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Jun 16
publicado por mpgpadre, às 12:01link do post | comentar |  O que é?
MARCIN KORNAS (2016). Irmã Faustina. A Santa da Misericórdia. Lisboa: Paulus Editora. 168 páginas.

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Com o Jubileu Extraordinário da Misericórdia, convocado pelo Papa Francisco, e que decorre de 8 de dezembro de 2015 (Solenidade da Imaculada) a 20 de novembro de 2016 (Solenidade de Cristo Rei), o estudo e reflexão à volta das 14 Obras da Misericórdia, mas também o estudo de Santos que sublinharam nas suas vidas e escritos, a mensagem da misericórdia divina. Santa Faustina está na primeira linha, como discípula e apóstola da misericórdia de Deus.

Canonizada a 30 de abril de 2000, pelo Papa João Paulo II, que instituiu o Domingo da Divina Misericórdia, no segundo domingo de Páscoa, e que corresponde a uma dos desejos de Jesus, nas revelações da Santa Faustina. A Igreja demoraria 69 anos a concretizar o pedido de Jesus. Com efeito, o papa João Paulo II, também polaco, está ligado à misericórdia e à descoberta de Santa Faustina Kowalska. Uns anos antes, publicou a Carta Encíclica Dives in Misericordia (Rico em misericórdia), de 30 de novembro de 1980, preparando o caminho para a sua canonização.

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Nasceu em Glogowiec, na Polónia central, no dia 25 de Agosto de 1905, de uma família camponesa de sólida formação cristã. Desde a infância sentiu a aspiração à vida consagrada, mas teve de esperar diversos anos antes de poder seguir a sua vocação. Em todo o caso, desde aquela época começou a percorrer a via da santidade. Mais tarde, recordava: "Desde a minha mais tenra idade desejei tornar-me uma grande santa".
Com a idade de 16 anos deixou a casa paterna e começou a trabalhar como doméstica. Na oração tomou depois a decisão de ingressar num convento. Assim, em 1925, entrou na Congregação das Irmãs da Bem-aventurada Virgem Maria da Misericórdia, que se dedica à educação das jovens e à assistência das mulheres necessitadas de renovação espiritual. Ao concluir o noviciado, emitiu os votos religiosos que foram observados durante toda a sua vida, com prontidão e lealdade. Em diversas casas do Instituto, desempenhou de modo exemplar as funções de cozinheira, jardineira e porteira. Teve uma vida espiritual extraordinariamente rica de generosidade, de amor e de carismas que escondeu na humildade dos empenhos quotidianos.
O Senhor escolheu esta Religiosa para se tornar apóstola da Sua misericórdia, a fim de aproximar mais de Deus os homens, segundo o expresso mandato de Jesus: "Os homens têm necessidade da minha misericórdia".
Em 1934, Irmã Maria Faustina ofereceu-se a Deus pelos pecadores, sobretudo por aqueles que tinham perdido a esperança na misericórdia divina. Nutriu uma fervorosa devoção à Eucaristia e à Mãe do Redentor, e amou intensamente a Igreja participando, no escondimento, na sua missão de salvação. Enriqueceu a sua vida consagrada e o seu apostolado, com o sofrimento do espírito e do coração. Consumada pela tuberculose, morreu santamente em Cracóvia no dia 5 de Outubro de 1938, com a idade de 33 anos.
João Paulo II proclamou-a Beata no dia 18 de Abril de 1993; sucessivamente, a Congregação para as Causas dos Santos examinou com êxito positivo uma cura milagrosa atribuída à intercessão da Beata Maria Faustina, e no dia 20 de Dezembro de 1999 foi promulgado o Decreto sobre esse milagre.

Neste livro, que parte do Diário da Irmã Faustina, o autor guia-nos ao longo da sua vida, como se fosse uma espécie de blogue, com diferente entradas, cronológicas mas também temáticas, mostrando as decisões, as aparições, a dificuldades, as respostas de Jesus, a inserção à Igreja, e o forte apelo à conversão dos pecadores, mensagem semelhante à de Fátima e ao pedido feito por Nossa Senhora aos Pastorinhos. A misericórdia é o mais alto atributo de Deus. A justiça é um atributo mas que fica aquém da misericórdia divina. Mais que o pecado, importa confiar em Jesus, predispondo-se à confissão e à mudança de vida. Da imagem que Jesus solicitou se fizesse, dois raios, um branco, sangue e água. Ambos os raios saem das entranhas de misericórdia de Jesus, quando na Cruz, o Seu coração foi trespassado com um lança. O raio pálido refere-se à justificação das almas, o o raio de sangue é a vida das almas.

Outro aspeto que sobressai deste livro-blogue e da mensagem comunicada à Igreja e ao mundo, através de Santa Faustina é a confiança em Deus. Na Imagem que Jesus pediu, uma inscrição a acompanhar a mesma: Jesus, eu confio em Vós.

De salientar também o testemunho de Anna Golędzinowska, modelo, que andava pelas conhecidas passarelas de Milão. Após a Conversão, refugia-se em Medjugorje e toma contacto com o Diário da Irmã Faustina, através dela descobre o valor e o sentido do perdão e da misericórdia. "Depois de nove dias do meu jejum em Medjugorge, tinha na mão o Diário e no fundo do coração escutei uma voz que me falou com nitidez: «Deixa tudo e vem Comigo». Deixei então tudo e fui atrás dessa voz. Assim Jesus deu-me uma vida completamente nova".

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Anna Golędzinowska nasceu a 22 de outubro de 1982, em Varsóvia, Polónia. Em 1999 foi para Itália, vindo a descobrir que tinha sido vítima de um grupo de crime organizado internacional de tráfico de pessoas. Ajudou a identificá-los e a levá-los à justiça. Iniciou então a carreira de modelo. Participou com muitos programas de televisão. Uma visita a Medjugorge mudou-lhe a vida. Em 2011, em Medjugorge, ficou a morar numa comunidade mariana, dedicando-se ao silêncio e ao trabalho. Juntamente com um sacerdote, Renzo Gobbi, fundou um movimento, Coração Puro, que promove a castidade pré-matrimonial. Escreveu o livro "Salva do Inferno". Casou em 2014 e continua a participar em encontros com jovens, apontando ao ideal de viver em conformidade consigo próprio e com Deus.


Caríssimo, no texto que comento, anuncia a experiência de Anna Golędzinowska. Por isso, acreditamos que pessoalmente esteja de acordo com ela. Gostaria me elucidasse, a propósito do livro da ex-modelo, "Salvar do Inferno", se o senhor, pessoalmente, no mais fundo do seu Ser, se acredita no Inferno. E se sim, onde recolhe o fundamento para esse acreditar nas palavras de Jesus?. Grato. Mário
Mário Pereira a 6 de Agosto de 2016 às 17:24

Saudações fraternas. Claro que sim. Ao longo da Sua vida, e na Mensagem proclamada, Jesus é bem claro quanto à necessidade de conversão, de escuta da vontade do Pai, de tentar a "porta estreita" porque largas sãos as estradas da perdição, num apelo constante a que cada um de nós cuide, use de misericórdia.
O Juízo Final, de São Mateus (25) é claro, o que fizerdes ao mais pequeno dos meus irmãos é a mim que o fazeis... Apartai-vos malditos para o fogo eterno... Em todo o caso, e aí sim, o medo do inferno é uma mensagem por de mais redutora, devemos é temer ser desagradáveis a Quem amamos e a quem nos ama.
A doutrina Católica sobre o Inferno é clara, apoiando-se no Evangelho. Mas mais importante é a Misericórdia de Deus. Acreditar no Inferno é levar a sério Deus e é reconhecer que Deus nos leva a sério na nossa liberdade e responsabilidade.
A fé salva-nos, une-nos a Deus, projeta-nos para a eternidade, mas passa pela comunhão, pelo cuidado, pelo serviço aos outros. A ligação é vertical e horizontal.
Refira-se, ainda, que a Igreja Católica diz também claramente, desde Trento, que ninguém pode afirmar que há alguém que esteja condenado ou no Inferno, pois não se pode, de todo, limitar a Misericórdia de Deus. Mas também se diz claramente que Deus respeita a liberdade humana. Se por hipótese, alguém quiser viver longe de Deus, apesar de Deus, contra Deus, Deus "não pode" obrigar a pessoa a estar perto, em comunhão. Essa é a noção de Inferno professada pela Igreja e em que eu acredito. Possibilidade real de alguém escolher uma vida sem Deus. Há alguém no Inferno? Quem o afirmar é considerado anátema. Como cristãos não devemos preocupar-nos com o Inferno, mas preocupar-nos em dizer e fazer o bem, em amar e cuidar de Jesus nas pessoas que Ele nos confia.
Um exemplo: os pais querem o melhor para os filhos, mas se um filho quiser seguir por um caminho bem diferente e contrário aos desejos do Pai e, eventualmente, àquilo que o tornaria um filho feliz, o pai terá que respeitar o filho, mesmo contrafeito e magoado, a vida é do filho, não do pai. Como na Parábola do Pai Misericordioso, o amor, a misericórdia do Pai é tão intensa e imensa que cancela toda a dívida, todo o pecado, desde que há uma fresta, uma brecha, para Deus nos redimir. E essa é que é a fé da Igreja.
Mas se queremos levar a sério a liberdade e a responsabilidade do ser humano, a possibilidade real do Inferno - vida sem Deus - terá que ser assumida. É uma questão de seriedade.
Como cristão católico, como padre católico, sim professo a fé em Deus que é Pai, Filho e Espírito Santo, no Corpo de Cristo que é a Igreja, na salvação, na misericórdia de Deus como atributo maior, creio na remissão dos pecados, na vida eterna, na ressurreição dos mortos, e na capacidade de, como pessoas, acolhermos ou recusarmos Deus. Deus concorre em tudo para a nossa salvação. Mas há sempre a possibilidade de dizermos não. Se fôssemos obrigados a dizer sim a Deus, não seríamos livres (estávamos de antemão salvos ou condenados - a predestinação é recusada pela Igreja católica, é aceite por algumas Igrejas evangélicas) e não seríamos responsáveis, uma vez que as escolhas não tinham sido nossas... em conclusão não seríamos humanos.
Paz e bem.
mpgpadre a 6 de Agosto de 2016 às 23:17

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