, segundo o beneplácito de Deus, envia-nos o Seu próprio Filho. Não sobre as nuvens, exteriormente, mas fazendo-O entrar na história e no tempo, gerando-O como Homem entre os homens, revelando a plenitude do Seu amor, entrando na humanidade, assumindo a nossa fragilidade e finitude, não como limite, mas como abertura aos outros, à vida, e à divindade.

       "No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus... Tudo se fez por meio d’Ele e sem Ele nada foi feito. N’Ele estava a vida e a vida era a luz dos homens... O Verbo era a luz verdadeira, que, vindo ao mundo, ilumina todo o homem... E o Verbo fez-Se carne e habitou entre nós. Nós vimos a sua glória, glória que Lhe vem do Pai como Filho Unigénito, cheio de graça e de verdade... a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo. A Deus, nunca ninguém O viu. O Filho Unigénito, que está no seio do Pai, é que O deu a conhecer".

 

       3 – "Como são belos sobre os montes os pés do mensageiro que anuncia a paz, que traz a boa nova, que proclama a salvação e diz a Sião: «O teu Deus é Rei». Eis o grito das tuas sentinelas que levantam a voz. Todas juntas soltam brados de alegria, porque veem com os próprios olhos o Senhor que volta para Sião. Rompei todas em brados de alegria, ruínas de Jerusalém, porque o Senhor consola o seu povo, resgata Jerusalém. O Senhor descobre o seu santo braço à vista de todas as nações e todos os confins da terra verão a salvação do nosso Deus".

       A nós foi-nos dada o favor de contemplar a plenitude dos tempos, o privilégio de acolher em nossas vidas o Verbo de Deus, a Palavra que Se faz carne, que eleva a nossa humanidade à eternidade de Deus e Se deixa de novo transformar e nos deixa, pelo pão e pelo vinho consagrados, em memorial, o Seu Corpo e Sangue. A Sua vinda não é passageira, como se viera de viagem ou de férias. Veio para ficar. Como verdadeiro Homem teria sempre os seus dias contados. Como verdadeiro Deus, deu-nos o poder de O aprisionarmos em nós, nos Sacramentos, na Eucaristia, no bem que praticamos, "o que fizerdes ao um destes meus irmãos, a Mim o fazeis".

       O nosso grito é confiante, é de alegria e de festa, porque a Boa Nova chega até nós. Ressoe em nós a certeza que nos dá Deus Pai: «Tu és meu Filho, Eu hoje Te gerei» e n'Ele, Deus feito homem, cada um de nós se torne verdadeiro filho de Deus, desde que, como escutámos no Evangelho, O recebamos e acreditemos n'Ele.


Textos para a Eucaristia: Is 52,7-10; Sl 97 (98); Heb 1,1-6; Jo 1,1-18. 

 

Reflexão dominical na página da Paróquia de Tabuaço.


08
Dez 11
publicado por mpgpadre, às 17:06link do post | comentar |  O que é?

       No sétimo dia de novena o nosso pregador, Pe. António Giroto, partiu de duas passagens dos Evangelhos de Infância: a "Apresentação de Jesus no Templo e a Purificação de Nossa Senhora (4.º mistério gozoso) e a "perda e encontro de Jesus no Templo entre os Doutores da Lei (5.º mistério gozoso).

       Maria não precisava de purificação, Ela é sumamente pura, mas não quer "armar-se", cumpre, como todos os do seu tempo, com os preceitos religiosos prescritos. Assim o cumprem Maria e José em relação a Jesus.

       No templo estão dois anciãos, Simeão e Ana. São movidos pelo Espírito Santo. Quando o Espírito Santo guia as nossas escolhas não erramos.

       Simeão expressa a sua alegria ao receber o Menino nos seus braços. N'Ele reconhece o Messias prometido: "Agora Senhor, segundo a Tua palavra, deixareis ir em paz o vosso servo, porque os meus olhos viram a salvação que puseste ao alcance de todos os povos, luz para se revelar às nações, glória de Israel vosso povo." Nas palavras de Simeão, a certeza de que o Deus que vem está em seus braços, dado ao mundo por Maria.

       Mas se Simeão proclama a glória, também projeta a cruz: "uma espada atravessará a tua alma". Maria e José não entram em euforia nem se tornam depressivos. Confiam em Deus.

 

       A perda de Jesus no templo marca uma nova etapa na vida de Jesus, passa para a idade adulta, pode ler e comentar a Sagrada Escritura em público. Ele está onde deve estar, no templo. Maria e José dão-se conta que Jesus ficou para trás. Notam a ausência do MENINO. Quantas vezes nos apercebemos da ausência de Deus, não porque Ele esteja distante, mas porque o nosso pecado ou a nossa distração não nos permitem perceber a Sua presença. Precisamos de O procurar onde O poderemos encontrar. Maria e José voltam ao templo. Hoje, a Igreja é o lugar privilegiado para encontrar Jesus, no pão da Eucaristia. Podemos encontrar Deus no mundo, nas pessoas, na natureza, mas é na Igreja, nos Sacramentos, no Pão da Eucaristia onde Ele se dá inteiramente.

       Como Maria e José, precisamos de regressar, voltar, procurá-l'O, ou melhor, deixarmo-nos encontrar por Ele. Mas ainda que se esteja bem no templo, na Igreja, e nos sintamos fortes, não podemos ficar o tempo todo, temos de ir. Maria e José encontram o Seu menino no templo, depois regressam a casa, ao mundo, guardam as Suas palavras, para o testemunhar. Assim também nós, procuremo-l'O até o encontrar, como diria Santo Agostinho, e depois de O encontrar, continuemos a procurá-l'O... voltemos com Ele para a nossa casa, para o nosso mundo.


publicado por mpgpadre, às 15:30link do post | comentar |  O que é?

       No 4.º dia da Novena de preparação para a Festa de Nossa Senhora da Conceição, o nosso pregador centrou a sua reflexão na figura de São José, como esposo de Nossa Senhora, e como Pai de Jesus.

       São José, um homem jovem, que tem promessa de casamento com Maria, é "surpreendido" pelos desígnios de Deus. Não terá sido nada fácil. As promessas trocadas entre Maria e José assentam na honra e na fidelidade. Entretanto Maria fica grávida. Como seria a reação de José perante um facto de que é alheio? De estupefacção? E agora?

       Certamente Deus encarrega-se de preparar também São José, falando-lhe ao coração. José aparece como um homem justo. Ele justifica-se pela honestidade, pelo trabalho, pela dedicação à família. É um homem de silêncio, que se põe à escuta de Deus. Temos uma boca e dois ouvidos, para ouvirmos. Deus fala-nos, mas nós falámos mais. São José escuta. Acolhe a vontade de Deus com alegria, com generosidade.

       É um homem justo. Maria, sua esposa, é a sua santidade. José, por sua vez, é a santidade de Maria. Santificam-se na vivência quotidiana um com o outro e com o filho Jesus Cristo. São José justifica-se com a fé que concretiza em obras, no trabalho humilde, sério, sacrificado. Com as suas mãos alimenta, sustenta, protege Maria e Jesus. Ele é verdadeiramente pai de Jesus, na medida em que cria o espaço para que Jesus viva tranquilo, seguro e feliz. Pai não é apenas o que dá a vida, mas o que está, acompanha...

       Numa imagem sugestiva, o pregador sugeriu que pudéssemos fazer uma ecografia espiritual para vermos até que ponto Jesus Cristo nasce e cresce em nós, no nosso interior, como nasceu e cresceu em Maria e José...


20
Set 11
publicado por mpgpadre, às 17:36link do post | comentar |  O que é?

       Nasceu há um século, no dia 19 de de Setembro de 1911. 100 anos de vida, para o Sr. José Mendes, viúvo, que teve 8 filhos, dois dos quais morreram em acidentes com a natureza. Um homem paciente, trabalhador, honesto e respeitável.

       A família preparou-lhe uma festa de aniversário completa, 100 anos depois, no dia 19 de Setembro de 2011. Pelas 11h00, a celebração da Eucaristia, no altar de Santa Eufémia, Padroeira de Pinheiros.

        O Pregador convidado foi o mesmo das Festas anuais de Santa Eufémia e Santa Bárbara, Pe. António Jorge Giroto, que partindo do nome do homenageado, em celebração de Acção de Graças (= Eucaristia), para apresentar São José como modelo de vida e exemplo a seguir, pelo silêncio, trabalho, dedicação à família, humildade e descrição.

       Também desta vez usou letras para daí "fixar" palavras, atitudes. No dia de Santa Eufémia tinha sido o C, no dia de Santa Bárbara, o P, neste dia as vogais, A,E,I,O,U.:

A - de AMOR, a Deus e ao próximo. O amor e a amizade são fundamentais para dar sentido à vida;

E - de ESPERANÇA. O cristão tem razões para ser e viver alegre, porque confia, espera em Deus, acredita que Deus não lhe faltará;

I - de IMAGINAÇÃO. Criar, ser imaginativo, não estar à espera que os outros resolvam a sua vida;

O - de ORAÇÃO, como São José, uma oração que dialoga com Deus, não apenas que fala, mas sobretudo que escuta;

U - de UNIDADE, construindo laços de afecto e de amizade, dando sabor à vida, não apenas ~união, o estar juntos, uns ao pé dos outros, mas interagir com os outros, uns nos outros e em Deus.


01
Abr 11
publicado por mpgpadre, às 11:02link do post | comentar |  O que é?

       Há momentos da vida da comunidade que são marcantes, significativos. A solenidade de São José ganhou relevância ao longo dos últimos anos, valorizada também com a associação do Dia do Pai. Na paróquia de Tabuaço não é diferente. Os meninos da catequese empenharam-se para surpreender os pais e os pais rewsponderam favoravelmente com a presença alegre.

       Repomos algumas das imagens, em formato de diaporama, entretanto com nova dinâmica e com uma nova música de fundo. No primeiro vídeo, a presença de Carlos Marques, da comunidade Shalom; desta feita, o grupo de música cristã, Laetare.


23
Mar 11
publicado por mpgpadre, às 09:23link do post | comentar |  O que é?
       No passado Sábado, 19 de março de 2011, celebrámos a solenidade de São José e, simultaneamente, o Dia do Pai. Ficam algumas das fotos, com música de fundo de Carlos Marques, da comunidade Shalom:


25
Dez 10
publicado por mpgpadre, às 19:46link do post | comentar |  O que é?

       1 - É Natal.

       Deus entre nós. Deus um connosco. Deus encarna, faz-Se homem. Em Jesus Cristo, a divindade assumiu a fragilidade e a finitude humana e, num projecto de dádiva permanente, dá-nos a vida em abundância, para que o sentido da nossa existência se abra até ao infinito, até à eternidade.

       "E o Verbo fez-Se carne e habitou entre nós. Nós vimos a sua glória, glória que Lhe vem do Pai como Filho Unigénito, cheio de graça e de verdade" (Evangelho do dia). Cada ser humano pode ser morada do Senhor. Ele veio habitar em nós e entre nós, e trazermos a graça e a verdade, para nos tornamos irmãos uns dos outros.

       Deixemos que a luz que nos é dada por Deus que Se faz menino, expondo-se no mais simples e humilde, nos guie na verdade, nos impele para a vivência do perdão e da caridade. Não cruzemos os braços, não baixemos a esperança, pois tudo pode aquele que confia em Deus, não desistamos de viver no bem, com honestidade e justiça, fazendo com que o NATAL, nascimento de Jesus, revolucione efectivamente o nosso coração, o nosso olhar sobre o mundo e sobretudo sobre as pessoas, num compromisso com o novo céu e a nova terra que Jesus nos dá com a Sua vida, mensagem, morte e ressurreição.

       2 - Mas escutemos as palavras sagradas que nos falam do nascimento do Messias de Deus, o Salvador do Mundo:

       "Muitas vezes e de muitos modos falou Deus antigamente aos nossos pais, pelos Profetas. Nestes dias, que são os últimos, falou-nos por seu Filho, a quem fez herdeiro de todas as coisas e pelo qual também criou o universo" (Hebr 1,1-6).

       "Enquanto ali se encontravam, chegou o dia de ela dar à luz e teve o seu Filho primogénito... Disse-lhes o Anjo: «Não temais, porque vos anuncio uma grande alegria para todo o povo: nasceu-vos hoje, na cidade de David, um Salvador, que é Cristo Senhor»" (Lc 2,1-14).

       "O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; para aqueles que habitavam nas sombras da morte uma luz começou a brilhar" (Is 9,1-6).

       O nascimento de Jesus, para nós, crentes cristãos, responde às promessas feitas por Deus ao povo eleito, e que os profetas anunciam permanentemente. Com o Seu nascimento, a expectativa em relação ao futuro torna-se certeza do passado e do presente, Deus veio em Jesus Cristo, o Céu desceu à terra, a Eternidade entrou no tempo, entrou na história da humanidade.

Não mais haverá trevas, porque uma grande luz nos é dada em Jesus Cristo, nasceu-nos o Salvador, chegamos à plenitude dos tempos.

 

       3 - As palavras que configuram a certeza da presença de Deus em nós e entre nós, mobilizam o nosso coração, mas igualmente o nosso compromisso com os outros, com o mundo, com a transformação das realidades que ainda não viram a luz da salvação.

       Também nós, como outrora os profetas, e como o Messias de Deus, devemos ser mensageiros de Deus, mensageiros do bem e do amor, mensageiros da paz e da vida. "Como são belos sobre os montes os pés do mensageiro que anuncia a paz" (Is 52,7-10).

       Ao espreitarmos o Presépio, acolhamos a alegria e o amor que irradia de Jesus, de Maria e de José. Com o coração a transbordar da paz que Ele nos dá, testemunhemo-lo aos outros, com palavras e obras, testemunhemo-lo ao mundo inteiro.

 


22
Mar 10
publicado por mpgpadre, às 12:17link do post | comentar |  O que é?
       O dia 19 de Março é especial para toda a Igreja e, por conseguinte, também para a nossa comunidade paroquial.
       Em dias como este a Igreja torna-se maior, com a participação em grande número das crianças e adolescentes, da catequese, dos pais que os acompanham, e das mães que marcam positivamente a sua presença.
       No últimos anos, esta solenidade, como outras, tem sido preparada generosamente pelas catequistas e com a presença alegre do Grupo Coral da Catequese. Veja algumas imagens que fazem parte da celebração litúrgica:
 
       Deixamos, de seguida o ofertório preparado para esta celebração festiva:
       Martelo e serrote (TRABALHO): "Aceita, Senhor, estes instrumentos de trabalho, que simbolizam o ofício de um grande homem, São José, pai adoptivo de Jesus.
São José ensinou a seu filho as virtudes da justiça, da bondade, da segurança e também do trabalho. José foi um modelo de pai, operário, protector da Sagrada Família e da grande família de Deus que é a Igreja.
       Coração (AMOR): "Senhor, nós Te oferecemos o nosso coração, com um gesto de amor e carinho em honra do nosso pai, de todos os pais, como uma participação humana no amor do Pai que está nos Céus.
       Família (SOLIDARIEDADE): "Apresentamos-Te, Senhor, esta família que simboliza a comunhão conjugal, nascida do amor que o homem e a mulher decidem partilhar um com o outro, para que construam a mais ampla comunhão da família e que se torne um exemplo de humanidade e de verdadeira solidariedade.
       Elos (UNIÃO): Oferecemos-Te, Senhor, estes elos como símbolo da união entre os membros da nossa família, para que as correntes sejam fortes e que encontrem a grande alegria e felicidade, que podemos desfrutar por meio da prática aos princípios do Evangelho.
       Cartazes (RESPEITO, PARTILHA, DIÁLOGO E PAZ): Senhor, abençoai todas as famílias, para que nelas haja Respeito Mútuo, Diálogo, Partilha e Paz na plena observância da Vossa Lei e gratidão para com Deus Pai. Que o respeito entre todos os membros, dentro de casa, seja fonte de sabedoria na vida, uma sementeira de paz e motivo de muita alegria.
 
       Na celebração, valorizámos o Acto Penitencial, tomando consciência das nossas falhas em relação à família; o ofertório, agradecendo a Deus tudo o que de bom nos oferece pelos pais e pela família e simultaneamente como desafio; na Acção de Graças, com um poema e com a oferta de uma flor aos pais presentes...


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