...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...
04
Jan 17
publicado por mpgpadre, às 11:01link do post | comentar |  O que é?

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       As Portas da Misericórdia encerram-se mas não a Misericórdia divina. Como referiu o nosso Bispo, na Solenidade de Cristo Rei, no passado dia 20 de novembro, o encerrar das Portas recorda-nos a urgência de ir e levar a misericórdia a toda a gente, a todo o mundo.

       No Arciprestado de Moimenta da Beira-Sernancelhe-Tabuaço, a Caminhada do Advento, proposta às paróquias que o constituem, sintonizando com o plano pastoral diocesano e com a liturgia dominical, inicia com uma porta fechada, para impedir os ladrões de entrar. No decorrer da Eucaristia, a porta abre-se para que Jesus entre, deixando que Ele nasça na nossa vida. Fechamo-nos ao mal, a todo o tipo de guerra, dispomo-nos à paz, a construir, a viver as obras de misericórdia, a despertarmos do sono para saborearmos o DIA que irradia com a vinda de Cristo.

       O Advento é tempo de graça e salvação. Sendo um tempo novo, o Advento não se desfaz do que está antes, mas dá-lhe o colorido da festa que se aproxima, comprometendo-nos mais, fazendo-nos recordar a razão da nossa esperança e do nosso compromisso com os outros. Preparamo-nos para celebrar o aniversário de Jesus. Não é algo que se repita. Nada se repete na nossa vida. Cada instante conta. Cada segundo. É a minha, a tua, a nossa vida. Todos os momentos são importantes. Todos os minutos valem!

       Um ciclo finda, outro se inicia, entrelaçando-se no anterior e projetando-nos para o futuro, em espiral. Nos textos da liturgia (cf. Mt 24, 37-44), Jesus a desafia-nos à vigilância para que a Sua vinda não passe despercebida como no tempo de Noé, em que as pessoas comiam e bebiam, casavam-se e davam em casamento e só se aperceberam do dilúvio quando este chegou. Era tarde demais!

       Jesus anuncia aos seus discípulos um tempo novo que está a chegar, aproxima-se a Sua morte. Logo advirá a Sua ressurreição, inaugurando, em plenitude, um Reino novo, de paz e de misericórdia, de justiça e de amor. Naquele tempo, o mistério da Sua morte e da Sua ressurreição passou indiferente para muitos. Também nos pode passar ao lado. Não podemos deixar o tempo correr. É preciso que saboreemos a vida e nos comprometamos uns com os outros.

       Ele continua a emergir na nossa vida e a ressuscitar connosco em todo o bem que praticamos. Por ora, preparamos a celebração da Sua primeira vinda, mas em dinâmica futura. Jesus volta. Não tardará. Como nos vai encontrar? Como O vamos receber?
 
Publicado na Voz de Lamego, n.º 4389, de 29 de novembro de 2016


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       «Vigiai, pois, porque não sabeis em que dia virá o vosso Senhor. Ficai sabendo isto: Se o dono da casa soubesse a que horas da noite viria o ladrão, estaria vigilante e não deixaria arrombar a casa. Por isso, estai também preparados, porque o Filho do Homem virá na hora em que não pensais» (Mt 24, 42-44).

       O que se avizinha não tem de ser atemorizador! A salvação está ao nosso alcance, foi-nos colocada na palma da mão. Jesus viveu e morreu por nós, por mim e por ti. E, por mim e por ti, por nós, ressuscitou. Introduziu-nos na eternidade de Deus. Deixemos que nasça em nós, na nossa vida, que nasça e nos ressuscite, nos desperte para a vida abundante de graça e de misericórdia.

       Nada há a temer quando estamos preparados. Sabendo que Ele vem. Há 2.000 mil anos veio ao mundo. A Sua vinda conjuga-se agora no presente. Vem. E vem para ficar, para criar raízes. E para que n'Ele enraizemos a nossa vida. Lembremo-nos que os ramos crescem à medida que as raízes se fincam na terra. Ou, noutra imagem, a videira e a seiva que alimentam os ramos e as folhas. Quando a vida de Jesus Cristo circula em nós então a nossa vida está garantida, como promessa e como tarefa. Os sustos que apanhamos têm a ver com o facto de estarmos desprevenidos. Jesus previne-nos para estarmos preparados, para O reconhecermos e O acolhermos.

       No "Principezinho", a Raposa sublinha a alegria a crescer com o aproximar do encontro com o Principezinho quando sabe a hora do mesmo. "Teria sido preferível teres voltado à mesma hora. Se vieres, por exemplo, às quatro horas da tarde, eu, a partir das três, já começo a ser feliz. Quanto mais se aproximar a hora, mais feliz me sentirei. Às quatro em ponto já estarei agitada e inquieta; descobrirei o preço da felicidade! Mas se vieres a qualquer hora, ficarei sem saber a que horas hei de vestir o meu coração..."

       Ora, Jesus diz-nos que está a chegar. Revistamo-nos de alegria e de esperança. Preparemo-nos para que não nos surpreenda distraídos. Abramos os ouvidos, os olhos, o coração, a vida por inteiro. Ele está a chegar. Não aqui ou ali. Mas em nós. Em cada pessoa que se aproxima de nós, em cada pessoa de quem nos aproximamos. Em todo o tempo! A qualquer hora!

 

Publicado na Voz de Lamego, n.º 4391, de 13 de dezembro de 2016


18
Dez 16
publicado por mpgpadre, às 09:00link do post | comentar |  O que é?

1 – O sonho comanda a vida. O Sonho é uma constante da vida. Sempre que o homem sonha, o mundo pula e avança (António Gedeão). Deus quer, o homem sonha e a obra nasce (Fernando Pessoa). A vida acaba quando o sonho acaba, quando já não há esperança, nem aquém nem além. Sonhos e projetos, confiança no futuro, promessa de eternidade a iniciar-se na história. A esperança é a última a morrer, faz-nos passar ao outro mar.

       Há pessoas que já há muito deixaram de sonhar. Dizem elas, como desabafo, como desilusão, mas com a réstia de esperança que o que desdizem afinal não se confirme. Para os adeptos de futebol, quando a equipa está a perder, até ao último minuto vivem num misto de realidade e esperança... ainda falta um minuto, alguém vai marcar! A vida é mesmo assim. É claro que muitas pessoas vivem voltadas para o passado e esquecem-se de viver o presente e projetar o futuro. Mas mesmo em situações mais extremas, a saudade do passado é a forma de se manterem vivas, sonhando/esperando que voltem esses tempos. Seria ótimo que a presença do passado as levasse a procurar apreciar e viver novas situações.

       Outros há, que sonham o tempo todo, sempre com ganas de viver, de sugerir, de projetar. Por vezes, colam-se apenas aos sonhos e esquecem-se que os sonhos precisam de ser concretizados no tempo e na história e não apenas projetados na mente. Há sonhos que nunca realizaremos mas que, ainda assim, nos puxam para a frente, para o futuro. Há o sonho de deixar marcas positivas no mundo. Mesmo aqueles que deixam marcas negativas é com o sonho de não serem esquecidos. Sonhamos a dormir e sonhamos acordados. Quando jovens sonhamos mudar o mundo. Quando entrados na idade, sonhamos que outros sonhem em mudar o mundo.

       José teve um sonho. Não foi um sonho qualquer. Foi um sonho para mudar o mundo, a história, a sua e a nossa, a história da humanidade. O sonho de José faz dele uma personagem importante para a história da salvação, Deus entre nós, Deus connosco. Não há que ter medo de sonhar. Os sonhos equilibram a mente, por um lado, e, por outro, ajudam-nos a levantar-nos cada dia com um sorriso.

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       2 – José teve um sonho. Outro José, noutro contexto, conhecido como José do Egipto, e antepassado de São José, tornou-se importante à custa dos sonhos que interpretou para o Faraó, ganhando relevância, o que lhe permitiu salvar a sua família e o seu povo da miséria. São José tem um sonho que, do mesmo modo, faz com que se assuma guardião da Família sagrada.

       São Mateus apresenta-nos o nascimento de Jesus, sublinhando o mistério de Deus que age em nós e através de nós. A Virgem Imaculada concebeu por virtude do Espírito Santo. José, tomando consciência da gravidez de Maria, sem que tivesse convivido com Ela, decide repudiá-la em segredo, evitando difamá-la e açambarcando com a responsabilidade. Ao fugir assumia-se por culpado de "desonrar" Maria e impedia que Ela fosse condenada e quem sabe apedrejada.

       Mas os nossos pensamentos nem sempre são os de Deus e as nossas decisões nem sempre são as mais justas, ainda que assim o julguemos. Deus, também aqui, impele a escrever a história de uma maneira nova. Em sonho, Deus envia o Seu Anjo que revela a missão que José há de assumir: «José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que nela se gerou é fruto do Espírito Santo. Ela dará à luz um Filho e tu pôr-Lhe-ás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados».

       O sonho altera a decisão de José, que recebe Maria por esposa, tornando-se o protetor da Sagrada Família, dando o nome a Jesus, assegurando que Maria e José terão um lar seguro e confortável para viver.

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       3 – O sonho vem de longe e a promessa também. A primeira leitura recorda-nos essa promessa feita ao povo eleito, através do rei Acaz, a quem Isaías desafia a pedir um sinal. Acaz não se sente confortável o suficiente para pedir um sinal ao Senhor, considerando uma tentação ou mesmo uma blasfémia. Quando pedem um sinal a Jesus, Este repreende-os por testarem a Deus, dizendo que é uma geração perversa, que não está atenta aos verdadeiros sinais nem ao tempo novo que está a emergir com a Sua vida.

       Agora, contudo, é o próprio Deus que sanciona o sinal. Isaías, em nome de Deus, diz a Acaz: «Escutai, casa de David: Não vos basta que andeis a molestar os homens para quererdes também molestar o meu Deus? Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: a virgem conceberá e dará à luz um filho e o seu nome será Emanuel».

       São Mateus, ao concluir o relato do sonho de São José, diz claramente que a promessa se cumpre agora. Logo que José desperta do sonho, age em conformidade com as palavras do Anjo do Senhor.

       O sonho é verdadeiramente importante se nos faz acordar e nos leva a agir. Por si mesmo, o sonho é pouco relevante se não tiver consequência, se não conduzir à mudança de vida. Os sonhos, com efeito, não são nem positivos nem negativos, mesmo que pareçam pesadelos. Quando muito fazem sobressair a necessidade da nossa mente ordenar o que pensamos, os conhecimentos que vamos armazenando ao longo da vida, as sensações e emoções que vivemos. Mas, havendo algum sonho a que demos mais importância, que seja para nos ajudar a melhorar a nossa vida e a vida dos irmãos.

       Do mesmo jeito, os sonhos, os projetos, as promessas, sejam um catalisador para nos envolver-nos na transformação positiva do mundo, empenhando-nos em transparecer e testemunhar a misericórdia de Deus, plenizada e encarnada em Jesus Cristo.

 

       4 – O Apóstolo Paulo, tal como São José, também foi surpreendido por Deus. As suas certezas e convicções são postas em causa com o surgimento de Deus na sua vida. A caminho de Damasco, em busca da verdade, Paulo é "apanhado" por Jesus e de perseguidor passa a seguidor.

       Em mais esta belíssima missiva, aos Romanos, o Apóstolo aponta para Jesus, que nasceu, segundo a carne, da descendência de David mas, segundo o Espírito, foi constituído Filho de Deus. A missão do Apóstolo é transparecer, testemunhar, anunciar Jesus Cristo, levá-l'O a todo o mundo, pregando o Evangelho da santidade, o mesmo é dizer, o Evangelho da caridade.

       A referência primeira, para o apóstolo, e para nós também, é a ressurreição de Jesus Cristo. Ele torna-Se para sempre o nosso Salvador. O Filho de Deus nasceu como um de nós, da nossa carne e dos nossos ossos, para nos ressuscitar para Deus, elevando-nos com Ele para a eternidade.

       A oração de coleta resume bem este mistério da nossa fé: "Infundi, Senhor, a vossa graça em nossas almas, para que nós, que pela anunciação do Anjo conhecemos a encarnação de Cristo, vosso Filho, pela sua paixão e morte na cruz alcancemos a glória da ressurreição".

       Pela oração predispomo-nos a acolher o sonho de Deus, o Seu projeto de amor, de vida nova, em que todos nos reconheçamos como irmãos e nos tratemos como tal.


Textos para a Eucaristia (A): Is 7, 10-14; Sl 23 (24); Rom 1, 1-7; Mt 1, 18-24.


10
Dez 16
publicado por mpgpadre, às 19:45link do post | comentar |  O que é?

1 – Alegra-te, rejubila. O terceiro domingo do Advento, é Domingo da Alegria (gaudete), pois estamos às portas do Natal, celebração festiva do nascimento de Jesus. Em menos de nada estamos lá. À nossa volta já tudo nos fala desta quadra, mesmo que este tudo seja pouco, enfeites e prendas, vendas e compras e luzes, tudo faz parte e obviamente é importante, mas já que se faz a despesa que se festeje com o aniversariante, com Jesus. Essencial será renovar a fé, acolher Jesus, amar Jesus, descobrir Jesus, na oração e na celebração, em casa e na rua, na Igreja e no trabalho, na pessoa amiga e na vizinha, no que está próximo e no que está distante, naquele de quem precisamos e quem precisa de nós.

O dia a nascer! São horas de despertar. Os primeiros raios de Sol começam a clarear a aurora. Já o galo canta e já a vida encanta. É tempo de cantar, de sorrir, de louvar, é tempo de amar e de servir, é tempo de aprontar o biberão e dispor das mãos para trabalhar.

A certeza da chegada prometida, será cumprida. A promessa vem de Deus, o anúncio feito pelo Batista, tem em Jesus guarida. João cumpriu a sua missão, preparar a vinda do Messias. É o mensageiro que mostra o Reino a emergir. João é preso pela frontalidade com que anuncia e denuncia, pondo a descoberto os artesãos do mal e da corrupção. Da cadeia pede informações sobre Jesus e a Sua luz. Já ouviu dizer mas quer saber em definitivo que Aquele Jesus é mesmo o Messias prometido. A resposta, faz saber Jesus, está nas palavras proferidas, na mensagem proclamada, mas sobretudo no fazer e no viver: «Os cegos veem, os coxos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e a boa nova é anunciada aos pobres. E bem-aventurado aquele que não encontrar em Mim motivo de escândalo».

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2 – Querendo ainda olhar para João, para melhor perceber o que nos quer levar a viver, ouçamos então o que Jesus também tem para dizer: «Que fostes ver ao deserto? Uma cana agitada pelo vento? Então que fostes ver? Um homem vestido com roupas delicadas? Mas aqueles que usam roupas delicadas encontram-se nos palácios dos reis. Que fostes ver então? Um profeta? Sim – Eu vo-lo digo – e mais que profeta. É dele que está escrito: ‘Vou enviar à tua frente o meu mensageiro, para te preparar o caminho’. Em verdade vos digo: Entre os filhos de mulher, não apareceu ninguém maior do que João Batista. Mas o menor no reino dos Céus é maior do que ele».

O deserto é incerto, mas é desafio certo, dele sair para cumprir o projeto que está a surgir. Jesus é a Palavra e o Rosto e a Vida do Pai. João é a Voz que ressoa pelo deserto até que doa, é Profeta e Precursor, que mostra que é essencial seguir o Salvador, Cristo Senhor.

 

3 – E continuando neste pendor, em preparação para celebrarmos o nascimento do Redentor, o desafio do Profeta Isaías: alegria, alegria! Não por qualquer passe de magia. Pelo contrário, é a vida, dada e oferecida, trabalhada e comprometida.

A convocação para o júbilo abarca toda a criação, o campo, o descampado e a terra árida. Dirige-se a todos, especialmente aos que estão fatigados. O Senhor Deus "vem fazer justiça e dar a recompensa. Ele próprio vem salvar-nos". É um tempo novo, de graça e de salvação. Anuncia-se o que se cumprirá com a chegada do Messias, cegos, coxos e mudos hão de ver, saltar e cantar com alegria.

A alegria firma-se na fé e na confiança em Deus. A Sua vinda está para breve. A Sua promessa é para concretizar. Ele volta-Se para nós, especialmente para aqueles que se predispõem a crescer, a amadurecer, que se querem protegidos, amados e redimidos.

Preparamos a chegada do Salvador agindo ao Seu jeito, cuidando de quem está mais frágil, pois cada vez que tratarmos a ferida do outro é de Cristo que estamos a cuidar, como muitas vezes lembrava a Santa Teresa de Calcutá.


Textos para a Eucaristia (A): Is 35,1-6a.10; Sl 45 (46); Tg 5,7-10; Mt 11,2-11.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE


03
Dez 16
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

1 – Um tronco! Uma vida. Uma raiz! Um começo. Um rebento! Vida nova a germinar! Anúncio de primavera! Tempo de esperança! Aurora de um novo dia, claridade a despontar! E com o dia, mais tempo para viver, para aproveitar. Um tronco! Uma raiz! Um rebento! O deserto! Vazio ou espaço a preencher? João Batista a pregar, a anunciar, a provocar! Um Messias para vir! Um profeta novo a chegar!

De uma raiz desponta um rebento, de onde florescerá uma nova criação, um mundo novo. João Batista, sem peias nem teias: «Arrependei-vos, porque está perto o reino dos Céus». No dizer do profeta Isaías é a VOZ que clama no deserto, que nos interpela a prepararmo-nos para recebermos e reconhecermos a PALAVRA que vem do alto, que vem de Deus. Um rebento do qual germinará a vida e a salvação! Aprontemo-nos para perceber a Sua chegada. "Praticai ações que se conformem ao arrependimento que manifestais. Não penseis que basta dizer: ‘Abraão é o nosso pai’, porque eu vos digo: Deus pode suscitar, destas pedras, filhos de Abraão".

A salvação está aí, a árvore tem de dar fruto. De contrário, apenas servirá para fazer sombra, produzir oxigénio, para deitar ao lume... já é bastante útil e até necessário, mas não se compreende que árvores de fruto não deem fruto, se foram plantadas para esse efeito!

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2 – João e Jesus. Advento. A vinda de um prepara a vinda do outro. João vem primeiro, como Precursor, dulcificar os corações para se deixaram cativar por Jesus. Jesus está antes. Junto do Pai, desde sempre. Vem para salvar, para ajuntar, para redimir. Ele batizará no Espírito Santo e no fogo. Vem depois, mas é perante Ele que João Batista (e cada um nós) se prostrará para O adorar.

Do tronco de Jessé brotará um rebento. Um enxerto. Um novo David, novo Adão, novo Moisés. O rebento florescerá, dando frutos de misericórdia, de perdão, de justiça e de paz. O enxerto de uma árvore visa a produção de frutos de qualidade. Jesus enxerta-se na humanidade, assumindo-nos, Ele mesmo se torna em raiz, em árvore, na qual, doravante somos enxertados. Uma vez enxertados em Cristo, se o enxerto vingar, só podemos produzir bons frutos.

O profeta Isaías convida-nos a olhar para o Messias que virá, sobre Quem "repousará o espírito do Senhor: espírito de sabedoria e de inteligência, espírito de conselho e de fortaleza, espírito de conhecimento e de temor de Deus... não julgará segundo as aparências…"

Com Ele, um tempo de paz. "O lobo viverá com o cordeiro e a pantera dormirá com o cabrito; o bezerro e o leãozinho andarão juntos e um menino os poderá conduzir... A criança de leite brincará junto ao ninho da cobra e o menino meterá a mão na toca da víbora..." A partir dos frutos saberemos se estamos no caminho certo!


Textos para a Eucaristia (A): Is 11, 1-10; Sl 71 (72); Rom 15, 4-9; Mt 3, 1-12.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE


26
Nov 16
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

1 – Iniciamos o Advento, tempo novo de graça e salvação, que nos envolve nos preparativos para celebrarmos o nascimento de Jesus. Parece que ainda ontem celebrámos o Natal anterior e já estamos de volta. O tempo urge como a areia por entre os dedos das mãos, ainda que tentemos retê-lo. No final não adianta calcular as oportunidades desperdiçadas, importa mesmo apanhar o comboio da vida.

Há preocupações, sonhos e projetos que seguem connosco. As árvores precisam de se adentrar na terra para suster o crescimento dos ramos. Quanto maior a árvore (por regra) maiores as raízes.

O Advento não se desfaz de tudo o que está antes, mas dá-lhe o colorido da festa que se aproxima, comprometendo-nos mais, fazendo-nos recordar a razão da nossa esperança e do nosso compromisso com os outros. Preparamo-nos para celebrar o aniversário de Jesus. Não é algo que se repita. Nada se repete na nossa vida. Cada instante conta. Cada segundo. É a minha vida, a tua, é a nossa vida.

Um ciclo finda, outro se inicia, entrelaçando-se no anterior e projetando-nos para o futuro. Jesus alerta-nos para estarmos vigilantes, preparados para a vinda do Filho do Homem. Jesus fala da Sua vinda futura. Veio viver connosco, como um de nós. Aos discípulos daqueles dias anuncia-lhes os tempos novos que se aproximam, em que virá o Filho do Homem. Historicamente, aproxima-se a Sua morte. Após a morte advirá a Sua ressurreição, inaugurando, em plenitude, um Reino novo, de paz e esperança, de perdão e compromisso, de justiça, de serviço e de amor. Como nos dias de Noé, a vida pode passar-nos ao lado. A chegada do Filho de Deus poderá passar despercebida. Também nos pode passar ao lado. É preciso saborear a vida e comprometermo-nos com os que peregrinam connosco na história.

Ele continua a emergir na nossa vida e a ressuscitar connosco em todo o bem que praticamos. Por ora, preparamos a celebração da Sua primeira vinda, a Encarnação, Deus humanado, Jesus, mas em dinâmica futura. Jesus volta. Não tardará. Como nos vai encontrar?

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2 – "Vigiai, porque não sabeis em que dia virá o vosso Senhor. Se o dono da casa soubesse a que horas da noite viria o ladrão, estaria vigilante e não deixaria arrombar a sua casa. Estai vós preparados, porque na hora em que menos pensais, virá o Filho do homem".

O futuro não tem de ser atemorizador! A salvação está ao nosso alcance, foi-nos colocada na palma da mão. Jesus viveu e morreu por nós, por mim e por ti. E, por mim e por ti, por nós, ressuscitou. Introduziu-nos na eternidade de Deus. Deixemos que nasça e nos ressuscite, nos desperte para a vida abundante de graça e de misericórdia.

Nada há a temer quando estamos preparados. Sabendo que Ele vem. Há 2.000 mil anos veio ao mundo. A Sua vinda conjuga-se agora no presente. Vem. E vem para ficar, para criar raízes. Enraizemos n’Ele a nossa vida. Os sustos que apanhamos têm a ver com o facto de estarmos desprevenidos. Jesus previne-nos para estarmos preparados, para O reconhecermos e O acolhermos.

No "Principezinho", a Raposa sublinha a alegria a aumentar com o aproximar do encontro com o Principezinho quando sabe a hora do mesmo. "Teria sido preferível teres voltado à mesma hora. Se vieres, por exemplo, às quatro horas da tarde, eu, a partir das três, já começo a ser feliz. Quanto mais se aproximar a hora, mais feliz me sentirei. Às quatro em ponto já estarei agitada e inquieta; descobrirei o preço da felicidade! Mas se vieres a qualquer hora, ficarei sem saber a que horas hei de vestir o meu coração..."

Jesus está a chegar. A todas as horas! Revistamo-nos de alegria e de esperança. Preparemo-nos para que não nos surpreenda distraídos. Abramos os ouvidos, os olhos, o coração, a vida por inteiro. Ele está a chegar. Não aqui ou ali. Mas em nós. Em cada pessoa que se aproxima de nós, em cada pessoa de quem nos aproximamos.


Textos para a Eucaristia (A): Is 2, 1-5; Sl 121 (122); Rom 13, 11-14; Mt 24, 37-44.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

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19
Dez 15
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – Pôr-se a caminho há de ser a atitude permanente dos discípulos de Jesus.

       Sair de si, ir ao encontro dos outros, estar em movimento, física mas sobretudo espiritualmente, sair do seu egoísmo para criar espaço para Jesus nascer e crescer, criar espaço para os outros, para os acolher, para os compreender, para os ajudar. Como o Bom Pastor que sai ao encontro das ovelhas desgarradas e perdidas. Assim a missão da Igreja. Assim o compromisso batismal de todos os cristãos.

       Se nos domingos anteriores, a figura que nos desafiava a sintonizar com o Messias anunciado, prometido e para breve no meio de nós, era João Batista, neste quarto domingo, Maria irrompe preenchendo o Evangelho e a Igreja e, mesmo sem falar, ensina-nos como proceder para bem acolhermos Jesus, levando-O aos outros.

       Depois da Anunciação do Anjo, Maria parte. Não parte de qualquer maneira. Parte com pressa. Com pressa para ajudar a Sua prima Santa Isabel, grávida e de idade avançada (para a época). Leva a Isabel a alegria do Evangelho que se gera no Seu ventre. Ela é a Arca da Nova Aliança, leva em Si a Nova Aliança que é Jesus. E isso é motivo de grande júbilo.

       A presença Maria é bênção e toda a bênção gera vida, gera alegria, gera paz.

       Isabel comunica-nos a ALEGRIA gerada pela proximidade de Maria e do Deus Menino: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor? Na verdade, logo que chegou aos meus ouvidos a voz da tua saudação, o menino exultou de alegria no meu seio. Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor».

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       2 – A escolha de Deus distancia-se de muitas das nossas escolhas. Escolhemos (muito mais) pelo aparente, o que nos soa bem, o que é agradável à vista e ao ouvido; a robustez; aquilo com que simpatizamos, os mais belos, mais fortes, mais bem apresentáveis. Perigo para o qual São Tiago alertava as primeiras comunidades cristãs.

       Deus escolhe o que é pequeno, pobre, último, insignificante. Não para excluir, mas para incluir. Se os pais tiverem vários filhos, procurarão dar atenção a todos, se os amam de verdade, mas irão ter mais cuidado com os mais frágeis, com os que estão fora, com os que atravessam uma fase complicada, com os mais novos. É uma dinâmica de compensação, de inclusão, de cura, de absorção. Ou seja, compensar quem está menos tempo, incluir quem está fora ou está afastado da mesa e da sala porque está doente; a cura que é potenciada pelo amor, pelo carinho, pelas carícias; absorver os gestos e as palavras de quem está pouco tempo, para continuar a desfrutar daqueles bons momentos, depois da partida.

       Deus escolhe o que passa despercebido para confundir os sábios (presunçosos) deste mundo. Chama para incluir, para nos fazer ver que para Ele todos contam, não há ninguém insignificante, pois todos são obra das Suas mãos.

       Eis o que diz o Senhor: «De ti, Belém-Efratá, pequena entre as cidades de Judá, de ti sairá aquele que há de reinar sobre Israel... Deus os abandonará até à altura em que der à luz aquela que há de ser mãe. Então voltará para os filhos de Israel o resto dos seus irmãos. Ele se levantará para apascentar o seu rebanho pelo poder do Senhor, pelo nome glorioso do Senhor, seu Deus. Viver-se-á em segurança, porque ele será exaltado até aos confins da terra. Ele será a paz».

       De Belém, a pequena cidade, surgirá o Rei - Bom Pastor, Ele será a paz. Vem para reunir, para ajuntar, para congregar numa só família. Não mais se sentirão abandonados quando Aquela Mulher der à luz Aquele que trará a paz e a segurança.

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       3 – Maria, a escolhida do Senhor, desde toda a eternidade, a Imaculada Conceição, nasce e cresce numa família o mais normal possível. N'Ela Se manifesta a grandeza de Deus. A eleita de Deus não tem privilégios, não nasce num palácio ou numa família reconhecível pelos seus feitos, riqueza ou pelo prestígio social, religioso ou político. É de uma família simples de Nazaré, cidade quase insignificante, em comparação, por exemplo, a Jerusalém, a cidade santa, a cidade de David.

       A Virgem de Nazaré reveste-se de esperança para nós. Não tem predicados que não estejam ao nosso alcance. Reunimos, com efeito, as mesmas condições para sermos chamados por Deus e para acolhermos em nós o Salvador de mundo. Ela ensina-nos a tornarmo-nos livres para amar, para acolher, para partir, para encontrar, para dar, para espalhar a alegria. Sem pompa nem vaidades vãs, sem arrogância nem prepotência. Simples. Parte. Corre. Onde é necessário ajudar é aí que é necessário ir e permanecer. Na visitação a Isabel, ou intercedendo pelos noivos de Canaã. Cada encontro é oportunidade para levar Deus e, com Deus, partilhar a alegria que não tem fim.

       Não segue com muitas coisas, que por certo atrasariam a viagem. Não leva um séquito de criados para se proteger e para carregarem as suas malas. É uma Mulher simples, do povo. Passa despercebida, como qualquer simples mortal. Provavelmente pediu ajuda a São José e a acompanhasse a casa de Isabel, uma cidade de Judá, Ain Karim, a 140 km de Nazaré. Deixa o que tem de deixar, por ora importa ajudar Isabel, depois pensará no Filho que carrega no Seu ventre.

       Não se faz rogada. Não precisa que lhe digam que pode ser prestável. Antes que Lhe peçam, já Ela está a ajudar e/ou a interceder. Já está a caminho. Pouco tempo teve para digerir a notícia que o Anjo Lhe deu. No Seu Sim, abre a humanidade à vinda da divindade, à vinda do Filho de Deus. Mas por ora não há tempo a perder. É necessário partir, é preciso ir, sair, correndo.

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       4 – A resposta de Maria, alimentada pela fé em Deus, pela confiança no Senhor, sintoniza-nos às maravilhas com que Deus manifesta o Seu amor por nós. A salvação não será primeiramente o que cada um de nós fizer, como conquista, ou usurpação. É de Deus a iniciativa, que Se dá, que Se entrega, que vem, que Se envolve com a humanidade. Precisa e quis precisar de nós. Em Maria encontra a humildade, a delicadeza, a abertura aos Seu planos salvíficos. Com o SIM de Maria, Deus inicia uma nova forma de Se relacionar connosco, vem em carne e osso, para ser Deus connosco, Um de nós. Já não distante. Nunca Juiz, mas Pai. Não de fora. Ou alheado do drama da história. É um Deus compassivo e misericordioso, cujas entranhas de Mãe e Pai se revoltam perante as trevas que nos impedem de ver os outros como irmãos.

       Deus não nos exige nada que não possamos fazer. E não exige menos que a nossa vida por inteiro. Maria responde com o que é, e predispõe a Sua vida para acolher Jesus e para O dar a todo o mundo. Será a mesma resposta de Jesus. Não Se Lhe exige sacrifícios, dando a entender que a salvação se conquistaria pelo mérito de cada um, mas entrega-Se a Deus com todo o Seu Corpo, a Sua vida por inteiro, fazendo com que a Sua vida espelhe a Misericórdia do Pai.

       A Epístola aos Hebreus fala-nos do Corpo de Cristo, como único e supremo sacrifício na obediência. «Não quiseste sacrifícios nem oblações, mas formaste-Me um corpo. Não Te agradaram holocaustos nem imolações pelo pecado. Então Eu disse: ‘Eis-Me aqui; no livro sagrado está escrito a meu respeito: Eu venho, ó Deus, para fazer a tua vontade’». O culto que chegará com a vinda de Cristo, é o culto da obediência até à morte e morte de Cruz. Ele oferece-Se a Si mesmo, de uma vez para sempre. Não oferece sacrifícios, exteriores, mas oferece-Se, dando a Sua vida por inteiro. Mostra-nos que o único caminho que nos leva à eternidade passa pelo amor, pela compaixão, passa por acolhermos Deus, dando-nos uns aos outros. Já nem precisamos de dizer que a salvação é um dom que se acolhe partilhando, dando Deus aos outros!

 

       5 – No alto da Cruz, Jesus confia-nos Maria por Mãe, para que A acolhamos em nossa casa, para que sejamos Casa de Oração e de Misericórdia uns para os outros. Procuremos imitá-l'A no Sim sem reservas, confiando, entregando-nos a Deus, indo ao encontro de todos os familiares e amigos, para lhes levar e lhes confiar a Alegria que se gera em nós, como discípulos missionários.

       Peçamos ao Senhor ajuda, sabedoria, discernimento: «Infundi, Senhor, a vossa graça em nossas almas, para que nós, que pela anunciação do Anjo conhecemos a encarnação de Cristo, vosso Filho, pela sua paixão e morte na cruz alcancemos a glória da ressurreição».

       A salvação está próxima, pressente-se a alegria no ventre de Maria, que nos traz e nos dá Jesus, sabendo de antemão que um dia Ele, o mesmo Jesus, nos dará Maria por Mãe.

 

Pe. Manuel Gonçalves

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Textos para a Eucaristia (C): Miq 5, 1-4a; Sl 79 (80); Hebr 10, 5-10; Lc 1, 39-45.


12
Dez 15
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – O terceiro Domingo do Advento é conhecido como da Alegria (Gaudete), tal é a LUZ que vem do Natal e que se anuncia cada vez com mais intensidade. A alegria tem muitas cores e muitas motivações, ainda que as expressões sejam idênticas: exuberância, sorriso, apaziguamento, conversação, proximidade, contágio. Como nos lembra Toltoi, as famílias alegres são todas iguais, mas cada uma sofre à sua maneira. A alegria gera comunicação e comunidade; a tristeza, sem mais, afasta, isola, atrofia, por culpa própria, por cansaço dos outros ou pelo desgaste do tempo.

       A alegria é possível para quem encontrou a paz, um sentido para vida, uma luz interior que não se apaga por maior que sejam as tempestades. Falta mais um domingo para o Natal. A proximidade espiritual (também cronológica) já não deixa margem para a dúvida: Deus está a chegar à minha e à tua vida. Deus vai nascer. Deus vai querer estar connosco. Ele vai querer para nós todo o bem. Ele está a chegar, porque sempre vem, porque sempre Se aproxima, porque sempre nos ama com amor de Mãe e de Pai, porque sempre Se dá, total e absolutamente, sem reservas nem condições. É Deus de Misericórdia, cujo ROSTO é Jesus, o Deus que Se faz Menino e que Se deixa embalar, tocando-nos com a Sua fragilidade de Menino, ternura de uma criança que acaba de nascer. As Mães ensinam-nos /dizem-nos a beleza dos filhos acabados de nascer. Já não há tempo a perder, não há tempo para nos distrairmos com outras coisas. Ele faz-Se anunciar. Já vem lá, arrumemos a casa, abramos as portas, arejemos os espaços, perfumemo-nos de alegria. O nosso coração já se dilata, queremos apressar a Sua chegada.

       Preparemo-nos para a festa. Ponhamos o melhor sorriso para O receber. Vistamo-nos de esperança. Quando um amigo, um familiar regressa, para uma ocasião festiva, logo começamos a imaginar a alegria que vamos experimentar, e já vivemos nesta antecipação, pois já estamos a viver com esta chegada certa.

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       2 – Enquanto nos preparamos para escutar o Evangelho, as leituras que o procedem falam-nos desta ALEGRIA no Senhor que vem, em Deus que nos ama, na salvação iminente.

       A profecia de Sofonias dá como certa a salvação e, por conseguinte, desafia todo o povo: «Clama jubilosamente, filha de Sião; solta brados de alegria, Israel. Exulta, rejubila de todo o coração, filha de Jerusalém... O Senhor teu Deus está no meio de ti, como poderoso salvador. Por causa de ti, Ele enche-Se de júbilo, renova-te com o seu amor, exulta de alegria por tua causa, como nos dias de festa».

       Deus alegra-Se connosco e por nós. Vem salvar-nos e a Sua alegria envolve-nos e compromete-nos. Pela mesma razão podemos e deveremos exultar de alegria porque Ele já está no meio de nós. E se Ele está connosco, e está por nós, nada nos poderá separar da felicidade que não tem fim. Estamos a caminho e experimentaremos a fragilidade da nossa existência. Mas se Deus é a garantia da nossa felicidade definitiva, se Ele segue connosco, os nossos caminhos são mais seguros e sabemos que, com maior ou menor esforço, sacrifício e dedicação, haveremos de chegar à meta prometida.

       Do mesmo jeito, São Paulo nos convoca: «Alegrai-vos sempre no Senhor. Novamente vos digo: alegrai-vos. Seja de todos conhecida a vossa bondade. O Senhor está próximo. Não vos inquieteis com coisa alguma; mas em todas as circunstâncias, apresentai os vossos pedidos diante de Deus, com orações, súplicas e ações de graças. E a paz de Deus, que está acima de toda a inteligência, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus».

       A alegria advém do amor de Deus e da certeza inabalável que Ele está por perto. Por isso Lhe poderemos suplicar, agradecer e colocar-nos diante d'Ele com o que somos, com as nossas alegrias e os nossos sonhos, com os nossos pecados e com todo o bem que deixamos passar através da nossa voz e da nossa vida.

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       3 – Como insinua São Paulo, a alegria que experimentamos em Cristo não é passageira, superficial, fingida ou para nos disfarçarmos diante dos outros. A alegria é indelével, vem de Deus, não está a prazo, não é acessória. É definitiva. É uma alegria que nos solidariza no bem, na verdade e na justiça. A alegria requer a partilha. Ninguém faz festa sozinho. Ninguém é feliz na solidão. A alegria também se constrói. É dom de Deus que nos obriga a condividir, a partilhar. Todo o dom só faz sentido e só é dom multiplicando-se pelos outros.

       O Evangelho aponta-nos o caminho a percorrer para alcançarmos a alegria que a salvação vem trazer-nos. Deus salva-nos contando com a nossa liberdade e a nossa cooperação. Como nos recorda Santo Agostinho: Deus criou-nos sem nós mas não nos salva sem nós. Não força, não Se impõe. Propõe-Se e expõe-Se. Em Jesus Cristo, Deus deixa-se embalar, deixa-Se amar. Mas também podemos fazer-Lhe mal, persegui-l'O, condená-l'O, pregá-l'O numa cruz. E sempre que o fizermos a um dos irmãos mais pequenos a Ele o faremos. Se tocamos as feridas de alguém, é de Cristo que cuidamos. Se agredimos alguém, é a Cristo que recusamos.

       As multidões seguem João Batista e mastigam as suas palavras. O Precursor faz saber que o Messias está a chegar e portanto é tempo de conversão e de mudança de vida. Pessoas de várias condições manifestam a vontade de se preparar: que devemos fazer?

       As respostas de João Batista são concretas: «Quem tiver duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma; e quem tiver mantimentos faça o mesmo... Não exijais nada além do que vos foi prescrito... Não pratiqueis violência com ninguém nem denuncieis injustamente; e contentai-vos com o vosso soldo».

        Há mais alegria em dar do que em receber. A alegria também se deve procurar, deve ser uma opção de vida, ainda que por vezes a vida seja madrasta. Todas as pessoas e todos os grupos podem participar da alegria que nos vem de Deus, comprometendo-se a construir um mundo mais solidário, mais humano.

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       4 – São João Batista, que nos acompanha de perto, não se deixa confundir pelos elogios e aponta para Jesus, a verdadeira Alegria, o Messias de Deus: «Eu batizo-vos com água, mas está a chegar quem é mais forte do que eu, e eu não sou digno de desatar as correias das suas sandálias. Ele batizar-vos-á com o Espírito Santo e com o fogo. Tem na mão a pá para limpar a sua eira e recolherá o trigo no seu celeiro; a palha, porém, queimá-la-á num fogo que não se apaga».

       A proximidade do Deus que vem salvar-nos convoca-nos ao júbilo mas também ao compromisso. É bom que façamos frutificar a semente em nós plantada pela Palavra de Deus e demos fruto em abundância... A palha sem fruto só dará para queimar. O aviso de João Batista não é uma ameaça. Ele responsabiliza-nos. Não somos mais crianças irresponsáveis, ainda que devamos manter a mesma lisura, mas adultos envolvidos na transformação do mundo. Antecipamos a chegada de Deus pelo bem que promovemos. "Deus é o meu Salvador, tenho confiança e nada temo. O Senhor é a minha força e o meu louvor. Ele é a minha salvação... Cantai ao Senhor, porque Ele fez maravilhas, anunciai-as em toda a terra. Entoai cânticos de alegria, habitantes de Sião, porque é grande no meio de vós o Santo de Israel".

       Não estamos sozinhos. E isso é fonte de alegria. Ele segue connosco e faz-Se presente por todos os que nos acompanham no caminho. E isso apazigua-nos e dá-nos vitalidade para continuarmos a trabalhar por um mundo melhor e onde nos reconheçamos como irmãos.

 

Pe. Manuel Gonçalves

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Textos para a Eucaristia (C): Sof 3, 14-18a; Sl Is 12, 2-3. 4bcd. 5-6; Filip 4, 4-7; Lc 3, 10-18.


08
Dez 15
publicado por mpgpadre, às 14:30link do post | comentar |  O que é?

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Reflexão preparada e distribuída na Solenidade da Imaculada Conceição 2015:

 

A sabedoria de quantos – e são tantos – os que souberam fazer das batalhas da vida um trampolim maior para alcançar uma felicidade profunda e duradoura advém, em grande parte, das pequenas alegrias que souberam semear e colher, nas e das diversas situações do seu quotidiano. Um dos exemplos mais evidentes disso mesmo é o da mãe de Jesus, a quem tão carinhosamente invocamos como Senhora da Conceição.

 

Precisamente desde o momento da conceção de Cristo, no seu seio, que conhecemos a sua vida como um contínuo e constante hino à alegria. A mulher que, de entre todas as do seu tempo, tenha sido talvez a mais incompreendida, a mais criticada e a mais desprezada, tornou-se para uma multidão de pessoas e um sem número de gerações a mulher mais admirada, mais seguida e mais amada. Tudo isto pela força inaudita de uma alegria inesgotável que transcorre do seu sentir e que transparece no seu agir.

 

Em Maria conseguimos ver refletido o contentamento inédito que nos podem trazer as mais simples realidades do dia-a-dia, que também esteve presente na vida d’Ela, em muito semelhante à quotidianidade da nossa própria vida. Por isso pudemos, até hoje, e podemos, a partir de agora, compreender a incomensurável alegria de chegar a diferentes lugares, ou a tantos corações que precisam da nossa presença, como outrora foi necessária a chegada de Maria à vida de tanta gente, e como hoje continua a ser desejada a Sua visita à vida de cada um de nós. De igual modo, experimenta Ela a alegria de partir, e ensina-nos a fazer o mesmo, e impele-nos a partir para destinos humanos, e desafia-nos a ir, mesmo que o caminho seja de calvário. 

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A existência alegre de Maria denota-se também na sua felicidade em receber, tanto aquilo que vem de Deus, e que por Ela toda a humanidade recebeu, como o muito que o mundo e as vicissitudes da sua vida terrena lhe puderam oferecer. É esta alegria que ela nos ensina também a experimentar. E para que muitos recebam é indispensável que outros tantos tenham alegria de dar. Quanto a isso, também Nossa Senhora, com a doação gratuita e generosa de si mesma, nos ensina a maneira quanta felicidade nos chega quando damos e nos damos. 

 

Também o modo de atuar da Mãe do Céu nos testemunha a necessidade alegre de falar, sobretudo quando se fala de Deus e as nossas palavras respiram Evangelho e exalam o perfume da paz e do amor, do respeito e da compreensão. Esta é a mesma alegria que cada um é convidado a experimentar quando se torna oportuno e necessário calar, porque as palavras não conseguem dizer mais que o silêncio, ou simplesmente porque se impõe o dever e a necessidade de escutar, como tão bem soube fazer Maria de Nazaré.

 

É ainda Ela, que nos faz interiorizar a alegria de estarmos juntos. É importante que por Ela estejamos reunidos. Mas é sobretudo urgente que através d’Ela estejamos também muito unidos. Esta união, porem, depende substancialmente da alegria de estarmos sozinhos, numa intimidade muito estreita com Deus e numa sintonia bastante perfeita com aquela que nos ensina o valor do recolhimento, da oração e do encontro fecundo com Deus. 

 

No limiar do jubileu da misericórdia, não conseguimos deixar de olhar para Nossa Senhora como aquela de muito perto experimenta a alegria do perdão. Não porque precisasse de ser perdoada, mas porque nos dá lições de como é grande a alegria e inextinguível a felicidade de quem sabe perdoar sempre e para sempre.

 

Pe. Diamantino Duarte

Pregador da Novena e da Festa de Nossa Senhora da Conceição, 2015


06
Dez 15
publicado por mpgpadre, às 10:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – O dia faz-se anunciar pela claridade que desponta no horizonte. Pouco a pouco a luz permite-nos ver mais além e os contornos dos objetos e das pessoas fazem-nos avançar com mais segurança. À noite todos os gatos são pardos e podem agigantar-se as ameaças e facilmente sermos surpreendidos por aqueles que nos roubam o sonho. A luz permite-nos discernir melhor e caminhar mais confiantes. É de LUZ que nos fala o Advento e é LUZ que o Natal nos trará em abundância. Enquanto celebramos a ESPERA, em expectativa vigilante, já experimentamos a alegria do encontro certo com Jesus. Não é uma espera banal, passageira, indiferente. É uma espera prometida e com sinais concretos que se efetivará. É Deus que promete e não promete menos que Ele mesmo no meio de nós, para nos redimir, para nos elevar. Comunga a nossa vida, para que O comunguemos, partilhando da Sua vida.

       Neste segundo domingo do Advento, surge a inevitável figura de João Batista, interpretando e concretizando as palavras de Isaías. João vem antes ANUNCIAR e PREPARAR o caminho para o Messias, o Emanuel, o Deus connosco. Para que Deus não passe despercebido, o ENVIO de João, como Precursor, adocicando o nosso coração para reconhecermos e acolhermos o Filho de Deus. Quando queremos pedir alguma coisa ao Pai, recorremos à Mãe ou a um irmão para que interceda e amacie o coração do Pai, para que nos conceda o que lhe pedimos. João vem abrir, vem rasgar, vem despertar os nossos corações e as nossas vidas, vem inquietar-nos e despertar-nos. São horas de acordar e levantar. Que o DIA não comece a meio ou se inicie sem nós.

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       2 – A salvação de Deus está próxima. Tão próxima que até lhe podemos tocar. Não vem descarnada, como aragem que passa sem se fazer sentir, ainda que na leve brisa se possa encontrar Deus. A salvação tem um nome e um rosto: Jesus Cristo, o Filho de Deus. É o Rosto da Misericórdia do Pai. É um tempo novo e um REINO novo, de justiça e verdade, de alegria, de festa e de paz, é um reino sem trono nem coroa nem pompa nem armadura. É um reino de amor, feito de perdão e de serviço.

       João Batista vai mostrando como esse Reino é diferente: não exige qualificações nem se rege pelas aparências, não necessita de força ou de armas. O que precisa mesmo é de corações convertidos, dispostos a amar, a servir com alegria, corações dóceis para visualizar o Amor de Deus; pessoas que abdiquem da opacidade para transparecerem a graça que vem de Deus.

       Há diferentes reinos e cargos revestidos de poder. "No décimo quinto ano do reinado do imperador Tibério, quando Pôncio Pilatos era governador da Judeia, Herodes tetrarca da Galileia, seu irmão Filipe tetrarca da região da Itureia e Traconítide e Lisânias tetrarca de Abilene, no pontificado de Anás e Caifás...".

       Deus tem hora marcada connosco. Vem a todas as horas e em todo o tempo. Mas marca encontro connosco. Por isso, em Jesus Cristo, torna-Se pessoa, como nós. Deixa-Se ver. Deixa-Se tocar. Deixa-Se encontrar e até matar. Podemos pegar-lhe ao colo. Ou podemos pregá-lo numa Cruz. O poder de Deus é tanto que Se reduz à nossa dimensão, para não estar acima, ou à distância, ou incólume à nossa condição humana. Precisa de um lugar, uma manjedoura, um estábulo, e sobretudo quer precisar de nós. Mendiga o nosso amor.

       A palavra de Deus é dirigida a João, filho de Zacarias e de Isabel. No deserto. Todos os lugares são bons para Deus nos falar, mas por vezes necessitamos do silêncio e que as coisas e as pressas da vida não nos distraiam nem nos deixem confundir outras vozes com a voz de Deus.

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       3 – Retenhamos os verbos, disponibilizados por Isaías, daquele que anuncia o VERBO de Deus. Clamar... Preparar... Endireitar... Altear... Abater... Endireitar... Aplanar... e VER. Ver a salvação de Deus. É para este VER que a palavra de Deus nos faz ouvintes. É para este VER que João Batista percorre toda a zona do Jordão, pregando um batismo de penitência para a remissão dos pecados.

       «Uma voz clama no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas. Sejam alteados todos os vales e abatidos os montes e as colinas; endireitem-se os caminhos tortuosos e aplanem-se as veredas escarpadas; e toda a criatura verá a salvação de Deus’».

       Não podemos ficar mudos diante das injustiças. É preciso, também hoje, clamar, até que a voz nos doa. Preparemo-nos. Para recebermos bem preparamos o espaço mas sobretudo o coração e a alegria para fazer com que os convidados, aqueles que chegam, se sintam em casa. Endireitar os nossos caminhos e o nosso olhar para reconhecermos nos outros a presença de Cristo e deles cuidarmos como irmãos. Altear a nossa vida quando existem obstáculos que nos impedem de ver os outros, procurando-os e indo ao seu encontro para ajudar. Abater o orgulho, a inveja e os ódios que nos afastam dos outros, ensoberbecendo-nos, isolando-nos, pondo-nos num pedestal que cria distâncias e nos impede de sentir o calor e o odor dos que caminham connosco. Endireitar, aplanar, para que aqueles que querem vir até nós possam alcançar-nos facilmente.

       Os verbos põem-nos em movimento. A vinda de João compromete-nos, mobiliza-nos, faz-nos descruzar os braços e destapar o coração, arejar a mente e faz-nos sair do nosso espaço de conforto. O mais importante da vida, ou pelo menos, aquilo a que damos mais valor, é o que nos custa, nos sai do corpo, e nos faz transpirar. É esta a pregação de João: sair, compor o chão, alisar a terra, investir o melhor de nós, para deixarmos passar Aquele que vem de Deus, e arranjar espaço para que a Palavra tenha lugar em nós e encontre a terra trabalhada e assim a semente possa morrer como semente e nascer como planta, para vir a dar fruto em abundância.

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       4 – A oração de coleta faz sinfonia e sintonia com o desafio do Precursor. "Concedei, Deus omnipotente e misericordioso, que os cuidados deste mundo não sejam obstáculo para caminharmos generosamente ao encontro de Cristo, mas que a sabedoria do alto nos leve a participar no esplendor da sua glória".

       A convocação é para enfrentar os obstáculos, as dificuldades, os medos e as hesitações. O tempo que chega é definitivamente tempo de Deus, que nos é dado para nos aproximarmos uns dos outros e em Jesus Cristo edificarmos uma verdadeira fraternidade.

       O profeta faz ecoar as promessas do Deus que vem. É já tempo de deixar a veste de luto e de aflição e revestir o manto da justiça. O nome que Deus nos dá para sempre: «Paz da justiça e glória da piedade».

       O clamor do Profeta diante da cidade: «Levanta-te, Jerusalém, sobe ao alto e olha para o Oriente: vê os teus filhos reunidos desde o Poente ao Nascente, por ordem do Deus Santo. É Deus que os reconduz a ti, trazidos em triunfo, como filhos de reis. Deus decidiu abater todos os altos montes e as colinas seculares e encher os vales, para se aplanar a terra, a fim de que Israel possa caminhar em segurança… Deus conduzirá Israel na alegria, à luz da sua glória, com a misericórdia e a justiça que d’Ele procedem».

       Baruc ajuda-nos a compreender que mais que abatermos os montes e altearmos os vales, é Deus que o fará. Mas conta connosco. O Precursor, João Batista desafia a nossa conversão para reconhecermos e acolhermos o Messias que vai chegar. Preparamo-nos para Ele chegar. Antes, Deus prepara tudo para que nós possamos caminhar em segurança e chegarmos à Sua glória.

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       5 – O Advento não é um tempo estático, como víamos, é um tempo de ESPERA ativa. O que lá vem, melhor, Quem vem lá, exige que nos preparemos e trabalhemos o mundo em que vivemos. O Apóstolo Paulo faz da sua missiva à comunidade uma oração que interpela.

        «Peço sempre com alegria por todos vós, recordando-me da parte que tomastes na causa do Evangelho, desde o primeiro dia até ao presente. Tenho plena confiança de que Aquele que começou em vós tão boa obra há de levá-la a bom termo até ao dia de Cristo Jesus. Por isso Lhe peço que a vossa caridade cresça cada vez mais em ciência e discernimento, para que possais distinguir o que é melhor e vos torneis puros e irrepreensíveis para o dia de Cristo».

       Deus dá início à obra da salvação. Connosco. Estamos dispostos a deixarmo-nos conduzir por Ele?

 

Pe. Manuel Gonçalves

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Textos para a Eucaristia (C): Bar 5, 1-9; Sl 125 (126); Filip 1, 4-6. 8-11; Lc 3, 1-6.


28
Nov 15
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – Estamos no fim do mundo.

       Esta é uma afirmação recorrente. Amiúde se ouvem expressões semelhantes perante tantas desgraças que desgraçam a vida das pessoas, das famílias, das comunidades e dos povos. Violência doméstica, corrupção, terrorismo e, em consequência, a multidão de refugiados, guerrilhas, vandalismo, exploração infantil, maus tratos, tráfico de droga e de órgãos humanos, trabalho precário, miséria, mortes e mais mortes, por tudo e por nada. Inicia o noticiário e logo esperamos ver mais algum escândalo, mais uma cena de violência ou de pancadaria, mais uma explosão ou um ataque terrorista. A violência e a publicitação da mesma vai globalizando a indiferença. Os nossos olhos vão-se habituando à escuridão, o nosso coração habitua-se às trevas, já pouco nos comove. Antes, quando víamos – através dos meios de comunicação social, que tinham muito mais pudor – um corpo estendido no chão, eventualmente coberto, escandalizávamo-nos. Hoje, é mais um e outro e outro e vários, destapados. É tão familiar que não nos faz reagir. Nada de novo.

       Por outro lado, a desmobilização e desmotivação. As desgraças são tantas que por mais vontade que tenhamos não há muito a fazer para inverter um caminho destrutivo e tenebroso. O melhor é fazer como outros, deixar o tempo correr e logo se verá. Se não melhorar, piora, estaremos cá para ver, ou já não estaremos e que outros resolvam. Acaso, sou guarda do meu irmão? Interpelação de Caim a Deus, quando Deus lhe pediu contas do seu irmão Abel. Também a nós Deus nos pergunta pelos nossos irmãos, responsabilizando-nos por eles. O que fizerdes ao mais pequeno dos meus irmãos a Mim o fazeis.

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        2 – «Erguei-vos e levantai a cabeça, porque a vossa libertação está próxima».

       O fim do mundo, no sentido cristão, seguindo o Evangelho, não é o caos, um momento de destruição que acabe com o mundo. O fim do mundo é Deus. É o tempo em que se remete para Deus o mundo inteiro e a Ele se confiam as suas alegrias e as suas tristezas. Trata-se da soberania de Deus sobre o Universo. Com a chegada de Jesus Cristo, o mundo chega ao fim, estamos nos últimos dias, preenchidos de graça e de misericórdia. A vinda de Jesus lembra-nos que o tempo não é nosso e que o espaço deve ser casa para todos. O nosso tempo chegou ao fim para que o tempo que ora nos é dado tenha um fim, uma finalidade, um sentido. Se o tempo é nosso, faremos dele o que quisermos, mesmo que o usemos contra os outros. Se o tempo é final, tempo de Deus, há que valorizar cada momento, para agradecer e louvar, para partilhar. O tempo não é nosso, é de Deus. É para nós, mas não apenas para nós. Não poderemos reter o tempo que não é nosso. É-nos dado. Tudo o que nos é dado por Deus é para condividir! Como os dons. Estes só são verdadeiramente dons quando partilhados, quando colocados a render. Dons recebidos para dar, para que sejam DOM.

«Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas e, na terra, angústia entre as nações, aterradas com o rugido e a agitação do mar. Os homens morrerão de pavor, na expectativa do que vai suceder ao universo, pois as forças celestes serão abaladas».

       Não vos alarmeis. Não é o fim. Levantai-vos. Erguei a cabeça, o olhar, o coração e a vida. Deus está por perto. A vossa salvação está iminente. Não vos inquieteis. É inevitável que estas coisas aconteçam. Enquanto houver tempo e história e humanidade. Não que nos desculpemos com as nossas limitações, mas não somos deuses. A fragilidade e a indigência acompanham-nos em todo o tempo. Só Deus é Deus. E só em Deus seremos totalmente o que estamos chamados a ser pela graça do batismo: filhos no Filho, abençoados, redimidos. Na história, como caminho, podendo fraquejar; na eternidade de Deus, como plenitude, eternamente.

 

       3 – «Hão de ver o Filho do homem vir numa nuvem, com grande poder e glória... Tende cuidado convosco, não suceda que os vossos corações se tornem pesados pela intemperança, a embriaguez e as preocupações da vida, e esse dia não vos surpreenda subitamente como uma armadilha... Portanto, vigiai e orai em todo o tempo, para que possais livrar-vos de tudo o que vai acontecer e comparecer diante do Filho do homem».

       Se estamos nos últimos tempos, o compromisso com a criação há de ser mais efetiva e reforçar o empenho em transformar o mundo que habitamos. O fim não paira como ameaça, mas como esperança e como desafio. O fim é de Deus, para Quem nos encaminhamos. Se é Ele que vem e que chega, então estamos tranquilos, ainda que surjam ideologias ou poderes diabólicos. Se o tempo é breve, cabe-nos intensificar a nossa contribuição para tornarmos o mundo mais favorável para todos, construindo os novos céus e a nova terra, tempo novo iniciado com Jesus Cristo.

       Vigiar e estar preparados. Não é uma atitude passiva como quem cruza os braços e espera um desenlace catastrófico. Implica-nos e impele-nos a fazer o que está ao nosso alcance, concorrendo com o que somos e com os meios de que dispomos para que o tempo dado por Deus, e por nós recebido, seja partilhado e consumado na justiça, na humanização das pessoas e das estruturas, na inclusão de todos, preferencialmente dos mais pobres.

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       4 – Os profetas acalentam a esperança do Povo de Israel com a promessa de Deus enviar a salvação. Agora como então, e como no tempo de Jesus, as dificuldades e os contratempos, as perseguições e as guerras fazem desanimar as pessoas. O povo eleito experimenta as agruras do exílio, da invasão de outros povos, a miséria, a violência.

       Os profetas, mensageiros de Deus, trazem a certeza de tempos novos, tempos abençoados pela intervenção do Senhor: «Dias virão, em que cumprirei a promessa que fiz à casa de Israel e à casa de Judá: Naqueles dias, naquele tempo, farei germinar para David um rebento de justiça que exercerá o direito e a justiça na terra. Naqueles dias, o reino de Judá será salvo e Jerusalém viverá em segurança. Este é o nome que chamarão à cidade: ‘O Senhor é a nossa justiça’».

       Para nós cristãos, Jesus Cristo é a nossa justiça. É Ele que justifica a nossa vida e nos torna novas criaturas, no Batismo, pela água e pelo Espírito Santo. Com o advento de Cristo, o Céu fica mais perto. O Apóstolo Paulo, em jeito de oração e de bênção, compromete-nos, pela pertença a Cristo, na caridade diligente para com todos.

       «O Senhor vos faça crescer e abundar na caridade uns para com os outros e para com todos, tal como nós a temos tido para convosco. O Senhor confirme os vossos corações numa santidade irrepreensível, diante de Deus, nosso Pai, no dia da vinda de Jesus... Recebestes de nós instruções sobre o modo como deveis proceder para agradar a Deus e assim estais procedendo; mas deveis progredir ainda mais. Conheceis bem as normas que vos demos da parte do Senhor Jesus».

       A espera, para os crentes, é ativa. Não esperamos por outros tempos ou por que outros façam o que nós podemos e devemos fazer para tornar o mundo mais habitável e mais casa de todos. O nosso compromisso é com Jesus, visualizável no nosso semelhante, através do serviço.

 

       5 – Peçamos ao Senhor auxílio e fortaleza nas adversidades, luz e discernimento nas dúvidas. «Mostrai-me, Senhor, os vossos caminhos, ensinai-me as vossas veredas. Guiai-me na vossa verdade e ensinai-me, porque Vós sois Deus, meu Salvador».

       Que a sabedoria de Deus nos desperte para o serviço dedicado aos irmãos. «Despertai, Senhor, nos vossos fiéis a vontade firme de se prepararem, pela prática das boas obras, para ir ao encontro de Cristo, de modo que, chamados um dia à sua direita, mereçam alcançar o reino dos Céus» (oração de coleta).

 

Pe. Manuel Gonçalves

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Textos para a Eucaristia (C): Jer 33, 14, 16; Sl 24 (25); 2 1 Tes 3, 12 – 4, 2; Lc 21, 25-28. 34-36.


27
Dez 13
publicado por mpgpadre, às 11:00link do post | comentar |  O que é?

       Durante os quatro domingos do Advento, a comunidade paroquial de Pinheiros foi sendo introduzida, com a coordenação dos acólitos, na dinâmica do Advento como preparação para a celebração festiva do Natal, com o acender das 4 velas e preparação do presépio. No dia de Natal, no início da Eucaristia, a colocação da imagem do Menino Jesus no presépio e jogral sublinhando algumas expressões: celebrar, fraternidade, Deus connosco, Jesus Luz Verdadeira, Família. No pai-nosso, união das mãos e das pessoas, com as crianças frente ao altar. Durante o beijar do Menino um pequeno postal de felcitações para as famílias. Algumas imagens ilustrativas:

Para outras fotos visitar a página da Paróquia de Pinheiros no facebook

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22
Dez 13
publicado por mpgpadre, às 09:00link do post | comentar |  O que é?
       1 – "A virgem conceberá e dará à luz um filho e o seu nome será Emanuel". O sinal dado por Deus ao povo da Aliança, através do profeta Isaías, ganha consistência e realidade com o nascimento de Jesus Cristo, Verbo Encarnado, Filho de Deus, nascido da Virgem Maria, pelo poder do Espírito Santo.
       Será um Deus próximo, no meio de nós. Naqueles dias, o povo vivia um tempo de trevas, de afastamento, conflito, divisões, uma noite contínua. Porém, Deus não afasta a Sua mão, e muito menos o Seu coração. Desafia o regresso à Aliança, acalenta a esperança: «Escutai, casa de David: Não vos basta que andeis a molestar os homens para quererdes também molestar o meu Deus? Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: a virgem conceberá e dará à luz um filho».
       É um sinal que vem do futuro, como promessa e como esperança, mas também como aviso e como compromisso. A mensagem profética reclama dos que molestam o seu próximo, em particular aqueles que tem o poder e a missão para cuidar do povo. O sinal – A virgem dará à luz um filho – há de envolver-nos já, aqui e agora (hic et nunc) no cuidado com os mais frágeis, aqueles que Deus nos dá para O acolhermos e amarmos.
       2 – São Mateus acentua, de forma clarividente, a ligação do Messias ao povo eleito. Envolvido pela Luz divina, cujo nascimento está marcado pelo mistério, o Filho de Deus está genealogicamente inserido no povo hebreu, na sua cultura e na sua história. Vejamos a Boa Notícia:
"O nascimento de Jesus deu-se do seguinte modo: Maria, sua Mãe, noiva de José, antes de terem vivido em comum, encontrara-se grávida por virtude do Espírito Santo. Mas José, seu esposo, que era justo e não queria difamá-la, resolveu repudiá-la em segredo. Tinha ele assim pensado, quando lhe apareceu num sonho o Anjo do Senhor, que lhe disse: «José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que nela se gerou é fruto do Espírito Santo. Ela dará à luz um Filho e tu pôr-Lhe-ás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados». Tudo isto aconteceu para se cumprir o que o Senhor anunciara por meio do Profeta, que diz: «A Virgem conceberá e dará à luz um Filho, que será chamado ‘Emanuel’, que quer dizer ‘Deus connosco’». Quando despertou do sono, José fez como o Anjo do Senhor lhe ordenara e recebeu sua esposa".
       O Deus que salva (= Jesus), nasce pelo poder do Espírito Santo no seio de Maria. São José faz parte deste mistério de salvação, sendo-lhe revelado a origem do Menino Deus e a missão de Lhe dar o NOME, preparando-Lhe uma CASA e uma FAMÍLIA humana. O sonho de José revela-nos, a todos, a vinda do Filho de Deus à terra, para habitar junto de nós e nos habitar.
       Ele é o Emanuel, Deus connosco, Deus no meio de nós. Vem para salvar o povo dos seus pecados, libertando-nos de tudo o que gera ruína, divisão, afastamento dos outros e de Deus.
       3 – O sonho alimenta a vida. José tem um sonho. Sem sonho. Sem esperança. Sem luz. Sem caminho. Sem saída. Morte. Tristeza. Deserto. Desencanto. Escuridão. Mar revolto. Águas agitadas. Tempestade. Fuga. Distância. Indiferença. Desespero. Morte. Sem sonho. É preciso sonhar. Esperar. E deixar-se iluminar, guiar, é preciso sair de si, e de dentro do sonho. Há vida e luz e horizonte e esperança. E Deus. No meu e no teu sonho. Procurar. Encontrar. Acolher e amar. Viver. Criar. Juntar. Comungar. Dar. Partilhar. Viver, como filhos de Deus, irmãos em Jesus Cristo.
       E eis que vem, do alto, do Céu, da eternidade, de Deus, o Filho. Traz-nos a paz que brota do amor sem limites nem tréguas. É o AMOR que salva e nos dá uma vida nova. Uma vez inundados pela LUZ que nos chega de Jesus, uma vez convertidos, assumimos a missão de levar a outros esta Mensagem de salvação. Com efeito, tornamo-nos discípulos missionários, apóstolos. "Ele é Jesus Cristo, Nosso Senhor. Por Ele recebemos a graça e a missão de apóstolo, a fim de levarmos todos os gentios a obedecerem à fé, para honra do seu nome, dos quais fazeis parte também vós, chamados por Jesus Cristo".
        Cristo constitui-nos, como a São Paulo, Apóstolos do Evangelho: a Alegria que salva, a Boa Notícia que nos provoca e nos assume como discípulos missionários. A Alegria do Evangelho é como a luz que se acende para colocar em lugar que ilumine toda a casa e não para ficar escondida debaixo do alqueire. Ou como a água do rio que se vai entranhando na terra, avança fertilizando as margens, com a vida que transporta no seu seio. Assim o Evangelho, vida que gera vida. Alegria que transborda. Boa notícia que se espalha.

Textos para a Eucaristia (ano A): Is 7, 10-14; Rom 1, 1-7; Mt 1, 18-24.

 

Reflexão Dominical na página da Paróquia de Tabuaço.


15
Dez 13
publicado por mpgpadre, às 18:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – Em muitas casas portuguesas, talvez mais a norte de Portugal, e num tempo de grande dificuldade que acentuou a emigração, podem ouvir-se diálogos como este:

       – Mãe, em que dia vem mesmo o pai?

       – Se Deus quiser estará em casa no dia 18 à noite. Mas porquê? Eu já te tinha dito.

       – O tempo nunca mais passa, parece que os dias são enormes.

       – Eu sei, sinto o mesmo, mas já só faltam uns dias.

       – Olha, mãezinha, podíamos começar a preparar tudo, o presépio, a árvore de Natal, colocar as prendas do pai. Vais-me dizer mesmo o dia em que chega?! Queria vestir aquela roupa que ele me trouxe. Podíamos ir arranjar o cabelo, compor as unhas, fazer o buço…

       – Mas filha, não podemos desperdiçar dinheiro. Sabes, o teu pai está lá fora para ganhar algum dinheiro mais e nós temos que poupar para que um dia ele não precise de sair de ao pé de nós. Ele ficará mais feliz com a nossa presença e com a nossa alegria. Veremos o que podemos fazer.

       – Ele não se importa, pois sabe que queremos estar todas lindas para ele. Estou tão contente, parece que ele já está à porta, pronto para entrar. Estou tão feliz. Espero que estes dias passem rapidamente. Vou arrumar melhor o meu quarto, vai ficar nos trinques!

       2 – O terceiro domingo do Advento é conhecido como o Domingo da Alegria – Gaudete. Ainda faltam uns dias para a celebração festiva do Natal, mas sublinhamos esta alegria pela certeza que Jesus vai chegar às nossas vidas, ao nosso coração. A Alegria do Evangelho há de generalizar-se em todo o tempo, pois Deus ama-nos infinitamente e sempre desce à nossa vida. É uma alegria missionária. Acolhemos o Senhor e deixamos que transborde o amor de Deus em nós para as pessoas que encontramos, procurando identificar-nos com Ele. Enquanto preparamos, em espera ativa, sentimos o entusiasmo pela brevidade com que o Senhor vem salvar-nos.

       De outros tempos e lugares, chega-nos a voz da esperança de Isaías. No meio de incertezas e adversidades, o profeta convida o povo a levantar-se em júbilo, pois já falta pouco para chegar a salvação, é como luz que já se vê no horizonte, dando-nos mais força para caminhar, fortalecendo os nossos passos, iluminando cada vez com mais luz o nosso peregrinar. E isso é motivo de alegria, de paz e de confiança:

«Alegrem-se o deserto e o descampado, rejubile e floresça a terra árida, cubra-se de flores como o narciso, exulte com brados de alegria. Dizei aos corações perturbados: 'Tende coragem, não temais: Aí está o vosso Deus, vem para fazer justiça e dar a recompensa. Ele próprio vem salvar-vos'. Então se abrirão os olhos dos cegos e se desimpedirão os ouvidos dos surdos. Então o coxo saltará como um veado e a língua do mudo cantará de alegria. Voltarão os que o Senhor libertar, hão de chegar a Sião com brados de alegria, com eterna felicidade a iluminar-lhes o rosto. Reinarão o prazer e o contentamento e acabarão a dor e os gemidos». 

       3 – A alegria, pela proximidade do Messias, e a consequente salvação, está de mãos dadas com a confiança, mas também com a paciência. Se vislumbramos a luz, por menor que seja, se a Luz nos atrai cada vez com mais intensidade, isso não significa que não advenha a dúvida, a incerteza, a escuridão em algum recanto da nossa vida, ou que tropecemos em algum obstáculo.

       O apóstolo São Tiago apresenta-nos uma imagem belíssima, convidando-nos a esperar pacientemente e a fortalecer o ânimo dos irmãos:

«Esperai com paciência a vinda do Senhor. Vede como o agricultor espera pacientemente o precioso fruto da terra, aguardando a chuva temporã e a tardia. Sede pacientes, vós também, e fortalecei os vossos corações, porque a vinda do Senhor está próxima. Não vos queixeis uns dos outros, a fim de não serdes julgados. Eis que o Juiz está à porta. Irmãos, tomai como modelos de sofrimento e de paciência os profetas, que falaram em nome do Senhor».

       O agricultor não se esquece da sementeira, cada manhã olha para o tempo que faz. Se é desfavorável, não se revolta, aguarda que outra manhã seja diferente. A cada passo vai ao campo, ver se já desponta alguma das sementes. Por vezes cobre pedaços de terreno, nomeadamente a hortaliça. Outras vezes arranca uma erva incómoda que vem antes dos seus rebentos. Outras vezes, alisa mais a terra, ou revolve-a, tirando a crosta dura da terra para não impedir as sementes de germinar. Pacientemente. Quando começam a ver-se as sementes a romper a terra, brota a alegria que ainda há de passar por mais trabalhos e provações, pois agora o clima será ainda mais importante, podendo queimar o que se semeou, ou contribuindo, por exemplo, para que a hortaliça seja mais mole e mais “doce”.

 

       4 – Quem não quer perder a alegria da chegada do Messias, é o Precursor. Está na cadeia. Já se terá cruzado com Ele, mas ainda assim não quer morrer sem antes ter a certeza absoluta que é mesmo o Messias esperado. Quase como o velho Simeão, no Templo, aquando da apresentação de Jesus: «Agora, Senhor, segundo a tua palavra, deixarás ir em paz o teu servo, porque meus olhos viram a Salvação que ofereceste a todos os povos, Luz para se revelar às nações e glória de Israel, teu povo» (Lc 2, 28-32).

       Chegam a João Batista ecos variados da pregação de Jesus e dos prodígios realizados. Também devem ter chegado acusações, maledicências, insinuações. Pela via das dúvidas, João envia discípulos a Jesus para tirar as coisas a limpo. Na volta, Jesus não responde com palavras, podem sempre ser lidas, interpretadas, e alteradas pelos interlocutores. Diz-lhes Jesus: «Ide contar a João o que vedes e ouvis: os cegos veem, os coxos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e a Boa Nova é anunciada aos pobres. E bem-aventurado aquele que não encontrar em Mim motivo de escândalo».

       Como em outras situações, Jesus não tenta convencer, mas mover, envolver, deixando-nos espaço suficiente para uma adesão pessoal e livre, e dando-nos tempo para refletir e acolher a Sua presença e a Sua mensagem. Os enviados de João observam e serão eles a dizer-lhe o que viram. Conhecedor da Sagrada Escritura, João Batista não terá muitas dúvidas em reconhecer o messianismo de Jesus.

 

       5 – Quando os discípulos regressam para contar tudo o que viram fazer, Jesus dá um extraordinário testemunho de João Batista: «É dele que está escrito: ‘Vou enviar à tua frente o meu mensageiro, para te preparar o caminho’. Em verdade vos digo: Entre os filhos de mulher, não apareceu ninguém maior do que João Baptista. Mas o menor no reino dos Céus é maior do que ele».

       Também em Jesus transborda a alegria por saber que Deus Se manifestou através de João Batista, ao mesmo tempo que nos convida a prepararmo-nos, como João, para melhor O acolhermos. Não basta esperar de braços cruzados, é preciso esperar ativamente, como o agricultor que espera e se vai alegrando com o irromper das sementes, ajeitando a terra, e protegendo as plantas que são mais sensíveis ao clima. Sabe que não controla todos os elementos, mas há algumas situações de que se pode precaver.

       Para estarmos quentes e felizes à lareira, precisamos de lenha, de a acarretar, de a ajeitar, de a colocar a arder e esperar que a chama se espalhe. A fogueira pode apagar-se, e, por isso, vamos ajeitando o lume para que não morra, e controlamos se queremos mais ou menos quente. Assim na nossa vivência da fé cristã. Experimentamos uma alegria imensa, por Deus que vem, mas comprometidos em Lhe responder com amor e dedicação, comprometidos com os irmãos, que são, como nós, filhos seus. Alimentamos a chama, a fé, com alegria.


Textos para a Eucaristia (ano A): Is 35, 1-6a.10; Tg 5, 7-10; Mt 11, 2-11.

 

Reflexão Dominical na página da Paróquia de Tabuaço.


08
Dez 13
publicado por mpgpadre, às 09:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – «Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra».
       Não é preciso dizer muito mais. O Evangelho é Jesus Cristo. A Boa Notícia da Salvação. Nossa alegria e nossa esperança. Nossa Páscoa. É Ele que definitivamente rasga os céus. Enviado pelo Pai, entra na história e no tempo. Vivendo como verdadeiro homem, assume-nos por inteiro, no tempo e na finitude, na fragilidade e no sofrimento. Vive entre nós. Levado a um julgamento iníquo, carrega-nos até ao Calvário, obriga-nos a olhar para o alto, para além de nós, acima deste chão que nos irmana e nos faz mais iguais. Morre, mas volta, ressuscita, regressa para nós. Pelo Espírito Santo permanece connosco até ao fim dos tempos.
       Mas antes, antes de tudo, antes da criação e do mundo, desde sempre no pensamento de Deus, uma Mulher sonhada e criada para amar, para "facilitar" um caminho de liberdade e de respeito pela dignidade humana. Deus criou-nos com inteligência e vontade. Livres para amar ou para odiar. Livres para Lhe respondermos, ou para nos afastarmos d'Ele. Como os pais que querem o melhor para os filhos e, muitas vezes, têm ganas de os obrigar porque é para o bem deles... mas a vida é deles. Deus dá-nos a vida como dom e como tarefa. Cabe-nos viver.
       A história que deveria ser harmoniosa instala a discórdia, e às tantas, vem ao de cima o que nos separa e não o que nos liga e nos identifica como irmãos. Esquecemo-nos dos outros. Ou temos os outros como inimigos cuja vida parece estorvar a nossa. Deus não desiste nunca. Ainda que nos cansemos de O acolher. É nesta história de amor que Deus escolhe um povo. Envia mensageiros. Vem Ele próprio, como Deus e Senhor, não por cima impondo-se, mas debaixo, nascendo, vindo do mesmo pó da terra. Terra que se mistura com o sopro do Seu Espírito. Assim connosco, assim com Jesus. Respeitando a Sua obra criadora, Deus, para nascer como Homem precisa, melhor, quer precisar, de uma mulher. E a aí está Maria, a cheia de graça.

       2 – «Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra».

       Deus espera por nós, sempre espera, aguarda, pacientemente, como o Pai da parábola, cujo filho se prodigaliza. Criou-nos sem nós, diz Santo Agostinho, mas não nos salva contra a nossa vontade. Espera o nosso SIM mas não força. Quando o Anjo anuncia Aquele que está para vir há uma espera infinita: o Todo-poderoso fica a depender da vontade de uma Mulher, cujo coração desde sempre preparou, virginal e fiel, cheio de graça e de amor. O projeto inicial, que em Eva encontrou resistência, encontra agora um coração singelo. Deus não se enganou antes. Mas só a Nova Eva – Maria – é plena de graça.
       Deus não abandou o Homem à sua sorte mesmo quando este se quis independente e longe do Criador. O rumor dos passos de Deus fazem-se ouvir no jardim. Diante d'Ele não podemos estar vestidos, disfarçados, pois Ele contempla o nosso interior. Vem ao nosso encontro, ainda que nos escondamos. O mal maior não é o pecado mas aquilo que provoca em nós, a vergonha, o medo, a falta de confiança em Deus. Também a nós nos pergunta onde nos encontramos, em que situação vivemos, o que fazemos do tempo e dos dons que nos dá. Refira-se que o conhecimento não é, a priori, um bem ou mal em si mesmo, mas o que fazemos com o nosso saber e com a nossa vontade, com os caminhos que escolhemos seguir. Se o utilizamos com sabedoria, orientando-nos para o bem e para os outros, então o conhecimento é facilitador. Se o utilizamos para benefício próprio, por egoísmo, e contra os outros, então o conhecimento é nefasto.
       Por outro lado, neste texto é visível o respeito de Deus pela nossa autonomia e liberdade. Quer e procura o nosso convívio, mas permite que nos escondamos. Ao mesmo tempo mostra como é Pai, não tem vergonha de nós, não Se cansa de perdoar, nós é que nos cansamos de lhe abrir o coração e a vida, para que nos encontre e de novo nos transforme.
 
       3 – «Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra».
       Inesperadamente, um Anjo entra na vida de Maria, saudando-A: Ave, ó cheia de graça, o Senhor está contigo. Irás ser Mãe do Filho de Deus. Maria, como pessoa inteligente e livre, com vontade própria, não se deixa iludir nem manipular. Logo questiona: como será isso se Eu não conheço homem? A resposta do Anjo encontra eco em toda a Palavra de Deus, no Antigo e Novo Testamento: não temas, Maria, «o Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra». Curioso, quantas vezes perscrutamos a voz de Deus a transmitir-nos confiança. Para tornar mais fácil a perceção do que está para a acontecer, o Anjo Gabriel informa Maria que a Sua prima Isabel, estéril, se encontra grávida. Os mistérios de Deus são insondáveis. Não queiramos escrutinar tudo. O mistério, por mais que se desvele, permanece mistério. Por conseguinte, não nos impõe nada que não acolhamos de livre vontade.
       Maria fica extasiada. Como é possível? Mas não faz perguntas indefinidamente, pergunta o essencial: como é que Deus pode nascer de uma mulher, de uma Virgem? Com a resposta do Anjo, Maria não hesita: realize-Se em Mim a Tua santa vontade.
       O sim de Maria altera para sempre a história da salvação e a relação de Deus com o ser humano, que não mais se fará por intermediários, do exterior para o interior, mas pelo próprio Filho, dentro da história e do tempo, dentro da humanidade, o único Mediador entre Deus e os homens. O sim de Maria é anterior à expressão dos lábios, é um Sim que Ela trazia no peito, no coração, um sim sempre pronto a dar-se, a perder a própria vida para que outros pudessem ter vida própria. Quando as palavras do Anjo se fazem ouvir no Seu coração, Ela exalta de alegria, não apenas por si, mas por se tornar morada do Deus Altíssimo, dando à humanidade a mesma possibilidade. Também agora podemos ser morada de Deus, templos do Espírito Santo. Mas atenção, o sim de Maria não é estático, mas dinâmico, logo que o Anjo ascende, Maria corre para a montanha para ajudar a Sua prima Isabel.

        4 – «Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra».
       O projeto de Deus é concretizável pela resposta humana, por esta primeira resposta de Maria. Concebida sem mancha, sem pecado, cheia de graça, salva, por antecipação e privilégio, em atenção à redenção que para todos vem da Cruz e da Ressurreição de Jesus, Maria acolhe a Palavra de Deus e fá-la crescer no seu ventre e na sua vida.
       Com Ela também nós podemos cantar um cântico novo, «pelas maravilhas que Ele operou. O Senhor deu a conhecer a salvação, revelou aos olhos das nações a sua justiça. Recordou-Se da sua bondade e fidelidade em favor da casa de Israel. Os confins da terra puderam ver a salvação do nosso Deus. Aclamai o Senhor, terra inteira, exultai de alegria e cantai».
       O Evangelho, a Boa Notícia que nos chega ao ouvido e ao coração, suscita Alegria e confiança. Alegra-Te Senhora, vais ser Mãe de Deus. Alegra-Te Maria que nos hás de dar o Salvador. Alegremo-nos nós também, ouvindo a Sua voz, exultemos de alegria, em altos brados. Façamos frutificar em nós, na nossa vida, Jesus. N'Ele «fomos constituídos herdeiros, para sermos um hino de louvor da sua glória, nós que desde o começo esperámos em Cristo... Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que do alto dos Céus nos abençoou com toda a espécie de bênçãos espirituais em Cristo. N’Ele nos escolheu, antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis, em caridade, na sua presença. Ele nos predestinou, a fim de sermos seus filhos adotivos, por Jesus Cristo, para louvor da sua glória e da graça que derramou sobre nós, por seu amado Filho».
       A condição para sermos morada do Deus altíssimo, para que em nós se realizem as maravilhas do amor e da paz, da justiça e do bem, é imitar Maria, em humildade e prontidão para servir: realize-se em mim a Tua vontade. Vem, nasce em mim, ilumina-me com a Tua bondade, dá-me o Teu perdão, guia-me para Ti, faz-nos reconhecer-te e a amar-te em cada irmão.

Textos para a Eucaristia: Gen 3,9-15.20; Sl 97 (98); Ef 1,3-6.11-12; Lc 1,26-38.

 

Reflexão na página da Paróquia de Tabuaço


01
Dez 13
publicado por mpgpadre, às 09:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – Final de tarde. Viagem para a capital. Carro pronto para fazer-se à estrada. Bagagem acomodada. Férias de verão. Mãos no volante, pronto a arrancar. Irmã. Sobrinho. A criança é sentada na respetiva cadeirinha, no banco de trás. Menos de nada adormece sereno. A mãe ocupa o lugar de pendura, faz companhia ao condutor, para que este se mantenha desperto e atento à estrada, pondo-se a conversa em dia. Mãe sempre com o ouvido apurado e o olhar sorrateiro sobre o filho. Entretanto vem caindo a noite, escurece progressivamente. Do nada, a criança começa numa choradeira desalmada. Para-se o carro, a mãe passa para junto da criança que logo volta a sossegar, adormecendo novamente. Afinal a escuridão é a mesma, mas com a mãe ao lado, tudo é calmaria, nada assusta.

       Entramos num salão em total escuridão. Queremos passar de um para o outro extremo. Tateamos e nada. Nem um palmo vemos à frente do nariz. O medo de darmos uma canelada em algum móvel é maior, já antecipamos a dor, com a possibilidade de destruirmos algo de valioso que encontremos pela frente. Alguém entreabre a porta para a qual nos dirigimos, apenas uma nesga, uma luz ténue. E já nós avançamos seguros, ainda que nos circundem muitas trevas, uma vez que se vislumbra a direção e já podemos distinguir formas e objetos, avançamos. E quanto mais nos aproximamos da luz melhor vemos à nossa volta. É esta a dimensão de confiança que Jesus nos traz. A luz da fé orienta-nos no caminho a percorrer, a voz de Jesus atrai-nos.

       Ainda que envolvidos em trevas, mas o sabermos que uma mão nos segura, uma luz nos aponta a meta, Alguém caminha ao nosso lado, é chão seguro para acalmar a nossa dor, para antecipar a Alegria do encontro e da vida. Como reafirma o papa, na Sua primeira Exortação Apostólica, A Alegria do Evangelho (Evangelii Gaudium), mesmo nas circunstâncias mais adversas, a alegria “sempre permanece pelo menos como um feixe de luz que nasce da certeza pessoal de, não obstante o contrário, sermos infinitamente amados”.

       2 – Percorremos um ciclo completo, de um Advento ao outro. É uma espiral, o círculo quase se fecha, com a solenidade de Cristo Rei, conclusão do ano litúrgico, mas logo outro tempo se apresenta, como dom, em continuidade, pois é um e o mesmo mistério da salvação, morte e ressurreição de Jesus, em cada Eucaristia renovando-nos e renovando a Igreja.

       Curiosamente ou não, os textos são muito próximos, falam-nos do fim/plenitude dos tempos e da vinda de Jesus, do desfecho mas sobretudo da confiança no amor de Deus que vive entre nós. Jesus fala abertamente, muitas coisas irão suceder. Os discípulos não estão isentos de sofrimentos, de perseguição, de injúrias, e morte. Guerras, cataclismos, violência, tumultos. Erguei-vos, levantai a cabeça, não temais, está perto a vossa salvação. O medo é próprio do desconhecido e do que vem aí, mas sabermo-nos apoiados por Alguém que vem do futuro e que antecipa a nossa salvação, dá-nos ganas para prosseguir com a segurança necessária. Melhor, e mais uma vez, como filhos que se lançam ao encontro dos braços delicados da mãe, ou dos braços fortes do pai, sem calcular a distância, ou a altura, olhando apenas para os olhos, o sorriso, o rosto, os braços abertos de quem lhes quer bem.

       Esta é a garantia de Jesus. Não é tempo para paralisarmos, é HORA de vivermos, uns com os outros e para os outros. “Portanto, vigiai, porque não sabeis em que dia virá o vosso Senhor. Compreendei isto: se o dono da casa soubesse a que horas da noite viria o ladrão, estaria vigilante e não deixaria arrombar a sua casa. Por isso, estai vós também preparados, porque na hora em que menos pensais, virá o Filho do homem”.

       No final não interessa tanto a cronologia, mas a vivência quotidiana, entre alegrias e esperanças, tristezas e angústias, procurando o feixe de Luz e de Vida que nos vem de Deus, e nos enlaça e entrelaça com os irmãos. Não caminhamos sozinhos. Ele vai connosco e, se Ele nos acompanha, outros connosco se fazem à estrada.

       3 – Quando caímos na realidade nem tudo é como sonhámos. As certezas que vêm do nosso empenho por uma sociedade mais justa e humana colidem, nas mais variadas situações, com outras vontades e correntes, com indiferenças e conformismos, com ambientes contrários nos quais prevalecem injustiças, egoísmos, o "salve-se quem puder". Porém, para o cristão é sempre HORA de se fazer à estrada, é caminhando que se faz caminho. É no caminho que Jesus nos encontra. É no nosso caminhar que Deus vem até nós.

       Aí está o profeta a gritar às multidões: «Vinde, subamos ao monte do Senhor, ao templo do Deus de Jacob. Ele nos ensinará os seus caminhos e nós andaremos pelas suas veredas. De Sião há de vir a lei e de Jerusalém a palavra do Senhor».

       E a voz do profeta também a nós nos garante: “Ele será juiz no meio das nações e árbitro de povos sem número. Converterão as espadas em relhas de arado e as lanças em foices. Não levantará a espada nação contra nação, nem mais se hão de preparar para a guerra. Vinde, ó casa de Jacob, caminhemos à luz do Senhor”.

       Já não são horas para nos escusarmos com os outros ou com as circunstâncias (talvez pouco favoráveis). “Chegou a hora de nos levantarmos do sono, porque a salvação está agora mais perto de nós do que quando abraçámos a fé. A noite vai adiantada e o dia está próximo. Abandonemos as obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz. Andemos dignamente, como em pleno dia, evitando comezainas e excessos de bebida, as devassidões e libertinagens, as discórdias e ciúmes; não vos preocupeis com a natureza carnal para satisfazer os seus apetites, mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo”. 

 

       4 – A vigilância não é passiva. Vigiar implica trabalhar pelo bem, irradiar a Boa Notícia, semear a paz, potenciar a concórdia, revestir-se de Jesus, por inteiro e em todo o tempo, e não apenas quando é mais fácil ou quando dá mais jeito. Não sabemos a hora de irmos em definitivo à presença do Senhor. E que importa? Importante é vivermos intensamente, procurando dar o melhor de nós mesmos, deixando marcas positivas no mundo, na relação com a família, com os colegas de trabalho, com os vizinhos, com os moradores do nosso bairro, com os que frequentam o mesmo café, a escola, o ambiente digital.

       E quando pecarmos, isto é, quando deixarmos vir ao de cima algo de menos bom, não desistamos, recorramos ao perdão de Deus e procuremos emendar o mal feito, aumentando ainda mais o nosso compromisso com o bem, com a luz, com a verdade. Parafraseando o nosso Bispo, no Encerramento do Ano da Fé, e Dia da Igreja Diocesana de Lamego: mais pertinho de Deus, mais pertinho dos irmãos. Não nos deixemos vencer pelas dificuldades, «quando as condições são adversas, não basta acender uma luz e mantê-la; é preciso aumentar constantemente a luz. Mais luz. Mais luz. Mais luz» (D. António).


Textos para a Eucaristia (ano A): Is 2, 1-5; Rom 13, 11-14; Mt 24, 37-44.

 

Reflexão Domincial na página da Paróquia de Tabuaço.


23
Dez 12
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       1 – Em vésperas de Natal, celebração festiva do nascimento de Jesus, a Palavra de Deus coloca-nos mais perto do grande milagre da Encarnação: Deus vem em Pessoa para o meio de nós.

       O profeta Miqueias diz-nos claramente que está para chegar o Messias e que virá como pastor para apascentar todo o Israel:

«De ti, Belém-Efratá, pequena entre as cidades de Judá, de ti sairá aquele que há de reinar sobre Israel... Ele se levantará para apascentar o seu rebanho… Viver-se-á em segurança, porque ele será exaltado até aos confins da terra. Ele será a paz».

       Miqueias antecipa o ambiente que chegará com o Seu pastoreio, com a Sua realeza: segurança e paz.

 

       2 – Da promessa visível em Miqueias avançamos para a oração que se faz súplica no Salmo: “Deus dos Exércitos, vinde de novo, olhai dos céus e vede, visitai esta vinha; protegei a cepa que a vossa mão direita plantou… Estendei a mão sobre o homem que escolhestes, sobre o filho do homem que para Vós criastes”.

       Apesar dos tempos adversos, o crente confia na benevolência de Deus. Foi Deus que criou, que plantou, que cuidou, que fortaleceu. A história da fragilidade gerou conflitos, afastamento, convulsões sociais, políticas e religiosas, dispersão.

       É possível voltar. O pedido a Deus é, sobretudo, um desafio aos membros do povo eleito. Deus planta, cuida, fortalece-nos. Como reagimos? Estamos disponíveis para O acolher, para O reconhecer nos irmãos, para O descobrir no nosso mundo?

       3 – São Lucas narra a Visitação de Maria a Isabel. Na anunciação Maria fica a saber que Isabel, apesar da idade avançada, foi abençoada por Deus e encontra-se grávida. Que fazer com esta informação? Eis a resposta:

“Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se apressadamente para a montanha, em direção a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino exultou-lhe no seio. Isabel ficou cheia do Espírito Santo e exclamou em alta voz: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor? Na verdade, logo que chegou aos meus ouvidos a voz da tua saudação, o menino exultou de alegria no meu seio. Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor».

       Lucas deixa-nos dados importantes: pressa de Nossa Senhora em auxiliar Isabel. Há momentos em que as palavras devem imediatamente dar lugar a gestos concretos. Quantas situações em que temos toda a informação, mas não vamos além disso?!

       Encontro, no seio materno, de João Batista e de Jesus e a alegria como característica fundamental no encontro com Jesus. Como nos sentimos sabendo-nos salvos por Ele? É diferente a nossa vida por termos Jesus connosco?

       Papel preponderante de Maria na vida de Jesus, e futuramente na comunidade cristã. Ela é a eleita do Senhor, a cheia de Graça, escolhida para ser a Mãe do Filho do Altíssimo. É bem-aventurada porque acreditou em tudo o que o Senhor lhe comunicou. Isabel deixou-se contagiar com a presença de Deus em Maria. E nós, cristãos, de que forma nos deixamos contagiar por Jesus, pela Sua palavra, pelos seus sacramentos, pelas pessoas que Ele coloca ao nosso lado?

 

       4 – Com a chegada de Jesus Cristo, o culto antigo dá lugar a um culto novo, centrado na pessoa, no coração, nos sentimentos e afetos, na postura de cada um na inserção à comunidade crente.

“Ao entrar no mundo, Cristo disse: «Não quiseste sacrifícios nem oblações, mas formaste-Me um corpo… Eis-Me aqui… Eu venho, ó Deus, para fazer a tua vontade’»... aboliu o primeiro culto para estabelecer o segundo”.

       A Epístola aos Hebreus mostra desta forma a prevalência da pessoa sobre a lei. Jesus oferece-Se por nós e para nossa salvação. Maria, como víamos, intui esta prevalência. Exemplifica como fazer: pressa em servir.


Textos para a Eucaristia (ano C): Miq 5, 1-4a; Sl 79 (80); Hebr 10, 5-10; Lc 1, 39-45.

 

Reflexão Dominical COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

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16
Dez 12
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       1 – “Alegrai-vos sempre no Senhor. Novamente vos digo: alegrai-vos. Seja de todos conhecida a vossa bondade. O Senhor está próximo. Não vos inquieteis com coisa alguma…”

       Sobressai de imediato o desafio à alegria, que não é mero contentamento exterior, mas a paz e a confiança que brotam do coração.

       O apóstolo, em diversas ocasiões, sublinha que a vinda de Jesus não está remetida (somente) para o fim dos tempos mas acontece aqui e agora, connosco. Daí a importância da oração – que nos liga a Deus e n’Ele aos outros – e do bem que possamos fazer – expressão de uma fé autêntica –, na configuração a Jesus Cristo.

       A alegria assenta na certeza que Deus atende às nossas súplicas e lança-nos ao encontro daqueles que peregrinam ao nosso lado.

 

       2 – O terceiro domingo do Advento é conhecido como o Domingo da Alegria. Razões não faltam aos cristãos para viverem na ALEGRIA do Deus que vem e que permanece. Não estamos isentos de dificuldades, faz parte da nossa fragilidade e finitude humanas.

       A alegria vem de dentro, da nossa identidade – somos herdeiros/filhos de Deus –, da nossa pertença – irmãos em Jesus Cristo – e da salvação que Ele nos traz.

       Nesta tensão, entre a celebração festiva do Natal, que nos coloca no presépio junto a Deus que Se faz criança, e a vinda definitiva de Jesus, no dia-a-dia, e no final, quando Deus fizer regressar a Si toda a criação, saboreamos já a salvação de Deus.

       A profecia de Sofonias faz um apelo semelhante ao de São Paulo: “… solta brados de alegria, Israel. Exulta, rejubila de todo o coração… O Senhor, Rei de Israel, está no meio de ti e já não temerás nenhum mal”.

       O que Sofonias profetiza para o futuro, São Paulo vive-o como experiência, testemunhando a presença constante de Jesus na sua vida e na via das comunidades cristãs.

 

       3 – A alegria dos cristãos não significa a resignação com as situações do mal, pelo contrário, manifesta a certeza que o bem vencerá, Deus terá a última palavra. Esta certeza inunda o nosso coração de alegria, renova as nossas energias, compromete-nos na construção da casa da Fé e do Evangelho, casa de todos e para todos.

       Se existe o mal e não há forma de o vencer não adianta a luta. Se Ele vence o mundo, as forças do mal, então também nós podemos, com Ele, com a Sua graça, contribuir para vencer todas as manifestações malévolas.

       Como? João responde em concreto: «quem tiver duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma; e quem tiver mantimentos faça o mesmo; não exijais nada além do que vos foi prescrito; não pratiqueis violência com ninguém nem denuncieis injustamente».

 

       4 – Os contemporâneos de João Batista alegram-se com o anúncio da vinda do Messias. Querem estar preparados. João anuncia-lhes a Boa Nova, mas esclarece: «Eu batizo-vos com água… Ele batizar-vos-á com o Espírito Santo e com o fogo».

       Deixemo-nos contagiar pelas suas palavras e com Isaías rezemos: “Cantai ao Senhor, porque Ele fez maravilhas, anunciai-as em toda a terra. Entoai cânticos de alegria, habitantes de Sião, porque é grande no meio de vós o Santo de Israel”. 


Textos para a Eucaristia (ano C): Sof 3, 14-18a; salmo: Is 12,2-3.4bcd.5-6;Filip 4, 4-7; Lc 3, 10-18.

 

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09
Dez 12
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       1 – “… como está escrito no livro dos oráculos do profeta Isaías: «Uma voz clama no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas. Sejam alteados todos os vales e abatidos os montes e as colinas; endireitem-se os caminhos tortuosos e aplanem-se as veredas escarpadas; e toda a criatura verá a salvação de Deus’».

       João segue de perto as intuições proféticas de Isaías, outra figura incontornável do Advento. A mesma força brota das suas palavras. Vai ao deserto. Grita. Clama. Sai de Israel, vai às margens para que o povo regresse à terra da Promessa de Deus. O Senhor está a chegar. Há que arrepiar caminho. Voltemos com João Batista, preparemo-nos. A terra prometida está à vista: é Jesus Cristo que vem.

 

       2 – A Sagrada Escritura está pejada de vida. São páginas e páginas e mais páginas de vida, de história e de estórias. Um fio condutor: a PRESENÇA de Deus.

       Num mundo, como o de hoje, e o de ontem, pintado de mil cores, onde se mistura o bem e o mal, eis que se levanta uma luz, uma esperança, um POVO, um Homem que virá como Cordeiro para o meio de lobos, que virá como Pastor apascentar todo o redil.

       O Advento prepara-nos e antecipa-nos a LUZ e a alegria do NATAL: Deus no meio de nós. Daí que a Palavra de Deus acentue esta dimensão da esperança e do júbilo, como vemos ilustrado na profecia de Habacuc, na primeira leitura:

“Levanta-te, Jerusalém, sobe ao alto e olha para o Oriente: vê os teus filhos reunidos desde o Poente ao Nascente, por ordem do Deus Santo... Deus decidiu abater todos os altos montes e as colinas seculares e encher os vales, para se aplanar a terra, a fim de que Israel possa caminhar em segurança, na glória de Deus... Deus conduzirá Israel na alegria…”

       Palavras semelhantes em Isaías e na vida/missão de João Batista. A mesma esperança, a mesma alegria pela chegada breve da Salvação.

 

       3 – O salmo faz sinfonia com as leituras, refletindo a eminência da salvação, o regresso à terra prometida, o cumprimento da promessa de Deus. Ele salva o Seu povo e fá-lo regressar do exílio, da sombra e da morte. Dá como certa a libertação. O choro logo dará lugar à festa:

“Quando o Senhor fez regressar os cativos de Sião, parecia-nos viver um sonho. Da nossa boca brotavam expressões de alegria e de nossos lábios cânticos de júbilo... Os que semeiam em lágrimas recolhem com alegria. À ida, vão a chorar, levando as sementes; à volta, vêm a cantar, trazendo os molhos de espigas”.

       O salmo ajuda-nos a responder a Deus na beleza da vida que se faz cântico e oração, na história colocada em lábios suplicantes, agradecidos, recetivos à bênção divina. A alegria da salvação há de ser acompanhada pela militância na transformação do mundo, a começar em nós. Semeamos, por vezes com sangue, suor e lágrimas para colhermos, para entregarmos a Deus os frutos que faremos germinar das Suas palavras e dos nossos gestos.

 

       4 – O início encontra-se na fé, sem dúvida, como DOM de Deus em nós, que nos transforma: ilumina a nossa vida, o nosso coração, sensibiliza-nos para a vida que se desenvolve à nossa beira, ainda e sempre PRESENÇA de Deus no mundo.

       Belíssima a carta de São Paulo à comunidade de Filipos:

“Tenho plena confiança de que Aquele que começou em vós tão boa obra há de levá-la a bom termo… Por isso Lhe peço que a vossa caridade cresça cada vez mais em ciência e discernimento, para que possais distinguir o que é melhor e vos torneis puros e irrepreensíveis para o dia de Cristo…”

       É Deus que opera tudo em todos, por Jesus Cristo, Seu amado filho e nosso irmão, no Espírito Santo. Mas conta connosco. Desde que nos criou livres, Deus sujeita-Se à nossa decisão. Ele espera por nós, pela nossa resposta. Ele sabe o que é melhor para nós, como os nossos pais, mas a escolha é nossa.


Textos para a Eucaristia (ano B): Bar 5, 1-9; Sl 125 (126); Filip 1, 4-6.8-11; Lc 3, 1-6.

 

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02
Dez 12
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       1 – Iniciámos um novo ano litúrgico, vivendo sob a PRESENÇA de Deus, por Jesus Cristo, no Espírito Santo, em comunidade crente, na comunhão dos Santos e de todos os que Deus já chamou à Sua morada eterna. Acompanhar-nos-á, de forma especial, são LUCAS, nos Domingos e solenidades, o evangelista da MISERICÓRDIA de DEUS. Um Deus que Se curva diante da humanidade, que Se sujeita à nossa liberdade, que nos espera, nos acolhe, que faz festa no nosso regresso e sempre nos devolve à dignidade de filhos, mesmo quando nos tornamos pródigos da distância e do pecado.

       O Advento antecipa o quentinho do PRESÉPIO onde encontramos DEUS que Se faz criança, subjugando o poder à força do amor. Ele vem para iluminar toda a treva, para guiar à verdade, para libertar do egoísmo, para nos conduzir à Sua comunhão, à felicidade, aqui e no futuro, hoje e amanhã, e sempre.

       O profeta Jeremias, na primeira leitura, dá-nos nota das promessas de Deus e como será breve o entretanto da Sua vinda e do cumprimento fiel dos seus desígnios:

«Dias virão, em que cumprirei a promessa que fiz à casa de Israel e à casa de Judá: Naqueles dias, farei germinar para David um rebento de justiça que exercerá o direito e a justiça na terra».

 

       2 – Vai germinar da terra, um rebento, com raízes no tempo e na história, e no coração de cada ser humano. Não virá como salteador, impondo-Se pela força e violência, mas apresentando-Se no meio dos Seus, um entre iguais, para restabelecer a justiça e o direito. Como rezamos no Salmo, “os caminhos do Senhor são misericórdia e fidelidade para os que guardam a sua aliança e os seus preceitos”.

       Com Ele prevalecerá a misericórdia.

       Mas incidamos agora a nossa atenção no evangelho de são Lucas, com as palavras interpelantes de Jesus aos seus discípulos:

«Quando estas coisas começarem a acontecer, erguei-vos e levantai a cabeça, porque a vossa libertação está próxima. Tende cuidado convosco, não suceda que os vossos corações se tornem pesados pela intemperança, a embriaguez e as preocupações da vida… vigiai e orai em todo o tempo, para que possais livrar-vos de tudo o que vai acontecer e comparecer diante do Filho do homem».

 

       3 – Vale a pena mastigar as palavras do Evangelho:

       Erguei-vos, levantai a cabeça. Não é tempo para ficar alheados a ver a vida correr e os outros a fazer por nós. É tempo de deitar as mãos ao arado, lavrar a terra, para que a semente possa encontrar em nós terra fértil, e germinar em abundância.

       Levantai a cabeça. Atitude de quem coloca o olhar em Deus, nas alturas. Como poderemos descobri-l'O se olharmos apenas para o nosso umbigo?

       Tende cuidado convosco. Quem te avisa teu amigo é. Jesus quer-nos livres, atentos, disponíveis para amar, para ir em auxílio dos outros. Que os nossos corações não sequem, tornando-se vazios, inúteis, de pedra, mas sejam arejados com a alegria da caridade e do perdão.

       Vigiai e orai em todo o tempo. A oração dispõe-nos para Deus, torna-nos sensíveis às necessidades dos irmãos e conhecedores das nossas fragilidades. Oremos, deixemos que Deus inunde a nossa alma, por inteiro, e nos ilumine. Vigiemos. Não cessemos de fazer o bem, de procurar a justiça para todos e a construir um mundo de paz.

 

       4 – Neste sentido, encontrámos também a interpelação do apóstolo Paulo, indicada para o Advento, como tempo que nos prepara para a celebração festiva do Natal, e para todos os adventos da nossa vida, predispondo-nos para acolher o amor que nos vem de Deus, o próximo que precisa da nossa ajuda, e para amarmos, sem limites:

“O Senhor vos faça crescer e abundar na caridade uns para com os outros e para com todos”.

       Deus vem. Como é que Ele nos encontra? Como é que O podemos ver nascer em nós e no mundo? Como nos preparamos para sermos a Sua morada, a estalagem onde Ele quer ficar?


Textos para a Eucaristia (ano B): Jer 33, 14-16; Sl 24 (25); 1 Tes 3, 12 – 4, 2; Lc 21, 25-28.34-36.

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15
Nov 12
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D. ANTÓNIO COUTO, Bispo de Lamego, Estação de Natal. Paulus Editora, Apelação 2012.

       Quando se aproxima o tempo do Advento, para preparar a celebração do Natal, a Paulus Editora dá à estampa “Estação de Natal”, apresentando pequenos textos, “pedaços de poesia e prosa poética” sobre o Natal, enquadrando a história, as figuras principais, Jesus, Nossa Senhora, São José, São João Batista.

       Vejamos a apresentação da obra:

 

“Neste Natal vai até Belém / Vence o mal com o bem / Na tua história / Entrará o Rei da glória / Não deixes ir embora / O único rei que não reina desde fora.

 

       Integram este livrinho três partes: a primeira, intitulada «Natal», tem naturalmente sabor natalício direto. São Pedaços de poesia e prosa poética, tudo embrulhado em papel Bíblia; a segunda, intitulada «Tempo do Advento», traz-nos luzes bíblicas que preparam o lume vivo e cristalino do Natal; a terceira, intitulada «Maria, Natal, Família, Paz, Epifania», acende luzes, também bíblicas, litúrgicas e celebrativas, indispensáveis à iluminação interior da maravilhosa estação do Natal.

       Algumas notas históricas, culturais e arqueológicas, disseminadas ao longo destas páginas, trazem-nos o sabor do céu, sem termos de tirar os pés da terra”.

 

       D. António Couto, nas suas reflexões tem-nos habituado a um leitura fácil dos acontecimentos da Bíblia e da vida. Este livrinho é mais um exemplo concreto, como é possível dizer bem de forma acessível para todos. Com as reflexões aqui propostas poder-se-á fazer uma preparação mais consciente dos domingos do Advento, Natal e até à Epifania, Imaculada Conceição, Sagrada Família, Santa Maria, Mãe de Deus.


30
Jan 12
publicado por mpgpadre, às 11:00link do post | comentar |  O que é?

       Os dias que medeiam entre a Epifania e a Quaresma – Tempo Comum (1.ª parte) – são também sinal e expressão do amor de Deus por nós.

       O ano litúrgico recentra-nos em dois vértices: o NATAL e a PÁSCOA, e que incluem os tempos de preparação (Advento e Quaresma) e os tempos que se lhe seguem (tempo de Natal e tempo Pascal), tornando mais acessível o mistério da salvação.

       Com efeito, a Encarnação do Verbo tem como fim a Sua Manifestação plena no dar a vida pela humanidade. É no dar a vida que Jesus nos mostra o caminho de retorno a Deus. Com a Ressurreição percebemos o DOM da vida nova. É à luz da Páscoa que havemos de encarar toda a nossa vida de fé. Jesus assume a nossa fragilidade e finitude para nos (re)introduzir na eternidade.

       Depois do batismo de Jesus, por João Batista, iniciamos o chamado Tempo Comum ou Ordinário. O tempo comum celebra a Páscoa, em cada domingo, em cada Eucaristia. Com efeito, a Eucaristia, memorial da morte e ressurreição de Jesus, que Ele antecipou na Última Ceia, de forma a permanecer no meio de nós, faz-nos participantes da vida divina e alimenta-nos até à eternidade. Por esta razão, a Eucaristia é a oração mais completa da Igreja. Encaminhamo-nos para Deus, alimentamo-nos da presença de Deus entre nós. Na palavra proclamada, refletida e acolhida e pela condivisão do Corpo de Cristo, tornamo-nos com Ele um só Corpo.

       Na verdade, o tempo comum desafia-nos a deixar-nos surpreender por Deus em todos os momentos da nossa vida, também no silêncio e na aridez dos nossos dias, também na rotina e na azáfama, também nos vazios e nas dúvidas, nas contrariedades e nas nossas realizações humanas.

       É no dia a dia que nos afirmamos como pessoas, nos descobrimos sociedade, formamos Igreja, como crentes peregrinos, em busca de um sentido novo para a vida. Deus age em todo o tempo, em toda a parte, em todas as ocasiões.

       Será oportuno envolver-nos nas diversas manifestações de Deus, nos encontros e gestos de Jesus, cuja riqueza do Evangelho não se esgota num ciclo litúrgico. Daqui também, a necessidade da Igreja encontrar espaço para abranger melhor o mistério de Cristo, promovendo três ciclos de leituras. Encontrámo-nos no ciclo B, em que o Evangelho de São Marcos será a referência fundamental para os domingos.

 

       1 – “Eis o Cordeiro de Deus” (Jo 1, 35-42). O 2.º domingo do tempo comum, faz-nos viver a passagem de testemunho, de João Batista para Jesus, no sinal que dá aos seus discípulos para seguirem Jesus.

 

       2 – “Arrependei-vos e acreditai no Evangelho” (Mc 1, 14-20). A mensagem de Jesus desafia à fé e à conversão. No 3.º domingo, Jesus chama alguns Apóstolos, para que vivam com Ele e O acompanhem, para depois os enviar ao mundo.

 

       3 – “Uma nova doutrina, com tal autoridade que até manda nos espíritos impuros” (Mc 1, 21-28). No 4.º domingo, a certeza de que em Jesus está a força e a graça de Deus. Ele vem salvar-nos dos demónios que nos afastam de Deus e uns dos outros.

 

       4 – “Todos Te procuram… Vamos a outros lugares (…) a fim de também aí pregar” (Mc 1, 29-39). No 5.º domingo, o Evangelho mostra como o ministério de Jesus se revela em gestos concretos, cura a sogra de Pedro e muitos outros que acorrem à Sua presença. É urgente ir, partir, anunciar, pregar…

 

       5 – “Se quiseres, podes curar-me” (Mc 1, 40-45). No 6.º domingo, um leproso aproxima-se de Jesus com a certeza de n’Ele encontrar a cura. E nós? Com que confiança rezamos a Jesus?

 

       6 – “…para saberdes que o Filho do Homem tem na terra o poder de perdoar os pecados…” (Mc 2, 1-12). A salvação envolve toda a nossa vida, como podemos refletir neste 7.º domingo. Jesus vem para nos curar de todo o mal. Só o perdão dá lugar a uma vida nova.

 

       O reino de Deus está próximo, convertamo-nos de todo o coração e acreditemos no Evangelho… é tempo de salvação, Deus vem salvar-nos!

 

Editorial Boletim Voz Jovem, janeiro 2012.


18
Dez 11
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       1 – ACOLHER. Deixarmo-nos surpreender pelo mistério, pela presença de Deus nas nossas vidas, é o desafio para este domingo. Maria não estava à espera. Embora conhecedora das profecias, da Sagrada Escritura, nada lhe indicava que algum dia pudesse ser a escolhida, daí a surpresa: "Como será isso se eu não conheço homem".

       Mas vejamos o desenrolar dos acontecimentos, na Anunciação, pelas palavras do Anjo:

       «Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo; bendita és tu entre as mulheres… Não temas, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. Conceberás e darás à luz um Filho, a quem porás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo. O Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David; e o seu reinado não terá fim… O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso o Santo que vai nascer será chamado Filho de Deus. E a tua parenta Isabel concebeu também um filho na sua velhice porque a Deus nada é impossível».

       A reação de Maria interpela-nos. Pergunta porquê, como é possível que se realize tal "milagre", mas não contesta, encontra-se em atitude de escuta, de acolhimento do mensageiro e da mensagem que chega até ela. Não lhe encontramos desculpas ou falsa modéstia. Mesmo que não entenda tudo, no momento presente, entrega-Se a Deus, abre-Se à Sua graça. É a cheia de graça. Não apenas naquele momento, mas cada dia em que responderá do mesmo jeito: «Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra».

 

       2 – Ao acolher a vocação específica para ser a Mãe do filho de Deus, Ela cumpre, para nós e para a humanidade inteira, os desígnios de Deus, que nos criou por amor, para sermos felizes, termos vida e vida em abundância.

       Pelos profetas, Deus vai revelando o Seu projeto de amor e salvação. Somos convidados a fazer em nossa vida a morada de Deus, a acolhê-l´O, na certeza que é Ele que quer fazer a Sua casa em nós, tornar-nos Sua habitação. Quando David intenta construir um Templo para acolher a Arca da Aliança, sinal do pacto entre Deus e o povo, Deus faz saber através do profeta Natã: "o Senhor anuncia que te vai fazer uma casa. Quando chegares ao termo dos teus dias e fores repousar com teus pais estabelecerei em teu lugar um descendente que há-de nascer de ti e consolidarei a tua realeza. Ele construirá um palácio ao meu nome e Eu consolidarei para sempre o teu trono real. Serei para ele um pai e ele será para Mim um filho. A tua casa e o teu reino permanecerão diante de Mim eternamente e o teu trono será firme para sempre".

       Nestas palavras se confirma que Deus nunca abandonará o Seu povo, mas reforçará a ALIANÇA e tornará eterno o reino que está para chegar.

       Com a anunciação do Anjo a Maria, torna-se mais próximo o cumprimento das promessas feitas por Deus ao Seu povo, a favor da humanidade inteira. Com a vinda de Deus, encarnando no seio da Virgem Mãe, o mistério adensa-se e desvenda-se, ao mesmo tempo.

       Diz-nos o Apóstolo São Paulo: "a revelação do mistério encoberto desde os tempos eternos mas agora manifestado e dado a conhecer a todos os povos pelas escrituras dos Profetas segundo a ordem do Deus eterno, dado a conhecer a todos os gentios para que eles obedeçam à fé – a Deus, o único sábio, por Jesus Cristo".

 

       3 – Maria mostra-nos a proximidade de Deus mas também a possibilidade da nossa vida ser morada de Deus. Ela foi escolhida de antemão por Deus para ser a Mãe do Messias. Foi preservada de toda a mancha, Virgem Imaculada, salva por privilégio divino, antecipando os méritos da CRUZ redentora de Cristo Jesus. Mas n'Ela descobrimos que também poderemos ser morada de Deus, templo do Espírito Santo. Com efeito, Maria é Mãe biológica de Jesus, mas também discípula, cumpridora dos ideais do Evangelho, gerando vida em abundância pela caridade, pela intercessão, tornando-se Mãe espiritual, Mãe da Igreja.

       "Minha mãe e meus irmãos são aqueles que escutam a Palavra de Deus e a põem em prática". O mistério e o milagre na vida de Nossa Senhora poderão repetir-se na nossa vida, desde e quando cumprirmos o mesmo sim a Deus, faça-se em mim segundo a Tua Palavra. Quando aceitamos os desígnios do Senhor, quando acolhemos a Sua vida na nossa vida, quando nos tornamos a Sua casa, pela verdade, pelo bem e pela partilha solidária, cumprimos a nossa vocação, como filhos amados de Deus, no caminho da santidade, tornando-nos verdadeiramente família de Jesus.


Textos para a Eucaristia (ano B): 2 Sam 7,1-5.8b-12.14a.16; Rom 16,25-27; Lc 1,26-38. 

 

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17
Dez 11
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12
Dez 11
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11
Dez 11
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       1 – EXULTAR. Se no domingo passado a atitude era ESPERAR, neste terceiro domingo é a ALEGRIA. Ambas as dimensões devem estar presentes na vida dos cristãos constantemente. A espera não é passiva, mas pró-activa, comprometida com o bem, a verdade, com os outros, procurando nas boas obras antecipar a chegada d'Aquele que vem. Do mesmo modo, a alegria de quem se sente confortado pela presença de Deus na Sua vida, fazendo a experiência de salvação, aguardando a plenitude do encontro com Deus.

       O Advento prepara a celebração festiva de Jesus, o Messias de Deus, o Emanuel, Deus connosco. Porém, faz-nos viver, liturgicamente, numa tensão entre o momento presente, e o futuro de Deus que vem até nós. Isto vale para o advento, mas vale para a nossa vida toda. Caminhamos até à eternidade, com o olhar fito em Deus, mas sendo "instrumentos" activos de salvação no mundo de hoje.

       Esperamos a manifestação de Deus, em definitivo, no nosso encontro com Ele na eternidade e, ao mesmo tempo, vivemos na certeza que em Jesus Cristo, a eternidade entrou na história e no tempo, pela Sua vida, morte e ressurreição Jesus Cristo salvou-nos, colocou-nos na comunhão com Deus.

       Com preparação para o Natal, a tensão é comparável à da mulher que está para ser mãe. Ainda tem um caminho a percorrer, ainda tem etapas para cumprir, experimentará ainda o incómodo, o desconforto, o sacrifício, o sofrimento, mas nada a desvia do que vai acontecer, dar à vida um filho. É uma consolação para as suas dores. Ela antecipa a criança no colo, as brincadeiras futuras, as reacções do seu bebé, o seu desenvolvimento.

       Como Jesus Cristo que em gérmen está em nós, para que o demos à luz, no nosso quotidiano, em palavras e gestos.

 

       2 – A este propósito é muito expressiva a Palavra de Deus.

       Isaías convoca todo o povo para a alegria, para a paz, para o júbilo, já está perto o reino de Deus, a chegada do Ungido do Senhor, um tempo de salvação e de graça, de esperança e consolo. Já repousa o Espírito do Senhor sobre Aquele que vai chegar. "O espírito do Senhor está sobre mim, porque o Senhor me ungiu e me enviou a anunciar a boa nova aos pobres, a curar os corações atribulados, a proclamar a redenção aos cativos e a liberdade aos prisioneiros, a promulgar o ano da graça do Senhor".

       Os novos céus e a nova terra que se anunciam são motivo suficiente para a alegria. "Exulto de alegria no Senhor, a minha alma rejubila no meu Deus, que me revestiu com as vestes da salvação e me envolveu num manto de justiça, como noivo que cinge a fronte com o diadema e a noiva que se adorna com as suas jóias. Como a terra faz brotar os germes e o jardim germinar as sementes, assim o Senhor Deus fará brotar a justiça e o louvor diante de todas as nações".

       A certeza da chegada iminente de Deus envolve-nos a todos no júbilo.

       No "salmo responsorial", por sua vez, o cântico do MAGNIFICAT, de São Lucas, em que Maria, que está para ser Mãe, exulta de alegria em Deus, Seu salvador, porque olhou para Ela, serva humilde, e porque através d’Ela Deus continua a operar maravilhas no seu povo, a favor de todas as nações.

       Também o Apóstolo São Paulo é categórico na convocação à Igreja: "Vivei sempre alegres, orai sem cessar, dai graças em todas as circunstâncias, pois é esta a vontade de Deus a vosso respeito em Cristo Jesus. Não apagueis o Espírito, não desprezeis os dons proféticos; mas avaliai tudo, conservando o que for bom. Afastai-vos de toda a espécie de mal. O Deus da paz vos santifique totalmente, para que todo o vosso ser – espírito, alma e corpo – se conserve irrepreensível para a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo. É fiel Aquele que vos chama e cumprirá as suas promessas".

 

       3 – Note-se, nos vários textos, como a alegria não significa uma satisfação momentânea e passageira, superficial e acessória. Há-de ser uma atitude permanente do crente, brota da certeza de que em Cristo fomos/somos salvos. E, importa não esquecer, a alegria vive-se e expressa-se no compromisso com a justiça, com a verdade e com o bem.

       Alegramo-nos porque Deus vem e preparamos em nós e no mundo que nos rodeia a Sua chegada, pela oração e pela caridade, ao jeito de João Baptista. Ele não é luz, mas por ele entrevemos a LUZ que está a chegar. Quando nos aproximamos da meta, somos impulsionados, movidos, adquirimos as forças que já estavam a minguar. Ao olharmos em frente, ao olharmos para Deus, experimentamos a alegria desse encontro e como que damos passadas mais firmes, assentes na certeza desse encontro.

       Escutemos as palavras do Evangelho: "Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz. Foi este o testemunho de João: «Eu não sou o Messias... Eu sou a voz do que clama no deserto: ‘Endireitai o caminho do Senhor’, como disse o profeta Isaías... Eu baptizo na água, mas no meio de vós está Alguém que não conheceis: Aquele que vem depois de mim, a quem eu não sou digno de desatar a correia das sandálias»".

       Se estamos na escuridão e vislumbramos um fiozinho de luz que seja é o suficiente para nos encaminharmos para a luz, resolutos e felizes. Na voz de João Baptista, não cessemos de procurar o Senhor, na alegria de quem já o experimenta presente, procuremo-l'O, Ele está no meio de nós.


Textos para a Eucaristia (ano B): Is 61, 1-2a.10-11; 1 Tes 5, 16-24; Jo 1, 6-8.19-28

 

Reflexão Dominical na página da Paróquia de Tabuaço.


08
Dez 11
publicado por mpgpadre, às 18:30link do post | comentar |  O que é?

REFLEXÃO proposta pelo Pregador para este dia e distribuída durante a Eucaristia, na Igreja Paroquial de Tabuaço, às 14h30:

        Todos os anos a comunidade de Tabuaço inicia o advento de um modo muito especial. Coloca-se ao lado de MARIA e inicia com ela uma caminhada de fé que a todos levará ao Natal de Jesus. O objectivo é fazer deste tempo um espaço de graça que parte da recordação da vivência cristã de MARIA para uma actualização e implicação de cada um de nós no projecto que Deus tem para todos. No presente ano a reflexão teve como tema “MARIA, Mulher Santíssima, transparência de Deus”.

       A necessidade e a vontade que temos de ser santos leva-nos a fazer da novena um momento de auto-exame, diagnóstico da nossa vida, da distância a que mantemos Deus.

       Na verdade, toda a nossa vida cristã é como um curso, um curso superior. Inscrevemo-nos e somos imediatamente seleccionados, sem concurso, no nosso baptismo. Temos aulas teóricas onde aprendemos e estamos com o Mestre e temos aulas práticas. A metodologia não é e-learning, não é à distância. O Mestre, o tutor, acompanha-nos em cada momento, estando ao nosso lado e ajudando na resolução de problemas, na superação de desafios, na partilha das dificuldades, mas está também na profundidade do nosso olhar, na largueza do nosso sorriso e na amplitude do nosso serviço. A avaliação, contínua, não assusta, antes é estímulo e impedimento de distracção dos nossos deveres. As notas, semestrais, trimestrais, mensais, diárias até, vão-nos dando o feedback do Mestre em relação ao nosso trabalho e à nossa produtividade.

       Para a maioria de nós é difícil ter 20 mas isso não impede nem desmotiva quem para isso luta. São necessárias aulas, muitas aulas, e prática, muita prática. A nota final valorizará muito o nosso esforço, a nossa dedicação, a nossa assiduidade, o nosso comportamento. Que o medo da negativa não nos faça anular a matrícula, desistir antes de tentar, partir para “exame de recurso”. Esse é o último momento e pode não ser suficiente para uma nota digna do Mestre. Não desistamos.

       Este é o curso da santidade do qual MARIA foi a melhor aluna. Temos autorização para copiar por Ela, podemos usar os seus apontamentos, o seu método (caminho para…). Mais, podemos tê-l’A connosco nos testes e nos intervalos, no estudo e na aplicação. MARIA ajuda a corrigir, a melhorar, a ter vontade de ser melhor, a olhar para o máximo sem medo de apenas conseguir o mínimo. O seu exemplo de Santidade torna-a transparência de Deus. As suas imagens e os seus ícones são reflexo de Deus para a humanidade. Não sejamos opacos para os que fazem parte da nossa turma, da nossa escola…

       A Sua santidade, nota máxima, passou sempre pelo sim ininterrupto dado ao Mestre. Ele continua connosco na esperança que sejamos seus discípulos. Os discípulos dos filósofos seguiam as ideias dos seus mestres e imitavam o seu agir. É esse o desafio, a oportunidade. Imitar o agir do Mestre implica dinamismo, caminhada, presença ao lado dos que precisam de Deus, dos que precisam do Deus presente em nós.

       A escola-vida encerra um misto de beatitude e dor, de felicidade e angústia, de alegria e de tormento (Beato João Paulo II, NMI, n.º 27). É o paradoxo de Jesus na Cruz, feliz por ter terminado o seu curso, por ter consumado a sua aprendizagem/realização, mas ao mesmo tempo angustiado por todos aqueles que não querem estudar, que ficam à margem, que ficam à espera de “Novas Oportunidades”.

       Com Maria, em vez de esperar para ver e vir, optamos por vir e ver. Em vez de viver na sombra, escolhemos o Sol de Deus que aquece, que ilumina, que dá vida.

       Estamos inscritos, temos número, temos turma, temos apontamentos. Alinhamos?

 

Pe. António Jorge Giroto


04
Dez 11
publicado por mpgpadre, às 10:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – Preparar. Esta é a palavra e a atitude fundamental neste segundo domingo de Advento. Tal como se prepara com esmero, com alegria, com generosidade a vinda de alguém que nos é próximo e/ou familiar, fazendo com que a nossa casa seja um lugar acolhedor, em que a visita se sinta em sua própria casa, assim a preparação para recebermos Jesus Cristo, para celebrarmos em festa o Seu nascimento, sinal e expressão da Encarnação de Deus, ou seja, do Amor de Deus por nós, que não apenas Se faz próximo mas entra na história e no tempo, entra na humanidade, entra na nossa vida. 

       Com efeito, são eloquentes as palavras do profeta Isaías: "Consolai, consolai o meu povo, diz o vosso Deus. Falai ao coração de Jerusalém e dizei-lhe em alta voz que terminaram os seus trabalhos e está perdoada a sua culpa... Uma voz clama: «Preparai no deserto o caminho do Senhor, abri na estepe uma estrada para o nosso Deus. Sejam alteados todos os vales e abatidos os montes e as colinas; endireitem-se os caminhos tortuosos e aplanem-se as veredas escarpadas... «Eis o vosso Deus. O Senhor Deus vem com poder, o seu braço dominará. Com Ele vem o seu prémio, precede-O a sua recompensa. Como um pastor apascentará o seu rebanho e reunirá os animais dispersos; tomará os cordeiros em seus braços, conduzirá as ovelhas ao seu descanso»".

       O anúncio profético é de promessa, mas também de júbilo, de festa, porque o Senhor virá, virá como o pastor que guarda e protege o seu rebanho, cuidando de todos os animais, cordeiros e ovelhas, conduzindo-os em segurança ao seu descanso.

 

       2 – No Evangelho concretiza-se o anúncio de Isaías. O profeta, na verdade, anuncia o Precursor que prepara o caminho, como anuncia também a chegada do Emanuel, Deus connosco. João Baptista é a voz que antecipa a Palavra de Deus que vai encarnar, para mais à frente nos ajudar a acolher a Palavra feita homem, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.

       "Apareceu João Baptista no deserto a proclamar um baptismo de penitência para remissão dos pecados..."

       O Precursor apresenta-se precisamente como Aquele que vem antes, aquele que cumpre parte da profecia de Isaías, e simultaneamente prepara o cumprimento pleno n'Aquele que está para vir. João refere-o de forma inequívoca na sua pregação: «Vai chegar depois de mim quem é mais forte do que eu, diante do qual eu não sou digno de me inclinar para desatar as correias das suas sandálias. Eu baptizo-vos na água, mas Ele baptizar-vos-á no Espírito Santo».

       Como há dois mil anos, estas palavras devem suscitar em nós a mesma atitude de conversão, de preparação para a vinda do Messias de Deus.

       É uma preparação intemporal, para todos os tempos, preparando a celebração festiva do Natal, mas igualmente preparando o nosso encontro definitivo com Deus, como nos é referido pelo Apóstolo São Pedro: "o dia do Senhor virá como um ladrão... Uma vez que todas as coisas serão assim dissolvidas, como deve ser santa a vossa vida e grande a vossa piedade, esperando e apressando a vinda do dia de Deus... Portanto, caríssimos, enquanto esperais tudo isto, empenhai-vos, sem pecado nem motivo algum de censura, para que o Senhor vos encontre na paz".

       A nossa espera não é passiva, mas (pro)activa, comprometida em transformar a nossa vida e o mundo que nos rodeia e pela qual também somos responsáveis.

 

       3 – No entanto, não estamos abandonados à nossa sorte, e sobretudo nós que vivemos no tempo dos novos céus e da nova terra que Jesus inaugurou. Ele é o Bom Pastor que veio e que desce à nossa vida, que nos guia por caminhos de encontro e de felicidade. Em Jesus cumpre-se a promessa, Deus qual pastor que nos congrega para o banquete da vida.

       O grito de Isaías é um desafio confiante, as trevas da desolação desaparecem com a chegada do Messias.

       Do mesmo modo as palavras de São Pedro, desafiam-nos e sossegam-nos: "um dia diante do Senhor é como mil anos e mil anos como um dia. O Senhor não tardará em cumprir a sua promessa, como pensam alguns. Mas usa de paciência para convosco e não quer que ninguém pereça, mas que todos possam arrepender-se". 


Textos para a Eucaristia (ano A): Is 40,1-5.9-11; 2 Pedro 3,8-14; Mc 1,1-8. 

 

Reflexão Dominical na página da Paróquia de Tabuaço


03
Dez 11
publicado por mpgpadre, às 13:52link do post | comentar |  O que é?


27
Nov 11
publicado por mpgpadre, às 10:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – "Disse Jesus aos seus discípulos: Acautelai-vos e vigiai, porque não sabeis quando chegará o momento. Será como um homem que partiu de viagem: ao deixar a sua casa, deu plenos poderes aos seus servos, atribuindo a cada um a sua tarefa, e mandou ao porteiro que vigiasse. Vigiai, portanto, visto que não sabeis quando virá o dono da casa: se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se de manhãzinha; não se dê o caso que, vindo inesperadamente, vos encontre a dormir. O que vos digo a vós, digo-o a todos: Vigiai!"

      O Advento, que agora iniciamos, prepara-nos para a celebração do nascimento de Jesus, o Natal, expressão do Amor de Deus que vem até nós, encarnando, fazendo-Se homem no meio da humanidade, no tempo e na história.

       Qual natureza, com as diversas estações, em que o outono e o inverno dão lugar à primavera e ao verão, em que tudo renasce e se renova, as folhas secam e caem, mas novos rebentos surgem, rebentam, florescem, abrindo-se em belíssimas flores e frutos saborosos!

       Na liturgia fazemos um percurso espiritual similar, tudo se renova constantemente com a presença de Jesus Cristo e com o mistério da Sua morte e ressurreição. Ele veio, "limitando-Se" na nossa finitude e na nossa fragilidade, por amor levou até às últimas consequências o Seu amor para com a humanidade, morrendo numa cruz e ressuscitando, mas deixando-nos, no mistério da Eucaristia, o Seu corpo e o Seu sangue como memorial. Ele está sempre connosco. Celebramos os diversos momentos da Sua vida, para acolhermos o mistério de toda a Sua vida, que não conseguimos nunca abarcar totalmente.

       O Evangelho neste primeiro domingo do Advento, mostra-nos o grito de Jesus: vigiai. "Acautelai-vos e vigiai, porque não sabeis quando chegará o momento". Deste modo faz-se a ponte para a liturgia da palavra dos domingos anteriores, nos quais se acentuava o momento de encontro definitivo com Deus, a hora de acertar as nossas contas com Ele, num desafio permanente a que não nos deixemos adormecer. Enquanto é tempo, vigiemos, multipliquemos os talentos que Ele nos dá, vivamos com alegria, com garra, com sentido, sabendo que qualquer hora poderá será a última aqui na terra.

 

       2 – Neste tempo litúrgico que vivemos, a Palavra de Deus testemunha a proximidade de Deus, que vem, que permanece, que caminha connosco. Por vezes, nas situações mais difíceis da nossa vida, parece que Deus Se esconde, Se ausenta, Se distancia de nós. Mas Ele está, os nossos olhos é que se tornam opacos pelo pecado, pela dúvida, pela desconfiança em relação ao Seu poder e ao Seu amor.

       Mastiguemos as palavras do profeta Isaías: "Todos nós caímos como folhas secas, as nossas faltas nos levavam como o vento. Ninguém invocava o vosso nome, ninguém se levantava para se apoiar em Vós, porque nos tínheis escondido o vosso rosto e nos deixáveis à mercê das nossas faltas. Vós, porém, Senhor, sois nosso Pai e nós o barro de que sois o Oleiro; somos todos obra das vossas mãos".

       Por um lado as maravilhas que operou ao longo da história a que nem sempre correspondeu a vivência do povo da Aliança. "Nunca os ouvidos escutaram, nem os olhos viram que um Deus, além de Vós, fizesse tanto em favor dos que n’Ele esperam. Vós saís ao encontro dos que praticam a justiça e recordam os vossos caminhos".

       Com o Salmo não apenas respondemos à Palavra de Deus, não apenas suplicamos a Sua presença, mas preparamo-nos para nos deixarmos ver por Deus e nos deixamos envolver pela Sua salvação: "Senhor nosso Deus, fazei-nos voltar, mostrai-nos o vosso rosto e seremos salvos". O ROSTO de Deus salva-nos do nosso egoísmo e da nossa fragilidade.

 

       3 – Jesus Cristo é o Rosto de Deus para nós. Ele dá-nos a conhecer Deus como Pai. Não vivemos nas trevas, mas na LUZ que é Cristo, Ele ilumina a nossa vida, o nosso caminho. Com efeito, em Jesus Cristo Se revela o amor de Deus para connosco, e, em simultâneo se revela em nós a identidade divina, somos imagem e semelhança de Deus. Mais, somos templo de Deus vivo, somos filhos no Filho, em Cristo nos assumimos como irmãos, o que nos compromete com os outros e com o mundo que nos rodeia.

       Diz-nos o Apóstolos São Paulo: "a graça e a paz vos sejam dadas da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo. Dou graças a Deus, em todo o tempo, a vosso respeito, pela graça divina que vos foi dada em Cristo Jesus. Porque fostes enriquecidos em tudo: em toda a palavra e em todo o conhecimento; e deste modo, tornou-se firme em vós o testemunho de Cristo... Fiel é Deus, por quem fostes chamados à comunhão com seu Filho, Jesus Cristo, Nosso Senhor".

       Não vivemos no desconhecimento, ignorantes, no mundo das trevas. Jesus vem até nós e mostra-nos o ROSTO de Deus, que é Amor em movimento pela humanidade inteira. A fidelidade de Deus para connosco motiva-nos à mesma fidelidade para com Ele e n'Ele ao nosso semelhante.


Textos para a Eucaristia (ano A): Is 63,16b-17.19b; 64,2b-7; Sl 79 (80); 1 Cor 1,3-9; Mc 13,33-37.

 

Reflexão Dominical na página da Paróquia de Tabuaço.


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