...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...
23
Set 17
publicado por mpgpadre, às 22:21link do post | comentar |  O que é?

1 – O reino de Deus, diz Jesus, pode comparar-se a um proprietário que sai muito cedo para contratar trabalhadores para a sua vinha, ajustando com eles a respetiva remuneração. Hoje os trabalhadores necessários estão previamente contratados. Mas lá vai surgindo espaço para mais alguém, sobretudo se há mais uvas para apanhar ou se é necessário apressar a colheita.

Todos os trabalhos que estão ligados à terra dependem do trabalho humano e da natureza. Se chove em excesso ou em défice vem prejuízo, ou pelo menos não tanto lucro. Uma trovoada com granizo pode estragar o trabalho de um ano. Tanto trabalho e para nada! É uma fatia importante do ganha-pão de muitas pessoas!

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 2 – O Senhor da Vinha, o nosso Deus, toma a iniciativa. Vem à nossa procura, vem ao nosso encontro. Pelas praças e vielas, pelas aldeias e cidades. Em Jesus, sai do Seu conforto, do Seu mundo e mistura-Se connosco, vem para o nosso mundo.

No reino de Deus, a vinha do Senhor, há sempre lugar para mais um, há lugar para todos. Há trabalho para quem quiser trabalhar, para quem quiser comprometer-se, para quem quiser "vindimar", cortar uvas, recolhê-las, carregar baldes, descarregar tinas. Este "Senhor" sai várias vezes ao dia. Não desiste de nos procurar e nos rogar: «Ide vós também para a minha vinha e dar-vos-ei o que for justo». A meio da manhã, ao meio dia, pelas três horas da tarde e ao cair da tarde. Vai encontrando pessoas e convoca-as: «Porque ficais aqui todo o dia sem trabalhar?». Distração dos próprios ou incúria dos rogadores? «Ninguém nos contratou».

Como faz este nosso "Senhor" caber-nos-á fazer o mesmo. Sair, procurar, encontrar pessoas para a vinha do Senhor, lançar-lhes o convite. É preciso não nos cansarmos de ir, de chamar, de insistir. «Ide vós também para a minha vinha». Pode haver alguém que não escute! Pode haver quem prefira ficar encostado a preguiçar ou à espera que outros façam! Cabe-nos a nós, a mim e a ti, anunciar, envolver, desafiar. Esta missão faz parte da nossa condição de batizados.

 

3 – Deus não deixará sem recompensa nem sequer um copo de água dado em Seu nome. A garantia é dada aos jornaleiros: pagar-vos-ei o que é justo. Ao anoitecer, o capataz cumpre o mandato do dono da vinha e paga o salário aos trabalhadores a começar pelos últimos. Atualmente, o pagamento é feito no final da semana ou no final da vindima, isto quando os patrões não optam por pagar apenas quando recebem da venda das uvas! O trabalhador merece o seu salário e a demora pode fazer muita diferença para quem sobrevive com pouco.

A prontidão de Deus em pagar corresponde à insistência com que sai ao nosso encontro para nos contratar. E quanto nos paga? Quanto nos pagam os nossos pais por serem pais? Tudo! Nada menos do que tudo. Sempre. Eles acolhem-nos com alegria nos braços quando nascemos e estão sempre prontos para nos acolher, mesmo que pelo meio tenhamos sido ingratos, distraídos, distantes, mesmo que só tenhamos "trabalhado" quando o dia estava a findar.

Na nossa lógica muito humana, muito justa e generosa, o proceder do dono da vinha é injusto e, talvez quem sabe, maldoso. Os da última hora recebem o mesmo que os da primeira que trabalharam durante todo o dia, que sofreram a dureza do tempo e o calor!

O dono da vinha parece agir indiscriminadamente, favorecendo os preguiçosos, os desleixados, os que não se importam se têm trabalho ou não! Mas um Pai que ama como Mãe é assim. Não é falta de exigência, é excesso de amor. E o amor autêntico não é divisível, compartimentalizado, ou se ama ou não se ama, ainda que a confiança possa progredir. Não amo um pouquito (para não deixar abusar!) e depois já amo mais (para reconquistar!).

Ama com tudo, com todas as forças, com a vida toda.


Textos para a Eucaristia (ano A): Is 55, 6-9; Sal 144 (145); Filip 1, 20c-24. 27a; Mt 20, 1-16a.


16
Set 17
publicado por mpgpadre, às 21:45link do post | comentar |  O que é?

1 – Aí está a pergunta de Pedro: «Se meu irmão me ofender, quantas vezes deverei perdoar-lhe? Até sete vezes?».

Perdoar até 7 vezes? Impossível. Uma vez, duas vezes! À terceira começa a ser demais, pois há que manter a dignidade! Três vezes ou mais já é perder a face e deixar abusar. 7 vezes? Só se fosse a 7 pessoas diferentes e em diferentes ocasiões! Mas o SETE, na linguagem semita, vale por plenitude, perfeição, ou seja, sempre.

Ora a resposta de Jesus é ainda mais taxativa: «Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete».

Façamos as contas que, em termos matemáticos, são fáceis de fazer: 70X7=490 vezes. Muitos "perdões"! Mas novamente a linguagem semita e o seu significado: 70X7 = SEMPRE! Pedro já apontava para um perdão sem limites, mostrando a Jesus que tinha aprendido bem a lição e que já era capaz de ver além do seu umbigo. Porém, Jesus aponta para o infinito, para que não haja interpretações personalizadas à medida de quem escuta. SEMPRE. É a medida do amor, é a medida de Jesus, a medida de Deus. Sem ajustes nem reservas! Perdoar até àqueles que te matam, como fez Jesus no alto da Cruz!

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2 – A comunicação de Jesus procura "democratizar" o acesso ao reino de Deus, mas também a perceção sobre o mesmo. O reino de Deus é para todos, não para um grupo privilegiado. Esse é também o combate de Jesus com alguns líderes religiosos, que nem entram nem deixam entrar, complicando, sendo os intérpretes exclusivos da Lei e da vontade de Deus. Jesus eleva a fasquia. Os filhos apresentam-se diante de um Pai, não de um Juiz prepotente e surdo! Os juízos do Pai são preenchidos de ternura e misericórdia.

Mestre da Sensibilidade, Jesus fala da vida e de modo a que todos possamos perceber. Não se enrola num emaranhado de argumentos. Ao responder a Pedro, como em tantas outras ocasiões, Jesus conta uma estória. O reino de Deus pode comparar-se a um rei que quer ajustar contas com os seus servos. À sua presença é levado um homem que lhe deve 10 mil talentos. Uma fortuna. Não tendo com que pagar, será vendido com a mulher, os filhos e as suas posses. Perante a iminência da desgraça, este homem suplica ao rei compreensão e tempo para saldar a dívida. O rei despe a capa do poder e enche-se de compaixão! Perdoa-lhe toda a dívida.

Pelo caminho, o homem a quem foi perdoada a dívida encontra um companheiro que lhe deve uma ninharia: cem denários! A alegria e a gratidão deveriam agora ser o seu alimento e o seu vestuário. Mas prevalece a ganância e, tendo em conta o muito que lhe foi perdoado, não é capaz de fazer o mesmo com o seu companheiro, mandando-o prender. Este é também um drama do nosso tempo: muitas vezes a quem deve são-lhe também retiradas as possibilidades de pagar! A parábola termina com os companheiros a irem à presença do seu senhor, contando-lhe o sucedido, revoltados com a desmedida com que aquele servo tinha sido beneficiado e a exigência para com o companheiro sobre uma pequena dívida.

 

3 – Nós também cabemos dentro da parábola. Eu e tu. Enquanto Jesus fala não podemos assobiar para o lado como se não fosse nada connosco. Ele fala para os discípulos, isto é, fala para nós.

A reação do rei é elucidativa: «Servo mau, perdoei-te tudo o que me devias, porque mo pediste. Não devias, também tu, compadecer-te do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti?» Então o senhor entregou-o aos verdugos até que a dívida seja saldada.

Depois da parábola vem a conclusão! O próprio Jesus avisa e desafia: «Assim procederá convosco meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar a seu irmão de todo o coração». O perdão de Deus para connosco é absoluto, sem reservas nem condições! Acolhendo-O na nossa vida, o caminho a percorrer terá de ser conforme ao Seu proceder: perdoar sempre.


Textos para a Eucaristia (ano A): Sir 27, 33 – 28, 9; Sl 102 (103); Rom 14, 7-8; Mt 18, 21-35.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

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09
Set 17
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

1 – Deus nunca desiste de nós. Esta é a história de Deus com os homens. A história da criação e da salvação. Deus não desiste de nós. Criou-nos por amor e por amor nos sustenta na vida. Quer-nos bem, tão bem como um Pai, como um Mãe a um/a filho/a.

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2 – Perdoar? Sempre. 70X7. Em todas as ocasiões. Só o pecado contra o Espírito Santo não tem perdão, ou por outras palavras, o orgulho, a autossuficiência, a sobranceria, o ensimesmamento, o fechar-se conscientemente a qualquer luz, a toda a verdade, a toda a ajuda.

Perdoar uma vez é razoável. Perdoar duas vezes é bondade. Perdoar três vezes é abuso. Jesus vai muito além. Sete vezes é perdoar sempre. Perdoar 70X7? É melhor não fazer as contas! Jesus também não as faz. Por alguma razão dizemos que errar é humano e perdoar é divino. Ainda que humano seja amar e errar seja, muitas vezes, desumano. Perdoar eleva-nos, projeta-nos para outro nível de compromisso, que nos obriga a superar gostos e preferências, a tolerar nos outros o que gostávamos que tolerassem em nós, a compreender as fragilidades alheias e amar além dos defeitos e insuficiências.

As comunidades cristãs dos primeiros tempos procuram ser fieis à mensagem de Jesus: perdoar sempre. Não julgueis. Não condeneis. A quem te bater numa face oferece também a outra. Reza por aqueles que te maldizem. Abençoa os que te perseguem. A quem te pedir a capa dá também a túnica. Não matarás. Não te irrites contra o teu irmão. Se o teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa a tua oferta no altar e vai reconciliar-te com ele. A Eucaristia reconcilia-nos, senta-nos à mesa com Jesus, une-nos aos outros. A Eucaristia vale também enquanto nos converte, nos irmana e nos faz dar passos concretos para vivermos em harmonia, apesar das diferenças.

 

3 – O Evangelho exprime não apenas a Mensagem de Jesus, mas o acolhimento das Suas palavras por parte da comunidade cristã.

A comunidade procura ver, traduzir, atualizar e concretizar tudo o que vem da parte do Senhor Jesus: «Se o teu irmão te ofender, vai ter com ele e repreende-o a sós. Se te escutar, terás ganho o teu irmão. Se não te escutar, toma contigo mais uma ou duas pessoas, para que toda a questão fique resolvida pela palavra de duas ou três testemunhas. Mas se ele não lhes der ouvidos, comunica o caso à Igreja; e se também não der ouvidos à Igreja, considera-o como um pagão ou um publicano».

Aqueles que se apresentam como discípulos de Jesus têm de considerar (sempre) a opção pelo perdão, pelo serviço, pela reconciliação. Uma e outra vez. E outra vez ainda! Descrição. Bom senso. Equilíbrio. Respeito pela pessoa que está à frente. Já me cansei de repetir que quem enche a boca com a própria frontalidade, entendida como dizer sempre tudo o que dá na real gana, independentemente de quem esteja à frente, não passa de uma criança mimada, uma criança a quem tiraram o brinquedo. Mas a criança é criança, é ingénua, está a aprender, a crescer. No adulto essa atitude revela infantilidade. Quem está à nossa frente não é um saco de boxe em quem descarregamos a nossa azia, o nosso azedume com a vida. Ser frontal não é isso. Ser frontal é ser verdadeiro, mas respeitar o outro como pessoa, como rosto e presença de Deus. A azia com que tratamos os outros, não é azia com que tratemos Jesus.

Correção fraterna. Se tens que corrigir, corrige a sós, discretamente. Se não houver avanços, pede ajuda a uma ou duas pessoas. Não desistas nem à primeira nem à segunda. Recorre à Igreja, será mais uma ajuda. A comunidade cristã daqueles dias percebe que terá que dar segundas e terceiras oportunidades e não desistir às primeiras dificuldades e contratempos.


Textos para a Eucaristia (ano A): Jer 20, 7-9; Sl 62 (63); Rom 12, 1-2; Mt 16, 21-27.

 

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02
Set 17
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

1 – A primeira e única vocação do cristão é seguir Jesus, amar Jesus, viver Jesus, transparecer e testemunhar Jesus. Em todos os momentos da vida, em toda a parte, diante de todas as pessoas, nas situações favoráveis e nos momentos adversos. Sem pausas, nem reservas, nem adiamentos. Não somos cristãos a meio tempo, quando nos dá jeito, quando é mais oportuno, ou aos Domingos.

Somos cristãos sempre, quer vivamos quer morramos, como refere o Apóstolo Paulo, no trabalho ou em férias, diante das panelas, diante de um ecrã de televisão, no meio do grupo de amigos, quando falamos sobre tudo e ou sobre coisa nenhuma, quando nos encontramos com os/as vizinhos/as, quando falamos de futebol ou da novela, quando falamos de política ou de religião, quando silenciamos para cuidar ou quando calamos para não nos incomodarem.

Seguir Jesus não tem horário, porque em todas as horas, minutos e segundos nos cabe acolher, seguir e anunciar Jesus.

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2 – Não somos originais ao seguirmos Jesus. A originalidade e o fundamento está no próprio Jesus. É Ele que nos chama, é Ele que nos faz discípulos e nos envia como missionários a levar a Boa Nova a todo o mundo. Não somos originais, pois não vivemos ensimesmados, a partir de nós e do nosso umbigo, do nosso mundo! A origem é Jesus. A origem é Deus, Fonte de todo o bem e de todo o amor, que em Jesus,.

Ao longo da Sua vida, Jesus respira Deus, transparece o amor do Pai, diz as Palavras do Pai e realiza as obras do Pai. Sem complexo de inferioridade. O Pai é Maior do que Eu, chega a dizer Jesus, ainda que se perceba que Ele e o Pai são Uma só coisa. Amar como quem serve. Servir como quem ama e no amar se consome como pavio até ao fim, quando já não houver mais nada para arder! Eu venho, Senhor, para fazer a Vossa vontade.

Jesus mantém uma ligação íntima, profunda e permanente ao Pai. É visível nas Suas Palavras, vislumbra-se nos Seus gestos. Retira-Se para lugares desertos, sobretudo ao cair da noite, para rezar. Por vezes, a oração estende-se pela noite e até de madrugada. Esta intimidade de Jesus com o Pai fortalece-O no ânimo de prosseguir no anúncio do Reino e nos prodígios que realiza.

 

3 – Aproximam-se horas conturbadas, nuvens carregadas surgem no horizonte, a missão terrena de Jesus encaminha-se para o fim, o futuro desponta incerto, com grandes probabilidades falhanço. Há que retemperar forças, mas sobretudo de avaliar a firmeza do seguimento. Depois da confissão de fé de Pedro, Jesus explica a obrigatoriedade de descer para Jerusalém, terra dos Profetas, onde vai sofrer muito, onde será morto, para ressuscitar ao 3.º dia. Com uma notícia tão negativa deixa de haver espaço para boas notícias. Pedro é o primeiro a reagir. É o assessor político ou o chefe de gabinete: «Deus Te livre de tal, Senhor! Isso não há de acontecer!». Pedro tem o cuidado de contestar Jesus de forma discreta, chamando-O à parte. A resposta de Jesus é contundente, sem margem para segundas leituras: «Vai-te daqui, Satanás. Tu és para mim uma ocasião de escândalo, pois não tens em vista as coisas de Deus, mas dos homens».

Para Jesus, a vontade do Pai está em primeiro lugar, ainda que isso comporte riscos, medos, sofrimentos. Pedro e os demais discípulos vivem à sombra de Jesus. Quem está perto da árvore pode beneficiar da sua sombra. Estando perto de Jesus, os discípulos podem beneficiar do Seu poder e garantir um lugar de primeira apanha no Reino que Ele está a instituir.

 

4 – Nossa Senhora identifica-nos com a vontade de Deus: Eis a escrava do Senhor, faça-se segundo a Sua Palavra. Aponta-nos para Jesus: Fazei tudo o que Ele vos disser. Mostra-nos a delicadeza, a atenção ao próximo e a pressa em levar Jesus… a todos!


Textos para a Eucaristia (ano A): Jer 20, 7-9; Sl 62 (63); Rom 12, 1-2; Mt 16, 21-27.
 

 

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26
Ago 17
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

1 – «E vós, quem dizeis que Eu sou?».

Diante de Jesus que Lhe respondemos? E que é que dizemos d'Ele? E como dizê-l'O a Ele na minha, na tua, na nossa vida?

O ministério de Jesus começa a dar sinais ambíguos quanto ao desfecho final. N'Ele é visível o amor de Deus como Pai. A Sua delicadeza há de levá-l'O à morte!

O messianismo de Jesus segue uma dinâmica muito própria: amor, serviço e perdão, proximidade e misericórdia. O messianismo esperado era bem diferente: poder, morte, destruição, substituição de uns pelos outros, revolução pela força.

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2 – «Quem dizem os homens que é o Filho do homem?» Será que Jesus tem curiosidade acerca da opinião pública? Não temos todos? Alguns vivem em função disso e uma opinião desfavorável tira-lhes o sono; para outros é algo de secundário, ainda que sirva de referencial para corrigir posturas e/ou desvios. Todos, no entanto, gostamos de ser bem vistos! Há quem pense pela própria cabeça e quem espere para saber qual a opinião dos outros para formular a própria opinião. O ideal talvez se encontre a meio caminho!

«Quem dizem os homens que é o Filho do homem?» Que responderíamos hoje a Jesus? É o Filho do Homem? O carpinteiro? Um revolucionário? Uma pessoa importante do passado? Os discípulos foram meigos a responder: «Uns dizem que é João Batista, outros que é Elias, outros que é Jeremias ou algum dos profetas». A amizade fê-los filtrar a informação. Por vezes precisamos de amigos assim, sobretudo quando a informação é desnecessária e desonesta.

 

3 – «E vós, quem dizeis que Eu sou?»

Aquilo que estranhos ou conhecidos dizem a nosso respeito é relativo e, de certa maneira, dispensável. Não nos deveria tirar o sono. Já a opinião dos que estão à nossa volta, familiares, amigos, pessoas com quem trabalhamos é muito mais importante, pois ajuda-nos a caminhar, a crescer, a corrigir erros, a colmatar insuficiências.

Quem é Jesus para mim? Que relevância tem na minha vida, nas minhas decisões? A minha vida é diferente por conhecer, por seguir Jesus? No meu dia-a-dia há alguma diferença por ser cristão?

Na abordagem de D. António Couto, Bispo de Lamego, o questionamento cola-nos à profissão de fé, isto é, o que é que dizemos acerca de Jesus. Pedro responde em seu e nosso nome: «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo». É o credo cristão dito pelos lábios de Pedro. É um dizer novo, diferente, atual, presente. Antes, dizia-se, os outros dizem! Agora somos nós que dizemos Jesus, que O anunciámos, que O vivemos, que O transparecemos nas nossas palavras, na nossa vida. Este DIZER é para agora e não é uma retransmissão, somos nós a implicar-nos com Jesus, é a nossa identidade cristã; é Deus a inspirar-nos. «Feliz de ti, Simão, filho de Jonas, porque não foram a carne e o sangue que to revelaram, mas sim meu Pai que está nos Céus». Antes de dizermos Jesus, Cristo, Filho de Deus, é Deus que nos diz, que nos revela: Este é o Meu filho muito amado, escutai-O. O que dizemos não vem de nós, mas vem através de nós; não vem de fora, mas de dentro; não vem dos lábios, mas do coração, vem de Deus que habita em nós, no nosso coração.

 

4 – No Evangelho, através de Pedro, Jesus confia-nos a missão de abrirmos as portas do Seu Reino de amor: «Tu és Pedro; sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as chaves do reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos Céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos Céus».

É um "poder" que implica riscos mas sobretudo responsabilidades pelos outros. Cada um segundo a sua missão, com responsabilidades diferentes, mas todos havemos de prestar contas, como se vislumbra também na primeira leitura. Se não conduzirmos os outros a Jesus Cristo, pelo menos não os impeçamos de prosseguirem! Se não abrimos portas e janelas, não criemos muros, saiamos da frente!


Textos para a Eucaristia (ano A): Is 22, 19-23; Sl 137 (138); Rom 11, 33-36; Mt 16, 13-20..
 

 

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19
Ago 17
publicado por mpgpadre, às 16:04link do post | comentar |  O que é?

1 – A Palavra de Deus deve iluminar a realidade concreta, apontando caminhos, comprometendo os cristãos que a escutam. Hoje, vendo como Jesus lida com "os outros" que não pertencem ao povo judeu, sugere-me que partamos do momento que se avizinha em Portugal: a campanha eleitoral para as eleições autárquicas.

Vale a pena repescar as palavras do Papa Francisco: «Envolver-se na política é uma obrigação para um cristão... os cristãos não podem fazer de Pilatos, lavar as mãos... Devemos implicar-nos na política, porque a política é uma das formas mais elevadas da caridade, visto que procura o bem comum... Os leigos cristãos devem trabalhar na política. Dir-me-ão: não é fácil... A política é demasiado suja, mas é suja porque os cristãos não se implicaram com o espírito evangélico. É fácil atirar culpas... mas eu, que faço? Trabalhar para o bem comum é dever de cristão».

A política é coisa boa. É o cuidado da polis (= cidade), o serviço aos cidadãos. É um elevado serviço de caridade quando procura o bem comum (não o bem individual, particular, privado, ainda que se exprima no serviço a pessoas concretas), o bem de todos, discutindo ideias e projetos para melhorar a vida das pessoas.

Infelizmente, muitas vezes vemos discutir pessoas e não projetos. "Nós fizemos", "Nós prometemos", "Eles não cumpriram", "Nós vamos cumprir"... O nosso grupo tem todas as qualidades... os outros são falsos, mentirosos, maus... E, no final, o que importa é favorecer os que nos ajudaram na eleição, os outros que aguardem mais quatro anos ou então que nos tivessem apoiado!

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 2 – Os discípulos de Jesus vivem (ainda) nesta dinâmica: o nosso grupo, os nossos, os que andam connosco. O Messias de Deus é nosso, pertence-nos, temos o exclusivo. Os milagres que fizer hão de beneficiar os nossos, os do nosso povo. As palavras que Ele disser são-nos dirigidas, a não ser que sejam para maldizer os outros, os estrangeiros, os que estão para lá do nosso grupo.

Contrariamente ao que seria expectável, Jesus mantém-se em silêncio (exterior) diante da investida desta mulher: «Senhor, Filho de David, tem compaixão de mim. Minha filha está cruelmente atormentada por um demónio».

Os discípulos estranham a posição do Mestre. Esta mulher tudo fará para reaver o filho, para o reconquistar para a vida. Sujeita-se ao ridículo, a ser olhada de esguelha, sujeita-se a uma humilhação pública. Mas que lhe importa? O importante é a saúde e a vida do filho. Até pode morrer, mas que o filho seja salvo! Os discípulos parecem incomodar-se mais com a sua gritaria do que com o seu sofrimento!

 

3 – Na resposta aos discípulos, Jesus diz-lhes que não foi enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel. Porém, esta Mãe não desiste e insiste, prostrando-se aos pés de Jesus: «Socorre-me, Senhor». Parece que Jesus não se comove! O que contraria o que está contido nos Evangelhos: a Sua delicadeza e proximidade às pessoas mais frágeis, pobres, doentes, mulheres, crianças, publicanos e pecadores! Então que se passa com a reação de Jesus? Assume a nossa postura para que nós nos ponhamos do lado de quem sofre e assumamos a Sua postura: amor ao serviço dos mais desfavorecidos.

Convertamos em pergunta a resposta dada por Jesus àquela Mulher: "Será justo tomar o pão dos filhos para o lançar aos cachorrinhos?". Entramos na pedagogia de Jesus que nos desafia. A Mulher cananeia ajuda-nos a responder ao questionamento de Jesus: «É verdade, Senhor; mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa de seus donos».

Jesus mostra que a salvação não se destina a um grupo ou a um povo, mas destina-se a todos. A fé é a única exigência para a cura, para a redenção. Fé que se torna humildade diante de Deus e predisposição para acolher o Seu amor, o Seu perdão e a Sua cura. É na fé amadurecida desta mulher que Jesus opera a cura da sua filha.


Textos para a Eucaristia (ano A):  Ap 11, 19a; 12, 1-6a. 10ab; Sl 44 (45); 1 Cor 15, 20-27; Lc 1, 39-5.
 

 

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15
Ago 17
publicado por mpgpadre, às 08:00link do post | comentar |  O que é?

1 – A solenidade da Assunção de Nossa Senhora ao Céu – verdade de fé confirmada pelo Papa Pio XII, a 1 de novembro de 1950, a partir da sensibilidade, do sensus fidei, do povo de Deus, que há muito considerava que Àquela que acolheu o Filho de Deus, gerando-O e dando-O ao mundo, sem nunca se desligar do filho, teria que estar onde está o filho, na eternidade do Pai, sem experimentar, nem no início (Imaculada Conceição) nem no fim (ressurreição, Assunção) a corrupção do corpo – celebra a certeza que Deus não desiste de nós e não nos quer perder nem no tempo nem na eternidade.

Jesus, o Filho bem-amado do Pai, é enxertado na história, para caminhar connosco e nos fazer caminhar com Ele.

Sem forçar, Deus conta connosco. Desafia Maria e espera a sua resposta. Ao responder ao chamamento de Deus, Maria torna possível um novo avanço na Aliança de Deus com o Seu povo. Já não mensageiros, já não à distância, mas na própria carne humana. Deus torna-Se, com propriedade, Emanuel, Deus connosco.

O Sim de Maria compromete-a e a nós também. É um SIM que se traduz em muitos sins, repetidos, atualizados, novos. A vida também é assim, quem diz sim, di-lo para cuidar, para proteger, para servir. Não se ama num sim que se esvai na memória, ama-se num sim que se renova em gestos, em palavras, em cuidado e ternura, e nas carícias do olhar e do sorriso, do beijo e do afago e do abraço. É essa a resposta de Jesus a uma mulher que o interpela – «Feliz Aquela que Te trouxe no seu ventre e Te amamentou ao seu peito»«Mais felizes são os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática».

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2 – A vida eterna inicia com a vida terrena. Não há quebras, ainda que haja novidade. A vida é gerada desde sempre para não se perder. Essa é a vontade de Deus e de quem ama. Quando se ama quere-se que perdure o amor, a pessoa amada e a ligação.

Jesus precede-nos como primícias (= primeiros frutos da terra). Ele ressuscita primeiro, depois nós. Em Maria, começa-se a cumprir a promessa. Ela é assumpta por Deus para sempre. Ela que nunca Se afastou de Jesus, é elevada para junto d'Ele na eternidade. Para nós, a postura constante de Jesus: alimentar-Se da vontade e da presença do Pai. Para nós, o exemplo de Maria, que em tudo procura enaltecer as maravilhas do Senhor, dando Jesus, apontando para Jesus: Fazei tudo aquilo que Ele vos disser. É feliz todo aquele que escutar a Palavra de Deus e a traduzir em vida, em serviço e amor. Inicia-se no tempo o que será na eternidade: a comunhão plena com Deus.

Rezemos para que Deus, que elevou «à glória do Céu em corpo e alma a Imaculada Virgem Maria» nos conceda «a graça de aspirarmos sempre às coisas do alto, para merecermos participar da sua glória».

Com os olhos fitos em Jesus e na Bem-aventurada Virgem Mãe, com os pés bem assentes neste chão e nesta terra, com o coração bem ligado aos outros, com as mãos livres para abençoar, para abraçar, para trabalhar, para levantar; para acolher (a bênção e os dons de Deus) e para partilhar (tudo quando recebemos de Deus como dom, para que se multipliquem na dádiva); com as mãos livres e estendidas para Deus, com as mãos abertas e libertas para os irmãos.


Textos para a Eucaristia (ano A):  Ap 11, 19a; 12, 1-6a. 10ab; Sl 44 (45); 1 Cor 15, 20-27; Lc 1, 39-5.
 

 

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12
Ago 17
publicado por mpgpadre, às 23:21link do post | comentar |  O que é?

1 – Ainda que caminhemos por entre escombros, não precisamos que nos substituam, mas que nos estendam a mão, caminhem ao nosso lado; precisamos de uma luz, ainda que seja ao fundo do túnel, um objetivo, uma razão para lutar, uma meta a atingir, um sentido que nos mova a prosseguir.

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2 – No Evangelho do domingo passado (não fosse a festa da Transfiguração), Jesus realiza o milagre da multiplicação e da partilha do pão e do peixe. A multidão é a destinatária do ensino e dos gestos de Jesus. Porém, a atenção para com os discípulos mantém-se: eles são chamados a intervir, a dar de comer à multidão, a arranjarem uma solução concreta e possível, a distribuírem/partilharem o alimento e a recolherem as sobras, para que nada se perca.

Estando mais perto de Jesus, os discípulos têm o privilégio de O conhecer melhor, de O escutar com mais atenção, de beneficiarem das Suas explicações. Porém, quanto mais informação, quanto mais poder, mais a responsabilidade. Jesus compromete os discípulos no anúncio do Evangelho e na prática da caridade.

Essa proximidade que liga os discípulos a Jesus fortalece-os, e a nós também, para as tempestades da vida, para os desertos, para as invernias, para as trevas. Depois da multiplicação dos pães, Jesus permanece junto da multidão a despedir-se das pessoas. Os discípulos vão indo para a outra margem.

Há outro hiato de tempo que é recorrente, Jesus sobe ao monte para orar, para melhor escutar o Pai.

Regressa para junto dos discípulos na quarta vigília da noite. Ao vê-l'O os discípulos pensam que estão a sonhar, que estão a ver um fantasma. À noite todos os gatos são pardos. Jesus caminha sobre o mar, tranquilamente. Assustaria qualquer um. Por certo não é uma partida de crianças mas a certeza de que não há barreiras para Jesus vir ao nosso encontro, em nosso auxílio. Como então, Jesus estende-nos a mão, mostra-Se, garante-nos que está. Temos que O ver também durante a noite, quando as trevas se adensam.

 

3 – Pedro, sempre ele, quer imitar Jesus. E imitar Jesus é coisa boa, é bom sinal. É um desejo que também devemos ter. Mas Pedro lá acaba por se fixar mais nas suas fragilidades e limitações que em Jesus. Mais vale quem Deus ajuda que quem muito madruga. Podemos fazer tudo bem, mas se é apenas por nós, para nós, se nos apoiamos somente nas nossas capacidades, como se fôssemos deuses, tornando-nos o centro, mais tarde ou mais cedo vamos ao fundo. Da mesma forma, não avançamos se for o medo a controlar-nos, o medo de falharmos, o medo de não sermos aceites, o medo de sofrermos…

Vem. Avança. Podes confiar. Pedro vai, com o olhar fito em Jesus. Vai bem, até que olha para baixo e começa a afundar-se. É como as vertigens, quem as tem, só tem que olhar para cima, para a frente, e seguir, pois no momento em que olha para baixo vacila. Se Pedro se tivesse fixado em Jesus e na Sua voz, a violência do vento passaria para segundo plano.

Pedro dá-nos ainda outra lição importante: a humildade, o reconhecimento das próprias fragilidades, a humildade que se volta para Jesus. «Salva-me, Senhor». Só Tu, Senhor, me livras das minhas quedas, dos meus medos. Só Tu, Senhor, podes ser luz e sentido e meta para eu caminhar seguro! Vem e socorre-me, Senhor, do meu egoísmo, do meu pecado e do meu orgulho, que são peso que me afunda. Liberta-me, concede-me a capacidade de amar, de acreditar, de confiar, de me gastar a favor dos outros, o gosto de servir e cuidar, para me tornar leve, tão leve que seja capaz de caminhar por cima do mar.


Textos para a Eucaristia (ano A): 1 Reis 19, 9a. 11-13a; Sl 84 (85); 2 Rom 9, 1-5; Mt 14, 22-33.

 

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05
Ago 17
publicado por mpgpadre, às 19:49link do post | comentar |  O que é?

1 – «Senhor, como é bom estarmos aqui! Se quiseres, farei aqui três tendas: uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias». Jesus toma conSigo Pedro, Tiago e João e sobe com eles a um alto monte, lugar privilegiado para encontrar-se com Deus.

Jesus retira-se muitas vezes para a montanha, para lugares ermos, para o deserto. Lugares onde se sente mais a sós com o Pai. Em momentos-chaves, a intimidade de Jesus com o Pai é reforçada, para que a firmeza O conduza à missão de transparecer o Reino de Deus.

Os escritores sagrados dos primeiros tempos sublinham o olhar de Jesus, profundo, luminoso, um olhar que cativa e atrai. É uma luz que vem dentro, do coração, que vem do alto, que vem do Pai.

É esta a luminosidade que transparece em Jesus. Na Transfiguração, Jesus deixa ver mais claramente a intimidade com Deus Pai. Luz, mais luz, mais luz, que também nos trespassa, que também nos ilumina, enchendo-nos o coração de luz. O coração e a vida. Cabe-nos, como àqueles discípulos, fazer com que a Luz que nos vem de Jesus, ilumine o nosso caminho.

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2 – Senhor, como é bom estarmos aqui! Se quiseres, farei aqui três tendas: uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias.

Quando estamos bem, quando nos sentimos em casa, o tempo passa célere, nunca é noite, é sempre dia, há sempre luz. Há momentos de sol e de chuva, de bonança e de tempestade. Quando chega a bonança, descansamos da ansiedade, do medo, do desgaste, para nos fortalecermos para o que possa vir a seguir.

O contexto da Transfiguração de Jesus evoca a vida como ela é. Há uma primeira evidência: Jesus aponta para o Pai, para que nos momentos mais sofríveis não nos esqueçamos d'Ele e da Luz que há em nós. Antes, Jesus revelara aos discípulos o que Lhe estava destinado: o Filho do Homem vai ser entregue às autoridades, vai ser julgado e vai ser morto. Jesus logo acrescenta que três dias depois de morto voltará à vida. O estrago já estava feito e os discípulos já não ouvem este novo dado. É como nós, dão-nos uma boa notícia e outra má, a notícia negativa ocupará toda a nossa atenção.

Depois deste anúncio, Jesus leva os discípulos mais próximos ao alto da montanha e transfigura-Se diante deles, sinalizando a vida em comunhão plena com Deus Pai, apontando para a vida definitiva.

 

3 – Senhor, como é bom estarmos aqui! Se quiseres, farei aqui três tendas: uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias.

Antes do fim há ainda muita vida, muito caminho a percorrer. A eternidade, a ressurreição, inicia no tempo presente, no compromisso histórico com todos os que seguem connosco. Em Jesus, há um reino a germinar, um projeto em andamento, um vida a florir. Antes, Moisés e Elias, que confluem para Jesus. Ele resume, assume e pleniza as promessas feitas por Deus ao povo eleito. Chega agora o tempo de escutar e de seguir outro Mestre: «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência. Escutai-O».

Como no Batismo, Deus declara a Sua afeição pelo Filho, convocando-nos a todos para O escutar e para O seguir. Não há tempo a perder. São horas de partir e de seguir Jesus: «Levantai-vos e não temais». Quando os discípulos olham novamente, veem apenas Jesus, caem na realidade. Jesus desperta-os do assombro, para que desçam ao mundo concreto e deixem a ressurreição dos mortos para Deus, para quando chegar a hora de Se manifestar em plenitude.

 

Pe. Manuel Gonçalves


Textos para a Eucaristia (ano A):  Dan 7, 9-10. 13-14; Sl 96 (97); 2 Pedro 1, 16-19; Mt 17, 1-9.
 
 


29
Jul 17
publicado por mpgpadre, às 23:46link do post | comentar |  O que é?

1 – Jesus continua a falar-nos em parábolas. As duas primeiras falam-nos de tesouros e pérolas que concentram toda a atenção e que justificam a renúncia a outros pequenos tesouros.

«O reino dos Céus é semelhante a um tesouro escondido num campo. O homem que o encontrou tornou a escondê-lo e ficou tão contente que foi vender tudo quanto possuía e comprou aquele campo. O reino dos Céus é semelhante a um negociante que procura pérolas preciosas. Ao encontrar uma de grande valor, foi vender tudo quanto possuía e comprou essa pérola».

Há uns domingos atrás ouvíamos Jesus a colocar-nos entre escolhas: «Quem ama o pai ou a mãe mais do que a Mim, não é digno de Mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a Mim, não é digno de Mim. Quem não toma a sua cruz para Me seguir, não é digno de Mim». São opções. Prioridades que resolvem uma vida. Um grande amor merece e implica todas as renúncias. Perguntai a uma mãe o que está disposta a fazer em prol dos filhos! Tudo. O corpo, o sangue, qualquer vexame! Se fosse possível, a Mãe ficava doente, iria para a cadeia, morreria em vez dos filhos. Faria qualquer coisa para que os filhos ficassem bem e não tivessem que passar nenhum sacrifício ou sofrimento.

Jesus coloca-nos diante de um amor maior, um único amor, o Reino de Deus. Onde está o teu tesouro estará o teu coração. Para o cristão o Reino de Deus coincide com o próprio Jesus. Ele é o reino de Deus no meio de nós. As palavras de Jesus são lapidares: o seguimento precede qualquer amor, por maior que seja. Víamos então que a exclusividade exigida por Jesus humaniza as relações, tirando-lhes o peso do endeusamento e o risco da instrumentalização. E em nada diminui ou secundariza a ligação, o cuidado e o compromisso com aqueles que Deus coloca na nossa vida. Primeiro o reino de Deus e a sua justiça e o mais virá por acréscimo. Cumprir com a justiça do reino significa seguir Jesus, amá-l'O de todo o coração, antes e acima de tudo, mas implica igualmente fazer como Ele: dar a vida, gastar a vida, resistir a todo o mal, cuidar de todos, daqueles que estão por perto, daqueles que se cruzam connosco.

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2 – A terceira parábola deste domingo tem semelhanças com a parábola do trigo e do joio: «O reino dos Céus é semelhante a uma rede lançada ao mar… apanha toda a espécie de peixes. Logo que se enche, puxam-na para a praia e, sentando-se, escolhem os bons para os cestos e o que não presta deitam-no fora. Assim será no fim do mundo: os Anjos sairão a separar os maus do meio dos justos».

Em definitivo não nos cabe a nós ajuizar, dividir e condenar. Lembremo-nos que a pressa em destruir o joio pode levar-nos a destruir também o trigo. A paciência de Deus dá tempo aos outros, dá-nos tempo a nós, para amadurecer. Deus é paciente e misericordioso, clemente e cheio de compaixão.

 

3 – Durante três anos, Jesus rodeia-se dos Doze e de outros discípulos para os instruir, os desafiar, os envolver no projeto do reino de Deus. Aqui e além provoca-os com palavras, com gestos, com a Sua postura. Também as parábolas são momentos de instrução e de convocação à sabedoria. É admirável como um conjunto de maltrapilhos vão espalhar a mensagem pelo mundo inteiro e como, quase ignorantes, simplórios, se arriscam em praças públicas a pregar, a anunciar destemidamente o Evangelho, repetindo e atualizando as histórias, argumentando, debatendo, refletindo. Se imaginarmos Pedro, um pescador, impulsivo, rude, com o coração ao pé da boca, capaz de argumentar diante das autoridades e escrever (ou inspirar) cartas magníficas à Igreja, vemos como se deixou moldar pelo Espírito de Deus, superando os seus impulsos e as suas limitações.

 

Pe. Manuel Gonçalves


Textos para a Eucaristia (ano A): 1 Reis 3, 5. 7-12; Sl 118 (119); Rom 8, 28-30; Mt 13, 44-52.
 


22
Jul 17
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

1 – «O reino dos Céus pode comparar-se a um homem que semeou boa semente no seu campo».

A parábola do trigo e do joio tem pontos de contacto com a de domingo passado: a semente é lançada com a certeza que a terra produzirá. Tal como a chuva e a neve que caem do céu à terra e não regressam sem terem surtido efeito, também a palavra de Deus, a semente em nós semeada, há de produzir abundantemente. Essa é a vontade de Deus, que toma a iniciativa, que confia em nós, que nos conhece e nos sabe frágeis mas capazes de sermos terra trabalhada. Deus é um Deus clemente e compassivo, paciente e cheio de misericórdia. Ele espera e confia. Uma e outra vez. Deixa que o tempo nos amadureça. Age assim connosco, para que, com Ele, aprendamos a agir uns com os outros: cuidando, esperando pacientemente, confiando.

A semente lançada à terra é boa semente. Vem de Deus. Logo tem tudo para frutificar. Mas não basta a semente ser boa, as condições podem ditar a dimensão e a qualidade dos frutos.

Os servos querem cortar o mal pela raiz. Por vezes também somos assim. Queremos rapidamente eliminar todo o mal. Como diz o velho aforismo, corremos o risco de deitar fora juntamente a água suja e o bebé que está lá dentro. Ou, numa outra imagem também feliz, a árvore que está à nossa frente pode impedir-nos de ver toda a floresta! Algum distanciamento, algum cuidado e perseverança pode ajudar-nos a acolher o bem que existe nos outros. Daí o velho conselho: o travesseiro é o melhor conselheiro! Dormir sobre o assunto. Pensar e repensar! Contar até 20! A pressa é inimiga da perfeição!

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2 – «O reino dos Céus pode comparar-se ao grão de mostarda que um homem tomou e semeou no seu campo. Sendo a menor de todas as sementes, depois de crescer, é a maior de todas as plantas da horta… as aves do céu vêm abrigar-se nos seus ramos».

Nesta parábola sobrevém a confiança em Deus. Deus vela pela humanidade, pelo mundo. A pequena semente parece não ter a dureza, a grandeza e o aspeto para sobreviver. Quantas as situações da vida em que a esperança se tornou um minúsculo grão de nada ou de pouca coisa?! Mas desistir não é o caminho. O caminho é persistir. Enquanto há vida há esperança. Por vezes não é fácil. Nada fácil. Parece que o mundo inteiro está contra nós! Mas fazemos das tripas coração e das fraquezas forças para prosseguir. Deus segue connosco, solidário com as mazelas que vamos experimentando.

 

3 – «O reino dos Céus pode comparar-se ao fermento que uma mulher toma e mistura em três medidas de farinha, até ficar tudo levedado».

Ser fermento que leveda a massa, testemunhar a fé, transparecer Jesus Cristo, viver como quem se gasta a favor do outro, a favor de todos, como Jesus Cristo, a favor da humanidade inteira.

Perguntavam à Madre Teresa de Calcutá como seria possível "converter" e transformar o mundo! Como pretendia fazê-lo sozinha? Sozinha não, com Cristo, por Cristo. Eu e tu, somos dois! Soma quem tens em casa e eu somo quem tenho em casa, seremos quatro, seis, dez, vinte, cem, mil! Grão a grão enche a galinha o papo. Faz pelo menos a tua parte!


Textos para a Eucaristia (ano A): Sab 12, 13. 16-19; Sl 85 (86); Rom 8, 26-27; Mt 13, 24-43.

 

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15
Jul 17
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

1 – Saiu o semeador a semear, lançou a semente à terra, mas nem toda a semente caiu em terra favorável. Fácil imaginar Jesus em Nazaré, da infância à idade adulta, num contacto próximo com a vida do campo, com a agricultura, com a natureza. Relembramos que o Pai, José, era carpinteiro. Por certo, também Jesus seguiu as pisadas do Pai. Um carpinteiro, à época, fazia vários trabalhos, da madeira à pedra e ao ferro; o que fosse necessário como arranjar alguma portada, ajudar a edificar um templo ou um palácio, construir ou reparar uma ponte, canalizar a água para algum campo. Mas as famílias sobreviviam também com o que produziam, trigo, centeio, hortaliça, árvores de fruto, animais de pequeno porte, cabras e ovelhas, que permitiam recolher a lã, o leite, produzir queijo. Na festa da Páscoa, tinham os próprios cordeiros para consumo familiar, permitindo também a venda de alguns ou a troca por outros bens necessários.

A proximidade à terra facilita a compreensão da parábola. O semeador lança a semente, projetando o braço e abrindo a mão de forma a ir soltando o trigo ou o centeio. As sementes não caem de forma uniforme e o controlo sobre o lugar onde caem é bastante preciso, mas há sempre sementes que ultrapassam o limite do campo. O próprio Jesus poderá ter desempenhado esta tarefa ou visto familiares a fazê-lo. O objetivo do semeador é que a semente caia em boa terra para frutificar com abundância.

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2 – Algumas das parábolas deixam que possamos retirar ilações, tentando perceber o que Jesus nos quer dizer. Com esta parábola também, mas com um senão, o próprio Jesus a interpreta:

«Quando um homem ouve a palavra do reino e não a compreende, vem o Maligno e arrebata o que foi semeado no seu coração. Este é o que recebeu a semente ao longo do caminho. Aquele que recebeu a semente em sítios pedregosos é o que ouve a palavra e a acolhe de momento com alegria, mas não tem raiz em si mesmo, porque é inconstante, e, ao chegar a tribulação ou a perseguição por causa da palavra, sucumbe logo. Aquele que recebeu a semente entre espinhos é o que ouve a palavra, mas os cuidados deste mundo e a sedução da riqueza sufocam a palavra, que assim não dá fruto. E aquele que recebeu a palavra em boa terra é o que ouve a palavra e a compreende. Esse dá fruto e produz ora cem, ora sessenta, ora trinta por um».

O Semeador é Jesus. A semente é a Palavra de Deus, a fé concretizável na esperança e na caridade. O campo somos nós. Por vezes somos terra árida, muitas coisas nos ocupam e distraem. Outras, temos boa vontade e até estamos recetivos, mas surgem dificuldades e não estamos para nos chatear. Há ocasiões em que persistimos apesar de tudo, do sofrimento, do sacrifício e das contrariedades e fazemos com que a Palavra de Deus, semente em nós lançada, rebente e frutifique generosamente.

 

3 – A semente, como se vê, é abundante. Cai em todo o lado, é para todos. Mas se é Deus que lança a semente e a faz frutificar, há um dado que salta à vista, depende também de nós. Se nos fechamos, o Espírito de Deus não fará germinar a semente. Se abrimos o nosso coração e a nossa vida a Deus, se nos tornarmos terra trabalhada, cavada, a semente encontrará as condições para frutificar.

As palavras de Jesus assumem uma forte interpelação: «O coração deste povo tornou-se duro: endureceram os seus ouvidos e fecharam os seus olhos». Os discípulos estão chamados a seguir Jesus e não a dureza "deste povo": «Quanto a vós, felizes os vossos olhos porque veem e os vossos ouvidos porque ouvem!».


Textos para a Eucaristia (A): Is 55, 10-11; Sl 64 (65); Rom 8, 18-23; Mt 13, 1-23.

 

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01
Jul 17
publicado por mpgpadre, às 21:26link do post | comentar |  O que é?

1 – Jesus pede-nos exclusividade. Como a própria palavra sugere, exclusividade exige exclusão. «Quem ama o pai ou a mãe mais do que a Mim, não é digno de Mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a Mim, não é digno de Mim. Quem não toma a sua cruz para Me seguir, não é digno de Mim».

Vamos perceber que a exclusividade de Jesus é inclusiva. Ao escutarmos Jesus ficamos arrepiados. Quem amar mais a mãe ou o pai, o filho ou a filha, ou a própria vida não pode segui-l'O! Como? Deixar para trás a família, os amigos, renunciar à própria vida?

 

2 – Ao longo da Sua vida e de maneira mais clarividente na Sua Paixão e Morte na Cruz, Jesus mostra a Sua grande ligação ao Pai. É uma intimidade de todas as horas. Se a Sua vida é uma oração constante, Jesus reserva tempos específicos para uma maior proximidade com Deus: antes da vida pública retira-Se em oração para o deserto; antes de escolher os apóstolos passa a noite em oração; antes do processo da Sua morte, retira-Se para o horto das Oliveiras para orar; na Cruz mantém um diálogo vivo com o Pai: Meu Deus, Meu Deus, porque me abandonaste?! Pai, nas Tuas mãos entrego o meu espírito.

É percetível na vida de Jesus o Amor primeiro e único: o Pai (de todas as horas). Mas é também dessa forma que Ele tem tempo e disponibilidade para as pessoas, sobretudo as mais frágeis, pois não desperdiça nem forças nem tempo com intrigas, com lamentações, com suspeição, com estratégias para Se afirmar ou para assegurar poder ou vantagem sobre os demais.

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3 – A prioridade e a precedência de Deus liberta-nos da ansiedade e da perda definitiva, pois Ele nos garante a vida. Aqueles que perdemos, pela vida, Ele os guarda na eternidade. Reconhecermos que não somos deuses, ou que alguém ou alguma coisa o é, faz-nos relativizar as perdas e os insucessos, mas também que o céu não é definitivo na vida histórica, pelo que estamos a caminho. Se acharmos que somos deuses então não poderemos repousar nem equilibrar o nosso cérebro, temos que resolver tudo. Se colocarmos essa esperança em alguém vamos exigir-lhe que resolva tudo o que queremos.

Afinal o desafio de Jesus não menospreza, de todo, a família ou a vida como dom e tarefa, mas recoloca tudo no seu lugar, a Deus o que é de Deus e a César o que é de César.

Jesus dá-Se por inteiro ao Pai. É nessa medida que Se entrega ao Pai por nós e, por, amor nos eleva para Deus.

Seguir Jesus implica toda a nossa vida, a vida toda, em todos os seus aspetos. Somos cristãos em qualquer situação, não apenas quando nos convém, nos dá mais jeito ou quando temos mais tempo. É dessa forma que ganhamos a vida, perdendo-a, gastando-a, dando-lhe sentido e sabor pelo serviço, pelo cuidado, pela descoberta vocacional. É dando que se recebe, é dando que se acolhe a vida como dom alegre. Quem resguarda a sua vida por medo ou para não se incomodar, acabará por morrer sem ter vivido!

 

4 – A referência é Jesus. Segui-l'O para gastar a vida como Ele, a favor de todos. Com efeito, lembra-nos São Paulo, fomos batizados em Cristo, sepultados na Sua morte, para com Ele ressuscitarmos. Se morremos com Cristo, vivamos então com Ele uma vida nova.

Seguir Jesus não servirá nunca para justificar a indiferença ou o descarte a que botamos as pessoas. Seguir Jesus com a nossa vida inteira faz-nos incluir os pais, os filhos, os amigos, os vizinhos, os colegas de trabalhos, aqueles de quem não gostamos tanto e sobretudo as pessoas mais fragilizadas, pela doença, pela pobreza, pela solidão…


Textos para a Eucaristia (A): Ex 19, 2-6a; Sl 99 (100); Rom 5, 6-11; Mt 9, 36 – 10, 8.

 

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25
Jun 17
publicado por mpgpadre, às 00:31link do post | comentar |  O que é?

1 – Sem confiança não há vida. Ou pelo menos, vida com qualidade! Desde que nascemos que começamos a confiar. Pomo-nos de pé e confiamos que não nos deixam cair. Se caímos, protestamos, choramos, fazemos birra. E lá vem a Mãe ou o Pai engalhar-nos, prometer que não volta a acontecer, que estará por perto e mais atento/a. É na base da confiança que crescemos e nos envolvemos com a família, com os amigos, com os professores, com o mundo dos adultos.

As últimas palavras de Jesus são de confiança total e definitiva: «Pai nas Tuas mãos entrego o Meu espírito». Depois de longas horas de provação, Jesus permanece confiante na bondade de Deus. A provação foi violenta. Traído pelos amigos, abandonado por (quase) todos. Injuriado. Sujeito ao escárnio e aos escarros, à violência gratuita, esbofeteado e chicoteado, esgotado pelas agressões e pelo peso da cruz... onde é suspenso, tornando-se muito difícil respirar... Não resta mais nada! Pai, se é possível... mas não Se faça a minha, mas a Tua vontade... Cumpra-se a vida e a história e o amor, até ao fim, sem alívio nem desculpas nem justificações.

Não temais! Vinde a Mim todos os que andais cansados e oprimidos e Eu vos aliviarei! Não temais, Eu venci o mundo! Não temais, pequenino rebanho! Eu estarei convosco até ao fim dos tempos. Ide, Eu vos envio como cordeiros para o meio dos lobos!

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2 – Há tantas situações para as quais não há uma explicação lógica. Há momentos em que apetece desaparecer. Há circunstâncias que nos tiram do sério.

Temos de compreender que não somos Deus, mas Manuel, Artur, Maria, Antónia. Não está ao nosso alcance explicar todos os mistérios da existência. Saber que Deus é Deus e confiarmos-Lhe a nossa vida para que à noite possamos deitar e repousar com a certeza que Ele é Deus e que há muita vida e muita história em que não somos nem heróis nem deuses nem demónios, mas simplesmente pessoas.

Jesus chama e envia os Seus discípulos com o alerta dos perigos a enfrentar e a promessa da Sua presença. «Não tenhais medo dos homens... Não temais os que matam o corpo, mas não podem matar a alma. Temei antes Aquele que pode lançar na geena a alma e o corpo. Não se vendem dois passarinhos por uma moeda? E nem um deles cairá por terra sem consentimento do vosso Pai. Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Portanto, não temais: valeis muito mais do que todos os passarinhos».

Na maioria das vezes não precisamos que resolvam as dificuldades do nosso caminho! Que seria a vida sem sal, sem esforço, sem dedicação, sem renúncia, sem compromisso, sem obstáculos? Precisamos sempre de colo! Da Mãe, dos amigos, da família, de quem nos prometa que vai correr bem, ainda que tenhamos de enfrentar os nossos demónios! Não estaremos sós. Temos Mãe (Papa Francisco em Fátima), temos quem nos acompanhe e nos ajude a erguer, temos um olhar e um sorriso que nos desafia, nos envolve e nos dá força, nos transmite confiança para continuar, apesar de tudo. Jesus lembra-nos que temos Pai e que temos Mãe (D. António Couto em Fátima). A olhar por nós! Podemos prosseguir. Ele não nos deixa sós, não nos abandona à nossa sorte.

 

3 – «O que vos digo às escuras, dizei-o à luz do dia; e o que escutais ao ouvido proclamai-o sobre os telhados... A todo aquele que se tiver declarado por Mim diante dos homens, também Eu Me declararei por ele diante do meu Pai que está nos Céus. Mas àquele que Me negar diante dos homens, também Eu o negarei diante do meu Pai que está nos Céus».


Textos para a Eucaristia (A): Ex 19, 2-6a; Sl 99 (100); Rom 5, 6-11; Mt 9, 36 – 10, 8.

 

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17
Jun 17
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

1 – Neste XI Domingo do Tempo Comum, a primeira oração da Eucaristia com a oração de coleta: «Deus misericordioso, fortaleza dos que esperam em Vós, atendei propício as nossas súplicas; e, como sem Vós nada pode a fraqueza humana, concedei-nos sempre o auxílio da vossa graça, para que as nossas vontades e ações Vos sejam agradáveis no cumprimento fiel dos vossos mandamentos».

A oração predispõe-nos a escutar a Palavra de Deus e a acolher a Sua graça misericordiosa. Sob os auspícios da bênção divina, o compromisso por corresponder à vontade de Deus, cumprindo os Seus mandamentos. Os mandamentos são uma proposta de vida, que nos conduzirá ao bem, à verdade e à justiça, que nos conduzirá a fazer novas todas as coisas, preenchendo a nossa vida com o amor e a compaixão em que Jesus nos introduz.

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2 – Eu não vim para condenar, mas para salvar, reconciliar, incluir, para reconduzir para Deus todos os seus filhos dispersos pelo pecado, pela exclusão, pelo egoísmo ou pelas circunstâncias da vida.

Num minuto pode mudar-se a vida de alguém. Pode mudar-se a própria vida. Temos uma vida inteira para nos deixarmos converter por Deus, mas como não sabemos nem o dia nem a hora, é bom desde já colocar-nos à escuta para percebermos que Deus nos chama a viver na grandeza e na generosidade, na alegria e no serviço, no amor e na ternura que nos redimem.

Ao longo de três anos de vida pública, Jesus deixa uma marca indelével de bem-fazer e de bem-dizer. Jesus anuncia o Reino de Deus. Ele é o Reino de Deus que chega até nós. Ao longo desse tempo espalha a doçura, a bondade e o perdão. Em palavras, gestos e em obras. Faz opções. As Suas opções levam-n'O às periferias, aos doentes, aos pecadores, aos publicanos, aos estrangeiros, mulheres e crianças, aos desprezados e excluídos da sociedade. Preferir não é excluir. Trata-se de incluir, de elevar, de devolver a dignidade aos que estão abaixo, aos que são desconsiderados, aos que não contam.

A opção preferencial pelos mais pobres evidenciada por Jesus é  uma opção de todos chamar, de a todos incluir, de a todos reconhecer como irmãos. A Sua há de ser também a nossa opção, para nos tornarmos verdadeiramente Seus discípulos.

 

3 – A misericórdia de Deus é visível em Jesus Cristo. Ele traz-nos Deus. Ele dá-nos Deus. Ele é Deus no meio de nós. Deus feito Homem. Não vem de fora! Ele nasce da Virgem Maria, pela ação do Espírito Santo, para ser um de nós, para caminhar connosco.

Jesus vai à frente, mostra-nos o caminho. Olha para as multidões e enche-Se de compaixão. São como ovelhas sem pastor. Cansadas e abatidas. Não tem mãos a medir. Como um de nós, Ele está limitado pelo tempo e pelo espaço. E, por conseguinte, chama e envia. Chama os Doze e dá-lhes o poder de curar, de expulsar os espíritos impuros, dá-lhes o poder para serem bênção especialmente para as pessoas mais frágeis, fustigadas pela doença, pelos sofrimentos, pelos demónios, pelos vazios, pela solidão, pela incompreensão.

Tudo começa na oração. É a primeira resposta e o primeiro chamamento. Colocar-nos diante de Deus, confiar-lhe a nossa vida, com as suas alegrias e esperanças, com as suas incompreensões e limitações. Ele bem sabe o que precisamos, mas a oração faz-nos ver com o olhar de Deus, com a Sua vontade, com o Seu amor. Rezamos, não para que Deus faça o que podemos fazer, mas para que nós façamos o que está ao nosso alcance, dando, dando-nos.


Textos para a Eucaristia (A): Ex 19, 2-6a; Sl 99 (100); Rom 5, 6-11; Mt 9, 36 – 10, 8.

 

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14
Jun 17
publicado por mpgpadre, às 23:23link do post | comentar |  O que é?

1 – Olhemos para a cruz. Jesus de braços abertos a pender da trave, entendido no tronco que se fixa na terra. A presença de Jesus na cruz é essencial, é salvação, doação, entrega, vida oferecida a Deus, vida oferecida por nós, pela humanidade. É uma vida inteira que da terra Se levanta e nos levanta para Deus. Um corpo desfeito pela violência do nosso pecado, ensanguentado, em falência, pronto para se gastar até à última gota de sangue.

Cuidar de Jesus Cristo, como tão bem nos ensina Santa Teresa de Calcutá, nas feridas de pessoas concretas e reconhecê-las como presença de Deus, para não as reduzir a números nem a meios…

Um risco inverso, fazer da Igreja uma entidade espiritual, desfazendo-se dos bens que tem e dos organismos que os gerem para ajudar os pobres, esquecendo que é através desses mesmos organismos que pode intervir. Quando o Papa Francisco manda colocar chuveiros públicos no Vaticano para os sem-abrigo, não se pense que os chuveiros e o trabalho caiu do céu e foi executado por anjos!

A Igreja não se pode remeter à sacristia. Mas também não pode ser apenas ONG. A Cruz obriga a ligar-se a Deus, verticalidade, sem deixar de abraçar a terra, as pessoas que a habitam, horizontalidade.

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2 – Como Igreja, depois da Morte e Ressurreição de Jesus, somos o Corpo de Cristo. Ele a Cabeça, nós os membros. Jesus não espiritualizou, como um fantasma. Encarnou. Assumiu um Corpo. Ele é Corpo, é pessoa, de carne e osso e sangue e pele. Veio habitar no meio de nós como um de nós, em tudo igual, exceto no pecado.

A nossa corporeidade (e assim a de Jesus) fixa-nos na terra, sujeitos às coordenadas do tempo e do espaço. Nascemos a um tempo e morremos. Vivemos num espaço, aqui e não acolá. A pele, a extremidade do nosso corpo, delimita-nos em relação aos outros e ao mundo. Mas também nos identifica: eu diferencio-me do outro. O que nos separa, o corpo, também nos permite comunicar e aproximar-nos.

A solenidade do Corpo de Cristo acentua a Sua presença na Igreja, em particular na Hóstia consagrada. O Seu corpo, melhor, a Sua vida oferecida por nós continua presente na história, nas nossas vidas. Ele está vivo e apareceu aos Apóstolos. Não é um espírito, é Jesus Crucificado-Ressuscitado. Aparece-nos também a nós, como foi da Sua vontade. Dando-nos o Espírito Santo que no-l’O dá sobretudo nos Sacramentes e de forma peculiar na Eucaristia.

Na Última Ceia, Jesus, antecipando a Sua morte e ressurreição, confia-nos o Seu corpo, a Sua vida. Isto é o Meu Corpo. Isto é o Meu sangue, entregue por vós, entregue por todos, para a todos redimir. Sempre que fizerdes isto em Minha memória Eu estarei no meio de vós. Como quem serve!

 

3 – «Eu sou o pão vivo descido do Céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que Eu hei de dar é a minha Carne, que Eu darei pela vida do mundo».

Na multiplicação dos pães, Jesus sublinha a abundância do alimento que nos vem de Deus. Quem O segue alimentar-se-á até à eternidade. Jesus terá oportunidade de fazer a ponte entre o alimento corporal, necessário, como direito fundamental, como apelo à partilha solidária, como obra de misericórdia, dar de comer a quem tem fome, como resposta à mendicidade de Jesus, o que fizerdes ao mais pequeno dos irmãos é a Mim que o fazeis, mas ao mesmo tempo, insiste que os Seus discípulos não devem buscar apenas o alimento que perece, mas o alimento que permanece para sempre e que os fará entrar na comunhão plena e definitiva na glória do Céu. Há que buscar o Reino de Deus e a sua justiça, o mais virá por acréscimo, pois quem busca o reino de Deus já se está a comprometer com a justiça.


Textos para a Eucaristia (A): Deut 8, 2-3. 14b-16a; Sl 147; 1 Cor 10, 16-17; Jo 6, 51-58.

 

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10
Jun 17
publicado por mpgpadre, às 17:00link do post | comentar |  O que é?

1 – Só o amor consegue unir sem destruir (Theilhard de Chardin). O grupo só é mau quando se fecha num círculo fechado, sectário, excludente. Deus chama-nos em povo e em povo nos salva. Jesus chama uns quantos, forma um grupo, o grupo dos 12. É um grupo heterogéneo, mas ainda assim restrito e, para quem vê de fora, um grupo esquisito. Jesus não desiste de nenhum; procura gerir os "egos", as discussões e os conflitos, que a seu tempo servem para balizar as dificuldades e para treinar o diálogo e a comunhão, integrando os dons de cada um.

Na oração sacerdotal, Jesus reza ao Pai para que aquele grupo, mas também os que a Ele vão aderir, se mantenham unidos. «Não rogo só por eles, mas também por aqueles que hão-de crer em mim, por meio da sua palavra, para que todos sejam um só, como Tu, Pai, estás em mim e Eu em ti» (Jo 17, 20-21). A oração é intercessão mas também desafio para os discípulos. Deus proverá a unidade dos discípulos de Jesus, mas estes terão que ser criativos e generosos para edificar a fraternidade em Cristo.

Ao longo do tempo, Jesus mostra que o caminho a seguir passa pelo amor, pela compaixão, pelo serviço. Quem quiser ser o maior terá de ser servo de todos. Por outro lado, não se pense que Jesus defende a anulação da personalidade de cada um. Desengane-se quem pensa assim. O grupo que O segue tem características muito distintas, que se mostram também no início da Igreja. Também nessa ocasião se verá que os temperamentos de cada um hão de ser temperados pela força do Espírito Santo, na oração comunitária. "Da discussão nasce a luz". Oração, reflexão partilhada, decisão!

O Apóstolo Paulo insistirá com as comunidades para que os dons sejam trabalhados a favor de todos: "Sede alegres, trabalhai pela vossa perfeição, animai-vos uns aos outros, tende os mesmos sentimentos, vivei em paz. E o Deus do amor e da paz estará convosco. Saudai-vos uns aos outros com o ósculo santo. Todos os santos vos saúdam. A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco».

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2 – Mais que esmiuçar o mistério da Santíssima Trindade, um só Deus em três Pessoas, importa viver num estilo trinitário. Em Deus prevalece o amor que gera vida e comunhão, sem atropelos. O Amor de Deus é tão imenso que extravasa e nos cria. É tão imenso que nos recria para termos vida abundante. Como recorda Jesus a Nicodemos, «Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito, para que todo o homem que acredita n’Ele não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele».


Textos para a Eucaristia (A): Ex 34, 4b-6. 8-9; Salmo: Dan 3, 52.53-54.55acd-56; 2 Cor 13, 11-13; Jo 3, 16-18.

 

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03
Jun 17
publicado por mpgpadre, às 15:20link do post | comentar |  O que é?

1 – «Se mandais o vosso espírito, retomam a vida e renovais a face da terra».

Só Deus é o Senhor da Vida. Ele a dá e a retoma e no-la devolve. «Como são grandes, Senhor, as vossas obras! A terra está cheia das vossas criaturas. Se lhes tirais o alento, morrem e voltam ao pó donde vieram. Se mandais o vosso espírito, retomam a vida». É o Espírito do Senhor que nos dá a vida.

Parafraseando o nosso Bispo, D. António Couto, na homilia do Crisma, em Tabuaço, é o Espírito de Deus que nos capacita para criar um mundo novo. Melhor do que o que está poderá ser ainda mau. É urgente criar um mundo novo, com o olhar cheio de Jesus, com o coração cheio do amor de Deus. A salvação já se deu, com a morte e ressurreição de Jesus. Cabe-nos transparecê-la, através das palavras e das obras, através do nosso compromisso sério uns com os outros, sob a dinâmica (ou o dinamite) do Espírito Santo.

É esse o dinamismo com que Jesus, no primeiro dia da semana, primeiro dia da Nova Criação, Se apresenta vivo no meio dos discípulos e Lhes comunica a paz, dando-lhes o Espírito Santo: «Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos».

O Espírito que recebemos é dinamismo que nos envia. A mensagem de Jesus é clara. A paz que Ele nos traz, a paz que nos dá, não é para nos adormecer, mas para nos comprometer. Recebei o Espírito e ide, perdoai. Como o Pai Me enviou também Eu vos envio a vós.

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2 – «Se mandais o vosso espírito, retomam a vida e renovais a face da terra».

O Espírito que nos renova, tornando-nos criaturas novas, envia-nos de imediato. Não é para amanhã. Não é para quando estivermos bem-dispostos. Não é para quando nos convém. Não é para quando as circunstâncias forem mais favoráveis. Não é para quando tivermos tempo e/ou disponibilidade. É para ontem. Hoje já é tarde. O Espírito Santo é fogo que arde em nós e nos preenche e nos provoca. A paz que Eu vos dou há de inquietar-vos até que a todos chega a vida, chegue a paz, chegue a Boa Nova da salvação.

 

3 – «Se mandais o vosso espírito, retomam a vida e renovais a face da terra».

A fraternidade constrói-se com o contributo de cada um. Não nos diluímos, desaparecendo, uns nos outros, mas somos diante e com os outros. Temos por fundamento e modelo a Santíssima Trindade: Um só Deus em Três Pessoas, comunhão perfeita de vida e de amor. Com efeito, somos um só Corpo, pois recebemos um só Espírito, todos fomos batizados na morte e na ressurreição de Jesus Cristo.

«Há diversidade de dons espirituais, mas o Espírito é o mesmo. Há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo». É Deus que opera em nós e cada um recebe d'Ele os dons, não para seu benefício, para em prol do bem comum. O corpo é um todo constituído por diversos membros. Também nós em Cristo, judeus e gregos, portugueses e chineses, somos um só Corpo.


Textos para a Eucaristia (A): Atos 2, 1-11; Sl 103; 1 Cor 12, 3b-7. 12-13; Jo 20, 19-23.

 

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27
Mai 17
publicado por mpgpadre, às 17:00link do post | comentar |  O que é?

1 – O envio final e decisivo de Jesus, faz referência à saída, ao movimento – ide; ao ensino – ensinai; à totalidade das pessoas – a todas a nações; à construção da comunidade dos crentes – batizai-as. «Ide e ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-as a cumprir tudo o que vos mandei. Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos».

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2 – São Lucas, no livro dos Atos dos Apóstolos e que nos tem sido servido como primeira leitura, faz-nos saborear com tempo o acontecimento único do mistério da redenção, morte e ressurreição/ascensão de Jesus.

Depois da Sua paixão, Jesus aparece vivo aos Apóstolos, durante 40 dias, isto é, todo o tempo necessário para os preparar para que, doravante, assumam eles a missão de anunciar o Evangelho. Jesus reaviva a promessa firmada no Pai: sereis batizados no Espírito Santo. Percebendo que Jesus vai partir, chegam as perguntas e a esperança: é agora que o Reino de Deus vai aparecer em todo o seu esplendor?

A resposta de Jesus é contundente: «Não vos compete saber os tempos ou os momentos que o Pai determinou com a sua autoridade; mas recebereis a força do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém e em toda a Judeia e na Samaria e até aos confins da terra». O importante não são as datas, mas o que cada um de nós pode fazer para tornar visível o reino de Deus. Recebe(re)mos o Espírito Santo para nos tornarmos testemunhas de Jesus em toda a parte, em todo o tempo, a todas as pessoas.

Percebe-se que depois da morte e ressurreição de Jesus, os apóstolos terão ficado mais ou menos de braços cruzados à espera que o reino de Deus se impusesse com estrondo. Deus impondo-Se ao mundo, destruindo-o e salvando aqueles que tinham aderido a Jesus Cristo. Relembra-nos São Lucas que Jesus, à vista deles e de nós, elevou-se para lá das nuvens, deixou de estar fisicamente visível. Pudemos então escutar a voz vinda do Céu: «Homens da Galileia, porque estais a olhar para o Céu? Esse Jesus, que do meio de vós foi elevado para o Céu, virá do mesmo modo que O vistes ir para o Céu».

 

3 – Não há tempo a perder, à espera que anoiteça ou faça sol, é tempo de partir e lançar as mãos ao arado e lavrar a terra. É tempo de abraçar a Cruz e levar a Luz a toda a gente. É tempo de deixar crescer em nós a semente plantada para que a Palavra frutifique abundantemente. Agora é a nossa vez. A missão é de Cristo. Mas através de nós, mantendo-se ligado pelo Espírito Santo que nos dá. Qual videira que alimenta os ramos para que deem fruto em abundância. Daremos tanto mais fruto quanto mais estivermos ligados a Jesus Cristo.


Textos para a Eucaristia (A): Atos 1, 1-11; Sl 46 (47); Ef 1, 17-23; Mt 28, 16-20.

 

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22
Mai 17
publicado por mpgpadre, às 10:22link do post | comentar |  O que é?

1 – «Se Me amardes, guardareis os meus mandamentos... Se alguém aceita os meus mandamentos e os cumpre, esse realmente Me ama. E quem Me ama será amado por meu Pai e Eu amá-lo-ei».

Jesus vai partir. Antes da partida, o Seu testamento. Amar, servir, dar a vida, permanecer. Ele não nos deixará órfãos. Permanecerá connosco, se permanecermos n'Ele. Vai partir, vai ser morto, mas ao terceiro dia ressuscitará. Irá para a Casa do Pai. Vai preparar-nos um lugar. Na Casa do Pai há muitas moradas. Precede-nos no tempo, preceder-nos-á na eternidade. Enquanto somos peregrinos, discípulos missionários, temos em nós o Espírito Santo Paráclito que o Pai nos envia em nome de Jesus. Ele estará connosco até ao fim dos tempos.

O mais importante na vida não se vê. A inteligência, os afetos, o amor, o que nos liga aos outros. É algo de intangível. Sabemos que amamos e somos amados, mas não vemos e, na maioria das vezes, não conseguimos explicar porquê, por que amamos esta pessoa e odiamos aqueloutra, por que alguém nos ama e aqueloutra nos odeia.

O Espírito que o Pai nos dá, através de Jesus Cristo, é Espírito de verdade. O mundo não O conhece, nem O vê. Mas nós, discípulos do Senhor, já O conhecemos. Como? Porquê? Porque Ele nos habita. Voltamos à dinâmica do amor: podemos não saber explicar, mas sabemos que esta pessoa nos ama, sabemos que amamos aquela pessoa!

Por outro lado, a separação física de alguém não implica o fim da ligação! Quando alguém se ausenta para trabalhar, quando os filhos vão para a universidade, quando o pai vai para o outro lado do mundo, a ligação acentua-se e a necessidade de comunicar é mais premente, utilizando-se hoje as redes sociais que permitem um contacto diário. Jesus não Se serve das tecnologias de comunicação, mas do Espírito Santo. Jesus permanecerá e ve-l'O-emos, porque Ele vive, pois estando no Pai está com todo aquele que O acolher.

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2 – A pessoa não é divisível. É corpo, alma e espírito. Dizemos que a pessoa é mais do que aquilo que come ou que veste, é mais do que aquilo que diz ou que faz. Por certo. Mas o que veste e sobretudo o que diz e o que faz revelam o seu carácter. Claro que não podemos julgar a pessoa por uma palavra ou por um gesto, pois a pessoa está (sempre) a crescer, a progredir, a peregrinar. Vai limando as imperfeições e superando as limitações, consciente que pode falhar, mas com a coragem de prosseguir. Só dessa forma realiza a vida.

A consistência da vida Jesus visualiza-se e concretiza-se no Seu dizer e no Seu fazer. O que diz e o que faz revelam-n'O como pessoa dócil e bondosa, preocupada com todos, empenhada em curar os que andam abatidos pelo cansaço, pela doença e pelo pecado. Há, como víamos na semana passada, continuidade entre o Filho e o Pai. Jesus, em tudo e em todos os momentos, procura transparecer, mostrar e realizar a vontade do Pai. Os discípulos devem agir da mesma forma.

A ligação é possível pelo cumprimento dos mandamentos, pela vivência das obras da misericórdia. Se fizerdes o que vos mando, permanecereis em Mim e Eu em vós, como Eu permaneço no Pai e o Pai em Mim. É também esse o melhor testemunho. As palavras que proferimos, as obras que realizamos, confirmam se amamos ou não amamos Jesus.

 

3 – Jesus morreu e ressuscitou. Ele vive e está no meio de nós, está connosco. Continua a agir na história, de um modo novo, através do Espírito Santo e com a nossa cooperação. Os discípulos completam a sua identidade ao tornarem-se também missionários, transparecendo a presença de Jesus.

As palavras de Filipe, na primeira leitura, são sancionadas pelos milagres que Deus continua a operar através dele, como Jesus lhes tinha prometido, «fareis obras maiores do que estas».


Textos para a Eucaristia (ano A): Atos 8, 5-8. 14-17; Sl 65 (66); 1 Pedro 3, 15-18; Jo 14, 15-21.

 

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29
Abr 17
publicado por mpgpadre, às 17:00link do post | comentar |  O que é?

1 – Dois dos discípulos regressam a casa, desencantados. Jesus vem e coloca-Se com eles a caminho. Primeiro momento. Jesus vem ao nosso encontro nas circunstâncias da nossa vida e todos os momentos são propícios. Há de haver um tempo que depende de nós reconhecê-l'O e acolhê-l'O ou ignorá-l'O.

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2 – Pelo caminho, Jesus vai-lhes explicando as Escrituras, preparando-os para o que está para vir, para O reconhecerem.

«Não tinha o Messias de sofrer tudo isso para entrar na sua glória?». A pergunta provocatória de Jesus, lança pontes para a Sua vida pública, em que tinha anunciado o sofrimento e a perseguição se prosseguisse com o seu programa de vida, denunciando a prepotência, a arrogância, o autoritarismo, a intolerância e optando pelos mais pobres, pelos excluídos, pelos mais pequeninos, pelos publicanos e pecadores, pelas mulheres e pelas crianças, incluindo, promovendo, devolvendo a dignidade perdida, revelando-lhes o amor de Deus, tratando-os como irmãos. Esta postura criou inveja, ciúme, gerou ódios que que viriam a custar-Lhe a vida. Como tinha previsto. Chegar à meta sem esforço e sem sacrifícios não é possível.

Jesus serve-se da Sagrada Escritura para lhes mostrar as intuições da Lei e dos Profetas no que ao Messias diz respeito. Aproximam-se da sua povoação e Jesus faz menção de seguir adiante. Ele vem até nós, mas não Se impõe, dá-nos a liberdade para O acolhermos, ou para O deixarmos prosseguir para outras bandas. Os discípulos de Emaús sentem-se impelidos a deixar que Ele permaneça: «Ficai connosco, porque o dia está a terminar e vem caindo a noite».

 

3 – Há momentos de dúvida, de hesitação e até de treva. Mas não desistamos. Deus manifesta-Se também na noite da nossa fé e da nossa vida. Assim no-lo garantem muitos santos. Jesus dá-nos uma sugestão para O encontrarmos: vendo e tocando as Suas chagas presentes nos irmãos. Quando cuidamos dos outros por amor a Jesus Cristo, a nossa fé exprime-se e amadurece, mesmo que com incertezas. A fé fortalece-se com o amor e cuidado aos outros.

Hoje Jesus mostra-nos outra forma de O reconhecermos. Pôs-se à mesa com eles, "tomou o pão, recitou a bênção, partiu-o e entregou-lho". Abrem-se os olhos, melhor, o entendimento e reconhecem-n’O. A fração do pão, da forma como Jesus no-lo dá, a Eucaristia, faz-nos irmãos, aproxima-nos, abre-nos a compreensão.

Jesus está no pão a partilhar e anunciar. Partem imediatamente. À Eucaristia levamos tudo o que arde cá dentro, os nossos projetos e angústias, os nossos sonhos e as nossas alegrias. A Eucaristia abre-nos os olhos e o coração e a vida e envia-nos em missão.

 

4 – A comunidade garante e fortalece a fé. Os dois discípulos regressam ao seio da comunidade, para testemunharem o encontro com Jesus e para escutarem e absorverem o testemunho dos outros discípulos. Também na dúvida, na incerteza, a comunidade dos crentes deve ser o espaço e o tempo em que descobrimos Jesus. Onde dois ou três estiverem reunidos em Meu nome estarei no meio deles.


Textos para a Eucaristia (ano A):  Atos 2, 14. 22-33; Sl 15 (16); 1 Pedro 1, 17-21; Lc 24, 13-35.

 

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22
Abr 17
publicado por mpgpadre, às 16:30link do post | comentar |  O que é?

1 – Na tarde daquele primeiro dia, Jesus apresenta-Se no MEIO deles. É Jesus que toma a iniciativa. Vem ao nosso encontro e assume o lugar que Lhe pertence. É assim que Ele Se coloca, é assim que devemos colocá-l'O se verdadeiramente queremos ser Seus discípulos. E, obviamente, se estamos voltados para Jesus, se Ele sustenta a nossa vida, começa então a comunhão com todos aqueles e aquelas que se voltam para Jesus e fazem d’Ele o centro.

A Ressurreição marca o início de um tempo novo, é o primeiro dia da nova criação, é o Dia por excelência em que nasce a Igreja, Corpo de Cristo. É nesse mesmo dia que Jesus aparece aos discípulos.

Oito dias depois, Jesus volta a encontrar-Se com os Seus discípulos, coloca-Se novamente no meio deles. No primeiro domingo, Tomé não estava, desta feita, no segundo domingo, já está em comunidade. É em comunidade que faz a experiência de encontro com Jesus. Os outros cumpriram a sua missão, contaram-lhe o que havia sucedido, mas Tomé precisa de tempo e de se deixar encontrar por Jesus. Nem todos temos o mesmo ritmo. Cada pessoa faz o seu caminho, mas se cada um se encaminhar para Cristo, n’Ele nos encontraremos.

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2 – Não, não é a Cruz que mata Jesus. Não, não é a Cruz que nos mata. Matam Jesus os nossos pecados, o nosso egoísmo; o que nos mata é a solidão, o colocar-nos como centro ou deixando que nos endeusem. O que nos mata é a preguiça em amar e fazer o bem. Mata Jesus a prepotência, a corrupção, a intolerância. Morremos, não quando o coração falha ou o cérebro se desliga, mas quando deixamos de amar, quando deixamos de sentir a vida e o apelo dos outros.

É na Cruz que Jesus é morto, mas nem a Cruz O impede de nos encontrar. Jesus não dá as costas à Cruz, enfrenta-a, carrega-a, mas não foge. Ressuscitado, traz na Sua carne, na Sua vida, as marcas da crucifixão. Vede as minhas mãos e o meu lado, Sou Eu, não temais. E de forma ainda mais incisiva a Tomé: vê, toca, as minhas chagas, Sou Eu, não é um fantasma ou um espírito.

A continuidade é no Corpo, na mensagem e no envio.

A descontinuidade é absoluta, é divina. A ressurreição é algo de novo, nunca visto, não faz parte da biologia humana. As aparições de Jesus geram alegria, mas também surpresa e temor. Aquele que vimos esmagado pelo sofrimento, agredido violentamente, obrigado a carregar o travessão da cruz, exausto pelas vergastadas e pela perda de sangue, pela desidratação, voltou à vida. Deus Pai, a Quem Se confiou, não O desapontou, ressuscitou-O. Ele vive e está no meio de nós.

 

3 – «Meu Senhor e Meu Deus». Confissão de fé tão breve e tão intensa e clarificadora. Não é preciso muito mais. Há momentos para os quais não encontramos palavras. É o que acontece com Tomé. Já tinha ouvido dizer... mas agora depara-se com Jesus e com as marcas da Paixão, com as marcas do amor. Quem se sujeita a amar, sujeita-se a padecer. O amor imenso e intenso de Jesus fazem-n'O assumir as nossas dores e levar ao Calvário os nossos sofrimentos, para nos redimir, para nos livrar da morte eterna.

Agora é a nossa vez. «Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos». Dou-vos a paz, deixo-vos a paz. Levai a paz a toda a criatura. Eu estarei convosco até ao fim dos tempos. Se passardes por momentos de dúvida e hesitação tocai as minhas feridas, as minhas chagas, então sabereis que Eu vivo. O que fizerdes ao mais pequeno dos meus irmãos, a Mim o fareis.


Textos para a Eucaristia (ano A):  Atos 2, 42-47; Sl 117 (118); 1 Ped 1, 3-9; Jo 20, 19-31.

 

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08
Abr 17
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

1 – O Domingo de Ramos remete-nos para o centro da nossa fé, com o mistério de entrega de Jesus a favor da humanidade inteira, logo a favor de cada um de nós, mistério de amor, de dádiva, de libertação, de resistência ao sofrimento, de priorização de Deus e da Sua vontade, de ousadia e de humildade, de perdão e de compaixão.

Entrada triunfal de Jesus na cidade santa de Jerusalém, montando num jumentinho. É o Príncipe da Paz, o filho de Deus, o Filho da Promessa. Não traz com Ele um exército, traz uma multidão desorganizada de maltrapilhos, pobres, galileus, adeptos, simpatizantes, discípulos, mulheres, publicanos. É uma multidão barulhenta, feliz, esperançosa. Aclamam, talvez, não a uma só voz ou na mesma direção, mas aclamam com júbilo, preparando-se exterior e interiormente para a Festa da Páscoa. Há rostos com lágrimas, há olhares apreensivos, há sorrisos rasgados e rostos fechados. Há quem esteja totalmente ali e quem esteja apenas por curiosidade, arrastados pelo ajuntamento.

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2 – A noite disfarça e esconde muita coisa. Depois da Ceia, Jesus sai com os discípulos para o Jardim das Oliveiras. A noite permite também o silêncio e, até certo ponto, o descanso. Mas não são horas para dormir, são horas de vigiar, de rezar com insistência. Pelo menos da parte de Jesus. Aproximam-se as trevas densas, tenebrosas, mas mais do que a falta de luminosidade exterior é a falta de luz nos corações. Quem não tem luz no coração vive mergulhado na morte.

Naquela hora, Jesus penetra o sofrimento mais atroz. O desfecho está à vista. Um pouco mais, e ainda escuro, na noite de Judas e das lideranças judaicas, será preso, julgado, condenado à morte. Resta pouco tempo. Alguns minutos, algumas horas, e o fim virá! Pai, Pai, Pai, se é possível que passe de Mim esta hora, que passe rápido que não aguento mais, ou passe adiante, porque é de mais, tanto sofrimento para um Homem só. Os gritos de Jesus levam os nossos gritos também. Pai, Pai, Pai, cumpra-se a Tua vontade. É mortal este caminho de entrega, é dom, mas é o caminho da salvação, a afirmação da verdade, da vida, da compaixão. São horas de levantar do sono, já se aproxima aquele que vai entregar o Filho do Homem.

 

3 – Em menos de nada, Jesus é condenado à morte, sem tempo para que alguém lance dúvidas ou ponderações. É açoitado, cuspido, injuriado, escarnecido. Colocam-se uma coroa, de espinhos, que se espetam na carne. Põem-Lhe aos ombros a trave da cruz. Pesada a cruz, difícil o caminho, fisicamente Jesus vai ficando esgotado.

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4 – Entre apupos, sobe a encosta do calvário, a arrastar-se, faz das tripas coração, das fraquezas forças. Os açoites violentos fizeram com que perdesse muito sangue, ficando em carne viva quase por todo o corpo, com músculos gravemente feridos. Segue mais morto que vivo. Mas avança decidido conforme as forças Lhe permitem. E se arrastam um Simão para ajudar a Cruz é por alguma compaixão ou simplesmente para apressar o desfecho, pois também os soldados veem que Jesus já não pode mais. Os amigos vão ficando para trás, escondendo-se entre a multidão e só as mulheres O seguem de perto, com Maria, Sua Mãe, no Seu encalço.

Completamente esgotado, a respirar a custo e ainda assim não O deixam sossegado, recebendo mais injúrias. A Sua oração ao Pai respira este aparente abandono – «Meu Deus, meu Deus, porque Me abandonastes?». É o início do longo Salmo que termina confiando, entregando-se e suplicando a Deus. «Mas Vós, Senhor, não Vos afasteis de mim, sois a minha força, apressai-Vos a socorrer-me».


Textos (ano A): (Ramos:) Mt 21, 1-11 (Ramos); Is 50, 4-7; Sl 21 (22); Filip 2, 6-11; Mt 26, 14 – 27, 66.

 

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18
Mar 17
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

1 – «Dá-Me de beber». Junto ao poço de Sicar, Jesus encontra uma Mulher, samaritana. Judeus e samaritanos não se davam. Jesus não deixa que a nacionalidade seja um impedimento para lhe pedir água, ainda que ela se admire por tal atrevimento. Jesus prossegue: «Se conhecesses o dom de Deus e quem é Aquele que te diz: ‘Dá-Me de beber’, tu é que Lhe pedirias e Ele te daria água viva».

Mas como é possível tirar água de um poço fundo sem um balde? Dá que pensar! Será que está bom da cabeça? Será Ele maior que Jacob? Porém, Jesus não despega e reafirma o DOM: «Todo aquele que bebe desta água voltará a ter sede. Mas aquele que beber da água que Eu lhe der nunca mais terá sede: a água que Eu lhe der tornar-se-á nele uma nascente que jorra para a vida eterna».

Como um de nós, a Samaritana entrevê uma oportunidade: «Senhor, dá-me dessa água, para que eu não sinta mais sede e não tenha de vir aqui buscá-la». A Samaritana está fixa numa necessidade básica, urgente e fundamental, mas biológica. Jesus deu um passo em frente, está a falar de sentido e de uma saciedade que nos humaniza, nos apazigua e, simultaneamente, nos compromete com os outros. A água recebida, como todo o dom, é água partilhável. Assim a vida. Recebeste de graça, dai de graça!

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2 – O diálogo continua e apercebemo-nos que Jesus entra na nossa vida sem invadir a nossa liberdade. Propõe-nos um caminho de felicidade, vida abundante, abertura aos outros, compromisso e "obediência" (= escuta) a Deus, por forma a garantir que os outros são DOM e não são dispensáveis.

A Samaritana é uma mulher insaciável. Que fazer quando estamos insatisfeitos com a nossa vida? Enfartamo-nos ou vamos às compras. Preenchemos tempo e alguns vazios que nos esgotam. Esta mulher não está bem com a vida que leva. Nada a satisfaz. A sua sede fá-la perder-se com as pessoas.

Jesus não assume uma atitude invasiva. Não há n'Ele palavras recriminatórias, tão-somente uma constatação que resulta da escuta, da atenção, do Seu cuidado para com esta mulher. Jesus não lhe pergunta pelos pecados, pergunta-lhe pela vida e pelo sentido da vida. Para Jesus, o caminho da felicidade passa pela adoração, em espírito e verdade, a adoração de Deus que é Pai. Não há fronteiras, há opções. Não há privilegiados, há pessoas que abrem o seu coração a Deus!

 

3 – O verdadeiro encontro com Jesus realiza a conversão, a mudança de vida. A mulher sai transformada da presença de Jesus. Disponível para dar testemunho. Com efeito, parte e vai à cidade anunciar o Messias: «Ele disse-me tudo o que eu fiz». A conversão faz-se a partir do anúncio e do testemunho recebido, mas só se torna decisivo no encontro com Jesus. Muitos vierem ao Seu encontro, com sede própria e pediram-Lhe que ficasse algum tempo. Jesus fica com eles durante dois dias. No final o testemunho deste encontro transformador: «Já não é por causa das tuas palavras que acreditamos. Nós próprios ouvimos e sabemos que Ele é realmente o Salvador do mundo».

E nós? Que transformações se operam na nossa vida no encontro com Jesus? Há diferenças na minha, na tua, na nossa vida por sermos cristãos? Experimentamos a alegria de pertencermos a Cristo? Anunciamos Jesus aos outros ou guardamos a fé só para nós?

Quem se aproxima de Jesus é iluminado pelo Seu olhar, pelo Seu amor. E quando alguém se aproxima de nós, pressente a presença de Deus, a Sua luz e o Seu amor? Ou somos velas já sem chama?


Textos para a Eucaristia (A): Ex 17, 3-7; Sl 94 (95); Rom 5, 1-2. 5-8; Jo 4, 5-42.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

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25
Fev 17
publicado por mpgpadre, às 19:08link do post | comentar |  O que é?

1 – Atravessamos ainda uma crise económico-financeira, sem fim à vista, pressupondo uma outra crise, de valores e de opções pela vida, pelas pessoas, pela dignidade humana.

Como tem alertado o Papa Francisco, as pessoas, na sua fragilidade, tornam-se descartáveis a partir do momento em que nos colocam dificuldades, nos incomodam e "atrasam" a nossa vida, desde as crianças não nascidas até aos idosos esquecidos como capotes nos bengaleiros durante a primavera e verão; doentes e pessoas com deficiência passíveis de serem enquadrados em leis que "resolvam" o seu sofrimento; os refugiados e os medos ancestrais que tornem mais difícil a nossa vida e mais débil a nossa segurança, no meio do poderio económico e financeiro que estrangula pessoas, famílias e pequenas e médias empresas. Percentagens, lucros, precariedade no emprego e no trabalho, mão-de-obra barata ou escravizável, maior produtividade, olhando para números e abdicando das pessoas.

O Bispo de Fátima, em reunião com os hoteleiros, na proximidade da Visita Apostólica do Papa Francisco a Fátima, pediu-lhes que fizessem de Fátima uma "casa de acolhimento, de ternura e de festa" e praticassem preços honestos, evitando inflações exageradas.

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2 – Contextualizamos o Evangelho com estas duas situações: a crise económico-financeira e a elevada inflação do comércio, da restauração e da hotelaria, em Fátima e nos arredores, por ocasião da Visita do Papa Francisco.

Na Montanha soam claras a palavras de Jesus: «Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro». Claro como a água. E continua Jesus: «Não vos preocupeis, quanto à vossa vida, com o que haveis de comer, nem, quanto ao vosso corpo, com o que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento e o corpo mais do que o vestuário? Olhai para as aves do céu: não semeiam nem ceifam nem recolhem em celeiros; o vosso Pai celeste as sustenta. Não valeis vós muito mais do que elas?»

Por momentos ficamos estupefactos! Como? Optamos pela ociosidade à espera que outros trabalhem para nós, à espera que a comida e o mais caiam do Céu? Deus vestir-nos-á? Alimentar-nos-á? Ou vamos andar todos nus como os homens das cavernas?

Em nenhuma parte do Evangelho ouvimos Jesus a apelar à irresponsabilidade, à demissão, à ociosidade e à preguiça! Nem pouco mais ou menos. Entre outras expressões podemos ouvi-lo: dai-lhes vós de comer! Aquando das tentações, Jesus recusa-Se a transformar as pedras em pão, deixando claro que o pão é fruto do trabalho honesto e esforçado. Em todo o caso, o pão não é um fim em si mesmo! O dinheiro não é um fim em si mesmo! Os bens materiais não são um bem em si mesmo! O bem é a pessoa e todas as pessoas. O dinheiro, o trabalho, a riqueza, os bens materiais são um meio para que as pessoas vivam melhor, mais harmoniosamente, devem ser meios para aproximar, não para dividir. O que divide é diabólico. Muitas vezes o dinheiro, a riqueza, os bens materiais, as heranças, dividem, diabolizam as pessoas e as famílias, geram guerras e disputas, conflitos e retiram a saúde e o discernimento.

No mundo em que vivemos e da forma como a sociedade está organizada precisamos de dinheiro, de bens materiais para vivermos com dignidade. O acesso à cultura e à educação, aos bens de consumo e à saúde, só são possíveis com dinheiro. É possível que algumas amizades também sejam influenciadas pelo estatuto socioeconómico. Mas o decisivo são as amizades puras, a saúde ou os cuidados e a atenção na doença, a família, a paz. O que nos torna humanos são os afetos, a ligação aos outros. O mais importante para Deus são as pessoas.

E assim deve ser também para nós...


Textos para a Eucaristia (A): Sir 15, 16-21 (15-20); Sl 118 (119); 1 Cor 2, 6-10; Mt 5, 17-37.

 

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11
Fev 17
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

1 – Jesus ainda não desceu. Não desçamos nós também. Mantenhamo-nos junto d'Ele, na montanha, a escutá-l'O para O seguirmos, para procuramos sintonizar-nos o mais possível. A multidão permanece. Os discípulos continuam sentados, na primeira fila, para não perderem nada e absorverem cada palavra, cada nuance, cada conselho.

Hoje é connosco, permanecer junto a Jesus, escutá-l'O, apreender a Sua mensagem e captá-la para as circunstâncias atuais. Quando mais próximos, mais aptos a IR e anunciar a Boa Nova a toda a criatura. Nisto consiste precisamente o sermos discípulos missionários. Não é possível separar as águas. Só os discípulos são missionários. Só sendo missionários permanecemos como discípulos.

Na linguagem como na vida, Jesus apresenta-Se dócil, próximo, a favor dos mais desfavorecidos e da integração de todos no Reino de Deus. Cada pessoa conta. Cada um de nós é assumido como irmão, filho bem-amado do Pai. Jesus não vem para derrubar o bem que existe, mas para desfazer os muros da incompreensão, do egoísmo, da intolerância, da violência, e contruir pontes e laços de entreajuda, de comunhão e de fraternidade.

Na montanha, perto de Deus, para que ao descer para a cidade, para a povoação, seja Deus que Se traz, Se anuncia e Se dá aos outros.

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2 – «Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim revogar, mas completar».

A lei do amor não torna mais fácil a nossa vida. Jesus não revoga os preceitos da Lei de Moisés. Não tem o propósito de facilitar, mas de aperfeiçoar, plenizar. Jesus é a Carne viva da Lei, o Corpo e a Vida. Mas a carne, o corpo e a vida são delicados e temos que os tratar como tal, com delicadeza e cuidado, prestando a máxima atenção para não ferir, não magoar, para não danificar. Quando cuidamos da carne do outro, do seu corpo e da sua vida, estamos a entrar no seu mundo, estamos a reconhecê-lo como parte essencial do nosso mundo. Quando tocamos as feridas e as chagas do outro, como nos lembra a Santa Teresa de Calcutá, tocamos os ferimentos de Jesus.

Não precisamos de leis nem de regras, desde que amemos de todo o coração! Por certo! Como diria Santo Agostinho, ama e faz o que quiseres! Só que quem ama cuida, sofre, ampara, acolhe, serve, acarinha, gasta-se, respeita, dá-se, entrega-se. A não ser que amar seja apenas uma palavra dita da boca para fora e gasta pelo muito e/ou mau uso da mesma. A não ser que amar seja apenas gozar, sentir prazer, tirar proveito do outro, servir-se do outro enquanto é útil e satisfazer os próprios interesses e caprichos. Amar exige muito de mim. Exige tudo. Não se ama a meio termo, a meio gás, com condições ou reservas. Ou se ama ou não se ama. Amar muito já está dentro do amar. Amar exige tudo de mim e de ti. Exige que gastemos as forças, o corpo e o espírito a favor do outro, de quem, pelo amor, me faço próximo, me faço irmão. Amar é dar a vida. É gastar a vida. É confiar ao outro a própria vida. Foi isso que Jesus fez connosco, comigo e contigo, com a humanidade inteira. Por amor, gastou-Se até à última gota de sangue.

As suas palavras entram-nos pelos ouvidos dentro até chegarem ao coração. Outrora poderíamos ainda ter desculpas, não saber, estarmos a caminhar e a amadurecer. Mas agora é tempo de viver, de amar e servir. «Se a vossa justiça não superar a dos escribas e fariseus, não entrareis no reino dos Céus». Se vos preocupais apenas com os mínimos garantidos não servis o reino de Deus, que exige o máximo.

 

3 – As últimas palavras do Evangelho para este domingo deixam claro que a nossa «linguagem deve ser: ‘Sim, sim; não, não’. O que passa disto vem do Maligno». A linguagem e a vida, as palavras e os gestos, as respostas e as obras. Clareza, verdade, serviço, amor.


Textos para a Eucaristia (A): Sir 15, 16-21 (15-20); Sl 118 (119); 1 Cor 2, 6-10; Mt 5, 17-37.

 

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04
Fev 17
publicado por mpgpadre, às 16:20link do post | comentar |  O que é?

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No cimo do monte, diante dos discípulos e da multidão, Jesus continua a ensinar. O Sermão da Montanha, que inicia com as Bem-aventuranças, como escutámos na semana passada, continua com este desafio de Jesus. Como o sal na comida, com o seu tempero e a sua força! Como a luz que se acende e pela qual se vela para que ilumine toda a casa e a vida toda. O sal tem uma missão importante: salgar, temperar, transparecer o sabor dos alimentos. A luz tem uma missão essencial: iluminar, guiar, mostrar o caminho e os seus obstáculos.

Aproximemo-nos. Não fiquemos à distância. Há uma multidão que se junta a Jesus, no alto da montanha. À frente estão os discípulos. Jesus fala sobretudo para os discípulos, os que estão mais perto. Imaginamos que não havendo qualquer sistema de som (portátil) a voz de Jesus se perca à medida do distanciamento das pessoas. Quem está à frente não perde pitada do que Ele diz. Escutemos com atenção, é para nós que o Mestre da Docilidade está a falar: «Vós sois o sal da terra... Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte; nem se acende uma lâmpada para a colocar debaixo do alqueire, mas sobre o candelabro, onde brilha para todos os que estão em casa. Assim deve brilhar a vossa luz diante dos homens, para que, vendo as vossas boas obras, glorifiquem o vosso Pai que está nos Céus».

Podemos perguntar: como sermos sal da terra e luz do mundo? A resposta é dada por Jesus: praticar boas obras. Fazendo o bem, promovendo a paz, lutando pela justiça, comprometendo-nos solidariamente com os outros, cuidando dos mais frágeis, incluindo os distantes, saciando os famintos e os sedentos, devolvendo a alegria aos que andam cansados e abatidos, libertando os oprimidos, dando guarida aos peregrinos, aos estrangeiros, aos que se sentem estranhos. Numa palavra, agindo do mesmo jeito de Jesus que veio como Aquele que serve, gastando a Sua vida para que nós tenhamos vida abundante.


Textos para a Eucaristia (A): Is 58, 7-10; Sl 111 (112); 1 Cor 2, 1-5; Mt 5, 13-16.

 

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28
Jan 17
publicado por mpgpadre, às 22:00link do post | comentar |  O que é?

1 – As Bem-Aventuranças constituem uma das páginas mais belas, mais conhecidas e refletidas do Evangelho. O essencial da mensagem de Jesus: o serviço, a compaixão, a ternura, o perdão. Jesus está onde pulsa a vida. Faz-Se um de nós, um connosco. Com Ele ninguém está a mais. Com Ele, as margens tendem a fluir para o centro e a encontrar o caminho!

Bem-aventurados os pobres em espírito, os humildes, os que choram, os que têm fome e sede de justiça, os misericordiosos, os puros de coração, os que promovem a paz, os que sofrem perseguição por amor da justiça... porque deles é o reino dos Céus... Este não está sujeito à usurpação pelo dinheiro, pela violência, pelo poder. É dom de Deus. O mundo constrói-se pelo amor, pelo serviço, pela persistência, pela justiça e pela verdade. É daqueles que não desistem de fazer o bem, de procurar o melhor para todos, de darem as mãos e o coração e construírem pontes. O reino de Deus é daqueles que não se deixam abater pela maledicência, pela perseguição, pelo poder e respondem com bondade, com serviço e docilidade.

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2 – Desengane-se quem pense que Jesus sanciona, aqui ou em qualquer lugar do evangelho, a miséria ou as injustiças. Pelo contrário, também aqui lança um forte grito de denúncia para quem humilha, violenta, agride, pois deles não será o Reino dos Céus.

Quem entre vós quiser ser o maior seja o servo de todos. Eu não vim para ser servido mas para servir e dar a vida por todos. O que fizerdes ao mais pequeno dos meus irmãos é a Mim que o fazeis. Os pobres, os injustiçados, os que vivem à margem são um desafio à compaixão. Para O imitar, para O seguir, não podemos manter-nos à distância, alheados dos sofrimentos dos nossos irmãos. Somos responsáveis uns pelos outros, desde sempre, em todas as situações. Deus perguntar-nos-á pelos nossos irmãos, como perguntou a Caim sobre o seu irmão Abel. Pedir-nos-á contas pelo destino dos outros.

 

3 – Fiz-me tudo para todos, para ganhar alguns para Cristo. Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim. Para mim viver é Cristo. São Paulo, aguerrido perseguidor, torna-se fervoroso seguidor. Há muito que estava muito perto de Jesus. Tão perto que nem se apercebeu que já O respirava, já vivia em função d'Ele e das obras que ia Ele realizando através dos apóstolos. Percebeu que segui-l'O era a sua salvação e a razão maior para a sua vida.

Dentro da comunidade havia partidários de Pedro e de Paulo, de Apolo e de Cristo, como víamos na semana passada. O Apóstolo relembra-lhes que não há nada além de Cristo.

Hoje clarifica como Deus Se revela prevalentemente nos humildes e nos simples. «Não há muitos sábios, naturalmente falando, nem muitos influentes, nem muitos bem-nascidos». Com esta constatação, Paulo sublinha a missão daqueles que procuram viver o Evangelho com simplicidade de coração, dizendo claramente que «Deus escolheu o que é louco aos olhos do mundo para confundir os sábios; escolheu o que é fraco, para confundir o forte; escolheu o que é vil e desprezível, o que nada vale aos olhos do mundo, para reduzir a nada aquilo que vale, a fim de que nenhuma criatura se possa gloriar diante de Deus. É por Ele que vós estais em Cristo Jesus, o qual Se tornou para nós sabedoria de Deus, justiça, santidade e redenção».


Textos para a Eucaristia (A): Sof 2, 3; 3, 12-13; Sl 145 (146); 1 Cor 1, 26-31;Mt 5, 1-12a.

 

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21
Jan 17
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

1 – O ministério de Jesus e de João Batista não se contrapõe nem se justapõe. A mensagem de Jesus não recusa nem anula a mensagem de João, mas também não é sequencial. Entrelaçam-se. João prepara, dulcifica as mentes e os corações, adverte, desafia à conversão e à mudança de vida, para que um olhar renovado possa ver e reconhecer Aquele que há de vir da parte de Deus. Se o olhar é turvo, embaciado, não perceberá a presença de Deus no mundo e na história.

Jesus é novidade, pois é MAIS que o Messias esperado, o Rei prometido ou um qualquer Profeta. É o próprio filho de Deus, Deus connosco. Irrompe no tempo, para ser Um de nós. Vêm de Deus, é Filho de Deus, para nascer e crescer como filho do Homem e para caminhar connosco, confundindo-Se, propondo a Sua mensagem de amor e de perdão, convocando-nos, pelas palavras e pelos gestos, a vivermos como Ele, com compaixão e ternura, em lógica de serviço para gastarmos a vida inteira a favor dos outros.

A vida divina que chega a nós, por Jesus Cristo, é um projeto que nos impele a imitar a Trindade santíssima, deixando que seja o amor a circular nas nossas veias, no nosso olhar, no nosso coração, na nossa vida. Mais, a vida divina, em Jesus Cristo, já está entrelaçada na vida humana. A comunidade que somos chamados a formar já tem vida onde se agarrar, para crescer, já tem onde afundar as suas raízes.

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2 – Ao ser batizado por João no rio Jordão, como víamos na semana passada, Jesus assume publicamente a Sua missão de anunciar o Evangelho. Porém, segundo nos revela São Marcos, só depois da prisão de João Batista é que Jesus altera em definitivo e mais claramente a sua ação, retirando-Se para a Galileia. Deixa Nazaré e vai viver em Cafarnaum, terra à beira-mar. Se por um lado, a missão de Jesus não se sobrepõe à de João Batista, por outro lado, insere-se na mesma história da salvação. O elemento novo, que marca uma rutura de qualidade, é o facto de Jesus ser o Profeta por excelência, o próprio Filho do Deus Altíssimo, levando à plenitude o tempo e a história, inaugurando, em definitivo, um reino para Deus. «O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz; para aqueles que habitavam na sombria região da morte, uma luz se levantou».

Jesus é a luz que nos liberta de tudo o que nos oprime, inunda as trevas com a Sua presença, revitaliza os ossos ressequidos e potencia os sonhos de um mundo melhor, mais humano, mais fraterno.

Conta comigo e contigo. Conta connosco. Não faz nada sozinho. Não Se impõe a partir do alto. Não emite uma ordem mantendo-Se à distância. Abaixa-Se. Coloca-Se ao meu nível, ao teu nível. Faz-Se do nosso tamanho. E, por conseguinte, nos chama, nos desafia e nos envia. «Vinde e segui-Me e farei de vós pescadores de homens».

Simão Pedro e André, João e Tiago escutam o Seu chamamento e deixam as redes, deixam o que estavam a fazer para se tornarem, com Ele, pescadores de homens. Logo O seguem no anúncio do Evangelho, pela Galileia, proclamando a salvação, curando as enfermidades e as doenças entre o povo.

E nós, como respondemos ao chamamento de Jesus? Largamos as redes e as amarras que nos prendem aos preconceitos, ao conforto, ao nosso cantinho? Ou tornamo-nos discípulos missionários, acolhendo Jesus em todas as circunstâncias e levando-O a todos?

 

3 – O Apóstolo São Paulo sublinha a primazia de Jesus Cristo. Uma primazia totalizante. Vem primeiro, mas é também a referência e a meta de toda a evangelização… se Deus é Pai de todos, e todos somos irmãos em Cristo Jesus, não faz sentido haver contendas e ruturas. «Rogo-vos, pelo nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, que faleis todos a mesma linguagem e que não haja divisões entre vós, permanecendo bem unidos, no mesmo pensar e no mesmo agir».


Textos para a Eucaristia (A): Is 8, 23b – 9, 3 (9, 1-4); Sl 26 (27); 1 Cor 1, 10-13. 17; Mt 4, 12-23.

 

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14
Jan 17
publicado por mpgpadre, às 18:35link do post | comentar |  O que é?

1 – Um Paraíso! Onde? Quando?

Alguém ainda se lembra de um mundo em paz, a viver em harmonia? Olhando para trás vemos lutas, guerras, genocídios, fratricídios, violência, escravização. Olhando para os lados, vemos agressões, corrupção, egoísmos que degeneram em ódios e vinganças, em invejas que destroem, assassinam, oprimem, agridem. Olhando para o futuro, com estes olhos que a terra há de comer, mais do mesmo: a violência que hoje semeamos dará fruto amanhã com mais violência.

Há 2.000 anos a ESPERANÇA ganhou um ROSTO: Jesus Cristo, Deus connosco, mensageiro da Paz, profeta da alegria, Messias da caridade, conselheiro da bênção, elo da fraternidade. Em Jesus, Deus faz-Se um de nós para nos transformar a partir de dentro. Não pela imposição, pelo poder, pela força, mas pelo amor, pela docilidade.

Naqueles dias, o mundo viu uma nova LUZ, que não se apaga, mesmo que a possamos abafar. João Batista testemunha e aponta para esta luz, que é Jesus, como Alguém que pode mudar a história, porque é o "Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo". E João explica porque vê n'Ele a salvação de Deus: «Eu vi o Espírito Santo descer do Céu como uma pomba e permanecer sobre Ele… Ora, eu vi e dou testemunho de que Ele é o Filho de Deus».

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2 – Jesus não é mais um profeta, ou um vendedor de sonhos ou um ilusionista! É o Filho de Deus. Vem de longe, da eternidade, faz-Se próximo, tão próximo que é um de nós, confundindo-Se, misturando-Se, escondendo-Se na humanidade! Por outro lado, revela-Se, mostra-Se, está ao alcance da nossa mão! Podemos vê-l'O, segui-l'O, amá-l'O, podemos persegui-l'O ou até matá-l'O!

Anuncia e inaugura um reino novo, inclusivo, um reino tão grande que tem lugar para todos. Não há ninguém a mais. Ninguém é dispensável. Ele quer salvar-nos a todos.

Jesus governa-nos pelo serviço, pela humildade, pela obediência. Alerta os seus discípulos dizendo-lhes que os chefes das nações discutem lugares e impõem-se pela força, pelo poder. Ao invés, o Seu poder assenta no serviço dócil e atento. Entre vós quem quiser se o maior seja o servo de todos, quem quiser ser o primeiro seja o último. Eu não vim para ser servido, mas para servir e dar a vida por todos.

«De mim está escrito no livro da Lei que faça a vossa vontade. Assim o quero, ó meu Deus, a vossa lei está no meu coração». Jesus vive na obediência filial e ensina-nos a percorrer o mesmo caminho. Obedecer significa escutar com atenção. Quem escuta com o coração, perscruta a vida do outro, com as suas necessidades e anseios. A lei de Jesus é o amor, que escuta, que acolhe, que envolve. O Seu alimento é fazer a vontade do Pai. Responde com amor ao amor do Pai. Obedecer é escutar. Escutar é estar atento e disponível para acolher o outro. Obedecer e escutar levam a amar e a servir. É a missão de Jesus e o propósito e caminho do cristão, de cada um de nós.

 

3 – Isaías visualiza e antecipa a missão do Messias, através de Quem se manifestará a Israel a glória de Deus. Mas não somente a Israel, às nações de toda a terra. O Servo de Deus há de tornar-se guia e luz: «Vou fazer de ti a luz das nações, para que a minha salvação chegue até aos confins da terra».

Com Jesus, a salvação está disponível para todos os povos. Para Ele não há fronteiras nem limitações. Todos são salváveis!


Textos para a Eucaristia (A): Is 49, 3. 5-6; Sl 39 (40); 1 Cor 1, 1-3; Jo 1, 29-34.

 

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