...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...
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Dez 16
publicado por mpgpadre, às 09:00link do post | comentar |  O que é?

1 – O sonho comanda a vida. O Sonho é uma constante da vida. Sempre que o homem sonha, o mundo pula e avança (António Gedeão). Deus quer, o homem sonha e a obra nasce (Fernando Pessoa). A vida acaba quando o sonho acaba, quando já não há esperança, nem aquém nem além. Sonhos e projetos, confiança no futuro, promessa de eternidade a iniciar-se na história. A esperança é a última a morrer, faz-nos passar ao outro mar.

       Há pessoas que já há muito deixaram de sonhar. Dizem elas, como desabafo, como desilusão, mas com a réstia de esperança que o que desdizem afinal não se confirme. Para os adeptos de futebol, quando a equipa está a perder, até ao último minuto vivem num misto de realidade e esperança... ainda falta um minuto, alguém vai marcar! A vida é mesmo assim. É claro que muitas pessoas vivem voltadas para o passado e esquecem-se de viver o presente e projetar o futuro. Mas mesmo em situações mais extremas, a saudade do passado é a forma de se manterem vivas, sonhando/esperando que voltem esses tempos. Seria ótimo que a presença do passado as levasse a procurar apreciar e viver novas situações.

       Outros há, que sonham o tempo todo, sempre com ganas de viver, de sugerir, de projetar. Por vezes, colam-se apenas aos sonhos e esquecem-se que os sonhos precisam de ser concretizados no tempo e na história e não apenas projetados na mente. Há sonhos que nunca realizaremos mas que, ainda assim, nos puxam para a frente, para o futuro. Há o sonho de deixar marcas positivas no mundo. Mesmo aqueles que deixam marcas negativas é com o sonho de não serem esquecidos. Sonhamos a dormir e sonhamos acordados. Quando jovens sonhamos mudar o mundo. Quando entrados na idade, sonhamos que outros sonhem em mudar o mundo.

       José teve um sonho. Não foi um sonho qualquer. Foi um sonho para mudar o mundo, a história, a sua e a nossa, a história da humanidade. O sonho de José faz dele uma personagem importante para a história da salvação, Deus entre nós, Deus connosco. Não há que ter medo de sonhar. Os sonhos equilibram a mente, por um lado, e, por outro, ajudam-nos a levantar-nos cada dia com um sorriso.

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       2 – José teve um sonho. Outro José, noutro contexto, conhecido como José do Egipto, e antepassado de São José, tornou-se importante à custa dos sonhos que interpretou para o Faraó, ganhando relevância, o que lhe permitiu salvar a sua família e o seu povo da miséria. São José tem um sonho que, do mesmo modo, faz com que se assuma guardião da Família sagrada.

       São Mateus apresenta-nos o nascimento de Jesus, sublinhando o mistério de Deus que age em nós e através de nós. A Virgem Imaculada concebeu por virtude do Espírito Santo. José, tomando consciência da gravidez de Maria, sem que tivesse convivido com Ela, decide repudiá-la em segredo, evitando difamá-la e açambarcando com a responsabilidade. Ao fugir assumia-se por culpado de "desonrar" Maria e impedia que Ela fosse condenada e quem sabe apedrejada.

       Mas os nossos pensamentos nem sempre são os de Deus e as nossas decisões nem sempre são as mais justas, ainda que assim o julguemos. Deus, também aqui, impele a escrever a história de uma maneira nova. Em sonho, Deus envia o Seu Anjo que revela a missão que José há de assumir: «José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que nela se gerou é fruto do Espírito Santo. Ela dará à luz um Filho e tu pôr-Lhe-ás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados».

       O sonho altera a decisão de José, que recebe Maria por esposa, tornando-se o protetor da Sagrada Família, dando o nome a Jesus, assegurando que Maria e José terão um lar seguro e confortável para viver.

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       3 – O sonho vem de longe e a promessa também. A primeira leitura recorda-nos essa promessa feita ao povo eleito, através do rei Acaz, a quem Isaías desafia a pedir um sinal. Acaz não se sente confortável o suficiente para pedir um sinal ao Senhor, considerando uma tentação ou mesmo uma blasfémia. Quando pedem um sinal a Jesus, Este repreende-os por testarem a Deus, dizendo que é uma geração perversa, que não está atenta aos verdadeiros sinais nem ao tempo novo que está a emergir com a Sua vida.

       Agora, contudo, é o próprio Deus que sanciona o sinal. Isaías, em nome de Deus, diz a Acaz: «Escutai, casa de David: Não vos basta que andeis a molestar os homens para quererdes também molestar o meu Deus? Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: a virgem conceberá e dará à luz um filho e o seu nome será Emanuel».

       São Mateus, ao concluir o relato do sonho de São José, diz claramente que a promessa se cumpre agora. Logo que José desperta do sonho, age em conformidade com as palavras do Anjo do Senhor.

       O sonho é verdadeiramente importante se nos faz acordar e nos leva a agir. Por si mesmo, o sonho é pouco relevante se não tiver consequência, se não conduzir à mudança de vida. Os sonhos, com efeito, não são nem positivos nem negativos, mesmo que pareçam pesadelos. Quando muito fazem sobressair a necessidade da nossa mente ordenar o que pensamos, os conhecimentos que vamos armazenando ao longo da vida, as sensações e emoções que vivemos. Mas, havendo algum sonho a que demos mais importância, que seja para nos ajudar a melhorar a nossa vida e a vida dos irmãos.

       Do mesmo jeito, os sonhos, os projetos, as promessas, sejam um catalisador para nos envolver-nos na transformação positiva do mundo, empenhando-nos em transparecer e testemunhar a misericórdia de Deus, plenizada e encarnada em Jesus Cristo.

 

       4 – O Apóstolo Paulo, tal como São José, também foi surpreendido por Deus. As suas certezas e convicções são postas em causa com o surgimento de Deus na sua vida. A caminho de Damasco, em busca da verdade, Paulo é "apanhado" por Jesus e de perseguidor passa a seguidor.

       Em mais esta belíssima missiva, aos Romanos, o Apóstolo aponta para Jesus, que nasceu, segundo a carne, da descendência de David mas, segundo o Espírito, foi constituído Filho de Deus. A missão do Apóstolo é transparecer, testemunhar, anunciar Jesus Cristo, levá-l'O a todo o mundo, pregando o Evangelho da santidade, o mesmo é dizer, o Evangelho da caridade.

       A referência primeira, para o apóstolo, e para nós também, é a ressurreição de Jesus Cristo. Ele torna-Se para sempre o nosso Salvador. O Filho de Deus nasceu como um de nós, da nossa carne e dos nossos ossos, para nos ressuscitar para Deus, elevando-nos com Ele para a eternidade.

       A oração de coleta resume bem este mistério da nossa fé: "Infundi, Senhor, a vossa graça em nossas almas, para que nós, que pela anunciação do Anjo conhecemos a encarnação de Cristo, vosso Filho, pela sua paixão e morte na cruz alcancemos a glória da ressurreição".

       Pela oração predispomo-nos a acolher o sonho de Deus, o Seu projeto de amor, de vida nova, em que todos nos reconheçamos como irmãos e nos tratemos como tal.


Textos para a Eucaristia (A): Is 7, 10-14; Sl 23 (24); Rom 1, 1-7; Mt 1, 18-24.


11
Out 14
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

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1 – Depois de três parábolas sobre a vinha, Jesus compara agora o reino de Deus a um rei que oferece um banquete. Para este banquete, convida os seus amigos. No entanto, um a um vão-se desculpando, apresentando todo o tipo de justificações ou de desculpas. Recusam o convite, e ainda tratam mal os emissários. Então o rei manda os seus exércitos para lhes dar uma lição definitiva, destruindo a cidade.

O rei alarga o convite: «Ide às encruzilhadas dos caminhos e convidai para as bodas todos os que encontrardes». Os servos reuniram todas as pessoas que encontraram pelo caminho, bons e maus.

Quando o rei entrou viu que a sala do banquete estava cheia de (novos) convidados. Reparou, contudo, que havia um homem que não estava com o traje nupcial: «Amigo, como entraste aqui sem o traje nupcial?». Como não obtivesse resposta, o rei mandou os criados que lhe amarrassem as mãos e os pés e o lançassem no exterior.

Jesus conclui o seu relato, dizendo: «Muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos».

 

2 – Esquecendo a parte bélica da parábola, o rei é o próprio Deus que convida. Aqueles que se julgam salvos, afinal estão a cavar a própria sepultura.

Jesus, na Sua missão evangelizadora, vem pelos caminhos e encruzilhadas da vida, e chama maus e bons. A salvação é para todos. A condição é deixar o que se está a fazer, a vida anterior, tudo o que nos distancia de Deus e dos outros, para entrar no banquete nupcial, na alegria da salvação, entrar no reino de Amor que Jesus inaugura. Ninguém está a mais. A sala enche-se a partir do momento em que todas as ruelas e vielas ficam vazias, a partir do momento em que as periferias vêm para o centro, vêm para Jesus, ou no momento em que o amor, Jesus, a vida em abundância, chega a todos os recônditos.

Um aviso apenas: quando seguimos Jesus devemos segui-l'O por inteiro. Temos de vestir o traje nupcial, despindo a roupagem anterior e vestindo um traje luminoso, que nos torne transparentes, afáveis, próximos, mais iguais, mais irmãos, dóceis, mais justos, mais amigos, mais família; um traje ágil, leve, atraente, que nos permita acariciar, dar as mãos, beijar, afagar o rosto do outro; trajes que não nos afastem e não nos cataloguem em categorias que nos dividam e nos levem a ter gestos mecânicos com muita etiqueta mas com pouco amor. Precisamos deixar que a nossa vida, atravessada pelo Espírito Santo, se converta e transpareça Jesus Cristo.

 

3 – A linguagem do Evangelho é sugestiva. Quem não se sente bem entre iguais, entre irmãos, num banquete, sem formalismos vazios, mas com a dignidade de se sentir convidado, de se sentir em família, de se sentir como príncipe ou princesa?! Somos mais que isso. Somos filhos. Estamos em casa, descontraídos, felizes.

Vejamos a descrição de Isaías sobre este banquete:

"Sobre este monte, o Senhor do Universo há de preparar para todos os povos um banquete de manjares suculentos, um banquete de vinhos deliciosos: comida de boa gordura, vinhos puríssimos… O Senhor Deus enxugará as lágrimas de todas as faces e fará desaparecer da terra inteira o opróbrio que pesa sobre o seu povo"

É um banquete para todos, com os melhores manjares, à discrição. O melhor que pode haver. É motivo para aclamar: «Eis o nosso Deus, de quem esperávamos a salvação; é o Senhor, em quem pusemos a nossa confiança. Alegremo-nos e rejubilemos, porque nos salvou. A mão do Senhor pousará sobre este monte». «O Senhor é meu pastor: nada me falta. Leva-me a descansar em verdes prados, conduz-me às águas refrescantes e reconforta a minha alma. / Para mim preparais a mesa à vista dos meus adversários; com óleo me perfumais a cabeça e o meu cálice transborda».


Textos para a Eucaristia (ano A): Is 25, 6-10a; Sl 22 (23); Filip 4, 12-14. 19-20; Mt 22, 1-14.

 


08
Fev 14
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – Disse Jesus aos seus discípulos: «Vós sois o sal da terra. Mas se ele perder a força, com que há de salgar-se? Vós sois a luz do mundo. Não se acende uma lâmpada para a colocar debaixo do alqueire, mas sobre o candelabro, onde brilha para todos os que estão em casa. Assim deve brilhar a vossa luz diante dos homens, para que, vendo as vossas boas obras, glorifiquem o vosso Pai que está nos Céus».

       2 – Vós sois para o mundo o que o sal é na comida: tempero, sabor, sentido. Sois no mundo o que a luz é no meio das trevas: caminho, orientação, transparência.

       Já todos fomos surpreendidos, em alguma ocasião, por uma refeição insossa. Curiosamente, a sabor está nos alimentos, na carne, no peixe, na hortaliça, nas batatas, no arroz, nos ovos. O sal permite-nos apreciar as diferentes dietas alimentares. Se falta sal nada sabe bem.

       Habituados que estamos à eletricidade, quando falha logo ficamos desnorteados e procuramos resolver o problema com uma vela, uma lanterna, com a luz do telemóvel,  com o medo de chocar contra algum objeto. É um transtorno.

       Mas basta um lampejo de claridade e já nos orientamos. E se cada um de nós for essa pequena luz para os outros? E se juntarmos a nossa à luz do vizinho?

        3 – E como ser luz e sal, que dá tempero e ilumina a vida, no nosso dia-a-dia?

       A belíssima página de Isaías mostra-nos o caminho, revelando-nos as palavras de Deus: «Reparte o teu pão com o faminto, dá pousada aos pobres sem abrigo, leva roupa ao que não tem que vestir e não voltes as costas ao teu semelhante. Então a tua luz despontará como a aurora e as tuas feridas não tardarão a sarar... Se tirares do meio de ti a opressão, os gestos de ameaça e as palavras ofensivas, se deres do teu pão ao faminto e matares a fome ao indigente, a tua luz brilhará na escuridão e a tua noite será como o meio-dia».

       Na mesma sequência o salmista nos envolve na resposta à palavra de Deus: «O justo deixará memória eterna. O seu coração é inabalável, nada teme; reparte com largueza pelos pobres, a sua generosidade permanece para sempre e pode levantar a cabeça com altivez».

       Como sublinha Jesus no Evangelho: as vossas/nossas boas obras serão a luz que brilha diante dos homens e iluminam o mundo.

 

       4 – O cristianismo não é um exercício intelectual ou uma abstração. É uma realidade concreta, situada no tempo e no espaço. O ponto de partida e de chegada, o chão que nos ampara, é Deus e o Deus de Jesus Cristo. Deus connosco. Próximo, e que Se faz estrada e vem sujar as mãos na terra, envolvendo-se com a nossa fragilidade e finitude. Procura-nos.

       É isto mesmo que sublinha o apóstolo, que não se anuncia a si mesmo ou alguma doutrina especial, que não tenta iludir com bonitas palavras, mas apresenta Jesus Cristo: “Irmãos, pensei que, entre vós, não devia saber nada senão Jesus Cristo, e Jesus Cristo crucificado”.

       A fé une-nos uns aos outros e compromete-nos com o bem de todos. Não é possível, sob pena de nos tornarmos mentirosos, separar a fé das obras e da vida. A fé faz-nos olhar para Deus com amor. Se olhamos para Deus com Amor, acolhendo-O na nossa vida, não poderemos desprezar a vida dos nossos irmãos, que são ROSTO e PRESENÇA de Deus, aqui e agora (hic et nunc).


Textos para a Eucaristia (ano A): Is 58, 7-10; Sl 111 (112); 1 Cor 2, 1-5; Mt 5, 13-16.

 


25
Jan 14
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – «Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos Céus». Comum a João e a Jesus, o convite ao arrependimento, aderindo ao bem, à justiça e à verdade. A motivação maior é a proximidade do Reino de Deus. São Mateus mostra-nos esta continuidade entre a voz e a palavra, entre o Precursor e o Messias, entre o Batista e o Cristo, o Filho de Deus, mas também a rutura: Jesus é a Luz para as Nações.

       Mateus mostra-nos outra continuidade, Jesus é o Messias anunciado pelo profeta: “o povo que andava nas trevas viu uma grande luz; para aqueles que habitavam nas sombras da morte uma luz se levantou. Multiplicastes a sua alegria, aumentastes o seu contentamento. Rejubilam na vossa presença, como os que se alegram no tempo da colheita… Vós quebrastes o jugo que pesava sobre o povo, o madeiro que ele tinha sobre os ombros e o bastão do opressor”.

       Jesus, qual servo sofredor, impõe-se pela Palavra, pelo Amor, pela Bondade. Com Ele, a grande LUZ, o Céu desce à terra, Deus faz-Se tão frágil, que Se torna homem, um de nós, um dos nossos.

       2 – Veja-se, antes de mais, a delicadeza de Jesus. Inicia a vida pública, ou pelo menos, torna mais visível e intensa a sua atividade missionária a partir do momento em que João Batista foi preso. Não faz concorrência a João, nem ofusca o seu ministério, ainda que a consciência cada vez mais esclarecida de João apontem para Jesus.

       A continuidade discursiva (e prática) é evidente. A marca dos discípulos de João é a mesma dos de Jesus: conversão, adequação da própria vontade à vontade de Deus. Com Jesus vem a força do Espírito Santo que Ele dará a todo aquele que se predispuser a alargar o próprio coração para acolher Deus e se dar aos irmãos.

       De início Jesus faz-Se acompanhar mais de perto por alguns discípulos. Anuncia-se o Evangelho a pessoas concretas, ao Sr. António, à D. Maria que todos dias vejo à janela, ao Sr. Joaquim que me dá boleia para o trabalho, ao Luís que sempre me fala, ao tio Zé que fica feliz quando me vê e lhe pergunto se a esposa está melhor.

       Jesus cruza-se com pessoas de carne e osso e, sendo verdadeiramente Homem, precisa de outras mãos e de outros corações. Precisa de quem possa continuar o que Ele diz e faz. Chama Pedro, Tiago e João, André e Filipe, Mateus e Judas, Ana e Sofia, Ricardo e Maria, chama cada um de nós. Ouçamos o que diz, vejamos o que faz, para depois sermos nós evangelizadores, refletindo o Deus que nos habita.

       «Vinde e segui-Me e farei de vós pescadores de homens». Eles foram. E nós, aceitamos o repto de Jesus? Pelo caminho, Jesus anuncia o Reino de Deus, cura as pessoas das suas enfermidades. As palavras concretizam-se em gestos concretos.

 

       3 – Para seguir Jesus há certamente muitas condições, o essencial, porém, é deixar-se plasmar e guiar pelo Espírito Santo. Não vamos sozinhos. Deus está connosco, através do Seu Espírito de Amor. Quando as trevas forem mais fortes, rezemos, voltemos a rezar, para que a Sua vontade se realize em nossas vidas.

       “O Senhor é minha luz e salvação: a quem hei de temer? O Senhor é protetor da minha vida: de quem hei de ter medo?”. Se Ele está por nós, quem estará contra nós?


Textos para a Eucaristia (ano A): Is 8, 23b – 9, 3 ; Sl 26 (27); 1 Cor 1, 10-13.17; Mt 4, 12-23.

 

Reflexão Dominical COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE.


25
Ago 13
publicado por mpgpadre, às 09:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – Há últimos que serão dos primeiros e primeiros que serão dos últimos.

       Em Jesus, todos somos filhos de Deus e como irmãos devemos cuidar uns dos outros e sobretudo dos mais frágeis. Esta é uma forma privilegiada de encontrar Deus. Além disso, as sociedades tendem a gerar ódios e violências quando há uns que têm tudo e outros que não têm nada. Quem nada tem, nada tem a perder no meio do caos que se possa instalar.

       Os “privilegiados” pelo trabalho, pela herança patrimonial e/ou pela sorte devem sentir-se corresponsáveis, sabendo que há mais alegria em dar do que em receber. E “um obrigado” muitas vezes vale mais do que alguns milhares de euros. Na lógica do evangelho e da vida, o dom só tem sentido se partilhado. O pecado das origens tem muito a ver com isto, como recordava D. António Couto, aos jovens Crismandos, o pecado não está no colher o fruto da árvore, mas no arrebanhar esse fruto sem o partilhar, fechando as mãos. Só eu poderei colher os frutos daquela árvore. Eu. Eva e Adão. Mais ninguém. A árvore é para todos, também para os filhos e para as gerações futuras, e para outros casais. O que recebi não tenho o direito de reter…

       Curiosa aquela passagem da Sagrada Escritura a que se juntam as palavras de Caim: serei guarda do meu irmão? Egoísmo. Se alguém me faz frente ou sombra, excluo ou mato?! A palavra de Deus é clara: sou guarda do meu irmão, sou responsável por ele. Não matarás. Amarás o próximo como a ti mesmo.

       A este propósito, o povo Eleito tinha uma lei que repunha mais igualdade e justiça. A cada 7 anos, a terra, a vinha e olival descansavam e os pobres podiam alimentar-se (Ex 23, 10-11), e os escravos ser libertos (Ex 21, 1-11). Por outro lado, a contagem 7 X 7 anos, 49 anos, findos os quais se realizava o Jubileu, dia do grande Perdão: “Cada um de vós voltará à sua propriedade, e à sua família... Se o teu irmão cair na pobreza e vender uma parte da sua propriedade, a que tem direito de resgate, o seu parente mais próximo deve ir resgatar o que o seu irmão vendeu” (Lv 25, 8-34).

       2 – Há últimos que serão dos primeiros e primeiros que serão dos últimos.

       Reconhecemos os últimos do nosso tempo com demasiada facilidade: pobres, desempregados, deficientes, maltrapilhos, cada vez mais, os sem-abrigo, mulheres maltratadas, crianças sem família, pedintes, famintos, famílias endividadas (algumas por culpa própria, muitas pelo sistema económico-financeiro colapsado), devido a expectativas exacerbadas, ou consequência de falências danosas que geraram milhares de novos desempregados, os emigrantes (uns poucos por vontade própria, muitos porque não terem outro remédio), à procura de novas pátrias, muitos morrendo na travessia, como sublinhou a visita do Papa Francisco a Lampedusa, os idosos, uma franja significativa da sociedade que por vezes é esquecida como o casaco de inverno no bengaleiro durante a maior parte do ano…

       Se a bolsa de valores tiver uma ligeira queda, alerta o Papa, logo se gera um drama. Morrem milhares de pessoas por dia à fome, vítimas de violência doméstica, da droga, de guerras, de milícias populares, de rixas entre bandos… Paciência, é a vida!!!

 

       3 – Há últimos que serão dos primeiros e primeiros que serão dos últimos.

       Alguém se acerca de Jesus e pergunta: «Senhor, são poucos os que se salvam?». Resposta pronta de Jesus «Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, porque Eu vos digo que muitos tentarão entrar sem o conseguir». Não vos preocupeis com a quantidade dos que se salvam. É dom de Deus. Preocupais-vos em entrar pela porta estreita.

       Somos responsáveis pelos outros, mas não podemos obrigar os outros a agir desta ou daquela maneira. “Quem Me fez juiz das vossas partilhas?”

       O cuidado dos mais desfavorecidos não é uma opção do discípulo de Jesus, é uma exigência. A fé provoca as obras, exige compromissos concretos com o bem dos outros. O "salve-se quem puder" para os cristãos terá de ser salvação acolhida, vivida e celebrada em comunidade. Não posso obrigar os outros. Devo obrigar-me a mim, como seguidor de Jesus, esforçando-me por entrar pela porta estreita.

       Amar a Deus implica amar aqueles que Deus ama. Não se pode amar o Pai odiando os filhos. Amamos a Deus cuidando dos irmãos. Ou somos mentirosos. A fé sem obras é perfeitamente dispensável, é como árvore sem frutos, diria Bento XVI. As obras testam, explicitam e tornam a fé significativa e relevante.


Textos para a Eucaristia (ano C): Is 66, 18-21; Heb 12, 5-7.11-13; Lc 13, 22-30.

 


24
Mar 13
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       1 – Semana Santa, pois SANTO é Aquele vem da parte de Deus e nos dá Deus. Jesus percorre connosco as diversas situações da vida, como facilmente se visualiza nos dois momentos que se entrelaçam: entrada triunfal em Jerusalém, um REI sentado num jumentinho, e processo que condena Jesus, com uma coroa de espinhos e suspenso numa cruz.

       Na epístola de São Paulo aos Filipenses, encontramos um ponto de partida luminoso, uma grande síntese da vida de Jesus:

“Cristo Jesus, que era de condição divina, não Se valeu da sua igualdade com Deus, mas aniquilou-Se a Si próprio. Aparecendo como homem, humilhou-Se ainda mais, obedecendo até à morte e morte de cruz. Por isso Deus O exaltou e Lhe deu um nome que está acima de todos os nomes”.

       A realeza de Jesus é despojada de poder. Não vem numa caravana, protegido por um exército, vem num jumentinho.

       2 – Quando as coisas parecem estar a correr bem, eis que Jesus lhes revela um tempo de grande provação. Fá-lo na intimidade da casa e da refeição, com palavras e gestos já nossos conhecidos: “Tomai e reparti entre vós, pois digo-vos que não tornarei a beber do fruto da videira, até que venha o reino de Deus...”

       A casa começa a desfazer-se. Um deles levanta-se da mesa e sai de casa. Doravante a casa fica vulnerável, exposta.

       O edifício começa a desmoronar-se e o espírito de sobrevivência vem ao de cima: “Levantou-se também entre eles uma questão: qual deles se devia considerar o maior?... O maior entre vós seja como o menor e aquele que manda seja como quem serve. Pois quem é o maior: o que está à mesa ou o que serve? Não é o que está à mesa? Ora Eu estou no meio de vós como aquele que serve...”

       No momento da Ceia, a última ou a primeira, Jesus clarifica de novo a opção pelo serviço: EU estou no meio de vós para servir e dar a vida. A disputa não é pelo poder, mas pelo amor.

       3 – A ceia avança, e as horas aceleram. É tempo de Jesus solidificar a adesão e o seguimento dos seus discípulos.

       Diz Jesus a Pedro: “Eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça. E tu, uma vez convertido, fortalece os teus irmãos». Depois de Jesus ser preso, Pedro não resistirá ao medo e à vergonha: «Esse homem, com certeza, também andava com Jesus, pois até é galileu». Pedro respondeu: «Homem, não sei o que dizes»... Por três vezes Pedro se coloca fora da comunhão com Jesus, contradizendo a predisposição manifestada quando está à mesa com Jesus.

       Aos discípulos ainda lhes falta a maturidade do sofrimento e das contrariedades. Precisam de muita oração e de muita confiança em Deus. “Então saiu e foi, como de costume, para o monte das Oliveiras e os discípulos acompanharam-n’O. Quando chegou ao local, disse-lhes: «Orai, para não entrardes em tentação... Porque estais a dormir? Levantai-vos e orai, para não entrardes em tentação»...

       Das indicações de Jesus, a oração é a primeira.

       4 – Jesus sai do Jardim das Oliveiras e entra triunfalmente em Jerusalém. Agora de novo vai para o Jardim, para rezar, para Se configurar mais à vontade de Deus. Leva os discípulos, para Se sentir apoiado. Mas eles dormem, estão demasiado ansiosos. O Mestre vai morrer. Não querem acreditar. Não pode ser.

“Judas aproximou-se de Jesus, para O beijar. Disse-lhe Jesus: «Judas, é com um beijo que entregas o Filho do homem?».

       Ser traído é sempre mau. Ser traído pelo melhor amigo, o homem de confiança é inacreditável. O cumprimento de Judas a Jesus é o de um amigo próximo e confidente. Perdoa-lhes, Senhor, ele perdeu o juízo, não sabe o que está a fazer…

       Jesus não responde com injúrias ou palavrões: «Tu és então o Filho de Deus?». Jesus respondeu-lhes: «Vós mesmos dizeis que Eu sou». Confirma apenas o que abertamente já tinha dito: EU SOU.

       Subida para o Calvário, com a pesada CRUZ às costas, vergado pelo cansaço, pela desilusão, pelo desamparo dos discípulos, pelas acusações injustas, pelas vergastadas, pelas invetivas da multidão.

       É crucificado, e a postura é a mesma de sempre. De perdão: «Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem». De entrega confiante ao Pai: “E Jesus exclamou com voz forte: «Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito». Dito isto, expirou”.

       Mas a história não acaba aqui. Há de continuar ao terceiro dia…


Textos para a Eucaristia (ano C): Lc 19, 28-40; Is. 50, 4-7; Sl 21 (22); Filip 2, 6-11; Lc 22, 14 – 23, 56

 


10
Fev 13
publicado por mpgpadre, às 09:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – O evangelho faz-nos descobrir Jesus como Mestre da Sensibilidade, seguindo a intuição de Augusto Cury. Nos homens mais rudes, Ele garimpa tesouros. Jesus passa de uma à outra margem. Vem para o nosso lado. Sobe ao barco para nos ver a todos. Ensina-nos muitas coisas, sobretudo a dar valor ao que nos une aos outros, amando, perdoando, valorizando o que há de melhor em nós. O limite é o Céu. Tudo é possível para aquele que crê.

       Jesus põe Simão (e os demais) à prova e incita-o/s a ir mais longe: «Faz-te ao largo e lançai as redes para a pesca». Pedro começa por sublinhar as suas dúvidas, mas por pouco tempo: «Mestre, andámos na faina toda a noite e não apanhámos nada. Mas, já que o dizes, lançarei as redes».

       São compensados pela ousadia, pela confiança em Jesus: “Eles assim fizeram e apanharam tão grande quantidade de peixes que as redes começavam a romper-se…”

 

       2 – Isaías, Simão Pedro, Paulo de Tarso. Três seres humanos que se deixaram tocar pelo Céu e ousaram ultrapassar os seus limites, os seus preconceitos e os condicionalismos/circunstâncias do seu tempo. Não se deixaram dominar nem pelo medo, nem pelo pessimismo, nem pela comodidade de outros.

       Diante do chamamento de Deus, Isaías sente-se pequenino:

       Então exclamei: «Ai de mim, que estou perdido, porque sou um homem de lábios impuros, moro no meio de um povo de lábios impuros e os meus olhos viram o Rei, Senhor do Universo». Um dos serafins voou ao meu encontro, tendo na mão um carvão ardente que tirara do altar com uma tenaz. Tocou-me com ele na boca e disse-me: «Isto tocou os teus lábios: desapareceu o teu pecado, foi perdoada a tua culpa». Ouvi então a voz do Senhor, que dizia: «Quem enviarei? Quem irá por nós?» Eu respondi: «Eis-me aqui: podeis enviar-me».

       Poderia fixar-se nos seus medos e absolutizar as suas limitações, embarcando num redemoinho de ansiedade, de nervosismo, de fuga, de rejeição. Mas ousou criticar os seus demónios. Torna-se um dos Profetas mais interventivos e marcantes.

 

       3 – Simão Pedro é um diamante em bruto que é preciso lapidar, para o fazer brilhar no campo das emoções e dos sentimentos. Há de tornar-se um líder convicto. Por ora é uma pessoa impulsiva, titubeante, um tanto ou quanto rude.

       Diante da proposta de Jesus, Simão Pedro reflete de imediato o que lhe vai na alma. A dúvida e o medo de falhar, mas logo a confiança no Mestre da Vida.

“Simão Pedro lançou-se aos pés de Jesus e disse-Lhe: «Senhor, afasta-Te de mim, que sou um homem pecador». Jesus disse a Simão: «Não temas. Daqui em diante serás pescador de homens». Tendo conduzido os barcos para terra, eles deixaram tudo e seguiram Jesus”.

       E com Pedro, os outros apóstolos. Mas a história não acaba aqui. Haverá muitas ocasiões em que dúvida voltará, e o medo, e a ansiedade, e a hesitação. Ainda havemos de assistir à negação de Pedro.

 

       4 – Paulo é assaltado pelo preconceito, seguindo a opinião que se espalhou à sua volta. Mas bem no seu interior vai-se operando uma grande transformação. Ele critica o caminho que vai percorrendo. Predispõe-se a ouvir, a ver, a descobrir a beleza que possa existir naqueles que persegue.

       Ele próprio fala da sua conversão e persistência:

“Transmiti-vos em primeiro lugar o que eu mesmo recebi: Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras; foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras, e apareceu a Pedro e depois aos Doze... Em último lugar, apareceu-me também a mim... tenho trabalhado mais que todos eles, não eu, mas a graça de Deus, que está comigo. Por conseguinte, tanto eu como eles, é assim que pregamos; e foi assim que vós acreditastes”.

       Paulo foi atingido pelo carisma de Jesus Cristo, pela grandeza dos Seus sonhos, pela humanidade do Seu projeto de vida.


Textos para a Eucaristia (ano C): Is 6,1-2a.3-8; Sl 137 (138); 1 Cor 15,1-11; Lc 5,1-11.


13
Jan 13
publicado por mpgpadre, às 09:00link do post | comentar |  O que é?

       1 –  A liturgia batismal, na bênção da água, apresenta referências bíblicas nas quais a água está em clara evidência. No relato da criação, melhor, nos dois relatos da criação: Deus faz separar as águas da terra para que haja vida; Deus faz chover para que a vida germine da terra. O episódio sobejamente conhecido do Dilúvio, com Noé e a construção da Barca, sendo a água um elemento destruidor – a humanidade do pecado é submersa – e a mesma água suporta e salva a Arca com Noé e a sua família. A travessia do mar vermelho marca a condenação dos soldados egípcios que a água aniquila, que simbolicamente representam o mal agora levado pela água. A mesma travessia protege o povo eleito, que passa pela água para terra firme, com Moisés. Os filhos de Israel são salvos pela água. Um dos significados possíveis do nome MOISÉS é precisamente “salvo das águas”.

       O episódio que hoje celebrámos – o batismo de Jesus no rio Jordão – é também evocado na bênção da água. João batiza o autor do batismo. É um batismo de penitência, de preparação, pois logo virá Aquele que batizará no fogo e no Espírito Santo.

       A própria palavra – baptizar –, de origem latina, significa mergulhar. O neófito entrava por três vezes na água, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, para que água levasse o homem velho, e dela surgisse o homem novo, nova criatura para Deus.

       2 – Quando lhe perguntam por que batiza se não é o Messias, João sublinha que o seu batismo é sobretudo chamada de atenção, apelo à conversão, à penitência, à mudança de vida. Só um coração atento, humilde, desperto para os outros, poderá reconhecer e acolher Aquele que vem de Deus, o mistério, o divino. Prepara a terra para que a semente lançada encontre o ambiente propício…

       Pressente-se um tempo novo que ora chega com Jesus:

«Eu batizo-vos com água, mas vai chegar quem é mais forte do que eu, do qual não sou digno de desatar as correias das sandálias. Ele batizar-vos-á com o Espírito Santo e com o fogo». Quando todo o povo recebeu o batismo, Jesus também foi batizado; e, enquanto orava, o céu abriu-se e o Espírito Santo desceu sobre Ele em forma corporal, como uma pomba. E do céu fez-se ouvir uma voz: «Tu és o meu Filho muito amado: em Ti pus toda a minha complacência».

       Com o batismo de Jesus cumpre-se, simbolicamente, toda a justiça. Sendo filho de Deus, não precisava de ser batizado. No batismo, Jesus garante que em tudo cumpre com a ENCARNAÇÃO, seguindo também os usos e tradições do povo que O vê nascer. Está entranhado na história e no tempo, e não por cima ou à margem.

 

       3 – A vida pública de Jesus arranca a partir do batismo. Como cristãos a nossa vida inicia-se com o batismo, Sacramento de pertença a Jesus Cristo, identificação com a Sua morte e ressurreição, inserção no Corpo de Cristo que é a Igreja. Morremos para o pecado, ressurgimos para a vida nova. Somos, pelo Espírito Santo, novas criaturas.

       O batismo celebra-se todos os dias da nossa vida. O batismo não é um dia de festa, é toda a vida. Dizer SIM com os lábios, de uma vez para sempre, e depois agir como NÃO ao longo da vida quase sempre dá mau resultado.

       Exemplos: quando os noivos dizem SIM de uma vez para sempre e se sentam à sombra da bananeira, como se tudo estivesse garantido a partir desse primeiro momento, vão sair magoados, infelizes e lesados… O SIM não é passivo nem passado, é proactivo, presente, significa cuidar, ouvir, amar, sofrer com o outro, usar de palavras atenciosas, e ter gestos de gratidão e de alegria pela presença do outro, renovando o desejo e o sentimento.

       Os pais para com os filhos. Não basta fazê-los, é preciso cuidar, educar, acompanhar, repreender, elogiar, apontar limites e possibilidades, marcar fronteiras, para que o filho saiba que os pais estão atentos ao que faz, ou deixa de fazer, por que o amam e lhe querem bem, mesmo que tenham os seus defeitos e pecados e por vezes sejam injustos... mas estão presentes, renovando o SIM primeiro todos os dias.

       O SIM que Deus nos dá há de levar-nos a um SIM permanente. Todos os dias somos batizados, renovados, todos os dias ressuscitamos com Jesus Cristo.


Textos para a Eucaristia (ano C): Is 42, 1-4.6-7; Atos 10, 34-38; Lc 3, 15-16.21-22.

 

 


23
Dez 12
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       1 – Em vésperas de Natal, celebração festiva do nascimento de Jesus, a Palavra de Deus coloca-nos mais perto do grande milagre da Encarnação: Deus vem em Pessoa para o meio de nós.

       O profeta Miqueias diz-nos claramente que está para chegar o Messias e que virá como pastor para apascentar todo o Israel:

«De ti, Belém-Efratá, pequena entre as cidades de Judá, de ti sairá aquele que há de reinar sobre Israel... Ele se levantará para apascentar o seu rebanho… Viver-se-á em segurança, porque ele será exaltado até aos confins da terra. Ele será a paz».

       Miqueias antecipa o ambiente que chegará com o Seu pastoreio, com a Sua realeza: segurança e paz.

 

       2 – Da promessa visível em Miqueias avançamos para a oração que se faz súplica no Salmo: “Deus dos Exércitos, vinde de novo, olhai dos céus e vede, visitai esta vinha; protegei a cepa que a vossa mão direita plantou… Estendei a mão sobre o homem que escolhestes, sobre o filho do homem que para Vós criastes”.

       Apesar dos tempos adversos, o crente confia na benevolência de Deus. Foi Deus que criou, que plantou, que cuidou, que fortaleceu. A história da fragilidade gerou conflitos, afastamento, convulsões sociais, políticas e religiosas, dispersão.

       É possível voltar. O pedido a Deus é, sobretudo, um desafio aos membros do povo eleito. Deus planta, cuida, fortalece-nos. Como reagimos? Estamos disponíveis para O acolher, para O reconhecer nos irmãos, para O descobrir no nosso mundo?

       3 – São Lucas narra a Visitação de Maria a Isabel. Na anunciação Maria fica a saber que Isabel, apesar da idade avançada, foi abençoada por Deus e encontra-se grávida. Que fazer com esta informação? Eis a resposta:

“Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se apressadamente para a montanha, em direção a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino exultou-lhe no seio. Isabel ficou cheia do Espírito Santo e exclamou em alta voz: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor? Na verdade, logo que chegou aos meus ouvidos a voz da tua saudação, o menino exultou de alegria no meu seio. Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor».

       Lucas deixa-nos dados importantes: pressa de Nossa Senhora em auxiliar Isabel. Há momentos em que as palavras devem imediatamente dar lugar a gestos concretos. Quantas situações em que temos toda a informação, mas não vamos além disso?!

       Encontro, no seio materno, de João Batista e de Jesus e a alegria como característica fundamental no encontro com Jesus. Como nos sentimos sabendo-nos salvos por Ele? É diferente a nossa vida por termos Jesus connosco?

       Papel preponderante de Maria na vida de Jesus, e futuramente na comunidade cristã. Ela é a eleita do Senhor, a cheia de Graça, escolhida para ser a Mãe do Filho do Altíssimo. É bem-aventurada porque acreditou em tudo o que o Senhor lhe comunicou. Isabel deixou-se contagiar com a presença de Deus em Maria. E nós, cristãos, de que forma nos deixamos contagiar por Jesus, pela Sua palavra, pelos seus sacramentos, pelas pessoas que Ele coloca ao nosso lado?

 

       4 – Com a chegada de Jesus Cristo, o culto antigo dá lugar a um culto novo, centrado na pessoa, no coração, nos sentimentos e afetos, na postura de cada um na inserção à comunidade crente.

“Ao entrar no mundo, Cristo disse: «Não quiseste sacrifícios nem oblações, mas formaste-Me um corpo… Eis-Me aqui… Eu venho, ó Deus, para fazer a tua vontade’»... aboliu o primeiro culto para estabelecer o segundo”.

       A Epístola aos Hebreus mostra desta forma a prevalência da pessoa sobre a lei. Jesus oferece-Se por nós e para nossa salvação. Maria, como víamos, intui esta prevalência. Exemplifica como fazer: pressa em servir.


Textos para a Eucaristia (ano C): Miq 5, 1-4a; Sl 79 (80); Hebr 10, 5-10; Lc 1, 39-45.

 

Reflexão Dominical COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso bleogue CARITAS in VERITATE


16
Dez 12
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       1 – “Alegrai-vos sempre no Senhor. Novamente vos digo: alegrai-vos. Seja de todos conhecida a vossa bondade. O Senhor está próximo. Não vos inquieteis com coisa alguma…”

       Sobressai de imediato o desafio à alegria, que não é mero contentamento exterior, mas a paz e a confiança que brotam do coração.

       O apóstolo, em diversas ocasiões, sublinha que a vinda de Jesus não está remetida (somente) para o fim dos tempos mas acontece aqui e agora, connosco. Daí a importância da oração – que nos liga a Deus e n’Ele aos outros – e do bem que possamos fazer – expressão de uma fé autêntica –, na configuração a Jesus Cristo.

       A alegria assenta na certeza que Deus atende às nossas súplicas e lança-nos ao encontro daqueles que peregrinam ao nosso lado.

 

       2 – O terceiro domingo do Advento é conhecido como o Domingo da Alegria. Razões não faltam aos cristãos para viverem na ALEGRIA do Deus que vem e que permanece. Não estamos isentos de dificuldades, faz parte da nossa fragilidade e finitude humanas.

       A alegria vem de dentro, da nossa identidade – somos herdeiros/filhos de Deus –, da nossa pertença – irmãos em Jesus Cristo – e da salvação que Ele nos traz.

       Nesta tensão, entre a celebração festiva do Natal, que nos coloca no presépio junto a Deus que Se faz criança, e a vinda definitiva de Jesus, no dia-a-dia, e no final, quando Deus fizer regressar a Si toda a criação, saboreamos já a salvação de Deus.

       A profecia de Sofonias faz um apelo semelhante ao de São Paulo: “… solta brados de alegria, Israel. Exulta, rejubila de todo o coração… O Senhor, Rei de Israel, está no meio de ti e já não temerás nenhum mal”.

       O que Sofonias profetiza para o futuro, São Paulo vive-o como experiência, testemunhando a presença constante de Jesus na sua vida e na via das comunidades cristãs.

 

       3 – A alegria dos cristãos não significa a resignação com as situações do mal, pelo contrário, manifesta a certeza que o bem vencerá, Deus terá a última palavra. Esta certeza inunda o nosso coração de alegria, renova as nossas energias, compromete-nos na construção da casa da Fé e do Evangelho, casa de todos e para todos.

       Se existe o mal e não há forma de o vencer não adianta a luta. Se Ele vence o mundo, as forças do mal, então também nós podemos, com Ele, com a Sua graça, contribuir para vencer todas as manifestações malévolas.

       Como? João responde em concreto: «quem tiver duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma; e quem tiver mantimentos faça o mesmo; não exijais nada além do que vos foi prescrito; não pratiqueis violência com ninguém nem denuncieis injustamente».

 

       4 – Os contemporâneos de João Batista alegram-se com o anúncio da vinda do Messias. Querem estar preparados. João anuncia-lhes a Boa Nova, mas esclarece: «Eu batizo-vos com água… Ele batizar-vos-á com o Espírito Santo e com o fogo».

       Deixemo-nos contagiar pelas suas palavras e com Isaías rezemos: “Cantai ao Senhor, porque Ele fez maravilhas, anunciai-as em toda a terra. Entoai cânticos de alegria, habitantes de Sião, porque é grande no meio de vós o Santo de Israel”. 


Textos para a Eucaristia (ano C): Sof 3, 14-18a; salmo: Is 12,2-3.4bcd.5-6;Filip 4, 4-7; Lc 3, 10-18.

 

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e no nosso blogue CARITAS IN VERITATE


16
Set 12
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       1 – A Epístola de São Tiago, segunda leitura, lavra a ligação íntima e fundamental entre a fé e a vida. O apóstolo exemplifica com situações concretas, reais e exequíveis:

“De que serve a alguém dizer que tem fé, se não tem obras? Poderá essa fé obter-lhe a salvação? Se um irmão ou uma irmã não tiverem que vestir e lhes faltar o alimento de cada dia, e um de vós lhe disser: «Ide em paz. Aquecei-vos bem e saciai-vos», sem lhes dar o necessário para o corpo, de que lhes servem as vossas palavras? Assim também a fé sem obras está completamente morta. Mas dirá alguém: «Tu tens a fé e eu tenho as obras». Mostra-me a tua fé sem obras, que eu, pelas obras, te mostrarei a minha fé”.

       A fé autêntica, em e com Jesus Cristo, conduz-nos aos outros.

       2 – Não há compromisso social puro, autêntico, libertador, se antes não se der um encontro transformador com Jesus Cristo. A fé é DOM recebido, acolhido e aprofundado na partilha. A fé há de levar-nos a imitá-l'O, pelo que nos compromete nas obras, como expressão, visualização, e comprovação da nossa adesão firme a Jesus e ao Seu Evangelho de caridade.

       Tudo se inicia em Jesus. Ele desce de Deus e traz-nos Deus. Mas não Se impõe. Cabe-nos acolher a nossa vocação, o Seu chamamento. Cabe-nos escolher o caminho que nos guia ao CAMINHO. Cabe-nos, livremente, aceitar a salvação que Ele nos dá, deixarmos que a nossa vida se transforme por inteiro e sermos portadores desta boa notícia em nós, pelas palavras e pelas obras.

 

       3 – Pergunta-nos Jesus: «E vós, quem dizeis que Eu sou?»

       Não basta a opinião dos outros. Não vale responder com o que ouvimos dizer: João Baptista; Elias; um dos profetas…

       Chega um momento em que se tornam insuficientes as respostas dos outros, precisamos de responder por nós. Quem é Jesus para mim? Que importância tem na minha vida? Toca a minha alma? Mobiliza-me para a comunhão e para a comunidade? Posso dizer com Pedro: «Tu és o Messias», o enviado de Deus? És Deus para mim? És a minha salvação e o meu descanso? És a minha bússola, o meu norte?

       Que resposta dar? Não assobiemos para o lado como se não fosse nada connosco. É connosco que Jesus está a falar.

 

       4 – Jesus conta connosco mas não contemos com a vida facilitada. Aliás, sublinhe-se desde logo, quem segue um caminho de honestidade e de trabalho cedo encontrará escolhos e inimigos. Não se pode agradar a toda a gente. «Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me. Na verdade, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; mas quem perder a vida, por causa de Mim e do Evangelho, salvá-la-á».

       Jesus anuncia tempos conturbados, de que dá nota a contestação de Pedro. É o fim das expetativas dos discípulos. E eles que pensavam que o reino de Deus seria imposto sem custo e sem esforço! E afinal vai custar pelo menos a vida do Mestre.

 

       5 – A Palavra de Deus não promete vida fácil, mas promete a presença permanente de Deus. O Seu olhar não se desviará do nosso, como na Cruz não se desprendeu da Mãe e não se desprendeu do Pai. Como rezamos com o salmo: “O Senhor guarda os simples: estava sem forças e o Senhor salvou-me”.

       Ou como visualiza o profeta Isaías:

“O Senhor Deus abriu-me os ouvidos e eu não resisti nem recuei um passo. Apresentei as costas àqueles que me batiam e a face aos que me arrancavam a barba… O Senhor Deus vem em meu auxílio. Quem ousará condenar-me?”

       A certeza que Deus vem salvar-nos, anima-nos a caminhar, conforta-nos, puxa-nos para a frente e para cima. Não nos deixa desistir.


Textos para a Eucaristia (ano B): Is 50,5-9a; Sl 114 (116); Tg 2,14-18; Mc 8,27-35.

 

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09
Set 12
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       1 – Em tempos conturbados, a voz do profeta soa a esperança.

       Isaías, na primeira leitura, mostra, com palavras de alento, que a promessa de Deus não tarda em cumprir-se.

“Dizei aos corações perturbados: «Tende coragem, não temais. Aí está o vosso Deus; vem para fazer justiça e dar a recompensa; Ele próprio vem salvar-nos». Então se abrirão os olhos dos cegos e se desimpedirão os ouvidos dos surdos”.

       A convicção do profeta há de congregar o povo eleito e motivar os crentes para a fidelidade a Deus e aos Seus mandamentos. É tempo de recuperar a fé e a esperança em Deus.

 

       2 – No evangelho, Jesus é apresentado como o Messias esperado, o Deus que vem salvar-nos. Isaías identifica alguns dos acontecimentos que sucederão com a Sua chegada, como por exemplo os surdos voltarem a ouvir. Atentemos as palavras do Evangelho:

“Trouxeram-Lhe então um surdo que mal podia falar… Jesus, erguendo os olhos ao Céu, suspirou e disse-lhe: «Efatá», que quer dizer «Abre-te». Imediatamente se abriram os ouvidos do homem, soltou-se-lhe a prisão da língua e começou a falar corretamente…”

       “Ao fazer com que os surdos ouçam”, Jesus confirma que é o Messias que estava para vir. As palavras adquirem vida concreta nesta cura. Com Ele, solta-se a língua, abrem-se os ouvidos, ressoa a palavra de Deus, circula vida nova.

       “Effatá” é também um dos ritos do Batismo, lembrando que a graça recebida nos há de permitir escutar a Palavra de Deus e professar a fé. O que ouvimos e o que dizemos, como seguidores de Jesus, deve ser para louvor e glória de Deus. Se assim for, purificaremos o que ouvimos com a misericórdia de Deus, e diremos palavras que dimanem da caridade do Senhor.

 

       3 – O encontro com Jesus Cristo há de transformar-nos, comprometendo-nos. Interiormente. Ele não Se impõe, não chantageia. Convida, desafia, envolve. Obviamente, a resposta que daremos levar-nos-á a alterar hábitos, a postura diante dos outros.

       Não é uma mudança pela rama, como se trocássemos de roupa. Agora vestimos a roupa de cristãos e vamos à Missa, dizemos as nossas orações, e logo depois, se necessário, vestimos outra roupa, que diga mais com a ocasião ou com as pessoas que temos pela frente.

       Pelo batismo, estamos interiormente revestidos de Cristo. Ele habita-nos. Nas palavras de São Paulo, já não somos nós que vivemos, é Cristo que vive em nós. Ou em Santo Agostinho, ao comungarmos somos assimilados ao Seu corpo, somos transformados n’Ele.

 

       4 – O apóstolo São Tiago, na segunda leitura, ilustra como viver ao jeito de Cristo, em situações concretas. No domingo anterior exemplificava com o serviço aos órfãos e às viúvas, as pessoas mais fragilizadas do seu tempo. Hoje traduz a vivência em Cristo com o amor e respeito igual a todos os que nos aparecem pela frente.

“A fé em Nosso Senhor Jesus Cristo não deve admitir acepção de pessoas. Pode acontecer que na vossa assembleia entre um homem bem vestido e com anéis de ouro e entre também um pobre e mal vestido; talvez olheis para o homem bem vestido e lhe digais: «Tu, senta-te aqui em bom lugar», e ao pobre: «Tu, fica aí de pé», ou então: «Senta-te aí, abaixo do estrado dos meus pés». Não estareis a estabelecer distinções entre vós e a tornar-vos juízes com maus critérios? Escutai, meus caríssimos irmãos: Não escolheu Deus os pobres deste mundo para serem ricos na fé e herdeiros do reino que Ele prometeu àqueles que O amam?”

       Sublinha-se uma vez mais como o serviço e a atenção aos mais pobres é a opção de Jesus Cristo, não para excluir, mas para promover e incluir os que não se sentem ou não são tratados como filhos.


Textos para a Eucaristia (ano B): Is 35, 4-7a; Tg 2, 1-5; Mc 7, 31-37.

 

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01
Abr 12
publicado por mpgpadre, às 09:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – "Cristo Jesus, que era de condição divina, não Se valeu da sua igualdade com Deus, mas aniquilou-Se a Si próprio. Assumindo a condição de servo, tornou-Se semelhante aos homens. Aparecendo como homem, humilhou-Se ainda mais, obedecendo até à morte e morte de cruz" (2.ª leitura).

       Este belíssimo hino, recolhido por São Paulo na sua missiva aos Filipenses, faz uma apresentação detalhada, sintética, clarividente, expressiva, da vida e missão de Jesus. A Sua condição inicial, que dá origem e alimenta o hoje do Seu compromisso, o trajeto de oblação, de entrega, de kénose (abaixamento), de amor pela humanidade. O amor por nós leva-O a assumir a nossa identidade e a nossa finitude.

       O mistério da Sua paixão, da Sua morte como oferenda, pleniza o Seu projeto de caridade a favor de todo o povo. Não apenas a favor dos amigos, ou dos bons, mas em benefício de todos, bons e maus, amigos e estranhos, judeus, gregos ou troianos.

       Vem de Deus, para habitar connosco, na história e no tempo. A divindade humaniza-se, o Universal particulariza-se num determinado período da história e num espaço civilizacional concreto. Faz-Se homem, para que descubramos por Ele e com Ele o caminho de regresso a Deus Pai, descobrindo a nossa origem, o nosso alimento e o nosso fim: Deus.

       Toda a Sua vida é serviço e doação. Assume-nos por inteiro. Identifica-Se homem. Em tudo igual a nós, exceto no pecado. Não Se alheia da obra criada por Seu amor. Por amor vem. Por amor permanece. Por amor dá a Sua vida. Por amor elevar-nos-á às alturas da glória, até Deus, Seu e nosso Pai.

 

       2 – Nas concepções tradicionais da religião, Deus mantém-se distante, alheado como Juiz impenetrável, impassível, pronto a irritar-se e a castigar, à espera das oferendas, sacrifícios e súplicas da humanidade, vergada à Sua omnipotência.

       Com Cristo Jesus, é Deus Quem procura a humanidade, imiscuindo-Se na nossa história. Deus está onde está a humanidade. As alegrias e as tristezas, as lutas e as esperanças, o sofrimento e a festa, a morte e a vida, que nos envolvem na nossa existência terrena e mortal, integram a história de Jesus, em todo o seu esplendor.

       A liturgia deste domingo é particularmente feliz. A SEMANA SANTA conduz-nos do sucesso e da fama à morte infame, numa cruz, para logo nos encher com a LUZ da Páscoa, em que nada ficará igual, e até o túmulo se encherá de luz e de vida nova.

       Visualizamos a entrada triunfal de Jesus na cidade santa de Jerusalém. É acompanhado por uma multidão imensa, que O aclama como Rei, filho de David, deixando entrever o reconhecimento do Messias prometido e esperado. É sol de pouca dura.

       Ainda ressoam os cânticos, os clamores, e já Jesus Se senta à volta da mesa, mais discretamente, quase silenciosamente. Estão lá apenas os mais íntimos. Como não nos revermos também nesta passagem. Quando as coisas correm bem, todos nos rodeiam e aplaudem, mas quando é necessário trabalhar, esforço e dedicação, com quantos dos nossos amigos poderemos contar?!

       A Ceia pascal é um interregno. Uma pausa para o café. Para descansar. Para ganhar coragem. Para sentir mais próxima a presença dos amigos e sentir o conforto dos mais chegados, preparando-os para a despedida, deixando-lhes as recomendações finais, como um testamento, um compromisso para a vida. Vou partir, mas a minha presença será ainda mais íntima, mais profunda, mais firme. Ainda a Ceia não terminou e já cheira a morte, a traição. O medo e a ansiedade começam a tomar conta dos discípulos. Sente-se aquele tremor no estômago e as pernas não querem obedecer. O vinho parece ter produzido efeito. Nem todos ficam para enfrentar as dificuldades maiores.

 

       3 – Em poucas horas, Jesus experimenta a euforia de uma multidão em festa e de uma multidão furiosa pedindo a Sua cabeça. No triunfo está lá toda a gente. Olhamos para o lado e vemos que não falta ninguém. Também lá nos queremos. Sentimo-nos confortáveis, pertencemos ali, aquele é o nosso povo, a nossa gente, e apesar dos encontrões, não desarmamos, deixamo-nos levar pelo entusiasmo.

       A vida tem altos e baixos e nos momentos do sofrimento, do suor e das lágrimas, nem todos estamos disponíveis. A casa é um espaço mais pequeno. Onde pulsa a vida, o espaço é mais íntimo, facilita o encontro, coração a coração, é mais afetivo, permite o abraço, o choro e o riso desbragado, a casa é o outro em quem coloco a minha vida, é o outro que me acolhe como irmão. Se pudéssemos ficaríamos em casa para sempre. Esta começa a desfazer-se quando alguém abandona o círculo familiar. Judas é o primeiro a sair. Saem os outros, para o Jardim das Oliveiras. A casa não pode ser profanada, há de ser o lugar do reencontro, da vida nova, da vida ressuscitada, quando de novo todos se reconhecerem como irmãos.

       Aqueles que contam acompanham Jesus. Mas ainda não estão amadurecidos o suficiente na sua fé. Maior é o medo. Quando nos sentimos ameaçados na nossa vida biológica, as reações passam pela paralisia, como em sonhos, não conseguimos mexer-nos, ou fugimos rapidamente para nos libertarmos do perigo iminente. Assim acontece com os discípulos. Adormecem, tal é a ansiedade, enquanto o seu Mestre reza, roga a Deus, transpira gotas de sangue, é a Sua hora. Levar o amor até ao fim, mesmo que isso custe a própria vida (biológica), é o alimento, a vontade de Jesus. Numa hora desta, só Deus Lhe pode valer, só Deus Lhe pode dar ânimo (alma) para prosseguir.

       É a vida. Agora que era tão útil a presença dos seus amigos mais íntimos, todos correm rapidamente para não serem "agarrados" por aquela onda de ódio e violência. Mantêm-se à distância. Com medo, com "pena" do Mestre, mas afastados o suficiente para preservarem as suas vidas.

 

       4 – Como não nos revermos nesta SEMANA SANTA de Jesus?! Transpira suor, sangue e lágrimas. Prossegue no limite do desfalecimento. Clama em altos brados. Leva as forças ao limite, por amor. É paixão. Redentora. Homem e Deus envolvidos na mesma história.

       Quantos pais não "morrem" todos os dias pelos filhos? E por causa deles. Canseiras, preocupações, trabalho, lágrimas. A vida até ao esgotamento! Onde parece que não há mais ânimo, lá se encontram argumentos para prosseguir. O amor supera as limitações físicas. Quantos não são testados, todos os dias, até ao limite da sua coragem – uma doença repentina, a falta de trabalho e de pão para a mesa, o sofrimento e a doença crónica de um familiar, o conflito que se agudiza dentro de portas, ou o ambiente desastroso com os colegas de trabalho –, uma via crucis sem solução à vista, um calvário que perdura no tempo, sem sinais esperançosos, sem abertura no céu enublado de lágrimas, de cansaço, de derrota.

       Jesus não passa ao largo das nossas lutas. Não desvia o olhar. Enfrenta connosco as angústias da sobrevivência. "O Senhor Deus abriu-me os ouvidos e eu não resisti nem recuei um passo. Apresentei as costas àqueles que me batiam e a face aos que me arrancavam a barba; não desviei o meu rosto dos que me insultavam e cuspiam. Mas o Senhor Deus veio em meu auxílio, e, por isso, não fiquei envergonhado; tornei o meu rosto duro como pedra, e sei que não ficarei desiludido" (1.ª Leitura).

       Está (quase) sozinho. Os apóstolos tornaram-se apóstatas. À distância. Sua Mãe e algumas mulheres, que sabem o que é sofrer, o que é sofrer por amor, o que é dar a vida pelos filhos e verem os filhos morrer (repentinamente ou aos poucos), elas não desviam o olhar. É doloroso. É a vida. Faz parte da vida. Dali ninguém as tira. Nem a força bruta dos soldados em fúria, nem a multidão cega pela gritaria. Elas que estavam na primeira hora permanecerão até à última hora, até ao suspiro final. 

       "O véu do templo rasgou-se em duas partes de alto a baixo. O centurião que estava em frente de Jesus, ao vê-l’O expirar daquela maneira, exclamou: «Na verdade, este homem era Filho de Deus». Estavam também ali umas mulheres a observar de longe, entre elas Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago e de José, e Salomé, que acompanhavam e serviam Jesus, quando estava na Galileia, e muitas outras que tinham subido com ele a Jerusalém" (Evangelho).

 

       5 – Regressemos a nossas casas. O espetáculo terminou. Jesus morreu. Morreu por amor. Morreu por nós. Morreu para nos salvar. Morreu para nos mostrar que o amor há de ser mais forte, mais firme, mais "violento" e revolucionário que todas as forças do mal e da morte.

       Aguardemos. Com Maria, a Quem Ele nos confia, e com as outras mulheres, voltemos ao lugar onde pulsa a vida, nas suas lutas e nas suas festas, a casa, a nossas casas. Façamos luto. Não deixemos, porém, que o medo e a angústia tomem conta da nossa alma (do nosso ânimo), rezemos com Ela, vigilantes, firmes na esperança, confiantes na promessa de Deus. Não temamos a noite. O SOL esconde-se por entre as lágrimas, os nossos olhos ficam nublosos, mas a LUZ há de ser tão intensa que prevalecerá para além das nossas dores e da nossa treva. A caminho da Páscoa!


Textos para a Eucaristia (ano B): Is 50,4-7; Salmo 21 (22); Filip 2,6-11; Mc 14,1 - 15,47.

 

 Reflexão Dominical na página da Paróquia de Tabuaço


25
Dez 11
publicado por mpgpadre, às 00:05link do post | comentar |  O que é?

       1 – É NATAL. É festa, alegria, júbilo. É tempo de CELEBRAR o amor de Deus para connosco. É luz, é vida, presença de Deus na nossa história. É dia, é graça, é hora de acordar e de viver. É tempo de esperança e paz, Deus veio até nós. "O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; para aqueles que habitavam nas sombras da morte uma luz começou a brilhar. Multiplicastes a sua alegria, aumentastes o seu contentamento... Porque um menino nasceu para nós, um filho nos foi dado. (Is 9,1-6: Missa da meia-noite).

       As trevas dissipam-se pois se levanta no horizonte uma grande LUZ, o Deus que vem, que nasce, o Deus que faz a Sua morada em nós, na nossa vida, no mundo em que vivemos. A alegria substitui o medo e a escuridão. "Não temais, porque vos anuncio uma grande alegria para todo o povo: nasceu-vos hoje, na cidade de David, um Salvador, que é Cristo Senhor" (Lc 2,1-14).

       É hora de louvar, agradecer, cantar. "Cantai ao Senhor um cântico novo pelas maravilhas que Ele operou... O Senhor deu a conhecer a salvação, revelou aos olhos das nações a sua justiça... Os confins da terra puderam ver a salvação do nosso Deus... Aclamai o Senhor, terra inteira, exultai de alegria e cantai..." (Sl).

       O nascimento de Jesus Cristo, Deus feito homem, modifica a história para sempre, e há de transformar a nossa vida. A presença do próprio Deus em nós, e entre nós, é razão mais que suficiente para nos envolvermos no bem, na justiça, na paz, para nos deixarmos inundar com a Luz que d'Ele nos chega. "Àqueles que O receberam e acreditaram no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus..." (Evangelho).

 

       2 – "Muitas vezes e de muitos modos falou Deus antigamente aos nossos pais, pelos Profetas. Nestes dias, que são os últimos, falou-nos por seu Filho, a quem fez herdeiro de todas as coisas e pelo qual também criou o universo..."

       É o amor que preside à criação e que sustenta o universo inteiro e, por maioria de razão, o ser humano, imagem e semelhança de Deus. Deus criou-nos para sermos felizes, para vivermos como família, harmoniosamente, sob o Seu olhar misericordioso, deixando-nos transparecer pelo Sua presença, para que não houvesse opacidade na nossa vida. Deus como comunhão de vida e de amor, fonte da comunhão a existir entre os homens de toda a terra.

       Porque nos ama infinitamente, Deus não cessa de nos falar e de querer habitar em nós. De muitas formas. Nas mais diversas ocasiões e circunstâncias, pela criação, pelos profetas, pela história. Nem sempre nos mostramos disponíveis para O acolher, para O escutar. Nem sempre a nossa vida cumpre com a nossa identidade, filhos de Deus.

       Chegada a hora, segundo o beneplácito de Deus, envia-nos o Seu próprio Filho. Não sobre as nuvens, exteriormente, mas fazendo-O entrar na história e no tempo, gerando-O como Homem entre os homens, revelando a plenitude do Seu amor, entrando na humanidade, assumindo a nossa fragilidade e finitude, não como limite, mas como abertura aos outros, à vida, e à divindade.

       "No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus... Tudo se fez por meio d’Ele e sem Ele nada foi feito. N’Ele estava a vida e a vida era a luz dos homens... O Verbo era a luz verdadeira, que, vindo ao mundo, ilumina todo o homem... E o Verbo fez-Se carne e habitou entre nós. Nós vimos a sua glória, glória que Lhe vem do Pai como Filho Unigénito, cheio de graça e de verdade... a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo. A Deus, nunca ninguém O viu. O Filho Unigénito, que está no seio do Pai, é que O deu a conhecer".

 

       3 – "Como são belos sobre os montes os pés do mensageiro que anuncia a paz, que traz a boa nova, que proclama a salvação e diz a Sião: «O teu Deus é Rei». Eis o grito das tuas sentinelas que levantam a voz. Todas juntas soltam brados de alegria, porque veem com os próprios olhos o Senhor que volta para Sião. Rompei todas em brados de alegria, ruínas de Jerusalém, porque o Senhor consola o seu povo, resgata Jerusalém. O Senhor descobre o seu santo braço à vista de todas as nações e todos os confins da terra verão a salvação do nosso Deus".

       A nós foi-nos dada o favor de contemplar a plenitude dos tempos, o privilégio de acolher em nossas vidas o Verbo de Deus, a Palavra que Se faz carne, que eleva a nossa humanidade à eternidade de Deus e Se deixa de novo transformar e nos deixa, pelo pão e pelo vinho consagrados, em memorial, o Seu Corpo e Sangue. A Sua vinda não é passageira, como se viera de viagem ou de férias. Veio para ficar. Como verdadeiro Homem teria sempre os seus dias contados. Como verdadeiro Deus, deu-nos o poder de O aprisionarmos em nós, nos Sacramentos, na Eucaristia, no bem que praticamos, "o que fizerdes ao um destes meus irmãos, a Mim o fazeis".

       O nosso grito é confiante, é de alegria e de festa, porque a Boa Nova chega até nós. Ressoe em nós a certeza que nos dá Deus Pai: «Tu és meu Filho, Eu hoje Te gerei» e n'Ele, Deus feito homem, cada um de nós se torne verdadeiro filho de Deus, desde que, como escutámos no Evangelho, O recebamos e acreditemos n'Ele.


Textos para a Eucaristia: Is 52,7-10; Sl 97 (98); Heb 1,1-6; Jo 1,1-18. 

 

Reflexão dominical na página da Paróquia de Tabuaço.


11
Dez 11
publicado por mpgpadre, às 10:23link do post | comentar |  O que é?

       1 – EXULTAR. Se no domingo passado a atitude era ESPERAR, neste terceiro domingo é a ALEGRIA. Ambas as dimensões devem estar presentes na vida dos cristãos constantemente. A espera não é passiva, mas pró-activa, comprometida com o bem, a verdade, com os outros, procurando nas boas obras antecipar a chegada d'Aquele que vem. Do mesmo modo, a alegria de quem se sente confortado pela presença de Deus na Sua vida, fazendo a experiência de salvação, aguardando a plenitude do encontro com Deus.

       O Advento prepara a celebração festiva de Jesus, o Messias de Deus, o Emanuel, Deus connosco. Porém, faz-nos viver, liturgicamente, numa tensão entre o momento presente, e o futuro de Deus que vem até nós. Isto vale para o advento, mas vale para a nossa vida toda. Caminhamos até à eternidade, com o olhar fito em Deus, mas sendo "instrumentos" activos de salvação no mundo de hoje.

       Esperamos a manifestação de Deus, em definitivo, no nosso encontro com Ele na eternidade e, ao mesmo tempo, vivemos na certeza que em Jesus Cristo, a eternidade entrou na história e no tempo, pela Sua vida, morte e ressurreição Jesus Cristo salvou-nos, colocou-nos na comunhão com Deus.

       Com preparação para o Natal, a tensão é comparável à da mulher que está para ser mãe. Ainda tem um caminho a percorrer, ainda tem etapas para cumprir, experimentará ainda o incómodo, o desconforto, o sacrifício, o sofrimento, mas nada a desvia do que vai acontecer, dar à vida um filho. É uma consolação para as suas dores. Ela antecipa a criança no colo, as brincadeiras futuras, as reacções do seu bebé, o seu desenvolvimento.

       Como Jesus Cristo que em gérmen está em nós, para que o demos à luz, no nosso quotidiano, em palavras e gestos.

 

       2 – A este propósito é muito expressiva a Palavra de Deus.

       Isaías convoca todo o povo para a alegria, para a paz, para o júbilo, já está perto o reino de Deus, a chegada do Ungido do Senhor, um tempo de salvação e de graça, de esperança e consolo. Já repousa o Espírito do Senhor sobre Aquele que vai chegar. "O espírito do Senhor está sobre mim, porque o Senhor me ungiu e me enviou a anunciar a boa nova aos pobres, a curar os corações atribulados, a proclamar a redenção aos cativos e a liberdade aos prisioneiros, a promulgar o ano da graça do Senhor".

       Os novos céus e a nova terra que se anunciam são motivo suficiente para a alegria. "Exulto de alegria no Senhor, a minha alma rejubila no meu Deus, que me revestiu com as vestes da salvação e me envolveu num manto de justiça, como noivo que cinge a fronte com o diadema e a noiva que se adorna com as suas jóias. Como a terra faz brotar os germes e o jardim germinar as sementes, assim o Senhor Deus fará brotar a justiça e o louvor diante de todas as nações".

       A certeza da chegada iminente de Deus envolve-nos a todos no júbilo.

       No "salmo responsorial", por sua vez, o cântico do MAGNIFICAT, de São Lucas, em que Maria, que está para ser Mãe, exulta de alegria em Deus, Seu salvador, porque olhou para Ela, serva humilde, e porque através d’Ela Deus continua a operar maravilhas no seu povo, a favor de todas as nações.

       Também o Apóstolo São Paulo é categórico na convocação à Igreja: "Vivei sempre alegres, orai sem cessar, dai graças em todas as circunstâncias, pois é esta a vontade de Deus a vosso respeito em Cristo Jesus. Não apagueis o Espírito, não desprezeis os dons proféticos; mas avaliai tudo, conservando o que for bom. Afastai-vos de toda a espécie de mal. O Deus da paz vos santifique totalmente, para que todo o vosso ser – espírito, alma e corpo – se conserve irrepreensível para a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo. É fiel Aquele que vos chama e cumprirá as suas promessas".

 

       3 – Note-se, nos vários textos, como a alegria não significa uma satisfação momentânea e passageira, superficial e acessória. Há-de ser uma atitude permanente do crente, brota da certeza de que em Cristo fomos/somos salvos. E, importa não esquecer, a alegria vive-se e expressa-se no compromisso com a justiça, com a verdade e com o bem.

       Alegramo-nos porque Deus vem e preparamos em nós e no mundo que nos rodeia a Sua chegada, pela oração e pela caridade, ao jeito de João Baptista. Ele não é luz, mas por ele entrevemos a LUZ que está a chegar. Quando nos aproximamos da meta, somos impulsionados, movidos, adquirimos as forças que já estavam a minguar. Ao olharmos em frente, ao olharmos para Deus, experimentamos a alegria desse encontro e como que damos passadas mais firmes, assentes na certeza desse encontro.

       Escutemos as palavras do Evangelho: "Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz. Foi este o testemunho de João: «Eu não sou o Messias... Eu sou a voz do que clama no deserto: ‘Endireitai o caminho do Senhor’, como disse o profeta Isaías... Eu baptizo na água, mas no meio de vós está Alguém que não conheceis: Aquele que vem depois de mim, a quem eu não sou digno de desatar a correia das sandálias»".

       Se estamos na escuridão e vislumbramos um fiozinho de luz que seja é o suficiente para nos encaminharmos para a luz, resolutos e felizes. Na voz de João Baptista, não cessemos de procurar o Senhor, na alegria de quem já o experimenta presente, procuremo-l'O, Ele está no meio de nós.


Textos para a Eucaristia (ano B): Is 61, 1-2a.10-11; 1 Tes 5, 16-24; Jo 1, 6-8.19-28

 

Reflexão Dominical na página da Paróquia de Tabuaço.


04
Dez 11
publicado por mpgpadre, às 10:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – Preparar. Esta é a palavra e a atitude fundamental neste segundo domingo de Advento. Tal como se prepara com esmero, com alegria, com generosidade a vinda de alguém que nos é próximo e/ou familiar, fazendo com que a nossa casa seja um lugar acolhedor, em que a visita se sinta em sua própria casa, assim a preparação para recebermos Jesus Cristo, para celebrarmos em festa o Seu nascimento, sinal e expressão da Encarnação de Deus, ou seja, do Amor de Deus por nós, que não apenas Se faz próximo mas entra na história e no tempo, entra na humanidade, entra na nossa vida. 

       Com efeito, são eloquentes as palavras do profeta Isaías: "Consolai, consolai o meu povo, diz o vosso Deus. Falai ao coração de Jerusalém e dizei-lhe em alta voz que terminaram os seus trabalhos e está perdoada a sua culpa... Uma voz clama: «Preparai no deserto o caminho do Senhor, abri na estepe uma estrada para o nosso Deus. Sejam alteados todos os vales e abatidos os montes e as colinas; endireitem-se os caminhos tortuosos e aplanem-se as veredas escarpadas... «Eis o vosso Deus. O Senhor Deus vem com poder, o seu braço dominará. Com Ele vem o seu prémio, precede-O a sua recompensa. Como um pastor apascentará o seu rebanho e reunirá os animais dispersos; tomará os cordeiros em seus braços, conduzirá as ovelhas ao seu descanso»".

       O anúncio profético é de promessa, mas também de júbilo, de festa, porque o Senhor virá, virá como o pastor que guarda e protege o seu rebanho, cuidando de todos os animais, cordeiros e ovelhas, conduzindo-os em segurança ao seu descanso.

 

       2 – No Evangelho concretiza-se o anúncio de Isaías. O profeta, na verdade, anuncia o Precursor que prepara o caminho, como anuncia também a chegada do Emanuel, Deus connosco. João Baptista é a voz que antecipa a Palavra de Deus que vai encarnar, para mais à frente nos ajudar a acolher a Palavra feita homem, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.

       "Apareceu João Baptista no deserto a proclamar um baptismo de penitência para remissão dos pecados..."

       O Precursor apresenta-se precisamente como Aquele que vem antes, aquele que cumpre parte da profecia de Isaías, e simultaneamente prepara o cumprimento pleno n'Aquele que está para vir. João refere-o de forma inequívoca na sua pregação: «Vai chegar depois de mim quem é mais forte do que eu, diante do qual eu não sou digno de me inclinar para desatar as correias das suas sandálias. Eu baptizo-vos na água, mas Ele baptizar-vos-á no Espírito Santo».

       Como há dois mil anos, estas palavras devem suscitar em nós a mesma atitude de conversão, de preparação para a vinda do Messias de Deus.

       É uma preparação intemporal, para todos os tempos, preparando a celebração festiva do Natal, mas igualmente preparando o nosso encontro definitivo com Deus, como nos é referido pelo Apóstolo São Pedro: "o dia do Senhor virá como um ladrão... Uma vez que todas as coisas serão assim dissolvidas, como deve ser santa a vossa vida e grande a vossa piedade, esperando e apressando a vinda do dia de Deus... Portanto, caríssimos, enquanto esperais tudo isto, empenhai-vos, sem pecado nem motivo algum de censura, para que o Senhor vos encontre na paz".

       A nossa espera não é passiva, mas (pro)activa, comprometida em transformar a nossa vida e o mundo que nos rodeia e pela qual também somos responsáveis.

 

       3 – No entanto, não estamos abandonados à nossa sorte, e sobretudo nós que vivemos no tempo dos novos céus e da nova terra que Jesus inaugurou. Ele é o Bom Pastor que veio e que desce à nossa vida, que nos guia por caminhos de encontro e de felicidade. Em Jesus cumpre-se a promessa, Deus qual pastor que nos congrega para o banquete da vida.

       O grito de Isaías é um desafio confiante, as trevas da desolação desaparecem com a chegada do Messias.

       Do mesmo modo as palavras de São Pedro, desafiam-nos e sossegam-nos: "um dia diante do Senhor é como mil anos e mil anos como um dia. O Senhor não tardará em cumprir a sua promessa, como pensam alguns. Mas usa de paciência para convosco e não quer que ninguém pereça, mas que todos possam arrepender-se". 


Textos para a Eucaristia (ano A): Is 40,1-5.9-11; 2 Pedro 3,8-14; Mc 1,1-8. 

 

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09
Out 11
publicado por mpgpadre, às 10:30link do post | comentar |  O que é?

    1 – «O reino dos Céus pode comparar-se a um rei que preparou um banquete nupcial para o seu filho. Mandou os servos chamar os convidados para as bodas, mas eles não quiseram vir... Disse então aos servos: ‘O banquete está pronto, mas os convidados não eram dignos. Ide às encruzilhadas dos caminhos e convidai para as bodas todos os que encontrardes’. Então os servos, saindo pelos caminhos, reuniram todos os que encontraram, maus e bons».

 

       Depois de ouvirmos três parábolas do reino de Deus sobre a vinha, nos três domingos anteriores – sublinhando-se o convite permanente a que todos trabalhem na vinha, a paciência de Deus, a Sua misericórdia, o Seu amor pleno para com todos, mesmo para com aqueles que se comprometem mais tardiamente, e a necessidade de coerência de vida, ao sim dos lábios deverá corresponder a vida em gestos e atitudes concretas de viver o que se professa –, hoje uma parábola que compara o reino de Deus a um magnífico banquete, para o qual todos os estão (estamos) convidados.

       Não há privilégios especiais, tendo em conta a idade, o sexo, a classe social, a religião.

       É também essa a certeza que nos deixa Isaías: "Sobre este monte, o Senhor do Universo há-de preparar para todos os povos um banquete de manjares suculentos, um banquete de vinhos deliciosos: comida de boa gordura, vinhos puríssimos. Sobre este monte, há-de tirar o véu que cobria todos os povos, o pano que envolvia todas as nações; destruirá a morte para sempre. O Senhor Deus enxugará as lágrimas de todas as faces e fará desaparecer da terra inteira o opróbrio que pesa sobre o seu povo..."

       Com efeito, podem alguns julgar-se detentores do reino de Deus, detentores da verdade, mas, diz-nos claramente Jesus na parábola deste domingo, também esses são chamados à conversão, a transformarem o seu coração e a sua vida com o risco de se auto-excluírem.

        Na verdade, o rei manda reunir todos, bons e maus. Todos são chamados. Mas eis que um deles é expulso porque não traz o manto nupcial! Surpresa?! Não, o sim inicial leva à mudança de vida. Se dizemos sim ao chamamento, "vestimos" o traje nupcial, acolhemos a misericórdia de Deus, vestimo-nos de humildade e disponibilidade para traduzirmos a vontade de Deus através das nossas escolhas.

 

       2 – A refeição não é apenas oportunidade de satisfação biológica, mas tempo de encontro, de partilha, de festa, de comunhão. Sentamo-nos à mesa com quem comungámos a vida, com quem nos sentimos bem. Para os judeus isso era ponto de honra, sentar à mesa só com os amigos. Comer é também comungar ideias, projectos, é comungar a amizade e o respeito, a verdade e o perdão.

       Por conseguinte, a imagem do banquete é um convite à comunhão com Deus e com os outros. Ele chama-nos para com Ele identificarmos a nossa vida e para nos reconhecermos uns aos outros como irmãos. Se nos sentamos à mesma mesa, o compromisso de partilharmos também projectos, neste caso o projecto de Jesus Cristo, o bom Pastor, procurando em tudo ser semelhantes a Ele. Se procuramos a identificação com Cristo, naturalmente que isso nos leva à comunhão uns com os outros.

       A esse propósito, quando se fala na unidade dos cristãos e das confissões cristãs, afirma-se claramente que a unidade advém da conversão comum a Jesus Cristo.

       O banquete preparado por Deus para nós é a Eucaristia, na qual Jesus Cristo coloca toda a Sua vida, o Seu Corpo e o Seu sangue, que do pão consagrado Se convertem em memorial até à vida eterna. A Eucaristia antecipa o banquete pleno da eternidade. É-nos dado a saborear o pão do Céu. Antecipámos a comunhão plena com Deus, como Jesus tinha antecipado a Sua morte e ressurreição, na noite em que nos deu a Eucaristia, para que a Sua presença fosse até ao fim dos tempos.

       Tal como na refeição, a Eucaristia alimenta-nos e aproxima-nos uns dos outros até à comunhão definitiva no Céu. Obviamente que poderá haver situações que nos impedem de uma comunhão plena. Ainda assim, na Eucaristia, há lugar para todos, mesmo para aqueles que se afastaram ou que a vida afastou.

       Sublinhe-se, por exemplo, que a comunhão do Corpo de Jesus não é apenas uma formalidade ou um direito social, mas a disponibilidade para estar em comunhão com Jesus Cristo e com o Seu Corpo que é a Sua Igreja. Mas se as condições o não permitem, os crentes devem comungar espiritualmente para receberem a força de voltarem à comunhão eclesial...

 

       3 – No Senhor encontramos a abundância da redenção. A certeza de que em Jesus Cristo nos é dada a salvação motiva-nos para a alegria e para o louvor, para o júbilo e para a acção de graças. É um banquete de saborosos manjares que vamos experimentando na vida presente, ainda que na fragilidade da nossa vida e da nossa história possamos porquanto experimentar a provação, a angústia, a necessidade.

       Confiantes de que Ele está connosco até ao fim dos tempos, não desanimemos. O Apóstolo incentiva-nos a viver confiantes, apesar das dificuldades presentes: "Sei viver na pobreza e sei viver na abundância. Em todo o tempo e em todas as circunstâncias, tenho aprendido a ter fartura e a passar fome, a viver desafogadamente e a padecer necessidade. Tudo posso n’Aquele que me conforta. No entanto, fizestes bem em tomar parte na minha aflição. O meu Deus proverá com abundância a todas as vossas necessidades, segundo a sua riqueza e magnificência, em Cristo Jesus".

       Por conseguinte, rezamos com o salmista: "Ele me guia por sendas direitas, por amor do seu nome. Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos, não temerei nenhum mal, porque Vós estais comigo: o vosso cajado e o vosso báculo me enchem de confiança", baseando-nos nas palavras proféticas de Isaías, aqui como certeza inabalável: "Eis o nosso Deus, de quem esperávamos a salvação; é o Senhor, em quem pusemos a nossa confiança. Alegremo-nos e rejubilemos, porque nos salvou. A mão do Senhor pousará sobre este monte". Ele guia-nos ainda que a neblina não nos apercebamos que é Ele quem guia o nosso barco.


Textos para a Eucaristia (ano A): Is 25, 6-10a; Sl 22 (23); Filip 4, 12-14.19-20; Mt 22, 1-14.

 


21
Ago 11
publicado por mpgpadre, às 12:15link do post | comentar |  O que é?

       1 – Entremos no diálogo com Jesus. Caminhemos com Ele, deixemo-nos envolver pelas suas palavras, questionemo-nos com Ele. Hoje, como discípulos para este tempo, é a nós que Jesus nos interroga: «Quem dizem os homens que é o Filho do homem?»

       Com os primeiros discípulos responderemos: «Uns dizem que é João Baptista, outros que é Elias, outros que é Jeremias ou algum dos profetas», uma personagem da História, um homem importante, um revolucionário, cujas palavras e gestos serviram de inspiração para muitos revolucionários, justificaram guerras, mortes, segregações, desculparam compromissos, foram instrumentalizadas por diversas ideologias, ora de direita, ora de esquerda, ora de coisa nenhuma.

       Se fizéssemos de jornalistas e saíssemos à rua a colocar esta questão às pessoas que encontrássemos pelo caminho, muitas e diversas seriam as respostas. Ficaríamos a saber mais acerca de Jesus, ainda que esse facto não nos comprometesse mais com Ele e com as Suas Palavras.

       Então Jesus pergunta de novo: «E vós, quem dizeis que Eu sou?»

       Agora é que são elas. Ele já não nos pergunta o que se diz d'Ele, qual a opinião predominante. Não. Agora Ele questiona-nos acerca do que sabemos sobre Ele. Quem é Ele para nós, que significado, que importância tem na nossa vida, que alterações fazemos porque Ele está connosco?

       Quantas vezes já interrogamos pessoas amigas para sabermos o que se diz de nós. Mas no fim o mais importante não são as opiniões alheias, mas a opinião das pessoas que consideramos amigas.

 

       2 – Descobrimos, neste diálogo com Jesus, o Mestre dos Mestres, que a nossa relação com Ele não se baseia apenas no conhecimento indirecto, naquilo que os outros nos dizem acerca de Jesus. É necessário que nos encontremos com Ele e nos deixemos encontrar por Ele.

       Obviamente que o que outros nos ensinaram, o que escutamos das Suas palavras, o que acolhemos dos Seus gestos, a vivência das comunidades crentes, onde se faz e se renova a experiência de fé, são essenciais. Mas de pouco valem se não fizermos a experiência de encontro pessoal com Ele.

       A experiência de outros pode iluminar a nossa vida espiritual, como o testemunho dos santos e a sua intercessão, dando-nos também a certeza de que não caminhamos sós. Mas cada um tem que Se encontrar com Ele, conhecê-l'O, amá-l'O, acolhê-l'O em sua casa, na sua vida. Não respondemos com palavras alheias. A pergunta é para cada um de nós: e tu quem dizes que Eu sou, quem Sou Eu para Ti?

       Aqui, o conhecimento implica seguimento, compromisso com Aquele que conhecemos, com Aquele que nos questiona, e com as Suas Palavras. Conhecer Jesus há-de levar-nos a viver com Ele e como Ele, colocando Deus antes e acima de toda e qualquer escolha.

 

 

       3 – O diálogo continua. Pedro responde em nosso nome. Não responde por nós. Mas nas suas palavras há-de estar a nossa resposta e o nosso compromisso com Jesus, ainda que a missão seja diferente: «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo».

       Não é uma resposta qualquer. É a primeira Profissão de Fé. É um conhecimento que vai para lá do sensível. Implica a fé. Implica a inspiração de Deus, pelo Espírito Santo. É uma descoberta e uma tomada de consciência. Como que lhe saem automaticamente as palavras da boca, sem ter exactamente consciência do que diz e aquilo a que se compromete.

       É neste entretanto que Jesus Se revela e responde a Pedro: «Feliz de ti, Simão, filho de Jonas, porque não foram a carne e o sangue que to revelaram, mas sim meu Pai que está nos Céus».

       A profissão de Fé de Pedro dá lugar à missão, ao envio, ao compromisso: «Também Eu te digo: Tu és Pedro; sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as chaves do reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos Céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos Céus».

       Assim com Pedro, assim connosco. A nossa Profissão de Fé leva-nos a comprometer-nos com Jesus Cristo e com o Seu Evangelho de Amor.

 

       4 – Bento XVI, na missão de Pedro, presidindo à Igreja, Corpo de Cristo, de que somos membros, ajuda-nos a reflectir, desafiando-nos a não marginalizar Deus na nossa vida e na cultura do nosso tempo. Quando isso acontece, espreitam diversos perigos, de egoísmo, de ruptura, de conflito, de despotismo, de relativismo, o perigo de tudo ser igualmente válido, o bem e o mal. Se não há uma referência (instância) última, superior, então tudo é possível. Destruo, mato, maltrato, roubo, engano,.. mas quem é que me julgará, se todos são iguais?

       Na mensagem para a XXVI Jornada Mundial da Juventude, partindo de uma das Epístolas de São Paulo (Colossenses 2, 7), o Papa propõe com o Apóstolo: "Enraizados e edificados em Cristo... firmes na fé".

       Olhando para a Sua juventude, o papa recorda como procuravam, os jovens do seu tempo, algo superior e grande, a vastidão e a beleza, algo que desse sentido a tudo o mais, mesmo à estabilidade da família e do emprego seguro.

O convite sugere três imagens expressivas:

  • a árvore (enraizados), cujas raízes a sustentam, lhe dão força e vigor. Quais são a raízes na nossa vida? A família e a cultura do nosso país. Mas há uma raiz inabalável: a confiança no Senhor.
  • a casa construída sobre rocha firme (e edificados em Cristo). "Porque me chamais 'Senhor, Senhor' e não fazeis o que Eu digo" (Lc 6, 46).
  • o crescimento da força física e moral (firmes na fé), hoje como naquele tempo não nos podemos deixar esmagar pelo pensamento dominante, em que se dá o eclipse e amnésia de Deus. Com outras preocupações esquecemo-nos d'Ele, não temos tempo para O escutar, para O contemplar. As sociedades sem Deus levaram ao inferno, à destruição, à morte. As sociedades com Deus, em que as pessoas procuram com verdade ouvir a Sua voz, constroem a civilização do amor.

       5 – No fundo, não basta a certidão de baptismo para se ser verdadeiramente cristão, como não basta a certidão de nascimento para nos inserirmos na família.

       Quantas famílias, unidas por laços de sangue, pela pertença biológica, vivem aos encontrões, atropelos e indiferentes uns aos outros. Pais que não falam com os filhos. Filhos que não querem saber dos Pais, ou dos irmãos. Por outras palavras, se os laços de sangue são importantes, identificadores, muito mais os laços afectivos, o amor, o diálogo, a compreensão, o apoio nos momentos difíceis e a festa dos momentos de bonança, a solidariedade.

       Do mesmo modo, a certidão de baptismo diz que somos cristãos. Mas, e se nos deixamos arrastar pelas opiniões que estão na moda, como árvores sem raízes, como casas construídas na areia, sem força para viver nos valores que nos identificam como crentes cristãos?

       Que adianta dizer que somos cristãos se mantemos Deus à margem da nossa vida e nos marginalizamos do compromisso comunitário, espaço vital para aprofundar e partilhar, celebrar e amadurecer, confrontar e viver a fé?


Textos para a Eucaristia (ano A): Is 22,19-23; Rom 11,33-36; Mt 16,13-20.

 


14
Ago 11
publicado por mpgpadre, às 10:30link do post | comentar |  O que é?

       1 – A eficácia da oração, a universalidade da salvação e a justiça humana e divina (esta como garantia última e como referência para a justiça terrena) centram a temática da liturgia da Palavra para este domingo, dia do Senhor.

       Como cristãos, inseridos nas diversas comunidades paroquiais, congregamo-nos em Igreja para escutar, reflectir, acolher, assumir e viver a Palavra de Deus, preparando-nos para comungar o pão da vida, Jesus Cristo, e, consequentemente, para estarmos em comunhão com toda a Igreja, em comunhão com Cristo e com o Seu Evangelho.

       2 – "Uma mulher cananeia, vinda daqueles arredores, começou a gritar: «Senhor, Filho de David, tem compaixão de mim. Minha filha está cruelmente atormentada por um demónio». Mas Jesus não lhe respondeu uma palavra. Os discípulos aproximaram-se e pediram-Lhe: «Atende-a, porque ela vem a gritar atrás de nós». Jesus respondeu: «Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel». Mas a mulher veio prostrar-se diante d’Ele, dizendo: «Socorre-me, Senhor». Ele respondeu: «Não é justo que se tome o pão dos filhos para o lançar aos cachorrinhos». Mas ela insistiu: «É verdade, Senhor; mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa de seus donos». Então Jesus respondeu-lhe: "Mulher, é grande a tua fé. Faça-se como desejas». E, a partir daquele momento, a sua filha ficou curada".

 

       3 – A salvação que nos é trazida em Jesus é universal e não elitista. Jesus vem para todos, judeus e gregos, escravos e livres, homens e mulheres, idosos e crianças.

       No Evangelho proposto para este dia vemos a hesitação dos judeus, manifesta no diálogo entre Jesus e a cananeia. Nas palavras de Jesus, a ideia dos judeus em geral e dos discípulos em particular, pensando que o Messias viria apenas para libertar Israel, esquecendo que a eleição do Povo da Aliança é instrumental, isto é, foi sempre na perspectiva de ser instrumento de salvação e de bênção para todos os povos. Nas palavras da cananeia e dos discípulos, a visão de Jesus. Ele vem para todos. O diálogo está claramente invertido. Jesus vai levar algum tempo a fazer compreender aos seus discípulos que a salvação não é exclusiva (não exclui ninguém) mas é inclusiva (inclui toda a humanidade, basta a fé, como ponto de partida).

       Neste episódio, vê-se claramente, que a salvação não é uma conquista ou um direito de uma raça ou de uma religião, mas resulta da adesão firme ao Evangelho, da fé que se professa. Ela (mulher cananeia) é salva porque acredita. Isso mesmo lhe diz Jesus: faça-se como desejas. É a abertura do coração, a nossa fé que nos leva a Jesus, para n'Ele nos encontrarmos na salvação de Deus.

       O segredo está na humildade, na abertura ao mistério que vem de Jesus. Como a mulher cananeia não tenhamos medo de suplicar: «Socorre-me, Senhor».

       A oração predispõe-nos para acolher a vontade de Deus.

 

       4 – Na perspectiva do Apóstolo, a Sua própria missão é levar o Evangelho de Jesus Cristo a toda a parte, para que a salvação esteja ao alcance de todo o mundo, judeus e gregos, crentes e pagãos.

       Diz-nos São Paulo: "Enquanto eu for Apóstolo dos gentios, procurarei prestigiar o meu ministério a ver se provoco o ciúme dos homens da minha raça e salvo alguns deles. Porque, se da sua rejeição resultou a reconciliação do mundo, o que será a sua reintegração senão uma ressurreição de entre os mortos? Porque os dons e o chamamento de Deus são irrevogáveis. Vós fostes outrora desobedientes a Deus e agora alcançastes misericórdia, devido à desobediência dos judeus. Assim também eles desobedecem agora, de modo que, devido à misericórdia obtida por vós, também eles agora alcancem misericórdia. Efectivamente, Deus encerrou a todos na desobediência, para usar de misericórdia para com todos".

       Também aqui se vê claramente que Jesus Cristo não veio apenas para os judeus, para um grupo determinado, para o povo eleito, mas para todos. Com efeito, a própria eleição do povo é instrumental, para levar a salvação a todas as nações. Para que no povo da aliança sejam abençoados todos os povos.

 

       5 – O profeta Isaías faz ressonância da benevolência divina e como a Palavra de Deus se estende também aos estrangeiros. Por um lado, diante do Senhor o que conta não é a origem, a religião, a certidão de nascimento, mas a atitude e os comportamentos: a justiça, o direito, o bem.

       Por outro lado, a casa do Senhor é casa de oração para todos os povos. Todos podem aceder ao santuário do Senhor, ao seu monte santo, à Sua aliança.

       «Respeitai o direito, praticai a justiça, porque a minha salvação está perto e a minha justiça não tardará a manifestar-se. Quanto aos estrangeiros que desejam unir-se ao Senhor para O servirem, para amarem o seu nome e serem seus servos, se guardarem o sábado, sem o profanarem, se forem fiéis à minha aliança, hei-de conduzi-los ao meu santo monte, hei-de enchê-los de alegria na minha casa de oração. Os seus holocaustos e os seus sacrifícios serão aceites no meu altar, porque a minha casa será chamada 'casa de oração para todos os povos'».


Textos para a Eucaristia (ano A): Is 56, 1.6-7; Rom 11, 13-15.29-32; Mt 15, 21-28.

 


09
Jul 11
publicado por mpgpadre, às 11:07link do post | comentar |  O que é?

        1 – Naquele tempo, Jesus com os seus discípulos, frente a uma grande multidão, que constantemente surgia na Sua presença, começou a ensinar, usando diversas parábolas. A parábola, proposta neste domingo – "O Semeador que saiu a semear" –, é extraordinária, de uma beleza contagiante, e com uma mensagem provocante, envolvente, comovedora.

       Ouçamo-la do próprio Jesus: “Saiu o semeador a semear. Quando semeava, caíram algumas sementes ao longo do caminho: vieram as aves e comeram-nas. Outras caíram em sítios pedregosos, onde não havia muita terra, e logo nasceram porque a terra era pouco profunda; mas depois de nascer o sol, queimaram-se e secaram, por não terem raiz. Outras caíram entre espinhos e os espinhos cresceram e afogaram-nas. Outras caíram em boa terra e deram fruto: umas, cem; outras, sessenta; outras, trinta por um".

        E se noutras parábolas temos que encontrar uma explicação, nesta o próprio Jesus no-la apresenta: "Quando um homem ouve a palavra do reino e não a compreende, vem o Maligno e arrebata o que foi semeado no seu coração. Este é o que recebeu a semente ao longo do caminho. Aquele que recebeu a semente em sítios pedregosos é o que ouve a palavra e a acolhe de momento, mas não tem raiz em si mesmo, porque é inconstante, e, ao chegar a tribulação ou a perseguição por causa da palavra, sucumbe logo. Aquele que recebeu a semente entre espinhos é o que ouve a palavra, mas os cuidados deste mundo e a sedução da riqueza sufocam a palavra, que assim não dá fruto. E aquele que recebeu a palavra em boa terra é o que ouve a palavra e a compreende. Esse dá fruto, produz ora cem, ora sessenta, ora trinta por um”.

       2 – Fácil de entender a parábola. Mais fácil se torna com a explicação de Jesus.

Tradicionalmente, os diferentes terrenos seriam diferentes pessoas. Mas não é descabido pensar que cada um de nós, em diferentes épocas da sua vida, passa por diversas fases, umas vezes é terreno fértil, outras, pedregoso, outras vezes, terra com muitos espinhos.

       Por vezes as circunstâncias da vida deixam-nos sem paciência para escutar. Fechamo-nos. Não queremos ouvir. Não queremos que nos macem. Isolámo-nos

       Outras vezes, escutámos a Palavra de Deus e a voz da nossa consciência que nos atrai para Deus, mas temos muitas urgências: decidir, fazer, comprar, sair, divertir, encontros e mais encontros, festas, compromissos inadiáveis, muito trabalho... e não temos tempo nem para nós, nem para os outros, nem para a família, nem para viver com alegria e generosidade.

       Por vezes até gostaríamos de fazer diferente, comprometermo-nos mais, mas falta a coragem. Outras vezes, deixamos que outros façam. Outras vezes, vamos com a corrente...

       Mas também sabemos ser, e também somos, em muitas situações, terreno fértil, onde a Palavra de Deus germina e dá fruto em abundância.

 

       3 – O profeta Isaías utiliza a mesma imagem de Jesus, dizendo que a semente sempre produz, como a Palavra de Deus sempre germina e dá fruto. Vejamos o que nos diz o Senhor: “Assim como a chuva e a neve que descem do céu não voltam para lá sem terem regado a terra, sem a terem fecundado e feito produzir, para que dê a semente ao semeador e o pão para comer, assim a palavra que sai da minha boca não volta sem ter produzido o seu efeito, sem ter cumprido a minha vontade, sem ter realizado a sua missão”.

       A vida (e o mundo) conta connosco. Deus conta connosco. Ou passamos pela vida como espectadores passivos, ou tornamo-nos actores, protagonistas da nossa história e agentes de transformação do mundo em que nos inserimos, na família, na comunidade, na nossa rua, na nossa freguesia, no nosso país.

       Cruzarmos os braços de pouco adianta como não adianta passarmos o tempo a lamentar-nos, a achar que poderíamos ter feito diferente, ou que aquele ou aquela deveriam ter feito assim ou assado, ou que não temos jeito, ou temos jeito mas não temos tempo, ou não temos oportunidade. A vida continua... connosco, ou sem nós. A escolha é nossa. Deixamos passar a vida por nós? Ou vivemo-la com garra, com paixão, com alegria?

 

       4 – O nosso compromisso cristão é com o tempo presente e com este mundo. Regámos a semente que germina em nós, a Palavra que gera vida, a presença de Deus que nos envolve com a transformação do mundo, certos que o nosso esforço e a nossa dedicação, dando o melhor de nós mesmos, como Jesus constantemente nos desafia, contribuirá para que este mundo seja habitável e se torna casa de todos.

       Mas nada somos sem a força do Espírito, o discernimento da Sua graça em nós, que nos permite viver na verdade e no bem. Neste tempo e até à eternidade. Para já estamos como que em trabalho de parto, na alegria e na confiança que é Deus que guia a História, experimentando, porém, a fragilidade e a finitude, o que, por vezes, nos pode trazer sofrimento, por ainda não vermos claramente os frutos do Espírito de Deus.

       Mas ouçamos a voz reconfortante do Apóstolo: "Eu penso que os sofrimentos do tempo presente não têm comparação com a glória que se há-de manifestar em nós... Sabemos que toda a criatura geme ainda agora e sofre as dores da maternidade. E não só ela, mas também nós, que possuímos as primícias do Espírito, gememos interiormente, esperando a adopção filial e a libertação do nosso corpo".

       Vivemos nesta tensão escatológica entre o já da salvação que se opera em Cristo, através do Seu Espírito de Amor, e o ainda não da glória definitiva junto de Deus na eternidade. Mas é uma tensão saudável, que nos atrai para Deus, mas que nos engloba no todo da humanidade.


Textos para a Eucaristia (ano A): Is 55,10-11; Rom 8,18-23; Mt 13,1-23.

 


22
Dez 10
publicado por mpgpadre, às 10:23link do post | comentar |  O que é?

       1 – A proximidade física (cronológica) ao Natal é inegável no ambiente que nos rodeia e na liturgia da palavra proposta deste quarto Domingo de Advento. Por onde quer que passemos, saltam à vista os enfeites, árvores de Natal, presépios ao ar livre, iluminação natalícia em cidades, vilas e aldeias, nos centros comerciais. Saliente-se, este ano, uma inovação que se iniciou no nosso país no ano passado, a colocação dos Estandartes de Natal, com o Menino Jesus, nas janelas e varandas de muitas casas, "obrigando-nos" a lembrar que o aniversariante é Jesus Cristo, o Deus que Se faz próximo de cada um de nós e da humanidade inteira. Refira-se que os estandartes, acção promovida por um grupo de leigos empenhados, sem fins lucrativos, favorecerá as pessoas mais desamparadas e, ainda, a acompanhar o estandarte, o Livro com os Evangelhos para todos os dias do ano de 2011, oportunidade para que a Palavra de Deus, feita carne em Jesus, acompanhe mais de perto as nossas famílias cristãs e desperte, em todos os que adquirirem o Estandarte com o Evangelho, o gosto pela leitura e meditação da Sagrada Escritura.

       Centremo-nos por ora nas leituras deste último domingo antes da celebração do Natal para acolhermos o mistério de Deus que se desvela para nós. O anúncio de Isaías (primeira Leitura) é profecia que se torna realidade com o nascimento de Jesus (Evangelho).

       2 – "O próprio Senhor vos dará um sinal: a virgem conceberá e dará à luz um filho e o seu nome será Emanuel". São as palavras proféticas de Isaías e que logo São Mateus as mostra cumpridas no nascimento de Jesus. Ao relato do nascimento do Salvador, Mateus acrescenta: "Tudo isto aconteceu para se cumprir o que o Senhor anunciara por meio do Profeta, que diz: «A Virgem conceberá e dará à luz um Filho, que será chamado ‘Emanuel’, que quer dizer ‘Deus connosco’»" (Evangelho).

       Foi-nos dado ver o que aos profetas e aos que nos precederam na fé foi apenas anunciado como futuro. Eles ansiaram, como um dia dirá Jesus aos seus ouvintes, ver este dia de salvação para todos os povos. A nós o privilégio de vivermos com Jesus Cristo, na Sua Igreja, a plenitude dos tempos.

       Neste concreto ouçamos o testemunho de São Paulo, na sua missiva aos Romanos: "Deus tinha de antemão prometido pelos profetas nas Sagradas Escrituras, acerca de seu Filho, nascido da descendência de David, segundo a carne, mas, pelo Espírito que santifica, constituído Filho de Deus em todo o seu poder pela sua ressurreição de entre os mortos: Ele é Jesus Cristo, Nosso Senhor".

 

       3 – Nas vésperas de Natal deixemo-nos cativar pela luz que brilha no Presépio de Belém, no olhar de Jesus, de Maria e de José, procurando que este seja um tempo de alegria, de paz, de harmonia em nossa casa e em todos os ambientes em que nos encontremos. Aproveitemos para termos algum gesto concreto que nos faça experimentar o perdão, a caridade, em alguma situação que precisemos de revolver, melhorar, ou em algum momento que nos aproxime daquelas pessoas que estão mais precisados.

Só a humildade do Deus que Se faz criança nos trará a felicidade duradoura e plena.

________________________________________

Textos para a Eucaristia (ano A): Is 7,10-14; Rom 1,1-7; Mt 1,18-24.

 


13
Dez 10
publicado por mpgpadre, às 10:33link do post | comentar |  O que é?

       1 – A proximidade da celebração festiva do Natal leva-nos a viver mais intensamente, numa atitude de espera, de preparação e de conversão, mas também de alegria, júbilo, que antecipa esta chegada de Deus ao nosso coração e à nossa vida.

       Quando alguém está para chegar, os sentimentos misturam-se e confundem-se entre a ansiedade, a pressa que a pessoa esperada chegue, e a experiência de felicidade (antecipada) por saber que falta pouquíssimo tempo para (re)encontrar aquela que pessoa com quem se deseja muito estar.

       Assim também o Advento nos permite viver em atitude de espera e de alegria, pela chegada do Salvador, o Deus connosco.

       O profeta Isaías, na primeira leitura, convida ao júbilo, à confiança, porque Deus vem até nós: "Alegrem-se o deserto e o descampado, rejubile e floresça a terra árida, cubra-se de flores como o narciso, exulte com brados de alegria... Dizei aos corações perturbados: «Tende coragem, não temais:Aí está o vosso Deus, vem para fazer justiça e dar a recompensa. Ele próprio vem salvar-nos»... hão-de chegar a Sião com brados de alegria, com eterna felicidade a iluminar-lhes o rosto".

       A espera é confiante.

(nascimento de João Baptista)

 

       2 – Para os cristãos, a vinda do Messias não se situa no futuro mas no presente como nos diz o Evangelho, onde Jesus responde às expectativas anunciadas. João Baptista, depois de ter ouvido dizer muitas coisas de Jesus, manda alguns dos seus discípulos para dissipar as dúvidas: «És Tu Aquele que há-de vir ou devemos esperar outro?» Jesus respondeu-lhes: «Ide contar a João o que vedes e ouvis: os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e a boa nova é anunciada aos pobres...".

       Jesus não responde com argumentos, mas com a vida, com uma postura constante, com a realidade das curas, do perdão dos pecados, da transformação da vida daqueles com quem Ele se encontra, com o anúncio da Boa Nova da salvação.

       Por outro lado, Jesus não perde a ocasião para testemunhar a favor de João Baptista – "Entre os filhos de mulher, não apareceu ninguém maior do que João Baptista" – e nos apontar para o reino de Deus, não como algo distante, mas como realidade ao nosso alcance, basta-nos escutar e viver o Evangelho e, dessa forma, "o menor no reino dos Céus é maior do que ele», do que o maior dos nascidos de mulher, João Baptista.

 

       3 – A tensão escatológica, entre a vinda de Jesus há dois mil anos, e a vinda última, pode gerar desânimo. Com efeito, a chegada do Messias deveria ser acompanhada pela transformação radical do mundo em que este fosse verdadeiramente um mundo novo, marcado pela verdade e pelo espírito, em que a paz entre as nações, a justiça, a harmonia entre as pessoas, dentro das famílias, nos povos do mundo inteiro fosse não apenas um desejo mas uma realidade experimentada.

       No entanto, a certeza de que em Jesus veio até nós o Reino de Deus não deve desanimar-nos nem fazer-nos baixar os braços, mas envolver-nos ainda mais, pois sabemos que a vitória do bem é uma certeza. Vivamos para que, através da nossa vida, o reino de Deus se cumpra.

       São Tiago, na segunda leitura, diz-nos com propriedade: "Esperai com paciência a vinda do Senhor. Vede como o agricultor espera pacientemente o precioso fruto da terra, aguardando a chuva temporã e a tardia. Sede pacientes, vós também, e fortalecei os vossos corações, porque a vinda do Senhor está próxima. Não vos queixeis uns dos outros, a fim de não serdes julgados. Eis que o Juiz está à porta. Irmãos, tomai como modelos de sofrimento e de paciência os profetas, que falaram em nome do Senhor".

       O tempo urge, já se sentem as dores do parto de um mundo novo, renascido na água e sobretudo no Espírito Santo. As sementes foram lançadas à terra. Aguardemos jubilosos, os frutos já despontam, com a graça do Senhor Jesus.

____________________________

Textos para a Eucaristia (ano A): Is 35,1-10; Tg 5,7-10; Mt 11,2-11.

 


06
Dez 10
publicado por mpgpadre, às 10:37link do post | comentar |  O que é?

        1 – "Naqueles dias, apareceu João Baptista a pregar no deserto da Judeia, dizendo: «Arrependei-vos, porque está perto o reino dos Céus». Foi dele que o profeta Isaías falou, ao dizer: «Uma voz clama no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas’». ... Aquele que vem depois de mim é mais forte do que eu e não sou digno de levar as suas sandálias. Ele baptizar-vos-á no Espírito Santo e no fogo".

       O tempo do Advento é, sem dúvida, ocasião para preparar a chegada de Jesus, o Deus que Se faz homem, que encarna para nos elevar para Deus, para nos reconduzir à morada do Altíssimo.

       João Baptista é uma das figuras principais do Advento. Reconhece-se como o Precursor, aquele que vem anunciar e preparar a chegada próxima do Reino de Deus, é a voz que anuncia a PALAVRA. O seu baptismo é de arrependimento, de perdão dos pecados, é um baptismo preparatório. Aquele que está para viver - o MESSIAS - baptizará com a força do Espírito Santo, não apenas no perdão dos pecados mas na concessão de uma vida nova.

 

       2 – Outra das figuras centrais deste tempo do Advento é Isaías. É citado, antes de mais, pelo próprio João Baptista, que se identifica com a mensagem do profeta, assumindo-se como a voz que clama no deserto. Por outro lado, Isaías é o profeta que faz uma caracterização mais extensa, mais clara e mais específica do Messias que está para vir e do tempo que chegará com Ele, o Emanuel, o Deus connosco.

       Vejamos a força das palavras presentes na primeira leitura deste domingo: "Sobre ele repousará o espírito do Senhor: espírito de sabedoria e de inteligência, espírito de conselho e de fortaleza, espírito de conhecimento e de temor de Deus. Animado assim do temor de Deus, não julgará segundo as aparências, nem decidirá pelo que ouvir dizer. Julgará os infelizes com justiça e com sentenças rectas os humildes do povo... O lobo viverá com o cordeiro e a pantera dormirá com o cabrito; o bezerro e o leãozinho andarão juntos e um menino os poderá conduzir. A vitela e a ursa pastarão juntamente, suas crias dormirão lado a lado; e o leão comerá feno como o boi. A criança de leite brincará junto ao ninho da cobra e o menino meterá a mão na toca da víbora". 

       O Messias é marcado pela força do Espírito de Deus, e com Ele chegará um tempo de prosperidade, de justiça e de paz.

 

       3 – O desafio de João Baptista à conversão, à mudança de vida, ao arrependimento, à preparação para a chegada do Messias não foi apenas para aquele tempo específico da história, mas é para todos os tempos e para todos os povos. Preparamo-nos para a celebração festiva do NATAL, mas preparamo-nos constantemente para acolher Jesus na nossa vida e fazer com que a nossa vida seja Sua morada. 

       Como nos preparamos? De muitas formas, aprofundando a fé, traduzindo a Palavra de Deus em obras de caridade, assumindo gestos de partilha, de solidariedade, procurando viver harmoniosamente em família, em igreja, na sociedade.

       São Paulo, na segunda leitura que hoje nos é proposta, deixa-nos algumas recomendações concretas, depois da saudação: "O Deus da paciência e da consolação vos conceda que alimenteis os mesmos sentimentos uns para com os outros, segundo Cristo Jesus, para que, numa só alma e com uma só voz, glorifiqueis a Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo. Acolhei-vos, portanto, uns aos outros, como Cristo vos acolheu, para glória de Deus".

      A própria caracterização de Deus é já um desafio à paciência que se vive a partir do amor. E, nesta perspectiva, tratando-nos como irmãos em Cristo Jesus, para formarmos e sermos uma autêntica família de Deus.


Textos para a Eucaristia (ano A): Is 11,1-10; Rom 15,4-9; Mt 3,1-12

 


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