...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...
19
Mai 16
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ANGELO COMASTRI (2006). Onde está o teu Deus? Histórias de conversões do século XX. Prior Velho: Paulinas Editora. 152 páginas.

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(Angelo Comastri, à direita de Bento XVI, à esquerda na foto)

 

Na aquisição de um outro livro, no caso de Tomás Halík, vinha este como oferta. Primeiro pensamento quando surge um livro como oferta para promover outro: não há de ser muito bom, ou não teve muita saída, e estão a aproveitar para despachar. Mas cedo nos apercebemos, folheando, que seria uma leitura interessante. Já me tinha acontecido com outro livro: SONALI DERANIYAGALA (2015). Vida Desfeita. Também vinha como oferta e foi uma leitura empolgante, sabendo, para mais, que correspondia a uma situação real.

Angelo Comastri, Vigário do Papa Bento XVI para a cidade de Roma, recolhe alguns testemunhos de pessoas que se converteram ao cristianismo, vindos do ateísmo, do comunismo, do judaísmo, ou de uma cristianismo apagado e indiferente.

A conversão é uma realidade que a todos diz respeito. Ao longo de toda a vida há de merecer a nossa atenção. Todos nos encontramos em processo de conversão, com dúvidas e questionamentos. Há depois aqueles cuja conversão foi mais repentina, mais acentuada, mais luminosa. Figuras como a de São Paulo ou Santo Agostinho de Hipona, mas também de outros, como Santa Teresa de Jesus, fervorosa criança e adolescente crente, que se distanciou, mas que a determinada altura da sua vida, percebeu, viu, que teria que alterar a sua vida de forma radical, deixando as modas, as intrigas da alta sociedade, para se entregar inteiramente a Jesus Cristo.

O autor apresenta-nos as figuras de Adolfo Retté, André Frossard, giovanni Papini, Edith Stein, Eugénio Zolli, Serjej Kourdakov e Pietro Cavallero. Ao falar a conversão de cada um, apresenta outros testemunhos semelhantes. No final de cada "biografia" o convite à oração.

  • Adolphe Retté - testemunhos semelhantes de Josué Carduci e Aldo Brandirali -, em 1907, tornou pública a sua conversão, com o diário "Do diabo a Deus". Cresceu e foi educado na fé, mas numa família dividida. Em adulto tornou-se ateu e inimigo da religião, dedicando-se a mostrar que Deus não existia. No final de uma conferência, um jardineiro interpela-o, dizendo que sabia que Deus não existe, mas perguntando que se o mundo não foi criado por ninguém, como é que tudo começou, o que é que a ciência sabe sobre o assunto. Intrigado por esta questão e sabendo que a ciência não tem uma resposta, começou a buscá-la, mormente quando lê a Divina Comédia, os cantos do Purgatório. Começa então a escutar uma voz interior que o desafia. Pouco a pouco vai descobrindo que a fé é luz e caminho, é verdade e vida. Ainda resiste, escrevendo contra a religião, mas já não havia volta a dar...
  • André Frossard - exemplo próximo, vindo das luzes de Paris, Paul Claudel -, era um ateu perfeito, como o próprio confessa, anticlerical, escarnecendo da religião como se fora um conto de fadas. Quando completou 15 anos de idade, pegou numa mão cheia de dinheiro e ia passar a noite com uma prostituta. No comboio viu um mendigo magríssimo e percebeu que não iria mais longe, o dinheiro seria para aquele mendigo... começava a conversão. Um dia entra numa Igreja, porque o amigo de quem estava a espera, estava a demorar demasiado, e decidiu entrar... cético, ateu convicto... e saiu de lá católico, romano, apostólico, atraído, levantado, retornado, ressuscitando por uma alegria inexplicável...
  • Giovanni Papini - exemplo semelhante, Marco Pisetta, ex-terrorista que se converteu a Jesus Cristo -. Contra a vontade do pai, mação convicto e republicano feroz, a mãe fê-lo batizar. No entanto, Giovanni tornou-se um fervoroso anticatólico. Em 1911, publicou as Memórias de Deus cheio de blasfémias. Mas as dúvidas assolam-no. Quer certezas que não encontra. Vários momentos o conduzem à conversão, a comunhão da sua menina, a doçura cristã da esposa, as censuras dos amigos, as leituras daquela altura, com Santo Agostinho, Pascal e os Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loiola, a Imitação de Cristo... o coração já gravitava à volta de Cristo... e depois tudo era pouco para falar de Jesus Cristo!
  • Edith Stein - busca pela verdade condu-la a Cristo. Judia, longe de algum dia imaginar converter-se ao cristianismo. Com um temperamento independente em relação à família e às tradições judaicas, decide buscar a verdade, através do estudo. Terá como professores Husserl e mais tarde Max Scheler, filósofo judeu convertido aos cristianismo. Em 1915, trabalha como voluntária na Cruz Vermelha para tratar soldados vítimas do tifo e da cólera e aprende que a última palavra não é da ciência mas da dedicação. No verão de 1921, em casa de uma família amiga, para passar o tempo lê a autobiografia de Santa Teresa de Jesus (Teresa de Ávila), até de madrugada, concluindo: "Esta é a verdade". Tornando-se católica, viria a ser religiosa carmelita, e depois deportada pelos nazis da Holanda, vindo a ser morta por ser religiosa de origem judaica.
  • Eugénio Zolli - Israel Zolli era o grande rabino da comunidade israelita de Roma durante os dramáticos acontecimentos da 2.ª Guerra Mundial. Acabada a guerra tornou-se cristão-católico, testemunhando a sua fé e adesão a Jesus Cristo e ao Evangelho. Um terramoto. Sendo uma figura proeminente do judaísmo, a sua conversão trouxeram-lhe fortes ataques, além de ficar sem as condições económicas e financeiras, mas persistiu o chamamento de Cristo, a visão de Cristo a pousar-lhe a mão sobre os ombros. Também a esposa e posteriormente a filha se viriam a tornar cristãs. Esta conversão é também um testemunho favorável ao Papa Pio XII, muitas vezes acusado de silêncio sobre os ataques nazis, mas por muitos judeus reconhecido o seu papel em salvar milhares de judeus ao abrir-lhes, por exemplo, igrejas e conventos para os proteger.
  • Sergei Kourdakov - nasceu em 1 de março de 1951, na Sibéria. Os avós paternos morreram de inanição e fome, o pai foi fuzilado em 1955 e a mãe morreu de desgosto pouco depois. Até aos seis anos algumas famílias de amigos acolheram-no, depois foi para os colégios do Estado, saltando de um para outro. Aprendeu a lutar para se defender. Os seus educadores tinham horror a Deus. Foi-lhe inculcado que a religião não era inimiga mas os crentes e era estes que era preciso silenciar, perseguir, destruir. Viria a ser responsável de um grupo sempre à cata de grupos de cristãos reunidos para os ameaçar, bater, prender. Pelo meio encontra uma jovem persistente, é agredida com violência, numa reunião seguinte volta a encontrá-la e depois novamente, Fica admirado como é que alguém pode correr tantos riscos em nome da religião... um dia a arrumar a cave da esquadra, enquanto arrumava material confiscado aos crentes, para queimar e destruir, depara-se com uma página do evangelho manuscrita... e começa a fuga para o cristianismo. Na noite de 3 para 4 de setembro de 1971, a pouquíssimos quilómetros do Canadá, abandona o barco em que seguia e é-lhe dado azilo no Canadá... para procurar Deus... dando testemunho da sua vida crente... será morto a 1 de janeiro de 1973... já se tinha encontrado com Cristo.
  • Pietro Cavallero - é preso a 3 de outubro de 1967, depois de uma fuga de 8 dias, após a matança no largo Zandonai, na Itália. Ficou conhecido como o "bandido que ri", apesar de nunca se rir, apenas quando foi preso quando disparou o último tiro, pois não tinha mais balas... depois de encontrar Cristo passou a ter motivos para sorrir. Converteu-se... mas nunca arranjou atenuantes para o seu comportamento, tendo consciência dos erros cometidos...


15
Jun 14
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21
Mai 14
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JOÃO CÉSAR DAS NEVES (2014). Lúcia de Fátima e os seus primos. Lisboa: Paulus Editora. 168 páginas.

       João César das Neves é um conhecido economista, e um reconhecido católico, com intervenções oportunas em diversas áreas, com o pano de fundo da mensagem do Evangelho. Mais um original contributo de um tema incontornável para os católicos (portugueses), o acontecimento de Fátima e as Aparições aos três Pastorinhos, dois deles já beatificados, em 2000, pelo Papa João Paulo II, que se deslocou a Fátima com esse propósito, no dia mais importante, 13 de maio, altura em que foi também revelada a terceira parte do segredo. A Irmã Lúcia viria a falecer cinco anos depois, a 13 de fevereiro de 2005, uns meses antes do Papa João Paulo II, que faleceu a 2 de abril de 2005. Três anos depois, Bento XVI dispensou do prazo para se iniciar o processo de beatificação, que são cinco anos, mas que passados três anos se iniciou o processo.

       O título, desde logo, nos centra no papel preponderante de Lúcia, pela extensão de vida, grande parte dos quais como mensageira da Senhora de Fátima. É do seu testemunho, respondendo aos diversos processos paroquiais, diocesanos, ou em resposta ao Vaticano, seja pelos escritos e pelas respostas que vão dando. O centro de toda a mensagem é DEUS. Outra protagonista é Nossa Senhora. E no serviço de divulgar o amor e a misericórdia de Deus, através da veneração do Imaculado Coração de Jesus e de Maria, os Pastorinhos.

       Se o título nos aponta imediatamente para a irmão Lúcia, o autor não deixa de contextualizar os acontecimentos de Fátima, com o lugar e o ambiente do interior de Portugal, aquela época, a proximidade à primeira guerra mundial, os erros espalhados pela Rússia, os costumes da época, o que envolveu a auscultação dos factos e a evolução dos acontecimentos.

       Antes de Lúcia, os dois primos: Francisco - reservado, decidido, disposto a tudo fazer para consolar Nosso Senhor, sério, não se importando de perder nos jogos. Jacinta - a mais nova. Determinada. Emotiva. A que colhe mais simpatia por parte das pessoas. A primeira a revelar a aparição de Nossa Senhora. Oferece os seus sacrifícios pela conversão dos pecadores, para consolar o Imaculado Coração de Jesus e de Maria, e pelo Santo Padre, a quem vê em grande sofrimento. Sensível, mas ao mesmo tempo corajosa, permanecendo dócil a Nossa Senhora, mas guardando para si o que é necessário guardar. Com a pneumónica sabe que não há nada a fazer, revelação de Nossa Senhora, mas aguenta todos os tratamentos para a conversão dos pecadores e pelo Santo Padre. Morre sozinha.

       Certamente que as Memórias da Irmã Lúcia são imprescindíveis para compreender o acontecimento de Fátima e o desenvolvimento de devoções e da consagração do mundo a Nossa Senhora, o carácter dos seus primos, e o desenrolar das investigações, e os padecimentos a que estiveram sujeitos. No entanto, tem surgido um enorme volume de textos, reflexões, e outras devoções decorrentes da Mensagem de Fátima. João César das Neves apresenta aqui um belíssimo testemunho sobre Fátima, com as PESSOAS incontornáveis nesta Mensagem vinda do Céu, que concorre com Lúcia, Jacinta e Francisco, para fazer chegar o Evangelho mais longe.

        É uma leitura leve, no sentido que é acessível a todos. Em pouco texto diz muito, leva-nos ao essencial. É um daqueles livros sobre o qual não existe dificuldade em recomendar, e que nos permite perceber um acontecimento sobrenatural.


08
Abr 14
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JOÃO XXIII. Diário da Alma. Paulus Editora. Lisboa 2013. 2.ª edição. 408 páginas.

       Ângelo José Roncalli, nasceu em Sotto il Monte, perto de Bérgamo, Itália, a 25 de novembro de 1881, terceiro de 10 filhos. Morreu a 3 de junho de 1963, em grande e penosa agonia. Em 1965, o Papa Paulo VI deu início à causa de beatificação, concluída por João Paulo II no dia 3 de setembro de 2000.

       No próximo dia 27 de abril, 2014, conjuntamente com João Paulo II, o Papa Francisco vai canonizar o bom Papa João XXIII, num processo amplamente incentivado por Bento XVI. Que bela paisagem, com o envolvimento de vários Papas, cuja a vivência da fé é um testemunho luminoso.

       João Paulo II ainda está vivo memória, mas para muitos João XXIII é um ilustre desconhecido. Obviamente que a canonização, reconhecimento das suas virtudes, e do trabalho frutuoso que realizou na Igreja e na Sociedade, vai permitir falar-se dele, do seu pensamento, da sua intervenção como sacerdote, Bispo, Núncio Apostólico na Turquia, na Grécia, em França, Arcebispo de Veneza e Cardeal da Santa Igreja, Papa. Por outro lado, é possível que a associação do atual Papa, Francisco, a João XXIII terá já suscitado redobrado interesse em conhecer a história da Sua vida.

       Se as biografias e estudos sobre determinada pessoa são importantes, permitindo enquadrar vários ângulos, da vida, das intervenções, da influência, das consequência de determinadas palavras e/ou atos, para se conhecer bem o bom Papa João é indispensável a leitura do DIÁRIO DA ALMA que o próprio foi escrevendo ao longo de quase setenta anos, desde a entrada no Seminário, 14-15 anos, até às vésperas da sua morte. Anotações, reflexões, informações. Paciência. Oração. Deus. Amor. Caridade. Paciência. Humildade. Tudo para louvor e glória de Deus. Paciência. Humildade. Obediência. Pureza. Prudência. Poucas palavras e apenas para dizer bem. Sofrer com paciência.

       A leitura do diário permite visualizar um Papa simples, humilde, preocupada em tudo fazer para agradar a Deus. Autocensura-se por ser "lendo", o que permite não se precipitar. O próprio vai dizendo que o seu temperamento é o da pessoa calma, paciente, humilde, que não faz questão em ficar com razão. Perseverante. Afável. Bom.

       Aceita de bom grado tudo o que lhe é pedido. Neste diário, ocupa uma espaço muito grande o tempo dos retiros mensais, anuais, ou os retiros de preparação para a ordenação, sacerdotal, episcopal,... Grande devoção a São José, a Nossa Senhora, ao Sagrado Coração de Jesus, ao Nome de Jesus, ao Precioso Sangue de Cristo, a São Francisco de Sales, São Luís Gonzaga, São João Dechamps. Leituras: Bíblia, Breviário, Rosário, Imitação de Cristo. Eucaristia. Santíssimo Sacramento. Jaculatórias.

       É eleito Papa a 28 de outubro de 1958, no quarto dia de conclave, sucedendo a Pio XII. Pensava-se que seria um Papa de transição. No entanto, a sua inspiração contribuiu para uma grande transformação da Igreja, com a convocação e o início do Concílio Ecuménico Vaticano II, que virá a ser encerrado já com o Sucessor, Paulo VI. É uma marca indelével da Igreja, na abertura ao mundo, à sociedade, à cultura, entendo-se a ela mesma como Povo de Deus.

       Sublinhe-se também que João XXIII esteve em Portugal, em Peregrinação ao Santuário de Fátima, ainda como Patriarca de Veneza, em 1956, no 25.º Aniversário da Consagração de Portugal ao Coração Imaculado de Maria, representando o Papa Pio X. Em 13 de maio de 1961 há de promulgar a primeira Encíclica, Mater et Magistra (Mãe e Mestra), um dos documentos mais importantes sobre a Doutrina Social da Igreja (DSI).

       A obra inicia com uma breve resenha biográfica, mas o corpo fundamental são as páginas que se segue, permitindo entrar no pensamento e no coração do Bom Papa João.

       "Obediência e Paz" é o lema de vida de João XXIII que procura levar por diante. Nas mais diversas circunstâncias Ângelo Roncalli prefere o silêncio, a obediência, seguindo o princípio da indiferença, para não esperar nem honras nem títulos.

Algumas expressões sintomáticas:

"A Jesus por Maria" 

"A simplicidade é amor; a prudência, o pensamento. O amor ora, a inteligência vigia. Velai e orai, conciliação perfeita, O amor é como a pomba que geme; a inteligência ativa é como a serpente que nunca cai na terra, nem tropeça, porque vai apalpando com a sua cabeça todos os estorvos do caminho"

"Desapego de tudo e perfeita indiferença tanto às censuras como aos louvores... Diante do Senhor sou pecador e pó; vivo pela misericórdia do Senhor, à qual tudo devo e da qual tudo espero".

Propósitos de retiro de 1952:

1. Dar graças...

2. Simplicidade de coração e de palavras...

3. Amabilidade, calma e paciência imperturbável...

4. Grande compreensão e respeito para com os franceses... (era Núncio Apostólico em França).

5. Maior rapidez nas práticas mais importantes...

6. Em todas as coisas tem presente o fim... A vontade de Deus é a nossa paz. Sempre na vida, mais ainda na morte.

7. Não me aborrece nem me preocupa o que me possa acontecer: honras, humilhações, negações ou o que quer que seja...

8. Só desejo que a minha vida acabe santamente...

9. Estarei atento a uma piedade religiosa mais intensa...

10. Parece-me que tenho a consciência em paz e confio em Jesus, na Sua e minha Mãe, gloriosa e amantíssima, em São José, o santo predileto do meu coração; em São João Batista, à volta de quem gosto de ver reunida a minha família... A cruz de Cristo, o coração de Jesus, a graça de Jesus; isso é tudo na Terra; é o começo da glória futura... 

"As palavras movem; os exemplos arrastam"


14
Mar 14
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13
Mar 14
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18
Nov 13
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Cardeal Jorge MEDINA ESTEVEZ. Porquê batizar o meu filho? Paulus Editora. Lisboa 2013, 62 páginas.

       É o Sacramento do Batismo que nos abre as portas da Igreja. Na água e no Espírito Santo tornamo-nos novas criaturas, de Cristo, com Cristo e para Cristo, formando o Seu Corpo que é a Igreja. Os Sacramentos constituem um todo de graça e salvação. Deus veio até nós, em Pessoa, em Jesus Cristo. Com a Sua vida, mensagem, morte e ressurreição, oferenda total a Deus em favor de todos os homens. Com a Sua ressurreição e ascensão aos Céus, Jesus permanece entre nós, de forma especial pela graça sacramental que nos insere na comunidade cristã, seguidores de Jesus.

       Neste livrinho de bolso, o Cardeal Medina Estevez, de uma forma simples e acessível, introduz a importância do Sacramento do Batismo, porta da Igreja, fundamentando com os textos sagrados, a evolução histórica, a passagem do batismo de adultos para o batismo de crianças, o símbolos, os intervenientes, pais, padrinhos, comunidade.

       Na apresentação deste precioso contributo, o Cardeal António Cañizares Llovera, Prefeito da Congregação para o Culto, sublinha a satisfação de apresentação deste livro, que "toca uma realidade fundamental e muito alegre, cheia de esperança e de luz para a nossa vida, algo que nos atinge decisivamente". Este "texto não é para 'especialistas' mas para pessoas simples de coração, para todos... tem um carácter e um estilo fácil, belo e profundo, eminentemente correto, pedagógico e educativo...".

       Depois de dedicar um capítulo à missão dos padrinhos, o autor procura responder a algumas questões mais prementes: quando se deve batizar, onde, quem preside à celebração do batismo, se uma criança morrer sem ser batizada para onde vai, batismo em criança ou na idade adulta?

       Voltamos ao prefácio: "Este pequeno e ao mesmo tempo grande livro constitui um chamamento a viver o Batismo, a viver a nossa vida de batizados em Cristo como filhos de Deus: viver como santos e purificados, como corresponde ao nosso ser batismal; viver com autenticidade, verdade e coerência a realidade do batismo".


31
Out 13
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JOSEPH RATZINGER. Introdução ao cristianismo. Prelecções sobre o «Símbolo Apostólico». Principia. Cascais 2006. 272 páginas.

 

       A Introdução ao Cristianismo é uma obra de referência para a teologia do século XX mas que entra inevitavelmente neste novo século e milénio, não fosse o seu autor um dos mais conceituados teólogos do mundo católico e cristão, Joseph Ratzinger, que viria a ser Bispo, Cardeal, Prefeito da Congregação da Doutrina da Fé, braço direito de João Paulo II e de Papa Bento XVI, de 19 de abril de 2005 a 28 de fevereiro de 2013, tendo decidido resignar para que o Evangelho ganhasse vigor num mundo cada vez mais exigente.

       Tinha sido um dos peritos do Concílio, acompanhando o seu Bispo. Era, e continuou a ser, um promissor teólogo. Professor, estudioso. Não deixando de o ser, mesmo assumindo a missão de Pastor.

       Este livro foi dado à estampa em 1968. Como se refere no prefácio à 10.ª edição, em pouco mais de um ano “vulgarizou-se”, com uma venda invulgar “ultrapassando inclusive as fronteiras entre o Oeste e o Leste e entre os diversos credos religiosos”.

       Em 2000, novo prefácio, que assinala dois anos especiais que atravessaram os 30 anos que tinha a obra: 1968 e 1989. Dois acontecimentos verdadeiramente revolucionários. No entanto, Ratzinger, agora Cardeal, mantem as linhas orientadoras do seu estudo, como contributo para a reflexão teológico, centrado no credo, no Símbolo dos Apóstolos, desde o início em que foi surgindo nas fórmulas batismais, de pergunta e resposta, e à volta do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Profissão de Fé que vem antes do dogma.

       Obviamente, ao longo doa anos, Ratizinger publicou outras obras, que aprofundam alguns aspetos, com outras matizes, com outros enquadramentos. Certamente que este é um livro fundamental para conhecer o pensamento de Ratzinger/Bento XVI. Vislumbram-se muitas das intuições presentes posteriormente em outros estudos, mas também em homilias, mensagens, discursos, conferências.

       Introdução ao Cristianismo foi preparado para ser publicado em livro, mas nasceu das prelecções proferidas pelo sacerdote Joseph Ratzinger, para audiências de todas as faculdades durante o semestre de verão de 1967, em Tübingen.

       É um texto de fácil compreensão, mas não tanto como outros mais pastorais. Evidentemente trata-se de uma obra de estudo, de reflexão, académica, ainda que bastante expositiva, viva no debate, com exemplos, pequenas histórias, centrando-se no CREDO mas dialogando com diversos ambientes, autores, épocas, diferentes áreas do saber.

       Duas notas muito em evidência em todo o texto: humildade de quem faz teologia, respeito por quem discorda acolhendo os aspetos mais relevantes. Desde o início que o sacerdote/professor deixa claro que a teologia não encerra o mistério de Deus. Quem pretender absolutizar a teologia corre o sério risco de limitar a omnipotência, colocando-se em seu lugar. Por outro lado, Ratzinger lança diversas pontes de diálogo e discussão com autores católicos, protestantes, e até judeus. Mesmo recusando argumentos de alguns autores bem conhecidos, sublinha sempre o trabalho, a seriedade que tiveram ou aqueles princípios que terão que ser melhor estudados, ou que deram um importante contributo à reflexão teológico e/ou científica, nesta ou naquela área. També aqui cai por terra, com facilidade, o preconceito que rodeou o teólogo, o Cardeal e o Papa (Bento XVI) que seria déspota ou demasiado rígido. Leia-se e ver-se-á a disponibilidade para o diálogo, e a humildade diante do mistério de Deus. E no final, como valor maior o amor. A fé é razão. O Verbo encarnou. O Verbo é o Logos, é razão. A fé é razoável. A fé não é escuridão, mesmo que haja momentos de treva, é sobretudo luz. É Palavra. É Pessoa, Jesus Cristo. É amor. Estas intuições estão muito presentes na primeira Carta Encíclica do Papa Francisco, preparada por Bento XVI.

       Outros livros mais acessíveis e onde Bento XVI aprimora o seu discurso, tornando-o mais simples e claro. Jesus de Nazaré (em três volumes), publicado já como Papa Bento XVI, obra sobre Jesus Cristo, mistério da encarnação, vida pública, morte e ressurreição; A Alegria da Fé, recolha de textos, discursos, homilias, trechos das encíclicas, exortações, centrados no CREDO e nos Sacramentos. Um livrinho que também recomendámos e que aborda sobretudo a questão da fé: Aprender a acreditar. Estas leituras são mais fáceis, acessíveis, mais pastorais, mais orais, se quisermos. Mas para quem quiser aprofundar mais o pensamento de Bento XVI, ou acompanhar um pouco mais o processo de reflexão, de argumentação, de estudo, será revelador a leitura desta obra.


29
Out 13
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BENTO XVI. Aprender a Acreditar. Paulus Editora. Lisboa 2012. 98 páginas.

       Envolvido na reflexão do papa Bento XVI, que há dias atrás propusemos para leitura – a Alegria da Fé – escolhemos outra obra para ler e que nos permite continuar a saborear a forma leve, acessível, contagiante da escrita/reflexão do Papa ancião. Homilias, discursos, cartas, mensagens, coligidos de forma sistemática por Giuliano Vigini, numa temática concreta, desta feita “Aprender a Acreditar”, título que integra uma coleção da Paulus Editora, “Introdução à Fé”, encorpando a compreensão do Ano da Fé, convocado por Bento XVI e que será concluído pelo Papa Francisco.

       Segundo Vigini, no prefácio a esta obra, “porque estamos num tempo de esquecimento de Deus, o Ano da Fé é como «a cidade levantada num monte» para o qual Bento XVI nos convida a subir. Daquele lugar, afastamo-nos com a imaginação e o coração desde os confins deste pequeno muno ancorado no presente; vamos subindo e observamos o espaço na direção dos horizontes sem confins da realidade futura, onde a luz ilumina de esperança a atualidade do homem. Inicia, por, ou retoma, a viagem à procura de Deus, com o propósito de O encontrar ou de O reencontrar, ou seja, de estabelecer com Ele uma relação pessoa que entre mais em profundidade no espaço e no testemunho da vida. Aprender a acreditar é um convite, uma exortação, um empenhamento”.

       Quatro capítulos cujos títulos são elucidativos: 1) A inquietação do coração; 2) O caminho da Procura; 3) Porque é difícil crer; 4) As respostas da Fé.

       O ponto de partida é a inquietação, partindo da humildade do coração. Nesta perspetiva, a inquietação dos jovens com tanta vida pela frente. Papel preponderante é a Esperança, não apenas em nós ou nas coisas materiais ou no tempo presente. À medida que realizamos as nossas aspirações, outras maiores vão surgindo, e a alma, nas palavras de Santo Agostinho, um dos santos prediletos de Bento XVI, conjuntamente com São José e São Bento (nomes de batismo e de pontificado, respetivamente), a nossa alma anda inquieta enquanto não repousar em Deus, a Esperança maior, a grande esperança, que não é aniquilada com a morte.

       A procura é contínua. Ajuda a reflexão de Santo Agostinho. Procurar, encontrar, voltar a procurar. Trata-se da conversão permanente, estamos a caminho. Por outro lado, procuramos Deus, mas também Deus nos procura, vem ao nosso encontro, em Jesus Cristo, caminha connosco. O Deus que Jesus nos mostra não é o da filosofia, distante, mas é Amor, próximo. Coração que ama. Sentindo-nos amados respondemos com amor. Daí também a perspetiva da caridade, sabendo que existem situações em que primeiro amamos, servimos, e só depois anunciamos Deus. Mas se Deus é amor, então ao amarmos já estamos a comunicar Deus.

       Um dos aspetos amplamente refletidos por Bento XVI, e de que dá nota esta recolha de textos, a dialética entre fé e razão. O mundo atual, e sobretudo o Ocidente, endeusou a ciência em contraponto com a fé. Bento XVI, em diversas ocasiões, afirma claramente a riqueza da fé, a fé como LUZ e não como obscuratimos, e como a fé e a razão se conjugam, se ajudam e mutuamente se purifica. A ciência leva ao desenvolvimento, mas falta-se a ética, que vem da fé, e da razão.

       A fé é dom, acolhido, rezado, celebrado. É uma luz na escuridão, uma Luz que irradia de Jesus e que se enriquece em Igreja, em comunidade. Sobretudo na quarta parte vislumbra-se a reflexão que está amplamente difundida na primeira Carta Encíclica do Papa Francisco, A Luz da Fé, preparada, num primeiro esboço, pelo próprio papa Bento XVI e cujas intuições aparecem na largueza das suas meditações, assumida por inteiro pelo atual Papa que lhe deu o seu cunho, aqui e além.

       Mais um belíssimo texto para ler. Não é preciso muito tempo. É necessário começar a ler e deixar-se conduzir pela fluidez do discurso. Vai poder enriquecer o seu vocabulário espiritual, humano.


25
Out 13
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HOMILIA de início de Pontificado do Papa João Paulo II, a 22 de outubro de 1978:

        Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo! (Mt. 16, 16).

 

       Estas palavras foram pronunciadas por Simão, filho de Jonas, na região de Cesareia de Filipe. Sim, ele exprimiu-as na sua própria língua, com uma profunda, vivida e sentida convicção; mas elas não tiveram nele a sua fonte, a sua nascente: .., porque não foram a carne nem o sangue quem to revelaram, mas o Meu Pai que está nos céus (Mt. 16, 17). Tais palavras eram palavras de Fé.

       Elas assinalam o início da missão de Pedro na história da Salvação, na história do Povo de Deus. E a partir de então, de uma tal confissão de Fé, a história sagrada da Salvação e do Povo de Deus devia adquirir uma nova dimensão: exprimir-se na caminhada histórica da Igreja. Esta dimensão eclesial da história do Povo de Deus tem as suas origens, nasce efectivamente dessas palavras de Fé e está vinculada ao homem que as pronunciou, Pedro: Tu és Pedro — rocha, pedra — e sobre ti, como sobre uma pedra, Eu edificarei a Minha Igreja (Cfr. Mt. 16, 18).

       Hoje e neste lugar é necessário que novamente sejam pronunciadas e ouvidas as mesmas palavras: Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo!

       Sim, Irmãos e Filhos, antes de mais nada estas palavras.

        O seu conteúdo desvela aos nossos olhos o mistério de Deus vivo, aquele mistério que o Filho veio colocar mais perto de nós. Ninguém como Ele, de facto, tornou o Deus vivo assim próximo dos homens e ninguém O revelou como o fez só Ele mesmo. No nosso conhecimento de Deus, no nosso caminhar para Deus, estamos totalmente dependentes do poder destas palavras: Quem me vê a Mim, vê também o Pai (Jo. 14, 9). Aquele que é infinito, imperscrutável e inefável veio para junto de nós em Jesus Cristo, o Filho unigénito, nascido de Maria Virgem no presépio de Belém.

       O vós, todos os que já tendes a dita inestimável de crer; vós, todos os que ainda andais a buscar a Deus; e vós também, os atormentados pela dúvida:

       — procurai acolher uma vez mais — hoje e neste local sagrado — as palavras pronunciadas por Simão Pedro. Naquelas mesmas palavras está a fé da Igreja; em tais palavras, ainda, encontra-se a verdade nova, ou melhor, a última e definitiva verdade — sobre o homem: o filho de Deus vivo. — Tu és o Cristo, Filho de Deus vivo!

       Hoje o novo Bispo de Roma inicia solenemente o seu ministério e a missão de Pedro. Nesta Cidade, de facto, Pedro desempenhou e realizou a missão que lhe foi confiada pelo Senhor. Alguma vez, o mesmo Senhor dirigiu-se a ele e disse-lhe: Quando eras mais jovem, tu próprio te cingias e andavas por onde querias; mas quando fores velho, estenderás as mãos e outro cingir-te-á e levar-te-á para onde tu não queres (Jo. 21, 18).

        Pedro, depois, veio para Roma! E o que foi que o guiou e o conduziu para esta Urbe, o coração do Império Romano, senão a obediência à inspiração recebida do Senhor? — Talvez aquele pescador da Galileia não tivesse tido nunca vontade de vir até aqui; teria preferido, quiçá, permanecer lá onde estava, nas margens do lago de Genesaré, com a sua barca e com as suas redes. Mas, guiado pelo Senhor e obediente à sua inspiração, chegou até aqui.

       Segundo uma antiga tradição (e, qual foi objecto de uma expressão literária magnífica num romance de Henryk Sienkiewicz), durante a perseguição de Nero, Pedro teria tido vontade de deixar Roma. Mas o Senhor interveio e teria vindo ao encontro dele. Pedro, então, dirigindo-se ao mesmo Senhor perguntou: "Quo vadis Domine? — Onde ides, Senhor?". E o Senhor imediatamente lhe respondeu: "Vou para Roma, para ser crucificado pela segunda vez". Pedro voltou então para Roma e aí permaneceu até à sua crucifixão.

       Sim, Irmãos e Filhos, Roma é a Sede de Pedro. No decorrer dos séculos sucederam-se nesta Sede sempre novos Bispos. E hoje um outro novo Bispo sobe à Cátedra de Pedro, um Bispo cheio de trepidação e consciente da sua indignidade. E como não havia ele de trepidar perante a grandeza de tal chamamento e perante a missão universal desta Sede Romana?

       Depois, passou a ocupar hoje a Sé de Pedro em Roma um Bispo que não é romano, um Bispo que é filho da Polónia. Mas, a partir deste momento também ele se torna romano. Sim, romano! Até porque é filho de uma nação cuja história, desde os seus alvores, e cujas tradições milenárias estão marcadas por um ligame vivo, forte, jamais interrompido, sentido e vivido com a Sé de Pedro, de uma nação que a esta mesma Sé de Roma permaneceu sempre fiel. Oh, como é insondável o desígnio da Divina Providência!

       Nos séculos passados, quando o Sucessor de Pedro tomava posse da sua Sede, era colocado sobre a sua cabeça o símbolo do trirregno, a tiara papal. O último a ser assim coroado foi o Papa Paulo VI em 1963, o qual, porém, após o rito solene da coroação, nunca mais usou esse símbolo do trirregno, deixando aos seus sucessores a liberdade para decidirem a tal respeito.

       O Papa João Paulo I, cuja memória está ainda tão viva nos nossos corações, houve por bem não querer o trirregno; e hoje igualmente o declina o seu Sucessor. Efectivamente, não é o tempo em que vivemos tempo para se retornar a um rito e àquilo que, talvez injustamente, foi considerado como símbolo do poder temporal dos Papas.

        O nosso tempo convida-nos, impele-nos e obriga-nos a olhar para o Senhor e a imergir-nos numa humilde e devota meditação do mistério cio supremo poder do mesmo Cristo.

        Aquele que nasceu da Virgem Maria, o filho do carpinteiro — como se considerava —, o Filho de Deus vivo — confessado por Pedro — veio para fazer de todos nós um reino de sacerdotes (Cfr. Ex. 19, 6).

       O II Concílio do Vaticano recordou-nos o mistério de um tal poder e o facto de que a missão de Cristo — Sacerdote, Profeta, Mestre e Rei — continua na Igreja. Todos, todo o Povo de Deus é participe desta tríplice missão. E talvez que no passado se pusesse sobre a cabeça do Papa o trirregno, aquela tríplice coroa, para exprimir, mediante tal símbolo, o desígnio do Senhor sobre a sua Igreja; ou seja, que toda a ordem hierárquica da Igreja de Cristo, todo o seu "sagrado poder" que nela é exercitado mais não é do que o serviço, aquele serviço que tem como finalidade uma só coisa: que todo o Povo de Deus seja participe daquela tríplice missão de Cristo e que permaneça sempre sob a soberania do Senhor, a qual não tem as suas origens nas potências deste mundo, mas sim no Pai celeste e no mistério da Cruz e da Ressurreição.

       O poder absoluto e ao mesmo tempo doce e suave do Senhor corresponde a quanto é o mais — profundo do homem, às suas mais elevadas aspirações da inteligência, da vontade e do coração. Esse poder não fala com a linguagem da força, mas exprime-se na caridade e na verdade.

       O novo Sucessor de Pedro na Sé de Roma, neste dia, eleva uma prece ardente, humilde e confiante: O Cristo! Fazei com que eu possa tornar-me e ser sempre servidor do Vosso único poder! Servidor do Vosso suave poder! Servidor do vosso poder que não conhece ocaso! Fazei com que eu possa ser um servo! Mais ainda: servo dos Vossos servos.

        Irmãos e Irmãs:

       não tenhais medo de acolher Cristo e de aceitar o Seu poder! E ajudai o Papa e todos aqueles que querem servir a Cristo e, com o poder de Cristo, servir o homem e a humanidade inteira! Não, não tenhais medo! Antes, procurai abrir, melhor, escancarar as portas a Cristo! Ao Seu poder salvador abri os confins dos Estados, os sistemas económicos assim como os políticos, os vastos campos de cultura, de civilização e de progresso! Não tenhais medo! Cristo sabe bem "o que é que está dentro do homem". Somente Ele o sabe!

       Hoje em dia muito frequentemente o homem não sabe o que traz no interior de si mesmo, no profundo do seu ânimo e do seu coração, muito frequentemente se encontra incerto acerca do sentido da sua vida sobre esta terra. E sucede que é invadido pela dúvida que se transmuta em desespero. Permiti, pois — peço-vos e vo-lo imploro com humildade e com confiança — permiti a Cristo falar ao homem. Somente Ele tem palavras de vida; sim, de vida eterna.

       Precisamente neste dia, a Igreja inteira celebra o seu "Dia Missionário Mundial"; ou seja, reza, medita e age a fim de que as palavras de vida de Cristo possam chegar a todos os homens e por eles sejam. acolhidas como mensagem de salvação, de esperança e de libertação total.

       Quero agradecer a todos os presentes, que quiseram assim participar neste acto solene do início do ministério do novo Sucessor de Pedro.

       Agradeço do coração aos Chefes de Estado, aos Representantes das Autoridades, às Delegações de Governos, pela sua presença que muito me honra.

       Obrigado a Vós, Eminentíssimos Cardeais da Santa Igreja Romana!

       Agradeço-vos, amados Irmãos no Episcopado!

       Obrigado a vós, Sacerdotes!

       A vós, Irmãs e Irmãos, Religiosas e Religiosos das várias Ordens e Congregações, obrigado!

       Obrigado a vós, Romanos!

       Obrigado aos peregrinos, vindos aqui de todo o mundo!

       E obrigado a todos aqueles que estão unidos a este Rito Sagrado através da Rádio e da Televisão!

        E agora (em polaco) dirijo-me a vós, meus queridos compatriotas, Peregrinos da Polónia: aos Irmãos Bispos, tendo à frente o vosso magnífico Primaz; e aos Sacerdotes, Irmãs e Irmãos das Congregações religiosas, polacos, como também a vós, representantes da "Polónia" do mundo todo:

       E que vos direi a vós, os que viestes aqui da minha Cracóvia, da Sé de Santo Estanislau, de quem eu fui indigno sucessor durante catorze anos! Que vos direi? — Tudo aquilo que vos pudesse dizer seria pálido reflexo em confronto com quanto sente neste momento o meu coração e sentem igualmente os vossos corações. Deixemos de parte, portanto, as palavras. E que fique apenas o grande silêncio diante de Deus, o silêncio que se traduz em oração.

       Peço-vos que estejais comigo! Em Jasna Gora e em toda a parte. Não deixeis nunca de estar com o Papa, que neste dia ora com as palavras do poeta: "Mãe de Deus defendei vós a Límpida Czestochowa e resplandecei na 'Porta Aguda'!" (1). E as mesmas palavras eu as dirijo a vós, neste momento particular.

       Fiz um apelo (em italiano) e um convite à oração pelo novo Papa, apelo que comecei a exprimir em língua polaca...

       Com o mesmo apelo dirijo-me agora a vós, todos os filhos e todas as filhas da Igreja Católica. Lembrai-vos de mim, hoje e sempre, na vossa oração!

       Aos católicos dos países de língua francesa (em francês), exprimo todo o meu afecto e toda a minha dedicação! E permito-me contar com o vosso amparo filial e sem reservas! Oxalá façais novos progressos na fé! Aqueles que não partilham esta fé, dirijo também a minha respeitosa e cordial saudação. Espero que os seus sentimentos de benevolência facilitarão a missão que me incumbe e que não deixa de ter reflexos sobre a felicidade e a paz do mundo!

      A todos vós os que falais a língua inglesa (em inglês) envio, em nome de Cristo, uma cordial saudação. Conto com a ajuda das vossas orações e na vossa boa vontade, para levar avante a minha missão de serviço à Igreja e à humanidade. Que Cristo vos dê a Sua graça e a Sua paz, abatendo as barreiras da divisão e de tudo fazendo, n'Ele, uma só coisa.

       Dirijo (em alemão) uma afectuosa saudação a todos os representantes dos povos dos países de língua alemã, aqui presentes. Diversas vezes, e ainda recentemente durante a minha visita à República Federal da Alemanha, tive ocasião de conhecer pessoalmente e de apreciar a benéfica actividade da Igreja e dos seus fiéis. Oxalá que o vosso compromisso e o vosso sacrifício por Cristo venham, também no futuro, a tornar-se fecundos para os grandes problemas e as preocupações da Igreja em todo o mundo. É isto o que vos peço, recomendando às vossas especiais orações o meu novo ministério apostólico.

       O meu pensamento dirije-se agora para o mundo de língua espanhola (em espanhol), porção tão considerável da Igreja de Cristo. A vós, queridos Irmãos e Filhos, chegue neste momento solene a saudação afectuosa do novo Papa. Unidos pelos vínculos da comum fé católica, sede fiéis à vossa tradição cristã vivida num clima cada vez mais justo e solidário, mantende a vossa conhecida proximidade ao Vigário de Cristo e cultivai intensamente a devoção à nossa Mãe Maria Santíssima.

       Irmãos e Filhos de língua portuguesa (em português): Como "servo dos servos de Deus", eu vos saúdo afectuosamente no Senhor. Abençoando-vos, confio na caridade da vossa oração e na vossa fidelidade, para viverdes sempre a mensagem deste dia e deste rito: Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo!

      ...

       Abro o coração a todos os Irmãos das Igrejas e das Comunidades Cristãs, saudando-vos (em italiano) em particular a vós, os que estais aqui presentes, na expectativa do próximo encontro pessoal; mas desde já vos quero expressar sincero apreço por haverdes querido assistir a este rito solene. E quero ainda dirigir-me a todos os homens — a cada um dos homens (e com quanta veneração o apóstolo de Cristo deve pronunciar esta palavra, homem!):

       — rezai por mim!

     — ajudai-me, a fim de que eu vos possa servir!

       Ámen. 

 

FONTE: Vaticano: AQUI.


13
Ago 13
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Michel COOL e António MARUJO. Francisco, Pastor para uma nova época. Paulinas Editora. Prior Velho 2013, 192 páginas.

       Da surpresa inicial à descoberta de uma postura coerente de vida, na proximidade de Jesus Cristo, na humildade mas também na frontalidade, na proximidade com as pessoas, independentemente do seu bilhete de identidade.

       Gestos e palavras do novo Papa, têm suscitado críticas muito positivas. Já aqui recomendámos livros sobre o Papa Francisco, e já recomendámos escritos, intervenções, homilias, mensagens, do então Cardeal de Buenos Aires, Jorge Mario Bergoglio.

       Hoje sugerimos a leitura deste livro, que é uma espécie de 2 em 1. Sob o mesmo título, dois textos sobre Francisco, Papa eleito a 13 de março de 2013 e que logo suscitou grande curiosidade por ser pouco conhecido para a maioria das pessoas, pelo menos nesta região do globo.

       A primeira parte do livro é da autoria de Michel Cool, francês, repórter especializado em temas religiosos. Sob o título - Francisco, Papa do novo mundo -, trata-se de uma biografia que acompanha o Papa desde as origens, a família, a vocação, o episcopado, e os primeiros dias do Pontificado, como Francisco, procurando um estilo que o identifica como humildes, simples, autêntico. O trabalho aponta 10 prioridades para o Papa e para a Igreja, os dossiers urgentes, revisitando alguns dos textos do então Cardeal, bem como o testemunho de algumas personalidades aquando da Sua eleição surpresa - ou não tanto assim.

       Na parte final apresenta um pequeno abecedário com pronunciamentos do Papa Francisco/Bergoglio: aborto, bispo, Buenos Aires, Economi, Futebol, Humildade, Migrantes, Tango, Verdade, e outros temas.

       A segunda parte é da responsabilidade de António Marujo, jornalista português, e que se dedica sobretudo a temas religiosos. O seu livro, mencionado pela Editora, Deus vem a Público, apresenta diversas entrevistas, feitas ao longo de 10 anos, às mais importantes personalidades do universo religioso.

       Sete desafios à Igreja do Papa Francisco, é o título da reflexão de António Marujo. Partindo da originalidade/especificidade do Papa Francisco, o autor reflete sobre os grandes desafios que se levantam para a Igreja, dentro e fora, na relação com o mundo, no diálogo ecuménico e inter-regioso, seguindo a via do diálogo, da humildade, da verdade, da simplicidade, vivendo na dinâmica do evangelho, com a herança do Vaticano II, em atitude de conversão a Jesus e ao Seu evangelho de amor, e de fidelidade à vontade de Deus, no serviço dos mais frágeis, Igreja dos pobres e a caminho das periferias. Um dos aspetos a ter em conta: a Igreja, nas suas diversas estruturas deverá estar orientada para o serviço das pessoas, transparecendo o Evangelho e evitando burocracias que afastem e dividam.

       Se o título nos leva de imediato para o papado de Francisco, nas suas linhas gerais, os dois autores prestam uma enorme homenagem ao Papa Bento XVI. A comunicação, como a generalidade das pessoas, têm acentuado a postura de Francisco em relação a Bento XVI, e indiretamente a João Paulo II ou outros Papa, comparando-o sobretudo com o Bom Papa João XXIII. Curiosamente, quando os autores destes dois trabalhos abordam os desafios para a Igreja, no compromisso com o mundo atual, em atitude de serviço e de verdade, mostram como Bento XVI desencadeou processos, aprofundou vivências, atuou com firmeza em situações que mereciam atenção, com humildade na relação com as pessoas, convidando à autenticidade, denunciando o carreirismo dentro da Igreja, desafiando à vivência da fé traduzida em caridade.

       Lendo os textos do próprio Papa, enquanto Cardeal, ou já como Papa, cada um poderá tirar ilações da sua maneira de falar, de ver a Igreja e do mundo, da sua forma de se mover. Os gestos têm ajudado muito. Os livros sobre o Papa podem ajudar-nos a melhor interpretar as mensagens e os gestos papais.


26
Jul 13
publicado por mpgpadre, às 10:29link do post | comentar |  O que é?


23
Jul 13
publicado por mpgpadre, às 14:50link do post | comentar |  O que é?

      "Não tenho ouro nem prata, mas trago o que de mais precioso me foi dado: Jesus Cristo. Venho em Seu nome par alimentar a chama de amor fraterno que arde em cada coração... Cristo abre espaço para eles porque sabe que energia alguma pode ser mais potente que aquela que se desprende do coração dos jovens quando conquistados pela experiência da Sua amizade. Cristo bota fé nos jovens e confia-lhes o futuro da sua própria causa, ide e fazei discípulos, ide para além das fronteiras do que é humanamente possível e criem um mundo de irmãos... também os jovens botam fé em Cristo... a juventude é a janela pela qual o futuro entra no mundo... os braços do Papa se alargam para abraçar a inteira nação brasileira..."


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D. MANUEL CLEMENTE, Uma Casa Aberta a Todos. Paulinas Editora. 2.º edição. Prior Velho 2013, 248 páginas.

       No passado dia 7 de julho, D. Manuel Clemente, no Mosteiro dos Jerónimos, assumia a Diocese de Lisboa, como Patriarca, substituindo D. José da Cruz Policarpo. Se já era uma voz relevante na Igreja, na cultura, na sociedade, em Portugal, com a assunção do Patriarcado alarga a curiosidade sobre a sua vida e o seu pensamento.

       As Paulinas permitem-nos as duas coisas. Numa primeira parte, sob a condução de Paulo Rocha, diretor da Agência Ecclesia, responsável por programas como Ecclesia e 70X7 que passam na RTP 2, com uma forte ligação à Igreja, D. Manuel Clemente responde a diversas questões. É, aliás, o formato usado no programa Ecclesia, onde os dois têm abordado diversos temas relacionados com a vida da Igreja e com a sua história. A colaboração com essa assiduidade findam, mas para já a reprodução de algumas entrevistas de Paulo Rocha com D. Manuel Clemente, sobre a sua vida, vocação, como Bispo no Porto e como Patriarca em Lisboa, desafios pastorais, diálogo com a cultura, a sociedade e a política, temas fraturantes, promoção da vida e do bem comum.

        Em análise, nesta(s) entrevista(s), a figura do Papa Francisco, desde a eleição, os gestos e as palavras, e o recuo à sua infância, vocação, e intervenções enquanto Arcebispo de Buenos Aires.

       Na segunda parte desta obra, a Editora apresenta textos de D. Manuel Clemente, em diferentes intervenções, em ocasiões distintas, textos ao tempo de sacerdote, ou Bispo Auxiliar de Lisboa, Bispo do Porto, ou como professor, na Universidade, homilias, textos de reflexão, intervenções públicas, seguindo o Decionário. Em cada um das letras, variadíssimos temas: amor, vida, vocação, bem, bispo, corpo, confiança, crisma, alegria, Deus, Espírito Santo, Eucaristia, Educação, Europa e Cristianismo, Fé e Ciência, Família, Francisco de Assis, Idosos, Laicado, Oração, Páscoa, Porto, Peregrinação, Poesia, Professor, Vieira (Pe. António), Sociedade civil, e tantos outros.

       Na divisão das duas partes, álbum fotográfico, com fotos da família, da infância, da ordenação, como escuteiro, de sacerdote, bispo...

       Num género ou outro, a entrevista ou as reflexões, permitem conhecer melhor o novo Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente. Mais uma leitura agradável, permitindo encarar os desafios do ser cristão na sociedade deste tempo.

 

Para ler partes do livro - AQUI: Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura.

e AQUI a partir da Livraria Fundamentos.


16
Jul 13
publicado por mpgpadre, às 19:16link do post | comentar |  O que é?


12
Jul 13
publicado por mpgpadre, às 10:00link do post | comentar |  O que é?

       A eleição de Jorge Mario Bergoglio, no passado dia 13 de março, tem suscitado imensa curiosidade. Já aqui demos nota de livros sobre o Papa, como O Jesuíta, biografia do Cardeal de Buenos Aires, outras breves biografias, e agora sugerimos o que se segue:

 

A. TORNIELLI, Francisco, o Papa de todos nós. Esfera dos Livros. Lisboa 2013, 184 páginas.

       Andrea Tornielli é vaticanista, jornalista do diário La Stampa e do site Vatican Insider, e já escreveu sobre outros Papas, , Pio XII, João Paulo I, Bento XVI, ou sobre o Cardeal Carlo Maria Martini. Dá agora à estampa esta biografia do Papa, apresentando alguns dados já conhecidos, curiosidades como o livro "O Jesuíta" que revê enquanto se espera pela eleição do Papa, ou a entrevista a Bergoglio por ocasião do Consistório de fevereiro de 2012, em que são feitos novos cardeais, ou ainda as respostas que acentuam a preocupação do Ano da Fé convocado por Bento XVI.

        Têm aparecido muitos livros e muitos comentários. Para uma leitura séria é necessário ler sobre, quando é possível, e ler aquilo que o próprio disse ou escreveu. Este é um trabalho sobre a vida do atual Papa, mas recolhe textos e intervenções do então Bispo e Cardeal Jorge Bergoglio. Aparecem passagens de livros já aqui recomendados: O Jesuíta - Papa Francisco. Conversas com Jorge Bergoglio, ou JORGE BERGOGLIO e ABRAHAM SKORKA, Sobre o Céu e a Terra.

       No texto pode ver-se o contexto da renúncia de Bento XVI, os primeiros passos de Francisco, como Papa, palavras e gestos, a razão da escolha do nome, a misericórdia de Deus, a humildade, a fé, bem como desafios que se colocam à Igreja e ao seu primeiro servidor.


08
Jul 13
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05
Jul 13
publicado por mpgpadre, às 10:00link do post | comentar |  O que é?

Jorge Mario BERGOGLIO - Papa FRANCISCO. O verdadeiro poder é servir. Por uma Igreja mais humilde. Um novo compromisso de fé e de renovação social. Nascente. 3.º edição. Amadora 2013, 384 páginas.

       Um pouco mais de 100 dias depois de ter sido eleito Papa, escolhendo como patrono do seu magistério São Francisco de Assis, num ideário que sublinha o despojamento, a simplicidade, a pobreza, o serviço ecológico a toda a humanidade, numa atenção redobrada aos mais pobres, como aliás é apanágio de Igreja e das comunidades, se a referência primeira e última é Jesus Cristo. Bem na linha dos Seus Predecessores, João XXIII, João Paulo II ou Bento XVI, cuja sabedoria e santidade colocaram ao serviço da Igreja, da humanidade, sendo vozes sonoras na defesa e promoção da paz, da justiça social, da verdade, na procura de sanar feridas e conflitos, protegendo a vida, a mais frágil.

       Com  o avançar dos dias, vê-se cada vez melhor a espontaneidade dos gestos, a verdade dos mesmos, a autenticidade de um homem de Deus que os senhores Cardeais "fizeram" vestir de branco no passado dia 13 de março. Gestos, palavras, alegria, sorriso, proximidade, abertura, firmeza. O fito: anunciar Jesus Cristo, mostrá-l'O vivo, próximo, amigo, compreensivo.

       Os meios de comunicação, como o então Cardeal Bergoglio refere num dos textos colhidos nesta obra, podem aproximar ou afastar. E aproximar bem ou mal. E bem, têm sido favoráveis na divulgação das palavras e dos gestos do Papa Francisco, aproximando-o das pessoas, e ajudando a que mais pessoas se aproximem dele e de Deus. Esta aproximação é merecida e equilibrada.

Para se conhecer alguém, que não vive perto de nós, ou ao qual não temos um acesso imediato, não há como ler sobre essa pessoa e, se possível, ler o que ela disse, escreveu, ou o que é que fez. Neste livros, os editores originais procuram recolher, para publicar na Argentina, os textos de José Mario Bergoglio, optando por publicar os que ainda o não tinham sido. Assim, neste livro coleccionam intervenções, homilias, mensagens do então Arcebispo e depois (2001) Cardeal Bergoglio, desde 1999 a 2007.

       A distribuição dos textos, segundo os próprio editores. Primeiro núcleo - textos catequéticos e dirigidos aos catequistas, textos sobre educação e sobre Maria; num segundo núcleo, as homilias de Natla, Quinta-feira Santa, Vigília Pascal e Corpo de Deus; no terceiro núcleo, textos dirigidos ao mundo da cultura, diálogo com o país, comprometimento social e político a favor dos mais frágeis.

Muitas das expressões, contextos, gestos que o Papa Francisco comunica agora ao mundo, são-lhe naturais, como quando era Arcebispo de Buenos Aires, com alegria, simplicidade, apelando à beleza, à intervenção política dos cristãos, ao compromisso de todos no combate à pobreza, na abertura para Deus, na identidade como povo e como Pátria (a Argentina).

       É uma coletânia que vai valer a pena ler, meditar, refletir. Por aqui se vê que o Papa Francisco não caiu do Céu, é um trabalhador da vinha, empenhado, interventivo, simples, usando uma linguagem de proximidade, convidativa, desafiadora, simples, acessível. Há expressões que são muito próprias do Papa, e que eram muito características do Cardeal Bergoglio.

       Para conhecer melhor, para se deixar tocar pela Mensagem de Cristo e do Evangelho, para dialogar, para abrir a mente e o coração, não deixe de ler estes ou outros escritos do Papa Francisco. Pelo meio vai encontrar alegria, fé, testemunho de vida, comunhão com as pessoas mais simples, comunhão com a Argentina, diálogo com o poder, serviço aos mais frágeis, proximidade com João Paulo II, cumplicidade crente com Bento XVI, grande intimidade com o Sacrário.

       O prefácio à edição portuguesa é do Cónego António Rego.


08
Jun 13
publicado por mpgpadre, às 14:19link do post | comentar |  O que é?

       Procuramos responder à iniciativa do nosso Bispo, D. António, de formar nos Arciprestados, nas zonas pastorais e/ou nas paróquias, escolas de vivência da Fé, dedicando tempo e espaço à formação de adultos, ao aprofundamento da da fé, da mensagem de Jesus Cristo, num propósito que deverá ser de todas as dioceses do país, resultado também do pedido dos leigos aquando do inquérito sobre a pastoral da Igreja em Portugal.

       Na passada sexta-feira, 7 de junho, solenidade do Sagrado Coração de Jesus, tivemos entre nós o Pe. João Carlos para abordar mais um elemento do Credo, da nossa identidade cristã-católica. Desta feita, na Igreja Paroquial. O Pe. João Carlos, servindo-se de um diaporama sobre a Constituição Dogmática Lumen Gentium, exarado do Concílio Vaticano II, aprofundou o tema da Igreja, do compromisso eclesial de todos os cristãos, sublinhando o papel dos leigos, dentro e fora da Igreja, a abertura da igreja para outros credos, e para as realidades circundantes. Durante a reflexão foi deixando um testemunho pessoal da forma de viver a fé em diferentes realidades.

       Sobre a Igreja, a abertura da mesma para outras confissões religiosas e para outras religiões. Além disso, sublinhando também o lugar dos santos, a quem devemos chatear. A Igreja não os adora, mas se estão mais perto de Deus, também a sua intercessão está mais próxima. Olhando a partir das três portas que estão na fachada da Sé Catedral de Lamego, a concepção da Igreja "tripartida", porta de entrada no Céu, com os santos, porta da Igreja peregrina, por onde entramos e caminhamos, e a Igreja em purgatório.

       Algumas fotos de mais uma sessão da Escola de Fé:

Para outras fotos da Escola de Fé, visite a página

Paróquia de Tabuaço no facebook.


07
Jun 13
publicado por mpgpadre, às 10:00link do post | comentar |  O que é?


02
Mai 13
publicado por mpgpadre, às 13:28link do post | comentar |  O que é?

       No ANO DA FÉ que vivemos o CREDO é essencial para valorizar as nossas raízes, o que nos caracteriza como comunidade crente, cristã, católica. No itinerário catequético,  o Credo sublinha-se no 5.º e 6.º anos, com a Festa do Credo e com a Profissão da Fé. Não é apenas uma fórmula, deve ser, antes, um compromisso que nos faz partir da mesma fonte: DEUS, que é Pai, Filho e Espírito Santo, cuja experiência se inicia, aprofunda e sustenta na comunidade crente, a Igreja.

       Durante a celebração da Eucaristia, foi precisamente colocado em evidência o Credo, no ornamentos, nas palavras, nos gestos. Ficam algumas imagens sugestivas desta bonita festa:

 

Para mais fotos desta festa e das Festas da Catequese,

visitar a página da Paróquia de Tabuaço no facebook.


15
Abr 13
publicado por mpgpadre, às 10:00link do post | comentar |  O que é?

       Dia 11 de fevereiro, a notícia correu veloz pelo mundo inteiro, através dos meios de comunicação, como eu muitas pessoas tiveram necessidade de confirmar a veracidade da informação. O Papa Bento XVI anunciava aos Cardeais, e ao mundo inteiro, que a partir do dia 28 de fevereiro de 2013 deixava de ser o Bispo de Roma, e concomitantemente o Papa. Ficou-se a saber que para breve haveria a eleição de um novo Papa. Pouco mais de um mês depois deste anúncio, o anúncio da escolha de um novo papa, a 13 de março. O novo Papa veio de Buenos Aires, Jorge Mario Bergoglio, nome de Batismo e que decidiu, após a eleição, escolher o nome de Francisco, evocando a figura de Francisco de Assis, o homem que se fez pobre e tudo fez pelos pobres, o homem da paz e da harmonia com a natureza.

       Em mãos tenho dois pequenos títulos que assumem as últimas palavras de Bento XVI como Papa, desde o anúncio até ao adeus, em Castelgandolfo, e as primeiras palavras e intervenções de Francisco, com breve biografia. Por serem as últimas, são um testamento. Por serem as primeiras forma um projeto para a Igreja e para o mundo.

       A LUZ presente nas palavras de um e de outro é a LUZ de Jesus Cristo, do Seu Evangelho. Irradia claramente a sabedoria, a humildade, a simplicidade de vida, a fidelidade destes dois homens à Igreja e ao mundo, na procura de levarem a alegria e a misericórdia de Deus a todos os corações.

 

BENTO XVI. Embora me retire continuo unido a vós. Discursos de Bento XVI. Paulinas Editora, Prior Velho 2013.

 

SAVERIO GAETA. Papa Francisco. A vida e os desafios. Paulus Editora. Lisboa 2013.

 

       São dois títulos que se leem com muito agrado. Leves. Escritos numa linguagem simples. O de Bento XVI recolhe as várias intervenções que vão do dia 11 a 28 de fevereiro, do anúncio da resignação à Sua despedida. Não se pode obrigar ninguém a gostar de outro alguém, mesmo sendo o Papa. Ao longo de 8 anos, um dos mais brilhantes teólogos dos séculos XX e início do século XXI, Joseph Ratzinger, desmitificou o preconceito que recaía sobre o Cardeal, o Bispo, o Prefeito da Congregação da Doutrina da Fé. Fiel amigo de João Paulo II, a quem por duas ocasiões solicitou a resignação, para se dedicar à oração e à reflexão, manteve-se junto dele até na morte, sucedendo-lhe na Cátedra de São Pedro. Alguma timidez inicial, deu lugar à gentileza, a gestos de humildade, de sabedoria, de comunicação simples, de simplicidade de linguagem.

       Diz-que que os romanos, e outros fiéis, iam à praça de São Pedro para VER João Paulo II, e agora iam para OUVIR Bento XVI, tal era a forma simples e acessível da sua linguagem, remetendo para Jesus, para a misericórdia de Deus, para a PRESENÇA de Deus nas pessoas mais pobres, na necessidade dos cristãos estarem atentos aos seus irmãos, para que a Igreja não fosse apenas uma obra de assistência mas que toda ela respeitasse e transpirasse a caridade de Jesus Cristo.

       Nos vários encontros de Bento XVI depois que anunciou a renúncia ao ministério de Bispo de Roma, deixa-nos o perfume, a melodia, a simplicidade das Suas palavras, sempre focadas em Jesus Cristo, na Palavra de Deus, na Igreja, como Esposa de Cristo. Oito anos em que não faltou a força da oração, o sol e a luz, mas também as nuvens e as dificuldades. Sobe de novo ao monte, para seguir Jesus, dedicando-se agora à oração e reflexão.

       Como diz a Editora, estas são "não as últimas, mas as primeiras páginas de um tempo novo para o Cristianismo".

       E este é de facto um tempo novo, que se iniciou com o anúncio de renúncia de Bento XVI e que se acentuou/confirmou com a eleição e os primeiros gestos e palavras do novo Papa, Francisco. O livro da Paulus é um pouco biográfico, situando o Papa desde as suas raízes até chegar a Cardeal, algumas das suas palavras, desafios que se colocam a este pontificado, à Igreja e ao mundo.

       Como disse o próprio, quando assolou à varanda, na tarde daquele dia 13 de março, "foram quase ao fim do mundo" buscá-lo para Bispo de Roma.

       A comunicação social, e as pessoas em geral, acolheram bem a escolha deste novo Papa, bem assim como o nome que escolheu, em homenagem a São Francisco de Assis. Nos gestos como nas palavras deixa transparecer grande afabilidade, simplicidade, numa preocupação sã de mostrar a todos a Misericórdia de Deus.

       Na primeira Missa celebrada, na Capela Sistina com os Cardeais, Francisco deixava claro o propósito que preside ao cristão: Caminhar, Edificar, Confessar com a Cruz de Cristo. "Eu queria que, depois destes dias de graça, todos nós tivéssemos a coragem, sim a coragem, de caminhar na presença do Senhor, com a Cruz do Senhor; de edificar a Igreja sobre o sangue do Senhor, que é derramado na Cruz, e de confessar como nossa única glória Cristo Crucificado. E assim a Igreja vai para diante".

 

       Sempre presente o OLHAR de Maria, a intercessão de Maria. Viver à Fé procurando imitar a Mãe de Jesus. João Paulo II, Bento XVI, Francisco, todos terminam as suas intervenções com o coração colocado na Virgem Maria. Bento XVI anunciou a renúncia no dia 11 de fevereiro, Festa de Nossa Senhora de Lurdes. Francisco foi eleito no dia 13 (de março de 2013).


23
Mar 13
publicado por mpgpadre, às 15:13link do post | comentar |  O que é?

       A meu ver, uma forma simples de desmistificar o encontro foi mostrá-lo, evitando que se fique muito tempo a criar palavras ou factos ou possibilidades:


21
Mar 13
publicado por mpgpadre, às 10:29link do post | comentar |  O que é?


05
Mar 13
publicado por mpgpadre, às 10:00link do post | comentar |  O que é?


04
Mar 13
publicado por mpgpadre, às 10:00link do post | comentar |  O que é?

Venerados e queridos irmãos!

       Com grande alegria vos acolho e dirijo a cada um de vós a minha cordial saudação. Agradeço ao cardeal Angelo Sodano que, como sempre, soube fazer-se intérprete dos sentimentos de todo o colégio: 'Cor ad cor loquitur'. Obrigado, eminência, de coração. E gostaria de dizer - retomando a experiência dos discípulos de Emaús - que também para mim foi uma grande alegria caminhar convosco nestes anos, na luz da presença do Senhor ressuscitado.

       Como disse ontem diante de milhares de fiéis que lotaram a praça São Pedro, a vossa proximidade e o vosso conselho foram de grande ajuda no meu ministério. Nestes oito anos, vivemos com fé momentos belíssimos de luz radiante no caminho da Igreja, junto a momentos nos quais algumas nuvens pairavam no céu. Procuramos servir Cristo e a sua Igreja com amor profundo e total, que é a alma do nosso ministério. Demos esperança, aquela que vem de Cristo, que somente pode iluminar o caminho. Juntos podemos agradecer ao Senhor que nos fez crescer na comunhão, e juntos rezar para que vos ajude a crescer ainda nesta profundidade, de forma que o colégio de cardeais seja como uma orquestra,onde a diversidade - expressão da Igreja universal - contribua sempre para uma maior concórdia e harmonia.

       Gostaria de deixar-vos um pensamento simples, que tenho muito no coração: um pensamento sobre a Igreja, sobre o seu ministério, que constitui para todos nós, podemos dizer, a razão e a paixão da vida. Deixo-me ajudar por uma expressão de Romano Guardini, escrita propriamente no ano em que os padres do Concílio Vaticano II aprovavam a Constituição 'Lumen Gentium', no seu último livro, com uma dedicação pessoal também para mim; por isso as palavras deste livro são para mim particularmente queridas. Diz Guardini: a Igreja "não é uma instituição concebida e construída em cima de uma mesa..., mas uma realidade viva... Ela vive ao longo do curso do tempo, em andamento, como cada ser vivo, transformando-se... Contudo na sua natureza permanece sempre a mesma, e o seu coração é Cristo". Foi a nossa experiência, ontem, parece-me, na praça São Pedro: ver a Igreja que é um corpo vivo, animado pelo Espírito Santo e vive realmente da força de Deus. Ela está no mundo, mas não é do mundo: é de Deus, de Cristo, do Espírito. Vimos isso ontem. Por isto é verdadeira e eloquente outra famosa expressão de Guardini: "A Igreja se desperta nas almas". A Igreja vive, cresce e se desperta nas almas, que - como a Virgem Maria - acolhem a Palavra de Deus e a concebem por obra do Espírito Santo; oferecem a Deus a própria carne e, propriamente na sua pobreza e humildade, tornam-se capazes de dar à luz a Cristo hoje no mundo. Através da Igreja, o Mistério da Encarnação permanece presente para sempre. Cristo continua a caminhar nos tempos e em todos os lugares.

       Permaneçamos unidos, queridos Irmãos, neste Mistério: na oração, especialmente na Eucaristia quotidiana, e assim sirvamos à Igreja e toda a humanidade. Esta é a nossa alegria, que ninguém pode nos tirar.

       Antes de saudar-vos pessoalmente, desejo dizer-vos que continuarei a ser próximo na oração, especialmente nos próximos dias, a fim de que estejam plenamente dóceis à ação do Espírito Santo na eleição do novo Papa. Que o Senhor vos mostre aquilo que é desejado por Ele. E entre vós, entre o colégio cardinalício, há também o futuro Papa ao qual já hoje prometo a minha incondicional reverência e obediência. Por isto, com afeto e reconhecimento, concedo-vos de coração a benção apostólica.

 

BENEDICTUS PP XVI

Sala Clementina do Palácio Apostólico - Vaticano

Quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

 

 "Não sou mais pontífice, mas um simples peregrino que cumpre a última etapa nessa terra junto com a Igreja"


02
Mar 13
publicado por mpgpadre, às 10:00link do post | comentar |  O que é?

Se as encíclicas, os livros, as homilias, as mensagens e tudo o que foi dizendo e escrevendo ao longo do pontificado vai merecer releituras e estudos detalhados, muito mais este gesto de Bento XVI pela sua “gravidade e inovação”.

 

       Não se alcança nestes dias o horizonte da decisão de Bento XVI. Sabe-se, por enquanto, que a sua atitude é uma grande mensagem, um capítulo central do legado que deixa à Igreja Católica e um gesto que expressa a sua personalidade e a perceção acerca da missão de cada batizado, incluindo a do Papa, num momento específico da história.

       Se as encíclicas, os livros, as homilias, as mensagens e tudo o que foi dizendo e escrevendo ao longo do pontificado vai merecer releituras e estudos detalhados, muito mais este gesto pela sua “gravidade e inovação”.

       As palavras são do próprio Bento XVI e foram pronunciadas em português na sua última audiência na Praça de S. Pedro, em Roma.

       “Dei este passo com plena consciência da sua gravidade e inovação, mas com uma profunda serenidade de espírito”, disse Bento XVI após ter recordado o seu estado de espírito quando foi eleito Papa, no dia 19 de abril de 2005, nomeadamente o “peso grande” que lhe caía sobre os ombros.

       É esse mesmo realismo que permite a Bento XVI dar este passo. E ter prometido, já em ambiente de pré-conclave, obediência “incondicional” ao futuro Papa, depois de ter tomado a decisão “mais justa” para o bem da Igreja.

       Bento XVI comunicou a renúncia ao pontificado no dia 11 de fevereiro. Depois, no decorrer da agenda já assumida, foi explicando os motivos e o contexto em que tomou essa opção e as consequências que espera para a vida da Igreja, que liderou até ao último dia de fevereiro. E são essas palavras que interessa manter por perto quando se procura interpretar um gesto que introduz rutura na forma de entender e exercer o ministério de ser o sucessor de Pedro no contexto atual.

       Assim, as sensações e as emoções provocadas por este momento de viragem na história têm de ser geridas na consciência de cada pessoa: a dos crentes, interessados em contribuir para que a Igreja seja cada vez mais de Cristo; e a de todos os cidadãos, cativados por uma instituição que, na sua origem e identidade, tem por fim único propor a felicidade a todos.

       A isso nos ensina também o Papa que resigna. A decisão que tomou parte da sua consciência, depois de a “ter examinado repetidamente” e de o ter feito “diante de Deus”. Nesse diálogo, entre a consciência e Deus, num ambiente espiritual fundamentado e seduzido pelo exemplo de Cristo, encontra-se o segredo para decisões acertadas, voltadas não tanto para o bem próprio, antes para o bem de todos, o único capaz de gerar alegria.

       Uma convicção afirmada até ao último momento. No seu último tweet, Bento XVI escreveu, dizendo de si e desafiando todos: “Possais viver sempre na alegria que se experimenta quando se põe Cristo no centro da vida”.

 

Paulo Rocha, Editorial da Agência Ecclesia.


27
Fev 13
publicado por mpgpadre, às 18:00link do post | comentar |  O que é?

       Bento XVI não publicará a encíclica sobre a fé – embora em fase avançada – que devia apresentar na primavera. Já não tem tempo. E nenhum sucessor é obrigado a retomar uma encíclica incompleta do próprio predecessor. Mas existe outra encíclica de Bento XVI, escondida no seu coração, uma encíclica não escrita. Ou melhor, escrita não pela sua pena mas pelo gesto do seu pontificado. Esta encíclica não é um texto, mas uma realidade: a humildade.

       A 19 de abril de 2005 um homem que pertence à raça das águias intelectuais, temido pelos seus adversários, admirado pelos seus estudantes, respeitado por todos devido à acutilância das suas análises sobre a Igreja e o mundo, apresenta-se, recém-eleito Papa, como um cordeiro levado para o sacrifício. Utilizará até a terrível palavra «guilhotina» para descrever o sentimento que o invadiu no momento em que os seus irmãos cardeais, na Capela Sistina, ainda fechada para o mundo, se viraram para ele, eleito entre todos, para o aplaudir. Nas imagens da época, a sua figura curvada e o seu rosto surpreendido testemunham-no.

       Depois teve que aprender o mister de Papa. Extirpou, como raízes arraigadas sob o húmus da terra, o eterno tímido, lúcido na mente mas desajeitado no corpo, para o projetar perante o mundo. Foi um choque para ambas as partes. Não conseguia assumir a desenvoltura do saudoso João Paulo II. O mundo compreendia mal aquele Papa sem efeito. Bento XVI nem teve os cem dias de "estado de graça" que se atribuem aos presidentes profanos. Teve, sem dúvida, a graça divina, fina mas pouco mundana. Contudo teve, ainda e sempre, a humildade de aprender sob os olhares de todos.

       Foram sete anos terríveis de pontificado. Nunca um Papa teve, num certo sentido, tão pouco "sucesso". Passou de polémica em polémica: crise com o Islão depois do seu discurso de Ratisbona, onde evocou a violência religiosa; deformação das suas palavras sobre a Sida durante a primeira viagem à África, que suscitou um protesto mundial; vergonha sofrida pelo explodir da questão dos sacerdotes pedófilos, por ele enfrentada; o caso Williamson, onde o seu gesto de generosidade em relação aos quatro bispos ordenados por D. Lefebvre (o Papa revogou as excomunhões) se transformou numa reprovação mundial contra Bento XVI, porque não tinha sido informado sobre os discursos negacionistas da Shoah feitos por um deles; incompreensões e dificuldades de pôr em ação o seu desejo de transparência quanto às finanças do Vaticano; traição de uma parte do seu grupo mais próximo no caso Vatileaks, com o seu mordomo que subtraiu cartas confidenciais para as publicar...

       Não teve nem sequer um ano de trégua. Nada lhe foi poupado. Às violentas provações físicas do pontificado de João Paulo II, ao atentado e ao mal de Parkinson, parecem corresponder as provações morais de rara violência desta litania de contradições sofrida por Bento XVI.

       Ao renunciar, o Papa eclipsa-se. À própria imagem do seu pontificado. Mas só Deus conhece o poder e a fecundidade da humildade.

 

Jean-Marie Guénois, in Le Figaro Magazine, 15-16.2.2013. Transcrição: L'Osservatore Romano © SNPC | 25.02.13.

 


publicado por mpgpadre, às 11:59link do post | comentar |  O que é?

BENTO XVI na última Audiência Geral, 25 de fevereiro de 2013, aqui em português:


26
Fev 13
publicado por mpgpadre, às 10:54link do post | comentar |  O que é?


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