...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...
24
Set 16
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

1 – O que nos distancia de Jesus Cristo e do Seu Evangelho não são os bens materiais, mas a ganância, a avareza, a prepotência, a sobranceria, a autossuficiência, a presunção, a soberba.

O contrário da pobreza de espírito não é a riqueza material mas a avareza. E aqui há cenários variados. Há pobres avarentos, que só não têm tudo porque não podem. Há pobres generosos, simples, despojados e o pouco que têm dá para ajudar os outros… Há ricos avaros, "chupam" tudo quanto lhes é possível, sem olhar a meios… Há ricos, cuja riqueza material é fruto do trabalho honesto, geram riqueza, criam emprego; beneficiam dos próprios bens e alargam os benefícios para os outros.

Jesus responsabiliza-nos pelos mais pobres. Refira-se uma vez mais que Jesus não está a falar para o vizinho. É para mim. É para ti. É para nós. Não nos é pedido o impossível. É-nos exigido o melhor de nós mesmos.

Jesus contesta o homem rico não pela riqueza que possui mas pela sua cegueira e egoísmo, pela incapacidade de sair do seu castelo e compartir a vida com os outros.

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2 – A descrição do homem rico e do pobre Lázaro, o contraste gritante que existe entre ambos e o muro levantado que protege um e deixa o outro na rua, é visível na atualidade. Também hoje convivem lado a lado a miséria e a opulência, a degradação humana e o luxo escandaloso. Os governos, por vezes, protegem apenas os poderosos e esquecem-se dos pobres.

Do homem rico não se conhece o nome. Pode ser qualquer um de nós. Por outro lado, mais que apontar nomes, importa denunciar situações de injustiça e prepotência. Vestia de púrpura e linho fino e banqueteava-se esplendidamente todos os dias, fechado dentro dos portões, alheio ao sofrimento dos outros.

Um pobre, chamado Lázaro. O nome já diz da sua pobreza. Os pobres não podem ser números. Não servem para usar como arma de arremesso. Não contam apenas por ocasião das eleições. Têm nome e têm rosto. E ainda hoje há tantos Lázaros, excluídos, sem casa, sem pão, sem família. Este jazia junto ao portão do homem rico, e estava coberto de chagas. Não pede muito, apenas as migalhas que caem da mesa do rico. Mas nem a migalhas lhe são permitidas.

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3 – O que fizerdes ao mais pequeno dos meus irmãos é a Mim que o fazeis. O que fizermos agora tem consequências amanhã. As escolhas do tempo influenciam a inserção na vida eterna. Qual efeito borboleta: segundo a teoria do caos, o bater das asas de uma borboleta em Portugal poderá provocar um terramoto do outro lado da terra.

«O pobre morreu e foi colocado pelos Anjos ao lado de Abraão. Morreu também o rico e foi sepultado. Na mansão dos mortos, estando em tormentos, levantou os olhos e viu Abraão com Lázaro a seu lado».

Finalmente este homem rico viu Lázaro. Antes não o tinha visto. A ganância e a superioridade presunçosa cegaram-no. Só se preocupava com o seu umbigo. Um pobre ali tão perto, do lado de fora, a padecer, e não foi capaz de o ver e de o ajudar. Agora tão longe, já o vê e até deseja que Lázaro, enviado por Abraão, possa vir, entrar, aliviar o seu sofrimento. Enquanto podia alterar as coisas, esqueceu-se dos outros. Agora que tudo está concluído quer alterar as regras do jogo, em seu benefício e dos seus, servindo-se de Lázaro a quem não serviu com os seus bens!

 

4 – Mais que nos preocuparmos com o desfecho final, que a Deus confiamos, importa, no tempo presente, aqui e agora – não amanhã ou depois, não em outro lugar ou circunstâncias – viver o melhor, gastando a vida em favor de todos os que Deus coloca à nossa beira, testemunhando a beleza e a alegria da Boa Nova que Jesus nos traz com a Sua vida e com a oferenda de Si mesmo.


Textos para a Eucaristia (C): Am 6, 1a. 4-7; Sl 145 (146); 1 Tim 6, 11-16; Lc 16, 19-31..

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE


07
Nov 15
publicado por mpgpadre, às 20:24link do post | comentar |  O que é?

1 – Quando o pouco é tudo e quando o muito é insignificante!

A vida não é quantificável pela quantidade, mas qualificável pela qualidade, pela intensidade, pelos momentos que fazem a história de uma pessoa, de uma família, de uma comunidade. Há vidas cronologicamente longas que se resumem a muito pouco, sem marcas relevantes na história; há vidas cronologicamente curtas em que são precisas muitas páginas e muitas vidas para absorver tudo o que foi vivido e cuja herança humana perdura para lá do tempo presente.

Do mesmo jeito a generosidade. Não é comensurável em cálculos matemáticos, mas visualizável no envolvimento da pessoa: está totalmente comprometida com o que dá e a quem dá? Ou é apenas um descargo de consciência? Ou um gesto mecânico de tradição?

Jesus colocou-se em frente da arca do tesouro e observa que muito ricos deitam com ostentação avultadas quantias. Aproxima-se uma viúva (pobre) e deita duas pequenas moedas. Antes Jesus alertava-nos: «Acautelai-vos dos escribas, que gostam de exibir longas vestes, de receber cumprimentos nas praças, de ocupar os primeiros assentos nas sinagogas e os primeiros lugares nos banquetes. Devoram as casas das viúvas, com pretexto de fazerem longas rezas».

Aqueles que tinham a obrigação moral de zelar por todos e sobretudo pelos mais pobres, entre os quais se contavam viúvas e os órfãos, ocupam os lugares para se servirem e usarem de diversas artimanhas para explorar as pessoas mais simples.

Atento ao gesto daquela viúva, Jesus diz aos seus discípulos: «Em verdade vos digo: Esta pobre viúva deitou na caixa mais do que todos os outros. Eles deitaram do que lhes sobrava, mas ela, na sua pobreza, ofereceu tudo o que tinha, tudo o que possuía para viver».

O próprio Jesus explica por que é que aquela mulher dando tão pouco deu tanto, deu muito mais que outros. Dizia a Madre Teresa de Calcutá, que "o amor, para ser verdadeiro, tem de doer. Não basta dar o supérfluo a quem necessita, é preciso dar até que isso nos machuque... o importante não é o que se dá, mas o amor com que se dá”. De forma semelhante relembrava o Papa Francisco: "Não esqueçamos que a verdadeira pobreza dói: não seria válido um despojamento sem esta dimensão penitencial. Desconfio da esmola que não custa nem dói" (Mensagem para a Quaresma, 2014).

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2 – Elias, um dos profetas mais ilustres do povo eleito, experimenta a generosidade e a grande fé de um pobre viúva, que na míngua de bens, se prepara, juntamente com o filho, para se entregar à morte.

Elias afasta-se de Israel, povo ao qual pertence e que se encontra sujeito a um tempo de provação e purificação por se ter afastado de Deus. Elias refugia-se em Sarepta, cidade da Fenícia, onde será acolhido por uma viúva, que sobrevive à custa das esmolas, cada vez mais escassas em tempo de fome, pelo que lhe soa estranho o pedido de Elias: «Por favor, traz-me uma bilha de água para eu beber... Por favor, traz-me também um pedaço de pão».

Começa a desenhar-se um tempo novo em que a confiança em Deus prevalece além das dificuldades atuais. Responde-lhe a mulher: «Tão certo como estar vivo o Senhor, teu Deus, eu não tenho pão cozido, mas somente um punhado de farinha na panela e um pouco de azeite na almotolia. Vim apanhar dois cavacos de lenha, a fim de preparar esse resto para mim e meu filho. Depois comeremos e esperaremos a morte».

Certo da promessa de Deus, Elias replica: «Não temas; volta e faz como disseste. Mas primeiro coze um pãozinho e traz-mo aqui. Depois prepararás o resto para ti e teu filho. Porque assim fala o Senhor, Deus de Israel: ‘Não se esgotará a panela da farinha, nem se esvaziará a almotolia do azeite, até ao dia em que o Senhor mandar chuva sobre a face da terra’».

Genericamente sabemos que contamos sobretudo com a generosidade daqueles que passaram ou passam privações, pois sabem melhor o que custa a vida. Refira-se, obviamente, que a pobreza (espiritual) autêntica é, antes de mais, a abertura a Deus e a disponibilidade para cuidar do outro, usando a vida, os dons e os bens, como instrumento beneficente de todos.

_______________________

Textos para a Eucaristia (B): 1 Reis 17, 10-16; Sl 145 (146); Hebr 9, 24-28; Mc 12, 38-44.

 

REFLEXÃO COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE


05
Jul 14
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – «Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas verdades aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, Eu Te bendigo, porque assim foi do teu agrado. Tudo Me foi dado por meu Pai. Ninguém conhece o Filho senão o Pai e ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar».

       Por certo já nos aconteceu tentarmos explicar um acontecimento, um sentimento, um mistério, procurando as palavras mais adequadas e ficarmos com a sensação que não nos fizemos entender. Quem estava a nossa frente ficou ainda mais confuso, e nós próprios no final não conseguimos também aceder à realidade que queríamos expor.

       Chega alguém, ou até o nosso interlocutor, e de uma forma simples e acessível, usando uma imagem, uma comparação, outra situação do dia-a-dia, diz-nos que e como compreendeu e ajuda-nos a assimilar o que dávamos por adquirido.

       Jesus sublinha a simplicidade do coração para compreender e acolher o mistério que vem de Deus. Os sábios e inteligentes, neste contexto, são todos aqueles que pressupõem que sabem tudo e que não precisam de ninguém para aprender. Os pequeninos são todos aqueles, com qualidades e defeitos, que estão em busca do Céu, em busca do saber, disponíveis para acolher o que vem dos outros, o que vem das alturas e em tudo e todos procuram um sentido, uma lição, um desafio para a sua própria vida.

       Ao mistério de Deus (e do Homem) só acedemos pela humildade, pelo coração. A verdadeira sabedoria será o aceitarmos a nossa limitação e colocar-nos em atitude de contemplação perante o que não compreendemos, sabendo que as palavras são necessárias mas por vezes insuficientes.

       2 – «Vinde a Mim, todos os que andais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e a minha carga é leve».

       Há acontecimentos que nos desgastam e nos destroem. Sabemos o quanto nos afetam. Há situações, porém, em que nos sentimos abatidos, desmoralizados, esmagados até, sem sabermos as causas e as razões, sejam físicas ou morais, sendo, por vezes, um acumulado de cansaços, chatices, doença, incompreensão dos amigos, solidão, arrelias na família, no trabalho, o clima, sonhos gorados ou expetativas futuras pouco promissoras.

       A sugestão de Jesus é, também aqui, um desafio à simplicidade, ao despojamento, à humildade. Nem tudo nos é desvendado ao mesmo tempo, nem tudo nos é dado a descobrir e a conhecer na forma como esperamos e merecemos. A leveza perante a vida, nada tem de ligeireza. Leva-nos a confiar em Deus, e no futuro com Deus.

       Jesus faz-Se pequenino, absorvendo a nossa fragilidade e finitude, em clara abertura para Deus. E é nessa postura de obediência a Deus, de escuta, que Jesus Se coloca mais próximo de cada um de nós, mais perto da humanidade que nos irmana.

       A sabedoria autêntica passa por aqui. Confiança. Entrega nas mãos de Deus. Ele sustenta a nossa vida e os nossos anseios. A sua carga é leve e o seu jugo é suave, pois baseia-se no amor, na compaixão, na conciliação, para nos libertar do que nos destrói, o ódio, o ciúme extremo, a violência, a inveja, o rancor, o desejo de vingança, a maledicência. São estes propósitos que nos pesam e nos fazem andar derreados, espiritual e fisicamente. Ficámos doentes quando nos deixamos vencer por emoções e sentimentos destrutivos. Fazem parte da nossa vida, mas há que os relativizar. Definitivo só Deus. Deixar que uma arrelia domine completamente a nossa vida, é permitir que uma ditadura invada o nosso coração, e nos vá matando aos poucos…


Textos para a Eucaristia (ano A): Zac 9, 9-10; Sl 144 (145); Rom 8, 9. 11-13; Mt 11, 25-30.

 

 


14
Abr 14
publicado por mpgpadre, às 10:00link do post | comentar |  O que é?

JOSÉ ANTONIO PAGOLA (2014). Jesus e o dinheiro. Uma leitura profética da crise. Lisboa: Paulus Editora. 88 páginas.

       Para quem conhece este sacerdote e teólogo espanhol, sabe que é uma apaixonado por Jesus como fica explicita na contracapa deste livro. Centra-se sobretudo na figura de Jesus Cristo, inserindo-nos junto d'Ele naquele tempo, como seguidores, discípulos, apóstolos, medrosos e renitentes, outras vezes interesseiros e calculistas. Mas afabilidade de Jesus, a Sua compaixão pelos mais frágeis, as palavras carregadas de coerência e autoridade, inquietantes, provocadoras, continuam a ser um desafio para os nossos dias.

       A fé não está desligada da vida. Jesus mantém demasiado perto dos doentes, leprosos, surdos, mudos, invisuais, coxos, os mais pobres, viúvas, galileus, crianças, mulheres, dos pecadores públicos, publicados, mulheres de má vida. Nas suas fileiras tem de tudo e quando chegam as horas decisivas, acobardam-se, protegem-se, resguardam-se dos perigos.

       Este é mais um testemunho que procura trazer-nos Jesus e os Seus ensinamentos, a Verdade que nos salva, a opção clara e inequívoca pelos que são vítimas desta crise que uns criaram e que outros sofrem. A Igreja, seguidora de Jesus Cristo e, por conseguinte, imitadora, terá que ser um voz atenta e comprometida, do lado dos mais pobres, dos desvalidos, dos desempregados, das famílias endividadas, dos trabalhadores e reformados cada vez mais explorados, quando se protegem as finanças, os bancos, as grandes multinacionais, ainda que promotoras de emprego e riqueza. Teremos de viver mais pobres, mas nem por isso menos comprometidos com o vizinho, com os pobres cada vez em maior número.

       A situação que serve de ambiente a Pagola é Espanha, mas em Portugal, como sublinham os editoras, é em tudo idêntica. A intervenção da troika ajuda a equilibrar as contas públicas, financiando os bancos e o estado, mas há cada vez mais pobres, mais desempregados, com os jovens a serem  obrigados a sair do seu país, não podendo gerar riqueza nos países de origem.

       A crise económico-financeira é, antes de mais, uma crise da humanidade.

 

Algumas frases do autor que sustenta a argumentação e a militância dos cristãos:

"Jesus não separou Deus do Seu projeto de transformação do mundo. É possível um mundo diferente, mais justo, mais humano e feliz, precisamente porque Deus o quer assim" (p 19).
"Deus não pode ser Pai de todos sem reclamar justiça para aqueles que são excluídos de uma vida digna. Por isso não O podem servir os que, dominados pelo dinheiro, afogam injustamente os Seus filhos e filhas na miséria e na fome" (p 23).
"Este sistema faz-nos escravos da ânsia de acumular. A História organiza-se, move-se e dinamiza-se a partir desta lógica. Tudo é pouco para nos sentirmos satisfeitos" (p 25).
"Não deis a César o que é de Deus: os pobres. Jesus proclamou repetidamente esta mensagem. Os pequeninos sãos os prediletos do Pai; aos pobres pertence o Reino de Deus. Não se pode sacrificar a vida nem a dignidade dos indefesos a nenhum poder político, financeiro, económico ou religioso. Os humilhados pelos poderosos são de Deus. E de mais ninguém (p 29).
"Chegou o momento de recuperar a compaixão e a misericórdia como herança decisiva que Jesus deixou à humanidade, a força que há de impregnar a marcha do mundo, o princípio de ação que há de mover a história em vista de um futuro mais humano... A misericórdia é o modo de ser de Deus, a Sua maneira de olhar para o mundo e reagir perante as Suas criaturas (pp 33-34).
"O primeiro olhar de Jesus não se dirige ao pecado do ser humano, mas ao sofrimento... Para Jesus, a primeira preocupação foi o sofrimento das pessoas enfermas e subalimentadas da Galileia, a defesa dos aldeões explorados pelos poderosos donos das terras ou o acolhimento dos pecadores e prostitutas, excluídos da religião. Para Jesus, o grande pecado contra o projeto de Deus consiste sobretudo em resistirmos a tomar parte no sofrimento dos outros, fechando-nos no nosso próprio bem-estar" (p 35).
O "sofrimento injusto dos últimos do planeta ajuda-nos a conhecer a realidade do mundo que estamos a construir. Não se conhece o mundo a partir dos centros de poder, mas a partir das massas sem nome nem rosto dos excluídos, os únicos para os quais, paradoxalmente, não há lugar no nosso mundo globalizado. São as vítimas as que mais nos levam a conhecer aquilo que somos" (p 40).
"Os que nada importam são os que mais interessam a Deus. Os que sobejaram dos impérios construídos pelos homens têm um lugar privilegiado no Seu coração. Os que não têm uma religião que os defenda, têm a Deus como Pai (p 45).
"Ser compassivos como o Pai implica lutar contra o esquecimento das vítimas inocentes. Não é possível introduzir no mundo uma cultura da compaixão se não se refletir contra a cultura da amnésia e do esquecimento cruel de milhões de seres humanos que sofrem, vítimas do sistema que hoje conduz a história" (pp 46-47).
"O dinheiro, tendo sido inventado para tornar mais fácil o intercâmbio de bens, há de ser empregue, segundo Jesus, para facilitar a redistribuição, a solidariedade e a justiça fraterna. Só então começa o discípulo a estar em condições de seguir Jesus" (p 57).
"O lema do Governo é claro: «Sabemos o que temos de fazer e fá-lo-emos». Não há alternativa. Nada mais se tem em conta senão cumprir os objetivos económicos que nos são ditados pela troika: o Banco Central Europeu, a Comissão Europeia e o Fundo Monetário Internacional. As decisões estão nas mãos dos tecnocratas. O decisivo é atender às exigência do sistema financeiro internacional. A atividade política, que deveria defender os direitos das pessoas e o bem da sociedade, dilui-se convertendo-se em instrumento dos poderosos do dinheiro" (p 59).
"Era necessária uma 'regulamentação fiscal' que pressiona fortemente os assalariados, mas não toca nas grandes fortunas e oferece uma amnistia injusta aos prevaricadores? (p 60).
"A partir da defesa dos últimos e da vontade de compaixão responsável e solidária, temos de defender e promover a defesa do bem comum exigindo, cuidando e desenvolvendo serviços públicos que garantam as necessidades mais básicas. devemos reagir contra a privatização do individualismo, que nos pode fechar no nosso bem-estar egoísta, deixando indefesos os mais fracos.
Temos de recuperar a importância do que é de todos, a responsabilidade do cuidado de uns pelos outros, a defesa da família como lugar por excelência de relações gratuitas, a comunidade cristã como espaço de acolhimento e de mútuo apoio acolhedor e fraterno" (p 66)
Jesus "fala com autoridade porque fala a partir da verdade" (p 67).
"É um disparate de desumanidade que as três pessoas mais ricas do mundo possuam ativos superiores a toda a riqueza dos quarenta países mais pobres, onde vivem seiscentos milhões de pessoas" (p 75)
"... as tecnologias da comunicação e a mobilidade da política humana torna cada vez mais difícil manter ocultas a fome e a miséria dos empobrecidos do mundo e a destruição progressiva do planeta" (p 76).

       »» Esta é uma ideia defendida por Gustavo Gutiérrez,que analisando os perigos da globalização, vê nesta uma possibilidade real de "contestação" aos modelos instituído, facilitando a visualização da pobreza e das injustiças cometidas, e da corrupção. Pode ler-se em "Ao lado dos Pobres".

 

Índice:

1. Apanhados por uma crise global | 2. Degradação sociopolítica da crise | 3. O impacto profético de Jesus | 4. É possível uma alternativa | 5. Não podeis servir a Deus e ao Dinheiro | 6. Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso | 7. Os últimos serão os primeiros | 8. Seguir Jesus em tempos de crise | 9. Manter viva a esperança de Jesus no meio da crise | 10. Jesus Cristo, nossa esperança.
Recomendado na Livraria Fundamentos


04
Ago 13
publicado por mpgpadre, às 09:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – “Saciai-nos desde a manhã com a Vossa bondade para nos alegrarmos e exultarmos todos os dias. Desça sobre nós a graça do Senhor nosso Deus. Confirmai, Senhor, a obra das Vossas mãos”. Invocamos a bênção de Deus para que os nossos dias não sejam em vão e para que o nosso tempo tenha sentido, na abertura solidária aos outros, na busca do olhar de Deus sobre nós.

       Procuremos Jesus em toda a parte e sobretudo nos irmãos, comprometidos na transformação do mundo, com o coração impelido para as alturas. A nossa pátria é junto de Deus.

“Se ressuscitastes com Cristo, aspirai às coisas do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus. Afeiçoai-vos às coisas do alto e não às da terra. Porque vós morrestes e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Fazei morrer o que em vós é terreno... Não mintais uns aos outros, vós que vos revestistes do homem novo, que se vai renovando à imagem do seu Criador. Aí não há grego ou judeu, escravo ou livre; o que há é Cristo, que é tudo e está em todos”.

       A Ressurreição de Jesus não é apenas a antecipação da nossa, mas um processo que nos envolve, numa relação cósmica com todo o universo.

 

       2 – “Vaidade das vaidades: tudo é vaidade. Quem trabalhou com sabedoria, ciência e êxito, tem de deixar tudo a outro que nada fez. Também isto é vaidade e grande desgraça. Mas então, que aproveita ao homem todo o seu trabalho e a ânsia com que se afadigou debaixo do sol? Na verdade, todos os seus dias são cheios de dores e os seus trabalhos cheios de cuidados e preocupações; e nem de noite o seu coração descansa. Também isto é vaidade”.

        Aparentemente Qohélet faz uma confissão de desencanto, de desilusão. Tudo é igual, todos os dias se repetem constantemente. Não há nada de novo debaixo do Céu. Trabalho e canseiras, cuidados e preocupações, tudo é em vão. Nem de noite o coração descansa. Tanta vida que depois tem que se deixar a outros. A experiência não permite grandes voos, pelo contrário, provoca ansiedade. Bons e maus têm o mesmo destino. Por vezes, parece que os que praticam o mal são abençoados, e os que praticam o bem são amaldiçoados.

       O autor, tal como Job, coloca em causa a sabedoria tradicional, onde sobrevinha uma correlação direta entre a bênção e a justiça, os bons eram recompensados e os maus castigados. Job e Qohélet concluem que há homens justos cujos padecimentos são injustificados.

       3 – Um homem aproxima-se de Jesus para que Ele resolva uma contenda de irmãos. Jesus questiona: «Amigo, quem Me fez juiz ou árbitro das vossas partilhas?» E logo alerta: «Vede bem, guardai-vos de toda a avareza: a vida de uma pessoa não depende da abundância dos seus bens». A avareza brota do coração, da inveja descontrolada, do ciúme. Trata-se de uma atitude e não tem correlação direta com os bens que se possuem. Há pobres e ricos avarentos.

       Quem trabalha merece ser compensado com justiça e equidade, ainda que o trabalho também deva gerar capital e investimento, assegurando dessa forma a criação de riqueza e de mais emprego para que muitos mais tenham acesso aos recursos da terra e a oportunidade de viverem com o fruto do trabalho, realizando-se como pessoas. Numa perspetiva cristã, mais se acentua a dignificação da pessoa e do trabalho como forma de cooperar na obra criadora de Deus.

       Importa, desde logo, não descartar a relevância da caridade, da partilha solidária, com quem não tem ou não pode ter.

 

      4 – Para uns e outros, Jesus reafirma: «Guardai-vos de toda a avareza: a vida de uma pessoa não depende da abundância dos seus bens...». Importa tornar-se rico aos olhos de Deus. O que acumula apenas para si acabará por se perder. Tarde, por vezes, nos damos conta que dependemos uns dos outros, no bem e no mal. Beneficiamos do bem alheio e somos atingidos pelo mal dos outros.

O Pão nosso de cada dia nos dai hoje, Senhor. Mas dai-nos também a alegria e a coragem da partilha solidária, valorizando o fruto do nosso trabalho e tornando-o dom. “Ensinai-nos a contar os nossos dias, para chegarmos à sabedoria do coração”. Que as preocupações do tempo presente não nos façam esquecer a nossa origem e o nosso fim comum: em Deus, para Deus, com os outros.


Textos para a Eucaristia (ano C):
Co (Ecle) 1, 2; 2, 21-23; Sl 89 (90); Col 3, 1-5.9-11; Lc 12, 13-21.


12
Nov 12
publicado por mpgpadre, às 10:00link do post | comentar |  O que é?


20
Out 11
publicado por mpgpadre, às 16:27link do post | comentar |  O que é?

 

       A RTP e os impostos...
       O Estado vai receber pelo menos 590 milhões de euros, dos nossos impostos.
       Em 2012, serão pagos 225 milhões da dívida da RTP.
       Tenho-me perguntado por que é que os partidos de esquerda e de direita querem manter estatal a RTP (15 canais: RTP 1 e 2, Madeira e Açores, RTP África, Internacional, Informação, Memória, Lusa, ...). Os de esquerda porque tudo o que é nacional e nacionalizado é bom, ainda que sejam sempre os mesmos os penalizados, isto é, os mais pobres. Os de direita, porque é necessário conservar para que a propaganda funcione.
Mas pelo menos um canal? Por causa dos direitos de antena? O Estado paga os direitos de antena a todos os canais... Um imposto que pagamos através da electricidade... mais o investimento no Canal... Muitos portugueses já têm televisão paga... mas continuam a pagar para a RTP... Bom, mas há pessoas que não podem pagar para ver televisão... mas pagam indirectamente, e por outro lado, os outros canais generalistas estão em sinal aberto para todos os portugueses...
       Com a TDT (Televisão Digital Terrestre) foi lançado um concurso para um 5.º canal de televisão generalista... que ainda não foi por diante... mas porque não privatizar a RTP, já não seria necessário mais um canal generalista...
       A SIC e a TVI não querem uma RTP privatizada e porquê? Porque tirar-lhes-ia publicidade... então é preferível que paguemos a RTP para que a TVI e a SIC possam ter mais lucros!
       Nem se trata de pôr em causa os trabalhadores da RTP... mas já os gestores, ganham milhões para gerir prejuízos avultados... é quase como ter um presidente da TAP, a ganhar 30.000 euros por mês, pelo menos, e a empresa acumular prejuízos... vá lá, o Presidente da PT ganha milhões mas a empresa dá lucros imensos, oxalá retirem o ordenado do lucro e não dos nossos impostos...
       Mas mais admirável, é que a RTP paga a deputados e a eurodeputados para comentar a actualidade, ou melhor, paga do dinheiro de todos os portugueses, para que os deputados, pobres e mal-pagos, possam ir defender as ideias dos seus partidos, ou as suas ideias, e ao fim de 10 minutos têm direito a € 600,00... Mas como é possível os deputados ganharem tão pouco, ter ajudas de custo e de representação, poderem viajar com férias pagas e com outras subvenções, almoçarem à nossa custa, alguns deles nem terem tempo de ir ao Parlamento, terem telemóvel que nós pagamos, e irem buscar mais que o ordenado mínimo nacional à RTP, por 10 minutos de comentário suspeito!
       Quanto pensaram diminuir 5% do ordenado dos funcionários públicos, estavam na mesma ocasião a ponderar aumentar o vencimento dos deputados, pois eles ganharão muito pouco para o muito que fazem... e alguns, a quem o Estado paga as deslocações, só têm o fim-de-semana para passar com a família e mais os dias que precisam de estar ausentes...
       Há muitos aspectos da vida pública que têm de ser revistos... sobretudo aproveitando este tempo de maior caristia... Quando em cada ano pago o IRS, fico sempre agradecido por poder pagar, porque tenho ordenado e porque não tenho despesas de saúde, ainda bem e pago IRS... agora tantos portugueses que não pagam IRS porque usufruem de baixos rendimentos, têm uma família para sustentar, ou estão desempregados... Continuo a pensar na RTP, 600 euros que os deputados poderiam receber por defenderem as ideias dos seus partidos... multiplicando pelos vários comentadores, com o vencimento de deputados e eurodeputados, não seria possível ter criado alguns empregos?
       E a privatização da RTP, que não é contra a direita ou contra a esquerda, mas uma questão de bom senso, não daria para evitar que fossem transferidos milhões de euros dos impostos que de outro modo serviriam para atenuar os buracos financeiros... e talvez quem sabe para injectar em criação de emprego...
       Posso estar errado, admito... Há muitas outras coisas que podemos fazer... com certeza... Mas por que é que pagamos à RTP e ajudamos a TVI e a SIC a terem lucros mais avultados? Afinal, a televisão não é gratuita, para ninguém...
       Estou em querer que mesmo vendendo a RTP por € 1,00 (claro que vale milhões!) ainda assim seria um lucro imenso para todos os portugueses... a taxa de audiovisual deixaria de existir ou converter-se-ia para gerar receita para a educação ou para a saúde, ou para a segurança social, ou para a promoção de emprego... e claro a injecção anual dos milhões de euros...
       Talvez esteja errado, é bem possível, mas ainda não vi nenhum argumento que me convencesse que a RTP seja um bem para os portugueses... isto para já não falar da orientação política a que está sujeita a informação do canal, afinal está sob a tutela do Estado, ou melhor, do governo em funções em cada altura...


17
Out 11
publicado por mpgpadre, às 11:23link do post | comentar |  O que é?

       No dia 22 de Dezembro de 1992, a ONU (Organização das Nações Unidas) instituiu o "Dia Internacional  para Erradicação da Pobreza" e que se comemora a 17 de Outubro de cada ano. O propósito é incentivar, envolver, mobilizar esforços no combate à pobreza. Ainda que a humanidade tenha capacidade para produzir em excesso o necessário para alimentar todas as pessoas do mundo, o que é certo, é que ainda são demasiadas as pessoas e os povos que vivem abaixo do limiar da pobreza... e mesmo nos países do primeiro mundo se encontram com demasiada facilidade pessoas que pouco ou nada têm... nem oportunidades para trabalhar e ganhar o seu pão. Há ainda um longo caminho a percorrer... só será dia quando no outro reconhecermos o irmão...

       A Associação CAIS oferece-nos esta música, acompanhada de imagens fortes e sugestivas.


04
Mai 11
publicado por mpgpadre, às 20:08link do post | comentar |  O que é?

Em nome de todas as crianças sem pão

e de todas as crianças com pão a mais,

proibimos a palavra FOME.

 

Em nome de todos os pobres envergonhados

e de todos os ricos avarentos,

proibimos a palavra INJUSTIÇA.

 

Em nome de todas as palavras sem corpo

e de todas as almas sem rosto,

proibimos a palavra MENTIRA.

 

Em nome de todos os velhos sem luz

e de todos os jovens sem verdade,

proibimos a palavra IGNORÂNCIA.

 

Em nome de todos os pretos

e de todos os brancos,

proibimos a palavra RACISMO.

 

Em nome de todos os vencidos

e de todas as vitórias mal ganhas

proibimos a palavra VINGANÇA.

 

Em nome de todos os emigrantes sem voz

e de todos os oportunistas com sorte,

proibimos a palavra DISCRIMINAÇÃO.

 

Em nome de todos os doentes sem cura

e de todos os médicos sem escrúpulos,

proibimos a palavra INDIFERENÇA.

 

Em nome de todas as vítimas da violência

e de todos os que proíbem a paz,

proibimos a palavra GUERRA.

 

Em nome de todos os pais

e de todos os que amam a vida,

proibimos a palavra MORTE

(Frei Manuel Rito Dias, in CJovem)


08
Abr 11
publicado por mpgpadre, às 11:45link do post | comentar |  O que é?

       A diaconia da caridade, que nunca deve faltar nas nossas Igrejas, tem de estar sempre ligada ao anúncio da Palavra e à celebração dos santos mistérios. Ao mesmo tempo é preciso reconhecer e valorizar o facto de que os próprios pobres são também agentes de evangelização. Na Bíblia, o verdadeiro pobre é aquele que se confia totalmente a Deus e, no Evangelho, o próprio Jesus chama-os bem-aventurados, «porque deles é o reino dos céus» (Mt 5, 3; cf. Lc 6, 20). O Senhor exalta a simplicidade de coração de quem reconhece em Deus a verdadeira riqueza, coloca n’Ele a sua esperança e não nos bens deste mundo.

 

Bento XVI, Verbum Domini, n.º 107.


05
Fev 11
publicado por mpgpadre, às 10:19link do post | comentar |  O que é?


29
Dez 10
publicado por mpgpadre, às 10:31link do post | comentar |  O que é?

       Bento XVI almoçou este Domingo, dia 26, com 250 pobres e sem-abrigo de Roma, numa refeição que decorreu no átrio da sala Paulo VI, no Vaticano, assinalando o centenário do nascimento da beata Madre Teresa de Calcutá.

       Juntamente com o Papa e uma representação das Missionárias da Caridade, fundadas por Madre Teresa, participaram no almoço pessoas que frequentam regularmente, em Roma, diversas comunidades destas religiosas.

       No dia 5 de Janeiro, o Papa vai visitar crianças doentes do hospital Gemelli, de Roma, na vigília da festividade dos Reis Magos.

       Em palavras improvisadas no final do almoço de Domingo, Bento XVI recordou o testemunho de Madre Teresa de Calcutá como "um reflexo da luz do amor de Deus".

       A beata, que "viveu de maneira humilde por amor a Deus", dizia que o seu "maior prémio era amar Jesus e servi-lo por meio dos pobres", indicou o Papa.

       Madre Teresa, acrescentou, dá aos homens a certeza de que "Deus jamais nos abandona".

       Considerada uma das mulheres mais influentes do século XX, Agnes Gonxha Bojaxhiu nasceu na actual Skopje, capital da Macedónia (à época Üsküb, integrada no império Otomano), a 26 de Agosto de 1910. Deixou a sua terra natal em Setembro de 1928, entrando no convento de Rathfarnam (Dublin), Irlanda. Ali foi acolhida como postulante no dia 12 de Outubro e recebeu o nome de Teresa, como a sua padroeira, Santa Teresa de Lisieux.

       Foi enviada pela congregação do Loreto para a Índia e chegou a Calcutá no dia 6 de Janeiro de 1929, com 19 anos. Fez a profissão perpétua a 24 de Maio de 1937 e daquele dia em diante foi chamada Madre Teresa.

       No dia 10 de Setembro de 1946, no comboio que a conduzia de Calcutá para Darjeeling, Madre Tereza recebeu aquilo que ela chamou “chamamento no chamamento”, que teria feito nascer a família dos Missionários da Caridade.

       Ao longo dos anos 50 e no início dos anos 60, Madre Teresa estendeu a obra das Missionárias da Caridade seja internamente dentro Calcutá, seja em toda a Índia. No dia 1 de Fevereiro de 1965, Paulo VI concedeu à Congregação o “Decretum Laudis”, elevando-a a direito pontifício.

       Em 1979, Madre Teresa recebeu o Prémio Nobel da Paz, como reconhecimento pelo seu trabalho.

       No final dos anos 80 e durante os anos 90, não obstante os crescentes problemas de saúde, Madre Teresa continuou a viajar pelo mundo para a profissão das noviças, para abrir novas casas de missão e para servir os pobres e aqueles que tinham sido atingidos por diversas calamidades.

       Às 9h30 da noite do dia 5 de Setembro de 1997, morreu na Casa Geral. No dia 13 de Setembro teve um funeral de Estado e o seu corpo foi conduzido num longo cortejo através as estradas de Calcutá.

       Foi beatificada por João Paulo II a 19 de Outubro de 2003, após o Papa polaco ter dispensado o período de espera de 5 anos para a abertura da Causa de Canonização.

 


15
Nov 10
publicado por mpgpadre, às 10:24link do post | comentar |  O que é?

       Sem qualquer conotação político-partidária, esta imagem é no mínimo sugestiva e de sobremaneira realista:


20
Out 10
publicado por mpgpadre, às 14:24link do post | comentar |  O que é?

       Contam alguns anciãos que, numa pequena terra do interior, um grupo de pessoas se divertia às custas do tonto da aldeia. Um pobre infeliz que vivia de pequenos recados e de esmolas.

       Diariamente era chamado ao café da terra por uns homens que lhe davam a escolher entre duas moedas: uma pequena, de 1 euro, e uma grande, de 50 cêntimos. Ele escolhia sempre a maior, de valor inferior, o que causava uma onda de riso e chacota por entre a assistência.

       Um dia, observando este triste espectáculo, um homem compadeceu-se e chama o tonto de parte perguntando-lhe se, por acaso, não saberia que a moeda que sempre tendia a escolher era a de menor valor. Ele respondeu-lhe:

       - Sei sim, meu senhor, não sou assim tão tonto, vale metade da outra. Mas no dia em que eu escolher a outra, o jogo acaba e fico sem a minha moeda diária.

 

       A história poderia muito bem acabar aqui mas é mais importante salientar algumas das conclusões que podemos tirar dela:

1ª - Nem sempre aquele que parece tonto o é na realidade.

2ª - Os verdadeiros tontos da história são, na verdade, os homens que dele se riam.

3ª - Uma ambição desmedida pode acabar com a nossa fonte de rendimentos

4ª - A mais interessante de todas: Podemos viver bem mesmo quando os outros têm uma ideia menos boa acerca de nós. O que importa não é o que os outros pensam de nós mas sim a ideia que temos de nós mesmos.

MORAL:

O Homem verdadeiramente inteligente

é aquele que aparenta ser tonto

diante daquele que, sendo tonto, aparenta ser inteligente

In Cristo Jovem.


26
Set 10
publicado por mpgpadre, às 15:29link do post | comentar |  O que é?
       1 – "Um pobre, chamado Lázaro, jazia junto do seu portão, coberto de chagas. Bem desejava saciar-se do que caía da mesa do rico, mas até os cães vinham lamber-lhe as chagas..."(Evangelho).
       Esta parábola de Jesus é ainda mais provocante e significativa nos dias que correm.
       Em todos os tempos, por nós conhecidos, a dicotomia entre os que mandam e os que obedecem, os que têm e os que nada têm, os que vivem abastadamente e os que vivem na indigência.
       Ao tempo de Jesus, existiam os homens livres e os escravos. Uns viviam regaladamente em seus palácios, subjugando súbditos, gozando a vida, dando largas a todos os luxos, vivendo faustosamente, sem se importarem dos que viviam na miséria, não porque não tivessem feito por isso, mas simplesmente porque eram de outra classe e não tinham direito a almejar por melhores condições de vida. Um fosso gigantesco, determinado por nascimento. Quem nascia em família pobre, seria sempre pobre; quem nascesse em berço de ouro, viveria sempre na abundância, a não ser que acontecesse alguma desgraça.
       No nosso tempo, o fosso entre ricos e pobres, entre magnatas e pedintes, alargou-se, muitas vezes não pelo mérito dos primeiros, mas pelo trabalho e inteligência dos segundos. Não está em causa a criação de riqueza, quando resulta do trabalho honesto e recompensa uns e outros, patrões e trabalhadores. O problema é quando a riqueza se faz à custa dos mais pobres, dos que trabalham, dos malabarismos corruptos, da desonestidade. Por isso também se verifica que há cada vez um fosso maior, mas também que há cada vez mais pobres e uma crescente concentração de riqueza num número cada vez mais reduzido de pessoas e de empresas.
        Em tempo de crise vem ao de cima da fragilidade das economias que procuram satisfazer apenas o lucro e em que as pessoas e as famílias são esquecidas. Faltou a aposta na formação, habilitação e (re)qualificação) - daria menos lucro -, no investimento em novos produtos, na modernização de equipamentos e gestão,  na reconversão de empresas, na promoção do melhor que havia e há nas empresas: as pessoas.
       2 - Certamente que Jesus, naquele e neste tempo, não diaboliza a economia ou a riqueza, mas enquadra-a num contexto mais amplo. A pessoa há-de estar em primeiro lugar. A economia não é um fim em si mesmo, deve estar ao serviço da pessoa, da sua dignidade, do seu desenvolvimento.
       E ainda que por vezes a pobreza se tenha tornado endémica - "pobres sempre os tereis" -, a responsabilidade dos cristãos é permanente, procurar viver solidariamente como irmãos, partilhar com os mais desfavorecidos, não apenas os bens materiais, mas os valores, a cultura, os bens intelectuais e espirituais, lembrando aqui o provérbio japonês: não se deve dar o peixe, mas deve dar-se a cana e ensinar a pescar. Obviamente, que num primeiro momento é necessário também prover ao alimento e aos bens materiais essenciais, dar o peixe e a cana, ensinar a pescar...
       Já o profeta alertava: "ai daqueles que vivem comodamente em Sião e dos que se sentem tranquilos no monte da Samaria" (1.ª leitura). O cristão não pode viver indiferente à miséria. Não se prega a estômagos vazios. Na comunidade não se pode dizer a alguém vai em paz, sabendo que a pessoa não tem que comer ou que vestir, ou onde repousar. No Juízo Final, diz-nos Jesus, o que tivermos feito aos irmãos mais pequenos, pobres, desfavorecidos,, excluídos, marginalizados, esquecidos, é a Ele que o fizemos ou deixámos de fazer. Poderemos deixar Jesus na rua, com fome, a morrer de frio, de aconchego?
        É também neste sentido que podemos escutar o que nos diz São Paulo, na Segunda Leitura: "Tu, homem de Deus, pratica a justiça e a piedade, a fé e a caridade, a perseverança e a mansidão. Combate o bom combate da fé, conquista a vida eterna, para a qual foste chamado e sobre a qual fizeste tão bela profissão de fé perante numerosas testemunhas".
 

___________________

 Textos para a Eucaristia (ano C): Am 6,1a.4-7; 1 Tim 6,11-16; Lc 16,19-31

 


26
Ago 10
publicado por mpgpadre, às 11:15link do post | comentar |  O que é?
       Tudo terá começado em 1946. Conta-se que Madre Teresa viajava de comboio para o convento de Dajeerling, na Índia, quando sentiu um “chamamento dentro do chamamento”, para que se dedicasse a servir os mais pobres.
       Começava ali uma missão a que dedicou a vida. Criou as Missionárias da Caridade, fê-las crescer por todo o mundo e deu-lhes uma simples ideia como guia: que se dedicassem sempre “aos mais pobres dos pobres”. O reconhecimento foi crescendo e atingiu o cume quando lhe foi atribuído o Prémio Nobel da Paz, em 1979.
       Ultrapassou fronteiras, uniu credos e raças e tornou-se um símbolo de rara força em todo o globo. Madre Teresa de Calcutá faria hoje 100 anos. 

Fonte da Notícia e outros Textos e vídeos: Rádio Renascença.


06
Jul 10
publicado por mpgpadre, às 14:56link do post | comentar |  O que é?

       Depois de uma grande tempestade, o menino que estava passando férias na casa do seu avô, o chamou para a varanda e falou:

       - Vovô corre aqui! Me explica como essa figueira, árvore frondosa e imensa, que precisava de quatro homens para balançar seu tronco se quebrou, caiu com o vento e com a chuva e este bambu é tão fraco e continua de pé?
       - Filho, o bambu permanece em pé porque teve a humildade de se curvar na hora da tempestade. A figueira quis enfrentar o vento. O bambu nos ensina sete coisas. Se você tiver a grandeza e a humildade dele, vai experimentar o triunfo da paz em seu coração.
  • A primeira verdade que o bambu nos ensina, e a mais importante, é a humildade diante dos problemas, das dificuldades. Eu não me curvo diante do problema e da dificuldade, mas diante daquele, o único, o princípio da paz, aquele que me chama, que é o Senhor.
  • Segunda verdade: o bambu cria raízes profundas. É muito difícil arrancar um bambu, pois o que ele tem para cima ele tem para baixo também. Você precisa aprofundar a cada dia suas raízes em Deus na oração.
  • Terceira verdade: Você já viu um pé de bambu sozinho? Apenas quando é novo, mas antes de crescer ele permite que nasça outros a seu lado. Sabe que vai precisar deles. Eles estão sempre grudados uns nos outros, tanto que de longe parecem com uma árvore. Às vezes tentamos arrancar um bambu lá de dentro, cortamos e não conseguimos. Os animais mais frágeis vivem em bandos, para que desse modo se livrem dos predadores.
  • A quarta verdade que o bambu nos ensina é não criar galhos. Como tem a meta no alto e vive em moita – comunidade - o bambu não se permite criar galhos. Nós perdemos muito tempo na vida tentando proteger nossos galhos, coisas insignificantes que damos um valor inestimável. Para ganhar, é preciso perder tudo aquilo que nos impede de subirmos suavemente.
  • A quinta verdade é que o bambu é cheio de “nós” (e não de eu’s). Como ele é oco, sabe que se crescesse sem nós seria muito fraco. Os nós são os problemas e as dificuldades que superamos. Os nós são as pessoas que nos ajudam, aqueles que estão próximos e acabam sendo força nos momentos difíceis. Não devemos pedir a Deus que nos afaste dos problemas e dos sofrimentos. Eles são nossos melhores professores, se soubermos aprender com eles.
  • A sexta verdade é que o bambu é oco, vazio de si mesmo. Enquanto não nos esvaziarmos de tudo aquilo que nos preenche, que rouba nosso tempo, que tira nossa paz, não seremos felizes. Ser oco significa estar pronto para ser cheio do Espírito Santo.
  • Por fim, a sétima lição que o bambu nos dá é exactamente o título do livro: ele só cresce para o alto. Ele busca as coisas do Alto. Essa é a sua meta.
Padre Leo, Buscando coisas do alto, in 33catolico a serviço da Igreja.


27
Abr 10
publicado por mpgpadre, às 11:00link do post | comentar |  O que é?

       Quero que saibas que cada vez que me convidas, eu venho sempre, sem falta. Venho em silêncio e de forma invisível, mas com um poder e um amor que não acabam. Não há nada na tua vida que não tenha importância para mim.

       Sei o que existe no teu coração, conheço a tua solidão e todas as tuas feridas, as tuas rejeições e humilhações. Eu suportei tudo isto por causa de ti, para que pudesses partilhar a minha força e a minha vitória.

       Conheço, sobretudo, a tua necessidade de amor. Nunca duvides da minha misericórdia, do meu desejo de te perdoar, do meu desejo de te bendizer e viver a minha vida em ti, e que te aceito sem me importar com o que tenhas feito.

       Se te sentes com pouco valor aos olhos do mundo, não importa. Não há ninguém que me interesse mais no mundo do que tu. Confia em mim. Pede-me todos os dias que entre e que me encarregue da tua vida e eu o farei.

       A única coisa que te peço é que confies plenamente em mim. Eu farei o resto. Tudo o que procuraste fora de mim só te deixou ainda mais vazio. Portanto, não te prendas às coisas passageiras. Mas, sobretudo, não te afastes de mim quando caíres. Vem a mim sem demora, porque quando me dás os teus pecados, dás-me a alegria de ser o teu Salvador.

Não há nada que eu não possa perdoar.

       Não importa o quanto tenhas andado sem rumo, não importa quantas vezes te esqueceste de mim, não importa quantas cruzes levas na tua vida. Tu já experimentaste muitas coisas, no teu desejo de seres feliz. Porque é que não experimentas abrir-me o teu coração, agora mesmo, mais do que antes? 

Madre Teresa de Calcutá, postado a partir do nosso blogue Caritas in Veritate.


16
Fev 10
publicado por mpgpadre, às 10:38link do post | comentar |  O que é?

       «O Murray é banqueiro em Nova Iorque e conhece pessoalmente inúmeras pessoas de quem eu só ouvi falar na televisão ou nos jornais. Leu muitos dos meus livros e acha que o seu mundo precisa tanto da Palavra de Deus como o meu.

       Foi uma experiência de grande humildade ouvir um homem que conhece «este mundo e o outro» dizer:

       - Dê-nos uma palavra de Deus, fale-nos de Jesus... não se afaste dos ricos que são tão pobres.

       Jesus ama os pobres - mas a pobreza reveste-se de muitas formas.

       Esqueço-me desse facto com imensa facilidade, deixando os poderosos, os famosos e os bem sucedidos na vida, sem o alimento espiritual de que carecem. Mas, para oferecer esse alimento, tenho que ser eu próprio muito pobre - não curioso, não ambicioso, não pretencioso, não orgulhoso.

       É tão fácil deixarmo-nos deslumbrar pelo brilho mundano, seduzidos pelo seu aparente esplendor. E, contudo, o único lugar onde devo estar é o da pobreza, o ponto onde há solidão, raiva, confusão, depressão e sofrimento. Preciso de lá ir em nome de Jesus, mantendo-me junto do seu nome e oferecendo o seu amor.

       Ó Senhor, ajuda-me a não me deixar dispersar pelo poder e pela riqueza; ajuda-me a não me deixar impressionar com as estrelas e heróis deste mundo.

       Abre os meus olhos aos corações sofredores do teu povo, sejam quem forem, e põe na minha boca a Palavra curativa e consoladora. Ámen.»

Henri Nouwen, em "A Caminho de Daybreak", in Conhecer e Seguir Jesus.


publicado por mpgpadre, às 10:31link do post | comentar |  O que é?
       O escritor moçambicano Mia Couto escreveu a “Pobreza dos nossos ricos”. Ora vejamos: 
       A maior desgraça de uma nação pobre é que, em vez de produzir riqueza, produz ricos. Mas ricos sem riqueza. 
       Na realidade, melhor seria chamá-los não de ricos mas de Endinheirados.
       Rico é quem possui meios de produção. 
       Rico é quem gera dinheiro e dá emprego. 
       Endinheirado é quem simplesmente tem dinheiro, ou que pensa que tem. Porque, na realidade, o dinheiro é que o tem a ele. 
       A verdade é esta: são demasiado pobres os nossos “ricos”. Aquilo que têm, não detêm. Pior: aquilo que exibem como seu, é propriedade de outros. É produto de roubo e de negociatas.
       Não podem, porém, estes nossos endinheirados usufruir em tranquilidade de tudo quanto roubaram. Vivem na obsessão de poderem ser roubados.
       Necessitavam de forças policiais à altura mas forças policiais à altura acabariam por lançá-los a eles próprios na cadeia. 
       Necessitavam de uma ordem social em que houvesse poucas razões para a criminalidade. Mas se eles enriqueceram foi graças a essa mesma desordem (...).

 

Postado a partir de Banquete da Palavra.


15
Fev 10
publicado por mpgpadre, às 11:37link do post | comentar |  O que é?

       Um dia, um pai de família rica levou o seu filho para viajar para o interior com o firme propósito de mostrar quanto as pessoas podem ser pobres.

       Eles passaram um dia e uma noite na fazenda de uma família muito pobre. Quando regressaram da viagem o pai perguntou ao filho:

       - Como foi a viagem?

       - Muito boa, pai!

       - Viste o quanto pobres podem ser as pessoas? - perguntou o pai.

       - Sim.

       - E o que é que aprendeste? - questionou o pai.

       E o filho respondeu:

- Eu vi que nós temos um cão em casa, e eles têm quatro. Nós temos uma piscina que alcança o meio do jardim; eles têm um riacho que não tem fim. Nós temos uma varanda coberta e iluminada com luz, eles têm as estrelas e a lua. O nosso quintal vai até ao portão de entrada, eles têm uma floresta inteira.

       Quando o rapaz estava a acabar de responder, o pai ficou estupefacto.

       O filho acrescentou:

       - Obrigado, pai, por mostrares-me o quanto "pobres" nós somos!


MORAL DA HISTÓRIA:

       Tudo o que tu tens depende da maneira como olhas para as coisas. Se tens amor, amigos, família, saúde, bom humor e atitudes positivas para com a vida, tens tudo. Se és "pobre de espírito", não tens nada!

 

Rita Pando Dias de Oliveira, postado do nosso blogue Caritas in Veritate.


08
Fev 10
publicado por mpgpadre, às 10:05link do post | comentar |  O que é?

       Numa rua por onde passavam muitas pessoas, podíamos ver, diariamente, um mendigo sentado na calçada ao lado de uma placa com os seguintes dizeres:

       "Vejam como sou feliz! Sou um homem próspero, bonito, muito importante, tenho uma bela residência, vivo confortavelmente, sou saudável e bem humorado, enfim, sou o próprio retrato do sucesso!"

       Alguns passantes olhavam intrigados, outros achavam que ele era doido e outros até lhe davam algum dinheiro.

       Todos os dias, antes de dormir, ele contava o dinheiro e notava que a cada dia a quantia era maior.

       Numa bela manhã, um importante e arrojado executivo, que já o observava há algum tempo, aproximou-se e disse-lhe:

       - Você é muito criativo!... Não gostaria de colaborar numa campanha da minha empresa?

       - Vamos lá... Só tenho a ganhar! - respondeu o mendigo.

       Após um caprichado banho e com roupas novas, foi levado até a empresa.

       Daí para frente sua vida foi uma sequência de sucessos e acabou por se tornar um importante executivo.

       Certa vez, numa entrevista colectiva à imprensa, ele esclareceu de como conseguira sair da mendicidade para tão alta posição:

       - Houve época em que eu costumava sentar-me nas calçadas com uma placa ao lado, que dizia:

       "Sou um nada neste mundo! Ninguém me ajuda! Não tenho onde morar! Sou um homem fracassado e maltratado pela vida! Não consigo um mísero emprego e mal consigo sobreviver!"

       As coisas iam de mal a pior quando, certa noite, achei um livro e nele atentei para um trecho que dizia: "Tudo que você fala a seu respeito vai se reforçando. Portanto, por pior que esteja a sua vida, diga que tudo vai bem. Por mais que você não goste de sua aparência, afirme-se bonito. Por mais pobre que seja , diga a si mesmo e aos outros que é próspero." Aquilo tocou-me profundamente e, como nada tinha a perder, decidi trocar os dizeres da placa. E a partir desse dia tudo começou a mudar, a vida trouxe-me a pessoa certa para tudo que eu precisava, até que cheguei onde estou hoje. Tive apenas que entender o Poder das Palavras. O Universo sempre apoiará tudo o que dissermos, escrevermos ou pensarmos a nosso respeito e isso acabará se manifestando em nossa vida como realidade... Enquanto afirmarmos que tudo vai mal, que a nossa aparência é horrível, a tendência é que as coisas fiquem ainda piores, pois o Universo as reforçará... É ele que materializa em nossa vida as nossas crenças.

       Uma repórter, ironicamente, questionou:

       - O senhor está querendo dizer que algumas palavras escritas numa simples placa modificaram a sua vida?

       Respondeu o homem, cheio de bom humor:

       - Claro que não, minha ingénua amiga!... Primeiro eu tive que acreditar nelas e agir !


       "Tudo que você diz, escreve ou pensa a seu respeito, é recebido pelo Universo como uma oração"

Postado a partir do nosso blogue: Caritas in Veritate.


01
Fev 10
publicado por mpgpadre, às 10:05link do post | comentar |  O que é?

      

        Ainda hoje, podes com o teu trabalho, modificar a miséria que te entristece.

       Ainda hoje, com o teu perdão, podes transformar em amizade verdadeira, os que ontem te feriram sem compaixão.
       Ainda hoje podes transformar a tristeza que te aprisiona, com a alegria que transmitas aos outros.
       Ainda hoje, podes transportar as alegrias da tua fé, aos corações distantes através do desprendimento sincero.
       Ainda hoje, filho, com o teu arrependimento, poderás modificar a caminhada tenebrosa que criaste com a tua arrogância de ontem.
       Serve e serve. Não te canses de servir. Ama e perdoa sem condições. Sê grato à vida, dando-lhe o teu concurso de amor, e recolherás da própria vida, tudo quanto precisas para engrandecer-te na glória de Deus Pai Todo Poderoso.
       Paz, muita paz.
 
Postado a partir do nosso blogue Caritas in Veritate.


19
Jan 10
publicado por mpgpadre, às 10:31link do post | comentar |  O que é?

São dramáticas as imagens que nos chegam do Haiti, não apenas as das primeiras horas mas também as actuais. O sismo devastador deu lugar a uma situação de descalabro e mesmo na procura de comida e de água há conflitos, violência, disputas várias pela sobrevivência e num ou noutro caso o ensejo de tirar algum proveito da desgraça alheia.

       Primeira nota: por mais violências e comedoras que sejam as imagens, nada se compara ao caos instalado, ao sofrimento, ao luto e ao desespero das pessoas que perderam tudo e sobretudo perderam os seus familiares e amigos. Entenderão como uma bênção o terem sobrevivido, mas sobre-vem também a angústia pelo que perderam e por quem perderam. Mesmo depois do país estar recuperado haverá milhares de rostos desfigurados pela tragédia, pelo medo, pela perda de algum familiar. Por mais que tentemos nunca chegaremos a compreender totalmente a dimensão desta tragédia na vida concreta das pessoas.

       Segunda nota: a solidariedade internacional para com as vítimas e para com o Haiti é louvável. Um drama que suscita a comoção e a compaixão de pessoas, instituições e estados do mundo inteiro, mobilizados para minorar a dor e a confusão que se instalou. O ser humano, capaz de muitos atropelos, revela em momentos como este, o seu lado melhor e a capacidade de tentar fazer a diferença. Todos querem participar na ajuda ao Haiti.

       Terceira nota: o sismo pôs a descoberto uma situação que se vivia há muito: a pobreza. Quando ouvíamos falar do Haiti, do Havai, da República Dominicana, era numa linguagem romântica, de paisagens paradisíacas, lugar de férias, de turismo e de encantamento. O sismo desfez a imagem romântica que pudéssemos ter do Haiti. Afinal era um país extremamente pobre, dos mais pobres do planeta, onde as pessoas viviam na miséria. Talvez agora os olhos do mundo se voltem para o Haiti, e sobretudo para as pessoas concretas, como um desafio solidário de partilha e de ajuda na vida quotidiana, permitindo que ao recuperar o país, as pessoas recuperem também e possam encontrar condições humanas para enfrentar novos tempos...

       Quarta nota: só nos lembramos de Santa Bárbara quando troveja, nesta como em muitas situações da vida. O investimento para minorar os resultados do sismo e reconstruir o país, já deveria ter tido lugar no combate à pobreza e a degradação humana.. Por exemplo, os EUA disponibilizaram à partida 100 milhões de dólares. Naturalmente que países industrializados como os EUA, que muitas vezes apregoam a solidariedade, mas que chega apenas quando os holofotes estão ligados. As pessoas já viviam há muito na miséria, em condições sub-humanas...

       Quinta nota: decorrente do aspecto anterior, o investimento feito em armamento, ou até mesmo os gastos de reuniões internacionais, que não dão fruto, que se tornam muitas das vezes reuniões sociais e turísticas para os chefes de Estado, poderia em parte ser canalizado para a irradiação da pobreza. Esta é de bradar aos céus em países já reconhecidos como extremamente pobres, mas mesmo em países desenvolvidos.

       Há dias passava uma reportagem numa das nossas televisões que mostram como havia muitas pessoas que sobreviviam a partir de uma lixeira... e tanto desperdício... Diga-se, a este propósito ainda, que a atenção que o combate ao terrorismo merece, não invalida o investimento prioritário no combate pela irradiação da pobreza, que por sua vez, gera violência: quem nada tem, tudo pode fazer, porque nada tem a perder... por vezes nem a dignidade... que nunca lhe reconheceram...

       Sexta nota: no Haiti, quando os holofotes se apagarem ou se desviarem para outro acontecimento, o pior está para vir, a comoção poderá dar lugar à indiferença e ao esquecimento e quem sofrerá serão os mesmos que agora beneficiam do auxílio e das promessas, mas cujas dificuldades não serão facilmente sanadas. Importa que instituições locais continuem a obra de reconstrução do país e da "reconstrução" das pessoas e das famílias. A este propósito e como referência, o papel da Caritas Internacional e da Caritas Portuguesa, apoiam mas através da Caritas do Haiti, ou seja, de pessoas que já estão há muito no terreno da solidariedade e que lá continuarão. Obviamente, com isto não queremos significar a ajuda que for de fora não é meritória, mas que esta suscite também aquela, para que no final não fiquem desamparados aqueles que agora queremos ajudar...


12
Dez 09
publicado por mpgpadre, às 10:04link do post | comentar | ver comentários (1) |  O que é?

       Um pai, numa situação muito confortável de vida, resolveu dar uma lição ao seu filho ensinando o que é ser pobre. Ficaria hospedado por alguns dias na casa de uma família de camponeses. O menino passou três dias e três noites vivendo no campo.

       No carro, voltando para a cidade, o pai perguntou-lhe:

       - Como foi a tua experiência?

       - Boa - respondeu o filho, com o olhar perdido à distância.

       - E que aprendeste? - insistiu o pai.

       O filho respondeu:
        - Que nós temos um cachorro e eles têm quatro. Que nós temos uma piscina com água tratada, que chega até metade do nosso quintal. Eles têm um rio sem fim, de água cristalina, onde têm peixinhos e outras belezas. Que importamos lustres do Oriente para iluminar nosso jardim , enquanto eles têm as estrelas e a lua para iluminá-los. Nosso quintal chega até o muro.
        O deles chega até o horizonte. Compramos a nossa comida e aquecemos em microondas, eles cozinham em fogão a lenha. Ouvimos CD's, Mp3, eles ouvem a sinfonia dos pássaros, sapos, grilos, tudo isso às vezes acompanhado pelo sonoro canto de um vizinho trabalhando sua terra. Para nos protegermos vivemos rodeados por um muro, com alarmes... Eles vivem com suas portas abertas, protegidos pela amizade de seus vizinhos. Vivemos conectados ao celular, ao computador, neuroticamente actualizados. Eles estão "conectados" à vida, ao céu, ao sol, à água, ao campo, animais, às suas sombras, à sua família.

       O pai ficou impressionado com a profundidade de seu filho e então o filho terminou:

       - Obrigado, pai, por me ter ensinado o quanto somos pobres!

        Aí estão, as grandes obras de Deus. Um tapete sobre nossos pés e estendido nos céus. Temos olhos para ver, ouvidos para ouvir, mas falta a humildade em nossa mente e coração para poder sentir.

       Esta é a diferença entre o pobre e o rico, entre o ter e o ser.

       Que possamos sentir-nos verdadeiramente pobres, para poder crescer.

 

Postado a partir do nosso blogue: Caritas in Veritate.


13
Dez 07
publicado por mpgpadre, às 14:18link do post | comentar |  O que é?

Assitimos a dois eventos mediáticos, por excelência.

  • Cimeira Europa-África
  • Tratado de Lisboa

O primeiro, colocou Portugal nas bocas do mundo.

Quais os efeitos que terá provocado a Cimeira? Resolverá algum problema de fundo?

Ficou claro que a Europa não é mais uma país colonizador à espera de usar a África para impor os seus produtos. À primeira vista a preocupação era esta: alargar o leque de países para desenvolver a Europa a 27. África não foi na cantiga!

Por outro lado, trouxe ao de cima os gravíssimos problemas que afectam o mundo africano, sobretudo o défice de democracia: liberdades, direitos e garantias só para os cidadãos de primeira, isto é, para os que dirigem os povos. Riqueza de poucos à custa de muitos e da miséria de muitos. Também existe disto na Europa.

Em todo caso, os 10 milhões de euros que deram visibilidade a Portugal e à Europa teriam sido mais bem empregues no combate à pobreza. Parece-me, que pelo menos era menos o desperdício.

 

O segundo, coloca Portugal nas bocas da Europa, mas também do mundo.

Que efeitos práticos? Um papel assinado? Será mais do que isto? Se traduzir aquilo que apregoa, melhor, mais justiça, mais proximidade entre pessoas e povos, mais união, mais emprego, mais qualidade de vida... Deus queira que assim seja! Importa agora passar do papel para as pessoas.


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