...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...
12
Fev 17
publicado por mpgpadre, às 12:00link do post | comentar |  O que é?

TOMÁŠ HALÍK (2014). Paciência com Deus. Oportunidade para um encontro. (3.ª Edição). Prior Velho: Paulinas Editora. 288 páginas.

Tomáš Halík.jpg

Tomáš Halík, neste título, Paciência com Deus, e que tem como subtítulo “Oportunidade para um encontro”, procura perceber o Zaqueu que se esconde no sicómoro (figueira…), mas que Deus descobre por entre a folhagem. Vivemos num tempo em que podemos, com alguma facilidade, catalogar os que têm fé e os que não têm, os crentes e os ateus. O autor recusa uma leitura apressada, fácil, em que se crie uma divisória nítida. Há muitos Zaqueus para os quais temos que olhar com carinho, com atenção. Deus escapa-nos, não se enforma nas nossas conceções racionais. É mistério que, no entanto, está presente em cada um de nós, pois todos fomos/somos criados à Sua imagem e semelhança. Não nos podemos apossar d’Ele, pois também se encontra nos outros…

Um dos textos citados pelo autor é o do profeta Elias.

Elias, depois de matar os profetas idólatras, é avisado pelo Rei Acaz que o mesmo lhe será feito. Elias sai da cidade e caminha pelo deserto. Já esgotado, pede ao Senhor que lhe tire a vida. O anjo do Senhor aparece-lhe por duas vezes e ordena-lhe: «Levanta-te e come, pois tens ainda um longo ca­mi­nho a per­correr». Elias faz como o Senhor lhe ordena e dirige-se para o monte Horeb. Aí passa a noite. O Senhor faz saber a Elias que vai passar… «Passou um vento impetuoso e violento, que fendia as montanhas e quebrava os rochedos diante do Senhor; mas o Senhor não se encontrava no vento. Depois do vento, tremeu a terra. Passou o tremor de terra e ateou-se um fogo; mas nem no fogo se encontrava o Senhor. Depois do fogo, ouviu-se o murmúrio de uma brisa suave. Ao ouvi-lo, Elias cobriu o rosto com um manto, saiu e pôs-se à entrada da caverna» (1 Reis 19, 1- 14).

Deus nem sempre é evidente. Em questões de fé nem tudo é branco e preto. Um crente passa por momentos de treva, de dúvida e hesitação. Um “ateu” pode estar perto de Deus, em busca, a percorrer um caminho de aproximação. 

É, em meu entender, uma das linhas condutoras do texto de Tomáš Halík, Paciência com Deus, procurando fazer pontes, prevenir juízos precipitados, para não encerrar o próprio Deus em ideias preconcebidas e limitando a Sua ação.

Deus poderá não ser tão evidente como por vezes se faz crer.

Por um lado, em Jesus Cristo, Deus manifesta-Se em plenitude, revela o Seu rosto. Mas não Se deixa aprisionar por uma pessoa ou por uma instituição ou por uma religião. Quem se convence que possui Deus está perto de blasfemar, pois Deus é e continuará a ser Mistério.

Por outro lado, segundo o teólogo checo, o caminho da fé não é linear. A busca honesta e decidida tem avanços e recuos. Deus nem sempre está onde O queremos, pode estar onde não pensamos. Elias é surpreendido. Deus não está na tempestade mas na brisa suave, onde quase não Se percebe.

Santa Teresinha, no momento de especial sofrimento vive a “noite da fé”, contudo, não diminui o amor que permanece até à eternidade.

Em Nietzsche, na proclamação da morte de Deus, segundo o autor, também se intui o silêncio dos crentes que deixaram que Deus fosse morto sem protestarem, sem reivindicarem a Sua vida e a Sua presença…

Mais perigoso que um ateu convicto é um crente apático!

O diálogo faz-se entre ateus convictos e lutadores e crentes em busca. Entre crentes apáticos, seguros de si mesmos, e ateus indiferentes não há diálogo nem discussão possível. Situam-se uns e outros na denúncia de Nietzsche, Deus morreu e também o matámos. O anúncio não deu lugar ao protesto contra a morte de Deus. Foi um grito que passou com indiferença.

Esta é mais uma belíssima obra e provocação do autor chego, convidando-se a uma busca constante, permitindo que os Zaqueus se aproximem e, no momento em que também nós formos e nos sentirmos Zaqueus, nos deixemos interpelar pelas palavras e pelo desafio de Jesus Cristo.

 

(o presente texto foi elaborado a partir de dois textos

publicados na Voz de Lamego, sob o título:

Silêncio, Deus não mora à superfície (31 de janeiro de 2017)

Deus não mora à superfície (7 de fevereiro de 2017)

 

Sugiro a leitura do seguinte comentário: 


15
Fev 12
publicado por mpgpadre, às 19:30link do post | comentar |  O que é?
Quem procura encontra.

Se cruzar os braços à espera que lhe cai do céu o que deseja, corre o sério risco de ver passar navios. Ou como quem diz, “fia-te na Virgem e não corras”. Neste caso, num sentido um pouco diferente daquele que queremos refletir hoje. Rezar para que Nossa Senhora acuda num teste, ou pedir para ganhar o euro milhões mas sem preencher o boletim de apostas, ou numa qualquer provação, mas sem mexer um dedo para tentar resolver.

 

«Digo-vos, pois: Pedi e ser-vos-á dado; procurai e achareis; batei e abrir-se-vos-á; porque todo aquele que pede, recebe; quem procura, encontra, e ao que bate, abrir-se-á. Qual o pai de entre vós que, se o filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, se lhe pedir um peixe, lhe dará uma serpente? Ou, se lhe pedir um ovo, lhe dará um escorpião? Pois se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do Céu dará o Espírito Santo àqueles que lho pedem!» (Lc 11, 9-13; cf. Mt 7, 7-11).

 

Em muitas situações da vida, só se encontra o que se procura e quando se procura. Muitas vezes, e acontece-nos a todos, por preguiça, por falta de confiança (insegurança), por cansaço, desistimos mesmo antes de procurar. Situações que se revolveriam facilmente, bastava uma palavra, um gesto, um olhar, mas por medo e/ou acanhamento não se tomou a iniciativa. E tudo ficou igual. Ou piorou.

Há uma expressão muito certeira quando solicitámos algo a alguém: o não está sempre certo, vamos tentar o sim. Não temos nada a perder e podemos ganhar – sublinho que no relacionamento humano, e em situações de voluntariado, ou de afetividade, os termos perder e ganhar não são muito ajustáveis, pois não se trata de ganhar ou perder, mas de avançar partilhando e enriquecendo-se mutuamente, ou não.

 

Na reflexão de ontem falámos na direção, ou melhor, na orientação, no sentido da nossa vida. Saber para onde se caminha, para que valha a pena pôr-se a caminho. Ter alguns objetivos, metas, tarefas, por mais pequenas que sejam, para cada dia ou semana, ou mês, para que nos sintamos úteis. Num sentido similar, diríamos, que a procura precisa de ter alguns objetivos, por mais pequenos que sejam, alguma orientação.

Num sentido de fé – voltemos a ler to texto do Evangelho – a procura é antes de mais de Deus. Procurámo-l’O para o encontrar, numa busca sem fim, num encontro sempre novo. Parafraseando Santo Agostinho, procuremo-l'O até o encontrar, e depois de O encontrar, continuemos a procurá-l'O… O mistério de Deus quanto mais se desvela para nós, tanto mais se esconde. É mistério, não é segredo, pois este quando revelado deixa de o ser.

 

A expressão contudo aplica-se ao nosso dia a dia. A procura tem também o sentido do aperfeiçoamento, ou da santidade (na vida do cristão). Procuramos que a nossa vida seja melhor, tenha mais utilidade, procuramos aproveitar melhor o tempo, valorizar as pessoas que Deus coloca à nossa beira, desenvolver as nossas capacidades, fazendo render os nossos talentos e os nossos dons.

Nem sempre a vida é fácil. Também a beleza da rosa é protegida pelos espinhos. Para alguns é mais difícil, pela situação familiar, pela situação profissional, ou por alguma predisposição genética e/ou educacional. Mas a desistência só tem sentido quando se tentou, e tentou, e tentou, quando claramente não é humanamente realizável.

Damos um exemplo: não vou pôr-me a procurar ouro no areal (não sou geólogo), mas creio que a areia não é o sítio mais indicado. Posso procurar vezes sem conta, estarei a procurar onde não é humanamente possível encontrar. (A não ser que haja ouro já trabalhado e que alguém tenha perdido).

Por vezes é preciso escavar fundo da alma, para encontrarmos um sentido para situações que não compreendemos de imediato, outras vezes é necessário escavar o nosso coração para compreendermos o mal que alguém nos fez, ou para aceitarmos esta e aquela pessoa que nos prejudicaram, disseram mal de nós, puseram em causa a nossa honra. Escavar como quem procura metais preciosos, o que exige sacrifício, suor, trabalhos, e por vezes sem compensação. Mas na vida, o caminho feito conta tanto ou mais do que a meta onde se chegou. Aliás, a meta só será alcançável se se fizer ao caminho. Qual mulher grávida que suporta todo o desconforto por um bem que apagará, fará quase esquecer toda a dor, todo o sofrimento, por vezes, a antecipação do parto não faz desaparecer a dor mas justifica-a, apazigua a ansiedade. Qual Miguel Ângelo que da pedra tosca, depois de muito trabalho, suor e sacrifício, nos dava a beleza e perfeição da estátua de Moisés ou de David…

 

Outro aspeto concreto, difrente, mas ilustrativo, é quando procuramos determinada qualidade ou defeito no outro, seja uma pessoa que nos é mais próxima, seja em alguém que acabamos de conhecer, seja uma pessoa de quem gostemos ou por quem tenhamos simpatia/empatia, seja uma pessoa de quem não gostamos tanto, ou que nos provoca mal estar, sempre encontraremos. Se procuramos uma qualidade ou qualidades, facilmente encontramos. Se procurarmos um defeito ou defeitos, facilmente enontramos. Em algum momento já fizemos essa experiência, encontrarmos na pessoa o que procuramos (e não estamos a falar em nenhuma situação em particular, mas em quase todas as situações... salvem-se as excepções.

Procuremos, então, nos outro(s) e de preferência as qualidades...

 

Não cessemos de procurar… podemos até não encontrar… ou não encontrar no tempo que desejaríamos… mas valerá a pena o sonho, o caminho feito… e cada jornada só tem sentido no final se houver um início, e se houver caminhada… Aquele que perseverar será salvo… (cf. Mt 24, 13)


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