...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...
08
Out 16
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

1 – O discípulo de Jesus sabe agradecer tudo quanto de bom lhe é dado da parte do Senhor. A gratidão, com efeito, é o caminho da humildade de quem se reconhece mendigo, pronto para aprender, para acolher o bem que vem dos outros, disponível para mudar o que é necessário para se tornar transparência e testemunha de Jesus Cristo.

Só a humildade nos faz santos. A santidade constrói-se no serviço humilde e dedicado ao seu semelhante, sob a bênção de Deus.

O Evangelho faz-nos ver o caminho de Jesus, que não segue alheado de quem O rodeia, de quem Se aproxima, de quem pede ajuda, de quem nem sequer pede ajuda porque não tem forças ou porque tem vergonha. Desvia-se do caminho para a periferia, para das margens para os recuperar para a vida, para o centro.

Gebhard_Fugel_Christus_und_die_Aussätzigen_c1920.

2 – No Evangelho, 10 leprosos aproximam-se o suficiente para se fazerem ver e ouvir por Jesus. Daqui se infere que a fama de Jesus se espalhara. Os leprosos não se aproximam de um ídolo, de uma estrela, mas de Alguém cuja docilidade, delicadeza, proximidade atrai.

A lepra é um estigma social. Os leprosos são mantidos à distância, isolados, deixados de fora… pelo sim pelo não, há que afastar as pessoas "contagiadas" para não contagiarem os outros.

Jesus não só não Se afasta como Se aproxima. Os leprosos disseram em alta voz – «Jesus, Mestre, tem compaixão de nós». Jesus simplesmente lhes diz: «Ide mostrar-vos aos sacerdotes». Jesus não precisa de levantar voz, está perto. Levantamos a voz quando estamos distantes, fisicamente, ou quando os nossos corações estão afastados.

A ordem de Jesus implica os próprios. O milagre acontece quando se colocam a caminhar. Ensimesmados adoecemos. Basta quem tem mobilidade reduzida. Mexamo-nos pela nossa saúde. Prefiro uma Igreja acidentada por sair, que uma Igreja doente, com mofo, estagnada por não sair. Palavras bem conhecidas do Papa Francisco.

 

3 – Quando se põem a caminho, os 10 leprosos ficam curados. Como reagem? "Um deles, ao ver-se curado, voltou atrás, glorificando a Deus em alta voz, e prostrou-se de rosto em terra aos pés de Jesus, para Lhe agradecer. Era um samaritano".

É um samaritano, um estrangeiro que regressa, louva a Deus e agradece a Jesus. Talvez não considere que Jesus seja Deus, mas reconhece que Deus Se manifestou através de Jesus. O dom que recebeu leva-o à precedência, à origem da dádiva.

A reação de Jesus é espontânea: «Não foram dez os que ficaram curados? Onde estão os outros nove? Não se encontrou quem voltasse para dar glória a Deus senão este estrangeiro?». E disse ao homem: «Levanta-te e segue o teu caminho; a tua fé te salvou».


Textos para a Eucaristia (C): 2 Reis 5, 14-17; Sl 97 (98); 2 Tim 2, 8-13; Lc 17, 11-19.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE


14
Fev 15
publicado por mpgpadre, às 16:00link do post | comentar |  O que é?

1 – «Se quiseres, podes curar-me». O primeiro passo para a cura é o desejo de ser curado. A doença é, certamente, uma experiência de fragilidade, de impotência e, muitas vezes, de desencanto. Na presença de pessoas doentes, vem ao de cima, muitas vezes, o protesto contra a vida e contra Deus. Nunca é fácil lidar com a doença dos nossos familiares e amigos e sobretudo quando é prolongada e já não existem possibilidades de cura. Havendo esperança de melhoras, de estabilização ou de cura, então é possível aceitar as dores, os incómodos, os tratamentos. Não havendo, tudo se torna mais difícil, para o próprio e para quem está à volta.

Outra das consequências da doença, crónica ou prolongada, além do desgaste físico e emocional, é o isolamento e a solidão. Os amigos vão desaparecendo progressivamente.

Uma pessoa surpreendida por uma doença incurável poderá sentir-se revoltada e transparecer azedume para com aqueles que estão mais próximos. À doença acrescenta-se a solidão. A pessoa doente não faz vida social, deixa de conviver, pela (in)disposição, ou porque a própria doença desaconselha os ajuntamentos. E a falta de vontade; não quer ouvir ninguém; não quer ouvir as mesmas perguntas…

Healing of the Lepers at Capernaum (Guérison des

2 – Imaginemos agora uma doença infectocontagiosa!

A Bíblia preserva o medo de contágio e as prescrições para evitar qualquer tipo de contacto com um leproso, dando à lei um carácter divino. «Quando um homem tiver na sua pele algum tumor, impigem ou mancha esbranquiçada, que possa transformar-se em chaga de lepra, devem levá-lo ao sacerdote Aarão… O leproso com a doença declarada usará vestuário andrajoso e o cabelo em desalinho, cobrirá o rosto até ao bigode e gritará: ‘Impuro, impuro!’. Todo o tempo que lhe durar a lepra, deve considerar-se impuro e, sendo impuro, deverá morar à parte, fora do acampamento».

A lei defende os sãos, mas condena à exclusão os leprosos.

Há pouco mais de 50 anos, existiam leprosarias e aldeias isoladas e situações em que os animais tinham um melhor tratamento. Lembremos a parábola de Lázaro, contada por Jesus.

A propósito seria interessante ler a biografia do Padre Damião, o Santo de Molokai, ou o filme Ben-Hur, que mostra o tratamento dado aos leprosos, votados ao completo esquecimento.

 

3 – Se um leproso vem ter com Jesus é porque já ouviu falar d'Ele, já alguém lhe anunciou Jesus. Novamente a dinâmica da evangelização e da intercessão. Sorrateiramente, este homem aproxima-se. Confia no que lhe disseram, mas também no que o seu íntimo lhe diz. Arrisca muito, sujeita-se a ser escorraçado, apedrejado e morto.

«Se quiseres, podes curar-me». O leproso faz a sua profissão de fé de forma simples, humilde e direta. São Marcos deixa-nos ver de perto a postura de Jesus. Há oito dias, víamos que Ele pega na mão da sogra de Simão Pedro e levanta-a. Esta semana, a mesma delicadeza, proximidade, sem meias nem peias, simplesmente, compadecido, Jesus estende a mão, toca-lhe e diz: «Quero: fica limpo». E como no momento da criação, também aqui a palavra de Deus tem efeito: aquele homem fica limpo da lepra.

Quantas pessoas precisam apenas de um toque, um aperto de mão, um abraço, uma afaço, um beijo, um sorriso, para se sentirem humanas e se sentirem salvas! 


Textos para a Eucaristia (ano B): Lev 13, 1-2. 44-46; Sl 31 (32); 1 Cor 10, 31– 11, 1; Mc 1, 40-45.

 

Reflexão dominical COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso blogue CARITAS IN VERITATE


12
Out 13
publicado por mpgpadre, às 18:30link do post | comentar |  O que é?

       1 – O amor exige amor. O bem realizado provoca a gratidão. A gratidão só é possível partindo da humildade e do reconhecimento do bem que o outro nos faz. Quem agradece abre-se ao dom alheio, disponibiliza-se a valorizar o que recebeu. Em muitas situações da vida, o melhor agradecimento está em usar bem o que se recebeu.

       Amar implica relação, coração que se debruça sobre alguém. Tem implícita uma resposta positiva. O Papa Bento XVI, servindo-se de conceitos gregos, apresenta o amor nos seus diversos graus. Ágape, é o amor oblativo, o nível superior, que procura o bem do outro, sem esperar nada em troca. Neste sentido, o amor de Deus é sobretudo ágape (caritas = caridade). Deus dá-Se totalmente ao ser humano. Noutro polo está o eros, “o amor de quem deseja possuir aquilo que lhe falta, ansiando pela união do amado”. Haverá alguma coisa que o homem é e tem e que Deus não possua já?

       Porém, sublinha Bento XVI, “o amor de Deus também é eros... o Omnipotente espera o «sim» das suas criaturas, tal como um jovem esposo espera o sim da sua esposa… Na Cruz o próprio Deus mendiga o amor da sua criatura: Ele tem sede do amor de cada um de nós… A resposta que o Senhor deseja ardentemente de nós é, antes de mais, que acolhamos o seu amor e nos deixemos atrair por Ele. Aceitar o seu amor não basta. Devemos corresponder a esse amor e, depois, empenharmo-nos em comunicá-lo aos outros”.

       2 – Jesus passa entre a Samaria e a Galileia, a caminho de Jerusalém e encontra 10 leprosos. Está em movimento, a caminhar. Vem ao nosso encontro, ao nosso caminho. Cabe-nos acolher a Sua presença: «Jesus, Mestre, tem compaixão de nós». A cura coloca-nos a caminhar, e no caminhar, no sair de si, está a cura para muitos dos nossos males físicos e espirituais.

       A narração continua e mostra a atitude de um dos leprosos que, vendo-se curado, glorifica a Deus em alta voz e se prostra aos pés de Jesus para Lhe agradecer. Era um estrangeiro, um samaritano, inimigo dos judeus, impuro como leproso e impuro por ser samaritano. Ainda assim, só ele glorifica a Deus e agradece a Jesus.

       Rapidamente o desabafo de Jesus: «Não foram dez os que ficaram curados? Onde estão os outros nove? Não se encontrou quem voltasse para dar glória a Deus senão este estrangeiro?» Jesus, quando os curou não lhes perguntou pela origem, pela classe social, pela religião, pelas suas histórias passadas. Simplesmente, curou-os. Atendeu aos seus pedidos. Também aqui Jesus dá a Sua vida, dá a Sua graça. Cura. Sem esperar receber nada em troca. É o amor-ágape. Brota da Sua benevolência, da Sua compaixão, de um coração que transborda de Amor. Seguindo a reflexão de Bento XVI, seria expectável o agradecimento. Uma resposta. Um obrigado. Uma palavra. Um gesto. O amor gera amor.

       Não basta, responder ao amor com amor, é necessário comunicá-lo, testemunhá-lo aos outros e daí o envio: «Levanta-te e segue o teu caminho; a tua fé te salvou». Levantar-se. Pôr-se a caminho. De novo. Sempre. A fé como ponto de partida, como condição para nos fazermos caminho.

 

       3 – Cientes da palavra de Deus que hoje toca o nosso coração, que propósitos para renovar aspetos da nossa vida? Agradeço o que sou, o que tenho, a minha família? Agradeço o sol ou a chuva de cada manhã? Louvo a Deus por tudo o que de bom me rodeia? Reconheço os dons que Deus dá aos outros? E de que forma eu agradeço pelos dons que Ele me dá? Ponho-os a render? Guardo-os para mim?

       Não tenhamos medo de usar muitas vezes o “obrigado”. Agradeçamos a quem nos faz a refeição. Elogiemos este ou aquele prato confecionado. Obrigado a alguém que nos deu a passagem, nos emprestou um lápis, agradeçamos a Deus por cada sorriso que nos predispõe para o bem. Agradeça. Louve. Hoje. Faça um elogio a cada pessoa da sua família. Há sempre oportunidades. Pelo penteado, pela roupa, pela refeição, pela expressividade do rosto, pelo olhar, pelo sorriso. Um elogio. Um obrigado. Muda o seu olhar. Muda a atitude de quem escuta. Faça o domingo acontecer. Hoje.


Textos para a Eucaristia (ano C): 2 Reis 5, 14-17; 2 Tim 2, 8-13; Lc 17, 11-19.

 


12
Fev 12
publicado por mpgpadre, às 09:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – "Jesus ficava fora, em lugares desertos, e vinham ter com Ele de toda a parte". Este é um elemento comum ao evangelho do domingo passado – "Todos Te procuram... Vamos a outros lugares". A fama de Jesus espalha-se, onde quer que vá há alguém que já se cruzou com Ele, já O ouviu, já viu o Seu rosto, já alguém falou d'Ele. Depois da cura de um homem leproso, mais se divulga o Seu nome. Jesus dissera ao leproso para não dizer a ninguém, talvez com a preocupação de que as pessoas não se deixassem fascinar pelos milagres, mas procurassem acolher a Palavra de Deus. "Porém, logo que partiu, começou a apregoar e a divulgar o que acontecera".

       O encontro de Jesus com as pessoas faz-se nos dois sentidos. Jesus que parte, deslocando-se por aldeias, vilas e cidades. Pessoas que se informam do local em que Ele se encontra e vão ter com Ele, de toda a parte, para O escutarem e se deixarem tocar pelas suas palavras, uns em busca de paz ou de um sentido mais definitivo para a vida, outros para serem curados, uns por curiosidade, outros puxados pelos seus pares, deixam-se levar, outros ainda para assistirem às discussões com doutores da lei e fariseus.

       Mas o que se destaca hoje no evangelho é a cura de um leproso.

       Também ele tinha ouvido falar de Jesus, veio ao seu encontro, "prostrou-se de joelhos e suplicou-Lhe: «Se quiseres, podes curar-me». Jesus, compadecido, estendeu a mão, tocou-lhe e disse: «Quero: fica limpo». No mesmo instante o deixou a lepra e ele ficou limpo".

       Curiosa a forma usada por este homem: se quiseres, podes curar-me... não depende (primeiramente) da minha força, da qualidade da minha pessoa, não depende do bem ou do mal que tenha feito na minha vida, depende de Ti, Senhor.

       Só a fé nos coloca frente a frente com Jesus, com o Altíssimo, só a fé alimenta o nosso coração e nos coloca diante do mistério insondável da vida. As palavras do leproso refletem a fé de Maria: faça-se em mim segundo a Tua palavra… Fazei o que Ele vos disser... Ou na consciência de Jesus: o meu alimento é fazer a vontade de meu Pai que está nos céus. Faça-se... E aconteceu. Jesus curou-o. A fé é o ponto de partida, o ponto de encontro com Jesus. Mas tudo se concentra na iniciativa divina, na primazia do Seu sim a favor da humanidade.

 

       2 – A maior das leis é a caridade, expressão e concretização do Amor de Deus. Não há leis humanas, mesmo que revestidas como leis divinas, que esqueçam, contornem, anulem ou impeçam a vivência da caridade. Certamente que todos já nos deparámos com leis que se tornam injustas, sobretudo na sua aplicação concreta. Nem todas as pessoas são iguais, nem todos têm as mesmas necessidades. A igualdade há de existir na dignidade, no respeito pela identidade de cada um, no acolhimento das especificidades da pessoa e da cultura em que nasce e se desenvolve. No entanto, por que cada um de nós tem uma idiossincrasia, o "fato" pode não servir a todos.

       Por outro lado, há claramente leis que são fruto da cultura, da situação histórico-geográfica, elaboradas naquele tempo, para aquelas pessoas, procurando defender a maioria, mesmo que depois fiquem algumas esquecidas, abandonadas à sua sorte, desprotegidas ou até esmagadas pelas leis.

       É o caso da lepra, ou melhor, dos leprosos. Perante a ameaça de propagação, surge uma lei que se converte em lei religiosa, obtendo uma força extraordinária e para mais com a autoria atribuída ao grande líder de Israel, Moisés. Em nome de Deus, inspirado por Ele, dita a lei a Aarão, o sacerdote: "O leproso com a doença declarada usará vestuário andrajoso e o cabelo em desalinho, cobrirá o rosto até ao bigode e gritará: ‘Impuro, impuro!’ Todo o tempo que lhe durar a lepra, deve considerar-se impuro e, sendo impuro, deverá morar à parte, fora do acampamento».

       É esta lei que Jesus ultrapassa pela proximidade com todo o tipo de pessoas: doentes, andrajosos, sãos, cultos, pecadores e publicanos, mulheres e crianças, pessoas com estatuto social, religioso e político, ou sem qualquer estatuto, estrangeiros e os que estão em nome da potência invasora. Para Jesus todos são igualmente filhos, imagem e semelhança de Deus, todos merecem atenção, disponibilidade, ainda que seja para os doentes, para os pecadores, para os excluídos, que Jesus oriente a Sua máxima atenção. Não são os sãos que precisam de médico. Não para excluir uns em função dos outros. Alguns sistemas recentes procuraram substituir umas classes por outras inferiores, elevando estas e inferiorizando aquelas. Em Jesus a preocupação é a inclusão de todos, por isso tem que ir ao encontro dos excluídos da sociedade e da religião, ou deixar-se encontrar por eles.

       O homem curado de Jesus é integrado na sociedade. Jesus cura-lhe a doença, mas sobretudo introdu-lo na convivência social e religiosa, devolve-se a saúde, mas sobretudo a dignidade, a alma, a vontade de viver. Ele também é filho, também é irmão, também é rosto de Deus. Ninguém é feliz sozinho, isolado.

 

       3 – "Meu Pai trabalha incessantemente e Eu também trabalho em todo o tempo" (Jo 5, 17-30), dirá um dia Jesus aos judeus, deixando claro que não há leis que possam impedir o serviço da caridade, nem sequer a lei do Sábado, o dia do descanso para os judeus. Moisés prepara o povo para viver em clima de paz, de harmonia, de honestidade. Muitas vezes, contudo, justificam-se outros abusos com a lei mosaica. Jesus não se impressiona com o recurso a Moisés, garantido que a preocupação é a mesma, viver na obediência a Deus.

       Importa, uma vez mais, escutar as palavras do Apóstolo São Paulo: "Quer comais, quer bebais, ou façais qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus. Portai-vos de modo que não deis escândalo nem aos judeus, nem aos gregos, nem à Igreja de Deus. Fazei como eu, que em tudo procuro agradar a toda a gente, não buscando o próprio interesse, mas o de todos, para que possam salvar-se. Sede meus imitadores, como eu o sou de Cristo".

       A preocupação do cristão não é servir-se, ou usar os outros ou a própria lei em benefício próprio, mas ser instrumento de felicidade para os outros, sabendo que dessa forma se sentirá (re)compensado. Nesta epístola faz-se uma clara defesa do bem comum e também aqui uma provocação para este tempo e para a cultura ocidental, em que muitos se serviram, esqueceram-se dos outros, serviram-se das pessoas e das estruturas. Só que na volta advieram consequências desastrosas e destrutivas. Quando se sobrevaloriza o egoísmo - viver para si - advém a destruição do tecido social, cultural e religioso. Uma sociedade só vive se fizer da solidariedade e da partilha o seu lugar de encontro. Jesus, na Cruz, dá o maior dos testemunhos, não Se salva, não salva a Sua pele. Entrega-Se pelos outros, por todos.

 

       4 – Trabalhemos incansavelmente pelo reino de Deus e sua justiça. Quer comamos quer durmamos, façamos tudo em nome de Jesus. Tudo para glória de Deus. Todo o bem que fizermos ao nosso semelhante será para glória de Deus. A glória de Deus, como lembrava Santo Ireneu, é o homem vivente, o homem vivo, ou seja, a pessoa com qualidade de vida, a vida em abundância que nos é dada em Jesus Cristo.

       Entreguemo-nos à prática do bem e ao louvor de Deus. Ou, louvemos a Deus também pelas boas obras que realizamos. Isso nos será tido em conta. Não cessemos de confiar no Senhor, como nos ensina o salmista: "Vós sois o meu refúgio, defendei-me dos perigos, fazei que à minha volta só haja hinos de vitória. Alegrai-vos, justos, e regozijai-vos no Senhor, exultai, vós todos os que sois retos de coração". Será esta confiança, como a fé e a abertura do homem com lepra, que nos permitirá acolher a Deus e a todos aqueles e aquelas que Deus colocou na minha, na tua, na nossa vida.


Textos para a Eucaristia (ano B): Lev 13,1-2.44-46; Sl 31 (32); 1 Cor 10,31-11,1; Mc 1,40-45.

 

Reflexão Dominical na Página da Paróquia de Tabuaço


10
Out 10
publicado por mpgpadre, às 20:08link do post | comentar |  O que é?
       1 – Uma característica fundamental para se ser feliz é a humildade. Do mesmo modo para se ser santo. Santidade e felicidade, para o cristão, são termos equivalentes. A humildade coloca-nos em comunhão com os outros e em comunhão com o Totalmente Outro (ou melhor, o Totalmente Próximo). Leva-nos a reconhecer a nossa indigência, as nossas limitações, a nossa finitude, não como fatalidade, mas como abertura solidária e aceitação do outro e da sua ajuda.
         A soberba e a arrogância, expressões da auto-suficiência, encerram a pessoa em si mesmo. Com efeito, aquele que se considera independente em relação a tudo e a todos, assume não precisar de ninguém. Fecha o coração ao Outro (como próximo e como Deus). Não precisa de salvação. Fecha-se a novas descobertas, a novos encontros, ao conhecimento que vem dos outros e do mundo, fecha-se à esperança e ao futuro.
       O Mestre dos Mestres, Jesus Cristo, mostra-nos que a humildade nada nos tira, mas pode dar-nos o essencial, a própria vida em abundância que Ele nos traz, o próprio Deus.
       2 – Na liturgia da palavra deste domingo, salienta-se a humildade para acolher a salvação, ainda que esta possa vir de fora, doutra religião e de outra nacionalidade, e sobretudo do Alto, e para agradecer o DOM recebido.
       Na primeira leitura, é-nos apresentada a última parte de um episódio que exige a humildade para se dar a cura/salvação. Um general sírio, chamado Naamã, ouve falar de Deus que Se revela a Israel, e do Seu poder. Estando leproso, depois de recorrer a vários meios, resolve tentar a religião judaica e o profeta Eliseu. Este manda-o lavar-se sete vezes no rio Jordão. Num primeiro momento vem o orgulho e a soberba. O general recusa-se, dizendo que no seu país também existem rios. Esperava uma intervenção imediata e milagrosa de Deus. Eliseu exige-lhe um gesto simples mas que implica a renúncia ao preconceito e à presunção. O próprio servo do general lhe lembra que não é nada de especial, não é nada que não se possa fazer facilmente. E então "o general sírio Naamã desceu ao Jordão e aí mergulhou sete vezes, como lhe mandara Eliseu, o homem de Deus".
       No Evangelho, 10 leprosos vão até Jesus. Desde logo, a humildade para reconhecer a necessidade de cura. Jesus manda-os mostrar-se ao sacerdote. Algo de muito simples. A salvação de Deus é DOM que nos envolve, exige um movimento de aceitação da nossa parte.

 

       3 – Mas a humildade também nos leva à gratidão, que por sua vez nos abre novas janelas para o futuro. O general Naamã volta para agradecer a Eliseu. Este cumpriu como intermediário da graça de Deus e, por conseguinte, a gratidão deve orientar-se para Deus. Também os dons que Deus nos dá são para colocarmos ao serviço uns dos outros.

       No Evangelho, dos 10 leprosos, só um volta para agradecer a Jesus, glorificando a Deus:  "um deles, ao ver-se curado, voltou atrás, glorificando a Deus em alta voz, e prostrou-se de rosto por terra aos pés de Jesus para Lhe agradecer. Era um samaritano. Jesus, tomando a palavra, disse: «Não foram dez que ficaram curados? Onde estão os outros nove? Não se encontrou quem voltasse para dar glória a Deus senão este estrangeiro?»"

       Quantas vezes, bafejados pela vida, não nos damos conta dos bens que recebemos de Deus, na nossa família, dos que nos são próximos!

 
       4 – A Epístola de São Paulo a Timóteo, ainda que de forma diversa, também nos fala da humildade do testemunho: recebemos de Deus, para darmos do que recebemos. "Se morremos com Cristo, também com Ele viveremos; se sofremos com Cristo, também com Ele reinaremos; se O negarmos, também Ele nos negará; se Lhe formos infiéis, Ele permanece fiel, porque não pode negar-Se a Si mesmo".
       O testemunho é essencial no cristão: aquele que se sabe salvo por Deus, em Jesus Cristo, e que deixa transparecer a alegria, nas palavras e nas obras, para todo o mundo. A LUZ de Deus que irradia em nós torna-nos luminosos. Não opacos. É uma luz que incendeia o nosso coração, que queima, que transforma, que ilumina, e que não podemos encerrar em nós.
________________________
Textos para a Eucaristia (ano C): 2 Reis 5,14-17; 2 Tim 2,8-13; Lc 17,11-19


10
Ago 10
publicado por mpgpadre, às 10:21link do post | comentar |  O que é?

       "Finalmente - uma leitura de verão com alma" (The Observer, na capa).

       Recomendar uma leitura, que se fez, é reconhecer nela uma mensagem importante, um texto envolvente, um desafio para melhorar a vida, as concepções, as ideias sobre os outros e sobre o mundo, a aprofundar o conhecimento da natureza humana, a assumir uma maior tolerância para com os erros dos outros e uma maior humildade nas nossas imperfeições. Este livro tem tudo isso.

       É um romance que se lê de uma acentada, cujo pano de fundo é, em primeira instância, a LEPRA, num tempo em que era um estigma social, separando famílias, afastando os amigos, exilando os leprosos. Lembra a autora a referência bílblica aos leprosos, com vestuário andrajoso, e gritando, na proximidade de alguém, que tinha lepra, para as pessoas se isolarem.

       Este romance centra-se numa família à descoberta da sua identidade, em que familiares foram atingidos por este flegelo, e numa ilha, em que pessoas se esforçam por viver com dignidade apesar de terem sido ostracizadas da sociedade e colocadas numa ilha, para que não pudessem contaminar os outros.

Mas mesmo no meio da tragédia, a vida continua, e a dedicação, competência, a generosidade de muitos alivia o fardo dos outros.

       Em Spinalónga, fazem-se sentir as dificuldades da Segunda Guerra Mundial, abrindo-se depois à esperança da cura, que a guerra entretanto interrompera. Hoje bastam € 25,00 para tratar uma pessoa com lepra...

       No meio de tanta adversidade é possível ser feliz, é possível ser bom. Mas também a possibilidade da maldade, da indiferença, do medo, da fuga, da maledicência.

       É uma leitura extraordinariamente rica:

  • Victoria Hislop, A Ilha, Civilização Editora, Porto: 2009.

       Não deixe também, se possível de fectuar outra leitura sobre este tema, que recondámos também aqui, Padre Damião, um coração de ouro.


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