...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...
30
Abr 17
publicado por mpgpadre, às 12:00link do post | comentar |  O que é?

brilhar.jpg

É mais importante não comer carne à sexta-feira ou ir à Missa ao Domingo?

Há tradições que são expressão da religiosidade mais popular. Mas, por vezes, parecem não passar de uma superstição entre outras como ver um gato preto, passar debaixo de uma escada, sentar-se a uma mesa com treze pessoas. É crucial não comer carne nas sextas-feiras da Quaresma porque é pecado e, pelo sim pelo não, mais vale prevenir e cumprir, não vá Deus chatear-Se. Temor sim, medo não. Deus ama-nos. É Pai de Misericórdia. Um Pai por certo não está à espera que o filho erre para o castigar, quando muito educa-o, dá-lhe ferramentas, aponta direções, caminhos…

Perguntam-me se comer carne às sextas-feiras da Quaresma é pecado! Apetecia-me responder: é mais importante ir à Missa ao Domingo. Uma pessoa não vai à Missa há dois ou três anos, só entra na Igreja num funeral, e depois pergunta se é pecado comer carne à sexta-feira? Claro que há muitas outras coisas essenciais, cuidar da família, comprometer-se com a justiça e com a verdade, ser honesto, ajudar os mais frágeis… Mas se falamos numa proposta feita pela Igreja, de abster-se de alguma coisa que se gosta muito, e que pode muito bem ser a carne, e que esse gesto (sacrifício) possa beneficiar uma causa, pessoas mais carenciadas, então talvez faça sentido interrogar-se sobre o que é essencial na vivência e expressão da fé!

Dois belíssimos textos no início da Quaresma. «Rasgai os vossos corações e não as vossas vestes, convertei-vos ao Senhor, vosso Deus, porque Ele é clemente e compassivo, paciente e rico em misericórdia» (Joel 2, 12-13). «O jejum que me agrada é este: libertar os que foram presos injus­tamente, livrá-los do jugo que levam às cos­tas, pôr em liberdade os oprimidos, quebrar toda a espécie de opres­são, repartir o teu pão com os esfo­meados, dar abrigo aos infelizes sem casa, atender e vestir os nus e não des­prezar o teu irmão» (Is 58, 6-7).

Pergunta o Papa Francisco: como se pode pagar um jantar de duzentos euros e depois fazer de conta que não se vê um homem faminto à saída do restaurante? «Sou justo, pinto o coração mas depois discuto, exploro as pessoas… Eu sou generoso, darei uma boa oferta à Igreja… diz-me: tu pagas o justo às tuas colaboradoras domésticas? Aos teus empregados pagas o salário não declarado? Ou como a lei estabelece, para que possam dar de comer aos filhos?».

Desafia Jesus: «Ide aprender o que significa: prefiro a misericórdia ao sacrifício» (Mt 9, 13).

 

Publicado na Voz de Lamego, n.º 4405, de 28 de março de 2017


publicado por mpgpadre, às 11:45link do post | comentar |  O que é?

ng7823284.jpg

Completam-se quatro anos da eleição do surpreende Cardeal Jorge Mario Bergoglio para a Cadeira de São Pedro. Com a escolha do nome, Francisco, na referência a São Francisco de Assis, a primeira marca do pontificado, a pobreza como caminho, “uma Igreja pobre para os pobres”, Igreja despojada ao serviço dos mais frágeis. Da América Latina, o papa argentino traz a teologia do povo, desligando a fé e a religião de qualquer tentativa de manipulação político-partidária. «A imagem da Igreja de que gosto é a do povo santo e fiel de Deus… Deus na história da salvação salvou um povo. Não existe plena identidade sem pertença a um povo. Ninguém se salva sozinho, como indivíduo isolado, mas Deus atrai-nos considerando a complexa trama de relações interpessoais que se realizam na comunidade humana. Deus entra nesta dinâmica do povo… E a Igreja é o povo de Deus a caminho na história, com alegrias e dores».

Cada Papa traz a sua marca espiritual, cultural, a sua riqueza pessoal, o seu amor à Igreja e a fidelidade a Jesus. Ao bom Papa João, que convocou o Concílio Vaticano II para “atualizar” o compromisso do Evangelho com o mundo, sucedeu o grande Papa Paulo VI, que concluiu o Concílio, enfrentando sérias dificuldades vincadas por uma cultura plural, livre, contestatária! Breve o pontificado de João Paulo I, mas significativo, o Papa do sorriso e da certeza de que Deus é Pai mas é mais Mãe. Logo o entusiasta João Paulo II, com a experiência de uma Igreja perseguida e silenciada, para uma presença global, nas viagens e nos meios de comunicação social, a ética, o corpo, a família, os jovens, a vida humana, a dignidade de cada pessoa. Pontificado mais curto, o do sábio Bento XVI, recentrando a Igreja e o mundo em Cristo, procurando fazer da Igreja a nossa casa, onde nos sentimos bem, atraindo outros para entrarem ou para regressarem, lançando pontes com a cultura e com a ciência. Há quatro anos, chegou a frescura de uma Igreja jovem, afetiva, próxima, vinda de uma região pobre… o Papa Francisco surpreendeu desde a primeira hora, com gestos de simplicidade, de alegria e de proximidade que continuam a conquistar pessoas.

Na primeira homilia, os propósitos: CAMINHAR, EDIFICAR, CONFESSAR: «Quando não se caminha, ficamos parados. Quando não se edifica sobre as pedras, que acontece? Acontece o mesmo que às crianças na praia quando fazem castelos de areia: tudo se desmorona, não tem consistência… Quando não se confessa Jesus Cristo, confessa-se o mundanismo do diabo, o mundanismo do demónio…».

 

Publicado na Voz de Lamego, n.º 4403, de 14 de março de 2017


07
Jan 17
publicado por mpgpadre, às 11:00link do post | comentar |  O que é?

mensagens-para-manter-a-fe-e-a-esperanca-6.jpg

       Expressão bem conhecida do Papa Francisco, dirigida aos jovens mas extensível a todos e proferida em diferentes ocasiões. Desafios semelhantes: no deixeis que vos roubem a alegria, o sonho, a vida, o futuro. Desafios que convocam à militância, a não baixar os braços, a não desistir diante das adversidades. A referência é sempre Cristo e a alegria do Seu Evangelho. Jesus está envolvido nos momentos mais adversos: situações de pecado e sofrimento, de exclusão e injustiça. Torna-Se Ele mesmo vítima do preconceito (religioso) e do fanatismo, vítima dos interesses instalados e da recusa da novidade.

       Ao iniciarmos um novo ano civil este é um grito veemente a não nos deixarmos sucumbir pelas desgraças, pelas notícias constantes de violência gratuita, de corrupção, de abusos de poder, de tráfico de pessoas e de órgãos humanos, da sobrevalorização da economia sobre a política – economia que mata, que pensa em termos percentuais, em margens de lucro, em produtividade, menos pessoas, menos gastos, mais dinheiro, mais poder –, devastação ambiental, terrorismo, abusos sobre migrantes e refugiados.

       Na Sua Mensagem para o Dia Mundial da Paz (1 de janeiro de 2017), o Papa identifica a dilaceração do mundo: violência feita «aos pedaços». Ao diagnóstico, todavia, contrapõe a esperança, lembrando que o próprio Jesus viveu em tempos de violência. Há uma batalha a travar desde logo dentro do coração humano. Com efeito, “a resposta que oferece a mensagem de Cristo é radicalmente positiva: Ele pregou incansavelmente o amor incondicional de Deus, que acolhe e perdoa, e ensinou os seus discípulos a amar os inimigos (cf. Mateus 5, 44) e a oferecer a outra face (cf. Mateus 5, 39)… Quem acolhe a Boa Nova de Jesus sabe reconhecer a violência que carrega dentro de si e deixa-se curar pela misericórdia de Deus, tornando-se assim, por sua vez, instrumento de reconciliação, como exortava São Francisco de Assis: «A paz que anunciais com os lábios, conservai-a ainda mais abundante nos vossos corações».

       Não deixeis que vos roubem a esperança. A esperança é vida. Morremos a partir do momento em que deixamos de ter esperança. Não é uma esperança vã, mas uma esperança que vem de Deus e que Se manifesta plenamente em Jesus Cristo. É aquela chama que não se apaga e mesmo que não elimine todas as trevas aponta uma direção, um caminho, é um lampejo de luz que não nos deixa desistir. A esperança não anula as dificuldades, mas dá-nos o ânimo para prosseguir lutando por um mundo mais humano.

 
Publicado na Voz de Lamego, n.º 4393, de 3 de janeiro de 2017


08
Out 16
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

1 – O discípulo de Jesus sabe agradecer tudo quanto de bom lhe é dado da parte do Senhor. A gratidão, com efeito, é o caminho da humildade de quem se reconhece mendigo, pronto para aprender, para acolher o bem que vem dos outros, disponível para mudar o que é necessário para se tornar transparência e testemunha de Jesus Cristo.

Só a humildade nos faz santos. A santidade constrói-se no serviço humilde e dedicado ao seu semelhante, sob a bênção de Deus.

O Evangelho faz-nos ver o caminho de Jesus, que não segue alheado de quem O rodeia, de quem Se aproxima, de quem pede ajuda, de quem nem sequer pede ajuda porque não tem forças ou porque tem vergonha. Desvia-se do caminho para a periferia, para das margens para os recuperar para a vida, para o centro.

Gebhard_Fugel_Christus_und_die_Aussätzigen_c1920.

2 – No Evangelho, 10 leprosos aproximam-se o suficiente para se fazerem ver e ouvir por Jesus. Daqui se infere que a fama de Jesus se espalhara. Os leprosos não se aproximam de um ídolo, de uma estrela, mas de Alguém cuja docilidade, delicadeza, proximidade atrai.

A lepra é um estigma social. Os leprosos são mantidos à distância, isolados, deixados de fora… pelo sim pelo não, há que afastar as pessoas "contagiadas" para não contagiarem os outros.

Jesus não só não Se afasta como Se aproxima. Os leprosos disseram em alta voz – «Jesus, Mestre, tem compaixão de nós». Jesus simplesmente lhes diz: «Ide mostrar-vos aos sacerdotes». Jesus não precisa de levantar voz, está perto. Levantamos a voz quando estamos distantes, fisicamente, ou quando os nossos corações estão afastados.

A ordem de Jesus implica os próprios. O milagre acontece quando se colocam a caminhar. Ensimesmados adoecemos. Basta quem tem mobilidade reduzida. Mexamo-nos pela nossa saúde. Prefiro uma Igreja acidentada por sair, que uma Igreja doente, com mofo, estagnada por não sair. Palavras bem conhecidas do Papa Francisco.

 

3 – Quando se põem a caminho, os 10 leprosos ficam curados. Como reagem? "Um deles, ao ver-se curado, voltou atrás, glorificando a Deus em alta voz, e prostrou-se de rosto em terra aos pés de Jesus, para Lhe agradecer. Era um samaritano".

É um samaritano, um estrangeiro que regressa, louva a Deus e agradece a Jesus. Talvez não considere que Jesus seja Deus, mas reconhece que Deus Se manifestou através de Jesus. O dom que recebeu leva-o à precedência, à origem da dádiva.

A reação de Jesus é espontânea: «Não foram dez os que ficaram curados? Onde estão os outros nove? Não se encontrou quem voltasse para dar glória a Deus senão este estrangeiro?». E disse ao homem: «Levanta-te e segue o teu caminho; a tua fé te salvou».


Textos para a Eucaristia (C): 2 Reis 5, 14-17; Sl 97 (98); 2 Tim 2, 8-13; Lc 17, 11-19.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE


25
Ago 16
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

maxresdefault.jpg

       “O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; habitavam numa terra de som­bras, mas uma luz brilhou sobre eles” (Is 9, 1). Este texto do profeta Isaías é lido e relido no Natal, sublinhando que Jesus é essa LUZ: “O Verbo era a Luz verdadeira, que, ao vir ao mundo, a todo o homem ilumina... E a Vida era a Luz dos homens. A Luz brilhou nas trevas, mas as trevas não a receberam” (Jo 1, 4-5.9). Jesus é Luz que ilumina todo o homem! Logo acrescenta São João: nem todos se abrem à Luz verdadeira.
       Jesus vem libertar-nos de toda a espécie de escravidão, das superstições, do medo em relação às forças da natureza e a um Deus-Juiz iníquo, pondo a descoberto também aqueles que em nome da política ou da religião usurpam o lugar de Deus e espezinham aqueles que deveriam ajudar e servir.
       Jesus traz esperança. Devolve a dignidade às pessoas. Dá coragem aos mais frágeis para não desistirem dos seus sonhos e lutarem pelos seus direitos. O obstáculo nunca poderá ser Deus, que é Pai. Deus não pode ser nem desculpa nem justificação para amordaçar, para controlar, para subjugar, para agredir, para matar. Jesus leva até ao fim este propósito. Morre por amor, para nos libertar, para nos devolver por inteiro à nossa filiação divina, com a força de nos irmanar.
       O mundo ocidental levou tempo a assimilar esta mensagem libertadora e luminosa. A cristandade viveu momentos de trevas, de preconceito, sob ameaças do inferno. Contudo, a revolução francesa como a globalização cultural, as democracias modernas como a luta pela igualdade entre os géneros foram possíveis num mundo amplamente cristianizado.
       Hoje convivem no mundo judaico-cristão pessoas de todas as cores, raças, culturas, religiões. Verificou-se, porém, que o chão que se tinha como cristão permitiu duas guerras mundiais, a crise económico-financeira, que tem sacrificado milhões de pessoas, a crise dos refugiados, os atos terroristas. Não a LUZ mas as trevas. A luz não leva ao mal, mas o mal pode querer de regresso as trevas, a desconfiança, o medo, o preconceito. É um medo que se espalha pela violência gratuita perpetrada por interesses encapotados, como sublinhou o Papa Francisco, a caminho das Jornadas Mundiais da Juventude, na Polónia: encontramo-nos em guerra, mas não de religiões, mas de interesses estranhos e egoístas.
       O mal não vem da LUZ. Esta pode erradicar as trevas. Todavia, pode encandear aqueles que vivem nas trevas. As obras das trevas desejam trevas.
 
Publicado na Voz de Lamego, n.º 4374, de 2 de agosto de 2016


23
Ago 16
publicado por mpgpadre, às 15:01link do post | comentar |  O que é?

353110_cvetok_roza_voda_kapli_9272x6030_www-gdefon

       Na Exortação Apostólica «Amoris Laetitia», o Papa Francisco, fala da pressa e da ansiedade que destrói e da necessidade de educar a paciência, a espera. Tudo tem o seu tempo e seu lugar. Apressar não permite saborear a vida nem o caminho a percorrer. Ter tudo de mão beijada, sem esforço e sem sabor. Daí a vacuidade de tantas vidas, pois tudo acaba por não ter sentido. Rápido chega e rápido se perde. Já dizem os mais velhos, o que não custa a ganhar não custa a gastar! Assim também a vida, o que não exige esforço e dedicação logo se desvaloriza.
       «Na época atual, em que reina a ansiedade e a pressa tecnológica, uma tarefa importantíssima das famílias é educar para a capacidade de esperar. Não se trata de proibir as crianças de jogarem com os dispositivos eletrónicos, mas de encontrar a forma de gerar nelas a capacidade de diferenciarem as diversas lógicas e não aplicarem a velocidade digital a todas as áreas da vida».
       De forma ponderada, sem dogmatismos, mas firme e desafiador: «O adiamento não é negar o desejo, mas retardar a sua satisfação. Quando as crianças ou os adolescentes não são educados para aceitar que algumas coisas devem esperar, tornam-se prepotentes, submetem tudo à satisfação das suas necessidades imediatas e crescem com o vício do ‘tudo e súbito’. Este é um grande engano que não favorece a liberdade; antes, intoxica-a. Ao contrário, quando se educa para aprender a adiar algumas coisas e esperar o momento oportuno, ensina-se o que significa ser senhor de si mesmo, autónomo face aos seus próprios impulsos. Assim, quando a criança experimenta que pode cuidar de si mesma, enriquece a própria autoestima. Ao mesmo tempo, isto ensina-lhe a respeitar a liberdade dos outros. Naturalmente isto não significa pretender das crianças que atuem como adultos, mas também não se deve subestimar a sua capacidade de crescer na maturação duma liberdade responsável. Numa família sã, esta aprendizagem realiza-se de forma normal através das exigências da convivência».
       É conhecida a estória da laranja. Leva tempo até amadurecer. Pode ter o tamanho de uma laranja e ter uma cor aproximada do que será no final. Mas é insuficiente, se por dentro continuar verde. Será intragável. A laranja leva o seu tempo, a crescer, a amadurecer, precisa de sol e de chuva, como outros frutos, e de tempo. Mesmo que se expusesse a mais calor, não amadurecia nem produziria mais sumo. Há um tempo para tudo.
 
Publicado na Voz de Lamego, n.º 4364, de 24 de maio de 2016


publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

3.jpg

       “O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; habitavam numa terra de som­bras, mas uma luz brilhou sobre eles” (Is 9, 1). Este texto do profeta Isaías é lido e relido no Natal, sublinhando que Jesus é essa LUZ: “O Verbo era a Luz verdadeira, que, ao vir ao mundo, a todo o homem ilumina... E a Vida era a Luz dos homens. A Luz brilhou nas trevas, mas as trevas não a receberam” (Jo 1, 4-5.9). Jesus é Luz que ilumina todo o homem! Logo acrescenta São João: nem todos se abrem à Luz verdadeira.
       Jesus vem libertar-nos de toda a espécie de escravidão, das superstições, do medo em relação às forças da natureza e a um Deus-Juiz iníquo, pondo a descoberto também aqueles que em nome da política ou da religião usurpam o lugar de Deus e espezinham aqueles que deveriam ajudar e servir.
       Jesus traz esperança. Devolve a dignidade às pessoas. Dá coragem aos mais frágeis para não desistirem dos seus sonhos e lutarem pelos seus direitos. O obstáculo nunca poderá ser Deus, que é Pai. Deus não pode ser nem desculpa nem justificação para amordaçar, para controlar, para subjugar, para agredir, para matar. Jesus leva até ao fim este propósito. Morre por amor, para nos libertar, para nos devolver por inteiro à nossa filiação divina, com a força de nos irmanar.
       O mundo ocidental levou tempo a assimilar esta mensagem libertadora e luminosa. A cristandade viveu momentos de trevas, de preconceito, sob ameaças do inferno. Contudo, a revolução francesa como a globalização cultural, as democracias modernas como a luta pela igualdade entre os géneros foram possíveis num mundo amplamente cristianizado.
       Hoje convivem no mundo judaico-cristão pessoas de todas as cores, raças, culturas, religiões. Verificou-se, porém, que o chão que se tinha como cristão permitiu duas guerras mundiais, a crise económico-financeira, que tem sacrificado milhões de pessoas, a crise dos refugiados, os atos terroristas. Não a LUZ mas as trevas. A luz não leva ao mal, mas o mal pode querer de regresso as trevas, a desconfiança, o medo, o preconceito. É um medo que se espalha pela violência gratuita perpetrada por interesses encapotados, como sublinhou o Papa Francisco, a caminho das Jornadas Mundiais da Juventude, na Polónia: encontramo-nos em guerra, mas não de religiões, mas de interesses estranhos e egoístas.
       O mal não vem da LUZ. Esta pode erradicar as trevas. Todavia, pode encandear aqueles que vivem nas trevas. As obras das trevas desejam trevas.
 
Publicado na Voz de Lamego, n.º 4374, de 2 de agosto de 2016


02
Jul 16
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

1 – Seguir Jesus é a vocação primeira do cristão. Sem pausas nem descanso. Segui-l'O em todas as circunstâncias.

Para O seguir e para O imitar, para O viver e O anunciar é necessário abrir-Lhe o coração e a vida para que Ele nos habite e nos transforme, nos converta e nos redima. Não é possível amar o que não se conhece. O conhecimento é um primeiro passo para amar. Quanto mais se amar mais se quer conhecer e quanto mais se conhecer maior a possibilidade de amar a pessoa e não uma imagem da mesma.

A oração é o ambiente natural para saber quem é Jesus para nós. A oração, a escuta, a meditação da palavra de Deus. O cristão, como a Igreja, deve ter a consciência da sua identidade lunar. Jesus Cristo é o nosso Sol. Somos embaixadores e não chefes de estado. O embaixador não se comunica, mas comunica o seu povo. Somos de Cristo. Somos cristãos. Sermos embaixadores de Jesus é um compromisso, para que Cristo viva em nós e através de nós chegue a todo o mundo.

72_discípulos_envio.jpg

2 – Somos discípulos missionários. Expressão que ganhou corpo na Assembleia Geral do Episcopado da América Latina e Caribe, em 2007, em Aparecida, no Brasil, sob o tema "Discípulos e missionários de Jesus Cristo, para que nele nossos povos tenham vida".

Bento XVI, no discurso inaugural, clarificou a estreita ligação: "O discípulo, fundamentado assim na rocha da Palavra de Deus, sente-se impelido a anunciar a Boa Nova da salvação aos seus irmãos. Discipulado e missão são como os dois lados de uma mesma medalha: quando o discípulo está apaixonado por Cristo, não pode deixar de anunciar ao mundo que somente Ele nos salva (cf. Atos 4, 12)… o discípulo sabe que sem Cristo não há luz, não existe esperança, não há amor e não existe futuro".

O Papa Francisco, relator-presidente de Aparecida, utiliza amiúde esta expressão, muitas vezes sem a conjunção aditiva "e", acentuando o perigo da autorreferencialidade do cristão e da Igreja. O centro, o SOL, é Jesus Cristo. Devemos d'Ele aprender a vida e o amor, a verdade e o serviço. Discípulos. Para O darmos aos outros, levando a todos os Evangelho de Jesus. Missionários. Não podemos ser missionários se não formos verdadeiros discípulos do Senhor. Sendo discípulos autênticos procuraremos imitá-l’O e como Ele anunciar a Boa Nova a todos. A luz que nos habita não se pode esconder.

maxresdefault.jpg

3 – "Ide: Eu vos envio como cordeiros para o meio de lobos. Não leveis bolsa nem alforge nem sandálias, nem vos demoreis a saudar alguém pelo caminho". Para seguir Jesus é necessário deixarmos de lado todos os acessórios que nos pesam. Ele envia-nos. Ele não nos chama para ficarmos instalados à sombra da bananeira, mas para irmos ao encontro dos outros. Por aldeias e cidades. De coração a coração. Não há desculpas nem justificações. "Quem tiver lançado as mãos ao arado e olhar para trás não serve para o reino de Deus". Podemos adiar, arranjar outras coisas que fazer, mas serão sempre passatempos, porque a missão é seguir Jesus e dá-l'O aos outros.

"Quando entrardes nalguma casa, dizei primeiro: ‘Paz a esta casa’… Ficai nessa casa, comei e bebei do que tiverem, que o trabalhador merece o seu salário. Não andeis de casa em casa". Não é uma mensagem qualquer que levamos, mas o próprio Jesus. Só Ele conta. Vamos para levar a Sua paz e bênção e salvação.

"Quando entrardes nalguma cidade e não vos receberem, saí à praça pública e dizei: ‘Até o pó da vossa cidade que se pegou aos nossos pés sacudimos para vós. No entanto, ficai sabendo: Está perto o reino de Deus’”. A fé não se impõe, propõe-se. Façamos o que nos compete: anunciar o Reino de Deus e a Sua proximidade. Deus fará o resto.

________________________

Textos para a Eucaristia (C): 1 Reis 19, 16b. 19-21; Sl 15 (16); Gal 5, 1. 13-18; Lc 9, 51-62.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE


04
Jun 16
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

1 – "O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu para anunciar a Boa-Nova aos pobres; enviou-me a proclamar a libertação aos cativos e, aos cegos, a recuperação da vista; a mandar em liberdade os oprimidos" (Lc 4, 18-19). "O Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido" (Lc 19, 10).

No início da Sua vida pública, na sinagoga de Nazaré, e no encontro com Zaqueu, vem ao de cima o propósito e a missão de Jesus: salvar, redimir, curar, ungir, recuperar, libertar. São dois exemplos, mas o evangelho está repleto de encontros, de gestos e de palavras de Jesus que assomam a misericórdia de Deus.

 

maxresdefault.jpg

2 – A América Latina desenvolveu a Teologia da Libertação, consagrando a opção preferencial pelos pobres, procurando responder às situações reais de pobreza e exclusão social. Um dos riscos é reduzir a fé a puro marxismo, com recurso aos mesmos instrumentos que as estruturas político-partidárias, criando novas divisões.

Na Argentina, uma acentuação diferente, reconhecida como Teologia do Povo, sob patrocínio do papa Paulo VI. Os pobres são parte da solução. O Beato Óscar Romero, em São Salvador, perfilha a opção preferencial pelos mais pobres, em lógica de libertação integral, na abertura ao transcendente. Não se podem mudar as estruturas sem a conversão, sem mudar os corações. Prefere a Teologia da Salvação. Cristo, pela Sua cruz, redime o homem todo.

Em Aparecida, 5.ª Assembleia Geral dos Bispos da América Latina e Caribe, o Cardeal Bergoglio (Papa Francisco) coordenou o Documento Final, renovou o compromisso social, sob alegria e força do Evangelho, contando com os excluídos, pobres, escravos, prostitutas, crianças de rua, explorados e espoliados, mulheres, toxicodependentes, na transformação da realidade, partilhando as alegrias e as tristezas, empenhando-se solidariamente uns com os outros, lutando pela justiça, pela libertação integral, pelos direitos fundamentais, procurando viver ao jeito de Jesus, anunciando-O em todas as situações.

O Papa Bento XVI colocou em evidência a fundamentação cristológica da Teologia da Libertação. Cristo vem salvar a humanidade e libertar-nos de todas as amarras da escravidão. O modo de ser e de agir de Jesus funda e fundamenta o compromisso dos cristãos.

Imagem 42.jpg

3 – O Evangelho hoje proclamado mostra-nos a sensibilidade e o agir de Jesus, sobressaindo a compaixão e a ternura como marcas constantes do Seu ministério de salvação.

À entrada de uma cidade chamada Naim, Jesus depara-se com um funeral, uma viúva que chora pela morte do seu filho único. Além da profunda tristeza pela morte do seu filho, também o desamparo em que se encontra, por ser viúva. Naquele tempo não havia segurança social ou outro tipo de apoio instituído. Poderia ter a dita de ser acolhida pela família do marido ou por algum dos seus irmãos, já que a esperança média de vida leva a supor que já não teria pais ou os teria por pouco tempo e cujo património passaria para os irmãos. O filho garantiria a sobrevivência, a proteção, o património. A viuvez, sem descendência, expõe-se à pobreza e à mendicidade.

"Ao vê-la, o Senhor compadeceu-Se dela". Esta não é uma atitude isolada, mas o sentir constante de Jesus perante situações de pobreza, doença, isolamento social. Dirigindo-se a ela, diz-lhe: «Não chores». Aproxima-se e toca no caixão, dizendo: «Jovem, Eu te ordeno: levanta-te». O morto sentou-se e começou a falar; e Jesus entregou-o à sua mãe.

Situemo-nos junto de Jesus e daquela Mãe. Que sentimos quando a vemos a torcer-se de sofrimento? Como vemos os gestos e as palavras de Jesus? Como lidamos com o sofrimento de alguém que nos é próximo? Aproximamo-nos e ajudamos o outro a levantar-se?

Com Jesus, Deus visita o seu povo! Como podemos agir para que através de nós Deus possa visitar a nossa família, os nossos colegas de trabalho, os nossos amigos?

_______________________

Textos para a Eucaristia (C): 1 Reis 17, 17-24; Sal 29 (30); Gal 1, 11-19; Lc 7, 11-17.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE


10
Mai 16
publicado por mpgpadre, às 19:42link do post | comentar |  O que é?

maxresdefault.jpg

Durante a Sua vida pública, Jesus vai, anuncia, cura, expulsa os demónios, aproxima-Se das pessoas, especialmente daquelas que se encontram em situações de exclusão ou com a vida hipotecada, pobres, doentes, publicanos, crianças, mulheres, pessoas do campo, pecadores, ou deixa que se aproximem, para O escutarem, para beneficiarem da Sua bênção e, por vezes, para Lhe armarem ciladas.

Os discípulos estão por perto. Escutam-n’O, fazem perguntas, ouvem explicações mais detalhadas. São também destinatários das Suas palavras, com chamadas de atenção, reprimendas (sobretudo quando discutem lugares de poder), desafios. Vivem com Ele, veem a Sua postura, a forma como Se dá por inteiro, como fala, a Sua docilidade, a facilidade com que Se relaciona com as pessoas de todos os estratos sociais e a Sua opção preferencial pelos mais “pequenos”: os excluídos dos reinos deste mundo, a quem convida para a Sua mesa e a quem primeiro abre as portas do Reino de Deus.

Há de chegar o dia em que Ele já não estará fisicamente entre os Seus discípulos. Estará para sempre presente pela Palavra proclamada e vivida, no Seu Corpo mistérico que é a Igreja, do qual somos membros, pelos sacramentos, mas também através de nós e da nossa capacidade de O transparecermos. É o que Ele diz aos Seus discípulos daquele tempo histórico. Estagiam com Ele. Envia-os dois a dois, com o poder de curar e expulsar demónios, anunciando a proximidade do Reino dos Céus. Como viram Jesus fazer, devem reproduzir criativamente a Sua mensagem e o Seu poder misericordioso.

Um dia, ao regressaram, contam a Jesus que viram alguém a expulsar demónios em Seu nome e quiseram impedi-lo por não fazer parte do grupo. São surpreendidos, e nós também, pelo Mestre da Docilidade: «Não o impeçais, porque não há ninguém que faça um milagre em meu nome e vá logo dizer mal de mim. Quem não é contra nós é por nós» (Mc 9, 39-40).

É possível dizer bem de alguém sem necessidade de dizer mal dos outros. É possível gostar e dizer bem do Papa Francisco, gostando e dizendo bem do Seu Predecessor, Bento XVI. Infelizmente, muitos precisam de dizer mal de um para mostrarem que gostam mais do outro. Assim também em muitas dimensões da vida, na política, no desporto, com aqueles que pertencem aos mesmos grupos que nós, mesmo intraeclesiais.

Ainda estamos longe de transparecer Jesus e o Seu Evangelho da Delicadeza. Podemos lá chegar, ponhamo-nos a caminho!

 

Publicado na Voz de Lamego, n.º 4359, de 19 de abril de 2016


16
Abr 16
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

1 – É surpreendente como um bebé sossega ao ouvir a voz da Mãe. Ao  nascer reconhecerá a voz e o ambiente calmo, ou alguma música que escutou dentro do ventre materno. Virá depois o cheiro e o toque, os passos a caminhar, facilmente identificáveis. O mesma ligação, ainda que mais ténue, do Pai.

É quase instintivo. Horários, barulhos, ambientes que progressivamente a criança irá interiorizando. Ainda ao colo da Mãe ou no berço começará a "negociar" (manipular) os pais, descobrindo, por exemplo, que o choro os traz imediatamente de volta.

Com os animais de estimação sucede algo de semelhante. Um gato, ou um cão, identifica a voz de quem o alimenta e afaga, reconhece o barulho do motor do carro a chegar, a porta a abrir, bem como os cheiros, aproximando-se se forem familiares, escondendo-se ou revelando "irritação" se forem estranhos. O barulho do prato de comida! Um animal doméstico pode até detetar o humor dos seus donos, mantendo-se por perto ou afastando-se. O cavalo aprendeu a reconhecer a voz do seu tratador e terá dificuldade em sossegar perante um estranho e dificilmente se deixará aparelhar ou cavalgar.

12961681_10207206242574122_8074844518631035699_n.j

2 – Jesus viveu grande parte da sua vida em ambientes rurais. Nazaré é uma pequena cidade, mais aldeia que cidade, em que todos se conhecem e se entreajudam. É carpinteiro, como São José, trabalhando a madeira, a pedra e o ferro. É uma parte do trabalho. Semeiam os campos, próprios ou arrendados. Têm um ou outro animal doméstico. Alguns cabritos ou ovelhas. Recolhem a lã e o leite, para consumo próprio ou para trocar por outros alimentos essenciais. Pela Páscoa comem o Cordeiro pascal com os outros familiares. Em conformidade com a Lei mosaica, todas as famílias se reúnem para comer o Cordeiro pascal. Se houver alguma família que não possa, as outras devem prover para que não lhes falte, condividindo. Este cordeiro é para comer naquele dia. Mata-se o cordeiro do tamanho necessário para a refeição da família ou de forma a partilhar com uma família que não tenha meios para comprar e matar um cordeiro. Não haverá sobras para o dia seguinte!

Os mais novos tomavam conta das ovelhas da aldeia, formando um só rebanho. As famílias ajudam-se nos campos, no cuidado dos animais de pequeno porte, nos trabalhos braçais e na lide doméstica, sobretudo aquando de festas religiosas, ou dos casamentos, e também por ocasião dos funerais. A aldeia forma uma só família.

As palavras de Jesus estão cheias de vida e de experiência: «As minhas ovelhas escutam a minha voz. Eu conheço as minhas ovelhas e elas seguem-Me. Eu dou-lhes a vida eterna e nunca hão de perecer e ninguém as arrebatará da minha mão. Meu Pai, que Mas deu, é maior do que todos e ninguém pode arrebatar nada da mão do Pai. Eu e o Pai somos um só». Ele sabe do que fala e o seu auditório compreende o que lhes diz. A vida emerge das Suas palavras.

 

3 – Jesus é o Bom Pastor que conhece todas as ovelhas e as chama pelo nome, dando a vida por elas. Não Se poupa nem Se guarda.

É o Bom Pastor que sai em busca das ovelhas. Se alguma se perde ou foge do redil, vai procurá-la. Se a encontra faz festa, como o Pai misericordioso faz festa pelo regresso do filho pródigo. Se a ovelha está ferida ou cansada, coloca-a aos ombros, e condu-la de volta ao rebanho. Mas não se pense que descura as que ficam no aprisco, condu-las às pastagens verdejantes e às águas refrescantes.

Jesus vive sintonizado com o Pai. É o Pai que Lhe confia as ovelhas. "Eu e o Pai somos Um só". Se as ovelhas são do Pai, Ele não deixará que se percam. Vem ao de cima a Misericórdia do Pai, que tudo fará para não perder nenhuma ovelha. Envia-nos como Bom Pastor o Seu Filho Jesus, a Quem confia toda a humanidade. Jesus vem congregar-nos numa só família. Um só rebanho, um só Pastor.

______________________

Textos para a Eucaristia (C): Atos 13, 14. 43-52; Sal 99 (100); Ap 7, 9. 14b-17; Jo 10, 27-30.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE


10
Abr 16
publicado por mpgpadre, às 11:00link do post | comentar |  O que é?

WALTER KASPER (2016). Testemunha da Misericórdia. A minha viagem com Francisco. Em conversa com Raffaele Luise. Prior Velho: Paulinas Editora. 208 páginas.

Kasper-Francisco.jpg

       O Cardeal Walter Kasper já é apelidado como teólogo do Papa Francisco, tal a proximidade espiritual e sintonia teológica e pastoral. Na primeira vez que o Papa falou da varanda do Palácio Apostólico, no Angelus, confidenciou que estava a ler um livro, que mostrou, sobre a misericórdia, de um dos seus cardeais, Walter Kasper, e que a leitura lhe estava a fazer muito bem, sublinhando uma das linhas fundamentais do seu pontificado: A misericórdia. Agendado o Sínodo Extraordinário dos Bispos para refletir sobre a família, o Papa Francisco pediu ao Cardeal alemão que apresentasse um conjunto de perguntas, questões, problemáticas, abrindo dessa forma o debate. E o que é certo é que a intervenção de Walter Kasper suscitou reações diversas, a favor e contra. Algumas sugestões que foi levantando e que provocaram celeuma, o que ajudou a fazer uma reflexão mais aberta e mais alargada.

       Nesta entrevista, guiada por Raffaele Luise, o Cardeal passa em revista diversos temas da vida da Igreja e da sociedade do nosso tempo e como a chegada do Papa Sul-americano, de surpresa em surpresa, tem como que levantando o pó, para que venha ao de cima o Evangelho de Jesus Cristo, na Sua opção pelos pobres. Nenhum tema problemático é deixado de fora: a família, a contracepção, a homossexualidade, a comunhão do recasados, o diálogo inter-religioso e o terrorismo, o ecumenismo. Os gestos proféticos do Papa Francisco, que está a fazer a revolução da amizade e da ternura, com a Sua simplicidade, doçura, com a prevalência de uma atitude dialogante de respeito, de escuta, de serviço. O magistério de Francisco, inequivocamente, tem aberto muitas portas, aproximado muitas pessoas.

maxresdefault.jpg

       Um dos temas que surge como pano de fundo é a misericórdia. Walter Kasper sublinha como sintoniza com o projeto do Papa de acentuar a misericórdia, desde a primeira intervenção, o Papa Bergoglio tem recuperado esta característica essencial de Deus, que transparece no Rosto e em toda a vida de Jesus e que há de transparecer na Igreja e nos seus membros. O Cardeal permite-nos ver de perto o Papa Francisco nesta revolução do coração. É um belíssimo testemunho que não ignora as dificuldades e os escolhos, mas apostando na persistência, na fidelidade ao Evangelho de Cristo, na firmeza dos princípios, mas colocando as pessoas em primeiro lugar, seguindo a postura de Jesus.

       As bem-aventuranças, segundo Kasper, constituem o programa pastoral do Papa Francisco, onde os mais pobres têm um lugar privilegiado, é deles o Reino dos Céus, são eles que devem estar na primeira linha das preocupações da Igreja e dos cristãos que a compõem. Uma Igreja pobres, dos pobres e para os pobres.


31
Mar 16
publicado por mpgpadre, às 11:00link do post | comentar |  O que é?

forgive-70-times-7.jpg

A vida de Jesus é um hino de docilidade para como os excluídos da sociedade, da política, da religião. É um poema de ternura e proximidade para com todos os desprezados deste mundo; os palácios que visita são as aldeias e os campos, dorme onde calha e come do que lhe dão. Faz-Se mendigo da nossa generosidade, enquanto nos fala de um sonho, que já se visualiza no seu proceder para connosco, o sonho de nos ver sentados à mesma mesa, no mesmo reino, sob a mesma filiação, transformados pela misericórdia do Pai.

 

O Jubileu da Misericórdia, convocado pelo Papa Francisco, tem permitido aclarar a misericórdia como um atributo essencial e primário de Deus. A justiça é o menor dos atributos de Deus. A misericórdia sanciona o perdão e acaricia o homem marcado pelo pecado, pela miséria, renovando-o, envolvendo-o e inserindo-o numa vida nova de graça e de salvação.

 

A própria palavra misericórdia (miséria + coração) aponta para a absorção da nossa miséria pela compaixão de Deus. "A misericórdia divina vem em socorro da miséria do homem" (Beato Paulo VI, reflexão sobre Santo Agostinho). Jesus, Rosto da Misericórdia, proclama bem alto, nas palavras e sobretudo nos gestos a misericórdia infinita do Pai, que ama e que toma a iniciativa para nos salvar.

 

Sublinha o Papa Francisco: «A lógica de Deus, com a Sua misericórdia, abraça e acolhe reintegrando e transfigurando o mal em bem, a condenação em salvação e a exclusão em anúncio… o caminho da Igreja é sempre o de Jesus: o caminho da misericórdia e da integração».

 

A convivência de Jesus com pecadores, publicanos, prostitutas, leprosos, coxos, surdos, mudos, mulheres, crianças, estrangeiros visualiza o Reino de Deus aberto a todos. Jesus come com as pessoas que não contam para os reinos deste mundo, mostrando-lhes que no banquete de Deus há lugar para todos, mas os primeiros a sentar-se à mesa do Reino são os mais desvalidos, o que nos obriga a olhar para eles com um cuidado redobrado, pois tudo o que fizermos aos mais pequeninos dos irmãos é a Cristo que o fazemos (cf. Mt 25, 31-45). Se acolhemos o peregrino recebemos Cristo; se vestimos o nu agasalhamos Jesus; se alimentamos o pedinte fazemos com que Jesus seja nosso alimento e sacie a nossa fome e a nossa sede; se usarmos de misericórdia para com o nosso semelhante seremos alcançados pela misericórdia de Deus, que primeiro nos foi favorável.

publicado na Voz de Lamego, n.º 4353, de 8 de março de 2016


29
Jan 16
publicado por mpgpadre, às 10:00link do post | comentar |  O que é?

FRANCISCO (2016). O Nome de Deus é e Misericórdia. Lisboa: Planeta. 160 páginas

Nome_d_Deus_Misericórdia.jpg

         Vivemos o Jubileu Extraordinário da Misericórdia, convocado pelo Papa Francisco, e cujas motivações se encontram na Bula de Proclamação deste Ano Santo: Misericordiae Vultus (O Rosto da Misericórdia), dada ao mundo no dia 11 de abril de 2015, em Roma, véspera do II Domingo de Páscoa ou da Divina Misericórdia. A Bula vem anexada nesta publicação que ora recomendámos.

       Andrea Tornielli é um conhecido e reconhecido vaticanista (jornalista acreditado pela Santa Sé e que acompanha de perto o Papa, quer no Vaticano, quer nas suas viagens apostólicas), e que ao longo do tempo tem escrito sobre os Papas.

       Numa das primeiras Missas do Papa Francisco, na Igreja de Sant'Ana, no Vaticano, Andrea estava presente e ouviu as palavras do Papa Francisco: «A mensagem de Jesus é a misericórdia. Para mim, digo-o humildemente, é a mensagem mais importante do Senhor... O Senhor nunca se cansa de perdoar: jamais! Somos nós que nos cansamos de Lhe pedir perdão. Então, temos de dar graças por não nos cansarmos de pedir perdão, porque Ele jamais se cansa de perdoar».

       Mais tarde numa das Homilias do Papa Francisco na Casa de Santa Marta: "Deus condena não com um decreto, mas com uma carícia... Jesus vai além da lei e perdoa, acariciando as feridas do nosso pecado".

       Ou então: "A misericórdia é difícil de perceber: não apaga os pecados... o que apaga os pecados é o perdão de Deus... a misericórdia é a forma com que Deus perdoa... como o Céu: olhamos para o céu com muitas estrelas, mas quando nasce o Sol, com tantas luz, as estrelas não se veem. Assim a misericórdia de Deus: uma grande luz de amor, de ternura, porque Deus não perdoa por decreto, mas com uma carícia... acariciando as nossas feridas do pecado, porque Ele é o supremo perdão, a nossa salvação... É grande a misericórdia de Deus, é grande a misericórdia de Jesus: perdoa-nos e acaricia-nos"...

       A partir daqui nasceu o propósito de entrevistar o Papa sobre a misericórdia, por maioria de razão após a convocação do Jubileu Extraordinário da Misericórdia. É este diálogo que nos é apresentado em livro e que explicita, ou sublinhada, os propósitos do Magistério do Papa Francisco e do Jubileu da Misericórdia.

 

Algumas citações:

"A misericórdia divina contagia a humanidade. Jesus era Deus, mas também era um homem, e na sua pessoa também encontramos a misericórdia humana... A misericórdia será sempre maior que qualquer pecado, ninguém pode impor um limite ao amor de Deus que perdoa... Ele é misericórdia, e porque a misericórdia é o primeiro atributo de Deus. É o nome de Deus".

"Misericórdia é a atitude divina que abraça, é o dom de Deus que acolhe, que perdoa. Jesus disse que não veio para os justos, mas para os pecadores... a misericórdia é o bilhete de identidade do nosso Deus... a misericórdia está profundamente ligada à lealdade de Deus".

"Falta a experiência concreta da misericórdia. A fragilidade dos tempos em que vivemos é também esta: acreditar que não existe a possibilidade da redenção, uma mão que te levanta, que te inunda de amor infinito, paciente, indulgente, que te volta a pôr no caminho certo".

APOSTOLADO DO OUVIDO:

"Tenho de dizer aos confessores: falem, ouçam pacientemente e acima de tudo digam às pessoas que Deus quer o seu bem. E se o confessor não pode absolver, que explique porquê, mas que não deixe de dar uma bênção, mesmo sem absolvição sacramental. O amor de Deus também existe para quem não está disponível para receber o sacramento: também aquele homem e aquela mulher, aquele rapaz e aquela rapariga são amados por Deus, desejosos de bênção. Sejam afetuosos com estas pessoas. Não as afastem. As pessoas sofrem. Ser confessor é uma grande responsabilidade. Os confessores têm à frente as ovelhas tresmalhadas que Deus tanto ama, se não lhes demonstrarmos o amor e a misericórdia de Deus, afastam-se e talvez nunca mais voltem. Por isso, abracem-nos e sejam misericordiosos, mesmo que não os possam absolver. Deem-lhes uma bênção..."

Citação do Papa Bento XVI:

«A misericórdia é na realidade o núcleo central da mensagem evangélica, é o nome de Deus, o rosto com que Ele se revelou na antiga Aliança e plenamente em Jesus Cristo, encarnação do amor criador e redentor. Este amor de misericórdia também ilumina o rosto da Igreja e se manifesta quer através dos sacramentos, especialmente o da reconciliação, quer com as obras de caridade, comunitárias e individuais. Tudo o que a Igreja diz e faz é a manifestação da misericórdia que Deus nutre pelo homem».

Citação do Papa João XXIII, na abertura solene do Concílio Vaticano II:

"A esposa de Cristo [a Igreja] prefere usar o medicamento da misericórdia em vez de abraçar as armas do rigor".


31
Dez 15
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – Iniciamos cada ano sob o olhar materno da Virgem Mãe de Deus e nossa Mãe, para que em todo o ano Ela seja a Estrela da Manhã que nos guia para Jesus e nos conduz para dentro do Presépio, dando-nos Jesus, para O adorarmos, contemplando-O, enchendo-nos da Sua alegria e da Sua paz. Exige-se-nos o mesmo que a Maria: acolhê-l'O, adorá-l'O e dando-O aos outros.

        Um Menino nos foi dado, um Deus no meio de nós. Em Jesus, Deus entranha-Se na história a partir da própria história, encarnando, fazendo-Se Um de nós. Sem anúncios espetaculares ou publicidade enganosa, sem reportagens ou parangonas. Simplesmente nascendo numa família o mais normal possível, de Nazaré, e como qualquer família, com os seus contratempos, desde logo o nascimento em Belém de Judá.

       Há sinais que muitos veem, mas que poucos valorizam e dão crédito. Por regra, só quem tem um coração pobre, grande, disponível para os outros, vazio das coisas e sem orgulhos vãos, é que consegue ler os sinais que surgem na sua vida e à sua volta. Os que estão cheios de si raramente veem o que é verdadeiramente importante, o que conta, o que transforma a vida. Cheios de si, só eles contam, ninguém mais importa, nada têm a aprender ou a descobrir, a importância está neles, os outros são acessórios que embelezam as suas vitórias ou escadas que se permitem pisar para subir mais e mais.

       Como Maria a caminho da Montanha, apressadamente, assim os pastores ao encontro do Menino, apressadamente. Não há tempo a perder. Tudo é importante. Mas há acontecimentos que são decisivos e há pessoas – que nos trazem a salvação – que precisam de toda a nossa atenção. Os pastores deixam os rebanhos, partem por que nada têm de mais importante que a adoração de Jesus, o Menino que vem da parte de Deus. Diante de Jesus, tudo é relativo, secundário, dispensável. Só Jesus não se pode dispensar. Recordamos a liturgia da Festa da Sagrada Família: quando Jesus não está no MEIO, não está connosco, então há que deixar tudo, tudo, absolutamente tudo, para ir ao Seu encontro. Sem Ele de pouco vale o que temos ou o que somos. Com Ele, até as provações têm sentido e poderão ser redentoras.

Maria, Mãe de Deus - ícone.jpg

       2 – Chegados a Belém, encontram Maria, José e o Menino deitado na manjedoura, conforme o Anjo do Senhor lhes revelara. E de novo não há tempo a perder, não importa a pressa que traziam, nem o que deixaram lá fora, estão em casa pois estão junto de Jesus, encontraram uma RAZÃO maior que iluminará as suas vidas por completo.

       Que importa o mundo inteiro se tenho o mundo ao pé de mim, se estou em casa, se sou iluminado pela maior luz, se diante dos olhos e do coração tenho o essencial para ser feliz?

        Madre Teresa de Calcutá lembrava muitas vezes que o fundamental é dar atenção e cuidar da pessoa que tenho à minha frente. Se tenho uma pessoa a quem valer e não valho por estar preocupado com a doença, o sofrimento e a miséria de milhares de pessoas, de pouco me adianta fazer e ter bons propósitos. Há que começar por algum lado, melhor, por alguém. Quantas vezes estamos a falar com alguém e não escutamos por que estamos centrados noutras coisas, noutros mundos, em outras pessoas! Mas então e esta pessoa que está diante de mim? Não me merecerá toda a atenção do mundo? Há que acudir a Jesus nesta pessoa concreta.

        Os pastores dão-nos uma lição importante: ir ao encontro de Jesus e colocar-nos por inteiro diante d'Ele, com o que somos, com as nossas dúvidas e incertezas, com os nossos sonhos e projetos. Levamos-lhe o nosso dia-a-dia. Quando chegaram, os Pastores contaram tudo o que ouviram do Anjo.

       E como será o regresso? Se Ele nos tocou a alma, regressamos mudados para sempre. "Os pastores regressaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, como lhes tinha sido anunciado".

 

       3 – Capacidade de admiração dos ouvintes. De cada um de nós. Mal é quando a vida já não tem nada para nos dar, nada que nos faça sorrir, nada a apreciar. Todos ficam admirados, mas obviamente Maria ocupa um lugar especial. As mães bebem, mastigam, cada palavra que se diz dos filhos. "Maria conservava todos estes acontecimentos, meditando-os em seu coração".

       Silêncio que acolhe, guarda e medita. Maria também nos desafia pelo Seu silêncio da oração e da adoração. É a primeira a admirar Jesus, a pegar-lhe ao colo, a olhar para as suas feições, a tatear-lhe o corpo, cada pedaço de pele, a aconchegá-l'O contra o seu peito, embrulhando-O para o manter confortável, procurando-lhe o olhar.

       Quando os Pastores os encontram, Jesus está na manjedoura. É possível que Maria O tivesse em seus braços, mas coloca-O para que os pastores O possam adorar e pegar-lhe sem se sentirem retraídos. Os Pastores aproximam-se, presenciam o que lhes disseram: o Messias nasceu e está diante dos seus olhos. Como os habitantes da Samaria, quando a Samaritana lhes falou de Jesus: acreditamos não pelo que disseste mas pelo que vimos e Lhe ouvimos. Os pastores confiaram nas palavras do Anjo e partiram, mas fazem a experiência de encontro com Jesus.

       E com os pastores, outras pessoas se aproximam do Presépio. Vamos também nós a Belém adorar o Deus Menino. Maria, que lá O tem, estendê-l'O-á para que possamos pegar-lhe, deixando que Ele toque a nossa mão, o nosso coração, e nos envie, como aos pastores, em missão.

natale2014buonpastore famiglia.jpg

       4 – Para o cristão, o Batismo marca o arranque de uma vida que se quer de identificação ao autor do Batismo, Jesus Cristo. Um dos primeiros gestos do ritual do Batismo é a escolha do nome do batizando. A primeira missão de Adão e Eva é a de dar nome às coisas e aos animais, para que dominem sobre eles, num domínio que é serviço e cuidado, responsabilidade por aqueles a quem se dá um nome. Quando queremos bem a alguém tratamo-lo pelo nome, num tom e num timbre que ressoe no coração. É das melhores músicas para os nossos ouvidos: o nosso nome dito e ouvido com alegria e amizade, com ternura e afabilidade.

"Quando se completaram os oito dias para o Menino ser circuncidado, deram-Lhe o nome de Jesus, indicado pelo Anjo, antes de ter sido concebido no seio materno". Ele é o Filho de Deus, mas está ao cuidado de Maria e de José, que Lhe dão o nome e a casa. "Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher e sujeito à Lei, para resgatar os que estavam sujeitos à Lei e nos tornar seus filhos adotivos. E porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: «Abá! Pai!». Assim, já não és escravo, mas filho. E, se és filho, também és herdeiro, por graça de Deus".

       Somos filhos de Deus, em Jesus Cristo e como tal somos responsáveis por cada irmão, filho, pai, mãe, pois Deus os colocou na nossa vida para deles cuidarmos. Maria e José exemplificam este cuidado. Jesus nasce e imediatamente lhes merece toda a atenção. Sublinhe-se o facto de São José que sendo pai adotivo e não biológico logo assume a missão de acolher, amar, cuidar, proteger, dar nome a Jesus e amparar a Virgem Mãe. Os laços que nos unem radicam no amor e na proximidade, ultrapassando os laços sanguíneos.

 

       5 – Neste primeiro dia de 2016, colocamo-nos, com Maria, sob o olhar misericordioso de Deus, para que nos ilumine e nos dê a Sua bênção. "Senhor nosso Deus, que, pela virgindade fecunda de Maria Santíssima, destes aos homens a salvação eterna, fazei-nos sentir a intercessão daquela que nos trouxe o Autor da vida, Jesus Cristo, vosso filho".

       A bênção há de ser a oração que nos liga a Deus e aos outros, e nos compromete na construção da paz. Como diz Deus através de Abraão: "O Senhor te abençoe e te proteja. O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face e te seja favorável. O Senhor volte para ti os seus olhos e te conceda a paz". Assim invocarão o meu nome sobre os filhos de Israel e Eu os abençoarei». E como salmodicamente respondemos à Palavra de Deus: «Deus Se compadeça de nós e nos dê a sua bênção, resplandeça sobre nós a luz do seu rosto. Na terra se conhecerão os seus caminhos e entre os povos a sua salvação. Alegrem-se e exultem as nações, porque julgais os povos com justiça e governais as nações sobre a terra». 

       São também os votos do Papa Francisco, na tradicional Mensagem para o Dia Mundial da Paz que hoje comemoramos: «Não perdemos a esperança de que o ano de 2016 nos veja a todos firme e confiadamente empenhados, nos diferentes níveis, a realizar a justiça e a trabalhar pela paz. Na verdade, esta é dom de Deus e trabalho dos homens; a paz é dom de Deus, mas confiado a todos os homens e a todas as mulheres, que são chamados a realizá-lo».

       O compromisso será vencer a indiferença, reconhecendo que os outros são nossos irmãos em Jesus Cristo e, desta forma, conquistar a paz que Ele nos traz.

 

Pe. Manuel Gonçalves

___________________________________________________________________

Textos para a Eucaristia (ano C): Num 6, 22-27; Sl 66 (67); Gál 4, 4-7; Lc 2, 16-21.


05
Nov 15
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

ROBERTO MOROZZO DELLA ROCCA (2015). Oscar Romero. A biografia. Braga: Editorial A.O., 232 páginas.

Oscar_Romero2.jpg

       No dia 3 de fevereiro de 2015, o Papa Francisco aprovou o decreto de beatificação D. Óscar Romero (1917-1980). Alguns dias depois, a 23 de maio de 2015, na Praça do Divino Salvador do Mundo, em São Salvador, foi proclamado Beato, em celebração presidida pelo cardeal Angelo Amato, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos.

       D. Óscar Romero nasceu a 15 de agosto de 1917, na Cidade de Barrios. Aos 13 anos entrou no Seminário. Foi ordenado sacerdote a 4 de abril de 1942, em Roma, onde se encontrava a efetuar estudos na Universidade Gregoriana. A estadia em Roma moldou o amor ao Papa, a fidelidade à Igreja, a devoção a São Pedro e a São Paulo. Em plena Segunda Guerra Mundial, Romero saiu de Roma para voltar a Salvador, fixando-se em São Miguel como pároco e logo como secretário do Bispo local. Segundo o biógrafo, Romero era amado e respeitado, pois conhecia e interpretava o sentir do povo. Alguns acusavam-no de comunismo. Por inveja. Romero não fugia aos conflitos. Não gostava da controvérsia, mas acabava por ser um jornalista combativo e polémico, não deixando de criticar abertamente o comunismo que procurava "desenraizar do homem qualquer sentimento religioso". Procurava a sintonia ao Papa, nomeadamente a João XXIII, colocando-se numa atitude de diálogo prudente e sincero para construir o mundo comum a todos. Também o estado liberal é criticável, tal como a influência maçónica.

       Em 1964, Romero foi acusado de ingerência em questões políticas e ameaçado com o tribunal.

       Em 1965, Romero era o padre mais ativo, mais culto, mais prestigiado de São Miguel. Tinha boas relações com o núncio apostólico, mas as relações com o clero não eram as melhores. Foi nomeado um Bispo auxiliar, norte-americano, quatro anos mais novo que Romero.

       Em 8 de junho de 1967 é nomeado como Secretário da Conferência Episcopal de El Salvador (CEDES). A notícia espalhou-se na diocese de São Miguel que protestou junto do núncio para que Romero regressasse. A gente simples estava com Romero. Romero convidou os diocesanos de São Miguel à obediência ao Bispo titular. Como secretário da CEDES, aproximou-se de Monsenhor Chávez, Arcebispo de São Salvador, que lhe pedia trabalhos pastorais na arquidiocese. A partir de maio de 1968, tornou-se secretário da SEDAC (Secretariado Episcopal da América Latina).

       Em 1970, foi sagrado Bispo. Tinha 53 anos. Em 15 de outubro de 1974, torna-se Bispo de Santiago de Maria.

       Fiel ao magistério (sobretudo) papal, tinha palavras duras para os teólogos da libertação, que não compreendiam que a verdadeira libertação era do pecado, vinha da cruz de Jesus e não apenas da militância política. Sintonizava com o Bispo Eduardo Pironio, sublinhando que este expressava com sabedoria e equilíbrio a teologia da libertação, e que sobressaia pela humildade, cultura e humildade.

       Em 3 de fevereiro de 1977 foi escolhido para Arcebispo de São Salvador, assumindo a Arquidiocese a 22 de fevereiro.

Oscar_Romero.jpg

       Não teve tempo para descansar na missão que assumia. Depois de várias tomadas de posição, conjuntamente com outros Bispos, e com o pulsar da Igreja, mostrando como a repressão não era a solução, mas a justiça social, a partilha, a atenção aos pobres, a distribuição da riqueza, em 10 de março de 1977, foi assassinado o padre Rutilio Grande, juntamente com ele, dois camponeses, um idoso e um rapaz. D. Óscar Romero, muito amigo de Rutilio, ficou muito perturbado. Foi a partir de então que se dá o que o inimigos ou oportunistas chamam de "conversão", mas que o próprio refere como "Fortaleza", dom do Espírito Santo.

       A intervenção de D. Romero será mais concreta, permanente, do púlpito, pela rádio, pela impressa da Arquidiocese, me reuniões oficiais e privadas, intervindo a libertar sacerdotes ou famílias, distanciando-se e a Igreja de qualquer ideologia ou compromisso político, A Igreja defende o bem, venha de onde vier e condena o mal, seja da esquerda seja da direita. Ao longo do seu magistério, na Arquidiocese e em todo o país, a Igreja é perseguida, sacerdotes e agentes da pastoral, presos, torturados, mortos e, os estrangeiros, expulsos.

       Em relação à Teologia da Libertação, alerta para o risco de se tornar uma vertente do marxismo, fixando-se apenas na vertente temporal. Oscar Romero perfilha a opção preferencial pelos mais pobres, mas sempre em lógica de libertação integral, na abertura ao transcendente. Não se podem mudar as estruturas sem a conversão, sem mudar os corações. Prefere a Teologia da Salvação. Cristo, pela Sua cruz, redime o homem todo. Ligação permanente ao Evangelho, ao magistério dos Papas, às conferências de Medellin e Puebla. De algum modo, Romero antecipa aquela que será a posição da Santa Sé, nomeadamente da Congregação da Doutrina da Fé, presidida pelo então Cardeal Ratzinger: a opção preferencial pelos mais pobres é cristológica. Cristo veio para libertar o Homem todo: o que fizerdes ao mais pequenino dos irmãos a Mim o fazeis. Romero não se opõe à Teologia da Libertação, mas purifica-a com a cristologia. Só há libertação autêntica com a cruz redentora de Jesus Cristo. | Em relação à Teologia da Libertação vale a pena ler o que escreveu sobre Romero aquele que é considerado o Pai da Teologia da Libertação, Gustavo Gutiérrez: ROMERO, o BISPO QUE MORREU PELO POVO. Poderia sublinhar-se que a acentuação de Romero acerca da Teologia da Libertação se enquadra nas reflexões de Gustavo Gutiérrez.

       As relações com a Santa Sé também não foram fáceis, sobretudo quando intermediadas com os núncios ou com enviados papais. Os encontros com o Papa Paulo VI e com João Paulo II transmitiram-lhe confiança, solidariedade, coragem para combater as injustiças, anunciar o Evangelho, testemunhar pelo serviço e pelo compromisso com os mais pobres.

       As ameaças foram aumentando de tom, como os atentados contra a Igreja. Ora a esquerda ora a direita. Qualquer intervenção de D. Romero tinha uma leitura "política", ainda que ele sublinhasse a equidistância do Evangelho e da fé em relação a qualquer facção. A Igreja seria uma terceira via.

       Outros dos aspetos vincados, é a inveja, o ódio, vindo de dentro, dos seus colegas de episcopado, mormente do Bispo Auxiliar, que faziam queixas ao núncio ou à Congregação dos Bispos. A sua ascensão a Arcebispo de São Salvador não agradou a muitos, mais velhos, com pretensões a tão elevada dignidade, mas também o sucesso que Romero tinha nas suas intervenções que era lidas e/ou ouvidas, comentadas e seguidas pelo clero de outras dioceses. Onde chegavam era cercado por crentes e pelos jornalistas. Foram várias as tentativas para o depôr. O autor sugere que a sua morte foi precipitada aquando da certeza que não seria substituído. A única forma de o calar foi matá-lo.

       Ainda lhe sugeriram seguranças, ou a retirada, por exemplo, para Roma. A decisão foi a fé, o testemunho. Se os cristãos de São Salvador não têm proteção também o seu Bispo não a pode ter. Se os cristãos são mortos sem razão, o Pastor tem que se manter no seu posto, testemunhando a fé, dando coragem a todos. "Seria um contratestemunho pastoral se pudesse mover-me seguro, enquanto o meu povo vive no perigo... o meu dever obriga-me a andar com o meu povo; não seria justo dar um testemunho de medo. Se a morte vier, será o momento de morrer como Deus quis".

       É assassinado por um profissional, com um só disparo, uma bala de fragmentação no peito, a 24 de março de 1980, enquanto celebrava Missa. Tinha 62 anos de idade. O funeral foi a 30 de março, Domingo de Ramos, na Plaza de Barrios e não chegou ao fim. Uma explosão colocou em perigo uma imensa multidão, cujo pânico provocou dezenas de mortes.

       Foi uma morte por ódio à fé. E essa é a razão para ser reconhecido como mártir pelo Papa Francisco. Porquê uma demora tão grande? Explica Bento XVI: "Monsenhor Romero foi certamente um grande testemunho da fé, um homem de grande virtude cristã que se empenhou pela paz e contra a ditadura e que foi morto durante a celebração da Missa. Portanto, uma morte verdadeiramente credível, de testemunho de fé. Havia o problema de uma facção política o querer assumir como bandeira, como figura emblemática, injustamente. Como fazer vir à luz verdadeiramente a sua figura, purificando-a destas tentativas de instrumentalização? Este é o problema. Não duvido que a sua pessoa merece a beatificação" (9 de maio de 2007). Bento XVI reavivou o processo que conduziu à beatificação de D. Óscar Romero.


26
Set 15
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

1 – "Há um «serviço» que serve aos outros; mas temos que guardar-nos do outro serviço cujo interesse é beneficiar os «meus», em nome do «nosso». Este serviço deixa sempre os «teus» de fora, gerando uma dinâmica de exclusão" (Papa Francisco, em Cuba). O contexto é o de domingo passado, em que Jesus diz claramente aos seus discípulos que quem quiser ser o primeiro seja o servo de todos. A tentação será servir-se, ou servir os seus, excluindo os que não fazem parte da minha família, do meu partido, da minha religião, do meu país, do meu grupo de amigos. Ora para Deus somos irmãos. Ele é Pai de todos. Todos são chamados a formar uma família feliz.

Acolher os distantes, o estrangeiro, o pobre, o estranho, o refugiado, não nos dispensa de tratar bem os de casa e os da vizinhança.

O Evangelho mostra os discípulos muito zelosos em relação ao grupo e aos próprios interesses. João diz a Jesus: «Mestre, nós vimos um homem a expulsar os demónios em teu nome e procurámos impedir-lho, porque ele não anda connosco». Não se põe em causa o bem mas quem o faz. Se fizesse parte do grupo, acrescentaria prestígio e estava em sintonia com Jesus. Ora, se não faz parte do grupo não terá direito a fazer o que quer que seja relacionado com Jesus.

Novamente a questão do protagonismo: quem é o maior?! Resposta clarificadora de Jesus: quem quiser ser o primeiro será o servo de todos. Os discípulos ainda precisam de caminhar muito mais. Veem alguém que lhes pode tirar o protagonismo e logo o afastam.

Jesus-e-os-discipulos-001-1.jpg

2 – Sem Jesus fisicamente entre nós, Ele realmente Se faz presente pela Palavra proclamada, pelos Sacramentos, particularmente na Eucaristia, e muito especialmente Se faz presente nos pobres.

Não há privilégios nem privilegiados. A haver discriminação será a favor dos excluídos, menosprezados, esquecidos. Partimos da mesma condição: fazer o bem e em nome de Jesus para que não nos tornemos vaidosos ao ponto de fazermos depender os outros de nós, instrumentalizando-os.

Responde-lhes Jesus: «Não o proibais; porque ninguém pode fazer um milagre em meu nome e depois dizer mal de Mim. Quem não é contra nós é por nós».

Estamos habituados a diabolizar quem não pensa como nós. Pior, diabolizamos os que não fazem parte do nosso grupo, mesmo que tenham ideias semelhantes às nossas.

Jesus diz aos seus discípulos que o joio e o trigo crescem em simultâneo até à ceifa (cf. Mt 13, 24-30). Em vez de diabolizar há que integrar. Discutir ideias, mas acolher todas as pessoas. Há que procurar o bem em todos, a presença de Deus em cada um. O caminho de Jesus é o caminho do amor, da paixão, do serviço a todos, sem excluir, preferindo aproximar-se dos afastados. O caminho é amar. Amar sempre. Amar servindo. Não importa a quem. Não importa quem. Retomemos a parábola do Bom Samaritano (cf. Lc 10, 25-37). Para se ser bom não é preciso ser judeu, ou ser cristão, o que é preciso é fazer o bem sem olhar a quem.

 

3 – «Quem vos der a beber um copo de água, por serdes de Cristo não perderá a sua recompensa. Se alguém escandalizar algum destes pequeninos que creem em Mim, melhor seria para ele que lhe atassem ao pescoço uma dessas mós e o lançassem ao mar».

No dia em que se faz memória de São Vicente de Paulo, vale a pena meditar nas suas palavras: «O serviço dos pobres deve ser preferido a todos os outros e deve ser prestado sem demora… se tiverdes de deixar a oração… De facto não se trata de deixar a Deus, se é por amor de Deus que deixamos a oração: servir um pobre é também servir a Deus. A caridade é a máxima norma, e tudo deve tender para ela; é uma grande senhora: devemos cumprir o que ela manda».

Os discípulos discutem lugares e protagonismo: qual de nós será o maior no Reino de Deus? E afastam os que possam ocupar um lugar especial no coração de Jesus ou agir em Seu nome. Jesus não discute lugares, mas serviço. Não importa quem brilha! Importa quem faz transparecer Jesus e o Seu Evangelho de amor. No MEIO estará sempre Jesus, ainda que esteja no meio através dos mais pobres.

________________________

Textos para a Eucaristia (B): Num 11, 25-29; Sl 18 (19); Tg 5, 1-6; Mc 9, 38-43.45.47-48.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE


18
Jul 15
publicado por mpgpadre, às 16:49link do post | comentar |  O que é?

1 – A fé não é uma realidade abstrata. A fé liga-nos aos outros, no tempo e no espaço, ao passado, aos nossos contemporâneos e ao futuro, aos que estão perto e aos que estão longe.

Com efeito, "o para sempre é feito de agoras" (Emily Dickinson). Se vivêssemos idealmente como seres espirituais, sem fronteiras nem limites, sem corpos nem encontros, não seríamos o que somos, seríamos anjos, logo não seríamos deste mundo.

Somos de carne e osso, situamo-nos no tempo e na história. A nossa vida não se dilui em intenções, generalizações, globalizações, sem identidade nem rosto. A vida é concretizável no nascer, na interação com os nossos pais, irmãos, família, com os vizinhos, com os colegas de escola, com os colegas de brincadeira, e de trabalho.

Quando Jesus fala, ainda que fale às multidões, quando Jesus age, ainda que o faça a favor da humanidade inteira, fixa os olhos em pessoas concretas, com quem dialoga, a quem abraça, a quem sorri…

Jesus é uma pessoa simples, acessível, está por perto, cuidando de nós. Os apóstolos foram enviados a pregar, a curar, a expulsar os demónios. Partiram em nome de Jesus para fazer o bem às pessoas que encontrassem necessitadas. Regressam. Entusiasmados com a missão, contam tudo a Jesus, confidenciam-lhe o que viveram. Também nós somos chamados a confidenciar a nossa vida a Jesus.

Depois de os ouvir com atenção, a preocupação muito "banal" e humana de Jesus: «Vinde comigo para um lugar isolado e descansai um pouco». E São Marcos acrescenta: "De facto, havia sempre tanta gente a chegar e a partir que eles nem tinham tempo de comer. Partiram, então, de barco para um lugar isolado, sem mais ninguém".

Mc6,30-34.jpg

2 – A delicadeza de Jesus ocupa por inteiro o Evangelho deste domingo. Depois da confidência dos apóstolos poderíamos esperar um belo discurso de Jesus, uma oração poética, mais perguntas ou mais recomendações. Jesus está atento aos seus amigos: vinde, descansai e comei, que bem precisais.

É uma delicadeza que se alarga à multidão.

"Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e compadeceu-Se de toda aquela gente, porque eram como ovelhas sem pastor. E começou a ensinar-lhes muitas coisas".

Nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus. Jesus interpreta os tempos. Há um tempo para alimentar o corpo. Não adianta pregar a estômagos vazios.

Há um tempo para refletir, para orar, para dar sentido à vida, para apalavrar a existência.

Há pessoas miseráveis a viver em palácios, há pessoas felizes a viver em favelas. Quem tem muito pode pensar que a felicidade não passa pelos bens, ainda que não os dispense nem os partilhe com quem nada tem. A fé compromete-nos na transformação do mundo, na luta contra as injustiças, na promoção das pessoas e na inclusão dos mais frágeis.

A palavra já existia, Ela está no início, Jesus é a Palavra (o Verbo) de Deus que Se faz carne, Se faz corpo. Sem palavra, não há vida. É pela Palavra que Deus cria o mundo. Jesus põe-se a ensinar aquela multidão cujas pessoas são como ovelhas sem pastor. Jesus fala-lhes de Deus. Fala do Amor que é Deus e que abraça cada um. Fala-lhes de esperança e vida nova. Desafia-os a fazer da vida um milagre.

 

3 – Jesus Cristo dá a Sua vida para nos congregar como povo santo: um só rebanho com um só pastor. Uma verdadeira família para Deus. Para que todos sejam Um como Eu e Tu somos Um (cf. Jo 17, 21) De todos os povos dispersos, Jesus forma o Seu corpo.

O sublinhado de São Paulo é ilustrativo: “Cristo é, de facto, a nossa paz. Foi Ele que fez de judeus e gregos um só povo e derrubou o muro da inimizade que os separava… Cristo veio anunciar a boa nova da paz, paz para vós, que estáveis longe, e paz para aqueles que estavam perto. Por Ele, uns e outros podemos aproximar-nos do Pai, num só Espírito”.

O ponto de partida, o fundamento e o fim da nossa vida é a Santíssima Trindade.

________________________

Textos para a Eucaristia (B): Jer 23, 1-6; Sl 22 (23); Ef 2, 13-18; Mc 6, 30-34.

 

Reflexão Domincial COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso blogue CARITAS IN VERITATE.


20
Jun 15
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

1 – «Porque estais tão assustados? Ainda não tendes fé?».

Tantas curas e conversões, expulsão de demónios, vem a primeira tempestade e logo pensamos que Ele não se ocupa connosco.

É Jesus quem vai ao leme: «Passemos à outra margem do lago». Passemos à outra margem. Não fiquemos na segurança da terra firme, no nosso cantinho. Vamos ao encontro dos outros. As coisas podem até não correr como expectável, mas Ele segue connosco. A Igreja é chamada, permanentemente, com os seus membros, a passar a outras margens, ir a outros lugares, levar o Evangelho às periferias existenciais, como insistentemente tem sublinhado o Papa Francisco: «Prefiro mil vezes uma Igreja acidentada, caída num acidente, que uma Igreja doente por fechamento! Ide para fora, saí!».

Tranquilo, Jesus adormece na barca. Levanta-se grande tormenta. O mar está encapelado. O tamanho das ondas enche o barco de água. Os discípulos deixam-se vencer pelo medo de perecer e acordam Jesus: «Mestre, não Te importas que pereçamos?». Jesus acalma o mar e a tempestade: «Cala-te e está quieto».

346378917_1280x720.jpg

2 – «Porque estais tão assustados? Ainda não tendes fé?». Se Jesus cala a tempestade, é possível que seja mais do que aparenta ser! «Quem é este homem, que até o vento e o mar Lhe obedecem?».

Por mais esclarecida que seja a fé, engloba sempre a dúvida. Não é "pão, pão, queijo, queijo". Não é branco ou preto. Muitos santos passaram pela chamada "noite da fé", em que interrogaram Deus, como os discípulos: "Senhor, não Te importas que pereçamos?".

 

3 – «Porque estais tão assustados? Ainda não tendes fé?».

O beato Paulo VI, em 21 de junho de 1972, nono aniversário da Sua eleição, diante de situações menos fáceis na Igreja e no mundo, apelava à confiança em Deus, reconhecendo que "não é a nossa mão débil e desajeitada quem está no timão da barca de Pedro, mas sim a mão invisível, mas forte e amorosa do Senhor Jesus".

Bento XVI utiliza a mesma imagem da barca, entregando o Seu pontificado e toda a Igreja nas mãos de Deus. "Nestes oito anos, vivemos com fé momentos belíssimos de luz radiante no caminho da Igreja, junto a momentos nos quais algumas nuvens pairavam no céu" (Bento XVI, 28 de fevereiro de 2013).

Na última Audiência Geral, a 27 de fevereiro de 2013, Bento XVI comunica-nos a fé e a confiança em Deus, apesar de tudo:

"Oito anos depois, posso dizer que o Senhor me guiou verdadeiramente, permaneceu junto de mim, pude diariamente notar a Sua presença. Foi um pedaço de caminho da Igreja que teve momentos de alegria e luz, mas também momentos não fáceis; senti-me como São Pedro com os Apóstolos na barca no lago da Galileia: o Senhor deu-nos muitos dias de sol e brisa suave, dias em que a pesca foi abundante; mas houve também momentos em que as águas estavam agitadas e o vento contrário – como, aliás, em toda a história da Igreja – e o Senhor parecia dormir. Contudo sempre soube que, naquela barca, está o Senhor; e sempre soube que a barca da Igreja não é minha, não é nossa, mas é d’Ele. E o Senhor não a deixa afundar; é Ele que a conduz, certamente também por meio dos homens que escolheu, porque assim quis. Esta foi e é uma certeza que nada pode ofuscar. E é por isso que, hoje, o meu coração transborda de gratidão a Deus, porque nunca deixou faltar a toda a Igreja e também a mim a sua consolação, a sua luz, o seu amor..."

E prosseguia: "Deus guia a sua Igreja; sempre a sustenta mesmo e sobretudo nos momentos difíceis. Nunca percamos esta visão de fé… No nosso coração, no coração de cada um de vós, habite sempre a jubilosa certeza de que o Senhor está ao nosso lado, não nos abandona, está perto de nós e nos envolve com o seu amor. Obrigado!"

________________________

Textos para a Eucaristia (B): Job 38, 1. 8-11; Sl 106 (107); 2 Cor 5, 14-17; Mc 4, 35-41.


08
Mai 15
publicado por mpgpadre, às 10:05link do post | comentar |  O que é?

M. FERNANDO DA SILVA (2015). José, o esposo de Maria. Prior Velho: Paulinas Editora. 256 páginas.

José_Esposo_de_Maria.jpg

       No últimos anos, a figura de São José adquiriu uma maior relevância na Igreja, traduzida na liturgia, com os Papas a transparecerem a devoção popular e a própria devoção. Neste momento, três festas que se relacionam diretamente com São José: a 19 de março, solenidade; a 1 de maio, São José Operário, e a Festa da Sagrada Família, no domingo entre o Natal e a solenidade de Santa Maria, no primeiro dia no novo ano.

       O Papa Francisco, eleito a 13 de março de 2013, inaugurou o Pontificado precisamente no dia 19 de março, dando um sinal claro que entregava a Igreja e o Pontificado à proteção de São José. Seguidamente alguns gestos, prosseguindo com o desejo do Papa Bento XVI, de incluiu o nome de "São José, esposo de Maria" em todas as anáforas, uma vez que por ocasião da reforma litúrgica o Papa Paulo VI já incluíra no Cânone romano; e consagrar o Vaticano a São José, Padroeiro Universal da Igreja. Consagração planeada por Bento XVI.

       O Pe. Manuel Fernando da Silva, sacerdote da Arquidiocese de Braga, com ligações à Prelatura da Opus Dei, apresenta-nos um texto belíssimo sobre a figura de São José, escolhido por Deus para proteger e cuidar da sagrada Família de Nazaré, com o seu trabalho, bondade, com a sus descrição e santidade de vida. Não se sabe muito sobre São José, a não ser nas referências pontuais nos evangelhos da infância, em São Mateus e São Lucas e numa ou outra referência pontual. O autor procura apresentar-nos uma espécie de biografia de São José, partindo dos dados do Evangelho, dos silêncios, das "insinuações" que o texto vai propondo, do ideal homem justo, trabalhador e honesto que figura entre os crentes do povo eleito.

san_jose_ratzinger.jpg

       O autor recorre com mestria ao contributo dos Papas, mormente de Paulo VI, João Paulo II, Bento XVI e de Francisco, a quem dedica um capítulo. Se Bento XVI tem o mesmo nome de Batismo, pelo que se compreende de sobremaneira a sua especial devoção a São José; o atual Papa não se fica atrás em devoção. Curiosamente o autor clarifica a fé de Francisco, em São José que dorme, numa Homilia do Cardeal Ratzinger / Bento XVI em 19 de março de 1992. O então Cardeal parte de uma imagem em alto-relevo, de um retábulo português da época barroca, que retrata a fuga para o Egipto, em que São José é apresentado dentro de uma tenda a dormir, vestido, com botas altas, pronto para se pôr a caminho. Não apenas dorme, mas vigia, está disponível para escutar a palavra de Deus e pôr-se em marcha.

topic.jpg

       É conhecida a devoção do Papa Francisco que mandou vir da Argentina uma imagem de São José a dormir, a que dá uma explicação muito semelhante à do Cardeal Ratzinger / Bento XVI: São José dorme, sonha, escuta Deus, vigia a Igreja. O Papa quando tem alguma dificuldade coloca um papelinho debaixo da imagem, pedindo a solicitude de São José.

       A ligação espiritual à Opus Dei também é visível nestas páginas, não mais do que quando os jesuítas citam prevalentemente Santo Inácio de Antioquia, ou outro ilustre desta ordem, ou os franciscanos exemplificam com São Francisco ou outros ilustres, ou os dominicanos clarificam com São Domingos, ou os beneditinos com São Bento, ou como nós que citamos o nosso Bispo ou os Papas.

 

       É um livro que se lê bem, com uma linguagem acessível, com um discurso que nos faz acompanhar a vida de São José, referenciado sempre à Família, com Maria e com Jesus. Para quem seguir esta recomendação verá a riqueza das ligações bíblicas aos patriarcas, profetas, aos salmos. Envolver-se na vida de São José é envolver-se e entranhar-se na vida de Maria e de Jesus, no mistério da salvação que é revelado em plenitude no Deus que se faz Menino e vem habitar com pessoas "normais".

escada_saojose1.jpg

       Uma das histórias mais populares acerca de São José, e que o autor inclui neste livro, é a escada milagrosa atribuída a São José, no Estado do Novo México, nos EUA. Em 1898, a Capela de Loretto foi restaurada, levando um piso superior, para aumentar a capacidade, mas ficou sem escada de acesso. As irmãs requisitaram os carpinteiros da região mas nenhum apresentou uma solução que não implicasse a redução do espaço interno da capela. Confiaram-se a São José e no último dia de novena em Sua honra, apareceu um desconhecido com um jumento e uma caixa de ferramentas. Resolveria o problema com a condição de trabalhar com à porta fechada. Alguns meses depois a escada estava construída e o homem desapareceu sem deixar rasto. Passados 130 anos ainda não se descobriu tamanho mistério. Sem cola nem pregos, continua a não ameaçar ruína. A madeira, analisada, é da Judeia, mas não se sabe como veio ali parar. Concluiu-se que tinha sido São José a contruí-la. A escada tem 33 degraus, correspondente à idade com que, segundo popularmente se diz, morreu Jesus Cristo (terá morrido com 37 anos, tendo em conta que morreu no ano 30 da nossa era. Jesus nasceu à volta do ano 7 a.C, com o erro com que foi achado o Seu nascimento).


25
Abr 15
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

1 – A morte e ressurreição de Cristo, mistério maior da nossa fé, põe a descoberto o amor de Deus para connosco, que nos assume como filhos bem-amados.

São João, na segunda leitura, coloca em evidência uma das revelações mais significativas do Evangelho: Deus é nosso Pai. Pai de Jesus e, em Jesus, nosso Pai: «Vede que admirável amor o Pai nos consagrou em nos chamarmos filhos de Deus... Caríssimos, agora somos filhos de Deus e ainda não se manifestou o que havemos de ser. Mas sabemos que, na altura em que se manifestar, seremos semelhantes a Deus, porque O veremos tal como Ele é».

Precisamos do olhar dos outros mas sobretudo daqueles que em nós confiam e nos amam. Deus vê-nos e os seus óculos filtram amor, carinho, ternura, ainda que agora nos caiba a nós viver, caminhar, lutar, com os escolhos que encontraremos pela frente. Mas o Seu olhar, o Seu amor de Pai, é um desafio e uma segurança.

Olhar para Deus como Pai quando as experiências filiais são tremendas poderá ser contraproducente. Quando falamos do Pai e da Mãe – Deus é Pai e Mãe (João Paulo I) – estamos certos que são aqueles que geram, que cuidam, que se dispõem a dar a vida pelos filhos, em todas as circunstâncias. Escutávamos há dias o Papa Francisco: “Numerosas crianças são rejeitadas, abandonadas e subtraídas à sua infância e ao seu futuro… Elas nunca são «um erro».

Há situações dramáticas de abuso, de violência continuada, de pressão e chantagem que podem tornar incompreensível a linguagem terna, íntima, carinhosa de Jesus para com Deus, Seu e nosso Pai.

pastor.jpg

2 – «Eu sou o Bom Pastor. O bom pastor dá a vida pelas suas ovelhas. Eu sou o Bom Pastor: conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas conhecem-Me, do mesmo modo que o Pai Me conhece e Eu conheço o Pai; Eu dou a minha vida pelas minhas ovelhas».

As ovelhas são o ganha-pão de muitas famílias. Perder uma ovelha significará perder o lucro de semanas ou meses. O pastor leva as ovelhas às melhores pastagens, cuida para que nenhuma seja atacada por um lobo ou por um cão alheio ao rebanho. Conhece as ovelhas e elas conhecem a sua voz. O pastor apega-se às suas ovelhas, põe-lhes nomes, pega nelas ao colo quando pequeninas ou aleijadas.

Jesus relaciona o pastoreio com a filiação. O amor do Pai move-O para o cuidado das ovelhas. A filiação conduz, inevitavelmente, à fraternidade. A intimidade com o Pai leva-O a assumir-nos como irmãos. Assim nós também: se nos reconhecemos como Filhos de Deus, teremos que nos movimentar como irmãos, um só rebanho.

 

3 – A filiação (filhos de Deus) conduz à fraternidade (irmãos em Jesus Cristo).

Lembrava o papa Francisco, no início do Seu pontificado, fazendo eco das palavras de Jesus, que hoje é preciso deixar a ovelha que está dentro e sair à procura das 99 ovelhas que se encontram fora, distantes, sedentas, ignorando que há uma água mais límpida…

É preferível  uma Igreja acidentada, em saída, que uma Igreja enferma, de mãos cruzadas, comodamente instalada, qual água estagnada. Estas palavras refletem o pensamento do agora Papa Francisco, audíveis nos dias anteriores à Sua eleição para a cátedra de Pedro e posteriormente sublinhadas, e visualizáveis no Evangelho:

«Tenho ainda outras ovelhas que não são deste redil e preciso de as reunir; elas ouvirão a minha voz e haverá um só rebanho e um só Pastor. Por isso o Pai Me ama: porque dou a minha vida, para poder retomá-la. Ninguém Ma tira, sou Eu que a dou…».

__________________________

Textos para a Eucaristia (B): Atos 4, 8-12; Sl 117 (118); 1 Jo 3, 1-2; Jo 10, 11-18

 

Reflexão COMPLETA no nosso blogue CARITAS IN VERITATE.


08
Mar 15
publicado por mpgpadre, às 10:05link do post | comentar |  O que é?

CELAM (14.ª reimpressão: 2013). Documento de Aparecida. Texto conclusivo da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe. São Paulo e Brasília: Edições CNBB, Paulus Editora, Paulinas Editora. 312 páginas.

doc_Aparecida.jpg

        D. António Couto, Bispo da nossa Diocese de Lamego, tem sustentado que a primeira Exortação Apostólica do Papa Francisco, Evangelii Gaudium (A Alegria do Evangelho), mais que ser uma Exortação pós-sinodal (reflexão que resulta do Sínodo dos Bispos sobre "a nova evangelização para a transmissão da fé cristã", que se realizou em outubro de 2012, e no qual esteve presente D. António Couto), mais que ser pós-sinodal, é pós-APARECIDA.

       A pessoa não é um mundo à parte, mas integrado com as circunstâncias que a ajuda a crescer e para as quais também contribui. As conferências o Episcopado Latino Americano e caribenho trouxeram uma riqueza inesgotável à Igreja Católica. Os bispos daquela região do mundo, onde existem mais católicos, onde convivem diversas culturas, etnias, origens diversas, uma das regiões mais pobres, ainda que os recursos sejam muitos.

       Com a Assembleia de Aparecida, são 5 as assembleias gerais que puseram os Bispos a rezar em conjunto, a refletir, a apontar novos caminhos, com a autonomia do seu ministério, em estreita ligação ao Sucessor de Pedro, com Pio XII, na primeira Assembleia da CELAM, em 1955, no Rio de Janeiro; com Paulo VI e João Paulo II, sucessivamente em Medellín, Puebla e Santo Domingo, e com Bento XVI em Aparecida, no Brasil, e com a preocupação de responder aos desafios que se colocam à Igreja e à sociedade naquela região do mundo e que deu agora à Igreja o Papa Francisco.

       Algumas das preocupações manifestadas pelo Papa Francisco já estavam presentes no seu ministério episcopal na Argentina, integrando o continente da esperança e que o Papa Bento XVI desejava muito fosse também o continente do amor, da caridade. Expressões como discípulos missionários, Igreja em saída, alegria do Evangelho, comunidades de base, acolhimento, proximidade, compromisso social e político de leigos bem formados, catequese em todas as idades, diálogo com outras confissões cristãs e com outras religiões, presença na cultura, na sociedade, onde estiverem as pessoas aí terá que estar a Igreja.

       Quem lê o Documento facilmente percebe que tem a mão, o pensamento e o coração do Papa latino-americano, o então Cardeal Jorge Mário Bergoglio, uma vez que foi quem presidiu à Comissão da Assembleia do Episcopado e foi o relator do documento final de Aparecida.

       O método seguido na Assembleia é semelhante ao da Ação Católica, ver, julgar e decidir. Por conseguinte, o Documento traça uma leitura sobre a realidade ou realidades latino-americanas e caribenhas, com a sua história, com as suas sombras e esperanças; a presença da Igreja e do Evangelho, também com as suas sombras e esperanças, e com as suas potencialidades; e as respostas que poderão ser dadas e que comprometem e responsabilizam todos, Bispos, padres, diáconos, catequistas, universidades, famílias, paróquias, comunidades de base. Sair, ir ao encontro do mais frágil, lutar pela justiça, e pelos direitos fundamentais,, imitando Jesus, tornando-se discípulos para nos tornarmos verdadeiramente missionários. A proposta à grande Missão Continental, procurando potenciar todo o bem, eliminando as barreiras, as injustiças, levando Deus, o Deus próximo, o Deus connosco, Jesus Cristo.

       Sublinhe-se também a ligação estreita da V Conferência Latino Americana e Caribenha e do atual Papa Francisco ao Papa Bento XVI que presidiu à abertura da Assembleia e cujas intervenções foram assumidas, integradas, sublinhadas em todo o documento de Aparecida. Bento XVI entranhou-se bem no espírito de Aparecida, ou a CELAM soube acolher e identificar-se com o "sonho" de Bento XVI. Ou melhor, a Igreja na América Latina e no Caribe, em comunhão com o Papa, soube colocar-se à escuta do Espírito Santo para melhor servir as comunidades e as pessoas, acolhendo a graça de Deus e comunicando o Evangelho da Verdade e da Caridade.


25
Dez 14
publicado por mpgpadre, às 10:30link do post | comentar |  O que é?

JMJ_presepio_2014.jpg

 

       Para os cristãos, o Natal é – ou deveria ser – o encontro solene e festivo com Jesus, Deus que Se faz próximo da humanidade e da história, encarnando, fazendo-Se um de nós e um connosco, o Emanuel.

 

       Na Sua benevolência, Deus dignou-Se procurar-nos, não do exterior ou do alto, mas a partir de dentro, do interior, enxertando-Se na nossa humana fragilidade e finitude. Veio e vem para iluminar as nossas escolhas, para que estas reflitam a verdade, o bem e o amor, e nos conduzam a um felicidade duradoura, aberta à eternidade de Deus. Assume-nos na inteireza de seres humanos, de filhos Seus, de irmãos em Jesus.

       A celebração do Natal enche-nos da Luz de Cristo. Na dinâmica pastoral da nossa Diocese, o desafio a sermos, na expressão consagrada em Aparecida (Brasil), discípulos missionários, saindo do nosso conforto para anunciarmos o Evangelho, construindo, afetiva e efetivamente, a família de Deus, o que só se fará concretizando o amor de Deus que nos habita. “Os discípulos missionários sabem que a luz de Cristo garante a esperança, o amor e o futuro” (Gutiérrez).

       Advento ainda, João Batista ilustra a missão. “Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz” (Jo 1, 7-8). Faz eco de Isaías que nos apresenta o Natal como a Luz: “O povo que andava nas trevas viu uma grande luz” (Is 9, 1; cf. Mt 4, 16). João aponta para o Messias: eis o Cordeio de Deus que tira o pecado do mundo.

       Expressão muito querida ao Papa Francisco: Igreja em saída, uma Igreja lunar, que transpareça a Luz de Cristo, recusando a autorreferência, para que Jesus seja a único centro, e o CENTRO ilumine as periferias geográficas e existenciais.

       Do mesmo jeito, a Senhora do Advento, Maria, que gera Jesus e logo no-l'O dá. Faça-se em mim segundo a Sua palavra... Fazei o que Ele vos disser. Os pastores e os magos têm acesso imediato a Jesus, sem interferências de Maria ou de José. Tudo n’Ela aponta para Jesus.

       O tempo que decorre evidencia um Natal comercial e consumista. Em todo o caso, a celebração do Natal continua a ser ocasião, motivação e oportunidade para anunciar Deus que nos visita em Jesus Cristo e nos irmãos. O brilho das montras e as campanhas solidárias visualizam carências e fragilidades que – desligadas as luzes do Natal – comprometem os cristãos e as comunidades.

Santo e Feliz Natal e que a Luz de Cristo nos reenvie a construir com Amor a família de Deus.

 

Reflexão proposta e publicada na Voz de Lamego, 16 de dezembro de 2014


03
Nov 14
publicado por mpgpadre, às 10:00link do post | comentar |  O que é?

GISELDA ADORNATO (2014). Paulo VI. Biografia. A história, a herança, a santidade. Lisboa: Paulus Editora. 296 páginas.

PauloVI_biografia.jpg

        Surpreendente. Um retrato muito completo de um Papa que trouxe a Igreja para a atualidade, no meio de grandes provações, na procura de a manter fiel ao Evangelho da Verdade e da Caridade, tornando-a próxima do nosso tempo, da cultura e da ciência, apostando na evangelização, no compromissso missionário, aberta ao mundo, promovendo o ecumenismo e o diálogo com outras religiões e outras sensibilidades.

       A recente beatificação de Paulo VI, no passado dia 19 de outubro, no encerramento da III Assembelia Extraordinária do Sínodo dos Bispos (instituído por Paulo VI no prosseguimento do Vaticano II) e dedicada à família, tema amplamente refletido por ele que lhe trouxe muitos dissabores nomeadamente com a publicação da Exortação Apostólica Humanae Vitae, que suscitou as mais variadas reações, algumas de violento ataque ao papado e à Igreja, e que mesmo dentro da Igreja suscitou oposição e rutura.

       O pontificado de Paulo VI transformou a Igreja, ainda que tenha ficado marcado por vários episódios de tormento e provação. Depois da morte do bom Papa João XXIII, o Cardeal Montini, depois de um tempo de fervor pastoral na maior Diocese do mundo, Milão, regressa a uma casa que conhece bem, no serviço aos seus antecessores, nomeadamente Pio XII. Regressa como Papa, escolhendo o nome de Paulo, sublinhando desde logo a missionaridade da Igreja. 1963, o concílio está a meio e com a morte do Papa saltam as dúvidas se continuará e terá um desfecho. Logo Paulo VI retomará as sessões do Concílio, com uma intervenção muito interventiva, procurando pontes, não cedendo a pressões, com visões muitas vezes antagónicas entre os chamados conservadores e os progressistas. Paulo VI procura que uns e outros dialoguem, e se aproximem da verdade que é Jesus Cristo.

       Com Paulo VI iniciam-se as Viagens Apostólicas do Papa a diversos países do mundo: Israel, EUA, Portugal, Índia, Colómbia, Uganda... e um intenso trabalho apostólico de diálogo com os Ortodoxos, com as diversas confissões cristãs, mas também o diálogo interreligioso, com judeus e muçulmanos, mas também com outras culturas religiosas, encontro com o Dalai Lama.

PauloVI_Ratzinger_joão_PauloII.jpg

 

       Para quem viveu e cresceu com a figura de João Paulo II, de depois Bento XVI, e agora Francisco, os Papas anteriores são uma memória longínqua que nos é recordada de tempos a tempos. No entanto, com o reconhecimento da heroicidade das virtudes de Paulo VI, em 20 de dezembro de 2012, pela mão de Bento XVI e agora a beatificação, pelas mãos de Francisco, tornou-se urgente redescobrir esta figura iminente da Igreja.

       Tantas foram as vicissitudes que atravessaram a Igreja no século XX. Num tempo de grande transformação, a Igreja contou, no Papado, com figuras extraordinárias, pela inteligência, pela cultura, pela bondade, pela fé. Alguns dos Papas foram entretanto canonizados: Pio X, João XXIII, João Paulo II, e beatificado Paulo VI, mas decorre também o processo de beatificação de Pio XII aberto ainda por Paulo VI.

 

       Curiosa, nesta biografia, a grande proximidade de Paulo VI com os Predecessores mas também com os Sucessores. Trabalhou diretamente, na Cúria Romana, com Pio XI, Bento XV, Pio XII.

 

       João XXIII criou-o Cardeal, em 15 de dezembro de 1958. Por sua vez, Paulo VI cria Cardeal dois dos seus Sucessores, o futuro João Paulo II e Bento XVI.

       As intervenções de Paulo VI encontram eco alargado, pela clareza, pela insistência, pela frontalidade, pela humildade. Alguns temas são problemáticos e geram tensões. Ficará conhecido sobretudo pela Humanae Vitae, mas o seu magistério é muito mais abrangente, com a reforma litúrgica, a implantação do Concílio, a intervenção e compromisso social, o diálogo com a cultura e com a ciência, a aproximação aos jovens, a colegialidade dos Bispos em comunhão com o Papa, o ecumenismo, o diálogo interreligioso, as conferências episcopais, o dia Mundial da Paz, as viagens apostólicas, a intervenção na ONU, peregrino de Fátima, a internacionalização da Cúria Romana, e a reforma da mesma, o Ano da Fé (1968) e o Ano Santo (1975), acentuando precisamente a fé, a reconciliação, a centralidade de Jesus Cristo. As dissensões com os Bispos Holandeses, com Lefebrve, o beijar da terra em Milão, o beijar o pés a Melitone, metripolita de Calcedónia, estreitando os laços com a Igreja Luterana. A abertura da Igreja às mulheres e aos leigos. A Ação Católica.

Madre_Teresa_Calcutá_PauloVI.jpg

        Nasceu a 26 de setembro de 1987, em Bréscia, e faleceu a 6  de agosto de 1978, em Castel Gandolfo. Formado em Filosofia, Direito Canónico e em Direito Civil. Durante a Segunda Guerra Mundial é o chefe do Serviço de Informações do Vaticano e repsonsável por procurar soldados e civis presioneiros ou dispersos. A 1 de novembro de 1954, é eleito por Pio XII para Arcebispo de Milão, é ordenado a 12 de dezembro do mesmo ano, no Vaticano. A 15 de dezembro de 1958, é feito Cardeal. É eleito Papa a 21 de junho de 1963. A 8 de dezembro de 1965 encerra o Concílio Ecuménico Vaticano II.

       Em 21 de novembro de 1964, Consagra Nossa Senhora com o Título de Mãe da Igreja, isto é, Mãe de todo o Povo de Deus.

       Em 24 de dezembro de 1964, proclama São Bento como Padroeiro principal da Europa.

       Em 1971, atribui o prémio da Paz João XXIII a Madre Teresa de Calcutá.

       Morre "velho e cansado", mas com esperança na Igreja, conduzida por Cristo, o verdadeiro timoneiro. Alguns meses passa por mais uma grande provação: o rapto (16 de março de 1978) e morte do estadista democrata cristão Aldo Moro, cujo funeral se realiza na Basílica de São João de Latrão, a 13 de maio. Depois a aprovação da Lei do Divórcio, em Itália, no seu último ano de vida assiste ainda à entrada em vigor da Lei do Aborto. Morre às 21h40 de 6 de agosto de 1978.

 

       O futuro Papa João XXIII sobre Montini quando este vai para Arcebispo de Milão: "E agora, onde poderemos encontrar alguém que saiba redigir uma carta, um documento como ele sabia?"

 

       João XXIII, em Carta ao Arcebispo de Milão: "Deveria escrever a todos: bispos, arcebispos e cardeais do mundo [...]. Mas para pensar em todos contento-me de escrever ao arcebispo de Milão, porque nele levo-os a todos no coração, tal como diante de mim ele a todos representa".

 

       Montini-Paulo VI sobre João XXIII: "Que Ele fosse bom, sim, que fosse indiferente, não. Como ele se atinha à doutrina, como temia os perigos, etc. [...] Não foi um transigente, não foi um atraído por opiniões erradas. [...] O seu diálogo não foi bondade renunciatória e pacífica..."

 

       Em 27 de junho de 1977, nomeia Cardeal Joseph Ratzinger, arcebispo de Mónaco e Frisinga. Sobre o futuro Bento XVI:

"Damos atestado desta fidelidade também a V. Eminência, cardeal Ratzinger, cujo alto msgistério teológico em prestigiosas cátedras universitárias da Sua Alemanha e em numerosas e válidas publicações fez ver como a investigação teológica - na via maestra da fides quarens intellectum - não possa e não deva nunca andar separada da profunda, livre a criadora adesão ao Magistério que autenticamente interpreta e proclama a Palavra de Deus...".

       Sobre JOÃO PAULO II... Paulo VI nomeia-o Arcebispo de Cracóvia em 1964 e Cardeal em 1967. Recebeu-o pessoalmente 20 vezes e outras quatro com o Cardeal Wyszynski ou outros bispos polacos. Pedir-lhe-á para orientar os exercícios Quaresmais de 1976. 

       João Paulo II sobre Paulo VI: "Paulo VI trazia no seu coração a luz do Tabor, e com essa luz caminhou até ao fim, levando com alegria evangélica a sua cruz".

 

       Os os Bispos da América Latina que tomaram a iniciativa de promover o processo de Paulo VI para ser elevado aos altares. Por aqui se pode tirar um fio de ligação ao Papa Francisco...


04
Out 14
publicado por mpgpadre, às 10:00link do post | comentar |  O que é?

Papa FRANCISCO (2014). Catequeses sobre os Sacramentos. Fátima; Secretariado Nacional de Liturgia, 32 páginas.

        Depois de termos sugerido as CATEQUESES do Papa Francisco durante o ano de 2013, eis agora um opúsculo dedicado aos SETE SACRAMENTOS, recolha e proposta do Secretariado Nacional de Liturgia (SN Liturgia no Facebook) Os Sacramentos, sinais e expressão da presença de Deus no mundo através da Igreja, que nos envolvem e nos fazem participantes da vida divina, são sempre espaço de encontro, de partilha, de vida nova, de encontro e reencontro com a comunidade e com Deus, no desafio constante de nos deixarmos plasmar pelo Espírito Santo, para nos tornarmos cada vez mais parecidos com Jesus Cristo, com a força renovada no empenho em transformar o mundo em que vivemos.

       De forma coloquial, o Papa Francisco procura, de forma assertiva, mostrar a importância, a seriedade e a dinâmica dos Sacramentos.

       Para quem for mais fácil ler, então a sugestão desta brochura. Para quem preferir ler em formato digital, ou imprimir, siga as hiperligações, clicando sobre cada título. As catequeses, estas e outras, estão disponíveis na página oficial do Vaticano, no apartado das Audiências-Gerais das Quartas-feiras.

  1. Batismo, Fundamento da nossa Fé.
  2. Pelo Batismo, tornamo-nos membros do Corpo da Igreja.
  3. Pela Confirmação, recebemos o Espírito Santo como Dom.
  4. Eucaristia, memorial da Páscoa de Jesus.
  5. Eucaristia e Vida.
  6. Na Confissão pedimos perdão a Jesus.
  7. Unção dos Doentes, Misericórdia de Deus.
  8. Sacramento da Ordem.
  9. Sacramento do Matrimónio.

São catequeses breves, acessíveis, para ler e meditar e sobretudo para viver melhor os Sacramentos e o compromisso com a Igreja e com a Sociedade.


21
Set 14
publicado por mpgpadre, às 10:00link do post | comentar |  O que é?

PAPA FRANCISCO (2014). O mistério da Igreja. Catequeses do primeiro ano de pontificado. Lisboa: Paulus Editora. 120 páginas.

       Neste livro, as catequeses do Papa Francisco, nas Audiências Gerais das Quarta-feiras, durante o primeiro ano de pontificado, à excepção da última, referente ao tempo do Advento. A 13 de março de 2013, o Cardeal Jorge Mario Bergoglio aparecia à varanda do Palácio Apostólico como Papa Francisco, em pleno Ano da Fé, instituído e iniciado por Bento XVI, pelo que as catequeses seguem a linha escolhida pelo Predecessor, mormente a reflexão dos diversos artigos do Credo.
       A continuidade não é apenas na temática, mas na acessibilidade da mensagem, simples, direta, numa linguagem de fácil compreensão, com imagens para ilustrar o que se está a dizer, ainda que cada Papa deixe transparecer o seu estilo mais pessoal.
       As catequese são dividas em 4 partes.

 

 

  • PARTE I - NÃO DEIXES QUE TE ROUBEM A ESPERANÇA
  1. Semana Santa, tempo de graça do Senhor
  2. As mulheres, as primeiras testemunhas da ressurreição
  3. Cristo Ressuscitado, a Esperança que não engana
  4. Subiu aos Céus, está sentado à direita de Deus Pai
  5. O fim dos tempos
  6. São José Operário e início do mês mariano
  7. O Espírito Santo, fonte inesgotável de vida
  8. O Espírito de Verdade
  • PARTE II - O MISTÉRIO DA IGREJA
  1. Sintamos a alegria de evangelizar
  2. A Igreja, família de Deus
  3. Igreja, Povo de Deus
  4. Igreja, Corpo de Cristo
  5. Igreja, Templo do Espírito
  6. As colunas da Igreja
  7. Igreja, nossa Mãe
  8. O Rosto da Igreja-Mãe
  • PARTE III - CREIO NA IGREJA
  1. Igreja Una
  2. Igreja Santa
  3. Igreja Católica
  4. Igreja Apostólica
  5. Maria, imagem e modelo da Igreja
  • PARTE IV - A FÉ PROFESSADA
  1. Creio na comunhão dos santos
  2. A comunhão nas coisas sagradas
  3. Professo um só batismo
  4. Para a remissão dos pecados
  5. Creio na ressurreição da carne
  6. Ressuscitaremos com Cristo
  7. Creio na vida eterna
       Vamos ouvindo e lendo uma frase, uma expressão, um tema desenvolvido pelo Papa Francisco.
       Mas como em muitas situações, ler integralmente a mensagem, ou escutar na íntegra a intervenção não é o mesmo que ler ou escutar uma passagem, isolada do seu contexto e muitas vezes utilizada abusivamente para ilustrar outros argumentos. Vale sempre a pena ler todo o texto, pelo que assim deixamos este convite. São reflexões breves, de fácil leitura, quase nos sentimos na assembleia com quem o Papa Francisco interage.
       Também poderá aceder aos textos a partir da página do VaticanoAQUI.


24
Ago 14
publicado por mpgpadre, às 14:00link do post | comentar |  O que é?

WALTER KASPAER (2014). O Evangelho da Família. Prior Velho: Paulinas Editora. 72 páginas.

       No dia 17 de março de 2013, o Papa Francisco, na oração do ANGELUS, a primeira aparição na varanda do Palácio Apostólico, referiu que a leitura de um livro de Walter Kasper, sobre a misericórdia de Deus, lhe tinha feito muito bem. Menos de um ano depois, Walter Kasper recebeu o convite do Papa para refletir sobre a problemática da família, tendo em conta o Sínodo Extraordinário dos Bispos, no outono de 2014, e o Sínodo ordinário dos Bispos, em 2015, que terão como pano de fundo os "Desafios pastorais sobre a família no contexto da evangelização".

       Com efeito, foi enviado às Dioceses, paróquias, comunidades eclesiais, e disponibilizados em diferentes plataformas um extenso questionário procurando abranger os vários temas relacionados com a Família, dificuldades e potencialidades, a família e a Igreja, a família e a sociedade, novas formas de entender ou viver a família.

       No Consistório extraordinário dos Cardeais, 20 e 21 de fevereiro de 2014, coube a Walter Kasper a reflexão sobre a família, não antecipando conclusões do Sínodo, mas deixando pistas de reflexão, partindo da dinâmica bíblica, contextos, evoluções, conjugando a estrutura do matrimónio e da família com o anúncio do Reino de Deus, acentuando a misericórdia de Deus com a fidelidade às promessas feitas.

        Uma das problemática afloradas nesta apresentação, agora em livro, é a dos divorciados recasados, com a sugestão de uma prática pastoral de acolhimento, procurando dar respostas novas e acolhendo o contributo daqueles que vivem essas situações difíceis, para que a solução, o caminho encontrado, sob a sintonia do Papa, possa brotar dos anseios e preocupações das pessoas.

        Com grande sentido e abertura, o Cardeal avança com algumas hipóteses, para que a verdade esteja revestida da misericórdia de Deus, procurando que as respostas vão de encontro às sugestões das comunidades eclesiais de todo o mundo. A unidade a encontrar na reflexão não será fácil, mas como em outros momentos da história da Igreja, há que procurar um caminho comum, comprometendo-nos com a vivência do reino de Deus. É uma obrigação. Um compromisso. Um desafio, para que não se percam as gerações seguintes, dos filhos e dos netos.

       O livrinho, além da exposição feita aos Cardeais, apresenta alguns anexos explicativos das propostas apresentadas, entre as quais a sugestão do então professor Joseph Ratzinger (depois Papa Bento XVI) para se retomar de um modo novo a posição de Basílio, também partilhada pelo próprio Walter Kasper.


22
Ago 14
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

JOSÉ ANTONIO PAGOLA(2014). Volver a Jesús. Hacia la renovación de las parroquias e comunidades. Madrid: PPC. 128 páginas.

       O teólogo espanhol é já nosso conhecido nestas andanças de livros, textos e sugestões. Tem-se dedicado a refletir sobre Jesus e sobre os Evangelhos, contextualizando a época em que Jesus viveu e procurando que a Mensagem seja significativa neste tempo.

       Neste pequeno livro, Pagola desafia precisamente a regressar a Jesus, à Sua mensagem, à Sua vida, gestos, postura, procurando ver como Jesus fazia, abrindo caminhos para viver ao Seu jeito nos dias em que nos é dado viver a nossa vida.

       Mergulhar no Evangelho. Reportar-nos ao essencial: amor, perdão, acolhimento, proximidade, grande intimidade com o Pai, opção pelos pobres, denúncia do mal, do pecado, da hipocrisia, dos poderosos que usam os pobres.

       O ponto de partilha é a Exortação Apostólica do Papa Francisco, a Alegria do Evangelho, que convoca os cristãos, todos os cristãos, a viverem com alegria a sua fé, como pessoas corajosas, sem medo de falar, de mostrar Jesus Cristo, saindo ao encontro de todos, mas primeiramente dos pobres, dos mais pobres. Agindo ao jeito de Jesus.

       O texto é também uma proposta pastoral, para formar os Grupos de Jesus, para a escuta do Evangelho, em que o centro seja Jesus, cujos encontros podem ser em casas particulares, sem rigidez quanto ao número de pessoas, em que a escuta e meditação do Evangelho sejam a referência. Obviamente estes grupos deverão estar atentos e poderão cooperar ativamente me dinâmicas pastorais e paroquiais. O Objetivo primeiro é escutar Jesus, deixar-se converter pela Sua Palavra, com ligação ao compromisso social.

       Ter a coragem de colocar fim a estruturas que já não convertem, não mobilizam, não libertam a pessoa.

Esta leitura pode ser muito interessante para os Conselhos Pastorais: mostrando o que realmente vale a pena resgatar, viver, anunciar. No final só uma conclusão: só Jesus Cristo, só Deus é definitivo. Converter-se de todo o coração a Jesus. As estruturas e as tradições hão de estar ao serviço do reino de Deus, como a Igreja, como os cristãos. Anunciar Jesus. Sair dos lugares de conforto, espevitar a fé, promover os dons de cada um em benefício de todos.

O castelhano é de fácil e acessível leitura, mas esperando um pouco logo estará disponível em português. O autor como o livro foi-nos recomendado, informando que a tradução para português está pronta, faltando a publicação. Aguardemos.

       Para quem não tenha lido a Exortação Apostólica de Francisco, a Alegria do Evangelho, seria oportuno ler agora, por exemplo, enquanto se aguarda a publicação deste livro em português. Perceber-se-á melhor o contexto, o ambiente desta proposta de Pagola.

       Segue a apresentação do livro pelo próprio José Antonio Pagola:


15
Jun 14
publicado por mpgpadre, às 10:00link do post | comentar |  O que é?


14
Jun 14
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – “Sede alegres, trabalhai pela vossa perfeição, animai-vos uns aos outros, tende os mesmos sentimentos, vivei em paz. O Deus do amor e da paz estará convosco. A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco”.

       São Paulo, partindo da realidade das comunidades, sabendo que não é fácil conjugar variadas sensibilidades, remete para a origem e fundamento da fé e da comunidade: o Deus de Jesus Cristo – o amor do Pai, a graça do Filho, Jesus Cristo, e a comunhão do Espírito Santo. Que todos diferentes, procurem viver com os mesmos sentimentos.

       2 – Somos pouco trinitários, na Igreja e na sociedade. Existem pessoas e grupos que promovem a corresponsabilidade, a participação de todos, procurando as melhores soluções, criando as condições para que todos se sintam em casa. Porém, o ideal "eu quero, posso e mando" está muito vincado e são demasiadas as situações que vem ao de cima a prepotência, o egoísmo, a imposição das próprias ideias pela chantagem, pelo poder, pelo controlo dos instrumentos de decisão.

 

       3 – O papa Francisco, tal como fazia em Buenos Aires, tem insistido na cultura do encontro, na cultura do diálogo. Esta cultura implica dar e receber. Se parto para um diálogo para impor a minha vontade, decidido a não fazer cedências, esperando que os outros renunciem às suas convicções, pois as minhas são as melhores do mercado, não será possível encontrar-me verdadeiramente com o outro. Em vez de diálogo temos monólogo, em vez de encontro, submissão, em vez de compromisso, imposição.

       Em grupos eclesiais, partidos políticos, clubes desportivos, vem muitas vezes ao de cima a prevalência de uma pessoa, ou de um conjunto de ideias que rejeitam tudo o mais. Vejam-se as disputas eleitorais. Quem ganha, ilude-se, muitas vezes, pensando que as suas ideias são as melhores do mundo.

       Na cultura do encontro, o diálogo fala e escuta, acolhe e contribui, interage para melhorar propostas. Se eu sei tudo e ninguém me pode ensinar, em nenhum aspeto, fecho-me a toda a novidade e a toda a riqueza que outros me tragam, deixo de progredir. Um sonho sonhado sozinho não passa de um sonho, um sonho sonhado com os outros torna-se realidade (frase atribuída a John Lennon).

       A evolução humana, social, política, cultural e religiosa, passa pelo diálogo, pelo encontro, pelo contributo de várias pessoas e povos. Há génios e descobertas extraordinárias. Mas ainda assim contam com os outros, a começar pelos genes, pela vida, e por intuições anteriores. Dessa forma, a humanidade avança. O "criador" humano avança a partir de alguma coisa, de outros, de outras invenções.

 

       4 – A cultura do encontro há de conduzir à civilização do amor, de que falava Paulo VI, tema retomado muitas vezes por João Paulo II. É a o AMOR, o Espírito Santo, que une o Pai e o Filho. O Pai que ama, o Filho que é amado, e o Espírito Santo, o Amor que faz a comunhão. É na Trindade que nasce a Igreja. É por amor, para nos salvar, que, em Jesus, Deus assume a nossa frágil condição humana. É por amor que Jesus vai até ao fim, dando a última gota de sangue. É por amor que Deus faz permanecer Jesus, através do Espírito Santo.

       Diz Jesus a Nicodemos: «Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito, para que todo o homem que acredita n’Ele não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele».

       A condenação não é querida por Deus. Resulta da nossa liberdade. Podemos recusar o amor, podemos destruir a esperança. Podemos fechar-nos em oposição aos outros. A vontade de Deus é a vida dos homens, a sua salvação. Moisés faz essa experiência de proximidade: invoca Deus que desce da nuvem e vem ao seu encontro. A oração de Moisés ajuda-nos a colocar-nos diante de Deus

       Apesar da dureza do caminho, e também por isso, Moisés, em nome de todo o povo, pede que Deus caminhe no meio, perdoando os seus, os nossos, pecados. 


Textos para a Eucaristia (ano A): Ex 34, 4b-6. 8-9; 2 Cor 13, 11-13; Jo 3, 16-18.

 


mais sobre mim
Relógio
Outubro 2017
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
11
12
13

15
16
17
18
19
20
21

22
23
24
25
26
27
28

29
30
31


Visitantes
comentários recentes
O mundo atual precisa do testemunho cristão. Livro...
Saudações fraternas. Claro que sim. Ao longo da Su...
Caríssimo, no texto que comento, anuncia a experiê...
Sofres do síndrome de última bolacha do pacote
Quero agradecer por essa linda história e texto po...
Gostei da trilogia.http://numadeletra.com/1q84-liv...
Olá!Caí neste comentário acerca deste último livro...
http://numadeletra.com/41791.html
também gostaria de o conhecer pessoalmente acho in...
Bom dia. Alguns elementos para o ofertório estão v...
Bom dia. Sou catequista na minha paróquia e estamo...
Mais uma vez, muitos parabéns por nos dar este bel...
Eu já sabia que não devemos menosprezar nunca o po...
Bom dia. Eu é que agradeço, pela presença, pelo in...
Bom dia Padre Manuel! É sempre com muito agrado qu...
arquivos
Pinheiros - Semana Santa
- 29 março / 1 de abril de 2013 -
Tabuaço - Semana Santa
- 24 a 31 de abril de 2013 -
Estrada de Jericó
pesquisar neste blog
 
Velho - Mafalda Veiga
Festa de Santa Eufémia
Pinheiros, 16/17 de setembro de 2012
Primeira Comunhão 2013
Tabuaço, 2 de junho
Papa Bento XVI
Profissão de Fé 2013
Tabuaço, 19 de maio
blogs SAPO