...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...
05
Jan 17
publicado por mpgpadre, às 11:00link do post | comentar |  O que é?

maxresdefault.jpg

       Quando ouvimos uma afirmação desta logo somos tentados a responder rapidamente que Deus nos fala pela criação, pelas pessoas, pela beleza e harmonia da natureza, pelos acontecimentos, fala-nos pela Palavra revelada, palavra de Deus em palavras humanas, e, para nós cristãos, fala-nos em Jesus Cristo, a Palavra de Deus encarnada.
       É uma certeza que nos vem da fé e que é comum a outras religiões ou convicções religiosas. Também o Antigo Testamento, que nos une aos judeus, na primeira Aliança e na revelação da vontade de Deus através das gerações, se narram as intervenções de Deus, por sinais, por anjos, pelos acontecimentos históricos, pelos patriarcas, juízes, profetas e reis, que acolhem a Palavra de Deus e a comunicam ao povo.
       Os profetas são o expoente máximo desta comunicação de Deus ao seu Povo. Chamados e enviados por Deus, são os Seus mensageiros especiais. Alertam. Chamam à atenção para os desvios, os pecados e os afastamentos dos mandamentos, cujas consequências são nefastas para uma sadia convivência social. Vão junto dos reis para os aconselharem, para denunciarem injustiças, prepotências, para lhes relembrar que a realeza é derivada, isto é, são reis em nome de Deus e é em nome de Deus que devem servir e cuidar de todo o povo, especialmente dos seus membros mais frágeis, promovendo a coesão social, que permitirá, por sua vez, a defesa contra os ataques dos inimigos. Acalentam a esperança. Nos momentos de maior dificuldade, nomeadamente no Exílio, recordam tudo quanto Deus fez pelo povo, o que aconteceu para que estivessem nessa situação e o que os aguarda no futuro. Há que perseverar, pois Deus continuará a guiá-los para a felicidade, no regresso à terra prometida.
       Jesus é o Profeta por excelência. É a própria Palavra de Deus, feita vida, feita pessoa, encarnando. É rosto e presença do Pai. É a eternidade que se entranha no tempo.
       Mas voltemos ao desafio inicial… Se Deus falasse, poderia dizer claramente o que tinha acontecido e não precisávamos de ir a tribunal! Mas pronto, a justiça acabou por prevalecer… Deus sabe o que faz, não dorme. Se não for cá, há de ser no outro mundo!
       Fé simples, mas profunda! A sabedoria do coração que dá esperança, ilumina, sossega, desafia, mas que também pode confundir! A fé nem sempre é fácil, sobretudo quando as coisas não são como projetamos, quando as injustiças prevalecem apesar e além da fé, da confiança em Deus e nos seus desígnios, além da oração e dos sacrifícios… E então há que redobrar a oração e a confiança em Deus!
 
Publicado na Voz de Lamego, n.º 4388, de 22 de novembro de 2016


24
Set 16
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

1 – O que nos distancia de Jesus Cristo e do Seu Evangelho não são os bens materiais, mas a ganância, a avareza, a prepotência, a sobranceria, a autossuficiência, a presunção, a soberba.

O contrário da pobreza de espírito não é a riqueza material mas a avareza. E aqui há cenários variados. Há pobres avarentos, que só não têm tudo porque não podem. Há pobres generosos, simples, despojados e o pouco que têm dá para ajudar os outros… Há ricos avaros, "chupam" tudo quanto lhes é possível, sem olhar a meios… Há ricos, cuja riqueza material é fruto do trabalho honesto, geram riqueza, criam emprego; beneficiam dos próprios bens e alargam os benefícios para os outros.

Jesus responsabiliza-nos pelos mais pobres. Refira-se uma vez mais que Jesus não está a falar para o vizinho. É para mim. É para ti. É para nós. Não nos é pedido o impossível. É-nos exigido o melhor de nós mesmos.

Jesus contesta o homem rico não pela riqueza que possui mas pela sua cegueira e egoísmo, pela incapacidade de sair do seu castelo e compartir a vida com os outros.

lazaro_homem_rico_20130928_gf (4).jpg

2 – A descrição do homem rico e do pobre Lázaro, o contraste gritante que existe entre ambos e o muro levantado que protege um e deixa o outro na rua, é visível na atualidade. Também hoje convivem lado a lado a miséria e a opulência, a degradação humana e o luxo escandaloso. Os governos, por vezes, protegem apenas os poderosos e esquecem-se dos pobres.

Do homem rico não se conhece o nome. Pode ser qualquer um de nós. Por outro lado, mais que apontar nomes, importa denunciar situações de injustiça e prepotência. Vestia de púrpura e linho fino e banqueteava-se esplendidamente todos os dias, fechado dentro dos portões, alheio ao sofrimento dos outros.

Um pobre, chamado Lázaro. O nome já diz da sua pobreza. Os pobres não podem ser números. Não servem para usar como arma de arremesso. Não contam apenas por ocasião das eleições. Têm nome e têm rosto. E ainda hoje há tantos Lázaros, excluídos, sem casa, sem pão, sem família. Este jazia junto ao portão do homem rico, e estava coberto de chagas. Não pede muito, apenas as migalhas que caem da mesa do rico. Mas nem a migalhas lhe são permitidas.

lazaro_homem_rico_20130928_gf (2).jpg

3 – O que fizerdes ao mais pequeno dos meus irmãos é a Mim que o fazeis. O que fizermos agora tem consequências amanhã. As escolhas do tempo influenciam a inserção na vida eterna. Qual efeito borboleta: segundo a teoria do caos, o bater das asas de uma borboleta em Portugal poderá provocar um terramoto do outro lado da terra.

«O pobre morreu e foi colocado pelos Anjos ao lado de Abraão. Morreu também o rico e foi sepultado. Na mansão dos mortos, estando em tormentos, levantou os olhos e viu Abraão com Lázaro a seu lado».

Finalmente este homem rico viu Lázaro. Antes não o tinha visto. A ganância e a superioridade presunçosa cegaram-no. Só se preocupava com o seu umbigo. Um pobre ali tão perto, do lado de fora, a padecer, e não foi capaz de o ver e de o ajudar. Agora tão longe, já o vê e até deseja que Lázaro, enviado por Abraão, possa vir, entrar, aliviar o seu sofrimento. Enquanto podia alterar as coisas, esqueceu-se dos outros. Agora que tudo está concluído quer alterar as regras do jogo, em seu benefício e dos seus, servindo-se de Lázaro a quem não serviu com os seus bens!

 

4 – Mais que nos preocuparmos com o desfecho final, que a Deus confiamos, importa, no tempo presente, aqui e agora – não amanhã ou depois, não em outro lugar ou circunstâncias – viver o melhor, gastando a vida em favor de todos os que Deus coloca à nossa beira, testemunhando a beleza e a alegria da Boa Nova que Jesus nos traz com a Sua vida e com a oferenda de Si mesmo.


Textos para a Eucaristia (C): Am 6, 1a. 4-7; Sl 145 (146); 1 Tim 6, 11-16; Lc 16, 19-31..

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE


07
Nov 15
publicado por mpgpadre, às 20:24link do post | comentar |  O que é?

1 – Quando o pouco é tudo e quando o muito é insignificante!

A vida não é quantificável pela quantidade, mas qualificável pela qualidade, pela intensidade, pelos momentos que fazem a história de uma pessoa, de uma família, de uma comunidade. Há vidas cronologicamente longas que se resumem a muito pouco, sem marcas relevantes na história; há vidas cronologicamente curtas em que são precisas muitas páginas e muitas vidas para absorver tudo o que foi vivido e cuja herança humana perdura para lá do tempo presente.

Do mesmo jeito a generosidade. Não é comensurável em cálculos matemáticos, mas visualizável no envolvimento da pessoa: está totalmente comprometida com o que dá e a quem dá? Ou é apenas um descargo de consciência? Ou um gesto mecânico de tradição?

Jesus colocou-se em frente da arca do tesouro e observa que muito ricos deitam com ostentação avultadas quantias. Aproxima-se uma viúva (pobre) e deita duas pequenas moedas. Antes Jesus alertava-nos: «Acautelai-vos dos escribas, que gostam de exibir longas vestes, de receber cumprimentos nas praças, de ocupar os primeiros assentos nas sinagogas e os primeiros lugares nos banquetes. Devoram as casas das viúvas, com pretexto de fazerem longas rezas».

Aqueles que tinham a obrigação moral de zelar por todos e sobretudo pelos mais pobres, entre os quais se contavam viúvas e os órfãos, ocupam os lugares para se servirem e usarem de diversas artimanhas para explorar as pessoas mais simples.

Atento ao gesto daquela viúva, Jesus diz aos seus discípulos: «Em verdade vos digo: Esta pobre viúva deitou na caixa mais do que todos os outros. Eles deitaram do que lhes sobrava, mas ela, na sua pobreza, ofereceu tudo o que tinha, tudo o que possuía para viver».

O próprio Jesus explica por que é que aquela mulher dando tão pouco deu tanto, deu muito mais que outros. Dizia a Madre Teresa de Calcutá, que "o amor, para ser verdadeiro, tem de doer. Não basta dar o supérfluo a quem necessita, é preciso dar até que isso nos machuque... o importante não é o que se dá, mas o amor com que se dá”. De forma semelhante relembrava o Papa Francisco: "Não esqueçamos que a verdadeira pobreza dói: não seria válido um despojamento sem esta dimensão penitencial. Desconfio da esmola que não custa nem dói" (Mensagem para a Quaresma, 2014).

viuva.jpg

2 – Elias, um dos profetas mais ilustres do povo eleito, experimenta a generosidade e a grande fé de um pobre viúva, que na míngua de bens, se prepara, juntamente com o filho, para se entregar à morte.

Elias afasta-se de Israel, povo ao qual pertence e que se encontra sujeito a um tempo de provação e purificação por se ter afastado de Deus. Elias refugia-se em Sarepta, cidade da Fenícia, onde será acolhido por uma viúva, que sobrevive à custa das esmolas, cada vez mais escassas em tempo de fome, pelo que lhe soa estranho o pedido de Elias: «Por favor, traz-me uma bilha de água para eu beber... Por favor, traz-me também um pedaço de pão».

Começa a desenhar-se um tempo novo em que a confiança em Deus prevalece além das dificuldades atuais. Responde-lhe a mulher: «Tão certo como estar vivo o Senhor, teu Deus, eu não tenho pão cozido, mas somente um punhado de farinha na panela e um pouco de azeite na almotolia. Vim apanhar dois cavacos de lenha, a fim de preparar esse resto para mim e meu filho. Depois comeremos e esperaremos a morte».

Certo da promessa de Deus, Elias replica: «Não temas; volta e faz como disseste. Mas primeiro coze um pãozinho e traz-mo aqui. Depois prepararás o resto para ti e teu filho. Porque assim fala o Senhor, Deus de Israel: ‘Não se esgotará a panela da farinha, nem se esvaziará a almotolia do azeite, até ao dia em que o Senhor mandar chuva sobre a face da terra’».

Genericamente sabemos que contamos sobretudo com a generosidade daqueles que passaram ou passam privações, pois sabem melhor o que custa a vida. Refira-se, obviamente, que a pobreza (espiritual) autêntica é, antes de mais, a abertura a Deus e a disponibilidade para cuidar do outro, usando a vida, os dons e os bens, como instrumento beneficente de todos.

_______________________

Textos para a Eucaristia (B): 1 Reis 17, 10-16; Sl 145 (146); Hebr 9, 24-28; Mc 12, 38-44.

 

REFLEXÃO COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE


15
Fev 14
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – Quando gostamos genuinamente de alguém, procuramos que as nossas palavras e os nossos gestos digam o que sentimos e expressem alegria, gratidão, felicidade. «O que tu és fala tão alto que mal consigo ouvir o que tu dizes» (desconhecido). A pessoa não é o que veste, o que come, o que fala, o que faz. É tudo isso. É um ser mais complexo. Daí que nos seja sempre difícil e falível julgar as pessoas apenas por uma aspeto, uma impressão imediata.

       O cristianismo é, antes de mais e sobretudo, a história de um encontro, de uma descoberta, o nosso encontro com Jesus, Crucificado e Ressuscitado. Um encontro pessoal que desemboca na comunidade. Se vários nos encontramos com Jesus, mais cedo ou mais tarde vamos querer falar d'Ele, partilhar com outros a nossa experiência, vamos querer enriquecer-nos com a experiência de outros. Por outro lado, Jesus desafia-nos à comunhão, a congregarmo-nos como irmãos.

       Regras e sinais de trânsito. Alguém vai pensar que estes são para nos proibir e limitar os nossos movimentos? O código da estrada tem o ensejo de proteger as pessoas. Protegem-nos e protegem os outros. Resultam do bom senso, da experiência, da reflexão, do estudo, da preocupação de criar as condições mais favoráveis e seguras…

       2 – Jesus não só não destrói a Lei como quer completar, levar à plenitude. Esta tem como conteúdo o amor: o amor que se predispõe a dar a vida. «Aquele que praticar e ensinar [os Mandamentos] será grande no reino dos Céus!». A mensagem de Jesus é inclusiva: assume o passado e as lições que podem ajudar no presente e no futuro.

       Mas não apenas isso. Jesus vai mais longe: «Se a vossa justiça não superar a dos escribas e fariseus, não entrareis no reino dos Céus». O Mestre dos Mestres dá vida, carne, músculo, sentido, humanidade a toda a Lei. Esta há de estar ao serviço da dignidade do ser humano e do bem comum.

       Daí a contraposição: «ouvistes que foi dito aos antigos: ‘Não matarás; quem matar será submetido a julgamento’. Eu, porém, digo-vos:Todo aquele que se irar contra o seu irmão será submetido a julgamento… Reconcilia-te com o teu adversário, enquanto vais com ele a caminho... Digo-vos que não jureis em caso algum: nem pelo Céu, que é o trono de Deus; nem pela terra, que é o escabelo dos seus pés; nem por Jerusalém, que é a cidade do grande Rei. Também não jures pela tua cabeça, porque não podes fazer branco ou preto um só cabelo».

       O ensinamento de Jesus conduz à coerência de vida: devemos pôr em prática na nossa vida o que professamos e o que exigimos aos outros. É também nesta lógica que Jesus exige aos seus discípulos uma linguagem simples e respeitadora do outro: «A vossa linguagem deve ser: ‘Sim, sim; não, não’. O que passa disto vem do Maligno».


Textos para a Eucaristia (ano A): Sir 15, 16-21; Sl 118 (119); 1 Cor 2, 6-10; Mt 5, 17-37.

 

Reflexão Dominical COMPLETA na Paróquia de Tabuaço

e no nosso blogue CARITAS IN VERITATE


05
Out 13
publicado por mpgpadre, às 20:08link do post | comentar |  O que é?

       1 – É de FÉ que HOJE a liturgia da Palavra nos fala.

       O pedido humilde dos apóstolos: «Aumenta a nossa fé».

       A resposta decidida de Jesus: «Se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis a esta amoreira: ‘Arranca-te daí e vai plantar-te no mar’, e ela obedecer-vos-ia. Quem de vós, tendo um servo a lavrar ou a guardar gado, lhe dirá quando ele voltar do campo: ‘Vem depressa sentar-te à mesa’? Não lhe dirá antes: ‘Prepara-me o jantar e cinge-te para me servires, até que eu tenha comido e bebido. Depois comerás e beberás tu’? Terá de agradecer ao servo por lhe ter feito o que mandou? Assim também vós, quando tiverdes feito tudo o que vos foi ordenado, dizei: ‘Somos inúteis servos: fizemos o que devíamos fazer’».

       Jesus desafia a viver a fé de forma humilde mas simultaneamente corajosa, sem reservas, como o senhor que ordena o serviço aos seus servos, não deixando que as dúvidas e hesitações momentâneas se tornem paralisantes. Viver a fé como quem se lança numa aventura, um salto no escuro, ou melhor, um salto na LUZ de Jesus Cristo, que nos mostra o Pai e tudo o que nos ampara, o AMOR, do qual nem a morte nos separará. A fé envolve a confiança e a entrega. Como a criança se lança de encontro aos braços da mãe/pai.

       A propósito a sugestiva imagem de Santo Agostinho: “ter fé é assinar uma folha em branco e deixar que Deus escreva nela o que quiser”. Temos consciência que é mais fácil pedir a Deus que se faça a nossa vontade e não tanto a Sua, como rezamos no Pai-nosso.

       2 – Na primeira carta Encíclica, Lumen Fidei, o Papa Francisco, sintonizado com Bento XVI, diz-nos que a fé é sobretudo luz, ainda que haja momentos de grande sofrimento, como se o chão debaixo de nós estivesse a desaparecer. Com efeito, “a fé não é luz que dissipa todas as nossas trevas, mas lâmpada que guia os nossos passos na noite, e isto basta para o caminho... o serviço da fé ao bem comum é sempre serviço de esperança que nos faz olhar em frente, sabendo que só a partir de Deus, do futuro que vem de Jesus ressuscitado, é que a nossa sociedade pode encontrar alicerces sólidos e duradouros” (n.º 57).

       Por vezes tudo parece em vão, fugidio, injustificável. Tristeza. Solidão. Doença. Traição. Morte de alguém próximo. Expetativas defraudadas, em relação a um emprego, a uma pessoa…

       Com Habacuc apetece gritar: «Até quando, Senhor, chamarei por Vós e não me ouvis? Até quando clamarei contra a violência e não me enviais a salvação? Porque me deixais ver a injustiça?»

       Deus não deixará de nos responder. Não se eliminam as dúvidas e contrariedades, mas sobrevém a presença de Deus, que nos atrai do futuro, da eternidade: «Embora esta visão só se realize na devida altura, ela há de cumprir-se com certeza e não falhará. Se parece demorar, deves esperá-la, porque ela há de vir e não tardará».

       Só em Deus, com a Luz da Fé, poderemos compreender e relativizar tudo o que entendemos ser empecilho. A certeza de que Deus, Pai/Mãe, está na nossa vida, assegura-nos um chão que nos permite viver confiantes, apesar dos tropeços que encontramos no caminho.

 

       3 – Senhor, aumenta a nossa fé. Não apenas a minha fé, mas a fé da Igreja, vivida em comunidade, partilhada, celebrada. Imaginemos, como há tempos referia o Papa Francisco, que estamos num estádio de futebol, às escuras, e se acende uma pequena de luz (um isqueiro, uma vela), e cada um acende a sua pequena luz. Com cada pequena luz acesa, em conjunto, o estádio fica mais iluminado, sendo possível ver pessoas e os seus rostos.

       O apóstolo são Paulo exorta Timóteo a reavivar o dom de Deus, nele e nos outros. Não com timidez, mas com coragem.

“Exorto-te a que reanimes o dom de Deus que recebeste pela imposição das minhas mãos. Deus não nos deu um espírito de timidez, mas de fortaleza. Sofre comigo pelo Evangelho, confiando no poder de Deus, com o auxílio do Espírito Santo, que habita em nós”.

       O desafio de Jesus aos apóstolos é sancionado por Paulo aos discípulos. Mesmo no sofrimento e na perseguição, há que manter firme a fé e a confiança em Deus, confiando no Seu amor por nós e no Espírito Santo que nos habita.


Textos para a Eucaristia (ano C): Hab 1,2-3; 2,2-4; 2 Tim 1,6-8.13-14; Lc 17,5-10.

 


25
Ago 13
publicado por mpgpadre, às 09:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – Há últimos que serão dos primeiros e primeiros que serão dos últimos.

       Em Jesus, todos somos filhos de Deus e como irmãos devemos cuidar uns dos outros e sobretudo dos mais frágeis. Esta é uma forma privilegiada de encontrar Deus. Além disso, as sociedades tendem a gerar ódios e violências quando há uns que têm tudo e outros que não têm nada. Quem nada tem, nada tem a perder no meio do caos que se possa instalar.

       Os “privilegiados” pelo trabalho, pela herança patrimonial e/ou pela sorte devem sentir-se corresponsáveis, sabendo que há mais alegria em dar do que em receber. E “um obrigado” muitas vezes vale mais do que alguns milhares de euros. Na lógica do evangelho e da vida, o dom só tem sentido se partilhado. O pecado das origens tem muito a ver com isto, como recordava D. António Couto, aos jovens Crismandos, o pecado não está no colher o fruto da árvore, mas no arrebanhar esse fruto sem o partilhar, fechando as mãos. Só eu poderei colher os frutos daquela árvore. Eu. Eva e Adão. Mais ninguém. A árvore é para todos, também para os filhos e para as gerações futuras, e para outros casais. O que recebi não tenho o direito de reter…

       Curiosa aquela passagem da Sagrada Escritura a que se juntam as palavras de Caim: serei guarda do meu irmão? Egoísmo. Se alguém me faz frente ou sombra, excluo ou mato?! A palavra de Deus é clara: sou guarda do meu irmão, sou responsável por ele. Não matarás. Amarás o próximo como a ti mesmo.

       A este propósito, o povo Eleito tinha uma lei que repunha mais igualdade e justiça. A cada 7 anos, a terra, a vinha e olival descansavam e os pobres podiam alimentar-se (Ex 23, 10-11), e os escravos ser libertos (Ex 21, 1-11). Por outro lado, a contagem 7 X 7 anos, 49 anos, findos os quais se realizava o Jubileu, dia do grande Perdão: “Cada um de vós voltará à sua propriedade, e à sua família... Se o teu irmão cair na pobreza e vender uma parte da sua propriedade, a que tem direito de resgate, o seu parente mais próximo deve ir resgatar o que o seu irmão vendeu” (Lv 25, 8-34).

       2 – Há últimos que serão dos primeiros e primeiros que serão dos últimos.

       Reconhecemos os últimos do nosso tempo com demasiada facilidade: pobres, desempregados, deficientes, maltrapilhos, cada vez mais, os sem-abrigo, mulheres maltratadas, crianças sem família, pedintes, famintos, famílias endividadas (algumas por culpa própria, muitas pelo sistema económico-financeiro colapsado), devido a expectativas exacerbadas, ou consequência de falências danosas que geraram milhares de novos desempregados, os emigrantes (uns poucos por vontade própria, muitos porque não terem outro remédio), à procura de novas pátrias, muitos morrendo na travessia, como sublinhou a visita do Papa Francisco a Lampedusa, os idosos, uma franja significativa da sociedade que por vezes é esquecida como o casaco de inverno no bengaleiro durante a maior parte do ano…

       Se a bolsa de valores tiver uma ligeira queda, alerta o Papa, logo se gera um drama. Morrem milhares de pessoas por dia à fome, vítimas de violência doméstica, da droga, de guerras, de milícias populares, de rixas entre bandos… Paciência, é a vida!!!

 

       3 – Há últimos que serão dos primeiros e primeiros que serão dos últimos.

       Alguém se acerca de Jesus e pergunta: «Senhor, são poucos os que se salvam?». Resposta pronta de Jesus «Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, porque Eu vos digo que muitos tentarão entrar sem o conseguir». Não vos preocupeis com a quantidade dos que se salvam. É dom de Deus. Preocupais-vos em entrar pela porta estreita.

       Somos responsáveis pelos outros, mas não podemos obrigar os outros a agir desta ou daquela maneira. “Quem Me fez juiz das vossas partilhas?”

       O cuidado dos mais desfavorecidos não é uma opção do discípulo de Jesus, é uma exigência. A fé provoca as obras, exige compromissos concretos com o bem dos outros. O "salve-se quem puder" para os cristãos terá de ser salvação acolhida, vivida e celebrada em comunidade. Não posso obrigar os outros. Devo obrigar-me a mim, como seguidor de Jesus, esforçando-me por entrar pela porta estreita.

       Amar a Deus implica amar aqueles que Deus ama. Não se pode amar o Pai odiando os filhos. Amamos a Deus cuidando dos irmãos. Ou somos mentirosos. A fé sem obras é perfeitamente dispensável, é como árvore sem frutos, diria Bento XVI. As obras testam, explicitam e tornam a fé significativa e relevante.


Textos para a Eucaristia (ano C): Is 66, 18-21; Heb 12, 5-7.11-13; Lc 13, 22-30.

 


18
Ago 13
publicado por mpgpadre, às 09:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – De que é que precisamos para nos sentirmos realizados? O que é mais importante no nosso dia-a-dia, para sermos felizes?

       Ao longo dos últimos domingos, Jesus tem exposto as prioridades para o discipulado: a fé que se concretiza e traduz pelo serviço, pela partilha, pela conciliação, dando primazia aos bens espirituais, colocando Deus em primeiro lugar para n’Ele descobrimos os outros como irmãos, acolhendo sobretudo os mais frágeis.

       Ele próprio assume esta opção preferencial, como inclusão de todos, para que os excluídos sejam incluídos, os pobres tenham acesso a trabalho honesto e a condições para viver dignamente, os que são descriminados pela raça, pela religião, pelo género, sejam assumidos como filhos de Deus. Ouvíamos as palavras inequívocas de Jesus: acolher Deus como tesouro e n'Ele colocar o nosso coração. Quem se sente salvo por Deus, não poderá deixar de testemunhar com alegria, procurando que outros se deixem contagiar por este AMOR, esta PRESENÇA, na certeza que o dom da fé só o é verdadeiramente se nos compromete na caridade. O DOM (recebido) é para ser dado (e não retido ou usurpado).

       2 – Jesus traz-nos Deus. Ele mesmo é Deus, Filho Bem-amado, assumindo-nos como irmãos. Traz-nos a eternidade. É PORTA que torna acessível o Coração de Deus para cada um de nós. É o Príncipe da Paz. O seu messianismo assenta na graça de Deus, no amor sem limites para a redenção de todos os pecadores. Os pilares do Seu reino são o amor, a justiça e a paz.

       Curiosas as palavras do Evangelho: «Eu vim trazer o fogo à terra e que quero Eu senão que ele se acenda? Tenho de receber um batismo e estou ansioso até que ele se realize. Pensais que Eu vim estabelecer a paz na terra? Não. Eu vos digo que vim trazer a divisão. A partir de agora, estarão cinco divididos numa casa: três contra dois e dois contra três. Estarão divididos o pai contra o filho e o filho contra o pai, a mãe contra a filha e a filha contra a mãe, a sogra contra a nora e a nora contra a sogra».

       Aparentemente, Jesus traz a divisão, o conflito, o fogo. Voltemos a ler o evangelho. Neste e noutros ambientes, Jesus assume as dificuldades em propagar o Evangelho, a verdade, na denúncia da hipocrisia, da falsidade, do abuso do poder civil e religioso, relevando a priorização do serviço, em todas as dimensões da vida social, política e religiosa. As suas palavras geram respostas diferentes.

       «Deixo-vos a paz; dou-vos a minha paz. Não é como a dá o mundo, que Eu vo-la dou. Não se perturbe o vosso coração nem se acobarde» (Jo 14, 27). Ele vem para nos redimir, chamando-nos a dar o melhor de nós, a darmos Deus aos outros. Isto é algo que inquieta, que perturba, que não nos pode deixar sossegados no nosso canto, com as nossas coisas, achando que já fazemos muito.

 

       3 – A prossecução deste desiderato pode trazer-nos dissabores. Nem tudo correrá como esperado. Acontece com Jesus. Também Ele sente a incompreensão, a começar por aqueles que tinham maior obrigação de compreender, de acolher e de O seguir. Os Apóstolos, sempre que detetam o perigo, escondem-se atrás d’Ele, ou desviam-se do caminho, mantêm-se à distância e fogem, negam, fecham-se em casa.

       Hoje como ontem. Com Jesus como no tempo dos profetas. Remar contra a maré não é fácil. Muito mais fácil é desistir.

       Jeremias, na primeira leitura, experimenta a perseguição, a calúnia, a tortura, a ameaça de morte. A sua palavra é fogo: denuncia a prepotência e o poder abusivo do rei, contrapondo com a vontade de Deus. O rei, ungido do Senhor, deveria servir o povo de Deus e não os seus interessas promovendo a inclusão de todos.

       “Os ministros disseram ao rei de Judá: «Esse Jeremias deve morrer, porque semeia o desânimo entre os combatentes que ficaram na cidade e também todo o povo com as palavras que diz. Este homem não procura o bem do povo, mas a sua perdição». O próprio rei se deixa levar pela corrente. Não contrapõe. Fazei o que quiserdes.

       Eis que surge alguém com vida própria, com convicções, um estrangeiro, Ebed-Melec, e chama o rei à razão: «Ó rei, meu senhor, esses homens procederam muito mal tratando assim o profeta Jeremias: meteram-no na cisterna, onde vai morrer de fome, pois já não há pão na cidade». O rei altera o mal feito: «Leva daqui contigo três homens e retira da cisterna o profeta Jeremias, antes que ele morra». Não embarquemos nas tendências gerais, sem refletirmos seriamente.

 

       4 – Questionemo-nos de novo: o que verdadeiramente nos faz felizes? O dinheiro? Os bens materiais? Sermos melhores que os outros? A amizade? A família? Os afetos? O bem que fazemos? A imagem que os outros têm de nós? O que é que nos dignifica? O nome e a honra que impusemos? A verdade da nossa vida? A honestidade? O que vale mais, o mundo inteiro a nossos pés ou o trabalho honesto e dedicado e a ajuda que prestamos aos outros? Em que situações nos sentimos melhor? Como perguntava o Papa Francisco, no Brasil, em que pessoas nos miramos? Em Pilatos que lava as mãos e se coloca em atitude de indiferença? Ou em Maria que se apressa para casa de Isabel e em Caná intervém vigorosa junto de Jesus?


Textos para a Eucaristia (ano C): Jer 38, 4-6.8-10; Hebr 12, 1-4; Lc 12, 49-53.

 


30
Jun 13
publicado por mpgpadre, às 09:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – O “Senhor, porção da minha herança e do meu cálice”, é o meu chão sagrado, minha casa e meu descanso. Só Ele é Deus. Ele preenche o meu coração. Só n'Ele deposito toda a confiança, pois só o Senhor garante o meu ontem, o meu hoje e o meu amanhã.

       “O Senhor está sempre na minha presença, com Ele a meu lado não vacilarei”. Ele guia o meu peregrinar. Ele guarda os meus passos. Não vacilarei. Com o salmo respondemos à palavra de Deus, na condição de crentes e de membros do Seu povo. Rezamos a nossa vocação e a nossa entrega.

       Nas Suas mãos, o meu destino. Assim vive a tribo sacerdotal de Levi. Na terra prometida, 11 das 12 tribos recebem o seu quinhão de terra, para cultivar, para ganhar o pão de cada dia. A tribo de Levi não recebe terra, a sua terra é o Templo.

       2 – “Senhor, porção da minha herança e do meu cálice”. Ele me guarda de dia e de noite. Está sempre comigo. “Por isso o meu coração se alegra e a minha alma exulta e até o meu corpo descansa tranquilo”. Ele conhece as profundezas da minha alma. Quer-me por inteiro, também os meus medos, insuficiências e pecados.

       “Até de noite me inspira interiormente”. Posso caminhar seguro. As seguranças materiais são relativas bem como as seguranças familiares, afetivas, na medida em que são a prazo, por mais duradouras que sejam. “Vós não abandonareis a minha alma na mansão dos mortos, nem deixareis o vosso fiel sofrer a corrupção”.

       O Senhor é a minha herança. Ele assegura a minha história, dar-lhe-á continuidade.

 

       3 – “Senhor, porção da minha herança e do meu cálice”. Ele me chama à Sua presença, para que não vacile o meu olhar.

       É a vocação de cada crente, ainda que haja vocações específicas de serviço à comunidade. Patriarcas, Profetas e Reis, Juízes e Sacerdotes. Na primeira leitura Deus abraça Eliseu (Deus é salvação), através de Elias (o Senhor é Deus), para que possa dar continuidade à profecia. Não importa tanto o ponto de partida, mas a resposta firme. Eliseu não é profeta nem descendente de profetas. É proprietário, trabalha nos campos da família.

“Elias passou junto dele e lançou sobre ele a sua capa… Eliseu afastou-se, tomou uma junta de bois e matou-a; com a madeira do arado assou a carne, que deu a comer à sua gente. Depois levantou-se e seguiu Elias, ficando ao seu serviço”.

      A vocação e o seguimento geram alegria e festa. Quem se sente próximo de Deus não quererá esconder para si tamanha alegria. A delicadeza para com a sua gente também faz parte da vocação.

 

       4 – “Senhor, porção da minha herança e do meu cálice, está nas vossas mãos o meu destino”. És Tu Senhor a minha luz. Tu, o meu Deus. Se me dás a mão não temerei nenhum mal. Tu me chamas. Desde sempre. Para estar Contigo e para ser por Ti enviado.

       Também a nós nos diz Jesus: «Quem tiver lançado as mãos ao arado e olhar para trás não serve para o reino de Deus». Para seguir Jesus não podemos ficar toda a vida a fazer cálculos, tentando equilibrar o seguimento com as nossas seguranças materiais e/ou afetivas.

       O próprio Jesus experimenta a dureza do caminho. Nem sempre é fácil. Ele toma-nos a dianteira. “Aproximando-se os dias de Jesus ser levado deste mundo, Ele tomou a decisão de Se dirigir a Jerusalém”. O Mestre entrevê o Seu fim, mas não Se deixa intimidar. A Sua entrega é uma opção e uma proposta. Alguns não O querem receber, mas nem por isso Ele lhes quer mal. Tiago e João queriam destruir aqueles que não quiseram receber o Mestre…

 

       5 – “Senhor, porção da minha herança e do meu cálice”. Se Deus é o meu chão sagrado, a minha casa, o meu forte, então como não experimentar a alegria e a paz?! Como não espalhar o Evangelho por toda a parte e a todos levar a bondade de Deus?

       Ele libertou-nos do pecado e da escuridão. É urgente viver como filhos da luz, vivendo no Espírito em que fomos batizados. Que a liberdade, em Cristo, nos conduza à caridade, “pela caridade, colocai-vos ao serviço uns dos outros, porque toda a Lei se resume nesta palavra: «Amarás o teu próximo como a ti mesmo». Se vós, porém, vos mordeis e devorais mutuamente, tende cuidado, que acabareis por destruir-vos uns aos outros. Por isso vos digo: Deixai-vos conduzir pelo Espírito…”

       Ele é “a porção da minha herança e do meu cálice”,nas Suas mãos está o meu destino, Ele me conduz aos prados verdejantes, é o meu alimento, a terra que trabalho com esmero e carinho e que me devolve o pão de cada dia.


Textos para a Eucaristia - ano C - 13.º Domingo do Tempo Comum:

1 Reis 19,16b.19-21; Sl 15 (16); Gal 5,1.13-18; Lc 9,51-62

 


23
Jun 13
publicado por mpgpadre, às 09:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – Há amigos e amigos. Há amigos que são conhecidos, com os quais nos sentimos bem mas de quem não sentimos a ausência. Jesus diz aos seus discípulos: Ninguém tem mais amor do que quem dá a vida pelos seus amigos. Já não vos chamo servos, mas amigos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor, chamo-vos amigos porque vos contei tudo o que ouvi a meu Pai (Jo 15, 13-14).

       O amigo é um tesouro, é um confidente, é uma CASA onde me sinto acolhido, protegido, aconchegado, que não me julga, e sabe que não sou perfeito, é alguém que me respeita e por quem eu nutro consideração, estimo como familiar que escolhi.

       2 – Jesus estabelece com os seus discípulos uma fronteira inclusiva. Pede-lhes que não sejam apenas conhecidos ou curiosos, mas verdadeiros amigos, seguidores.

       Num momento de intimidade com o Pai, em oração, cuja amizade é ontológica, Jesus avaliza as seguranças dos seus discípulos. Primeiro uma pergunta curiosa, em forma de sondagem da opinião pública: o que dizem as pessoas de mim? Que se diz por aí?

       As respostas são bastante favoráveis. Levarão o filtro da amizade. Dizem que és Elias, João Batista que ressuscitou, um dos antigos profetas. Dizem por aí. São murmúrios que não tocam, não envolvem, não comprometem, denotam uma certa indiferença. Jesus, porém, não se fixa no que se diz, fixa o Seu olhar neles e em nós.

 

       3 – «E vós, quem dizeis que Eu sou?». Que importância tenho para ti? Que lugar ocupo no teu coração? É diferente a tua vida por Me conheceres? Por me considerardes amigo?

       Até agora vistes uma parte de Mim. Percorremos aldeias e cidades. Fomos quase sempre bem recebidos. Vêm aí tempos conturbados. Estais dispostos a continuar esta aventura Comigo? Estais dispostos a dar/gastar a vida, a renunciar a Vós mesmos? «Se alguém quiser vir comigo, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz todos os dias e siga-Me. Pois quem quiser salvar a sua vida, há de perdê-la; mas quem perder a sua vida por minha causa, salvá-la-á».

       4 – «Tu és o Messias de Deus». A resposta de Pedro, também em nosso nome, enquadra uma primeira profissão de Fé, algo tíbia, mas já é um começo.

        Entrevê-se que a relação dos discípulos com Ele terá que se aproximar da Sua relação filial com o Pai. Se somos verdadeiramente seus amigos, como Ele teremos de transparecer a vontade do Pai.

       “Todos vós sois filhos de Deus pela fé em Jesus Cristo, porque todos vós, que fostes batizados em Cristo, fostes revestidos de Cristo”.

       A fé em Cristo Jesus faz de nós irmãos. Alimentamo-nos do mesmo Espírito, da mesma Palavra. N'Ele somos TODOS UM. E de novo a amizade se alarga, conhecidos, amigos, inimigos, formamos a mesma família de Jesus, n'Ele somos irmãos.

 

        5 – Esta fraternidade alargada por Jesus Cristo envolve a humanidade inteira. De uma vez para sempre, e por todos, Ele dá a vida até ao último sopro. O Seu Sangue é derramado e mistura-se com a terra. Pisamos o mesmo chão sagrado, como irmãos, protegidos com a mesma bênção, em céus comuns.

       Somos herdeiros da promessa de Deus. Ele vem para nos inserir na beleza do encontro e da comunhão. É tempo de visualizarmos a promessa do Senhor: «Sobre a casa de David e os habitantes de Jerusalém derramarei um espírito de piedade e de súplica. Ao olhar para Mim, a quem trespassaram… Naquele dia, jorrará uma nascente para a casa de David e para os habitantes de Jerusalém, a fim de lavar o pecado e a impureza».

       É esta a torrente de alegria, de vida nova, de amor, de salvação, que Jesus opera. O profeta anunciava, Jesus cumpre. Cabe-nos agora tornar visível a salvação que Cristo realiza em nós, pelo Espírito Santo. Por conseguinte, a urgência de estarmos unidos ao Senhor, como rezamos com o salmista: “Unido a Vós estou, Senhor, a vossa mão me serve de amparo”. Ele é o nosso céu, o nosso abrigo seguro.


Textos para a Eucaristia:

Zac 12, 10-11; 13, 1; Sl 62 (63); Gal 3, 26-29; Lc 9, 18-24.

 


10
Fev 13
publicado por mpgpadre, às 09:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – O evangelho faz-nos descobrir Jesus como Mestre da Sensibilidade, seguindo a intuição de Augusto Cury. Nos homens mais rudes, Ele garimpa tesouros. Jesus passa de uma à outra margem. Vem para o nosso lado. Sobe ao barco para nos ver a todos. Ensina-nos muitas coisas, sobretudo a dar valor ao que nos une aos outros, amando, perdoando, valorizando o que há de melhor em nós. O limite é o Céu. Tudo é possível para aquele que crê.

       Jesus põe Simão (e os demais) à prova e incita-o/s a ir mais longe: «Faz-te ao largo e lançai as redes para a pesca». Pedro começa por sublinhar as suas dúvidas, mas por pouco tempo: «Mestre, andámos na faina toda a noite e não apanhámos nada. Mas, já que o dizes, lançarei as redes».

       São compensados pela ousadia, pela confiança em Jesus: “Eles assim fizeram e apanharam tão grande quantidade de peixes que as redes começavam a romper-se…”

 

       2 – Isaías, Simão Pedro, Paulo de Tarso. Três seres humanos que se deixaram tocar pelo Céu e ousaram ultrapassar os seus limites, os seus preconceitos e os condicionalismos/circunstâncias do seu tempo. Não se deixaram dominar nem pelo medo, nem pelo pessimismo, nem pela comodidade de outros.

       Diante do chamamento de Deus, Isaías sente-se pequenino:

       Então exclamei: «Ai de mim, que estou perdido, porque sou um homem de lábios impuros, moro no meio de um povo de lábios impuros e os meus olhos viram o Rei, Senhor do Universo». Um dos serafins voou ao meu encontro, tendo na mão um carvão ardente que tirara do altar com uma tenaz. Tocou-me com ele na boca e disse-me: «Isto tocou os teus lábios: desapareceu o teu pecado, foi perdoada a tua culpa». Ouvi então a voz do Senhor, que dizia: «Quem enviarei? Quem irá por nós?» Eu respondi: «Eis-me aqui: podeis enviar-me».

       Poderia fixar-se nos seus medos e absolutizar as suas limitações, embarcando num redemoinho de ansiedade, de nervosismo, de fuga, de rejeição. Mas ousou criticar os seus demónios. Torna-se um dos Profetas mais interventivos e marcantes.

 

       3 – Simão Pedro é um diamante em bruto que é preciso lapidar, para o fazer brilhar no campo das emoções e dos sentimentos. Há de tornar-se um líder convicto. Por ora é uma pessoa impulsiva, titubeante, um tanto ou quanto rude.

       Diante da proposta de Jesus, Simão Pedro reflete de imediato o que lhe vai na alma. A dúvida e o medo de falhar, mas logo a confiança no Mestre da Vida.

“Simão Pedro lançou-se aos pés de Jesus e disse-Lhe: «Senhor, afasta-Te de mim, que sou um homem pecador». Jesus disse a Simão: «Não temas. Daqui em diante serás pescador de homens». Tendo conduzido os barcos para terra, eles deixaram tudo e seguiram Jesus”.

       E com Pedro, os outros apóstolos. Mas a história não acaba aqui. Haverá muitas ocasiões em que dúvida voltará, e o medo, e a ansiedade, e a hesitação. Ainda havemos de assistir à negação de Pedro.

 

       4 – Paulo é assaltado pelo preconceito, seguindo a opinião que se espalhou à sua volta. Mas bem no seu interior vai-se operando uma grande transformação. Ele critica o caminho que vai percorrendo. Predispõe-se a ouvir, a ver, a descobrir a beleza que possa existir naqueles que persegue.

       Ele próprio fala da sua conversão e persistência:

“Transmiti-vos em primeiro lugar o que eu mesmo recebi: Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras; foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras, e apareceu a Pedro e depois aos Doze... Em último lugar, apareceu-me também a mim... tenho trabalhado mais que todos eles, não eu, mas a graça de Deus, que está comigo. Por conseguinte, tanto eu como eles, é assim que pregamos; e foi assim que vós acreditastes”.

       Paulo foi atingido pelo carisma de Jesus Cristo, pela grandeza dos Seus sonhos, pela humanidade do Seu projeto de vida.


Textos para a Eucaristia (ano C): Is 6,1-2a.3-8; Sl 137 (138); 1 Cor 15,1-11; Lc 5,1-11.


09
Dez 12
publicado por mpgpadre, às 09:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – “… como está escrito no livro dos oráculos do profeta Isaías: «Uma voz clama no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas. Sejam alteados todos os vales e abatidos os montes e as colinas; endireitem-se os caminhos tortuosos e aplanem-se as veredas escarpadas; e toda a criatura verá a salvação de Deus’».

       João segue de perto as intuições proféticas de Isaías, outra figura incontornável do Advento. A mesma força brota das suas palavras. Vai ao deserto. Grita. Clama. Sai de Israel, vai às margens para que o povo regresse à terra da Promessa de Deus. O Senhor está a chegar. Há que arrepiar caminho. Voltemos com João Batista, preparemo-nos. A terra prometida está à vista: é Jesus Cristo que vem.

 

       2 – A Sagrada Escritura está pejada de vida. São páginas e páginas e mais páginas de vida, de história e de estórias. Um fio condutor: a PRESENÇA de Deus.

       Num mundo, como o de hoje, e o de ontem, pintado de mil cores, onde se mistura o bem e o mal, eis que se levanta uma luz, uma esperança, um POVO, um Homem que virá como Cordeiro para o meio de lobos, que virá como Pastor apascentar todo o redil.

       O Advento prepara-nos e antecipa-nos a LUZ e a alegria do NATAL: Deus no meio de nós. Daí que a Palavra de Deus acentue esta dimensão da esperança e do júbilo, como vemos ilustrado na profecia de Habacuc, na primeira leitura:

“Levanta-te, Jerusalém, sobe ao alto e olha para o Oriente: vê os teus filhos reunidos desde o Poente ao Nascente, por ordem do Deus Santo... Deus decidiu abater todos os altos montes e as colinas seculares e encher os vales, para se aplanar a terra, a fim de que Israel possa caminhar em segurança, na glória de Deus... Deus conduzirá Israel na alegria…”

       Palavras semelhantes em Isaías e na vida/missão de João Batista. A mesma esperança, a mesma alegria pela chegada breve da Salvação.

 

       3 – O salmo faz sinfonia com as leituras, refletindo a eminência da salvação, o regresso à terra prometida, o cumprimento da promessa de Deus. Ele salva o Seu povo e fá-lo regressar do exílio, da sombra e da morte. Dá como certa a libertação. O choro logo dará lugar à festa:

“Quando o Senhor fez regressar os cativos de Sião, parecia-nos viver um sonho. Da nossa boca brotavam expressões de alegria e de nossos lábios cânticos de júbilo... Os que semeiam em lágrimas recolhem com alegria. À ida, vão a chorar, levando as sementes; à volta, vêm a cantar, trazendo os molhos de espigas”.

       O salmo ajuda-nos a responder a Deus na beleza da vida que se faz cântico e oração, na história colocada em lábios suplicantes, agradecidos, recetivos à bênção divina. A alegria da salvação há de ser acompanhada pela militância na transformação do mundo, a começar em nós. Semeamos, por vezes com sangue, suor e lágrimas para colhermos, para entregarmos a Deus os frutos que faremos germinar das Suas palavras e dos nossos gestos.

 

       4 – O início encontra-se na fé, sem dúvida, como DOM de Deus em nós, que nos transforma: ilumina a nossa vida, o nosso coração, sensibiliza-nos para a vida que se desenvolve à nossa beira, ainda e sempre PRESENÇA de Deus no mundo.

       Belíssima a carta de São Paulo à comunidade de Filipos:

“Tenho plena confiança de que Aquele que começou em vós tão boa obra há de levá-la a bom termo… Por isso Lhe peço que a vossa caridade cresça cada vez mais em ciência e discernimento, para que possais distinguir o que é melhor e vos torneis puros e irrepreensíveis para o dia de Cristo…”

       É Deus que opera tudo em todos, por Jesus Cristo, Seu amado filho e nosso irmão, no Espírito Santo. Mas conta connosco. Desde que nos criou livres, Deus sujeita-Se à nossa decisão. Ele espera por nós, pela nossa resposta. Ele sabe o que é melhor para nós, como os nossos pais, mas a escolha é nossa.


Textos para a Eucaristia (ano B): Bar 5, 1-9; Sl 125 (126); Filip 1, 4-6.8-11; Lc 3, 1-6.

 

Reflexão Dominical COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso blogue CARITAS IN VERITATE


11
Nov 12
publicado por mpgpadre, às 09:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – A palavra de Deus apresenta-nos, na primeira leitura e no Evangelho, como protagonistas, duas viúvas, trazidas para a luz, para a história, pelos enviados de Deus.

       Como acontece em nossos dias, também naqueles lugares, as viúvas, os pedintes, fazem parte da paisagem, estão ali, são dali, sempre se encontram nos mesmos sítios. Não têm vida própria. Fazem número, mas não entram nas contagens oficiais. Já nem incomodam, tornaram-se invisíveis porque já são da cor das pedras e dos cantos onde estendem a mão. Já poucos as ouvem pedir, as suas vozes já não reproduzem qualquer som, ou os sons são lengalenga que se repete e de tanto repetir já não desperta consciências.

       2 – Num tempo de grande carestia e de fortes convulsões sociais e políticas, em Israel, o profeta vê-se obrigado a sair da cidade, vai ao encontro de uma viúva. Elias não bate à porta de uma família abastada, mas de uma viúva. Tem casa, tem um filho, mas está ao abandono, está nas lonas e já nada espera da vida: «Tão certo como estar vivo o Senhor, teu Deus, eu não tenho pão cozido, mas somente um punhado de farinha na panela e um pouco de azeite na almotolia. Vim apanhar dois cavacos de lenha, a fim de preparar esse resto para mim e meu filho. Depois comeremos e esperaremos a morte»

       No entanto, Elias desperta a sua esperança: «Não temas; volta e faz como disseste. Mas primeiro coze um pãozinho e traz-mo aqui… Assim fala o Senhor: ‘Não se esgotará a panela da farinha, nem se esvaziará a almotolia do azeite, até ao dia em que o Senhor mandar chuva sobre a face da terra’».

       Só uma pessoa sofrível entende verdadeiramente outra que sofre e pede ajuda: “A mulher foi e fez como Elias lhe mandara”. E Deus não os deixa ficar mal.

 

       3 – Jesus não segue os estereótipos sociais ou religiosos. Vem para todos. Não fica em palácios ou no templo. Vai ao encontro de pessoas de carne e osso. Passa junto de nós e traz-nos o Seu Caminho, a Sua vida. Abranda o passo para que possamos segui-l'O.

       No templo, Jesus fixa-se nas pessoas que deitam esmolas no tesouro e que se destinam às obras do templo, à sustentação dos líderes religiosos e para atender aos necessitados, às viúvas e órfãos.

“Muitos ricos deitavam quantias avultadas. Veio uma pobre viúva e deitou duas pequenas moedas, isto é, um quadrante. Jesus chamou os discípulos e disse-lhes: «Em verdade vos digo: Esta pobre viúva deitou na caixa mais do que todos os outros. Eles deitaram do que lhes sobrava, mas ela, na sua pobreza, ofereceu tudo o que tinha, tudo o que possuía para viver».

       Nas sociedades do nosso tempo, Jesus seria sempre um mau Ministro das Finanças. Ele não se impressiona com as quantias avultados que os poderosos colocam no tesouro do templo, mas com uma viúva que deita duas moedas de bronze. Uma insignificância. Aquelas moedas não fazem diferença. Não enriquecem o tesouro, não fazem história, não alteram nada. No entanto, para Jesus, aquela viúva deitou mais que todos os outros. Tudo o que tem. Faz toda a diferença!

       4 – Jesus ensinava a multidão, dizendo: «Acautelai-vos dos escribas, que gostam de exibir longas vestes, de receber cumprimentos nas praças, de ocupar os primeiros assentos nas sinagogas e os primeiros lugares nos banquetes. Devoram as casas das viúvas, com pretexto de fazerem longas rezas. Estes receberão uma sentença mais severa».

       As palavras de Jesus põem a descoberto a exploração, mesmo quando feita sobre a capa da religião. Hoje como ontem. Como não nos deixarmos tocar por estas palavras de Jesus!

 

       5 – Neste dia de São Martinho, deixemo-nos iluminar pela sua vida. Mostra-nos que não é a classe social que importa, mas a grandeza do coração. Que também nós saibamos levar sol a quem vive rodeado de trevas e repartir a nossa capa com os desvalidos que se cruzam connosco, acalentando a sua esperança, descobrindo o ROSTO de Jesus em todos os que se abeiram de nós.


Textos para a Eucaristia (ano B):

1 Reis 17, 10-16; Sl 145 (146); Hebr 9, 24-28; Mc 12, 38-44.

 

Reflexão Dominical COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso blogue CARITAS IN VERITATE


30
Set 12
publicado por mpgpadre, às 09:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – Todos, por certo, em alguma ocasião, ouvimos alguém a falar com satisfação do mal alheio, do que aconteceu a este ou aquele. Por um lado, é verdade, com o mal dos outros podemos nós bem. Por outro, mais cedo ou mais tarde, o que de mal acontece aos outros também nos pode bater à porta, ou de algum modo nos afetar, como na atual e persistente crise económico-financeira. Todo o cuidado é pouco. Arremessamos pedras e não nos damos conta que o nosso telhado também é frágil e talvez de vidro simples.

       Dizer mal só por dizer, ou para distrair, pode ser muito mais do que isso, pode ser revelador de inveja, de ciúme, ou ser uma forma de esconder os nossos medos e também as nossas insuficiências. Com efeito, se desviarmos a atenção para terceiros, ficamos nós com as costas em repouso. Há quem refira mesmo que o que criticamos nos outros é aquilo que não gostamos em nós. Também aqui vale a máxima, nos outros nos revemos a nós .

       A sabedoria e a humildade ensinar-nos-ão que os outros têm muitas qualidades que não nos fazem afronta, e que a “sorte” que os invade em nada nos prejudica ou diminui. O bem que vemos espelhado nos outros, pode ser um sinal de esperança para nós, ou o desafio para ultrapassarmos o que agora nos paralisa, ou, ao menos, a certeza que nem tudo vai mal neste reino.

       2 – No evangelho hoje proposto, deparamo-nos com a facilidade com que os apóstolos, com João à cabeça, ficam empertigados e enciumados porque viram alguém, que não andava com eles, a realizar coisas grandiosas: «Mestre, nós vimos um homem a expulsar os demónios em teu nome e procurámos impedir-lho, porque ele não anda connosco».

       Bem diferente é a visão de Jesus: «Não o proibais; porque ninguém pode fazer um milagre em meu nome e depois dizer mal de Mim. Quem não é contra nós é por nós. Quem vos der a beber um copo de água, por serdes de Cristo, em verdade vos digo que não perderá a sua recompensa».

       Na primeira leitura encontramo-nos com uma situação em tudo semelhante. Deus fala a Moisés e faz repousar sobre setenta anciãos parte do seu Espírito. Pelo meio, dois outros anciãos, também inscritos mas que não tinham comparecido na tenda, são beneficiados com o mesmo Espírito. Logo “um jovem correu a dizê-lo a Moisés: «Eldad e Medad estão a profetizar no acampamento». Então Josué, filho de Nun, que estava ao serviço de Moisés desde a juventude, tomou a palavra e disse: «Moisés, meu senhor, proíbe-os»”.

       Bem diferente é a posição de Moisés: «Estás com ciúmes por causa de mim? Quem dera que todo o povo do Senhor fosse profeta e que o Senhor infundisse o seu Espírito sobre eles!».

 

       3 – Essencial não é saber quem faz melhor, mas que todos façamos o bem, o melhor de nós, o que estiver ao nosso alcance. Não adiemos. Não fiquemos empertigados pelos dons que os outros possuem, ou pela beleza, pela alegria, pela riqueza de outros, pelo sucesso ou admiração que suscitam. O dia de amanhã constrói-se hoje.

       As palavras do apóstolo São Tiago, uma vez mais, são clarividentes e levadas a sério por muito boa gente poderão ajudar a ultrapassar a(s) crise(s). Sem paninhos quentes:

“As vossas riquezas estão apodrecidas e as vossas vestes estão comidas pela traça. O vosso ouro e a vossa prata enferrujaram-se, e a sua ferrugem vai dar testemunho contra vós e devorar a vossa carne como fogo. Acumulastes tesouros no fim dos tempos. Privastes do salário os trabalhadores que ceifaram as vossas terras. O seu salário clama; e os brados dos ceifeiros chegaram aos ouvidos do Senhor do Universo. Levastes na terra uma vida regalada e libertina, cevastes os vossos corações para o dia da matança. Condenastes e matastes o justo e ele não vos resiste”.

      O clamor que se levantava ontem é o mesmo de hoje.


Textos para a Eucaristia (ano B): Num 11, 25-29; Tg 5, 1-6; Mc 9, 38-43.45.47-48.

 

Reflexão Dominical COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso blogue CARITAS IN VERITATE.


09
Set 12
publicado por mpgpadre, às 09:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – Em tempos conturbados, a voz do profeta soa a esperança.

       Isaías, na primeira leitura, mostra, com palavras de alento, que a promessa de Deus não tarda em cumprir-se.

“Dizei aos corações perturbados: «Tende coragem, não temais. Aí está o vosso Deus; vem para fazer justiça e dar a recompensa; Ele próprio vem salvar-nos». Então se abrirão os olhos dos cegos e se desimpedirão os ouvidos dos surdos”.

       A convicção do profeta há de congregar o povo eleito e motivar os crentes para a fidelidade a Deus e aos Seus mandamentos. É tempo de recuperar a fé e a esperança em Deus.

 

       2 – No evangelho, Jesus é apresentado como o Messias esperado, o Deus que vem salvar-nos. Isaías identifica alguns dos acontecimentos que sucederão com a Sua chegada, como por exemplo os surdos voltarem a ouvir. Atentemos as palavras do Evangelho:

“Trouxeram-Lhe então um surdo que mal podia falar… Jesus, erguendo os olhos ao Céu, suspirou e disse-lhe: «Efatá», que quer dizer «Abre-te». Imediatamente se abriram os ouvidos do homem, soltou-se-lhe a prisão da língua e começou a falar corretamente…”

       “Ao fazer com que os surdos ouçam”, Jesus confirma que é o Messias que estava para vir. As palavras adquirem vida concreta nesta cura. Com Ele, solta-se a língua, abrem-se os ouvidos, ressoa a palavra de Deus, circula vida nova.

       “Effatá” é também um dos ritos do Batismo, lembrando que a graça recebida nos há de permitir escutar a Palavra de Deus e professar a fé. O que ouvimos e o que dizemos, como seguidores de Jesus, deve ser para louvor e glória de Deus. Se assim for, purificaremos o que ouvimos com a misericórdia de Deus, e diremos palavras que dimanem da caridade do Senhor.

 

       3 – O encontro com Jesus Cristo há de transformar-nos, comprometendo-nos. Interiormente. Ele não Se impõe, não chantageia. Convida, desafia, envolve. Obviamente, a resposta que daremos levar-nos-á a alterar hábitos, a postura diante dos outros.

       Não é uma mudança pela rama, como se trocássemos de roupa. Agora vestimos a roupa de cristãos e vamos à Missa, dizemos as nossas orações, e logo depois, se necessário, vestimos outra roupa, que diga mais com a ocasião ou com as pessoas que temos pela frente.

       Pelo batismo, estamos interiormente revestidos de Cristo. Ele habita-nos. Nas palavras de São Paulo, já não somos nós que vivemos, é Cristo que vive em nós. Ou em Santo Agostinho, ao comungarmos somos assimilados ao Seu corpo, somos transformados n’Ele.

 

       4 – O apóstolo São Tiago, na segunda leitura, ilustra como viver ao jeito de Cristo, em situações concretas. No domingo anterior exemplificava com o serviço aos órfãos e às viúvas, as pessoas mais fragilizadas do seu tempo. Hoje traduz a vivência em Cristo com o amor e respeito igual a todos os que nos aparecem pela frente.

“A fé em Nosso Senhor Jesus Cristo não deve admitir acepção de pessoas. Pode acontecer que na vossa assembleia entre um homem bem vestido e com anéis de ouro e entre também um pobre e mal vestido; talvez olheis para o homem bem vestido e lhe digais: «Tu, senta-te aqui em bom lugar», e ao pobre: «Tu, fica aí de pé», ou então: «Senta-te aí, abaixo do estrado dos meus pés». Não estareis a estabelecer distinções entre vós e a tornar-vos juízes com maus critérios? Escutai, meus caríssimos irmãos: Não escolheu Deus os pobres deste mundo para serem ricos na fé e herdeiros do reino que Ele prometeu àqueles que O amam?”

       Sublinha-se uma vez mais como o serviço e a atenção aos mais pobres é a opção de Jesus Cristo, não para excluir, mas para promover e incluir os que não se sentem ou não são tratados como filhos.


Textos para a Eucaristia (ano B): Is 35, 4-7a; Tg 2, 1-5; Mc 7, 31-37.

 

Reflexão Dominical COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso blogue CARITAS in VERITATE


12
Ago 12
publicado por mpgpadre, às 09:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – "Só Aquele que vem de junto de Deus viu o Pai. Em verdade, em verdade vos digo: Quem acredita tem a vida eterna. Eu sou o pão da vida. No deserto, os vossos pais comeram o maná e morreram. Mas este pão é o que desce do Céu, para que não morra quem dele comer. Eu sou o pão vivo que desceu do Céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que Eu hei de dar é a minha carne, que Eu darei pela vida do mundo".

       Jesus apresenta-Se como o verdadeiro Pão, que alimenta, perdoa, purifica, e nos dá uma vida nova. Ele responde às necessidades básicas, propondo a partilha solidária como milagre para que todos tenham acesso aos bens da criação e da criatividade humana. Responde também aos anseios que plasmam o coração humano. Pão e esperança. E razões para viver. Terra e Céu. Compromisso e abertura ao Infinito. Dá o pão e motivos para crer no futuro e para se comprometer no presente com as pessoas que estão ao nosso lado. Ensina muitas coisas. A mente – o coração – é um largo campo de sementeira que pode levar-nos à perdição, à indiferença e cinismo, ou à salvação. Jesus lança a semente. Promove. Desafia. Convoca para um novo tempo, vida nova, reino que se estende desde agora até à eternidade, daqui até ao Céu.

       Se muitas são as razões daqueles que procuram Jesus – uns pelo pão, outros pelos milagres, outros pela descoberta das Suas palavras de vida eterna – a compreensão da Sua mensagem também provoca divisões. E que divisões! Muitos ficam escandalizados com a afirmação – Eu Sou o Pão da Vida, o Céu chegou a vós –, pressupondo-se a Sua identificação divina (EU SOU), e a possibilidade de SER comestível. Quem não se escandalizaria?

       2 – "O pão que Eu hei de dar é a minha carne, que Eu darei pela vida do mundo".

       O pão é mais que o pão. Muito mais. É partilha, é vida, é comunidade. Em cada pão o trabalho de muitas pessoas, e muitos grãos. O pão é símbolo de todo o alimento. Pão é também carne e peixe e legumes e o sustento da família. Jesus refere que é Pão, e o Pão é a Sua carne. O pão tem a cor do trabalho, do suor, do sacrifício, e tem a cor da alegria, do convívio e da festa. Pão é mais que pão, é companhia (cum panis), faz de nós companheiros, comendo do mesmo pão, partilhando a vida.

       E que não falte pão nas nossas mesas. Quando falta o pão falta também a alegria, a serenidade, falham os argumentos para a felicidade a construir. Ainda hoje, seguindo uma tradição milenar, há casas em que se coloca sempre pão na mesa, símbolo da fartura que se quer proporcionar aos convivas, ou aos de casa.

       Na multiplicação do pão – o milagre da partilha solidária – Jesus antecipa (e prepara) o Pão da Vida, a Eucaristia, que ficará como memorial. Na última Ceia, Jesus antecipa a entrega suprema do amor que vai até ao fim, até à CRUZ. É na Cruz que Ele nos entrega para sempre o Seu corpo. Na Última Ceia, porém, Ele ordena que nos reunamos à volta do Seu Corpo e O comamos, comungando da Sua vida, da Sua entrega, do Seu Evangelho de salvação.

       No alto da Cruz, Jesus entrega-Se até à última gota de sangue. A vida não se extinguirá com a morte. É, antes, um momento crucial de oblação a Deus e à humanidade, pela humanidade. Logo, do sepulcro irradiará em luminosa claridade a Ressurreição. Deus Pai sanciona Jesus e o projeto de amor para a humanidade.

       Desde então, os discípulos reúnem-se no primeiro dia da Semana, dia da Páscoa de Jesus, e fazem o que Ele fez na Última Ceia, atualizam as palavras e os gestos, para que, pelo Espírito Santo, Jesus nos seja dado como Pão que nos alimentará até à vida eterna.

 

       3 – “O pão que Eu hei de dar é a minha carne, que Eu darei pela vida do mundo”.

       Não é fácil entender as palavras de Jesus. Não são meramente simbólicas. É a Sua vida que Ele dará pela humanidade inteira. A discussão adensa-se, como veremos nos domingos seguintes, com os judeus a discutir e com os discípulos a distanciarem-se claramente do Mestre. Quando a discussão se inicia parece uma brisa que passa sem deixar marcas. Quase se aceitava que Jesus não aprofundasse muito a questão, diplomatizando com os circunstantes, mas não o faz, não foge às questões como não fugirá da perseguição e da morte, por mais que doa.

       Quando se dá a multiplicação dos pães, Jesus aponta para um pão mais duradouro, alimento que sacia a VIDA nova que Ele nos dará em abundância. Aliás, toda a Sagrada Escritura nos prepara para a plenitude do Tempo, a vinda do Messias, o Pão vivo, o Bom Pastor, Deus entre nós.

       Elias, o profeta do fogo, é alimentado por Deus para a longa jornada que tem pela frente, experimentando um pão que dura o tempo necessário para a travessia, até ao monte Horeb, monte da revelação, monte das origens, onde Ele recobrará ânimo, onde Deus Se manifesta.

"Elias entrou no deserto e andou o dia inteiro. Depois sentou-se debaixo de um junípero e, desejando a morte, exclamou: «Já basta, Senhor. Tirai-me a vida, porque não sou melhor que meus pais». Deitou-se por terra e adormeceu à sombra do junípero. Nisto, um Anjo tocou-lhe e disse: «Levanta-te e come». Ele olhou e viu à sua cabeceira um pão cozido sobre pedras quentes e uma bilha de água. Comeu e bebeu e tornou a deitar-se. O Anjo do Senhor veio segunda vez, tocou-lhe e disse: «Levanta-te e come, porque ainda tens um longo caminho a percorrer». Elias levantou-se, comeu e bebeu. Depois, fortalecido com aquele alimento, caminhou durante quarenta dias e quarenta noites até ao monte de Deus, Horeb".

       Não apenas o pão, mas a presença de Deus que o conforta com o alimento e com as palavras do Anjo. Deus cuida dos Seus filhos, cuida de Elias, cuida de nós. "O Anjo do Senhor protege os que O temem e defende-os dos perigos. Saboreai e vede como o Senhor é bom: feliz o homem que n’Ele se refugia" (Salmo).

 

       4 – Se todos fomos remidos pela vida, pelo CORPO de Cristo, pela Sua morte redentora, para com Ele ressuscitarmos, então agora comemos do mesmo Corpo, do mesmo Pão que vem do Céu. O corpo de Cristo, descido da Cruz, é-nos entregue, é-nos confiado através de Maria, Sua Mãe, para que O preservemos intacto.

       Ao olharmos para o CORPO místico de Cristo que é a Igreja, certamente que encontramos um corpo dilacerado pela discórdia, pela divisão, pelos conflitos que a história e as culturas acentuaram. No entanto, seguindo os desejos do próprio Jesus Cristo, na oração Sacerdotal (Jo 17) – que todos sejam UM – não devemos cessar de procurar viver unidos, num só coração e numa só alma, em Cristo e com todos os cristãos, para testemunhar a vida nova que d’Ele recebemos.

       O Apóstolo São Paulo, de diversas maneiras, nos dá indicações claras para sintonizarmos (em HD – alta definição) Jesus Cristo e os seus ensinamentos:

"Seja eliminado do meio de vós tudo o que é azedume, irritação, cólera, insulto, maledicência e toda a espécie de maldade. Sede bondosos e compassivos uns para com os outros e perdoai-vos mutuamente, como Deus também vos perdoou em Cristo. Sede imitadores de Deus, como filhos muito amados. Caminhai na caridade, a exemplo de Cristo, que nos amou e Se entregou por nós, oferecendo-Se como vítima agradável a Deus".


Textos para a Eucaristia (ano B): 1 Reis 19, 4-8; Salmo 33 (34); Ef 4, 30 – 5, 2; Jo 6, 41-51.

 


26
Jul 12
publicado por mpgpadre, às 10:15link do post | comentar |  O que é?

D. ANTÓNIO COUTO, Vejo um ramo de amendoeira e outras palavras em flor. Paulus Editora, Apelação 20012.

 

       O LEMA episcopal de D. António Couto, Bispo de Lamego, é a resposta dada por Jeremias ao Senhor e à pergunta: o que vês? - Vejo um ramo de amendoeira. Como tem sublinhado o nosso Bispo, a amendoeira é a única flor que germina em pleno inverno, quando ainda não se vislumbra a primavera, é um sinal de fé e de esperança, que vai muito além da visibilidade.

       Neste livrinho (80 páginas), são-nos apresentados "três textos iguais e diferentes. O primeiro, intitulado «O Evangelho, Jesus, Pauli e Eu», vê-se bem que é como um espelho onde quotidianamente me revejo e me deixo atravessar por algumas pérolas bíblicas adquiridas também por figuras incontornáveis do Cristianismo. O segundo, intitulado «Vejo um ramo de amendoeira», é como uma profissão de fé, uma maneira de ver, de viver, um lema gravado a fogo na alma de Jeremias e na minha. O terceiro, intitulado «Daqui, desta planura: leitura do tempo em que vamos, constitui uma travessia pensada e prensada deste tempo que Deus me Deus".

Esta é a apresentação que o próprio autor faz dos textos.

       Lê-se com muito agrado, leve e profundo, com a sensibilidade dos poetas, com o desafio dos profetas.

"A amendoeira é uma das poucas árvores que floresce em pleno inverno. Ao responder: «Vejo um ramo de amendoeira», Jeremias já ergueu os olhos da invernia e da tempestade e do lodo e da lama e da catástrofe e da morte que tinha pela frente, e já os fixou lá longe, ou aqui tão perto, na frágil-forte-vigilante flor da esperança que a amendoeira representa. É de presumir que, se Jeremias tivesse respondido: «Vejo a tempestade, a ruína, a morte, a crise», que ero que que tinha mesmo diante dos olhos, em vez de «Viste bem, Jeremias, viste bem!», Deus tê-lo-ia reprovado, dizendo: Viste mal, Jeremias, viste mal1».

 

Senhor, afina o meu olhar pela flor que Tu quiseres.

Faz-me ver sempre bem, belo e bom.

Faz-me ver com olhar com que me vês,

e com que olhas a tua criação.

Contemplação."


22
Jul 12
publicado por mpgpadre, às 09:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – “Os Apóstolos voltaram para junto de Jesus e contaram-Lhe tudo o que tinham feito e ensinado. Então Jesus disse-lhes: «Vinde comigo para um lugar isolado e descansai um pouco». De facto, havia sempre tanta gente a chegar e a partir que eles nem tinham tempo de comer. Partiram, então, de barco para um lugar isolado, sem mais ninguém. Vendo-os afastar-se, muitos perceberam para onde iam; e, de todas as cidades, acorreram a pé para aquele lugar e chegaram lá primeiro que eles. Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e compadeceu-Se de toda aquela gente, porque eram como ovelhas sem pastor. E começou a ensinar-lhes muitas coisas”. 

       Jesus e os Seus discípulos estão em constante movimento. Quase não têm tempo para descansar e por vezes as refeições são feitas à pressa, pois há sempre pessoas a chegar e a partir.

       O primeiro dos evangelistas, São Marcos, o mais "genuíno", não tendo a preocupação de apresentar uma reflexão refletida e ordenada sobre Jesus, quer dar-nos o testemunho daqueles que viveram com Ele, como é o caso de São Pedro, para que o maior número de pessoas possa beneficiar da Sua mensagem e da Sua benevolência. É um Jesus mais humano e sensível, em ação permanente, sem tempo para grandes paragens, e onde são mais as interrogações que as respostas.

       Duas premissas sobressaem de imediato em São Marcos: Jesus é o Filho de Deus e tem consciência que é Filho de Deus, mas é um homem entre homens, com necessidades, precisa de comer e de descansar, de se afastar da multidão e rezar em silêncio; e é o Messias esperado, n'Ele se cumprem as promessas de Deus feitas ao Povo da Aliança, de forma mais explícita pelos profetas; surge do povo e ao povo é enviado.

       Ao lermos com atenção este trecho do evangelho sobrevém a delicadeza e atenção de Jesus. Enviou os seus discípulos e no regresso Ele sabe/sente que precisam de descansar, de retemperar forças, de comer, e de relatar tudo o que passaram, a experiência vivida. É um lado muito humano de Jesus e muito concreto. Neste episódio não há nada de abstrato ou elaborado. É a vida no seu pulsar quotidiano. O Messias, o Enviado de Deus, assume em pleno a Sua humanidade.

 

       2 – A compaixão de Jesus pela multidão é constante na Sua vida. Vem da parte de Deus. É o próprio Filho de Deus, mas vem como Pastor para o meio da humanidade, para o meio de um rebanho tantas vezes desorientado, sem guia e sem esperança.

       É notório que há muitas pessoas que ouviram falar de Jesus e não apenas um bando de maltrapilhos (que Ele acolhe com maior afabilidade). É grande a multidão que a Ele acorre, gente que vem de toda a parte, de vários grupos sociais, religiosos e políticos, de várias regiões e em diferentes idades.

       A resposta de Jesus é atitudinal: levanta-Se de imediato, não deixa a multidão à espera. Ensina-lhes muitas coisas. Quem chega não está faminto apenas de pão, mas de vida nova, de sentido para os seus dias de trabalho e canseira.

       As palavras do salmista apropriam-se a Jesus: “O Senhor é meu pastor: nada me falta. Leva-me a descansar em verdes prados, conduz-me às águas refrescantes e reconforta a minha alma. A bondade e a graça hão de acompanhar-me todos os dias da minha vida, e habitarei na casa do Senhor para todo o sempre”. Deus nada nos tira. Diante d'Ele não precisamos de disfarces, apresentamo-nos como somos, com a nossa alma em transparência, sabendo que Ele nos guia para o bem, que nos proporciona descanso, o reencontro connosco.

 

       3 – A primeira leitura que hoje nos é proposta antecipa a chegada do Messias-Pastor. Deus virá para o meio do Seu povo. É uma promessa que renova a esperança em Deus e que haveria de motivar os israelitas a voltarem à Aliança, evitando a conflitualidade, egoísmo, a perversão, que levaria à ruína do reino do Norte e de Judá. Um povo sem Deus, e sem Mandamentos, é um povo sem alma e sem futuro, correndo o sério risco de se desmoronar.

       Jeremias é mais um profeta da interioridade, cimentando o compromisso com as pessoas mais frágeis, apontando a conversão interior, como caminho para Deus e para os outros, adesão firme à Aliança e que implique, pressuponha e conduza à prática da justiça e da caridade. Os ritos valem se preenchidos com Deus e com a Sua Palavra, na vivência dos Seus mandamentos. De contrário são como ossos ressequidos, esqueleto sem carne e sem músculo, sem vida!

       A religião, como a vida política e social, há de estar ao serviço do bem, da paz, ao serviço de todos, promovendo os mais pequenos. Só iguais podemos viver como irmãos e também com a mesma responsabilidade social e política.

       Hoje precisamos de profetas que bradem esperança e sobretudo nos tragam Deus. E nós também somos responsáveis pela profecia da esperança e de Deus. Deus não tardará, já alouram as searas, os campos começam a ficar preparados para a ceifa, Deus já se anuncia breve, como o Bom Pastor para o meio do seu rebanho, do Seu povo.  

“Eu mesmo reunirei o resto das minhas ovelhas de todas as terras onde se dispersaram e as farei voltar às suas pastagens, para que cresçam e se multipliquem. Dar-lhes-ei pastores que as apascentem e não mais terão medo nem sobressalto; nem se perderá nenhuma delas – oráculo do Senhor. Dias virão, diz o Senhor, em que farei surgir para David um rebento justo. Será um verdadeiro rei e governará com sabedoria; há de exercer no país o direito e a justiça. Nos seus dias, Judá será salvo e Israel viverá em segurança. Este será o seu nome: «O Senhor é a nossa justiça»”.

 

       4 – O anúncio profético realiza-se em Jesus Cristo, o Pastor por excelência. Não vem por sobre as nuvens, mas encarna, vem do povo, é Homem que tem poiso e pisa o nosso chão, terra sagrada para o encontro de Deus e do Homem, vem com a força divina encher de beleza e enriquecer a fragilidade humana. Não se coloca de fora, como observador, mas dentro da humanidade. É n'Ele que encontramos a salvação de Deus.

       Como clarifica o Apóstolo,

“foi em Cristo Jesus que vós, outrora longe de Deus, vos aproximastes d’Ele, graças ao sangue de Cristo. Cristo é, de facto, a nossa paz. Foi Ele que fez de judeus e gregos um só povo… de uns e outros, Ele fez em Si próprio um só homem novo, estabelecendo a paz. Pela cruz reconciliou com Deus uns e outros, reunidos num só Corpo... Cristo veio anunciar a boa nova da paz, paz para vós, que estáveis longe, e paz para aqueles que estavam perto”. 

       Veio para reunir de todas as nações, para congregar os de perto e os de longe, para salvar, para semear a paz e a justiça, para formar de todos um só Povo para Deus.


Textos para a Eucaristia (ano B): Jer 23, 1-6; Sl 22 (23); Ef 2, 13-18; Mc 6, 30-34.

 

Reflexão Dominical na página da Paróquia de Tabuaço


15
Jul 12
publicado por mpgpadre, às 09:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – De casa para a cidade e para o mundo.

       Jesus regressa à sua terra, em Nazaré, e também entre os seus comunica, com alegria e desprendimento, um DEUS próximo, amigo, que Se pode encontrar nas coisas simples, nos acontecimentos presentes, e nas pessoas concretas que vivem connosco.

       Sem (mais) lamentos nem ameaças coléricas, Jesus segue o Seu caminho, segue para o mundo, para outras cidades e aldeias, para outras casas, deixando um rasto de esperança e de sonho, de bondade e de vida nova. Quer contar, conta connosco. Chama discípulos – pessoas como nós – para uma experiência admirável. Envia-os, para serem pescadores de homens.

       A casa é lugar de encontro, de aprendizagem, de gestação, lugar onde se aprende a ser gente e se retemperam as forças. É de casa que os discípulos são enviados para o mundo – campo de evangelização.

“Jesus chamou os doze Apóstolos e começou a enviá-los dois a dois. Deu-lhes poder sobre os espíritos impuros e ordenou-lhes que nada levassem para o caminho, a não ser o bastão: nem pão, nem alforge, nem dinheiro; que fossem calçados com sandálias, e não levassem duas túnicas. Disse-lhes também: «Quando entrardes em alguma casa, ficai nela até partirdes dali. E se não fordes recebidos em alguma localidade, se os habitantes não vos ouvirem, ao sair de lá, sacudi o pó dos vossos pés como testemunho contra eles». Os Apóstolos partiram e pregaram o arrependimento, expulsaram muitos demónios, ungiram com óleo muitos doentes e curaram-nos”.

       Não vão sozinhos, mas dois a dois. Não vão em nome próprio, mas enviados por Jesus. Não se anunciam mas à Palavra de Deus, com o poder de curar, e com a leveza da vida e do serviço. Não precisam de muitas coisas, mas de disponibilidade para levarem Deus.

 

       2 – Apóstolos e/ou Profetas, de ontem e de hoje, não podem levar muitas coisas, muitos recursos, ou técnicas, mas a leveza e a simplicidade da Palavra de Deus, com sandálias nos pés, sem artifícios, nem manhas. Leveza para transparecer o amor de Deus. A opacidade é contraproducente, e existe quando baseamos/centramos a missão nas nossas capacidades. Leveza para aceitar as dificuldades e os obstáculos.

       Jesus desengana rapidamente os seus discípulos. Podem não vos ouvir. Podem não estar sensibilizados para acolher as vossas palavras. Não façais disso um bicho-de-sete-cabeças. Sacudi o pó das sandálias e parti para outra localidade.

       O profeta Amós - Aquele que ajuda a levar o fardo - envida uma missão épica, de trazer o povo de Israel de novo para a Lei de Deus. De forma simples, às vezes rude, em linguagem profética, não se cala perante os desvios e afastamentos da Aliança. Amasias, sacerdote de Betel, disse a Amós: 

«Vai-te daqui, vidente. Foge para a terra de Judá. Aí ganharás o pão com as tuas profecias. Mas não continues a profetizar aqui em Betel, que é o santuário real, o templo do reino». Amós respondeu a Amasias: «Eu não era profeta, nem filho de profeta. Era pastor de gado e cultivava sicómoros. Foi o Senhor que me tirou da guarda do rebanho e me disse: ‘Vai profetizar ao meu povo de Israel’». 

       Originalmente não era profeta, educado no campo, era criador de animais (e não apenas pastor). Chamado por Deus, luta contra as injustiças sociais, contra a opulência dos ricos e a miséria dos pobres, contra o ritualismo religioso, esplêndido mas vazio de vida e de Deus. Usa imagens riquíssimas do campo, denunciando falsas seguranças na riqueza e nos ritos religiosos.

 

       3 – “Deus fala de paz ao seu povo e aos seus fiéis e a quantos de coração a Ele se convertem. A sua salvação está perto dos que O temem e a sua glória habitará na nossa terra”.

       O salmista revela, em jeito de oração, uma premissa essencial da Aliança de Deus com o Seu povo, Deus quer o bem, a paz e a felicidade de todos. Por conseguinte, envia constantemente mensageiros, os profetas e os sinais que os acompanham. Mais, vem Ele próprio, como Bom Pastor para o meio do rebanho, em Jesus Cristo, que por sua vez assegura a Sua permanência através da Palavra e dos Sacramentos, através dos Seus apóstolos, de ontem e de hoje.

“Em Cristo fomos constituídos herdeiros, por termos sido predestinados, segundo os desígnios d’Aquele que tudo realiza conforme a decisão da sua vontade, para sermos um hino de louvor da sua glória, nós que desde o começo esperámos em Cristo... o Espírito Santo prometido é o penhor da nossa herança, para a redenção do povo que Deus adquiriu para louvor da sua glória” (segunda leitura).

       Os Apóstolos, como os profetas, são enviados para fazer regressar a Deus todos aqueles que se perderam pelo pecado e pela fragilidade do egoísmo e da inveja. São incumbidos de curar as doenças do corpo e do espírito. Em Nazaré, Jesus não fez muitos milagres, mas curou os doentes que Lhe apresentaram. Dá a mesma missão aos discípulos: curar, reconciliar, converter. Somos herdeiros da Aliança de Deus com o Seu povo, somos filhos no Filho, recebemos o Espírito da redenção, para sermos transformados pela Sua graça e para testemunharmos em nós a salvação que Ele nos dá.


Textos para a Eucaristia (ano B): Amós 7, 12-15; Salmo 84 (85); Ef 1, 3-14; Mc 6, 7-13. 

 

Reflexão Dominical na página da Paróquia de Tabuaço.


08
Jul 12
publicado por mpgpadre, às 09:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – O profeta, pela sua missão, está exposto à crítica, ao boato e à perseguição. Hoje como ontem. Foi assim com os profetas de Israel, com João Batista e com Jesus Cristo, e com todos aqueles que ao longo do tempo "carregaram", com alegria e criatividade, o compromisso de viver segundo os ideais da palavra de Deus, promovendo a justiça, a honestidade, a coerência de vida, anunciando, em palavras e em obras, novos tempos, denunciando situações anquilosadas, pecaminosas, destrutivas da sociedade.

       Ontem como hoje, junto dos mais próximos ou dos mais distantes, ora acarinhados e adulados, ora perseguidos e denegridos no seu bom nome, sob pressão, ameaça e chantagem, mas sempre vigilantes e fiéis à verdade, à justiça e ao bem, conscientes de serem portadores das boas notícias de Deus.

       Na primeira leitura, o profeta Ezequiel fala-nos da sua vocação. É chamado por Deus e enviado a um povo rebelde, que, em terra estrangeira, no exílio, se afasta cada vez mais dos desígnios de Deus. "O Espírito entrou em mim e fez-me levantar. Ouvi então Alguém que me dizia: «Filho do homem, Eu te envio aos filhos de Israel, a um povo rebelde que se revoltou contra Mim»".

       A sua missão não é nada compensadora, e nada fácil, humanamente falando. Tenta a todo o custa relembrar ao povo a sua identidade, denunciando os desvios e acalentando a esperança de regresso à terra da promessa.

 

       2 – Por vezes é entre os nossos que somos mais mal-amados e incompreendidos. Na hora de chamar a atenção somos mais tímidos e comedidos em contextos de amizade, de família, de camaradagem, ora pela grande cumplicidade, ora pelo medo de colocarmos tensão no relacionamento com aqueles com quem contamos. Sublinhe-se, porém, que em muitas situações também nos tornamos mais repentinos, mais espontâneos, menos tolerantes para com aqueles que vivem à nossa beira.

       Em sentido inverso, aqueles que se sentem mais próximos poderão pedir/exigir o que sabem não ser exigível por ninguém. Veja-se, como exemplo, as “cunhas” a que (quase) todos recorrem, a troca de influências (muitas vezes decente e honesta).

       Ezequiel é enviado para o povo de onde é originário. O facto de alertar para os desvios criar-lhe-á dissabores entre os próprios familiares. Jesus vai experimentar o desconforto entre os seus. Na expetativa, porque O conhecem de pequenino, e porque pensam merecer e exigir mais, bloqueiam a mente e o coração a qualquer novidade.

“Jesus dirigiu-Se à sua terra... «De onde Lhe vem tudo isto? Que sabedoria é esta que Lhe foi dada e os prodigiosos milagres feitos por suas mãos? Não é ele o carpinteiro, Filho de Maria, e irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão? E não estão as suas irmãs aqui entre nós?»... Jesus disse-lhes: «Um profeta só é desprezado na sua terra, entre os seus parentes e em sua casa». E não podia ali fazer qualquer milagre; apenas curou alguns doentes, impondo-lhes as mãos”.

       Jesus, contudo, não deixa de pregar a Palavra de Deus e curar os doentes. Também em Nazaré, Ele quer deixar uma marca de bem, de divino, de milagre, também na sua terra Ele desafia, propõe, também aí Ele leva Deus.

 

       3 – O Mestre dos Mestres regressa a casa, física e espiritualmente. É de casa que parte, pois é em casa que aprende a ser gente, a relacionar-se social e religiosamente, a desenvolver os laços de profunda interdependência, no diálogo tranquilo e afável, na partilha espontânea, na convivência inocente e apaziguadora, na solidariedade alegre para com os mais pobres que passam, na ligação inevitável à terra e à natureza.

       É em casa que começamos a ser cristãos e onde primeiro se verifica a autenticidade da nossa fé. É em família e com a família. São as primeiras pessoas que Deus nos deu (e nos dá) para amar, para servir, para acolher, para defender, para abençoar, para proteger, para nos deixarmos enriquecer com a sua presença. É em casa. Primeiro coração, primeiro amor: a família. Conceito só compreendido e extensível à família cristã, à família de Deus, se antes se compreende e se experimenta, em casa, a ternura, a afabilidade e a bondade.

       Jesus levou 34 anos a crescer, junto de José e de Maria, e dos seus parentes. Só na idade madura está pronto para alargar a família e para nos ensinar a transpor as fronteiras da nossa, para constituirmos família com os outros que se encontram nas vizinhanças. Em 3 anos, tão curto e tão profícuo tempo, Jesus colocará em ação toda a Sua experiência, criatividade, toda a bagagem que construiu e tornando-Se "semeador" de sonhos, de vida nova, de salvação. É um vendaval. Arrasta multidões. A fama vai à frente. Na sua terra, talvez não se surpreendam, já O conheciam, não veem diferente, é o filho do carpinteiro. Não se abrem ao ideal, às surpresas de Deus. Mas é Deus Quem Ele anuncia, Quem Ele comunica.

 

       4 – Na nosso frágil e belo peregrinar, não cessemos de ser profetas, propondo o bem que venha de Deus, e acolhendo dos outros o que de Deus nos podem ofertar.

       São Paulo empresta-nos palavras de confiança (e desafio):

"Ele disse-me: «Basta-te a minha graça, porque é na fraqueza que se manifesta todo o meu poder». Por isso, de boa vontade me gloriarei das minhas fraquezas, para que habite em mim o poder de Cristo. Alegro-me nas minhas fraquezas, nas afrontas, nas adversidades, nas perseguições e nas angústias sofridas por amor de Cristo, porque, quando sou fraco, então é que sou forte".

       Sem Deus, nada. Com Deus, tudo, e até as fraquezas se converterão em fonte de vida e de salvação, em oportunidade para que Deus reluza através da nossa pobreza.

"Levanto os olhos para Vós, para Vós que habitais no Céu, como os olhos do servo se fixam nas mãos do seu senhor. Como os olhos da serva se fixam nas mãos da sua senhora, assim os nossos olhos se voltam para o Senhor nosso Deus, até que tenha piedade de nós" (Salmo).

       Nas cercanias ou nos desertos da nossa vida, confiemos: Deus será a mão que nos segura e nos levanta, o olhar que nos envolve, a nossa esperança, a Luz que nos salva, a terra firme que pisamos, o porto seguro, o nosso abrigo. Como crianças que se deixam guiar pela voz e pelo olhar da/o mãe/pai, em passos hesitantes ou em passos experimentados, assim nós nos deixemos conduzir pela Sua Palavra e pelo Seu amor.


Textos para a Eucaristia: Ez 2,2-5; Salmo 122 (123); 2Cor 12,7-10; Mc 6,1-6. 

 

Reflexão dominical na página da Paróquia de Tabuaço


17
Jun 12
publicado por mpgpadre, às 09:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – Como o ar que respiramos e que nos permite viver, sem cheiro nem cor, nem intensidade, sem o podermos tocar, ou prender, sem o conseguirmos ver ou dispensar, assim Deus na nossa vida, no mundo, no universo inteiro.

       Quantas vezes experimentamos a fragilidade da nossa condição humana, na doença, na incompreensão daqueles que nos rodeiam e em quem confiamos, pela morte de alguém que nos era demasiado próximo, por situações em que a natureza nos abandona e se revolta, pela incapacidade de resolver os problemas com que nos deparamos, pelo sofrimento de tantas pessoas inocentes.

       No evangelho que hoje nos é proposto são-nos apresentadas duas parábolas sobre o reino de Deus, comparável, segundo Jesus Cristo, a uma semente lançada à terra e que cresce dia e noite, silenciosamente, sem se dar por isso, ou a um grão de mostarda que sendo a menor das sementes se converte em frondosa árvore.

Disse Jesus à multidão: «O reino de Deus é como um homem que lançou a semente à terra. Dorme e levanta-se, noite e dia, enquanto a semente germina e cresce, sem ele saber como. A terra produz por si, primeiro a planta, depois a espiga, por fim o trigo maduro na espiga. E quando o trigo o permite, logo mete a foice, porque já chegou o tempo da colheita». Jesus dizia ainda: «A que havemos de comparar o reino de Deus? Em que parábola o havemos de apresentar? É como um grão de mostarda, que, ao ser semeado na terra, é a menor de todas as sementes que há sobre a terra; mas, depois de semeado, começa a crescer, e torna-se a maior de todas as plantas da horta, estendendo de tal forma os seus ramos que as aves do céu podem abrigar-se à sua sombra».

       Numa e noutra parábola, se depreende a presença vital e invisível como Deus na nossa história. Ele agarra-se a nós, desde sempre e para sempre. Vem com a força do Seu Espírito, enformando a nossa vida, mas deixando que seja a nossa vontade a comandar, a acolher ou a rejeitar, em sintonia ou em rutura. Certo é que em momentos de maior dor, temos dificuldade em perceber o Seu amor, a Sua presença. Como Mãe solícita, Deus sofre connosco, caminha connosco, dá-nos o Seu amor maior: Jesus Cristo.

 

       2 – A história dos homens e das mulheres é feita de momentos de grande transfiguração positiva, de encontro, de descoberta e proximidade, de vida sonhada e partilhada, mas também de situações de aflição e rutura, de conflito, de guerra e violência, de destruição. E nesta nossa história, Deus continua a vir a nós para nos desafiar, para nos conduzir e elevar, para cumprir com as suas promessas de felicidade e para nos garantir o futuro de paz e de justiça, aqui e até à eternidade.

       O povo da aliança fez a experiência dolorosa do exílio, da perseguição, do conflito de poderes, de insegurança. Experimentou o inverno e o desconforto do deserto, a desconfiança, o desencanto, a dúvida. Foram tantas as adversidades e desencontros que muitas vezes Israel gritou pela presença mais palpável, pela intervenção mais ativa e visível de Deus. O povo eleito clamou por justiça e por uma LUZ incandescente, apelando à misericórdia divina, apelando para as maravilhas realizadas no passado a favor de todo o povo.

       O profeta relembra o Deus que vem, vem Ele mesmo. Há que ter esperança, há que abrir o coração e a vida, para que Ele venha e nós O encontremos. As palavras de Deus, segundo Ezequiel:

«Do cimo do cedro frondoso, dos seus ramos mais altos, Eu próprio arrancarei um ramo novo e vou plantá-lo num monte muito alto. Na excelsa montanha de Israel o plantarei e ele lançará ramos e dará frutos e tornar-se-á um cedro majestoso. Nele farão ninho todas as aves, toda a espécie de pássaros habitará à sombra dos seus ramos. E todas as árvores do campo hão de saber que Eu sou o Senhor; humilho a árvore elevada e elevo a árvore modesta, faço secar a árvore verde e reverdeço a árvore seca. Eu, o Senhor, digo e faço».

       Um ramo novo, vida nova, anúncio de frutos novos, vida fundeada na esperança, e nas promessas de Deus. Ele é o Senhor, fiel à palavra dada que breve se há de cumprir.

 

       3 – Os tempos novos que nos são anunciados pelo profeta são-nos concedidos em Jesus Cristo, que nos traz a vida nova, nos traz o próprio Deus. As promessas alcançam-nos na história, no tempo e no espaço humanos. Em Jesus Cristo, Deus concede-nos ser Sua morada para sempre, no Espírito Santo. Com efeito, antes de deixar este mundo, Jesus deixa-nos o memorial da Sua presença, dando-nos a Sua vida, o Seu Corpo e Sangue, devolvidos na Eucaristia. Ascendendo para a eternidade, com Ele, coloca a nossa natureza humana junto do Pai. Com o Pai, envia-nos o Espírito Santo, que nos recorda o Seu mandamento de amor, e a Sua vida feita oração e oblação, atraindo-nos para a Luz e para a Verdade, atraindo-nos para Si, não como afastamento mas como compromisso com o mundo atual e com as pessoas que pûs em nossa presença.

       São expressivas, uma vez mais, as palavras do Apóstolo:

"Nós estamos sempre cheios de confiança, sabendo que, enquanto habitarmos neste corpo, vivemos como exilados, longe do Senhor, pois caminhamos à luz da fé e não da visão clara. E com esta confiança, preferíamos exilar-nos do corpo, para irmos habitar junto do Senhor. Por isso nos empenhamos em ser-Lhe agradáveis, quer continuemos a habitar no corpo, quer tenhamos de sair dele. Todos nós devemos comparecer perante o tribunal de Cristo, para que receba cada qual o que tiver merecido, enquanto esteve no corpo, quer o bem, quer o mal".

       Vivemos guiados pela luz da fé, de olhar fito em Deus, e enquanto continuamos a habitar em nosso corpo, a missão de Lhe sermos agradáveis, inserindo-nos desde já no Seu reino eterno. Quando chegar a hora do nosso encontro definitivo, a confiança em que vivemos na fé, dará lugar à visão clara do amor de Deus por nós, e em nós, para sempre.


Textos para a Eucaristia (ano B): Ez 17,22-24; 2 Cor 5,6-10; Mc 4,26-34.

 

Reflexão Dominical na página da Paróquia de Tabuaço.


01
Abr 12
publicado por mpgpadre, às 09:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – "Cristo Jesus, que era de condição divina, não Se valeu da sua igualdade com Deus, mas aniquilou-Se a Si próprio. Assumindo a condição de servo, tornou-Se semelhante aos homens. Aparecendo como homem, humilhou-Se ainda mais, obedecendo até à morte e morte de cruz" (2.ª leitura).

       Este belíssimo hino, recolhido por São Paulo na sua missiva aos Filipenses, faz uma apresentação detalhada, sintética, clarividente, expressiva, da vida e missão de Jesus. A Sua condição inicial, que dá origem e alimenta o hoje do Seu compromisso, o trajeto de oblação, de entrega, de kénose (abaixamento), de amor pela humanidade. O amor por nós leva-O a assumir a nossa identidade e a nossa finitude.

       O mistério da Sua paixão, da Sua morte como oferenda, pleniza o Seu projeto de caridade a favor de todo o povo. Não apenas a favor dos amigos, ou dos bons, mas em benefício de todos, bons e maus, amigos e estranhos, judeus, gregos ou troianos.

       Vem de Deus, para habitar connosco, na história e no tempo. A divindade humaniza-se, o Universal particulariza-se num determinado período da história e num espaço civilizacional concreto. Faz-Se homem, para que descubramos por Ele e com Ele o caminho de regresso a Deus Pai, descobrindo a nossa origem, o nosso alimento e o nosso fim: Deus.

       Toda a Sua vida é serviço e doação. Assume-nos por inteiro. Identifica-Se homem. Em tudo igual a nós, exceto no pecado. Não Se alheia da obra criada por Seu amor. Por amor vem. Por amor permanece. Por amor dá a Sua vida. Por amor elevar-nos-á às alturas da glória, até Deus, Seu e nosso Pai.

 

       2 – Nas concepções tradicionais da religião, Deus mantém-se distante, alheado como Juiz impenetrável, impassível, pronto a irritar-se e a castigar, à espera das oferendas, sacrifícios e súplicas da humanidade, vergada à Sua omnipotência.

       Com Cristo Jesus, é Deus Quem procura a humanidade, imiscuindo-Se na nossa história. Deus está onde está a humanidade. As alegrias e as tristezas, as lutas e as esperanças, o sofrimento e a festa, a morte e a vida, que nos envolvem na nossa existência terrena e mortal, integram a história de Jesus, em todo o seu esplendor.

       A liturgia deste domingo é particularmente feliz. A SEMANA SANTA conduz-nos do sucesso e da fama à morte infame, numa cruz, para logo nos encher com a LUZ da Páscoa, em que nada ficará igual, e até o túmulo se encherá de luz e de vida nova.

       Visualizamos a entrada triunfal de Jesus na cidade santa de Jerusalém. É acompanhado por uma multidão imensa, que O aclama como Rei, filho de David, deixando entrever o reconhecimento do Messias prometido e esperado. É sol de pouca dura.

       Ainda ressoam os cânticos, os clamores, e já Jesus Se senta à volta da mesa, mais discretamente, quase silenciosamente. Estão lá apenas os mais íntimos. Como não nos revermos também nesta passagem. Quando as coisas correm bem, todos nos rodeiam e aplaudem, mas quando é necessário trabalhar, esforço e dedicação, com quantos dos nossos amigos poderemos contar?!

       A Ceia pascal é um interregno. Uma pausa para o café. Para descansar. Para ganhar coragem. Para sentir mais próxima a presença dos amigos e sentir o conforto dos mais chegados, preparando-os para a despedida, deixando-lhes as recomendações finais, como um testamento, um compromisso para a vida. Vou partir, mas a minha presença será ainda mais íntima, mais profunda, mais firme. Ainda a Ceia não terminou e já cheira a morte, a traição. O medo e a ansiedade começam a tomar conta dos discípulos. Sente-se aquele tremor no estômago e as pernas não querem obedecer. O vinho parece ter produzido efeito. Nem todos ficam para enfrentar as dificuldades maiores.

 

       3 – Em poucas horas, Jesus experimenta a euforia de uma multidão em festa e de uma multidão furiosa pedindo a Sua cabeça. No triunfo está lá toda a gente. Olhamos para o lado e vemos que não falta ninguém. Também lá nos queremos. Sentimo-nos confortáveis, pertencemos ali, aquele é o nosso povo, a nossa gente, e apesar dos encontrões, não desarmamos, deixamo-nos levar pelo entusiasmo.

       A vida tem altos e baixos e nos momentos do sofrimento, do suor e das lágrimas, nem todos estamos disponíveis. A casa é um espaço mais pequeno. Onde pulsa a vida, o espaço é mais íntimo, facilita o encontro, coração a coração, é mais afetivo, permite o abraço, o choro e o riso desbragado, a casa é o outro em quem coloco a minha vida, é o outro que me acolhe como irmão. Se pudéssemos ficaríamos em casa para sempre. Esta começa a desfazer-se quando alguém abandona o círculo familiar. Judas é o primeiro a sair. Saem os outros, para o Jardim das Oliveiras. A casa não pode ser profanada, há de ser o lugar do reencontro, da vida nova, da vida ressuscitada, quando de novo todos se reconhecerem como irmãos.

       Aqueles que contam acompanham Jesus. Mas ainda não estão amadurecidos o suficiente na sua fé. Maior é o medo. Quando nos sentimos ameaçados na nossa vida biológica, as reações passam pela paralisia, como em sonhos, não conseguimos mexer-nos, ou fugimos rapidamente para nos libertarmos do perigo iminente. Assim acontece com os discípulos. Adormecem, tal é a ansiedade, enquanto o seu Mestre reza, roga a Deus, transpira gotas de sangue, é a Sua hora. Levar o amor até ao fim, mesmo que isso custe a própria vida (biológica), é o alimento, a vontade de Jesus. Numa hora desta, só Deus Lhe pode valer, só Deus Lhe pode dar ânimo (alma) para prosseguir.

       É a vida. Agora que era tão útil a presença dos seus amigos mais íntimos, todos correm rapidamente para não serem "agarrados" por aquela onda de ódio e violência. Mantêm-se à distância. Com medo, com "pena" do Mestre, mas afastados o suficiente para preservarem as suas vidas.

 

       4 – Como não nos revermos nesta SEMANA SANTA de Jesus?! Transpira suor, sangue e lágrimas. Prossegue no limite do desfalecimento. Clama em altos brados. Leva as forças ao limite, por amor. É paixão. Redentora. Homem e Deus envolvidos na mesma história.

       Quantos pais não "morrem" todos os dias pelos filhos? E por causa deles. Canseiras, preocupações, trabalho, lágrimas. A vida até ao esgotamento! Onde parece que não há mais ânimo, lá se encontram argumentos para prosseguir. O amor supera as limitações físicas. Quantos não são testados, todos os dias, até ao limite da sua coragem – uma doença repentina, a falta de trabalho e de pão para a mesa, o sofrimento e a doença crónica de um familiar, o conflito que se agudiza dentro de portas, ou o ambiente desastroso com os colegas de trabalho –, uma via crucis sem solução à vista, um calvário que perdura no tempo, sem sinais esperançosos, sem abertura no céu enublado de lágrimas, de cansaço, de derrota.

       Jesus não passa ao largo das nossas lutas. Não desvia o olhar. Enfrenta connosco as angústias da sobrevivência. "O Senhor Deus abriu-me os ouvidos e eu não resisti nem recuei um passo. Apresentei as costas àqueles que me batiam e a face aos que me arrancavam a barba; não desviei o meu rosto dos que me insultavam e cuspiam. Mas o Senhor Deus veio em meu auxílio, e, por isso, não fiquei envergonhado; tornei o meu rosto duro como pedra, e sei que não ficarei desiludido" (1.ª Leitura).

       Está (quase) sozinho. Os apóstolos tornaram-se apóstatas. À distância. Sua Mãe e algumas mulheres, que sabem o que é sofrer, o que é sofrer por amor, o que é dar a vida pelos filhos e verem os filhos morrer (repentinamente ou aos poucos), elas não desviam o olhar. É doloroso. É a vida. Faz parte da vida. Dali ninguém as tira. Nem a força bruta dos soldados em fúria, nem a multidão cega pela gritaria. Elas que estavam na primeira hora permanecerão até à última hora, até ao suspiro final. 

       "O véu do templo rasgou-se em duas partes de alto a baixo. O centurião que estava em frente de Jesus, ao vê-l’O expirar daquela maneira, exclamou: «Na verdade, este homem era Filho de Deus». Estavam também ali umas mulheres a observar de longe, entre elas Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago e de José, e Salomé, que acompanhavam e serviam Jesus, quando estava na Galileia, e muitas outras que tinham subido com ele a Jerusalém" (Evangelho).

 

       5 – Regressemos a nossas casas. O espetáculo terminou. Jesus morreu. Morreu por amor. Morreu por nós. Morreu para nos salvar. Morreu para nos mostrar que o amor há de ser mais forte, mais firme, mais "violento" e revolucionário que todas as forças do mal e da morte.

       Aguardemos. Com Maria, a Quem Ele nos confia, e com as outras mulheres, voltemos ao lugar onde pulsa a vida, nas suas lutas e nas suas festas, a casa, a nossas casas. Façamos luto. Não deixemos, porém, que o medo e a angústia tomem conta da nossa alma (do nosso ânimo), rezemos com Ela, vigilantes, firmes na esperança, confiantes na promessa de Deus. Não temamos a noite. O SOL esconde-se por entre as lágrimas, os nossos olhos ficam nublosos, mas a LUZ há de ser tão intensa que prevalecerá para além das nossas dores e da nossa treva. A caminho da Páscoa!


Textos para a Eucaristia (ano B): Is 50,4-7; Salmo 21 (22); Filip 2,6-11; Mc 14,1 - 15,47.

 

 Reflexão Dominical na página da Paróquia de Tabuaço


25
Mar 12
publicado por mpgpadre, às 09:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – Cada vez mais perto, mais perto ainda, e logo depois a luz incandescer-nos-á, enchendo a nossa vida de luz, de paz, de vida nova, de presença de Deus, com o fulgor e o dinamismo da Páscoa, que nos atrairá para além da CRUZ, que tornará mais belo, mais profundo e mais generoso o nosso olhar e a nossa esperança. Os nossos olhos serão transformados pela magia do amor que Deus nos dá, para fazermos a experiência de encontro com o Ressuscitado.

       Em Jerusalém, Jesus passeia-se às claras por entre os homens e as mulheres, em festa. Vai onde germina a vida, ao encontro dos outros. Deus vem onde nos pode encontrar, a nossa casa, à nossa vida, às nossas praças e ruas. Em sentido inverso, muitos são os que se sentem também atraídos por Ele e O procuram, querem vê-l’O, ora por curiosidade ora tocados pela fé. Talvez neles arda o Espírito de Deus.

       As palavras de Jesus não podem ser mais explícitas:

       «Chegou a hora em que o Filho do homem vai ser glorificado. Em verdade, em verdade vos digo: Se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica só; mas se morrer, dará muito fruto. Quem ama a sua vida, perdê-la-á, e quem despreza a sua vida neste mundo conservá-la-á para a vida eterna. Se alguém Me quiser servir, que Me siga, e onde Eu estiver, ali estará também o meu servo. E se alguém Me servir, meu Pai o honrará. Agora a minha alma está perturbada. E que hei de dizer? Pai, salva-Me desta hora? Mas por causa disto é que Eu cheguei a esta hora. Pai, glorifica o teu nome».

       O Filho do Homem vai ser glorificado pelo sofrimento, pela cruz, melhor, vai ser glorificado pela entrega, pelo amor sem fim, pela dádiva da Sua vida, do seu Corpo, morrerá por amor. Se se pode morrer por amor, eis ALGUÉM que o faz. Sem apelo nem agravo. É hora do tormento e dor, de tristeza e angústia. É hora de confiança e de realizar-se a vontade do Pai, a vontade do Amor. É o grão de trigo que cai à terra, morre, para logo germinar na abundância de saborosos frutos.

 

       2 – Não é uma hora fácil, a de Jesus Cristo, ao contemplar o quão perto se encontra do fim biológico. "Agora a minha alma está perturbada" (Evangelho). Resolutamente sabe que não veio para fazer o caminho mais curto, mais fácil, mas para vivenciar connosco todas as experiências, também a da dor, do sofrimento, da solidão, do abandono e da morte. Também aqui Jesus, Deus feito Homem, nos assume por inteiro. Não fica à distância a contemplar a nossa morte. Vem morrer connosco. E por nós.

       Ele aprende como é amarga a passagem deste mundo para a eternidade. Angustiante. Há de transpirar gotas de sangue, tal a ansiedade e o medo. Mas não desfalece. Coloca-Se em Deus Pai. Cola-Se n'Aquele que O enviou. E que O livrará da morte eterna.

       "Nos dias da sua vida mortal, Cristo dirigiu preces e súplicas, com grandes clamores e lágrimas, Àquele que O podia livrar da morte e foi atendido por causa da sua piedade. Apesar de ser Filho, aprendeu a obediência no sofrimento e, tendo atingido a sua plenitude, tornou-Se para todos os que Lhe obedecem causa de salvação eterna" (2.ª Leitura).

 

       3 – O desiderato da Sua vida e missão é a salvação da humanidade. Toda. De todos os lugares e em todos os tempos. Vem para cumprir as promessas de Deus feitas ao Seu povo, e por Israel a todos os povos da terra.

       O momento presente, de sofrimento, de blasfémias, de prisão e da morte que se aproxima, não é, de todo, comparável à beleza do amor de Deus. Jesus resiste nessa intimidade com Deus. Sabe que se aproxima a hora da morte, mas também sabe que o amor que vai até ao fim selará a nova aliança da Redenção.

       Ele inscrever-nos-á para sempre no coração de Deus e em nós inscreverá a lei do amor.

       Como nos revela através de Jeremias:

       "Dias virão, diz o Senhor, em que estabelecerei com a casa de Israel e com a casa de Judá uma aliança nova... Hei de imprimir a minha lei no íntimo da sua alma e gravá-la-ei no seu coração. Eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. Não terão já de se instruir uns aos outros, nem de dizer cada um a seu irmão: «Aprendei a conhecer o Senhor». Todos eles Me conhecerão, desde o maior ao mais pequeno, diz o Senhor. Porque vou perdoar os seus pecados e não mais recordarei as suas faltas".

       O início da nova Aliança dá-Se na oferenda de Jesus, da Sua vida, do Seu Corpo por inteiro. Pelo Seu sacrifício o perdão do nosso pecado. Acolhamos n'Ele a vida nova, novos céus e nova terra. É também pela Cruz que ficamos a conhecer a Lei de Deus, o rosto do Amor. 

 

       4 – A liturgia deste quinto domingo da Quaresma deve levar-nos ao mesmo desejo dos judeus gregos que vieram a Jerusalém, conforme se diz no Evangelho: "alguns gregos que tinham vindo a Jerusalém para adorar nos dias da festa, foram ter com Filipe, de Betsaida da Galileia, e fizeram-lhe este pedido: «Senhor, nós queríamos ver Jesus»".

       O nosso privilégio facilita a nossa fé e adesão ao Evangelho, pois nascemos na hora de Cristo Senhor, fomos sepultados para o pecado e para a morte, pelo Batismo, e tornamo-nos novas criaturas, ressuscitando pelo Espírito Santo. Nesta tensão entre a vida presente e a eternidade, entre a Quaresma e a Páscoa da nossa existência mortal, o desejo por ver Jesus há de ser o desejo por nos vermos transformados pelo Seu amor redentor e vivermos como filhos e irmãos.

       Também com o salmista rezemos, pedindo:

       "Criai em mim, ó Deus, um coração puro e fazei nascer dentro de mim um espírito firme. Dai-me de novo a alegria da vossa salvação e sustentai-me com espírito generoso".


Textos para a Eucaristia (ano B): Jer 31,31-34; Sl 50 (51); Heb 5,7-9; Jo 12,20-33.

 

Reflexão Dominical na página da Paróquia de Tabuaço.


14
Jan 12
publicado por mpgpadre, às 13:26link do post | comentar |  O que é?

Sê profeta na tua vida, na família, no trabalho, na comunidade.

Ninguém é profeta na sua terra.

Proximidade e distância.

Namoro e compromisso.

A horta da vizinha é melhor que a minha.

Psiquiatras. Psicólogos. Sacramento da Confissão.

Torna-se ator da tua vida e não apenas espectador da tua história.

Jesus Cristo. Augusto Cury. Cada um de nós. Principezinho.

Santos para os outros, mas em casa autênticos demónios.

 

Alguém um dia, referindo-se à Princesa Diana, disse que era fácil amá-la. Todo o mundo a amava. Salvo seja. Prefiro, pessoalmente, princesas reais, de carne e osso e não de plástico, feitas por medida, pelas televisões e revistas coloridas. Também nada me move contra quem faz a sua vida nas passarelas da visibilidade, sabendo-se sempre que as suas vidas em privado são como a do comum dos mortais, com choros e risos, com boa disposição e com inseguranças várias, com medo e confiança, com dúvidas e com sonhos, com fracassos e recomeços. Não muito diferente da vida de qualquer um, sabendo-se que cada um, mesmo em circunstâncias semelhantes, vive de maneira diferente, à sua maneira.

 

Há almas que sangram, ainda que aparentemente o rosto sorria.

Talvez tenha sido assim com aquela princesa, talvez seja assim com muitas princesas que encontramos no nosso dia-a-dia.

Lembra-me uma pequena história.

Um dia um homem foi ao psiquiatra, muito deprimido, desencantado com a vida, com as pessoas. O psiquiatra, depois de o ouvir, em algumas sessões, deu-lhe um conselho que julgou ser importante: por que é que não vai assistir à exibição de um palhaço, na praça central, todos os dias, ao fim da tarde? Vai ver que se sente melhor. Ele encanta. Faz-nos rir desbragadamente. Vai ver que não se arrepende. Da próxima vez que cá voltar, virá um homem diferente.

- Esse palhaço, respondeu o paciente, sou eu!

Como diz o povo, cada um sabe o que vai em sua casa.

 

Ninguém é profeta na sua terra.

A expressão é de Jesus Cristo, quando vai à sua terra e não é bem recebido.

Isto diz muito das nossas vidas. Em casa, somos nós. Em casa, muitas vezes, deixamos vir ao de cima o melhor e o pior. Fora deixamos ver apenas o melhor. Em casa, conhecem as nossas fragilidades. Fora, conhecem o que mostramos. É assim, positiva e negativamente. Os que nos são mais próximos conhecem-nos melhor, conhecem o lado solar e o lado lunar. Em casa distendemo-nos. Fora, contraímo-nos. Com efeito, recolhemos sempre a casa, é onde nos sentimos melhor. Por vezes, poderá ser um problema: porque estamos em casa não temos o mesmo cuidado e atenção que deveríamos ter com os que nos são mais próximos. Ou porque já sabem dos nossos sentimentos. Ou porque "têm" obrigação de conhecer as razões para estarmos com os azeites.

 

Funciona também quando precisamos ou prestamos ajuda.

Os santos da casa não fazem milagres.

Ouvimos o mesmo a uma pessoa que nos é próxima e a uma pessoa que (ainda) não nos é nada, e nos conselhos que nos dão, uma e outra, nas palavras e nos gestos, podem ser exatamente iguais, só ouvimos o que não nos é familiar.

Daí a importância dos psicólogos, dos psiquiatras, do sacramento da Confissão (tem inevitavelmente uma dimensão terapêutica).

Se é uma pessoa que não nos deve nada, então o que nos diz é para levar a sério.

Se é uma pessoa próxima, cumpre a sua obrigação e diz por dizer, são palavras (de simpatia, ou não). Nada mais. Pode até sugerir um caminho. É sempre suspeito. Por vezes precisamos de consultar o médico para ele nos dizer que o que temos é o que já sabíamos que tínhamos e que os nossos familiares nos tinham dito que tínhamos. Mas o médico é médico. E ai se ele diz que não temos nada... é porque não presta!

 

Por outro lado, se preciso de ajuda (e quero ser ajudado) recorro a alguém que possa distanciar-se dos meus problemas para ver melhor, para que as suas respostas e ajudas não sejam suspeitas. Mesmo que por vezes saibamos que também somos médicos de nós mesmos, precisamos de outros olhos, de outra visão, da opinião de alguém que não seja suspeito por estar demasiado envolvido.

Como referimos antes, é preciso ver toda a floresta. Entrar na floresta. Ver que a árvore que nos tapa a visão é só uma árvore. Há outras árvores. É preciso entrar para conhecermos. É preciso distanciar para compreender...

 

O namoro inseria-se nesta perspetiva: levava a que as pessoas tivessem um tempo para se conhecerem, para que o olhar primeiro da paixão, que deixa ver apenas qualidades, não ofuscasse uma visão mais completa e verdadeira da pessoa de quem nos aproximamos. A intimidade surgia apenas depois de um tempo (mais ou menos longo) de conhecimento, de descoberta, de proximidade... O compromisso aparecia quando já se conheciam também algumas imperfeições. Atente-se para o facto de alguns procurarem esconder os defeitos, as inseguranças, enquanto não assegurassem um compromisso. Com o tempo, com a proximidade, deixamos de ter cuidado, pouco a pouco deixamos ver também as insuficiências. E, por outro lado, passamos a descobrir também no outro as suas fragilidades.

Agora avança-se de imediato para o compromisso, e quando as pessoas se conhecem, vem o descompromisso. Por vezes mais rápido que o expectável.

 

Uma dimensão muito curiosa do ser humano.

Enquanto em atitude de conquista, é atencioso, diplomata, coloca o melhor de si mesmo.

Depois da conquista, relaxa. Em excesso, por vezes. Por um lado, as pessoas não podem e não devem estar em constante "conquista", precisam de se sentir seguras, em casa, relaxadas. Por outro outro lado, a atenção e delicadeza devem nortear todo e qualquer comportamento.

 

Neste sentido, hoje propúnhamos: seja profeta na sua vida, na sua casa, na sua comunidade. Faça-se presente. Sinta-se filho (e não enteado). Sinta o pulsar da vida como desafio, Procure ser simpático, envolvente, atencioso. Coloque o melhor de si mesmo no encontro com os que lhe são mais próximos. Que a sua proximidade o distancie da frieza, da indiferença, da indisposição. Seja ator. Não espectador. Tome a iniciativa. Tem medo. Não hesite. O não está certo. Por que não habilitar-se ao sim. Acolha. Viva. Celebre.

É fácil que todo o mundo aclame a Princesa Diana, menos o seu marido e os de sua casa. À distância é fácil amar, louvar, admirar. Perto, vemos os defeitos, torna-se mais difícil. O essencial, a amizade, ou o amor autêntico, é aquele que reconhece as perfeições e imperfeições do outro e ainda assim lhe quer bem.

 

Tomemos por exemplo Jesus Cristo. Chama os seus discípulos. Conhece-os. Sabe que são impulsivos, que não têm formação, que não são benquistos pela população, hesitantes, e até de honestidade duvidosa. Ainda assim, Jesus chama-os, quere-os junto de Si, quer fazer deles "pescadores de homens", quer explorar o melhor que eles têm. Aposta neles, mesmo que vislumbre a dúvida, a negação, a traição. Acredita que o amor, a confiança, o perdão, são mais fortes.

 

Sejamos profetas em nossa casa. Não depende dos outros. É uma atitude nossa. Pode ser correspondida ou não. Sejamos atores. Não esperemos que os outros sejam atenciosos, meigos, simpáticos, para o sermos também. Alguém tem de tomar a iniciativa. Mesmo que com o tempo se torne doloroso ser rejeitado ou incompreendido.

Insista. Como Jesus. Ele nunca desiste das pessoas. Nem de Judas, o discípulo que mais amou e mais protegeu. Conhecia a sua fragilidade, o seu íntimo, dedicou-lhe tempo, atenção, atribuiu-lhe responsabilidades, manteve-o por perto. Até ao fim. Judas não compreendeu o amor de Jesus, não correspondeu. Jesus não desistiu.

Não desista, pelo menos no início, pelo menos sem tentar.

 

É tão fácil ser deus para os que nos são estranhos.

É tão fácil estar de passagem na vida de alguém, ou até mesmo na vida de uma comunidade. Tudo é fácil, tudo é agradável, promissor. Difícil é permanecer, permanecer em todos os momentos, não apenas quando tudo corre bem. Há pessoas extraordinárias, para toda a gente, boas, generosas, agradáveis. Porém, para os de casa são um sobressalto, uns demónios, sempre carregados de indisposição. Que valor há nisso? Todos conseguem. Seja diferente. Comece no seu coração, em sua casa, na sua família. Dê o melhor de si mesmo. Seja coerente de dentro para fora (e se necessário, do exterior para o interior), primeiro seja profeta em casa. Depois leve a profecia até às alturas.

 

A felicidade encontra-se em casa.

No seu coração. A busca interior é a mais importante. Pode ser a mais compensadora. Será sempre mais duradoura. O Principezinho vai por muitos mundos, mas regressa a casa, ao seu mundo, à sua flor. É o tempo que gastamos com a nossa flor que a tornamos bela para nós. Gaste tempo com a sua flor, com a sua casa, com a sua família. Estará ainda mais disponível para os que estão fora da sua casa. Pode até tornar-se casa também para os outros. Não inverta. Comece em si, em sua casa.


25
Dez 11
publicado por mpgpadre, às 00:05link do post | comentar |  O que é?

       1 – É NATAL. É festa, alegria, júbilo. É tempo de CELEBRAR o amor de Deus para connosco. É luz, é vida, presença de Deus na nossa história. É dia, é graça, é hora de acordar e de viver. É tempo de esperança e paz, Deus veio até nós. "O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; para aqueles que habitavam nas sombras da morte uma luz começou a brilhar. Multiplicastes a sua alegria, aumentastes o seu contentamento... Porque um menino nasceu para nós, um filho nos foi dado. (Is 9,1-6: Missa da meia-noite).

       As trevas dissipam-se pois se levanta no horizonte uma grande LUZ, o Deus que vem, que nasce, o Deus que faz a Sua morada em nós, na nossa vida, no mundo em que vivemos. A alegria substitui o medo e a escuridão. "Não temais, porque vos anuncio uma grande alegria para todo o povo: nasceu-vos hoje, na cidade de David, um Salvador, que é Cristo Senhor" (Lc 2,1-14).

       É hora de louvar, agradecer, cantar. "Cantai ao Senhor um cântico novo pelas maravilhas que Ele operou... O Senhor deu a conhecer a salvação, revelou aos olhos das nações a sua justiça... Os confins da terra puderam ver a salvação do nosso Deus... Aclamai o Senhor, terra inteira, exultai de alegria e cantai..." (Sl).

       O nascimento de Jesus Cristo, Deus feito homem, modifica a história para sempre, e há de transformar a nossa vida. A presença do próprio Deus em nós, e entre nós, é razão mais que suficiente para nos envolvermos no bem, na justiça, na paz, para nos deixarmos inundar com a Luz que d'Ele nos chega. "Àqueles que O receberam e acreditaram no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus..." (Evangelho).

 

       2 – "Muitas vezes e de muitos modos falou Deus antigamente aos nossos pais, pelos Profetas. Nestes dias, que são os últimos, falou-nos por seu Filho, a quem fez herdeiro de todas as coisas e pelo qual também criou o universo..."

       É o amor que preside à criação e que sustenta o universo inteiro e, por maioria de razão, o ser humano, imagem e semelhança de Deus. Deus criou-nos para sermos felizes, para vivermos como família, harmoniosamente, sob o Seu olhar misericordioso, deixando-nos transparecer pelo Sua presença, para que não houvesse opacidade na nossa vida. Deus como comunhão de vida e de amor, fonte da comunhão a existir entre os homens de toda a terra.

       Porque nos ama infinitamente, Deus não cessa de nos falar e de querer habitar em nós. De muitas formas. Nas mais diversas ocasiões e circunstâncias, pela criação, pelos profetas, pela história. Nem sempre nos mostramos disponíveis para O acolher, para O escutar. Nem sempre a nossa vida cumpre com a nossa identidade, filhos de Deus.

       Chegada a hora, segundo o beneplácito de Deus, envia-nos o Seu próprio Filho. Não sobre as nuvens, exteriormente, mas fazendo-O entrar na história e no tempo, gerando-O como Homem entre os homens, revelando a plenitude do Seu amor, entrando na humanidade, assumindo a nossa fragilidade e finitude, não como limite, mas como abertura aos outros, à vida, e à divindade.

       "No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus... Tudo se fez por meio d’Ele e sem Ele nada foi feito. N’Ele estava a vida e a vida era a luz dos homens... O Verbo era a luz verdadeira, que, vindo ao mundo, ilumina todo o homem... E o Verbo fez-Se carne e habitou entre nós. Nós vimos a sua glória, glória que Lhe vem do Pai como Filho Unigénito, cheio de graça e de verdade... a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo. A Deus, nunca ninguém O viu. O Filho Unigénito, que está no seio do Pai, é que O deu a conhecer".

 

       3 – "Como são belos sobre os montes os pés do mensageiro que anuncia a paz, que traz a boa nova, que proclama a salvação e diz a Sião: «O teu Deus é Rei». Eis o grito das tuas sentinelas que levantam a voz. Todas juntas soltam brados de alegria, porque veem com os próprios olhos o Senhor que volta para Sião. Rompei todas em brados de alegria, ruínas de Jerusalém, porque o Senhor consola o seu povo, resgata Jerusalém. O Senhor descobre o seu santo braço à vista de todas as nações e todos os confins da terra verão a salvação do nosso Deus".

       A nós foi-nos dada o favor de contemplar a plenitude dos tempos, o privilégio de acolher em nossas vidas o Verbo de Deus, a Palavra que Se faz carne, que eleva a nossa humanidade à eternidade de Deus e Se deixa de novo transformar e nos deixa, pelo pão e pelo vinho consagrados, em memorial, o Seu Corpo e Sangue. A Sua vinda não é passageira, como se viera de viagem ou de férias. Veio para ficar. Como verdadeiro Homem teria sempre os seus dias contados. Como verdadeiro Deus, deu-nos o poder de O aprisionarmos em nós, nos Sacramentos, na Eucaristia, no bem que praticamos, "o que fizerdes ao um destes meus irmãos, a Mim o fazeis".

       O nosso grito é confiante, é de alegria e de festa, porque a Boa Nova chega até nós. Ressoe em nós a certeza que nos dá Deus Pai: «Tu és meu Filho, Eu hoje Te gerei» e n'Ele, Deus feito homem, cada um de nós se torne verdadeiro filho de Deus, desde que, como escutámos no Evangelho, O recebamos e acreditemos n'Ele.


Textos para a Eucaristia: Is 52,7-10; Sl 97 (98); Heb 1,1-6; Jo 1,1-18. 

 

Reflexão dominical na página da Paróquia de Tabuaço.


08
Nov 11
publicado por mpgpadre, às 09:35link do post | comentar |  O que é?


30
Out 11
publicado por mpgpadre, às 10:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – "Na cadeira de Moisés sentaram-se os escribas e os fariseus".

       Com o decorrer dos anos, o carisma de Moisés e a beleza, simplicidade e grandeza dos Mandamentos desvanece-se com novos líderes e com a multiplicação de leis, de preceitos, com muitas excepções, exigências, derivações, pormenores cada vez mais picuinhas. A complexidade da Lei leva ao seu não cumprimento.

       Refira-se que a história do povo de Israel não foi fácil nem linear. Constitui-se a partir de 12 tribos, com peculiaridades próprias que servem para unir mas também para dividir. Funcionam com alguma harmonia e compreensão nas lideranças fortes de Moisés, David, Salomão. Os reis e os líderes religiosos sucedem-se. Fracas e indecisas lideranças geram conflitos, que por sua vez tornam a nação vulnerável. Se cada um puxa para si e/ou para a sua tribo, o povo deixa de ter defesas para os ataques que chegam do exterior. Se interiormente está dividido, não oferece segurança contra os inimigos.

       As lutas palacianas pelo poder, a corrupção, as influências das famílias mais poderosas e as negociatas entre os detentores da autoridade civil e militar conduzem a nação ao descalabro.

       Um alvo fácil das nações vizinhas, mais unidas, militarmente mais poderosas, com estratégias de invasão e de domínio, com um maior poderia económico, Israel é invadido, com os estrangeiros a imporem a sua presença e os casamentos mistos (forma de apaziguar ânimos, se se integram nas famílias judaicas, estas não se voltarão contra os seus familiares...). Por outro lado, os exílios a que estão sujeitos.

       É também nestas condições adversas à Palavra de Deus, que se multiplicam os preceitos para preservar a identidade, cultura e religião judaicas, aquando das invasões, do exílio, ou em momentos de grande instabilidade.

       2 – A multiplicação de leis e preceitos confunde as pessoas mais simples e não "obriga" os mais instruídos e poderosos que sempre arranjam subterfúgios para contornar os seus deveres sociais e religiosos.

       Jesus, como vimos no domingo anterior, repõe com clareza a simplicidade da Lei. Toda a Lei e os Profetas se resumem, nos seus ditames, a amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Se a cadeira (símbolo do ensino e da autoridade) de Moisés foi usurpada, agora é purificada por Jesus, com a autoridade do Mestre dos Mestres, que vive como ensina, e ensina o que transforma em obras de perdão e caridade.

       A clareza e simplicidade obriga a uma escolha, limitando as desculpas e justificações. Ou sim ou sopas. A compreensão fácil da Lei, neste caso, do duplo mandamento do amor, implica a sua aceitação ou a sua recusa.

       Jesus alerta para o desfasamento entre o conhecimento da lei e o consequente cumprimento: "Fazei e observai tudo quanto vos disserem, mas não imiteis as suas obras, porque eles dizem e não fazem. Atam fardos pesados e põem-nos aos ombros dos homens, mas eles nem com o dedo os querem mover. Tudo o que fazem é para serem vistos pelos homens... Aquele que for o maior entre vós será o vosso servo. Quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado".

       Malaquias, na primeira leitura, alertava para esta incongruência: "Vós desviastes-vos do caminho, fizestes tropeçar muitos na lei e destruístes a aliança de Levi, diz o Senhor do Universo. Por isso, como não seguis os meus caminhos e fazeis acepção de pessoas perante a lei, também Eu vos tornarei desprezíveis e abjectos aos olhos de todo o povo". Não cumprem. Exigem aos outros. São um contra-testemunho.

       Por conseguinte, as palavras de Jesus incentivando a cumprir a lei, com palavras e com obras, seguindo o caminho da humildade e do serviço ao próximo, como expressão e concretização do amor a Deus. Não faz sentido exigir aos outros o que não se faz menção de cumprir.

 

       3 – De novo, e como no domingo anterior, lembramos que a referência é Jesus Cristo, com as Suas palavras, com os Seus gestos e com a Sua vida, na oferenda constante a favor da humanidade, até à morte na Cruz.

       Foi com este fito que o Apóstolo procurou em tudo imitar Jesus Cristo, para que através do seu testemunho outros aderissem ao Evangelho. Diz-nos São Paulo: "Fizemo-nos pequenos no meio de vós. Como a mãe que acalenta os filhos que anda a criar, assim nós também, pela viva afeição que vos dedicamos, desejaríamos partilhar convosco, não só o Evangelho de Deus, mas ainda própria vida, tão caros vos tínheis tornado para nós".

       O Apóstolo assume uma postura que contraria a dos mestres de Israel que ensinam e exigem aos outros, mas não cumprem nem fazem o mais pequeno esforço para cumprir. O Apóstolo faz-se pequeno, para que Cristo cresça nas comunidades. O maior, para Jesus Cristo, e que é testemunhado por São Paulo, é aquele que se faz pequeno, aquele que serve os seus irmãos.


Textos para a Eucaristia (ano A): Mal 1,14b-2,2b.8-10; 1 Tes 2,7b-9.13; Mt 23,1-12.

 


05
Abr 11
publicado por mpgpadre, às 09:48link do post | comentar |  O que é?

       Nasceu em Valencia, Espanha, em 1350. Entrou para os Dominicanos (Ordem dos Pregadores de S. Domingos) com 17 anos. Nesta época, a Igreja Ocidental vivia o grande cisma, com dois Papas, um em Avinhão, na França, e outro em Roma, em Itália.

       Mestre em teologia, Vicente coloca-se ao lado dos papas de Avinhão. Mas para que a unidade seja alcançada, incentiva o papa Bento XIII, último Papa de Avinhão, a renunciar ao cargo para que a Igreja se possa unir à volta de um novo e único Papa.

       Em Avinhão cai gravemente enfermo, quase moribundo. É então que tem uma visão de Nosso Senhor, acompanhado de São Domingos e São Francisco, a entregar-lhe a missão de pregar o evangelho por todo o mundo.

       Pregador popular, percorre a França, a Espanha, a Itália e a Suiça. As “massas” seguem-no. Ele exorta as pessoas à conversão: a vinda de Jesus Cristo está próxima, as calamidades da época, como a Grande Peste, anunciam esse fim próximo. Vicente é, para a imaginação popular, “o pregador do fim do mundo”.

       O auditório das suas pregações chegava a ultrapassar as 15 mil pessoas.

       Muitas vezes era chamado a intervir como árbitro de paz.

       Morreu em 5 de Abril de 1419, em Vannes, na Bretanha, território de França.

       Nos lugares onde pregou, as populações, que o veneram ainda em vida, invocam-no após a sua morte.

       Em Tabuaço venera-se desde o séc. XV ou XVI. A própria Vila terá nascido à volta do lugar de São Vicente, expandido-se a partir de então.

       Na Capela, do mesmo nome, uma belíssima imagem, como se pode ver, que representa S. Vicente, com o traje dominicano. Na imagem original, teria asas, ainda tens dois buracos na parte superior das costas, onde estariam incrustadas as duas asas que entretanto desapareceram, por ser apelidado de “anjo do apocalipse”. Sentado aos pés, uma judia que ele entretanto ressuscitara e que se converteu ao cristianismo.

 

»»» Desdobrável sobre São Vicente Ferrer, a ser destibuído, na Eucaristia comunitária, AQUI ««

 

       Um vídeo com algumas imagens da Capela e da Imagem de São Vicente. Quer a Capela quer a Imagem foram beneficiados há pouco com intervenções de conservação e restauro. A música de fundo, foi escolhida/proposta pelo Youtube:


22
Dez 10
publicado por mpgpadre, às 10:23link do post | comentar |  O que é?

       1 – A proximidade física (cronológica) ao Natal é inegável no ambiente que nos rodeia e na liturgia da palavra proposta deste quarto Domingo de Advento. Por onde quer que passemos, saltam à vista os enfeites, árvores de Natal, presépios ao ar livre, iluminação natalícia em cidades, vilas e aldeias, nos centros comerciais. Saliente-se, este ano, uma inovação que se iniciou no nosso país no ano passado, a colocação dos Estandartes de Natal, com o Menino Jesus, nas janelas e varandas de muitas casas, "obrigando-nos" a lembrar que o aniversariante é Jesus Cristo, o Deus que Se faz próximo de cada um de nós e da humanidade inteira. Refira-se que os estandartes, acção promovida por um grupo de leigos empenhados, sem fins lucrativos, favorecerá as pessoas mais desamparadas e, ainda, a acompanhar o estandarte, o Livro com os Evangelhos para todos os dias do ano de 2011, oportunidade para que a Palavra de Deus, feita carne em Jesus, acompanhe mais de perto as nossas famílias cristãs e desperte, em todos os que adquirirem o Estandarte com o Evangelho, o gosto pela leitura e meditação da Sagrada Escritura.

       Centremo-nos por ora nas leituras deste último domingo antes da celebração do Natal para acolhermos o mistério de Deus que se desvela para nós. O anúncio de Isaías (primeira Leitura) é profecia que se torna realidade com o nascimento de Jesus (Evangelho).

       2 – "O próprio Senhor vos dará um sinal: a virgem conceberá e dará à luz um filho e o seu nome será Emanuel". São as palavras proféticas de Isaías e que logo São Mateus as mostra cumpridas no nascimento de Jesus. Ao relato do nascimento do Salvador, Mateus acrescenta: "Tudo isto aconteceu para se cumprir o que o Senhor anunciara por meio do Profeta, que diz: «A Virgem conceberá e dará à luz um Filho, que será chamado ‘Emanuel’, que quer dizer ‘Deus connosco’»" (Evangelho).

       Foi-nos dado ver o que aos profetas e aos que nos precederam na fé foi apenas anunciado como futuro. Eles ansiaram, como um dia dirá Jesus aos seus ouvintes, ver este dia de salvação para todos os povos. A nós o privilégio de vivermos com Jesus Cristo, na Sua Igreja, a plenitude dos tempos.

       Neste concreto ouçamos o testemunho de São Paulo, na sua missiva aos Romanos: "Deus tinha de antemão prometido pelos profetas nas Sagradas Escrituras, acerca de seu Filho, nascido da descendência de David, segundo a carne, mas, pelo Espírito que santifica, constituído Filho de Deus em todo o seu poder pela sua ressurreição de entre os mortos: Ele é Jesus Cristo, Nosso Senhor".

 

       3 – Nas vésperas de Natal deixemo-nos cativar pela luz que brilha no Presépio de Belém, no olhar de Jesus, de Maria e de José, procurando que este seja um tempo de alegria, de paz, de harmonia em nossa casa e em todos os ambientes em que nos encontremos. Aproveitemos para termos algum gesto concreto que nos faça experimentar o perdão, a caridade, em alguma situação que precisemos de revolver, melhorar, ou em algum momento que nos aproxime daquelas pessoas que estão mais precisados.

Só a humildade do Deus que Se faz criança nos trará a felicidade duradoura e plena.

________________________________________

Textos para a Eucaristia (ano A): Is 7,10-14; Rom 1,1-7; Mt 1,18-24.

 


13
Dez 10
publicado por mpgpadre, às 10:33link do post | comentar |  O que é?

       1 – A proximidade da celebração festiva do Natal leva-nos a viver mais intensamente, numa atitude de espera, de preparação e de conversão, mas também de alegria, júbilo, que antecipa esta chegada de Deus ao nosso coração e à nossa vida.

       Quando alguém está para chegar, os sentimentos misturam-se e confundem-se entre a ansiedade, a pressa que a pessoa esperada chegue, e a experiência de felicidade (antecipada) por saber que falta pouquíssimo tempo para (re)encontrar aquela que pessoa com quem se deseja muito estar.

       Assim também o Advento nos permite viver em atitude de espera e de alegria, pela chegada do Salvador, o Deus connosco.

       O profeta Isaías, na primeira leitura, convida ao júbilo, à confiança, porque Deus vem até nós: "Alegrem-se o deserto e o descampado, rejubile e floresça a terra árida, cubra-se de flores como o narciso, exulte com brados de alegria... Dizei aos corações perturbados: «Tende coragem, não temais:Aí está o vosso Deus, vem para fazer justiça e dar a recompensa. Ele próprio vem salvar-nos»... hão-de chegar a Sião com brados de alegria, com eterna felicidade a iluminar-lhes o rosto".

       A espera é confiante.

(nascimento de João Baptista)

 

       2 – Para os cristãos, a vinda do Messias não se situa no futuro mas no presente como nos diz o Evangelho, onde Jesus responde às expectativas anunciadas. João Baptista, depois de ter ouvido dizer muitas coisas de Jesus, manda alguns dos seus discípulos para dissipar as dúvidas: «És Tu Aquele que há-de vir ou devemos esperar outro?» Jesus respondeu-lhes: «Ide contar a João o que vedes e ouvis: os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e a boa nova é anunciada aos pobres...".

       Jesus não responde com argumentos, mas com a vida, com uma postura constante, com a realidade das curas, do perdão dos pecados, da transformação da vida daqueles com quem Ele se encontra, com o anúncio da Boa Nova da salvação.

       Por outro lado, Jesus não perde a ocasião para testemunhar a favor de João Baptista – "Entre os filhos de mulher, não apareceu ninguém maior do que João Baptista" – e nos apontar para o reino de Deus, não como algo distante, mas como realidade ao nosso alcance, basta-nos escutar e viver o Evangelho e, dessa forma, "o menor no reino dos Céus é maior do que ele», do que o maior dos nascidos de mulher, João Baptista.

 

       3 – A tensão escatológica, entre a vinda de Jesus há dois mil anos, e a vinda última, pode gerar desânimo. Com efeito, a chegada do Messias deveria ser acompanhada pela transformação radical do mundo em que este fosse verdadeiramente um mundo novo, marcado pela verdade e pelo espírito, em que a paz entre as nações, a justiça, a harmonia entre as pessoas, dentro das famílias, nos povos do mundo inteiro fosse não apenas um desejo mas uma realidade experimentada.

       No entanto, a certeza de que em Jesus veio até nós o Reino de Deus não deve desanimar-nos nem fazer-nos baixar os braços, mas envolver-nos ainda mais, pois sabemos que a vitória do bem é uma certeza. Vivamos para que, através da nossa vida, o reino de Deus se cumpra.

       São Tiago, na segunda leitura, diz-nos com propriedade: "Esperai com paciência a vinda do Senhor. Vede como o agricultor espera pacientemente o precioso fruto da terra, aguardando a chuva temporã e a tardia. Sede pacientes, vós também, e fortalecei os vossos corações, porque a vinda do Senhor está próxima. Não vos queixeis uns dos outros, a fim de não serdes julgados. Eis que o Juiz está à porta. Irmãos, tomai como modelos de sofrimento e de paciência os profetas, que falaram em nome do Senhor".

       O tempo urge, já se sentem as dores do parto de um mundo novo, renascido na água e sobretudo no Espírito Santo. As sementes foram lançadas à terra. Aguardemos jubilosos, os frutos já despontam, com a graça do Senhor Jesus.

____________________________

Textos para a Eucaristia (ano A): Is 35,1-10; Tg 5,7-10; Mt 11,2-11.

 


06
Dez 10
publicado por mpgpadre, às 10:37link do post | comentar |  O que é?

        1 – "Naqueles dias, apareceu João Baptista a pregar no deserto da Judeia, dizendo: «Arrependei-vos, porque está perto o reino dos Céus». Foi dele que o profeta Isaías falou, ao dizer: «Uma voz clama no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas’». ... Aquele que vem depois de mim é mais forte do que eu e não sou digno de levar as suas sandálias. Ele baptizar-vos-á no Espírito Santo e no fogo".

       O tempo do Advento é, sem dúvida, ocasião para preparar a chegada de Jesus, o Deus que Se faz homem, que encarna para nos elevar para Deus, para nos reconduzir à morada do Altíssimo.

       João Baptista é uma das figuras principais do Advento. Reconhece-se como o Precursor, aquele que vem anunciar e preparar a chegada próxima do Reino de Deus, é a voz que anuncia a PALAVRA. O seu baptismo é de arrependimento, de perdão dos pecados, é um baptismo preparatório. Aquele que está para viver - o MESSIAS - baptizará com a força do Espírito Santo, não apenas no perdão dos pecados mas na concessão de uma vida nova.

 

       2 – Outra das figuras centrais deste tempo do Advento é Isaías. É citado, antes de mais, pelo próprio João Baptista, que se identifica com a mensagem do profeta, assumindo-se como a voz que clama no deserto. Por outro lado, Isaías é o profeta que faz uma caracterização mais extensa, mais clara e mais específica do Messias que está para vir e do tempo que chegará com Ele, o Emanuel, o Deus connosco.

       Vejamos a força das palavras presentes na primeira leitura deste domingo: "Sobre ele repousará o espírito do Senhor: espírito de sabedoria e de inteligência, espírito de conselho e de fortaleza, espírito de conhecimento e de temor de Deus. Animado assim do temor de Deus, não julgará segundo as aparências, nem decidirá pelo que ouvir dizer. Julgará os infelizes com justiça e com sentenças rectas os humildes do povo... O lobo viverá com o cordeiro e a pantera dormirá com o cabrito; o bezerro e o leãozinho andarão juntos e um menino os poderá conduzir. A vitela e a ursa pastarão juntamente, suas crias dormirão lado a lado; e o leão comerá feno como o boi. A criança de leite brincará junto ao ninho da cobra e o menino meterá a mão na toca da víbora". 

       O Messias é marcado pela força do Espírito de Deus, e com Ele chegará um tempo de prosperidade, de justiça e de paz.

 

       3 – O desafio de João Baptista à conversão, à mudança de vida, ao arrependimento, à preparação para a chegada do Messias não foi apenas para aquele tempo específico da história, mas é para todos os tempos e para todos os povos. Preparamo-nos para a celebração festiva do NATAL, mas preparamo-nos constantemente para acolher Jesus na nossa vida e fazer com que a nossa vida seja Sua morada. 

       Como nos preparamos? De muitas formas, aprofundando a fé, traduzindo a Palavra de Deus em obras de caridade, assumindo gestos de partilha, de solidariedade, procurando viver harmoniosamente em família, em igreja, na sociedade.

       São Paulo, na segunda leitura que hoje nos é proposta, deixa-nos algumas recomendações concretas, depois da saudação: "O Deus da paciência e da consolação vos conceda que alimenteis os mesmos sentimentos uns para com os outros, segundo Cristo Jesus, para que, numa só alma e com uma só voz, glorifiqueis a Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo. Acolhei-vos, portanto, uns aos outros, como Cristo vos acolheu, para glória de Deus".

      A própria caracterização de Deus é já um desafio à paciência que se vive a partir do amor. E, nesta perspectiva, tratando-nos como irmãos em Cristo Jesus, para formarmos e sermos uma autêntica família de Deus.


Textos para a Eucaristia (ano A): Is 11,1-10; Rom 15,4-9; Mt 3,1-12

 


mais sobre mim
Relógio
Outubro 2017
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
11
12
13

15
16
17
18
19
20
21

22
23
24
25
26
27
28

29
30
31


Visitantes
comentários recentes
O mundo atual precisa do testemunho cristão. Livro...
Saudações fraternas. Claro que sim. Ao longo da Su...
Caríssimo, no texto que comento, anuncia a experiê...
Sofres do síndrome de última bolacha do pacote
Quero agradecer por essa linda história e texto po...
Gostei da trilogia.http://numadeletra.com/1q84-liv...
Olá!Caí neste comentário acerca deste último livro...
http://numadeletra.com/41791.html
também gostaria de o conhecer pessoalmente acho in...
Bom dia. Alguns elementos para o ofertório estão v...
Bom dia. Sou catequista na minha paróquia e estamo...
Mais uma vez, muitos parabéns por nos dar este bel...
Eu já sabia que não devemos menosprezar nunca o po...
Bom dia. Eu é que agradeço, pela presença, pelo in...
Bom dia Padre Manuel! É sempre com muito agrado qu...
arquivos
Pinheiros - Semana Santa
- 29 março / 1 de abril de 2013 -
Tabuaço - Semana Santa
- 24 a 31 de abril de 2013 -
Estrada de Jericó
pesquisar neste blog
 
Velho - Mafalda Veiga
Festa de Santa Eufémia
Pinheiros, 16/17 de setembro de 2012
Primeira Comunhão 2013
Tabuaço, 2 de junho
Papa Bento XVI
Profissão de Fé 2013
Tabuaço, 19 de maio
blogs SAPO