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Out 14
publicado por mpgpadre, às 10:00link do post | comentar |  O que é?

HARUKI MURAKAMI (2014). A peregrinação do rapaz sem cor. Alfragide: Casa das Letras, 370 páginas.

 

murakami.jpg

 "Porque não tenho identidade própria. Não tenho personalidade, sou de cor indefinida. Nada tenho para oferecer aos outros. Foi sempre esse o meu problema. Sinto-me um bocado como se fosse um recipiente vazio. De certa maneira, tenho fora, mas receio não possuir um conteúdo digno desse nome".

"Sempre me tive na conta de um tipo vazio, desprovido de cor e de identidade. Se calhar, era esse o meu papel dentro do grupo, representar o vazio...

Uma paisagem esvaziada de cor. Sem ter nenhum defeito, mas sem se destacar em nada...

Tu não eras o vazio. Ninguém te via assim... contribuías para nos tranquilizar... pelo simples facto de estares ali connosco, podíamos ser nós próprios... Era como se fosses uma âncora"

 

Cada um de nós terá um ou outro autor preferido. Por conseguinte, a sugestão de um livro ou de um autor é e será sempre muito relativo, o que a alguém poderá ser uma obra de arte, para outro poderá simplesmente ser uma seca, uma monotonia, ou algo banal.

Se tivéssemos que sugerir um romancista, Murakami seria uma das primeiras escolhas. É uma escrita acessível, fluida, em descrições envolventes, utilizando muitas imagens, histórias dentro da história principal, com avanços e recuos perfeitamente oportunos, com pontes culturais, entre o Japão e o Ocidente. Nesta história, Japão e Holanda, mas com a ambiência de fundo de um mundo global, com as referências a crenças japoneses mas também á religião cristão com a sua presença (nomeadamente) nas escolas privadas.

Cada personagem se pode identificar com cada um de nós.

O herói - digamos assim - nunca é tanto herói assim. Tem defeitos, dúvidas, hesitações. No caso concreto, é um estudante normal. Completa os estudos. Estuda só o necessário. Mas faz por seguir os seus sonhos, mesmo que tenha que se esforçar mais que o habitual. Aos trinta e seis anos, ainda tem uma vida toda por realizar, com muitas dúvidas. É feliz. Ou é mais ou menos feliz. Ocupado. Sonha e os sonhos atormenta-o. Parece que não consegue estabilizar, mantendo os amigos ou as amizades.

A história parte da adolescência. Um grupo de 5 jovens, que no compromisso com o voluntariado, nas férias, estreitam de tal forma os laços que não passam uns sem os outros. É um grupo coeso. Três rapazes e duas raparigas. Todos diferentes. Mas no entanto entendem-se às mil maravilhas. O rapaz sem cor, Tsukuru Tazaki, decide ir para Tóquio, para a universidade, onde se tornar engenheiro de estações de comboio. O seu sonho. Sempre gostou de estações, de observar as pessoas, a forma como as estações estão concebidas. No regresso a casa os 5 jovens voltam a encontrar-se, até que um dia não lhe atendem as chamadas e lhe dizem que cortam com ele, não querem mais falar com ele.

Não compreende. Num primeiro momento, não busca justificações, pois não lhas quiseram dar. Cortam simplesmente com ele. Vai-se abaixo. Foi um golpe brutal. Mas consegue sobreviver. O tempo apazigua as mágoas. Mas há mágoas que permanecem, ainda que pareça já não ter influência nas nossas vidas. É o que acontece com Tsukuru. Aquela ruptura continua a marcar a sua vida. Tem dificuldade em confiar nas pessoas da forma como confiava nos amigos, sempre o receio que novos amigos possam fazer o mesmo. Contudo, a sua busca está ainda no início. Resolve encontrar-se com os amigos, que seguiram caminhos diferentes, uma das raparigas foi assassinada, a outra casou e vive na Holanda, os outros dois mantiveram-se em Nagoia. O reencontro leva-lo-á a descobrir as razões que levaram à separação do grupo e a verificar que se nos momentos iniciais tivessem falado abertamente talvez a vida tivesse seguido um rumo diferente. Não é possível voltar atrás e também é impossível saber se as coisas seriam muito diferentes, ou muito próximas da atualidade. Há que prosseguir a vida. 

"É apenas uma questão de equilíbrio. De uma pessoa se acostumar a distribuir o peso que carrega. Pode acontecer que os outros considerem isto uma atitude de indiferença. Porém, manter o equilíbrio exige esforço e é mais difícil do que parece. Além disso, mesmo que se consiga atingir o equilíbrio, o peso suportado pelas balanças não diminuiu nem um bocadinho"

"Vamos fazer o possível por não perder o comboio"

"Sobrevivemos, tu e eu. E os que sobrevivem têm uma missão a cumprir. O nosso dever é continuar a viver, levar a vida o melhor que for possível. Mesmo que as nossas vidas estejam longe da vida".

 

Outros livros que li, de fio a pavio, que recomendamos.


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