...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...
05
Jun 17
publicado por mpgpadre, às 20:27link do post | comentar |  O que é?

Trimestralmente, o Jornal da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, de Tabuaço, faz memória do que entretanto se viveu e fixa em papel e digitalmente a vida da comunidade, para que outros, no presente e no futuro, possam ao que se viveu para acolher HOJE o Evangelho.

Neste trimestre o destaque vai para a Semana Santa e para a celebração do Crisma. Mas outros temas são acenados através das imagens:

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O Boletim poderá ser lido a partir da página da Paróquia de Tabuaço, ou fazendo o download:


08
Out 16
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

1 – O discípulo de Jesus sabe agradecer tudo quanto de bom lhe é dado da parte do Senhor. A gratidão, com efeito, é o caminho da humildade de quem se reconhece mendigo, pronto para aprender, para acolher o bem que vem dos outros, disponível para mudar o que é necessário para se tornar transparência e testemunha de Jesus Cristo.

Só a humildade nos faz santos. A santidade constrói-se no serviço humilde e dedicado ao seu semelhante, sob a bênção de Deus.

O Evangelho faz-nos ver o caminho de Jesus, que não segue alheado de quem O rodeia, de quem Se aproxima, de quem pede ajuda, de quem nem sequer pede ajuda porque não tem forças ou porque tem vergonha. Desvia-se do caminho para a periferia, para das margens para os recuperar para a vida, para o centro.

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2 – No Evangelho, 10 leprosos aproximam-se o suficiente para se fazerem ver e ouvir por Jesus. Daqui se infere que a fama de Jesus se espalhara. Os leprosos não se aproximam de um ídolo, de uma estrela, mas de Alguém cuja docilidade, delicadeza, proximidade atrai.

A lepra é um estigma social. Os leprosos são mantidos à distância, isolados, deixados de fora… pelo sim pelo não, há que afastar as pessoas "contagiadas" para não contagiarem os outros.

Jesus não só não Se afasta como Se aproxima. Os leprosos disseram em alta voz – «Jesus, Mestre, tem compaixão de nós». Jesus simplesmente lhes diz: «Ide mostrar-vos aos sacerdotes». Jesus não precisa de levantar voz, está perto. Levantamos a voz quando estamos distantes, fisicamente, ou quando os nossos corações estão afastados.

A ordem de Jesus implica os próprios. O milagre acontece quando se colocam a caminhar. Ensimesmados adoecemos. Basta quem tem mobilidade reduzida. Mexamo-nos pela nossa saúde. Prefiro uma Igreja acidentada por sair, que uma Igreja doente, com mofo, estagnada por não sair. Palavras bem conhecidas do Papa Francisco.

 

3 – Quando se põem a caminho, os 10 leprosos ficam curados. Como reagem? "Um deles, ao ver-se curado, voltou atrás, glorificando a Deus em alta voz, e prostrou-se de rosto em terra aos pés de Jesus, para Lhe agradecer. Era um samaritano".

É um samaritano, um estrangeiro que regressa, louva a Deus e agradece a Jesus. Talvez não considere que Jesus seja Deus, mas reconhece que Deus Se manifestou através de Jesus. O dom que recebeu leva-o à precedência, à origem da dádiva.

A reação de Jesus é espontânea: «Não foram dez os que ficaram curados? Onde estão os outros nove? Não se encontrou quem voltasse para dar glória a Deus senão este estrangeiro?». E disse ao homem: «Levanta-te e segue o teu caminho; a tua fé te salvou».


Textos para a Eucaristia (C): 2 Reis 5, 14-17; Sl 97 (98); 2 Tim 2, 8-13; Lc 17, 11-19.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE


28
Ago 16
publicado por mpgpadre, às 10:01link do post | comentar |  O que é?

D. ANTÓNIO COUTO (2016). A Misericórdia. Lugar e Modo. Lavra: Autores e Letras e Coisas. 84 páginas.

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       Vivemos o Jubileu Extraordinário da Misericórdia, iniciado a 8 de dezembro de 2015, solenidade da Imaculada Virgem Maria, e a encerrar no dia 20 de novembro de 2016, solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo. O propósito do Papa Francisco foi que se vincasse em definitivo e com clarividência a misericórdia de Deus. Num tempo e mundo complexos, a misericórdia de Deus há de resplandecer como proposta de salvação, como desafio, como esperança, como compromisso. Jesus é o Rosto da Misericórdia. Os cristãos devem alimentar-se da misericórdia de Deus e irradia misericórdia para com os outros, para com toda a criação.

       Com a convocação deste Ano Santo da Misericórdia, a reflexão à volta deste atributo de Deus e a sua fundamentação na bíblia, na história do povo judeu, na vida da Igreja.

       D. António Couto anteriormente publicou o Livro dos Salmos, já dentro deste Jubileu e com a referência que os salmos estudados têm com a Misericórdia de Deus. Porém, este novo estudo é especificamente sobre a Misericórdia.

       Em conferências, jornadas bíblicas, formação do clero e de leigos, D. António Couto tem intervindo sobre esta temática, com o enquadramento do jubileu, com as obras de misericórdia, com a contextualização litúrgica. Aqui coloca nas nossas mãos um estudo mais detalhado sobre a misericórdia, a linguagem da bíblia, a origem das palavras utilizadas, a misericórdia no Antigo Testamento, a misericórdia revelada em plenitude da Pessoa e na Mensagem de Jesus Cristo, com o Seu proceder, compassivo, com as parábolas da misericórdia que mostram o modo de ser de Deus.

       Este pequeno livro subdivide-se em três capítulos: 1 - Deus também reza em clave de misericórdia; 2 - A magna charta do amor de Deus (Ex 34, 6-7), e 3 - Jesus misericordioso, transparência da misericórdia do Pai.

"Deus fiel, fiável, Sim irrevogável, matriz fidedigna, maternal amor preveniente, condescendente, permanente, paciente, palavra primeira e confidente, providente, eficiente, a dizer-se sempre e para sempre dita, rochedo firme, abrigo seguro, alcofa para o nascituro, luz no escuro, amor forte sem medo da morte e do futuro. Deus fiel e confidente, fala, que o teu servo escuta atentamente. Nada do que dizes cairá por terra. A tua palavra à minha mesa, minha habitação, minha alegria, minha exultação, energia do meu coração, luz que me guia e que me alumia. A minha luz é reflexa, a minha palavra é lalação, de ti decorre, para ti corre a minha vida, dita, dada, recebida e oferecida. O teu rosto, Senhor, eu procuro, não escondas de mim o teu rosto, o teu gosto, a tua música. Dispõe de mim sempre, Senhor"


17
Jan 16
publicado por mpgpadre, às 14:00link do post | comentar |  O que é?

D. ANTÓNIO COUTO (2015). Quando Ele nos abre as Escrituras. Domingo após Domingo. Uma leitura bíblica do Lecionário. Ano C. Lisboa: Paulus Editora. 464 páginas.

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       O Bispo de Lamego, D. António José da Rocha Couto, é reconhecidamente um estudioso da Bíblia, pela formação académica, pela responsabilidade pastoral, pelo compromisso universitário, pelo gosto pessoal e bastimal. A Sagrada Escritura é uma enxurrada de Deus que vem até nós pela Palavra inspirada, anunciada, escrita, experimentada, visível na história e no tempo, nos acontecimentos passados e nos momentos que passam, através de pessoas e de povos, e sobretudo em Jesus Cristo, o Filho Bem-amado do Pai, que nos abre o Céu, trazendo-nos, em Si, o próprio Deus.

       Depois da publicação das Leituras Bíblicas do Lecionário ano A e do Lecionário do ano B, com a Introdução ao Evangelho de Mateus e Introdução ao Evangelho de Marcos, eis agora a Leitura Bíblica do Lecionário do Ano C, enquanto se aguarda a edição da Introdução ao Evangelho de Lucas.

Todas as semanas, centenas de pessoas visitam a página de D. António Couto, na qual coloca as propostas de reflexão para o Dia do Senhor, Mesa de Palavras, sendo depois partilhada em diferentes plataformas digitais, também na página da Diocese de Lamego no Facebook.

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       Escreve como se fosse a última coisa que fizesse, como um legado, com a mestria de um bisturi, tal como diz da própria palavra de Deus, colocando cada ponto no seu lugar e fazendo pontes, de Jesus para os discípulos, daquele para o nosso tempo, contextualizando o espaço e o tempo, com as ramificações ao passado, à história de Israel, e aos países e regiões vizinhas.

       Como refere D. António Couto, apresentando este livro: "O estilo é o de sempre. A substância é bíblica e litúrgica, com tempero teológico, literário, simbólico, cultural, histórico, arqueológico. Fui-o escrevendo com gosto, pensando em todos aqueles que gostam de saborear os textos bíblicos que a Liturgia nos oferece. Pensei sobretudo naqueles que, domingo após domingo, têm a responsabilidade de abrir as Escrituras à compreensão dos homens e mulheres, jovens e crianças, que, domingo após domingo, entram nas nossas igrejas".

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       O andamento é o Ano Litúrgico, domingo após domingo, com os diversos tempos do Advento e Natal, da Quaresma e da Páscoa, do Tempo Comum, e do Santoral, com as principais Solenidades e Festas do Senhor, da Virgem Maria, dos Apóstolos, de Todos os Santos...

"É a estrada bela, e é andando nela que se encontra o repouso para a vida (Jr 6, 16). Encontramos lume e sentido, para voltar à estrada dos dois de Emaús, a quem já ardia o coração (Lc 24, 32). É a estrada que desce de Jerusalém para Gaza. A estrada é no deserto (Atos 8, 26), como a de Isaías (35, 8; 43, 19), mas pode sempre encontrar-se nela o sentido e a água (Atos 8, 35). É a estrada de Damasco, em que podemos sempe cair de nós abaixo e ouvir chamar o nosso nome de uma forma nova e diferente (Atos 8, 4; 22, 7; 26, 14). É a estrada que se abre à nossa frente sempre que ouvimos Jesus a dizer: «Segue-Me!» ou «Vai»!".

       É um extraordinário contributo para quem prepara as Leituras de cada Eucaristia dominical e/ou solene, com arte e engenho, numa escrita cuidada, uma espécie de prosa poética, e com poemas a encerrar muitas das reflexões. Pode ler-se antes de cada domingo ou de cada celebração festiva, mas também se pode ler de uma assentada ficando-se desde logo com uma perspetiva de todo o ano litúrgico, regressando depois novamente aos textos nos domingos correspondentes.

       Com este volume, D. António Couto completa a reflexão dos três ciclos de leituras dos anos A, B e C, faltando, para acompanhar este último título, o estudo sobre o Evangelista do ano C, São Lucas.


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D. ANTÓNIO COUTO (2013). Quando Ele nos abre as Escrituras. Domingo após Domingo. Uma leitura bíblica do Lecionário. Ano A. Lisboa: Paulus Editora. 352 páginas.

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        Sai a lume o primeiro volume de uma triologia, na qual nos guiará pela liturgia dos domingos que compõem o Ano A, o Ano B e o Ano C. Em cada ano se privilegia um Evangelho sinóptico, São Mateus no ano A; São Marcos no ano B, e São Lucas no ano C. O Evangelho de São João aparecerá em cada ano em domingos específicos, sobretudo ao tempo do Natal e ao tempo de Páscoa, mas também pelo verão com a temática do pão vivo que é Cristo Jesus.

       D. António promete fazer acompanhar um comentário-introdução, a publicar em data oportuna, sobre cada um dos evangelistas, para desta forma ajudar a perceber o estilo, o conteúdo e o objetivo de cada evangelista, o contexto em que escreveu, os destinatários e as linhas mestras de cada Evangelho.

       O Bispo de Lamego, estudioso da Bíblia, tem colocado à disposição de todos os comentários às leituras de Domingo, especialmente ao Evangelho, partir do seu blogue: Mesa de Palavras: AQUI. Antes de assumir, como Bispo, a Diocese de Lamego era um dos residentes no programa da Igreja Católica na RTP, Ecclesia, precisamente para ajudar a preparar a liturgia da palavra de cada Domingo. O livro que ora sugerimos recolhe a reflexão de D. António Couto para cada domingo, com profundidade, sabedoria, envolvendo-nos na Palavra de Deus, fazendo-no sentir parte essencial da história da salvação.

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       Como refere o autor, o estilo é o de sempre, recorrendo à Bíblia, à história, à cultura, à arqueologia, à literatura, à liturgia e à teologia. Com efeito, o texto de reflexão é envolvente, com muitas informações, fáceis de perceber e que ajudam a sublinhar a riqueza da palavra de Deus e como Deus intervém e Se entranha na nossa história, respeitando as nossas escolhas, mas não cessando de nos procurar.

       O Evangelho em análise é o de São Mateus, o Evangelho da Igreja e que durante muito tempo foi acolhido como o primeiro a ser escrito, sabendo-se hoje que essa primazia temporal é de São Marcos. É escrito numa comunidade já muito estruturada. Depois da morte e da ressurreição de Jesus, os Apóstolos anunciaram o Evangelho, juntando-se a eles muitas pessoas, formam-se as comunidades, as primeiras comunidades, cristãs, que procuram viver nos ideais do Evangelho. Chega uma altura que é necessário colocar por escrito o que foi sendo transmitido oralmente e "absorvido" pelas comunidades, ressalvando-se os avisos que Jesus faz para as comunidades viverem sem que os crentes se atropelem, mas que cada um concorra para o bem de todos. Para ser o primeiro é preciso ser o servo de todos.

"Neste ano A é-nos dada a graça de ouvir o Evangelho segundo Mateus, conhecido como «o Evangelho da Igreja», dada a grande importância que este Evangelho granjeou na Igreja primitiva, sobretudo devido à riqueza e à clareza temáticas dos longos, solenes e pausados discursos de Jesus que nele encontramos, e que constituem um imenso tesouro para a vida da Igreja. Na verdade, o leitor ou ouvinte encontra no Evangelho segundo Mateus uma longa e bela sinfonia dos ensinamentos fundamentais de Jesus, organizados em cinco andamentos á volta de cinco imensos discursos de Jesus: 1) o Discurso programático da MONTANHA (Mt 5-7); 2) o Discurso MISSIONÁRIO (Mt 10); 3) o Discurso das PARÁBOLAS do REINO (Mt 13); 4) o Discurso ESCATOLÓGICO (Mt 24-25)".

       As pistas de reflexão para cada domingo visam precisamente ajudar a prepara a Liturgia dos Domingos e dias santos e, por conseguinte, podem ser lidos e relidos na semana que precede cada domingo ou solenidade. Contudo, o volume de leituras do Ano A pode ser lido de uma assentada ficando-se com uma ideia abrangente do decorrer da liturgia ao longo de todo o ano. Ajuda ter o livro à mão, como ajuda seguir o blogue de D. António Couto que vai limando, aperfeiçoando, lapidando cada reflexão, atualizando com um ou outro dado que vai surgindo, acontecimentos da sociedade e da Igreja (salientando-se as intervenções e/ou convocações do Papa Francisco).

       Ao leitor "bom apetite. Já se sabe que nem só de pão vive o homem".


02
Dez 15
publicado por mpgpadre, às 22:00link do post | comentar |  O que é?

D. ANTÓNIO COUTO (2015). O Livro dos Salmos. Cucujães: Editorial Missões. 120 páginas.

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       D. António José da Rocha Couto é um reconhecido estudioso da Bíblia. O Bispo de Lamego não deixa de ler, meditar, estudar, interessar-se por temáticas teológicas e concretamente bíblicas.

       Cada semana é possível acompanhar a reflexão/estudo de D. António às Leituras de cada domingo, especialmente do Evangelho, no seu blogue MESA DE PALAVRAS. Por outro lado, a publicação em livro destas pistas de reflexão aprofundada da palavra de Deus para o ciclo de três anos (até ao momento publicados os Domingos do ano A e do Ano B; aguarda-se a publicação do ano C; em simultâneo e como complemento, a introdução ao Evangelho de São Mateus e ao Evangelho de São Marcos, aguardando-se o estudo/introdução a São Lucas.

        Entretanto, D. António Couto coloca em nossas mãos este estudo sobre o Livro dos 150 Salmos. Sabendo-se que o conjunto dos Salmos já formaria um livro e daria para vários estudos, D. António entendeu fixar-se em alguns Salmos mais significativos.

       Os Salmos são a resposta que o Homem dá a Deus. De Deus nos vem a Palavra e a Sabedoria, a Graça e a Salvação. Respondemos com louvor e com súplica, reconhecendo a grandeza de Deus e a nossa pequenez, a misericórdia de Deus e o nosso pecado. Ainda que as nossas palavras sejam grito e protesto, encontram um olhar, um coração que escuta, que envolve, que ama, que perdoa e nos redime.

       "Os Salmos - diz D. António - são para cantar com toda a intensidade, ao som de instrumentos musicais, para entregarmos a Deus a nossa alegria, mas também o ódio que nos habita. Rezar é entregar tudo a Deus. As coisas belas, claro. Mas também o lixo, o mato e as silvas que nos habitam. A oração dos Salmos, recitada com toda a intensidade, depura e decanta a nossa vida, de Deus recebida e a Deus oferecida, por Deus agraciada e transformada, transfigurada".

       Mais à frente, D. António reforça a ideia: "Dizer «Salmos» ou «Saltério» é dizer intensidade, vida, energia, canto, música, alegria, prazer, festa e ainda que, por vezes, dorida".

       Um pequena história recolhida por D. António Couto, sobre o mistério do homem:

A história do insensato do Rabbi Hanoch: «Era uma vez um homem insensato e, por isso, era chamado golem. Quando se levantava de manhã tinha de se haver com o difícil problema de encontrar as roupas para vestir, de tal modo que à noite, só de pensar nisso, já tinha medo de se deitar. Mas uma noite encheu-se de coragem, pegou num lápis e numa folha de papel, e, enquanto se despia, tomou nota do lugar onde poisava cada peça de roupa. Na manhã seguinte, levantou-se todo contente e pegou na sua lista: o barrete ali, e enfiou.o na cabeça, as calças acolá, e vestiu-as; a assim por diante até ter vestido tudo. "Sim, mas eu, onde estou eu?", perguntou-se a si mesmo, "onde estou eu?". Em vão procurou e voltou a procurar. Não conseguiu encontrar-se. E assim sucede também connosco, concluiu o Rabbi». E, conclui D. António: "Só sabemos onde estamos quando é Deus a formular a pergunta e a fazer-nos encontrar a resposta".

       Nesta obra de D. António Couto, O Livro dos Salmos, é possível perceber um pouco mais sobre os Salmos, a sua origem, significado, e rezá-los com mais intensidade. É um trabalho a utilizar por estudantes e por especialistas, mas também percep´tivel para quem quiser aprofundar os seus conhecimentos dobre a Sagrada Escritura, sempre com o propósito de rezar melhor e comprometer-se com a oração, fazendo que o Bem que recebemos de Deus, se multiplique na partilha com os irmãos.


24
Out 15
publicado por mpgpadre, às 15:15link do post | comentar |  O que é?

1 – O CAMINHO de Jesus constrói-se em movimento. São Marcos mostra como Jesus avança, progredindo na Mensagem, aprofundando as temáticas, exigindo cada vez mais e de forma mais clarividente. Vai ganhando CONFIANÇA, que Lhe vem de Deus, mas que testa no encontro com as multidões e com os discípulos.

O Evangelho de Marcos possibilita a reflexão à volta do segredo messiânico. Jesus realiza prodígios, revela pouco a pouco a Sua identidade, mas pede "segredo" – não digais nada a ninguém. É, segundo os estudiosos, uma criação literária do evangelista para nos envolver na revelação (progressiva) de Jesus como Filho de Deus, o que só acontecerá plenamente na Ressurreição, cuja luz eliminará as dúvidas e as trevas, mas que se desvela em diferentes momentos. Jesus deixa-Se ver, deixa-Se tocar, deixa-Se acolher. Podemos segui-l’O.

Jesus segue o Seu CAMINHO a caminhar. À beira do caminho está um cego a pedir esmola. Um mal nunca vem só. Não basta ser cego ainda é pobre pedinte. À beira continuam muitos cegos, refugiados, doentes, idosos, pobres. Estão à beira, quase fora, alheados, excluídos. Não estão no caminho, porque se afastaram ou foram impedidos de entrar nele. O texto mostra as diferentes possibilidades.

A voz do cego faz-se ouvir: «Jesus, Filho de David, tem piedade de mim». Certamente que já tinha ouvido falar de Jesus.

Veja-se a dualidade da multidão. Por um lado, espalhou o "segredo" sobre Jesus. Por outro, afasta aquele homem, silencia-o. Muitos tentam calá-lo. “Não nos incomodes com os teus problemas!”

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2 – Adentremo-nos no CAMINHO de Jesus. Somos o cego que reconhece a sua insuficiência e suplica a Jesus pela cura? Somos a multidão que divulga os feitos do Messias? Ou, a multidão que afasta os outros de chegarem perto de Jesus? Damos testemunho ou tornamos opaca a presença de Deus na nossa vida?

Jesus mostra a delicadeza que devemos usar uns com os outros. A multidão não abafa a voz de Bartimeu. Jesus está atento a quem se abeira ou a quem está fora ou na margem do caminho. Se é necessário uma paragem ou um desvio, Jesus não hesita. É agora que Ele é necessário. Há quem precise d'Ele neste momento. Tudo o mais é relativo.

Manda chamar Bartimeu. Mais uma parábola para o nosso compromisso cristão. Também a nós Jesus nos diz: «Chamai-o». Ide e anunciai. Espalhai o Evangelho. Fazei discípulos de todas as nações. Ide à procura da ovelha perdida.

A multidão responde ao desafio de Jesus e anima-o: «Coragem! Levanta-te, que Ele está a chamar-te». Por vezes é necessário um pequeno impulso e depois tudo se facilita. É preciso que alguém inverta a tendência negativa. Jesus dá um passo, a multidão dá o seguinte.

E logo, "o cego atirou fora a capa, deu um salto e foi ter com Jesus". A cura já começara no momento em que este cego ouviu falar de Jesus. Quando soube que Jesus estava por perto fez tudo para se encontrar com Ele. Pergunta-lhe Jesus: «Que queres que Eu te faça?».

Para sermos curados precisamos, primeiramente, de ter consciência que estamos doentes e depois querermos ser curados. E o pedido é óbvio: «Mestre, que eu veja».

 

3 – «Vai: a tua fé te salvou». O cego – como bem lê o nosso Bispo, D. António Couto – pede para ver e Jesus envia-o: VAI. Estaríamos à espera que Jesus lhe dissesse: vê. Mas para ver precisa de IR, de andar, de caminhar, de se colocar em movimento, de sair do seu canto e partir ao encontro de Jesus. Também nós somos cegos quando não queremos ver, quando nos recusamos a caminhar em direção aos outros, quando nos fechamos, ensoberbecendo-nos.

Esta passagem ilustra a atitude para seguir Jesus. Antes, víamos os apóstolos a quererem um lugar ao lado de Jesus, sentados. Agora um cego, que está sentado, como sublinha D. António Couto, sentado e a pedir esmola, e que se LEVANTA para encontrar Jesus. A posição do discípulo é seguir Jesus, levantar-se, libertar-se de si e do que lhe pesa. Seguindo Jesus somos curados da nossa cegueira.

________________________

Textos para a Eucaristia (B): Jer 31, 7-9; Sl 125 (126); Hebr 5, 1-6; Mc 10, 46-52.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE


25
Jun 15
publicado por mpgpadre, às 10:15link do post | comentar |  O que é?

A Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, Tabuaço, tem agendado para o próximo dia 4 de julho, pelas 17h00, a celebração do Sacramento da Confirmação / Crisma, integrando os jovens que frequentaram o 10.º ano de catequese neste ano pastoral e no ano anterior, bem como 4 adultos que ao longo do ano se foram preparando através da Escola da Fé.

A presença do Sr. Bispo, D. António Couto, é uma oportunidade para a festa, para a vivência da fé, para o compromisso comunitário da paróquia inserida na Diocese de Lamego. Como Sucessor dos Apóstolos, o Bispo vem confirmar e renovar a fé, avivando a ligação de cada um e de todos ao Evangelho de Jesus Cristo.

No dias anteriores um Tríduo de pregação, com o Pe. Jorge Giroto, para que a comunidade também se prepare para acolher bem D. António Couto e nele acolher com alegria a Palavra de Deus, preparando também para testemunhar a celebração do Crisma de alguns membros da comunidade.

No mesmo dia, o ENCERRAMENTO DA CATEQUESE. O itinerário catequético conclui-se com 10 anos, com o sacramento da maturidade cristã, o Crisma; simbolicamente também o encerramento do ano catequético.

Depois da Eucaristia, um lanche-convívio para crismandos e familiares, para catequisandos e para os membros da comunidade paroquial.

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14
Mai 15
publicado por mpgpadre, às 10:10link do post | comentar |  O que é?

AA.VV. (2015). A essência da Vida Consagrada. Lisboa: Paulus Editora. 200 páginas.

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       O Ano de Vida consagrada, convocado pelo Papa Francisco, teve início com o novo ano litúrgico, no dia 30 de novembro de 2014 e que se prolonga até à solenidade de Cristo Rei do Universo. Três objetivos apontados pelo Papa: olhar com gratidão o passado, viver com paixão o presente e abraçar com esperança o futuro. A vida consagrada faz parte do ADN da Igreja, como Corpo de Cristo, Ele que assume viver no despojamento, pobreza, castidade, em total obediência ao Pai.

       Este livro aborda a vida consagrada a partir de diversas sensibilidades, em conformidade com os autores, e nas suas várias dimensões.

Autores e temas abordados:

  • D. António Couto, Bispo de Lamego, membro da Sociedade Missionária da Boa Nova. Como expectável, para um especialista na Sagrada Escritura, a "Fundamentação bíblica da vida consagrada".
  • Pe. David Sampaio Barbosa, sacerdote verbita, leciona História da Igreja na UCP, pelo que o seu tema dá prevalência à "História da vida consagrada".
  • Alexandre Freire Duarte, cristão católico leigo, licenciado canónico em Teologia, e como leigo faz uma abordagem da vida consagrada «Magis magisque» (mais e mais): reflexões sobre a espiritualidade dos religiosos"
  • Irmã Maria da Glória Coelho Magalhães, religiosa franciscana missionária de Nossa Senhora, mestre em bioética e em espiritualidade franciscana. O tema apresentado: "A profissão dos conselhos evangélicos", pobreza, castidade e obediência, votos que se insere num único voto de viver ao jeito de Jesus. Obediência na fé; pobreza na esperança, e castidade na caridade...
  • Pe. José Jacinto Farias, sacerdote dehoniano, formado em teologia e em filosofia, aborda "A eclesialidade da vida consagrada".
  • Maria da Conceição Gomes Vieira, consagrada do Instituto Secular das Cooperadoras da Família, formada em Ciências da educação e em Pedagogia Vocacional. O tema abordado: "A formação para a vida consagrada". Além dos documentos da Igreja, o antes e o pós-concílio, enriquece o texto com o seu testemunho de vida.
  • Pe. Saturino Gomes, sacerdote dehoniano, formado em Direito Canónico e, por conseguinte, a abordagem está em concordância: "A vida consagrada e o Direito Canónico".
  • Darlei Zanon, irmão religioso paulista, brasileiro, diretor editorial da Paulus Editora. Fala-nos d' "O futuro da vida consagrada".
       Nas suas diferentes perspetivas, este é um belíssimo contributo para melhor perceber o que é, em Quem se funda, como se concretiza a Vida Consagrada, que passado e que futuro, o seu papel na Igreja e na sociedade do nosso tempo. É um desafio para os cristãos consagrados ou membros de Institutos de vida apostólica, mas simultaneamente para todos os cristãos, pois a vocação primordial é à santidade...
 
Leia também:


17
Mar 15
publicado por mpgpadre, às 11:00link do post | comentar |  O que é?

D. ANTÓNIO COUTO (2015). Introdução ao Evangelho segundo Marcos. Lisboa: Paulus Editora. 136 páginas.

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       Mais um excelente subsídio para preparar a Eucaristia de Domingo, para melhor compreender o Evangelho de São Marcos, colocando-se em atitude de seguimento, como discípulo em relação a Jesus Cristo, para melhor se entranhar na lógica de serviço, de doação, configurando a própria vida à vida de Jesus.

        O Evangelho seguido prevalentemente neste ciclo litúrgico do ANO B é São Marcos.

        Tal como havia feito para o Ano A, para o qual D. António Couto nos colocou nas mãos dois títulos: Quando Ele nos abre as Escrituras. Ano A, e Introdução ao Evangelho segundo Mateus, o Bispo da mui nobre Diocese de Lamego colocoa à nossa disposição mais dois títulos: Quando Ele nos abre as Escrituras: Ano B, com o comentário à liturgia de cada Domingo, e agora este sobre São Marcos.

        Como já nos habituou, D. António Couto coloca neste trabalho a sua fé, a experiência de vida, a dedicação ao Evangelho, valendo-se de conhecimentos diversos, ao nível da Sagrada Escritura, da história, da psicologia, da teologia, socorrendo-se dos Padres da Igreja e de outros estudiosos, mas sobretudo fazendo-nos mergulhar no texto de Marcos.

       São Marcos voltou à ribalta. Se antes era um texto considerado secundário, ficando quase no esquecimento, pois era entendido como uma espécie de resumo do Evangelho de São Mateus, ou de São Mateus e de São Lucas, a partir do século XIX começa a ser redescoberto, pois é reconhecido como o primeiro Evangelho a ser escrito e, por conseguinte, mais simples, direto, mais próximo cronologicamente de Jesus. Por outro lado, ainda que a linguagem seja diferente, com diferentes destinatários, segundo D. António Couto, os outros Evangelhos, Mateus, Lucas e mesmo São João, mantêm um esquema similar ao de Marcos.

       Sublinham-se no texto temas como chamamento, semente, pão e paixão de Jesus, discipulado. Com efeito o Evangelho de São Marcos faz-nos seguir como que no filme que passa diante de nós, em que a personagem principal é e deve ser o próprio Jesus, que Se aproxima, que chama, que diz, que faz, que nos envia. O discípulo é o que vai atrás.

       Este estudo divide-se em três capítulos:

  1. À porta do Evangelho de Marcos (quem é Marcos, onde e quando escreveu, para quem, estrutura do evangelho).
  2. Quem é Jesus? À procura da identidade de Jesus (Dizer Jesus, dizer do povo, de Pedro, do centurião; jornada de Carfarnaum: Parábola da semente / pão / paixão / ensinados e não compreendidos; na Barca sem Jesus, na Barca com Jesus.
  3. Quem é o discípulo de Jesus e como tornar-se discípulo de Jesus? À procura da identidade do discípulo de Jesus.

       D. António Couto, com mestria, faz-nos sentir discípulos de Jesus, ou melhor, coloca-nos na posição daqueles que se aproximam de Jesus ou de quem Jesus Se aproxima, mostrando que os Seus ditos são para nós, quando nos envolve, nos desafia, nos recrimina, quando nos lembra da nossa condição, quando nos faz passar para trás, como a Pedro e aos demais discípulos, quando nos relembra nossa nudez diante do mistério de Deus. Outro aspeto muito interessante, é a linguagem corrida e muitas vezes (quase) poética de D. António, bem como o estudo dedicado de alguns termos, a partir do grego, do hebraico ou do aramaico e até aqueles que não percebam estas línguas, ficam a perceber melhor o texto e o contexto do filme do Evangelho de Marcos.

 

LER a apresentação/sugestão do livro:

Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura: AQUI.


27
Fev 15
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MENSAGEM DE D. ANTÓNIO COUTO PARA A QUARESMA 2015

  1. Na sua mensagem para esta Quaresma, o Papa Francisco lança um forte apelo contra a indiferença generalizada e globalizada, que se instala no nosso coração e o anestesia e endurece, tornando-nos insensíveis. A indiferença é, diz o Papa, uma reclusão mortal em nós mesmos, e desafia, por isso, as nossas paróquias e comunidades a serem ilhas de misericórdia no meio deste vasto mar de indiferença. E contra a dureza enrugada do nosso coração, o Papa propõe a beleza e leveza, sem rugas, da graça e do perdão, uma Igreja maternal, vigilante, compassiva e comovida, com «um coração que vê», como uma mãe sempre atenta, uma mão sempre estendida para manter entreaberta a porta do amor e do perdão, a porta de Deus (Salmo 106,23).
  1. Para tornar as coisas mais palpáveis e visíveis, o Papa propõe mesmo a realização de um «Dia do Perdão», 24 horas de reconciliação, a levar a efeito na Igreja inteira nos dias 13 e 14 de Março, de meia tarde a meia tarde, sob o lema: «Deus, rico de misericórdia» (Efésios 2,4). Peço, por isso, encarecidamente, a todos os sacerdotes que convoquem as comunidades paroquiais para este exercício de renovação das pautas do coração através da oração, da escuta atenta e qualificada da Palavra de Deus, da vivência da Eucaristia, do Sacramento da Reconciliação e da prática da caridade. Não deixemos de dar corpo e alma a este «Dia do Perdão», para o qual o Papa Francisco nos convoca.
  1. Façamos, amados irmãos e irmãs, do tempo da Quaresma um tempo de diferença, e não de indiferença. Dilatemos as cordas do nosso coração até às periferias do mundo, e que o nosso olhar seja de graça para os nossos irmãos de perto e de longe. Façamos um exercício de verdade. Despojemo-nos, não apenas do que nos sobra, mas também do que nos faz falta. Dar o que sobra não tem a marca de Deus. Jesus não nos deu coisas, algumas coisas para o efeito retiradas da algibeira, mas deu por nós a sua vida inteira. Dar-nos uns aos outros e dar com alegria deve ser, para os discípulos de Jesus, a forma, não excecional, mas normal, quotidiana, de viver (Atos 20,35; cf. Tobias 4,16). Como em anos anteriores, peço aos meus irmãos e irmãs das 223 paróquias da nossa Diocese de Lamego para abrirmos o nosso coração a todos os que sofrem aqui perto e lá longe.
  1. Neste sentido, vamos destinar uma parte da nossa esmola quaresmal para o Fundo Solidário Diocesano, para aliviar as dores dos nossos irmãos e irmãs de perto que precisam da nossa ajuda. Olhando para os nossos irmãos e irmãs de longe, vamos destinar outra parte do esforço da nossa caridade para apoiar os 25 Centros de Recuperação Nutricional (CRN) da Guiné Bissau. Esta mão de amor estendida até à Guiné Bissau traduz-se no apoio concreto a 60.000 crianças (dos 0 aos 6 anos), enquadradas em 10.000 famílias e 320 comunidades. Lembro que a mortalidade infantil (dos 0 aos 5 anos) atinge, na Guiné Bissau, a cifra altíssima de 27,4%, muito devido à subnutrição e parcos cuidados de higiene e de saúde. Estes 25 Centros de Recuperação Nutricional, geridos por Congregações Religiosas com a coordenação da Cáritas da Guiné Bissau, representam um pouco mais de esperança para as crianças guineenses. A Fundação Fé e Cooperação (FEC), que foi instituída em 1990 pela Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) e pela Conferência dos Institutos Religiosos de Portugal (CIRP), e que este ano celebra 25 anos de existência, diálogo, fé e cooperação, encontra-se também a trabalhar no terreno guineense, dando apoio a estes 25 Centros de Recuperação Nutricional. Serão os membros desta instituição da Igreja Católica que levarão a nossa esmola para as crianças da Guiné Bissau, e velarão pela sua eficaz aplicação. Esta finalidade da nossa Renúncia ou Caridade Quaresmal será anunciada em todas as Igrejas da nossa Diocese no Domingo I da Quaresma, realizando-se a Coleta no Domingo de Ramos na Paixão do Senhor.
  1. Com a ternura de Jesus Cristo, saúdo, no início desta caminhada quaresmal de 2015, todas as crianças, jovens, adultos e idosos, catequistas, acólitos, leitores, salmistas, membros dos grupos corais, ministros da comunhão, membros dos conselhos económicos e pastorais, membros de todas as associações e movimentos, departamentos e serviços, todos os nossos seminaristas, todos os consagrados (em ano a eles consagrado), todos os diáconos e sacerdotes que habitam e servem a nossa Diocese de Lamego ou estão ao serviço de outras Igrejas. Saúdo com particular afeto todos os doentes, carenciados e desempregados, e as famílias que atravessam dificuldades. Uma saudação muito especial a todos aqueles que tiveram de sair da sua e da nossa terra, vivendo a dura condição de emigrantes.

Lamego, 18 de Fevereiro de 2015, Quarta-feira de Cinzas

Na certeza da minha oração e comunhão convosco, a todos vos abraça o vosso bispo e irmão,

+ António.


17
Jan 15
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1 – João percebe que Aquele Jesus é o Messias que estava para vir e que já está no MEIO de nós. Àqueles dois discípulos, e a nós também, João mostra Jesus: É o Cordeiro de Deus. Como a dizer-nos: agora o tempo é outro, já não faz sentido serdes meus discípulos, quando todos devemos ser discípulos d'Ele, Aquele sobre Quem desceu o Espírito Santo. Os discípulos ouvem-no, deixam-no e passam a seguir Jesus. Veja-se a sequência de testemunho. João dá testemunho de Jesus. Comunica aos Seus discípulos Quem é o Messias. E os discípulos, escutam e fazem uma escolha.

Duas atitudes nos são sugeridas: sermos testemunhas, em palavras e obras, de Jesus, e como João apontarmos sempre para Ele que está no MEIO de nós; como discípulos, sermos ouvintes da Palavra de Deus, para nos pormos a caminho, seguindo atrás de Jesus.

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2 – Jesus volta-Se e vê-nos. Vai à frente, mas não indiferente. Ele sabe que O seguimos, que O procuramos, e que podemos perder-nos. Seguindo-O de perto, decalcando as Suas pegadas, podemos escutar a Sua voz: «Que procurais?». Teremos então oportunidade de nos aproximarmos mais: «Rabi, onde moras?».

«Vinde ver». A resposta de Jesus é um convite para entrarmos em Sua casa. Ele quer ser a nossa morada. Quer-nos a morar com Ele. Só assim O conheceremos, só assim O seguiremos, só assim podemos transparecê-l'O.

O encontro com Jesus tem hora marcada. Eram quatro horas da tarde. O pormenor temporal que o evangelho de São João nos dá é significativo. Aquele encontro não é abstrato, desligado da vida, fruto da imaginação. É real, como real são os discípulos que seguem Jesus. Um dos que foram ver onde Jesus morava e ficaram com Ele nesse dia é André, irmão de Simão Pedro.

O encontro com Jesus muda-nos. Não basta saber alguma coisa sobre Ele. É o primeiro passo. Depois, segui-l'O pelo caminho, permanecendo junto d'Ele, na Sua casa. E se Ele se torna a nossa morada, o inevitável acontece: não podemos calar o que vimos e ouvimos.

André vai procurar o seu irmão e diz-lhe: «Encontrámos o Messias», e levou-o a Jesus. Atente-se no pormenor: André não diz muitas coisas sobre Jesus, nem tenta convencer Pedro, simplesmente o leva a Jesus. O testemunho sobre Jesus é fundamental, pois não podemos amar o que desconhecemos. Cada um de nós ouviu falar de Jesus, e alguém nos levou a Ele. O encontro pessoal com Jesus será incontornável para que Ele seja a nossa morada e n’Ele nos sintamos em casa.

 

3 – Dá-se o encontro de Jesus com Pedro. E mais uma vez somos surpreendidos. Ele precede-nos. Sabe quem somos, trata-nos pelo nome. O Seu olhar vai ao fundo de nós, onde Ele nos descobre e nos desconcerta. Jesus fita os olhos em Simão e diz-lhe: «Tu és Simão, filho de João. Chamar-te-ás Cefas» – que quer dizer ‘Pedro’.

E tudo muda de novo. És Simão mas chamar-te-ás Cefas, serás Pedro, pedra, rocha sobre a Qual edificarei a minha Igreja. Sublinhe-se desde já que a Igreja é de Cristo, não de Pedro. É Ele que a edifica, mas conta com Pedro e conta connosco.

____________________________

Textos para a Eucaristia (ano B): 1 Sam 3, 3b-10. 19; Sl 39 (40); 1 Cor 6, 13c-15a. 17-20; Jo 1, 35-42.

 

Reflexão completa na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso blogue CARITAS IN VERITATE.


10
Nov 14
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1. A Evangelii Gaudium do Papa Francisco constitui uma imensa provocação para a nossa Igreja. Os nossos hábitos adquiridos saem abalados, as pautas por que habitualmente nos regemos ficam caducas, a nossa maneira de viver assim-assim entra em derrocada. Sim, a força do Evangelho rebenta os nossos vestidos e odes velhos. A alegria não se serve mais em moldes velhos. É urgente um coração novo para acolher esta enxurrada de alegria. precisamos de Pastores novos à medida da Alegria e do Evangelho.

 

2. É neste contexto que vamos viver mais uma vez a Semana das Vocações e Ministérios, que este ano acontece de 9 a 16 de novembro, subordinada ao tema que o Papa Francisco trouxe pata a cena «Servidores da Alegria do Evangelho». Rezemos ao Senhor da colheita para que seja Ele, Bom e Belo Pastor, a velar sempre pelo rebanho, e para que nos ensine a ser Pastores e formar Pastores segundo o seu coração de Pastor e Pai premuroso.

 

3. E sejamos generosos no Ofertório de Domingo, dia 16, que será destinado, na sua inteireza, para as necessidades dos nossos Seminários de Lamego e Resende, e também para o Seminário interdiocesano de São José, sediado em Braga, onde se formam os seminaristas maiores das quatro Dioceses do nosso interior norte: Lamego, Guarda, Viseu e Bragança-Miranda.

 

4. Esta deslocação para junto de um dos polos da Faculdade de Teologia da UCP, neste caso, Braga, acarreta naturalmente despesas extra, mas tornou-se necessária devido ao decréscimo dos seminaristas nestas quatro Dioceses do nosso interior. O baixo número de seminaritas maiores destas quatro Diocese, atualmente reduzido a cerca de 20, não justifca e até desaconselhava que se mantivesse em atividade o Instituto de estudos Teológico que estas quatro Dioceses mantinham em Viseu.

 

Que Deus nos abençoe e guarde em cada dia, e faça frutificar o labor dos nossos Seminários.

 

Lamego, 26 de outubro de 2014, Dia do Senhor.

+ António


19
Out 14
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PINHEIRO TEIXEIRA, J. A. (2014). Fazei o que Ele vos disser. O que Maria diz à Igreja. Prior Velho: Paulinas Editora. 168 páginas.

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 "Ela foi o primeiro «livro» onde o Evangelho começou a ser «escrito» e a primeira vida onde o Evangelho começou a ser inscrito. Os seu silêncio foi o melhor eco da Palavra eterna do Pai. Foi nas «páginas» da sua existência que o Verbo começou a ganhar forma neste mundo".

 

       O Pe. João António, Reitor do Santuário de Nossa Senhora dos Remédios, dá à estampa este conjunto de reflexões sobre a vocação e a missão de Maria, como primeira discípula de Jesus Cristo, paradigma da Igreja, de ontem, de hoje e do futuro. Na celebração das suas Bodas de Prata Sacerdotais, 25 anos passados sobre a ordenação, o Pe. João António partilha connosco 25 reflexões que nos falam de Maria, e nos fala da Igreja. O que é Maria, assim deverá ser a Igreja.

       É um texto fluído, acessível, com recurso frequente a antíteses, entre o mínimo e o máximo, o que facilita muito a compreensão das ideias e das teses defendidas.

       Por outro lado, o sacerdote recorre à maximização da vida cristã, e da vida da Igreja, para se assemelhar à postura de Jesus e à postura de Nossa Senhora. Nunca é suficiente a oração, a fé, a caridade, o compromisso com os outros, a pobreza e o despojamento para que brilhe Jesus Cristo, o silêncio para que fale a Palavra de Deus.

O prefácio é do nosso Bispo, D. António Couto:
"Atravessamos um tempo nublado, insípido, incolor e indolor, de baixa densidade divina e humana, intelectual, moral, testemunhal. Um tempo como um espaço, nivelado e sem relevo, sem rostos, sem lágrimas, sem entranhas, mãos, pés e coração. Cai em cheio e com estrondo, neste nosso tempo, a figura de Maria, Mãe de Deus e nosso Mãe, mulher sensibilíssima e habitada, cidade do alto monte  alumiada, com luzes em todas as portas e janelas, farol e lar seguro, sempre aceso e aberto nesta noite do mundo... Com pinceladas firmes e seguras, o padre João António insere muito bem a figura de Maria na teologia, na eclesiologia, na mariologia, na pastoral e na cultura. E compreende-se sempre que a grande cultura anda no coração do povo simples e humilde, que continua a depositar com ternura, no regaço de Maria, as suas dores e a suas flores".


06
Out 14
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Pe. Vítor FEYTOR PINTO (2014). Sexualidade Humana.Exigências éticas e comportamentos saudáveis. Lisboa: Paulus Editora, 192 páginas.

        O (Monsenhor) Pe. Vítor Feytor Pinto, atual responsável da paróquia do Campo Grande, no Patriarcado de Lisboa, nasceu em 1932 e em 1955 foi ordenado sacerdote na Diocese da Guarda. Ficou conhecido dos portugueses sobretudo no tempo em que foi Alto-Comissário do Projeto Vida (Luta contra a Toxicodependência) travessando os governos de Cavaco Silva e de António Guterres. Durante seis anos percorreu o país, participando em debates, conferência, em igrejas, centros pastorais, escolas, hospitais.

       Em 2002, segundo o próprio, foi convidado pelo Instituto de Bioética da Universidade Católica Portuguesa para fazer algumas conferências no 1.º Curso de Mestrado em Bioética. Nessa ocasião concluiu que seria benéfico também fazer o mestrado em Bioética, proposta aceite pelo Instituto. Este livro é basicamente a dissertação preparada para o Mestrado, orientado pelo grande figura desta área, o Pe. Luís Archer.

       Escolheu para este trabalho o campo da sexualidade humana, analisando a compreensão da sexualidade no mundo e tempo atuais, verificando os efeitos da chamada revolução sexual, revisitando algumas páginas importantes do magistério da Igreja, Vaticano II, papa João Paulo II e papa Bento XVI, a compreensão bíblica da sexualidade no Antigo e no Novo Testamento, a sexualidade e a transmissão da vida, a sexualidade como dom de Deus e como compromisso e responsabilidade humana. Feytor Pinto apontará a ética personalista no enquadramento da vivência consciente, livre, responsável da sexualidade humana.

PARTE I - Ética e sexualidade integral
PARTE II - Sociedade atual e visão redutora da sexualidade
PARTE III - A Sexualidade humana: maravilhoso dom de Deus
PARTE IV - A transmissão responsável da vida

       O Pe. Feytor Pinto não foge aos diversos questionamentos colocados à temática da sexualidade, com as diversas interpretações da mesma, e as diferentes maneiras de a viver. Por outro lado, o que será útil para este tempo, a sexualidade como abertura responsável à vida e o envolvente da família. Certamente, nesta reflexão de sempre, mas acentuada pelos Sínodos dos Bispos, o extraordinário, em 2014, e o ordinário, em 2015, para melhor compreender a família, este é um texto que poderá contribuir para um enquadramento sério, humano, cristão.

       Uma nota mais pessoal/diocesana: o autor, Pe. Feytor Pinto, cita dois estudos de D. António Couto, Bispo da nossa Diocese de Lamego, Como uma Dádiva: Caminhos da Antropologia Bíblica. Lisboa: UCP, 2002, e Pentateuco.Caminho de Vida Agraciada. Lisboa: UCP, 2002.

"Não há sexualidade plenamente integrada sem afetividade, como não há comunhão de vida sem relação de amor" (p. 22)
"Não há sexualidade verdadeira sem amor, sem relação afetiva, sem capacidade de ir ao encontro do outro, sem encontrar no outro complementaridade, sem descoberta do perdão, do serviço, da alegria no dar, da serenidade no perder, no encontro das vidas até ao projeto comum que inicia comunhão de vida, o último e mais belo objetivo da sexualidade humana" (pp. 23-24).
"O amor é mais do que um encontro de corpos, o amor é mais do que o desejo, mais do que a paixão, mais do que o sentimento, o amor é um compromisso de vida. pode haver encontro dos corpos sem as pessoas se amarem..." (p. 133)
"O ato sexual encontra, na situação conjugal e somente nela, condições ideais para a sua realização. O ato sexual deve ser expressão de uma doação total, exclusiva, irrevogável. O ato sexual tem uma nobreza específica, pelo que supõe tempo necessário, uma dignidade própria, um ritmo de relação, uma afirmação recíproca de um amor que marca a vida do par" (p. 138) 
"O amor não é a atitude apenas de uma pessoa, é sempre um encontro de dois, convergente para a comunhão de ideais e de vida. O amor não é um acidente na vida, é um elemento essencial à realização de cada pessoa. Mesmo no normal processo de desenvolvimento humano, sobretudo a partir da adolescência, pressente-se facilmente que o amor é relação de conhecimento, de proximidade, de afirmação, de dádiva, de compromisso. É um dinamismo de maior riqueza no ser humano" (p. 156)

Vale a pena ler também a entrevista do Pe. Feytor Pinto,

realizada por Octávio Carmo, A VIDA É SEMPRE UM VALOR


29
Set 14
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IDE E CONSTRUÍ COM MAIS AMOR A FAMÍLIA DE DEUS

«Os filhos são um dom de Deus»

(Salmo 127,3)

«Toda a paternidade, como todo o dom perfeito, vêm do Alto, descem do Pai das Luzes»

(Tiago 1,17; cf. Efésios 3,15).

«Sois membros da família de Deus»

(Efésios 2,19)

 

O amor fontal de Deus-Pai

1. «Deus é amor» (1 João 4,8 e 16) e «amou-nos primeiro» (1 João 4,19), e «nós amamos, porque Deus nos amou primeiro» (1 João 4,19). Então, o amor que está aqui, o amor que está aí, o amor que está em mim, o amor que está em ti, o amor que está em nós, «vem de Deus» (1 João 4,7), e «quem ama nasceu de Deus» (1 João 4,7). Deus amou-nos primeiro, ama-nos e continua a amar-nos sempre primeiro com amor-perfeito (êgapêménos: part. perf. pass. de agapáô), isto é, amor preveniente, fiel, consequente, permanente (1 Tessalonicenses 1,4; Colossenses 3,12). Ama-nos a nós, que estamos aqui, e foi assim que nós começámos a amar. Se não tivéssemos sido amados primeiro, e não tivéssemos recebido o testemunho do amor, não teríamos começado a amar, e nem sequer estaríamos aqui, porque «quem não ama, permanece na morte» (1 João 3,14), sendo então a morte, não o termo da vida, mas aquilo que impede de amar, e, portanto, de nascer!

 

2. Portanto, se «quem ama nasceu de Deus» (1 João 4,7), o amor que há em nós é remissivo, remete para outrem, remete para a origem. O que é a origem? A origem é o que está antes do começo, a quem a Bíblia e uma parte da humanidade chamam Deus, e nós, cristãos, por imagem, chamamos «Pai». Nova genealogia do amor: o Pai ama o Filho (João 3,35; 5,20), e ama também o mundo (João 3,16), a ponto de enviar o seu Filho ao mundo para lhe manifestar esse amor (João 3,16; 1 João 4,9-10). Só o semelhante conhece o semelhante, e lhe pode comunicar o seu amor. O Pai ama e conhece o Filho Unigénito, e comunica-lhe o seu amor. Como o Pai ama e conhece o Filho Unigénito, também o Filho Unigénito ama e conhece o Pai (Mateus 11,27), e o pode revelar os seus discípulos fiéis (João 15,9), tendo, para tanto, de descer ao nosso nível, fazendo-se homem verdadeiro, semelhante a nós (Filipenses 2,7; Hebreus 2,17). Na verdade, comunica-nos o amor do Pai, e dá-nos a conhecer tudo o que ouviu do Pai (João 15,15). E nós somos convidados a entrar nesse divino colóquio, a acolher esse amor desmesurado, e a passar a amar dessa maneira, como fomos e somos amados (João 13,34; 15,12).

 

3. Assim, o amor que está em nós, ou em que estamos nós, o amor entre marido e esposa, entre pais e filhos, entre amigos, entre nós, não provém nem de uns nem de outros. Nem sequer de si mesmo. O amor não é meu nem é teu. O amor não é nosso. O amor é dado. Claro. Se «quem ama nasceu de Deus», não é nossa a patente do amor, e temos mesmo de ser extremamente cuidadosos quando pretendemos ajuizar acerca do amor que há nos outros. A antiga equação nivelada: «Ama o próximo como a ti mesmo» (Levítico 19,18), é plenificada e subvertida pela equação paradoxal: «como Eu vos amei» (João 13,34; 15,12). Mesmo aqueles que desconhecem a fonte do amor, é dela que o recebem. Neste sentido, em que a fé se une à razão, não é o casal que faz o amor; é o amor que faz o casal. Do mesmo modo que não é o casal que faz os filhos; é o amor que os faz. São um dom de Deus (Salmo 127,3). Atravessa-nos um calafrio quando nos apercebemos que a humanidade transmite, de idade em idade, de pais para filhos, algo de eterno. Amor eterno, tão terrivelmente ameaçado de idade em idade!

 

4. É esse amor eterno, primeiro e derradeiro, verdadeiro, que nos faz nascer como irmãos. O lugar que, de forma mais imediata, nos mostra a fraternidade, é a família. E é verdade que, numa família, os filhos, não deixando de ser diferentes na ordem do nascimento, da saúde, da inteligência, temperamento, sucesso, são iguais. E são iguais, não obstante as suas acentuadas diferenças. São iguais, não em função do que são ou do que têm ou do que fazem, mas em função daquilo que lhes é dado e feito. Em função do amor que os precede, o amor dos seus pais, e, em primeira ou última instância, o amor fontal de «Deus-Pai» (Ad gentes, n.º 2), pois nós somos também, diz o Apóstolo, filhos de Deus (1 João 3,2), filhos no Filho (Romanos 8,17.29), membros da família de Deus (Efésios 2,19). É esse amor primeiro que nos torna livres e iguais, logo irmãos. A fraternidade é o lugar em que cada um vale, não por aquilo que é, por aquilo que tem ou por aquilo que faz, mas por aquilo que lhe é feito, antes e independentemente daquilo que deseja, pensa, projeta e realiza, e em que o seu ser é ser numa relação de amor incondicionada, que não é posta por ele, mas em que ele é posto. A verdadeira fraternidade ensina-nos que a nossa consciência não é a autoconsciência daquilo que fazemos, mas a hétero-consciência daquilo que nos é feito e que nós somos sempre chamados a reconhecer e a cantar com renovada alegria, como Maria: «O Todo-poderoso fez em mim grandes coisas» (Lucas 1,49).

O limiar do mistério em cada nascimento

5. Ó abismo da riqueza, da sabedoria e da ciência de Deus! (Romanos 11,33). Ó abismo do amor de Deus! Caríssimos pais e mães, os filhos que gerais e que vedes nascer, são, antes de mais, vossos ou são de Deus? Dir-me-eis: este filho é nosso, fomos nós que o geramos, fui eu que o dei à luz, nasceu neste dia, tenho aqui a cédula de nascimento. E eu pergunto ainda: sim, mas porquê esse, e não outro? É aqui, amigos, que entra o para além da química e da biologia, entenda-se, o para além de nós. É aqui, amigos, que entramos no limiar do mistério, na beleza incandescente do santuário, onde o fogo arde por dentro e não por fora. É aqui que paramos ajoelhados e comovidos à beira do inefável e caímos nos braços da ternura de um amor maior, novo, paternal, maternal, que nenhuma pesquisa biológica ou química explicará jamais. Todo o nascimento traz consigo um imenso mistério. Sim, porquê este filho, e não outro? Porquê este, com esta maneira de ser, este boletim de saúde, este grau de inteligência, estas aptidões, esta sensibilidade própria? Sim, outra vez, porquê este filho, e não outro, com outra maneira de ser, outro boletim de saúde, outro grau de inteligência, outras aptidões? Fica patente e latente, evidente, que, para nascer um bebé, não basta gerá-lo e dá-lo à luz. Quando nasce um filho, é também Deus que bate à nossa porta, é também Deus que entra em nossa casa, é também Deus que se senta à nossa mesa, é também Deus que nos visita. Há outra paternidade, a de Deus, por detrás da nossa vulgar paternidade, participação da verdadeira paternidade de Deus. Na verdade, «toda a paternidade, como todo o dom perfeito, vêm do Alto, descem do Pai das Luzes» (Tiago 1,17; cf. Efésios 3,15).

Membros de uma nova família

6. Há, portanto, também uma nova familiaridade. A partir de Deus. Na verdade, no comportamento Misericordioso de Jesus transparece uma nova familiaridade, que assenta a sua fundação muito para além dos meros laços biológicos e anagráficos das nossas famílias. Prestemos atenção ao luminoso dizer de Jesus no caixilho literário de Marcos:

«E vem a mãe dele e os irmãos dele, e, ficando fora, enviaram quem o chamasse. E estava sentada à volta dele a multidão, quando lhe dizem: “Eis que a tua mãe e os teus irmãos e as tuas irmãs estão lá fora e procuram-te”. E respondendo-lhes, diz: “Quem é a minha mãe e os meus irmãos?”. E tendo olhado à volta, para os que estavam sentados em círculo ao seu redor, diz: “Eis a minha mãe e os meus irmãos. Na verdade, aquele que faz a vontade de Deus, este é meu irmão e irmã e mãe”» (Marcos 3,31-35).

Ensinamento espantoso de Jesus que põe em causa a validade de uma maternidade e fraternidade meramente biológicas, fundadas sobre os direitos do sangue [«a tua mãe e os teus irmãos e as tuas irmãs… procuram-te»], para afirmar uma nova familiaridade aberta pelo horizonte novo do éschaton, do último, do primeiro e último, do novíssimo: «aquele que faz a vontade de Deus, este é meu irmão e irmã e mãe». No novo horizonte da vontade do Pai, não se deixa de ser mãe, irmão ou irmã. Não são, porém, esses laços familiares que nos dão direito a amar e a ser amados, mas o termos sido encontrados pelo Amor, que agora somos chamados a testemunhar. «Vós sois testemunhas (mártyres) destas coisas», diz Jesus (Lucas 24,49). Sermos designados por Jesus testemunhas das coisas de Jesus é sermos chamados a envolver-nos de tal modo na história e na vida de Jesus, a ponto de a fazermos nossa, para a transmitir aos outros, não com discursos inflamados ou esgotados, mas com a vida! Sim, aquela história e aquela vida são a nossa história e a nossa vida. Sentir cada criança como filho, cada mulher como mãe e todo o semelhante como irmão ou irmã não é simples retórica, mas a transcrição verbal do novo real compreensível à luz do projeto Criador, Primeiro e Último, em que o mundo aparece como uma única casa e os seus habitantes como uma só família. Nascerá então o mais belo relato. Sim, o relato re-lata, isto é, põe em relação, une, reúne, enlaça, entrelaça. E re-lata, isto é, põe em relação, une, reúne, enlaça, entrelaça duplamente: primeiro, porque faz uma re-lação dos acontecimentos, unindo-os para formar um belo colar; segundo, porque põe em relação o narrador e o narratário. Sim, quando eu e tu e ele e ela, nós todos, relatarmos a mesma história, e não histórias diferentes, nesse dia luminoso e bendito começamos a nascer como irmãos, não pelo sangue, mas pela liberdade. Sim, só o relato nos pode aproximar tanto, fazendo-nos, não apenas estar juntos, mas nascer juntos, como irmãos. Portanto, irmãos e amigos, deixai que grite bem alto aos vossos ouvidos: mais amor, mais família, mais oração, mais missão, mais formação. Mais. Mais. Mais.

O sentido da vida recebida e dada

7. Na origem dos nossos termos «matrimónio» e «património» está o «dom» como «munus», como bem sublinha e explica o famoso linguista francês Émile Benveniste, seguido por Eugenia Scabini e Ondina Greco, no domínio da psicologia social. Munus faz parte de uma rede de conceitos relacionais, que obriga a uma «restituição». Quem não entra neste jogo do munus diz-se immunus, «imune». E voltam as perguntas contundentes: quem recebe a vida, como e a quem a restitui? Salta à vista que não podemos «restituir» a vida a quem no-la deu. Há, neste domínio, uma assimetria originária nas relações familiares. Verificada esta impossibilidade de «restituir» a vida a quem no-la deu, poderíamos pensar em «restituir» em termos análogos: então, o filho poderia, por exemplo, responder ao dom da vida recebida, tomando a seu cargo e cuidado os pais enfraquecidos e velhinhos. Mas este não é o único modo de «restituição» nem o mais significativo. O equivalente simbólico mais próximo é «restituir» em termos generativos (generativo e generoso têm a mesma etimologia), dando, por sua vez, a vida e assumindo a responsabilidade de pôr no mundo uma nova geração. Dar a vida e tomar a seu cuidado uma nova geração é mesmo o modo mais apropriado de «restituir» à geração precedente. Situação paradoxal: respondemos ao débito que nos liga à geração anterior com um crédito em relação à geração seguinte. E os avós têm muito a ganhar com os netos, e estes com aqueles. Todos sabemos. Da família humana à grande família de Deus, passando pela família religiosa. Também por isso, a Bíblia é um livro de nascimentos e de transmissão: da vida e da fé e da graça. Vamo-nos hoje apercebendo de que o mundo em que estamos tem muitas dificuldades em transmitir a vida e a fé e a graça, a cháris, o carisma, que envolve a nossa vida pessoal e da nossa família humana, mas também a vida da Igreja, família de Deus, e das diferentes famílias religiosas. Talvez por isso, nos voltemos tanto para trás, e se fale tanto em voltar às origens, refundar. Mas o caminho a empreender não passará mais por gerar novos filhos na vida e na fé e no carisma? Parece-me que é esta a tarefa que todos temos pela frente, em casa, na Igreja, família de Deus, e nas famílias religiosas.

Missão: «restituição» para a frente

8. Impõe-se, portanto, não a preservação, a conservação, a autoconservação, mas a missão, que é a verdadeira «restituição» a Deus e aos irmãos. Já atrás nos ocupámos a verificar, em termos familiares, a impossibilidade de «restituir» a vida a quem no-la deu. O Salmista também se pergunta no que a Deus diz respeito: «Como «restituirei» ao Senhor por todos os seus benefícios que Ele me deu?» (Salmo 116,12). Sim, como «restituirei» ao Senhor o amor que há em mim? Como «restituiremos» ao Senhor o amor que há em nós? O Salmista responde: «O cálice da salvação erguerei, e o Nome do Senhor invocarei. Os meus votos ao Senhor cumprirei, diante de todo o seu povo» (Salmo 116,13-14). Sim, o Salmista sabe bem que não pode «restituir» diretamente a Deus, mas sabe também que pode sempre agradecer a Deus (restituição análoga), e, passando de mão em mão, em fraterna comunhão, o cálice da salvação, anunciar a todos que Deus atua em favor do seu povo, faz em nós grandes coisas, sendo este anúncio ação de evangelização ou generosa «restituição» generativa. É assim que, de forma empenhada, generosa e apaixonada, como testemunha S. Paulo, se vão gerando (1 Coríntios 4,15; Filémon 10) e dando à luz novos filhos (Gálatas 4,19).

 

9. Amados irmãos e irmãs, não nos é permitido, nesta encruzilhada da história, ficar quietos, desanimados, tristes e calados. Ou simplesmente entretidos, ensonados e descomprometidos, como crianças sentadas nas praças, que não ouvem, não ligam, não respondem (Mateus 11,16-17; Lucas 7,31-32). Para esta tarefa imensa da transmissão da fé e do amor e da vida verdadeira, vida em grande, todos estamos convocados. Ninguém se pode excluir, ou ficar simplesmente a assistir. São sempre necessários e bem-vindos mais corações, mais mentes, mais entranhas, mais braços, mais mãos, mais pés, mais irmãos. Uma Igreja renovada multiplica as pessoas que realizam serviços e acrescenta os ministérios. A nossa vida humana e cristã tem de permanecer ligada à alta tensão da corrente do Amor que vem de Deus. E temos de ser testemunhas fortes e credíveis de tanto e tão grande Por isso e para isso, podemos aprender a rezar a vida com o orante do Salmo 78:

«As coisas que nós ouvimos e conhecemos,

o que nos contaram os nossos pais,

não o esconderemos aos seus filhos,

contá-lo-emos à geração seguinte:

os louvores do Senhor e o seu poder,

e as suas maravilhas que Ele fez.

Ele firmou o seu testemunho em Jacob,

e a sua instrução pôs em Israel.

E ordenou aos nossos pais,

que os dessem a conhecer aos seus filhos,

para que o saibam as gerações seguintes,

os filhos que iriam nascer. 

Que se levantem e os contem aos seus filhos,

para que ponham em Deus a sua confiança,

não se esqueçam das obras do Senhor,

e guardem os seus mandamentos» (Salmo 78,3-7).

Amados irmãos e irmãs, há coisas que não podemos mais dizer sentados, que é como quem diz, assim-assim, de qualquer maneira ou de uma maneira qualquer. O Amor de Deus, que enche a nossa vida, tem de ser dito com a vida levantada, com um dizer grande, transbordante, contagiante e transformante, com razão, emoção, afeto e paixão. Retomo o dizer do orante e transmissor da fé: «Que se levantem e os contem aos seus filhos» (Salmo 78,6). Ou, de outra maneira: «Uma geração enaltece à outra as tuas obras» (Salmo 145,4). Ou como Maria: «A minha alma engrandece o Senhor» (Lucas 1,47).

Todos-para-todos

10. Para esta tarefa imensa da transmissão da fé e do amor e da vida verdadeira, vida em grande, convoco todos os diocesanos da nossa Diocese de Lamego: sacerdotes, diáconos, consagrados, consagradas, fiéis leigos, pais, mães, avôs, avós, famílias, jovens, crianças, catequistas, acólitos, leitores, agentes envolvidos na pastoral, membros dos movimentos de apostolado. A todos peço a graça de promoverem mais encontros de oração, reflexão, formação, partilha e amizade. Mais. Mais. Mais. A todos peço a dádiva de uma mão de mais amor às famílias desconstruídas e a todos os irmãos e irmãs que experimentam dificuldades e tristezas. Mais. Mais. Mais. A todos peço que experimentemos a alegria de sairmos mais de nós ao encontro de todos, para juntos celebrarmos o grande amor que Deus tem por nós e sentirmos a beleza da sua família toda reunida. Que cada um de nós sinta como sua primeira riqueza e dignidade a de ser filho de Deus. E para todos imploro de Deus a sua bênção, e de Maria a sua proteção carinhosa e maternal.

Santa Maria de um amor maior,

do tamanho do Menino que levas ao colo,

diante de ti me ajoelho e esmolo

a graça de um lar unido ao teu redor. 

Protege, Senhora, as nossas famílias,

todos os casais, os filhos e os pais,

e enche de alegria, mais e mais e mais,

todos os seus dias, manhãs, tardes, noites e vigílias. 

Vela, Senhora, por cada criança,

por cada mãe, por cada pai, por cada irmão,

a todos os velhinhos, Senhora, dá a mão,

e deixa em cada rosto um afago de esperança.

 

Lamego, 27 de setembro de 2014, Dia da Igreja Diocesana

+ António, vosso bispo e irmão

 

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28
Set 14
publicado por mpgpadre, às 12:00link do post | comentar |  O que é?

D. ANTÓNIO COUTO (2014). Os desafios da Nova Evangelização. Lisboa: Paulus Editora. 128 páginas.

       A Voz de Lamego, na edição de 16 de setembro apresentou como sugestão de leitura este novo livro de D. António Couto, Bispo de Lamego. Seguimos a sugestão de imediato e na primeira oportunidade adquirimos mais este título, na certeza de ser uma leitura agradável, acessível, profunda, poética, com muitas informações e sobretudo numa dinâmica formativa.

       D. António Couto é, reconhecida e meritoriamente, um dos Bispos portugueses que mais contribui para a reflexão teológica e bíblica. O seu blogue MESA DE PALAVRAS, através do qual disponibiliza todas as semanas pistas que ajudam a refletir a palavra de Deus de cada Domingo e/ou dia santo é visitada por várias centenas de pessoas, para lerem, meditarem, e para melhor preparar e viver a liturgia da Palavra.

"Este novo livro reúne textos de antes do Sínodo e de depois do Sínodo, sendo que os que foram apresentados no Sínodo foram naturalmente produzidos antes do Sínodo. Dedicamos ainda um capítulo à Exortação Apostólica Evangelii Gaudium e, num último apartado, juntamos texros diversos e ocasionais, todos relacionados com a missão de evangelizar".

       Lembramos que D. António Couto, juntamente com D. Manuel Clemente, participou na XIII Assembleia-Geral do Sínodo dos Bispos, reunido com a preocupação de refletir "A nova evangelização para a transmissão da fé cristã", e que teve lugar em Roma, entre os dias 7 e 28 de outubro de 2012, sob pontificado do papa Bento XVI. Nessa ocasião iniciou-se também o ANO DA FÉ. A intervenção proferida por D. António Couto na aula sinodal é um dos textos disponibilizados, bem como texto resumido para a Comunicação Social, e um texto, mais desenvolvido, como preparação para o Sínodo.

       Vejamos o índice:

Introdução
ANTES E DURANTE O SÍNODO
Fidelidade renovada I
Fidelidade renovada II
Fidelidade renovada III
DEPOIS DO SÍNODO
Nova Evangelização para a transmissão da fé cristã
EVANGELII GAUDIUM
O amor verdadeiro está lá sempre primeiro
TEXTOS DIVERSOS
Amor primeiro
O amor é a alma da missão
Todas as Igrejas para o mundo inteiro
Portugal, vive a missão, rasga horizontes!
Missão: testemunho e serviço
Igreja de Portugal, é tempo de renascer!
Como o Pai me enviou também Eu vos mando ir (Jo 20,21)
Voltar o ímpeto missionário das primeiras comunidades cristãs
Uma Igreja missionária, terna, pobre e para os pobres
Leigo e missionário
Jovem e missionário
Indo, fazei discípulos, dai a vida
Anunciar o Evangelho é uma necessidade que se me impõe

       É uma apanhado de textos riquíssimo sobre o compromisso cristão de transparecer Jesus Cristo. Através destes textos percebem-se alguns dos temas mais caros a D. António Couto, bem como um estilo próprio de dizer e de escrever, de contar e provocar, numa linguagem poética, mas de fácil compreensão. Quando nos deparamos com "peritos" a primeira reação poder-nos-á colocar de pé atrás, pensando que o "perito" escreve para peritos. Mas começando a escutar, ou a ler, logo chegamos à conclusão que quanto mais perito mais simples e envolvente.

       A necessidade de Nova Evangelização é, antes de mais, necessidade de conversão a Jesus. As estruturas e os métodos são importantes, mas imprescindível é mesmo a conversão, a oração, a escuta da Palavra de Deus.

A melhor forma de evangelizar é ser transparência do amor de Deus, visualizado em Jesus Cristo. Portanto: testemunhar a própria fé. Evangelizar de forma personalizada, isto é, pessoa a pessoa, coração a coração. Um cristão, convertido, convicto, que vive na família e na sociedade, de maneira cristã, alegre, evangeliza outro cristão. Os dois "convertem" outros dois; os quatro outros quatro e exponencialmente se evangeliza. Ser missionário não é uma opção do cristão, ou uma segunda vocação, mas é a sua identidade, todo o cristão é missionário, ou discípulo missionário. Os destinatários? Todas as nações, o mundo inteiro. É uma tarefa sem limite de tempo ou de espaço.

 

       A intervenção de D. António no Sínodo dos Bispos: Fidelidade Renovada : AQUI. e que integra este livro agora sugerido.


26
Abr 14
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – Cristo ressuscitou, Aleluia! Este é o dia que o Senhor fez, alegremo-nos e exultemos de alegria. Aleluia. Jesus está vivo, no meio de nós. Corações ao alto. O nosso coração está em Deus. É a nossa luz e a nossa salvação. O anúncio da Páscoa, que chegou a nossas casas, que levamos aos vizinhos, aos amigos, à família, chegou, no primeiro dia da nova criação, aos apóstolos.

       As mulheres, nas primeiras horas do dia, foram ao sepulcro. E que viram elas? O sepulcro vazio? Diz-nos o nosso Bispo, D. António Couto, as mulheres, como os discípulos, encontram o sepulcro aberto, mas não vazio, "está, na verdade, cheio de sinais, que é preciso ler com atenção: um jovem sentado à direita com uma túnica branca (Marcos 16,4), dois homens com vestes fulgurantes (Lucas 24,4), as faixas de linho no chão e o sudário enrolado noutro lugar (João 20,6-7). É importante ler os sinais e ouvir as mensagens!"

       O Corpo não foi roubado. Deus O ressuscitou dos mortos. E os sinais tendem a multiplicar-se e a transformar aqueles que permitem que Deus se lhes revele. O túmulo abriu-se à luz, à esperança.

       2 – Os sinais visíveis no túmulo aberto levam-nos para outro lugar. Finda a noite, é DIA, tempo de procurar Jesus. Melhor, é altura de deixar que Jesus nos encontre: em casa, no campo, a caminhar.

       "Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, apresentou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco… Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados…»

       O segundo Domingo de Páscoa, o Domingo da Misericórdia, traz-nos a dúvida e o medo de Tomé. Medo comum aos outros discípulos. Deus não força. Deus não impõe nem Se impõe. Oferece-se como DOM de vida nova. Mas cabe-nos reconhecê-l'O e acolhê-l'O.

       A vida dos discípulos altera-se para sempre. O Ressuscitado é o mesmo que o Crucificado. Também a Mensagem é a mesma: A paz esteja convosco. Recebei o Espírito Santo. Eu vos envio a vós, para que vades e deis fruto em abundância.

 

       3 – A morte de Jesus provoca uma razia entre os apóstolos. Judas traiu. Pedro negou. Os discípulos fugiram. Portas e janelas fechadas. Será necessário que se encontrem outra vez, todos, com Cristo.

       Tomé não estava com os outros discípulos. Estes garantem-lhe Jesus vivo. Tomé precisa de ver, precisa de encontrar-se com Jesus.

       Oito dias depois, Jesus novamente no meio dos apóstolos. Também lá está Tomé. Estão juntos, em casa. As portas continuam fechadas. O medo permanece por algum tempo. Jesus coloca-se no meio. Jesus deve estar sempre no meio, da casa, da comunidade, ocupando o nosso coração e o nosso olhar, a nossa vida por inteiro. É Ele que verdadeiramente nos reúne, nos congrega, nos aproxima. Quanto mais perto estivermos d’Ele tanto mais perto estaremos uns dos outros, e quanto mais nos aproximarmos uns dos outros, mais visível se torna a Sua presença no meio de nós. Jesus traz a paz. Anunciada ao longo da Sua vida pública, é dada de novo na ressurreição.

       Diz Jesus a Tomé, e também a nós: «Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; aproxima a tua mão e mete-a no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente». A profissão de fé de Tomé, breve, traz o coração às palavras: «Meu Senhor e meu Deus!». Ainda hoje é esta a oração e a profissão de fé que muitos católicos rezam diante do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo, o milagre maior da nossa fé. Jesus está vivo, especialmente no Sacramento da Eucaristia…


Textos para a Eucaristia (A): Atos 2, 42-47; Sl 117 (118); 1 Ped 1, 3-9; Jo 20, 19-31

ou no nosso blogue CARITAS IN VERITATE


08
Mar 14
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – Jesus fez-Se pobre para nos enriquecer com a Sua pobreza (cf. 2 Cor 8,9). O Papa Francisco, na Sua mensagem para a Quaresma, partiu deste contexto paulino, acentuando que Deus Se manifesta, não pelo poder, pelo luxo, pelo espetacular, mas Se comunica pelo amor, pela Cruz, pelo despojamento. A Encarnação de Deus, Jesus Cristo feito Homem, dá-nos esta certeza de que Deus nos assume por inteiro, na nossa humana fragilidade e finitude, por amor.

       Outro belíssimo texto é o da Carta de São Paulo aos Filipenses, que recolhe um hino sobre o abaixamento de Cristo, que sendo de condição divina não se vale de Sua igualdade com Deus, mas identifica-Se com o ser humano (cf. Fil 2, 6-11). Sendo inocente, faz-Se pecado, faz-Se homem (cf. 2 Cor 5, 21), assumindo-nos, salvando-nos, levando-nos aos ombros, como o Bom Pastor, carrega-nos e por nós e para nossa salvação carrega a CRUZ.

       Neste primeiro domingo da QUARESMA, caminho aberto por Jesus para a eternidade de Deus, são-nos apresentadas as TENTAÇÕES do Mestre da Vida. De novo se visualiza o abaixamento (Kénose) de Jesus. Identifica-se connosco. Experimenta a dúvida, o cansaço da caminhada, o silêncio de Deus no meio das dificuldades. Chegam-nos aos ouvidos e ao coração aquelas palavras da Cruz: «Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?»

       A tentação do poder, do sucesso fácil, de um caminho macio. A tentação de usar o poder e a missão em benefício próprio. A tentação de usar Deus e a religião para escravizar os outros, libertando-se solitariamente… Quarenta dias ou o tempo necessário para purificar ideias, para canalizar energias, para assumir que só Deus é Deus e só Ele há de ser servido e adorado, para que n’Ele nos predisponhamos a servir os irmãos.

       2 – As tentações clarificam a proximidade de Jesus à nossa condição humana. Também Ele é provado na adversidade. Quantas vezes, no meio dos nossos desertos, interiores e exteriores, nos apetece gritar por Deus? Quantas vezes ficamos sem lágrimas e sem voz, sem palavras e sem forças? Quantas vezes quereríamos que Deus fosse a nossa testemunha contra aqueles que nos fazem mal?

       Mas fixemo-nos no Evangelho:

Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto... Jejuou quarenta dias e quarenta noites e, por fim, teve fome. O tentador aproximou-se e disse-lhe: «Se és Filho de Deus, diz a estas pedras que se transformem em pães». Jesus respondeu-lhe: «Está escrito: ‘Nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus’». Então o Diabo conduziu-O à cidade santa, levou-O ao pináculo do templo e disse-Lhe: «Se és Filho de Deus, lança-Te daqui abaixo, pois está escrito: ‘Deus mandará aos seus Anjos que te recebam nas suas mãos, para que não tropeces em alguma pedra’». Respondeu-lhe Jesus: «Também está escrito: ‘Não tentarás o Senhor teu Deus’». De novo o Diabo O levou consigo a um monte muito alto, mostrou-Lhe todos os reinos do mundo e a sua glória, e disse-Lhe: «Tudo isto Te darei, se, prostrado, me adorares». Respondeu-lhe Jesus: «Vai-te, Satanás, porque está escrito: ‘Adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele prestarás culto’».

       Num primeiro registo, as tentações não aparentam nada de mal, e no entanto, desde logo, Jesus mostra-nos uma evidente opção por Deus, por nós, a certeza que a Sua vida e a Sua missão não serão uma imposição pela força, pelo milagre. Ele vai caminhar connosco. Não corta caminho. Segue as dificuldades que se colocam à nossa vida. Não usará a missão em benefício próprio. «Só o pobre se faz pão» (Carlos Antunes). Na identificação connosco, Jesus não transforma as pedras em pão, mas oferecer-se-á, a Si mesmo, como Pão da vida, como alimento que nos sacia até à eternidade.

 

      

       3 - No aniversário dos Bombeiros Voluntários de Tabuaço, 3 de março, mas que ora se insere a comemoração nesta Eucaristia de ação dde graças, o exemplo de tantas pessoas que, em diferentes gerações e em circunstâncias variadas, souberam colocar a sua vontade, o seu talento e as suas energias, ao serviço desta vila e deste concelho, ou de outras terras deste nosso Portugal, protegendo bens e pessoas, em espírito de sacrífico de de generosidade. Nesta perspetiva, são luz para nos ajudarem a ultrapassar tantas tentações que podem vir pela frente, servir-se em vez de servir os outros. Jesus dá o mote: "Eu não vim para ser servido, mas para servir e dar a vida por muitos". O lema dos Bombeiros é precisamente "VIDA POR VIDA".

       Que cada um de nós, sigamos este referencial, na nossa vida pessoal, familiar, no nosso compromisso social, nas responsabilidades que assumimos, em tudo coloquemos a alegria de servir e dar a vida pelos outros.

 

       4 – Em jeito de resposta à Palavra de Deus, rezemos juntos, com os lábios e com o coração, o salmo proposto para este primeiro Domingo de Quaresma:

Compadecei-Vos de mim, ó Deus, pela vossa bondade,
pela vossa grande misericórdia,
apagai os meus pecados.
Lavai-me de toda a iniquidade
e purificai-me de todas as faltas.

Porque eu reconheço os meus pecados
e tenho sempre diante de mim as minhas culpas.
Pequei contra Vós, só contra Vós,
e fiz o mal diante dos vossos olhos.

Criai em mim, ó Deus, um coração puro
e fazei nascer dentro de mim um espírito firme.
Não queirais repelir-me da vossa presença
e não retireis de mim o vosso espírito de santidade.

Dai-me de novo a alegria da vossa salvação
e sustentai-me com espírito generoso.
Abri, Senhor, os meus lábios
e a minha boca cantará o vosso louvor.


Textos para a Eucaristia (ano A): Gen 2, 7-9; 3, 1-7; Sl 50 (51); Rom 5, 12.17-19; Mt 4, 1-11.

 


05
Mar 14
publicado por mpgpadre, às 10:00link do post | comentar |  O que é?

IDE ATÉ AO CORAÇÃO DE DEUS E DOS IRMÃOS

       1. Na sua mensagem para esta Quaresma, o Papa Francisco convida-nos a acolher Jesus que, por amor, se fez nosso irmão, descendo ao nosso nível, para nos entregar o amor, a paz, a alegria, a fraternidade e a verdade. Por isso, veio ter connosco. De longe e do alto, só nos podia atirar dinheiro, mas não nos enriquecia. Não tocava nem sarava as nossas feridas, não lavava os nossos pés, não afagava o nosso coração, não tornava mais divina a nossa humanidade. Ele, que é o «rosto humano de Deus e o rosto divino do homem» (Ecclesia in America [1999], n.º 67), desceu ao nosso mundo, fez-se pobre, caminhou e caminha connosco, no meio de nós, para nos enriquecer com a sua pobreza (2 Coríntios 8,9).

 

       2. Mas como Jesus não veio apenas ao meu encontro para só a mim se entregar por amor e só em mim fazer nascer o amor, mas veio ao encontro de todos e a todos se entregou por amor, então a minha fé é verificada pelo meu amor a Deus e a todos os meus irmãos amados por Deus. Diz bem o Apóstolo: «Quem não ama o seu irmão, que bem vê, não pode amar a Deus, que não vê» (1 João 4,20).

 

       3. E o Apóstolo insiste em pôr diante dos nossos olhos esta chave de verificação: «Nós sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos. Quem não ama, permanece na morte» (1 João 3,14). A verdadeira morte não é então o termo da vida, mas aquilo que, desde o princípio, impede de nascer: o não acolhimento do Deus que vem por amor e por amor se faz pobre, para, por amor, fazer nascer em nós o amor e novas e impensáveis pautas de fraternidade.

 

       4. Sim, então o amor ou a caridade não cabem, longe disso, naquilo que habitualmente designamos por solidariedade ou ajuda humanitária. O amor ou a caridade desborda sempre dessas realidades, e impele-nos ao anúncio do Evangelho, que é «a primeira caridade» (Evangelii Gaudium [2013], n.º 199; Novo millennio ineunte [2001], n.º 50) e «o primeiro serviço que a Igreja pode prestar ao homem e à humanidade inteira» (Redemptoris missio [1990], n.º 2), e que consiste em mostrar este Deus que vem por amor ao nosso encontro, para nos servir o amor e fazer nascer em nós, como resposta, o serviço humilde, próximo e dedicado do amor.

 

       5. Por isso, o tempo da Quaresma é um tempo diferente e um tempo em que devemos viver de frente, sem fugas, desculpas, meias-tintas, inverdades, meias-verdades ou mentiras. É tempo de ir até ao coração de Deus e dos irmãos. É tempo de entregarmos a Deus o nosso pó, a nossa cinza, que só Ele sabe transformar em amor (Génesis 2,7) e fazer-nos renascer como seus filhos verdadeiros, e, portanto, irmãos perfeitos no amor.

Toma em tuas mãos, Senhor,

A nossa terra ardida.

Beija-a.

Sopra nela outra vez o teu alento,

A tua aragem,

E veremos nela outra vez impressa a tua imagem.

 

Tu sabes bem, Senhor, que somos frágeis,

Mas que contigo por perto

Seremos fortes e ágeis,

Capazes de abrir estradas no deserto,

A céu aberto.

       6. Por isso e para isso, amados irmãos, insistentemente vos peço que deixeis que Deus renove a vossa vida. Frequentai os Sacramentos da Eucaristia e da Reconciliação, que nos comunicam a vida divina, e são a nossa verdadeira terapia. Tornemos mais fundo e mais fecundo o caminho da nossa iniciação cristã, não o deixando cair nunca na vala da finalização cristã!

 

       7. Aos sacerdotes peço encarecidamente que se entreguem à oração e convoquem as comunidades para a oração, para a escuta atenta e qualificada da Palavra de Deus, para a Eucaristia, para a Reconciliação, para a prática da caridade. A todos peço uma maior dedicação ao exercício do sacramento da Reconciliação ou Penitência segundo as normas da Igreja, expressas em tempos recentes, por exemplo, na Misericordia Dei (2002). Que seja proporcionada a todos os fiéis a prática concreta da «confissão pessoal», evitando-se o recurso abusivo à «absolvição geral» ou «coletiva», que arrasta consigo «graves danos para a vida espiritual dos fiéis e para a santidade da Igreja».

       8. A Quaresma convida-nos a dilatar o nosso coração até às periferias do mundo, olhando com um olhar de graça por e para os nossos irmãos de perto e de longe. Façamos um exercício de verdade. Despojemo-nos, não apenas do que nos sobra, mas também do que nos faz falta. Dar o que sobra não tem a marca de Deus. Jesus não nos deu coisas, mas deu a sua vida por nós. O Papa Francisco lembra-nos que a nossa esmola, que é igual à caridade, se for verdadeira, tem de doer! E eu acrescento que tem de doer e de nos encher de alegria (Tobias 4,16). Como em anos anteriores, peço aos meus irmãos de todas as paróquias da nossa Diocese de Lamego para abrirmos o nosso coração a todos os que sofrem aqui perto e lá longe. Neste sentido, vamos destinar uma parte da nossa esmola quaresmal para o fundo solidário diocesano, para aliviar as dores dos nossos irmãos de perto que precisam da nossa ajuda. Olhando para os nossos irmãos de longe, vamos destinar outra parte do esforço da nossa caridade para as missões dos Missionários Combonianos no Sudão do Sul, onde a guerra civil já provocou mais de 10.000 mortos e 700.000 deslocados, e as dificuldades dos nossos irmãos atingem o indescritível. Esta finalidade da nossa Renúncia ou Caridade Quaresmal será anunciada em todas as Igrejas da nossa Diocese no Domingo I da Quaresma, realizando-se a Coleta no Domingo de Ramos na Paixão do Senhor.

 

       9. Com a ternura de Jesus Cristo, saúdo todas as crianças, jovens, adultos e idosos, catequistas, acólitos, leitores, salmistas, membros dos grupos corais, ministros da comunhão, membros dos conselhos económicos e pastorais, membros de todas as associações e movimentos, departamentos e serviços, todos os nossos seminaristas, todos os consagrados, todos os diáconos e sacerdotes que habitam e servem a nossa Diocese de Lamego ou estão ao serviço de outras Igrejas. Saúdo com particular afeto todos os doentes, carenciados e desempregados, e as famílias que atravessam dificuldades. Uma saudação muito especial a todos aqueles que tiveram de sair da sua e da nossa terra, vivendo a condição de emigrantes.

 

Na certeza da minha oração e comunhão convosco, a todos vos abraça o vosso bispo e irmão, António.

 

FONTE: página oficial da DIOCESE de LAMEGO - AQUI.


02
Fev 14
publicado por mpgpadre, às 12:00link do post | comentar |  O que é?

       No Encerramento do Ano da Fé, Dia da Igreja Diocesana de Lamego, Solenidade de Cristo Rei Senhor do Universo, no passado dia 24 de novembro de 2013, o nosso Bispo, D. António Couto, deu a conhecer a toda a Diocese a Sua CARTA PASTORAL para enquadrar o novo Ano Pastoral e o tema que o engloba: IDE E FAZEI DISCÍPULOS.

 

        Inicia a mesma com uma citação da Constituição Dogmática, Lumen Gentium (9): «Aprouve a Deus salvar e santificar os homens, não individualmente, excluída qualquer ligação entre eles, mas constituindo-os em povo». Segue o enquadramento bíblico. Eis a página do Evangelho:

«Então os Onze Discípulos partiram para a Galileia, para o monte que lhes tinha ordenado Jesus. E vendo-o, adoraram-no; alguns deles, porém, duvidaram.

E aproximando-se, Jesus falou-lhes, dizendo: “Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra. Indo, pois, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os no nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a observar todas as coisas que vos ordenei. E eis que Eu convosco Sou todos os dias até ao fim do mundo”» (Mateus 28,16-20).

       A Carta sublinha prioridades, algumas delas constantes: primado da graça; vida de oração; proximidade; amor; Igreja como casa aberta a todos, dando também continuidade ao lema pastoral do ano anterior, "Vamos juntos construir a Casa da Fé e do Evangelho"; missão evangelizadora/missionária da Igreja; acolhimento do Evangelho com alegria, para o comunicar por palavras e com a vida; formação de cristãos conscientes e empenhados.

       O melhor mesmo é dedicar um tempo a ler, a reler, a meditar, a refletir e mastigar as palavras de D. António, para que depois se assume a beleza, a alegria e o compromisso de fidelidade a Jesus Cristo e ao Seu evangelho de perdão e de amor.

 

Para LER a CARTA PASTORAL:


31
Dez 13
publicado por mpgpadre, às 10:00link do post | comentar |  O que é?

       A riqueza da Palavra de Deus é inesgotável. Na rede poderemos encontrar verdadeiras pérolas, que propõem o texto bíblico e litúrgico de forma acessível, envolvente, com diversos ângulos. Para quem preferir ter um livro com os comentários aos textos de domingo encontram-se muitos publicados.

       O ano A, que iniciou no 1.º Domingo do Advento, tem como evangelista, dos domingos e dias santos, São Mateus. Obviamente que há celebrações específicas que lançam mãos dos outros evangelhos, mas a referência será o Evangelho da Igreja.

Três sugestões:

D. ANTÓNIO COUTO. Quando Elenos abre as Escrituras. Domingo após domingo. Uma leitura bíblica do Lecionário. Ano A. Paulus Editora, Lisboa 2013.

 

D. MANUEL CLEMENTE. O Evangelho e a Vida. Conversas na rádio no Dia do Senhor. Ano A. Lucerna. Cascais 2013. 320 páginas. 352 páginas.

 

José ANTONIO PAGOLA. O Caminho aberto por Jesus: Mateus. Gráfica de Coimbra 2. Coimbra 2010. 280 páginas.

São três leituras provocatórias, envolventes, profundas, acessíveis a todos os leitores, a todos os crentes e também ao squ eo não são tanto, a cristãos e a pessoas de boa vontade. Os autores são bem conhecidos e já recomendámos outros títulos e outros textos:

D. António Couto: AQUI.

D. Manuel Clemente: AQUI.

J Antonio Pagola: AQUI.

       Pagola é espanhol, sacerdote basco, um estudioso da Bíblia, com créditos firmados. A sugestão de leitura não separa por domingos, mas segue o Evangelho, com os diversos momentos, episódios, encontros de Jesus, curas, parábolas, sermão da montanha, pai-nosso, paixão. Traz o texto do evangelho, seguindo-se o comentário, procurando seguir o caminho aberto por Jesus. Já aqui sugerimos a leitura de Marcos. As diversas passagens do Evangelho podem lançar luz sobre a atualidade em clima de fé, de confiança, de compromisso.

       O texto de D. Manuel Clemente resulta dos comentários feitos na Rádio Renascença, ao domingo, comentando precisamente a Liturgia do Domingo. O livro recolhe as intervenções de D. Manuel Clemente, em clima de familiridade e de diálogo. Recolhe sobretudo o texto do Evangelho e o respetivo comentário. Quem já o escutou na rádio ou na televisão, ou quem já leu algum texto ou intervenção, sabe da serenidade de D. Manuel Clemente, falando de forma simples, acessível, procurando que a Palavra de Deus seja luz para os crentes de hoje, para a Igreja e para o mundo.

       D. António Couto, Bispo de Lamego, cujos comentários às leituras de Domingo, especialmente ao Evangelho, têm muitos leitores a partir do seu blogue: Mesa de Palavras: AQUI. Antes de assumir a Diocese de Lamego era um dos residentes no programa da Igreja Católica na RTP, Ecclesia, precisamente para ajudar a preparar a liturgia da palavra de cada Domingo. O livro que ora sugerimos recolhe a reflexão de D. António Couto para cada domingo, com profundidade, saberdoria, envolvendo-nos na Palavra de Deus, fazendo-no sentir parte essencial da história da salvação.

       Como dissemos há muitos outros títulos para ajudar a preparar a reflexão de domingo. Estes três quisemos tê-los acessíveis. A leitura pode ser feita domingo a domingo. No caso de Pagola será de todo útil uma leitura continuada, permitindo ter uma visão global do Evangelho de Mateus. Mas os três títulos podem ser lidos de uma assentada (talvez o que vá fazer) ou antecedendo cada domingo ler o respetivo texto e comentário.


16
Dez 13
publicado por mpgpadre, às 15:58link do post | comentar |  O que é?
SONHA TAMBÉM
Há dois mil anos Deus sonhou
E foi
Natal em Belém.
Sonha também.
Se o jumento corou
E o boi se ajoelhou,
Não deixes tu de orar também.
1. A notícia ecoou nos campos de Belém. Com o celeste recital que ali se deu, o céu ficou ao léu, a terra emudeceu de espanto, e os pastores dançaram tanto, tanto, que até os mansos animais entraram nesse canto.

2. Isaías 1,3 antecipou a cena, e gravou com o fulgor da sua pena o manso boi e o pacífico jumento comendo as flores de açucena da vara de José sentado ao lume, e bafejando depois suavemente o Menino de perfume. Enquanto os meigos animais vão comer à mão do dono, o meu povo, diz Deus, não me conhece, e perde-se nos buracos de ozono.

3. Nos campos lavrados passeiam cotovias, ondulam os trigais, e vê-se Rute a respigar o trigo ao lado dos pardais. Que estação é esta que reúne as estações e os anais? Abre-se ali num instante um caminho novo. Vê-se que passam Maria e José e o Menino, que salta logo do colo e suja as mãos na terra, tira da sacola estrelas todas de oiro, e semeia-as na terra com carinho.

4. Anda à sua volta um bando de boieiras, leves e ledas companheiras, correndo no mesmo chão de oiro semeado. E nós continuamos a passar ali ao lado daquela sementeira toda de oiro, que o Menino pobre acaricia, e logo se transforma em trigo loiro. Mas ninguém para, ninguém acredita que o Menino pode ser dono de um tal tesoiro.

5. Vem, Menino! E quando vieres para a tua doirada sementeira que logo cresce e se faz messe (João 4,35), quando assobiares às boieiras, chama também por mim, diz bem alto o meu nome, vamos os dois para o campo e para a eira, e enche-me de fome de um amor como o teu, pequenino e enorme.

6. Meu irmão de Dezembro, levanta-te, olha em redor e vê que já nasceu o dia, e há de andar por aí uma roda de alegria. Se não souberes a letra, a música ou a dança, não te admires, porque tudo é novo. Olha com mais atenção. Se mesmo assim ainda nada vires, então olha com os olhos fechados, olha apenas com o coração, que há de bater à tua porta uma criança. Deixa-a entrar. Faz-lhe uma carícia. É ela que traz a música e a letra da canção. Ela é a Notícia.

Desejo a todos os meus irmãos, sacerdotes, diáconos, consagrados/as e fiéis leigos, doentes, idosos, jovens e crianças da nossa Diocese de Lamego e da inteira Igreja de Cristo, um Santo Natal com Jesus e um Novo Ano cheio das Suas maravilhas. Ele estará sempre connosco nos caminhos da missão e da Alegria do Evangelho.

Vem, Senhor Jesus. Bate à nossa porta.
+ António, vosso bispo e irmão


01
Dez 13
publicado por mpgpadre, às 09:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – Final de tarde. Viagem para a capital. Carro pronto para fazer-se à estrada. Bagagem acomodada. Férias de verão. Mãos no volante, pronto a arrancar. Irmã. Sobrinho. A criança é sentada na respetiva cadeirinha, no banco de trás. Menos de nada adormece sereno. A mãe ocupa o lugar de pendura, faz companhia ao condutor, para que este se mantenha desperto e atento à estrada, pondo-se a conversa em dia. Mãe sempre com o ouvido apurado e o olhar sorrateiro sobre o filho. Entretanto vem caindo a noite, escurece progressivamente. Do nada, a criança começa numa choradeira desalmada. Para-se o carro, a mãe passa para junto da criança que logo volta a sossegar, adormecendo novamente. Afinal a escuridão é a mesma, mas com a mãe ao lado, tudo é calmaria, nada assusta.

       Entramos num salão em total escuridão. Queremos passar de um para o outro extremo. Tateamos e nada. Nem um palmo vemos à frente do nariz. O medo de darmos uma canelada em algum móvel é maior, já antecipamos a dor, com a possibilidade de destruirmos algo de valioso que encontremos pela frente. Alguém entreabre a porta para a qual nos dirigimos, apenas uma nesga, uma luz ténue. E já nós avançamos seguros, ainda que nos circundem muitas trevas, uma vez que se vislumbra a direção e já podemos distinguir formas e objetos, avançamos. E quanto mais nos aproximamos da luz melhor vemos à nossa volta. É esta a dimensão de confiança que Jesus nos traz. A luz da fé orienta-nos no caminho a percorrer, a voz de Jesus atrai-nos.

       Ainda que envolvidos em trevas, mas o sabermos que uma mão nos segura, uma luz nos aponta a meta, Alguém caminha ao nosso lado, é chão seguro para acalmar a nossa dor, para antecipar a Alegria do encontro e da vida. Como reafirma o papa, na Sua primeira Exortação Apostólica, A Alegria do Evangelho (Evangelii Gaudium), mesmo nas circunstâncias mais adversas, a alegria “sempre permanece pelo menos como um feixe de luz que nasce da certeza pessoal de, não obstante o contrário, sermos infinitamente amados”.

       2 – Percorremos um ciclo completo, de um Advento ao outro. É uma espiral, o círculo quase se fecha, com a solenidade de Cristo Rei, conclusão do ano litúrgico, mas logo outro tempo se apresenta, como dom, em continuidade, pois é um e o mesmo mistério da salvação, morte e ressurreição de Jesus, em cada Eucaristia renovando-nos e renovando a Igreja.

       Curiosamente ou não, os textos são muito próximos, falam-nos do fim/plenitude dos tempos e da vinda de Jesus, do desfecho mas sobretudo da confiança no amor de Deus que vive entre nós. Jesus fala abertamente, muitas coisas irão suceder. Os discípulos não estão isentos de sofrimentos, de perseguição, de injúrias, e morte. Guerras, cataclismos, violência, tumultos. Erguei-vos, levantai a cabeça, não temais, está perto a vossa salvação. O medo é próprio do desconhecido e do que vem aí, mas sabermo-nos apoiados por Alguém que vem do futuro e que antecipa a nossa salvação, dá-nos ganas para prosseguir com a segurança necessária. Melhor, e mais uma vez, como filhos que se lançam ao encontro dos braços delicados da mãe, ou dos braços fortes do pai, sem calcular a distância, ou a altura, olhando apenas para os olhos, o sorriso, o rosto, os braços abertos de quem lhes quer bem.

       Esta é a garantia de Jesus. Não é tempo para paralisarmos, é HORA de vivermos, uns com os outros e para os outros. “Portanto, vigiai, porque não sabeis em que dia virá o vosso Senhor. Compreendei isto: se o dono da casa soubesse a que horas da noite viria o ladrão, estaria vigilante e não deixaria arrombar a sua casa. Por isso, estai vós também preparados, porque na hora em que menos pensais, virá o Filho do homem”.

       No final não interessa tanto a cronologia, mas a vivência quotidiana, entre alegrias e esperanças, tristezas e angústias, procurando o feixe de Luz e de Vida que nos vem de Deus, e nos enlaça e entrelaça com os irmãos. Não caminhamos sozinhos. Ele vai connosco e, se Ele nos acompanha, outros connosco se fazem à estrada.

       3 – Quando caímos na realidade nem tudo é como sonhámos. As certezas que vêm do nosso empenho por uma sociedade mais justa e humana colidem, nas mais variadas situações, com outras vontades e correntes, com indiferenças e conformismos, com ambientes contrários nos quais prevalecem injustiças, egoísmos, o "salve-se quem puder". Porém, para o cristão é sempre HORA de se fazer à estrada, é caminhando que se faz caminho. É no caminho que Jesus nos encontra. É no nosso caminhar que Deus vem até nós.

       Aí está o profeta a gritar às multidões: «Vinde, subamos ao monte do Senhor, ao templo do Deus de Jacob. Ele nos ensinará os seus caminhos e nós andaremos pelas suas veredas. De Sião há de vir a lei e de Jerusalém a palavra do Senhor».

       E a voz do profeta também a nós nos garante: “Ele será juiz no meio das nações e árbitro de povos sem número. Converterão as espadas em relhas de arado e as lanças em foices. Não levantará a espada nação contra nação, nem mais se hão de preparar para a guerra. Vinde, ó casa de Jacob, caminhemos à luz do Senhor”.

       Já não são horas para nos escusarmos com os outros ou com as circunstâncias (talvez pouco favoráveis). “Chegou a hora de nos levantarmos do sono, porque a salvação está agora mais perto de nós do que quando abraçámos a fé. A noite vai adiantada e o dia está próximo. Abandonemos as obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz. Andemos dignamente, como em pleno dia, evitando comezainas e excessos de bebida, as devassidões e libertinagens, as discórdias e ciúmes; não vos preocupeis com a natureza carnal para satisfazer os seus apetites, mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo”. 

 

       4 – A vigilância não é passiva. Vigiar implica trabalhar pelo bem, irradiar a Boa Notícia, semear a paz, potenciar a concórdia, revestir-se de Jesus, por inteiro e em todo o tempo, e não apenas quando é mais fácil ou quando dá mais jeito. Não sabemos a hora de irmos em definitivo à presença do Senhor. E que importa? Importante é vivermos intensamente, procurando dar o melhor de nós mesmos, deixando marcas positivas no mundo, na relação com a família, com os colegas de trabalho, com os vizinhos, com os moradores do nosso bairro, com os que frequentam o mesmo café, a escola, o ambiente digital.

       E quando pecarmos, isto é, quando deixarmos vir ao de cima algo de menos bom, não desistamos, recorramos ao perdão de Deus e procuremos emendar o mal feito, aumentando ainda mais o nosso compromisso com o bem, com a luz, com a verdade. Parafraseando o nosso Bispo, no Encerramento do Ano da Fé, e Dia da Igreja Diocesana de Lamego: mais pertinho de Deus, mais pertinho dos irmãos. Não nos deixemos vencer pelas dificuldades, «quando as condições são adversas, não basta acender uma luz e mantê-la; é preciso aumentar constantemente a luz. Mais luz. Mais luz. Mais luz» (D. António).


Textos para a Eucaristia (ano A): Is 2, 1-5; Rom 13, 11-14; Mt 24, 37-44.

 

Reflexão Domincial na página da Paróquia de Tabuaço.


16
Nov 13
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – «Pela vossa perseverança salvareis as vossas almas».

       Deus vê o interior, não julga aparências nem ilusões. O Evangelho deste XXXIII Domingo do Tempo Comum traz-nos o olhar de Jesus que trespassa as pedras grossas e imponentes do Templo de Jerusalém e vai para além das vistas curtas que olham para as piedosas ofertas. «Dias virão em que, de tudo o que estais a ver, não ficará pedra sobre pedra: tudo será destruído».

       Discípulos e multidão ficam atónitos diante das palavras de Jesus. Como é que o majestoso edifício poderá em breve ruir? Porém, isso não preocupa Jesus, pois é uma ruína exterior, é pedra, é ouro e prata, não toca a alma do ser humano, ainda que tenha resultado do esforço e do sacrifício, e da religiosidade simples e generosa de muita gente. O que O preocupa é a vida, o interior, a pessoa. Perante o descalabro daquilo que nos rodeia pode advir o desespero. As dificuldades existem. Sempre existiram e hão de continuar a persistir. “Os desertos exteriores multiplicam-se no mundo, porque os desertos interiores tornaram-se tão amplos” (Bento XVI, em 24/4/2005).

       Jesus prepara-nos para esses dias, prevenindo-nos, dando-nos confiança: «Tende cuidado... Haverá fenómenos espantosos e grandes sinais no céu... deitar-vos-ão as mãos e hão de perseguir-vos… Tereis ocasião de dar testemunho. Eu vos darei língua e sabedoria a que nenhum dos vossos adversários poderá resistir ou contradizer. Causarão a morte a alguns de vós e todos vos odiarão por causa do meu nome; mas nenhum cabelo da vossa cabeça se perderá».

       2 – «Pela vossa perseverança salvareis as vossas almas... nenhum cabelo da vossa cabeça se perderá».

       Parece um exemplo caricato, tendo em conta que basta repararmos nas cabeças dos que estão à nossa beira para logo vermos que muitos já muitos cabelos perderam. Contudo, Jesus mostra com delicadeza e de forma simples que mesmo as pequenas coisas contam para Deus, ainda que pareçam insignificantes ou passem despercebidas.

       No Dia do Exército, a 28 de outubro, em Lamego, D. António Couto, na homilia, deixava-nos este sublinhado lapidar: “Rezar não é para beatos e beatas de trazer por casa. Rezar é para militares e militantes. Rezar é um ato de verdade e de coragem, que implica o máximo risco. Trata-se, no fortíssimo dizer de Jeremias, de «empenhar [ou penhorar] o coração» (Jer 30,21)”.

       Assim a oração, assim a fé. A fé exige pessoas corajosas, valentes, capazes de lutar e discutir com Deus.

       Perante os reveses da vida não é fácil suportar a paciência e a alegria da fé. Há dias que apetece desistir, protestar com Deus, questionar a Sua proximidade e o Seu amor por nós.

 

       3 – «Pela vossa perseverança salvareis as vossas almas».

       Vale a pena reler, a propósito, duas intervenções, respetivamente, do Papa Bento XVI e do Papa Francisco.

       Aos jovens, em 2011, Bento XVI contrapõe a Luz da Fé às trevas e à escuridão: «Ao nosso redor pode haver a escuridão e as trevas, e todavia vemos uma luz: uma chama pequena, minúscula, que é mais forte do que a escuridão, aparentemente tão poderosa e insuperável. Cristo, que ressuscitou dos mortos, brilha neste mundo, e fá-lo de modo mais claro precisamente onde tudo, segundo o juízo humano, parece lúgubre e sem esperança. Ele venceu a morte – Ele vive – e a fé n’Ele penetra, como uma pequena luz, tudo o que é escuro e ameaçador. Certamente quem acredita em Jesus não é quem vê sempre só o sol na vida, como se fosse possível poupar-lhe sofrimentos e dificuldades, mas há sempre uma luz clara que lhe indica um caminho, o caminho que conduz à vida em abundância (cf. Jo 10, 10). Os olhos de quem acredita em Cristo vislumbram, mesmo na noite mais escura, uma luz e veem já o fulgor dum novo dia».

       Na sua primeira Carta Encíclica, Lumen Fidei (A Luz da Fé), o Papa Francisco assume a reflexão do Seu predecessor, ultrapassando o preconceito que olha para a fé como algo obscuro que impede pleno acesso à razão iluminada. A fé, com efeito, é Logos, Palavra encarnada, razão, dá sentido à vida, e onde muitas vezes a razão não chega, «a fé não é luz que dissipa todas as nossas trevas, mas lâmpada que guia os nossos passos na noite, e isto basta para o caminho».


Textos para a Eucaristia (ano C): Mal 3, 19-20a; Sl 97 (98); 2 Tes 3, 7-12; Lc 21, 5-19

 

 

(Para refletir, e para preparar e/ou acrescentar à homilia, uma pequena história: clique AQUI)


11
Nov 13
publicado por mpgpadre, às 10:00link do post | comentar |  O que é?

       1. Está na moda a palavra “Seminário”. Usa-se na Universidade e para múltiplos encontros de estudo e de trabalho. Neste âmbito alargado, um Seminário é um tempo onde as pessoas se reúnem num lugar mais ou menos redondo para porem em comum as suas ideias e pontos de vista acerca de uma determinada temática ou situação. É cada vez mais da experiência comum que ninguém possui a verdade toda inteira, bem redonda, como diziam os antigos filósofos gregos, sendo, por isso, enriquecedores todos os contributos e todos os pontos de vista. Ainda por cima num tempo em que os saberes tendem a especializar-se, é sempre bom saber o contributo que pode trazer para a discussão o vizinho do lado. Sempre neste sentido lato, um Seminário é aquilo que a raiz da palavra indica: uma sementeira.

       2. Mas hoje quero referir-me ao Seminário em sentido estrito e específico, que é o lugar, o tempo e o modo onde e como a Igreja reúne e forma os candidatos ao sacerdócio. O lugar e o modo é aqui uma casa ampla e simples, uma tenda plantada no coração da cidade dos homens, com espaços interiores e exteriores, com vistas para Deus e para o mundo, dado que quem se prepara para o sacerdócio tem de aprender a ver e a ouvir Deus de perto e a ser visto e ouvido por Deus, como tem igualmente de estar atento às situações concretas em que vivem os homens e mulheres deste tempo, pois deve saber ouvir os seus gritos de alegria ou de tristeza, e deve saber levar-lhes a mensagem do Evangelho, e dizer a cada um: «“Tu também és amado por Deus em Cristo Jesus”. E não apenas dizê-lo, mas pensá-lo realmente. E não apenas pensá-lo, mas fazê-lo acontecer, de modo que essa pessoa sinta e descubra que há nela alguma coisa já salva, alguma coisa maior e mais nobre do que pensava, e desperte assim para uma nova consciência de si» (Eloi Leclerc, Sagesse d’un pauvre, Paris, Éditions Franciscaines, 1984, p. 150). Também de forma diferente dos Seminários que por aí se realizam, o tempo do Seminário para a formação sacerdotal não é um dia nem uma semana ou um semestre, mas a vida toda.

 

       3. Os Seminários de estudo ou de trabalho e o Seminário que prepara para a vida sacerdotal têm na sua raiz a semente. Semente e semeador e campo lavrado e semeado são metáforas que povoam a Escritura dos dois Testamentos, e indicam um modo de vida. O agricultor olha com carinho o chão que trabalha, as árvores que planta, os frutos que vê nascer e amadurecer. Lançar a semente é um tempo e um modo importante, mas é a colheita que ele tem sempre em vista. A colheita é um tempo de alegria (Sl 126,5-6). De acordo com o Evangelho, é pela colheita e pela alegria que devemos afinar sempre o nosso olhar e os critérios com que contemplamos a seara de Deus. Assim deve ser também o Seminário: tempo de nos maravilharmos com as árvores que florescem. Quando desaparece a flor, surge o fruto. No dizer de Jesus, o Senhor que servimos é o Senhor da colheita, da estação dos frutos, da alegria. Por isso, manda-nos rezar assim: «Pedi ao Senhor da colheita (therismós) que mande trabalhadores para a sua colheita (therismós)» (Lc 10,2). Ou somos da estação dos frutos e da alegria, ou andamos certamente perdidos.

 

       4. A missão específica do Seminário, dizem os Documentos do magistério da Igreja, é «formar Pastores para a Igreja de hoje, no mundo de hoje» (Exortação Apostólica Pastores Dabo Vobis, n.º 61; Normas Fundamentais para a Formação Sacerdotal nas Dioceses Portuguesas, n.º 129 e 162). O Pastor está atento às suas ovelhas e conhece-as uma a uma, cuida delas com premura, dá a vida por elas (Jo 10,1-18). É, por isso, que, na sua vertente humana, o Seminário deve ser uma comunidade impregnada de profunda amizade e caridade, de modo a poder ser considerada uma verdadeira família, que vive na simplicidade, na confiança e na alegria. E, na sua vertente cristã, deve configurar-se como comunidade de discípulos do Senhor Ressuscitado, reunida à volta da alegria do Senhor Ressuscitado, formada dia a dia na leitura e na meditação da Palavra de Deus, no sacramento da Eucaristia e no exercício da justiça e da caridade fraterna. Uma comunidade onde resplandeça o Espírito de Cristo e o amor para com a Igreja. Uma comunidade orante, onde se aprende e se cultiva o vocativo da oração e o imperativo da comunhão (Exortação Apostólica Pastores Dabo Vobis, n.º 60).

       5. O ambiente simples e dinâmico do Seminário ajudará cada um dos candidatos ao sacerdócio a alcançar uma compreensão cada vez mais profunda das exigências e da beleza da sua vocação, em ordem à aceitação, cada vez mais radical e definitiva, do projecto de Deus. Os formadores saberão acompanhar cada candidato, e levá-lo a ver a sua vocação à luz da Igreja, da sua doutrina, da sua prática pastoral e litúrgica e da sua legislação, de modo a fazer crescer no coração de cada candidato um coração novo à medida de Cristo, conforme ao coração de Cristo, sensível às dores de cada ser humano, para saber ser, neste mundo controverso, verdadeiro semeador de esperança e ceifeiro feliz.

 

       6. Sábia e inteligentemente, a documentação da Igreja tem salientado que, «de sua natureza, a formação sacerdotal exige uma continuidade, ao longo de toda a vida, com incidência nos primeiros anos de sacerdócio» (Exortação Apostólica Pastores Dabo Vobis, n.º 70-76; Normas Fundamentais para a Formação Sacerdotal nas Dioceses Portuguesas, n.º 152). Isto quer dizer que devemos humildemente saber estar sempre em formação, sentados na escola do nosso verdadeiro Mestre e Senhor.

 

       7. Atravessamos uma vez mais a Semana dos Seminários, que este ano acontece de 10 a 17 de Novembro, subordinada à temática de sabor paulino «Para que Cristo se forme em nós» (cf. Gálatas 4,19). Rezemos ao Senhor da colheita para que seja Ele, Bom Pastor, a velar sempre pelo seu rebanho, e para que nos ensine a ser Pastores e formar Pastores segundo o seu coração de Pastor e Pai premuroso. E sejamos generosos no Ofertório de Domingo, dia 17, que será destinado, na sua inteireza, para as necessidades dos nossos Seminários de Lamego e Resende. E que Deus nos abençoe e guarde em cada dia, e faça frutificar o labor dos nossos Seminários.

 

Lamego, 1 de Novembro de 2013, Solenidade de Todos os Santos

+ António, Bispo de Lamego

 

FONTE: Diocese de Lamego.


01
Out 13
publicado por mpgpadre, às 10:00link do post | comentar |  O que é?

       Enquanto aguardámos o lançamento do Ano Pastoral 2013/2014, e a publicação da CARTA PASTORAL de D. António Couto, nosso Bispo, propomos a reflexão que se segue, introduzindo a temática sobre a qual incidirá o próximo Plano Pastoral da Diocese de Lamego - Ide e fazei discípulos.

 

       Decorre, de 11 de outubro de 2012 a 24 de novembro de 2013, solenidade do Cristo Rei e, na nossa Diocese, Dia da Igreja Diocesana, o ANO DA FÉ no qual procuramos acolher, traduzir, viver sob o lema pastoral: [Com MARIA] Vamos juntos construir a Casa da Fé e do Evangelho.

       O lema aglutinador enquadra o ano da Fé e a inevitabilidade da Nova Evangelização, com uma linguagem mais acessível e vivência mais autêntica da Fé, redescobrindo a beleza do Evangelho, deixando-se preencher pela alegria da salvação, tornando-se testemunha, em palavras e gestos, do amor de Jesus Cristo.

       O lema aponta para um movimento, que não tem fim, com a finalidade de edificar a Igreja como Casa onde todos cabem, para onde todos são chamados, onde a Fé e o Evangelho são alimento para a vida quotidiana. Uma CASA com ramificações em todas as casas, em todas as famílias, e em todas as dimensões da vida, como refere o nosso Bispo, D. António, na Carta Pastoral.

       A Casa está em construção permanente. Jesus é a pedra angular. Sólidos alicerces: a graça de Deus, a Palavra, os Sacramentos, a vida em comunidade. Somos pedras vivas deste edifício. As portas estão escancaradas, para ACOLHER e para PARTIR ao encontro dos outros.

       No início de pontificado, em 22 de outubro de 1978, o Papa João Paulo II lançava um desafio aos jovens e extensível a toda a Igreja: “Não, não tenhais medo! Antes, procurai abrir, melhor, escancarar as portas a Cristo!”

        Bento XVI, no início do seu pontificado, a 24 de abril de 2005, renovava o apelo: “Quem deixa entrar Cristo não perde nada, nada do que torna a vida livre, bela e grande. Não! Só nesta amizade experimentamos o que é belo e o que nos liberta. Queridos jovens: Não tenhais medo de Cristo! Ele não tira nada, concede tudo. Quem se dá a Ele, recebe cem por um. Sim, abri, escancarai as portas a Cristo – e encontrareis a verdadeira vida”.

       Na Jornada Mundial da Juventude, na Alemanha, acentua a interpelação: “Atrevei-vos a colocar os vossos talentos e dons ao serviço do Reino de Deus... tende a ousadia de ser santos brilhantes, em cujos olhos e corações reluz o amor de Cristo, levando assim a luz ao mundo…”

        «Ide, pois, fazei discípulos de todos os povos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a cumprir tudo quanto vos tenho mandado. E sabei que Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos» (Mt 28, 19-20).

       Após a Ressurreição, Jesus aparece aos seus discípulos e envia-os. Envia-nos.

       Ide e fazei discípulos.

       Nunca deixamos de ser discípulos, alunos, aprendizes de Jesus Cristo. Simultaneamente, a missão de comunicar a alegria que recebemos. Ilustrativo o encontro de Maria com Isabel: “Logo que chegou aos meus ouvidos a tua saudação, o menino saltou de alegria no meu seio” (Lc 1, 44). Quem recebe a Boa Notícia, não pode fazer outra coisa senão passá-la ao próximo.

       Ide e fazei discípulos.

       É uma tarefa de sempre. Como os discípulos da primeira hora, temos de viver Jesus, deixando que Ele nos fale e aja através de nós, pelo Espírito Santo. Logo nos tornamos mensageiros do Seu amor, da Boa Notícia da salvação.

       São Paulo deixou o mote: “se eu anuncio o Evangelho, não é para mim motivo de glória, é antes uma obrigação que me foi imposta: ai de mim, se eu não evangelizar!” (1 Cor 9, 16).

       O Papa Francisco, em vésperas da Sua eleição, já convocava a Igreja para sair a levar esta boa notícia a todos os recantos: “Evangelizar supõe na Igreja a "parresia" [coragem, entusiasmo] de sair de si mesma. A Igreja está chamada a sair de si mesma e ir para às periferias, não só as geográficas, mas também as periferias existenciais: as do mistério do pecado, as da dor, as da injustiça, as da ignorância e da indiferença religiosa, as do pensamento, as de toda a miséria… Quando a Igreja não sai de si mesma para evangelizar torna-se autorreferencial e então adoece… A Igreja, quando é autorreferencial, sem se aperceber, julga que tem luz própria, deixa de ser o mysterium lunae [mistério da lua]… [que o próximo Papa] …ajude a Igreja a sair de si para as periferias existenciais, que a ajude a ser a mãe fecunda que vive da “doce e reconfortante alegria de evangelizar”.

       Estão a decorrer as Avalanches da Fé, uma proposta de D. António Couto, para percorrer todo o chão da Diocese de Lamego, levando Jesus Cristo, com o entusiasmo e a alegria dos jovens, a todas as pessoas e realidades envolventes. A perspetiva entra já neste novo ano pastoral: IDE E FAZEI DISCÍPULOS… 

 

in Boletim Paroquial Voz Jovem, setembro 2013.


27
Set 13
publicado por mpgpadre, às 13:30link do post | comentar |  O que é?

       O Boletim da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, Voz Jovem, está de regresso. Tirou férias em agosto, mas regressa ao trabalho, informação e formação, divulgação de atividades pastorais, de celebrações, realizadas ou a realizar, notícias e textos de reflexão, sugestões e desafios. Neste número de setembro destaque para a primeira página inteiramente dedicada ao LEMA pastoral para a DIOCESE de LAMEGO para o Ano Pastoral 2013/2014. Na segunda página, e como editorial, texto de enquadramento do tema - Ide e fazei discípulos (Mt 28,19) -, enquanto se aguarda pela CARTA PASTORAL do nosso Bispo, D. António Couto. Refira-se que no dia 5 de outubro realizar-se-á, no Seminário Maior de Lamego, a Assembleia do Clero, oportunidade para assumir diretizes, dar sugestões pastorais, envolver-se com os desafios da Diocese e da Igreja, e ao mesmo tempo com o fito de preparar o Encerramento do Ano da Fé, para o próximo dia 24 de novembro, solenidade de Cristo Rei e na nossa Diocese, Dia da Igreja Diocesana.

       Outro tema em destaque são as AVALANCHES DA FÉ, atividade sugerida por D. António, acerca de um ano, e para se realizar durante o Ano da Fé, o objetivo era/é percorrer todo o chão da Diocese de Lamego, bater a todas as portas, levar Jesus Cristo, a alegria do Evangelho, dar um sorriso, um abraço, uma palavra amiga, interpelar as pessoas para a dimensão da fé. Com a responsabilidade maior do SDPJ de Lamego e dos jovens mas alargadas a todas as pessoas que queiram participar. Neste número texto/reflexão sobre as avalanches e imagens das que foram realizadas no Arciprestado de Moimenta da Beira, Sernancelhe, Tabuaço, e nas quais participaram jovens de Tabuaço.

       Na última página, a reflexão bíblica, com a figura de José do Egipto, as informações habituais, e um pedaço da reflexão do Papa Francisco, numa das últimas Audiências Gerais, das quarta-feiras, onde compara a Igreja às Mães, convidando a frequentarmos a Universidade das Mães.

O Boletim poderá ser lido a partir da página da paróquia de Tabuaço, ou fazendo o download:


19
Set 13
publicado por mpgpadre, às 10:00link do post | comentar |  O que é?

R. FISICHELA. A Nova Evangelização. Um desafio para sair da indiferença. Paulus Editora. Lisboa 2012, 176 páginas.

       O autor é nada mais nada menos que o Presidente do Pontíficio Conselho para Promoção da Nova Evangelização. Em 2010, o Arcebispo Fisichela foi chamado por Bento XVI para uma Audiência, como é relatado no início deste livro. Não poderia imaginar que o Papa pretendia criar este novo discatério e que o seu primeiro presidente seria precisamente o autor. A partir daqui se contrói esta reflexão sobre a Nova Evangelização.

       Fisichela faz uma viagem pelas origens da Nova Evangelização, a utilização do termo, na América Latina, a divulgação e aprofundamento pelo Papa João Paulo II, a intuição presente no concílio Vaticano II, e o contributo do Papa Paulo VI, que sem usar a terminologia já desafiava à nova evangelização, voltar de novo aos lugares onde o cristianismo era conhecido, tinha sido vivido e precisava de novo vigor, para que o divórcio entre a fé e a cultura, a Igreja e a sociedade pudesse ser dirimido.

       Uma parte significativa desta reflexão traz-nos a intuição de Bento XVI que dá forma e força à necessidade da nova evangelização, mormente numa Europa adormecida, indiferente, contraditória. Em 2012, celebrava-se em Roma o Sínodo dos Bispos sobre a Nova Evangelização para a transmissão da fé cristã, dando maior visibilidade a esta urgência. Aguarda-se a publicação da Exortação Apostólica pós-sinodal, agora já com o papa Francisco.

       O autor fala dos fundamentos, mas também dos conteúdos a priviligiar, naquela que é uma missão imprescindível de anunciar o Evangelho de Jesus Cristo, em toda a parte, em todos os ambientes, em palavras e obras, sobretudo com a coerência de vida, ontem como hoje.

       É uma leitura leve e interessante, acessível e pertinente. Quando fala dos autores da nova evangelização traz pouca novidade, podendo ter feito um breve resumo de meia dúzia de linahs, já que segue de perto as intuições de documentos papais.

      De grande beleza a reflexão sobre a Catedral e especificamente a catequese á volta da Basílica da Sagrada Família, em Barcelona.


25
Ago 13
publicado por mpgpadre, às 09:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – Há últimos que serão dos primeiros e primeiros que serão dos últimos.

       Em Jesus, todos somos filhos de Deus e como irmãos devemos cuidar uns dos outros e sobretudo dos mais frágeis. Esta é uma forma privilegiada de encontrar Deus. Além disso, as sociedades tendem a gerar ódios e violências quando há uns que têm tudo e outros que não têm nada. Quem nada tem, nada tem a perder no meio do caos que se possa instalar.

       Os “privilegiados” pelo trabalho, pela herança patrimonial e/ou pela sorte devem sentir-se corresponsáveis, sabendo que há mais alegria em dar do que em receber. E “um obrigado” muitas vezes vale mais do que alguns milhares de euros. Na lógica do evangelho e da vida, o dom só tem sentido se partilhado. O pecado das origens tem muito a ver com isto, como recordava D. António Couto, aos jovens Crismandos, o pecado não está no colher o fruto da árvore, mas no arrebanhar esse fruto sem o partilhar, fechando as mãos. Só eu poderei colher os frutos daquela árvore. Eu. Eva e Adão. Mais ninguém. A árvore é para todos, também para os filhos e para as gerações futuras, e para outros casais. O que recebi não tenho o direito de reter…

       Curiosa aquela passagem da Sagrada Escritura a que se juntam as palavras de Caim: serei guarda do meu irmão? Egoísmo. Se alguém me faz frente ou sombra, excluo ou mato?! A palavra de Deus é clara: sou guarda do meu irmão, sou responsável por ele. Não matarás. Amarás o próximo como a ti mesmo.

       A este propósito, o povo Eleito tinha uma lei que repunha mais igualdade e justiça. A cada 7 anos, a terra, a vinha e olival descansavam e os pobres podiam alimentar-se (Ex 23, 10-11), e os escravos ser libertos (Ex 21, 1-11). Por outro lado, a contagem 7 X 7 anos, 49 anos, findos os quais se realizava o Jubileu, dia do grande Perdão: “Cada um de vós voltará à sua propriedade, e à sua família... Se o teu irmão cair na pobreza e vender uma parte da sua propriedade, a que tem direito de resgate, o seu parente mais próximo deve ir resgatar o que o seu irmão vendeu” (Lv 25, 8-34).

       2 – Há últimos que serão dos primeiros e primeiros que serão dos últimos.

       Reconhecemos os últimos do nosso tempo com demasiada facilidade: pobres, desempregados, deficientes, maltrapilhos, cada vez mais, os sem-abrigo, mulheres maltratadas, crianças sem família, pedintes, famintos, famílias endividadas (algumas por culpa própria, muitas pelo sistema económico-financeiro colapsado), devido a expectativas exacerbadas, ou consequência de falências danosas que geraram milhares de novos desempregados, os emigrantes (uns poucos por vontade própria, muitos porque não terem outro remédio), à procura de novas pátrias, muitos morrendo na travessia, como sublinhou a visita do Papa Francisco a Lampedusa, os idosos, uma franja significativa da sociedade que por vezes é esquecida como o casaco de inverno no bengaleiro durante a maior parte do ano…

       Se a bolsa de valores tiver uma ligeira queda, alerta o Papa, logo se gera um drama. Morrem milhares de pessoas por dia à fome, vítimas de violência doméstica, da droga, de guerras, de milícias populares, de rixas entre bandos… Paciência, é a vida!!!

 

       3 – Há últimos que serão dos primeiros e primeiros que serão dos últimos.

       Alguém se acerca de Jesus e pergunta: «Senhor, são poucos os que se salvam?». Resposta pronta de Jesus «Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, porque Eu vos digo que muitos tentarão entrar sem o conseguir». Não vos preocupeis com a quantidade dos que se salvam. É dom de Deus. Preocupais-vos em entrar pela porta estreita.

       Somos responsáveis pelos outros, mas não podemos obrigar os outros a agir desta ou daquela maneira. “Quem Me fez juiz das vossas partilhas?”

       O cuidado dos mais desfavorecidos não é uma opção do discípulo de Jesus, é uma exigência. A fé provoca as obras, exige compromissos concretos com o bem dos outros. O "salve-se quem puder" para os cristãos terá de ser salvação acolhida, vivida e celebrada em comunidade. Não posso obrigar os outros. Devo obrigar-me a mim, como seguidor de Jesus, esforçando-me por entrar pela porta estreita.

       Amar a Deus implica amar aqueles que Deus ama. Não se pode amar o Pai odiando os filhos. Amamos a Deus cuidando dos irmãos. Ou somos mentirosos. A fé sem obras é perfeitamente dispensável, é como árvore sem frutos, diria Bento XVI. As obras testam, explicitam e tornam a fé significativa e relevante.


Textos para a Eucaristia (ano C): Is 66, 18-21; Heb 12, 5-7.11-13; Lc 13, 22-30.

 


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