...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...
30
Abr 17
publicado por mpgpadre, às 11:00link do post | comentar |  O que é?

resiliencia-no-trabalho-1.jpg

A Quaresma recentra-nos tradicionalmente em três dinâmicas para melhor vivermos a Páscoa do Senhor: a oração, o jejum e a esmola. São vistas como expressões da conversão interior, da adesão decidida a Jesus e ao Seu Evangelho, como concretização do nosso compromisso em nos tornarmos discípulos missionários, identificando-nos com o Mestre da Docilidade para, como Ele e com Ele, nos fazermos próximos dos outros e os acolhermos como irmãos.

A oração é o ponto de partida e o chão que nos move para Deus. E se a oração é autêntica levar-nos-á a querer o que Deus quer. Na oração predispomo-nos a encontrar a vontade de Deus para nós. A referência é Jesus Cristo, cuja vontade paterna é o Seu programa de vida, o Seu alimento. Eu venho, ó Deus, para fazer a Vossa vontade. Faça-se não o que Eu quero, mas o que Tu queres! A oração não é fácil. Ou nem sempre é fácil, sobretudo quando a vida não corre de feição. Ainda assim não devemos deixar de rezar, de suplicar, de louvar, de agradecer a Deus, a chuva e o sol, o vento e a névoa!

Alguns modelos de oração combativa: Abraão, Jacob, Moisés, Ana, Job, David, Jesus.

Abrão “negoceia” com Deus, insistindo até ao limite, com veemência, tentando proteger a cidade de Sodoma e de Gomorra. É um dos exemplos muito queridos ao Papa Francisco. Jacob é aquele que luta com Deus pela noite dentro e, por isso, o seu nome é mudado para Israel, porque lutou com Deus e venceu. Moisés eleva os braços, o coração, a vida para Deus, intercedendo uma e outra vez pelo povo, de dura servis, mas ainda assim o povo que Deus lhe confiou. Ana, mãe de Samuel, que persiste na oração até que Deus lhe concede o que deseja. Job, na imensidão do mistério de Deus, no confronto com a desgraça pessoal e familiar, não desiste de se dirigir a Deus, convocando-O à justiça. E Deus responde-lhe. David, grande Rei – o Papa Francisco invoca-o como São David – apesar do grave pecado contra o próximo, tomando a mulher de Urias e provocando-lhe a morte, não deixa de dialogar com Deus, penitente, arrependido, assumindo as consequências do seu pecado, protegendo o povo. E, claro, a oração de Jesus. Em todos os momentos cruciais da Sua vida, Jesus respira oração, suplicando, louvando, agradecendo, oferecendo. A sua vida faz-se oração, mas Jesus reserva momentos específicos para orar a Deus Pai: antes da vida pública, antes de escolher os apóstolos, na realização de milagres, antes do Calvário… e na Cruz!

 

Publicado na Voz de Lamego, n.º 4406, de 4 de abril de 2017


06
Ago 16
publicado por mpgpadre, às 21:03link do post | comentar |  O que é?

1 – As palavras de Jesus são para todos. Primeiro, para nós. Posso recorrer ao ensinamento de Jesus para explicar, para elucidar, para corrigir com caridade, para desafiar, mas em primeiro lugar devo olhar para a minha vida confrontando-a com o que me pede Jesus.

Preocupai-vos por entrar pela porta estreita, porque largos são os caminhos que levam à perdição. O mais é com Deus. Aos homens é impossível, a Deus tudo é possível. A salvação é dom de Deus, que toma a iniciativa.

Jesus volta a insistir na necessidade dos bens materiais não serem um obstáculo à felicidade. O que nos salva verdadeiramente é o que podemos levar connosco para a eternidade. Tal como viemos ao mundo, dele sairemos, nus. Não levaremos nada que pese. Levaremos tudo o que liberta, o que nos fez bem, o que nos aproximou dos outros. Levamos as pessoas. Não as coisas.

Façamos um exercício. Se fôssemos viajar, o que levaríamos? Se estivéssemos a morrer, o que mudaríamos na nossa vida? Com quem é gostaríamos de falar? O que ainda gostaríamos de fazer?

Não esperemos pelo fim para sermos felizes.

Outro exercício. Olhando a vida a partir do fim, o que gostaríamos de ver? Que avaliação faríamos a olhar para trás?

Outra questão: o que é imprescindível para sermos felizes? Muito dinheiro? Conforto? Saúde? Uma boa casa? Um carro em bom estado? Tudo o que os outros têm? Amigos? Uma família harmoniosa? Um bom trabalho? Segurança? Liberdade e participação nas decisões importantes para a vida da nossa vila e do nosso país? Sermos reconhecidos e respeitados por quem somos? Um telemóvel de alta gama? Um diploma? Um curso superior? Escrever um livro? Plantar uma árvore? Aparecer na televisão? Ser aplaudidos pelos outros?

113.jpg

2 – Jesus desafia os seus discípulos a apostar os trunfos todos no que permanece até à eternidade. O tempo urge. Para amanhã deixa quê comer não quê fazer. É hoje. Aqui e agora. Viver com tudo o que somos. O melhor de nós em busca do melhor dos outros.

«Não temas, pequenino rebanho... Vendei o que possuís e dai-o em esmola. Fazei bolsas que não envelheçam, um tesouro inesgotável nos Céus, onde o ladrão não chega nem a traça rói. Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará o vosso coração… Sede como homens que esperam o seu senhor ao voltar do casamento, para lhe abrirem logo a porta, quando chegar e bater. Felizes esses servos, que o senhor, ao chegar, encontrar vigilantes... Estai vós também preparados, porque na hora em que não pensais virá o Filho do homem».

Pedro, como sempre, toma a dianteira para perguntar a Jesus se aquelas palavras também são para eles. Então Jesus conta-lhes outra parábola sobre o administrador fiel e prudente que o Senhor coloca à frente da sua casa e que será bom se o encontrar vigilante quando regressar e a administrar a sua casa com justiça. Jesus conclui dizendo que «a quem muito foi dado, muito será exigido; a quem muito foi confiado, mais se lhe pedirá».

Antes de esperarmos que os outros cumpram, seja o que for, importa que nós nos empenhemos na prossecução do bem, no serviço aos outros. Somos administradores, não donos.

Lc12,32-48..jpg

3 – Deus concede a Salomão um desejo. «Pede. Que Eu posso dar-te?» Salomão pede, não riqueza, não longos anos, não a vitória sobre os inimigos, não a glória: «Concede-me, pois, a sabedoria e o conhecimento, a fim de que eu saiba conduzir este povo». Deus conceder-lhe-á a sabedoria, mas também o quê não ousou pedir.

Voltamos às questões anteriores. O que é imprescindível para sermos verdadeiramente felizes e nos realizarmos como pessoas, para vivermos segundo a vontade de Deus? Onde está o nosso tesouro? Que pediríamos a Deus? Onde colocamos o nosso coração?

Relembrando o que líamos e refletíamos no domingo passado: o mal não sãos riquezas ou os bens materiais, mas o uso que deles se faz. O mal é a avareza que seca o coração e enferma a vida em abundância. Se o tesouro são as pessoas que Deus colocou à nossa beira, isso implica-nos em todos os esforços para eliminar o mal, o sofrimento, a violência, a pobreza endémica. Lembremo-nos de São Tiago, não se prega a estômagos vazios, não podemos desejar a paz e o bem a alguém que não tem que comer nem com que se agasalhar. A opção pela pobreza em espírito não nos descompromete, pelo contrário, leva-nos a usar o que somos e o que temos em prol dos outros.


Textos para a Eucaristia (C): Sab 18, 6-9; Sl 32 (33); Hebr 11, 1-2. 8-19; Lc 12, 32-48.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE


23
Jul 16
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

1 – A vocação primeira do cristão é apaixonar-se por Cristo e segui-l'O. Ele segue à frente, adianta-Se, aponta-nos a meta, a direção e o quanto temos ainda que percorrer, para não afrouxarmos! Quando os nossos passos se tornam vacilantes, inseguros, Jesus volta-Se, espera por nós, vem até nós dar-nos ânimo para retomarmos o caminho.

A oração é o combustível que nos dá a vitalidade para enfrentarmos as adversidades, a humildade para nos reconhecermos pecadores, a sabedoria para aceitarmos que é a Sua mão que nos leva à felicidade, a pobreza para nos enriquecermos com a Sua graça.

O Evangelho de Lucas mostra-nos Jesus, recolhido, a orar.

Os discípulos são contagiados pela postura orante de Jesus, pedindo-Lhe que lhes ensine a rezar. Jesus deixa claro que não são precisas muitas palavras, é imprescindível sintonizar o coração – pensamentos, intenções, propósitos – e a vida – serviço aos outros, luta pela justiça e pela paz, compromisso com os mais frágeis – com o coração e a vida de Deus.

agradecer.jpg

2 – A oração torna-nos íntimos de Deus e cúmplices uns dos outros. Jesus ensina-nos a rezar: «Pai, santificado seja o vosso nome; venha o vosso reino; dai-nos em cada dia o pão da nossa subsistência; perdoai-nos os nossos pecados, porque também nós perdoamos a todo aquele que nos ofende; e não nos deixeis cair em tentação».

Se rezamos a Deus reconhecendo-O como Pai, assumimo-nos como filhos. Encaixa aqui o pedido do Pão nosso de cada dia. Se o pedimos ao nosso Pai, não o pedimos só para nós, teremos que o pedir para todos os Seus filhos, para os nossos irmãos.

Jesus faz-Se Pão e Vida para nós. Para todos. Jesus é partilhável. Como Seus discípulos, também nós teremos de nos fazermos pão e vida uns para os outros e cuidar que a ninguém falte o necessário para viver com dignidade e em segurança.

 

3 – Deus não nos deixará sem resposta. A oração dilata o nosso coração e sintoniza-nos com Deus. Coloca-nos em atitude de escuta. A oração é um diálogo com Deus. Falamos a Deus e Deus fala-nos. Deus conhece-nos intimamente. Melhor que nós mesmos. Sabe do que precisamos. Não precisamos de dizer muito. Precisamos de nos dizer. Precisamos de perceber a vontade de Deus, escutando-O.

Haverá ocasiões em que sobrevirá a dúvida… Deus não atenta contra nós. Não nos exige sacrifícios que nos anulem e nos desumanizem, exige-nos, isso sim, como Pai, que nos tratemos como irmãos cuidando sobretudo dos mais pequeninos. Nessa ocasião estaremos a cuidar de Jesus Cristo. “Sempre que fizeste isto a um dos meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizeste” (Mt 25, 40).

Jesus convida-nos a resistir na oração, confiando em Deus. Se um amigo nos atende pela amizade ou pelo incómodo, quanto mais Deus que é nosso Pai. «Pedi e dar-se-vos-á; procurai e encontrareis; batei à porta e abrir-se-vos-á. Porque quem pede recebe; quem procura encontra e a quem bate à porta, abrir-se-á».

Deus responder-nos-á como Pai e tudo fará para nos abençoar, proteger e guiar à felicidade que a todos integra como família.

 

4 – É expressiva a oração de intercessão de Abraão. Em primeiro lugar, vê-se com clareza como Abraão confia em Deus e na Sua misericórdia. Pede. Sugere. Negoceia. Não para si, mas para os outros. A oração irmana-nos e leva-nos a querer o bem de todos.

Abraão não cessa de interceder, apelando à compreensão e à benevolência de Deus. E se houver 50 justos na cidade? E se houver 40? «Se o meu Senhor não levar a mal, falarei mais uma vez: talvez haja lá trinta justos... vinte justos... talvez lá não se encontrem senão dez». A resposta de Deus é elucidativa: «Em atenção a esses dez, não destruirei a cidade». No final nem 5 justos! Uma cidade onde impere a injustiça, o egoísmo, a corrupção e a prepotência desembocará inevitavelmente em desgraça e destruição!

______________________

Textos para a Eucaristia (C): Gen 18, 20-32; Sl 137 (138); Col 2, 12-14; Lc 11, 1-13.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE


02
Nov 13
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – «Zaqueu, desce depressa, que Eu hoje devo ficar em tua casa». O convite de Jesus, feito a Zaqueu, e a cada um de nós, é extraordinário. Zaqueu era cobrador de impostos, publicano, profissão geradora de ódios, pois o que cobravam era fruto do trabalho, do sustento e das canseiras de muitas famílias, algumas das quais com escassos recursos, e ainda por cima os impostos cobrados era direcionados para o imperador romano, a potência invasora, e para as autoridades locais. Por outro lado, os cobradores de impostos, muitas vezes, aproveitavam o posto que ocupavam e a proteção que tinham para cobrar maquias consideráveis para si próprios.

       Jesus entra na cidade de Jericó. Ali vive um homem rico, o chefe dos cobradores de impostos. Zaqueu é de pequena estatura, de vistas curtas, pouco mais vê que a sua carteira. Mas para ver Jesus é necessário ter os olhos bem abertos, e sobretudo o coração. Impelido a ver Jesus, sobe a uma árvore, eleva-se do chão e acima da multidão.

       Entretanto, Jesus levanta o olhar e interpela-o: «Zaqueu, desce depressa, que Eu hoje devo ficar em tua casa». É preciso descer, colocar-nos ao nível de Jesus, que sendo de condição divina, quis ser um de nós, para no meio de nós nos ensinar a ser irmãos, porque filhos de Deus, do mesmo Pai. Se ficarmos no lugar em que nos encontramos, no nosso pedestal, na nossa vidinha, poderemos até ver Jesus, mas à distância, e apenas com os olhos, não com o coração. Zaqueu desce rapidamente e recebe Jesus com alegria.

       É uma alegria convertida em compromisso: «Senhor, vou dar aos pobres metade dos meus bens e, se causei qualquer prejuízo a alguém, restituirei quatro vezes mais». Não basta acolher o amor de Deus, é necessário que este AMOR maior seja serviço aos outros.

       Vêm então os reparos daqueles que, vendo Jesus, ainda não O descobriram, ainda não se deixaram tocar pela Sua presença, pelo Seu olhar: «Foi hospedar-Se em casa dum pecador». Jesus não se deixa enredar na cusquice e conclui: «Hoje entrou a salvação nesta casa, porque Zaqueu também é filho de Abraão. Com efeito, o Filho do homem veio procurar e salvar o que estava perdido».

       2 – O Evangelho é um desafio de salvação. Devemos manter aceso em nós o desejo de querer ver Jesus, de O encontrar, de O seguir, de O levarmos para casa, de O trazermos para a nossa vida.

       Só a humildade nos coloca no caminho de Jesus, de contrário Ele passa e nós ficamos em cima do sicómoro, ou comodamente a murmurar, pelos outros que avançam caminhando com Ele. O chamamento é para mim. É para ti. Ele passa. Faz-Se caminho, verdade e vida. Vem habitar connosco, vem ficar em nossa casa.

       Se a nossa estatura é pequena, há que procurar mais afincadamente, abrir o coração, fazer com que as nossas vistas sejam mais largas, alcancem mais longe. É necessário procurá-l’O onde Ele vai passar. Escutar o seu convite. Segui-l'O para onde for. É necessário descer do nosso comodismo e não deixar que Ele passe adiante sem nós. Também São Paulo caiu do cavalo, do alto do seu orgulho e da sua presunção. Jesus bate à nossa porta, grita-nos aos ouvidos, envia-nos um impulso ao coração, como fez aos discípulos de Emaús.

       Acolher Jesus, segui-l'O deixando que entre em nossa casa, gera ALEGRIA que transborda, contagia e se espalha para as casas vizinhas, para as pessoas que se cruzam connosco. Ou então ainda não O encontramos. Não basta acolher o amor de Deus, é necessário que este AMOR maior seja serviço aos outros.

       Hoje a salvação quer entrar em minha casa, na tua, na nossa casa. Por mais perdidos que estejamos, Jesus vem salvar-nos, introduzindo-nos na comunhão de Deus. Levemos a outros esta alegria. Não impeçamos ninguém de se aproximar e de ver Jesus. A multidão impedia que Zaqueu chegasse perto de Jesus. Não sejamos empecilho para os outros pela nossa opacidade, pela nossa tibieza. Ao invés, deixemo-nos contagiar e contagiemos. Evangelizados e evangelizadores.


Textos para a Eucaristia (ano C):

Sab 11, 22 – 12, 2; Sl 144 (145); 2 Tes 1, 11 – 2, 2; Lc 19, 1-10.

 


28
Jul 13
publicado por mpgpadre, às 09:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – «Pedi e dar-se-vos-á; procurai e encontrareis; batei à porta e abrir-se-vos-á. Porque quem pede recebe; quem procura encontra e a quem bate à porta, abrir-se-á…»

Persisti na oração, diz-nos Jesus.

       Um dos discípulos pede a Jesus para que Ele lhes ensine a rezar. E Jesus ensina: «Pai, santificado seja o vosso nome; venha o vosso reino; dai-nos em cada dia o pão da nossa subsistência; perdoai-nos os nossos pecados, porque também nós perdoamos a todo aquele que nos ofende; e não nos deixeis cair em tentação».

       A oração do Pai-nosso, mostra a clareza da mensagem de Jesus. Não é preciso dizer muitas palavras, é necessário rezar com o coração e com a vida, e que as palavras traduzam a ligação alegre e confiante a Deus, reconhecendo-O como Pai, para nos reconhecermos como irmãos.

       2 – Logo Jesus sublinha a necessidade de rezar, de insistir com Deus como se insiste com um amigo. Jesus dá o exemplo daquele homem que tendo visitas e, sendo já tarde, vai ter com o seu amigo para lhe solicitar três pães. Incomoda até ser atendido. Deus não deixará de atender a vossa prece. Rezai assim. Batei à porta!

       Na primeira leitura encontramos um belíssimo testemunho desta forma de rezar. Depois da visita de Deus a Abraão, através de três viajantes, que seguiram o seu caminho, Deus permanece e revela-lhe o propósito de destruir a grande cidade de Sodoma e Gomorra, pela maldade das suas gentes. Abraão regateia com o Senhor: «Irás destruir o justo com o pecador? Talvez haja cinquenta justos na cidade. Matá-los-ás a todos? Longe de Ti fazer tal coisa: dar a morte ao justo e ao pecador, de modo que o justo e o pecador tenham a mesma sorte! Longe de Ti!».

       Se lá houver 50, 45, 40, 30, 20, 10 justos, pergunta Abraão a Deus, irás destruí-los pelos pecados dos outros? Deus responde: «Em atenção a esses dez, não destruirei a cidade».

       Referindo-se a esta passagem, o Papa Francisco falava da oração corajosa de Abraão, e como este negoceia a salvação da cidade. Vai fazendo baixar o preço de 50 para 10. Regateia enquanto é possível. Abraão assume as dores dos outros como suas; defende a cidade como se fizesse parte dela.

       O cristão há de ser corajoso ao rezar ao Senhor. Podem ser poucas palavras, mas confiantes no beneplácito de Deus. E rezando uns pelos outros, a exemplo do nosso Pai na Fé, Abraão.

       3 – Pensemos, ao jeito do bom Papa João XXIII, que Deus é Pai e Mãe ou como muitas vezes releva da Sagrada Escritura, é Pai que ama como Mãe, a partir das Suas entranhas.

       No colo da mãe pedimos, choramos e rimos, sem máscaras nem pudores. Ela escuta e perscruta, o seu coração sintoniza o nosso, em alta fidelidade. Ao seu colo vamos para dizer muitas coisas, para lhe contar a nossa vida, os nossos medos, os nossos desejos, as nossas angústias e as nossas alegrias. E quando não temos palavras, ficamos em silêncio. O seu colo é nosso e para nós.

       Deus de tanto nos amar, descobre o colo de Maria, e nesse colo nos dá Jesus, e mais tarde nos dará Maria por mãe, para que mesmo que nos falte a nossa mãe, nunca nos falte o colo de uma Mãe.

       Acheguemos ao colo de Deus, deixando que Ele permaneça junto de nós, como Abraão, segredando-lhe os nossos medos e anseios, o nosso cansaço e a nossa dor. Por mais persistente que seja o sofrimento, mais intensa seja a nossa oração. Também aí Ele associa a Sua paixão ao nosso desânimo. E se o sofrimento persistir, e não estiver ao alcance a cura, não deixemos de nos colocar ao Seu colo, pedindo força e ânimo para aceitarmos o que não é possível mudar.

       E ainda que queiramos protestar com Ele, façamo-lo sem medo. Ele escuta as nossas queixas. Ele é Pai. É Mãe. É Deus.

 

       4 – Jesus vem, como Homem, caminhar connosco e connosco penetrar no sofrimento e na morte, e, como Deus, abrir-nos outro colo e outro céu, dando-nos a mão, elevando-nos para o coração de Deus.

       “Sepultados com Cristo no batismo, também com Ele fostes ressuscitados pela fé que tivestes no poder de Deus que O ressuscitou dos mortos…”

       A oração permite-nos acolher o Espírito e a salvação, compreender a nossa fragilidade e a nossa limitação. A oração predispõe-nos para reconhecer os outros como irmãos e para aceitarmos os nossos limites, para perdoarmos os limites dos outros, para transformarmos a fé em vida e em compromisso.


Textos para a Eucaristia (ano C): Gen 18, 20-32; Col 2, 12-14; Lc 11, 1-13.

 


03
Mar 13
publicado por mpgpadre, às 09:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – Jesus conta mais uma parábola:

«Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha. Foi procurar os frutos que nela houvesse, mas não os encontrou. Disse então ao vinhateiro: ‘Há três anos que venho procurar frutos nesta figueira e não os encontrou. Deves cortá-la. Porque há-de estar ela a ocupar inutilmente a terra?’. Mas o vinhateiro respondeu-lhe: ‘Senhor, deixa-a ficar ainda este ano, que eu, entretanto, vou cavar-lhe em volta e deitar-lhe adubo. Talvez venha a dar frutos. Se não der, mandá-la-ás cortar no próximo ano».

       A paciência de Deus constrói, espera por nós, aguarda a nossa conversão, respeita a nossa liberdade, as nossas escolhas, mas não nos abandona, mesmo em situações em que nós O arredamos da nossa vida, em situações em que, tal como a figueira, não damos fruto. No entanto, Deus continua a cuidar de nós, a tratar-nos como filhos. Mais dia, menos dia, poderemos dar fruto.

       2 – Com Jesus Cristo chega até nós um tempo novo, perfumado com a alegria e a graça de um Deus próximo, amigo, companheiro, entranhado no sofrimento e no labor humanos, e que se situa dentro da humanidade, da história, na assunção da finitude e fragilidade que nos caracteriza. Ele é o novo Moisés, inscrevendo definitivamente a Lei no coração.

       Vejamos a Aliança feita com Moisés:

“Deus chamou-o do meio da sarça: «Moisés, Moisés!». Ele respondeu: «Aqui estou!» Continuou o Senhor: «Não te aproximes. Tira as sandálias dos pés, porque o lugar que pisas é terra sagrada… Eu vi a situação miserável do meu povo no Egipto; escutei o seu clamor… Conheço, pois, as suas angústias… Assim falarás aos filhos de Israel: ‘O Senhor, Deus de vossos pais, Deus de Abraão, Deus de Isaac e Deus de Jacob, enviou-me a vós’».

       Moisés sobe à montanha [veja-se o evangelho do domingo passado: Jesus sobe à montanha, levando alguns discípulos]. Deus fá-lo olhar noutra direção. Aquele é chão sagrado. Todo o chão que nos leva a Deus é sagrado. Todo o chão que nos leva aos irmãos parte do chão sagrado que nos levou a Deus.

       Revisitemos novamente as palavras de Bento XVI, Papa emérito, na Sua Mensagem para esta Quaresma: “A existência cristã consiste num contínuo subir ao monte do encontro com Deus e depois voltar a descer, trazendo o amor e a força que daí derivam, para servir os nossos irmãos e irmãs com o próprio amor de Deus”. Moisés aproxima-se de Deus, para ser por Ele enviado a libertar o povo escravizado no Egipto.

 

       3 – Precisamos de nos descalçar para sentimos a terra firme e que nada nos separa de Deus. Sem calçado, os pés transmitem a todo o corpo a textura da terra. Descalços somos mais iguais uns dos outros, em contacto com o mesmo húmus, com a mesma origem.

       Se os nossos pés tiverem a poeira da terra, não nos esqueceremos tão facilmente da nossa humana, frágil e fraterna condição. Com os pés assentes em terra firme não corremos o risco de flutuar, sem rumo nem norte. Para que o nosso olhar permaneça fixo na eternidade de Deus, é urgente firmar o nosso caminhar na terra que nos permite ver, encontrar e acolher os outros como irmãos.

       É o chão que nos une e nos conduz à Terra Prometida, para os judeus um território, para nós, Jesus, o Filho de Deus.

       O apóstolo São Paulo faz-nos percorrer o caminho da Aliança de Deus com o Povo Eleito: “Não quero que ignoreis que os nossos pais estiveram todos debaixo da nuvem, passaram todos através do mar e na nuvem e no mar, receberam todos o batismo de Moisés. Todos comeram o mesmo alimento espiritual e todos beberam a mesma bebida espiritual. Bebiam de um rochedo espiritual que os acompanhava: esse rochedo era Cristo... Portanto, quem julga estar de pé tome cuidado para não cair”.

       Em Dia Nacional da Cáritas, sobressai o desafio: o compromisso na fé para uma cidadania ativa, quebrando as cadeias injustas, eliminando as barreiras do preconceito e do egoísmo, respondendo ao amor de Deus com o amor aos irmãos e irmãos que Ele nos dá.


Textos para a Eucaristia (ano C): Ex 3, 1-8a.13-15; 1 Cor 10, 1-6.10-12; Lc 13, 1-9.

 

Reflexão Dominical COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso blogue CARITAS IN VERITATE.


24
Fev 13
publicado por mpgpadre, às 09:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – «Este é o meu Filho, o meu Eleito: escutai-O».

       Neste segundo domingo de Quaresma, um importante desafio salta à vista: a ESCUTA.

       No primeiro Domingo de Quaresma, o evangelho apresentava-nos o quadro das tentações de Jesus. Ele é guiado pelo Espírito. Na hora do batismo, do Céu a mesma voz – É o meu filho muito amado em quem pus toda a minha ternura, escutai-O. No deserto, escutando a Palavra de Deus, sem a manipular, Jesus contrapõe a vontade de Deus a vozes estranhas e desviantes. Ele faz deserto para compreender os nossos desertos e as nossas lutas. Faz deserto para nos fazer saber que, no final, só precisamos de Deus. Sem Deus somos nada, pó volátil, condenado a desaparecer. Com Deus, mesmo tendo poucas coisas, temos TUDO, agora e na eternidade.

       Vale a pena introduzir aqui o apelo do nosso Bispo, D. António Couto, para esta Quaresma: “Apelo, portanto, a todos os irmãos e irmãs que Deus me deu nesta querida Diocese de Lamego a que, nesta Quaresma, deixemos a enxurrada da Palavra de Deus tomar conta da nossa vida. No meio da enxurrada, perceberemos logo que não salvaremos muitas coisas, e que aquilo que mais queremos encontrar é uma mão segura que nos ajude a salvar a nossa vida”.

       O essencial para Jesus é a certeza de Deus na sua Vida, no deserto ou na cidade, na míngua ou na fartura.

 

       2 – Quando sobe à montanha tem o mesmo fito da ida para o deserto, para rezar. A montanha aproxima-nos do alto, de Deus. É um lugar mais isolado, de onde se pode contemplar a cidade, a povoação. Mais perto de Deus para ver melhor a humanidade. “A existência cristã – diz Bento XVI – consiste num contínuo subir ao monte do encontro com Deus e depois voltar a descer, trazendo o amor e a força que daí derivam, para servir os nossos irmãos e irmãs com o próprio amor de Deus”.

       O Mestre não lhes esconderá as nuvens carregadas que estão para vir. No entanto, das nuvens mais opacas irromperá, uma vez mais e sempre, a LUZ de Deus. Ele fará ouvir a Sua voz, através de Jesus. Se O escutarmos seremos salvos.

       A transfiguração é um compromisso permanente dos discípulos de Cristo. A luz que vem de Deus torna-nos translúcidos. A luz incidirá em nós como num cubo de vidro, que se enche de LUZ e por sua vez ilumina tudo o que está à volta.

 

       3 – Jesus retira os discípulos da cidade para que eles vejam mais longe. Vejam para lá de todas as intempéries. Deus procede desta forma, para que não andemos a vaguear sem rumo nem esperança.

       Na primeira leitura vislumbra-se a pedagogia divina: “Deus levou Abraão para fora de casa e disse-lhe: «Olha para o céu e conta as estrelas, se as puderes contar». E acrescentou: «Assim será a tua descendência». Abraão acreditou no Senhor, o que lhe foi atribuído como justiça... Nesse dia, o Senhor estabeleceu com Abraão uma aliança”.

       Deus visita-nos em nossa casa. Leva-nos para o exterior de nós, para o deserto, para a montanha, para a entrada da tenda, para que o nosso horizonte seja o céu estrelado.

 

       4 – Se nos fixamos no chão, e nos colocamos no centro, o nosso mundo começa a ficar demasiado pequeno, ficaremos curvados.

       A águia deixada no galinheiro, que desaprendeu (ou não chegou a aprender) o que lhe traria a felicidade, voar, ser livre, ir pelo mundo, sem fronteiras. Habituou-se a ser galinha. As galinhas não voam, mesmo tendo asas. A tendência é agarrarem-se ao chão, apoiarem-se em algo sólido. Procuram o alimento na terra. A águia voa, procura o alimento a partir de um campo de visão muito alargado. Quando a jovem águia (quase galinha) viu outra águia a voar, o seu coração pequenino começou a palpitar, mas logo as galinhas lhe disseram para nem tentar, não era para ela… E em nós, prevalece águia ou galinha?

       Deus faz com que Moisés olhe para o Céu. Jesus leva os discípulos à montanha.

       Na segunda leitura, São Paulo, depois de convidar à imitação daqueles que estão em sintonia com Jesus Cristo, diz de forma clarificadora: “A nossa pátria está nos Céus, donde esperamos, como Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo miserável, para o tornar semelhante ao seu corpo glorioso… Portanto, permanecei firmes no Senhor”.


Textos para a Eucaristia (ano C): Gen 15, 5-12.17-18; Filip 3, 17 – 4,1; Lc 9, 28b-36.

 


05
Set 12
publicado por mpgpadre, às 10:00link do post | comentar |  O que é?

       "... O texto apresenta o ambiente de 1943: o gueto de Varsóvia está cercado e em chamas. Um após outro, caem todos os seus defensores. Numa das últimas casas em que ainda resiste está presente o filho de Israel. E mete numa garrafa vazia um escrito com as suas últimas palavras:

...

       Creio no Deus de Israel, embora Ele tenha feito de tudo para arrasar a minha fé n'Ele. As minhas relações com Ele já não são as de um servo diante do seu senhor, mas a de um discípulo perante o seu mestre...

       Morro, mas não satisfeito; como um homem abatido, mas não desesperado; crente, mas não suplicante; amando a Deus, mas sem dizer cegamente: Ámen. Segui a Deus, mesmo quando Ele me repeliu. Cumpri o seu mandamento, mesmo quando, para premiar a minha observância, Ele me castigava. Amei-o, amava-o e amo-o ainda, embora me tenha abaixado até ao chão, me tenha torturado até à morte, me tenha reduzido à vergonha e ao escárnio. Podes torturar-me até à morte, acreditarei sempre em ti; amar-te-ei sempre, mesmo que não queiras. E estas são as minhas últimas palavras, meu Deus de cólera: Não conseguirás fazer com que Te renegue.

       Tentaste de tudo para fazer-me cair na dúvida, mas eu morro como vivi: numa fé inabalável em Ti. Louvado seja o Deus dos mortos, o Deus da vingança, o Deus da verdade e da fé que imediatamente mostrará os fundamentos com a sua voz omnipotente. Shema' Israel, Adonai Elohenu, Adonai echad! Escuta, Israel, o Senhor é nosso Deus, o Senhor é um!

in BRUNO FORTE, As quatro noites da salvação, Prior Velho, Paulinas 2009.


12
Jul 12
publicado por mpgpadre, às 10:00link do post | comentar |  O que é?

       Para o amor, nenhum sacrifício é demasiado grande; de facto, só se pode sacrificar o que se mama. Sacrificar o que não se ama é até demasiado fácil: o difícil é oferecer a Deus o amor verdadeiro da nossa vida! Diz Kierkegard: «Abraão ama Isaac com toda a alma e quando Deus lho pede, ama-o, se possível, ainda mais; só assim pode fazer dele um sacrifício». Abraão só pode sacrificar Isaac porque o ama infinitamente. A Deus não se oferece o refugo do coração, pois só se pode oferecer-lhe o amor maior... Crer é oferecer o Isaac do seu coração, o único, o amado, oferecê-lo a Deus, porque só Ele é digno desta oferta e deve ser amado assim. Morrer para nascer. Perder-se para encontrar-se...

       A fé consiste em: crer na possibilidade impossível de Deus, confiar em Deus, apesar do silêncio de Deus, não obstante a noite escura das suas exigências impossíveis.O homem da fé sabe que Deus é Deus e que é preciso confiar em Deus sem condições. Na verdade, também Deus vivi a sua noite por amor aos homens, também Ele como Abraão oferecerá por nós o Isaac do Seu coração...

 

BRUNO FORTE, As quatro noites da salvação, Prior Velho, Paulinas 2009.


04
Mar 12
publicado por mpgpadre, às 09:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – "Se Deus está por nós, quem estará contra nós? Deus, que não poupou o seu próprio Filho, mas O entregou à morte por todos nós, como não havia de nos dar, com Ele, todas as coisas? Quem acusará os eleitos de Deus? Deus, que os justifica? E quem os condenará? Cristo Jesus, que morreu, e mais ainda, que ressuscitou e que está à direita de Deus e intercede por nós?"

       Duas certezas inabaláveis na nossa vida terrena: a morte e o amor (de Deus).

       O mal – expressão/manifestação da morte – é mais visível, mostra-se com mais facilidade, preenche as páginas dos (tele)jornais, choca mais, entra-nos pelos olhos, enquanto o bem muitas vezes passa despercebido.

       O amor – para além do mal e da morte – gera a vida. O amor é criativo, inventa a arte, a música, a beleza, a comunhão entre pessoas e povos. Se o amor não existisse, o mundo já há muito tinha desaparecido do mapa. O amor guarda a história, cimenta a cultura, constrói as civilizações, protege-nos do deserto da solidão e do abandono.

       Para o crente, o amor é mais forte que a morte e tem um nome: DEUS. O AMOR é Deus e Deus é Amor, é origem e sustentáculo do amor humano. O Apóstolo São Paulo, na sua epístola aos Romanos, na segunda leitura, coloca em evidência esta ligação a Deus, que nada poderá aniquilar. Deus está por nós. Ama-nos. Vem ao nosso encontro. Protege-nos como uma mãe a um filho que muito ama. Tal é o Seu amor que nos dá o Seu próprio Filho. Não O poupa ao sofrimento e à morte. Em Jesus, o amor de Deus vai até ao fim, até Se esvair em sangue, até a vida biológica se extinguir. 

       Abraão é testemunha privilegiada do amor de Deus e de como Deus Se coloca a nosso favor. "Abraão, Abraão, não levantes a mão contra o menino, não lhe faças mal algum... porque obedeceste à minha voz, na tua descendência serão abençoadas todas as nações da terra". Deus não poupa o Seu filho por amor à humanidade, poupa a humanidade, por amor.

        O mandamento de Deus é categórico: "Não matarás... não levantes a mão contra o teu filho... contra o teu irmão". Se assim for, a bênção espalhar-se-á pelas gerações.

 

       2 – Preparamo-nos para a Páscoa, acontecimento fulcral da história da salvação, acontecimento fundante da Igreja. Deus entra na história e no tempo, entranha-Se na humanidade, por Jesus Cristo. N'Ele, Deus feito homem, somos enxertados na vida de Deus. Com a ressurreição de Cristo, a nossa natureza humana é colocada à direita de Deus Pai. Nem o tempo nem a eternidade, nem a vida nem a morte nos separa do amor de Deus, pois Ele está por nós, como refere São Paulo.

       No episódio que o Evangelho deste domingo nos apresenta – a TRANSFIGURAÇÃO – Jesus irradia a presença luminosa de Deus, fazendo-nos vislumbrar os tempos da ressurreição e da eternidade.

       "Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João e subiu só com eles para um lugar retirado num alto monte e transfigurou-Se diante deles. As suas vestes tornaram-se resplandecentes, de tal brancura que nenhum lavadeiro sobre a terra as poderia assim branquear. Apareceram-lhes Moisés e Elias, conversando com Jesus. Pedro tomou a palavra e disse a Jesus: «Mestre, como é bom estarmos aqui! Façamos três tendas: uma para Ti, outra para Moisés, outra para Elias». Não sabia o que dizia, pois estavam atemorizados. Veio então uma nuvem que os cobriu com a sua sombra e da nuvem fez-se ouvir uma voz: «Este é o meu Filho muito amado: escutai-O»".

       Como aquela que está para ser mãe vai vivendo na expetativa, com o vislumbre do filho que vai chegar, através das ecografias, das fotos intrauterinas do feto, e experimentando a vida nova pelos movimentos no seu ventre, assim Jesus mostra, em antecipação, os tempos futuros, para solidificar confiança nos seus discípulos mais próximos. A alegria definitiva, a LUZ da ressurreição, transparece nesta epifania de Jesus. Uma evidência que nos envolve e desafia: no meio do quotidiano e da turbulência da vida atual é possível extrair luz, paz, vida, amor, encontro com Deus.

 

       3 – Uma certeza e uma tarefa neste segundo domingo da Quaresma.

       A certeza, que clarifica a nossa postura existencial: quanto mais perto de Deus e do Seu amor, mais distantes estaremos da morte e das suas manifestações (mal, injustiças, mentira, corrupção, conflitos, pobreza, distúrbios afetivos e emocionais).

       A tarefa (de sempre): escutar. A transfiguração faz-nos vislumbrar a Páscoa, cativando a nossa atenção, ajudando-nos a enquadrar o tempo presente, perpassado de alegrias e dores, temperado com mil cores de bem, de beleza e de amor, e de dúvida, conflito e de morte. O olhar não engana, mas por ora é a voz que ressoa nos nossos ouvidos: "Este é o meu Filho muito amado: escutai-O".

       A certeza facilita a tarefa de escutar Jesus, procurando que a Sua palavra se transforme em vida, cimentando e aprofundando em nós as marcas da ressurreição e do amor de Deus, sintonizando-nos com as pessoas que são pedacinhos de Deus, e despertando o nosso olhar para a LUZ que d'Ele nos chega.


Textos para a Eucaristia (ano B): Gen 22,1-2.9a.10-13.15-18; Rom 8,31b-34; Mc 9,2-10.

 

Reflexão Dominical na página da paróquia de Tabuaço.


28
Nov 11
publicado por mpgpadre, às 17:00link do post | comentar |  O que é?

       Quando Abraão por fim morreu e foi enterrado ao lado da sua esposa Sara, Isaac herdou toda a sua riqueza. Deus abençoou-o, assim como havia abençoado Abraão, e Isaac prosperou.

       Com o passar do tempo, a sua esposa Rebeca ficou grávida e teve gémeos. O primeiro a nascer era ruivo e coberto de cabelos. Ela chamou-lhe Esaú, nome derivado de uma palavra que na sua língua significava “peludo”. O segundo filho nasceu com a mão agarrada ao pé do seu irmão. Ela chamou-lhe Jacob, nome derivado de uma palavra que significava “calcanhar”.

       Esaú cresceu e tornou-se forte e activo. Adorava a vida ao ar livre e tornou-se um hábil caçador. Este facto fez com que Isaac se afeiçoasse muito a ele: adorava comer a carne dos animais que o seu filho mais velho trazia da caça.

       Jacob preferia os confortos do lar. Era reservado e atencioso e esse facto fazia dele o preferido de sua mãe.

       Um dia, Jacob encontrava-se em casa a cozinhar uma panela de sopa de feijão quando Esaú regressou da caça. “Estou faminto!” – exclamou ele. “Dá-me a comer um pouco dessa sopa”. “Talvez” – respondeu Jacob, mantendo o seu irmão afastado da comida. “Mas apenas se prometeres que posso ficar com todos os privilégios que possuis como filho mais velho: gostaria de ser aquele que irá herdar a riqueza do nosso pai”. “Ora!” – exclamou Esaú, enquanto se detava derreado pelo cansaço. “O que interessa o que cada um de nós irá herdar quando o nosso pai morrer? Eu é que morrerei de fome se não comer de imediato. Sim, podes ficar com tudo o que quiseres”.

       Desta forma impensada, Esaú abdicou dos direitos valiosos que lhe cabiam por nascimento em troca de uma tigela de sopa.

 

Mónica Aleixo, in Boletim Voz Jovem, outubro 2011.


21
Jul 11
publicado por mpgpadre, às 12:00link do post | comentar |  O que é?

       A jovem, cujo nome era Rebeca, ficou surpreendida com os presentes que lhe haviam sido oferecidos. Sem fôlego com tanto entusiasmo, correu para contar à sua mãe.

        “Escutai! O homem deu-me jóias em ouro e perguntou-me se podia visitar o Pai. Certamente isso só pode significar uma coisa” – exclamou ela.

       O irmão de Rebeca, Labão, tinha reparado nas jóias e apressou-se a sair para saber o que se passava. Ele e o seu pai ouviram o servo contar a tarefa que lhe tinha sido destinada: encontrar uma esposa a pedido do seu parente Abraão.

       “Bom, é realmente espantoso que Deus vos tenha guiado até nós” – concordaram ambos. “Deve fazer parte do desígnio de Deus que a nossa Rebeca case com o filho do vosso amo”.

       “Assim é” – disse o servo. “Lembrai-vos que o meu amo é um homem rico e que me providenciou tudo o que possa ser necessário para tratar dos preparativos”. Exibiu presentes esplêndidos para a família e as jóias de ouro e roupas mais refinadas para Rebeca.

       O pai e o irmão de Rebeca acenaram com a cabeça. “Estamos contentes com a oferta” – disseram. “Agora temos de perguntar a Rebeca o que pensa”. Rebeca ficou radiante. “Teria todo o gosto em ir convosco e conhecer esse jovem assim que quiserdes!” – disse ela.

       Com a bênção da sua família, Rebeca e alguns dos seus servos prepararam-se para viajar para Canaã com o servo de Abraão. Meio alegres, meio tristes, montaram os camelos e acenaram em despedida.

       Isaac ficou radiante com a chegada da sua futura noiva. Pouco tempo depois, descobriu que também estava apaixonado por ela.

 

Mónica Aleixo, in Boletim Voz Jovem, Julho 2011.


19
Jul 11
publicado por mpgpadre, às 12:05link do post | comentar |  O que é?

       Aí está mais uma edição do Boletim Paroquial VOZ JOVEM. Em formato de papel, distribuído gratuitamente no final das Eucaristias de fim de semana, e aqui em formato virtual, à disposição de todos os que acharem por bem acederem-lhe.

       Neste mês de Julho, destacamos alguns dos acontecimentos que marcaram o ritmo pastoral do mês de Junho, mormente a celebração da Primeira Comunhão, na solenidade de Corpo de Deus, no dia 23 de junho, e o Sacramento da Confirmação, no dia 19 de Junho. Há depois os temas habituais, do editorial - o poder curativo que há em nós - e o Olhar de um Jovem, sobre a Esposa de Isaac, bem como outras informações respeitantes à comunidade paroquial.

       O Boletim poderá ser lido a partir da página da paróquia de Tabuaço, ou fazendo o download:


28
Jun 11
publicado por mpgpadre, às 10:39link do post | comentar |  O que é?

       Quando Isaac era ainda um jovem, a sua mãe Sara morreu. Abraão fez-lhe um enterro com grande respeito. Então, começou a pensar no futuro. O que iria acontecer a toda a sua riqueza? O que iria ser de Isaac?

       Chamou um servo: “Vinde aqui! Quero que façais uma promessa solene com o Senhor como nossa testemunha. Ide ter com os meus familiares na minha terra natal e procurai entre eles uma moça para esposa de Isaac. Trazei-a de volta para aqui, para Canaã.

       O servo, obediente, concordou, mas, enquanto ele e a caravana de camelos avançavam pelas estradas poeirentas, começou a preocupar-se com a promessa que havia feito. “Ó Senhor” – rezou – “ajudai-me a cumprir esta tarefa”.

       Quando chegou à cidade à qual tinha sido enviado, tinha delineado um plano. “Ó Senhor – disse ele – aqui me tendes no poço, onde as jovens virão buscar água. Pedirei a uma delas para beber. Se ela disser que trará água para os meus camelos, tomarei isto como sinal de que é a moça certa para Isaac”.

       Antes de terminar a sua oração, uma jovem chegou com o seu cântaro. Ele aguardou até que ela o enchesse e depois pediu-lhe para beber.

       “Claro que sim – respondeu ela –, depois, irei buscar água para os vossos camelos”.

       Tudo tinha corrido de modo perfeito. Depois de cumprir a sua tarefa, o servo trouxe jóias de ouro. “Este é um presente para vós – disse ele –, mas tenho mais perguntas a fazer-vos. Qual é o nome do vosso pai? Existe espaço na sua casa para me receber como hóspede?”

       A moça deu a sua resposta, e esta foi exactamente aquilo que o servo queria ouvir: a família da moça era constituída por parentes do próprio Abraão e o servo foi bem acolhido junto deles.

 

Mónica Aleixo, in Boletim Voz Jovem, Junho 2011.


21
Jun 11
publicado por mpgpadre, às 21:11link do post | comentar |  O que é?

       O Boletim da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição reflecte, como é óbvio, o que vai acontecendo na comunidade, celebrações, actividades diversas, encontros, reuniões. Neste mês de Junho, um pouco à semelhança do mês passado, ocupam um lugar especial as festas da cateques, da Palavra, da Profissão de Fé e da celebração do Sacramento da Confirmação, com a presença do Sr. Bispo, D. Jacinto Botelho. Mas há outros motivos de interesse, a Peregrinação Nacional das Crianças a Fátima, no passado dia 10 de junho, e o Futsal de Saltos Altos. De fora outros momentos em que a paróquia esteve envolvida, directa ou indirectamente, a XXVI Jornada Diocesana da Juventude, no Touro, em Vila Nova de Paiva, no dia 28 de Maio, o torneiro de Futsal Fair Play, para rapazes, que se realizou em Tabuaço, no dia 11 de junho, e ainda o acampamento das Guias e escuteiros da Europa, em Ourém. Sempre incluído, as informações paroquiais e a reflexão bíblica, em "O Olhar de um Jovem".

       O Boletim poderá ser lido a partir da página da paróquia de Tabuaço, ou fazendo o download:


30
Mai 11
publicado por mpgpadre, às 15:47link do post | comentar |  O que é?

       Algum tempo depois, Deus colocou à prova a fé de Abraão. “Pega no teu filho Isaac” – disse Deus, “o filho que tanto amas. Vai até ao cimo de uma montanha na terra de Moriá. Aí, deves sacrificá-lo em meu nome”.

       Abraão não questionou aquilo que escutara. A prática de sacrificar crianças não era estranha entre alguns dos povos vizinhos. Na manhã seguinte, cortou lenha para a fogueira, albardou o jumento e partiu para a montanha com Isaac e dois servos. Ele tinha-os informado que iria fazer um sacrifício, não havia explicado mais nada.

       À medida que se aproximavam da montanha, Abraão pediu aos servos para esperar com o jumento, enquanto ele e Isaac iriam prosseguir com a cerimónia.

       Isaac transportou a lenha. Abraão levava uma faca e um pote com brasas para acender a fogueira.

       “Oh, sabeis do que nos esquecemos?” – perguntou Isaac. – “Não temos o cordeiro para o sacrifício!”

       “Deus tratará de arranjar um” – respondeu Abraão, lacónico.

       Os dois continuaram a subir. No cimo da montanha, Abraão construiu um altar em pedra e deitou sobre este a lenha. Subitamente, agarrou Isaac com violência, amarrou-o e deitou-o em cima do altar. Levantou a sua faca. “Abraão” – chamou Deus.

       “Aqui me tendes” – respondeu Abraão. “Não magoes o teu filho” – disse Deus. “Tudo isto Me provou que estás disposto a obedecer-me”. Abraão baixou a faca. Olhou à sua volta. Atrás de si encontrava-se um carneiro selvagem,  preso num silvado. Abraão desamarrou o seu filho e sacrificou o carneiro. O seu amado filho estava salvo. “A partir de agora” – disse Deus, “podeis estar certo de que abençoarei o teu filho e os filhos do teu filho por todas as gerações vindouras”.

 

Mónica Aleixo, in Boletim Voz Jovem, maio 2011.


31
Mar 11
publicado por mpgpadre, às 10:19link do post | comentar |  O que é?

       Deus lembrou-se da promessa que havia feito a Abraão e Sara e, finalmente, estes tiveram um filho. Sara ficou radiante: “Deus trouxe-me alegria e riso” – disse ela. Deram ao menino o nome de “Isaac”, cujo próprio nome significa “ele ri”.

       À medida que o seu filho crescia, Sara começou a ficar preocupada. “Mandai embora Agar e Ismael. – murmurou a Abraão – Não quero que Ismael herde o que na verdade pertence ao nosso Isaac”.

       Abraão ficou desalentado com o que Sara dissera. Afinal de contas, Ismael também era seu filho.

       Deus disse-lhe para fazer a vontade a Sara. “Deixa partir o rapaz e a sua mãe. – concordou Deus – A minha promessa para convosco irá concretizar-se através dos filhos de Isaac; mas cuidarei também dos filhos de Ismael”.

       Na manhã seguinte, Abraão mandou Agar e Ismael embora apenas com alguma comida e um odre com água. Eles caminharam sem parar pelo deserto seco e poeirento. Em breve haviam já bebido a água. Quase imediatamente voltaram a sentir sede.

       Desesperada, ela pousou a criança na sombra de um arbusto e afastou-se um pouco. Enterrou a cabeça nas suas mãos. “Não quero vê-lo morrer” – soluçou ela.

       Deus escutou-a a chorar. “Vai buscar o teu filho”, – disse Deus – ele será pai de uma grande nação”.

       Agar olhou para cima espantada. O deserto reluzia com o calor. Então escutou novamente Deus a falar. “Olha à tua volta, – disse Deus – olha com olhos de ver”.

       Agar percorreu com os olhos a paisagem estéril. Então riu bem alto de alegria.

       “Existe um poço!” – gritou – Podemos sobreviver aqui! Podemos construir uma vida nova para nós… e Ismael pode aprender a caçar… e tudo ficará bem”

       Os anos passaram e Ismael tornou-se um homem. Casou com uma mulher egípcia. Agar soube que a promessa que Deus lhe fizera estava a realizar-se.

 

Mónica Aleixo, in Boletim Voz Jovem, Março 2011.


30
Mar 11
publicado por mpgpadre, às 10:34link do post | comentar |  O que é?

       1 – Estivemos na Montanha para escutarmos e reflectirmos com o Sermão da Montanha e nos deixarmos sensibilizar pela Mensagem de Jesus.

       A montanha é um lugar de encontro com Deus, de revelação, de ensino. Moisés sobe à montanha e recebe de Deus os Mandamentos; Jesus sobe à montanha e deixa-nos o essencial da Sua palavra de salvação. Na montanha o ar é mais fresco, mais límpido, apetece encher os pulmões desta frescura. Subamos para nos refrescarmos com a presença de Deus; deixemo-nos inundar da Sua luz, para descermos ao nosso mundo, com a energia, a sabedoria e a graça, para testemunharmos a salvação operada em nós pelo Senhor.

       2 – "Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e levou-os, em particular, a um alto monte e transfigurou-Se diante deles: o seu rosto ficou resplandecente como o sol e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz". A Quaresma guiar-nos-á à Páscoa jubilosa. Porquanto é tempo de oração e de caridade, de jejum e de penitência, é tempo de conversão! Estamos na expectativa! Antes da glorificação, atravessámos a dor, o escárnio, a traição, a dúvida, as hesitações. Chegará a hora da agonia e da morte. O próprio Jesus relembra constantemente os momentos difíceis que estão para chegar.

       Os sinais que Jesus dá não são bons para quem espera sucesso e vida facilitada com a Sua presença. Alguns discípulos não resistirão. Quanto maior a adversidade, maior a necessidade de inequívocos sinais de esperança e estes só os encontramos em Deus. Jesus sabe isso. Chama Pedro, Tiago e João e "abre o jogo", fazendo-os subir à montanha, e deixando vislumbrar na Sua luminosidade a Sua identidade divina: «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência. Escutai-O».

       A revelação é acompanhada com um desafio: escutar Jesus. Escuta que leva à vivência.

       A experiência é tão envolvente que os discípulos querem permanecer na montanha: "Senhor, como é bom estarmos aqui! Se quiseres, farei aqui três tendas: uma para Ti, outra para Moisés a outra para Elias". Como é bom sentirmos a presença de Deus. Mas temos que "regressar" à terra. Constantemente. A salvação que Deus nos dá, compromete-nos com este mundo. Jesus é peremptório: "Levantai-vos e não temais". Caminhemos!

 

       3 – Com efeito, Deus não nos quer instalados no nosso canto. Jesus di-lo aos discípulos como Deus o revelara a Abrão: "Deixa a tua terra, a tua família e a casa de teu pai e vai para a terra que Eu te indicar. Farei de ti uma grande nação e te abençoarei; engrandecerei o teu nome e serás uma bênção. Abençoarei a quem te abençoar, amaldiçoarei a quem te amaldiçoar; por ti serão abençoadas todas as nações da terra" (Gen 12, 1-9).

       Abrão deixa a Sua terra, a casa de seus pais, irá para uma terra estranha, mudará de nome (Abraão) e de vida. Ele é o arameu errante, peregrino. Torna-se para nós um paradigma. Era mais cómodo e mais tranquilo cruzar os braços e ficar sob o tecto do seu pai biológico. Perante o chamamento de Deus, põe-se em movimento, segue a Sua voz, para realizar a Sua vontade. Deus estará com ele. Deus está connosco na nossa peregrinação terrena, desafiando-nos a novos caminhos, sem medo!

 

       4 – A certeza da salvação é um motivo de sobra no nosso compromisso com a salvação do mundo inteiro. O conforto que esta esperança nos traz, alegra-nos como aos discípulos no alto da montanha, mas como a eles também a nós Jesus nos faz descer até ao nosso semelhante, para que todos O conheçam e tenham n'Ele a vida eterna.

 

Boletim Paroquial Voz Jovem, Março 2011.

(texto reformulado a partir da homilia do II Domingo da Quaresma)


20
Mar 11
publicado por mpgpadre, às 14:31link do post | comentar | ver comentários (1) |  O que é?

       1 – Voltemos à Montanha - ao monte Tabor - onde Jesus Se transfigura, mostrando-nos claramente a Sua identidade divina. Estivemos na Montanha, durante algumas semanas, para escutarmos e reflectirmos com o Sermão da Montanha e nos deixarmos sensibilizar pela Mensagem de Jesus. A montanha, como víamos então, é um lugar de encontro com Deus, de revelação, de ensino. Moisés sobe à montanha e de Deus recebe as tábuas da Lei; Jesus sobe à montanha e deixa-nos o essencial da Sua palavra de salvação. Hoje, de novo, subimos com Ele, para nos deixarmos envolver pela nuvem luminosa, pela presença amorosa de Deus, no convite à escuta.

       Na montanha o ar é mais fresco, mais límpido, apetece encher os pulmões desta frescura. Como os carros, precisamos de combustível para vivermos em qualidade. Subimos, para nos refrescarmos com a presença de Deus e recebermos o combustível para descermos ao nosso mundo, com a energia, a sabedoria e a graça, para testemunharmos a salvação operada em nós pelo Senhor.

       2 – "Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e levou-os, em particular, a um alto monte e transfigurou-Se diante deles: o seu rosto ficou resplandecente como o sol e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz". A caminho da Páscoa, o tempo quaresmal incide na necessidade da oração, da caridade, e do jejum. É uma época penitencial, estamos na expectativa! Antes da glorificação, atravessámos a dor, o escárnio, a traição, a dúvida, as hesitações. Chegará a hora da agonia e da morte. O próprio Jesus relembra constantemente os momentos difíceis que estão para chegar.

       Alguns discípulos não resistirão. Os sinais que Jesus dá não são bons para quem espera sucesso e vida facilitada com a Sua presença. Com efeito, mesmo quando sabemos que as coisas não são fáceis, precisamos de sinais de esperança e estes só os encontramos em Deus. Jesus sabe isso. Chama Pedro, Tiago e João e "abre o jogo", fazendo-os subir à montanha, e deixando vislumbrar a Sua luminosidade, a Sua identidade divina: «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência. Escutai-O».

       A revelação é acompanhada com um desafio: escutar Jesus.

       A experiência é tal que os discípulos querem permanecer na montanha: "Senhor, como é bom estarmos aqui! Se quiseres, farei aqui três tendas: uma para Ti, outra para Moisés a outra para Elias". Como é bom sentirmos a presença de Deus. Mas temos que "regressar" à terra. A salvação que Deus nos dá, compromete-nos com este mundo. Jesus é peremptório: "Levantai-vos e não temais".

 

       3 – Deus não nos quer instalados no nosso comodismo. Jesus di-lo aos discípulos. Deus revela-o a Abrão (= Abraão): "Deixa a tua terra, a tua família e a casa de teu pai e vai para a terra que Eu te indicar. Farei de ti uma grande nação e te abençoarei; engrandecerei o teu nome e serás uma bênção. Abençoarei a quem te abençoar, amaldiçoarei a quem te amaldiçoar; por ti serão abençoadas todas as nações da terra".

       Abrão deixará a Sua terra, a casa dos seus pais, irá para uma terra estranha, mudará de nome e mudará de vida. Ele é o arameu errante, peregrino. Torna-se para nós um paradigma. Sente o chamamento de Deus. Era mais cómodo e mais tranquilo cruzar os braços e ficar sob o tecto do seu pai biológico. Põe-se em movimento, segue a voz de Deus, para realizar a Sua vontade. Deus estará com ele. Deus está connosco na nossa peregrinação terrena, desafiando-nos a novos caminhos.

 

        4 – Vivemos em permanente tensão (escatológica). Fomos salvos na morte e ressurreição de Jesus Cristo. Vivemos em peregrinação. A salvação acontece em Jesus. Acontece para a história. Mas ainda não se manifestou totalmente aquilo que havemos de ser. Tensão nesta vida até à eternidade, tensão desde a Cruz, desde a Páscoa de Cristo até ao fim dos tempos.

       "Ele salvou-nos e chamou-nos à santidade, não em virtude das nossas obras, mas do seu próprio desígnio e da sua graça. Esta graça, que nos foi dada em Cristo Jesus, desde toda a eternidade manifestou-se agora pelo aparecimento de Cristo Jesus, nosso Salvador, que destruiu a morte e fez brilhar a vida e a imortalidade, por meio do Evangelho".

       A certeza da salvação é um motivo de sobra no nosso compromisso com a salvação do mundo inteiro. O conforto que esta esperança nos traz, alegra-nos como aos discípulos no alto da montanha, mas como a eles também a nós Jesus nos faz descer até ao nosso semelhante, para que todos O conheçam e tenham n'Ele a vida eterna.

___________________________

Textos para a Eucaristia (ano A): Gen 12,1-4; 2 Tim 1,8b-10; Mt 17,1-9.

 


01
Mar 11
publicado por mpgpadre, às 10:21link do post | comentar |  O que é?

A patir de Gn 18,16 – 19,26:

 

       Quando os visitantes partiram novamente, Abraão acompanhou-os para lhes mostrar o caminho. “Vamos visitar Sodoma, próxima de Gomorra – disseram eles –, precisamos de descobrir se estas cidades são de tanta perdição quanto as pessoas dizem. Se o forem, então serão destruídas”.

       Abraão suplicou a Deus: “Não podeis destruir pessoas inocentes que por acaso vivam entre pessoas maldosas – argumentou –, e se lá existirem cinquenta pessoas?”

       “Então não irei destruí-las” – concordou Deus.

       Abraão continuou a suplicar: “E se existirem quarenta e cinco? Ou quarenta? Ou talvez apenas trinta?”

       “Então não irei destruir as cidades” – disse Deus.

       “Salvaríeis apenas vinte? E se apenas existirem dez homens bons?”

       “Em atenção a esses dez homens não irei destruir as cidades” – disse Deus.

       Dois dos viajantes entraram em Sodoma. Descobriram que existia apenas um homem bom: o sobrinho de Abraão, Lot. Ele recebeu-os em sua casa e manteve-os em segurança.

       “Lot – avisaram os visitantes – correis um grande perigo aqui. A cidade onde viveis e a sua vizinha Gomorra vão ser destruídas. Reuni os vossos familiares e fugi para um local seguro”.

       De madrugada, os dois visitantes ficaram ainda mais ansiosos: “Temos de fugir todos… e, neste momento, não há realmente tempo a perder”.

       “Ainda não estou completamente certo” – começou Lot, mas os visitantes pegaram nele, na esposa e em duas filhas e, literalmente, arrastaram-nos para o campo. Enquanto corriam, uma tempestade de enxofre ardente abateu-se sobre ambas as cidades.

 

       A esposa de Lot ficou desalentada. Voltou-se para olhar para as ruínas da sua casa. Assim que o fez, uma saraivada de sal caiu sobre ela e cobriu-a por completo.

 

“Querido Deus por favor cuida das pessoas boas num mundo cruel”


04
Jan 11
publicado por mpgpadre, às 19:08link do post | comentar |  O que é?

       Abrão tem agora noventa e nove anos de idade.

       “Tereis de continuar a confiar em mim” – disse Deus, – “o teu nome deixará de ser Abrão e passará a ser Abraão: o Pai de muitas nações. O nome da tua esposa deixará de ser Sarai e passará a ser Sara: princesa. Ela será a mãe de muitas nações.

       Abraão abanou a cabeça. “Somos ambos velhos” – argumentou, – “porque não deixar Ismael ser meu herdeiro?”

       “A promessa que te fiz há tanto tempo irá concretizar-se através do filho de Sara” – respondeu Deus, –“irás chamá-lo de Isaac”.

       Abraão aceitou a promessa de Deus. Não demorou muito até à chegada de três visitantes.

       Abraão apressou-se a saudá-los. “por favor, bebam alguma água”  – disse ele, “e tomem uma refeição para vos fortalecer”. Correu até Sara e pediu-lhe que começasse a cozinhar. Abraão ofereceu aos homens comida, enquanto Sara permanecia na tenda.

       “Onde está a vossa esposa?” – perguntaram eles e Abraão explicou-lhes. Eles pediram-lhe para que se aproximasse.

       “Daqui a nove meses ela será mãe, e vós sereis pai de um menino!” – sussurraram.

       Sara não pôde deixar de escutar. “Com a minha idade!” – pensou, – “aqueles homens não sabem o que dizem!” Ao pensar na tolice destes deu uma valente gargalhada.

       Deus falou a Abraão: “Porque se riu Sara? Ela não acredita que posso dar-vos um filho?”

       Quando Sara se apercebeu que Abraão sabia da sua reacção de desdenho, teve medo. “Eu não me ri!” “Sim, riste” foi a resposta. Era a voz de Deus que falava.

 

“Querido Deus, obrigado, pois tudo o que prometeis pode concretizar-se”

 

Mónica Aleixo, in Boletim Voz Jovem, Dezembro 2010.


30
Out 10
publicado por mpgpadre, às 10:33link do post | comentar |  O que é?

       No fundo do vale do Jordão reuniram-se quatro reis. Queriam discutir planos de batalha. Existiam cinco cidades ricas que esperavam saquear. A ganância tornava-os destemidos.

       Não muito longe, os reis das cinco cidades encontraram-se também para traçar os seus próprios planos. Como iriam defender-se? Reuniram os seus exércitos e marcharam para a guerra.

       No dia da batalha, os exércitos alinharam-se um contra o outro. A luta foi feroz, mas foram os invasores que conquistaram vantagem. Os cinco reis tentaram fugir, mas haviam enormes poços de alcatrão naquela região e os reis de Sodoma e Gomorra pereceram no pântano.

       Os reis vitoriosos viram a sua oportunidade. Caíram sobre Sodoma e Gomorra, matando e pilhando à medida que avançavam. Lot foi capturado durante a batalha em Sodoma e foram-lhe roubados todos os seus pertences.

       Um homem que escapara do caos veio dar a notícia a Abraão: “O vosso sobrinho foi gravemente ofendido! Foi roubado e feito prisioneiro! Certamente ireis em seu auxílio!”

       Rapidamente, Abraão reuniu os seus próprios homens para lutar. Eles atacaram o inimigo de noite e derrotaram-no de forma retumbante.

       Os reis vieram para celebrar a vitória de Abraão: “Salvastes-nos! Recuperaste toda a riqueza que havíamos perdido” – gritaram eles. Riram, beberam e divertiram-se.

Porém, Abraão não se sentia eufórico com a vitória. A desilusão obscurecia a sua vida. “Continuo sem ter um filho” – suspirou.

       Então, ouviu o murmúrio da voz de Deus: “Vem cá fora. Olha para as estrelas no céu e tenta contá-las. A tua família irá crescer e crescer até existirem mais pessoas do que estrelas”.

       Abraão confiou em Deus e, por este facto, Deus aceitou-o.

 

Querido Deus,

ajudai-me a aprender a confiar em Vós

 

Mónica Aleixo, in Boletim Voz Jovem, Outubro 2010.


29
Out 10
publicado por mpgpadre, às 10:30link do post | comentar |  O que é?

       Está disponível o Boletim Paroquial Voz Jovem, do corrente mês de Outubro, nos formatos habituais, na internet e distribuído gratuitamente nas Eucaristias de fim de Semana. Como entrada, o Editorial sobre o lema pastoral para o ano de 2010/2011, "Confirmados na fé, para viver na caridade". E depois com outros textos significativos: o valor da amizade, a esperança em Abraão, uma reflexão de Augusto Cury, "Jesus tinha tudo para ser uma pessoa feliz", já blogado por aqui, e algumas informações, sobre o início da catequese, visto pelos protagonistas, e as promessas das Guias da Europa de Tabuaço, também pelas protagonistas, sobre actividades da paróquia, e ainda um desenho para colorir para os mais pequenos, e também um foto das gentes de Pinheiros, em Santiago de Compotela.

       O boletim VOZ JOVEM pode ser lido a partir daqui e/ou fazendo o download nos formatos respectivos:


09
Out 10
publicado por mpgpadre, às 10:56link do post | comentar |  O que é?
       A árvore genealógica de Abraão remontava ao tempo de Sem, que foi um dos filhos de Noé. Contudo, Abraão estava menos impressionado com o passado e mais preocupado com o futuro: teria ele descendentes que pudessem herdar a sua riqueza? A árvore genealógica da família iria prosperar?
       Um dia, ouviu Deus a falar com ele: “Abraão! Deixa o teu país. Deixa os teus familiares. Deixa o teu lar. Vai para uma terra que te mostrarei. Aí terás filhos, e os teus filhos terão filhos. A tua família tornar-se-á uma grande nação. Eles irão levar a minha bênção ao mundo”.
       Abraão sabia que tinha de obedecer. Rapidamente, reuniu a sua família mais próxima: a sua mulher, Sarai, e o seu sobrinho Lot. Reuniu a sua riqueza e chamou os seus escravos. Deixaram a cidade de Haran e toda a sua vida confortável e partiram para a terra de Canaã.
       Foi uma aventura ousada. Abraão e a sua família viveram como nómadas em tendas: estavam constantemente em movimento em busca de pastagens para os seus rebanhos. Houve anos bons e anos maus mas, com o passar do tempo, tanto Abraão como Lot acumularam riqueza. Os seus rebanhos ficaram tão grandes que não encontravam pastagens suficientemente amplas para todos num só local. Começaram as discussões.
       “Somos parentes” – disse Abraão. “Não devemos discutir. Lot, escolhe uma parte da terra para ti. Eu irei no sentido oposto”. Assim, Lot foi para Sul em direcção ao vale que era banhado pelo rio Jordão e fixou-se na cidade de Sodoma. Abraão continuou em Canaã, num local chamado Hebron.
       “Olha à tua volta” – disse-lhe Deus. “Irei oferecer-te toda esta terra. Pertencerá à tua família para sempre”.
“Querido Deus, falai comigo e mostrai-me o caminho que devo seguir”
Mónica Aleixo, in Boletim Voz Jovem, Setembro 2010.


13
Set 10
publicado por mpgpadre, às 10:47link do post | comentar |  O que é?

       1 - Não são os sãos que precisam de médico mas os doentes. É uma expressão utilizada por Jesus Cristo, para acentuar que são que os pecadores precisam de salvação. Destarte, aqueles que se têm por auto-suficientes, não precisam de salvação e nem de Salvador. A este propósito ouvimos Santo Agostinho: "Ó feliz culpa que nos valeu tão grande Salvador". Não se trata de humilhação, trata-se de reconhecer a nossa condição humana e finitiva, que se encontra e descobre com os outros e sobretudo com o Outro, Jesus Cristo, nosso Salvador.

       Isso mesmo nos é mostrado por Jesus nas três parábolas propostas no Evangelho de São Lucas: Um homem que perde uma das 100 ovelhas e deixam as 99 para ir ao encontro da ovelha perdida e ao encontrá-la fica radiante, faz uma festa. Uma mulher que tendo perdido uma de 10 dracmas, tudo faz para encontrar a dracma perdida e ao encontrá-la chama as amigas e faz uma festa. Um pai que quebra a cara, quando um dos filhos deseja a sua morte, pedindo a parte da herança que lhe cabe, sai de casa, volta sem nada, e o pai recebe-o como filho.

       A conclusão de Jesus não poderia ser mais óbvia: "haverá mais alegria no Céu por um só pecador que se arrependa, do que por noventa e nove justos, que não precisam de arrependimento... tínhamos de fazer uma festa e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado" (Evangelho).

       Em Jesus ecoam as palavras de alguns fariseus e doutores da Lei que se julgavam detentores da verdade e  únicos destinatários da salvação: «Este homem acolhe os pecadores e come com eles».

       Jesus responde com expressividade através destas três parábolas.

       2 - Deus criou-nos para a felicidade, que é sinónimo de santidade, para nos realizarmos como pessoas, vivendo como filhos, descobrindo a alegria de existirmos como povo, em comunhão fraterna com os outros. A ousadia de Deus na criação faz brotar o Seu AMOR em abundância por nós.

       O pecado (da soberba, do orgulho, do egoísmo e da arrogância) distanciou-nos d'Ele, levou-nos ao conflito e à ruptura com o nosso semelhante, com o nosso irmão.

       E quando nós desistíamos uns dos outros, Deus ainda assim nos amou e não desistiu de nós nem do Seu projecto de Amor.

       No monte Sinai, em Deus, expressa-se a desilusão (mais humana que divina, mais do mensageiro do que da Mensagem): "O Senhor falou a Moisés, dizendo: «Desce depressa, porque o teu povo, que tiraste da terra do Egipto, corrompeu-se. Não tardaram em desviar-se do caminho que lhes tracei»". Em Moisés, sobrevém o amor de Deus. Como Abraão, também Moisés descobre que Deus não quer a destruição do homem. Nas palavras do Profeta, a sensibilidade divina: "Então Moisés procurou aplacar o Senhor seu Deus, dizendo: «Por que razão, Senhor, se há-de inflamar a vossa indignação contra o vosso povo, que libertastes da terra do Egipto com tão grande força e mão tão poderosa?»" (Primeira Leitura).

       Abraão, Moisés, JESUS CRISTO, São Paulo, traduzem a preocupação de Deus por nós e pela humanidade inteira. Trazem-nos Deus, para que de novo nos tornemos felizes.

       "A graça de Nosso Senhor superabundou em mim, com a fé e a caridade que temos em Cristo Jesus. É digna de fé esta palavra e merecedora de toda a aceitação: Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores" (Segunda Leitura).

 

       3 - O projecto de Deus mantém-se desde toda a eternidade e para sempre: por amor nos criou, nos chamou e nos chama à vida, por amor nos dá um Salvador, o Seu próprio Filho. Deus nunca desiste de nós, como um Pai nunca desiste de seu Filho. Com amor de Pai e Mãe, Deus faz festa por nós e mesmo quando nos afastamos, Ele espera-nos, dá-nos o tempo que precisamos para voltar. Na volta, não nos estranha, acolhe-nos como filhos bem amados, inclui-nos na sua vida divina, "tudo o que é meu é teu".

       Não nos falte o discernimento para nos sabermos filhos amados, membros da família de Deus e, quando nos afastarmos, não nos falte a coragem para voltarmos ao lugar onde fomos e onde seremos sempre felizes.

____________________________

Textos para a Eucaristia (ano C): Ex 32,7-11.13-14; 1 Tim 1,12-17; Lc 15,1-32

 


26
Jul 10
publicado por mpgpadre, às 20:47link do post | comentar |  O que é?
       1 – "Pedi e dar-se-vos-á; procurai e encontrareis; batei à porta e abrir-se-vos-á. Porque quem pede recebe; quem procura encontra e a quem bate à porta, abrir-se-á" (Evangelho).
       Os discípulos pedem a Jesus que os ensine a rezar e Jesus responde com a mais bela e simples oração conhecida. Em que em breves palavras desvenda-se todo o conteúdo do Evangelho. Uma certeza nos dá Jesus: a oração tem os seus efeitos e sempre é atendível por Deus.
       Como o Pai ou a Mãe que sempre procuram responder favoravelmente aos filhos, assim Deus não deixa de Se compadecer de todos aqueles que a Ele recorrem de coração sincero. Não são necessárias muitas palavras, mas que estas saltem do coração, orientadas para o nosso e para o bem alheio.
       "Pedi e recebereis", é a certeza que Jesus deixa aos discípulos de todos os tempos.
       2 – Na primeira leitura, Abraão como que testa a paciência e bondade de Deus. Dessa forma, Abraão revela a todo o povo a sua fé num Deus bom, generoso, pronto a perdoar e a compreender as limitações humanas, disponível para ir sempre mais longe.
       O povo de Sodoma e Gomorra vive no pecado e, na linguagem simbólica da Palavra de Deus, são merecedores do castigo. Abraão intercede em atenção a 50 justos, quarenta, trinta, em atenção a 10 justos, para que não sejam castigados os justos pelos pecadores. Deus responde: "Em atenção a esses dez, não destruirei a cidade".
       Na continuação da Leitura, pode ver-se que nem cinco justos havia na cidade, e estes são salvos partindo para outra terra.
       No contexto circundante, Deus é todo-poderoso, irado, pronto a destruir, a castigar, inimigo do ser humano. Com Abraão, é-nos revelado um rosto mais humano de Deus, benevolente, pronto para a misericórdia. Abraão aproxima-se do rosto que muitos séculos depois será revelado por Jesus: Deus como Pai.
       A mesma confiança em Deus é demonstrada pelo salmista: "A vossa mão direita me salvará, o Senhor completará o que em meu auxílio começou. Senhor, a vossa bondade é eterna, não abandoneis a obra das vossas mãos".
 
       3 – Este amor sem limites, com efeito, revela-se plenamente em Jesus Cristo. O Filho de Deus revela-nos que Deus é Pai e que diante d'Ele somos irmãos. A oração do Pai-nosso assume esta revelação e este compromisso, como filhos tornarmo-nos verdadeiramente irmãos, na construção de um mundo mais justo e fraterno, fazendo do amor e do perdão as armas que nos aproximam uns dos outros.
       "Quando orardes, dizei: ‘Pai, santificado seja o vosso nome; venha o vosso reino; dai-nos em cada dia o pão da nossa subsistência; perdoai-nos os nossos pecados, porque também nós perdoamos a todo aquele que nos ofende; e não nos deixeis cair em tentação’".
       E como nos tornamos filhos e herdeiros em Jesus Cristo?
       Pela Sua morte e ressurreição, como nos lembra São Paulo. "Sepultados com Cristo no baptismo, também com Ele fostes ressuscitados pela fé que tivestes no poder de Deus que O ressuscitou dos mortos" (Segunda Leitura). É este o mistério maior da nossa fé, e que nós tornamos presente em cada Sacramento, em particular no da Eucaristia, mas desde logo no Sacramento do Baptismo, no qual através da água e sobretudo do Espírito Santo nos tornamos novas criaturas para Deus.
       A nossa oração é filial. Jesus, como O tinha anunciado, intercede por nós junto do Pai, através do Espírito de Amor. É d'Ele que vem a nossa confiança em Deus, mas é uma confiança comprometida/partilhada com o nosso semelhante.

______________________________________

Textos para a Eucaristia (ano C): Gen 18,20-32; Salmo 137 (138); Col 2,12-14; Lc 11,1-13

 


mais sobre mim
Relógio
Outubro 2017
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
11
12
13

15
16
17
18
19
20
21

22
23
24
25
26
27
28

29
30
31


Visitantes
comentários recentes
O mundo atual precisa do testemunho cristão. Livro...
Saudações fraternas. Claro que sim. Ao longo da Su...
Caríssimo, no texto que comento, anuncia a experiê...
Sofres do síndrome de última bolacha do pacote
Quero agradecer por essa linda história e texto po...
Gostei da trilogia.http://numadeletra.com/1q84-liv...
Olá!Caí neste comentário acerca deste último livro...
http://numadeletra.com/41791.html
também gostaria de o conhecer pessoalmente acho in...
Bom dia. Alguns elementos para o ofertório estão v...
Bom dia. Sou catequista na minha paróquia e estamo...
Mais uma vez, muitos parabéns por nos dar este bel...
Eu já sabia que não devemos menosprezar nunca o po...
Bom dia. Eu é que agradeço, pela presença, pelo in...
Bom dia Padre Manuel! É sempre com muito agrado qu...
arquivos
Pinheiros - Semana Santa
- 29 março / 1 de abril de 2013 -
Tabuaço - Semana Santa
- 24 a 31 de abril de 2013 -
Estrada de Jericó
pesquisar neste blog
 
Velho - Mafalda Veiga
Festa de Santa Eufémia
Pinheiros, 16/17 de setembro de 2012
Primeira Comunhão 2013
Tabuaço, 2 de junho
Papa Bento XVI
Profissão de Fé 2013
Tabuaço, 19 de maio
subscrever feeds
blogs SAPO