...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...
04
Set 17
publicado por mpgpadre, às 11:00link do post | comentar |  O que é?

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 Ao longo da Sua vida e de maneira mais clarividente na Sua Paixão e Morte na Cruz, Jesus mostra a Sua grande ligação ao Pai. É uma intimidade de todas as horas, visível nos momentos mais intensos, mais importantes e mais dramáticos. Se a Sua vida é uma oração constante, Jesus reserva tempos específicos para uma maior proximidade com o Deus: antes da vida pública retira-Se em oração para o deserto; antes de escolher os apóstolos passa a noite em oração; antes do processo da Sua morte, retira-Se para o horto das Oliveiras para orar; na Cruz mantém um diálogo vivo com o Pai: Meu Deus, Meu Deus, porque me abandonaste?! Pai, nas Tuas mãos entrego o meu espírito.

É percetível na vida de Jesus o Amor primeiro e único: o Pai. Mas é também dessa forma que Ele tem disponibilidade para as pessoas, sobretudo as mais frágeis, pois não desperdiça nem forças nem tempo com intrigas, com lamentações, com suspeição, com estratégias para Se afirmar ou para assegurar poder ou vantagem sobre os demais.

Com efeito, a soberania de Deus garante a verdadeira solidariedade entre pessoas. Garante a igualdade, a inclusão, a pessoa como "absoluto", isto é, não reduzível a mim nem descartável. Colocar Deus em primeiro lugar evita a instrumentalização e a idolatria. Se o primeiro lugar for ocupado por alguém ou pelos nossos interesses, há um risco provável de instrumentalizarmos as pessoas: importam-nos enquanto nos são úteis, são descartáveis quando não nos servem. Na mesma perspetiva, o auto endeusamento: queremos e assumimo-nos como centro do universo, tudo há de funcionar para nos servir. No inverso, não tendo Deus como Deus, que está acima e além de toda a possessão, mais tarde ou mais cedo lá colocaremos alguém ou alguma coisa, preenchendo dessa forma o lugar de Deus.

A prioridade e a precedência de Deus liberta-nos da ansiedade e da perda definitiva, pois Ele nos garante a vida. Aqueles que perdemos, pela vida, Ele os guarda na eternidade. Reconhecermos que não somos deuses, ou que alguém ou alguma coisa o é, faz-nos relativizar as perdas e os insucessos, mas também que o céu não é definitivo na vida histórica, pelo que estamos a caminho. Se acharmos que somos deuses então não poderemos repousar nem equilibrar o nosso cérebro, temos que resolver tudo. Se colocarmos essa esperança em alguém vamos exigir-lhe que resolva tudo o que queremos. Ainda bem que não somos deuses e que só Deus é Deus.

 

Publicado na Voz de Lamego, n.º 4420, de 11 de julho de 2017


10
Jun 17
publicado por mpgpadre, às 17:00link do post | comentar |  O que é?

1 – Só o amor consegue unir sem destruir (Theilhard de Chardin). O grupo só é mau quando se fecha num círculo fechado, sectário, excludente. Deus chama-nos em povo e em povo nos salva. Jesus chama uns quantos, forma um grupo, o grupo dos 12. É um grupo heterogéneo, mas ainda assim restrito e, para quem vê de fora, um grupo esquisito. Jesus não desiste de nenhum; procura gerir os "egos", as discussões e os conflitos, que a seu tempo servem para balizar as dificuldades e para treinar o diálogo e a comunhão, integrando os dons de cada um.

Na oração sacerdotal, Jesus reza ao Pai para que aquele grupo, mas também os que a Ele vão aderir, se mantenham unidos. «Não rogo só por eles, mas também por aqueles que hão-de crer em mim, por meio da sua palavra, para que todos sejam um só, como Tu, Pai, estás em mim e Eu em ti» (Jo 17, 20-21). A oração é intercessão mas também desafio para os discípulos. Deus proverá a unidade dos discípulos de Jesus, mas estes terão que ser criativos e generosos para edificar a fraternidade em Cristo.

Ao longo do tempo, Jesus mostra que o caminho a seguir passa pelo amor, pela compaixão, pelo serviço. Quem quiser ser o maior terá de ser servo de todos. Por outro lado, não se pense que Jesus defende a anulação da personalidade de cada um. Desengane-se quem pensa assim. O grupo que O segue tem características muito distintas, que se mostram também no início da Igreja. Também nessa ocasião se verá que os temperamentos de cada um hão de ser temperados pela força do Espírito Santo, na oração comunitária. "Da discussão nasce a luz". Oração, reflexão partilhada, decisão!

O Apóstolo Paulo insistirá com as comunidades para que os dons sejam trabalhados a favor de todos: "Sede alegres, trabalhai pela vossa perfeição, animai-vos uns aos outros, tende os mesmos sentimentos, vivei em paz. E o Deus do amor e da paz estará convosco. Saudai-vos uns aos outros com o ósculo santo. Todos os santos vos saúdam. A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco».

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2 – Mais que esmiuçar o mistério da Santíssima Trindade, um só Deus em três Pessoas, importa viver num estilo trinitário. Em Deus prevalece o amor que gera vida e comunhão, sem atropelos. O Amor de Deus é tão imenso que extravasa e nos cria. É tão imenso que nos recria para termos vida abundante. Como recorda Jesus a Nicodemos, «Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito, para que todo o homem que acredita n’Ele não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele».


Textos para a Eucaristia (A): Ex 34, 4b-6. 8-9; Salmo: Dan 3, 52.53-54.55acd-56; 2 Cor 13, 11-13; Jo 3, 16-18.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE


30
Abr 17
publicado por mpgpadre, às 12:45link do post | comentar |  O que é?

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Deus. Amor. Criação. Vida. Humanidade. Harmonia. Cumplicidade. Diálogo. Alegria.

Homem e Mulher. Fragilidade. Pecado. Egoísmo. Discussão. Violência. Inveja. Morte.

Chamamento. Promessa. Aliança. Profecia. Conversão. Perdão. Misericórdia.

Jesus Cristo. Abaixamento. Compaixão. Vida nova. Nova criação. Salvação. Ressurreição.

Chamamento. Vocação. Seguimento. Discípulos. Missionários. Espírito Santo. Igreja.

Fraternidade. Humildade. Escuta. Obediência. Verdade. Libertação. Caridade.

Deus criou-nos por amor. Desde toda a eternidade e para sempre, Deus nos ama, como Pai e sobretudo como Mãe. A Páscoa de Jesus, a Sua ressurreição entre os mortos, clarifica, ilumina, torna percetível e pleniza a Encarnação, mistério de abaixamento, Ele que era de condição divina não se valendo da Sua igualdade com Deus, assumiu a condição de servo, humilhou-se a Si mesmo, obedecendo até à morte e morte de Cruz. Por isso Deus O exaltou e lhe deu o NOME que está acima de todos os nomes.

A vinda do Filho Unigénito de Deus aproxima a eternidade do tempo. Deus que nunca Se afastou nem Se distanciou, tornou-Se visível em Jesus Cristo. Não há como voltar atrás. Ele está no meio de nós como Quem serve, sempre e para sempre. Ao longo da Sua vida, sobretudo, ao longo dos três anos de vida pública, Jesus viveu para servir, para amar, para gastar a vida, para salvar, integrar, redimir, incluir todos os que andavam dispersos pelo pecado, pelas trevas e pela morte.

Foi crescendo em graça e sabedoria, diante de Deus e dos homens e chegada a Sua hora espalhou bondade e doçura, procurando os que andavam cansados e abatidos, como ovelhas sem pastor, indo às margens para Se encontrar com os que se tinham perdido pela solidão, pela pobreza, pela exclusão social, cultural e religiosa. Contundente contra os que usavam de artimanhas e hipocrisias, escravizando pessoas e perpetuando situações de pecado, de abuso, de corrupção; dócil, próximo, misericordioso para leprosos, cegos, coxos, crianças, mulheres, publicanos, pecadores, estrangeiros. Veio para incluir, revelando a Misericórdia de Deus Pai. O Seu projeto e o Seu propósito, o Seu alimento e a Sua vida: em tudo fazer a vontade do Pai. E a vontade do Pai é que todos se salvem.

Qual manso Cordeiro levado ao matadouro, inocente, arrastado para julgamento, condenado à morte, à ignomínia da Cruz, como malfeitor. Da Sua boca não se ouviram injúrias! Procurando-nos com o Seu olhar compassivo para nos manter vivos, como a Pedro ou a Judas; elevando o olhar, o coração e a vida para o Pai, nas mãos de Quem Se coloca por inteiro e em Quem nos coloca.

 

Publicado na Voz de Lamego, n.º 4408, de 18 de abril de 2017


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É mais importante não comer carne à sexta-feira ou ir à Missa ao Domingo?

Há tradições que são expressão da religiosidade mais popular. Mas, por vezes, parecem não passar de uma superstição entre outras como ver um gato preto, passar debaixo de uma escada, sentar-se a uma mesa com treze pessoas. É crucial não comer carne nas sextas-feiras da Quaresma porque é pecado e, pelo sim pelo não, mais vale prevenir e cumprir, não vá Deus chatear-Se. Temor sim, medo não. Deus ama-nos. É Pai de Misericórdia. Um Pai por certo não está à espera que o filho erre para o castigar, quando muito educa-o, dá-lhe ferramentas, aponta direções, caminhos…

Perguntam-me se comer carne às sextas-feiras da Quaresma é pecado! Apetecia-me responder: é mais importante ir à Missa ao Domingo. Uma pessoa não vai à Missa há dois ou três anos, só entra na Igreja num funeral, e depois pergunta se é pecado comer carne à sexta-feira? Claro que há muitas outras coisas essenciais, cuidar da família, comprometer-se com a justiça e com a verdade, ser honesto, ajudar os mais frágeis… Mas se falamos numa proposta feita pela Igreja, de abster-se de alguma coisa que se gosta muito, e que pode muito bem ser a carne, e que esse gesto (sacrifício) possa beneficiar uma causa, pessoas mais carenciadas, então talvez faça sentido interrogar-se sobre o que é essencial na vivência e expressão da fé!

Dois belíssimos textos no início da Quaresma. «Rasgai os vossos corações e não as vossas vestes, convertei-vos ao Senhor, vosso Deus, porque Ele é clemente e compassivo, paciente e rico em misericórdia» (Joel 2, 12-13). «O jejum que me agrada é este: libertar os que foram presos injus­tamente, livrá-los do jugo que levam às cos­tas, pôr em liberdade os oprimidos, quebrar toda a espécie de opres­são, repartir o teu pão com os esfo­meados, dar abrigo aos infelizes sem casa, atender e vestir os nus e não des­prezar o teu irmão» (Is 58, 6-7).

Pergunta o Papa Francisco: como se pode pagar um jantar de duzentos euros e depois fazer de conta que não se vê um homem faminto à saída do restaurante? «Sou justo, pinto o coração mas depois discuto, exploro as pessoas… Eu sou generoso, darei uma boa oferta à Igreja… diz-me: tu pagas o justo às tuas colaboradoras domésticas? Aos teus empregados pagas o salário não declarado? Ou como a lei estabelece, para que possam dar de comer aos filhos?».

Desafia Jesus: «Ide aprender o que significa: prefiro a misericórdia ao sacrifício» (Mt 9, 13).

 

Publicado na Voz de Lamego, n.º 4405, de 28 de março de 2017


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No diálogo bem conhecido com os discípulos (cf. Jo 14, 1-6), Jesus responde diretamente a Tomé: «Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por Mim. Se Me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai. Mas desde agora já O conheceis e já O vistes». E logo de seguida a Filipe: «Quem Me vê, vê o Pai».

Iniciamos o ciclo da Páscoa neste ano pastoral 2016-2017. O tempo santo da Quaresma encaminha-nos e prepara-nos para a Páscoa, envolvendo-nos na vivência mais consciente da Liturgia da Palavra, comprometendo-nos com o mundo atual em que vivemos, para chegarmos a ser, nas palavras de Jesus, sal da terra e luz do mundo.

No caminho da Quaresma a oração, o jejum e a esmola (cf. Mt 6, 1-18). A oração para nos sintonizar com Deus e com a Sua palavra, na certeza que a proximidade a Deus nos impele ao encontro dos irmãos.

O jejum como gesto e oportunidade de tomarmos consciência que a vida não depende só daquilo que comemos, mas tem como referencial e fundamento o próprio Deus (cf. Mt 6, 25ss). A vida é um dom inalienável. Recebemo-la de Outro, através dos nossos pais, pelo que o direito sobre a vida, a nossa e a dos outros, não nos pertence. O que nos pertence é a missão de viver e viver em abundância (cf. Jo 10, 10). O jejum não é dieta, o jejum balança-nos para outros. «Tornando mais pobre a nossa mesa aprendemos a superar o egoísmo para viver na lógica da doação e do amor; suportando as privações de algumas coisas – e não só do supérfluo – aprendemos a desviar o olhar do nosso «eu», para descobrir Alguém ao nosso lado e reconhecer Deus nos rostos de tantos irmãos nossos. Para o cristão o jejum nada tem de intimista, mas abre em maior medida para Deus e para as necessidades dos homens, e faz com que o amor a Deus seja também amor ao próximo (cf. Mc 12, 31)» (Bento XVI).

Decorrente da vivência do Jejum, que nos recorda que o pão de cada dia deve chegar a todos, a prática da caridade, cuja esmola continua a ser uma belíssima tradição que não dispensa de refletir e lutar por mais justiça social e pela transformação das estruturas, humanizando-as. «A prática da esmola é uma chamada à primazia de Deus e à atenção para com o próximo, para redescobrir o nosso Pai bom e receber a sua misericórdia» (Bento XVI).

 

Publicado na Voz de Lamego, n.º 4401, de 28 de fevereiro de 2017


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O Cardeal Joseph Ratzinger (Bento XVI), há uma vintena de anos, sublinhava que para o reino de Deus há tantos caminhos quantas as pessoas, o que obviamente não anula o facto de Jesus ser o Caminho, a Verdade e a Vida (cf. Jo 14, 6). Com efeito, o meu caminho, o teu caminho, há de levar-nos a Jesus, há de levar-nos ao Pai. Sendo assim, quanto mais perto eu estiver de Jesus e quanto mais perto tu estiveres de Jesus, mais perto vamos estar um do outro. E se estamos próximos poderemos apoiar-nos mutuamente, ajudar-nos, incentivar-nos quando um de nós estiver a fraquejar.

A Quaresma é reconhecidamente tempo de conversão e de penitência, tempo de esperança e de mudança de vida. É caminho de santidade, de aperfeiçoamento, ou seja, caminho de humanização. Preparamo-nos ao longo de toda a vida para entrarmos na morada eterna no Pai. Caminhamos mas não sozinhos. Seguem connosco todos os que Deus colocou à nossa beira e que coincidem connosco no tempo e no espaço. Mas também nos acompanham os santos, aqueles que vieram antes de nós e nos ensinaram, imitando Jesus, o caminho da docilidade, da bondade, do serviço à pessoa e à humanidade e, agora junto de Deus, atraem-nos e desafiam a viver no bem que nos irmana. Com a ajuda de Deus e dos irmãos eles chegaram lá, nós também havemos de lá chegar. E o caminho começa AGORA na nossa vida diária.

No Reino de Deus não há excluídos (à partida), todos fomos criados por amor, para vivermos em abundância e sermos felizes (=santos). Por conseguinte, estamos "condenados" a aproximar-nos uns dos outros. Na verdade, diz-nos Jesus, Deus é Pai de todos e «faz nascer o sol sobre bons e maus e chover sobre justos e injustos» (Mt 5, 45). A bênção recai sobre todos. Temos afinidades, mas nem por isso estamos dispensados de amarmos até os nossos inimigos, os que nos são indiferentes, os que desprezamos. Aliás, questiona Jesus, que vantagem haveria em amar aqueles que nos amam? Isso todos podem fazer. Os discípulos de Jesus são desafiados ao máximo. E o máximo é Deus. «Portanto, sede perfeitos, como o vosso Pai celeste é perfeito» (Mt 5, 48).

A vinda de Jesus ao mundo, Deus que Se faz Homem, tem como missão reconciliar-nos uns com os outros e com Deus. Pelo mistério da Sua morte e da Sua ressurreição, Jesus resgata-nos das trevas, do pecado e da morte, para nos reconduzir ao Coração do Pai.

 

Publicado na Voz de Lamego, n.º 4402, de 7 de março de 2017


23
Jul 16
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

1 – A vocação primeira do cristão é apaixonar-se por Cristo e segui-l'O. Ele segue à frente, adianta-Se, aponta-nos a meta, a direção e o quanto temos ainda que percorrer, para não afrouxarmos! Quando os nossos passos se tornam vacilantes, inseguros, Jesus volta-Se, espera por nós, vem até nós dar-nos ânimo para retomarmos o caminho.

A oração é o combustível que nos dá a vitalidade para enfrentarmos as adversidades, a humildade para nos reconhecermos pecadores, a sabedoria para aceitarmos que é a Sua mão que nos leva à felicidade, a pobreza para nos enriquecermos com a Sua graça.

O Evangelho de Lucas mostra-nos Jesus, recolhido, a orar.

Os discípulos são contagiados pela postura orante de Jesus, pedindo-Lhe que lhes ensine a rezar. Jesus deixa claro que não são precisas muitas palavras, é imprescindível sintonizar o coração – pensamentos, intenções, propósitos – e a vida – serviço aos outros, luta pela justiça e pela paz, compromisso com os mais frágeis – com o coração e a vida de Deus.

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2 – A oração torna-nos íntimos de Deus e cúmplices uns dos outros. Jesus ensina-nos a rezar: «Pai, santificado seja o vosso nome; venha o vosso reino; dai-nos em cada dia o pão da nossa subsistência; perdoai-nos os nossos pecados, porque também nós perdoamos a todo aquele que nos ofende; e não nos deixeis cair em tentação».

Se rezamos a Deus reconhecendo-O como Pai, assumimo-nos como filhos. Encaixa aqui o pedido do Pão nosso de cada dia. Se o pedimos ao nosso Pai, não o pedimos só para nós, teremos que o pedir para todos os Seus filhos, para os nossos irmãos.

Jesus faz-Se Pão e Vida para nós. Para todos. Jesus é partilhável. Como Seus discípulos, também nós teremos de nos fazermos pão e vida uns para os outros e cuidar que a ninguém falte o necessário para viver com dignidade e em segurança.

 

3 – Deus não nos deixará sem resposta. A oração dilata o nosso coração e sintoniza-nos com Deus. Coloca-nos em atitude de escuta. A oração é um diálogo com Deus. Falamos a Deus e Deus fala-nos. Deus conhece-nos intimamente. Melhor que nós mesmos. Sabe do que precisamos. Não precisamos de dizer muito. Precisamos de nos dizer. Precisamos de perceber a vontade de Deus, escutando-O.

Haverá ocasiões em que sobrevirá a dúvida… Deus não atenta contra nós. Não nos exige sacrifícios que nos anulem e nos desumanizem, exige-nos, isso sim, como Pai, que nos tratemos como irmãos cuidando sobretudo dos mais pequeninos. Nessa ocasião estaremos a cuidar de Jesus Cristo. “Sempre que fizeste isto a um dos meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizeste” (Mt 25, 40).

Jesus convida-nos a resistir na oração, confiando em Deus. Se um amigo nos atende pela amizade ou pelo incómodo, quanto mais Deus que é nosso Pai. «Pedi e dar-se-vos-á; procurai e encontrareis; batei à porta e abrir-se-vos-á. Porque quem pede recebe; quem procura encontra e a quem bate à porta, abrir-se-á».

Deus responder-nos-á como Pai e tudo fará para nos abençoar, proteger e guiar à felicidade que a todos integra como família.

 

4 – É expressiva a oração de intercessão de Abraão. Em primeiro lugar, vê-se com clareza como Abraão confia em Deus e na Sua misericórdia. Pede. Sugere. Negoceia. Não para si, mas para os outros. A oração irmana-nos e leva-nos a querer o bem de todos.

Abraão não cessa de interceder, apelando à compreensão e à benevolência de Deus. E se houver 50 justos na cidade? E se houver 40? «Se o meu Senhor não levar a mal, falarei mais uma vez: talvez haja lá trinta justos... vinte justos... talvez lá não se encontrem senão dez». A resposta de Deus é elucidativa: «Em atenção a esses dez, não destruirei a cidade». No final nem 5 justos! Uma cidade onde impere a injustiça, o egoísmo, a corrupção e a prepotência desembocará inevitavelmente em desgraça e destruição!

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Textos para a Eucaristia (C): Gen 18, 20-32; Sl 137 (138); Col 2, 12-14; Lc 11, 1-13.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE


05
Mar 16
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

1 –  Os publicanos e os pecadores, os doentes, as mulheres e as crianças, os leprosos, os surdos e os coxos, os pobres, são os amigos mais próximos de Jesus. Atrai-os pela simplicidade, pela transparência, pela afabilidade. Procura-os. Vai ter com eles, senta-se a conversar e, o gesto mais sublime, come com eles. A refeição não é apenas para comer, é um momento de encontro, de convívio, de festa. Um judeu senta-se à mesa para comer com a família e os amigos. Se Jesus come com publicanos e pecadores e com as pessoas não recomendáveis é por considerá-los amigos, com quem quer partilhar a vida.

Este proceder não agrada a todos. Jesus anuncia o Reino de Deus, onde todos têm lugar, optando por se encontrar com os mais desvalidos. Alguns grupos, que se consideram privilegiados, puros, abençoados por Deus, acham que se Ele é profeta então deve circunscrever-se ao Templo e às Sinagogas e conviver com pessoas de bem e não com pessoas de honra duvidosa.

Perante o murmúrio, a desconfiança e a crítica, Jesus conta-lhes uma parábola: «Um homem tinha dois filhos. O mais novo disse ao pai: ‘Pai, dá-me a parte da herança que me toca’. O pai repartiu os bens pelos filhos. Alguns dias depois, o filho mais novo, juntando todos os seus haveres, partiu para um país distante».

Jesus mostra-nos a figura do Pai que ama com amor de Mãe. A Sua casa e o Seu trabalho, o Seu coração e a Sua vida orientam-se para os filhos, para lhes proporcionar alegria e segurança. É um Pai que parte a cara e perde a vergonha, mas não quer perder os filhos e não desiste deles. O mais novo deseja-lha a morte, pois a herança vem com a morte do pai. Este filho afasta-se, para ele o pai morreu, deixou de ser pai, porque não quer continuar a ser filho.

Por sua vez, o Pai não o força, mas é com tristeza que o vê partir. Confia que ele regresse e, por conseguinte, o seu olhar perde-se no horizonte à espera que volte. «Ainda ele estava longe, quando o pai o viu: encheu-se de compaixão e correu a lançar-se-lhe ao pescoço, cobrindo-o de beijos». Encheu-se de compaixão (revolveram-se-lhes as entranhas), quando vislumbrou o filho à distância. Não hesitou. Correu. Lançou-lhes ao pescoço, encheu-o de beijos. Tal como uma Mãe quando se reencontra com o filho ausente há algum tempo. O filho saiu de casa, esbanjou os bens, regressa por indigência, pois gastou tudo o que tinha, ficando na miséria. Está convencido que o Pai o aceitará como empregado mas não como filho. O Pai nem lhe deixa terminar o discurso preparado, enche-o de beijos, recebe-o como filho, manda que lhe ponham o anel, as sandálias, a melhor túnica, manda matar o vitelo gordo, faz-lhe uma grande festa. A miséria (do filho) é absorvida pela misericórdia (do Pai)!

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2 – Mas a provação não fica por aqui. Quando o Pai se delicia com o regresso do Seu filho que estava perdido, aproxima-se o filho mais velho. Cumpridor. Sempre perto do Pai. Mais que filho, é um servo obediente, trabalhador. «Há tantos anos que eu te sirvo, sem nunca transgredir uma ordem tua». Não questiona as ordens. Faz o tem que fazer. Fica fora, a observar. Fora de casa e da festa!

«Ora o filho mais velho estava no campo. Quando regressou, ao aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças. Chamou um dos servos e perguntou-lhe o que era aquilo. O servo respondeu-lhe: ‘O teu irmão voltou e teu pai mandou matar o vitelo gordo, porque ele chegou são e salvo’. Ele ficou ressentido e não queria entrar».

O Pai põe-se novamente em campo. Sai da festa e de casa e vai ao encontro do filho. O Pai renuncia à sua autoridade e humilha-se pelos filhos. Os que estão à volta, os servos, são testemunhas destas coisas. O Pai expõe-se aos olhares e aos cochichos. Assim como Jesus Se expõe ao nosso sussurro e à nossa crítica por Se atrever a conviver com pessoas de má índole.

Apesar de Se expor, o Pai não deixa de ser Pai e Mãe, cujas entranhas se revolvem, cuja compaixão (misericórdia) O conduz para fora do seu espaço de conforto. Não se preocupa com os costumes. Não mantém distâncias, não fica no seu canto à espera que os filhos regressem. Dá-lhes a liberdade necessária para que decidam, mas faz-lhes sentir o Seu amor, a Sua delicadeza. «Filho, tu estás sempre comigo e tudo o que é meu é teu. Mas tínhamos de fazer uma festa e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado».

Mais que filhos, um e outro, assumem-se como assalariados. Quando regressa, o filho mais novo quer ser tratado como um dos servos, porque até os servos em sua casa são bem tratados. O filho mais velho sente-se um servo cumpridor, nunca se sentiu filho nem considera o seu irmão. Veja-se o trato: "esse teu filho"! Só quando nos sentimos filhos nos poderemos considerar irmãos!

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Textos para a Eucaristia (ano C): Jos 5, 9a. 10-12; Sl 33 (34); 2 Cor 5, 17-21; Lc 15, 1-3. 11-32.

 

REFLEXÃO DOMINCIAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE

 


14
Jun 14
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – “Sede alegres, trabalhai pela vossa perfeição, animai-vos uns aos outros, tende os mesmos sentimentos, vivei em paz. O Deus do amor e da paz estará convosco. A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco”.

       São Paulo, partindo da realidade das comunidades, sabendo que não é fácil conjugar variadas sensibilidades, remete para a origem e fundamento da fé e da comunidade: o Deus de Jesus Cristo – o amor do Pai, a graça do Filho, Jesus Cristo, e a comunhão do Espírito Santo. Que todos diferentes, procurem viver com os mesmos sentimentos.

       2 – Somos pouco trinitários, na Igreja e na sociedade. Existem pessoas e grupos que promovem a corresponsabilidade, a participação de todos, procurando as melhores soluções, criando as condições para que todos se sintam em casa. Porém, o ideal "eu quero, posso e mando" está muito vincado e são demasiadas as situações que vem ao de cima a prepotência, o egoísmo, a imposição das próprias ideias pela chantagem, pelo poder, pelo controlo dos instrumentos de decisão.

 

       3 – O papa Francisco, tal como fazia em Buenos Aires, tem insistido na cultura do encontro, na cultura do diálogo. Esta cultura implica dar e receber. Se parto para um diálogo para impor a minha vontade, decidido a não fazer cedências, esperando que os outros renunciem às suas convicções, pois as minhas são as melhores do mercado, não será possível encontrar-me verdadeiramente com o outro. Em vez de diálogo temos monólogo, em vez de encontro, submissão, em vez de compromisso, imposição.

       Em grupos eclesiais, partidos políticos, clubes desportivos, vem muitas vezes ao de cima a prevalência de uma pessoa, ou de um conjunto de ideias que rejeitam tudo o mais. Vejam-se as disputas eleitorais. Quem ganha, ilude-se, muitas vezes, pensando que as suas ideias são as melhores do mundo.

       Na cultura do encontro, o diálogo fala e escuta, acolhe e contribui, interage para melhorar propostas. Se eu sei tudo e ninguém me pode ensinar, em nenhum aspeto, fecho-me a toda a novidade e a toda a riqueza que outros me tragam, deixo de progredir. Um sonho sonhado sozinho não passa de um sonho, um sonho sonhado com os outros torna-se realidade (frase atribuída a John Lennon).

       A evolução humana, social, política, cultural e religiosa, passa pelo diálogo, pelo encontro, pelo contributo de várias pessoas e povos. Há génios e descobertas extraordinárias. Mas ainda assim contam com os outros, a começar pelos genes, pela vida, e por intuições anteriores. Dessa forma, a humanidade avança. O "criador" humano avança a partir de alguma coisa, de outros, de outras invenções.

 

       4 – A cultura do encontro há de conduzir à civilização do amor, de que falava Paulo VI, tema retomado muitas vezes por João Paulo II. É a o AMOR, o Espírito Santo, que une o Pai e o Filho. O Pai que ama, o Filho que é amado, e o Espírito Santo, o Amor que faz a comunhão. É na Trindade que nasce a Igreja. É por amor, para nos salvar, que, em Jesus, Deus assume a nossa frágil condição humana. É por amor que Jesus vai até ao fim, dando a última gota de sangue. É por amor que Deus faz permanecer Jesus, através do Espírito Santo.

       Diz Jesus a Nicodemos: «Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito, para que todo o homem que acredita n’Ele não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele».

       A condenação não é querida por Deus. Resulta da nossa liberdade. Podemos recusar o amor, podemos destruir a esperança. Podemos fechar-nos em oposição aos outros. A vontade de Deus é a vida dos homens, a sua salvação. Moisés faz essa experiência de proximidade: invoca Deus que desce da nuvem e vem ao seu encontro. A oração de Moisés ajuda-nos a colocar-nos diante de Deus

       Apesar da dureza do caminho, e também por isso, Moisés, em nome de todo o povo, pede que Deus caminhe no meio, perdoando os seus, os nossos, pecados. 


Textos para a Eucaristia (ano A): Ex 34, 4b-6. 8-9; 2 Cor 13, 11-13; Jo 3, 16-18.

 


07
Jun 14
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – Celebrar o Pentecostes é celebrar a vida nova que nos é dado por Jesus Cristo. Três dias depois da crucifixão e morte, o PRIMEIRO DIA da semana, o primeiro dia da NOVA CRIAÇÃO, o túmulo reenvia-nos, do lugar da morte, para o mundo, ao encontro de Jesus, ao encontro das pessoas para lhes dar Jesus. Ele vive e apresenta-Se no meio de nós. Nova presença, gloriosa, pelo Espírito Santo.

       PÁSCOA: Ressurreição. Ascensão do Senhor. Pentecostes. Santíssima Trindade. O mesmo mistério, aprofundado na liturgia por festas e solenidades. O mesmo AMOR de Deus por nós, que nos envolve, criando-nos, apostando em nós, esperando, pacientemente, pelas nossas escolhas de bem e de verdade, de justiça e de paz, de perdão e de amor, não para Lhe agradarmos, mas por que nos faz bem. O melhor louvor a Deus é tratar bem todos os seus filhos, sobretudo os mais pobres, imitando Jesus Cristo, e correspondendo ao Seu mandato: o que fizerdes ao mais pequeno dos meus irmãos, a Mim o fazeis.

       2 – Diz Jesus: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós… Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos».

       Ainda não refeitos das horas amargas da Paixão e já Jesus Se coloca no meio deles, VIVO, deixando-Se ver e tocar. O medo encerra-nos, a alegria e a paz dão-nos confiança, provocam em nós o desejo de comunicar e de partilhar a vida. A surpresa inicial dá lugar à missão: IDE. Como o Pai Me enviou também vos envio. Ide. Ide, confiantes, pois não ides sós. Eu estarei sempre convosco, até ao fim dos tempos. Recebei o Espírito Santo e sentireis que Eu estou convosco.

       Jesus dissera-lhes que todos O abandonariam, deixando-O só. Só não, porque o Pai não O deixa só. É a mesma garantia que dá agora: não ficareis sós, Eu estarei convosco. Como o Pai Me ama, também vos amo. Eu e o Pai somos UM. Quem Me ama, cumpre os Mandamentos. Eu e o Pai viremos a ele e nele faremos a nossa morada. É o mistério da Santíssima Trindade muito vincado neste dia.

       3 – O Pentecostes, com efeito, ilustra a presença de um Deus que não é estático, distante, impassível. Pelo contrário, o Deus que Jesus nos mostra é próximo, que Se mexe ao encontro da humanidade. O Filho foi morto. O Pai ressuscitou-O. Jesus ascende para a eternidade e envia-nos o Espírito Santo.

       O medo apoderara-se dos discípulos, que levam tempo a assimilar que Jesus está VIVO. Os seus olhos duvidam, mas não o coração. Ele está de volta, assumindo uma PRESENÇA NOVA que só pode ser percebida através da fé, da disposição para O ver e tocar.

"Subitamente, fez-se ouvir, vindo do Céu, um rumor semelhante a forte rajada de vento, que encheu toda a casa onde se encontravam. Viram então aparecer uma espécie de línguas de fogo, que se iam dividindo, e poisou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que se exprimissem".

       Toda a casa fica CHEIA do ESPÍRITO SANTO. As línguas de fogo dividem-se por cada um. É tempo de deixar fluir o Espírito Santo. É HORA de espalhar a BOA NOTÍCIA. Ainda que o Espírito seja invisível, faz-Se notar, faz barulho, atrai. Uma multidão se ajunta para VER e para OUVIR. E alguns deles, a residir em países vizinhos, já não sabiam falar aramaico ou hebraico, mas entendem. A linguagem do bem, do amor, da conciliação compreende-se para lá das palavras, ainda que estas possam ajudar. «Ouvimo-los proclamar nas nossas línguas as maravilhas de Deus». As maravilhas de Deus são audíveis em todas as línguas, por todas as pessoas cujo coração está vazio de si e pronto a encher-se de Deus e do Seu amor.


Textos para a Eucaristia: Atos 2, 1-11; Sl 103 (104); 1 Cor 12, 3b-7. 12-13; Jo 20, 19-23.

 

 


13
Out 13
publicado por mpgpadre, às 12:00link do post | comentar |  O que é?

BENTO XVI. A Alegria da Fé. Paulinas Editora. Prior Velho 2012

        O Papa Bento XVI é uma comunicador por excelência, porque comunica o que lhe vai na alma, fruto de uma experiência profunda de fé, na proximidade com Jesus Cristo, enxertado e mergulhado na história da Igreja, como estudioso, sacerdote, professor, catedrático, pastor, bispo, e como "humilde servidor da vinha do Senhor", desde 19 de abril de 2005 a 28 de fevereiro de 2013. Depois de convocar o Ano Paulino (2000 anos do nascimento de São Paulo) , de convocar o Ano Sacerdotal, convocou o Ano da Fé, a estender-se de 11 de outubro de 2012 (50 anos após o início do Vaticano II e 20 anos após a publicação do Catecismo da Igreja Católica) a 24 de novembro de 2013, solenidade do Cristo Rei do Universo.

       Num ambiente largamente fragmentado, em que ideias/ideologias, convicções, religiões, tudo é igual, marcado por doses significativas de indiferença em relação aos outros, de marginalização e privatização da fé e do fenómeno religioso, sobretudo na Europa e no mundo ocidental ou ocidentalizado, em que as prioridades na sua maioria são novas e velhas formas de escravização, colocando a economia no lugar de Deus, liberalizando e mercantilizando a vida, destruindo os mais frágeis, ser humanos por nascer e idosos vulneráveis arrumados para não incomodar... a convocação do Ano da Fé traz consigo o propósito de mostrar como a Luz da Fé clarifica o que é verdadeiramente importante. Para os cristãos a Porta da Fé é Jesus Cristo, que nos traz Deus, que nos abre a mente e o coração para os valores da vida, para a dinàmica e a essencialidade do amor e da verdade, para a prioridade da pessoa face ao mercado liberalizado e utilitarista.

       Um dos desideratos sublinhados por Bento XVI é a ALEGRIA da fé, a alegria de nos sabermos amados por Deus, nos descobrimos filhos no Filho, redimidos na morte e na ressurreição de Jesus, vastidão do Amor de Deus que clama por amor. Reconhecendo que vivemos no amor de Deus, a urgência de comunicá-lo aos outros para que que todos caminhemos como irmãos, na descoberta constante dos laços de ternura e de amizade que nos unem, na edificação do reino de justiça, de paz e de bem.

       Nesta publicação, Giuliano Vigini faz um apanhado de diversos textos de Bento XVI, homilias, mensagens, discursos, intervenções, cartas encíclicas, ajeitando-os nos grandes temas que nos remetem para o Credo, do Credo para a comunidade, da comunidade para o mundo inteiro: Creio em Deus Pai, Jesus Cristo, Espírito Santo, Igreja, Vida Eterna, Ressurreição dos mortos e comunhão Santos, Sacramentos, Eucaristia, Confirmação, Penitência, Batismo.

       Para aqueles que estão familiarizados com a escrita de Bento XVI têm aqui mais uma oportunidade de se deixarem tocar pela leveza, simplicidade, envolvência, como se estivesse a ouvir e não a ler, tal é a intensidade do texto, a clareza, assomando uma fé profunda, vivida, partilhada, com diversas experiências de vida, dentro da Igreja e em ambientes diversificados. É certo que nestes dias o olhar se fixa mais facilmente no Papa Francisco e na fluidez e espontaneidade do seu discurso e dos seus gestos, mas, para quem não for preconceituoso (em relação ao Papa alemão), não há antagonismo. Estou em crer que quem apreciar ao forma de comunicar de Francisco não terá dificuldade em entender a mensagem de Bento XVI, ainda que aqui ou acolá possam relevar a especificidade de cada um dos Papas, mas a leveza é demasiado similar.

       Para quem se tem deixado tocar pela presença, pelas palavras, pelos gestos do Papa Francisco, e que sempre se sentiu mais distante de Bento XVI, e se calhar nunca o escutou com atenção, com o coração, ou não o leu, terá aqui uma excelente oportunidade para de fazer uma juízo de valor mais equilibrado. São pedaços de uma vida preenchido, transparecendo a Luz de Jesus Cristo, pelo Espírito Santo, na Igreja que formamos.

       Vai valer a pena deixar-se contagiar pela alegria da Fé, que irradia das intervenções de Bento XVI.


15
Set 13
publicado por mpgpadre, às 09:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – «Ainda ele estava longe, quando o pai o viu: Enchendo-se de compaixão, correu a lançar-se-lhe ao pescoço, cobrindo-o de beijos. O pai disse aos servos: ‘Trazei depressa a melhor túnica e vesti-lha. Ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés. Trazei o vitelo gordo e matai-o. Comamos e festejemos, porque este meu filho estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado’».

       São Lucas presenteia-nos com uma parábola de Jesus que é uma pérola, na qual nos revela um que Deus Se faz próximo, tão próximo que reduz a Omnipotência para caber dentro da humanidade. Deus é Aquele que parte a cara, perde a vergonha, humilhando-Se diante dos filhos. Espera, respeita, acredita, liberta. Dá a vida e a herança. Não fica com nada e no entanto nada Lhe falta, nada Lhe faz falta. Só a distância e/ou a morte dos filhos O deixa de rastos.

       2 – Este Pai faz tudo ao contrário do que é expectável. O filho mais novo deseja-lhe a morte e nem assim deixa de o respeitar como filho. A herança é por morte. Pedir a herança aos pais  é desejar que nos deixem o que é seu, que morram rápido para podermos beneficiar dos seus haveres. O Pai faz a vontade ao filho, quando se espera que sejam os filhos a obedecer aos pais. Dá-lhe parte da herança. Dá-lhe do que é seu. Sem calculismos. A tristeza não vem do ficar sem os bens, vem da desfeita do filho, do querer sair de casa, abandonando a casa paterna, em troca de uma vida desconhecida, de uma casa alheia. O filho pode perder-se para sempre. Pode não saber o caminho de regresso e morrer antes de voltar.

       O Pai confia. Dá-lhe os bens. Deixa-o partir. Fica de coração despedaçado. Morre uma parte importante dentro de si, e que não pode ser substituída. Ama-o totalmente. Um filho não substitui o outro. Os pais sabem isso. Deus é Pai e é Mãe, como referia o papa João Paulo I. Os seus olhos estão pregados no horizonte. Todos os dias. Em todos os momentos. O coração fica bem apertadinho. Em espera constante e confiante. Do horizonte um dia o filho há de voltar. É o coração que lho diz. Amou-o tanto, tanto o ama, que um dia o filho vai lembrar-se desse amor, desse olhar, daquele abraço e terá saudades de casa e sobretudo do amor do Pai/Mãe.

       Quando o filho mais novo regressa, o Pai renasce. Recupera os anos perdidos em aflição. Com o filho nos braços, tudo o mais se torna relativo. O melhor vitelo para a festa. Devolve-lhe a dignidade de filho, colocando-lhe o anel no dedo, e vestindo-o com as roupas de príncipe. Não olha a gastos, porque tudo vale a recuperação do filho.

       3 – É tão grande o amor do Pai, que até custa compreender e aceitar. Não bastava acolhê-lo de volta em casa, e perdoá-lo, e, ainda por cima, uma festa grandiosa para o filho regressado?! Não pode ser! Nós a trabalhar, a poupar, a tentar amealhar mais algumas poupanças, e vem este teu filho e gastas uma fortuna com uma festa? Como é possível! E se um dia destes ele voltar a sair de casa?

       Seja, mas ele é meu filho, como tu és meu filho. Amo cada um com todo o meu coração. O meu amor por vós não se divide. Amo-vos por inteiro. Nenhum de vós substitui o outro. Amo-te do mesmo jeito de sempre, da única forma que sei amar, totalmente. Este teu irmão estava morto e voltou à vida. Estava perdido, e agora está connosco. Vem alegrar-te com o regresso do teu irmão. Partilha da minha alegria. A minha alegria também é tua. Tudo o que é meu é teu.

       O contexto desta e das parábolas anteriores é a resposta à crítica, mais ou menos clara, feita a Jesus por Ele comer com publicanos e pecadores, não fazendo distinção de pessoas. Vem sobretudo para os que precisam de cura e salvação.

       O reino de Deus está de portas abertas. As portas por onde sair, estão sempre abertas para regressar. Há que ir ao encontro da ovelha perdida. Como tem vindo a acentuar o papa Francisco, a Igreja, voltada para si mesma, corre o sério risco de se tranquilizar com a ovelha que está dentro, quando no exterior já estão as 99 ovelhas. Outra parábola, outra pérola. Dona de casa que perde uma das 10 dracmas. Procura-a. Encontra-a. Faz uma festa com amigas. Gasta mais do que o que recuperou. Assim é Deus, gasta tudo para nos encontrar. Envia o Seu próprio Filho. Sempre que alguém se converte, Deus faz uma festa enorme, coloca todos os anjos e santos a cantar e a dançar.


Textos para a Eucaristia (ano C): Ex 32,7-11.13-14; 1 Tim 1,12-17; Lc 15,1-32.


12
Mai 13
publicado por mpgpadre, às 09:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – A partida de alguém, também a de Jesus, para os amigos e familiares, reveste-se de tristeza e apreensão. Se for por um tempo limitado, procura-se mitigar a dor, telefonando, conectando-se pela Internet, nestes meios modernos que podem aproximar pessoas. Se a separação é para sempre, a dor é bem maior. Não voltaremos a ver aquela pessoa nesta vida terrena. Então apelamos à memória afetiva.

       Um pouco antes de ascender para Deus Pai, Jesus prepara os Seus discípulos com palavras de confiança e de precaução. Sabermos que Ele, de algum modo, fica no meio de nós, compromete-nos e conforta-nos para as horas de treva. Jesus permanecerá com os Seus, permanecerá vivo, através do Espírito Santo que recordará toda a verdade anunciada e, mistericamente, permitirá a PRESENÇA REAL de Jesus nos Sacramentos.

       2 – Vejamos com mais cuidado os dois textos de São Lucas, o Evangelho e os Atos dos Apóstolos. Primeiro o Evangelho:

“Disse Jesus aos seus discípulos: «Está escrito que o Messias havia de sofrer e de ressuscitar dos mortos ao terceiro dia e que havia de ser pregado em seu nome o arrependimento e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. Vós sois testemunhas disso. Eu vos enviarei Aquele que foi prometido por meu Pai. Por isso, permanecei na cidade, até que sejais revestidos com a força do alto». Depois Jesus levou os discípulos até junto de Betânia e, erguendo as mãos, abençoou-os. Enquanto os abençoava, afastou-Se deles e foi elevado ao Céu. Eles prostraram-se diante de Jesus, e depois voltaram para Jerusalém com grande alegria. E estavam continuamente no templo, bendizendo a Deus”.

       O Messias, anunciado pelos profetas, é Jesus, filho de Deus. Morreu, ressuscitou e agora é tempo dos discípulos partirem a anunciar a todas as nações o arrependimento e o perdão dos pecados, pois são testemunhas privilegiadas. Não ficarão abandonados à sua sorte. Jesus vai para o Pai mas enviará o Espírito Santo, para serem revestidos da força do alto.

 

       3 – Os apóstolos voltam renovados para Jerusalém e aí permanecem. Alguma coisa terá acontecido. Se olharmos para outras passagens do Novo Testamento, nomeadamente para as Cartas de São Paulo, verificamos que a leitura imediata e cronológica das palavras de Jesus – Eu virei de novo – provoca uma espera descomprometida, em que discípulos e comunidade (de Jerusalém e também as comunidades fundadas ou organizadas por São Paulo) ficam extasiados à espera que Jesus regresse e os leve para o Céu, destruindo o mundo presente para o substituir por um mundo novo.

       Dito isto se perceberá melhor como São Lucas aprofunda e expande a informação no segundo dos seus livros, nos Atos dos Apóstolos:

“Elevou-Se à vista deles e uma nuvem escondeu-O a seus olhos. E estando de olhar fito no Céu, enquanto Jesus Se afastava, apresentaram-se-lhes dois homens vestidos de branco, que disseram: «Homens da Galileia, porque estais a olhar para o Céu? Esse Jesus, que do meio de vós foi elevado para o Céu, virá do mesmo modo que O vistes ir para o Céu».

       Como tivessem ficado pasmados a olhar para o Céu, para as nuvens, aguardando que de novo Jesus descesse e consumasse o mundo e o tempo, do Céu, faz-se ouvir uma voz clara, límpida, por meio de dois homens vestidos de branco. Não lhes compete, nem a nós, saber o tempo, cabe-lhes acolher o Espírito Santo, para serem, e nós também, testemunhas d'Ele até aos confins da terra. Ele, esse Jesus, virá do mesmo modo, mas sem data prevista. Toca a andar, encontrareis Jesus em toda a parte onde O levardes.

       4 – Hoje é também o Dia Mundial das Comunicações Sociais. Bento XVI, na Mensagem para este dia, divulgada no passado dia 24 de janeiro, festa de São Francisco de Sales, desafia os cristãos ao uso das redes sociais, como forma de comunicar e viver o evangelho. Não é um mundo paralelo, é um ambiente diferente, onde a pessoa comunica e se comunica, busca respostas, as mais variadas. O Evangelho não pode ficar fora desta realidade humana.

       Os meios de Comunicação são um novo areópago que não pode ser descurado pela Igreja e pelos cristãos comprometidos. O que se pede ao ambiente digital? O mesmo que ao mundo físico: coerência de vida, autenticidade, fidelidade a Jesus Cristo.


Textos para a Eucaristia (ano C): Atos 1, 1-11; Ef 1, 17-23; Lc 24, 46-53.

 

Reflexão Dominical COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso blogue CARITAS IN VERITATE.


02
Mai 13
publicado por mpgpadre, às 13:28link do post | comentar |  O que é?

       No ANO DA FÉ que vivemos o CREDO é essencial para valorizar as nossas raízes, o que nos caracteriza como comunidade crente, cristã, católica. No itinerário catequético,  o Credo sublinha-se no 5.º e 6.º anos, com a Festa do Credo e com a Profissão da Fé. Não é apenas uma fórmula, deve ser, antes, um compromisso que nos faz partir da mesma fonte: DEUS, que é Pai, Filho e Espírito Santo, cuja experiência se inicia, aprofunda e sustenta na comunidade crente, a Igreja.

       Durante a celebração da Eucaristia, foi precisamente colocado em evidência o Credo, no ornamentos, nas palavras, nos gestos. Ficam algumas imagens sugestivas desta bonita festa:

 

Para mais fotos desta festa e das Festas da Catequese,

visitar a página da Paróquia de Tabuaço no facebook.


25
Abr 13
publicado por mpgpadre, às 11:01link do post | comentar |  O que é?

       O itinerário catequético de 10 anos, implantado há vários anos na Paróquia de Tabuaço, sugere que cada ano seja marcado com uma festa que saliente uma dimensão refletida, rezada, dialogada. No segundo ano de catequese, a Festa do Pai-nosso, depois da Festa do Acolhimento, em 10 de novembro de 2012.

       Sábado, dia 13 de abril, meninos e catequistas, familiares e comunidade paroquial, juntos na CASA de todos, à volta da MESA para a qual todos são desafiados, um momento muito especial para as crianças deste ano de catequese, numa participação mais ativa, com palavras e gestos, sublinhando as várias palavras da oração do Pai-nosso, convidando a escutar a Palavra de Deus, a viver ao jeito de Jesus, vivendo como Ele, estando atento aos outros, repartindo com quem tem menos.

       Um dos momentos belos, sempre envolventes, é o cântico do Pai-nosso (Junto ao mar...), com os gestos que se alargam a toda a comunidade celebrante. Refira-se igualmente a beleza dos cânticos que animam as Eucaristias com as crianças.

Para ver mais fotos da Festa do Pai-Nosso e das Festa da Catequese 2012/2013: AQUI.


10
Mar 13
publicado por mpgpadre, às 09:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – O evangelho deste dia apresenta-nos uma das mais extraordinárias parábolas de Jesus, um exclusivo de São Lucas, conhecida como a Parábola do Filho Pródigo. Uma verdadeira pérola!

       2 – A figura central é o Pai, que facilmente se pode identificar com Deus (PAI). Depois de algumas murmurações, Jesus deixa claro que Deus é Pai, e ama como Pai e como Mãe, é um AMOR entranhado na vida, na história do ser humano.

       Aquele pai cria as condições para os filhos. Trabalha em função deles. Quer que não lhes falte um abraço, a presença dos amigos, a alegria de desfrutar da vida, diariamente, no meio das fragilidades, em dias mais alegres e em dias mais sombrios. Quer que aprendam a trabalhar, a ser responsáveis, a cuidar da casa. Os filhos acompanham-no nos negócios. Partilha com eles a responsabilidade. Não se esconde nas preocupações do trabalho ou na acumulação de fortunas. Os filhos também vão para o campo. Misturam-se com os criados, pois para o Pai também contam, também precisam de casa, de amigos, de apreciar a vida.

       Os filhos já estão crescidos. Já orientam a sua vida, assumem as suas responsabilidades e as consequências dos seus atos. Conhece os filhos como a palma das suas mãos. Deteta sinais de alarme no filho mais novo. Dá-lhe espaço, mas está mais vigilante. Vê-o inquieto, ansioso. Não vê motivos para isso. Mas sabe que os filhos têm de viver a sua vida e passar por momentos menos bons. Também assim se cresce. Que andará a turbar-lhe a mente? Com a naturalidade de sempre pergunta-lhe sobre o que lhe vai na alma. Não obtém resposta satisfatória. Vê que o filho se mantém distante e a fazer perguntas e mais perguntas aos servos e aos viajantes.

       Está a desligar-se. Está a crescer. Está a pensar pela sua cabeça. Há que esperar e dar tempo ao tempo. Eis que o filho mais novo se abeira cheio de si mesmo: “Pai, dá-me a parte da herança que me toca”. E parte. O pai sente que lhe falta o ar. Uma parte de si é-lhe arrancada. Não quer acreditar. Morre um pouco. O pedido do filho é um desejo de morte. A herança herda-se pela morte dos pais, e não em vida. O filho deseja que o pai morra.

 

       3 – Durante a ausência do filho, o Pai cuida da casa, para que o outro filho se sinta protegido. O tempo cura as maleitas dos afetos e dos sentimentos. Pelo menos dilui. A sua casa está incompleta, falte-lhe um membro. Todos os dias fixa o olhar no horizonte, aguardando que o AMOR profundo que nutre pelo filho o faça regressar. A sua aposta não é defraudada. Demorou demasiado tempo. Vê uma sombra ainda distante. Não tem dúvidas. Só pode ser o seu filho que “estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado”. Lança-se ao seu encontro. Abraça-o. Devolve-lhe a dignidade de filho. No seu coração continuou a ser filho. Não o avalia pelos desaires, mas pelo coração. O amor não tem preço. Não há nada que pague o bem do filho. É a vez de esbanjar a sua riqueza com o regresso do filho pródigo. A sua maior riqueza é o amor. Pelos filhos. Não importa o que tem de fazer. “Trazei depressa a melhor túnica e vesti-lha. Ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés. Trazei o vitelo gordo e matai-o. Comamos e festejemos”.

       A mesma atitude diante da intransigência do filho mais velho. Procura entender as razões que lhe assistem. Sempre esteve em casa. Certinho. Cumpridor. Fiel. De tão zeloso que não quer desculpar a safadeza e a rebeldia do irmão. Como é possível o regresso à normalidade? Como é possível que o Pai o trate como se nunca tivesse ido para longe, como se nunca lhe tivesse desejado a morte? Será que o pai perdeu o juízo e a vergonha? Só o amor do Pai/Mãe entende como o coração tem razões que a razão desconhece.

       Jesus mostra-nos como é imenso o amor de Deus por nós. Muito maior que a nossa fragilidade e o nosso pecado. Se nós quisermos, não há nada que nos possa separar do amor de Deus.


Textos para a Eucaristia (ano C): Jos 5, 9a.10-12; 2 Cor 5, 17-21 ; Lc 15, 1-3.11-32.

 


29
Out 12
publicado por mpgpadre, às 13:00link do post | comentar |  O que é?

       No dia 26 de outubro, sexta-feira, como previamente divulgado, a "primeira aula" da Escola da Fé, prevista para todos os meses, com acentuação formativa e/ou orante.

       Estando no ANO DA FÉ, respondendo ao desafio do nosso Bispo, D. António Couto, laçamos bases para que estes encontros sejam uma verdadeira escola de fé, aprofundando as razões da nossa fé, motivações para a alegria e para a esperança, rezando a vida, com um Deus que em Jesus nos mostra a face de um Deus meigo, amigo, companheiro, e fazendo a experiência de fé com os outros.

       Os temas, na acentuação formativa, partirão da formulação do CREDO, o que nos identifica como comunidade cristã. O primeiro tema - CREIO EM DEUS PAI.

       Para nos ajudar nesta primeira reflexão/formação, contamos com a presença do Pe. Ricardo Jorge Barroco, que será também o pregador da Novena e Festa da Imaculada Conceição. A novena, como retiro aberto, é também uma verdadeira escola de fé.

       O Pe. Ricardo procurou desmontar as imagens tradicionais de Deus, como bombeiro, como juiz, Deus "General", "Génio da Lâmpada", "Estrela de cinema", Deus "sádico", "Intelectual",... para nos mostrar o Pai e sobretudo Amigo com que Deus é revelado em Jesus. Por outro lado, vincando a urgência das nossas celebrações, e a nossa vida toda, espelhar a alegria da salvação.

Abaixo algumas imagens deste encontro:

Para mais fotografias deste encontro consultar o perfil da

Paróquia de Tabuaço no Facebook.


12
Jan 12
publicado por mpgpadre, às 19:30link do post | comentar |  O que é?

PAI-NOSSO que estais na terra.
Pai-nosso aberto a crentes e a não crentes.
José Tolentino Mendonça, sacerdote poeta.
Pai-nosso que estais na terra é mais um título e mais um livro do Pe. Tolentino.
Deus é Pai, isso nos diz claramente Jesus Cristo.
Em definitivo um Pai que nos acompanha na terra.
Ainda continuamos a olhar para Deus como Juiz, poderoso e distante, alheio ao mundo e ao homem, como que sentado em Seu trono de onde comanda a vida do universo inteiro, mas alheio e despreocupado.
A oração do Pai-nosso é um exemplo simples, envolvente, com que Jesus nos ensina a rezar, mas também a tratar Deus por Pai, pedindo-Lhe que atenda às nossas necessidades.
O Pe. Tolentino Mendonça, para quem conhece, para quem o lê, habitou-nos a uma linguagem simples, envolvente. Também na reflexão que faz da ORAÇÃO que Jesus reza connosco.
A prioridade é DEUS. Iniciamos a oração dirigindo-nos ao Pai, do Céu e da terra, que está em toda a parte. É Pai de todos. Em causa, nesta oração, está sobretudo Deus e a imagem que temos de Deus.
Reconhecer Deus como Pai nosso, é reconhecer a Sua proximidade e a nossa pertença comum.
Rezar o Pai-nosso, assumi-lo, implica-nos na prática do bem e da caridade, reconhecendo que somos irmãos. Não pedimos para Deus nos resolver os problemas, mas para que seja nosso alimento, dando-nos força e discernimento para vivermos no caminho do bem.
Eis que venho, Senhor, para fazer a Vossa vontade.
É a oração e a opção de vida de Jesus.
Ele vai à frente como Bom Pastor.
Nós seguimos na Sua peugada.

Quando nos faltam as palavras... Ele continua a escutar o nosso coração.
Quando já nem no silêncio percebemos a Sua presença, Ele continua a visitar-nos.
É o nosso alimento. A vida de Cristo é a plenitude da entrega, do amor de Deus por nós. Também ali, no alto da Cruz, com Jesus nos sentimos desamparados - porque Me abandonaste? Também nós temos vontade de dizer - se é possível afasta de mim este cálice!
Mas também com Jesus aprendemos a colocar-nos nas mãos de um Pai que nos quer bem: faça-se a Tua vontade.
Ele mesmo Se torna o nosso pão de cada dia.

O PAI está no início da oração do Pai-nosso, o MAL está no fim.

Quanto mais nos afastamos de Deus, do Pai, mais nos aproximamos do mal. Lembremo-nos da parábola do Filho pródigo. De repente, o apelo de um mundo longe do Pai,... até ao dia em que se apercebe que a distância faz perigar a sua vida. Afinal a felicidade estava mesmo ali, em casa, junto do Pai.
Também a nossa vida está segura junto ao Pai, de todos nós. Ele que não fica no Céu distante, mas está em toda a terra que sustenta os nossos pés, o nosso andar.
Deixemos que Ele seja verdadeiramente o nosso Pai. Vivamos nessa certeza. Alimentemo-nos desta pertença e quando nos faltarem as forças, quando não tivermos palavras, que o nosso coração possa ainda balbuciar: PAI, que estais na minha vida, vinde, socorrei-me e salvai-me, para que não me perca nas distâncias da vida que me dás e renovas constantemente a Tua vida em mim.


21
Abr 10
publicado por mpgpadre, às 11:23link do post | comentar |  O que é?

Tu ficaste ao lado da mulher adúltera,

quando todos se afastavam dela.

Tu entraste na casa do publicano,

quando todos se revoltavam contra ele.

Tu chamaste as crianças para junto de Ti,

quando todos queriam mandá-las embora.

Tu perdoaste a Pedro,

quando ele próprio se condenava.

Tu elogiaste a viúva pobre,

quando todos a ignoravam.

Tu resististe ao diabo,

quando todos teriam sucumbido à sua tentação.

Tu prometeste o paraíso ao malfeitor,

quando todos desejavam-lhe o inferno.

Tu chamaste Paulo para Te seguir,

quando todos temiam-no como perseguidor.

Tu fugiste do sucesso,

quando todos queriam fazer-te rei.

Tu amaste os pobres,

quando todos buscavam riquezas.

Tu curaste enfermos,

quando foram abandonados pelos outros.

Tu calaste,

quando todos Te acusavam, batiam em Ti e zombavam de Ti.

Tu morreste na cruz,

quando todos festejavam a páscoa.

Tu assumiste a culpa,

quando todos lavavam suas mãos na inocência.

Tu ressuscitaste da morte,

quando todos pensavam que estavas derrotado.

Jesus, eu te agradeço porque Tu és único!

 

autor desconhecido, postado a partir do nosso Caritas in Veritate.


08
Mar 10
publicado por mpgpadre, às 15:27link do post | comentar |  O que é?

       Aproximamo-nos da morte de Jesus. Vejamos o testamento que Ele nos deixa ao partir para junto do Pai... ficando para sempre connosco, dando-nos com a oferenda do Seu Corpo e do Seu Sangue um VIDA NOVA.


05
Dez 09
publicado por mpgpadre, às 10:17link do post | comentar |  O que é?

"Bom dia Meu Filho, Minha Filha!

 

Há uma diferença entre juntar palavras e escrever: há pessoas que escrevem, outras só juntam palavras. Há uma diferença entre falar e comunicar: há pessoas que comunicam, outras só falam. Há uma diferença entre fazer movimentos e dançar: há pessoas que dançam, outras só fazem movimentos.

 

Há uma diferença entre ser cumpridor e ser boa pessoa: há pessoas que são boas pessoas, outras só cumprem. Há uma diferença entre ter razão e ter amor: há pessoas que têm amor, outras só têm razão. Há uma diferença entre ir à missa ao Domingo e ser cristão: há pessoas que são cristãs, outras só vão à missa ao Domingo.

 

Há uma diferença entre ser fiel a Deus e ter intimidade com Deus: há pessoas que têm intimidade com Deus, outras só são fiéis. Há uma diferença entre ser impecável e ser santo: há pessoas santas, outras só são impecáveis.

 

Um abraço deste Pai que te ama"

in Deus reza de manhãzinha


07
Dez 07
publicado por mpgpadre, às 22:27link do post | comentar |  O que é?
Queremos ter o olhar que tem o nosso Pai do céu!
Queremos transformar o mundo substituindo:
- o mal pelo bem
- o ódio pelo amor
- o egoísmo pela partilha
- o rancor pelo perdão
- a guerra e a violência pela paz
- a fome pelo pão
- o materialismo pela espiritualidade
- o pecado pela graça
- a ausência de Deus pela sua presença na nossa vida
 
Pe. António José Ferreira

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