...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...
15
Jul 17
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

1 – Saiu o semeador a semear, lançou a semente à terra, mas nem toda a semente caiu em terra favorável. Fácil imaginar Jesus em Nazaré, da infância à idade adulta, num contacto próximo com a vida do campo, com a agricultura, com a natureza. Relembramos que o Pai, José, era carpinteiro. Por certo, também Jesus seguiu as pisadas do Pai. Um carpinteiro, à época, fazia vários trabalhos, da madeira à pedra e ao ferro; o que fosse necessário como arranjar alguma portada, ajudar a edificar um templo ou um palácio, construir ou reparar uma ponte, canalizar a água para algum campo. Mas as famílias sobreviviam também com o que produziam, trigo, centeio, hortaliça, árvores de fruto, animais de pequeno porte, cabras e ovelhas, que permitiam recolher a lã, o leite, produzir queijo. Na festa da Páscoa, tinham os próprios cordeiros para consumo familiar, permitindo também a venda de alguns ou a troca por outros bens necessários.

A proximidade à terra facilita a compreensão da parábola. O semeador lança a semente, projetando o braço e abrindo a mão de forma a ir soltando o trigo ou o centeio. As sementes não caem de forma uniforme e o controlo sobre o lugar onde caem é bastante preciso, mas há sempre sementes que ultrapassam o limite do campo. O próprio Jesus poderá ter desempenhado esta tarefa ou visto familiares a fazê-lo. O objetivo do semeador é que a semente caia em boa terra para frutificar com abundância.

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2 – Algumas das parábolas deixam que possamos retirar ilações, tentando perceber o que Jesus nos quer dizer. Com esta parábola também, mas com um senão, o próprio Jesus a interpreta:

«Quando um homem ouve a palavra do reino e não a compreende, vem o Maligno e arrebata o que foi semeado no seu coração. Este é o que recebeu a semente ao longo do caminho. Aquele que recebeu a semente em sítios pedregosos é o que ouve a palavra e a acolhe de momento com alegria, mas não tem raiz em si mesmo, porque é inconstante, e, ao chegar a tribulação ou a perseguição por causa da palavra, sucumbe logo. Aquele que recebeu a semente entre espinhos é o que ouve a palavra, mas os cuidados deste mundo e a sedução da riqueza sufocam a palavra, que assim não dá fruto. E aquele que recebeu a palavra em boa terra é o que ouve a palavra e a compreende. Esse dá fruto e produz ora cem, ora sessenta, ora trinta por um».

O Semeador é Jesus. A semente é a Palavra de Deus, a fé concretizável na esperança e na caridade. O campo somos nós. Por vezes somos terra árida, muitas coisas nos ocupam e distraem. Outras, temos boa vontade e até estamos recetivos, mas surgem dificuldades e não estamos para nos chatear. Há ocasiões em que persistimos apesar de tudo, do sofrimento, do sacrifício e das contrariedades e fazemos com que a Palavra de Deus, semente em nós lançada, rebente e frutifique generosamente.

 

3 – A semente, como se vê, é abundante. Cai em todo o lado, é para todos. Mas se é Deus que lança a semente e a faz frutificar, há um dado que salta à vista, depende também de nós. Se nos fechamos, o Espírito de Deus não fará germinar a semente. Se abrimos o nosso coração e a nossa vida a Deus, se nos tornarmos terra trabalhada, cavada, a semente encontrará as condições para frutificar.

As palavras de Jesus assumem uma forte interpelação: «O coração deste povo tornou-se duro: endureceram os seus ouvidos e fecharam os seus olhos». Os discípulos estão chamados a seguir Jesus e não a dureza "deste povo": «Quanto a vós, felizes os vossos olhos porque veem e os vossos ouvidos porque ouvem!».


Textos para a Eucaristia (A): Is 55, 10-11; Sl 64 (65); Rom 8, 18-23; Mt 13, 1-23.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE


27
Mai 17
publicado por mpgpadre, às 17:00link do post | comentar |  O que é?

1 – O envio final e decisivo de Jesus, faz referência à saída, ao movimento – ide; ao ensino – ensinai; à totalidade das pessoas – a todas a nações; à construção da comunidade dos crentes – batizai-as. «Ide e ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-as a cumprir tudo o que vos mandei. Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos».

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2 – São Lucas, no livro dos Atos dos Apóstolos e que nos tem sido servido como primeira leitura, faz-nos saborear com tempo o acontecimento único do mistério da redenção, morte e ressurreição/ascensão de Jesus.

Depois da Sua paixão, Jesus aparece vivo aos Apóstolos, durante 40 dias, isto é, todo o tempo necessário para os preparar para que, doravante, assumam eles a missão de anunciar o Evangelho. Jesus reaviva a promessa firmada no Pai: sereis batizados no Espírito Santo. Percebendo que Jesus vai partir, chegam as perguntas e a esperança: é agora que o Reino de Deus vai aparecer em todo o seu esplendor?

A resposta de Jesus é contundente: «Não vos compete saber os tempos ou os momentos que o Pai determinou com a sua autoridade; mas recebereis a força do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém e em toda a Judeia e na Samaria e até aos confins da terra». O importante não são as datas, mas o que cada um de nós pode fazer para tornar visível o reino de Deus. Recebe(re)mos o Espírito Santo para nos tornarmos testemunhas de Jesus em toda a parte, em todo o tempo, a todas as pessoas.

Percebe-se que depois da morte e ressurreição de Jesus, os apóstolos terão ficado mais ou menos de braços cruzados à espera que o reino de Deus se impusesse com estrondo. Deus impondo-Se ao mundo, destruindo-o e salvando aqueles que tinham aderido a Jesus Cristo. Relembra-nos São Lucas que Jesus, à vista deles e de nós, elevou-se para lá das nuvens, deixou de estar fisicamente visível. Pudemos então escutar a voz vinda do Céu: «Homens da Galileia, porque estais a olhar para o Céu? Esse Jesus, que do meio de vós foi elevado para o Céu, virá do mesmo modo que O vistes ir para o Céu».

 

3 – Não há tempo a perder, à espera que anoiteça ou faça sol, é tempo de partir e lançar as mãos ao arado e lavrar a terra. É tempo de abraçar a Cruz e levar a Luz a toda a gente. É tempo de deixar crescer em nós a semente plantada para que a Palavra frutifique abundantemente. Agora é a nossa vez. A missão é de Cristo. Mas através de nós, mantendo-se ligado pelo Espírito Santo que nos dá. Qual videira que alimenta os ramos para que deem fruto em abundância. Daremos tanto mais fruto quanto mais estivermos ligados a Jesus Cristo.


Textos para a Eucaristia (A): Atos 1, 1-11; Sl 46 (47); Ef 1, 17-23; Mt 28, 16-20.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE


30
Abr 17
publicado por mpgpadre, às 12:15link do post | comentar |  O que é?

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Iniciámos a Semana Santa, a semana maior, pois nela se visualiza, de forma mais viva e intensa, o mistério maior da nossa fé, a paixão redentora de Jesus, que dá a vida por nós, e a Sua ressurreição gloriosa, certeza que a última palavra é da vida, é do amor, é de Deus. Até à Páscoa solene (anual) somos envolvidos nas últimas horas de vida de Jesus, centrados especialmente no processo rápido que O leva da ceia pascal ao Calvário, revelando-nos por inteiro o mistério de amor, de dádiva, de libertação, de resistência ao sofrimento, de priorização de Deus e da Sua vontade, de ousadia e de humildade, de perdão e de compaixão.

Jesus manda preparar a Páscoa. É um momento de festa, de convívio, de encontro e de memória. A comunidade reúne-se para celebrar a libertação; em família, relembra-se tudo quanto fez o Senhor, Deus de Israel, a favor do povo, para que as gerações vindouras vivam agradecidas e voltadas para o Senhor.

Quando a Ceia se aproxima do fim, Jesus antecipa a Sua morte e ressurreição, instituindo a Eucaristia: sempre que fizerdes isto, fazei-o em memória de Mim. Este é o Meu Corpo. Este é o Meu sangue, entregue por vós e a vós confiado para a salvação do mundo.

Terminada a refeição, Jesus sai com os discípulos para o Jardim das Oliveiras. A noite convida ao descanso. Mas não são horas para dormir, são horas de vigiar, de rezar com insistência. Pelo menos da parte de Jesus. Aproximam-se trevas densas, tenebrosas, mas mais do que a falta de luminosidade exterior é a falta de luz nos corações. Quem não tem luz no coração vive mergulhado na morte.

Naquela hora, Jesus penetra o sofrimento mais atroz. O desfecho está à vista. Um pouco mais, e ainda escuro, na noite de Judas e das lideranças judaicas, Jesus será preso, julgado, condenado à morte. Alguns minutos, algumas horas, e o fim virá! Pai, Pai, Pai, se é possível que passe de Mim esta hora, que passe rápido. Tanto sofrimento para um Homem só. Os gritos de Jesus levam os nossos gritos também. Pai, Pai, Pai, cumpra-se a Tua vontade. É mortal este caminho de entrega, é dom, mas é o caminho da salvação. Não há armas para lutar. A vida ganha-se pela fragilidade/força do amor, pela benevolência, pela misericórdia. O ódio, a guerra, a inveja, só geram mais discórdia, mais destruição, mais desumanização. Caminhemos com Jesus até ao calvário, até à cruz, e Ele nos mostrará a Luz!

 

Publicado na Voz de Lamego, n.º 4407, de 11 de abril de 2017


26
Jan 16
publicado por mpgpadre, às 12:00link do post | comentar |  O que é?
D. MANUEL CLEMENTE (2015). O Evangelho e a Vida. Conversas na rádio no Dia do Senhor. Ano C. Cascais: Lucerna. 304 páginas.

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D. Manuel Clemente teve nos microfones da Rádio Renascença um instrumento privilegiado de evangelização, salientando-se os 12 anos, no programa "O Dia do Senhor", nas manhãs de domingo, a comentar a Liturgia da Palavra de cada domingo, centrando-se especialmente no Evangelho proclamado nesse dia.

Depois dos dois volumes - ano A e ano B -, a publicação do volume do ano C. A linguagem é radiofónica, portanto, direta, acessível, simples, situando o texto, pondo em evidência uma frase ou uma expressão, a postura de Jesus e a reação das pessoas, a vivência dos discípulos e das comunidades cristãos, a reação dos ouvintes e a forma como as comunidades foram acolhendo e traduzindo a palavra de Deus para melhor viver e seguir Jesus Cristo.

A Palavra de Deus é viva, para todos os tempos. Jesus ressuscitou, vive entre nós, continua a ser a força e a luz de muitas pessoas e de muitas comunidades. O mundo pode sempre melhorar, os cristãos têm uma importância crucial, com os valores da vida, da dignidade humana, da partilha solidária, do amor caritativo, da doação da própria vida pelo vida dos outros, ao jeito de Jesus, seguindo a Sua Palavra e a Sua maneira específica de privilegiar os mais frágeis, as pessoas excluídas, pela doença, pelo estrato social, pela profissão, pela vida moral. Para Jesus todos são - todos somos - filhos que merecem todo o cuidado, toda atenção.

Como em outros comentários à Liturgia de Domingo, a sua leitura poderá fazer-se na semana que antecede cada domingo, ficando mais próxima a preparação do mesmo, ou de uma assentada, ficando-se com uma visão global e antecipada de todo o ano litúrgico, que começou com o primeiro domingo do Advento e terminará em 20 de novembro de 2016. Coincidente com este ano litúrgico, a celebração do Jubileu Extraordinário da Misericórdia, sabendo-se que neste ano C é proclamada preferencial do Evangelho de São Lucas, Evangelho da Misericórdia.

Havendo diversos subsídios confiáveis e seguros que ajudam a preparar e a refletir a Liturgia da Palavra de cada domingo, também este, seguramente, é um comentário seguro, interpelativo, centrado no texto mais importante para os cristãos - o Evangelho - e num discurso muito direto e muito vivo, inculturado na atualidade, desafiador da criatividade e do compromisso dos cristãos para hoje.


25
Jan 16
publicado por mpgpadre, às 11:58link do post | comentar |  O que é?
D. MANUEL CLEMENTE (2013). O Evangelho e a Vida. Conversas na rádio no Dia do Senhor. Ano A. Cascais: Lucerna. 320 páginas.

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No dia 7 de julho de 2013, D. Manuel Clemente assumia a cátedra do Patriarcado de Lisboa. Durante alguns anos, como Bispo Auxiliar de Lisboa e, depois, como Bispo do Porto, manteve uma presença regular na Rádio (Renascença) e na Televisão (RTP 2), em programas semanais. Na televisão, no programa da Igreja Católica "ECCLESIA", os diálogos, habitualmente com Paulo Rocha, sobre a vida da Igreja e da sua história milenar. Estes diálogos foram publicados em livro: Uma Casa Aberta a Todos, onde se recolhem textos de outras intervenções de D. Manuel Clemente.

A presente obra ora recomendada, resulta dos comentários feitos na Rádio Renascença, ao domingo, no programa "O Dia do Senhor". D. Manuel Clemente comentava a Liturgia do Domingo.

O livro recolhe as intervenções de D. Manuel Clemente, em clima de familiaridade e de diálogo. O comentário centra-se no Evangelho do respetivo domingo. Quem já o escutou na rádio ou na televisão, ou quem já leu algum texto ou intervenção, sabe da serenidade de D. Manuel Clemente, falando de forma simples, acessível, procurando que a Palavra de Deus seja luz para os crentes de hoje, para a Igreja e para o mundo.

Pessoalmente, tive a oportunidade de escutar estas e outras reflexões, ao domingo de manhã, não na totalidade, mas durante uns 10 minutos, na passagem de uma para outra Eucaristia dominical. Por vezes, uma frase, um comentário, uma história, serviam-me para um enquadramento diferente na Homilia ou para explicitar alguma interpelação.

Os textos podem ser lidos na semana anterior ao respetivo domingo, preparando-se para melhor a Eucaristia e o Domingo, ou de uma assentada, ficando-se com uma visão geral de todo o ano litúrgico, voltando aos textos em cada semana. Neste ano A, o evangelista que mais de perto nos acompanha é São Mateus, o Evangelho da Igreja.


17
Jan 16
publicado por mpgpadre, às 14:00link do post | comentar |  O que é?

D. ANTÓNIO COUTO (2015). Quando Ele nos abre as Escrituras. Domingo após Domingo. Uma leitura bíblica do Lecionário. Ano C. Lisboa: Paulus Editora. 464 páginas.

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       O Bispo de Lamego, D. António José da Rocha Couto, é reconhecidamente um estudioso da Bíblia, pela formação académica, pela responsabilidade pastoral, pelo compromisso universitário, pelo gosto pessoal e bastimal. A Sagrada Escritura é uma enxurrada de Deus que vem até nós pela Palavra inspirada, anunciada, escrita, experimentada, visível na história e no tempo, nos acontecimentos passados e nos momentos que passam, através de pessoas e de povos, e sobretudo em Jesus Cristo, o Filho Bem-amado do Pai, que nos abre o Céu, trazendo-nos, em Si, o próprio Deus.

       Depois da publicação das Leituras Bíblicas do Lecionário ano A e do Lecionário do ano B, com a Introdução ao Evangelho de Mateus e Introdução ao Evangelho de Marcos, eis agora a Leitura Bíblica do Lecionário do Ano C, enquanto se aguarda a edição da Introdução ao Evangelho de Lucas.

Todas as semanas, centenas de pessoas visitam a página de D. António Couto, na qual coloca as propostas de reflexão para o Dia do Senhor, Mesa de Palavras, sendo depois partilhada em diferentes plataformas digitais, também na página da Diocese de Lamego no Facebook.

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       Escreve como se fosse a última coisa que fizesse, como um legado, com a mestria de um bisturi, tal como diz da própria palavra de Deus, colocando cada ponto no seu lugar e fazendo pontes, de Jesus para os discípulos, daquele para o nosso tempo, contextualizando o espaço e o tempo, com as ramificações ao passado, à história de Israel, e aos países e regiões vizinhas.

       Como refere D. António Couto, apresentando este livro: "O estilo é o de sempre. A substância é bíblica e litúrgica, com tempero teológico, literário, simbólico, cultural, histórico, arqueológico. Fui-o escrevendo com gosto, pensando em todos aqueles que gostam de saborear os textos bíblicos que a Liturgia nos oferece. Pensei sobretudo naqueles que, domingo após domingo, têm a responsabilidade de abrir as Escrituras à compreensão dos homens e mulheres, jovens e crianças, que, domingo após domingo, entram nas nossas igrejas".

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       O andamento é o Ano Litúrgico, domingo após domingo, com os diversos tempos do Advento e Natal, da Quaresma e da Páscoa, do Tempo Comum, e do Santoral, com as principais Solenidades e Festas do Senhor, da Virgem Maria, dos Apóstolos, de Todos os Santos...

"É a estrada bela, e é andando nela que se encontra o repouso para a vida (Jr 6, 16). Encontramos lume e sentido, para voltar à estrada dos dois de Emaús, a quem já ardia o coração (Lc 24, 32). É a estrada que desce de Jerusalém para Gaza. A estrada é no deserto (Atos 8, 26), como a de Isaías (35, 8; 43, 19), mas pode sempre encontrar-se nela o sentido e a água (Atos 8, 35). É a estrada de Damasco, em que podemos sempe cair de nós abaixo e ouvir chamar o nosso nome de uma forma nova e diferente (Atos 8, 4; 22, 7; 26, 14). É a estrada que se abre à nossa frente sempre que ouvimos Jesus a dizer: «Segue-Me!» ou «Vai»!".

       É um extraordinário contributo para quem prepara as Leituras de cada Eucaristia dominical e/ou solene, com arte e engenho, numa escrita cuidada, uma espécie de prosa poética, e com poemas a encerrar muitas das reflexões. Pode ler-se antes de cada domingo ou de cada celebração festiva, mas também se pode ler de uma assentada ficando-se desde logo com uma perspetiva de todo o ano litúrgico, regressando depois novamente aos textos nos domingos correspondentes.

       Com este volume, D. António Couto completa a reflexão dos três ciclos de leituras dos anos A, B e C, faltando, para acompanhar este último título, o estudo sobre o Evangelista do ano C, São Lucas.


publicado por mpgpadre, às 10:00link do post | comentar |  O que é?

D. ANTÓNIO COUTO (2013). Quando Ele nos abre as Escrituras. Domingo após Domingo. Uma leitura bíblica do Lecionário. Ano A. Lisboa: Paulus Editora. 352 páginas.

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        Sai a lume o primeiro volume de uma triologia, na qual nos guiará pela liturgia dos domingos que compõem o Ano A, o Ano B e o Ano C. Em cada ano se privilegia um Evangelho sinóptico, São Mateus no ano A; São Marcos no ano B, e São Lucas no ano C. O Evangelho de São João aparecerá em cada ano em domingos específicos, sobretudo ao tempo do Natal e ao tempo de Páscoa, mas também pelo verão com a temática do pão vivo que é Cristo Jesus.

       D. António promete fazer acompanhar um comentário-introdução, a publicar em data oportuna, sobre cada um dos evangelistas, para desta forma ajudar a perceber o estilo, o conteúdo e o objetivo de cada evangelista, o contexto em que escreveu, os destinatários e as linhas mestras de cada Evangelho.

       O Bispo de Lamego, estudioso da Bíblia, tem colocado à disposição de todos os comentários às leituras de Domingo, especialmente ao Evangelho, partir do seu blogue: Mesa de Palavras: AQUI. Antes de assumir, como Bispo, a Diocese de Lamego era um dos residentes no programa da Igreja Católica na RTP, Ecclesia, precisamente para ajudar a preparar a liturgia da palavra de cada Domingo. O livro que ora sugerimos recolhe a reflexão de D. António Couto para cada domingo, com profundidade, sabedoria, envolvendo-nos na Palavra de Deus, fazendo-no sentir parte essencial da história da salvação.

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       Como refere o autor, o estilo é o de sempre, recorrendo à Bíblia, à história, à cultura, à arqueologia, à literatura, à liturgia e à teologia. Com efeito, o texto de reflexão é envolvente, com muitas informações, fáceis de perceber e que ajudam a sublinhar a riqueza da palavra de Deus e como Deus intervém e Se entranha na nossa história, respeitando as nossas escolhas, mas não cessando de nos procurar.

       O Evangelho em análise é o de São Mateus, o Evangelho da Igreja e que durante muito tempo foi acolhido como o primeiro a ser escrito, sabendo-se hoje que essa primazia temporal é de São Marcos. É escrito numa comunidade já muito estruturada. Depois da morte e da ressurreição de Jesus, os Apóstolos anunciaram o Evangelho, juntando-se a eles muitas pessoas, formam-se as comunidades, as primeiras comunidades, cristãs, que procuram viver nos ideais do Evangelho. Chega uma altura que é necessário colocar por escrito o que foi sendo transmitido oralmente e "absorvido" pelas comunidades, ressalvando-se os avisos que Jesus faz para as comunidades viverem sem que os crentes se atropelem, mas que cada um concorra para o bem de todos. Para ser o primeiro é preciso ser o servo de todos.

"Neste ano A é-nos dada a graça de ouvir o Evangelho segundo Mateus, conhecido como «o Evangelho da Igreja», dada a grande importância que este Evangelho granjeou na Igreja primitiva, sobretudo devido à riqueza e à clareza temáticas dos longos, solenes e pausados discursos de Jesus que nele encontramos, e que constituem um imenso tesouro para a vida da Igreja. Na verdade, o leitor ou ouvinte encontra no Evangelho segundo Mateus uma longa e bela sinfonia dos ensinamentos fundamentais de Jesus, organizados em cinco andamentos á volta de cinco imensos discursos de Jesus: 1) o Discurso programático da MONTANHA (Mt 5-7); 2) o Discurso MISSIONÁRIO (Mt 10); 3) o Discurso das PARÁBOLAS do REINO (Mt 13); 4) o Discurso ESCATOLÓGICO (Mt 24-25)".

       As pistas de reflexão para cada domingo visam precisamente ajudar a prepara a Liturgia dos Domingos e dias santos e, por conseguinte, podem ser lidos e relidos na semana que precede cada domingo ou solenidade. Contudo, o volume de leituras do Ano A pode ser lido de uma assentada ficando-se com uma ideia abrangente do decorrer da liturgia ao longo de todo o ano. Ajuda ter o livro à mão, como ajuda seguir o blogue de D. António Couto que vai limando, aperfeiçoando, lapidando cada reflexão, atualizando com um ou outro dado que vai surgindo, acontecimentos da sociedade e da Igreja (salientando-se as intervenções e/ou convocações do Papa Francisco).

       Ao leitor "bom apetite. Já se sabe que nem só de pão vive o homem".


09
Jan 16
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

1 – «Tu és o meu Filho muito amado: em Ti pus toda a minha complacência».

O Céu abre-se para que a VOZ de Deus se faça ouvir. Com Jesus, Deus está mais perto de nós, tão perto que O podemos ver, tocar, O podemos perseguir, podemos apedrejá-lo e até matá-l'O. Deus está tão perto que Se esconde no meio de nós. Caminha connosco. Percorre ruas e vielas e avenidas que também percorremos, e sonhos e projetos de transformar o mundo e fazer com que todo o mundo seja uma só família e em que todos sejamos irmãos.

A voz que vem de Deus diz-nos que Aquele Homem da Galileia (e da Judeia e do mundo inteiro) é o Filho, o Amado do Pai. É único para o Pai, pois todos aqueles que amamos são únicos para nós. Ama-O com todo o amor. Deus não Se dá aos pedaços, às prestações, ou sob condição em conformidade com o comportamento futuro. Como a Jesus, também a nós Deus nos ama. Ama-nos primeiro. Antes de o merecermos. Ama-nos por inteiro. Como a Jesus. Seremos, como Ele, filhos únicos e bem-amados.

 

2 – A vida pública de Jesus inicia com o Seu Batismo. A nossa vida, como membros do Corpo de Cristo que é a Igreja, inicia com a inserção no Batismo de Jesus, tempo novo de graça e de salvação, novas criaturas, beneficiários da Misericórdia de Deus.

Importante lição de João Batista quando a multidão se pergunta se não será ele o Messias. Poderia deixar andar e beneficiar da expetativa e do sucesso granjeado entre a multidão. Mas depressa lhe assenta o estômago: «Eu batizo-vos com água, mas vai chegar quem é mais forte do que eu, do qual não sou digno de desatar as correias das sandálias. Ele batizar-vos-á com o Espírito Santo e com o fogo».

João prepara o caminho, é a Voz que torna audível a Palavra de Deus que é Jesus Cristo. Aponta para o Messias: Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Ele está antes, porque desde sempre é o Filho de Deus. É Ele que Eu anuncio. Foi por Ele que eu vim.

E lição importante de Jesus que se coloca na fila, sem passar à frente, ao largo ou ao longe, sem Se colocar acima, à margem ou de fora, coloca-Se em fila e como parte daquele povo que se aproxima de João Batista para ser batizado.

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3 – Um dos fios condutores do Evangelho e da missão evangelizadora de Jesus é a sintonia com o Pai. O Meu Alimento, diz Jesus, é fazer a vontade de Meu Pai. Nada faço por Mim mesmo. Como vi fazer ao Pai, assim Eu faço. Mais tarde, no entardecer de Quinta-feira santa, o mandato aos seus discípulos: Como EU fiz, fazei vós também. É o caminho e compromisso com o amor, com o serviço, no cuidado terno aos semelhantes que em Jesus se tornam irmãos de cada um de nós.

Enquanto levanta o olhar, o coração, a vida e o mundo para Deus, o céu abre-se e o Espírito Santo assume a forma corporal de uma pomba. E faz-se ouvir uma voz: «Tu és o meu Filho muito amado: em Ti pus toda a minha complacência».

No Batismo de Jesus, e no nosso também, Deus está por inteiro, Pai e Filho e Espírito Santo, manifesta-Se totalmente e assume-nos por inteiro. Ele coloca em nós todo o Seu amor de Pai.

 

4 – São Pedro, na segunda leitura, aponta-nos o CAMINHO a seguir, acessível a todos, já que Deus não faz aceção de pessoas e, portanto, cada um de nós se habilita à Sua herança. Ele enviou-nos Jesus Cristo, Sua palavra, que nos anuncia e nos traz a paz. A condição é o temor/amor a Deus e a prática da justiça.

A referência, o nosso CAMINHO, é Jesus Cristo, Enviado pelo Pai, ungido com a força do Espírito Santo, “passou fazendo o bem e curando todos os que eram oprimidos pelo demónio, porque Deus estava com Ele».

Deus está connosco! Está no meio de nós. Avancemos fazendo o bem e sendo cura para todos os que vêm até nós. Partamos ao encontro uns dos outros.

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Textos para a Eucaristia (ano C): Is 42, 1-4. 6-7; Sl 28 (29); Atos 10, 34-38; Lc 3, 15-16. 21-22.


02
Jan 16
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

1 – Todos os encontros podem deixar marcas em nós, mas contam verdadeiramente aqueles que nos tocam a alma e mudam a nossa vida. Se cada encontro pode influenciar-nos e enriquecer-nos, há aqueles que nos ajudam a ver a vida de um perspetiva diferente, a acreditar no amanhã, a depositar os nossos sonhos no futuro com esperança. Sentimos que chegamos a casa. Há estrelas que brilham no firmamento e nos atraiam para o melhor que a vida tem para nos dar.

Os Magos vêm de longe. Seguem com leveza e com pressa de chegar. É uma das características destes dias: Maria com pressa de chegar junto de Isabel; os pastores com pressa de chegar ao Presépio, e os Magos com pressa de adorarem o Deus Menino.

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2 – «Onde está o rei dos judeus? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-l’O». Quando não sabemos a direção é melhor parar e perguntar. O GPS – a estrela – levar-nos-á ao destino, mas a confusão da cidade pode distrair-nos do caminho.

Herodes fica perturbado. O medo toma conta do seu coração. Habituou-se ao poder e não quer que nada ponha em causa a sua comodidade. Chama os príncipes dos sacerdotes e os escribas do povo, informa-se acerca do local do nascimento do Messias, que segundo as profecias será «em Belém da Judeia, porque assim está escrito pelo Profeta: ‘Tu, Belém, terra de Judá, não és de modo nenhum a menor entre as principais cidades de Judá, pois de ti sairá um chefe, que será o Pastor de Israel, meu povo’».

O alvoroço provocado pela notícia de que o Messias nasceu mobiliza Herodes e a cidade. Deve também inquietar-nos, desinstalar-nos, levar-nos a querer saber mais, a descobrir onde O encontrar.

O mais triste é se estamos ao pé do sino e não ouvimos as horas, por habituação, por desleixo ou preguiça. O alvoroço está instalado. Ficamos com Herodes, comodamente instalados à espera que as notícias nos cheguem aos ouvidos, ou seguimos com os Magos, para fora do palácio e da cidade, e vamos a Belém?

 

3 – A esperança de Israel concretiza-se n'Aquele Menino. Todos se hão de prostrar diante d'Ele porque d'Ele virá todo o bem. "Prostrar-se-ão diante dele todos os reis, todos os povos o hão de servir. Socorrerá o pobre que pede auxílio e o miserável que não tem amparo".

O nascimento de Jesus é um acontecimento inaudito, Deus assume-nos por inteiro. A todos. Vem para o Seu povo, mas ao alcance de todos os povos, como relembra o Velho Simeão: «Agora, Senhor, deixareis ir em paz o vosso servo, porque os meus olhos viram a vossa salvação, que pusestes ao alcance de todos os povos: luz para se revelar às nações e glória de Israel, vosso povo» (Lc 2, 22-35). Os magos mostram que a Mensagem de Deus e os sinais da Sua presença no meio de nós chegam a toda a parte.

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4 – Logo que os magos se afastam do palácio, da cidade, e das distrações, a Estrela que os guia volta a estar visível. Por vezes precisamos de nos afastarmos um pouco, fazendo silêncio para ver melhor e para perceber o que nos rodeia e que caminho havemos de retomar.

"Eis que a estrela que tinham visto no Oriente seguia à sua frente e parou sobre o lugar onde estava o Menino. Ao ver a estrela, sentiram grande alegria. Entraram na casa, viram o Menino com Maria, sua Mãe, e, prostrando-se diante d’Ele, adoraram-n’O. Depois, abrindo os seus tesouros, ofereceram-Lhe presentes: ouro, incenso e mirra".

Os magos chegam finalmente onde se sentem em casa, junto de Jesus. E dão-lhe os presentes, simbólicos, a um tempo: ouro realeza; incenso divindade, e mirra humanidade. Há mais alegria em dar do que em receber. E mais que dar, importa dar-se. É o que fazem os pastores, é o que fazem os magos. Dão o melhor que têm porque se querem dar fazendo-se presentes. E recebem o maior presente: Jesus, Deus Menino. E tudo muda.

O encontro com Jesus fá-los voltar por outro caminho. "E, avisados em sonhos para não voltarem à presença de Herodes, regressaram à sua terra por outro caminho". Também o nosso encontro com Jesus nos há de levar por outro caminho, não preferentemente ao palácio, mas ao mundo.

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Textos para a Eucaristia: Is 60, 1-6; Sl 71 (72); Ef 3, 2-3a. 5-6; Mt 2, 1-12.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE.


31
Dez 15
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – Iniciamos cada ano sob o olhar materno da Virgem Mãe de Deus e nossa Mãe, para que em todo o ano Ela seja a Estrela da Manhã que nos guia para Jesus e nos conduz para dentro do Presépio, dando-nos Jesus, para O adorarmos, contemplando-O, enchendo-nos da Sua alegria e da Sua paz. Exige-se-nos o mesmo que a Maria: acolhê-l'O, adorá-l'O e dando-O aos outros.

        Um Menino nos foi dado, um Deus no meio de nós. Em Jesus, Deus entranha-Se na história a partir da própria história, encarnando, fazendo-Se Um de nós. Sem anúncios espetaculares ou publicidade enganosa, sem reportagens ou parangonas. Simplesmente nascendo numa família o mais normal possível, de Nazaré, e como qualquer família, com os seus contratempos, desde logo o nascimento em Belém de Judá.

       Há sinais que muitos veem, mas que poucos valorizam e dão crédito. Por regra, só quem tem um coração pobre, grande, disponível para os outros, vazio das coisas e sem orgulhos vãos, é que consegue ler os sinais que surgem na sua vida e à sua volta. Os que estão cheios de si raramente veem o que é verdadeiramente importante, o que conta, o que transforma a vida. Cheios de si, só eles contam, ninguém mais importa, nada têm a aprender ou a descobrir, a importância está neles, os outros são acessórios que embelezam as suas vitórias ou escadas que se permitem pisar para subir mais e mais.

       Como Maria a caminho da Montanha, apressadamente, assim os pastores ao encontro do Menino, apressadamente. Não há tempo a perder. Tudo é importante. Mas há acontecimentos que são decisivos e há pessoas – que nos trazem a salvação – que precisam de toda a nossa atenção. Os pastores deixam os rebanhos, partem por que nada têm de mais importante que a adoração de Jesus, o Menino que vem da parte de Deus. Diante de Jesus, tudo é relativo, secundário, dispensável. Só Jesus não se pode dispensar. Recordamos a liturgia da Festa da Sagrada Família: quando Jesus não está no MEIO, não está connosco, então há que deixar tudo, tudo, absolutamente tudo, para ir ao Seu encontro. Sem Ele de pouco vale o que temos ou o que somos. Com Ele, até as provações têm sentido e poderão ser redentoras.

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       2 – Chegados a Belém, encontram Maria, José e o Menino deitado na manjedoura, conforme o Anjo do Senhor lhes revelara. E de novo não há tempo a perder, não importa a pressa que traziam, nem o que deixaram lá fora, estão em casa pois estão junto de Jesus, encontraram uma RAZÃO maior que iluminará as suas vidas por completo.

       Que importa o mundo inteiro se tenho o mundo ao pé de mim, se estou em casa, se sou iluminado pela maior luz, se diante dos olhos e do coração tenho o essencial para ser feliz?

        Madre Teresa de Calcutá lembrava muitas vezes que o fundamental é dar atenção e cuidar da pessoa que tenho à minha frente. Se tenho uma pessoa a quem valer e não valho por estar preocupado com a doença, o sofrimento e a miséria de milhares de pessoas, de pouco me adianta fazer e ter bons propósitos. Há que começar por algum lado, melhor, por alguém. Quantas vezes estamos a falar com alguém e não escutamos por que estamos centrados noutras coisas, noutros mundos, em outras pessoas! Mas então e esta pessoa que está diante de mim? Não me merecerá toda a atenção do mundo? Há que acudir a Jesus nesta pessoa concreta.

        Os pastores dão-nos uma lição importante: ir ao encontro de Jesus e colocar-nos por inteiro diante d'Ele, com o que somos, com as nossas dúvidas e incertezas, com os nossos sonhos e projetos. Levamos-lhe o nosso dia-a-dia. Quando chegaram, os Pastores contaram tudo o que ouviram do Anjo.

       E como será o regresso? Se Ele nos tocou a alma, regressamos mudados para sempre. "Os pastores regressaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, como lhes tinha sido anunciado".

 

       3 – Capacidade de admiração dos ouvintes. De cada um de nós. Mal é quando a vida já não tem nada para nos dar, nada que nos faça sorrir, nada a apreciar. Todos ficam admirados, mas obviamente Maria ocupa um lugar especial. As mães bebem, mastigam, cada palavra que se diz dos filhos. "Maria conservava todos estes acontecimentos, meditando-os em seu coração".

       Silêncio que acolhe, guarda e medita. Maria também nos desafia pelo Seu silêncio da oração e da adoração. É a primeira a admirar Jesus, a pegar-lhe ao colo, a olhar para as suas feições, a tatear-lhe o corpo, cada pedaço de pele, a aconchegá-l'O contra o seu peito, embrulhando-O para o manter confortável, procurando-lhe o olhar.

       Quando os Pastores os encontram, Jesus está na manjedoura. É possível que Maria O tivesse em seus braços, mas coloca-O para que os pastores O possam adorar e pegar-lhe sem se sentirem retraídos. Os Pastores aproximam-se, presenciam o que lhes disseram: o Messias nasceu e está diante dos seus olhos. Como os habitantes da Samaria, quando a Samaritana lhes falou de Jesus: acreditamos não pelo que disseste mas pelo que vimos e Lhe ouvimos. Os pastores confiaram nas palavras do Anjo e partiram, mas fazem a experiência de encontro com Jesus.

       E com os pastores, outras pessoas se aproximam do Presépio. Vamos também nós a Belém adorar o Deus Menino. Maria, que lá O tem, estendê-l'O-á para que possamos pegar-lhe, deixando que Ele toque a nossa mão, o nosso coração, e nos envie, como aos pastores, em missão.

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       4 – Para o cristão, o Batismo marca o arranque de uma vida que se quer de identificação ao autor do Batismo, Jesus Cristo. Um dos primeiros gestos do ritual do Batismo é a escolha do nome do batizando. A primeira missão de Adão e Eva é a de dar nome às coisas e aos animais, para que dominem sobre eles, num domínio que é serviço e cuidado, responsabilidade por aqueles a quem se dá um nome. Quando queremos bem a alguém tratamo-lo pelo nome, num tom e num timbre que ressoe no coração. É das melhores músicas para os nossos ouvidos: o nosso nome dito e ouvido com alegria e amizade, com ternura e afabilidade.

"Quando se completaram os oito dias para o Menino ser circuncidado, deram-Lhe o nome de Jesus, indicado pelo Anjo, antes de ter sido concebido no seio materno". Ele é o Filho de Deus, mas está ao cuidado de Maria e de José, que Lhe dão o nome e a casa. "Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher e sujeito à Lei, para resgatar os que estavam sujeitos à Lei e nos tornar seus filhos adotivos. E porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: «Abá! Pai!». Assim, já não és escravo, mas filho. E, se és filho, também és herdeiro, por graça de Deus".

       Somos filhos de Deus, em Jesus Cristo e como tal somos responsáveis por cada irmão, filho, pai, mãe, pois Deus os colocou na nossa vida para deles cuidarmos. Maria e José exemplificam este cuidado. Jesus nasce e imediatamente lhes merece toda a atenção. Sublinhe-se o facto de São José que sendo pai adotivo e não biológico logo assume a missão de acolher, amar, cuidar, proteger, dar nome a Jesus e amparar a Virgem Mãe. Os laços que nos unem radicam no amor e na proximidade, ultrapassando os laços sanguíneos.

 

       5 – Neste primeiro dia de 2016, colocamo-nos, com Maria, sob o olhar misericordioso de Deus, para que nos ilumine e nos dê a Sua bênção. "Senhor nosso Deus, que, pela virgindade fecunda de Maria Santíssima, destes aos homens a salvação eterna, fazei-nos sentir a intercessão daquela que nos trouxe o Autor da vida, Jesus Cristo, vosso filho".

       A bênção há de ser a oração que nos liga a Deus e aos outros, e nos compromete na construção da paz. Como diz Deus através de Abraão: "O Senhor te abençoe e te proteja. O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face e te seja favorável. O Senhor volte para ti os seus olhos e te conceda a paz". Assim invocarão o meu nome sobre os filhos de Israel e Eu os abençoarei». E como salmodicamente respondemos à Palavra de Deus: «Deus Se compadeça de nós e nos dê a sua bênção, resplandeça sobre nós a luz do seu rosto. Na terra se conhecerão os seus caminhos e entre os povos a sua salvação. Alegrem-se e exultem as nações, porque julgais os povos com justiça e governais as nações sobre a terra». 

       São também os votos do Papa Francisco, na tradicional Mensagem para o Dia Mundial da Paz que hoje comemoramos: «Não perdemos a esperança de que o ano de 2016 nos veja a todos firme e confiadamente empenhados, nos diferentes níveis, a realizar a justiça e a trabalhar pela paz. Na verdade, esta é dom de Deus e trabalho dos homens; a paz é dom de Deus, mas confiado a todos os homens e a todas as mulheres, que são chamados a realizá-lo».

       O compromisso será vencer a indiferença, reconhecendo que os outros são nossos irmãos em Jesus Cristo e, desta forma, conquistar a paz que Ele nos traz.

 

Pe. Manuel Gonçalves

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Textos para a Eucaristia (ano C): Num 6, 22-27; Sl 66 (67); Gál 4, 4-7; Lc 2, 16-21.


26
Dez 15
publicado por mpgpadre, às 21:59link do post | comentar |  O que é?

1 – Jesus, Deus connosco, ensina-nos o caminho da fraternidade, da partilha, da comunhão, pelo perdão e pelo amor, colocando os outros em primeiro lugar, servindo-os. A quadra de Natal recorda-nos esta família de Nazaré, cujo ambiente promove o diálogo, o respeito pelas diferenças e pela missão de cada um, e sobretudo, o acolhimento da vontade de Deus.

Não é uma família extraordinária e, muito menos, extraterrestre. É uma família simples, pobre ou remediada, de uma pequena cidade-aldeia, de Nazaré. Não vive num palácio. São José trabalha a pedra, a madeira e em tudo o que é necessário às construções daquele tempo. Maria cuida da casa, dos animais, recolhe o leite, fabrica o queijo, fia a lã, trata das roupas, amassa a farinha e coze o pão. E, como em qualquer família judaica, Maria tem o cuidado por Jesus, ensina-O a rezar, a ler, a comportar-se. Sendo rapaz, a partir dos 7/8 anos, passa a acompanhar o pai, ajudando-o e aprendendo a mesma profissão. Filho de um carpinteiro, carpinteiro será.

A religião marca o ritmo das famílias e das aldeias. Como sublinha São Lucas, a Sagrada Família ia todos os anos a Jerusalém pela festa da Páscoa. É nesse contexto que "perdem” Jesus. É a idade em que os rapazes são iniciados na vida adulta: vão ao Templo e, pela primeira vez, leem a Sagrada Escritura em público.

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2 – Indo em caravana, com os membros da família alargada e com as pessoas da mesma cidade, protegendo-se mais facilmente dos salteadores, era possível que as crianças, nas correrias e brincadeiras, se afastassem dos pais. No regresso de Jerusalém, Maria e José "perdem-se" de Jesus.

Durante o dia da caminhada, as crianças mais crescidas poderiam ir juntas. No final do dia, a família reúne-se para a refeição e para descansar. É então que se apercebem que Jesus não voltou e procuram-n'O entre familiares e conhecidos.

Encontram-n’O no Templo entre os doutores da Lei, que se admiram com a sua sabedoria. Maria questiona-O: «Filho, porque procedeste assim connosco? Teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura». Jesus responde-lhes: «Porque Me procuráveis? Não sabíeis que Eu devia estar na casa de meu Pai?».

Sobrevém o clima de diálogo. Maria pergunta a Jesus se tinha consciência de que Ela e São José estavam preocupadíssimos. Jesus responde-lhes com outra pergunta e que aponta para a Sua identidade original e para a missão que terá de assumir.

Visualiza-se a delicadeza de Maria e de José. Maria guarda estes acontecimentos e palavras no coração e certamente também José. Logo o evangelista nos lembra que "Jesus ia crescendo em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens".

A família de Nazaré também tem a sua dose de dificuldades, por ocasião do nascimento de Jesus, na fuga para o Egipto e agora na "perda" de Jesus. Como é que se terão sentido Maria e José?

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3 – O texto do Evangelho diz-nos, entre muitas coisas, algo essencial: se nos perdermos de Jesus, como aconteceu com Maria e José, e por mais caminho que tenhamos percorrido, é imprescindível que regressemos a todos os lugares onde O pudermos encontrar. Não adianta correr se não sabemos para onde vamos.

Peçamos com fé: "Senhor, Pai santo, que na Sagrada Família nos destes um modelo de vida, concedei que, imitando as suas virtudes familiares e o seu espírito de caridade, possamos um dia reunir-nos na vossa casa para gozarmos as alegrias eternas".

Maria e José estão atentos à vontade de Deus, fazendo com que Jesus esteja no centro das suas preocupações e das suas vidas, por maiores que sejam as dificuldades e os desafios. Assim ter de ser connosco. Encontrar Jesus, para O levarmos na nossa vida…

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Textos para a Eucaristia: Sir 3, 3-7. 14-17a; Sl 127 (128); Col 3, 12-21; Lc 2, 41-52.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

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24
Dez 15
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

1 – O Natal é luz, é paz, é esperança. O Natal é amor, solidariedade, é vida. O Natal é ternura, justiça, é alegria. O Natal é humanidade, compaixão e misericórdia. O Natal é encontro e transformação, o Natal é vida nova e tempo novo. O Natal é bênção e chegada. É vinda e salvação, inclusão e fraternidade. O Natal é partilha e verdade. O Natal é aconchego e denúncia, é transparência do bem e do mal, é desafio e provocação. O Natal é Jesus a nascer em nós. Deus a fazer-Se um connosco. O Natal é acolhimento e calor. Proximidade e reconciliação. O Natal é tempo da família, dos afetos, e da gratidão. O Natal é Casa de Oração e de Misericórdia. É tempo da memória agradecida. É a oportunidade para recomeçar, para partir, para descobrir, é o tempo para construir, para criar ou solidificar os laços. Todas as comemorações nos fazem parar, refletir, olhar para trás, fazer propósitos para caminhar, emendar a mão, ir ao encontro do irmão.

       À nossa volta não faltam sinais: luzes, enfeites, decorações, Pais-natais, árvores de Natal, Presépios, estrelas, anjos, renas... doces, bolos, convites, prendas... campanhas de solidariedade (algumas das quais servem para as marcas venderem mais). É um tempo muito especial, muito sensível. Sentimentos à flor de pele. As lembranças da infância e do tempo perdido; os sonhos e as vidas que se desfizeram; a família e os que já ficaram para trás. Tudo lembra. Muito mais nestas alturas em que a família se reúne. A alegria mistura-se com a nostalgia. A festa traz-nos de volta os familiares e amigos que estão longe, fisicamente ou pelos meios tecnológicos de comunicação; mas traz-nos também os que já morreram.

       Aos desertos exteriores – pobreza, guerra, toxicodependência, corrupção, fosso entre ricos e pobres, desemprego, fome – acrescem os milhentos desertos interiores – a solidão, falta de sentido para a vida, o vazio da alma. Nestas palavras emprestadas por Bento XVI, e que novamente retomo, um diagnóstico que se torna um desafio a levarmos Luz a todos os recantos, a levar Luz às trevas, ao pecado, aos momentos de desencanto.

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       2 – O Natal é Luz que vem do Céu, da eternidade para o tempo, do Infinito para a história. O Deus que nos criou por amor, por amor nos quer salvar.

       O profeta do Advento e que nos introduz no Natal, Isaías, proclama: «O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; para aqueles que habitavam nas sombras da morte uma luz começou a brilhar. Multiplicastes a sua alegria, aumentastes o seu contentamento. Rejubilam na vossa presença, como os que se alegram no tempo da colheita, como exultam os que repartem despojos».

       Ao longo de gerações, Deus não deixou de Se manifestar, de nos enviar os Seus mensageiros, de nos falar, como Pai e Mãe, perscrutando o nosso coração e o nosso olhar, chamando-nos a Si, procurando-nos nos nossos caminhos, muitas vezes incertos e perdidos. «Nestes dias, que são os últimos, falou-nos por seu Filho, a quem fez herdeiro de todas as coisas e pelo qual também criou o universo».

       Desde sempre pendeu sobre nós a Misericórdia do Deus altíssimo. Chegado o tempo, Deus quebrou o jugo que pesava sobre todo o povo, para restabelecer a paz e a justiça. «Porque um menino nasceu para nós, um filho nos foi dado. Tem o poder sobre os ombros e será chamado "Conselheiro admirável, Deus forte, Pai eterno, Príncipe da paz". O seu poder será engrandecido numa paz sem fim, sobre o trono de David e sobre o seu reino, para o estabelecer e consolidar por meio do direito e da justiça, agora e para sempre. Assim o fará o Senhor do Universo».

       Por conseguinte, podemos dizer e alegrar-nos com o Profeta: «Como são belos sobre os montes os pés do mensageiro que anuncia a paz, que traz a boa nova, que proclama a salvação... Eis o grito das tuas sentinelas que levantam a voz. Todas juntas soltam brados de alegria, porque veem com os próprios olhos o Senhor que volta para Sião. Rompei todas em brados de alegria, ruínas de Jerusalém, porque o Senhor consola o seu povo, resgata Jerusalém. O Senhor descobre o seu santo braço à vista de todas as nações e todos os confins da terra verão a salvação do nosso Deus».

       Deus nos dará a paz em abundância. E com a abundância da paz que nos desafia a ser irmãos, a alegria do coração, que nos faz atravessar por vales e montanhas, por mares revoltos e por todas as tempestades que nos atrasam e nos desviam do caminho que nos leva a Jesus.

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       3 – Há Natal e há mais luz, Luz que vem de Deus para nos guiar. Haverá Natal quando o homem quiser, quando o homem sonhar, quando cada um de nós dos outros cuidar, e então haverá Natal porque Deus quer, porque Deus vem, porque Deus nos ama e nos envolve em ternura e misericórdia, porque Deus nos redime e salva, porque Deus nos quer bem e nos assume como filhos no Filho que é nosso irmão, para que n'Ele, Jesus Cristo, dando as nossas mãos e o coração, possamos voltar a ser como no paraíso, como no início, como irmãos, família que caminha, apoiando-se nos momentos bons e nos enfadonhos, nos sonhos e nos agravos. Nunca escravos, sempre irmãos.

       Naqueles dias, saiu um decreto de César Augusto, para que todos se recenseassem na sua terra natal. Maria e José tiveram que partir, da cidade de Nazaré para a cidade de David, chamada Belém. «Enquanto ali se encontravam, chegou o dia de ela dar à luz e teve o seu Filho primogénito. Envolveu-O em panos e deitou-O numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria».

       Logo o Anjo do Senhor se aproxima dos pastores que andavam por ali e os cerca de luz, dizendo-lhes: «Não temais, porque vos anuncio uma grande alegria para todo o povo: nasceu-vos hoje, na cidade de David, um Salvador, que é Cristo Senhor. Isto vos servirá de sinal: encontrareis um Menino recém-nascido, envolto em panos e deitado numa manjedoura».

       Quando alguém chega, quando alguém nasce, é tempo para cantar, agradecer, louvar. É a bênção de Deus que chega até nós. Juntemo-nos aos Anjos e aos Pastores e cantemos: «Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados».

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       4 – «Manifestou-se a graça de Deus, fonte de salvação para todos os homens». Um Menino nos foi dado. Deus no meio de nós. Deus connosco. Tal é o Seu amor que nos assumiu inteiramente, abaixando-Se, colocando-Se ao mesmo nível que nós, para nos elevar com Ele às alturas do Céu, donde veio, de onde nos atrai, para onde nos encaminha, de onde nos acompanha.

       «No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. No princípio, Ele estava com Deus. N’Ele estava a vida e a vida era a luz dos homens. A luz brilha nas trevas e as trevas não a receberam. O Verbo era a luz verdadeira, que, vindo ao mundo, ilumina todo o homem. Àqueles que O receberam e acreditaram no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus. Estes não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. E o Verbo fez-Se carne e habitou entre nós. Nós vimos a sua glória, glória que Lhe vem do Pai como Filho Unigénito, cheio de graça e de verdade».

        Acreditando no Filho de Deus, recebemos o poder e a graça de nos tornarmos também nós filhos de Deus e instrumento de salvação para os outros, fazendo com que a Luz que nos salva, incidindo em nós, reflita para os outros.

 

Pe. Manuel Gonçalves

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Textos para a Eucaristia:

Missa da Noite - Is 9, 1-6; Sl 95 (96); Tito 2, 11-14; Lc 2, 1-14;
Missa do Dia - Is 52, 7-10; Sl 97 (98); Hebr 1, 1-6; Jo 1, 1-18.


12
Dez 15
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       1 – O terceiro Domingo do Advento é conhecido como da Alegria (Gaudete), tal é a LUZ que vem do Natal e que se anuncia cada vez com mais intensidade. A alegria tem muitas cores e muitas motivações, ainda que as expressões sejam idênticas: exuberância, sorriso, apaziguamento, conversação, proximidade, contágio. Como nos lembra Toltoi, as famílias alegres são todas iguais, mas cada uma sofre à sua maneira. A alegria gera comunicação e comunidade; a tristeza, sem mais, afasta, isola, atrofia, por culpa própria, por cansaço dos outros ou pelo desgaste do tempo.

       A alegria é possível para quem encontrou a paz, um sentido para vida, uma luz interior que não se apaga por maior que sejam as tempestades. Falta mais um domingo para o Natal. A proximidade espiritual (também cronológica) já não deixa margem para a dúvida: Deus está a chegar à minha e à tua vida. Deus vai nascer. Deus vai querer estar connosco. Ele vai querer para nós todo o bem. Ele está a chegar, porque sempre vem, porque sempre Se aproxima, porque sempre nos ama com amor de Mãe e de Pai, porque sempre Se dá, total e absolutamente, sem reservas nem condições. É Deus de Misericórdia, cujo ROSTO é Jesus, o Deus que Se faz Menino e que Se deixa embalar, tocando-nos com a Sua fragilidade de Menino, ternura de uma criança que acaba de nascer. As Mães ensinam-nos /dizem-nos a beleza dos filhos acabados de nascer. Já não há tempo a perder, não há tempo para nos distrairmos com outras coisas. Ele faz-Se anunciar. Já vem lá, arrumemos a casa, abramos as portas, arejemos os espaços, perfumemo-nos de alegria. O nosso coração já se dilata, queremos apressar a Sua chegada.

       Preparemo-nos para a festa. Ponhamos o melhor sorriso para O receber. Vistamo-nos de esperança. Quando um amigo, um familiar regressa, para uma ocasião festiva, logo começamos a imaginar a alegria que vamos experimentar, e já vivemos nesta antecipação, pois já estamos a viver com esta chegada certa.

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       2 – Enquanto nos preparamos para escutar o Evangelho, as leituras que o procedem falam-nos desta ALEGRIA no Senhor que vem, em Deus que nos ama, na salvação iminente.

       A profecia de Sofonias dá como certa a salvação e, por conseguinte, desafia todo o povo: «Clama jubilosamente, filha de Sião; solta brados de alegria, Israel. Exulta, rejubila de todo o coração, filha de Jerusalém... O Senhor teu Deus está no meio de ti, como poderoso salvador. Por causa de ti, Ele enche-Se de júbilo, renova-te com o seu amor, exulta de alegria por tua causa, como nos dias de festa».

       Deus alegra-Se connosco e por nós. Vem salvar-nos e a Sua alegria envolve-nos e compromete-nos. Pela mesma razão podemos e deveremos exultar de alegria porque Ele já está no meio de nós. E se Ele está connosco, e está por nós, nada nos poderá separar da felicidade que não tem fim. Estamos a caminho e experimentaremos a fragilidade da nossa existência. Mas se Deus é a garantia da nossa felicidade definitiva, se Ele segue connosco, os nossos caminhos são mais seguros e sabemos que, com maior ou menor esforço, sacrifício e dedicação, haveremos de chegar à meta prometida.

       Do mesmo jeito, São Paulo nos convoca: «Alegrai-vos sempre no Senhor. Novamente vos digo: alegrai-vos. Seja de todos conhecida a vossa bondade. O Senhor está próximo. Não vos inquieteis com coisa alguma; mas em todas as circunstâncias, apresentai os vossos pedidos diante de Deus, com orações, súplicas e ações de graças. E a paz de Deus, que está acima de toda a inteligência, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus».

       A alegria advém do amor de Deus e da certeza inabalável que Ele está por perto. Por isso Lhe poderemos suplicar, agradecer e colocar-nos diante d'Ele com o que somos, com as nossas alegrias e os nossos sonhos, com os nossos pecados e com todo o bem que deixamos passar através da nossa voz e da nossa vida.

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       3 – Como insinua São Paulo, a alegria que experimentamos em Cristo não é passageira, superficial, fingida ou para nos disfarçarmos diante dos outros. A alegria é indelével, vem de Deus, não está a prazo, não é acessória. É definitiva. É uma alegria que nos solidariza no bem, na verdade e na justiça. A alegria requer a partilha. Ninguém faz festa sozinho. Ninguém é feliz na solidão. A alegria também se constrói. É dom de Deus que nos obriga a condividir, a partilhar. Todo o dom só faz sentido e só é dom multiplicando-se pelos outros.

       O Evangelho aponta-nos o caminho a percorrer para alcançarmos a alegria que a salvação vem trazer-nos. Deus salva-nos contando com a nossa liberdade e a nossa cooperação. Como nos recorda Santo Agostinho: Deus criou-nos sem nós mas não nos salva sem nós. Não força, não Se impõe. Propõe-Se e expõe-Se. Em Jesus Cristo, Deus deixa-se embalar, deixa-Se amar. Mas também podemos fazer-Lhe mal, persegui-l'O, condená-l'O, pregá-l'O numa cruz. E sempre que o fizermos a um dos irmãos mais pequenos a Ele o faremos. Se tocamos as feridas de alguém, é de Cristo que cuidamos. Se agredimos alguém, é a Cristo que recusamos.

       As multidões seguem João Batista e mastigam as suas palavras. O Precursor faz saber que o Messias está a chegar e portanto é tempo de conversão e de mudança de vida. Pessoas de várias condições manifestam a vontade de se preparar: que devemos fazer?

       As respostas de João Batista são concretas: «Quem tiver duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma; e quem tiver mantimentos faça o mesmo... Não exijais nada além do que vos foi prescrito... Não pratiqueis violência com ninguém nem denuncieis injustamente; e contentai-vos com o vosso soldo».

        Há mais alegria em dar do que em receber. A alegria também se deve procurar, deve ser uma opção de vida, ainda que por vezes a vida seja madrasta. Todas as pessoas e todos os grupos podem participar da alegria que nos vem de Deus, comprometendo-se a construir um mundo mais solidário, mais humano.

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       4 – São João Batista, que nos acompanha de perto, não se deixa confundir pelos elogios e aponta para Jesus, a verdadeira Alegria, o Messias de Deus: «Eu batizo-vos com água, mas está a chegar quem é mais forte do que eu, e eu não sou digno de desatar as correias das suas sandálias. Ele batizar-vos-á com o Espírito Santo e com o fogo. Tem na mão a pá para limpar a sua eira e recolherá o trigo no seu celeiro; a palha, porém, queimá-la-á num fogo que não se apaga».

       A proximidade do Deus que vem salvar-nos convoca-nos ao júbilo mas também ao compromisso. É bom que façamos frutificar a semente em nós plantada pela Palavra de Deus e demos fruto em abundância... A palha sem fruto só dará para queimar. O aviso de João Batista não é uma ameaça. Ele responsabiliza-nos. Não somos mais crianças irresponsáveis, ainda que devamos manter a mesma lisura, mas adultos envolvidos na transformação do mundo. Antecipamos a chegada de Deus pelo bem que promovemos. "Deus é o meu Salvador, tenho confiança e nada temo. O Senhor é a minha força e o meu louvor. Ele é a minha salvação... Cantai ao Senhor, porque Ele fez maravilhas, anunciai-as em toda a terra. Entoai cânticos de alegria, habitantes de Sião, porque é grande no meio de vós o Santo de Israel".

       Não estamos sozinhos. E isso é fonte de alegria. Ele segue connosco e faz-Se presente por todos os que nos acompanham no caminho. E isso apazigua-nos e dá-nos vitalidade para continuarmos a trabalhar por um mundo melhor e onde nos reconheçamos como irmãos.

 

Pe. Manuel Gonçalves

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Textos para a Eucaristia (C): Sof 3, 14-18a; Sl Is 12, 2-3. 4bcd. 5-6; Filip 4, 4-7; Lc 3, 10-18.


28
Nov 15
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – Estamos no fim do mundo.

       Esta é uma afirmação recorrente. Amiúde se ouvem expressões semelhantes perante tantas desgraças que desgraçam a vida das pessoas, das famílias, das comunidades e dos povos. Violência doméstica, corrupção, terrorismo e, em consequência, a multidão de refugiados, guerrilhas, vandalismo, exploração infantil, maus tratos, tráfico de droga e de órgãos humanos, trabalho precário, miséria, mortes e mais mortes, por tudo e por nada. Inicia o noticiário e logo esperamos ver mais algum escândalo, mais uma cena de violência ou de pancadaria, mais uma explosão ou um ataque terrorista. A violência e a publicitação da mesma vai globalizando a indiferença. Os nossos olhos vão-se habituando à escuridão, o nosso coração habitua-se às trevas, já pouco nos comove. Antes, quando víamos – através dos meios de comunicação social, que tinham muito mais pudor – um corpo estendido no chão, eventualmente coberto, escandalizávamo-nos. Hoje, é mais um e outro e outro e vários, destapados. É tão familiar que não nos faz reagir. Nada de novo.

       Por outro lado, a desmobilização e desmotivação. As desgraças são tantas que por mais vontade que tenhamos não há muito a fazer para inverter um caminho destrutivo e tenebroso. O melhor é fazer como outros, deixar o tempo correr e logo se verá. Se não melhorar, piora, estaremos cá para ver, ou já não estaremos e que outros resolvam. Acaso, sou guarda do meu irmão? Interpelação de Caim a Deus, quando Deus lhe pediu contas do seu irmão Abel. Também a nós Deus nos pergunta pelos nossos irmãos, responsabilizando-nos por eles. O que fizerdes ao mais pequeno dos meus irmãos a Mim o fazeis.

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        2 – «Erguei-vos e levantai a cabeça, porque a vossa libertação está próxima».

       O fim do mundo, no sentido cristão, seguindo o Evangelho, não é o caos, um momento de destruição que acabe com o mundo. O fim do mundo é Deus. É o tempo em que se remete para Deus o mundo inteiro e a Ele se confiam as suas alegrias e as suas tristezas. Trata-se da soberania de Deus sobre o Universo. Com a chegada de Jesus Cristo, o mundo chega ao fim, estamos nos últimos dias, preenchidos de graça e de misericórdia. A vinda de Jesus lembra-nos que o tempo não é nosso e que o espaço deve ser casa para todos. O nosso tempo chegou ao fim para que o tempo que ora nos é dado tenha um fim, uma finalidade, um sentido. Se o tempo é nosso, faremos dele o que quisermos, mesmo que o usemos contra os outros. Se o tempo é final, tempo de Deus, há que valorizar cada momento, para agradecer e louvar, para partilhar. O tempo não é nosso, é de Deus. É para nós, mas não apenas para nós. Não poderemos reter o tempo que não é nosso. É-nos dado. Tudo o que nos é dado por Deus é para condividir! Como os dons. Estes só são verdadeiramente dons quando partilhados, quando colocados a render. Dons recebidos para dar, para que sejam DOM.

«Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas e, na terra, angústia entre as nações, aterradas com o rugido e a agitação do mar. Os homens morrerão de pavor, na expectativa do que vai suceder ao universo, pois as forças celestes serão abaladas».

       Não vos alarmeis. Não é o fim. Levantai-vos. Erguei a cabeça, o olhar, o coração e a vida. Deus está por perto. A vossa salvação está iminente. Não vos inquieteis. É inevitável que estas coisas aconteçam. Enquanto houver tempo e história e humanidade. Não que nos desculpemos com as nossas limitações, mas não somos deuses. A fragilidade e a indigência acompanham-nos em todo o tempo. Só Deus é Deus. E só em Deus seremos totalmente o que estamos chamados a ser pela graça do batismo: filhos no Filho, abençoados, redimidos. Na história, como caminho, podendo fraquejar; na eternidade de Deus, como plenitude, eternamente.

 

       3 – «Hão de ver o Filho do homem vir numa nuvem, com grande poder e glória... Tende cuidado convosco, não suceda que os vossos corações se tornem pesados pela intemperança, a embriaguez e as preocupações da vida, e esse dia não vos surpreenda subitamente como uma armadilha... Portanto, vigiai e orai em todo o tempo, para que possais livrar-vos de tudo o que vai acontecer e comparecer diante do Filho do homem».

       Se estamos nos últimos tempos, o compromisso com a criação há de ser mais efetiva e reforçar o empenho em transformar o mundo que habitamos. O fim não paira como ameaça, mas como esperança e como desafio. O fim é de Deus, para Quem nos encaminhamos. Se é Ele que vem e que chega, então estamos tranquilos, ainda que surjam ideologias ou poderes diabólicos. Se o tempo é breve, cabe-nos intensificar a nossa contribuição para tornarmos o mundo mais favorável para todos, construindo os novos céus e a nova terra, tempo novo iniciado com Jesus Cristo.

       Vigiar e estar preparados. Não é uma atitude passiva como quem cruza os braços e espera um desenlace catastrófico. Implica-nos e impele-nos a fazer o que está ao nosso alcance, concorrendo com o que somos e com os meios de que dispomos para que o tempo dado por Deus, e por nós recebido, seja partilhado e consumado na justiça, na humanização das pessoas e das estruturas, na inclusão de todos, preferencialmente dos mais pobres.

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       4 – Os profetas acalentam a esperança do Povo de Israel com a promessa de Deus enviar a salvação. Agora como então, e como no tempo de Jesus, as dificuldades e os contratempos, as perseguições e as guerras fazem desanimar as pessoas. O povo eleito experimenta as agruras do exílio, da invasão de outros povos, a miséria, a violência.

       Os profetas, mensageiros de Deus, trazem a certeza de tempos novos, tempos abençoados pela intervenção do Senhor: «Dias virão, em que cumprirei a promessa que fiz à casa de Israel e à casa de Judá: Naqueles dias, naquele tempo, farei germinar para David um rebento de justiça que exercerá o direito e a justiça na terra. Naqueles dias, o reino de Judá será salvo e Jerusalém viverá em segurança. Este é o nome que chamarão à cidade: ‘O Senhor é a nossa justiça’».

       Para nós cristãos, Jesus Cristo é a nossa justiça. É Ele que justifica a nossa vida e nos torna novas criaturas, no Batismo, pela água e pelo Espírito Santo. Com o advento de Cristo, o Céu fica mais perto. O Apóstolo Paulo, em jeito de oração e de bênção, compromete-nos, pela pertença a Cristo, na caridade diligente para com todos.

       «O Senhor vos faça crescer e abundar na caridade uns para com os outros e para com todos, tal como nós a temos tido para convosco. O Senhor confirme os vossos corações numa santidade irrepreensível, diante de Deus, nosso Pai, no dia da vinda de Jesus... Recebestes de nós instruções sobre o modo como deveis proceder para agradar a Deus e assim estais procedendo; mas deveis progredir ainda mais. Conheceis bem as normas que vos demos da parte do Senhor Jesus».

       A espera, para os crentes, é ativa. Não esperamos por outros tempos ou por que outros façam o que nós podemos e devemos fazer para tornar o mundo mais habitável e mais casa de todos. O nosso compromisso é com Jesus, visualizável no nosso semelhante, através do serviço.

 

       5 – Peçamos ao Senhor auxílio e fortaleza nas adversidades, luz e discernimento nas dúvidas. «Mostrai-me, Senhor, os vossos caminhos, ensinai-me as vossas veredas. Guiai-me na vossa verdade e ensinai-me, porque Vós sois Deus, meu Salvador».

       Que a sabedoria de Deus nos desperte para o serviço dedicado aos irmãos. «Despertai, Senhor, nos vossos fiéis a vontade firme de se prepararem, pela prática das boas obras, para ir ao encontro de Cristo, de modo que, chamados um dia à sua direita, mereçam alcançar o reino dos Céus» (oração de coleta).

 

Pe. Manuel Gonçalves

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Textos para a Eucaristia (C): Jer 33, 14, 16; Sl 24 (25); 2 1 Tes 3, 12 – 4, 2; Lc 21, 25-28. 34-36.


14
Ago 15
publicado por mpgpadre, às 20:00link do post | comentar |  O que é?

1 – A salvação da pessoa é sempre dom de Deus. É Ele que nos salva. Criando-nos por amor, por amor nos integra na Sua vida. Podemos, como fazemos em relação aos nossos pais, distanciar-nos, partir, manter-nos à distância e renunciar à nossa filiação. Porém, eles continuam a ser nossos pais e nós continuamos a ser seus filhos.

Maria é salva por Deus. Todavia, se Deus nos cria por amor sem nós, parafraseando Santo Agostinho, não nos salva sem nós. Maria responde à graça de Deus com um SIM confiante, abrindo-se plenamente à Sua misericórdia e realizando a Sua vontade: faça-se em Mim segundo a Tua Palavra. Maria escutou a prece do Anjo e respondeu positivamente. Deus veio ao mundo, assumindo a nossa natureza humana, fez-Se Um connosco e entre nós, elevando-nos à Sua família.

Um SIM inicial que se traduz durante toda a vida. Como evidencia Jesus, Ela é bem-aventurada porque O trouxe no ventre, mas «mais felizes são os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática». Nesta expressão em que aparentemente Se afasta da Sua Mãe, Jesus coloca-A como referência e possibilidade. Não podemos ser pais/mães biológicos de Jesus, mas seremos bem-aventurados se, como Ela, escutarmos a palavra de Deus, colocando-a em prática.

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2 – O evangelho remete-nos de imediato para a postura a assumir como crentes: "Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se apressadamente para a montanha, em direção a uma cidade de Judá".

Esta pressa há de configurar a nossa vida. Ela precede-nos no SIM a Jesus, acolhendo-O no ventre e realizando a Sua vontade. O facto de ser "Cheia de Graça" não A encerra numa concha de privilégio. O sim à Palavra de Deus, que n'Ela Se faz carne, fá-l’A sair. Ela é a Arca da Nova Aliança, uma ARCA viva que não está fixa num templo, mas em trânsito acelerado para encontrar Isabel e lhe ser prestável, mas também para lhe levar a Alegria do Evangelho, experimentável na proximidade das duas Mães com os seus filhos: «Logo que chegou aos meus ouvidos a voz da tua saudação, o menino exultou de alegria no meu seio. Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor».

Maria precede-nos no acolhimento a Jesus e precede-nos na eternidade. A Assunção de Maria é sinal de esperança, antecipando o destino da nossa vida, mostrando que a promessa de Jesus, de ir para o Pai para nos preparar um lugar, já se cumpriu em Maria.

“Ela é a aurora e a imagem da Igreja triunfante, ela é sinal de consolação e esperança para o vosso povo peregrino. Vós não quisestes que sofresse a corrupção do túmulo Aquela que gerou e deu à luz o Autor da vida, vosso Filho feito homem” (Prefácio da Assunção).

3 – O sinal que aparece no Céu, segundo o Apocalipse, imagem da Igreja mas também de Maria, é um sinal de esperança. O tempo que passa, quais dores do parto que darão ao mundo uma vida nova, com a sua violência, guerras e conflitos, fome e corrupção, é um tempo passageiro, porque já se vislumbra a salvação. "Apareceu no Céu um sinal grandioso: uma mulher revestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça".

A oração do Magnificat assume esta CONFIANÇA na misericórdia de Deus e move-nos para o HOJE e para o AMANHÃ:

«A minha alma glorifica o Senhor

e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador,

porque pôs os olhos na humildade da sua serva:

de hoje em diante me chamarão bem-aventurada

todas as gerações.

O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas:

Santo é o seu nome.

A sua misericórdia se estende de geração em geração

sobre aqueles que O temem.

Manifestou o poder do seu braço

e dispersou os soberbos.

Derrubou os poderosos de seus tronos

e exaltou os humildes.

Aos famintos encheu de bens

e aos ricos despediu de mãos vazias.

Acolheu a Israel, seu servo,

lembrado da sua misericórdia,

como tinha prometido a nossos pais,

a Abraão e à sua descendência para sempre». 


Textos para a Eucaristia: Ap 11, 19a; 12, 1-6a.10ab; 1 Cor 15, 20-27; Lc 1, 39-56.

 

REFLEXÃO COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no meu outro blogue CARITAS IN VERITATE


06
Jun 15
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

1 –  A celebração do Corpo de Deus vem da Idade Média e da necessidade da Igreja Católica reafirmar a presença de Jesus Cristo na hóstia e no vinho consagrados. Jesus coloca-Se por inteiro, pelo Espírito Santo, no pão e no vinho. Uma presença não visível mas real, como é real mas não visível o amor, o que nos liga uns aos outros.

Primeiramente, a elevação da hóstia consagrada, para que todos contemplassem o mistério que ali se realizava. Por outro lado, se Jesus está no pão consagrado, Ele permanece Eucaristia depois da celebração da mesma e não apenas durante a liturgia. O pão eucarístico pode levar-se aos doentes, aos presos, pois permanece Corpo de Cristo. É significativa a sensibilidade do povo na delicadeza com que se aproxima do sacrário e zela para que a lamparina não se apague, indicando que ali se encontra a verdadeira LUZ e a VIDA verdadeira, Aquele que deu a vida por mim e por ti, e vela por todos.

Todos precisamos de saber e de sentir que alguém olha por nós. Precisamos de ouvir, de ver, de abraçar, de tocar. Um dia, o Santo Cura d'Ars, interrogou um camponês, que todos os dias entrava na Igreja e não mexia os lábios, sobre o que dizia a Deus. A resposta é sintomática: não digo nada, Ele olha para mim e eu olho para Ele.

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2 – Em Cristo, Deus faz-Se como nos fez, verdadeiro HOMEM, visível num CORPO como o nosso. Nasce de uma Mulher, a quem Se liga pelo cordão umbilical, como qualquer um de nós. Liga-Se primeiramente pelo corpo, dentro de outro corpo, alimentando-Se desse corpo materno e sendo protegido enquanto Se prepara para vir ao mundo.

Não quiseste sacrifícios, formaste-Me um Corpo. Eu venho ó Deus para fazer a Tua vontade (cf. Heb 10, 5-10).

Esta intuição está presente no Antigo Testamento, num desafio crescente para que os sacrifícios sejam substituídos pela conversão, pela justiça, pela prática do bem. «Oferecer-Vos-ei um sacrifício de louvor, invocando, Senhor, o vosso nome. Cumprirei as minhas promessas ao Senhor, na presença de todo o povo» (Salmo).

Na primeira leitura, vemos como Moisés, depois de pôr por escrito as palavras do Senhor, ordena a oferenda de holocaustos e sacrifícios, imolando novilhos. Diz-nos o autor sagrado que Moisés derramou o sangue dos novilhos sobre o altar, depois leu, em voz alta, o Livro da Lei ao povo e sobre este aspergiu a outra metade do sangue recolhido, dizendo: «Este é o sangue da aliança que o Senhor firmou convosco, mediante todas estas palavras».

O rito não é mágico, operando o que quer que seja, mas promove a vivência dos mandamentos da Lei: «Faremos quanto o Senhor disse e em tudo obedeceremos».

Jesus leva à plenitude o sacrifício e a própria Lei.

 

3 – Jesus e os seus discípulos, como judeus, seguem as tradições de seus pais. Dois dos discípulos vão adiante e preparam o necessário para comer a Páscoa. Longe de imaginarem que seria uma Páscoa diferente, provisória e antecipadora da verdadeira Páscoa, a morte e a Ressurreição de Jesus. O sangue de Jesus selará uma nova Aliança.

“Enquanto comiam, Jesus tomou o pão, recitou a bênção e partiu-o, deu-o aos discípulos e disse: «Tomai: isto é o meu Corpo». Depois tomou um cálice, deu graças e entregou-lho. E todos beberam dele. Disse Jesus: «Este é o meu Sangue, o Sangue da nova aliança, derramado pela multidão dos homens. Em verdade vos digo: Não voltarei a beber do fruto da videira, até ao dia em que beberei do vinho novo no reino de Deus». Cantaram os salmos e saíram para o monte das Oliveiras”.

Jesus prepara a ausência do Seu corpo com a promessa e a certeza da Sua presença no pão e no vinho, sempre que em Seu nome nos reunirmos, invocando de Deus Pai o Espírito Santo. Ele estará sempre connosco até ao fim dos tempos.

O culto provisório de Moisés, passa a pleno e definitivo em Jesus, o sumo-sacerdote por excelência, que “não derramou sangue de cabritos e novilhos, mas o seu próprio Sangue, e alcançou-nos uma redenção eterna”.

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Textos para a Eucaristia (B): Ex 24, 3-8; Sl 115; Hebr 9, 11-15; Mc 14, 12-16.22-26.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso blogue CARITAS IN VERITATE.


12
Abr 15
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?
BENTO XVI (2007). Sacramentum caritatis. Exortação Pós-sinodal sobre a Eucaristia, fonte e ápice da vida e da missão da Igreja. Prior Velho: Paulinas Editora / Secretariado Nacional do Episcopado. 150 páginas

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       Como habitualmente, depois de um Sínodo dos Bispos, o Papa escreve a toda a Igreja uma Exortação para sublinhar, sintetizar, clarificar e evidenciar as reflexões saídas da Assembleia sinodal, com os documentos de trabalho e com as conclusões a que chegaram, neste caso 50 proposições (sugestões, recomendações).
       A XI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos decorreu de 2 a 23 de Outubro de 2005. A Exortação Apostólica de Bento XVI é datada de 22 de Fevereiro, festa da Cátedra de São Pedro, de 2007.
       O pontificado breve de Bento XVI deixa uma marca indelével de testemunhar Jesus Cristo, levando-O de novo a ser centro do mundo, da cultura, do compromisso social. A reflexão do Papa Emérito é um património inestimável de um brilhante teólogo que foi chamado a ser Apóstolo entre apóstolos. Esta Exortação sobre a Eucaristia é um manancial para refletirmos o DOM da Eucaristia que Jesus nos dá, para vivermos melhor o Domingo, participarmos mais conscientemente neste mistério da nossa fé, e levarmos a Eucaristia ao compromisso diário de transformarmos o mundo em que vivemos e pelo qual somos responsáveis.
       Para mim é segunda leitura que faço. Depois de encontrar diversas citações deste documento, nomeadamente pelo Papa atual, achei que deveria voltar a ler com atenção a reflexão do Papa e dos Padres sinodais que ecoa nas palavras acolhidas e amadurecidas de Bento XVI.

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"Amados irmãos e irmãs, a Eucaristia está na origem de toda a forma de santidade, sendo cada um de nós chamado à plenitude de vida no Espírito Santo. Quantos santos tornaram autêntica a própria vida, graças à sua piedade eucarística! De Santo Inácio de Antioquia a Santo Agostinho, de Santo Antão Abade a São Bento, de São Francisco de Assis a São Tomás de Aquino, de Santa Clara de Assis a Santa Catarina de Sena, de São Pascoal Bailão a São Pedro Julião Eymard, de Santo Afonso Maria de Ligório ao Beato Carlos de Foucauld, de São João Maria Vianey a Santa Teresa de Lisieux, de São Pio de Pietrelcina à Beata Teresa de Calcutá, do Beato Pedro Jorge Frassati ao Beato Ivan Merz, para mencionar apenas alguns de tantos nomes, a santidade sempre encontrou o seu centro no sacramento da Eucaristia (n.º 94)
Já no final da Exortação Apostólica (n.º 97):
Por intercessão da bem-aventurada Virgem Maria, o Espírito Santo acenda em nós o mesmo ardor que experimentaram os discípulos de Emaús (Lc 24, 13-35) e renove na nossa vida o enlevo eucarístico pelo esplendor e a beleza que refulgem no rito litúrgico, sinal eficaz da própria beleza infinita do mistério santo de Deus. Os referidos discípulos levantaram-se e voltaram a toda a pressa para Jerusalém a fim de partilhar a alegria com os irmãos e irmãs na fé. Com efeito, a verdadeira alegria é reconhecer que o Senhor permanece no nosso meio, companheiro fiel do nosso caminho; a Eucaristia faz-nos descobrir que Cristo, morto e ressuscitado, Se manifesta como nosso contemporâneo no mistério da Igreja, seu corpo. Deste mistério de amor fomos feitos testemunhas. Os votos que reciprocamente formulamos sejam os de irmos cheios de alegria e maravilha ao encontro da santíssima Eucaristia, para experimentar e anunciar aos outros a verdade das palavras com que Jesus Se despediu dos seus discípulos: « Eu estou sempre convosco, até ao fim dos tempos » (Mt 28, 20).
A Exortação Apostólica SACRAMENTUM CARITATIS está disponível na página do Vaticano. Siga o link: Sacramentum Caritatis.


25
Jan 15
publicado por mpgpadre, às 11:00link do post | comentar |  O que é?

D. MANUEL CLEMENTE (2014). O Evangelho e a Vida. Conversas na rádio no Dia do Senhor. Ano B. Cascais: Lucerna. 320 páginas.

Depois de algumas sugestões de leitura para melhor preparar o Domingo:

       Sugerimos agora do livro de D. Manuel Clemente, Patriarca de Lisboa. Para o ano A, tínhamos feito a sugestão de três livros, para lá de blogues, páginas, Facebook, Youtube, aplicações, que partilham textos, propostas de reflexão, pistas de reflexão para melhor escutar e mastigar a palavra de Deus.

       Por um lado, a variedade de propostas para melhor preparar o Dia do Senhor, através da preparação da Palavra de Deus, para que a escuta nos aproxime verdadeiramente de Jesus Cristo, a Palavra do Pai, que Se faz carne. Por outro lado, a riqueza inesgotável da Palavra de Deus, com as suas diferentes leituras, géneros literários, com a vivência de pessoas e de grupos, da ação de Deus no mundo ao longo do tempo.

       O livro de D. Manuel Clemente centra-se sobretudo nos Evangelhos lidos ao Domingo e nalguns dias solenes. É uma recolha das conversas n' "O Dia do Senhor", da Rádio Renascença, emissora católica portuguesa. Ao longo dos anos, as manhãs de domingo da RR traziam-nos os comentários de D. Manuel Clemente, partindo de um trecho do Evangelho do dia, refletindo as palavras ditas com o fito de que fossem bem percebidas e sobretudo vividas, em família e em comunidade.

      O livro apresenta o Evangelho de cada domingo, seguindo-se a reflexão (oralizante) respetiva. A negrito aparece o texto escolhido e lido através dos microfones da Rádio.

       Por conseguinte, resultando dessas conversas no Dia do Senhor, o discurso é muito direto, acessível, simples, depreendendo-se a sua oralidade, envolvendo-nos no texto, procurando que os diversos encontros sejam entre Cristo e nós, na atualidade pessoal e comunitária.


10
Jan 15
publicado por mpgpadre, às 18:00link do post | comentar |  O que é?

1 – Jesus aproxima-Se de João para ser batizado e logo o Céu desce à terra e a voz do Pai ressoa nos nossos ouvidos e nosso coração: «Tu és o meu Filho muito amado, em Ti pus toda a minha complacência». Deus reconhece e faz ouvir o amor da Sua eleição. E nós estávamos lá, no Jordão, e não podemos ignorar o que ouvimos.

Ficamos a saber que algo de novo começa a manifestar-se. Aproximemo-nos. João já nos havia precavido: «Vai chegar depois de mim quem é mais forte do que eu, diante do qual eu não sou digno de me inclinar para desatar as correias das suas sandálias. Eu batizo na água, mas Ele batizar-vos-á no Espírito Santo».

2 – «Eis o meu servo, a quem Eu protejo, o meu eleito, enlevo da minha alma. Sobre ele fiz repousar o meu espírito, para que leve a justiça às nações. Não gritará, nem levantará a voz… proclamará fielmente a justiça… Fui Eu, o Senhor, que te chamei segundo a justiça; tomei-te pela mão, formei-te e fiz de ti a aliança do povo e a luz das nações, para abrires os olhos aos cegos, tirares do cárcere os prisioneiros e da prisão os que habitam nas trevas».

Deus precede-nos, n'Ele a origem do amor, primeiro e verdadeiro, único e perfeito. Faz repousar o Seu Espírito no Filho que nos dá, cuja Luz purifica o nosso olhar. E quando olhamos a vida e os outros com o mesmo olhar com que Deus nos ama, então ficamos mais próximos uns dos outros, mais irmãos, mais família.

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3 – «O Senhor abençoará o seu povo na paz».

A bela melodia do Salmo faz sinfonia com o Ungido do Senhor, que vem para amar, libertar, para dar a Vida por nós e nos salvar, nos guiar, nos elevar com Ele para junto do Pai. O Deus da Paz nos abençoe e proteja, nos conduza por águas calmas e que no caudal da vida, do tempo e da história, nos faça avançar com os outros.

 

4 – Depois de tantas vicissitudes, eis o imponente testemunho de São Pedro. Ponhamo-nos à escuta, no meio da multidão, como faz Jesus quando vai ter com João ao Jordão para por ele Se fazer batizar. Não passa à frente ou ao lado, mas está no MEIO do povo, com o Povo e com o Povo caminha até João.

Pedro, aquele que antes, por medo e por vergonha, se tinha recusado a ser associado a Jesus, associa-se agora com todo o coração:

«Deus não faz aceção de pessoas… Ele enviou a sua palavra aos filhos de Israel, anunciando a paz por Jesus Cristo. Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a começar pela Galileia, depois do batismo que João pregou: Deus ungiu com a força do Espírito Santo a Jesus de Nazaré, que passou fazendo o bem e curando todos os que eram oprimidos pelo demónio, porque Deus estava com Ele».

O amor de Deus é para todos. Não escolhe nem idade, nem nacionalidade, homens ou mulheres, é para todos. Em Jesus todos somos irmãos. Um povo, uma nação cuja aliança se expande a todo o mundo. Deus não faz aceção de pessoas, como tantas vezes a nós nos acontece ou deixamos acontecer.

 

5 – Depois do Batismo, e durante toda a vida, Jesus passou fazendo o bem e curando todos os que eram oprimidos. Deus estava com Ele. E Ele transparecia Deus, nas palavras, nos gestos, no olhar, nos prodígios realizados, nos silêncios, na oração, a caminhar, e em todos aqueles e aquelas que encontrava no Seu caminho.

Deus está (sempre) connosco. Com e em Jesus somos batizados. E como passamos? Fazendo o bem? Curando os que à nossa volta estão oprimidos? Sentimo-nos ungidos e enviados? Preenchemos os nossos dias com a presença de Deus? Quem transparecemos? 


Textos para a Eucaristia (ano B): Is 42, 1-4. 6-7; Sl 28 (29); Atos 10, 34-38; Mc 1, 7-11.

 

Reflexão completa no nosso blogue CARITAS IN VERITATE

e na página da PARÓQUIA DE TABUAÇO


03
Jan 15
publicado por mpgpadre, às 18:00link do post | comentar |  O que é?

«Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-l’O». Vieram de longe, mas querem estar perto do Messias. Andam em busca. No Céu uma estrela brilhante aponta-lhes um caminho, uma estrada, um sentido novo para as suas buscas. Perguntam. Informam-se. Acreditam que outros possam ter informações mais precisas. Em definitivo é a Estrela que os conduz até Jesus, até Belém.

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Num olhar rápido sobre o Evangelho, algumas notas soltas:

  1. Procurar sempre, sem desfalecer. Por cada descoberta, novos desafios. Buscar Deus em toda a parte, na terra, nas pessoas, no céu.
  2. Atentos e vigilantes. Nunca nos darmos por satisfeitos. Despertos para perceber os sinais de Deus que surgem no horizonte.
  3. Levantar o olhar, o coração e a vida. Há mais mundo e mais vida para lá do nosso umbigo. Levantar o olhar para o horizonte, para o Céu, para Deus, donde nos virá a luz. Se olharmos apenas para baixo, para os pés, acabaremos por tropeçar e de nos perdermos dos outros que seguem connosco.
  4. Não ter medo de sair, de ir ao encontro de Deus.
  5. Pôr-se a caminho. Não basta um exercício intelectual sobre a busca. É necessário descruzar os braços e mover as pernas, sair do seu espaço de conforto, fazer-se à estrada que se faz tarde.
  6. Vigilância. Pelo caminho surgirão outras luzes. A confusão da cidade. Os apelos do mundo, da moda, do tempo. Algumas luzes serão brilhantes e ofuscarão a Luz que vem das alturas, podem levar-nos a errar, podem baralhar-nos na nossa busca.
  7. g)Não desistir. Se estamos baralhados. Se há muitas luzes, muitos caminhos, procuremos o que nos leva mais longe, o que nos leva a Belém, o que nos leva a Jesus. Ainda que tenhamos que abandonar a cidade e ir ao deserto, aos nossos desertos. Não desista. Procure. Há de encontrar.
  8. É sempre possível retomar o caminho (enquanto estamos vivos).
  9. Ir até à fonte. Beber nos afluentes pode ajudar-nos a prosseguir viagem, mas a sede só se saciará verdadeiramente quando chegarmos à fonte, ao Presépio, quando chegarmos junto do Deus Menino.
  10. A leveza dos passarinhos, que os faz voar, é precisamente a agilidade em dobrar as pernas. Prostremo-nos em adoração diante d'Aquele que Se abaixou à nossa dimensão.
  11. Demos o melhor que temos. Demos o nosso coração, a nossa vida por inteiro. Os magos deram as suas riquezas. A nossa riqueza é a nossa vida, a nossa fragilidade, a nossa pobreza e o nosso pecado.
  12. Façamos a experiência da Alegria no encontro com Jesus. Há momentos da nossa vida em que tudo parece estar contra nós. Deus está a nosso favor. Encontramo-nos com Ele e ainda não experimentámos uma alegria profunda? Talvez ainda não O tenhamos encontrado. A luz da Fé abre-nos para a alegria do encontro com Jesus.
  13. Não voltemos ao mesmo lugar, mesmo que aí já tenhamos sido feliz, como nos diz a canção. Se encontrámos Jesus, a nossa vida não mais será a mesma. Regressámos à nossa vida, mas por outros caminhos, com outro sentido e outra luz. Doravante temos um MOTIVO maior que preenche todos os nossos dias e os nossos afazeres e nos compromete com os irmãos. Há que buscar e prosseguir por novos caminhos. Mas sobretudo deixar que Jesus Se faça CAMINHO connosco.

Reflexão completa na página da Paróquia de Tabuaço

ou o nosso blogue CARITAS IN VERITATE


01
Nov 14
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?


31
Out 14
publicado por mpgpadre, às 18:00link do post | comentar |  O que é?

1 – Sede santos porque Eu, o Senhor Vosso Deus, sou Santo.

O desafio da santidade é um compromisso de felicidade, de aperfeiçoamento, de vida no bem, na verdade e do amor. Não é o privilégio de alguns iluminados ou puros, é o caminho que todos podemos e devemos percorrer. Não é uma conquista ou uma usurpação, é dádiva de Deus que em Jesus Cristo nos redime e nos salva, nos introduz na Sua comunhão de vida nova. Pelo batismo, com efeito, tornamo-nos santos, isto é, filhos amados de Deus. Ao longo do tempo, vivemos neste itinerário de santidade, por vezes decididos, outras vezes aos tropeções.

Os discípulos de Jesus começaram a ser chamados de cristãos, pela primeira vez, em Antioquia; até então era chamados de santos, de eleitos. A santidade é própria daqueles que foram ungidos para Deus, e que na água e no Espírito Santo se tornaram membros do Corpo de Cristo, que é a Igreja.

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2 – Ao longo da nossa vida encontramos pessoas que refletem a luz de Deus, transparecem em serenidade, em bondade, em serviço, o que divisamos como santidade, perfeição, ação compassiva. Olhando para o bom Papa João XXIII, para Madre Teresa de Calcutá, para o Padre Américo, para são Francisco de Assis, para o Santo Cura d'Ars, para o Santo Padre Cruz, para Santa Teresa do Menino Jesus, e para tantas pessoas que passam por nós e que visualizam a santidade de Deus, não temos muitas dúvidas: há pessoas santas, pessoas boas, humildes, generosas, felizes e que fazem felizes os que estão à sua volta.

A santidade não passa de moda. É atual. Balança-nos para o futuro, para a eternidade. Compromete-nos com o mundo de hoje, aqui e agora. Não é para os outros, é para nós. A referência é Deus, ainda que os Seus santos nos façam sentir mais próximos, e nos permitam saber o quanto Deus é acessível para nós. A santidade está ao nosso alcance. O amor de Deus é-nos oferecido por inteiro em Jesus Cristo. Ser santo é participar da vida de Deus. Seguir Jesus.

 

3 – Durante o corrente ano, três figuras do Papado foram reconhecidas como Santos, João Paulo II e João XXIII, e como Beato, Paulo VI. Personalidades distintas, serviram a Igreja, anunciaram o Evangelho, levaram Jesus Cristo ao mundo.

Nem todos os santos adquirem a visibilidade que lhes permita serem propostos pela Igreja a todo o mundo. Neste dia de Todos os Santos evocamos sobretudo o inumerável número de santos que souberam lavar as suas vestes no sangue do Cordeiro e oferecer as suas vidas a favor dos seus irmãos: «Vi uma multidão imensa, que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas. Estavam de pé, diante do trono e na presença do Cordeiro, vestidos com túnicas brancas e de almas na mão».

Cento e quarenta e quatro mil, isto é, multidões de pessoas, um número incontável de filhos que se deixaram tocar pela presença de Deus nas suas vidas. Na adversidade e na bonança, não desistiram de buscar o bem, para si e sobretudo para os outros, procurando revestir de Cristo o mundo inteiro.

Imitando Jesus, fizeram-se próximos, na humildade e no amor, dos mais distantes, dos mais frágeis, perfumaram os caminhos por onde passaram com a alegria de testemunharem o amor de Deus.

 

4 – Paulo dirá um dia com toda a clareza: já não sou eu que vivo é Cristo que vive em mim. Para mim viver é Cristo. Seguindo Cristo, deveremos refulgir em nós a eternidade de Deus que nos vai preenchendo com o Seu amor infinito.

______________________________________________________________

Textos para a Eucaristia: Ap 7, 2-4.9-14; Sl 23 (24); 1 Jo 3, 1-3; Mt 5, 1-12a.

 

Reflexão COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

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30
Out 14
publicado por mpgpadre, às 11:00link do post | comentar |  O que é?
       1 – Depois de ontem ter celebrado a Solenidade de TODOS os Santos, a Igreja faz hoje memória de TODOS os seus filhos defuntos. As datas seguidas cronologicamente estão igualmente próximas na sua simbologia e mensagem. Celebramos os Santos porque já morreram, sufragamos os defuntos para que vivam em plenitude a bem-aventurança eterna.

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        2 – Esta tradição, bela, de rezar pelos mortos encontra raízes bíblicas no Antigo Testamento (2 Mac 12, 43-46) e tem uma significação prenhe de esperança iluminada pelo Mistério Pascal de Cristo. É para esta tonalidade esperançosa que nos arrastam as leituras bíblicas das Missas deste dia a fim de que não vivamos esta data como os que não tem fé, como bem nos adverte S. Paulo: “Não queremos, irmãos, deixar-vos na ignorância a respeito dos defuntos, para que não vos entristeçais como os outros homens que não têm esperança. Se acreditamos que Jesus morreu e ressuscitou, do mesmo modo, Deus levará com Jesus os que em Jesus tiverem morrido.” ( 1 Tes 4, 13 – 14).

 
       3 – A nossa região está cheia de tradições que evocam esta devoção: dela falam as “alminhas” que colocadas à beira dos caminhos são um convite a rezar pelos que nos precederam nos caminhos da vida; nas igrejas são muitos os altares das almas, com frequentes representações do Juízo Final; na oração do terço ou do Angelus ainda se conserva, com frequência, uma intenção pelas almas das nossas obrigações e pelas mais abandonadas e o mesmo fazemos neste dia nas visitas aos cemitérios.

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        4 – No entanto, algumas coisas se vão perdendo: diminui o hábito de oferecer a Eucaristia pelos nossos familiares e benfeitores defuntos; porventura já não se reza pelos mortos quando passamos perto dum cemitério; e, para muitos, já se perdeu a chave de leitura das “alminhas”, não se sabe o que são e muito menos para que servem. Presos na voragem da vida não encontramos tempo para pensar nos mortos, nem na morte, nem para ler os sinais litúrgicos, artísticos e culturais, que frequentemente julgamos doutros tempos e de outro mundo. E, no entanto, a única coisa certa que temos neste mundo é que iremos para o outro mundo. “Desfeita a morada deste exílio terrestre, adquirimos no Céu uma habitação eterna” (Prefácio da Missa pelos Defuntos).

 
       5 – Corremos o risco de vivermos numa cultura cristã uma fé de pagãos. Este é um tempo propício a um olhar mais atento às tradições e símbolos que ainda se conservam e a lê-los devagar com a alma e o coração, para (re)descobrir a mensagem imensa que eles nos transmitem. Olhar - seguindo uma vez mais S. Paulo - para as coisas invisíveis é mais seguro do que olhar só para as visíveis. É que estas são passageiras, ao passo que as outras são eternas.
 
       6 – Pensar na morte não é necessariamente mal, antes pelo contrário, pode ser das melhores maneiras de viver com tranquilidade o nosso quotidiano. Olhamos com serenidade e esperança o presente e o futuro, iluminados pela nossa fé em Cristo ressuscitado. Rezemos hoje o final da bela e tradicional oração “Alma de Cristo”: “Na hora da minha morte, chamai-me e mandai-me ir para Vós para que, com os votos santos, Vos louve por todos os séculos dos séculos. Amém”
 
Pe. João Carlos,
Pró Vigário Geral da Diocese de Lamego


04
Out 14
publicado por mpgpadre, às 10:00link do post | comentar |  O que é?

Papa FRANCISCO (2014). Catequeses sobre os Sacramentos. Fátima; Secretariado Nacional de Liturgia, 32 páginas.

        Depois de termos sugerido as CATEQUESES do Papa Francisco durante o ano de 2013, eis agora um opúsculo dedicado aos SETE SACRAMENTOS, recolha e proposta do Secretariado Nacional de Liturgia (SN Liturgia no Facebook) Os Sacramentos, sinais e expressão da presença de Deus no mundo através da Igreja, que nos envolvem e nos fazem participantes da vida divina, são sempre espaço de encontro, de partilha, de vida nova, de encontro e reencontro com a comunidade e com Deus, no desafio constante de nos deixarmos plasmar pelo Espírito Santo, para nos tornarmos cada vez mais parecidos com Jesus Cristo, com a força renovada no empenho em transformar o mundo em que vivemos.

       De forma coloquial, o Papa Francisco procura, de forma assertiva, mostrar a importância, a seriedade e a dinâmica dos Sacramentos.

       Para quem for mais fácil ler, então a sugestão desta brochura. Para quem preferir ler em formato digital, ou imprimir, siga as hiperligações, clicando sobre cada título. As catequeses, estas e outras, estão disponíveis na página oficial do Vaticano, no apartado das Audiências-Gerais das Quartas-feiras.

  1. Batismo, Fundamento da nossa Fé.
  2. Pelo Batismo, tornamo-nos membros do Corpo da Igreja.
  3. Pela Confirmação, recebemos o Espírito Santo como Dom.
  4. Eucaristia, memorial da Páscoa de Jesus.
  5. Eucaristia e Vida.
  6. Na Confissão pedimos perdão a Jesus.
  7. Unção dos Doentes, Misericórdia de Deus.
  8. Sacramento da Ordem.
  9. Sacramento do Matrimónio.

São catequeses breves, acessíveis, para ler e meditar e sobretudo para viver melhor os Sacramentos e o compromisso com a Igreja e com a Sociedade.


13
Set 14
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – "Nós pregamos um Messias crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os gentios. Mas, para nós, Cristo é poder e sabedoria de Deus" (1 Cor 1, 17-31).

       Só os criminosos eram condenados à crucifixão. A cruz é ignominiosa remetendo imediatamente para algum crime hediondo. Ao ser apresentado como Crucificado, Jesus é tido como um malfeitor.

       Por outro lado, como é que Jesus sendo Filho de Deus, todo-poderoso, pode deixar-Se matar? Como é que pode ser o Messias esperado e libertador, se Ele mesmo é preso, esbofeteado e morto?

       A Cruz ocupa um lugar incontornável na fé cristã e na vida da Igreja. Com efeito, não se poderia falar em ressurreição se antes se não falasse da morte de Jesus. E, concretamente, na morte de Cruz, lugar de oblação, lugar do amor levado às últimas consequência, até à última gota de sangue. Oferecendo-Se, Jesus oferece-nos a Deus. Desce ao mais profundo, para nos elevar ao mais elevado.

       A cruz, cravada na terra, ligada a todos os que a habitam, levanta-se e levanta-nos para o alto. Dali, Jesus repara em nós, fixa o Seu olhar no nosso olhar e obriga-nos a levantar a cabeça para lá da Cruz.

       2 – «Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele». A Encarnação marca um tempo novo: Deus entra na história como verdadeiro Homem, como um de nós, carne da nossa carne, sangue do nosso sangue. Tal mistério traz-nos a eternidade de Deus para nos abrir as portas do Céu. Mas o Céu já está entre nós, é Jesus Cristo, que ao morrer e ressuscitar nos levará para junto do Pai.

       Quando encontra Nicodemos, Jesus revela-lhe a importância da vinda do Filho de Deus: «Ninguém subiu ao Céu senão Aquele que desceu do Céu: o Filho do homem. Assim como Moisés elevou a serpente no deserto, também o Filho do homem será elevado, para que todo aquele que acredita tenha n’Ele a vida eterna. Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito, para que todo o homem que acredita n’Ele não pereça, mas tenha a vida eterna».

       Jesus recorda a Nicodemos como aquela serpente, levantada por Moisés no meio do nada, do deserto, antecipa a Cruz plantada entre salteadores, no meio dos homens: a salvação.

Mordidos pelo pecado, pelo egoísmo, pela maledicência, pela violência, só voltando-nos para o alto encontraremos a redenção que nos obriga a sair de nós, a olhar além do nosso umbigo.

       3 – Belíssimo o poema recolhido por São Paulo na Epístola aos Filipenses, e que resume todo o mistério de Jesus Cristo: Deus esconde-Se no Homem.

"Cristo Jesus, que era de condição divina, não Se valeu da sua igualdade com Deus, mas aniquilou-Se a Si próprio. Assumindo a condição de servo, tornou-Se semelhante aos homens. Aparecendo como homem, humilhou-Se ainda mais, obedecendo até à morte e morte de cruz. Por isso Deus O exaltou e Lhe deu um nome que está acima de todos os nomes, para que ao nome de Jesus todos se ajoelhem no céu, na terra e nos abismos, e toda a língua proclame que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai".

       Fácil imaginar uma Mãe (um Pai) a agachar-se para estar ao nível da criança, ora para brincar com ela, ora para a levantar em seus braços e a segurar no seu colo. Assim Deus. Debruça-Se para nos olhar olhos nos olhos, viver connosco no meio de nós, assumindo-nos na nossa fragilidade e no nosso sofrimento. Debruça-Se para depois nos erguer com Ele.

       A Cruz põe termo a toda a treva, a todas as distâncias. Jesus eleva-nos para Deus. Jesus fecha um círculo, enlaçando-o na nova vida que nos dá em abundância. Tudo n'Ele está consumado. O Seu abaixamento, torna-se exaltação. Deus dá-lhe um nome, diante do qual todos nos devemos ajoelhar para melhor O acolhermos, O louvarmos, para melhor nos deixarmos trabalhar por Ele.


Textos para a Eucaristia: Num 21, 4b-9; Filip 2, 6-11; Jo 3, 13-17.

 

Reflexão Dominical COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso blogue CARITAS IN VERITATE


14
Ago 14
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – Em Maria, Mãe de Jesus, cumprem-se as promessas de Deus. N'Ela vem habitar a força do Espírito Santo, assumindo-A por inteiro, para Se tornar, com o Seu sim, Mãe do filho de Deus, do Deus connosco. A morada de Deus entre os homens é, antes de mais e por maioria de razão, Maria, desde sempre escolhida, desde sempre consagrada para ser a Mãe do Messias.

       Maria é preparada por Deus – Imaculada Conceição – para assumir uma missão muito peculiar na história da Salvação: ser Mãe do Filho de Deus. É um privilégio, segundo os Padres da Igreja, em atenção aos méritos futuros da paixão redentora de Jesus Cristo, no qual todos somos redimidos. Até mesmo Maria é salva pela morte e ressurreição de Jesus, Seu Filho.

       Puro Dom de Deus, Ela tornar-se-á também nossa Mãe. Mãe da Igreja. Melhor, Ela é a primeira Igreja que nos dá Cristo.

       2 – Na plenitude dos tempos, Deus revela-Se encarnando. A Palavra de Deus tem um rosto, uma identidade, um Corpo, que não ofusca a nossa humanidade, pelo contrário, revela e clarifica a nossa origem, o sustentáculo e o fim da nossa existência. Doravante, as promessas concretizam-se e dão luz à nossa busca. Não estamos sós, fechados entre o nascimento e a morte, num período de tempo limitado a umas dezenas de anos.

       Com efeito, diz-nos São Paulo, "Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram". A morte que veio por um homem, Adão, será vencida por outro homem, Jesus Cristo. A ressurreição de Jesus marca o início de um tempo novo. Ele abre-nos as portas da eternidade de Deus. Maria é assunta ao Céu, juntando-Se ao Seu filho e garantindo-nos que a seguir seremos nós, seguindo Jesus.

       Jesus entra na história, em Maria torna-se um de nós, para nos fazer entrar na vida de Deus. Assume-nos como seres humanos, criados à imagem e semelhança de Deus, e assume-nos como irmãos cuja pátria definitiva está no Céu, onde Ele já Se encontra à direita do Pai. Ora, em Maria esta promessa torna-se certeza: Ela já Se encontra onde Se encontra o Seu filho. A Mãe quer-se sempre perto dos Filhos.

 

       3 – O PRIVILÉGIO de Nossa Senhora – preservada de toda a mancha e da corrupção – diz-nos que TODA a vida, o Seu Corpo inteiro, é de Deus e para Deus. No início, durante e no fim. Mas é um privilégio instrumental, lunar, como é a Igreja. É a portadora do Corpo de Cristo, a Igreja, do Qual somos membros.

       Ela é iluminada, salva, pela LUZ que incide no Seu coração. A LUZ é para ser vista, é para revelar todo o bem que A preenche e que nos envolve. E logo nos primeiros instantes, Ela nos dá Jesus, colocando-O na manjedoura. Os Pastores e depois os Magos encontram o Menino envolto em panos e podem "pegar" n'Ele, adorá-l'O.

       No alto da Cruz, Jesus diz claramente que doravante a maternidade de Maria se expande para todos os seus discípulos. Dessa hora em diante cabe-nos acolher Maria, trazê-l'A para casa, para a nossa vida. Só assim nos tornamos discípulos amados de Jesus, só assim assumimos a fraternidade que Ele nos oferece. Partilha connosco a Mãe, para que nos assumamos, entre nós, como irmãos.

       Maria é Mãe, mas também discípula de Jesus. É a primeira Igreja. Gera Cristo. N'Ela refulge a Luz que vem da eternidade de Deus. Mas integra o Povo de Deus que peregrina ao encontro do Seu Senhor. Em vida: feliz porque escuta. Bem-aventurada Aquela que acreditou em tudo quando vem da parte do Senhor. E depois da morte, continua a dar-nos Jesus, e a acolher-nos como filhos. Ela é bem-aventurada por todas as gerações por nos ter dado o Salvador e nos mostrar como podemos responder e realizar o nosso sim a Deus em gestos de atenção, cuidado e intercessão a favor dos nossos irmãos.

       Somos chamados a partilhar a gravidez de Maria, acolhendo a Palavra que vem de Deus e dando à luz, ao mundo, o Deus que nos habita, preparando e antecipando JÁ a eternidade que nos espera.


Textos para a Eucaristia: Ap 11, 19a; 12, 1-6a.10ab; 1 Cor 15, 20-27; Lc 1, 39-56.

 

Reflexão COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

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28
Fev 14
publicado por mpgpadre, às 12:00link do post | comentar |  O que é?

António José GOMES MACHADO. Edith Stein: Pedagoga e Mística. Editorial A.O., Braga 2008, 304 páginas.

       António José Gomes Machado dá à estampa este livro correspondente à dissertação de Mestrado em Ciências Religiosas, sobre Edith Stein que viria a converter-se em Teresa Benedita da Cruz. Nasceu em Breslau, na Alemanha, em 12 de outubro de 1981. Este dia coincidia com o Dia do Perdão, para os judeus, uma das festas judaicas mais significativas.

       Como é sabido, o século XX é marcado pelas duas grandes guerras e também Edith Stein, como judia e como alemã, estará no centro destes dois conflitos. Na primeira, voluntariando-se como enfermeira para ajudar os muitos feridos que chegavam aos hospitais. Na segunda, como vítima da perseguição nazi. Pelo meio fica uma história de procura, de descoberta, de encontro, de conversão, de luta, de persistência.

       A sua família é judia. As festas principais são oportunidades para a família estar mais ligada ao povo da primeira Aliança, promovendo ritos, tradições, costumes. Cedo verificará que a vida não é consequente com a fé professada e celebrada, sendo que as festas judaicas se tornam sobretudo encontro com a família mas não tendo uma tradução prática na vida quotidiana. Por volta dos 14/15 anos chega assaltam em definitivo as dúvidas e a busca pela verdade, por um sentido mais pleno para a vida. Deixa a escola e passa por um tempo em que se mistura o agnosticismo, o indiferentismo religioso, e até o ateísmo, mas sem uma clara animosidade em relação à religião judaica ou outra.

       Como nos mostra o autor, a sua busca levá-la-á a Santa Teresa de Ávila (Teresa de Jesus), a mística que renovou o Carmelo. Nunca deixando de procurar um sentido para a vida, a verdade, Edith Stein volta a estudar, entra em contacto com o pai da Fenomenologia, tornando-se sua discípula, mas não se fixando aí. Contacta com outros filósofos como Max Scheler, católico. Lê a autobiografia de Santa Teresa de Jesus e dá-se o clique: é esta a verdade. A partir de então, embora continuando a investigar, a dar aulas, explicações, na área da educação e da pedagogia, procura assumir a conversão, compra o Catecismo da Igreja Católica e um Missal, pede a um sacerdote para ser batizada e torna-se católica. A sua busca continuará sempre. As suas investigações terão um ponto de apoio, Jesus Cristo, o Messias anunciando pela Sagrada Escritura, esperado pelos judeus, e que ela descobre em Jesus. Concorre para uma cátedra na universidade mas, por ser mulher, é impedida. Então resolve seguir em definitivo a sua vocação, torna-se religiosa, procurando imitar Santa Teresa de Jesus.

       Entramos na segunda guerra mundial. As religiosas acham por bem que se mude para a Holanda, para outro Carmelo. Os Bispos holandeses acharam por bem emitir uma Carta Pastoral denunciando as atrocidades cometidas pelos nazis. Esta carta foi lida em 24 de julho de 1942 em todas as Igrejas católicas da Holanda. Como resposta, os representantes do Reich ordenaram a deportação de todos os judeus católicos, arrancando-os dos conventos. Também Edith foi detida a 2 de agosto de 1942, juntamente com a irmã Rosa Stein. Passaram por alguns campos de concentração, até que no dia 7 de agosto foram deportadas para o mais famoso campo de extermínio Auschwitz-Birkenau, onde chegara no dia nove do mesmo mês. Nesse dia, as que chegaram nesta leva, foram conduzidas para uma câmara de gás para serem mortas. Durante a noite os seus corpos foram queimados.

       O livro apresenta os dados biográficos de Santa Teresa Benedita da Cruz, mas também os frutos da sua investigação acerca da educação e da pedagogia, sendo que ela própria procurar colocar em prática o que ensinava.

       É uma leitura que permite conhecer melhor a co-padroeira da Europa (ao lado de Santa Brígida da Suécia e Santa Catarina de Sena), com muitos textos da própria Edith Stein. O livro é um extraordinário testemunho de vida, na procura permanente pela verdade, pelo bem, por um sentido para a vida.


30
Jan 14
publicado por mpgpadre, às 12:00link do post | comentar |  O que é?

       Para uma leitura mais assertiva dos evangelhos durante o ciclo de leituras do ANO A, recomendámos a leitura, entre outros, de três obras:

D. ANTÓNIO COUTO. Quando Elenos abre as Escrituras. Domingo após domingo. Uma leitura bíblica do Lecionário. Ano A. Paulus Editora, Lisboa 2013.

 

D. MANUEL CLEMENTE. O Evangelho e a Vida. Conversas na rádio no Dia do Senhor. Ano A. Lucerna. Cascais 2013. 320 páginas. 352 páginas.

 

José ANTONIO PAGOLA. O Caminho aberto por Jesus: Mateus. Gráfica de Coimbra 2. Coimbra 2010. 280 páginas.

       A recomendação, que continua válida, seria ler em cada domingo o respetivo comentário, ou ler de uma assentada, relendo em cada domingo. Porém, a estrutura do livro de Pagola, que não segue domingo a domingo o Evangelho, mas propõe a leitura de São Mateus a partir dos textos atribuídos a cada domingo, deixando outros textos, de outros evangelistas. Desta forma, e para um enquadramento geral do Evangelista da Igreja, São Mateus, esta seria uma leitura adequada a fazer de uma assentada. Foi o que fizemos.

        É neste sentido que voltámos a recomendar a leitura de Pagola, O Caminho aberto por Jesus: Mateus. Já aqui sugerimos MARCOS: Aqui, do mesmo autor e coleção.

       José Antonio Pagola tem a preocupação de situar as diversas passagens, enquadrando com o tempo de Jesus, ou com a situação em que o texto foi escrito, procurando trazer cada episódio para o tempo atual, com situações semelhantes na sociedade e na Igreja. A vivência do Evangelho há de ser libertadora, comprometida, transformadora. Salienta-se a força do Espírito em cada um e na comunidade, onde as Bem-aventuranças são um referencial incontornável, mas também o Juízo Final, a proximidade da Deus implica uma maior proximidade aos irmãos, aos excluídos, aos pobres, aos marginalizados.

       No final, o envio dos Apóstolos, que se tornam responsáveis por espalhar a Boa Nova, com palavras e com obras, com a vida, fazendo discípulos. "O ponto de arranque é a Galileia. Para lá os convoca Jesus. A ressurreição não os deve levar a esquecer o que viveram com Ele na Galileia. Ali O escutaram a falar de Deus como parábolas comovedoras. Ali O viram a aliviar o sofrimento, a oferecer o perdão e a acolher os esquecidos. É precisamente isto que devem continuar a transmitir".

O anúncio e o batismo levam uma marca trinitária.

       "O Pai é o amor originário, a fonte de todo o amor. Ele começa o amor. «Só Ele começa a amar sem motivos; mais é Ele quem, desde sempre, começou a amar (Eberhard Jüngel). O Pai ama desde sempre e para sempre, sem ser obrigado nem motivado a partir de fora. É o «Eterno amante». Ama e continuará a amar sempre. Nunca nos reinará o Seu amor e fidelidade. D'Ele só brota amor. Consequência: criados à Sua imagem, estamos feitos para amar. Só amando acertamos na existência.

       O ser Filho consiste em receber o amor do Pai. Ele é o «Amado eternamente», antes da criação do mundo. O Filho é o amor que acolhe, a resposta eterna do amor do Pai. O mistério de Deus consiste, pois, em dar e também em receber amor. Em Deus, deixar-se amar não é menos que amar. Receber é também divino! Consequência: criados à imagem de Deus estamos feitos não só para amar, mas também para ser amados.

       O Espírito Santo é a comunhão do Pai e do Filho. Ele é o AMOR eterno entre o Pai amante e o Filho amado, é Ele que revela que o amor divino não é possessão ciumenta do Pai nem apropriação egoística do Filho. O amor verdadeiro é sempre abertura, dom, comunicação transbordante. Por isso, o amor de Deus não se fica em si mesmo, mas comunica-se e estende-se às Suas criaturas. «O amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado» (Rom 5,5). Consequência: criados à imagem de Deus, estamos feitos para amar, sem nos apropriarmos, nem nos encerrarmos em amores fictícios e egoístas".

 

Veja-se a SUGESTÃO da LIVRARIA FUNDAMENTOS: Aqui


29
Jan 14
publicado por mpgpadre, às 11:00link do post | comentar |  O que é?
       Na dinâmica pastoral das Escolas de Vivência da Fé, no dia 24 de janeiro, dia de São Francisco de Sales, realizou-se mais um encontro de reflexão, desta feita sobre o Evangelho de São Mateus, que preferentemente se lê aos domingos no ciclo de leituras do ano A. Connosco, para nos ajudar a acolher e compreender melhor o Evangelho e o seu autor, o Pe. Jorge Henrique, Pároco de Penso, Faia, Vila da Rua, Vila da Ponte e Assistente Diocesano da Obra Kolping. Foi o pregador da última Novena e Festa de Nossa Senhora da Conceição.
       Partilhamos o diaporama preparado pelo Pe. Jorge Henrique, que poderá servir a outros (pessoas e/ou comunidades) para melhor conhecerem o Evangelho de São Mateus e simultaneamente a distribuição dos textos por todo o ano litúrgico, do 1.º Domingo do Advento (1 de dezembro de 2013) até à próxima solenidade de Cristo Rei do Universo (23 de novembro de 2014).

         Relacionado com este tema, outra apresentação preparada para o ano de 2011, numa semana de formação bíblica: AQUI.


11
Jan 14
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência».

       Se há verdade que Jesus faz questão em vincar é precisamente que Deus é Pai. Haveria (e ainda há) a imagem de um Deus distante, juiz, pronto a castigar-nos e exigir tudo de nós, parecendo que a felicidade de Deus dependeria do nosso sofrimento. Quanto maior fosse o nosso sofrimento maior seria o Seu contentamento. Jesus desfaz este distanciamento. Deus é tão próximo que Se faz um de nós, assume a nossa fragilidade. "Para Jesus a verdadeira metáfora de Deus não é o «cedro», que faz pensar em algo grandioso, mas a «mostarda», que sugere o pequeno e insignificante" (J. Pagola).

       O Deus que Jesus nos revela é Pai. Ele espera por nós. Acredita em nós. Aposta em nós. Quanto maior a nossa felicidade, a nossa alegria, tanto maior o Seu sorriso. Se um de nós é feliz mas à volta há alguém a precisar de ajuda, de uma palavra, de um ombro amigo, ou de bens para viver com dignidade, o meu, o teu, o nosso compromisso com Deus obriga-nos a fazer o que está ao nosso alcance para solucionar ou minorar a dor alheia, o sofrimento dos nossos irmãos.

       2 – «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência». No Batismo e na Transfiguração (Mt 17,1-19), Deus declara a Sua predileção pelo Filho, por Jesus. É extensível a nós.

       Jesus encontra-se com João, o Batista. Ouviram falar um do outro. João vem antes, no tempo. Prepara a chegada do Messias. Batiza na água. É um batismo simbólico que antecipa o verdadeiro batismo, operado pela morte e ressurreição de Jesus Cristo.

       Jesus revela-Se nos gestos simples e banais, é Um entre nós. Não começa por dizer que é Deus ou filho de Deus, começa por viver como nós, submetendo-se às nossas leis, preceitos, tradições.

       Durante mais de trinta anos Jesus vive como qualquer simples mortal. Em casa dos pais. Vai às festas da família e da aldeia, está presente no luto de familiares, amigos e vizinhos. Come. Bebe. Trabalha. Torna-se carpinteiro. Está entranhado na comunidade de Nazaré.

       Entretanto submete-se ao batismo de João, no Rio Jordão. João sabe que Jesus não precisava de ser batizado: «Eu é que preciso de ser batizado por Ti e Tu vens ter comigo?». Logo Jesus contesta dizendo: «Deixa por agora; convém que assim cumpramos toda a justiça».

       Jesus integra a multidão, não está acima ou de fora. Com efeito, ao longo da Sua vida pública é vê-l’O ir à margem, à beira do caminho, às periferias, buscar os que andam perdidos.

       3 – «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência». Esta é a voz que vem do Céu. Com efeito, logo que foi batizado "abriram-se os céus e Jesus viu o Espírito de Deus descer como uma pomba e pousar sobre Ele" e fez-se ouvir a voz do Pai, como testemunho, como desafio, envolvendo-nos.

       Ele é o Messias de Deus, o Príncipe da Paz. Vem como aragem suave que convida, e não como vendaval que destrói. Sobre Ele repousa o Espírito de Deus para trazer a paz, a justiça, a concórdia a todas as nações. Ele é a LUZ verdadeira que ilumina toda a treva.

 

       4 – Somos batizados na água e no Espírito, na morte e ressurreição de Jesus Cristo. É um batismo novo, redentor, sacramental, traz-nos a oferenda de Jesus a nosso favor, introduz-nos na vida de Deus.

       O encontro com Deus gera “seguidores”. Jesus é assumido pelo Pai, publicamente, na assembleia reunida no Jordão, e a partir do Batismo torna-se o Profeta, por excelência. Após os batismo, os discípulos tornam-se apóstolos, anunciadores do Evangelho. E com a Palavra, imitando o Mestre, levam o conforto, a esperança, a cura.

        Como é que vivemos o nosso Batismo? Somos pessoas diferentes? Que significa para nós sermos batizados?


Textos para a Eucaristia (ano A): Is 42, 1-4.6-7; Atos 10, 34-38; Mt 3, 13-17.

 

Reflexão Dominical na página da Paróquia de Tabuaço

ou no nossoblogue CARITAS IN VERITATE.


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