...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...
01
Out 13
publicado por mpgpadre, às 10:00link do post | comentar |  O que é?

       Enquanto aguardámos o lançamento do Ano Pastoral 2013/2014, e a publicação da CARTA PASTORAL de D. António Couto, nosso Bispo, propomos a reflexão que se segue, introduzindo a temática sobre a qual incidirá o próximo Plano Pastoral da Diocese de Lamego - Ide e fazei discípulos.

 

       Decorre, de 11 de outubro de 2012 a 24 de novembro de 2013, solenidade do Cristo Rei e, na nossa Diocese, Dia da Igreja Diocesana, o ANO DA FÉ no qual procuramos acolher, traduzir, viver sob o lema pastoral: [Com MARIA] Vamos juntos construir a Casa da Fé e do Evangelho.

       O lema aglutinador enquadra o ano da Fé e a inevitabilidade da Nova Evangelização, com uma linguagem mais acessível e vivência mais autêntica da Fé, redescobrindo a beleza do Evangelho, deixando-se preencher pela alegria da salvação, tornando-se testemunha, em palavras e gestos, do amor de Jesus Cristo.

       O lema aponta para um movimento, que não tem fim, com a finalidade de edificar a Igreja como Casa onde todos cabem, para onde todos são chamados, onde a Fé e o Evangelho são alimento para a vida quotidiana. Uma CASA com ramificações em todas as casas, em todas as famílias, e em todas as dimensões da vida, como refere o nosso Bispo, D. António, na Carta Pastoral.

       A Casa está em construção permanente. Jesus é a pedra angular. Sólidos alicerces: a graça de Deus, a Palavra, os Sacramentos, a vida em comunidade. Somos pedras vivas deste edifício. As portas estão escancaradas, para ACOLHER e para PARTIR ao encontro dos outros.

       No início de pontificado, em 22 de outubro de 1978, o Papa João Paulo II lançava um desafio aos jovens e extensível a toda a Igreja: “Não, não tenhais medo! Antes, procurai abrir, melhor, escancarar as portas a Cristo!”

        Bento XVI, no início do seu pontificado, a 24 de abril de 2005, renovava o apelo: “Quem deixa entrar Cristo não perde nada, nada do que torna a vida livre, bela e grande. Não! Só nesta amizade experimentamos o que é belo e o que nos liberta. Queridos jovens: Não tenhais medo de Cristo! Ele não tira nada, concede tudo. Quem se dá a Ele, recebe cem por um. Sim, abri, escancarai as portas a Cristo – e encontrareis a verdadeira vida”.

       Na Jornada Mundial da Juventude, na Alemanha, acentua a interpelação: “Atrevei-vos a colocar os vossos talentos e dons ao serviço do Reino de Deus... tende a ousadia de ser santos brilhantes, em cujos olhos e corações reluz o amor de Cristo, levando assim a luz ao mundo…”

        «Ide, pois, fazei discípulos de todos os povos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a cumprir tudo quanto vos tenho mandado. E sabei que Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos» (Mt 28, 19-20).

       Após a Ressurreição, Jesus aparece aos seus discípulos e envia-os. Envia-nos.

       Ide e fazei discípulos.

       Nunca deixamos de ser discípulos, alunos, aprendizes de Jesus Cristo. Simultaneamente, a missão de comunicar a alegria que recebemos. Ilustrativo o encontro de Maria com Isabel: “Logo que chegou aos meus ouvidos a tua saudação, o menino saltou de alegria no meu seio” (Lc 1, 44). Quem recebe a Boa Notícia, não pode fazer outra coisa senão passá-la ao próximo.

       Ide e fazei discípulos.

       É uma tarefa de sempre. Como os discípulos da primeira hora, temos de viver Jesus, deixando que Ele nos fale e aja através de nós, pelo Espírito Santo. Logo nos tornamos mensageiros do Seu amor, da Boa Notícia da salvação.

       São Paulo deixou o mote: “se eu anuncio o Evangelho, não é para mim motivo de glória, é antes uma obrigação que me foi imposta: ai de mim, se eu não evangelizar!” (1 Cor 9, 16).

       O Papa Francisco, em vésperas da Sua eleição, já convocava a Igreja para sair a levar esta boa notícia a todos os recantos: “Evangelizar supõe na Igreja a "parresia" [coragem, entusiasmo] de sair de si mesma. A Igreja está chamada a sair de si mesma e ir para às periferias, não só as geográficas, mas também as periferias existenciais: as do mistério do pecado, as da dor, as da injustiça, as da ignorância e da indiferença religiosa, as do pensamento, as de toda a miséria… Quando a Igreja não sai de si mesma para evangelizar torna-se autorreferencial e então adoece… A Igreja, quando é autorreferencial, sem se aperceber, julga que tem luz própria, deixa de ser o mysterium lunae [mistério da lua]… [que o próximo Papa] …ajude a Igreja a sair de si para as periferias existenciais, que a ajude a ser a mãe fecunda que vive da “doce e reconfortante alegria de evangelizar”.

       Estão a decorrer as Avalanches da Fé, uma proposta de D. António Couto, para percorrer todo o chão da Diocese de Lamego, levando Jesus Cristo, com o entusiasmo e a alegria dos jovens, a todas as pessoas e realidades envolventes. A perspetiva entra já neste novo ano pastoral: IDE E FAZEI DISCÍPULOS… 

 

in Boletim Paroquial Voz Jovem, setembro 2013.


27
Set 13
publicado por mpgpadre, às 13:30link do post | comentar |  O que é?

       O Boletim da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, Voz Jovem, está de regresso. Tirou férias em agosto, mas regressa ao trabalho, informação e formação, divulgação de atividades pastorais, de celebrações, realizadas ou a realizar, notícias e textos de reflexão, sugestões e desafios. Neste número de setembro destaque para a primeira página inteiramente dedicada ao LEMA pastoral para a DIOCESE de LAMEGO para o Ano Pastoral 2013/2014. Na segunda página, e como editorial, texto de enquadramento do tema - Ide e fazei discípulos (Mt 28,19) -, enquanto se aguarda pela CARTA PASTORAL do nosso Bispo, D. António Couto. Refira-se que no dia 5 de outubro realizar-se-á, no Seminário Maior de Lamego, a Assembleia do Clero, oportunidade para assumir diretizes, dar sugestões pastorais, envolver-se com os desafios da Diocese e da Igreja, e ao mesmo tempo com o fito de preparar o Encerramento do Ano da Fé, para o próximo dia 24 de novembro, solenidade de Cristo Rei e na nossa Diocese, Dia da Igreja Diocesana.

       Outro tema em destaque são as AVALANCHES DA FÉ, atividade sugerida por D. António, acerca de um ano, e para se realizar durante o Ano da Fé, o objetivo era/é percorrer todo o chão da Diocese de Lamego, bater a todas as portas, levar Jesus Cristo, a alegria do Evangelho, dar um sorriso, um abraço, uma palavra amiga, interpelar as pessoas para a dimensão da fé. Com a responsabilidade maior do SDPJ de Lamego e dos jovens mas alargadas a todas as pessoas que queiram participar. Neste número texto/reflexão sobre as avalanches e imagens das que foram realizadas no Arciprestado de Moimenta da Beira, Sernancelhe, Tabuaço, e nas quais participaram jovens de Tabuaço.

       Na última página, a reflexão bíblica, com a figura de José do Egipto, as informações habituais, e um pedaço da reflexão do Papa Francisco, numa das últimas Audiências Gerais, das quarta-feiras, onde compara a Igreja às Mães, convidando a frequentarmos a Universidade das Mães.

O Boletim poderá ser lido a partir da página da paróquia de Tabuaço, ou fazendo o download:


27
Jul 13
publicado por mpgpadre, às 10:28link do post | comentar |  O que é?

       Já no ambiente mais descontraído das festas, aí está a edição de julho do Boletim Paroquial Voz Jovem. Este número é dedicada à celebração do Sacramento da Confirmação, no passado dia 6 de julho, com a presença do Sr. Bispo D. António Couto, crismando 17 jovens da comunidade, que juntou dois grupos que frquentaram o 10.º ano de catequese, nos anos pastorais de 2011/2012 e 2012/2013.

       Para lá da notícia desenvolvida pelas catequistas, algumas fotos da celebração. Na página três duas questões colocadas por crianças ao Papa Bento XVI, e que fazem parte de um conjunto maior (pode ser lido na íntegra AQUI), sobre a comunhão e sobre a confissão.

       Na última página o editorial, com a assinatura do pároco, e o olhar de um jovem, que continua a apresentar a vida de José do Egipto, bem como outra informação paroquial.

O Boletim poderá ser lido a partir da página da paróquia de Tabuaço, ou fazendo o download:


28
Jun 13
publicado por mpgpadre, às 15:43link do post | comentar |  O que é?

       "Iniciávamos este mês com a Solenidade do Corpo e Sangue de Jesus Cristo, e com a Primeira Comunhão dos meninos do 3.º ano de catequese, reconhecendo que a oferenda de Jesus evidencia a totalidade, a plenitude do amor de Deus por nós. Deus ama-nos até ao último sopro, até à última gota de sangue. Ele faz de nós a Sua herança, a terra que vem habitar" (Editorial).

       Nas mãos, ou nesta realidade virtual e globalizante, o Boletim Voz Jovem de junho. Este mês, coomo referido neste pedaço de editorial, torna presente as celebrações mais importantes para a Igreja e, em particular, para a comunidade paroquial de Tabuaço. Destaque neste número para a Primeira Comunhão, celebrada na Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo (Corpo de Deus), no dia 2 de junho (tendo passado a celebração de quinta para domingo, em virtude sa supressão do feriado do Corpo de Deus). Outros temas que enformam o boletim: a Peregrinação Nacional das Crianças a Fátima, ainda Profissão de Fé, o encerramento da catequese,  e outras informações para a comunidade.

O Boletim poderá ser lido a partir da página da paróquia de Tabuaço, ou fazendo o download:


24
Jan 13
publicado por mpgpadre, às 15:52link do post | comentar |  O que é?

       Com o aproximar do fim do mês, a edição do boletim paroquial VOZ JOVEM, deste primeiro mês do ano de 2013.

       O editorial, nuima referência incontornável apresenta ROSTOS do ano da Fé, com destaque para o padroeiro da Diocese de Lamego, São Sebastião. Nas páginas centrais, a 2 e 3, a Peregrinação a Roma, no Encontro Internacional Taizé, na passagem de 2012 para 2013, e o dia de formação YOUTRAVEL - a viagem do Youcat pelas Dioceses portugueses, para dar a conhecerp Catecismo Jovem da Igreja Católica, para se converter em ferramento de ajuda à catequese e aos encontros juvenis.

       Na última página, para lá da refleão bíblica, notícias/informações de interesse para a comunidade paroquial de Tabuaço.

       O Boletim poderá ser lido a partir da página da paróquia de Tabuaço, ou fazendo o download:


03
Jan 13
publicado por mpgpadre, às 10:35link do post | comentar |  O que é?

       1 – Como é que um acontecimento tão longínquo pode hoje modificar a nossa vida?

       Com efeito, o Natal é tão atual agora como no tempo de Jesus. Como? Trata-se do mistério de Deus que envolve a humanidade toda. Jesus é luz de Israel que Se revelará a todas as nações (cf. Lc 2, 21-39). É o mesmo Deus que quer habitar em nós. Um dia lá em Belém, hoje em cada coração.

 

       2 – Como reagiria eu se Maria e José me batessem à porta? Tenho lugar para Deus na minha vida? Interpelações de Bento XVI na noite de Natal. Se estamos cheios de nós mesmos não há lugar para os outros.

       Importa voltar ao mistério do Natal. Deus, na Sua grandeza, assume a nossa natureza frágil, “…Por isso venho a ti como menino, para que Me possas acolher e amar”.

       De novo as palavras de Bento XVI:

       “Se a luz de Deus se apaga, apaga-se também a dignidade divina do homem. Então deixamos de ser, todos, irmãos e irmãs, filhos do único Pai que, a partir do Pai, se encontram interligados uns aos outros”.

 

       3 – Viver hoje o Natal imitando Maria.

       Docilidade na escuta. Não compreende tudo. O essencial só é visível aos olhos do coração.

       Docilidade que interroga. Maria interroga o Anjo e Jesus. Guarda e medita os acontecimentos. Interroguemos a nossa fé. Não aceitar tudo o que vem do mundo, ou com a roupagem do divino…

       Docilidade e pressa no serviço. Primeiro ajudar e só depois pensar. Quem pensa demasiado como ajudar, quase nunca ajuda…

 

       4 – Viver hoje o Natal imitando José.

       Não fazer julgamentos precipitados. José descobre que Maria está grávida. O filho não é seu. Não se precipita. Aguarda. Pensa. Reflete. Sonha. Só então percebe como os planos de Deus vão além dos planos humanos e temporais.

       5 – Viver hoje o Natal com a Família de Nazaré. A vida nunca é a ideal. Maria e José encontram dificuldades, têm de proteger o Menino, no nascimento. Depois, têm de deixar a casa e a terra para sobreviver.

       Compreensão e tolerância. A religião abre-nos aos outros. Maria e José abrem as portas para os pastores e os magos. Cumprem com as tradições religiosas. Apresentam Jesus no templo, vão lá todas as páscoas, voltam para O procurar, interrogam para perceber, guardam no coração o que ultrapassa a compreensão humana.

 

       6 – Viver hoje o Natal com a postura de Jesus.

       Jesus alimenta-se da vontade de Deus. Vive a partir de Deus. Mas obedece a Maria e a José (cf. Lc 2, 41-52).

 

       7 – Viver o Natal a partir do Natal de Jesus.

       Cada vez mais o Natal dispensa Jesus… A vida pulsa mais nos afetos e sentimentos que nos bens que possuímos. No presépio (curral) onde o milagre acontece não há muitas coisas, mas há calor, luz. Aquela criança é uma bênção. Para os pais. Para Israel. Para os povos da terra.

       E hoje? As vidas que nascem (e as que estão para nascer) são bênção para os pais? Para a sociedade? Como é que acolhemos quem irrompe na nossa vida?

 

in Boletim Voz Jovem, dezembro 2012

Para uma melhor compreensão consultar o esboço: Viver o Natal em 2013


28
Dez 12
publicado por mpgpadre, às 15:10link do post | comentar |  O que é?

       Aí está a última edicção do Boletim VOZ JOVEM. Em dezembro, a solenidade da Imaculada Conceição, com a novena, o compromisso dos acólitos, a festa da comunidade, ocupa uma lugar de destaque, assim no boletim, assim na comunidade paroquial. Mas não faltam outros textos, informações, reflexõs, sobre o Natal, sobre a escola da Fé, sobre a Festa de Natal da Catequese, sugestão de leitura, informações internas da (para a) comunidade, e as fotos que documentam estes momentos.
 Para quem não tiver acesso ao formato impresso, disponibilizamos os formatos virtuais:

       O Boletim poderá ser lido a partir da página da paróquia de Tabuaço, ou fazendo o download:


28
Nov 12
publicado por mpgpadre, às 11:00link do post | comentar |  O que é?

O encanto do primeiro encontro (...) não pode iludir a questão de fundo: é importante falar das coisas que unem crentes e não crentes, mas é fundamental discutir também o que os separa

        A criação de um Átrio dos Gentios, por parte do Vaticano, para ir ao encontro de agnósticos e ateus é um sinal para toda a Igreja Católica e Portugal quis dizer presente, organizando uma sessão do projeto, em Braga e Guimarães, simbolicamente capitais europeias da juventude e da cultura, respetivamente.

       O encanto do primeiro encontro deixa uma sensação de dever cumprido e abre as possibilidades que todo o futuro encerra em si, mas não pode iludir a questão de fundo: é importante falar das coisas que unem crentes e não crentes, mas é fundamental discutir também o que os separa, um fosso que muitas vezes oscila entre a indiferença e a pura rejeição. Esse passo implica sair até do próprio átrio, por parte da Igreja, e ir à procura pelas ruas, pelos espaços que não habita, sujeitando-se à crítica, ao escárnio e eventualmente à perseguição, mas sempre na convicção de que a sua mensagem é de todos os tempos e para todas as pessoas.

       Os cruzamentos de reflexões e de valores podem, nesse sentido, reforçar a apresentação dessa mensagem, sem a desvirtuar, tornando-a mais apta à compreensão de quem a desconhece e mais plural para quem, dentro da própria Igreja, se limita a visões parciais, incompletas e mesmo incorretas do património ético, espiritual e religioso do Cristianismo.

       Entre o ‘eu acredito em mim’ e o ‘eu acredito em Deus’, expressões ouvidas em Braga, vai um mundo de questões, de vivências, de opções de fundo que não podem ser ignoradas se o Átrio dos Gentios, em Portugal, quiser mesmo ser a porta para um novo caminho que os seus promotores pretendem. E, necessariamente, tem de deixar os limites geográficos em que se realizou e abrir-se ao país, com o apoio dos responsáveis e das comunidades católicas, para uma nova gramática do ser Igreja num tempo em que a fé não é um dado explícito no viver quotidiano. O diálogo, o verdadeiro encontro, é sempre um prazer mas é, acima de tudo, um desafio constante e nunca terminado.

 


02
Nov 12
publicado por mpgpadre, às 10:00link do post | comentar |  O que é?

       No fim de semana de 13 e 14 de outubro iniciámos o ANO DA FÉ na nossa comunidade paroquial, tendo sido inaugurado no Vaticano, pelo Papa Bento XVI, no dia 11 de outubro, 50.º aniversário da abertura do Concílio Ecuménico Vaticano II e 20.º aniversário da publicação do Catecismo da Igreja Católica, durante a XIII assembleia ordinária do Sínodo dos Bispos, entre 7 e 28 de outubro, sobre a “Nova evangelização para o transmissão da fé cristã”, no qual participa D. António Couto.
       Ao lema pastoral proposto pelo nosso Bispo, acrescentámos, como sufixo, a companhia de Maria. É a nossa padroeira. Será sempre a referência fundamental deste pedaço de Igreja em Tabuaço, sabendo que a Festa da Imaculada Conceição é um dos momentos mais extraordinários de vivência comunitária da fé cristã, com a novena e o dia da festa, com a solene Eucaristia e a Procissão por algumas das ruas da nossa paróquia. É nossa padroeira. É padroeira de Portugal. É padroeira/madrinha dos Bombeiros Voluntários de Tabuaço.
       Sem grande esforço concluímos que Ela sempre caminha connosco, aponta-nos para Jesus Cristo, Seu Filho – Fazei o que Ele vos disser –, é-nos dada por Mãe, somos-lhe entregues como filhos, no alto da Cruz – Eis o teu filho, eis a tua Mãe – (Jo 19, 26-27). Se até ao momento da Cruz, Maria é Mãe de Jesus e modelo de acolhimento da vontade de Deus, depois da morte e ressurreição Ela torna-se a Mãe de todos os crentes, guardiã da esperança e da unidade. É à volta da Mãe que os apóstolos perseveram unidos à espera do Messias morto, e que voltará. Sem Ela seria o descalabro. Desta hora em diante, como discípulos amados do Senhor, levemo-l’A connosco, para casa, para a vida. Deixemos que Ela nos envolva e nos invada com o Seu olhar de Mãe. Fixemo-nos, como Ela, no olhar de Jesus. Vivamos, como Ela, alimentados pelo Espírito de Deus. Confiemos, como Ela, em Deus que é Pai, ainda que vivamos momentos dolorosos.
       Vamos juntos construir… Depois da Visita Apostólica de Bento XVI a Portugal, a Conferência Episcopal lançou um desafio: “Repensar juntos a Pastoral da Igreja em Portugal”. Diz o nosso Bispo, D. António Couto, na Carta Pastoral que nos é dirigida, e a toda a Diocese de Lamego:

“Convoco todos os Padres e toda a Diocese para abrirmos de par em par as portas da escuta qualificada da Palavra de Deus, da formação, da fração do pão, da comunhão e da oração. Escolas de fé, acolhimento, formação da fé, vivência e transmissão da fé constituem o grito que mais se levantou no chão eclesial aquando da auscultação das pessoas no processo sinodal «Repensar juntos a Pastoral da Igreja em Portugal» (n.º 8).

       E juntos vamos construir uma CASA comum, a Casa da Fé e do Evangelho, procurando que cada coração e cada família, cada grupo e cada comunidade, sejam extensão da Casa da Fé e do Evangelho, melhor, sejam parte integrante, ramificações do CORAÇÃO de Jesus que pulsa em nós.

 

Editorial Voz Jovem, outubro 2012


12
Out 12
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

Em tantas situações, nesta diáspora cultural onde estamos semeados, a única palavra verosímil é a do testemunho de uma vida vivida com simplicidade e alegria no seguimento de Jesus.

       O teólogo Karl Rahner escreveu que “A Igreja tem sido conduzida pelo Senhor da história para uma nova época”. Não se trata só de baixas drásticas nos indicadores estatísticos quando se compara a atualidade com aquele que já foi o quadro da vivência da Fé. A questão é bem mais complexa. Talvez o que o nosso tempo descobre, mesmo entre convulsões e incertezas, seja um modo diferente de ser crente, traduzido de formas alternativas nas suas necessidades, buscas e pertenças. Não estamos perante o crepúsculo do cristianismo, como defendem aqueles que se apressam a chamar pós-cristãs às nossas sociedades. Quem não se apercebe que o radical lugar do cristianismo foi sempre a habitação da própria mudança não o colhe por dentro. Mas há eixos que se vão tornando suficientemente claros para que seja cada vez mais um dever os enunciarmos e contarmos com eles. 

Podem-se apontar três:

  • Primeiro, os cristãos regressam à condição de “pequeno rebanho”. Com a evaporação de um cristianismo que se transmitia geracionalmente como herança inquestionada, os cristãos voltam a sê-lo por decisão pessoal, uma decisão muitas vezes em contra-corrente, maturada de modo solitário em relação aos círculos mais imediatos de pertença. Já não é de modo previsível que nos tornamos cristãos. Isso acontece e acontecerá cada vez mais como uma opção e uma surpresa.
  • Depois, à medida que se assiste a um enfraquecimento da inscrição institucional das Igrejas no horizonte da sociedade redescobrimos o valor e as possibilidades de uma presença discreta no meio do mundo. Em tantas situações, nesta diáspora cultural onde estamos semeados, a única palavra verosímil é a do testemunho de uma vida vivida com simplicidade e alegria no seguimento de Jesus.
  • E, em terceiro lugar, esta grande mudança epocal mostra-nos que precisamos recuperar aquilo que Karl Rahner chama o “santo poder do coração”. Os cristãos são chamados a viver a amizade como um ministério. “Isto é o que vos ordeno: amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (Jo 15,17). Há, de facto, uma revelação do cristianismo que só a prática da amizade é capaz de proporcionar. E nisto, o mundo, que pode até perder-se em equívocos sobre os cristãos, não se engana. Mesmo se for um único instante de contacto o que tivermos, tal basta para deixar transparecer uma amizade.

José Tolentino Mendonça, Editorial da Agência Ecclesia.


08
Ago 12
publicado por mpgpadre, às 11:00link do post | comentar |  O que é?

       Respiramos férias, ainda que nem todos as possam usufruir, pelos compromissos profissionais, ou pelas condições económicas adversas, ou porque ainda se encontram com trabalhos precários ou mesmo sem trabalho.

       Nas comunidades paroquiais, como em Tabuaço, o ambiente ferial é notório nas atividades pastorais e na participação nas celebrações, em especial na Eucaristia, sobretudo na vespertina, mas também na dominical. Um dos fatores (in)visíveis é a maior ausência de crianças e adolescentes, em particular daqueles que eram assíduos em tempo de catequese paroquial.

       Em abono da verdade, as férias são benéficas para todos e todos deveriam ter não apenas o direito mas a possibilidade de as gozar. Uma pausa na rotina quotidiana, mudança de ocupação, um horário diferente, momentos de encontro e de convívio, de festa e reunião da família e dos amigos, maior tempo de repouso. Poderá ser também tempo de reflexão, de mudar aqueles aspetos que nos impedem de estarmos bem connosco e com os outros e com o mundo.

       A fé, contudo, não tira férias. É como o ar que respirámos. É como o alimento. Se não fizermos uma refeição compensamos por outra mais farta (pode não ser mais saudável), ou por outros alimentos mais frugais ou mesmo por comidas de plástico. É como a vida familiar, ou como o amor. Os tempos podem ser diferentes e as vivências das mesmas também, mas não há lugar para desaparecer do mapa, ou de anular os laços por algum tempo. Com efeito, o amor, a alegria, a fé, os sentimentos, quanto mais se partilham, vivem e celebram, tanto mais hão de frutificar.

       Neste contexto, o voz jovem de julho aponta já para o próximo Ano Pastoral, o ANO da FÉ, convocado pelo Papa Bento XVI, com vários momentos importantes: Sínodo dos Bispos para a Nova Evangelização, em Roma, 50 anos após o início do Vaticano II, 20 anos da publicação do Catecismo da Igreja Católica, Jornada Mundial da Juventude, no Brasil…

       Na nossa Diocese o lema está escolhido: “Vamos juntos construir a casa da Fé e do Evangelho”, tendo em conta o ano da Fé, e a Nova Evangelização, e a Igreja como casa de todos e para todos. Dia 17 de setembro, o Plano Pastoral será apresentado na Assembleia do Clero...

 


31
Mai 12
publicado por mpgpadre, às 11:00link do post | comentar |  O que é?

Tantos “dias de” onde é possível – e preciso - reclamar a afirmação “Nós somos católicos” e exigir a presença, a participação, o compromisso!

 

       A mobilização virtual em torno de um slogan foi imediata: um vídeo espalhado pelas redes sociais, partilhado repetidamente e recomendado entre amigos fez de uma certeza – “Nós somos católicos” – uma sintonia global entre os que concretizam a experiência do cristianismo numa família, a da Igreja Católica.

       A afirmação é traduzida por muitas imagens, pela poesia, pela evocação do empreendedorismo de pessoas e organizações, a inovação humanizante em cada época na saúde, na educação, na assistência. Tudo à escala global e a cada passo comprovada pelas referências constantes, em ruas e cidades, a figuras maiores desta família.

       Em dois minutos, o filme percorre mais de 2000 mil anos de História, evoca grandes feitos e criações e provoca convergências espontâneas entre povos de qualquer canto do mundo para uma certeza: todos estamos unidos a uma Pessoa, Jesus Cristo.

       Diante de qualquer caos, é essa convicção que permite a permanência: a da Igreja e a de muitos nessa família. Existe entre todos um denominador comum que permite somar ou subtrair, acrescentar ou tirar, mas nunca dividir.

       A memória deste vídeo (reveja o vídeo no final do texto) que qualquer motor de pesquisa traz ao ecrã, acontece no contexto de iniciativas que, em todos os tempos e com particular incidência nestes dias, ocorre no nosso “jardim à beira mar plantado” e que reclamam, dos que pertencem a esta grande família, a afirmação clara e convicta de que “Nós somos católicos”.

       Abundam as oportunidades para o fazer, nas dioceses que se reorganizam ou nos projetos que inovam. Basta seguir as propostas que fazem convergir núcleos desta família para um “Dia da Diocese”, “Dia da Juventude”, “Dia da Família”, “Dia das Comunicações Sociais”… Tantos “dias de” onde é possível – e preciso - reclamar a afirmação “Nós somos católicos” e exigir a presença, a participação, o compromisso!

       Não menor é o desafio que recai sobre os promotores de qualquer convocatória. Num contexto social cruzado de eventos e convites é urgente a reformulação de propostas e a qualificação de todos os projetos, mesmo os que acontecem em família.

       Só dessa forma será possível dizer não apenas Nós somos católicos”, mas acrescentar com confiança e a todas as pessoas “Bem-vindo à tua casa!”

 

Paulo Rocha, Editorial Agência Ecclesia.

 


26
Mai 12
publicado por mpgpadre, às 10:10link do post | comentar |  O que é?

       A comunidade de Jerusalém é modelar, ainda hoje, ou sobretudo hoje, para as comunidades cristãs. “Eram assíduos ao ensino dos Apóstolos, à união fraterna, à fração do pão e às orações… Todos os crentes viviam unidos e possuíam tudo em comum… Como se tivessem uma só alma, frequentavam diariamente o templo, partiam o pão em suas casas e tomavam o alimento com alegria e simplicidade de coração” (Atos 2, 42-47).

       A descrição dá-nos uma ideia da vivacidade dos crentes e das relações solidárias e fraternas entre todos. Funcionam a um só coração, voltados para Jesus Cristo e para a Sua postura de amor, de entrega, de inclusão.

       A partir desta descrição, nestes meses de maio e de junho, mas solidificando o que deve ser sempre a comunidade dos cristãos, sublinhamos três realidades essenciais na vivência da nossa fé e no compromisso com os outros.

       A oração é o ponto de partida e de chegada da nossa fé. Há de ser o nosso alimento. O paradigma é Jesus Cristo. Sempre que se aproximam ocasiões decisivas, Ele afasta-Se para rezar, para escutar a Deus, Seu e nosso Pai. Este afastamento é físico mas não espiritual, pois pela oração tornamo-nos mais próximos uns dos outros. Se todos estamos unidos a Deus nem a realidade espácio-temporal inibe a nossa cumplicidade, a nossa comunhão.

       Por outro lado, há de ser na oração que descobrimos a alegria de sermos cristãos, filhos amados de Deus, abrindo a nossa mente e o nosso coração para acolhermos o Espírito Santo na força da Sua luz e da Sua graça santificante.

       Como fácil se conclui, a oração não nos isola, não nos desliga do mundo das pessoas. Ao invés, a oração une-nos mais radicalmente aos outros e ao mundo. A oração reenvia-nos na missão de testemunharmos a todos e em toda a parte o amor de Deus que experimentamos em nossas vidas, ainda que em momentos de sofrimento, de solidão e de doença, tenhamos mais dificuldade em expressar a alegria e a confiança no Deus da Vida e do Amor, do Encontro e da Festa. 

       Em Jesus, Deus faz-nos para sempre partícipes da Sua vida. Somos filhos no Filho. Somos herdeiros da vida eterna. Somos raça de Deus, portamos em nós as marcas do amor divino. No código de barras, que é cada um de nós, pode ler-se a pertença a Deus, a nossa origem, o nosso chão seguro, a casa do nosso conforto, da nossa confiança. É o amor maior. Somos habitação de Deus. Jesus, o rosto do Pai, e nós, o rosto de Cristo, que nos mostra os sinais da Sua paixão, as marcas do amor que nos devota. O amor que O leva a estender os braços na Cruz, é o mesmo Amor que se desprende da Cruz e nos abraça, terna e longamente. Da Sua à nossa Ressurreição. Até à eternidade.

       Se cada um é filho de Deus, somos todos irmãos. Comunidade. Família. Não são já os laços de sangue que nos identificam com os outros, mas os laços do amor de Deus em nós. A oração provoca-nos para a missão, com o fito de estreitarmos a comunhão entre todos, coração a coração, como repetidamente nos diz o nosso Bispo.

       Não bastam espaços físicos de encontro, é imperioso que nos encontremos nos sentimentos, nas emoções, nas alegrias e nas tristezas, fazendo da Igreja casa de todos e fazendo com que em cada casa brilhe a luz do Evangelho e da fé em Cristo Jesus. Como no princípio, na comunidade de Jerusalém, bata em nós o coração de Jesus.


22
Mai 12
publicado por mpgpadre, às 18:36link do post | comentar |  O que é?

       O boletim paroquial VOZ JOVEM, como habitualmente quando se aproxima o último domingo do mês, aí está, para já em formato virtual e no fim de semana impresso. Em maio, os temas são variados, bem assim como as informações. No editorial, reflexão à volta do tema propostos como aglutinador para os meses de maio e junho, ORAÇÃO, MISSÃO, COMUNHÃO, partindo da caraterização da comunidade de Jerusalém nos primórdios da Igreja. Nas páginas centrais, duas atividades relacionadas sobretudo com os jovens: Fátima Jovem 2012 e XXVII Jornada Diocesana da Juventude. Espaço também para a notícia do Dia da Mãe e do Encontro de Reflexão Bíblica. Na última página, o Olhar de um Jovem, informações habituais e duas imagens da Procissão das Velas, no passado dia 12 de maio.

O Boletim poderá ser lido a partir da página da paróquia de Tabuaço, ou fazendo o download:


12
Mai 12
publicado por mpgpadre, às 12:19link do post | comentar |  O que é?

Mesmo que construamos a palavra como uma torre, temos de aceitar que ela (...) muitas vezes nos incapacita para a comunicação

 

        Quando penso no contributo que a experiência religiosa pode dar num futuro próximo à cultura, ao tempo e ao modo da existência humana, penso que mais até do que a palavra será a partilha desse património imenso que é o silêncio. Já a bíblica narrativa de Babel ponha a nu os limites do impulso totalitário da palavra. Mesmo que construamos a palavra como uma torre, temos de aceitar que ela não só não toca cabalmente o mistério dos céus, como muitas vezes nos incapacita para a comunicação e a compreensão terrenas. Precisamos do auxílio de outra ciência, a do silêncio. Já Isaac de Nínive, lá pelos finais do século VII, ensinava: «A palavra é o órgão do mundo presente. O silêncio é o mistério do mundo que está a chegar».

       Na diversidade das tradições religiosas e espirituais da humanidade, o silêncio é um traço de união extraordinariamente fecundo. Na tradição muçulmana, por exemplo, o centésimo Nome de Deus é o nome inefável que não pode ser rezado senão no silêncio. Os místicos não se cansaram de explorar essa via. Veja-se o persa Rûmi (1207-1247) que aconselha ao seu discípulo: «Àquele que conhece Deus faltam-lhe as palavras». Noutra geografia temos a anotação espiritual de Lao-Tsé, «o som mais forte é o silencioso», ou a de Bashô, «silêncio/ uma rã mergulha/ dentro de si», ou a de Eléazar Rokéah de Worms, cabalista judeu que afirmava: «Deus é silêncio».

       Também a Bíblia coteja minuciosamente o silêncio de Deus. E este nem sempre é um silêncio fácil, mesmo se somos chamados a acreditar na verdade do dístico que nos oferece o Livro das Lamentações: «É bom esperar em silêncio a salvação de Deus». O silêncio de Deus fustiga os salmistas: «Ó Deus, não fiques em silêncio; não fiques mudo nem impassível!» (83,2); leva Job a erguer-se numa destemida teologia de protesto; e faz o inconformado profeta Habacuc dizer: «Tu contemplas tudo em silêncio» (Hab 1, 13). O silêncio do Pai será particularmente enigmático na agonia no Getsémani e na experiência da Cruz, onde Jesus lança o grito: «Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?». Contemplamos neste grito o mistério de Deus e o do Homem no mais devastador silêncio que o mundo conheceu. Contudo, é no lancinante silêncio que sucede ao seu grito que reside a revelação pascal de Deus.

 

José Tolentino Mendonça, Editorial Agência Ecclesia.


28
Abr 12
publicado por mpgpadre, às 19:11link do post | comentar |  O que é?

        O boletim paroquial Voz Jovem está disponível nos formatos habituais. A destacar, neste mês de abril, a festa mais importante da liturgia, a PÁSCOA de Jesus Cristo, com a preparação da mesma, a vivência da Semana Santa. Este número está mais preenchido pelas imagens dos diversos momentos e celebrações da semana santa. Como editorial, o enquadramento do tema a refletir em comunidade e, na última página, informações da e para a comunidade paroquial de Tabuaço, bem assim com a reflexão bíblica, no olhar de um jovem. Boa leitura.

O Boletim poderá ser lido a partir da página da paróquia de Tabuaço, ou fazendo o download:


27
Mar 12
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

       A conversão é a atitude permanente do cristão, é um modo de ser e de viver em Cristo. Não é conversão a uma ideologia, a um sistema de imposições, mas a Jesus, vida nova, vida de graça e de fé. Converter-se implica deixar-se transformar pelo Espírito de Deus, tornando-se, com os seus gestos e com as suas palavras, nova criatura, num processo sempre inacabado.

       A palavra que dá origem à nossa conversão é metanoia, e tem a ver com o ultrapassar-se a si mesmo, superar os seus limites, ir mais além. É a lógica da perfeição/santidade como caminho. A pessoa está chamada, desde logo pela sua humanidade, a aperfeiçoar-se cada vez mais. E até mesmo aqueles que reconhecemos como prepotentes têm necessidade dos outros e de aperfeiçoar alguns aspetos da sua vida, nem que seja para serem mais ardilosos no que fazem.

       Tem também a ver com a adaptabilidade.

       Hoje, mais do que ontem, mais do que nunca, temos que nos adaptar e rapidamente a situações e desafios novos. As transformações que se operavam há 50/100 anos eram muito lentas, o que permitia que as pessoas se adaptassem à evolução socioeconómica, social e religiosa. Mudar mentalidades leva muito tempo e precisa de muita paciência. Hoje falta-nos tempo! E talvez sabedoria!

       As mudanças efetuam-se à velocidade da luz. O nosso organismo – corpo e mente – tem muita dificuldade em se adaptar, em se converter a novas situações, tão velozmente. A pessoa acomoda-se: tem necessidade de casa, de descanso, de repouso, de pisar terra firme. Ao mesmo tempo, a adaptabilidade é uma das suas ferramentas essenciais de sobrevivência. Tantas foram as alterações ao longo dos séculos que o ser humano assimilou, adaptando-se e evoluindo.

       Destarte, falar de conversão não é assim tão estranho. Ao longo da nossa existência terrena podemos necessitar de nos convertermos várias vezes, mudar de profissão, mudar de local de emprego, mudar de habitação, deslocar-nos para outra terra, aprender outra língua, aprender outra técnica para sermos competitivos no trabalho...

       Falar de conversão, no contexto da fé cristã, significa estar disponível para acolher a graça de Deus e para mudar sempre que necessário o nosso coração e nossa mente para podermos aproximar-nos de Deus e ser fiéis, nas situações reais do nosso tempo e no lugar onde habitamos, ao Evangelho da verdade e da caridade, traduzindo em palavras e obras a fé que professamos e estar disponíveis para confrontar a nossa vida com a de Jesus Cristo.

       A nossa fragilidade muitas vezes trai-nos, na busca da verdade, na vivência da caridade, mas devemos prosseguir, na certeza que só tentando cumprimos a nossa missão como pessoas e como cristãos. A conversão é contínua, é um caminho que se constrói em movimento.

       Um belíssimo testemunho é a conversão do Apóstolo São Paulo. Mostra como há alturas da vida em que podemos "cair do cavalo", cair em nós, tomar consciência do caminho a percorrer e do que ainda nos distancia da vontade de Deus.

       De repente deixou de ver…

       No contacto com a intensidade de LUZ que vem de Jesus também nós podemos ficar cegos, e sobretudo se forçarmos os nossos olhos contra a luz de Cristo. É necessário que nos caiam as escamas, que os nossos olhos possam deixar passar a LUZ de Deus, possam ver com o olhar de Deus.

 


15
Mar 12
publicado por mpgpadre, às 10:31link do post | comentar |  O que é?

É urgente que a vida não seja só a acumulação do tempo e do seu cavalgar sonâmbulo

       Gosto, mas gosto muito, que a primeira palavra de Jesus no Evangelho de João seja uma pergunta (e seja aquela pergunta): “Que procurais?” (Jo 1,38). Consola-me ir percebendo que o que sustenta a arquitetura dos encontros e dos desencontros que os Evangelhos relatam é uma espécie de coreografia de perguntas, um intenso tráfico interrogativo, construído a maior parte do tempo a tatear, sem saber bem, com muitas dúvidas, muitos disparos ao lado, muita incapacidade até de comunicar. Isso é uma âncora, por muito que nos custe, pois uma vida só assente em respostas é uma vida diminuída, à maneira de uma primavera que não chegou a ser. Não sei como vai rebentar em nós a primavera, como se vai acender este reflorir que a natureza insinua, este renascer que o gesto pascal de Jesus espantosamente (res)suscita na nossa humanidade. Sei apenas que nas perguntas, mesmo naquelas que são difíceis e nos estremecem, reencontramos a vida exposta e aberta, certamente mais frágil, mas a única que nos permite tocar as margens de uma existência autêntica.

 

       Todos somos habitados por perguntas e elas cartografam zonas silenciosas, territórios de fronteira do nosso ser. Estes dias reencontrei a pergunta de Pilatos (ainda no Evangelho de João): “O que é a verdade?” (Jo18,38). E dei comigo a aproximar esta pergunta de uma das frases emblemáticas de Jesus: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14,2). Sem querer relativizar a natureza densamente dogmática do enunciado, dei comigo, porém, a revisitá-lo em chave existencial. E era como se Jesus, mestre da vida que incessantemente se reformula em nós, nos desafiasse a uma apropriação. Sim, a uma apropriação. É necessário que perante a multidão dos caminhos percorridos e a percorrer cada um de nós diga: “eu sou o caminho que percorro”. É decisivo que as verdades que acordamos não sejam uma sobreposição, mas uma expressão profunda do que somos: “eu sou a verdade”. É urgente que a vida não seja só a acumulação do tempo e do seu cavalgar sonâmbulo, mas que cada um, pelo menos uma vez, possa dizer plenamente: “eu sou a vida”. Acho que é disto que o mistério pascal fala.

 

José Tolentino Mendonça, Editorial da Agência Ecclesia.


01
Mar 12
publicado por mpgpadre, às 10:29link do post | comentar |  O que é?

       1 – Iniciámos o tempo da QUARESMA, dedicado a preparar a celebração litúrgica mais importante dos cristãos: a PÁSCOA. A paixão redentora de Jesus Cristo culmina num grito de alegria que ilumina de paz e de vida a terra inteira. Do túmulo surge uma LUZ tão intensa que renova toda a humanidade. É este o fundamento e a certeza da nossa fé, é o início de uma longa jornada que já leva dois mil anos (aproximadamente).

       O sepulcro não resiste à violência da graça, da vida, do amor que jorra de Deus. Num provérbio muito popular, dizemos da água: água mole tanto bate em pedra dura até que fura. Aqui podemos dizer que a suavidade do amor é força mais robusta que a pedra colocada na entrada do túmulo onde o corpo de Jesus foi depositado.

       2 – A festa tem mais sentido e sabor quando nos preparamos, quando fazemos esforço. Se a festa nos for oferecida tem a beleza da gratuidade, mas, em algumas situações, pode não nos envolver o suficiente. Quando desfrutamos da festa tendo presente o trabalho que nos exigiu então valorizamos cada momento e mesmo se alguma coisa não correr de feição sabemos que fizemos por que tudo fosse pensado e vivido “ao pormenor”. As pequenas falhas, a existirem, serão enquadradas no conjunto da festa, que envolve o antes, o dia propriamente dito, o tempo subsequente que nos permite degustar, tranquila e alegremente. Se chegamos à festa sem qualquer ambientação nem a viveremos com o devido apreço nem saberemos relativizar algum aspeto que não corra tão bem, apontando este ou aquele defeito, pois não fomos nós que tivemos o trabalho.

       Vivamos a Quaresma. Caminhemos resolutamente para a Páscoa. Com a certeza que o trabalho primeiro e maior é de Deus. É Ele que nos chama e opera em nós a conversão. A cada um de nós, e à comunidade a que pertencemos, cabe acolher a benevolência de Deus, numa caminhada iniciada no Batismo.

 

       3 – Na liturgia da quarta-feira de cinzas sublinham-se vários aspetos a considerar como atitude permanente, mas relembrados com maior vivacidade nesta época: reconhecer a nossa pequenez, a nossa fragilidade humana, não como humilhação mas como abertura aos outros e a Deus, como oportunidade de renovar o nosso compromisso com a verdade e com a caridade.

       O profeta Joel deixa o alerta do Senhor nosso Deus: “Convertei-vos a Mim de todo o coração, com jejuns, lágrimas e lamentações. Rasgai o vosso coração e não os vossos vestidos” (Joel 2, 12-18). Os sinais exteriores e as tradições da piedade popular são de valorizar se resultarem da vivência interior e levarem à prática do bem.

       São Paulo, por sua vez, fixa uma certeza: “somos embaixadores de Cristo” (2 Cor 5, 20ss). Logo, vivemos não de nós e para nós, mas vivemos a partir de Jesus Cristo, alimentamo-nos da Sua vida, da Sua palavra, e a favor de todos.

       No Evangelho (cf. Mt 6, 1-6.16-18), o desafio para que as nossas ações, jejuns, boas obras, não sejam nem apenas nem principalmente para mostrarmos que somos melhores que os outros, mas, com a descrição cristã, beneficiem sem expor, testemunhem a fé de Cristo e tudo, o que fizermos e dissermos, conduza para Ele.

 


28
Fev 12
publicado por mpgpadre, às 19:28link do post | comentar |  O que é?

A Agência Ecclesia nasce do trabalho que D. Manuel Falcão inaugurou no início da década de sessenta

 

       “O trabalho começa hoje e não acaba nunca”. A afirmação é do Papa Paulo VI e compõe o penúltimo parágrafo da primeira encíclica do seu pontificado. Paulo VI falava do diálogo – teria de ser – e da prática que encontra tanto no “interior da Igreja” como com os de fora. Isso é sinal de que “a Igreja está hoje mais do que nunca viva”. “Mas – continua de imediato -, reparando bem, parece que tudo está ainda por fazer”.

       Na Ecclesiam Suam, Paulo VI escreve 65 vezes a palavra diálogo. O documento é programático e de um pontificado que dava continuidade aos trabalhos do Concílio Vaticano II e teria de os fazer chegar à universalidade da Igreja. O Papa Montini reserva metade do texto, a segunda, para falar de diálogo. Antes, de outras duas atitudes que propõe para a Igreja Católica: consciência, renovação.

       Na década de sessenta, e nos dias de hoje, o diálogo “com tudo o que é humano” é o horizonte. Paulo VI assume “de bom grado” essa “primeira universalidade”: “a vida, com todos os seus dons e problemas”. Depois, na definição de “círculos concêntricos” onde a Igreja Católica é chamada a estar em diálogo, refere os “crentes em Deus”; num terceiro círculo, o “mundo que se intitula cristão”. O Papa fala depois no diálogo dentro da Igreja, um “diálogo doméstico”, que deseja “familiar e intenso”.

       O programa não é de há 50 anos. É dos dias de hoje. A comprová-lo, acontecimentos e sobretudo histórias de vida.

       Entre os acontecimentos, dois exemplos: a participação ativa e criativa de pessoas e instituições da Igreja Católica em iniciativas como Braga Capital Europeia da Juventude ou Guimarães Capital Europeia da Cultura.

       Entre as vidas, sobressai a notoriedade de algumas. Sobretudo quando correspondem não a comportamentos ocasionais, antes a uma atitude permanente. É o caso de D. Manuel Franco Falcão

        Despedirmo-nos deste homem exige sobretudo dizer-lhe obrigado! Ao longo dos seus 89 anos, na universidade, no sacerdócio, no ministério episcopal viveu a urgência do diálogo. E dialogou; lançou-se ao encontro do outro, nos mesmos círculos concêntricos propostos pelo Papa Paulo VI.

       Na História da Igreja em Portugal, D. Manuel Franco Falcão deixa capítulos inovadores sobre sociologia da religião, sobre diálogo da e na Igreja, sobre preservação e fruição do património. Deixa também largos passos dados na valorização dos meios de comunicação social. Concretamente, a Agência Ecclesia nasce do trabalho que D. Manuel Falcão inaugurou no início da década de sessenta. Por isso e por tudo, obrigado! Sobretudo por sempre ter valorizado essa fronteira do diálogo, onde a Igreja é chamada a estar cada vez com mais intensidade, o mundo dos media.

 


23
Fev 12
publicado por mpgpadre, às 10:59link do post | comentar |  O que é?

       O boletim paroquial Voz Jovem já se encontra disponível em formato digital. Vem com um rosto ligeiramente diferente, à espera de sugestões já solicitadas. E bem mesmo a calhar, em tempo de conversão interior, de mudança de vida, expressão da conversão e da adesão firme a Jesus Cristo. Obviamente, e como refletimos nesta edição, o exterior, as tradições, os gestos - jejum, oração, esmola - só serão verdadeiramente transformadores se traduzirem a conversão e levarem a um empenho mais consciente e responsável pelo bem de todos. Como sugere Bento XVI, na Sua Mensagem Quaresmal, e partindo do texto da Carta aos Hebreus (10,24) - "Prestemos atenção uns aos outros. para nos estimularmos ao amor e às boas obras" - somos responsáveis uns pelos outros, somos "guarda" do nosso semelhante, do nosso irmão. Na mesma lógica a Mensagem Quaresmal do nosso Bispo, D. António Couto - responsáveis pelos que estão perto e pelos que estão longe. Nesse sentido, e como vem anunciado no boletim, a Semana Nacional da Caritas, cujo peditório na nossa diocese se destina em parte ao fundo solidário diocesano (responsáveis pelos que estão perto) e para as missões de Malema e Nametil, em Moçambique (responsáveis pelos que estão longe).

       Para além das informações decorrentes do trabalho pastoral paroquial, textos sobre a quaresma, sobre a fé de Jesus, sobre a tomada de posse do nosso novo Bispo, D. António Couto.

O Boletim poderá ser lido a partir da página da paróquia de Tabuaço, ou fazendo o download:


03
Fev 12
publicado por mpgpadre, às 12:00link do post | comentar |  O que é?

Essa mesma dor, como muitas vezes aprendemos, pode ser, contudo, um sinal de que a vida ainda está em nós, que não se quer deixar eliminar, lutando contras as adversidades, chamando-nos para essa luta 

        O cardeal-patriarca de Lisboa falava, recentemente, num “paradoxo” na relação entre o catolicismo e a dor humana, afirmando que a Igreja, por um lado, procura mitigar esse sofrimento e, por outro, dá-lhe um sentido sublime e transcendente.

       A aproximação do Dia Mundial do Doente recupera, anualmente, a reflexão e também a celebração sobre essa (apenas) aparente contradição: o crente não pode ignorar o sofrimento do outro, no qual reconhece o seu rosto e a face de Deus, ainda que tudo faça para o evitar. A história ensina-nos que a dor é uma marca constante do ser em humanidade. Não se pode fugir dela, mas também não é lícito permanecer impassível, como se não fosse possível ajudar quem sofre.

       O que muitos podem ver como fuga à realidade, na referência ao transcendente, é, por parte da doutrina católica, a resposta mais sincera que pode oferecer sobre a existência: como captar a beleza do momento que passa sem ser com a alma aberta ao infinito, mesmo (sobretudo) nos momentos mais duros?

       Já uma vez, neste espaço, escrevi sobre o que custa acreditar que o sofrimento tenha um qualquer objetivo purificador, que a vida tenha um propósito para lá deste ‘sem-sentido’ em que a natureza nos reduz a uma terrível insignificância, na sua arbitrariedade.

       O sofrimento, a doença que atinge sem olhar a quem, amplificam esse sentimento, até porque, talvez por uma questão cultural, vemos a dor como um castigo, uma perda do estado original de perfeição. Essa mesma dor, como muitas vezes aprendemos, pode ser, contudo, um sinal de que a vida ainda está em nós, que não se quer deixar eliminar, lutando contra as adversidades, chamando-nos para essa luta - e não nos largando enquanto não a ouvirmos...

       Muitos, perto ou longe de nós, vivem como se a dor não tivesse fim, como estivesse à espera de uma qualquer brecha para se fazer sentir. Acredito, como diz Leonard Cohen, que há mesmo uma fenda em tudo e que é assim que a luz entra. A fé católica e o seu ensinamento sobre o sofrimento podem ser, para muitos, essa mesma luz.

 

Octávio Carmo, Editorial Agência Ecclesia.


30
Jan 12
publicado por mpgpadre, às 11:00link do post | comentar |  O que é?

       Os dias que medeiam entre a Epifania e a Quaresma – Tempo Comum (1.ª parte) – são também sinal e expressão do amor de Deus por nós.

       O ano litúrgico recentra-nos em dois vértices: o NATAL e a PÁSCOA, e que incluem os tempos de preparação (Advento e Quaresma) e os tempos que se lhe seguem (tempo de Natal e tempo Pascal), tornando mais acessível o mistério da salvação.

       Com efeito, a Encarnação do Verbo tem como fim a Sua Manifestação plena no dar a vida pela humanidade. É no dar a vida que Jesus nos mostra o caminho de retorno a Deus. Com a Ressurreição percebemos o DOM da vida nova. É à luz da Páscoa que havemos de encarar toda a nossa vida de fé. Jesus assume a nossa fragilidade e finitude para nos (re)introduzir na eternidade.

       Depois do batismo de Jesus, por João Batista, iniciamos o chamado Tempo Comum ou Ordinário. O tempo comum celebra a Páscoa, em cada domingo, em cada Eucaristia. Com efeito, a Eucaristia, memorial da morte e ressurreição de Jesus, que Ele antecipou na Última Ceia, de forma a permanecer no meio de nós, faz-nos participantes da vida divina e alimenta-nos até à eternidade. Por esta razão, a Eucaristia é a oração mais completa da Igreja. Encaminhamo-nos para Deus, alimentamo-nos da presença de Deus entre nós. Na palavra proclamada, refletida e acolhida e pela condivisão do Corpo de Cristo, tornamo-nos com Ele um só Corpo.

       Na verdade, o tempo comum desafia-nos a deixar-nos surpreender por Deus em todos os momentos da nossa vida, também no silêncio e na aridez dos nossos dias, também na rotina e na azáfama, também nos vazios e nas dúvidas, nas contrariedades e nas nossas realizações humanas.

       É no dia a dia que nos afirmamos como pessoas, nos descobrimos sociedade, formamos Igreja, como crentes peregrinos, em busca de um sentido novo para a vida. Deus age em todo o tempo, em toda a parte, em todas as ocasiões.

       Será oportuno envolver-nos nas diversas manifestações de Deus, nos encontros e gestos de Jesus, cuja riqueza do Evangelho não se esgota num ciclo litúrgico. Daqui também, a necessidade da Igreja encontrar espaço para abranger melhor o mistério de Cristo, promovendo três ciclos de leituras. Encontrámo-nos no ciclo B, em que o Evangelho de São Marcos será a referência fundamental para os domingos.

 

       1 – “Eis o Cordeiro de Deus” (Jo 1, 35-42). O 2.º domingo do tempo comum, faz-nos viver a passagem de testemunho, de João Batista para Jesus, no sinal que dá aos seus discípulos para seguirem Jesus.

 

       2 – “Arrependei-vos e acreditai no Evangelho” (Mc 1, 14-20). A mensagem de Jesus desafia à fé e à conversão. No 3.º domingo, Jesus chama alguns Apóstolos, para que vivam com Ele e O acompanhem, para depois os enviar ao mundo.

 

       3 – “Uma nova doutrina, com tal autoridade que até manda nos espíritos impuros” (Mc 1, 21-28). No 4.º domingo, a certeza de que em Jesus está a força e a graça de Deus. Ele vem salvar-nos dos demónios que nos afastam de Deus e uns dos outros.

 

       4 – “Todos Te procuram… Vamos a outros lugares (…) a fim de também aí pregar” (Mc 1, 29-39). No 5.º domingo, o Evangelho mostra como o ministério de Jesus se revela em gestos concretos, cura a sogra de Pedro e muitos outros que acorrem à Sua presença. É urgente ir, partir, anunciar, pregar…

 

       5 – “Se quiseres, podes curar-me” (Mc 1, 40-45). No 6.º domingo, um leproso aproxima-se de Jesus com a certeza de n’Ele encontrar a cura. E nós? Com que confiança rezamos a Jesus?

 

       6 – “…para saberdes que o Filho do Homem tem na terra o poder de perdoar os pecados…” (Mc 2, 1-12). A salvação envolve toda a nossa vida, como podemos refletir neste 7.º domingo. Jesus vem para nos curar de todo o mal. Só o perdão dá lugar a uma vida nova.

 

       O reino de Deus está próximo, convertamo-nos de todo o coração e acreditemos no Evangelho… é tempo de salvação, Deus vem salvar-nos!

 

Editorial Boletim Voz Jovem, janeiro 2012.


26
Jan 12
publicado por mpgpadre, às 13:48link do post | comentar |  O que é?

       O Boletim Paroquial Voz Jovem insere-se numa dinâmica de informação e reflexão, sobre as iniciativas e preocupações da comunidade paroquial, inserida no contexto mais amplo da Diocese de Lamego e de toda a Igreja, mas também inserida neste tempo e neste nosso mundo atual. Em janeiro, o editorial faz uma pequena abordagem sobre os domingos do tempo comum que vão até ao início da quaresma, há um texto sobre a tomada de posse do novo Bispo, D. António; mediatações sobre a sociedade e as atitudes que nos ligam aos outros, reflexão bíblica, notícias da paróquia, resumo da contabilidade paroquial, alguns números que caracterizam o ano pastoral de 2011, e imagens de outros tempos...

O Boletim poderá ser lido a partir da página da paróquia de Tabuaço, ou fazendo o download:


12
Jan 12
publicado por mpgpadre, às 10:49link do post | comentar |  O que é?

A crise é também uma chance, uma oportunidade, um momento favorável para a construção, para o conhecimento e a reconfiguração do nosso mundo.

        Mais do que uma palavra, “crise” é uma árvore de significados urgentes e incessantes. O modo como hoje empregamos a palavra “crise” vem muito pela via da medicina. Para Hipócrates e depois para Galiano, no século segundo, o momento de crise é aquele momento em que a doença se decide: ou nos precipita na morte ou nos encaminha para a recuperação. A crise é assim o ponto de passagem, o nó de viragem, o instante da transformação.

       Há uma definição que aparece no léxico universal de Ziegler, em 1737, onde este autor escreve: «O homem que não passa por nenhuma crise não está capaz de julgar coisa nenhuma». É interessante que, tendo começado fundamentalmente no campo da medicina, para falar daquilo que acontece no corpo individual, este conceito da crise se tenha alastrado à própria sociedade, entendida ela como um organismo vivo. A sociedade também é um corpo. Como comunidade, seja ela civil, cultural, eclesial, somos um corpo, somos um organismo vivo, somos interdependentes, não nos podemos descartar uns dos outros, nem nos descartarmos a nós próprios. Nesse sentido, a crise é uma espécie de marca da compreensão do sujeito, uma assinatura humana, um observatório daquilo que somos. Antes de tudo, é o crescimento humano que supõe necessárias ruturas e separações, logo crises. A primeira e mais radical crise que cada pessoa vive é o seu próprio nascimento.

       Momento mais do que nunca vital, mas também mais do que nunca crítico, doloroso… E depois se pensarmos que o nascimento implica uma verdadeira e radical reconfiguração, pois o neonato impõe a reestruturação dos equilíbrios no interior da família. Chega mais um e tudo se altera, desde o espaço físico, às relações, às rotinas, aos horários, às agendas.

       Também por isso não faz sentido alimentarmos uma visão puramente negativa da crise. Acolhamos a crise como um lugar de aprendizagem, como uma espécie de espelho, austero, mas um espelho, onde nos podemos reencontrar, para lá das nossas ilusões e das nossas subjetividades. A crise é também uma chance, uma oportunidade, um momento favorável para a construção, para o conhecimento e a reconfiguração do nosso mundo. Exterior e interior.

 

José Tolentino Mendonça, Editorial da Agência Ecclesia.


04
Jan 12
publicado por mpgpadre, às 13:00link do post | comentar |  O que é?

Todos podemos aprender a ouvir mais atentamente a terceira idade, envolvendo-a nas paróquias

        A UE pretende desenvolver, até 2014, uma série de iniciativas/respostas ao crescente envelhecimento da sua população. A mais saliente de entre elas será a celebração do Ano Europeu do Envelhecimento Ativo, que agora começa.

       Os números justificam-no claramente: “em 2060 haverá apenas uma pessoa em idade ativa (15-64) por cada pessoa com mais de 65 anos”. É, pois, evidente o desafio que daqui emerge; mas também a oportunidade de pensamento e mudança que tal comporta. Sobretudo, se tal fizer aprofundar políticas sociais e alterar preconceitos...

       Um deles é a ideia, muito assimilada, de que a vida (quase) termina no dia em que se passa à reforma. A pessoa em causa facilmente sente que perdeu status numa sociedade que considera que deixar de trabalhar é deixar de produzir e aumentar o número dos descartáveis.

       Contrariar esta mentalidade e aprender a tirar partido da vida em tais circunstâncias é uma tarefa de cada um; mas há, igualmente, que fazer ver à opinião pública o potencial dos mais idosos para o serviço à sociedade e à economia: não os afastando do mercado do trabalho e incrementando a sua participação na vida da comunidade. Concretamente, proporcionando contextos para a transmissão dos respetivos conhecimentos, que enriquecem outras gerações e salvaguardam a própria autoestima. Ao mesmo tempo, os mais idosos também se enriquecem, pois que nenhuma geração tem o monopólio do saber: cada um tem conhecimentos de que outros carecem!

       Este é um caminho a percorrer, contra o individualismo que ameaça dominar-nos e nos fecha dentro de fronteiras que os outros rotulam: de um lado, os “cotas”; do outro, os “inconscientes”. Uns e outros, porém, fechando aos demais as condições do seu (des)envolvimento pessoal e social.

       Entendo que neste ano e neste diálogo indispensável a Igreja tem muito a aportar. A começar pela prática - mostrando que, no seu seio, não há lugar para a discriminação. Pelo contrário, assumindo-se como lugar onde cada ser humano vale e é reconhecido pelo que é e não pelo que faz ou produz.

       Todos podemos aprender a ouvir mais atentamente a terceira idade, envolvendo-a nas paróquias, mediante o acolhimento dos seus dons. E o voluntariado não é o menor dos espaços de participação, sendo que a imaginação e a sensibilidade pastoral saberão encontrar outros ministérios.

       Comecemos por deixar intervir, contrariando a tentação de manter ou desejar idosos passivos ou como meros e mais frequentes fregueses da Missa e outros sacramentos...

       A este propósito encontrei citado, acho que apropriadamente, o Salmo 92 “Os que estão plantados na casa do Senhor florescerão nos átrios do nosso Deus. Na velhice ainda darão frutos; serão viçosos e vigorosos para anunciar que o Senhor é reto”.

       Amá-los e respeitá-los é muitíssimo mais que ter saudades dos contos do avô ou das receitas da avozinha!

 

João Aguiar Campos, Editorial da Agência Ecclesia.

 


29
Dez 11
publicado por mpgpadre, às 21:00link do post | comentar |  O que é?

Este tempo não é de resignações (como não o é nenhum tempo)

        Não me recordo de um ano que se iniciasse com tão maus augúrios como vai começar 2012: tem já prometida mais austeridade em Portugal e nasce com uma suposta maldição milenar que o associa ao fim do mundo. Promete.

       Há quem goste de manter expectativas baixas, para não se desiludir e o próximo ano é tentadoramente enganador, desse ponto de vista: se tudo o que parece poder correr mal vier a correr efetivamente mal, temo que muitos se limitem a encolher os ombros e a murmurar um breve ‘já sabia’. 

       A experiência mostra que é preciso apontar para cima e olhar sempre em frente para podermos realizar as nossas aspirações mais legítimas e, se for caso disso, ultrapassar os limites.

       Este tempo não é de resignações (como não o é nenhum tempo): as mensagens que o Papa e os bispos de Portugal foram deixando, nesta quadra, não perderam de vista o realismo das situações de pobreza, de conflito ou de qualquer outra necessidade, mas apontaram sempre numa direção de confiança, de possibilidade de futuro melhor, maior ainda, quem sabe, do que aquilo que sonhamos. Essa é, no fundo, uma lição cristã de Natal, aprendida no nascimento de Jesus, que podemos transportar a todo o momento.

       Essa mensagem de esperança precisa de chegar de outros pontos da sociedade, a nível nacional e global, para que o futuro de tantas pessoas não se assemelhe, de forma vergonhosa, à pobreza e precariedade com que viveram os seus pais e avós, como tantos outros antes deles, tendo de fugir, muitas vezes, de um destino que parecia inevitável no seu próprio país, por falta de soluções.

       2012 vai ser também um ano cheio para a Igreja Católica, com a comemoração dos 50 anos da abertura do Concílio Vaticano II, o início do Ano da Fé, a realização de um Sínodo dos Bispos sobre a Nova Evangelização. Há todo um campo em aberto de renovação e de reconfiguração para poder enfrentar aquilo que Bento XVI tem identificado, sistematicamente, como o maior obstáculo à vida eclesial e à sua afirmação, particularmente na Europa: a crise da fé, também por cansaço ou indiferença de quem se diz(ia) crente.

 


21
Dez 11
publicado por mpgpadre, às 11:17link do post | comentar |  O que é?

Recuperar a verdade do Natal é abrir-se ao dom, deixar que Cristo se forme em nós

        Acende-se, neste tempo, a nostalgia nos nossos corações. E quando escrevo "nossos", estou a pensar em quantos ainda viveram um Natal religioso, familiar e feliz; afinal os que conheceram outra realidade diferente desta pressa anónima, irrefletida e comercial que hoje nos afoga.

       Nostálgicos, exclamamos que "já não é como dantes". Estranhamente, porém, resignamo-nos, qual pedaço de esferovite perdido na corrente: apesar de flutuar, está decididamente rendido a uma força estranha!

       Foi já há mais de uma dezena e meia de anos que me confrontei com um grito de alarme numa revista espanhola: "Roubaram-nos o Natal". Mas aonde nos levou esta constatação? Que reação provocou, para além do estranho sentimento de perda? Às indefinições que vivemos…

       Sempre tive grande dificuldade em lidar com a resignação, mesmo quando ma apresentavam vestida de suposta virtude. Realmente, tenho medo de cobardias dóceis ou cómodas abdicações.

       É por isso mesmo que defendo uma urgência: recuperar a verdade do Natal - lavando-a de todas contaminações e "distrações", para usar a ideia expressa pelo Papa Bento XVI no Angelus do passado domingo.

       Se o fizermos, torna-se natural o anúncio e a partilha da impensável notícia: "Deus amou tanto o mundo, que lhe deu o seu Filho unigénito".

       Reconheça-se que muitos cristãos assim procedem, trabalhando para que os sinais do Amor não desapareçam das casas, das ruas e, sobretudo, dos gestos. Deparamo-nos, por isso, com exposições, presépios, estandartes às janelas e campanhas que levam ao encontro do outro - que é sempre o lugar de encontro com Deus. Mas são demasiados os embrulhados numa mera generosidade de coisas; ou em atitudes simplesmente protocolares, vividas com o desencanto de quem eterniza indiferenças, ainda que escritas sob o manto de "cordiais saudações"!..

       Recuperar a verdade do Natal é abrir-se ao dom, deixar que Cristo se forme em nós. Sem medo, pois que quanto mais fugirmos de Deus, mais nos desumanizamos.

 

João Aguiar Campos, Editorial da Agência Ecclesia.


24
Nov 11
publicado por mpgpadre, às 12:00link do post | comentar |  O que é?

Ainda que o português não seja uma língua oficial da ONU (...), Bento XVI deu em África um contributo inquestionável para a sua divulgação e afirmação internacional

         Bento XVI foi ao Benim levar uma mensagem de esperança num continente que ainda não aprendeu a confiar nas suas próprias capacidades e no potencial que tem para participar ativamente na construção de um novo mundo – embora esse estado de coisas seja mantido, também, por pressões externas, de quem lucra com o subdesenvolvimento e o amesquinhamento dos africanos.

       Relativamente ignorada pelos media nacionais, a visita confirmou o português como uma língua da Igreja, particularmente em África, onde o testemunho de milhares de missionários foi homenageado pelo Papa.

 

       O Benim conserva ainda uma fortaleza portuguesa, precisamente numa das duas cidades que foram visitadas, na ‘costa dos escravos’, memória histórica daquilo que, de pior, a humanidade é capaz, mas, acima de tudo, um alerta para as novas escravaturas e formas de colonialismo (incluindo o dos mercados) a que o novo documento papal – um verdadeiro mapa para o futuro da Igreja africana – aludiu.

       Ainda que o português não seja uma língua oficial da ONU, por enquanto, Bento XVI deu em África um contributo inquestionável para a sua divulgação e afirmação internacional. O Benim - berço do vudu, como foi por várias vezes designado -, recebeu o Papa com o respeito devido aos mais velhos, nas culturas africanas, como um sábio que trouxe palavras de paz e apelos à reconciliação, essenciais para que o futuro possa ser diferente das guerras e crises que marcaram a África pós-independências.

       O clima foi, em vários momentos, muito semelhante ao célebre mundial de futebol da África do Sul (o das vuvuzelas), com cantos e manifestações constantes de quem esperava para ver Bento XVI, nem que fosse de passagem.

       A resposta do Papa, que valorizou por diversas vezes a “tradição” africana, esteve à altura das circunstâncias e pode servir como ponto de referência para um diálogo nem sempre bem conseguido com a modernidade, que saiba promover a interculturalidade e a coexistência pacífica entre os povos de África, com as suas várias religiões.

 


15
Nov 11
publicado por mpgpadre, às 10:53link do post | comentar |  O que é?

No meio daquela multidão cada um se sente, de repente, radicalmente só, ferido pela dor, provado por uma incógnita que não oferece tréguas

       Acho que todas as vidas, mais longas ou mais breves, têm o mesmo comprimento: medem todas quarenta e dois Kms. Porquê? Por que essa é a extensão de uma maratona. Repito: se a vida se parece com alguma modalidade, penso que não anda longe dessa corrida bela e interminável que de uma maneira evidente coloca em prova a resistência, a esperança e a vontade. Hoje vi passar uns largos milhares de corredores e dei comigo a pensar no que faz estas pessoas correr. Não falo dos atletas profissionais que têm aí uma expressão importante da sua vocação e do seu talento. Falo destes milhares de mulheres e de homens comuns, que ao longo de um ano arranjam com esforço um tempo livre para os treinos necessários e que anualmente acorrem à maratona não para competir uns com os outros, mas talvez por alguma razão mais profunda, que nos endereça para zonas silenciosas do nosso próprio coração. Eles correm porquê? Muito simplesmente para se sentirem vivos ou a reviver. Para se lançarem a si próprios um desafio. Para sentirem, de forma mais palpável, que as múltiplas corridas em que quotidianamente se embrenham (em que nos embrenhamos) convergem para uma meta.

       De que a maratona é uma parábola da vida não restam dúvidas quando ouvimos um maratonista descrever a sua experiência. O arranque, com o entusiasmo e a quase euforia. Depois a comunhão com os outros corredores e com o público que assiste. As palmas tornam-se um encorajamento e as palavras de confiança um redobrar da confiança própria. Nesta etapa nem se sente o chão e cada corredor como que levita. Diz quem sabe que as coisas mudam mais ao menos ao Km vinte e cinco. O desgaste físico e as primeiras incertezas trazem um abatimento interior inesperado. No meio daquela multidão cada um se sente, de repente, radicalmente só, ferido pela dor, provado por uma incógnita que não oferece tréguas. “É a primeira crise?”- perguntamos. Um maratonista ri-se e dirá que daí para a frente é só crises. E, por isso mesmo, ele tem a cada momento, na adversidade, de restaurar a possibilidade da esperança. A confiança não é um garantido seguro, mas uma marcha no aberto, para não dizer no desprovido. E, verdadeiramente, os corredores vacilantes que cruzam a meta não se podem queixar. A primeira parte desta maratona, por exemplo, era feita por mulheres e homens em cadeiras de rodas, e muitos deles não tinham pernas.

 

José Tolentino Mendonça, Editorial da Agência Ecclesia


mais sobre mim
Relógio
Outubro 2017
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
11
12
13

15
16
17
18
19
20
21

22
23
24
25
26
27
28

29
30
31


Visitantes
comentários recentes
O mundo atual precisa do testemunho cristão. Livro...
Saudações fraternas. Claro que sim. Ao longo da Su...
Caríssimo, no texto que comento, anuncia a experiê...
Sofres do síndrome de última bolacha do pacote
Quero agradecer por essa linda história e texto po...
Gostei da trilogia.http://numadeletra.com/1q84-liv...
Olá!Caí neste comentário acerca deste último livro...
http://numadeletra.com/41791.html
também gostaria de o conhecer pessoalmente acho in...
Bom dia. Alguns elementos para o ofertório estão v...
Bom dia. Sou catequista na minha paróquia e estamo...
Mais uma vez, muitos parabéns por nos dar este bel...
Eu já sabia que não devemos menosprezar nunca o po...
Bom dia. Eu é que agradeço, pela presença, pelo in...
Bom dia Padre Manuel! É sempre com muito agrado qu...
arquivos
Pinheiros - Semana Santa
- 29 março / 1 de abril de 2013 -
Tabuaço - Semana Santa
- 24 a 31 de abril de 2013 -
Estrada de Jericó
pesquisar neste blog
 
Velho - Mafalda Veiga
Festa de Santa Eufémia
Pinheiros, 16/17 de setembro de 2012
Primeira Comunhão 2013
Tabuaço, 2 de junho
Papa Bento XVI
Profissão de Fé 2013
Tabuaço, 19 de maio
blogs SAPO