...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...
10
Fev 18
publicado por mpgpadre, às 16:00link do post | comentar |  O que é?

1 – Seguir Jesus é a primeira missão do cristão. Melhor, a missão de Jesus em cada um de nós. Seguir, amar, viver e testemunhar Jesus, transparecendo-O nas palavras e nos gestos! Ele age em nós e através de nós, na vitalidade do Espírito Santo, desde que deixemos!

Este é o contexto temático do ano pastoral da nossa diocese, a partir da Parábola do Bom Samaritano e de toda a vida de Jesus. Os discípulos, e porque são discípulos, hão de procurar imitar o Mestre da Bondade. Conhecer, seguir e amar Jesus implica que procuremos proceder do mesmo modo com que Ele vive a Sua relação com cada pessoa. Na Parábola do Bom Samaritano, Jesus alarga as fronteiras para nos mostrar claramente que há um caminho que nos conduz a Deus e que passa pela disponibilidade em olhar, ajudar, cuidar, curar o outro, levantando-o do chão e de todas as situações de escravidão em que se encontra mergulhado. Somos responsáveis uns pelos outros. Já não somos Caim; pelo batismo, tornámo-nos outros Cristo's!

Ao longo da vida de Jesus, é prática corrente a Sua delicadeza, atenção e disponibilidade para parar, para estar, para cuidar, para escutar, para abraçar! Quando se aproximam, Ele não olha para o relógio. Naquele momento o tempo para! É como se não houvesse futuro ou outras pessoas a ajudar. O tempo para. É preciso parar também. Quando viajamos sabemos bem que para apreciarmos uma paisagem é necessário parar, quanto mais para conhecer uma pessoa!

202018011_univ_lsr_xl.jpg

2 – Eis que se aproxima de Jesus um leproso. Mesmo a esta distância temporal nos provoca medo e náuseas! É visível o aspeto e as marcas da lepra: é preferível manter-nos afastados! Hoje estas e outras doenças já não têm a mesma carga de falência! O leproso é um excluído por excelência. Não basta a doença quanto mais a exclusão. Estava prescrito na Lei que as pessoas que tivessem sinais de lepra se afastassem da civilização, vestissem de forma andrajosa, para serem reconhecidas, com o cabelo em desalinho, com o rosto coberto até ao bigode e avisando aqueles que se aproximassem: impuro, impuro!

Este homem, apesar de tudo, aproxima-se de Jesus. Ainda bem que é de Jesus que se aproxima, pois também Jesus Se faz próximo dele, imediatamente! Entre este homem e Jesus não há barreiras humanas, sociais, culturais ou religiosas. É uma pessoa que precisa de ajuda, filho amado de Deus,um irmão para cuidar. «Se quiseres, podes curar-me». Afinal a fama de Jesus já se espalhara! «Quero: fica limpo». É a resposta de Jesus, fazendo o que Lhe é possível.

 

3 – O que fizer a tua mão direita não saiba a tua esquerda. Isso não impede a "divulgação" do bem! Aliás, o mundo seria bem melhor se se anunciasse sobretudo o bem e não tanto o mal, ainda que se justifique para evitar situações semelhantes, para repor a justiça e a verdade, ou para sensibilizar para os problemas escondidos.

Divulgar o bem pode suscitar o desafio de imitarmos o bem que vimos fazer ou de que ouvimos dizer, na certeza de que é possível contribuir para uma sociedade mais justa e fraterna.

Jesus recomenda àquele homem que não faça grande alarde da cura, ficando com a missão de se mostrar ao sacerdote, fazendo a oferta ao Templo daquilo que Moisés tinha prescrito. Este mandato evoca a gratidão para com Deus e o testemunho (ainda que limitado). O encontro com Jesus cura da lepra e provoca a alegria do testemunho acerca dos benefícios que Deus opera por Seu intermédio.

Jesus deixa de poder andar abertamente pelas cidades, pois vêm pessoas de toda a parte ao Seu encontro. Percebe-se então a reserva de Jesus acerca da divulgação das curas, levando alguns a dispensar o trabalho, o esforço, o compromisso por cooperarem com a transformação do mundo à espera que tudo se resolva a partir da eternidade! Jesus não vem para nos substituir, mas para nos ensinar a sermos mais humanos, com tudo o que isso significa!


Textos para a Eucaristia (ano B): Lev 13, 1-2. 44-46; Sl 31 (32); 1 Cor 10, 31 – 11, 1; Mc 1, 40-45.


27
Jan 18
publicado por mpgpadre, às 19:29link do post | comentar |  O que é?

1 – Jesus não nos quer pela rama, quere-nos com o que somos e com o que fazemos. Por conseguinte, também Ele não Se dá aos bocadinhos, a prestações, entrega-Se como nos quer, por inteiro, gastando-Se até à última gota de sangue. Não há meio-termo!

A nossa vida é um caminho nunca acabado. Enquanto vivemos, no tempo e na história, há sempre aspetos da nossa vida pessoal, familiar, profissional, em que podemos e devemos crescer, desenvolver as capacidades, fazer com que os dons e os talentos se multipliquem. Vivemos, se quisermos ser honestos, em dinâmica de conversão.

A encarnação de Cristo e a Sua vinda como Um de nós, tem como propósito salvar-nos integralmente, alma, corpo e espírito. O Seu ministério é um serviço de salvação completa, curando-nos das feridas corporais e espirituais, restaurando a nossa dignidade e identidade original, assumindo-nos como irmãos, filhos do mesmo Pai.

O povo que vivia nas trevas viu uma grande Luz. Jesus vem iluminar a vida. Passa pelo mundo fazendo o bem. Leva a Boa Nova aos pobres, cura os doentes, sara os leprosos, convive com os excluídos: pecadores e publicanos, crianças e mulheres de má vida, doentes e estrangeiros. Faz-Se acompanhar por um bando de maltrapilhos, sem excluir ninguém. Entre os Seus apóstolos contam-se pobres, assalariados; proprietários, como Tiago e João; alguns com mais cultura como Filipe que falava grego, ou bons gestores, como Judas Iscariotes. Os que primeiro se apaixonam por Jesus, pelas Suas palavras e proceder, são pessoas despretensiosas, simples, algumas delas magoadas pela vida, mas ainda assim prontas a confiar em Alguém que traz a Luz da proximidade, da compreensão, do perdão e do amor.

EvangelhoDia14012014.jpg

 2 – O Profeta da Alegria ensina com autoridade. Autoridade que Lhe vem do alto, pois faz o que viu fazer ao Pai e concretiza as obras do Pai, não tendo a preocupação de Se exibir. A autoridade firma-se na coerência das palavras e dos gestos. As palavras que profere são acompanhadas com gestos de libertação, acolhendo, abraçando, tocando as pessoas com marcas da doença, do pecado e da morte! Sem preconceitos! Sem receio de ser apontado ou contagiado pelo mal ou pela maldade, mas confiante em contagiar com o Seu amor e com a Sua bondade todos os que vai encontrando no caminho.

A vida não para. Jesus não para. Quer que todos conheçam o Seu Pai, para Se deixarem transformar, pelo cuidado e, por sua vez, se tornem cuidadores!

Chegou a Carfanaum. Não terá muito tempo para o descanso, mas também não vive na azáfama de "mudar" o mundo de uma só vez e de forma milagreira. No sábado seguinte entrou na sinagoga, concluindo-se que nada de extraordinário aconteceu nos dias anteriores. Algum sossego: Jesus está e quer estar connosco, na festa e na rotina, no nosso dia-a-dia, mesmo que passe impercetível. Mas está no meio de nós. Caminha connosco. Está tão embrenhado no mundo que até podemos não O reconhecer! E aí já se torna preocupante!

Na Sinagoga está um homem com um espírito impuro! Nada do outro mundo. Maior que todos os espíritos impuros ou que todos os demónios, é Jesus. Todo o poder e toda a glória Lhe foram dados no Céu e na Terra. Não temais, Eu venci o mundo! O filho do Homem derrotou o Príncipe das trevas! É uma garantia dada por Jesus e nós ainda andamos tão acabrunhados a pensar que os demónios têm mais poder que Jesus! Era o que mais faltava. Onde habita Cristo não há lugar para demónios, há lugar, isso sim, para a vida, para a luz, para o amor, para a paz, para o bem, ainda que haja sofrimentos e contrariedades, ainda haja hesitações e dúvidas. Deus é maior. Jesus é maior! Maior que qualquer espírito impuro! Maior pelo Amor!

 

3 – O testemunho do espírito impuro acerca de Jesus é eloquente: «Sei quem Tu és: o Santo de Deus». Ou seja, nem a "impureza" deve impedir o reconhecimento da grandeza de Deus. Nós que fomos resgatados pela água e pelo Espírito Santo, imersos no mistério da Sua morte e ressurreição, mais razões temos para testemunhar o Seu amor e o Seu perdão e as maravilhas que Ele realiza no mundo, contando comigo e contigo, contando com todos.


Textos para a Eucaristia (ano B): Deut 18, 15-20; Sl 94 (95); 1 Cor 7, 32-35; Mc 1, 21-28.

 


20
Jan 18
publicado por mpgpadre, às 15:49link do post | comentar |  O que é?

1 – Já todos ouvimos e/ou dissemos a alguém: tu és um troca-tintas, mudas de opinião como quem muda de camisa! Se somos nós a dizê-lo é porque nos sentimos incomodados com o outro, com as suas opiniões ou opções, porque não nos convém, porque nos provoca e desinstala (positiva ou negativamente). Se os outros o dizem de nós é porque não nos compreendem, é porque são conservadores e querem ficar sempre na cepa-torta ou são casmurros, pois não compreendem e não querem compreender, só porque discordámos deles ou as nossas escolhas os afetam (positiva ou negativamente).

Há um ditado oriental que diz que só não mudam os sábios e os burros. Como nenhum de nós está nesse extremo, e a tendência será a sabedoria do coração, estamos sempre a tempo de mudar, de alterar o rumo da nossa vida, de corrigir o caminho percorrido, de amadurecer as nossas convicções e as nossas escolhas. Com efeito, a verdadeira sabedoria leva-nos a considerar as nossas limitações e a assumir humildemente que estamos a caminho. Sempre poderemos aprender.

No plano da fé, a consciência que estamos a caminho, como peregrinos, é garantia para permitirmos a presença de Deus na nossa vida. Sede perfeitos como o Vosso Pai celeste é perfeito é um desafio permanente, nunca alcançável, que nos compromete a uma identificação progressivamente a Jesus Cristo e ao Seu mandamento de amor. Cabe-nos a inquietação de quem procura. Importa que nunca nos resignemos concluindo que tudo na nossa vida está realizado, como se a vida não tivesse mais nada para nos dar e nós não tivéssemos mais nada a dar à vida e aos outros! A humildade consiste precisamente nesta abertura à graça de Deus, a esta consciência que até à eternidade somos seres humanos, portanto, limitados, finitos, frágeis. Mas uma fragilidade que se abre para os outros e para Deus, engrandecendo-nos, irmanando-nos e humanizando-nos.

11.jpg 

2 – Uma pessoa sem convicções é como um barco à deriva, desliza ao sabor das marés. Ainda assim, as convicções podem ser amadurecidas, com diferentes variantes a serem alteradas, corrigidas, aperfeiçoadas. Sublinhe-se, todavia, que uma pessoa que tenha convicções e ideias bem definidas tem mais facilidade no diálogo com os outros, podendo acolher ideias e opções diferentes e até modificar as suas opções pela constatação do que sabe, pela abertura ao que vem dos outros e pela justeza das ideias defendidas. Não se pode pedir a alguém para mudar se ela não sabe onde está, não sabe o que quer, não sabe para onde vai! Então iria mudar o quê?

«Cumpriu-se o tempo e está próximo o reino de Deus. Arrependei-vos e acreditai no Evangelho». São as primeiras palavras de Jesus no evangelho de São Marcos, que nos informa que, depois da prisão de João Batista, Jesus parte para a Galileia e começa a proclamar o Reino de Deus. Jesus estaria pela Judeia, seguindo de perto o ministério do Precursor. Alguns estudiosos referem que Jesus integrava o grupo de seguidores e simpatizantes de João Batista, preparando-Se para assumir o Seu próprio caminho e ministério. Com a prisão de João, Jesus “sabe” que o Seu tempo chegou!

Pondo-nos à escuta da pregação e do ministério de João Batista percebemos como prepara e antecipa a missão de Jesus, com um apelo premente à conversão, à mudança de vida, ao arrependimento e à penitência. Assim é também o batismo que realiza, em contraponto com o batismo futuro que prevê com a chegada do Messias, um batismo novo, na água mas também no fogo e no Espírito Santo.

As palavras de Jesus não nos convocam para uma mudança de regime, de política, de ideologia, mas a mudarmos a própria vida, passando das trevas à luz, do pecado à santidade e ao compromisso com os irmãos, da indiferença à compaixão, da violência à ternura, do egoísmo ao amor e serviço ao próximo, do individualismo à comunhão, à partilha solidária, da vingança e da coscuvilhice à compreensão, ao perdão e à inclusão.


Textos para a Eucaristia (ano B): Jonas 3, 1-5. 10; Sl 24 (25); 1 Cor 7, 29-31; Mc 1, 14-20.

 


13
Jan 18
publicado por mpgpadre, às 19:01link do post | comentar | ver comentários (1) |  O que é?

1 – Jesus chama-nos mas não nos quer de qualquer maneira, quere-nos de corpo e alma. Aceita o nosso pecado e as nossas limitações, aceita-nos como somos, com as nossas dúvidas e hesitações, com os nossos falhanços e com os nossos esforços, compreende os nossos avanços e recuos, o nosso entusiasmo e o nosso medo, as nossas certezas e o nosso peregrinar por vezes titubeante, mas não nos quer pela rama, quere-nos envolvidos, mergulhados na Sua palavra, procurando, apesar de tudo, fazer o bem. Por conseguinte diz-nos ao que vem. Não faz campanha (eleitoral), não usa muito palavreado nem argumentos para nos levar a aderir à Sua mensagem.

Vinde ver! É a Sua resposta! Podia passar umas horas a explicar a razão e a importância do seguimento! Jesus sabe que mais facilmente imitamos comportamentos do que seguimos conselhos, então nada melhor do que ver como Ele vive, como gasta o Seu tempo, como reage às diferentes situações da vida. O apóstolo só o é verdadeiramente se for discípulo, se se mantiver perto do Mestre, pela oração, pela imitação da Sua postura: Vai e faz tu também do mesmo modo.

1102014617_univ_lsr_xl.jpg

2 – Para seguir Jesus não bastam algumas informações sobre Ele, mas mergulhar a nossa vida na Sua vida. Luminosa, a propósito, a Boneca de Sal, uma fábula de Anthony de Mello.

Era uma boneca feita de sal. O seu maior sonho era ver o mar. Ficava dias e noites embrenhada nos pensamentos, tentando imaginar a imensidão e a beleza do grande oceano, sentindo uma grande nostalgia, a "saudade" de algo que conheceria apesar de tão longínquo: as suas raízes, a sua origem.

Um certo dia, decidiu partir. Foi uma busca árdua, saciando pontualmente a sua sede nas fontes e nos riachos, nos lagos e nos rios. Por fim chegou a um areal, uma praia à beira mar. Como era imenso e apelativo aquele mar! E como era misterioso! Parecia que a água salgada e o mar já a habitavam por dentro. Ali ficou, perdida em contemplação, e foi dialogando com o mar: Diz-me, quem és tu?

– Sou o mar.

– Mas o que é o mar?

– Sou eu!

– Explica-me melhor, por favor! Deixa-me perceber, deixa-me conhecer-te...

– É simples: toca-me.

A boneca, extasiada, mas um pouco a medo, avançou e deixou que os seus pequenos pés fossem acariciados pela areia, pela água, pela espuma esbranquiçada. E – surpresa! – começava a compreender qualquer coisa... Quando, porém, pôs os olhos no chão, apercebeu-se, assustada, que os seus pés haviam desaparecido. Protestou aflita: «Oh! Que fizeste tu? Onde estão os meus pés?» O mar replicou: «Porque choras? Apenas foi necessário ofereceres um pouco de ti para poderes compreender».

A boneca refletiu e serenou. Entendia um pouco mais. Então, decidida avançou. A água começou lentamente a cobrir partes do seu corpo que dolorosamente se desvaneciam. Quanto mais avançava mais profundamente compreendia, apesar de ainda não ser capaz de dizer o que era o mar. Uma outra vez inquiriu: «O que é o mar?»

Uma última onda arrebatou o que restava dela. E, precisamente, naquele derradeiro momento em que desaparecia na imensidão do mar, a boneca exclamou: Sou eu!

 

3 – Depois do batismo, Jesus passa a anunciar às claras a Boa Nova da presença de Deus no meio de nós. O Evangelho aponta, com João Batista, para Jesus: «Eis o Cordeiro de Deus».

Ouvindo João, os seus discípulos passam a seguir Jesus. Timidamente, perguntam-Lhe: Rabi, onde moras? Jesus não se demora numa explicação, mas faz-lhes uma proposta: Vinde ver. Eles foram e ficaram com Ele nesse dia. Conhecer Jesus implica habitar com Ele e deixar-se habitar por Ele, deixar que os Seus pensamentos, palavras e gestos se agarrem aos seus corpos e às suas vidas. E à nossa vida!

O encontro com Jesus desencadeia a missão. André vai chamar o seu irmão Simão. O encontro com Jesus é essencial para o seguimento, deixando-se fitar por Ele, como aconteceu com Pedro: «Tu és Simão, filho de João. Chamar-te-ás Cefas». O chamamento não é para umas férias em casa de Jesus, mas é para entranhar a própria vida na Sua vida para depois O testemunhar e transparecer.


Textos para a Eucaristia (ano B): 1 Sam 3, 3b-10. 19; Sl 39 (40); 1 Cor 6, 13c-15a. 17-20; Jo 1, 35-42.


06
Jan 18
publicado por mpgpadre, às 20:02link do post | comentar |  O que é?

1 – Do Oriente, diz-nos Mateus, chegam a Jerusalém uns Magos, por ocasião do nascimento de Jesus em Belém da Judeia. «Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-l’O». A pergunta é acompanhada de um propósito: adorar Aquele que nasceu.

Vêm de onde? Do Oriente, isto é, de todo o mundo. Só se conheciam povos a Oriente; a Ocidente, água e mar. Por conseguinte, os Magos foram adquirindo ao longo do tempo nomes e cor de pele diferente, para significar/representar as nações do mundo inteiro.

Quantos eram? A tradição mais popular popularizou-os em três, a conta que Deus fez. Porém, o Evangelho só se refere a Magos! Serão dois? Serão três? Quatro? Talvez! Ou cinco ou seis, eu e tu também queremos estar lá para adorar o Senhor Jesus!

Quem são os Magos? Eu e tu? Podemos ser todos! São Reis ou são Magos? São sábios! Hoje seriam os homens da ciência e da cultura. Jesus veio para os pastores! Veio para mim e para ti. Veio para os Magos! Veio por mim, por ti e por todos e todos somos convidados a adorá-l'O, reconhecendo-O como Deus, para nos reconhecermos iguais e caminharmos fraternalmente. Os Reis ficam descansados, fartos, acomodados no Palácio! Os magos são buscadores da luz e da verdade! No final, é um Rei que encontram! Mas um Rei-Menino, pobre, simples, Deus, despojado, sem ouro nem adornos.

Que presentes dar? O melhor que têm! Ouro, Incenso e Mirra. Divindade, Realeza, Humanidade. Reconhecimento do mistério que se desvela e se esconde n'Aquela criança. O facto de serem três presentes, levou a tradição a considerar que os magos eram tantos quantos os presentes que deram a Jesus! Talvez tenhamos que colocar aos pés do Menino-Deus mais alguns presentes para lá cabermos também nós: o nosso olhar, o nosso coração, a nossa vida! A minha e a tua!

Na Eucaristia rezamos para que seja Ele o nosso presente: «Olhai com bondade, Senhor, para os dons da vossa Igreja, que não Vos oferece ouro, incenso e mirra, mas Aquele que por estes dons é manifestado, imolado e oferecido em alimento, Jesus Cristo».

adoracao dos magos -  Francesco Bassano - 1567-69.

2 – O encontro com Jesus provoca alegria. Com efeito, quando a estrela «parou sobre o lugar onde estava o Menino, sentiram grande alegria. Entraram na casa, viram o Menino com Maria, sua Mãe, e, prostrando-se diante d’Ele, adoraram-n’O. Depois, abrindo os seus tesouros, ofereceram-Lhe presentes: ouro, incenso e mirra».

 

3 – A vinda de Jesus ao mundo é para todos. Para mim e para ti! Certamente! Mas também para ele! Para aqueles que estão perto e para aqueles que estão longe! O desafio papal em colocar a Igreja em rota de saída, de evangelização, indo às periferias (não apenas geográficas, mas sobretudo) existenciais recorda-nos que Jesus veio para todos e a todos deve ser anunciado.

 

4 – O encontro com Jesus provoca a mudança de rumo. O encontro dos Magos com Jesus muda as suas vidas. A alegria do encontro deixo-os prostrados em adoração. Quando regressam às suas terras, regressam por outro caminho, percebendo que não podem voltar aos mesmos lugares. Num primeiro plano, não podem regressar ao palácio, pois Herodes tem o propósito de matar o Menino. Num plano mais abrangente, o encontro é de tal forma luminoso e redentor que a vida nunca será como dantes. A Luz que os guiou está mais viva, mais dentro, levá-los-á mais longe! Há que rasgar novos horizontes, novas vias, estradas e avenidas!

Predisponhamo-nos a seguir a Estrela de Belém, a seguir a Luz que é Jesus e a deixarmo-nos guiar por Ele. «Senhor Deus omnipotente, que neste dia revelastes o vosso Filho Unigénito aos gentios guiados por uma estrela, a nós que já Vos conhecemos pela fé levai-nos a contemplar face a face a vossa glória». E, uma vez inundados pela Luz de Jesus, deixemos que a luz passe para os outros.


Textos para a Eucaristia (ano B): Is 60, 1-6; Sl 71 (72); Ef 3, 2-3a, 5-6; Mt 2, 1-12.

 


23
Dez 17
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

1 – «Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo... Não temas, Maria, conceberás e darás à luz um Filho… O Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David… e o seu reinado não terá fim».

O relato da Anunciação faz-nos imaginar uma jovem nas lides domésticas, talvez a rezar, talvez a ler as Sagradas Escrituras. O Evangelho refere que o Anjo Gabriel foi enviado a uma Virgem desposada com um homem chamado José e que o nome da Virgem era Maria. O anjo vai ao encontro de Maria onde Ela está. Deus entra em nossa casa e na nossa vida, faz-Se convidado, depois caber-nos-á acolher a Sua vontade ou seguirmos o nosso caminho!

Por outro lado, para escutar a Sua voz é preciso silêncio, exterior, por certo, mas sobretudo interior, de quem se coloca em atitude de espera e de escuta. De contrário poderemos ouvir mas sem escutar, sem perceber quais as vozes pelas quais nos deixamos conduzir.

bartolomc3a9_esteban_murillo_the_annunciation.jpg

2 – «Como será isto, se eu não conheço homem?». Porquê eu? Que é que Deus me pede? Como responder à Sua chamada?

A mudança nunca é fácil. Vamos estruturando de tal forma o nosso dia-a-dia que deixa de haver muito espaço para surpresas, ainda que exista margem para o mistério, pois nunca controlamos totalmente a nossa vida. Do ponto de vista da fé isso é positivo, confiarmos mais em Deus do que em nós, nunca dando a nossa vida como garantida. Estamos sempre a caminhar, a aprender, a santificar-nos.

Como é que se deve ter sentido Nossa Senhora? Talvez não tenha tido muito tempo para refletir. Porém, há tempo para interrogar o Anjo. Como será isto? Como jovem israelita a sua vida já estava alinhavada: viveria com José, com quem já se comprometera e teriam os filhos que Deus lhes desse, acolhendo os filhos como bênção. Estaria destinada a viver feliz, levando uma vida regrada, simples, discreta. Como tantas jovens da Judeia. Mas Deus quis precisar da sua cooperação de uma forma específica e privilegiada.

 

3 – «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso o Santo que vai nascer será chamado Filho de Deus. E a tua parenta Isabel concebeu também um filho na sua velhice… porque a Deus nada é impossível».

O que Deus nos pede não nos prejudicará, ainda que momentaneamente possa acarretar mais esforço. Mas que seria da vida sem esforço? Seria como a comida sem tempero! Com efeito, temperamos a vida gastando-a e colocando o melhor de nós mesmos nos projetos a que nos propomos. A Deus nada é impossível. A única limitação somos nós. Deus quer e nós poderemos querer o que Ele quer ou simplesmente ignorar a Sua voz, o Seu querer e, até, o Seu amor.

Maria é surpreendida, mas confia em Deus. Sabe que pela frente não faltarão momentos conturbados, desde logo o facto de ter que justificar-se de uma gravidez milagrosa, estranha, inesperada.

 

4 – «Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra».

Deus confia em nós. Deus aposta em nós. Deus espera por nós. Naqueles instantes, através do Anjo, Deus esperou por Maria e confiou que Ela pudesse dizer-Lhe sim. O repto estava lançado, mas faltava a palavra de Maria. Deus age, é todo-poderoso, mas conta comigo e contigo. Não faz por nós. Responsabiliza-nos, respeitando a nossa liberdade. Criou-nos sem nós, como nos recorda Santo Agostinho, mas não nos salva sem nós, sem o nosso assentimento.

Maria respondeu por Ela, mas também em nome de todo o povo. Queiramos que tenha respondido por nós também. Na sua humildade permite que a grandeza de Deus e o Seu amor Se faça Pessoa, encarnando, e ilumine o mundo inteiro.


Textos para a Eucaristia (ano B): 2 Sam 7, 1-5. 8b-12. 14a. 16; Sl 88 (89); Rom 16, 25-27; Lc 1, 26-38.


09
Dez 17
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

1 – Vigiai. Era a palavra-chave que escutámos há oito dias. Hoje a palavra-chave é PREPARAI, preparai o caminho do Senhor. É-nos servido o início do Evangelho de São Marcos que nos remete para Isaías, trazendo a promessa de Deus ao Seu povo. Ele enviará um mensageiro na frente para preparar o caminho d'Aquele que há ser enviado para nos trazer a salvação.

João Batista é a voz que no deserto proclama um batismo de penitência para a remissão dos pecados. Ele é voz da Palavra que está a chegar. Para que a Palavra Se seja percetível é urgente que a voz provoque os ouvidos e sobretudo os corações. Demasiada cera pode ser impeditivo de uma boa audição, um coração empedrado terá dificuldade em acolher e em amar Aquele que vem.

É tempo de preparar o caminho, o coração, a vida.

Um caminho que não é utilizado nem é limpo acabará por ficar intransitável. Se é um caminho muito usado, as pegadas e os rodados pisam as ervas que ameaçam nascer e crescer. Pedras que caiam ou silvas que despontam sempre se vão tirando. Mas de vez enquanto é necessário fazer uma limpeza mais a fundo, para que o caminho volte a ser caminho. E se por ele tiver que passar alguém especial então o cuidado será maior.

Está a chegar Jesus, Alguém que nos é muito caro, muito especial, então há que preparar bem o caminho da nossa vida para Ele passar e permanecer em nós. As famílias estavam habituadas no Natal e sobretudo na Páscoa a fazer uma limpeza a fundo nas casas – as barrelas – e nas ruas. É esta a preparação a que São João nos desafia.

Domingo II do Advento.jpg

2 – Na 1.ª Leitura, Isaías, uma das figuras do Advento, anuncia a chegada do Emanuel, «O Senhor Deus vem com poder, o seu braço dominará. Como um pastor apascentará o seu rebanho e reunirá os animais dispersos; tomará os cordeiros em seus braços, conduzirá as ovelhas ao seu descanso». O poder de Deus far-se-á serviço, pois não vem para impor e dominar, mas como Pastor para congregar.

Os tempos de treva e dispersão não durarão para sempre. Já se vislumbra no horizonte uma luz a despontar como aurora, uma voz que clama tão forte que não podemos não escutar: «Preparai no deserto o caminho do Senhor, abri na estepe uma estrada para o nosso Deus. Sejam alteados todos os vales e abatidos os montes e as colinas; endireitem-se os caminhos tortuosos e aplanem-se as veredas escarpadas. Então se manifestará a glória do Senhor».

Se Ele vem, se está próxima a Sua chegada, como é que vamos recebê-l’O? Como é que nos vamos preparar? Como é que traduzimos o convite da palavra de Deus?

 

3 – A nossa grandeza há de ser o reflexo da grandeza de Deus, pelo que é na pequenez, na humildade e no abaixamento que deixamos que Deus seja visto em nós como num espelho. "A minha alma engrandece o Senhor". Palavras de Maria que sublinham como a grandeza de Deus Se revela através da humilde serva do Senhor. Isso mesmo foi colocado em evidência por Joseph Ratzinger, futuro Bento XVI, não é Maria que torna Deus maior, mas Ela deixa que Deus Se mostre. Isso mesmo nos é pedido. Parafraseando Santo Agostinho, o nosso egoísmo faz-nos crescer ao ponto de nos entrepormos entre Deus e os outros. A nossa opacidade não permite que os outros vejam em nós ou através de nós. A humildade torna-nos transparentes e, por conseguinte, Deus será visível em nós e para os outros.

Vejamos como São João Batista aponta para Aquele que há de vir em glória e poder. «Vai chegar depois de mim quem é mais forte do que eu, diante do qual eu não sou digno de me inclinar para desatar as correias das suas sandálias. Eu batizo-vos na água, mas Ele batizar-vos-á no Espírito Santo»

Preparar o caminho do Senhor também é isto: treinar a humildade, a capacidade para transparecer Jesus, testemunhar Jesus, deixar que Jesus fale em nós e através de nós. O nosso centro é Jesus e o Seu Evangelho de amor, de perdão e de serviço.


Textos para a Eucaristia (ano B): Is 40, 1-5. 9-11; Sl 84 (85); 2 Pedro 3, 8-14; Mc 1, 1-8.


18
Nov 17
publicado por mpgpadre, às 21:00link do post | comentar |  O que é?


11
Nov 17
publicado por mpgpadre, às 17:00link do post | comentar |  O que é?


04
Nov 17
publicado por mpgpadre, às 12:30link do post | comentar |  O que é?

1 – Cada um de nós sabe que existe, mas precisa de ser reconhecido, de ser visto, de ser ouvido, de se sentir amado, acolhido, de se sentir pessoa. Quando uma pessoa se sente invisível, sente-se morrer, encolhe-se, parece desaparecer. Não é apenas a consciência pessoal que conta, mas também a consciência que existe com os outros e para os outros. Um dos dramas do nosso tempo é a solidão.

Vivemos num tempo de grande combatividade. O ritmo da vida é acelerado. O stresse toma conta das pessoas. É necessário responder rapidamente, ao segundo. Temos tudo ligado. Durante todo o tempo. O telemóvel, o computador, a televisão, o tablet. Há que inovar. Desfazer-se do velho, porque novas coisas estão a emergir. O desgaste é desproporcional à nossa capacidade de visualização, de compreensão, de aceitação, de transformação. Antes, íamo-nos habituando às situações. Havia tempo para refletir. Para discutir. Para absorver. Hoje, tudo se esfuma num instante. Surgem os acontecimentos e só depois tentamos compreender e assimilar. Quando muda a hora, precisamos de um dia ou dois ou mais para nos habituarmos.

Tanta tecnologia, tanta vida, tanta dispersão, tanta tensão, tantos afazeres! E o que precisamos é de amar e ser amados. Precisamos de encaixar as diferenças que nos enciúmam, de limar as arestas que nos ferem mutuamente. Precisamos de nos aceitar na nossa pobreza e fragilidade, nas nossas limitações e nas nossas imperfeições. Precisamos de nos tornar novamente humanos.

christ-e1489453045131.jpg

2 – Como é que nos fazemos ver? Como é que nos fazemos amar? Como é que nos tornamos importantes para os outros? Ou essenciais nas suas vidas? Pela grandeza? Pelo poder? Pela capacidade económica? Pelas muitas qualidades que temos? Mas como? Pela capacidade de controlar os outros ou pela esperteza em os enganar?

O Pobre de Nazaré de tão pobre que era que deu a Sua vida por inteiro, a favor de todos. Jesus fez-Se ver pela delicadeza, pela ternura, pelo sorriso e pelas lágrimas, pela comoção, pela proximidade física e afetiva. N'Ele vê-se o rosto de um Deus novo, não inventado, mas um Deus revelado em palavras e em gestos de misericórdia, de perdão, um Deus de amor, um Deus que é Pai e nos ama com amor de Mãe, que Se entrega, que Se gasta e desgasta a favor de cada um. Cada pessoa vale tudo para Deus. É Jesus quem no-lo mostra.

Os mais importantes? Os mais sábios? Os mais poderosos? Os mais saudáveis? Para Deus, diz-nos Jesus, valemos tudo! Valemos todos! Mas a prioridade são os desvalidos. Quem fizer mal a um dos mais pequeninos, aos mais frágeis, é a Jesus que faz mal, é de Jesus que não cuida, é a Jesus que não presta atenção.

 

3 – Há quem se imponha pela delicadeza! Há quem se afirme pela prepotência! Existe quem se coloque em primeiro lugar, à frente de tudo e de todos! Existe quem faça questão de colocar os outros em primeiro lugar! Há quem precise de forçar e há quem se afirme naturalmente pela bondade e pela atenção aos seus semelhantes.

Os outros são uma bênção de Deus ou, como diria Sartre, o inferno? Como é que fez Jesus? Como é que eu faço?

Para Jesus o primeiro lugar é dos simples, dos pobres, dos perseguidos, dos pacificadores, dos que promovem a justiça e usam de misericórdia. O caminho: serviço, amor e perdão. A Jesus faz-Lhe espécie que doutores da Lei exijam mais que a Palavra de Deus e que obriguem os outros a cumprir quando os próprios não o fazem. Mete-lhe confusão que usem a religião em benefício próprio.

«Aquele que for o maior entre vós será o vosso servo. Quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado». É a postura de quem serve, de quem se dá, de quem se afirma pelo serviço e pelo amor, considerando os outros como irmãos. Não somos nem mestres nem senhores, somos filhos do mesmo Deus, do mesmo Pai.


Textos para a Eucaristia (ano A): Mal 1, 14b – 2, 2b. 8-10; Sl 130 (131); 1 Tes 2, 7b-9. 13; Mt 23, 1-12.


21
Out 17
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

1 – «Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus». Segundo o sacerdote e teólogo espanhol, José Antonio Pagola, os pobres são de Deus, não são de César. Não podem ser instrumentalizados pelos poderes, pelo debate político-partidário. Os pobres são filhos queridos, amados de Deus, que ninguém pode utilizar para se promover, para disputar lugares. É um compromisso de todos. A começar pelos seguidores de Jesus, os seus discípulos, que nesta HORA somos nós, eu e tu. Não podemos olhar para o lado à espera que alguém resolva. Como disse alguém acerca dos incêndios que assolaram o país e ceifaram a vida a mais de uma centena de pessoas, destruindo sonhos, projetos, famílias, destroçando comunidades, todos temos um quinhão de responsabilidade. Também para com os pobres.

A dimensão moral vem depois. Não ajudamos esta pessoa ou aquela família porque merece. Emocionalmente prontificamo-nos a ajudar quem faz pela vida. Temos dificuldade em ajudar quem espreguiça a vida e está sempre à espera de ser ajudada, dispensando-se a qualquer esforço.

Mt_41_render-unto-caesar-and-unto-god_1800x1200_30

2 – A armadilha lançada a Jesus é ardilosa. Os judeus estão colonizados pelo grande império romano. É sabido que a elevada carga de impostos gera pobreza, servidão, exige elevados sacrifícios e privações. Muitas vezes os são uma arma de arremesso. Os ricos safam-se com alguma facilidade, pelo que têm e pelas influências que vão granjeando. Os pobres nem têm bens nem têm como se defender das exigências. Os fariseus e os herodianos parecem colocar-se ao lado dos pobres. Devemos ou não pagar os impostos ao imperador? Não pagando, a carga que pesava sobre os mais desfavorecidos seria aliviada. Porém, alguns impostos destinam-se às castas dirigentes, beneficiam os amigos de Herodes e todos aqueles que circulam perto do poder. Se quisessem ajudar os mais pobres renunciavam ou diminuíam os impostos para o Templo, abdicando de alguns privilégios.

Se Jesus respondesse que não se deveria pagar tributo ao imperador seria acusado de instigar à revolta. Se dissesse que se deveria pagar, então sancionava uma situação insustentável de pobreza.

 

3 – Para responder, Jesus devolve a pergunta: «De quem é esta imagem e esta inscrição?». Ora, nas moedas está o rosto de César e assim Jesus lhes responde lapidarmente: «Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus».

Jesus confronta-os com a hipocrisia com que se apresentam a armar-lhe mais uma tramoia. Surgem sorrateiramente. Como sói dizer-se, perguntar não ofende, depois logo se vê a resposta. Sabem que estão a tramar Jesus, a colocá-l'O entre a espada e a parede. Ele terá que responder sim ou sopas! Para Alguém que Se rodeia de pelintras e convive com pobres, doentes, coxos, cegos, leprosos só pode estar contra o poder e contra medidas que dificultem a vida a quem tem muito pouco.

O Mestre dos Mestres já tinha repreendido os seus discípulos pela disputa de lugares e de poder: quem entre vós quiser ser o primeiro seja o servo de todos. Os chefes das nações exercem o seu poder como senhores sobre os demais; o poder dos discípulos é o serviço. Jesus não entra em debates filosóficos ou políticos. Aponta o jeito de ser discípulo: servir amando, amar servindo, gastando a vida. Os poderes políticos têm os seus ritmos e os seus tempos e na ordenação das sociedades são necessários. Diz Jesus a Pilatos: nenhum poder terias se não te tivesse sido dado! Também César devia agir em lógica de serviço e de cuidado, mas essa é a missão primordial dos discípulos de Jesus que hão de levar essa dinâmica a todos os recantos do mundo, a todas as dimensões da vida.


Textos para a Eucaristia (ano A): Is 45, 1. 4-6; Sl 95 (96); 1 Tes 1, 1-5b; Mt 22, 15-21.


14
Out 17
publicado por mpgpadre, às 18:40link do post | comentar |  O que é?

1 – Depois da vindima, o banquete! Depois do trabalho, a festa! E quanto mais o trabalho (justamente remunerado), mais intensa a festa e a alegria. Nem todos têm trabalho condigno para terem acesso a um condigno banquete. As causas são variadas, mas, seguidores de Jesus, temos de fazer com que o banquete se alargue a todos.

Jesus continua a chamar-nos para o Seu banquete, para o Seu reino. Tudo está preparado. Uns e outros vão recusando, vão-se desculpando. Não têm tempo. Têm muitos afazeres.

Uma sugestiva e conhecida estória: Um homem foi convocado pelo Rei. Ficou assustado e recorreu aos seus amigos. Tinha três amigos. O mais íntimo, o número 1, encontrava-se com ele todos os dias, a todas as horas, eram inseparáveis. Com amigo número 2 encontrava-se uma vez por semana ou quando calhava. Ao amigo número três encontrava uma vez por outra. Foi ter com o número 1 que lhe disse: nem pensar, pede-me tudo, menos isso. O número 2 disse-lhe que o acompanhava mas ficaria à porta, não entraria. Foi então ter com o amigo número 3 que imediatamente se disponibilizou a acompanhá-lo à presença do Rei. O homem somos nós. O Rei é Deus. A convocação para ir à Sua presença é o momento da nossa morte. O amigo número 1 são as coisas que nos ocupam e preocupam, deixamo-las todas, nenhuma seguirá connosco. O amigo número 2 são os nossos familiares e amigos, acompanham-nos, mas ficam à porta, do cemitério e do lado de cá da vida. O amigo número 3 é o bem que fazemos, acompanha-nos para a eternidade.

banchetto.jpg

2 – Jesus espalhou um sonho, anunciou um reino, revelou a alegria de Deus, o amor de Deus, para com todos, mas sobretudo para com os mais frágeis, pobres, mendigos, leprosos, mulheres, pecadores, publicanos. Em Jesus, a certeza que temos Pai, que nos ama com coração de Mãe, um Pai que Se dispõe a tudo, por causa de nós.

A delicadeza de Jesus faz mossa nas lideranças judaicas, instaladas no poder, vivendo comodamente. Naquele tempo, como hoje, há uma multidão de famintos, de pobres, de excluídos, lázaros que não têm assento à mesa, que ficam fora, fora das muralhas, afastados e impedidos pelos portões da indiferença, da corrupção, do egoísmo. Contudo, Jesus não Se deixa vencer, nem iludir, não Se deixa comprar, nem se deixa corromper! Denuncia com a Sua postura, com as Suas palavras, com as parábolas que nos apresenta.

 

3 – Jesus tem consciência que se aproxima para o final da sua vida. A afronta de doutores da lei e anciãos do povo é cada vez mais evidente. Todavia, Jesus continua a pregar, continua a estar próximo dos pecadores e dos publicanos, continua a responder aos fariseus, às lideranças judaicas. O recurso às parábolas facilita o diálogo, pois, embora a linguagem seja clara, deixa margem para que cada um encaixe ou recuse os Seus ensinamentos, sem se sentir forçado.

O Rei da parábola continua a enviar os seus servos para chamarem todos os que encontrarem. Hoje (e amanhã) o convite é idêntico: «Ide às encruzilhadas dos caminhos e convidai para as bodas todos os que encontrardes». Os servos saíram “pelos caminhos, reuniram todos os que encontraram, maus e bons. E a sala do banquete encheu-se de convidados”. Há lugar para mim e para ti.

Pode acontecer que alguém não vista o traje nupcial. O Rei chama, uma e outra vez. Não desiste. Nunca desiste de nós. Basta acolhê-l'O e teremos lugar à mesa. Para o banquete, bons ou maus, todos precisamos de vestir o traje da verdade, da justiça, da caridade, da comunhão com os outros. Não podemos ir de qualquer maneira, aos empurrões, com trajes esfarrapados pela arrogância, pela violência, pela vingança. Vistamo-nos de humildade, transparência, de amor, de misericórdia, para nos "afeiçoarmos" aos Rei, isto é, para termos feições semelhantes às de Deus que Se revelam em Jesus, feições de paz e de compaixão, de ternura e de bondade.


Textos para a Eucaristia (ano A): Is 25, 6-10a; Sl 22 (23); Filip 4, 12-14. 19-20; Mt 22, 1-14.


07
Out 17
publicado por mpgpadre, às 17:00link do post | comentar |  O que é?

1 – Praça de São Pedro, 19 de abril de 2005, primeiras palavras de Bento XVI: «Depois do grande Papa João Paulo II, os Senhores Cardeais elegeram-me, simples e humilde trabalhador na vinha do Senhor. Consola-me saber que o Senhor sabe trabalhar e agir também com instrumentos insuficientes»

O amor à vinha, o trabalho dedicado e a certeza que o Senhor vela pelos trabalhadores e provê à produtividade da vinha, para lá das circunstâncias e dos contratempos. Deus cuida da Sua vinha com amor. Mantém-Se próximo, pronto a acudir. Confia nos seus trabalhadores e confia-lhes o cuidado da mesma, aguardando que eles possam fazê-la frutificar e todos possam beneficiar dos seus frutos.

Jesus conta outra parábola sobre o reino de Deus, novamente à volta da vinha. «Havia um proprietário que plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe, cavou nela um lagar e levantou uma torre; depois, arrendou-a a uns vinhateiros e partiu para longe».

A vinha é do Senhor. Ele confia-no-la, esperando pela colheita. Na devida altura manda os servos receber os frutos. Os vinhateiros, por sua vez, querem assumir o controlo, ocupando o lugar do seu Senhor e, por isso, maltratam os enviados, matam-nos, escorraçam-nos.

Aquele Senhor, o Bom Deus, não desiste. Não desiste dos bons frutos que há para recolher, não desiste de nós. Envia novos mensageiros. Dá-nos mais oportunidades. Envia, então, o Seu próprio filho.

Lição3_Ápice da inveja_Acabe e Nabote (3).JPG 

2 – «Respeitarão o meu filho». Depois de todas as tentativas para "resolver as coisas a bem", e não tendo conseguido, Aquele Senhor decide fazer uma última aposta, mais alta, mais arriscada. Arrisca o que Lhe é mais querido, o Seu próprio Filho. Arrisca tudo, a Sua vida na vida do Filho. Confia que os vinhateiros reconhecerão a Sua deferência ao enviar-lhes o próprio filho.

A ocasião (por vezes) faz o ladrão. A ganância vem ao de cima. Está ali a oportunidade de eliminarem o filho e ficarem eles donos e senhores daquela vinha. É o que fazem, agarram e filho e matam-no.

A parábola espelha bem a história da salvação e as lideranças judaicas veem-se retratadas nos vinhateiros prepotentes, gananciosos e assassinos a quem Deus confiou a Sua vinha para administrar, cuidar e fazer frutificar. Deus envia o Seu próprio Filho, Jesus Cristo, que que é expulso da Sua própria vinha, é ferido e morto. Este é o mistério da Encarnação que desemboca no mistério pascal.

Na continuação, Jesus provoca os seus interlocutores, provoca-nos: «Por isso vos digo: Ser-vos-á tirado o reino de Deus e dado a um povo que produza os seus frutos». Ou mudamos de atitude ou autoexcluímo-nos do Seu reino de amor.

 

3 – A primeira leitura já nos apresentava a belíssima imagem da vinha. «Vou cantar, em nome do meu amigo, um cântico de amor à sua vinha. O meu amigo possuía uma vinha numa fértil colina. Lavrou-a e limpou-a das pedras, plantou-a de cepas escolhidas. No meio dela ergueu uma torre e escavou um lagar. Esperava que viesse a dar uvas, mas ela só produziu agraços».

Isaías deixa-nos ver o cuidado e o amor do seu amigo à vinha que plantou. O lagar foi preparado. Foi construída uma torre para guardar a vinha dos assaltantes. Foram escolhidas boas cepas. «A vinha do Senhor do Universo é a casa de Israel e os homens de Judá são a plantação escolhida». Tudo aponta para bons resultados.

Mas parece que até Deus "não controla" todas as circunstâncias, já que nos criou livres, com a possibilidade de Lhe dizermos não e de não produzirmos na abundância do amor e da compaixão.

E agora, o que fazer, se fiz tudo pela vinha e ela não deu nada? Eis o que vou fazer: «Vou tirar-lhe a vedação e será devastada; vou demolir-lhe o muro e será espezinhada. Farei dela um terreno deserto: não voltará a ser podada nem cavada, e nela crescerão silvas e espinheiros; e hei de mandar às nuvens que sobre ela não deixem cair chuva».

As palavras do profeta denotam o desencanto pela infidelidade do povo, cujos membros deveriam viver como família!


Textos para a Eucaristia (ano A): Is 5, 1-7; Sl 79 (80); Filip 4, 6-9; Mt 21, 33-43.


30
Set 17
publicado por mpgpadre, às 20:57link do post | comentar |  O que é?

1 – Não há santos sem passado nem pecadores sem futuro (Papa Francisco). Deus não Se cansa de nos perdoar, nós é que nos cansamos de pedir perdão. O Papa coloca a ênfase na misericórdia de Deus que nos alcança, nos acaricia e nos eleva, perdoando-nos.

A conversão é permanente. Enquanto vivemos estamos a tempo de alterarmos a trajetória que nos afasta de Deus e dos outros.

Nos domingos precedentes víamos como a comunidade procurava acolher, na prática, os ensinamentos de Jesus acerca do perdão, não desistindo dos erráticos, dando-lhes segundas e terceiras oportunidades, procurando integrá-los, e como Pedro percebe que tem de perdoar muitas vezes, não até sete vezes, sempre, mas até setenta vezes sete, diz-lhe Jesus, até ao infinito.

O contexto aproxima-nos da morte de Jesus. Depois de ter entrado triunfalmente na cidade santa, aclamado por aqueles que O acompanham, Jesus "entra" em choque com as autoridades judaicas. No templo expulsa os que compravam e vendiam, gerando uma crescente onda de indignação.

2 filhos.jpg

2 – As parábolas tornam acessível a mensagem de Jesus. Cabe-nos tirar as lições que nos ajudam a viver Jesus, a traduzir Jesus para a nossa vida, a testemunhar Jesus. Que pretende Jesus dizer-nos com esta parábola? Até que ponto é atual para nós?

Mais uma estória luminosa: «Um homem tinha dois filhos. Foi ter com o primeiro e disse-lhe: ‘Filho, vai hoje trabalhar na vinha’. Mas ele respondeu-lhe: ‘Não quero’. Depois, porém, arrependeu-se e foi. O homem dirigiu-se ao segundo filho e falou-lhe do mesmo modo. Ele respondeu: ‘Eu vou, Senhor’. Mas de facto não foi. Qual dos dois fez a vontade ao pai?»

O próprio Jesus dá a resposta em outra parte do Evangelho: «Nem todo o que me diz: 'Senhor, Senhor' entrará no Reino do Céu, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está no Céu» (Mt 7, 21). As palavras valem o que valem. Para Deus valem tudo, pois o próprio Jesus é a Palavra de Deus dada ao mundo. Palavra de Deus encarnada! Também para nós as palavras devem contar.

Na parábola, o filho mais velho responde negativamente ao pai, mas acaba por refletir e por fazer o que o pai lhe tinha pedido. Cumpriu, ainda que tivesse hesitado. Há sempre tempo para arrependimento. Uma perna quebrada e emendada não é quebrada. Não adianta responder por responder, só para agradar, e depois não fazer. Os interlocutores ainda estão a tempo de se converter, de dar uma oportunidade à vontade de Deus e aos Seus desígnios de amor e salvação. É a provocação de Jesus: «Os publicanos e as mulheres de má vida irão diante de vós para o reino de Deus. João Baptista veio até vós, ensinando-vos o caminho da justiça, e não acreditastes nele; mas os publicanos e as mulheres de má vida acreditaram. E vós, que bem o vistes, não vos arrependestes, acreditando nele».

 

3 – A oração inicial da Eucaristia (coleta) ambienta-nos e sintoniza-nos com a liturgia da Palavra, como podemos ver neste domingo: «Senhor, que dais a maior prova do vosso poder quando perdoais e Vos compadeceis, derramai sobre nós a vossa graça, para que, correndo prontamente para os bens prometidos, nos tornemos um dia participantes da felicidade celeste».

Constatamos que o poder de Deus está no perdão e suplicamos a Sua graça, para que possamos caminhar para a felicidade eterna.

Há espaço para o arrependimento e para a conversão, como o filho mais velho da parábola deste domingo, ou como o filho pródigo na parábola lucana do Pai misericordioso. Através do Profeta, Deus faz saber que se o ímpio, «abrir os seus olhos e renunciar às faltas que tiver cometido, há de viver e não morrerá». Em definitivo, Deus não quer a morte do pecador, mas que se converta e viva. A glória de Deus é o Homem vivo (Santo Ireneu).


Textos para a Eucaristia (ano A):  Ez 18, 25-28; Sl 24 (25); Filip 2, 1-11; Mt 21, 28-32.


23
Set 17
publicado por mpgpadre, às 22:21link do post | comentar |  O que é?

1 – O reino de Deus, diz Jesus, pode comparar-se a um proprietário que sai muito cedo para contratar trabalhadores para a sua vinha, ajustando com eles a respetiva remuneração. Hoje os trabalhadores necessários estão previamente contratados. Mas lá vai surgindo espaço para mais alguém, sobretudo se há mais uvas para apanhar ou se é necessário apressar a colheita.

Todos os trabalhos que estão ligados à terra dependem do trabalho humano e da natureza. Se chove em excesso ou em défice vem prejuízo, ou pelo menos não tanto lucro. Uma trovoada com granizo pode estragar o trabalho de um ano. Tanto trabalho e para nada! É uma fatia importante do ganha-pão de muitas pessoas!

Mt 20, 1-16.jpg

 2 – O Senhor da Vinha, o nosso Deus, toma a iniciativa. Vem à nossa procura, vem ao nosso encontro. Pelas praças e vielas, pelas aldeias e cidades. Em Jesus, sai do Seu conforto, do Seu mundo e mistura-Se connosco, vem para o nosso mundo.

No reino de Deus, a vinha do Senhor, há sempre lugar para mais um, há lugar para todos. Há trabalho para quem quiser trabalhar, para quem quiser comprometer-se, para quem quiser "vindimar", cortar uvas, recolhê-las, carregar baldes, descarregar tinas. Este "Senhor" sai várias vezes ao dia. Não desiste de nos procurar e nos rogar: «Ide vós também para a minha vinha e dar-vos-ei o que for justo». A meio da manhã, ao meio dia, pelas três horas da tarde e ao cair da tarde. Vai encontrando pessoas e convoca-as: «Porque ficais aqui todo o dia sem trabalhar?». Distração dos próprios ou incúria dos rogadores? «Ninguém nos contratou».

Como faz este nosso "Senhor" caber-nos-á fazer o mesmo. Sair, procurar, encontrar pessoas para a vinha do Senhor, lançar-lhes o convite. É preciso não nos cansarmos de ir, de chamar, de insistir. «Ide vós também para a minha vinha». Pode haver alguém que não escute! Pode haver quem prefira ficar encostado a preguiçar ou à espera que outros façam! Cabe-nos a nós, a mim e a ti, anunciar, envolver, desafiar. Esta missão faz parte da nossa condição de batizados.

 

3 – Deus não deixará sem recompensa nem sequer um copo de água dado em Seu nome. A garantia é dada aos jornaleiros: pagar-vos-ei o que é justo. Ao anoitecer, o capataz cumpre o mandato do dono da vinha e paga o salário aos trabalhadores a começar pelos últimos. Atualmente, o pagamento é feito no final da semana ou no final da vindima, isto quando os patrões não optam por pagar apenas quando recebem da venda das uvas! O trabalhador merece o seu salário e a demora pode fazer muita diferença para quem sobrevive com pouco.

A prontidão de Deus em pagar corresponde à insistência com que sai ao nosso encontro para nos contratar. E quanto nos paga? Quanto nos pagam os nossos pais por serem pais? Tudo! Nada menos do que tudo. Sempre. Eles acolhem-nos com alegria nos braços quando nascemos e estão sempre prontos para nos acolher, mesmo que pelo meio tenhamos sido ingratos, distraídos, distantes, mesmo que só tenhamos "trabalhado" quando o dia estava a findar.

Na nossa lógica muito humana, muito justa e generosa, o proceder do dono da vinha é injusto e, talvez quem sabe, maldoso. Os da última hora recebem o mesmo que os da primeira que trabalharam durante todo o dia, que sofreram a dureza do tempo e o calor!

O dono da vinha parece agir indiscriminadamente, favorecendo os preguiçosos, os desleixados, os que não se importam se têm trabalho ou não! Mas um Pai que ama como Mãe é assim. Não é falta de exigência, é excesso de amor. E o amor autêntico não é divisível, compartimentalizado, ou se ama ou não se ama, ainda que a confiança possa progredir. Não amo um pouquito (para não deixar abusar!) e depois já amo mais (para reconquistar!).

Ama com tudo, com todas as forças, com a vida toda.


Textos para a Eucaristia (ano A): Is 55, 6-9; Sal 144 (145); Filip 1, 20c-24. 27a; Mt 20, 1-16a.


16
Set 17
publicado por mpgpadre, às 21:45link do post | comentar |  O que é?

1 – Aí está a pergunta de Pedro: «Se meu irmão me ofender, quantas vezes deverei perdoar-lhe? Até sete vezes?».

Perdoar até 7 vezes? Impossível. Uma vez, duas vezes! À terceira começa a ser demais, pois há que manter a dignidade! Três vezes ou mais já é perder a face e deixar abusar. 7 vezes? Só se fosse a 7 pessoas diferentes e em diferentes ocasiões! Mas o SETE, na linguagem semita, vale por plenitude, perfeição, ou seja, sempre.

Ora a resposta de Jesus é ainda mais taxativa: «Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete».

Façamos as contas que, em termos matemáticos, são fáceis de fazer: 70X7=490 vezes. Muitos "perdões"! Mas novamente a linguagem semita e o seu significado: 70X7 = SEMPRE! Pedro já apontava para um perdão sem limites, mostrando a Jesus que tinha aprendido bem a lição e que já era capaz de ver além do seu umbigo. Porém, Jesus aponta para o infinito, para que não haja interpretações personalizadas à medida de quem escuta. SEMPRE. É a medida do amor, é a medida de Jesus, a medida de Deus. Sem ajustes nem reservas! Perdoar até àqueles que te matam, como fez Jesus no alto da Cruz!

maxresdefault (1).jpg

2 – A comunicação de Jesus procura "democratizar" o acesso ao reino de Deus, mas também a perceção sobre o mesmo. O reino de Deus é para todos, não para um grupo privilegiado. Esse é também o combate de Jesus com alguns líderes religiosos, que nem entram nem deixam entrar, complicando, sendo os intérpretes exclusivos da Lei e da vontade de Deus. Jesus eleva a fasquia. Os filhos apresentam-se diante de um Pai, não de um Juiz prepotente e surdo! Os juízos do Pai são preenchidos de ternura e misericórdia.

Mestre da Sensibilidade, Jesus fala da vida e de modo a que todos possamos perceber. Não se enrola num emaranhado de argumentos. Ao responder a Pedro, como em tantas outras ocasiões, Jesus conta uma estória. O reino de Deus pode comparar-se a um rei que quer ajustar contas com os seus servos. À sua presença é levado um homem que lhe deve 10 mil talentos. Uma fortuna. Não tendo com que pagar, será vendido com a mulher, os filhos e as suas posses. Perante a iminência da desgraça, este homem suplica ao rei compreensão e tempo para saldar a dívida. O rei despe a capa do poder e enche-se de compaixão! Perdoa-lhe toda a dívida.

Pelo caminho, o homem a quem foi perdoada a dívida encontra um companheiro que lhe deve uma ninharia: cem denários! A alegria e a gratidão deveriam agora ser o seu alimento e o seu vestuário. Mas prevalece a ganância e, tendo em conta o muito que lhe foi perdoado, não é capaz de fazer o mesmo com o seu companheiro, mandando-o prender. Este é também um drama do nosso tempo: muitas vezes a quem deve são-lhe também retiradas as possibilidades de pagar! A parábola termina com os companheiros a irem à presença do seu senhor, contando-lhe o sucedido, revoltados com a desmedida com que aquele servo tinha sido beneficiado e a exigência para com o companheiro sobre uma pequena dívida.

 

3 – Nós também cabemos dentro da parábola. Eu e tu. Enquanto Jesus fala não podemos assobiar para o lado como se não fosse nada connosco. Ele fala para os discípulos, isto é, fala para nós.

A reação do rei é elucidativa: «Servo mau, perdoei-te tudo o que me devias, porque mo pediste. Não devias, também tu, compadecer-te do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti?» Então o senhor entregou-o aos verdugos até que a dívida seja saldada.

Depois da parábola vem a conclusão! O próprio Jesus avisa e desafia: «Assim procederá convosco meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar a seu irmão de todo o coração». O perdão de Deus para connosco é absoluto, sem reservas nem condições! Acolhendo-O na nossa vida, o caminho a percorrer terá de ser conforme ao Seu proceder: perdoar sempre.


Textos para a Eucaristia (ano A): Sir 27, 33 – 28, 9; Sl 102 (103); Rom 14, 7-8; Mt 18, 21-35.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE


09
Set 17
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

1 – Deus nunca desiste de nós. Esta é a história de Deus com os homens. A história da criação e da salvação. Deus não desiste de nós. Criou-nos por amor e por amor nos sustenta na vida. Quer-nos bem, tão bem como um Pai, como um Mãe a um/a filho/a.

peter-love-me-more-art-lds-455575-tablet (1).jpg

2 – Perdoar? Sempre. 70X7. Em todas as ocasiões. Só o pecado contra o Espírito Santo não tem perdão, ou por outras palavras, o orgulho, a autossuficiência, a sobranceria, o ensimesmamento, o fechar-se conscientemente a qualquer luz, a toda a verdade, a toda a ajuda.

Perdoar uma vez é razoável. Perdoar duas vezes é bondade. Perdoar três vezes é abuso. Jesus vai muito além. Sete vezes é perdoar sempre. Perdoar 70X7? É melhor não fazer as contas! Jesus também não as faz. Por alguma razão dizemos que errar é humano e perdoar é divino. Ainda que humano seja amar e errar seja, muitas vezes, desumano. Perdoar eleva-nos, projeta-nos para outro nível de compromisso, que nos obriga a superar gostos e preferências, a tolerar nos outros o que gostávamos que tolerassem em nós, a compreender as fragilidades alheias e amar além dos defeitos e insuficiências.

As comunidades cristãs dos primeiros tempos procuram ser fieis à mensagem de Jesus: perdoar sempre. Não julgueis. Não condeneis. A quem te bater numa face oferece também a outra. Reza por aqueles que te maldizem. Abençoa os que te perseguem. A quem te pedir a capa dá também a túnica. Não matarás. Não te irrites contra o teu irmão. Se o teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa a tua oferta no altar e vai reconciliar-te com ele. A Eucaristia reconcilia-nos, senta-nos à mesa com Jesus, une-nos aos outros. A Eucaristia vale também enquanto nos converte, nos irmana e nos faz dar passos concretos para vivermos em harmonia, apesar das diferenças.

 

3 – O Evangelho exprime não apenas a Mensagem de Jesus, mas o acolhimento das Suas palavras por parte da comunidade cristã.

A comunidade procura ver, traduzir, atualizar e concretizar tudo o que vem da parte do Senhor Jesus: «Se o teu irmão te ofender, vai ter com ele e repreende-o a sós. Se te escutar, terás ganho o teu irmão. Se não te escutar, toma contigo mais uma ou duas pessoas, para que toda a questão fique resolvida pela palavra de duas ou três testemunhas. Mas se ele não lhes der ouvidos, comunica o caso à Igreja; e se também não der ouvidos à Igreja, considera-o como um pagão ou um publicano».

Aqueles que se apresentam como discípulos de Jesus têm de considerar (sempre) a opção pelo perdão, pelo serviço, pela reconciliação. Uma e outra vez. E outra vez ainda! Descrição. Bom senso. Equilíbrio. Respeito pela pessoa que está à frente. Já me cansei de repetir que quem enche a boca com a própria frontalidade, entendida como dizer sempre tudo o que dá na real gana, independentemente de quem esteja à frente, não passa de uma criança mimada, uma criança a quem tiraram o brinquedo. Mas a criança é criança, é ingénua, está a aprender, a crescer. No adulto essa atitude revela infantilidade. Quem está à nossa frente não é um saco de boxe em quem descarregamos a nossa azia, o nosso azedume com a vida. Ser frontal não é isso. Ser frontal é ser verdadeiro, mas respeitar o outro como pessoa, como rosto e presença de Deus. A azia com que tratamos os outros, não é azia com que tratemos Jesus.

Correção fraterna. Se tens que corrigir, corrige a sós, discretamente. Se não houver avanços, pede ajuda a uma ou duas pessoas. Não desistas nem à primeira nem à segunda. Recorre à Igreja, será mais uma ajuda. A comunidade cristã daqueles dias percebe que terá que dar segundas e terceiras oportunidades e não desistir às primeiras dificuldades e contratempos.


Textos para a Eucaristia (ano A): Jer 20, 7-9; Sl 62 (63); Rom 12, 1-2; Mt 16, 21-27.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE


26
Ago 17
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

1 – «E vós, quem dizeis que Eu sou?».

Diante de Jesus que Lhe respondemos? E que é que dizemos d'Ele? E como dizê-l'O a Ele na minha, na tua, na nossa vida?

O ministério de Jesus começa a dar sinais ambíguos quanto ao desfecho final. N'Ele é visível o amor de Deus como Pai. A Sua delicadeza há de levá-l'O à morte!

O messianismo de Jesus segue uma dinâmica muito própria: amor, serviço e perdão, proximidade e misericórdia. O messianismo esperado era bem diferente: poder, morte, destruição, substituição de uns pelos outros, revolução pela força.

XVIII-to-B.jpg 

2 – «Quem dizem os homens que é o Filho do homem?» Será que Jesus tem curiosidade acerca da opinião pública? Não temos todos? Alguns vivem em função disso e uma opinião desfavorável tira-lhes o sono; para outros é algo de secundário, ainda que sirva de referencial para corrigir posturas e/ou desvios. Todos, no entanto, gostamos de ser bem vistos! Há quem pense pela própria cabeça e quem espere para saber qual a opinião dos outros para formular a própria opinião. O ideal talvez se encontre a meio caminho!

«Quem dizem os homens que é o Filho do homem?» Que responderíamos hoje a Jesus? É o Filho do Homem? O carpinteiro? Um revolucionário? Uma pessoa importante do passado? Os discípulos foram meigos a responder: «Uns dizem que é João Batista, outros que é Elias, outros que é Jeremias ou algum dos profetas». A amizade fê-los filtrar a informação. Por vezes precisamos de amigos assim, sobretudo quando a informação é desnecessária e desonesta.

 

3 – «E vós, quem dizeis que Eu sou?»

Aquilo que estranhos ou conhecidos dizem a nosso respeito é relativo e, de certa maneira, dispensável. Não nos deveria tirar o sono. Já a opinião dos que estão à nossa volta, familiares, amigos, pessoas com quem trabalhamos é muito mais importante, pois ajuda-nos a caminhar, a crescer, a corrigir erros, a colmatar insuficiências.

Quem é Jesus para mim? Que relevância tem na minha vida, nas minhas decisões? A minha vida é diferente por conhecer, por seguir Jesus? No meu dia-a-dia há alguma diferença por ser cristão?

Na abordagem de D. António Couto, Bispo de Lamego, o questionamento cola-nos à profissão de fé, isto é, o que é que dizemos acerca de Jesus. Pedro responde em seu e nosso nome: «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo». É o credo cristão dito pelos lábios de Pedro. É um dizer novo, diferente, atual, presente. Antes, dizia-se, os outros dizem! Agora somos nós que dizemos Jesus, que O anunciámos, que O vivemos, que O transparecemos nas nossas palavras, na nossa vida. Este DIZER é para agora e não é uma retransmissão, somos nós a implicar-nos com Jesus, é a nossa identidade cristã; é Deus a inspirar-nos. «Feliz de ti, Simão, filho de Jonas, porque não foram a carne e o sangue que to revelaram, mas sim meu Pai que está nos Céus». Antes de dizermos Jesus, Cristo, Filho de Deus, é Deus que nos diz, que nos revela: Este é o Meu filho muito amado, escutai-O. O que dizemos não vem de nós, mas vem através de nós; não vem de fora, mas de dentro; não vem dos lábios, mas do coração, vem de Deus que habita em nós, no nosso coração.

 

4 – No Evangelho, através de Pedro, Jesus confia-nos a missão de abrirmos as portas do Seu Reino de amor: «Tu és Pedro; sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as chaves do reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos Céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos Céus».

É um "poder" que implica riscos mas sobretudo responsabilidades pelos outros. Cada um segundo a sua missão, com responsabilidades diferentes, mas todos havemos de prestar contas, como se vislumbra também na primeira leitura. Se não conduzirmos os outros a Jesus Cristo, pelo menos não os impeçamos de prosseguirem! Se não abrimos portas e janelas, não criemos muros, saiamos da frente!


Textos para a Eucaristia (ano A): Is 22, 19-23; Sl 137 (138); Rom 11, 33-36; Mt 16, 13-20..
 

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE


19
Ago 17
publicado por mpgpadre, às 16:04link do post | comentar |  O que é?

1 – A Palavra de Deus deve iluminar a realidade concreta, apontando caminhos, comprometendo os cristãos que a escutam. Hoje, vendo como Jesus lida com "os outros" que não pertencem ao povo judeu, sugere-me que partamos do momento que se avizinha em Portugal: a campanha eleitoral para as eleições autárquicas.

Vale a pena repescar as palavras do Papa Francisco: «Envolver-se na política é uma obrigação para um cristão... os cristãos não podem fazer de Pilatos, lavar as mãos... Devemos implicar-nos na política, porque a política é uma das formas mais elevadas da caridade, visto que procura o bem comum... Os leigos cristãos devem trabalhar na política. Dir-me-ão: não é fácil... A política é demasiado suja, mas é suja porque os cristãos não se implicaram com o espírito evangélico. É fácil atirar culpas... mas eu, que faço? Trabalhar para o bem comum é dever de cristão».

A política é coisa boa. É o cuidado da polis (= cidade), o serviço aos cidadãos. É um elevado serviço de caridade quando procura o bem comum (não o bem individual, particular, privado, ainda que se exprima no serviço a pessoas concretas), o bem de todos, discutindo ideias e projetos para melhorar a vida das pessoas.

Infelizmente, muitas vezes vemos discutir pessoas e não projetos. "Nós fizemos", "Nós prometemos", "Eles não cumpriram", "Nós vamos cumprir"... O nosso grupo tem todas as qualidades... os outros são falsos, mentirosos, maus... E, no final, o que importa é favorecer os que nos ajudaram na eleição, os outros que aguardem mais quatro anos ou então que nos tivessem apoiado!

cananeia.jpg

 2 – Os discípulos de Jesus vivem (ainda) nesta dinâmica: o nosso grupo, os nossos, os que andam connosco. O Messias de Deus é nosso, pertence-nos, temos o exclusivo. Os milagres que fizer hão de beneficiar os nossos, os do nosso povo. As palavras que Ele disser são-nos dirigidas, a não ser que sejam para maldizer os outros, os estrangeiros, os que estão para lá do nosso grupo.

Contrariamente ao que seria expectável, Jesus mantém-se em silêncio (exterior) diante da investida desta mulher: «Senhor, Filho de David, tem compaixão de mim. Minha filha está cruelmente atormentada por um demónio».

Os discípulos estranham a posição do Mestre. Esta mulher tudo fará para reaver o filho, para o reconquistar para a vida. Sujeita-se ao ridículo, a ser olhada de esguelha, sujeita-se a uma humilhação pública. Mas que lhe importa? O importante é a saúde e a vida do filho. Até pode morrer, mas que o filho seja salvo! Os discípulos parecem incomodar-se mais com a sua gritaria do que com o seu sofrimento!

 

3 – Na resposta aos discípulos, Jesus diz-lhes que não foi enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel. Porém, esta Mãe não desiste e insiste, prostrando-se aos pés de Jesus: «Socorre-me, Senhor». Parece que Jesus não se comove! O que contraria o que está contido nos Evangelhos: a Sua delicadeza e proximidade às pessoas mais frágeis, pobres, doentes, mulheres, crianças, publicanos e pecadores! Então que se passa com a reação de Jesus? Assume a nossa postura para que nós nos ponhamos do lado de quem sofre e assumamos a Sua postura: amor ao serviço dos mais desfavorecidos.

Convertamos em pergunta a resposta dada por Jesus àquela Mulher: "Será justo tomar o pão dos filhos para o lançar aos cachorrinhos?". Entramos na pedagogia de Jesus que nos desafia. A Mulher cananeia ajuda-nos a responder ao questionamento de Jesus: «É verdade, Senhor; mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa de seus donos».

Jesus mostra que a salvação não se destina a um grupo ou a um povo, mas destina-se a todos. A fé é a única exigência para a cura, para a redenção. Fé que se torna humildade diante de Deus e predisposição para acolher o Seu amor, o Seu perdão e a Sua cura. É na fé amadurecida desta mulher que Jesus opera a cura da sua filha.


Textos para a Eucaristia (ano A):  Ap 11, 19a; 12, 1-6a. 10ab; Sl 44 (45); 1 Cor 15, 20-27; Lc 1, 39-5.
 

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE


12
Ago 17
publicado por mpgpadre, às 23:21link do post | comentar |  O que é?

1 – Ainda que caminhemos por entre escombros, não precisamos que nos substituam, mas que nos estendam a mão, caminhem ao nosso lado; precisamos de uma luz, ainda que seja ao fundo do túnel, um objetivo, uma razão para lutar, uma meta a atingir, um sentido que nos mova a prosseguir.

il_fullxfull.952047500_7zq9.jpg

2 – No Evangelho do domingo passado (não fosse a festa da Transfiguração), Jesus realiza o milagre da multiplicação e da partilha do pão e do peixe. A multidão é a destinatária do ensino e dos gestos de Jesus. Porém, a atenção para com os discípulos mantém-se: eles são chamados a intervir, a dar de comer à multidão, a arranjarem uma solução concreta e possível, a distribuírem/partilharem o alimento e a recolherem as sobras, para que nada se perca.

Estando mais perto de Jesus, os discípulos têm o privilégio de O conhecer melhor, de O escutar com mais atenção, de beneficiarem das Suas explicações. Porém, quanto mais informação, quanto mais poder, mais a responsabilidade. Jesus compromete os discípulos no anúncio do Evangelho e na prática da caridade.

Essa proximidade que liga os discípulos a Jesus fortalece-os, e a nós também, para as tempestades da vida, para os desertos, para as invernias, para as trevas. Depois da multiplicação dos pães, Jesus permanece junto da multidão a despedir-se das pessoas. Os discípulos vão indo para a outra margem.

Há outro hiato de tempo que é recorrente, Jesus sobe ao monte para orar, para melhor escutar o Pai.

Regressa para junto dos discípulos na quarta vigília da noite. Ao vê-l'O os discípulos pensam que estão a sonhar, que estão a ver um fantasma. À noite todos os gatos são pardos. Jesus caminha sobre o mar, tranquilamente. Assustaria qualquer um. Por certo não é uma partida de crianças mas a certeza de que não há barreiras para Jesus vir ao nosso encontro, em nosso auxílio. Como então, Jesus estende-nos a mão, mostra-Se, garante-nos que está. Temos que O ver também durante a noite, quando as trevas se adensam.

 

3 – Pedro, sempre ele, quer imitar Jesus. E imitar Jesus é coisa boa, é bom sinal. É um desejo que também devemos ter. Mas Pedro lá acaba por se fixar mais nas suas fragilidades e limitações que em Jesus. Mais vale quem Deus ajuda que quem muito madruga. Podemos fazer tudo bem, mas se é apenas por nós, para nós, se nos apoiamos somente nas nossas capacidades, como se fôssemos deuses, tornando-nos o centro, mais tarde ou mais cedo vamos ao fundo. Da mesma forma, não avançamos se for o medo a controlar-nos, o medo de falharmos, o medo de não sermos aceites, o medo de sofrermos…

Vem. Avança. Podes confiar. Pedro vai, com o olhar fito em Jesus. Vai bem, até que olha para baixo e começa a afundar-se. É como as vertigens, quem as tem, só tem que olhar para cima, para a frente, e seguir, pois no momento em que olha para baixo vacila. Se Pedro se tivesse fixado em Jesus e na Sua voz, a violência do vento passaria para segundo plano.

Pedro dá-nos ainda outra lição importante: a humildade, o reconhecimento das próprias fragilidades, a humildade que se volta para Jesus. «Salva-me, Senhor». Só Tu, Senhor, me livras das minhas quedas, dos meus medos. Só Tu, Senhor, podes ser luz e sentido e meta para eu caminhar seguro! Vem e socorre-me, Senhor, do meu egoísmo, do meu pecado e do meu orgulho, que são peso que me afunda. Liberta-me, concede-me a capacidade de amar, de acreditar, de confiar, de me gastar a favor dos outros, o gosto de servir e cuidar, para me tornar leve, tão leve que seja capaz de caminhar por cima do mar.


Textos para a Eucaristia (ano A): 1 Reis 19, 9a. 11-13a; Sl 84 (85); 2 Rom 9, 1-5; Mt 14, 22-33.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE


05
Ago 17
publicado por mpgpadre, às 19:49link do post | comentar |  O que é?

1 – «Senhor, como é bom estarmos aqui! Se quiseres, farei aqui três tendas: uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias». Jesus toma conSigo Pedro, Tiago e João e sobe com eles a um alto monte, lugar privilegiado para encontrar-se com Deus.

Jesus retira-se muitas vezes para a montanha, para lugares ermos, para o deserto. Lugares onde se sente mais a sós com o Pai. Em momentos-chaves, a intimidade de Jesus com o Pai é reforçada, para que a firmeza O conduza à missão de transparecer o Reino de Deus.

Os escritores sagrados dos primeiros tempos sublinham o olhar de Jesus, profundo, luminoso, um olhar que cativa e atrai. É uma luz que vem dentro, do coração, que vem do alto, que vem do Pai.

É esta a luminosidade que transparece em Jesus. Na Transfiguração, Jesus deixa ver mais claramente a intimidade com Deus Pai. Luz, mais luz, mais luz, que também nos trespassa, que também nos ilumina, enchendo-nos o coração de luz. O coração e a vida. Cabe-nos, como àqueles discípulos, fazer com que a Luz que nos vem de Jesus, ilumine o nosso caminho.

7188e18c479349290fb479fef06a9482.jpg 

2 – Senhor, como é bom estarmos aqui! Se quiseres, farei aqui três tendas: uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias.

Quando estamos bem, quando nos sentimos em casa, o tempo passa célere, nunca é noite, é sempre dia, há sempre luz. Há momentos de sol e de chuva, de bonança e de tempestade. Quando chega a bonança, descansamos da ansiedade, do medo, do desgaste, para nos fortalecermos para o que possa vir a seguir.

O contexto da Transfiguração de Jesus evoca a vida como ela é. Há uma primeira evidência: Jesus aponta para o Pai, para que nos momentos mais sofríveis não nos esqueçamos d'Ele e da Luz que há em nós. Antes, Jesus revelara aos discípulos o que Lhe estava destinado: o Filho do Homem vai ser entregue às autoridades, vai ser julgado e vai ser morto. Jesus logo acrescenta que três dias depois de morto voltará à vida. O estrago já estava feito e os discípulos já não ouvem este novo dado. É como nós, dão-nos uma boa notícia e outra má, a notícia negativa ocupará toda a nossa atenção.

Depois deste anúncio, Jesus leva os discípulos mais próximos ao alto da montanha e transfigura-Se diante deles, sinalizando a vida em comunhão plena com Deus Pai, apontando para a vida definitiva.

 

3 – Senhor, como é bom estarmos aqui! Se quiseres, farei aqui três tendas: uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias.

Antes do fim há ainda muita vida, muito caminho a percorrer. A eternidade, a ressurreição, inicia no tempo presente, no compromisso histórico com todos os que seguem connosco. Em Jesus, há um reino a germinar, um projeto em andamento, um vida a florir. Antes, Moisés e Elias, que confluem para Jesus. Ele resume, assume e pleniza as promessas feitas por Deus ao povo eleito. Chega agora o tempo de escutar e de seguir outro Mestre: «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência. Escutai-O».

Como no Batismo, Deus declara a Sua afeição pelo Filho, convocando-nos a todos para O escutar e para O seguir. Não há tempo a perder. São horas de partir e de seguir Jesus: «Levantai-vos e não temais». Quando os discípulos olham novamente, veem apenas Jesus, caem na realidade. Jesus desperta-os do assombro, para que desçam ao mundo concreto e deixem a ressurreição dos mortos para Deus, para quando chegar a hora de Se manifestar em plenitude.

 

Pe. Manuel Gonçalves


Textos para a Eucaristia (ano A):  Dan 7, 9-10. 13-14; Sl 96 (97); 2 Pedro 1, 16-19; Mt 17, 1-9.
 
 


29
Jul 17
publicado por mpgpadre, às 23:46link do post | comentar |  O que é?

1 – Jesus continua a falar-nos em parábolas. As duas primeiras falam-nos de tesouros e pérolas que concentram toda a atenção e que justificam a renúncia a outros pequenos tesouros.

«O reino dos Céus é semelhante a um tesouro escondido num campo. O homem que o encontrou tornou a escondê-lo e ficou tão contente que foi vender tudo quanto possuía e comprou aquele campo. O reino dos Céus é semelhante a um negociante que procura pérolas preciosas. Ao encontrar uma de grande valor, foi vender tudo quanto possuía e comprou essa pérola».

Há uns domingos atrás ouvíamos Jesus a colocar-nos entre escolhas: «Quem ama o pai ou a mãe mais do que a Mim, não é digno de Mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a Mim, não é digno de Mim. Quem não toma a sua cruz para Me seguir, não é digno de Mim». São opções. Prioridades que resolvem uma vida. Um grande amor merece e implica todas as renúncias. Perguntai a uma mãe o que está disposta a fazer em prol dos filhos! Tudo. O corpo, o sangue, qualquer vexame! Se fosse possível, a Mãe ficava doente, iria para a cadeia, morreria em vez dos filhos. Faria qualquer coisa para que os filhos ficassem bem e não tivessem que passar nenhum sacrifício ou sofrimento.

Jesus coloca-nos diante de um amor maior, um único amor, o Reino de Deus. Onde está o teu tesouro estará o teu coração. Para o cristão o Reino de Deus coincide com o próprio Jesus. Ele é o reino de Deus no meio de nós. As palavras de Jesus são lapidares: o seguimento precede qualquer amor, por maior que seja. Víamos então que a exclusividade exigida por Jesus humaniza as relações, tirando-lhes o peso do endeusamento e o risco da instrumentalização. E em nada diminui ou secundariza a ligação, o cuidado e o compromisso com aqueles que Deus coloca na nossa vida. Primeiro o reino de Deus e a sua justiça e o mais virá por acréscimo. Cumprir com a justiça do reino significa seguir Jesus, amá-l'O de todo o coração, antes e acima de tudo, mas implica igualmente fazer como Ele: dar a vida, gastar a vida, resistir a todo o mal, cuidar de todos, daqueles que estão por perto, daqueles que se cruzam connosco.

prodigal3.jpg

2 – A terceira parábola deste domingo tem semelhanças com a parábola do trigo e do joio: «O reino dos Céus é semelhante a uma rede lançada ao mar… apanha toda a espécie de peixes. Logo que se enche, puxam-na para a praia e, sentando-se, escolhem os bons para os cestos e o que não presta deitam-no fora. Assim será no fim do mundo: os Anjos sairão a separar os maus do meio dos justos».

Em definitivo não nos cabe a nós ajuizar, dividir e condenar. Lembremo-nos que a pressa em destruir o joio pode levar-nos a destruir também o trigo. A paciência de Deus dá tempo aos outros, dá-nos tempo a nós, para amadurecer. Deus é paciente e misericordioso, clemente e cheio de compaixão.

 

3 – Durante três anos, Jesus rodeia-se dos Doze e de outros discípulos para os instruir, os desafiar, os envolver no projeto do reino de Deus. Aqui e além provoca-os com palavras, com gestos, com a Sua postura. Também as parábolas são momentos de instrução e de convocação à sabedoria. É admirável como um conjunto de maltrapilhos vão espalhar a mensagem pelo mundo inteiro e como, quase ignorantes, simplórios, se arriscam em praças públicas a pregar, a anunciar destemidamente o Evangelho, repetindo e atualizando as histórias, argumentando, debatendo, refletindo. Se imaginarmos Pedro, um pescador, impulsivo, rude, com o coração ao pé da boca, capaz de argumentar diante das autoridades e escrever (ou inspirar) cartas magníficas à Igreja, vemos como se deixou moldar pelo Espírito de Deus, superando os seus impulsos e as suas limitações.

 

Pe. Manuel Gonçalves


Textos para a Eucaristia (ano A): 1 Reis 3, 5. 7-12; Sl 118 (119); Rom 8, 28-30; Mt 13, 44-52.
 


22
Jul 17
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

1 – «O reino dos Céus pode comparar-se a um homem que semeou boa semente no seu campo».

A parábola do trigo e do joio tem pontos de contacto com a de domingo passado: a semente é lançada com a certeza que a terra produzirá. Tal como a chuva e a neve que caem do céu à terra e não regressam sem terem surtido efeito, também a palavra de Deus, a semente em nós semeada, há de produzir abundantemente. Essa é a vontade de Deus, que toma a iniciativa, que confia em nós, que nos conhece e nos sabe frágeis mas capazes de sermos terra trabalhada. Deus é um Deus clemente e compassivo, paciente e cheio de misericórdia. Ele espera e confia. Uma e outra vez. Deixa que o tempo nos amadureça. Age assim connosco, para que, com Ele, aprendamos a agir uns com os outros: cuidando, esperando pacientemente, confiando.

A semente lançada à terra é boa semente. Vem de Deus. Logo tem tudo para frutificar. Mas não basta a semente ser boa, as condições podem ditar a dimensão e a qualidade dos frutos.

Os servos querem cortar o mal pela raiz. Por vezes também somos assim. Queremos rapidamente eliminar todo o mal. Como diz o velho aforismo, corremos o risco de deitar fora juntamente a água suja e o bebé que está lá dentro. Ou, numa outra imagem também feliz, a árvore que está à nossa frente pode impedir-nos de ver toda a floresta! Algum distanciamento, algum cuidado e perseverança pode ajudar-nos a acolher o bem que existe nos outros. Daí o velho conselho: o travesseiro é o melhor conselheiro! Dormir sobre o assunto. Pensar e repensar! Contar até 20! A pressa é inimiga da perfeição!

parabola_joio_trigo.jpg

2 – «O reino dos Céus pode comparar-se ao grão de mostarda que um homem tomou e semeou no seu campo. Sendo a menor de todas as sementes, depois de crescer, é a maior de todas as plantas da horta… as aves do céu vêm abrigar-se nos seus ramos».

Nesta parábola sobrevém a confiança em Deus. Deus vela pela humanidade, pelo mundo. A pequena semente parece não ter a dureza, a grandeza e o aspeto para sobreviver. Quantas as situações da vida em que a esperança se tornou um minúsculo grão de nada ou de pouca coisa?! Mas desistir não é o caminho. O caminho é persistir. Enquanto há vida há esperança. Por vezes não é fácil. Nada fácil. Parece que o mundo inteiro está contra nós! Mas fazemos das tripas coração e das fraquezas forças para prosseguir. Deus segue connosco, solidário com as mazelas que vamos experimentando.

 

3 – «O reino dos Céus pode comparar-se ao fermento que uma mulher toma e mistura em três medidas de farinha, até ficar tudo levedado».

Ser fermento que leveda a massa, testemunhar a fé, transparecer Jesus Cristo, viver como quem se gasta a favor do outro, a favor de todos, como Jesus Cristo, a favor da humanidade inteira.

Perguntavam à Madre Teresa de Calcutá como seria possível "converter" e transformar o mundo! Como pretendia fazê-lo sozinha? Sozinha não, com Cristo, por Cristo. Eu e tu, somos dois! Soma quem tens em casa e eu somo quem tenho em casa, seremos quatro, seis, dez, vinte, cem, mil! Grão a grão enche a galinha o papo. Faz pelo menos a tua parte!


Textos para a Eucaristia (ano A): Sab 12, 13. 16-19; Sl 85 (86); Rom 8, 26-27; Mt 13, 24-43.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE


15
Jul 17
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

1 – Saiu o semeador a semear, lançou a semente à terra, mas nem toda a semente caiu em terra favorável. Fácil imaginar Jesus em Nazaré, da infância à idade adulta, num contacto próximo com a vida do campo, com a agricultura, com a natureza. Relembramos que o Pai, José, era carpinteiro. Por certo, também Jesus seguiu as pisadas do Pai. Um carpinteiro, à época, fazia vários trabalhos, da madeira à pedra e ao ferro; o que fosse necessário como arranjar alguma portada, ajudar a edificar um templo ou um palácio, construir ou reparar uma ponte, canalizar a água para algum campo. Mas as famílias sobreviviam também com o que produziam, trigo, centeio, hortaliça, árvores de fruto, animais de pequeno porte, cabras e ovelhas, que permitiam recolher a lã, o leite, produzir queijo. Na festa da Páscoa, tinham os próprios cordeiros para consumo familiar, permitindo também a venda de alguns ou a troca por outros bens necessários.

A proximidade à terra facilita a compreensão da parábola. O semeador lança a semente, projetando o braço e abrindo a mão de forma a ir soltando o trigo ou o centeio. As sementes não caem de forma uniforme e o controlo sobre o lugar onde caem é bastante preciso, mas há sempre sementes que ultrapassam o limite do campo. O próprio Jesus poderá ter desempenhado esta tarefa ou visto familiares a fazê-lo. O objetivo do semeador é que a semente caia em boa terra para frutificar com abundância.

Domingo XV do Tempo Comum, ano A.jpg

2 – Algumas das parábolas deixam que possamos retirar ilações, tentando perceber o que Jesus nos quer dizer. Com esta parábola também, mas com um senão, o próprio Jesus a interpreta:

«Quando um homem ouve a palavra do reino e não a compreende, vem o Maligno e arrebata o que foi semeado no seu coração. Este é o que recebeu a semente ao longo do caminho. Aquele que recebeu a semente em sítios pedregosos é o que ouve a palavra e a acolhe de momento com alegria, mas não tem raiz em si mesmo, porque é inconstante, e, ao chegar a tribulação ou a perseguição por causa da palavra, sucumbe logo. Aquele que recebeu a semente entre espinhos é o que ouve a palavra, mas os cuidados deste mundo e a sedução da riqueza sufocam a palavra, que assim não dá fruto. E aquele que recebeu a palavra em boa terra é o que ouve a palavra e a compreende. Esse dá fruto e produz ora cem, ora sessenta, ora trinta por um».

O Semeador é Jesus. A semente é a Palavra de Deus, a fé concretizável na esperança e na caridade. O campo somos nós. Por vezes somos terra árida, muitas coisas nos ocupam e distraem. Outras, temos boa vontade e até estamos recetivos, mas surgem dificuldades e não estamos para nos chatear. Há ocasiões em que persistimos apesar de tudo, do sofrimento, do sacrifício e das contrariedades e fazemos com que a Palavra de Deus, semente em nós lançada, rebente e frutifique generosamente.

 

3 – A semente, como se vê, é abundante. Cai em todo o lado, é para todos. Mas se é Deus que lança a semente e a faz frutificar, há um dado que salta à vista, depende também de nós. Se nos fechamos, o Espírito de Deus não fará germinar a semente. Se abrimos o nosso coração e a nossa vida a Deus, se nos tornarmos terra trabalhada, cavada, a semente encontrará as condições para frutificar.

As palavras de Jesus assumem uma forte interpelação: «O coração deste povo tornou-se duro: endureceram os seus ouvidos e fecharam os seus olhos». Os discípulos estão chamados a seguir Jesus e não a dureza "deste povo": «Quanto a vós, felizes os vossos olhos porque veem e os vossos ouvidos porque ouvem!».


Textos para a Eucaristia (A): Is 55, 10-11; Sl 64 (65); Rom 8, 18-23; Mt 13, 1-23.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE


01
Jul 17
publicado por mpgpadre, às 21:26link do post | comentar |  O que é?

1 – Jesus pede-nos exclusividade. Como a própria palavra sugere, exclusividade exige exclusão. «Quem ama o pai ou a mãe mais do que a Mim, não é digno de Mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a Mim, não é digno de Mim. Quem não toma a sua cruz para Me seguir, não é digno de Mim».

Vamos perceber que a exclusividade de Jesus é inclusiva. Ao escutarmos Jesus ficamos arrepiados. Quem amar mais a mãe ou o pai, o filho ou a filha, ou a própria vida não pode segui-l'O! Como? Deixar para trás a família, os amigos, renunciar à própria vida?

 

2 – Ao longo da Sua vida e de maneira mais clarividente na Sua Paixão e Morte na Cruz, Jesus mostra a Sua grande ligação ao Pai. É uma intimidade de todas as horas. Se a Sua vida é uma oração constante, Jesus reserva tempos específicos para uma maior proximidade com Deus: antes da vida pública retira-Se em oração para o deserto; antes de escolher os apóstolos passa a noite em oração; antes do processo da Sua morte, retira-Se para o horto das Oliveiras para orar; na Cruz mantém um diálogo vivo com o Pai: Meu Deus, Meu Deus, porque me abandonaste?! Pai, nas Tuas mãos entrego o meu espírito.

É percetível na vida de Jesus o Amor primeiro e único: o Pai (de todas as horas). Mas é também dessa forma que Ele tem tempo e disponibilidade para as pessoas, sobretudo as mais frágeis, pois não desperdiça nem forças nem tempo com intrigas, com lamentações, com suspeição, com estratégias para Se afirmar ou para assegurar poder ou vantagem sobre os demais.

15223991_TbZQb.jpg

3 – A prioridade e a precedência de Deus liberta-nos da ansiedade e da perda definitiva, pois Ele nos garante a vida. Aqueles que perdemos, pela vida, Ele os guarda na eternidade. Reconhecermos que não somos deuses, ou que alguém ou alguma coisa o é, faz-nos relativizar as perdas e os insucessos, mas também que o céu não é definitivo na vida histórica, pelo que estamos a caminho. Se acharmos que somos deuses então não poderemos repousar nem equilibrar o nosso cérebro, temos que resolver tudo. Se colocarmos essa esperança em alguém vamos exigir-lhe que resolva tudo o que queremos.

Afinal o desafio de Jesus não menospreza, de todo, a família ou a vida como dom e tarefa, mas recoloca tudo no seu lugar, a Deus o que é de Deus e a César o que é de César.

Jesus dá-Se por inteiro ao Pai. É nessa medida que Se entrega ao Pai por nós e, por, amor nos eleva para Deus.

Seguir Jesus implica toda a nossa vida, a vida toda, em todos os seus aspetos. Somos cristãos em qualquer situação, não apenas quando nos convém, nos dá mais jeito ou quando temos mais tempo. É dessa forma que ganhamos a vida, perdendo-a, gastando-a, dando-lhe sentido e sabor pelo serviço, pelo cuidado, pela descoberta vocacional. É dando que se recebe, é dando que se acolhe a vida como dom alegre. Quem resguarda a sua vida por medo ou para não se incomodar, acabará por morrer sem ter vivido!

 

4 – A referência é Jesus. Segui-l'O para gastar a vida como Ele, a favor de todos. Com efeito, lembra-nos São Paulo, fomos batizados em Cristo, sepultados na Sua morte, para com Ele ressuscitarmos. Se morremos com Cristo, vivamos então com Ele uma vida nova.

Seguir Jesus não servirá nunca para justificar a indiferença ou o descarte a que botamos as pessoas. Seguir Jesus com a nossa vida inteira faz-nos incluir os pais, os filhos, os amigos, os vizinhos, os colegas de trabalhos, aqueles de quem não gostamos tanto e sobretudo as pessoas mais fragilizadas, pela doença, pela pobreza, pela solidão…


Textos para a Eucaristia (A): Ex 19, 2-6a; Sl 99 (100); Rom 5, 6-11; Mt 9, 36 – 10, 8.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE


17
Jun 17
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

1 – Neste XI Domingo do Tempo Comum, a primeira oração da Eucaristia com a oração de coleta: «Deus misericordioso, fortaleza dos que esperam em Vós, atendei propício as nossas súplicas; e, como sem Vós nada pode a fraqueza humana, concedei-nos sempre o auxílio da vossa graça, para que as nossas vontades e ações Vos sejam agradáveis no cumprimento fiel dos vossos mandamentos».

A oração predispõe-nos a escutar a Palavra de Deus e a acolher a Sua graça misericordiosa. Sob os auspícios da bênção divina, o compromisso por corresponder à vontade de Deus, cumprindo os Seus mandamentos. Os mandamentos são uma proposta de vida, que nos conduzirá ao bem, à verdade e à justiça, que nos conduzirá a fazer novas todas as coisas, preenchendo a nossa vida com o amor e a compaixão em que Jesus nos introduz.

34991_html_m5416bba4.jpg 

2 – Eu não vim para condenar, mas para salvar, reconciliar, incluir, para reconduzir para Deus todos os seus filhos dispersos pelo pecado, pela exclusão, pelo egoísmo ou pelas circunstâncias da vida.

Num minuto pode mudar-se a vida de alguém. Pode mudar-se a própria vida. Temos uma vida inteira para nos deixarmos converter por Deus, mas como não sabemos nem o dia nem a hora, é bom desde já colocar-nos à escuta para percebermos que Deus nos chama a viver na grandeza e na generosidade, na alegria e no serviço, no amor e na ternura que nos redimem.

Ao longo de três anos de vida pública, Jesus deixa uma marca indelével de bem-fazer e de bem-dizer. Jesus anuncia o Reino de Deus. Ele é o Reino de Deus que chega até nós. Ao longo desse tempo espalha a doçura, a bondade e o perdão. Em palavras, gestos e em obras. Faz opções. As Suas opções levam-n'O às periferias, aos doentes, aos pecadores, aos publicanos, aos estrangeiros, mulheres e crianças, aos desprezados e excluídos da sociedade. Preferir não é excluir. Trata-se de incluir, de elevar, de devolver a dignidade aos que estão abaixo, aos que são desconsiderados, aos que não contam.

A opção preferencial pelos mais pobres evidenciada por Jesus é  uma opção de todos chamar, de a todos incluir, de a todos reconhecer como irmãos. A Sua há de ser também a nossa opção, para nos tornarmos verdadeiramente Seus discípulos.

 

3 – A misericórdia de Deus é visível em Jesus Cristo. Ele traz-nos Deus. Ele dá-nos Deus. Ele é Deus no meio de nós. Deus feito Homem. Não vem de fora! Ele nasce da Virgem Maria, pela ação do Espírito Santo, para ser um de nós, para caminhar connosco.

Jesus vai à frente, mostra-nos o caminho. Olha para as multidões e enche-Se de compaixão. São como ovelhas sem pastor. Cansadas e abatidas. Não tem mãos a medir. Como um de nós, Ele está limitado pelo tempo e pelo espaço. E, por conseguinte, chama e envia. Chama os Doze e dá-lhes o poder de curar, de expulsar os espíritos impuros, dá-lhes o poder para serem bênção especialmente para as pessoas mais frágeis, fustigadas pela doença, pelos sofrimentos, pelos demónios, pelos vazios, pela solidão, pela incompreensão.

Tudo começa na oração. É a primeira resposta e o primeiro chamamento. Colocar-nos diante de Deus, confiar-lhe a nossa vida, com as suas alegrias e esperanças, com as suas incompreensões e limitações. Ele bem sabe o que precisamos, mas a oração faz-nos ver com o olhar de Deus, com a Sua vontade, com o Seu amor. Rezamos, não para que Deus faça o que podemos fazer, mas para que nós façamos o que está ao nosso alcance, dando, dando-nos.


Textos para a Eucaristia (A): Ex 19, 2-6a; Sl 99 (100); Rom 5, 6-11; Mt 9, 36 – 10, 8.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE


10
Jun 17
publicado por mpgpadre, às 17:00link do post | comentar |  O que é?

1 – Só o amor consegue unir sem destruir (Theilhard de Chardin). O grupo só é mau quando se fecha num círculo fechado, sectário, excludente. Deus chama-nos em povo e em povo nos salva. Jesus chama uns quantos, forma um grupo, o grupo dos 12. É um grupo heterogéneo, mas ainda assim restrito e, para quem vê de fora, um grupo esquisito. Jesus não desiste de nenhum; procura gerir os "egos", as discussões e os conflitos, que a seu tempo servem para balizar as dificuldades e para treinar o diálogo e a comunhão, integrando os dons de cada um.

Na oração sacerdotal, Jesus reza ao Pai para que aquele grupo, mas também os que a Ele vão aderir, se mantenham unidos. «Não rogo só por eles, mas também por aqueles que hão-de crer em mim, por meio da sua palavra, para que todos sejam um só, como Tu, Pai, estás em mim e Eu em ti» (Jo 17, 20-21). A oração é intercessão mas também desafio para os discípulos. Deus proverá a unidade dos discípulos de Jesus, mas estes terão que ser criativos e generosos para edificar a fraternidade em Cristo.

Ao longo do tempo, Jesus mostra que o caminho a seguir passa pelo amor, pela compaixão, pelo serviço. Quem quiser ser o maior terá de ser servo de todos. Por outro lado, não se pense que Jesus defende a anulação da personalidade de cada um. Desengane-se quem pensa assim. O grupo que O segue tem características muito distintas, que se mostram também no início da Igreja. Também nessa ocasião se verá que os temperamentos de cada um hão de ser temperados pela força do Espírito Santo, na oração comunitária. "Da discussão nasce a luz". Oração, reflexão partilhada, decisão!

O Apóstolo Paulo insistirá com as comunidades para que os dons sejam trabalhados a favor de todos: "Sede alegres, trabalhai pela vossa perfeição, animai-vos uns aos outros, tende os mesmos sentimentos, vivei em paz. E o Deus do amor e da paz estará convosco. Saudai-vos uns aos outros com o ósculo santo. Todos os santos vos saúdam. A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco».

christ_instructing_nicodemus_crijn_hendricksz.jpg 

2 – Mais que esmiuçar o mistério da Santíssima Trindade, um só Deus em três Pessoas, importa viver num estilo trinitário. Em Deus prevalece o amor que gera vida e comunhão, sem atropelos. O Amor de Deus é tão imenso que extravasa e nos cria. É tão imenso que nos recria para termos vida abundante. Como recorda Jesus a Nicodemos, «Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito, para que todo o homem que acredita n’Ele não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele».


Textos para a Eucaristia (A): Ex 34, 4b-6. 8-9; Salmo: Dan 3, 52.53-54.55acd-56; 2 Cor 13, 11-13; Jo 3, 16-18.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE


03
Jun 17
publicado por mpgpadre, às 15:20link do post | comentar |  O que é?

1 – «Se mandais o vosso espírito, retomam a vida e renovais a face da terra».

Só Deus é o Senhor da Vida. Ele a dá e a retoma e no-la devolve. «Como são grandes, Senhor, as vossas obras! A terra está cheia das vossas criaturas. Se lhes tirais o alento, morrem e voltam ao pó donde vieram. Se mandais o vosso espírito, retomam a vida». É o Espírito do Senhor que nos dá a vida.

Parafraseando o nosso Bispo, D. António Couto, na homilia do Crisma, em Tabuaço, é o Espírito de Deus que nos capacita para criar um mundo novo. Melhor do que o que está poderá ser ainda mau. É urgente criar um mundo novo, com o olhar cheio de Jesus, com o coração cheio do amor de Deus. A salvação já se deu, com a morte e ressurreição de Jesus. Cabe-nos transparecê-la, através das palavras e das obras, através do nosso compromisso sério uns com os outros, sob a dinâmica (ou o dinamite) do Espírito Santo.

É esse o dinamismo com que Jesus, no primeiro dia da semana, primeiro dia da Nova Criação, Se apresenta vivo no meio dos discípulos e Lhes comunica a paz, dando-lhes o Espírito Santo: «Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos».

O Espírito que recebemos é dinamismo que nos envia. A mensagem de Jesus é clara. A paz que Ele nos traz, a paz que nos dá, não é para nos adormecer, mas para nos comprometer. Recebei o Espírito e ide, perdoai. Como o Pai Me enviou também Eu vos envio a vós.

16427328_1310562442342596_3499669460648115454_n.jp

2 – «Se mandais o vosso espírito, retomam a vida e renovais a face da terra».

O Espírito que nos renova, tornando-nos criaturas novas, envia-nos de imediato. Não é para amanhã. Não é para quando estivermos bem-dispostos. Não é para quando nos convém. Não é para quando as circunstâncias forem mais favoráveis. Não é para quando tivermos tempo e/ou disponibilidade. É para ontem. Hoje já é tarde. O Espírito Santo é fogo que arde em nós e nos preenche e nos provoca. A paz que Eu vos dou há de inquietar-vos até que a todos chega a vida, chegue a paz, chegue a Boa Nova da salvação.

 

3 – «Se mandais o vosso espírito, retomam a vida e renovais a face da terra».

A fraternidade constrói-se com o contributo de cada um. Não nos diluímos, desaparecendo, uns nos outros, mas somos diante e com os outros. Temos por fundamento e modelo a Santíssima Trindade: Um só Deus em Três Pessoas, comunhão perfeita de vida e de amor. Com efeito, somos um só Corpo, pois recebemos um só Espírito, todos fomos batizados na morte e na ressurreição de Jesus Cristo.

«Há diversidade de dons espirituais, mas o Espírito é o mesmo. Há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo». É Deus que opera em nós e cada um recebe d'Ele os dons, não para seu benefício, para em prol do bem comum. O corpo é um todo constituído por diversos membros. Também nós em Cristo, judeus e gregos, portugueses e chineses, somos um só Corpo.


Textos para a Eucaristia (A): Atos 2, 1-11; Sl 103; 1 Cor 12, 3b-7. 12-13; Jo 20, 19-23.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE


27
Mai 17
publicado por mpgpadre, às 17:00link do post | comentar |  O que é?

1 – O envio final e decisivo de Jesus, faz referência à saída, ao movimento – ide; ao ensino – ensinai; à totalidade das pessoas – a todas a nações; à construção da comunidade dos crentes – batizai-as. «Ide e ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-as a cumprir tudo o que vos mandei. Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos».

The-Ascension-by-Scala.jpg

2 – São Lucas, no livro dos Atos dos Apóstolos e que nos tem sido servido como primeira leitura, faz-nos saborear com tempo o acontecimento único do mistério da redenção, morte e ressurreição/ascensão de Jesus.

Depois da Sua paixão, Jesus aparece vivo aos Apóstolos, durante 40 dias, isto é, todo o tempo necessário para os preparar para que, doravante, assumam eles a missão de anunciar o Evangelho. Jesus reaviva a promessa firmada no Pai: sereis batizados no Espírito Santo. Percebendo que Jesus vai partir, chegam as perguntas e a esperança: é agora que o Reino de Deus vai aparecer em todo o seu esplendor?

A resposta de Jesus é contundente: «Não vos compete saber os tempos ou os momentos que o Pai determinou com a sua autoridade; mas recebereis a força do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém e em toda a Judeia e na Samaria e até aos confins da terra». O importante não são as datas, mas o que cada um de nós pode fazer para tornar visível o reino de Deus. Recebe(re)mos o Espírito Santo para nos tornarmos testemunhas de Jesus em toda a parte, em todo o tempo, a todas as pessoas.

Percebe-se que depois da morte e ressurreição de Jesus, os apóstolos terão ficado mais ou menos de braços cruzados à espera que o reino de Deus se impusesse com estrondo. Deus impondo-Se ao mundo, destruindo-o e salvando aqueles que tinham aderido a Jesus Cristo. Relembra-nos São Lucas que Jesus, à vista deles e de nós, elevou-se para lá das nuvens, deixou de estar fisicamente visível. Pudemos então escutar a voz vinda do Céu: «Homens da Galileia, porque estais a olhar para o Céu? Esse Jesus, que do meio de vós foi elevado para o Céu, virá do mesmo modo que O vistes ir para o Céu».

 

3 – Não há tempo a perder, à espera que anoiteça ou faça sol, é tempo de partir e lançar as mãos ao arado e lavrar a terra. É tempo de abraçar a Cruz e levar a Luz a toda a gente. É tempo de deixar crescer em nós a semente plantada para que a Palavra frutifique abundantemente. Agora é a nossa vez. A missão é de Cristo. Mas através de nós, mantendo-se ligado pelo Espírito Santo que nos dá. Qual videira que alimenta os ramos para que deem fruto em abundância. Daremos tanto mais fruto quanto mais estivermos ligados a Jesus Cristo.


Textos para a Eucaristia (A): Atos 1, 1-11; Sl 46 (47); Ef 1, 17-23; Mt 28, 16-20.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE


22
Mai 17
publicado por mpgpadre, às 10:22link do post | comentar |  O que é?

1 – «Se Me amardes, guardareis os meus mandamentos... Se alguém aceita os meus mandamentos e os cumpre, esse realmente Me ama. E quem Me ama será amado por meu Pai e Eu amá-lo-ei».

Jesus vai partir. Antes da partida, o Seu testamento. Amar, servir, dar a vida, permanecer. Ele não nos deixará órfãos. Permanecerá connosco, se permanecermos n'Ele. Vai partir, vai ser morto, mas ao terceiro dia ressuscitará. Irá para a Casa do Pai. Vai preparar-nos um lugar. Na Casa do Pai há muitas moradas. Precede-nos no tempo, preceder-nos-á na eternidade. Enquanto somos peregrinos, discípulos missionários, temos em nós o Espírito Santo Paráclito que o Pai nos envia em nome de Jesus. Ele estará connosco até ao fim dos tempos.

O mais importante na vida não se vê. A inteligência, os afetos, o amor, o que nos liga aos outros. É algo de intangível. Sabemos que amamos e somos amados, mas não vemos e, na maioria das vezes, não conseguimos explicar porquê, por que amamos esta pessoa e odiamos aqueloutra, por que alguém nos ama e aqueloutra nos odeia.

O Espírito que o Pai nos dá, através de Jesus Cristo, é Espírito de verdade. O mundo não O conhece, nem O vê. Mas nós, discípulos do Senhor, já O conhecemos. Como? Porquê? Porque Ele nos habita. Voltamos à dinâmica do amor: podemos não saber explicar, mas sabemos que esta pessoa nos ama, sabemos que amamos aquela pessoa!

Por outro lado, a separação física de alguém não implica o fim da ligação! Quando alguém se ausenta para trabalhar, quando os filhos vão para a universidade, quando o pai vai para o outro lado do mundo, a ligação acentua-se e a necessidade de comunicar é mais premente, utilizando-se hoje as redes sociais que permitem um contacto diário. Jesus não Se serve das tecnologias de comunicação, mas do Espírito Santo. Jesus permanecerá e ve-l'O-emos, porque Ele vive, pois estando no Pai está com todo aquele que O acolher.

the-kingdom-of-heaven.jpg

2 – A pessoa não é divisível. É corpo, alma e espírito. Dizemos que a pessoa é mais do que aquilo que come ou que veste, é mais do que aquilo que diz ou que faz. Por certo. Mas o que veste e sobretudo o que diz e o que faz revelam o seu carácter. Claro que não podemos julgar a pessoa por uma palavra ou por um gesto, pois a pessoa está (sempre) a crescer, a progredir, a peregrinar. Vai limando as imperfeições e superando as limitações, consciente que pode falhar, mas com a coragem de prosseguir. Só dessa forma realiza a vida.

A consistência da vida Jesus visualiza-se e concretiza-se no Seu dizer e no Seu fazer. O que diz e o que faz revelam-n'O como pessoa dócil e bondosa, preocupada com todos, empenhada em curar os que andam abatidos pelo cansaço, pela doença e pelo pecado. Há, como víamos na semana passada, continuidade entre o Filho e o Pai. Jesus, em tudo e em todos os momentos, procura transparecer, mostrar e realizar a vontade do Pai. Os discípulos devem agir da mesma forma.

A ligação é possível pelo cumprimento dos mandamentos, pela vivência das obras da misericórdia. Se fizerdes o que vos mando, permanecereis em Mim e Eu em vós, como Eu permaneço no Pai e o Pai em Mim. É também esse o melhor testemunho. As palavras que proferimos, as obras que realizamos, confirmam se amamos ou não amamos Jesus.

 

3 – Jesus morreu e ressuscitou. Ele vive e está no meio de nós, está connosco. Continua a agir na história, de um modo novo, através do Espírito Santo e com a nossa cooperação. Os discípulos completam a sua identidade ao tornarem-se também missionários, transparecendo a presença de Jesus.

As palavras de Filipe, na primeira leitura, são sancionadas pelos milagres que Deus continua a operar através dele, como Jesus lhes tinha prometido, «fareis obras maiores do que estas».


Textos para a Eucaristia (ano A): Atos 8, 5-8. 14-17; Sl 65 (66); 1 Pedro 3, 15-18; Jo 14, 15-21.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE


mais sobre mim
Relógio
Fevereiro 2018
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9

11
12
13
14
15
16
17

18
19
20
21
22
23
24

25
26
27
28


Visitantes
comentários recentes
desculpe, espero não incomodar, ainda sobre a ques...
O texto está excelente e explica bem, não compreen...
se vir que existe alguma coisa errada nos comentár...
Este subjectivismo reflecte-se na prática na relat...
- Existe a ideia que o exemplo da santidade dos Sa...
sr.padre, posso colocar uma reflecção sobre o subj...
Obrigado sr.padre, continuação de um Feliz Natal e...
Santo Natal. Bom Ano de 2018, abençoado por Deus e...
sr.padre, ao ler a sua resposta fiquei com duas dú...
O mundo atual precisa do testemunho cristão. Livro...
Saudações fraternas. Claro que sim. Ao longo da Su...
Caríssimo, no texto que comento, anuncia a experiê...
Sofres do síndrome de última bolacha do pacote
Quero agradecer por essa linda história e texto po...
Gostei da trilogia.http://numadeletra.com/1q84-liv...
arquivos
Pinheiros - Semana Santa
- 29 março / 1 de abril de 2013 -
Tabuaço - Semana Santa
- 24 a 31 de abril de 2013 -
Estrada de Jericó
pesquisar neste blog
 
Velho - Mafalda Veiga
Festa de Santa Eufémia
Pinheiros, 16/17 de setembro de 2012
Primeira Comunhão 2013
Tabuaço, 2 de junho
Papa Bento XVI
Profissão de Fé 2013
Tabuaço, 19 de maio
subscrever feeds
blogs SAPO