...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...
03
Fev 18
publicado por mpgpadre, às 19:36link do post | comentar | ver comentários (1) |  O que é?

1 – Em Cafarnaum, em dia de sábado, Jesus vai, como judeu praticante, à Sinagoga e aí expulsa de um homem um espírito impuro. Ficou então patente como a autoridade Jesus começa a ganhar forma, na coerência das palavras e dos gestos.

Agora é tempo de repousar e de se alimentar. Jesus, com Tiago e João, vai a casa de Simão e André. É na normalidade que Jesus continua a entrar na nossa vida. É na normalidade do tempo e da história que Jesus nos salva, nos interpela, nos pega pela mão e nos envia. Vive o sábado como qualquer judeu. Quase não se dá pela Sua presença. Mas vai-se percebendo a Sua delicadeza, a Sua docilidade. N'Ele começa a ver-se o poder e sobretudo o amor de Deus.

A sogra de Simão está de cama, com febre. Jesus faz o que está ao Seu alcance. Os gestos são ilustrativos: pega na mão da sogra de Pedro e levanta-a. É uma descrição muito sóbria, mas que diz muito. O gesto de Jesus é curativo, pois a febre desaparece e a sogra de Simão começa a servi-los. A cura não é somente em benefício próprio, mas em prol de todos.

V-to-B.jpg

 2 – Jesus não tem mãos a medir. Ao cair da tarde, já depois do sol-posto, trazem-lhes os doentes e os possessos e a cidade inteira vem postar-se diante da casa.

O dia foi vivido em família. Depois da ida à sinagoga, da oração comunitária, da escuta e meditação da palavra de Deus, a vivência à volta da mesa, evocando a bênção de Deus, descansando da semana de trabalho, falando das preocupações e dos projetos pessoais e familiares. Vislumbra-se, nesta informação de Marcos, que o sábado é sagrado, pois só no final do dia a multidão volta para se encontrar com Jesus. Mais à frente havemos de ver como Jesus lê o sábado e os outros dias como tempo permanente e oportuno para fazer o bem. Seja como for, no essencial, o respeito pelo dia do Senhor, para que Ele seja o Senhor dos dias, e em cada dia reconheçamos a Sua soberania e nos tratemos como iguais, como irmãos!

O Mestre da Bondade não deixa de atender às súplicas, curando as pessoas atormentadas por doenças e por demónios, que, sublinhe-se novamente, sabem quem Ele é e querem dar "testemunho" acerca d'Ele. Fica o desafio também para nós, com o Espírito Santo, infundido em nós pelo Batismo, sejamos testemunho, anúncio, vivência de Jesus Cristo, em todo o lado, em toda a parte!

 

3 – A constante da vida de Jesus é fazer a vontade do Pai.

Depois de um dia preenchido e do descanso noturno, bem cedo, Jesus levanta-se e sai para um lugar isolado para orar. A oração é o combustível que O faz viver. A ligação ao Pai é permanente. Ainda assim, a necessidade de fazer silêncio, de se retirar para um lugar tranquilo. Há tempo para tudo, não pode faltar tempo para a oração. Imaginemos que vamos de viagem, vamos com tanta pressa que não temos tempo para meter gasóleo no carro! Queiramos ou não, o carro acabará por parar! Assim a vida! Assim a fé. Assim a nossa vida como discípulos de Cristo. Se não nos alimentamos do combustível adequado, acabaremos por definhar.

Não podemos adivinhar o conteúdo da oração de Jesus! Talvez nem seja preciso! O importante é aquele espaço de tempo em que Se põe à escuta do coração e da vontade do Pai.

A chegada dos discípulos desperta-O: «Vamos a outros lugares, às povoações vizinhas, a fim de pregar aí também, porque foi para isso que Eu vim». E foram por toda a Galileia.


Textos para a Eucaristia (ano B): Job 7, 1-4. 6-7; Sl 146 (147); 1 Cor 9, 16-19. 22-23; Mc 1, 29-39.


27
Jan 18
publicado por mpgpadre, às 19:29link do post | comentar |  O que é?

1 – Jesus não nos quer pela rama, quere-nos com o que somos e com o que fazemos. Por conseguinte, também Ele não Se dá aos bocadinhos, a prestações, entrega-Se como nos quer, por inteiro, gastando-Se até à última gota de sangue. Não há meio-termo!

A nossa vida é um caminho nunca acabado. Enquanto vivemos, no tempo e na história, há sempre aspetos da nossa vida pessoal, familiar, profissional, em que podemos e devemos crescer, desenvolver as capacidades, fazer com que os dons e os talentos se multipliquem. Vivemos, se quisermos ser honestos, em dinâmica de conversão.

A encarnação de Cristo e a Sua vinda como Um de nós, tem como propósito salvar-nos integralmente, alma, corpo e espírito. O Seu ministério é um serviço de salvação completa, curando-nos das feridas corporais e espirituais, restaurando a nossa dignidade e identidade original, assumindo-nos como irmãos, filhos do mesmo Pai.

O povo que vivia nas trevas viu uma grande Luz. Jesus vem iluminar a vida. Passa pelo mundo fazendo o bem. Leva a Boa Nova aos pobres, cura os doentes, sara os leprosos, convive com os excluídos: pecadores e publicanos, crianças e mulheres de má vida, doentes e estrangeiros. Faz-Se acompanhar por um bando de maltrapilhos, sem excluir ninguém. Entre os Seus apóstolos contam-se pobres, assalariados; proprietários, como Tiago e João; alguns com mais cultura como Filipe que falava grego, ou bons gestores, como Judas Iscariotes. Os que primeiro se apaixonam por Jesus, pelas Suas palavras e proceder, são pessoas despretensiosas, simples, algumas delas magoadas pela vida, mas ainda assim prontas a confiar em Alguém que traz a Luz da proximidade, da compreensão, do perdão e do amor.

EvangelhoDia14012014.jpg

 2 – O Profeta da Alegria ensina com autoridade. Autoridade que Lhe vem do alto, pois faz o que viu fazer ao Pai e concretiza as obras do Pai, não tendo a preocupação de Se exibir. A autoridade firma-se na coerência das palavras e dos gestos. As palavras que profere são acompanhadas com gestos de libertação, acolhendo, abraçando, tocando as pessoas com marcas da doença, do pecado e da morte! Sem preconceitos! Sem receio de ser apontado ou contagiado pelo mal ou pela maldade, mas confiante em contagiar com o Seu amor e com a Sua bondade todos os que vai encontrando no caminho.

A vida não para. Jesus não para. Quer que todos conheçam o Seu Pai, para Se deixarem transformar, pelo cuidado e, por sua vez, se tornem cuidadores!

Chegou a Carfanaum. Não terá muito tempo para o descanso, mas também não vive na azáfama de "mudar" o mundo de uma só vez e de forma milagreira. No sábado seguinte entrou na sinagoga, concluindo-se que nada de extraordinário aconteceu nos dias anteriores. Algum sossego: Jesus está e quer estar connosco, na festa e na rotina, no nosso dia-a-dia, mesmo que passe impercetível. Mas está no meio de nós. Caminha connosco. Está tão embrenhado no mundo que até podemos não O reconhecer! E aí já se torna preocupante!

Na Sinagoga está um homem com um espírito impuro! Nada do outro mundo. Maior que todos os espíritos impuros ou que todos os demónios, é Jesus. Todo o poder e toda a glória Lhe foram dados no Céu e na Terra. Não temais, Eu venci o mundo! O filho do Homem derrotou o Príncipe das trevas! É uma garantia dada por Jesus e nós ainda andamos tão acabrunhados a pensar que os demónios têm mais poder que Jesus! Era o que mais faltava. Onde habita Cristo não há lugar para demónios, há lugar, isso sim, para a vida, para a luz, para o amor, para a paz, para o bem, ainda que haja sofrimentos e contrariedades, ainda haja hesitações e dúvidas. Deus é maior. Jesus é maior! Maior que qualquer espírito impuro! Maior pelo Amor!

 

3 – O testemunho do espírito impuro acerca de Jesus é eloquente: «Sei quem Tu és: o Santo de Deus». Ou seja, nem a "impureza" deve impedir o reconhecimento da grandeza de Deus. Nós que fomos resgatados pela água e pelo Espírito Santo, imersos no mistério da Sua morte e ressurreição, mais razões temos para testemunhar o Seu amor e o Seu perdão e as maravilhas que Ele realiza no mundo, contando comigo e contigo, contando com todos.


Textos para a Eucaristia (ano B): Deut 18, 15-20; Sl 94 (95); 1 Cor 7, 32-35; Mc 1, 21-28.

 


20
Jan 18
publicado por mpgpadre, às 15:49link do post | comentar |  O que é?

1 – Já todos ouvimos e/ou dissemos a alguém: tu és um troca-tintas, mudas de opinião como quem muda de camisa! Se somos nós a dizê-lo é porque nos sentimos incomodados com o outro, com as suas opiniões ou opções, porque não nos convém, porque nos provoca e desinstala (positiva ou negativamente). Se os outros o dizem de nós é porque não nos compreendem, é porque são conservadores e querem ficar sempre na cepa-torta ou são casmurros, pois não compreendem e não querem compreender, só porque discordámos deles ou as nossas escolhas os afetam (positiva ou negativamente).

Há um ditado oriental que diz que só não mudam os sábios e os burros. Como nenhum de nós está nesse extremo, e a tendência será a sabedoria do coração, estamos sempre a tempo de mudar, de alterar o rumo da nossa vida, de corrigir o caminho percorrido, de amadurecer as nossas convicções e as nossas escolhas. Com efeito, a verdadeira sabedoria leva-nos a considerar as nossas limitações e a assumir humildemente que estamos a caminho. Sempre poderemos aprender.

No plano da fé, a consciência que estamos a caminho, como peregrinos, é garantia para permitirmos a presença de Deus na nossa vida. Sede perfeitos como o Vosso Pai celeste é perfeito é um desafio permanente, nunca alcançável, que nos compromete a uma identificação progressivamente a Jesus Cristo e ao Seu mandamento de amor. Cabe-nos a inquietação de quem procura. Importa que nunca nos resignemos concluindo que tudo na nossa vida está realizado, como se a vida não tivesse mais nada para nos dar e nós não tivéssemos mais nada a dar à vida e aos outros! A humildade consiste precisamente nesta abertura à graça de Deus, a esta consciência que até à eternidade somos seres humanos, portanto, limitados, finitos, frágeis. Mas uma fragilidade que se abre para os outros e para Deus, engrandecendo-nos, irmanando-nos e humanizando-nos.

11.jpg 

2 – Uma pessoa sem convicções é como um barco à deriva, desliza ao sabor das marés. Ainda assim, as convicções podem ser amadurecidas, com diferentes variantes a serem alteradas, corrigidas, aperfeiçoadas. Sublinhe-se, todavia, que uma pessoa que tenha convicções e ideias bem definidas tem mais facilidade no diálogo com os outros, podendo acolher ideias e opções diferentes e até modificar as suas opções pela constatação do que sabe, pela abertura ao que vem dos outros e pela justeza das ideias defendidas. Não se pode pedir a alguém para mudar se ela não sabe onde está, não sabe o que quer, não sabe para onde vai! Então iria mudar o quê?

«Cumpriu-se o tempo e está próximo o reino de Deus. Arrependei-vos e acreditai no Evangelho». São as primeiras palavras de Jesus no evangelho de São Marcos, que nos informa que, depois da prisão de João Batista, Jesus parte para a Galileia e começa a proclamar o Reino de Deus. Jesus estaria pela Judeia, seguindo de perto o ministério do Precursor. Alguns estudiosos referem que Jesus integrava o grupo de seguidores e simpatizantes de João Batista, preparando-Se para assumir o Seu próprio caminho e ministério. Com a prisão de João, Jesus “sabe” que o Seu tempo chegou!

Pondo-nos à escuta da pregação e do ministério de João Batista percebemos como prepara e antecipa a missão de Jesus, com um apelo premente à conversão, à mudança de vida, ao arrependimento e à penitência. Assim é também o batismo que realiza, em contraponto com o batismo futuro que prevê com a chegada do Messias, um batismo novo, na água mas também no fogo e no Espírito Santo.

As palavras de Jesus não nos convocam para uma mudança de regime, de política, de ideologia, mas a mudarmos a própria vida, passando das trevas à luz, do pecado à santidade e ao compromisso com os irmãos, da indiferença à compaixão, da violência à ternura, do egoísmo ao amor e serviço ao próximo, do individualismo à comunhão, à partilha solidária, da vingança e da coscuvilhice à compreensão, ao perdão e à inclusão.


Textos para a Eucaristia (ano B): Jonas 3, 1-5. 10; Sl 24 (25); 1 Cor 7, 29-31; Mc 1, 14-20.

 


13
Jan 18
publicado por mpgpadre, às 19:01link do post | comentar | ver comentários (1) |  O que é?

1 – Jesus chama-nos mas não nos quer de qualquer maneira, quere-nos de corpo e alma. Aceita o nosso pecado e as nossas limitações, aceita-nos como somos, com as nossas dúvidas e hesitações, com os nossos falhanços e com os nossos esforços, compreende os nossos avanços e recuos, o nosso entusiasmo e o nosso medo, as nossas certezas e o nosso peregrinar por vezes titubeante, mas não nos quer pela rama, quere-nos envolvidos, mergulhados na Sua palavra, procurando, apesar de tudo, fazer o bem. Por conseguinte diz-nos ao que vem. Não faz campanha (eleitoral), não usa muito palavreado nem argumentos para nos levar a aderir à Sua mensagem.

Vinde ver! É a Sua resposta! Podia passar umas horas a explicar a razão e a importância do seguimento! Jesus sabe que mais facilmente imitamos comportamentos do que seguimos conselhos, então nada melhor do que ver como Ele vive, como gasta o Seu tempo, como reage às diferentes situações da vida. O apóstolo só o é verdadeiramente se for discípulo, se se mantiver perto do Mestre, pela oração, pela imitação da Sua postura: Vai e faz tu também do mesmo modo.

1102014617_univ_lsr_xl.jpg

2 – Para seguir Jesus não bastam algumas informações sobre Ele, mas mergulhar a nossa vida na Sua vida. Luminosa, a propósito, a Boneca de Sal, uma fábula de Anthony de Mello.

Era uma boneca feita de sal. O seu maior sonho era ver o mar. Ficava dias e noites embrenhada nos pensamentos, tentando imaginar a imensidão e a beleza do grande oceano, sentindo uma grande nostalgia, a "saudade" de algo que conheceria apesar de tão longínquo: as suas raízes, a sua origem.

Um certo dia, decidiu partir. Foi uma busca árdua, saciando pontualmente a sua sede nas fontes e nos riachos, nos lagos e nos rios. Por fim chegou a um areal, uma praia à beira mar. Como era imenso e apelativo aquele mar! E como era misterioso! Parecia que a água salgada e o mar já a habitavam por dentro. Ali ficou, perdida em contemplação, e foi dialogando com o mar: Diz-me, quem és tu?

– Sou o mar.

– Mas o que é o mar?

– Sou eu!

– Explica-me melhor, por favor! Deixa-me perceber, deixa-me conhecer-te...

– É simples: toca-me.

A boneca, extasiada, mas um pouco a medo, avançou e deixou que os seus pequenos pés fossem acariciados pela areia, pela água, pela espuma esbranquiçada. E – surpresa! – começava a compreender qualquer coisa... Quando, porém, pôs os olhos no chão, apercebeu-se, assustada, que os seus pés haviam desaparecido. Protestou aflita: «Oh! Que fizeste tu? Onde estão os meus pés?» O mar replicou: «Porque choras? Apenas foi necessário ofereceres um pouco de ti para poderes compreender».

A boneca refletiu e serenou. Entendia um pouco mais. Então, decidida avançou. A água começou lentamente a cobrir partes do seu corpo que dolorosamente se desvaneciam. Quanto mais avançava mais profundamente compreendia, apesar de ainda não ser capaz de dizer o que era o mar. Uma outra vez inquiriu: «O que é o mar?»

Uma última onda arrebatou o que restava dela. E, precisamente, naquele derradeiro momento em que desaparecia na imensidão do mar, a boneca exclamou: Sou eu!

 

3 – Depois do batismo, Jesus passa a anunciar às claras a Boa Nova da presença de Deus no meio de nós. O Evangelho aponta, com João Batista, para Jesus: «Eis o Cordeiro de Deus».

Ouvindo João, os seus discípulos passam a seguir Jesus. Timidamente, perguntam-Lhe: Rabi, onde moras? Jesus não se demora numa explicação, mas faz-lhes uma proposta: Vinde ver. Eles foram e ficaram com Ele nesse dia. Conhecer Jesus implica habitar com Ele e deixar-se habitar por Ele, deixar que os Seus pensamentos, palavras e gestos se agarrem aos seus corpos e às suas vidas. E à nossa vida!

O encontro com Jesus desencadeia a missão. André vai chamar o seu irmão Simão. O encontro com Jesus é essencial para o seguimento, deixando-se fitar por Ele, como aconteceu com Pedro: «Tu és Simão, filho de João. Chamar-te-ás Cefas». O chamamento não é para umas férias em casa de Jesus, mas é para entranhar a própria vida na Sua vida para depois O testemunhar e transparecer.


Textos para a Eucaristia (ano B): 1 Sam 3, 3b-10. 19; Sl 39 (40); 1 Cor 6, 13c-15a. 17-20; Jo 1, 35-42.


06
Jan 18
publicado por mpgpadre, às 20:02link do post | comentar |  O que é?

1 – Do Oriente, diz-nos Mateus, chegam a Jerusalém uns Magos, por ocasião do nascimento de Jesus em Belém da Judeia. «Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-l’O». A pergunta é acompanhada de um propósito: adorar Aquele que nasceu.

Vêm de onde? Do Oriente, isto é, de todo o mundo. Só se conheciam povos a Oriente; a Ocidente, água e mar. Por conseguinte, os Magos foram adquirindo ao longo do tempo nomes e cor de pele diferente, para significar/representar as nações do mundo inteiro.

Quantos eram? A tradição mais popular popularizou-os em três, a conta que Deus fez. Porém, o Evangelho só se refere a Magos! Serão dois? Serão três? Quatro? Talvez! Ou cinco ou seis, eu e tu também queremos estar lá para adorar o Senhor Jesus!

Quem são os Magos? Eu e tu? Podemos ser todos! São Reis ou são Magos? São sábios! Hoje seriam os homens da ciência e da cultura. Jesus veio para os pastores! Veio para mim e para ti. Veio para os Magos! Veio por mim, por ti e por todos e todos somos convidados a adorá-l'O, reconhecendo-O como Deus, para nos reconhecermos iguais e caminharmos fraternalmente. Os Reis ficam descansados, fartos, acomodados no Palácio! Os magos são buscadores da luz e da verdade! No final, é um Rei que encontram! Mas um Rei-Menino, pobre, simples, Deus, despojado, sem ouro nem adornos.

Que presentes dar? O melhor que têm! Ouro, Incenso e Mirra. Divindade, Realeza, Humanidade. Reconhecimento do mistério que se desvela e se esconde n'Aquela criança. O facto de serem três presentes, levou a tradição a considerar que os magos eram tantos quantos os presentes que deram a Jesus! Talvez tenhamos que colocar aos pés do Menino-Deus mais alguns presentes para lá cabermos também nós: o nosso olhar, o nosso coração, a nossa vida! A minha e a tua!

Na Eucaristia rezamos para que seja Ele o nosso presente: «Olhai com bondade, Senhor, para os dons da vossa Igreja, que não Vos oferece ouro, incenso e mirra, mas Aquele que por estes dons é manifestado, imolado e oferecido em alimento, Jesus Cristo».

adoracao dos magos -  Francesco Bassano - 1567-69.

2 – O encontro com Jesus provoca alegria. Com efeito, quando a estrela «parou sobre o lugar onde estava o Menino, sentiram grande alegria. Entraram na casa, viram o Menino com Maria, sua Mãe, e, prostrando-se diante d’Ele, adoraram-n’O. Depois, abrindo os seus tesouros, ofereceram-Lhe presentes: ouro, incenso e mirra».

 

3 – A vinda de Jesus ao mundo é para todos. Para mim e para ti! Certamente! Mas também para ele! Para aqueles que estão perto e para aqueles que estão longe! O desafio papal em colocar a Igreja em rota de saída, de evangelização, indo às periferias (não apenas geográficas, mas sobretudo) existenciais recorda-nos que Jesus veio para todos e a todos deve ser anunciado.

 

4 – O encontro com Jesus provoca a mudança de rumo. O encontro dos Magos com Jesus muda as suas vidas. A alegria do encontro deixo-os prostrados em adoração. Quando regressam às suas terras, regressam por outro caminho, percebendo que não podem voltar aos mesmos lugares. Num primeiro plano, não podem regressar ao palácio, pois Herodes tem o propósito de matar o Menino. Num plano mais abrangente, o encontro é de tal forma luminoso e redentor que a vida nunca será como dantes. A Luz que os guiou está mais viva, mais dentro, levá-los-á mais longe! Há que rasgar novos horizontes, novas vias, estradas e avenidas!

Predisponhamo-nos a seguir a Estrela de Belém, a seguir a Luz que é Jesus e a deixarmo-nos guiar por Ele. «Senhor Deus omnipotente, que neste dia revelastes o vosso Filho Unigénito aos gentios guiados por uma estrela, a nós que já Vos conhecemos pela fé levai-nos a contemplar face a face a vossa glória». E, uma vez inundados pela Luz de Jesus, deixemos que a luz passe para os outros.


Textos para a Eucaristia (ano B): Is 60, 1-6; Sl 71 (72); Ef 3, 2-3a, 5-6; Mt 2, 1-12.

 


31
Dez 17
publicado por mpgpadre, às 00:10link do post | comentar |  O que é?

1 – Iniciar um novo ano, cada nova etapa da vida, envolve-nos numa mistura de sentimentos entre o que se deixa para trás e o que poderá advir. De um ano ao outro são milésimas de segundo, hoje é dia 31 de dezembro de 2017 e um breve pestanejar e já é 1 de janeiro de 2018. Um movimento de expirar e inspirar o ar que nos permite viver. Um instante que se multiplicará, se Deus quiser, por milhares. Por dia, 23 mil movimentos de inspirar/expirar. 8 395 000 de um movimento impercetível, mas que nos fará viver mais um ano. Isso lembra-nos que a vida se vive e se resolve, na maioria das vezes, com o que é aparentemente insignificante! Um pormenor fará diferença, eu e tu podemos fazer a diferença neste mundo, acolhendo as bênçãos e os dons de Deus e deixando que Ele nos transfigure constantemente.

«Deus Se compadeça de nós e nos dê a sua bênção, resplandeça sobre nós a luz do seu rosto».

Santa Maria, Mãe de Deus.png

2 – No início de cada ano, o amor de uma Mãe, escolhida desde sempre para acolher a semente de um mundo novo, rejuvenescido pelo amor, pela bondade e pelo serviço solidário. Deus nunca Se afastou de nós e quando O rejeitámos Ele continuou a amar-nos. É-nos pedido que procedamos do mesmo modo uns para com os outros.

«Quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher e sujeito à Lei, para resgatar os que estavam sujeitos à Lei e nos tornar seus filhos adotivos».

A vinda de Jesus é a maior dádiva com que Deus nos brinda. É o Seu Presente para nós! Criou-nos por amor e por amor nos recria em Jesus Cristo, chamando-nos a uma vida pautada pela bondade, pela ternura e pelo amor, pela compaixão, pela partilha e pelo perdão.

Jesus ilumina as trevas mais densas, irradia vida, amor e bênção! É a promessa de Deus que se enraíza no mundo, na história, no tempo. Deus, em Jesus, faz-Se igual a nós. Abaixa-Se para viver como Um de nós, não para nos nivelar por baixo mas para nos elevar.

Ridolfo_Ghirlandaio_-_Adoration_of_the_Shepherds.j

3 – O Natal traz-nos a alegria pelo nascimento de Jesus, mas faz-nos também perceber a fragilidade da vida humana, a grandeza do amor de Deus que Se apequena para sincronizar connosco, irmana-nos fraternalmente com todos, a começar pelos mais pequenos, os pobres, os excluídos, as crianças, as mulheres descriminadas, os idosos esquecidos e relegados, os estrangeiros, os refugiados sem pátria e sem teto, os doentes e os presos, os desempregados, as pessoas portadoras de deficiência.

No Presépio adoramos o Deus-Menino. Um Deus-bebé força-nos a cair de joelhos. Como é possível que ali esteja a omnipotência de Deus?! É assim tão grande o Seu poder? Assim tão grande o Seu amor por nós? Só quem ama se encolhe, se abaixa, se humilha. Pensemos numa Mãe que corre mundos para interceder pelos filhos, sem se importar de importunar e de passar vexames. Tudo pelos filhinhos! Ai de alguém que toque nos seus filhos! Ai de alguém que não trate os seus filhos como deve ser! Há de levar para contar! Assim o nosso Deus que é Pai mas é mais Mãe (João Paulo I).

José e Maria ficam "babados" com o que se diz acerca do seu Menino. Os pastores, pessoas sem linhagem, sem nome, sem importância, simples e pobres, são os primeiros a perceber o que aconteceu, os primeiros a escutar a voz dos anjos e a encontrar Jesus numa manjedoura. Tornam-se adoradores e apóstolos: a Maria e a José levam as palavras de Deus acerca d'Aquele Menino, mas que outros escutam; saindo, continuam a louvar e glorificar a Deus.


Textos para a Eucaristia (ano B): Num 6, 22-27; Sl 66 (67); Gal 4, 4-7; Lc 2, 16-21.


30
Dez 17
publicado por mpgpadre, às 19:30link do post | comentar |  O que é?

1 – «Senhor, Pai santo, que na Sagrada Família nos destes um modelo de vida, concedei que, imitando as suas virtudes familiares e o seu espírito de caridade, possamos um dia reunir-nos na vossa casa para gozarmos as alegrias eternas».

No Seu amor imenso, Deus vem habitar connosco. Assume-nos por inteiro, nas nossas fragilidades e na nossa finitude. O nosso Deus, Deus de nossos Pais, Abraão, Isaac e Jacob, Moisés e David, o Deus que Se revela plenamente em Jesus, é um Deus de amor, que nos ama sem desistir de nós. Ama-nos como Pai e como Mãe. É este o mistério do Natal, expressão visível da Encarnação de Deus.

Deus criou-nos por amor, à Sua imagem e semelhança, capazes de amar e ser amados. Deus é Amor, Deus é família: Pai, Filho e Espírito Santo, comunidade de vida e amor.

Para entrar no mundo, Deus escolheu uma família humana. Jesus não é um extraterrestre, ou uma espécie de super-homem caído do espaço. Deus humaniza-Se, encarnando, por ação do Espírito Santo, no ventre virginal de Maria. Na normalidade da família de Jesus, Maria e José, Deus mostra-nos o caminho do amor que une e salva.

20120202-125201.jpg

2 – José e Maria são um casal jovem, judeus, descendentes da linhagem de David. Em Belém ou em Nazaré, ninguém dirá que Aquele Menino é Filho de Deus. Nada há de estranho na família de Jesus. Os Seus pais trabalham arduamente para terem o necessário para viverem com dignidade, participam na vida da comunidade, nas festas e nos lutos, entreajudam-se nos trabalhos do campo e da vinha, trocam saberes e bens que manufaturam segundo a arte de cada um.

Como praticantes judeus, completando-se os dias da purificação, Maria e José levam Jesus ao Templo de Jerusalém para O apresentarem ao Senhor, cumprindo as prescrições da Lei de Moisés. É um momento importante para os Pais, pois dessa forma confiam o seu filho a Deus e inserem-se na Aliança de Deus com o Seu povo.

No Templo, Maria e José vão escutar palavras promissoras acerca do Seu querido filho. Um filho é uma bênção, ou deveria ser, nunca um estorvo ou empecilho. O Filho de Maria e de José foi inesperado, talvez até fora de tempo, acolhido com todo o amor. No Templo vão perceber que Ele será uma bênção para todo o Povo, conforme as palavras de Simeão: «Agora, Senhor, segundo a vossa palavra, deixareis ir em paz o vosso servo, porque os meus olhos viram a vossa salvação, que pusestes ao alcance de todos os povos: luz para se revelar às nações e glória de Israel, vosso povo».

Também Ana, profetisa, mulher de idade avançada louva o Senhor Deus pelas maravilhas que fará através d'Aquele Menino.

 

3 – Mas a história não acaba aqui, muito pelo contrário.

Os pais tudo farão para evitar qualquer sofrimento ao(s) seu(s) rebento(s). As palavras de Simeão e de Ana acalentam a esperança de um futuro risonho para o Seu Menino. Porém, a vida é um mistério que se abre à nossa frente e que o futuro só a Deus pertence. Haverá sempre surpresas e nem todas fáceis de dirigir. É a vida! Um mistério a viver! Uma história a sonhar e a realizar. Os imponderáveis fazem parte da vida.

O Velho Simeão tem um recado para Maria e para José, ainda que se volte mais para Maria: «Este Menino foi estabelecido para que muitos caiam ou se levantem em Israel e para ser sinal de contradição; – e uma espada trespassará a tua alma – assim se revelarão os pensamentos de todos os corações».

A Luz de Israel – iluminará as Nações da terra inteira – ferirá os olhos habituados às trevas, à escuridão do pecado, do egoísmo e da vida cómoda; levará uns a lutar pela justiça e pela verdade, exporá outros que vivem à custa da exploração corrupta, à custa dos mais frágeis. A vida de Jesus, Aquele Menino-Deus, será uma caixinha de surpresas. Será uma bênção, entre muitas adversidades!


Textos para a Eucaristia (ano B):Sir 3, 3-7. 14-17a; Sl 127 (128); Col 3, 12-21; Lc 2, 22-40.


23
Dez 17
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

1 – «Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo... Não temas, Maria, conceberás e darás à luz um Filho… O Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David… e o seu reinado não terá fim».

O relato da Anunciação faz-nos imaginar uma jovem nas lides domésticas, talvez a rezar, talvez a ler as Sagradas Escrituras. O Evangelho refere que o Anjo Gabriel foi enviado a uma Virgem desposada com um homem chamado José e que o nome da Virgem era Maria. O anjo vai ao encontro de Maria onde Ela está. Deus entra em nossa casa e na nossa vida, faz-Se convidado, depois caber-nos-á acolher a Sua vontade ou seguirmos o nosso caminho!

Por outro lado, para escutar a Sua voz é preciso silêncio, exterior, por certo, mas sobretudo interior, de quem se coloca em atitude de espera e de escuta. De contrário poderemos ouvir mas sem escutar, sem perceber quais as vozes pelas quais nos deixamos conduzir.

bartolomc3a9_esteban_murillo_the_annunciation.jpg

2 – «Como será isto, se eu não conheço homem?». Porquê eu? Que é que Deus me pede? Como responder à Sua chamada?

A mudança nunca é fácil. Vamos estruturando de tal forma o nosso dia-a-dia que deixa de haver muito espaço para surpresas, ainda que exista margem para o mistério, pois nunca controlamos totalmente a nossa vida. Do ponto de vista da fé isso é positivo, confiarmos mais em Deus do que em nós, nunca dando a nossa vida como garantida. Estamos sempre a caminhar, a aprender, a santificar-nos.

Como é que se deve ter sentido Nossa Senhora? Talvez não tenha tido muito tempo para refletir. Porém, há tempo para interrogar o Anjo. Como será isto? Como jovem israelita a sua vida já estava alinhavada: viveria com José, com quem já se comprometera e teriam os filhos que Deus lhes desse, acolhendo os filhos como bênção. Estaria destinada a viver feliz, levando uma vida regrada, simples, discreta. Como tantas jovens da Judeia. Mas Deus quis precisar da sua cooperação de uma forma específica e privilegiada.

 

3 – «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso o Santo que vai nascer será chamado Filho de Deus. E a tua parenta Isabel concebeu também um filho na sua velhice… porque a Deus nada é impossível».

O que Deus nos pede não nos prejudicará, ainda que momentaneamente possa acarretar mais esforço. Mas que seria da vida sem esforço? Seria como a comida sem tempero! Com efeito, temperamos a vida gastando-a e colocando o melhor de nós mesmos nos projetos a que nos propomos. A Deus nada é impossível. A única limitação somos nós. Deus quer e nós poderemos querer o que Ele quer ou simplesmente ignorar a Sua voz, o Seu querer e, até, o Seu amor.

Maria é surpreendida, mas confia em Deus. Sabe que pela frente não faltarão momentos conturbados, desde logo o facto de ter que justificar-se de uma gravidez milagrosa, estranha, inesperada.

 

4 – «Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra».

Deus confia em nós. Deus aposta em nós. Deus espera por nós. Naqueles instantes, através do Anjo, Deus esperou por Maria e confiou que Ela pudesse dizer-Lhe sim. O repto estava lançado, mas faltava a palavra de Maria. Deus age, é todo-poderoso, mas conta comigo e contigo. Não faz por nós. Responsabiliza-nos, respeitando a nossa liberdade. Criou-nos sem nós, como nos recorda Santo Agostinho, mas não nos salva sem nós, sem o nosso assentimento.

Maria respondeu por Ela, mas também em nome de todo o povo. Queiramos que tenha respondido por nós também. Na sua humildade permite que a grandeza de Deus e o Seu amor Se faça Pessoa, encarnando, e ilumine o mundo inteiro.


Textos para a Eucaristia (ano B): 2 Sam 7, 1-5. 8b-12. 14a. 16; Sl 88 (89); Rom 16, 25-27; Lc 1, 26-38.


16
Dez 17
publicado por mpgpadre, às 23:29link do post | comentar |  O que é?

1 – Há alegrias que cristalizam o momento: a vitória do nosso clube ou do nosso partido, o acertar em alguns números do euromilhões e ganhar € 12,75, uma raspadinha com € 8,00, o placard que nos permite oferecer um jantar aos amigos, um peça de roupa que comprámos, o regresso da série de televisão que seguimos atentamente, o animal de estimação que voltou para junto de nós.

Se não tivermos nenhuma patologia, as verdadeiras alegrias: a saúde, a paz em família e no trabalho, um familiar que recuperou a saúde, um amigo que visitamos ou que nos visita.

A ALEGRIA deste domingo preenche-se de Deus, que na Sua infinita Sabedoria e no Seu Amor infindo, nos dá o Seu Filho bem Amado, para nos preencher de alegria.

domingo III do advento.jpg

2 – «Vivei sempre alegres, orai sem cessar, dai graças em todas as circunstâncias, pois é esta a vontade de Deus a vosso respeito em Cristo Jesus. Não apagueis o Espírito, não desprezeis os dons proféticos; mas avaliai tudo, conservando o que for bom».

Alegria comprometida com o bem, como acentua São Paulo à comunidade de Tessalónica: «Afastai-vos de toda a espécie de mal. O Deus da paz vos santifique totalmente, para que todo o vosso se conserve irrepreensível para a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo».

Deus não nos falta com a Sua benevolência. Procuremos manter acesa a chama da fé, de uma fé que brilha com as obras, com a prática da caridade.

O profeta do Advento, Isaías, diz-nos os motivos do júbilo: «O espírito do Senhor está sobre mim, porque o Senhor me ungiu e me enviou a anunciar a boa nova aos pobres, a curar os corações atribulados, a proclamar a redenção aos cativos e a liberdade aos prisioneiros, a promulgar o ano da graça do Senhor». Palavras que Jesus assumirá como Suas na Sinagoga de Nazaré.

 

3 – Como salmo é-nos servido o Magnificat, que se vislumbra em Isaías e composto por Maria na visitação à Sua prima Santa Isabel: «A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da sua serva: de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-poderoso fez em mim maravilhas… Aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu-os de mãos vazias. Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia».

Isabel revela-nos a alegria de João Batista: mal que a voz da tua saudação chegou aos meus ouvidos, o menino exultou de alegria no meu seio, bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do ventre!

Maria, por sua vez, exclama a alegria porque nela Deus traduz a história da salvação, levando à plenitude as maravilhas que vinha manifestando ao longo do tempo. Com efeito, Maria deixa que através dela Deus possa mostrar-Se no Seu esplendor e na maior das maravilhas, a vinda do Seu Filho Unigénito para ser Um de nós, Um connosco. O Filho de Deus já está em advento no Seu seio virginal.

A presença do Filho de Deus congrega as maiores alegrias, mas como Se esconde na humanidade, teremos que O encontrar no cuidado aos que Deus coloca (precisamente) ao nosso cuidado.

 

4 – O primeiro encontro de Jesus e de João sublinha a alegria, a certeza que as maravilhas do Senhor Deus serão plenizadas, pois o coração do Seu Amado Filho já palpita como coração humano.

Passados mais ou menos 30 anos, quase estranhos e desconhecidos, Jesus e João voltam a encontrar-se. Talvez houvesse alguma intuição e alguma memória longínqua de encontros passados. Mas agora o tempo é novo, há uma nova "estrela" a brilhar, no caso o Sol que não tem ocaso. João veio como Precursor, mas no encontro com Jesus dá-se conta que a sua missão chegou ao fim, pois era provisória, ainda que seja incrustada à missão de Jesus. Por outras palavras, uma única missão: espalhar a Boa Nova que é Jesus, ora como promessa, para os que vieram antes, como realidade temporal e histórica na pessoa de Jesus, como concretização espiritual, sacramental e histórica para os que virão depois da Sua morte e ressurreição.


Textos para a Eucaristia (ano B): Is 61, 1-2a. 10-11; Salmo: Lc 1, 46b-48. 49-50. 53-54; 1 Tes 5, 16-24; Jo 1, 6-8. 19-28.


09
Dez 17
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

1 – Vigiai. Era a palavra-chave que escutámos há oito dias. Hoje a palavra-chave é PREPARAI, preparai o caminho do Senhor. É-nos servido o início do Evangelho de São Marcos que nos remete para Isaías, trazendo a promessa de Deus ao Seu povo. Ele enviará um mensageiro na frente para preparar o caminho d'Aquele que há ser enviado para nos trazer a salvação.

João Batista é a voz que no deserto proclama um batismo de penitência para a remissão dos pecados. Ele é voz da Palavra que está a chegar. Para que a Palavra Se seja percetível é urgente que a voz provoque os ouvidos e sobretudo os corações. Demasiada cera pode ser impeditivo de uma boa audição, um coração empedrado terá dificuldade em acolher e em amar Aquele que vem.

É tempo de preparar o caminho, o coração, a vida.

Um caminho que não é utilizado nem é limpo acabará por ficar intransitável. Se é um caminho muito usado, as pegadas e os rodados pisam as ervas que ameaçam nascer e crescer. Pedras que caiam ou silvas que despontam sempre se vão tirando. Mas de vez enquanto é necessário fazer uma limpeza mais a fundo, para que o caminho volte a ser caminho. E se por ele tiver que passar alguém especial então o cuidado será maior.

Está a chegar Jesus, Alguém que nos é muito caro, muito especial, então há que preparar bem o caminho da nossa vida para Ele passar e permanecer em nós. As famílias estavam habituadas no Natal e sobretudo na Páscoa a fazer uma limpeza a fundo nas casas – as barrelas – e nas ruas. É esta a preparação a que São João nos desafia.

Domingo II do Advento.jpg

2 – Na 1.ª Leitura, Isaías, uma das figuras do Advento, anuncia a chegada do Emanuel, «O Senhor Deus vem com poder, o seu braço dominará. Como um pastor apascentará o seu rebanho e reunirá os animais dispersos; tomará os cordeiros em seus braços, conduzirá as ovelhas ao seu descanso». O poder de Deus far-se-á serviço, pois não vem para impor e dominar, mas como Pastor para congregar.

Os tempos de treva e dispersão não durarão para sempre. Já se vislumbra no horizonte uma luz a despontar como aurora, uma voz que clama tão forte que não podemos não escutar: «Preparai no deserto o caminho do Senhor, abri na estepe uma estrada para o nosso Deus. Sejam alteados todos os vales e abatidos os montes e as colinas; endireitem-se os caminhos tortuosos e aplanem-se as veredas escarpadas. Então se manifestará a glória do Senhor».

Se Ele vem, se está próxima a Sua chegada, como é que vamos recebê-l’O? Como é que nos vamos preparar? Como é que traduzimos o convite da palavra de Deus?

 

3 – A nossa grandeza há de ser o reflexo da grandeza de Deus, pelo que é na pequenez, na humildade e no abaixamento que deixamos que Deus seja visto em nós como num espelho. "A minha alma engrandece o Senhor". Palavras de Maria que sublinham como a grandeza de Deus Se revela através da humilde serva do Senhor. Isso mesmo foi colocado em evidência por Joseph Ratzinger, futuro Bento XVI, não é Maria que torna Deus maior, mas Ela deixa que Deus Se mostre. Isso mesmo nos é pedido. Parafraseando Santo Agostinho, o nosso egoísmo faz-nos crescer ao ponto de nos entrepormos entre Deus e os outros. A nossa opacidade não permite que os outros vejam em nós ou através de nós. A humildade torna-nos transparentes e, por conseguinte, Deus será visível em nós e para os outros.

Vejamos como São João Batista aponta para Aquele que há de vir em glória e poder. «Vai chegar depois de mim quem é mais forte do que eu, diante do qual eu não sou digno de me inclinar para desatar as correias das suas sandálias. Eu batizo-vos na água, mas Ele batizar-vos-á no Espírito Santo»

Preparar o caminho do Senhor também é isto: treinar a humildade, a capacidade para transparecer Jesus, testemunhar Jesus, deixar que Jesus fale em nós e através de nós. O nosso centro é Jesus e o Seu Evangelho de amor, de perdão e de serviço.


Textos para a Eucaristia (ano B): Is 40, 1-5. 9-11; Sl 84 (85); 2 Pedro 3, 8-14; Mc 1, 1-8.


02
Dez 17
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

1 – Iniciamos um novo ano litúrgico com o 1.º Domingo do Advento. A palavra-chave – VIGIAI – esteve presente nos últimos dias do ano litúrgico que finalizou.

A nossa vida é como uma bola de neve, acrescentamos coisas novas e largamos outras pelo caminho. Por vezes, excluímos o que entendemos ser-nos prejudicial, outras vezes não temos força para deitar fora o que nos faz sofrer e, por vezes, é bom que o que nos faz sofrer esteja presente como memória, como desafio, como gratidão.

Algumas vezes colocam-se à bola de neve – a nós – os desperdícios dos outros, outras vezes o caminho percorrido atrai e cola detritos inúteis. A acumulação de situações, momentos, alegrias, sofrimentos, tornam a bola maior, mas não necessariamente mais pesada. Uma bola de neve pode ficar descompensada, desequilibrada, torta ou bastante perto de ser redondinha.

Domingo I do Advento.jpg

2 – «Acautelai-vos e vigiai, porque não sabeis quando chegará o momento». A vigilância não é uma atitude passiva, indiferente ao tempo que passa. Faz-nos arregaçar as mangas e deitar mãos à obra.

Voltemos à imagem da bola de neve. Por um lado, tal como a bola da neve também a leveza da nossa vida depende de circunstâncias interiores e exteriores. Mas como a bola de neve não tem consciência nem vontade própria fica mais dependente dos declives do terreno. O seu tamanho e a sua forma, mais redonda ou achatada, influenciam o seu avanço… A bola de neve pode encontrar grandes obstáculos e superá-los num terreno mais inclinado ou pela consistência e tamanho fazendo resvalar e contornar ou passar por cima…

Como temos vida interior e consciência do que somos, vontade e capacidade de discernir e noção das nossas capacidades e limitações, não somos simplesmente bolas de neve que deslizam como se fôramos meros espetadores do que se desenrola à nossa volta. Não. Nem pensar. Deus chama-nos à vida e confia-nos o mundo inteiro, confia-nos a vida e sobretudo a vida humana. Guiamos a bola de neve a partir do interior mas sujeitos à temperatura exterior, à consistência da neve e do entulho que vamos acumulando, ao declive do terreno e da vida!

Sim, mas como a bola de neve também podemos confiar-nos a Deus e deixarmo-nos guiar por Ele, pela Sua mão, pela Sua vontade.

 

3 – Temos presente as parábolas que escutámos nos domingos anteriores: dos talentos e das 10 virgens que acompanharão o esposo até ao banquete (Mt 25, 1-30). Aí está o entrelaçamento entre o final do ano litúrgico e o início deste novo ano. O reino de Deus é comparável a um nobre que partiu em viagem para ser coroado como rei e confiou os seus bens aos seus servos. Quando chegou de viagem alguns apresentaram-lhe os bem multiplicados… Na Parábola das virgens, 5 delas prepararam-se, preveniram-se com azeite nas lamparinas e nas almotolias…

A parábola de hoje inscreve-se nesta dinâmica. «Um homem partiu de viagem... e deu plenos poderes aos seus servos, atribuindo a cada um a sua tarefa, e mandou ao porteiro que vigiasse».

Deus não parte de viagem, permanece sempre perto de nós. Todavia, dá-nos plenos poderes para administrarmos o mundo. Cada um com os seus dons e talentos. Um dia este Senhor há de chegar para nos pedir contas dos nossos irmãos, sobretudo o cuidado que prestamos aos mais pequeninos (Mt 25, 31-46. Não sabemos o dia nem a hora em que virá o dono da casa: «se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se de manhãzinha». E se vier e nos encontrar a dormir? Poderá chegar inesperadamente. Jesus coloca-nos de sobreaviso: «O que vos digo a vós, digo-o a todos: Vigiai!».

Este é também o desafio da primeira oração da Eucaristia: «Despertai, Senhor, nos vossos fiéis a vontade firme de se prepararem, pela prática das boas obras, para ir ao encontro de Cristo, de modo que, chamados um dia à sua direita, mereçam alcançar o reino dos Céus». Uma espera que se concretizará na prática do bem.


Textos para a Eucaristia (ano B): Is 63, 16b-17. 19b; 64, 2b-7: Sl 79 (80); 1 Cor 1, 3-9; Mc 13, 33-37.


25
Nov 17
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

1 – Um Rei que vem para servir. Um reino cuja marca registada é o amor, o serviço, a caridade, a atenção e o cuidado aos mais pequeninos. Um Reino frágil que assenta os seus pilares na bondade, na misericórdia e na ternura. Não tem armas nem exércitos treinados. Não tem mestres nem comandantes. Um reino forte porque não está dependente de negociatas ou de equilíbrios de poder, não vive para agradar mas para cuidar, sempre, em todas as circunstâncias.

A Sua coroa é tecida de espinhos, de amor, de compaixão e de delicadeza. O Seu trono é uma "abençoada" Cruz. Melhor, é a vontade do Pai. É um Rei obediente, até à morte e morte de Cruz. Governa transparecendo as palavras e as obras do Pai. A sua fragilidade é o amor. A Sua grandeza é o amor que ama e que se gasta a favor de todos, a começar pelos últimos.

Este é o nosso Rei, é Jesus, o Filho Bem-amado do Pai que nos resgata do egoísmo, das trevas e da morte e nos assume como irmãos. Agora temos Pai, não somos órfãos. Nunca mais seremos órfãos. Temos Pai, sabendo que no final de tudo seremos julgamos, não por um Juiz distante, imparcial e frio, mas pela misericórdia do Pai, através do Filho, no Espírito Santo.

ajudar.jpg

2 – Esse dia, tremendo e sobretudo glorioso, chegará para todos, como um ladrão noturno, como temos vindo a ouvir no Evangelho mateano. Assusta-nos? Sim, todo o fim nos assusta. Vamos andando, mas e depois, o que virá depois? Como será o nosso encontro com o Rei? Será Juiz ou será Pai?

 

3 – A última chamada acontece todos os dias para 175 mil pessoas. Qualquer dia será a nossa vez. Como lidamos com esta certeza? E se fosse hoje o nosso dia? Como estamos a preparar-nos?

Jesus alerta-nos que o Filho do homem virá em glória, com todos os Seus Anjos e todas as nações serão levadas à Sua presença. Será a hora de separar as ovelhas dos cabritos.

É a fé que nos salva, que nos predispõe para amar, servir e perdoar, dilata o nosso coração para acolher Deus e nos acolhermos ao Coração de Deus. Mas, chegados aqui, o caminho não termina! Está só no começo, em Deus, temos o mundo todo para cuidar. Não é tarefa de um dia. Não é tarefa para uma só pessoa. É para todos os dias, é missão de todos. A mim e a ti cabe começar, semeando migalhas de esperança e de alegria, levando Deus a toda a parte, a todas as pessoas que encontrarmos, a todas as horas do dia.

«Vinde, benditos de meu Pai; recebei como herança o reino que vos está preparado desde a criação do mundo. Porque tive fome e destes-Me de comer; tive sede e destes-Me de beber; era peregrino e Me recolhestes; não tinha roupa e Me vestistes; estive doente e viestes visitar-Me; estava na prisão e fostes ver-Me». Mas quando é que isso aconteceu? «Quantas vezes o fizestes a um dos meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes». Não vivemos às escuras, a luz da fé, a luz de Jesus ilumina o nosso peregrinar.

Em contraponto, se recusarmos a luz que vem de Deus e nos esquecermos da nossa origem e da nossa meta, da nossa missão no mundo e do sentido da nossa vida, então as contas a ajustar serão diferentes: «Afastai-vos de Mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o Diabo e os seus anjos. Porque tive fome e não Me destes de comer; tive sede e não Me destes de beber; era peregrino e não Me recolhestes; estava sem roupa e não Me vestistes; estive doente e na prisão e não Me fostes visitar». Quando é que isso aconteceu? Quando nos esquecemos de Deus nos irmãos mais necessitados: «Quantas vezes o deixastes de fazer a um dos meus irmãos mais pequeninos, também a Mim o deixastes de fazer».

Antes do fim, que não sabemos quando, existe o tempo que Deus nos dá, confiando-nos os outros e este mundo grande e belo. Não podemos simplesmente ignorar! Estas palavras são para nós, para mim e para ti. Não assobiemos para o lado! Só temos uma vida e não sete como os gatos!


Textos para a Eucaristia (ano A): Ez 34, 11-12. 15-17; Sl 22 (23); 1 Cor 15, 20-26.28; Mt 25, 31-46.


18
Nov 17
publicado por mpgpadre, às 21:00link do post | comentar |  O que é?


11
Nov 17
publicado por mpgpadre, às 17:00link do post | comentar |  O que é?


04
Nov 17
publicado por mpgpadre, às 12:30link do post | comentar |  O que é?

1 – Cada um de nós sabe que existe, mas precisa de ser reconhecido, de ser visto, de ser ouvido, de se sentir amado, acolhido, de se sentir pessoa. Quando uma pessoa se sente invisível, sente-se morrer, encolhe-se, parece desaparecer. Não é apenas a consciência pessoal que conta, mas também a consciência que existe com os outros e para os outros. Um dos dramas do nosso tempo é a solidão.

Vivemos num tempo de grande combatividade. O ritmo da vida é acelerado. O stresse toma conta das pessoas. É necessário responder rapidamente, ao segundo. Temos tudo ligado. Durante todo o tempo. O telemóvel, o computador, a televisão, o tablet. Há que inovar. Desfazer-se do velho, porque novas coisas estão a emergir. O desgaste é desproporcional à nossa capacidade de visualização, de compreensão, de aceitação, de transformação. Antes, íamo-nos habituando às situações. Havia tempo para refletir. Para discutir. Para absorver. Hoje, tudo se esfuma num instante. Surgem os acontecimentos e só depois tentamos compreender e assimilar. Quando muda a hora, precisamos de um dia ou dois ou mais para nos habituarmos.

Tanta tecnologia, tanta vida, tanta dispersão, tanta tensão, tantos afazeres! E o que precisamos é de amar e ser amados. Precisamos de encaixar as diferenças que nos enciúmam, de limar as arestas que nos ferem mutuamente. Precisamos de nos aceitar na nossa pobreza e fragilidade, nas nossas limitações e nas nossas imperfeições. Precisamos de nos tornar novamente humanos.

christ-e1489453045131.jpg

2 – Como é que nos fazemos ver? Como é que nos fazemos amar? Como é que nos tornamos importantes para os outros? Ou essenciais nas suas vidas? Pela grandeza? Pelo poder? Pela capacidade económica? Pelas muitas qualidades que temos? Mas como? Pela capacidade de controlar os outros ou pela esperteza em os enganar?

O Pobre de Nazaré de tão pobre que era que deu a Sua vida por inteiro, a favor de todos. Jesus fez-Se ver pela delicadeza, pela ternura, pelo sorriso e pelas lágrimas, pela comoção, pela proximidade física e afetiva. N'Ele vê-se o rosto de um Deus novo, não inventado, mas um Deus revelado em palavras e em gestos de misericórdia, de perdão, um Deus de amor, um Deus que é Pai e nos ama com amor de Mãe, que Se entrega, que Se gasta e desgasta a favor de cada um. Cada pessoa vale tudo para Deus. É Jesus quem no-lo mostra.

Os mais importantes? Os mais sábios? Os mais poderosos? Os mais saudáveis? Para Deus, diz-nos Jesus, valemos tudo! Valemos todos! Mas a prioridade são os desvalidos. Quem fizer mal a um dos mais pequeninos, aos mais frágeis, é a Jesus que faz mal, é de Jesus que não cuida, é a Jesus que não presta atenção.

 

3 – Há quem se imponha pela delicadeza! Há quem se afirme pela prepotência! Existe quem se coloque em primeiro lugar, à frente de tudo e de todos! Existe quem faça questão de colocar os outros em primeiro lugar! Há quem precise de forçar e há quem se afirme naturalmente pela bondade e pela atenção aos seus semelhantes.

Os outros são uma bênção de Deus ou, como diria Sartre, o inferno? Como é que fez Jesus? Como é que eu faço?

Para Jesus o primeiro lugar é dos simples, dos pobres, dos perseguidos, dos pacificadores, dos que promovem a justiça e usam de misericórdia. O caminho: serviço, amor e perdão. A Jesus faz-Lhe espécie que doutores da Lei exijam mais que a Palavra de Deus e que obriguem os outros a cumprir quando os próprios não o fazem. Mete-lhe confusão que usem a religião em benefício próprio.

«Aquele que for o maior entre vós será o vosso servo. Quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado». É a postura de quem serve, de quem se dá, de quem se afirma pelo serviço e pelo amor, considerando os outros como irmãos. Não somos nem mestres nem senhores, somos filhos do mesmo Deus, do mesmo Pai.


Textos para a Eucaristia (ano A): Mal 1, 14b – 2, 2b. 8-10; Sl 130 (131); 1 Tes 2, 7b-9. 13; Mt 23, 1-12.


28
Out 17
publicado por mpgpadre, às 18:42link do post | comentar |  O que é?

1 – Um doutor da Lei aproxima-se de Jesus. O propósito é experimentá-l'O, testar os Seus conhecimentos, ver se O apanha em contradição e, dessa forma, expô-l'O diante dos discípulos e perante as multidões. Saduceus, fariseus, herodianos, doutores da Lei, autoridades judaicas encontram em Jesus um inimigo comum. Não é que Jesus lhes tenha feito mal, pelo menos diretamente, mas o Seu saber, o Seu dizer e o Seu fazer, o Seu modo de agir, de Se aproximar, de Se dar, o modo de conviver com todos, especialmente com os mais desfavorecidos, provoca ciúme, ódio, inveja. Ele é LUZ que ilumina as trevas e que expõe os corações de todos. Se vivermos nas trevas qualquer lampejo de luz nos magoa a vista. Se nos habituarmos a viver a meia-luz, uma luz mais diurna vai-nos fazer perceber que afinal estávamos mais nas trevas que na luz.

É essa a alegoria da caverna de Platão. Dentro da caverna, pessoas voltadas para o interior, habituam-se a viver na escuridão. A luz do exterior projeta sombras de uma realidade alternativa a evitar. Há que permanecer no interior, mantendo tudo como está.

The Chief Priests Ask Jesus  (Les princes des prê

 2 – Jesus é seguido por multidões de pessoas sobretudo simples. Daí a ardilosidade das classes dirigentes, para não criar anticorpos entre o povo, de quem procura a simpatia. Víamos a tramoia da semana passado sobre os impostos para o império romano. Hoje a pergunta parece mais óbvia, menos dada a polémicas. O âmbito é diferente, pois fixa-se na religião e na lei mosaica. «Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?».

No judaísmo, entre grupos mais religiosos judaicos havia várias discussões sobre os mandamentos. Com o passar do tempo, os 10 Mandamentos foram multiplicados até ao número de 613 preceitos, divididos em 248 prescrições (248 corresponderiam aos ossos do corpo humano) e 365 proibições (365 correspondem aos dias que o ano tem). Vê-se desta forma o simbolismo no número de preceitos, mas também o facto que tantas minudências baralharem a vida das pessoas do povo. A resposta de Jesus é expectável, mostrando que conhece as Escrituras: «Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu espírito». Deus é a primeira referência e todos os mandamentos são decorrentes da ligação de Deus com a humanidade. Amar a Deus de todo o coração e com todas as forças é o primeiro e o maior mandamento.

 

3 – Jesus acrescenta um segundo mandamento semelhante ao primeiro: «Amarás o teu próximo como a ti mesmo». E conclui: «Nestes dois mandamentos se resumem toda a Lei e os Profetas».

A verticalidade exige a horizontalidade. Voltar-se para Deus sem os outros seria esquecer que Ele é Deus de todos e para todos. Só mesmo fundamentalismos estupidificantes para defender uma religião sem os outros, que seria tão nefasta como uma religião sem Deus, meramente sociológica, sem horizonte de futuro, sem saída, e com o risco de alguém ocupar o lugar de Deus, como infelizmente aconteceu no passado e acontece em muitos movimentos religiosos.

O diálogo poderia continuar, como na versão lucana (Lc 10, 25-37) em que o Doutor da Lei, reconhecendo a justeza e honestidade da resposta, insiste a perguntar a Jesus: quem é o meu próximo? Nessa ocasião, Jesus apresenta a belíssima parábola do Bom Samaritano. Próximos são todos os que precisam de ajuda, mas o importante é se eu me faço próximo de quem precisa, se me aproximo para ver e para ajudar, para levantar a pessoa que se encontra prostrada. Daí o desafio de Jesus, assumido pela nossa diocese de Lamego: Vai, e faz tu também do mesmo modo.


Textos para a Eucaristia (ano A): Is 45, 1. 4-6; Sl 95 (96); 1 Tes 1, 1-5b; Mt 22, 15-21.


21
Out 17
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

1 – «Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus». Segundo o sacerdote e teólogo espanhol, José Antonio Pagola, os pobres são de Deus, não são de César. Não podem ser instrumentalizados pelos poderes, pelo debate político-partidário. Os pobres são filhos queridos, amados de Deus, que ninguém pode utilizar para se promover, para disputar lugares. É um compromisso de todos. A começar pelos seguidores de Jesus, os seus discípulos, que nesta HORA somos nós, eu e tu. Não podemos olhar para o lado à espera que alguém resolva. Como disse alguém acerca dos incêndios que assolaram o país e ceifaram a vida a mais de uma centena de pessoas, destruindo sonhos, projetos, famílias, destroçando comunidades, todos temos um quinhão de responsabilidade. Também para com os pobres.

A dimensão moral vem depois. Não ajudamos esta pessoa ou aquela família porque merece. Emocionalmente prontificamo-nos a ajudar quem faz pela vida. Temos dificuldade em ajudar quem espreguiça a vida e está sempre à espera de ser ajudada, dispensando-se a qualquer esforço.

Mt_41_render-unto-caesar-and-unto-god_1800x1200_30

2 – A armadilha lançada a Jesus é ardilosa. Os judeus estão colonizados pelo grande império romano. É sabido que a elevada carga de impostos gera pobreza, servidão, exige elevados sacrifícios e privações. Muitas vezes os são uma arma de arremesso. Os ricos safam-se com alguma facilidade, pelo que têm e pelas influências que vão granjeando. Os pobres nem têm bens nem têm como se defender das exigências. Os fariseus e os herodianos parecem colocar-se ao lado dos pobres. Devemos ou não pagar os impostos ao imperador? Não pagando, a carga que pesava sobre os mais desfavorecidos seria aliviada. Porém, alguns impostos destinam-se às castas dirigentes, beneficiam os amigos de Herodes e todos aqueles que circulam perto do poder. Se quisessem ajudar os mais pobres renunciavam ou diminuíam os impostos para o Templo, abdicando de alguns privilégios.

Se Jesus respondesse que não se deveria pagar tributo ao imperador seria acusado de instigar à revolta. Se dissesse que se deveria pagar, então sancionava uma situação insustentável de pobreza.

 

3 – Para responder, Jesus devolve a pergunta: «De quem é esta imagem e esta inscrição?». Ora, nas moedas está o rosto de César e assim Jesus lhes responde lapidarmente: «Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus».

Jesus confronta-os com a hipocrisia com que se apresentam a armar-lhe mais uma tramoia. Surgem sorrateiramente. Como sói dizer-se, perguntar não ofende, depois logo se vê a resposta. Sabem que estão a tramar Jesus, a colocá-l'O entre a espada e a parede. Ele terá que responder sim ou sopas! Para Alguém que Se rodeia de pelintras e convive com pobres, doentes, coxos, cegos, leprosos só pode estar contra o poder e contra medidas que dificultem a vida a quem tem muito pouco.

O Mestre dos Mestres já tinha repreendido os seus discípulos pela disputa de lugares e de poder: quem entre vós quiser ser o primeiro seja o servo de todos. Os chefes das nações exercem o seu poder como senhores sobre os demais; o poder dos discípulos é o serviço. Jesus não entra em debates filosóficos ou políticos. Aponta o jeito de ser discípulo: servir amando, amar servindo, gastando a vida. Os poderes políticos têm os seus ritmos e os seus tempos e na ordenação das sociedades são necessários. Diz Jesus a Pilatos: nenhum poder terias se não te tivesse sido dado! Também César devia agir em lógica de serviço e de cuidado, mas essa é a missão primordial dos discípulos de Jesus que hão de levar essa dinâmica a todos os recantos do mundo, a todas as dimensões da vida.


Textos para a Eucaristia (ano A): Is 45, 1. 4-6; Sl 95 (96); 1 Tes 1, 1-5b; Mt 22, 15-21.


14
Out 17
publicado por mpgpadre, às 18:40link do post | comentar |  O que é?

1 – Depois da vindima, o banquete! Depois do trabalho, a festa! E quanto mais o trabalho (justamente remunerado), mais intensa a festa e a alegria. Nem todos têm trabalho condigno para terem acesso a um condigno banquete. As causas são variadas, mas, seguidores de Jesus, temos de fazer com que o banquete se alargue a todos.

Jesus continua a chamar-nos para o Seu banquete, para o Seu reino. Tudo está preparado. Uns e outros vão recusando, vão-se desculpando. Não têm tempo. Têm muitos afazeres.

Uma sugestiva e conhecida estória: Um homem foi convocado pelo Rei. Ficou assustado e recorreu aos seus amigos. Tinha três amigos. O mais íntimo, o número 1, encontrava-se com ele todos os dias, a todas as horas, eram inseparáveis. Com amigo número 2 encontrava-se uma vez por semana ou quando calhava. Ao amigo número três encontrava uma vez por outra. Foi ter com o número 1 que lhe disse: nem pensar, pede-me tudo, menos isso. O número 2 disse-lhe que o acompanhava mas ficaria à porta, não entraria. Foi então ter com o amigo número 3 que imediatamente se disponibilizou a acompanhá-lo à presença do Rei. O homem somos nós. O Rei é Deus. A convocação para ir à Sua presença é o momento da nossa morte. O amigo número 1 são as coisas que nos ocupam e preocupam, deixamo-las todas, nenhuma seguirá connosco. O amigo número 2 são os nossos familiares e amigos, acompanham-nos, mas ficam à porta, do cemitério e do lado de cá da vida. O amigo número 3 é o bem que fazemos, acompanha-nos para a eternidade.

banchetto.jpg

2 – Jesus espalhou um sonho, anunciou um reino, revelou a alegria de Deus, o amor de Deus, para com todos, mas sobretudo para com os mais frágeis, pobres, mendigos, leprosos, mulheres, pecadores, publicanos. Em Jesus, a certeza que temos Pai, que nos ama com coração de Mãe, um Pai que Se dispõe a tudo, por causa de nós.

A delicadeza de Jesus faz mossa nas lideranças judaicas, instaladas no poder, vivendo comodamente. Naquele tempo, como hoje, há uma multidão de famintos, de pobres, de excluídos, lázaros que não têm assento à mesa, que ficam fora, fora das muralhas, afastados e impedidos pelos portões da indiferença, da corrupção, do egoísmo. Contudo, Jesus não Se deixa vencer, nem iludir, não Se deixa comprar, nem se deixa corromper! Denuncia com a Sua postura, com as Suas palavras, com as parábolas que nos apresenta.

 

3 – Jesus tem consciência que se aproxima para o final da sua vida. A afronta de doutores da lei e anciãos do povo é cada vez mais evidente. Todavia, Jesus continua a pregar, continua a estar próximo dos pecadores e dos publicanos, continua a responder aos fariseus, às lideranças judaicas. O recurso às parábolas facilita o diálogo, pois, embora a linguagem seja clara, deixa margem para que cada um encaixe ou recuse os Seus ensinamentos, sem se sentir forçado.

O Rei da parábola continua a enviar os seus servos para chamarem todos os que encontrarem. Hoje (e amanhã) o convite é idêntico: «Ide às encruzilhadas dos caminhos e convidai para as bodas todos os que encontrardes». Os servos saíram “pelos caminhos, reuniram todos os que encontraram, maus e bons. E a sala do banquete encheu-se de convidados”. Há lugar para mim e para ti.

Pode acontecer que alguém não vista o traje nupcial. O Rei chama, uma e outra vez. Não desiste. Nunca desiste de nós. Basta acolhê-l'O e teremos lugar à mesa. Para o banquete, bons ou maus, todos precisamos de vestir o traje da verdade, da justiça, da caridade, da comunhão com os outros. Não podemos ir de qualquer maneira, aos empurrões, com trajes esfarrapados pela arrogância, pela violência, pela vingança. Vistamo-nos de humildade, transparência, de amor, de misericórdia, para nos "afeiçoarmos" aos Rei, isto é, para termos feições semelhantes às de Deus que Se revelam em Jesus, feições de paz e de compaixão, de ternura e de bondade.


Textos para a Eucaristia (ano A): Is 25, 6-10a; Sl 22 (23); Filip 4, 12-14. 19-20; Mt 22, 1-14.


07
Out 17
publicado por mpgpadre, às 17:00link do post | comentar |  O que é?

1 – Praça de São Pedro, 19 de abril de 2005, primeiras palavras de Bento XVI: «Depois do grande Papa João Paulo II, os Senhores Cardeais elegeram-me, simples e humilde trabalhador na vinha do Senhor. Consola-me saber que o Senhor sabe trabalhar e agir também com instrumentos insuficientes»

O amor à vinha, o trabalho dedicado e a certeza que o Senhor vela pelos trabalhadores e provê à produtividade da vinha, para lá das circunstâncias e dos contratempos. Deus cuida da Sua vinha com amor. Mantém-Se próximo, pronto a acudir. Confia nos seus trabalhadores e confia-lhes o cuidado da mesma, aguardando que eles possam fazê-la frutificar e todos possam beneficiar dos seus frutos.

Jesus conta outra parábola sobre o reino de Deus, novamente à volta da vinha. «Havia um proprietário que plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe, cavou nela um lagar e levantou uma torre; depois, arrendou-a a uns vinhateiros e partiu para longe».

A vinha é do Senhor. Ele confia-no-la, esperando pela colheita. Na devida altura manda os servos receber os frutos. Os vinhateiros, por sua vez, querem assumir o controlo, ocupando o lugar do seu Senhor e, por isso, maltratam os enviados, matam-nos, escorraçam-nos.

Aquele Senhor, o Bom Deus, não desiste. Não desiste dos bons frutos que há para recolher, não desiste de nós. Envia novos mensageiros. Dá-nos mais oportunidades. Envia, então, o Seu próprio filho.

Lição3_Ápice da inveja_Acabe e Nabote (3).JPG 

2 – «Respeitarão o meu filho». Depois de todas as tentativas para "resolver as coisas a bem", e não tendo conseguido, Aquele Senhor decide fazer uma última aposta, mais alta, mais arriscada. Arrisca o que Lhe é mais querido, o Seu próprio Filho. Arrisca tudo, a Sua vida na vida do Filho. Confia que os vinhateiros reconhecerão a Sua deferência ao enviar-lhes o próprio filho.

A ocasião (por vezes) faz o ladrão. A ganância vem ao de cima. Está ali a oportunidade de eliminarem o filho e ficarem eles donos e senhores daquela vinha. É o que fazem, agarram e filho e matam-no.

A parábola espelha bem a história da salvação e as lideranças judaicas veem-se retratadas nos vinhateiros prepotentes, gananciosos e assassinos a quem Deus confiou a Sua vinha para administrar, cuidar e fazer frutificar. Deus envia o Seu próprio Filho, Jesus Cristo, que que é expulso da Sua própria vinha, é ferido e morto. Este é o mistério da Encarnação que desemboca no mistério pascal.

Na continuação, Jesus provoca os seus interlocutores, provoca-nos: «Por isso vos digo: Ser-vos-á tirado o reino de Deus e dado a um povo que produza os seus frutos». Ou mudamos de atitude ou autoexcluímo-nos do Seu reino de amor.

 

3 – A primeira leitura já nos apresentava a belíssima imagem da vinha. «Vou cantar, em nome do meu amigo, um cântico de amor à sua vinha. O meu amigo possuía uma vinha numa fértil colina. Lavrou-a e limpou-a das pedras, plantou-a de cepas escolhidas. No meio dela ergueu uma torre e escavou um lagar. Esperava que viesse a dar uvas, mas ela só produziu agraços».

Isaías deixa-nos ver o cuidado e o amor do seu amigo à vinha que plantou. O lagar foi preparado. Foi construída uma torre para guardar a vinha dos assaltantes. Foram escolhidas boas cepas. «A vinha do Senhor do Universo é a casa de Israel e os homens de Judá são a plantação escolhida». Tudo aponta para bons resultados.

Mas parece que até Deus "não controla" todas as circunstâncias, já que nos criou livres, com a possibilidade de Lhe dizermos não e de não produzirmos na abundância do amor e da compaixão.

E agora, o que fazer, se fiz tudo pela vinha e ela não deu nada? Eis o que vou fazer: «Vou tirar-lhe a vedação e será devastada; vou demolir-lhe o muro e será espezinhada. Farei dela um terreno deserto: não voltará a ser podada nem cavada, e nela crescerão silvas e espinheiros; e hei de mandar às nuvens que sobre ela não deixem cair chuva».

As palavras do profeta denotam o desencanto pela infidelidade do povo, cujos membros deveriam viver como família!


Textos para a Eucaristia (ano A): Is 5, 1-7; Sl 79 (80); Filip 4, 6-9; Mt 21, 33-43.


30
Set 17
publicado por mpgpadre, às 20:57link do post | comentar |  O que é?

1 – Não há santos sem passado nem pecadores sem futuro (Papa Francisco). Deus não Se cansa de nos perdoar, nós é que nos cansamos de pedir perdão. O Papa coloca a ênfase na misericórdia de Deus que nos alcança, nos acaricia e nos eleva, perdoando-nos.

A conversão é permanente. Enquanto vivemos estamos a tempo de alterarmos a trajetória que nos afasta de Deus e dos outros.

Nos domingos precedentes víamos como a comunidade procurava acolher, na prática, os ensinamentos de Jesus acerca do perdão, não desistindo dos erráticos, dando-lhes segundas e terceiras oportunidades, procurando integrá-los, e como Pedro percebe que tem de perdoar muitas vezes, não até sete vezes, sempre, mas até setenta vezes sete, diz-lhe Jesus, até ao infinito.

O contexto aproxima-nos da morte de Jesus. Depois de ter entrado triunfalmente na cidade santa, aclamado por aqueles que O acompanham, Jesus "entra" em choque com as autoridades judaicas. No templo expulsa os que compravam e vendiam, gerando uma crescente onda de indignação.

2 filhos.jpg

2 – As parábolas tornam acessível a mensagem de Jesus. Cabe-nos tirar as lições que nos ajudam a viver Jesus, a traduzir Jesus para a nossa vida, a testemunhar Jesus. Que pretende Jesus dizer-nos com esta parábola? Até que ponto é atual para nós?

Mais uma estória luminosa: «Um homem tinha dois filhos. Foi ter com o primeiro e disse-lhe: ‘Filho, vai hoje trabalhar na vinha’. Mas ele respondeu-lhe: ‘Não quero’. Depois, porém, arrependeu-se e foi. O homem dirigiu-se ao segundo filho e falou-lhe do mesmo modo. Ele respondeu: ‘Eu vou, Senhor’. Mas de facto não foi. Qual dos dois fez a vontade ao pai?»

O próprio Jesus dá a resposta em outra parte do Evangelho: «Nem todo o que me diz: 'Senhor, Senhor' entrará no Reino do Céu, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está no Céu» (Mt 7, 21). As palavras valem o que valem. Para Deus valem tudo, pois o próprio Jesus é a Palavra de Deus dada ao mundo. Palavra de Deus encarnada! Também para nós as palavras devem contar.

Na parábola, o filho mais velho responde negativamente ao pai, mas acaba por refletir e por fazer o que o pai lhe tinha pedido. Cumpriu, ainda que tivesse hesitado. Há sempre tempo para arrependimento. Uma perna quebrada e emendada não é quebrada. Não adianta responder por responder, só para agradar, e depois não fazer. Os interlocutores ainda estão a tempo de se converter, de dar uma oportunidade à vontade de Deus e aos Seus desígnios de amor e salvação. É a provocação de Jesus: «Os publicanos e as mulheres de má vida irão diante de vós para o reino de Deus. João Baptista veio até vós, ensinando-vos o caminho da justiça, e não acreditastes nele; mas os publicanos e as mulheres de má vida acreditaram. E vós, que bem o vistes, não vos arrependestes, acreditando nele».

 

3 – A oração inicial da Eucaristia (coleta) ambienta-nos e sintoniza-nos com a liturgia da Palavra, como podemos ver neste domingo: «Senhor, que dais a maior prova do vosso poder quando perdoais e Vos compadeceis, derramai sobre nós a vossa graça, para que, correndo prontamente para os bens prometidos, nos tornemos um dia participantes da felicidade celeste».

Constatamos que o poder de Deus está no perdão e suplicamos a Sua graça, para que possamos caminhar para a felicidade eterna.

Há espaço para o arrependimento e para a conversão, como o filho mais velho da parábola deste domingo, ou como o filho pródigo na parábola lucana do Pai misericordioso. Através do Profeta, Deus faz saber que se o ímpio, «abrir os seus olhos e renunciar às faltas que tiver cometido, há de viver e não morrerá». Em definitivo, Deus não quer a morte do pecador, mas que se converta e viva. A glória de Deus é o Homem vivo (Santo Ireneu).


Textos para a Eucaristia (ano A):  Ez 18, 25-28; Sl 24 (25); Filip 2, 1-11; Mt 21, 28-32.


23
Set 17
publicado por mpgpadre, às 22:21link do post | comentar |  O que é?

1 – O reino de Deus, diz Jesus, pode comparar-se a um proprietário que sai muito cedo para contratar trabalhadores para a sua vinha, ajustando com eles a respetiva remuneração. Hoje os trabalhadores necessários estão previamente contratados. Mas lá vai surgindo espaço para mais alguém, sobretudo se há mais uvas para apanhar ou se é necessário apressar a colheita.

Todos os trabalhos que estão ligados à terra dependem do trabalho humano e da natureza. Se chove em excesso ou em défice vem prejuízo, ou pelo menos não tanto lucro. Uma trovoada com granizo pode estragar o trabalho de um ano. Tanto trabalho e para nada! É uma fatia importante do ganha-pão de muitas pessoas!

Mt 20, 1-16.jpg

 2 – O Senhor da Vinha, o nosso Deus, toma a iniciativa. Vem à nossa procura, vem ao nosso encontro. Pelas praças e vielas, pelas aldeias e cidades. Em Jesus, sai do Seu conforto, do Seu mundo e mistura-Se connosco, vem para o nosso mundo.

No reino de Deus, a vinha do Senhor, há sempre lugar para mais um, há lugar para todos. Há trabalho para quem quiser trabalhar, para quem quiser comprometer-se, para quem quiser "vindimar", cortar uvas, recolhê-las, carregar baldes, descarregar tinas. Este "Senhor" sai várias vezes ao dia. Não desiste de nos procurar e nos rogar: «Ide vós também para a minha vinha e dar-vos-ei o que for justo». A meio da manhã, ao meio dia, pelas três horas da tarde e ao cair da tarde. Vai encontrando pessoas e convoca-as: «Porque ficais aqui todo o dia sem trabalhar?». Distração dos próprios ou incúria dos rogadores? «Ninguém nos contratou».

Como faz este nosso "Senhor" caber-nos-á fazer o mesmo. Sair, procurar, encontrar pessoas para a vinha do Senhor, lançar-lhes o convite. É preciso não nos cansarmos de ir, de chamar, de insistir. «Ide vós também para a minha vinha». Pode haver alguém que não escute! Pode haver quem prefira ficar encostado a preguiçar ou à espera que outros façam! Cabe-nos a nós, a mim e a ti, anunciar, envolver, desafiar. Esta missão faz parte da nossa condição de batizados.

 

3 – Deus não deixará sem recompensa nem sequer um copo de água dado em Seu nome. A garantia é dada aos jornaleiros: pagar-vos-ei o que é justo. Ao anoitecer, o capataz cumpre o mandato do dono da vinha e paga o salário aos trabalhadores a começar pelos últimos. Atualmente, o pagamento é feito no final da semana ou no final da vindima, isto quando os patrões não optam por pagar apenas quando recebem da venda das uvas! O trabalhador merece o seu salário e a demora pode fazer muita diferença para quem sobrevive com pouco.

A prontidão de Deus em pagar corresponde à insistência com que sai ao nosso encontro para nos contratar. E quanto nos paga? Quanto nos pagam os nossos pais por serem pais? Tudo! Nada menos do que tudo. Sempre. Eles acolhem-nos com alegria nos braços quando nascemos e estão sempre prontos para nos acolher, mesmo que pelo meio tenhamos sido ingratos, distraídos, distantes, mesmo que só tenhamos "trabalhado" quando o dia estava a findar.

Na nossa lógica muito humana, muito justa e generosa, o proceder do dono da vinha é injusto e, talvez quem sabe, maldoso. Os da última hora recebem o mesmo que os da primeira que trabalharam durante todo o dia, que sofreram a dureza do tempo e o calor!

O dono da vinha parece agir indiscriminadamente, favorecendo os preguiçosos, os desleixados, os que não se importam se têm trabalho ou não! Mas um Pai que ama como Mãe é assim. Não é falta de exigência, é excesso de amor. E o amor autêntico não é divisível, compartimentalizado, ou se ama ou não se ama, ainda que a confiança possa progredir. Não amo um pouquito (para não deixar abusar!) e depois já amo mais (para reconquistar!).

Ama com tudo, com todas as forças, com a vida toda.


Textos para a Eucaristia (ano A): Is 55, 6-9; Sal 144 (145); Filip 1, 20c-24. 27a; Mt 20, 1-16a.


16
Set 17
publicado por mpgpadre, às 21:45link do post | comentar |  O que é?

1 – Aí está a pergunta de Pedro: «Se meu irmão me ofender, quantas vezes deverei perdoar-lhe? Até sete vezes?».

Perdoar até 7 vezes? Impossível. Uma vez, duas vezes! À terceira começa a ser demais, pois há que manter a dignidade! Três vezes ou mais já é perder a face e deixar abusar. 7 vezes? Só se fosse a 7 pessoas diferentes e em diferentes ocasiões! Mas o SETE, na linguagem semita, vale por plenitude, perfeição, ou seja, sempre.

Ora a resposta de Jesus é ainda mais taxativa: «Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete».

Façamos as contas que, em termos matemáticos, são fáceis de fazer: 70X7=490 vezes. Muitos "perdões"! Mas novamente a linguagem semita e o seu significado: 70X7 = SEMPRE! Pedro já apontava para um perdão sem limites, mostrando a Jesus que tinha aprendido bem a lição e que já era capaz de ver além do seu umbigo. Porém, Jesus aponta para o infinito, para que não haja interpretações personalizadas à medida de quem escuta. SEMPRE. É a medida do amor, é a medida de Jesus, a medida de Deus. Sem ajustes nem reservas! Perdoar até àqueles que te matam, como fez Jesus no alto da Cruz!

maxresdefault (1).jpg

2 – A comunicação de Jesus procura "democratizar" o acesso ao reino de Deus, mas também a perceção sobre o mesmo. O reino de Deus é para todos, não para um grupo privilegiado. Esse é também o combate de Jesus com alguns líderes religiosos, que nem entram nem deixam entrar, complicando, sendo os intérpretes exclusivos da Lei e da vontade de Deus. Jesus eleva a fasquia. Os filhos apresentam-se diante de um Pai, não de um Juiz prepotente e surdo! Os juízos do Pai são preenchidos de ternura e misericórdia.

Mestre da Sensibilidade, Jesus fala da vida e de modo a que todos possamos perceber. Não se enrola num emaranhado de argumentos. Ao responder a Pedro, como em tantas outras ocasiões, Jesus conta uma estória. O reino de Deus pode comparar-se a um rei que quer ajustar contas com os seus servos. À sua presença é levado um homem que lhe deve 10 mil talentos. Uma fortuna. Não tendo com que pagar, será vendido com a mulher, os filhos e as suas posses. Perante a iminência da desgraça, este homem suplica ao rei compreensão e tempo para saldar a dívida. O rei despe a capa do poder e enche-se de compaixão! Perdoa-lhe toda a dívida.

Pelo caminho, o homem a quem foi perdoada a dívida encontra um companheiro que lhe deve uma ninharia: cem denários! A alegria e a gratidão deveriam agora ser o seu alimento e o seu vestuário. Mas prevalece a ganância e, tendo em conta o muito que lhe foi perdoado, não é capaz de fazer o mesmo com o seu companheiro, mandando-o prender. Este é também um drama do nosso tempo: muitas vezes a quem deve são-lhe também retiradas as possibilidades de pagar! A parábola termina com os companheiros a irem à presença do seu senhor, contando-lhe o sucedido, revoltados com a desmedida com que aquele servo tinha sido beneficiado e a exigência para com o companheiro sobre uma pequena dívida.

 

3 – Nós também cabemos dentro da parábola. Eu e tu. Enquanto Jesus fala não podemos assobiar para o lado como se não fosse nada connosco. Ele fala para os discípulos, isto é, fala para nós.

A reação do rei é elucidativa: «Servo mau, perdoei-te tudo o que me devias, porque mo pediste. Não devias, também tu, compadecer-te do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti?» Então o senhor entregou-o aos verdugos até que a dívida seja saldada.

Depois da parábola vem a conclusão! O próprio Jesus avisa e desafia: «Assim procederá convosco meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar a seu irmão de todo o coração». O perdão de Deus para connosco é absoluto, sem reservas nem condições! Acolhendo-O na nossa vida, o caminho a percorrer terá de ser conforme ao Seu proceder: perdoar sempre.


Textos para a Eucaristia (ano A): Sir 27, 33 – 28, 9; Sl 102 (103); Rom 14, 7-8; Mt 18, 21-35.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE


09
Set 17
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

1 – Deus nunca desiste de nós. Esta é a história de Deus com os homens. A história da criação e da salvação. Deus não desiste de nós. Criou-nos por amor e por amor nos sustenta na vida. Quer-nos bem, tão bem como um Pai, como um Mãe a um/a filho/a.

peter-love-me-more-art-lds-455575-tablet (1).jpg

2 – Perdoar? Sempre. 70X7. Em todas as ocasiões. Só o pecado contra o Espírito Santo não tem perdão, ou por outras palavras, o orgulho, a autossuficiência, a sobranceria, o ensimesmamento, o fechar-se conscientemente a qualquer luz, a toda a verdade, a toda a ajuda.

Perdoar uma vez é razoável. Perdoar duas vezes é bondade. Perdoar três vezes é abuso. Jesus vai muito além. Sete vezes é perdoar sempre. Perdoar 70X7? É melhor não fazer as contas! Jesus também não as faz. Por alguma razão dizemos que errar é humano e perdoar é divino. Ainda que humano seja amar e errar seja, muitas vezes, desumano. Perdoar eleva-nos, projeta-nos para outro nível de compromisso, que nos obriga a superar gostos e preferências, a tolerar nos outros o que gostávamos que tolerassem em nós, a compreender as fragilidades alheias e amar além dos defeitos e insuficiências.

As comunidades cristãs dos primeiros tempos procuram ser fieis à mensagem de Jesus: perdoar sempre. Não julgueis. Não condeneis. A quem te bater numa face oferece também a outra. Reza por aqueles que te maldizem. Abençoa os que te perseguem. A quem te pedir a capa dá também a túnica. Não matarás. Não te irrites contra o teu irmão. Se o teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa a tua oferta no altar e vai reconciliar-te com ele. A Eucaristia reconcilia-nos, senta-nos à mesa com Jesus, une-nos aos outros. A Eucaristia vale também enquanto nos converte, nos irmana e nos faz dar passos concretos para vivermos em harmonia, apesar das diferenças.

 

3 – O Evangelho exprime não apenas a Mensagem de Jesus, mas o acolhimento das Suas palavras por parte da comunidade cristã.

A comunidade procura ver, traduzir, atualizar e concretizar tudo o que vem da parte do Senhor Jesus: «Se o teu irmão te ofender, vai ter com ele e repreende-o a sós. Se te escutar, terás ganho o teu irmão. Se não te escutar, toma contigo mais uma ou duas pessoas, para que toda a questão fique resolvida pela palavra de duas ou três testemunhas. Mas se ele não lhes der ouvidos, comunica o caso à Igreja; e se também não der ouvidos à Igreja, considera-o como um pagão ou um publicano».

Aqueles que se apresentam como discípulos de Jesus têm de considerar (sempre) a opção pelo perdão, pelo serviço, pela reconciliação. Uma e outra vez. E outra vez ainda! Descrição. Bom senso. Equilíbrio. Respeito pela pessoa que está à frente. Já me cansei de repetir que quem enche a boca com a própria frontalidade, entendida como dizer sempre tudo o que dá na real gana, independentemente de quem esteja à frente, não passa de uma criança mimada, uma criança a quem tiraram o brinquedo. Mas a criança é criança, é ingénua, está a aprender, a crescer. No adulto essa atitude revela infantilidade. Quem está à nossa frente não é um saco de boxe em quem descarregamos a nossa azia, o nosso azedume com a vida. Ser frontal não é isso. Ser frontal é ser verdadeiro, mas respeitar o outro como pessoa, como rosto e presença de Deus. A azia com que tratamos os outros, não é azia com que tratemos Jesus.

Correção fraterna. Se tens que corrigir, corrige a sós, discretamente. Se não houver avanços, pede ajuda a uma ou duas pessoas. Não desistas nem à primeira nem à segunda. Recorre à Igreja, será mais uma ajuda. A comunidade cristã daqueles dias percebe que terá que dar segundas e terceiras oportunidades e não desistir às primeiras dificuldades e contratempos.


Textos para a Eucaristia (ano A): Jer 20, 7-9; Sl 62 (63); Rom 12, 1-2; Mt 16, 21-27.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE


02
Set 17
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

1 – A primeira e única vocação do cristão é seguir Jesus, amar Jesus, viver Jesus, transparecer e testemunhar Jesus. Em todos os momentos da vida, em toda a parte, diante de todas as pessoas, nas situações favoráveis e nos momentos adversos. Sem pausas, nem reservas, nem adiamentos. Não somos cristãos a meio tempo, quando nos dá jeito, quando é mais oportuno, ou aos Domingos.

Somos cristãos sempre, quer vivamos quer morramos, como refere o Apóstolo Paulo, no trabalho ou em férias, diante das panelas, diante de um ecrã de televisão, no meio do grupo de amigos, quando falamos sobre tudo e ou sobre coisa nenhuma, quando nos encontramos com os/as vizinhos/as, quando falamos de futebol ou da novela, quando falamos de política ou de religião, quando silenciamos para cuidar ou quando calamos para não nos incomodarem.

Seguir Jesus não tem horário, porque em todas as horas, minutos e segundos nos cabe acolher, seguir e anunciar Jesus.

kneeling.jpg 

2 – Não somos originais ao seguirmos Jesus. A originalidade e o fundamento está no próprio Jesus. É Ele que nos chama, é Ele que nos faz discípulos e nos envia como missionários a levar a Boa Nova a todo o mundo. Não somos originais, pois não vivemos ensimesmados, a partir de nós e do nosso umbigo, do nosso mundo! A origem é Jesus. A origem é Deus, Fonte de todo o bem e de todo o amor, que em Jesus,.

Ao longo da Sua vida, Jesus respira Deus, transparece o amor do Pai, diz as Palavras do Pai e realiza as obras do Pai. Sem complexo de inferioridade. O Pai é Maior do que Eu, chega a dizer Jesus, ainda que se perceba que Ele e o Pai são Uma só coisa. Amar como quem serve. Servir como quem ama e no amar se consome como pavio até ao fim, quando já não houver mais nada para arder! Eu venho, Senhor, para fazer a Vossa vontade.

Jesus mantém uma ligação íntima, profunda e permanente ao Pai. É visível nas Suas Palavras, vislumbra-se nos Seus gestos. Retira-Se para lugares desertos, sobretudo ao cair da noite, para rezar. Por vezes, a oração estende-se pela noite e até de madrugada. Esta intimidade de Jesus com o Pai fortalece-O no ânimo de prosseguir no anúncio do Reino e nos prodígios que realiza.

 

3 – Aproximam-se horas conturbadas, nuvens carregadas surgem no horizonte, a missão terrena de Jesus encaminha-se para o fim, o futuro desponta incerto, com grandes probabilidades falhanço. Há que retemperar forças, mas sobretudo de avaliar a firmeza do seguimento. Depois da confissão de fé de Pedro, Jesus explica a obrigatoriedade de descer para Jerusalém, terra dos Profetas, onde vai sofrer muito, onde será morto, para ressuscitar ao 3.º dia. Com uma notícia tão negativa deixa de haver espaço para boas notícias. Pedro é o primeiro a reagir. É o assessor político ou o chefe de gabinete: «Deus Te livre de tal, Senhor! Isso não há de acontecer!». Pedro tem o cuidado de contestar Jesus de forma discreta, chamando-O à parte. A resposta de Jesus é contundente, sem margem para segundas leituras: «Vai-te daqui, Satanás. Tu és para mim uma ocasião de escândalo, pois não tens em vista as coisas de Deus, mas dos homens».

Para Jesus, a vontade do Pai está em primeiro lugar, ainda que isso comporte riscos, medos, sofrimentos. Pedro e os demais discípulos vivem à sombra de Jesus. Quem está perto da árvore pode beneficiar da sua sombra. Estando perto de Jesus, os discípulos podem beneficiar do Seu poder e garantir um lugar de primeira apanha no Reino que Ele está a instituir.

 

4 – Nossa Senhora identifica-nos com a vontade de Deus: Eis a escrava do Senhor, faça-se segundo a Sua Palavra. Aponta-nos para Jesus: Fazei tudo o que Ele vos disser. Mostra-nos a delicadeza, a atenção ao próximo e a pressa em levar Jesus… a todos!


Textos para a Eucaristia (ano A): Jer 20, 7-9; Sl 62 (63); Rom 12, 1-2; Mt 16, 21-27.
 

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE

 


26
Ago 17
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

1 – «E vós, quem dizeis que Eu sou?».

Diante de Jesus que Lhe respondemos? E que é que dizemos d'Ele? E como dizê-l'O a Ele na minha, na tua, na nossa vida?

O ministério de Jesus começa a dar sinais ambíguos quanto ao desfecho final. N'Ele é visível o amor de Deus como Pai. A Sua delicadeza há de levá-l'O à morte!

O messianismo de Jesus segue uma dinâmica muito própria: amor, serviço e perdão, proximidade e misericórdia. O messianismo esperado era bem diferente: poder, morte, destruição, substituição de uns pelos outros, revolução pela força.

XVIII-to-B.jpg 

2 – «Quem dizem os homens que é o Filho do homem?» Será que Jesus tem curiosidade acerca da opinião pública? Não temos todos? Alguns vivem em função disso e uma opinião desfavorável tira-lhes o sono; para outros é algo de secundário, ainda que sirva de referencial para corrigir posturas e/ou desvios. Todos, no entanto, gostamos de ser bem vistos! Há quem pense pela própria cabeça e quem espere para saber qual a opinião dos outros para formular a própria opinião. O ideal talvez se encontre a meio caminho!

«Quem dizem os homens que é o Filho do homem?» Que responderíamos hoje a Jesus? É o Filho do Homem? O carpinteiro? Um revolucionário? Uma pessoa importante do passado? Os discípulos foram meigos a responder: «Uns dizem que é João Batista, outros que é Elias, outros que é Jeremias ou algum dos profetas». A amizade fê-los filtrar a informação. Por vezes precisamos de amigos assim, sobretudo quando a informação é desnecessária e desonesta.

 

3 – «E vós, quem dizeis que Eu sou?»

Aquilo que estranhos ou conhecidos dizem a nosso respeito é relativo e, de certa maneira, dispensável. Não nos deveria tirar o sono. Já a opinião dos que estão à nossa volta, familiares, amigos, pessoas com quem trabalhamos é muito mais importante, pois ajuda-nos a caminhar, a crescer, a corrigir erros, a colmatar insuficiências.

Quem é Jesus para mim? Que relevância tem na minha vida, nas minhas decisões? A minha vida é diferente por conhecer, por seguir Jesus? No meu dia-a-dia há alguma diferença por ser cristão?

Na abordagem de D. António Couto, Bispo de Lamego, o questionamento cola-nos à profissão de fé, isto é, o que é que dizemos acerca de Jesus. Pedro responde em seu e nosso nome: «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo». É o credo cristão dito pelos lábios de Pedro. É um dizer novo, diferente, atual, presente. Antes, dizia-se, os outros dizem! Agora somos nós que dizemos Jesus, que O anunciámos, que O vivemos, que O transparecemos nas nossas palavras, na nossa vida. Este DIZER é para agora e não é uma retransmissão, somos nós a implicar-nos com Jesus, é a nossa identidade cristã; é Deus a inspirar-nos. «Feliz de ti, Simão, filho de Jonas, porque não foram a carne e o sangue que to revelaram, mas sim meu Pai que está nos Céus». Antes de dizermos Jesus, Cristo, Filho de Deus, é Deus que nos diz, que nos revela: Este é o Meu filho muito amado, escutai-O. O que dizemos não vem de nós, mas vem através de nós; não vem de fora, mas de dentro; não vem dos lábios, mas do coração, vem de Deus que habita em nós, no nosso coração.

 

4 – No Evangelho, através de Pedro, Jesus confia-nos a missão de abrirmos as portas do Seu Reino de amor: «Tu és Pedro; sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as chaves do reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos Céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos Céus».

É um "poder" que implica riscos mas sobretudo responsabilidades pelos outros. Cada um segundo a sua missão, com responsabilidades diferentes, mas todos havemos de prestar contas, como se vislumbra também na primeira leitura. Se não conduzirmos os outros a Jesus Cristo, pelo menos não os impeçamos de prosseguirem! Se não abrimos portas e janelas, não criemos muros, saiamos da frente!


Textos para a Eucaristia (ano A): Is 22, 19-23; Sl 137 (138); Rom 11, 33-36; Mt 16, 13-20..
 

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE


19
Ago 17
publicado por mpgpadre, às 16:04link do post | comentar |  O que é?

1 – A Palavra de Deus deve iluminar a realidade concreta, apontando caminhos, comprometendo os cristãos que a escutam. Hoje, vendo como Jesus lida com "os outros" que não pertencem ao povo judeu, sugere-me que partamos do momento que se avizinha em Portugal: a campanha eleitoral para as eleições autárquicas.

Vale a pena repescar as palavras do Papa Francisco: «Envolver-se na política é uma obrigação para um cristão... os cristãos não podem fazer de Pilatos, lavar as mãos... Devemos implicar-nos na política, porque a política é uma das formas mais elevadas da caridade, visto que procura o bem comum... Os leigos cristãos devem trabalhar na política. Dir-me-ão: não é fácil... A política é demasiado suja, mas é suja porque os cristãos não se implicaram com o espírito evangélico. É fácil atirar culpas... mas eu, que faço? Trabalhar para o bem comum é dever de cristão».

A política é coisa boa. É o cuidado da polis (= cidade), o serviço aos cidadãos. É um elevado serviço de caridade quando procura o bem comum (não o bem individual, particular, privado, ainda que se exprima no serviço a pessoas concretas), o bem de todos, discutindo ideias e projetos para melhorar a vida das pessoas.

Infelizmente, muitas vezes vemos discutir pessoas e não projetos. "Nós fizemos", "Nós prometemos", "Eles não cumpriram", "Nós vamos cumprir"... O nosso grupo tem todas as qualidades... os outros são falsos, mentirosos, maus... E, no final, o que importa é favorecer os que nos ajudaram na eleição, os outros que aguardem mais quatro anos ou então que nos tivessem apoiado!

cananeia.jpg

 2 – Os discípulos de Jesus vivem (ainda) nesta dinâmica: o nosso grupo, os nossos, os que andam connosco. O Messias de Deus é nosso, pertence-nos, temos o exclusivo. Os milagres que fizer hão de beneficiar os nossos, os do nosso povo. As palavras que Ele disser são-nos dirigidas, a não ser que sejam para maldizer os outros, os estrangeiros, os que estão para lá do nosso grupo.

Contrariamente ao que seria expectável, Jesus mantém-se em silêncio (exterior) diante da investida desta mulher: «Senhor, Filho de David, tem compaixão de mim. Minha filha está cruelmente atormentada por um demónio».

Os discípulos estranham a posição do Mestre. Esta mulher tudo fará para reaver o filho, para o reconquistar para a vida. Sujeita-se ao ridículo, a ser olhada de esguelha, sujeita-se a uma humilhação pública. Mas que lhe importa? O importante é a saúde e a vida do filho. Até pode morrer, mas que o filho seja salvo! Os discípulos parecem incomodar-se mais com a sua gritaria do que com o seu sofrimento!

 

3 – Na resposta aos discípulos, Jesus diz-lhes que não foi enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel. Porém, esta Mãe não desiste e insiste, prostrando-se aos pés de Jesus: «Socorre-me, Senhor». Parece que Jesus não se comove! O que contraria o que está contido nos Evangelhos: a Sua delicadeza e proximidade às pessoas mais frágeis, pobres, doentes, mulheres, crianças, publicanos e pecadores! Então que se passa com a reação de Jesus? Assume a nossa postura para que nós nos ponhamos do lado de quem sofre e assumamos a Sua postura: amor ao serviço dos mais desfavorecidos.

Convertamos em pergunta a resposta dada por Jesus àquela Mulher: "Será justo tomar o pão dos filhos para o lançar aos cachorrinhos?". Entramos na pedagogia de Jesus que nos desafia. A Mulher cananeia ajuda-nos a responder ao questionamento de Jesus: «É verdade, Senhor; mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa de seus donos».

Jesus mostra que a salvação não se destina a um grupo ou a um povo, mas destina-se a todos. A fé é a única exigência para a cura, para a redenção. Fé que se torna humildade diante de Deus e predisposição para acolher o Seu amor, o Seu perdão e a Sua cura. É na fé amadurecida desta mulher que Jesus opera a cura da sua filha.


Textos para a Eucaristia (ano A):  Ap 11, 19a; 12, 1-6a. 10ab; Sl 44 (45); 1 Cor 15, 20-27; Lc 1, 39-5.
 

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE


15
Ago 17
publicado por mpgpadre, às 08:00link do post | comentar |  O que é?

1 – A solenidade da Assunção de Nossa Senhora ao Céu – verdade de fé confirmada pelo Papa Pio XII, a 1 de novembro de 1950, a partir da sensibilidade, do sensus fidei, do povo de Deus, que há muito considerava que Àquela que acolheu o Filho de Deus, gerando-O e dando-O ao mundo, sem nunca se desligar do filho, teria que estar onde está o filho, na eternidade do Pai, sem experimentar, nem no início (Imaculada Conceição) nem no fim (ressurreição, Assunção) a corrupção do corpo – celebra a certeza que Deus não desiste de nós e não nos quer perder nem no tempo nem na eternidade.

Jesus, o Filho bem-amado do Pai, é enxertado na história, para caminhar connosco e nos fazer caminhar com Ele.

Sem forçar, Deus conta connosco. Desafia Maria e espera a sua resposta. Ao responder ao chamamento de Deus, Maria torna possível um novo avanço na Aliança de Deus com o Seu povo. Já não mensageiros, já não à distância, mas na própria carne humana. Deus torna-Se, com propriedade, Emanuel, Deus connosco.

O Sim de Maria compromete-a e a nós também. É um SIM que se traduz em muitos sins, repetidos, atualizados, novos. A vida também é assim, quem diz sim, di-lo para cuidar, para proteger, para servir. Não se ama num sim que se esvai na memória, ama-se num sim que se renova em gestos, em palavras, em cuidado e ternura, e nas carícias do olhar e do sorriso, do beijo e do afago e do abraço. É essa a resposta de Jesus a uma mulher que o interpela – «Feliz Aquela que Te trouxe no seu ventre e Te amamentou ao seu peito»«Mais felizes são os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática».

669fa756afaa87161065a6117bed92ad--assumption-of-ma

2 – A vida eterna inicia com a vida terrena. Não há quebras, ainda que haja novidade. A vida é gerada desde sempre para não se perder. Essa é a vontade de Deus e de quem ama. Quando se ama quere-se que perdure o amor, a pessoa amada e a ligação.

Jesus precede-nos como primícias (= primeiros frutos da terra). Ele ressuscita primeiro, depois nós. Em Maria, começa-se a cumprir a promessa. Ela é assumpta por Deus para sempre. Ela que nunca Se afastou de Jesus, é elevada para junto d'Ele na eternidade. Para nós, a postura constante de Jesus: alimentar-Se da vontade e da presença do Pai. Para nós, o exemplo de Maria, que em tudo procura enaltecer as maravilhas do Senhor, dando Jesus, apontando para Jesus: Fazei tudo aquilo que Ele vos disser. É feliz todo aquele que escutar a Palavra de Deus e a traduzir em vida, em serviço e amor. Inicia-se no tempo o que será na eternidade: a comunhão plena com Deus.

Rezemos para que Deus, que elevou «à glória do Céu em corpo e alma a Imaculada Virgem Maria» nos conceda «a graça de aspirarmos sempre às coisas do alto, para merecermos participar da sua glória».

Com os olhos fitos em Jesus e na Bem-aventurada Virgem Mãe, com os pés bem assentes neste chão e nesta terra, com o coração bem ligado aos outros, com as mãos livres para abençoar, para abraçar, para trabalhar, para levantar; para acolher (a bênção e os dons de Deus) e para partilhar (tudo quando recebemos de Deus como dom, para que se multipliquem na dádiva); com as mãos livres e estendidas para Deus, com as mãos abertas e libertas para os irmãos.


Textos para a Eucaristia (ano A):  Ap 11, 19a; 12, 1-6a. 10ab; Sl 44 (45); 1 Cor 15, 20-27; Lc 1, 39-5.
 

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE


12
Ago 17
publicado por mpgpadre, às 23:21link do post | comentar |  O que é?

1 – Ainda que caminhemos por entre escombros, não precisamos que nos substituam, mas que nos estendam a mão, caminhem ao nosso lado; precisamos de uma luz, ainda que seja ao fundo do túnel, um objetivo, uma razão para lutar, uma meta a atingir, um sentido que nos mova a prosseguir.

il_fullxfull.952047500_7zq9.jpg

2 – No Evangelho do domingo passado (não fosse a festa da Transfiguração), Jesus realiza o milagre da multiplicação e da partilha do pão e do peixe. A multidão é a destinatária do ensino e dos gestos de Jesus. Porém, a atenção para com os discípulos mantém-se: eles são chamados a intervir, a dar de comer à multidão, a arranjarem uma solução concreta e possível, a distribuírem/partilharem o alimento e a recolherem as sobras, para que nada se perca.

Estando mais perto de Jesus, os discípulos têm o privilégio de O conhecer melhor, de O escutar com mais atenção, de beneficiarem das Suas explicações. Porém, quanto mais informação, quanto mais poder, mais a responsabilidade. Jesus compromete os discípulos no anúncio do Evangelho e na prática da caridade.

Essa proximidade que liga os discípulos a Jesus fortalece-os, e a nós também, para as tempestades da vida, para os desertos, para as invernias, para as trevas. Depois da multiplicação dos pães, Jesus permanece junto da multidão a despedir-se das pessoas. Os discípulos vão indo para a outra margem.

Há outro hiato de tempo que é recorrente, Jesus sobe ao monte para orar, para melhor escutar o Pai.

Regressa para junto dos discípulos na quarta vigília da noite. Ao vê-l'O os discípulos pensam que estão a sonhar, que estão a ver um fantasma. À noite todos os gatos são pardos. Jesus caminha sobre o mar, tranquilamente. Assustaria qualquer um. Por certo não é uma partida de crianças mas a certeza de que não há barreiras para Jesus vir ao nosso encontro, em nosso auxílio. Como então, Jesus estende-nos a mão, mostra-Se, garante-nos que está. Temos que O ver também durante a noite, quando as trevas se adensam.

 

3 – Pedro, sempre ele, quer imitar Jesus. E imitar Jesus é coisa boa, é bom sinal. É um desejo que também devemos ter. Mas Pedro lá acaba por se fixar mais nas suas fragilidades e limitações que em Jesus. Mais vale quem Deus ajuda que quem muito madruga. Podemos fazer tudo bem, mas se é apenas por nós, para nós, se nos apoiamos somente nas nossas capacidades, como se fôssemos deuses, tornando-nos o centro, mais tarde ou mais cedo vamos ao fundo. Da mesma forma, não avançamos se for o medo a controlar-nos, o medo de falharmos, o medo de não sermos aceites, o medo de sofrermos…

Vem. Avança. Podes confiar. Pedro vai, com o olhar fito em Jesus. Vai bem, até que olha para baixo e começa a afundar-se. É como as vertigens, quem as tem, só tem que olhar para cima, para a frente, e seguir, pois no momento em que olha para baixo vacila. Se Pedro se tivesse fixado em Jesus e na Sua voz, a violência do vento passaria para segundo plano.

Pedro dá-nos ainda outra lição importante: a humildade, o reconhecimento das próprias fragilidades, a humildade que se volta para Jesus. «Salva-me, Senhor». Só Tu, Senhor, me livras das minhas quedas, dos meus medos. Só Tu, Senhor, podes ser luz e sentido e meta para eu caminhar seguro! Vem e socorre-me, Senhor, do meu egoísmo, do meu pecado e do meu orgulho, que são peso que me afunda. Liberta-me, concede-me a capacidade de amar, de acreditar, de confiar, de me gastar a favor dos outros, o gosto de servir e cuidar, para me tornar leve, tão leve que seja capaz de caminhar por cima do mar.


Textos para a Eucaristia (ano A): 1 Reis 19, 9a. 11-13a; Sl 84 (85); 2 Rom 9, 1-5; Mt 14, 22-33.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE


05
Ago 17
publicado por mpgpadre, às 19:49link do post | comentar |  O que é?

1 – «Senhor, como é bom estarmos aqui! Se quiseres, farei aqui três tendas: uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias». Jesus toma conSigo Pedro, Tiago e João e sobe com eles a um alto monte, lugar privilegiado para encontrar-se com Deus.

Jesus retira-se muitas vezes para a montanha, para lugares ermos, para o deserto. Lugares onde se sente mais a sós com o Pai. Em momentos-chaves, a intimidade de Jesus com o Pai é reforçada, para que a firmeza O conduza à missão de transparecer o Reino de Deus.

Os escritores sagrados dos primeiros tempos sublinham o olhar de Jesus, profundo, luminoso, um olhar que cativa e atrai. É uma luz que vem dentro, do coração, que vem do alto, que vem do Pai.

É esta a luminosidade que transparece em Jesus. Na Transfiguração, Jesus deixa ver mais claramente a intimidade com Deus Pai. Luz, mais luz, mais luz, que também nos trespassa, que também nos ilumina, enchendo-nos o coração de luz. O coração e a vida. Cabe-nos, como àqueles discípulos, fazer com que a Luz que nos vem de Jesus, ilumine o nosso caminho.

7188e18c479349290fb479fef06a9482.jpg 

2 – Senhor, como é bom estarmos aqui! Se quiseres, farei aqui três tendas: uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias.

Quando estamos bem, quando nos sentimos em casa, o tempo passa célere, nunca é noite, é sempre dia, há sempre luz. Há momentos de sol e de chuva, de bonança e de tempestade. Quando chega a bonança, descansamos da ansiedade, do medo, do desgaste, para nos fortalecermos para o que possa vir a seguir.

O contexto da Transfiguração de Jesus evoca a vida como ela é. Há uma primeira evidência: Jesus aponta para o Pai, para que nos momentos mais sofríveis não nos esqueçamos d'Ele e da Luz que há em nós. Antes, Jesus revelara aos discípulos o que Lhe estava destinado: o Filho do Homem vai ser entregue às autoridades, vai ser julgado e vai ser morto. Jesus logo acrescenta que três dias depois de morto voltará à vida. O estrago já estava feito e os discípulos já não ouvem este novo dado. É como nós, dão-nos uma boa notícia e outra má, a notícia negativa ocupará toda a nossa atenção.

Depois deste anúncio, Jesus leva os discípulos mais próximos ao alto da montanha e transfigura-Se diante deles, sinalizando a vida em comunhão plena com Deus Pai, apontando para a vida definitiva.

 

3 – Senhor, como é bom estarmos aqui! Se quiseres, farei aqui três tendas: uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias.

Antes do fim há ainda muita vida, muito caminho a percorrer. A eternidade, a ressurreição, inicia no tempo presente, no compromisso histórico com todos os que seguem connosco. Em Jesus, há um reino a germinar, um projeto em andamento, um vida a florir. Antes, Moisés e Elias, que confluem para Jesus. Ele resume, assume e pleniza as promessas feitas por Deus ao povo eleito. Chega agora o tempo de escutar e de seguir outro Mestre: «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência. Escutai-O».

Como no Batismo, Deus declara a Sua afeição pelo Filho, convocando-nos a todos para O escutar e para O seguir. Não há tempo a perder. São horas de partir e de seguir Jesus: «Levantai-vos e não temais». Quando os discípulos olham novamente, veem apenas Jesus, caem na realidade. Jesus desperta-os do assombro, para que desçam ao mundo concreto e deixem a ressurreição dos mortos para Deus, para quando chegar a hora de Se manifestar em plenitude.

 

Pe. Manuel Gonçalves


Textos para a Eucaristia (ano A):  Dan 7, 9-10. 13-14; Sl 96 (97); 2 Pedro 1, 16-19; Mt 17, 1-9.
 
 


29
Jul 17
publicado por mpgpadre, às 23:46link do post | comentar |  O que é?

1 – Jesus continua a falar-nos em parábolas. As duas primeiras falam-nos de tesouros e pérolas que concentram toda a atenção e que justificam a renúncia a outros pequenos tesouros.

«O reino dos Céus é semelhante a um tesouro escondido num campo. O homem que o encontrou tornou a escondê-lo e ficou tão contente que foi vender tudo quanto possuía e comprou aquele campo. O reino dos Céus é semelhante a um negociante que procura pérolas preciosas. Ao encontrar uma de grande valor, foi vender tudo quanto possuía e comprou essa pérola».

Há uns domingos atrás ouvíamos Jesus a colocar-nos entre escolhas: «Quem ama o pai ou a mãe mais do que a Mim, não é digno de Mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a Mim, não é digno de Mim. Quem não toma a sua cruz para Me seguir, não é digno de Mim». São opções. Prioridades que resolvem uma vida. Um grande amor merece e implica todas as renúncias. Perguntai a uma mãe o que está disposta a fazer em prol dos filhos! Tudo. O corpo, o sangue, qualquer vexame! Se fosse possível, a Mãe ficava doente, iria para a cadeia, morreria em vez dos filhos. Faria qualquer coisa para que os filhos ficassem bem e não tivessem que passar nenhum sacrifício ou sofrimento.

Jesus coloca-nos diante de um amor maior, um único amor, o Reino de Deus. Onde está o teu tesouro estará o teu coração. Para o cristão o Reino de Deus coincide com o próprio Jesus. Ele é o reino de Deus no meio de nós. As palavras de Jesus são lapidares: o seguimento precede qualquer amor, por maior que seja. Víamos então que a exclusividade exigida por Jesus humaniza as relações, tirando-lhes o peso do endeusamento e o risco da instrumentalização. E em nada diminui ou secundariza a ligação, o cuidado e o compromisso com aqueles que Deus coloca na nossa vida. Primeiro o reino de Deus e a sua justiça e o mais virá por acréscimo. Cumprir com a justiça do reino significa seguir Jesus, amá-l'O de todo o coração, antes e acima de tudo, mas implica igualmente fazer como Ele: dar a vida, gastar a vida, resistir a todo o mal, cuidar de todos, daqueles que estão por perto, daqueles que se cruzam connosco.

prodigal3.jpg

2 – A terceira parábola deste domingo tem semelhanças com a parábola do trigo e do joio: «O reino dos Céus é semelhante a uma rede lançada ao mar… apanha toda a espécie de peixes. Logo que se enche, puxam-na para a praia e, sentando-se, escolhem os bons para os cestos e o que não presta deitam-no fora. Assim será no fim do mundo: os Anjos sairão a separar os maus do meio dos justos».

Em definitivo não nos cabe a nós ajuizar, dividir e condenar. Lembremo-nos que a pressa em destruir o joio pode levar-nos a destruir também o trigo. A paciência de Deus dá tempo aos outros, dá-nos tempo a nós, para amadurecer. Deus é paciente e misericordioso, clemente e cheio de compaixão.

 

3 – Durante três anos, Jesus rodeia-se dos Doze e de outros discípulos para os instruir, os desafiar, os envolver no projeto do reino de Deus. Aqui e além provoca-os com palavras, com gestos, com a Sua postura. Também as parábolas são momentos de instrução e de convocação à sabedoria. É admirável como um conjunto de maltrapilhos vão espalhar a mensagem pelo mundo inteiro e como, quase ignorantes, simplórios, se arriscam em praças públicas a pregar, a anunciar destemidamente o Evangelho, repetindo e atualizando as histórias, argumentando, debatendo, refletindo. Se imaginarmos Pedro, um pescador, impulsivo, rude, com o coração ao pé da boca, capaz de argumentar diante das autoridades e escrever (ou inspirar) cartas magníficas à Igreja, vemos como se deixou moldar pelo Espírito de Deus, superando os seus impulsos e as suas limitações.

 

Pe. Manuel Gonçalves


Textos para a Eucaristia (ano A): 1 Reis 3, 5. 7-12; Sl 118 (119); Rom 8, 28-30; Mt 13, 44-52.
 


mais sobre mim
Relógio
Fevereiro 2018
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9

11
12
13
14
15
16
17

18
19
20
21
22
23
24

25
26
27
28


Visitantes
comentários recentes
desculpe, espero não incomodar, ainda sobre a ques...
O texto está excelente e explica bem, não compreen...
se vir que existe alguma coisa errada nos comentár...
Este subjectivismo reflecte-se na prática na relat...
- Existe a ideia que o exemplo da santidade dos Sa...
sr.padre, posso colocar uma reflecção sobre o subj...
Obrigado sr.padre, continuação de um Feliz Natal e...
Santo Natal. Bom Ano de 2018, abençoado por Deus e...
sr.padre, ao ler a sua resposta fiquei com duas dú...
O mundo atual precisa do testemunho cristão. Livro...
Saudações fraternas. Claro que sim. Ao longo da Su...
Caríssimo, no texto que comento, anuncia a experiê...
Sofres do síndrome de última bolacha do pacote
Quero agradecer por essa linda história e texto po...
Gostei da trilogia.http://numadeletra.com/1q84-liv...
arquivos
Pinheiros - Semana Santa
- 29 março / 1 de abril de 2013 -
Tabuaço - Semana Santa
- 24 a 31 de abril de 2013 -
Estrada de Jericó
pesquisar neste blog
 
Velho - Mafalda Veiga
Festa de Santa Eufémia
Pinheiros, 16/17 de setembro de 2012
Primeira Comunhão 2013
Tabuaço, 2 de junho
Papa Bento XVI
Profissão de Fé 2013
Tabuaço, 19 de maio
blogs SAPO