...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...
05
Set 17
publicado por mpgpadre, às 11:00link do post | comentar |  O que é?

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Um fim-de-semana que fica marcado pela tragédia de Pedrógão Grande. Trovoadas secas originaram um gigantesco caos, com famílias inteiras a arderem carbonizadas dentro de automóveis, outras pelo excesso de inalação de fumo, aldeias isoladas sob a ameaça do fogo. Até este momento (em que o texto foi escrito), 62 mortos e 62 feridos, alguns dos quais em estado grave. Casas e fábricas destruídas, e enorme área florestal que continua a ser consumida pelas chamas.

Quando se encontra de imediato um culpado e uma justificação torna-se um pouco mais fácil. Não havendo uma explicação plausível, torna-se mais difícil aceitar a dantesca tragédia. Para todos. Também para quem tem fé. Como foi possível? Porquê?

A figura bíblica de Job mostra que nem todas as perguntas têm respostas e que não há explicações para todas as dúvidas. Job, em diálogo com os amigos, verifica que o mal que lhe sucedeu não pode ser imputado a Deus, mas também não é consequência da sua conduta, pois sempre procurou ser justo e honesto diante de Deus e perante os outros. Pelo que, no final, não se encontrando uma resposta clarificadora, se aponte para o mistério insondável de Deus.

Bento XVI, em 2006, no campo de extermínio de Auschwitz remetia para o grito do silêncio e da oração: «Num lugar como este faltam as palavras, no fundo pode permanecer apenas um silêncio aterrorizado um silêncio que é um grito interior a Deus: Senhor, por que silenciaste? Por que toleraste tudo isto? É nesta atitude de silêncio que nos inclinamos profundamente no nosso coração face à numerosa multidão de quantos sofreram e foram condenados à morte; todavia, este silêncio torna-se depois pedido em voz alta de perdão e de reconciliação, um grito ao Deus vivo para que jamais permita uma coisa semelhante».

Em Auschwitz houve uma intervenção direta e criminosa do ser humano; em Pedrógão Grande, não, ainda que se venha a perceber circunstâncias que acentuaram a tragédia.

Por outro lado, agora importa ajudar as pessoas, minimizar os danos pessoais, confortar, cuidar, para que a dor e a perda não destruam (por completo) os familiares que sobreviveram. O país e o mundo, mais uma vez, respondeu rapidamente com comoção e com solidariedade, com dinheiro e com bens materiais, aos familiares das vítimas e aos Bombeiros.

Há um tempo para tudo. Para já, tempo para o silêncio, para a oração, tempo para ajudar!

Confiemos as vítimas ao Senhor. Rezemos pelos seus familiares e amigos.

 

Publicado na Voz de Lamego, n.º 4417, de 20 de junho de 2017


04
Set 17
publicado por mpgpadre, às 11:00link do post | comentar |  O que é?

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 Ao longo da Sua vida e de maneira mais clarividente na Sua Paixão e Morte na Cruz, Jesus mostra a Sua grande ligação ao Pai. É uma intimidade de todas as horas, visível nos momentos mais intensos, mais importantes e mais dramáticos. Se a Sua vida é uma oração constante, Jesus reserva tempos específicos para uma maior proximidade com o Deus: antes da vida pública retira-Se em oração para o deserto; antes de escolher os apóstolos passa a noite em oração; antes do processo da Sua morte, retira-Se para o horto das Oliveiras para orar; na Cruz mantém um diálogo vivo com o Pai: Meu Deus, Meu Deus, porque me abandonaste?! Pai, nas Tuas mãos entrego o meu espírito.

É percetível na vida de Jesus o Amor primeiro e único: o Pai. Mas é também dessa forma que Ele tem disponibilidade para as pessoas, sobretudo as mais frágeis, pois não desperdiça nem forças nem tempo com intrigas, com lamentações, com suspeição, com estratégias para Se afirmar ou para assegurar poder ou vantagem sobre os demais.

Com efeito, a soberania de Deus garante a verdadeira solidariedade entre pessoas. Garante a igualdade, a inclusão, a pessoa como "absoluto", isto é, não reduzível a mim nem descartável. Colocar Deus em primeiro lugar evita a instrumentalização e a idolatria. Se o primeiro lugar for ocupado por alguém ou pelos nossos interesses, há um risco provável de instrumentalizarmos as pessoas: importam-nos enquanto nos são úteis, são descartáveis quando não nos servem. Na mesma perspetiva, o auto endeusamento: queremos e assumimo-nos como centro do universo, tudo há de funcionar para nos servir. No inverso, não tendo Deus como Deus, que está acima e além de toda a possessão, mais tarde ou mais cedo lá colocaremos alguém ou alguma coisa, preenchendo dessa forma o lugar de Deus.

A prioridade e a precedência de Deus liberta-nos da ansiedade e da perda definitiva, pois Ele nos garante a vida. Aqueles que perdemos, pela vida, Ele os guarda na eternidade. Reconhecermos que não somos deuses, ou que alguém ou alguma coisa o é, faz-nos relativizar as perdas e os insucessos, mas também que o céu não é definitivo na vida histórica, pelo que estamos a caminho. Se acharmos que somos deuses então não poderemos repousar nem equilibrar o nosso cérebro, temos que resolver tudo. Se colocarmos essa esperança em alguém vamos exigir-lhe que resolva tudo o que queremos. Ainda bem que não somos deuses e que só Deus é Deus.

 

Publicado na Voz de Lamego, n.º 4420, de 11 de julho de 2017


03
Set 17
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Sem confiança não há vida. Ou pelo menos, vida com qualidade! Desde que nascemos que começamos a confiar. Pomo-nos de pé e confiamos que não nos deixam cair. É na base da confiança que crescemos e nos envolvemos com a família, com os amigos, com os professores, com o mundo dos adultos. Também a desconfiança tem a ver com confiança, ainda que seja resultado de algum momento em que fomos defraudados nas nossas expectativas.

As últimas palavras de Jesus são de confiança total e definitiva: «Pai nas Tuas mãos entrego o Meu espírito». Depois de longas horas de provação, Jesus permanece confiante na bondade de Deus. A provação foi violenta. Traído pelos amigos, abandonado por (quase) todos. Injuriado. Sujeito ao escárnio e aos escarros, à violência gratuita, esbofeteado e chicoteado, esgotado pelas agressões e pelo peso da cruz...

Não resta mais nada! Pai, se é possível... mas não Se faça a minha, mas a Tua vontade... Cumpra-se a vida e a história e o amor, até ao fim, sem alívio nem desculpas nem justificações.

Não temais! Vinde a Mim todos os que andais cansados e oprimidos e Eu vos aliviarei! Não temais, Eu venci o mundo! Não temais, pequenino rebanho! Eu estarei convosco até ao fim dos tempos. Ide, Eu vos envio como cordeiros para o meio dos lobos!

Há tantas situações para as quais não há uma explicação lógica. Há momentos em que apetece desaparecer. Há circunstâncias que nos tiram do sério. Gostávamos que tudo fosse clarividente! Temos de compreender que não somos Deus, mas Manuel, Artur, Maria, Antónia. Não está ao nosso alcance explicar todos os mistérios da existência. Saber que Deus é Deus e confiarmos-Lhe a nossa vida para que à noite possamos deitar e repousar com a certeza que Ele é Deus e que há muita vida e muita história em que não somos nem heróis nem deuses nem demónios, mas simplesmente pessoas, de carne e osso, com sonhos e com limitações, com sentimentos e emoções!

Precisamos sempre de colo! Da Mãe, dos amigos, da família, de quem nos prometa que vai correr bem, ainda que tenhamos de enfrentar os nossos demónios! Não estaremos sós. Temos Mãe (Papa Francisco em Fátima), temos quem nos acompanhe e nos ajude a erguer, temos um olhar e um sorriso que nos desafia, nos envolve e nos dá força, nos transmite confiança para continuar, apesar de tudo. Jesus lembra-nos que temos Pai e que temos Mãe (D. António Couto em Fátima).

Ele não nos abandona à nossa sorte.

 

Publicado na Voz de Lamego, n.º 4419, de 4 de julho de 2017


28
Out 16
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A religião tem-se imposto pelo medo, pela ameaça, pela certeza de forças ocultas, poderosas, capazes de aniquilar o ser humano para sempre. Parece que quando maior o medo e o desconhecimento, maior o número dos que engrossam as fileiras da religião.
Esta servirá para aplacar a ira dos deuses, para compensar, pelo sacrifício, as ofensas para com um deus-supremo, Juiz, Vigilante, Patrão, Todo-poderoso. 
Será sempre mais fácil dizer que os padres destroem a religião.
Quando se dispensam ou alteram certas tradições populares, logo as pessoas sublinham que os padres hão de destruir a religião. Bem entendido, nem seria assim tão mal, se estivermos a falar da religião assente mais nos méritos humanos do que na gratuidade da salvação de Deus oferecida a todos os homens.
Neste ano jubilar tem-se acentuado o atributo maior de Deus, a Misericórdia, cujo Rosto é Jesus Cristo, nas palavras e nas obras, na vida e na morte, entendida como entrega até ao fim. Na Ressurreição de Jesus, a certeza do amor de Deus e da Sua misericórdia, que está acima de qualquer limitação.
Para alguns, sublinhar demasiado a misericórdia de Deus pode levar à desconstrução da religião composta por uma série de exigências, sacrifícios, sujeita a ameaças, anúncios de cataclismos sempre e quando o ser humano não cumprir com a vontade de Deus.
Por um lado, na Igreja como em outros movimentos religiosos, sempre que nos aproximamos do fim dos séculos ou do milénio, o medo que o mundo acabe gera mais pessoas à procura da proteção da religião. Se a ameaça termina, parece que as pessoas voltam às suas vidas e se esquecem de Deus e sobretudo se esquecem das suas obrigações com a comunidade. Poder-se-á agrafar aqui a máxima, só nos lembramos de santa Bárbara quando troveja.
Por outro lado, Jesus Cristo destruiu efetivamente a religião passada e do passado. Aproximou-nos de Deus e fez com que Deus chegasse tão perto de nós que pudesse ser perseguido, maltratado, injuriado, e morto. Em Jesus, Deus assume as chagas da nossa fragilidade e as limitações do tempo e do espaço. Ao mesmo tempo, ultrapassa as fronteiras das religiões e do templo. Com Jesus, Deus está ao alcance da mão. É um Deus bom, misericordioso, compassivo. Mas quem disse que ternura não pode exigir e pressupor a justiça? A misericórdia de Deus acaricia-nos além do perdão dos pecados. Com efeito, o amor afasta o temor, como diz Santa Faustina no seu diário.
No final, prender-nos-á mais o amor que o temor!

 

Publicado na Voz de Lamego, n.º 4379, de 20 de setembro de 2016


15
Out 16
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

1 – A confiança é o chão que nos humaniza, fortalecendo os laços de amizade e de proximidade. Confiar implica-nos, por inteiro, na relação com os outros. A confiança é traduzível, no plano espiritual, pela fé. Fé e confiança são faces da mesma moeda. Confiamos porque temos fé. A fé exige de nós a confiança n'Aquele em quem depositamos a nossa esperança, a nossa vida.

A persistência exige a fé e a confiança. Persistimos porque confiamos que seremos atendidos.

No domingo passado, Jesus lembrava a fé e a gratidão. Dos 10 leprosos curados só um volta para agradecer a Jesus, louvando a Deus. Jesus sublinha o poder da fé: «Levanta-te e segue o teu caminho; a tua fé te salvou».

A fé hoje leva-nos à confiança e à persistência. O discípulo é aquele que não desiste. É conhecido um ditado sobre a santidade: santo é um pecador que não desiste. Discípulo é aquele que acredita no Deus bom e fiel revelado em Jesus Cristo, mesmo e apesar de todos os contratempos que vai experimentando na sua vida.

Isso mesmo diz Jesus aos seus discípulos sobre a oração e a necessidade de perseverar: «Em certa cidade vivia um juiz que não temia a Deus nem respeitava os homens. Havia naquela cidade uma viúva que vinha ter com ele e lhe dizia: ‘Faz-me justiça contra o meu adversário’. Durante muito tempo ele não quis atendê-la. Mas depois disse consigo: ‘É certo que eu não temo a Deus nem respeito os homens; mas, porque esta viúva me importuna, vou fazer-lhe justiça, para que não venha incomodar-me indefinidamente’».

A fé não é fácil, sobretudo quando as dificuldades e os problemas se avolumam. Todos queremos rapidamente ultrapassar os momentos de treva, de dor, de aflição. Mas nem sempre é como desejaríamos. A fé leva-nos a colocar em Deus a solução da nossa vida. E parece que Deus não ouve o nosso clamor. Jesus acrescenta: «Escutai o que diz o juiz iníquo!... E Deus não havia de fazer justiça aos seus eleitos, que por Ele clamam dia e noite, e iria fazê-los esperar muito tempo? Eu vos digo que lhes fará justiça bem depressa».

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2 – «Mas quando voltar o Filho do homem, encontrará fé sobre a terra?».

Jesus dá como adquirido a eficácia da oração. Deus responderá, não como juiz, mas como Pai de Misericórdia. Deus justifica-nos, respondendo às nossas preces e anseios. Em contrapartida, preservaremos na fé? Ou desistiremos nas primeiras dificuldades? Confiaremos como Abraão, como Job, como Jesus, além de toda a esperança?

A experiência dos apóstolos ao tempo de Jesus é titubeante. Até ao fim. O medo apodera-se deles. Pedro nega-O por três vezes. Judas trai-O gratuitamente! Os demais fogem a sete pés. Na manhã de Páscoa tudo recomeça! Um novo dia. Uma vida nova. Um tempo novo. Uma nova oportunidade. Jesus está vivo e aparece a Maria Madalena. Aparece às mulheres! Mas continuam incrédulos. Aparece aos discípulos de Emaús. Pedro e João vão ver com os próprios olhos o que se passa no túmulo de Jesus. Nesse dia, Jesus colocar-Se-á no meio deles. Como antes! Como depois. Como nunca! Tomé faz a experiência do não-encontro ou do desencontro. Está fora. Está longe. Não está na comunidade! E não vê Jesus! Não O vislumbra nem nas palavras nem no deslumbramento dos outros discípulos! Verá depois, quando Jesus novamente Se colocar no meio, com as palavras com que deles se despediu, com o sinal dos cravos nas mãos e nos pés e as feridas das lanças! E então, nova luz, Tomé faz a experiência de encontro com Jesus, vivo, ressuscitado, presente na comunidade!

A fé transforma-os, o encontro com Jesus Ressuscitado agrafa-os ao anúncio do Evangelho. Porém, haverá outras vezes e outros momentos em que a fé há de vacilar, na perseguição sem tréguas, nas divisões dentro das comunidades, nos conflitos e contendas.


Textos para a Eucaristia (C): 2 Reis 5, 14-17; Sl 97 (98); 2 Tim 2, 8-13; Lc 17, 11-19.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE


25
Ago 16
publicado por mpgpadre, às 15:01link do post | comentar |  O que é?

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       Os tempos conturbados, sob ameaça constante do terrorismo, não trazem originalidade, a não ser pela extensão, pela globalização rápida da violência, pela generalização e visualização das agressões, das mortes… há desculpas e justificações que se repetem e há fundamentalismos que não olham a meios.
       O terrorismo é surpreendente. Atualmente é levado a cabo sem precisar de muita organização ou preparação. Acontece em qualquer lugar, a qualquer hora, sem qualquer suspeita. O vizinho do lado. Um membro da família. Alguém que frequenta os mesmos espaços culturais, sociais e lúdicos.
       Violência sempre existiu. Houve momentos na história em que as trevas fizeram perigar a luz e a esperança. Numa guerra convencional há algumas regras. Só se atacam os exércitos ou locais de armamento. Civis, mulheres, crianças são para proteger. Sabe-se quem são os beligerantes. O terrorismo não respeita ninguém, nenhuma regra, nenhuma conduta, nenhuma trégua.
       A desculpa da religião existiu no passado, por exemplo, nas Cruzadas, levadas a cabo pelos países católicos para “evangelizar” os países muçulmanos; a caça às bruxas nos países evangélico-protestantes. A luz que se queria impor afinal eram trevas que impediam a verdadeira luz, inclusiva, promotora da verdade, da paz, da justiça, do respeito pelos outros, pela sua cultura e pela sua idiossincrasia e bem longe da postura de Jesus.
        O Papa Francisco, por ocasião das Jornadas Mundiais da Juventude, voltou a insistir que as religiões promovem a vida, a paz e concórdia. Há grupos fundamentalistas islâmicos, como há grupos católicos fundamentalistas. Há que procurar a paz. Lutar pela justiça. Usar de misericórdia.
       A violência confunde. A ameaça constante traz insegurança e incerteza.
        A Europa continua a dizer-se cristã. Já pouco. Os símbolos cristãos foram escondidos, privatizados, disfarçados e assim muitas manifestações culturais que pudessem beber na fé, na religião, no evangelho. Deus morreu com Nietzsche, mas também com muitos líderes políticos, sendo substituído pelo relativismo, pela indiferença, pela igualdade de ideologias, de géneros, de religiões… uma mixórdia onde vale tudo. A Europa (e o Ocidente), cada vez menos cristã, foi uma civilização inclusiva, com muitos pecados ao longo dos tempos, mas que promoveu a inculturação. Hoje, em qualquer cidade, por mais pequena que seja, há pessoas de várias cores, religiões, etnias…
       É sempre necessário a vigilância e o cuidado para que prevaleça a vida, a verdade, a solidariedade, a inclusão de todos e especialmente dos mais frágeis. O medo que se está a implantar é contrário a uma civilização integradora, capaz de respeitar e até promover as diferenças, sem as anular ou esquecer.
 
Publicado na Voz de Lamego, n.º 4375, de 9 de agosto de 2016


13
Jun 15
publicado por mpgpadre, às 18:16link do post | comentar |  O que é?

1 – A vida sempre nos escapa no seu admirável mistério.

Não é possível controlar todos os movimentos da vida. Podemos levar uma vida certinha, alimentar-nos de forma saudável, praticarmos desporto, tentarmos que os sentimentos não nos traiam nem nos levem por caminhos que previamente não escolhemos e, de repente, uma situação inesperada altera a nossa vida, uma doença, a morte de um familiar, mudança no trabalho, uma palavra ou um gesto que nos magoou! No lado oposto, deixarmo-nos levar como as folhas de outono pelo vento e, então, qualquer brisa nos despedaçará.

O equilíbrio é um caminho possível para absorver a beleza e a alegria da vida.

A vida, em definitivo, não se escreve a preto e branco. Saber para onde caminhamos, saber o chão que pisamos e o que nos faz viver, poderá ser importante para acolhermos as surpresas da vida! Importa que sejamos suficientemente maleáveis para lidar com situações adversas, convictos que nunca estamos preparados para tudo.

Não nos deixemos paralisar com o medo do futuro, com aquilo que virá, de bom ou de mau. Vivamos hoje com toda a garra que nos é possível. Se esperamos pelas possibilidades de amanhã poderemos nunca viver as realidades de hoje .

Para os cristãos há uma segurança definitiva: Deus.

A confiança pressupõe uma dose de abandono, exigindo, por vezes, fazer como a criança quando se lança para os braços do pai ou da mãe, confiando que vai ficar seguro…

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2 – As parábolas de Jesus mostram uma profunda certeza: Deus cria e recria o mundo constantemente, mesmo quando tudo parece silencioso, inócuo, sem movimento.

«O reino de Deus é como um homem que lançou a semente à terra. Dorme e levanta-se, noite e dia, enquanto a semente germina e cresce, sem ele saber como…

É como um grão de mostarda, que, ao ser semeado na terra, é a menor de todas as sementes que há sobre a terra; mas, depois de semeado, começa a crescer e torna-se a maior de todas as plantas da horta…»

O reino de Deus não é fruto do ocaso. Na primeira parábola, a semente lançada à terra, noite e dia vai produzindo o seu efeito sem intervenção humana, desponta, desabrocha da terra, cresce, produz a espiga e depois o trigo maduro. Assim o mundo se mantém apesar de tudo, da noite e do dia, das violências e das guerras. Deus tudo sustenta. Ele dá-nos a semente (a Palavra de Deus), o campo (o mundo, as pessoas) e o fruto (todo o bem que se possa realizar)! Mas conta connosco. Para preparar a terra, lançar a semente, vigiar para que os pássaros ou outros animais não destruam a sementeira, arrancar algumas ervas daninhas quando ainda é possível sem arrancar também o trigo (cf. Mt 13, 24-30) sobretudo o trabalho da ceifa e da colheita. Deus conta comigo e contigo, conta connosco, para construir com mais amor a família de Deus.

A segunda parábola explicita a esperança. O que é pequeno ao nosso olhar, em Deus tornar-se-á abundante, imenso, maior.

 

3 – A vida sem Deus é nada, o nada com Deus é tudo. Em alternativa, o vazio, o acaso, as coincidências e os destinos, o mundo que nos controla, nos sujeita e nos absorve, aniquilando a nossa memória, a nossa vida por inteiro. Caímos à terra e nada mais. Tornamo-nos pó. Pó somente. E por mais romântico que possa parecer, apelando para a nossa humildade ou indigência, ninguém quer ser apenas pó, desaparecendo para sempre, até da memória dos entes queridos, pois também os que perdurarem hão perecer e com eles desaparecerá qualquer vestígio da nossa existência... fiquem árvores ou filhos ou livros, mas nós não ficaremos. Nada de nós sobrevirá à nossa morte!

Só Deus garante que não seremos apenas pó, ainda que do pó nos tenha chamado à vida, com o Seu Espírito. Voltaremos à terra, mas em Deus não ficaremos enterrados, esquecidos, abandonados aos bichinhos. Como a Jesus, Deus ressuscitar-nos-á, fará surgir um rebento novo, nova vida.

_______________________

Textos para a Eucaristia (B): Ez 17, 22-24; Sl 91 (92); 2 Cor 5, 6-10; Mc 4, 26-34.

 

Reflexão Domincial COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso blogue CARITAS IN VERITATE.


01
Fev 13
publicado por mpgpadre, às 10:00link do post | comentar |  O que é?

       Ao completar o primeiro ano à frente da Diocese de Lamego, D. António Couto proferiu uma conferência sobre a correlação Fé e Ciência. No passado dia 28 de janeiro, no Centro Pastoral de Almacave... A entrada na Diocese foi há um ano, no dia 29 de janeiro de 2012.

 


13
Out 12
publicado por mpgpadre, às 10:00link do post | comentar |  O que é?

María de Villota - 32 anos - era piloto de Fórmula 1. Apaixonada pela velocidade e pelos carros, conseguira atingir o seu sonho. Era a única mulher num mundo dominado por homens. Um dia teve um acidente grave e azarado: regressando dos testes na pista - sem que se perceba porquê - acelerou e embateu contra a traseira de um camião. Na altura pensou-se que teria a vida em risco. "María, te hemos salvado la vida... pero tenemos que decirte que has perdido el ojo" - disse-lhe o médico, depois da operação. "Usted es cirujano?" - respondeu María - "… y usted necesita dos manos para operar? pues yo soy piloto de Fórmula 1 y necesito dos ojos!…". Passados três meses de recuperação, em conferência de imprensa, partilha com todos a transformação interior que sofreu: "…te dás cuenta que ves más que antes… porque yo antes sólo veía la Fórmula 1, sólo me veía encima de un coche compitiendo, y no veía lo que era realmente importante en la vida; la claridad de decir "joder, estoy viva" y que en ese momento no estaba valorando lo más grande que es que esa persona que estaba allí me haya salvado"; "este ojo me ha devuelto el Norte; me ha devuelto lo importante"; "esta nueva oportunidad la voy a vivir al cien por cien"; "hoy cuando me miro al espejo estoy orgullosa porque realmente pienso que mi aspecto actual dice más de quién es María de Villota"; "llevo mi historia y la llevo con mucho cariño y orgullo". Mais nada.

 

 

[Fotografia de GrandPrixMotoriOnline]


10
Set 12
publicado por mpgpadre, às 15:55link do post | comentar |  O que é?


27
Abr 12
publicado por mpgpadre, às 10:12link do post | comentar |  O que é?

       Casa de Nazaré, casa bendita, casa onde se fala ao coração: o amor sob cada silêncio, a esperança sob cada medo, a poesia dos gestos quotidianos, os olhos simples sobre as coisas, o instante que empalidece no eterno e o eterno que germina em cada instante. Casa: onde é possível encontrar Deus nos gestos.

       Casa de trabalho e de repouso: «Em paz me deito e adormeço tranquilo nos braços de Deus» (cf. Sl 3,6; 4,9). Quase um terço da vida nos braços de Deus.

       Casa onde se fala ao coração. Jesus é o mais forte (Mc 1,7), diz João Batista: porque é o único que fala ao coração do homem, que toca o centro do humano. O profeta antigo invocava: «Falai ao coração de Jerusalém» (Is 40,2). Quantas vozes falam à nossa volta: muitos falam aos instintos do homem e fazem ressoar somente as suas cordas mais graves; poucos falam à sua inteligência e ajudam-no a compreender. A voz de Deus é a única que fala ao coração e atinge o centro do homem. Esta é a sua força...

 

       Naquela casa aprendeu a palavra. Cada menino que nasce, ainda antes de começar a compreender, é alimentado com palavras, cumulado de palavras. De repente, os seus pais falam-lhe e não para lhe fornecer noções. Introduzem-no na vida, levam-no com braços de palavras, introduzem-no no seu amor à força de palavras. Torna-se humano este mar de palavras.

       Isto fará a Palavra de Deus connosco: faz-nos humanos, conduz-nos à vida, introduz-nos naquele amor que é a vida de Deus.

 

ERMES RONCHI, As casas de Maria


24
Fev 12
publicado por mpgpadre, às 19:30link do post | comentar |  O que é?

Carpe Diem. Vive o presente.
Cada dia tem as suas próprias preocupações.
O tempo não volta, gastemo-lo bem. Foi-nos dado gratuitamente.

Vive hoje, sem a ansiedade e o medo paralisante do futuro.
O futuro só a Deus pertence. Deus providenciará.
Façamos a nossa parte, o que está ao nosso alcance.
Não esperemos pelo amanhã para viver, para nos comprometermos, para modificarmos na nossa vida o que sabemos nos levará a bom termo. Nem esperemos pelo ontem que já foi.

CARPE DIEM:
A expressão popularizada é da autoria de Horácio, poeta romano (65-8 a.C.). Segundo a Wikipédia, quer dizer: "Colhe o dia presente e sê o menos confiante possível no futuro".
A expressão no contexto: "Enquanto estamos falando, terá fugido o tempo invejoso; colhe o dia, quanto menos confiada no de amanhã".

Jesus, no Evangelho, desafia os seus discípulos a viver no tempo atual, presente, sem medo do amanhã, confiando em Deus, mas não deixando a vida ao acaso, empenhando-se na edificação do Reino de Deus e da Sua justiça. O mais providenciará Deus.
"O vosso Pai celeste bem sabe que tendes necessidade de tudo isso. Procurai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais se vos dará por acréscimo. Não vos preocupeis, portanto, com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã já terá as suas preocupações. Basta a cada dia o seu problema" (Mt 6, 33-34).
Depois de ensinar a oração do Pai-nosso, referindo que não é o número das palavras que conta, mas a disponibilidade para acolher o Deus que vem e de realizar na sua vida quotidiana a vontade de Deus, Jesus insiste para que os seus seguidores, embora de olhar fito nas alturas, estejam comprometidos com os irmãos no tempo que passa.

A expressão anterior - carpe diem - é utilizada em vários sentidos: "gasta a vida enquanto podes", "aproveita enquanto és novo", "goza agora que não sabes o dia de amanhã". Neste sentido pode ser mesmo um convite a desperdiçar o tempo presente, como se o de amanhã nos fosse roubado. É uma expressão para justificar também os excessos...
Mas é o mesmo Deus que nos garante o dia de hoje e o dia de amanhã.
Num sentido cristão, este é um convite a "desfrutar" com alegria o dia de hoje, a potenciar a nossa vida, a comprometer-nos agora, a dar-nos aos irmãos, a realizarmos o que está ao nosso alcance sem esperarmos que outros o realizem, ou que com o tempo alguém se lembre de fazer ou de resolver.

O tempo que não volta...
Ainda que haja situações idênticas, o tempo e a história não e repetem. Por mais que quiséssemos e por mais esforços que façamos o passado não volta. Não nos pertence.
Somos e (re)conhecemo-nos pelas referências aos tempos idos. Somos pessoas, com memória, com raízes, como já vimos por aqui... Não é possível a pessoa de hoje, sem a de ontem, e até mesmo sem se projetar no amanhã. Aliás, se menosprezássemos o passado, a história, seria uma enorme ingratidão para com as pessoas que nos precederam. A história não se compadece com os ingratos, a anulação da memória destrói a vida da pessoa, da família e da comunidade.

A melhor gratidão que prestamos à história e aos nossos antepassados, é a abertura ao futuro, à novidade. Eles rasgaram horizontes que nos permitem viver com muita comodidade, uns mais que outros. Puseram os seus talentos a render. Preparam o futuro (que é o nosso presente) com o seu engenho e esforço. Hoje cabe-nos a nós.
Não sejamos reféns do passado, parasitas do tempo. O tempo não pára. Não volta. O tempo atual é nossa, é graça de Deus. Não esqueçamos os que vieram antes e o que nos legaram. Agora é a nossa vez de construir e preparar o nosso futuro e o futuro dos vindouros.

Vivamos o hoje com alegria e confiança. Aguardemos que o amanhã nos dê a oportunidade de cimentarmos o que hoje semeamos.
Obviamente que a esperança no amanhã, e o compromisso com o hoje, não esconde a dificuldade que muitos têm de enfrentar. Pessoas com situações pessoais, familiares, profissionais preocupantes, sem horizonte, sem um vislumbre de segurança.
Porém, há situações que uma atitude de desânimo não ajuda, pelo contrário só complica o que já de si é complexo e delicado.

NB - Vive hoje com intensidade, sendo generoso consigo e com as pessoas que lhe estão mais próximas. A página que não preencher hoje, não a terá amanhã. Amanhã terá uma página inteirinha para escrever.


10
Fev 12
publicado por mpgpadre, às 19:30link do post | comentar |  O que é?

OUVIR, FALAR, AMAR.

A Compreensão é a única força de mudança.

Hoje partimos do título de um livro da conhecida jornalista e escritora Laurinda Alves, à conversa com o Pe. Alberto Brito, sacerdote jesuíta (sj), edição da Oficina do Livro. É um dos livros que recomendámos nas nossas notas do facebook.

A Laurinda Alves não precisa de apresentação, mas para quem desconhece pode sempre consultar o seu blogue pessoal: Laurinda Alves - A Substância da Vida.

O Pe. Alberto Brito orientou - esta é uma nota mais pessoal -, o nosso retiro de diaconal e sacerdotal. Melhor dizendo, em Agosto de 1998, eu, e os colegas padres, António José Ferreira, Leontino Alves, e José Manuel Correia, realizamos o retiro de preparação para "recebermos" os sacramentos da Ordem, eu de Diácono e eles de Presbítero, ainda que os 4 sejamos do mesmo curso de Seminário, mas por opção adiei um pouco mais...
Lembro-me perfeitamente de uma das conversas finais, na casa dos Jesuítas em Braga, com o Pe. Alberto. Disse-lhe claramente, e no que dizia respeito a avançar para o sacerdócio, que não tinha tirados dúvidas, pelo contrário, levava/trazia mais dúvidas, mais questões. Ao que ele respondeu - corresponde a respostas dadas também no livro/entrevista com Laurinda Alves -, que não tinha mal, por que as dúvidas me acompanhariam ao longo de toda a vida e que era benéfico quando as pessoas se interrogam, mesmo que não tenham respostas para tudo. Mas mesmo que as dúvidas persistam, a maturidade levar-nos-á a tomar uma opção. Sem medo.

Deixemos esta perspetiva mais pessoal (mas se calhar foi uma das razões que mais rapidamente me levaram a decidir comprar o livro, embora seja leitor da Laurinda Alves), para nos fixarmos nestas três palavras, ou três realidades importantes na nossa vida.

Ouvir/escutar, "porque ouvir os outros é a maior escola da vida". Escutar com o coração, prestar atenção não apenas ao que a pessoa diz e à sua história de vida, mas à pessoa em si mesma. Diz o Pe. Alberto que se nos fixarmos apenas nas histórias das pessoas e não nas pessoas, ficamo-nos pela fofoquice. Ficar-nos-íamos pelo ouvir, como se estivéssemos a ouvir um rádio e não uma pessoa concreta.

Falar. É assim que a comunicação acontece, é "a comunicar e a dialogar que nos entendemos e que se constroem relações". Temos uma boca e duas orelhas/ouvidos. Escutámos com interesse, a história da pessoa, mas sobretudo escutar com atenção o que a pessoa é, o que a pessoa sente, o que a pessoa vive, ouvindo o seu grito, o seu desabafo, acolhendo a sua partilha. Pode não ser fácil... queremos falar mais que escutar... queremos que alguém nos escute, nos compreenda, que por vezes esgotámos o tempo com as nossas palavras e não escutámos a pessoa que está diante de nós, como apelo e desafio. Quem não ouve, ou não quer ouvir, corre o sério risco de ficar a falar sozinho.

Amar, "porque é a partir da aceitação de nós próprios e dos outros que tudo é possível". Escutámos a pessoa, comunicamo-nos como irmãos, para acolhermos e aceitarmos os outros, aceitando-nos também a nós como pessoas, cidadãos, filhos de Deus. Como diz o Pe. Alberto, o que nos separa e divide não são as ideias ou as crenças, mas os sentimentos. O maior desejo do ser humano, de todo o ser humano, é amar e ser amado. E o maior medo é ser rejeitado pelo(s) outro(s). A escuta e a comunicação visam aproximar-nos dos outros, com amor, com paixão, celebrando a vida.

Enquadra-se aqui outra realidade: a compreensão. "As pessoas quando se sentem compreendidas, mudam". É o que pode resultar da escuta que ama, das palavras que se tornam comunicação amistosa, dos sentimentos que se partilham e se acolhem.

Seja/sê ouvinte (escutador não tanto de estórias, mas das pessoas que estão perto de ti); fala do que te vai na alma; confia, estimulando os outros à confiança, a libertarem-se do medo; ama, com toda a tua alma, faz do(s) outro(s) a tua casa, o teu refúgio, tendo sempre como horizonte originário e final o Senhor Deus.


08
Fev 12
publicado por mpgpadre, às 19:30link do post | comentar |  O que é?

Curiosidade «» dúvida «» humildade «» confiança «» sabedoria.

A humildade coloca-nos na rota de Deus e dos outros, abre a nossa mente, o nosso coração, a nossa vida, às qualidades, dons e sabedoria que nos chega através dos outros, do mundo, das experiências, inspirações, dos conselhos, da sabedoria popular, da leitura, do encontro com pessoas, da vivência partilhada da existência.
Mas com a humildade relacionam-se outras propriedades que são importantíssimas para cresceremos como pessoas, cidadãos, crentes, procurando que a sabedoria ilumine as nossas escolhas, projetos, os nossos sonhos, e nos faça acolher o inevitável e transformar o que está ao nosso alcance.
Sábio não é o que sabe tudo, o que sabe mais coisas. Sábio é aquele que está sempre disponível para aprender, para acolher, para amar, para ser amado, para ser instrumento de ligação aos outros, ao mundo e a Deus. Sábio não é o que tem um curso superior, ou tem muitos contactos, que tem um canudo, ou viajou pelo mundo inteiro. Sábio é o que quer escutar os outros, quer compreender o mundo à sua volta, que dispõe a sua vida para acolher o mistério que vem do alto, que vem de Deus. Sábio é o que reconhece os seus erros e ainda assim caminha. É o que não desiste, mesmo que por vezes tenha que recuar, recomeçar, voltar a tentar. Sábio é aquele que reconhece que está a caminhar, que ainda não chegou à meta, que ainda está longe. Sábio é aquele que se dispõe a servir a Verdade. Sábio não é o que não peca. Sábio é o que está disponível para acolher o perdão.
Sábio é o que se deixa encantar com as pequenas coisas da vida, momentos sublimes do nascer ou do por do sol, o sorriso de uma criança ou os malabarismos de um gato. Sábio não é aquela pessoa séria, sisuda, que dita sentenças. Sábio é aquele que sabe rir de si mesmo, e sorrir diante dos seus disparates, e que procura estar atento a tudo o que o rodeia.
Sábio não é o que atingiu um grau de conhecimento superior, ou está moralmente acima de qualquer suspeita. Sábio é aquele que cultiva a arte da dúvida, da curiosidade, da interrogação, que está sempre em busca, procurando aprender com tudo e com todas as situações.
O sábio não e aquele que não muda porque atingiu a perfeição. Embora um provérbio chinês diga que só não mudam os sábios e os estúpidos. Coloquemo-nos entre uns e outros, a caminho... Sábio é, antes, aquele que procura aperfeiçoar todos os aspetos da sua vida e mantém aberta a mente para acolher situações novas e poder contribuir para a transformação do mundo.

A curiosidade na criança é o ponto de partida para aprender, para descobrir, para compreender o mundo que a rodeia. Sem curiosidade não haveria conhecimento, muito menos haveria sabedoria.
Sublinhe-se de novo que o sábio não é o que não tem dúvidas, mas aquele que vive nas dúvidas, procurando ser feliz e contribuir para a felicidade dos outros, fazendo a ponto. A dúvida é específica do ser humano. Somos ser inacabados, Mas que beleza, como somos inacabados temos a oportunidade de crescer sempre mais, até ao Infinito, até à eternidade de Deus.
Sábio não é aquele que tem respostas para tudo, mas aquele que questiona (quase) tudo, que se interroga constantemente e ao mundo que o rodeia.
Sábio não é aquele que tem todas as certezas, mas aquele que não se deixa abater pelas dúvidas e incertezas e procura acertar o seu caminho, para o sábio cristão, procura acertar o seu caminho pelo de Jesus Cristo.

Maria interroga o Anjo quando este lhe anuncia que vai ser Mãe do Filho de Deus: "Como será isto se não conheço homem?"
A interrogação faz parte da procura, da escuta, do nosso peregrinar.

A humildade trabalha lado a lado com a sabedoria. A arrogância e a sobranceria, o orgulho individualista, o egoísmo levam à morte, à destruição, à solidão. A sabedoria não afasta, não isola. O sábio não é aquele que se fecha no seu casulo, como se estivesse num patamar superior, imperturbável. Sábio é aquele e aquela vive com os outros, procura os outros, procura superar as suas dúvidas, procura amar, deixa-se amar, procura a beleza, a alegria, e sabe que a sua fragilidade é um ponto de contacto com a humanidade e não um estorvo.

"Só sei que nada sei... e quanto mais sei, mais sei que nada sei". É o ponto de partida do sábio grego Sócrates. É o ponto de partida de Descartes. Há de ser esta a nossa sabedoria, quanto mais caminhamos mais a certeza que estamos distantes da perfeição, da santidade, da sabedoria. Isso não nos desanima. Pelo contrário, é sinal de jovialidade, ainda há caminho a fazer na nossa vida.

Mais tarde ou mais cedo, a curiosidade leva-nos à interrogação, a dúvida leva à humildade, esta à abertura ao outros, à aceitação dos dons do outro, leva a uma atitude de confiança, de despojamento, de entrega, de acolhimento.

Não tenhamos medo da dúvida. Não receemos que a humildade nos possa despojar da nossa identidade. Não cessemos de buscar - peregrinos da verdade... Podemos ser sábios, não por sermos melhores que os outros, ou termos mais conhecimentos práticos ou científicos, podemos ser sábios quando a nossa alma se despoja de preconceitos e se abre aos outros, pronta para a amar e acolher o amor dos outros e do Outro (Totalmente Outro »» Totalmente Próximo)


12
Jan 12
publicado por mpgpadre, às 19:30link do post | comentar |  O que é?

PAI-NOSSO que estais na terra.
Pai-nosso aberto a crentes e a não crentes.
José Tolentino Mendonça, sacerdote poeta.
Pai-nosso que estais na terra é mais um título e mais um livro do Pe. Tolentino.
Deus é Pai, isso nos diz claramente Jesus Cristo.
Em definitivo um Pai que nos acompanha na terra.
Ainda continuamos a olhar para Deus como Juiz, poderoso e distante, alheio ao mundo e ao homem, como que sentado em Seu trono de onde comanda a vida do universo inteiro, mas alheio e despreocupado.
A oração do Pai-nosso é um exemplo simples, envolvente, com que Jesus nos ensina a rezar, mas também a tratar Deus por Pai, pedindo-Lhe que atenda às nossas necessidades.
O Pe. Tolentino Mendonça, para quem conhece, para quem o lê, habitou-nos a uma linguagem simples, envolvente. Também na reflexão que faz da ORAÇÃO que Jesus reza connosco.
A prioridade é DEUS. Iniciamos a oração dirigindo-nos ao Pai, do Céu e da terra, que está em toda a parte. É Pai de todos. Em causa, nesta oração, está sobretudo Deus e a imagem que temos de Deus.
Reconhecer Deus como Pai nosso, é reconhecer a Sua proximidade e a nossa pertença comum.
Rezar o Pai-nosso, assumi-lo, implica-nos na prática do bem e da caridade, reconhecendo que somos irmãos. Não pedimos para Deus nos resolver os problemas, mas para que seja nosso alimento, dando-nos força e discernimento para vivermos no caminho do bem.
Eis que venho, Senhor, para fazer a Vossa vontade.
É a oração e a opção de vida de Jesus.
Ele vai à frente como Bom Pastor.
Nós seguimos na Sua peugada.

Quando nos faltam as palavras... Ele continua a escutar o nosso coração.
Quando já nem no silêncio percebemos a Sua presença, Ele continua a visitar-nos.
É o nosso alimento. A vida de Cristo é a plenitude da entrega, do amor de Deus por nós. Também ali, no alto da Cruz, com Jesus nos sentimos desamparados - porque Me abandonaste? Também nós temos vontade de dizer - se é possível afasta de mim este cálice!
Mas também com Jesus aprendemos a colocar-nos nas mãos de um Pai que nos quer bem: faça-se a Tua vontade.
Ele mesmo Se torna o nosso pão de cada dia.

O PAI está no início da oração do Pai-nosso, o MAL está no fim.

Quanto mais nos afastamos de Deus, do Pai, mais nos aproximamos do mal. Lembremo-nos da parábola do Filho pródigo. De repente, o apelo de um mundo longe do Pai,... até ao dia em que se apercebe que a distância faz perigar a sua vida. Afinal a felicidade estava mesmo ali, em casa, junto do Pai.
Também a nossa vida está segura junto ao Pai, de todos nós. Ele que não fica no Céu distante, mas está em toda a terra que sustenta os nossos pés, o nosso andar.
Deixemos que Ele seja verdadeiramente o nosso Pai. Vivamos nessa certeza. Alimentemo-nos desta pertença e quando nos faltarem as forças, quando não tivermos palavras, que o nosso coração possa ainda balbuciar: PAI, que estais na minha vida, vinde, socorrei-me e salvai-me, para que não me perca nas distâncias da vida que me dás e renovas constantemente a Tua vida em mim.


11
Jan 12
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Só Deus é Deus.
Deus e a idolatria.
Religião e Maçonaria.
(Im)perfeição humana: ilusão e desilusão.
Só Deus é Deus. Só a Deus devemos considerar Deus. Só a Ele a nossa adoração.
O ser humano, por mais perfeito que seja, é sempre humano, limitado e finito.
A Sagrada Escritura diz-nos que Deus criou o ser humano pouco abaixo dos anjos, criou-os para se tornarem deuses. Mas a mesma Bíblia faz uma clara separação de águas. Deus é Transcendente, Criador. O ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus, é chamado à comunhão com Deus, a aperfeiçoar-se, a assemelhar-se a Deus, com a mesma capacidade de amar e ser amado.
Por um lado, a nossa identidade liga-nos a Deus, trazemos em nós os gérmenes do divino. Por outro lado, vem ao mundo para nos ensinar a viver humanamente.
Se reconhecermos que esta ou aquela pessoa, esta ou aquela ideologia, podem ser absolutizadas, embarcamos no que se chama idolatria. Esta pode referir-se a adoração de uma pessoa, de uma ideologia, de um aspeto da vida.
Quando se exclui Deus, facilmente, assim pensamos, se substitui por outro Deus, por outro absoluto. Se olharmos para a história, os que foram endeusados ou que se endeusaram, tornam-se ditadores, assassinos, corruptos, violentos. E assim também, o foram em nome de ideologias.
Reconhecer que só Deus é Deus e que o ser humano é ser humano ajuda também a viver as nossas relações humanas com mais facilidade. Havemos de olhar para o outro como rosto de Deus, para o respeitarmos, para o amarmos. Mas sem absolutos. Continua a ser pessoa. Em qualquer altura pode errar. Errar é humano.
Religião e maçonaria.
Deixando de lado as polémicas que se têm acentuado, com maçonaria que considera a religião como ponto de partida e de chegada e a maçonaria a-religiosa, laica, dois pontos de contacto importantes:
a) Ordem existente. Reconhecimento de "ALGO", Alguém. Pode recusar-se Deus, e as estruturas e dogmas e ritos que orientam as religiões tradicionais, mas vai-se a ver e afinal a maçonaria tem regras bem rígidas (ou dogmáticas), estruturas formais, ritos rigorosos, degraus, hierarquia, estruturas de obediência e de poder.
b) Na Igreja, na maçonaria, nos grupos, em movimentos, associações, fundamentadas em regras voluntariosas, mas que se concretizam muitas vezes na imposição. Quando a tentação do poder ultrapassa o serviço ao semelhante, à sociedade, aos mais frágeis, os fins para os quais surgiram desaparecem. Importa, também aqui, a vigilância, a atenção, para não se "cair" rapidamente naquilo que se procurava combater. É necessário um discernimento constante.

Do que se disse até aqui, um outra acentuação.
Reconhecer Deus como Deus - só Ele é perfeito - reconhecer o ser humano na sua imperfeição e finitude, para viver saudavelmente com os outros.
Se apostarmos na perfeição de alguém, mais cedo ou mais tarde, podemos magoar-nos profundamente. A pessoa não é Deus. Não é omnipotente, todo o poderoso, omnisciente, omnipresente.
Quando pensamos que nos encontramos diante de uma pessoa perfeita devemos saber que poderemos estar diante de uma pessoa boa, generosa, humilde, honesta, mas não diante de alguém infalível.
Podemos iludir-nos, porque procurávamos alguém assim, alguém perfeito, alguém que superasse a nossa imperfeição, ou nos completasse, alguém que não nos desiludisse, alguém em quem não se encontrassem os defeitos e as limitações que tínhamos encontrado no passado. Mas a ilusão pode dar lugar à desilusão, à mágoa.
Augusto Cury lembra-nos para não depositarmos demasiada confiança nas pessoas.
Não significa que não se aposte nas pessoas, ou que não se confie nelas, mas não ao ponto de as considerar como a Deus, pois na volta a mágoa poderá ser destrutiva.
Há que confiar, vivendo humanamente, na procura pela superação, pedindo a Deus o discernimento para escolhermos o que nos liga aos outros, o que nos realiza como pessoas, e como filhos de Deus.


08
Jan 12
publicado por mpgpadre, às 16:56link do post | comentar |  O que é?

8.º DIA da nova criação.
A criação fica completa ao 7.º dia.
Como víamos ontem. o sete tem o significado, no mundo judaico, de perfeição, plenitude. Para nós cristãos, existe o 8.º dia da nova criação, que coincide com o primeiro dia da semana. Jesus ressuscita no primeiro dia da semana, é um tempo novo, com Ele, com a Sua ressurreição, despontam os novos céus e a nova terra, como lugar de encontro com o melhor de nós mesmos, Jesus coloca a nossa humanidade à direita de Deus Pai, de onde nos atrai.
Nas grandes solenidades celebramos a Oitava - Natal, Páscoa - oito dias como se um só dia se tratasse, sublinhando a grandeza do nosso dia na presença de Deus.
Este 8.º dia do ano, coincide com o Domingo (oitavo e primeiro dia da semana: nova criação, no seu primeiro dia).
Em Portugal, a Igreja celebra a Epifania do Senhor, a adoração dos Magos diante do Menino Deus, do Deus que Se faz Menino.
Oito dias, oito desafios que os Magos nos colocam (vd a nossa proposta de reflexão para este dia).

 

1. Abertura aos outros.

Os Magos, sábios daqueles e estes tempos, são pessoas atentas, despertas, disponíveis para ouvir, para aprender, para descobrir "coisas" novas. Não olha apenas para si mesmos. Se assim fosse não veria a luz de uma nova estrela no Céu. Olham para as alturas, para o infinito.

Quando nos fechamos, debruçando-nos sobre nós próprio, individualmente ou mesmo como família (de sangue), desligados de todas as comunidades, quando chega a "tragédia" - pode ser a doença, a solidão, a perda de alguém - não há casa onde refugiarmos o nosso espírito, um ombro amigo, um lugar de paz e de encontro, de refúgio.

2. Caminhar. O caminho faz-se caminhando.
Com os Magos aprendemos a sair do nosso espaço de conforto para irmos ao encontro dos outros, imiscuindo-nos no mundo de que fazemos parte. Não perdem muito tempo a discutir a origem da estrela, ou se os seus olhos, cansados da idade, estão a ver bem. Põem-se a caminho. Saem dos palácios e dos lugares de conforto a que tinham acesso por serem sábios, requisitados para ajudarem em escolhas, e agraciados pelos conselhos. Vão, partem, há desafios maiores.

 

3. Não desistir diante das dificuldades.

O caminho não está isento de dificuldades. Há caminhos mais fáceis que outros, pelo caminho ou pela pessoa que o percorre. Mas nunca isentos de dificuldades, de problemas, ainda não estamos no paraíso. Também os magos enfrentarão a chuva, a dúvida, os atalhos, o desânimo. Na cidade de Jerusalém perdem o norte, a orientação, deixam de ver a Estrela. Mas não desistem, até que de novo reencontram a luz, a estrela que os levará a Belém. Há momentos na nossa vida que parece que nada nos corre bem, não confiamos em ninguém, às vezes duvidamos até de nós mesmos, não vemos senão a treva. Os magos convidam-nos, apesar de tudo, a seguir,logo veremos um rasto de luz que nos conduzirá à luz verdadeira.


4. Participar de um Reino de Deus sem fronteiras, o Reino de Deus.

Existem os nossos reinos, a nossa vida pessoal e familiar, e depois existem reinos maiores, que nos desafiam a ultrapassar os limites da nossa casa, da nossa família, desta ou daquela comunidade, deste ou daquele partido ou grupo, há algo maior que não se esgota no nosso mundo. Os magos partem por um REINO maior que está a despontar. Deixemos-nos surpreender por Deus, por tudo o que nos envolve na transformação do mundo.


5. Colocar o coração no ESSENCIAL, em Deus. Adorar a Deus e a Deus só.
Na continuação do desafio anterior. Colocar a nossa vida naquilo que não perece. Onde estiver o nosso tesouro, aí estará o nosso coração. Os magos colocam o seu coração aos pés de Jesus. Estão ao serviço de reis e de governadores, mas com o olhar aberto, com o coração pronto para servir o Rei dos Reis, Aquele que é origem e fim de todas as coisas, o Salvador do mundo. Se colocarmos a nossa confiança última nas coisas, em alguma pessoa, partido, líder social ou cultural, mais tarde ou mais cedo podemos ser surpreendidos pela desilusão. Lembremos daquele homem que servia a mais bela das rainhas. Quando ela morreu, pôde ver que estava reduzida a um esqueleto. Onde estaria a beleza que o levou até ela? Então decidiu servir a BELEZA que não se esgota, que não se apaga. Obviamente, a adoração de Deus levar-nos-á a servir os nossos semelhantes.


6. Experimentar a alegria, deixando-se surpreender pelo que a vida nos vai dando.

Com os magos devemos experimentar a alegria do encontro. Deixarmo-nos contagiar pelas pequenas coisas que a vida nos dá. Se estivermos sempre à espera de ganhar a lotaria para sermos felizes, porque é lotaria, pode nunca nos calhar em sorte. Então não deixemos a alegria e a felicidade em mãos alheias, experimentemos a alegria com o que somos, com as pessoas que fazem parte da nossa vida, e com o compromisso com o bem e a verdade, na construção de um mundo habitável para todos.


7. Dar o melhor de nós mesmos.

Os magos levam os presentes mais valiosos que têm. E nós? Demos o melhor que temos, a Jesus, ou, se a fé ainda não nos envolve, demos o melhor de nós mesmos em cada momento. Não perdemos nada. Quanto mais nos damos, por causas, por projetos voluntariosos, mais ganhamos. Os dons valem na medida em que os recebemos e que os transformamos em dons para os outros. Mesmo que haja momentos em que nos sintamos descompensados, não cessemos de dar o melhor de nós mesmos, a melhor compensação é a certeza de que cumprimos com o que estamos ao nosso alcance, procurando ultrapassar o limite que nos afastaria dos outros, do mundo, de Deus.


8. Regressar à nossa vida por outro caminho.

Quando regressam, os Magos tomam outro caminho. Não são mais os mesmos. O encontro com a LUZ, com a fonte de toda a luz, transforma-os para sempre. É uma experiência vital, decisiva. O encontro com Jesus Cristo - como todo e qualquer encontro - há de transformar-nos, de preferência, positivamente. Experimentemos encontrar-nos com Jesus, descobrir a alegria desse encontro, deixando-nos converter por Ele.


05
Jan 12
publicado por mpgpadre, às 18:23link do post | comentar |  O que é?

CONFIANÇA.
Por mais voltas que se deem, a confiança é essencial para a sobrevivência da humanidade, para a harmonia dos povos, para o entendimento das famílias, para o equilíbrio afectivo/emocional, é fundamental para a amizade, para o amor, para um lazer saudável e para o trabalho/profissão compensador.
Sem confiança, quase nos atreveríamos a dizer, que não há vida. Se há, não há qualidade de vida, pois o mundo dos afectos, das relações humanas, familiares, sociais, profissionais, precisam da confiança como o caminhante do deserto precisa da água para sobreviver...
PASSADO | PRESENTE | FUTURO.
Por mais voltas que possamos dar ao texto, para que a evolução cronológica existam e se interliguem precisamos de assentar e partir da confiança, nas pessoas e nas instituições. Quando se mina a confiança, destrói-se a rede que nos liga ao passado, ao presente e ao futuro.
Em relação ao PASSADO, por mais que este possa ser doloroso, é inevitável, pessoal e socialmente, que nos guiemos pela confiança. Confiamos nos nossos pais. De contrário teríamos que fazer (ainda agora) testes de paternidade/maternidade. Confiança no que nos dizem e na forma como nos protegem. Se não confiássemos (em geral) no que os nossos pais, e outras pessoas próximas, nos comunicaram e no que fizeram por nós, teríamos que recomeçar a vida desde (pelo menos) o dia que nascemos. Também assim socialmente. Há progresso, porque os que vêm depois confiam nos que vieram antes e nas descobertas que fizeram. A história (é sempre interpretação daqueles que a escrevem) exige um acto de confiança. de contrário não teríamos forma de estruturar a história do nosso país, da europa ou do mundo. Teríamos que refazer tudo o que estivesse para trás. A pessoa tem e precisa de memória. Esta dá-nos as ferramentas para vivermos hoje, conhecimentos, bens materiais e culturais, estruturas, instituições, habitação, alimento, deslocação. Tem a ver também com a interdependência que nos liga à vida. Quando acordamos, quantas pessoas trabalharam para nós?
Em relação ao PRESENTE, o único tempo que nos pertence verdadeiramente, e que podemos influenciar com as nossas palavras e com o nosso compromisso, só confiando, também aqui, em pessoas e em instituições, é possível viver.
No mundo dos afectos, pessoais e familiares, ou partimos da confiança, ou apostamos na confiança, ou viveremos em constante sobressalto, em conflito, em choque. Se desconfiamos permanentemente, a ansiedade e a angústia, a dúvida e o medo, tomarão conta de nós. Não haverá espaço forrarmos a nossa casa interior.
Não havendo confiança, nos outros, na sociedade, como é que podemos sair à rua? Como é que podemos acreditar em quer que seja. A "não-confiança" (desconfiança) levar-nos-á ao egoísmo: só nós é que sabemos, não precisamos de ninguém, não conseguimos olhar ninguém de frente. Seria uma tragédia. Mesmo as pessoas mais desconfiadas têm de ter um elevado grau de confiança nos outros e nas instituições. Não é possível de outro modo. Voltamos à interdependência ou se quisermos ao chamado "efeito borboleta", o que fazemos e o que os outros fazem altera o mundo em que vivemos. Contamos com os outros. Eles cotam connosco. Só assim a humanidade pode sobreviver.
Em relação ao FUTURO - só a Deus pertence.
Tenho dificuldade em perceber como é que um descrente ou um não crente pode acordar de manhã com disposição, com alegria, para mais um dia. A descrença leva ao cinismo. Saliente-se, com efeito, que há muitas pessoas magníficas que não são crentes, mas que fazem da sua vida um hino de louvor. Muitas vezes a sua descrença não é em relação a Deus, mas em relação às representações (falsas) do mesmo.
Acreditar em Deus, depositar confiança n'Ele, permite-nos viver para a frente. Se Deus existe, e existe na minha, na tua vida, então tudo é possível. O amanhã não será uma incerteza angustiante. O que nos espera, sendo de Deus, será sempre bom. Claro que o futuro (como o presente) não está isento de sofrimento. mas quem disse que o sofrimento é negação do amor, da vida, da felicidade. Muitas vezes é um caminho, um desafio, uma chamada de atenção...
Estamos no início de 2012... não te deixes, não se deixe, afoguear pela desconfiança. Aposte, confie, acredite. E sempre em DEUS.


08
Jul 11
publicado por mpgpadre, às 20:25link do post | comentar |  O que é?
       Encontrei a Zezínha Nogueira Pinto pouco depois de ela saber que estava gravemente doente. Ao dizer-lhe que podia contar com as minhas orações, ela agradeceu e sorriu com um ar tão jovial, que até parecia que estávamos a falar de uma coisa boa… 
        Impressionou-me, sobretudo, a certeza serena que ela tinha. E foi, talvez perante o meu silêncio, que então me explicou que não rezava a Deus pela sua cura, mas para que a ajudasse a dizer sempre que sim. “Porque” – disse ela – “ou tudo isto em que acreditamos é verdade, ou então não faz sentido o que andamos a dizer”.
        Quando nos despedimos, ainda acrescentou: “Sabe o que também me ajuda a abraçar esta cruz? O modo como o nosso João Paulo II viveu o sofrimento”!
       Assim foi. Tal como o grande Papa polaco, a Zezinha não se escondeu por estar doente, nem disfarçou a sua fragilidade, ensinando-nos deste modo, a abraçar todas as circunstâncias que Deus nos dá, “confiando no melhor”.  
        Mas que tipo de confiança é esta?... A resposta partilhou-a ela com todos, no último artigo que a própria escreveu, publicado ontem postumamente:  “Seja qual for o desfecho, como o Senhor é meu pastor, nada me faltará”.

Aura Miguel, in Rádio Renascença.


07
Jul 11
publicado por mpgpadre, às 11:30link do post | comentar |  O que é?

       A última crónica de Maria José Nogueira Pinto, no Diário de Notícias, com o título: NADA ME FALTARÁ. A fé no momento da despedida, quando já não havia esperança para este mundo, a esperança na eternidade de Deus.

       "Acho que descobri a política - como amor da cidade e do seu bem - em casa. Nasci numa família com convicções políticas, com sentido do amor e do serviço de Deus e da Pátria. O meu Avô, Eduardo Pinto da Cunha, adolescente, foi combatente monárquico e depois emigrado, com a família, por causa disso. O meu Pai, Luís, era um patriota que adorava a África portuguesa e aí passava as férias a visitar os filiados do LAG. A minha Mãe, Maria José, lia-nos a mim e às minhas irmãs a Mensagem de Pessoa, quando eu tinha sete anos. A minha Tia e madrinha, a Tia Mimi, quando a guerra de África começou, ofereceu-se para acompanhar pelos sítios mais recônditos de Angola, em teco-tecos, os jornalistas estrangeiros. Aprendi, desde cedo, o dever de não ignorar o que via, ouvia e lia.

       Aos dezassete anos, no primeiro ano da Faculdade, furei uma greve associativa. Fi-lo mais por rebeldia contra uma ordem imposta arbitrariamente (mesmo que alternativa) que por qualquer outra coisa. Foi por isso que conheci o Jaime e mudámos as nossas vidas, ficando sempre juntos. Fizemos desde então uma família, com os nossos filhos - o Eduardo, a Catarina, a Teresinha - e com os filhos deles. Há quase quarenta anos.

       Procurei, procurámos, sempre viver de acordo com os princípios que tinham a ver com valores ditos tradicionais - Deus e a Pátria -, mas também com a justiça e com a solidariedade em que sempre acreditei e acredito. Tenho tentado deles dar testemunho na vida política e no serviço público. Sem transigências, sem abdicações, sem meter no bolso ideias e convicções.

       Convicções que partem de uma fé profunda no amor de Cristo, que sempre nos diz - como repetiu João Paulo II - "não tenhais medo". Graças a Deus nunca tive medo.Nem das fugas, nem dos exílios, nem da perseguição, nem da incerteza. Nem da vida, nem na morte. Suportei as rodas baixas da fortuna, partilhei a humilhação da diáspora dos portugueses de África, conheci o exílio no Brasil e em Espanha. Aprendi a levar a pátria na sola dos sapatos.

       Como no salmo, o Senhor foi sempre o meu pastor e por isso nada me faltou  - mesmo quando faltava tudo.

       Regressada a Portugal, concluí o meu curso e iniciei uma actividade profissional em que procurei sempre servir o Estado e a comunidade com lealdade e com coerência.

       Gostei de trabalhar no serviço público, quer em funções de aconselhamento ou assessoria quer como responsável de grandes organizações.  Procurei fazer o melhor pelas instituições e pelos que nelas trabalhavam, cuidando dos que por elas eram assistidos. Nunca critérios do sectarismo político moveram ou influenciaram os meus juízos na escolha de colaboradores ou na sua avaliação.

       Combatendo ideias e políticas que considerei erradas ou nocivas para o bem comum, sempre respeitei, como pessoas, os seus defensores por convicção, os meus adversários.

       A política activa, partidária, também foi importante para mim. Vivi-a com racionalidade, mas também com emoção e até com paixão. Tentei subordiná-la a valores e crenças superiores. E seguir regras éticas também nos meios. Fui deputada, líder parlamentar e vereadora por Lisboa pelo CDS-PP, e depois eleita por duas vezes deputada independente nas listas do PSD.

       Também aqui servi o melhor que soube e pude. Bati- -me por causas cívicas, umas vitoriosas, outras derrotadas, desde a defesa da unidade do país contra regionalismos centrífugos, até à defesa da vida e dos mais fracos entre os fracos. Foi em nome deles e das causas em que acredito que, além do combate político directo na representação popular, intervim com regularidade na televisão, rádio, jornais, como aqui no DN.

        Nas fraquezas e limites da condição humana, tentei travar esse bom combate de que fala o apóstolo Paulo. E guardei a Fé.

       Tem sido bom viver estes tempos felizes e difíceis, porque uma vida boa não é uma boa vida. Estou agora num combate mais pessoal, contra um inimigo subtil, silencioso, traiçoeiro. Neste combate conto com a ciência dos homens e com a graça de Deus, Pai de nós todos, para não ter medo. E também com a família e com os amigos. Esperando o pior, mas confiando no melhor.

       Seja qual for o desfecho, como o Senhor é meu pastor, nada me faltará.

 

MARIA JOSÉ NOGUEIRA PINTO

in Diário de Notícias.


03
Jul 11
publicado por mpgpadre, às 14:46link do post | comentar |  O que é?

       "Nada tão belo como reconciliarmo-nos com os nossos sonhos. Nada tão triste como desistirmos deles.

 

       Quem sonha não encontra estradas sem obstáculos, lucidez sem perturbação, alegria sem aflição. Mas quem sonha voa mais alto, caminha mais longe. todas as pessoas, da infância ao último estádio da vida, precisam de sonhar...

        Não se esqueça de que você vai falhar 100 % das vezes que não tentar, vai perder 100% das vezes em que não procurar, vai ficar parado 100 % das vezes em que não ousar andar.

       Como disse o filósofo da música, Raul Seixas: 'Tenha fé em Deus, tenha fé na vida, tente outra vez... ' Se você sonhar, poderá sacudir o mundo, pelo menos o seu mundo...

       Se sonhos, os ricos ficam deprimidos, os famosos aborrecidos, os intelectuais tornam-se estéreis, os livres tornam-se escravos, os fortes tornam-se tímidos. Sem sonhos, a coragem dissipa-se, a inventividade esgota-se, o sorriso vira um disfarce, a emoção envelhece".

 


02
Jul 11
publicado por mpgpadre, às 20:13link do post | comentar |  O que é?

       "Jesus discorria sobre a liberdade poética. A liberdade de escolha, de construir caminhos, de seguir a própria consciência. Discursava sobre a gestão de pensamentos, a administração da emoção, o exercício da humildade, a capacidade de perdoar, a sabedoria de expor e não impor ideias, a experiência plena do amor pelo ser humano e por Deus.

       O Mestre da vida vivia o que dizia. Não impedia as pessoas de o abandonar, de o trair e nem mesmo de o negar. Nunca houve alguém tão desprendido e que exercitasse de tal forma a liberdade".

 


publicado por mpgpadre, às 15:28link do post | comentar |  O que é?

       Basta estar vivo para correr riscos. Risco de fracassar, ser rejeitado, frustrar-se consigo mesmo, decepcionar-se com os outros, ser incompreendido, ofendido, reprovado, adoecer. Não devemos correr riscos irresponsáveis, mas também não devemos temer andar por terrenos desconhecidos, respirar ares nunca antes respirados.

       Viver é uma grande aventura. Quem ficar preso num casulo com medo dos acidentes da vida, além de não os eliminar, será sempre frustrado. Quem não tem audácia e disciplina pode alimentar grandes sonhos, mas eles serão enterrados nos solos da sua timidez e nos destroços das suas preocupações. estará sempre em desvantagem competitiva.

 


01
Jul 11
publicado por mpgpadre, às 16:31link do post | comentar |  O que é?

       "Para alguns um elevador é um lugar de passeio; para outros, um cubículo sem ar. Para uns, falar em público é uma aventura; para outros, um martírio que bloqueia a inteligência. Para uns, as derrotas são lições de vida; para outros, um sufocante sentimento de culpa. Para uns, o desconhecido é um jardim; para outros, uma fonte de pavor. Para uns, uma perda é uma dor insuportável; para outros, um golpe que lapida o diamante da emoção".

       "A complexidade da mente humana faz-nos transformar uma borboleta num dinossauro, uma decepção num desastre emocional, um ambiente fechado num cubículo sem ar, um sintoma físico num prenúncio de morte, um fracasso num objecto de vergonha".

 


22
Jun 11
publicado por mpgpadre, às 16:28link do post | comentar |  O que é?

AUGUSTO CURY, Nunca desista dos seus sonhos. Pergaminho, 3.ª edição. Lisboa 2011.

       Mais uma leitura que recomendamos vivamente. Quem já leu ou costuma ler Augusto Cury, nem precisa que lhe digam duas vezes para ler um trabalho como este. Lê-se bem, é simples, é envolvente, e, ao mesmo tempo, um desafio a melhorarmos a nossa qualidade de vida, tendo sonhos.

       Logo na capa um lema: "Uma mente saudável é uma fábrica de sonhos".

       Abrimos e na dedicatória vislumbra-se o que será toda a reflexão:

"Sem sonhos, as pedras tornam-se insuportáveis,

as pedras do caminho tornam-se montanhas,

os fracasos transformam-se em golpes fatais.

Mas se você tiver grandes sonhos...

os seus erros produzirão crescimento,

os seus desafios produzirão oportunidades,

os seus medos produzirão coragem.

Por isso, o meu ardente desejo é que você

NUNCA DESISTA DOS SEUS SONHOS".

       Nesta obra, Augusto Cury parte de quatro figuras muito importantes e conhecidas para nos mostrarem que embora tivessem tudo para desistir, para fracassarem, abraçaram os seus sonhos e nunca desistiram, pelo contrário, plantaram sonhos nos outros, lutaram, acreditaram, fizeram da sua vida um jardim onde tudo se preparava para haver deserto.

       Jesus Cristo, que Se rodeia de pessoas simples, para neles semear o sonho do Reino de Deus. Os discípulos eram pessoas o mais vulgar que se pode imaginar. Judas era o que estava preparado (talvez o único) para ter sucesso como Apóstolo. Jesus nunca desistiu daqueles que chamou. E também não deixou que o medo o paralisasse, mesmo nos momentos de maior sofrimento, Jesus assumiu com lucidez a sua missão, conseguindo perdoar aos que O maltratavam...

       Abrahan Lincoln, que de derrota em derrota e depois de muitas derrotas nunca desistiu de deixar o seu nome inscrito como Presidente dos Estados Unidos da América. Seria ele a abolir a escravatura no seu país. Foi morto precisamente por um radical esclavagista radical.

       Martin Luther king, o negro que revolucionou a América nunca deixando de sonhar e de partilhar o seu sonho de ver uma América em que bancos e negros fossem iguais. Também ele viria a ser assassinado. Mas nunca desistiu do seu sonho.

       E o próprio Augusto Cury, por quem ninguém dava nada, desorganizado, com uma caderno mas sem apontamento, com fracas novas na escola, dos alunos mais fracos, passando por uma depressão, tornando-se famoso e por opção deixando de o ser, a dificuldade em publicar os seus estudos... Quando tinha tudo para desistir por já ter tentado várias vezes, insistiu...


04
Jun 11
publicado por mpgpadre, às 15:49link do post | comentar |  O que é?

       Esta é uma epquena estória que fala da confiança em Deus e como Deus pode guiar-nos. Quando nos confiamos nas Suas mãos, Ele guia-nos por caminhos novos, às vezes desconhecidos, mas sempre em direcção à verdade e ao bem, à justiça e à felicidade. Vale a pela ler, meditar e escutar também a suave música da Irmã Glenda:


27
Fev 11
publicado por mpgpadre, às 17:27link do post | comentar |  O que é?

       1 - Do alto da Montanha continuamos a escutar a voz de Jesus, cujas palavras são uma provocação permanente ao nosso comodismo e às nossas seguranças muito humanas e muito materiais, pondo, ao invés, claramente, o acento tónico na vivência da caridade sem fim, ao jeito do Mestre, dando a vida, em cada gesto, em cada palavra, em cada silêncio, em cada olhar, dando a vida pelo outro, e numa confiança total em Deus e na Sua providência. Ele providenciará para que nada de verdadeiramente importante falte à nossa vida, para nossa felicidade e dos outros.

       Neste tempo que atravessamos, confiamos cada vez mais em nós, nas capacidades humanas, na ciência e na técnica, nas finanças, e confiamos cada vez menos em Deus, no futuro, na Providência divina. Queremos tudo certinho e a abertura ao futuro e a novas realidades assusta-nos de sobremaneira.

       É possível conjugar a graça e benevolência de Deus, com o nosso compromisso cristão.

 

       2 - "Procurai primeiro o reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais vos será dado por acréscimo".

       A confiança é crucial para a sobrevivência humana. Tudo radica e parte da confiança. Confiamos nos nossos pais e no saber que nos transmitiram, na escola, na Igreja, nas diversas ciências que preenchem o panorama da nossa civilização. Com efeito, até um cientista tem, obrigatoriamente, de confiar nos outros e no conhecimento que lhe chega por terceiros; de contrário teria que testar, do início, todas as variáveis. Desse modo, não haveria progressos e a sociedade da tecnologia e da informação ficaria bloqueada nas desconfianças e na experiência própria.

       Assim a nossa relação com os outros e também assim a nossa relação com Deus.

       Jesus interpela-nos com a prioridade: primeiro Deus, o Reino dos Céus e a Sua justiça. Só Ele garante a nossa vida, aqui e no tempo futuro. Quando a nossa confiança primeira é nos bens materiais, nos projectos humanos, em determinada pessoa, o nosso futuro não está garantido, nem a nossa vida. Veja-se, por exemplo, em tempo de crise, quantas pessoas e famílias tinham as finanças equilibradas e hoje vivem na agonia de ficarem sem nada! E tanto trabalho, tanto sacrifício, tantas canseiras!

       A confiança em Deus e na Sua providência há-de ser, para todo o crente, um projecto de vida. Só a Ele devemos servir, para n’Ele nos encontrarmos com os outros… e viver hoje… o amanhã é de Deus!

 

       3 - "Disse Jesus aos seus discípulos: «Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou há-de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro. Por isso vos digo: Não vos preocupeis, quanto à vossa vida, com o que haveis de comer ou de beber, nem, quanto ao vosso corpo, com o que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento e o corpo mais do que o vestuário?»"

       Andamos tão atarefados em resolver a nossa vida, a conquistar o mundo, a assegurar o nosso futuro e dos nossos descendentes que por vezes nos esquecemos de viver, de apreciar o sol e a chuva, o vento na cara e a brisa pela tarde, e sobretudo, o que é mais preocupante, esquecemo-nos daqueles que amamos, daqueles que deveríamos proteger, daqueles que deveríamos acarinhar, esquecemo-nos do descanso e da festa, da alegria e da partilha em família e em comunidade.

       Assenta-nos que nem uma luva a palavra de Jesus: "não vos inquieteis com o dia de amanhã, porque o dia de amanhã tratará das suas inquietações. A cada dia basta o seu cuidado".

       Não se trata de viver desgraçando a vida, e o fruto do nosso trabalho, pelo contrário, trata-se de plenizar o nosso compromisso com os outros, de gastar a nossa energia e o nosso tempo a favor dos outros. O futuro é hoje! Amanhã é com Deus, só com Ele.

 

       4 - Destarte, a nossa confiança em Deus não é em vão, como nos assegura a Palavra de Deus na primeira leitura: "Sião dizia: «O Senhor abandonou-me, o Senhor esqueceu-Se de mim». Poderá a mulher esquecer a criança que amamenta enão ter compaixão do filho das suas entranhas? Mas ainda que ela se esqueça, Eu não te esquecerei".

       Ainda que os mais íntimos se esqueçam de mim, Deus não me abandona.

       Deus ama-nos com amor de Pai e de Mãe; amar-nos faz parte da Sua essência divina. Criou-nos transbordando de AMOR e ama infinitamente a obra por Ele criada. Por isso nos dá Jesus.

       Não desanimemos nem nos precipitemos. Ele vem. E quando vier desvendará os nossos corações, como nos diz São Paulo: "Portanto, não façais qualquer juízo antes do tempo, até que venha o Senhor, que há-de iluminar o que está oculto nas trevas e manifestar os desígnios dos corações. E então cada um receberá da parte de Deus o louvor que merece".

       A certeza da Sua vinda, da Sua presença entre nós, é uma interpelação constante. Vivamos hoje! Aqui e agora, com as pessoas da nossa casa, da nossa rua, do nosso bairro, da nossa terra. Vivamos hoje, façamos render os talentos que Deus nos dá e sabendo que o futuro a Deus pertence. Ele dá-nos o presente... para viver!

_________________________

Textos para a Eucaristia (ano A): Is 49, 14-15; 1 Cor 4, 1-5; Mt 6, 24-34

 


21
Fev 11
publicado por mpgpadre, às 10:20link do post | comentar |  O que é?

       Esta é uma proposta excelente, mais uma, em que a música nos é oferecida com um excelente diaporama, com imagens e efeitos belíssimos, de tal forma que as palavras e a musicalidade ganham cor, forma, tornam-se extremamaente expressivas. O trabalho deve-se a Arménio Rodrigues, com o blogue Faz-te ao Largo:


04
Jan 11
publicado por mpgpadre, às 19:08link do post | comentar |  O que é?

       Abrão tem agora noventa e nove anos de idade.

       “Tereis de continuar a confiar em mim” – disse Deus, – “o teu nome deixará de ser Abrão e passará a ser Abraão: o Pai de muitas nações. O nome da tua esposa deixará de ser Sarai e passará a ser Sara: princesa. Ela será a mãe de muitas nações.

       Abraão abanou a cabeça. “Somos ambos velhos” – argumentou, – “porque não deixar Ismael ser meu herdeiro?”

       “A promessa que te fiz há tanto tempo irá concretizar-se através do filho de Sara” – respondeu Deus, –“irás chamá-lo de Isaac”.

       Abraão aceitou a promessa de Deus. Não demorou muito até à chegada de três visitantes.

       Abraão apressou-se a saudá-los. “por favor, bebam alguma água”  – disse ele, “e tomem uma refeição para vos fortalecer”. Correu até Sara e pediu-lhe que começasse a cozinhar. Abraão ofereceu aos homens comida, enquanto Sara permanecia na tenda.

       “Onde está a vossa esposa?” – perguntaram eles e Abraão explicou-lhes. Eles pediram-lhe para que se aproximasse.

       “Daqui a nove meses ela será mãe, e vós sereis pai de um menino!” – sussurraram.

       Sara não pôde deixar de escutar. “Com a minha idade!” – pensou, – “aqueles homens não sabem o que dizem!” Ao pensar na tolice destes deu uma valente gargalhada.

       Deus falou a Abraão: “Porque se riu Sara? Ela não acredita que posso dar-vos um filho?”

       Quando Sara se apercebeu que Abraão sabia da sua reacção de desdenho, teve medo. “Eu não me ri!” “Sim, riste” foi a resposta. Era a voz de Deus que falava.

 

“Querido Deus, obrigado, pois tudo o que prometeis pode concretizar-se”

 

Mónica Aleixo, in Boletim Voz Jovem, Dezembro 2010.


08
Fev 10
publicado por mpgpadre, às 10:05link do post | comentar |  O que é?

       Numa rua por onde passavam muitas pessoas, podíamos ver, diariamente, um mendigo sentado na calçada ao lado de uma placa com os seguintes dizeres:

       "Vejam como sou feliz! Sou um homem próspero, bonito, muito importante, tenho uma bela residência, vivo confortavelmente, sou saudável e bem humorado, enfim, sou o próprio retrato do sucesso!"

       Alguns passantes olhavam intrigados, outros achavam que ele era doido e outros até lhe davam algum dinheiro.

       Todos os dias, antes de dormir, ele contava o dinheiro e notava que a cada dia a quantia era maior.

       Numa bela manhã, um importante e arrojado executivo, que já o observava há algum tempo, aproximou-se e disse-lhe:

       - Você é muito criativo!... Não gostaria de colaborar numa campanha da minha empresa?

       - Vamos lá... Só tenho a ganhar! - respondeu o mendigo.

       Após um caprichado banho e com roupas novas, foi levado até a empresa.

       Daí para frente sua vida foi uma sequência de sucessos e acabou por se tornar um importante executivo.

       Certa vez, numa entrevista colectiva à imprensa, ele esclareceu de como conseguira sair da mendicidade para tão alta posição:

       - Houve época em que eu costumava sentar-me nas calçadas com uma placa ao lado, que dizia:

       "Sou um nada neste mundo! Ninguém me ajuda! Não tenho onde morar! Sou um homem fracassado e maltratado pela vida! Não consigo um mísero emprego e mal consigo sobreviver!"

       As coisas iam de mal a pior quando, certa noite, achei um livro e nele atentei para um trecho que dizia: "Tudo que você fala a seu respeito vai se reforçando. Portanto, por pior que esteja a sua vida, diga que tudo vai bem. Por mais que você não goste de sua aparência, afirme-se bonito. Por mais pobre que seja , diga a si mesmo e aos outros que é próspero." Aquilo tocou-me profundamente e, como nada tinha a perder, decidi trocar os dizeres da placa. E a partir desse dia tudo começou a mudar, a vida trouxe-me a pessoa certa para tudo que eu precisava, até que cheguei onde estou hoje. Tive apenas que entender o Poder das Palavras. O Universo sempre apoiará tudo o que dissermos, escrevermos ou pensarmos a nosso respeito e isso acabará se manifestando em nossa vida como realidade... Enquanto afirmarmos que tudo vai mal, que a nossa aparência é horrível, a tendência é que as coisas fiquem ainda piores, pois o Universo as reforçará... É ele que materializa em nossa vida as nossas crenças.

       Uma repórter, ironicamente, questionou:

       - O senhor está querendo dizer que algumas palavras escritas numa simples placa modificaram a sua vida?

       Respondeu o homem, cheio de bom humor:

       - Claro que não, minha ingénua amiga!... Primeiro eu tive que acreditar nelas e agir !


       "Tudo que você diz, escreve ou pensa a seu respeito, é recebido pelo Universo como uma oração"

Postado a partir do nosso blogue: Caritas in Veritate.


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