...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...
12
Jun 17
publicado por mpgpadre, às 11:35link do post | comentar |  O que é?

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Muito se tê, refletido sobre a mensagem comunicada por Nossa Senhora aos Pastorinhos e as vivências e riscos da devoção mariana. Alguns dos critérios para validar as Aparições e a Mensagem são conhecidos, como a continuidade com o Evangelho e os frutos: Fátima converte? Leva as pessoas a mudar de vida, positivamente falando? Compromete com os outros? Compromete com a Igreja? Faz-nos mais atentos às necessidades dos irmãos? Amadurece a nossa fé em Deus?

Deus não está longe de quantos O invocam de todo o coração. Não está longe de Jacinta, de Francisco, de Lúcia; não está longe de nós. Deixa-Se ver de forma privilegiada em Jesus Cristo, mas também em todos aqueles que em Seu nome procuram ser fiéis ao mandato de amor que Ele corporiza.

A Virgem Maria é a primeira discípula e, como discípula de Jesus, aponta-nos para Ele, sempre: Fazei tudo o que Ele vos disser. Por outro lado, foi vontade de Jesus que Maria assumisse na nossa vida um papel preponderante, o de Mãe. Nos Seus últimos desejos, nas Suas palavras finais, Jesus dá-nos Maria por Mãe e faz-nos reconhecer que somos filhos d'Ela, pelo que Ela há ser Casa para nós, há de preencher de graça e de confiança o nosso coração e a nossa vida. Também com Ela a continuidade é lógica: Ela faz-nos sentir em Casa, dulcificando a nossa vida para melhor acolhermos o Seu Filho. Quem meus filhos beija, minha boca adoça. Antes de Lourdes, antes de Fátima, está o Evangelho e a vontade expressa por Jesus, no alto da Cruz, mas também em outros momentos mostrando que Maria é bem-aventurada por ser Sua Mãe mas também por escutar a Palavra de Deus e a pôr em prática (cf. Lc 11, 27-28).

Maria, porém, não é um para-raios que nos defende da maldade de Deus, como uma mãe que se interpõe entre o pai e os filhos para que estes não sejam agredidos, com o risco de levar em vez dos filhos. Pelo contrário, Deus é fonte de todo o bem, o Seu maior atributo é a Misericórdia. Como relembrou o Papa Francisco, em Fátima, “devemos antepor a misericórdia ao julgamento e, em todo o caso, o julgamento de Deus será sempre feito à luz da sua misericórdia”. Como Mãe, Maria pega na nossa mão e leva-nos a Jesus, ajuda-nos a perceber e a familiarizar-nos com o Amor de Deus. Cheia de Graça, gera Jesus, para que também nós frutifiquemos na graça e na bênção de Deus.

 

Publicado na Voz de Lamego, n.º 4412, de 16 de maio de 2017


10
Jun 17
publicado por mpgpadre, às 17:00link do post | comentar |  O que é?

1 – Só o amor consegue unir sem destruir (Theilhard de Chardin). O grupo só é mau quando se fecha num círculo fechado, sectário, excludente. Deus chama-nos em povo e em povo nos salva. Jesus chama uns quantos, forma um grupo, o grupo dos 12. É um grupo heterogéneo, mas ainda assim restrito e, para quem vê de fora, um grupo esquisito. Jesus não desiste de nenhum; procura gerir os "egos", as discussões e os conflitos, que a seu tempo servem para balizar as dificuldades e para treinar o diálogo e a comunhão, integrando os dons de cada um.

Na oração sacerdotal, Jesus reza ao Pai para que aquele grupo, mas também os que a Ele vão aderir, se mantenham unidos. «Não rogo só por eles, mas também por aqueles que hão-de crer em mim, por meio da sua palavra, para que todos sejam um só, como Tu, Pai, estás em mim e Eu em ti» (Jo 17, 20-21). A oração é intercessão mas também desafio para os discípulos. Deus proverá a unidade dos discípulos de Jesus, mas estes terão que ser criativos e generosos para edificar a fraternidade em Cristo.

Ao longo do tempo, Jesus mostra que o caminho a seguir passa pelo amor, pela compaixão, pelo serviço. Quem quiser ser o maior terá de ser servo de todos. Por outro lado, não se pense que Jesus defende a anulação da personalidade de cada um. Desengane-se quem pensa assim. O grupo que O segue tem características muito distintas, que se mostram também no início da Igreja. Também nessa ocasião se verá que os temperamentos de cada um hão de ser temperados pela força do Espírito Santo, na oração comunitária. "Da discussão nasce a luz". Oração, reflexão partilhada, decisão!

O Apóstolo Paulo insistirá com as comunidades para que os dons sejam trabalhados a favor de todos: "Sede alegres, trabalhai pela vossa perfeição, animai-vos uns aos outros, tende os mesmos sentimentos, vivei em paz. E o Deus do amor e da paz estará convosco. Saudai-vos uns aos outros com o ósculo santo. Todos os santos vos saúdam. A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco».

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2 – Mais que esmiuçar o mistério da Santíssima Trindade, um só Deus em três Pessoas, importa viver num estilo trinitário. Em Deus prevalece o amor que gera vida e comunhão, sem atropelos. O Amor de Deus é tão imenso que extravasa e nos cria. É tão imenso que nos recria para termos vida abundante. Como recorda Jesus a Nicodemos, «Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito, para que todo o homem que acredita n’Ele não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele».


Textos para a Eucaristia (A): Ex 34, 4b-6. 8-9; Salmo: Dan 3, 52.53-54.55acd-56; 2 Cor 13, 11-13; Jo 3, 16-18.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE


05
Jun 17
publicado por mpgpadre, às 20:27link do post | comentar |  O que é?

Trimestralmente, o Jornal da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, de Tabuaço, faz memória do que entretanto se viveu e fixa em papel e digitalmente a vida da comunidade, para que outros, no presente e no futuro, possam ao que se viveu para acolher HOJE o Evangelho.

Neste trimestre o destaque vai para a Semana Santa e para a celebração do Crisma. Mas outros temas são acenados através das imagens:

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O Boletim poderá ser lido a partir da página da Paróquia de Tabuaço, ou fazendo o download:


03
Jun 17
publicado por mpgpadre, às 15:20link do post | comentar |  O que é?

1 – «Se mandais o vosso espírito, retomam a vida e renovais a face da terra».

Só Deus é o Senhor da Vida. Ele a dá e a retoma e no-la devolve. «Como são grandes, Senhor, as vossas obras! A terra está cheia das vossas criaturas. Se lhes tirais o alento, morrem e voltam ao pó donde vieram. Se mandais o vosso espírito, retomam a vida». É o Espírito do Senhor que nos dá a vida.

Parafraseando o nosso Bispo, D. António Couto, na homilia do Crisma, em Tabuaço, é o Espírito de Deus que nos capacita para criar um mundo novo. Melhor do que o que está poderá ser ainda mau. É urgente criar um mundo novo, com o olhar cheio de Jesus, com o coração cheio do amor de Deus. A salvação já se deu, com a morte e ressurreição de Jesus. Cabe-nos transparecê-la, através das palavras e das obras, através do nosso compromisso sério uns com os outros, sob a dinâmica (ou o dinamite) do Espírito Santo.

É esse o dinamismo com que Jesus, no primeiro dia da semana, primeiro dia da Nova Criação, Se apresenta vivo no meio dos discípulos e Lhes comunica a paz, dando-lhes o Espírito Santo: «Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos».

O Espírito que recebemos é dinamismo que nos envia. A mensagem de Jesus é clara. A paz que Ele nos traz, a paz que nos dá, não é para nos adormecer, mas para nos comprometer. Recebei o Espírito e ide, perdoai. Como o Pai Me enviou também Eu vos envio a vós.

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2 – «Se mandais o vosso espírito, retomam a vida e renovais a face da terra».

O Espírito que nos renova, tornando-nos criaturas novas, envia-nos de imediato. Não é para amanhã. Não é para quando estivermos bem-dispostos. Não é para quando nos convém. Não é para quando as circunstâncias forem mais favoráveis. Não é para quando tivermos tempo e/ou disponibilidade. É para ontem. Hoje já é tarde. O Espírito Santo é fogo que arde em nós e nos preenche e nos provoca. A paz que Eu vos dou há de inquietar-vos até que a todos chega a vida, chegue a paz, chegue a Boa Nova da salvação.

 

3 – «Se mandais o vosso espírito, retomam a vida e renovais a face da terra».

A fraternidade constrói-se com o contributo de cada um. Não nos diluímos, desaparecendo, uns nos outros, mas somos diante e com os outros. Temos por fundamento e modelo a Santíssima Trindade: Um só Deus em Três Pessoas, comunhão perfeita de vida e de amor. Com efeito, somos um só Corpo, pois recebemos um só Espírito, todos fomos batizados na morte e na ressurreição de Jesus Cristo.

«Há diversidade de dons espirituais, mas o Espírito é o mesmo. Há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo». É Deus que opera em nós e cada um recebe d'Ele os dons, não para seu benefício, para em prol do bem comum. O corpo é um todo constituído por diversos membros. Também nós em Cristo, judeus e gregos, portugueses e chineses, somos um só Corpo.


Textos para a Eucaristia (A): Atos 2, 1-11; Sl 103; 1 Cor 12, 3b-7. 12-13; Jo 20, 19-23.

 

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27
Mai 17
publicado por mpgpadre, às 17:00link do post | comentar |  O que é?

1 – O envio final e decisivo de Jesus, faz referência à saída, ao movimento – ide; ao ensino – ensinai; à totalidade das pessoas – a todas a nações; à construção da comunidade dos crentes – batizai-as. «Ide e ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-as a cumprir tudo o que vos mandei. Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos».

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2 – São Lucas, no livro dos Atos dos Apóstolos e que nos tem sido servido como primeira leitura, faz-nos saborear com tempo o acontecimento único do mistério da redenção, morte e ressurreição/ascensão de Jesus.

Depois da Sua paixão, Jesus aparece vivo aos Apóstolos, durante 40 dias, isto é, todo o tempo necessário para os preparar para que, doravante, assumam eles a missão de anunciar o Evangelho. Jesus reaviva a promessa firmada no Pai: sereis batizados no Espírito Santo. Percebendo que Jesus vai partir, chegam as perguntas e a esperança: é agora que o Reino de Deus vai aparecer em todo o seu esplendor?

A resposta de Jesus é contundente: «Não vos compete saber os tempos ou os momentos que o Pai determinou com a sua autoridade; mas recebereis a força do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém e em toda a Judeia e na Samaria e até aos confins da terra». O importante não são as datas, mas o que cada um de nós pode fazer para tornar visível o reino de Deus. Recebe(re)mos o Espírito Santo para nos tornarmos testemunhas de Jesus em toda a parte, em todo o tempo, a todas as pessoas.

Percebe-se que depois da morte e ressurreição de Jesus, os apóstolos terão ficado mais ou menos de braços cruzados à espera que o reino de Deus se impusesse com estrondo. Deus impondo-Se ao mundo, destruindo-o e salvando aqueles que tinham aderido a Jesus Cristo. Relembra-nos São Lucas que Jesus, à vista deles e de nós, elevou-se para lá das nuvens, deixou de estar fisicamente visível. Pudemos então escutar a voz vinda do Céu: «Homens da Galileia, porque estais a olhar para o Céu? Esse Jesus, que do meio de vós foi elevado para o Céu, virá do mesmo modo que O vistes ir para o Céu».

 

3 – Não há tempo a perder, à espera que anoiteça ou faça sol, é tempo de partir e lançar as mãos ao arado e lavrar a terra. É tempo de abraçar a Cruz e levar a Luz a toda a gente. É tempo de deixar crescer em nós a semente plantada para que a Palavra frutifique abundantemente. Agora é a nossa vez. A missão é de Cristo. Mas através de nós, mantendo-se ligado pelo Espírito Santo que nos dá. Qual videira que alimenta os ramos para que deem fruto em abundância. Daremos tanto mais fruto quanto mais estivermos ligados a Jesus Cristo.


Textos para a Eucaristia (A): Atos 1, 1-11; Sl 46 (47); Ef 1, 17-23; Mt 28, 16-20.

 

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22
Mai 17
publicado por mpgpadre, às 10:22link do post | comentar |  O que é?

1 – «Se Me amardes, guardareis os meus mandamentos... Se alguém aceita os meus mandamentos e os cumpre, esse realmente Me ama. E quem Me ama será amado por meu Pai e Eu amá-lo-ei».

Jesus vai partir. Antes da partida, o Seu testamento. Amar, servir, dar a vida, permanecer. Ele não nos deixará órfãos. Permanecerá connosco, se permanecermos n'Ele. Vai partir, vai ser morto, mas ao terceiro dia ressuscitará. Irá para a Casa do Pai. Vai preparar-nos um lugar. Na Casa do Pai há muitas moradas. Precede-nos no tempo, preceder-nos-á na eternidade. Enquanto somos peregrinos, discípulos missionários, temos em nós o Espírito Santo Paráclito que o Pai nos envia em nome de Jesus. Ele estará connosco até ao fim dos tempos.

O mais importante na vida não se vê. A inteligência, os afetos, o amor, o que nos liga aos outros. É algo de intangível. Sabemos que amamos e somos amados, mas não vemos e, na maioria das vezes, não conseguimos explicar porquê, por que amamos esta pessoa e odiamos aqueloutra, por que alguém nos ama e aqueloutra nos odeia.

O Espírito que o Pai nos dá, através de Jesus Cristo, é Espírito de verdade. O mundo não O conhece, nem O vê. Mas nós, discípulos do Senhor, já O conhecemos. Como? Porquê? Porque Ele nos habita. Voltamos à dinâmica do amor: podemos não saber explicar, mas sabemos que esta pessoa nos ama, sabemos que amamos aquela pessoa!

Por outro lado, a separação física de alguém não implica o fim da ligação! Quando alguém se ausenta para trabalhar, quando os filhos vão para a universidade, quando o pai vai para o outro lado do mundo, a ligação acentua-se e a necessidade de comunicar é mais premente, utilizando-se hoje as redes sociais que permitem um contacto diário. Jesus não Se serve das tecnologias de comunicação, mas do Espírito Santo. Jesus permanecerá e ve-l'O-emos, porque Ele vive, pois estando no Pai está com todo aquele que O acolher.

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2 – A pessoa não é divisível. É corpo, alma e espírito. Dizemos que a pessoa é mais do que aquilo que come ou que veste, é mais do que aquilo que diz ou que faz. Por certo. Mas o que veste e sobretudo o que diz e o que faz revelam o seu carácter. Claro que não podemos julgar a pessoa por uma palavra ou por um gesto, pois a pessoa está (sempre) a crescer, a progredir, a peregrinar. Vai limando as imperfeições e superando as limitações, consciente que pode falhar, mas com a coragem de prosseguir. Só dessa forma realiza a vida.

A consistência da vida Jesus visualiza-se e concretiza-se no Seu dizer e no Seu fazer. O que diz e o que faz revelam-n'O como pessoa dócil e bondosa, preocupada com todos, empenhada em curar os que andam abatidos pelo cansaço, pela doença e pelo pecado. Há, como víamos na semana passada, continuidade entre o Filho e o Pai. Jesus, em tudo e em todos os momentos, procura transparecer, mostrar e realizar a vontade do Pai. Os discípulos devem agir da mesma forma.

A ligação é possível pelo cumprimento dos mandamentos, pela vivência das obras da misericórdia. Se fizerdes o que vos mando, permanecereis em Mim e Eu em vós, como Eu permaneço no Pai e o Pai em Mim. É também esse o melhor testemunho. As palavras que proferimos, as obras que realizamos, confirmam se amamos ou não amamos Jesus.

 

3 – Jesus morreu e ressuscitou. Ele vive e está no meio de nós, está connosco. Continua a agir na história, de um modo novo, através do Espírito Santo e com a nossa cooperação. Os discípulos completam a sua identidade ao tornarem-se também missionários, transparecendo a presença de Jesus.

As palavras de Filipe, na primeira leitura, são sancionadas pelos milagres que Deus continua a operar através dele, como Jesus lhes tinha prometido, «fareis obras maiores do que estas».


Textos para a Eucaristia (ano A): Atos 8, 5-8. 14-17; Sl 65 (66); 1 Pedro 3, 15-18; Jo 14, 15-21.

 

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30
Abr 17
publicado por mpgpadre, às 12:45link do post | comentar |  O que é?

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Deus. Amor. Criação. Vida. Humanidade. Harmonia. Cumplicidade. Diálogo. Alegria.

Homem e Mulher. Fragilidade. Pecado. Egoísmo. Discussão. Violência. Inveja. Morte.

Chamamento. Promessa. Aliança. Profecia. Conversão. Perdão. Misericórdia.

Jesus Cristo. Abaixamento. Compaixão. Vida nova. Nova criação. Salvação. Ressurreição.

Chamamento. Vocação. Seguimento. Discípulos. Missionários. Espírito Santo. Igreja.

Fraternidade. Humildade. Escuta. Obediência. Verdade. Libertação. Caridade.

Deus criou-nos por amor. Desde toda a eternidade e para sempre, Deus nos ama, como Pai e sobretudo como Mãe. A Páscoa de Jesus, a Sua ressurreição entre os mortos, clarifica, ilumina, torna percetível e pleniza a Encarnação, mistério de abaixamento, Ele que era de condição divina não se valendo da Sua igualdade com Deus, assumiu a condição de servo, humilhou-se a Si mesmo, obedecendo até à morte e morte de Cruz. Por isso Deus O exaltou e lhe deu o NOME que está acima de todos os nomes.

A vinda do Filho Unigénito de Deus aproxima a eternidade do tempo. Deus que nunca Se afastou nem Se distanciou, tornou-Se visível em Jesus Cristo. Não há como voltar atrás. Ele está no meio de nós como Quem serve, sempre e para sempre. Ao longo da Sua vida, sobretudo, ao longo dos três anos de vida pública, Jesus viveu para servir, para amar, para gastar a vida, para salvar, integrar, redimir, incluir todos os que andavam dispersos pelo pecado, pelas trevas e pela morte.

Foi crescendo em graça e sabedoria, diante de Deus e dos homens e chegada a Sua hora espalhou bondade e doçura, procurando os que andavam cansados e abatidos, como ovelhas sem pastor, indo às margens para Se encontrar com os que se tinham perdido pela solidão, pela pobreza, pela exclusão social, cultural e religiosa. Contundente contra os que usavam de artimanhas e hipocrisias, escravizando pessoas e perpetuando situações de pecado, de abuso, de corrupção; dócil, próximo, misericordioso para leprosos, cegos, coxos, crianças, mulheres, publicanos, pecadores, estrangeiros. Veio para incluir, revelando a Misericórdia de Deus Pai. O Seu projeto e o Seu propósito, o Seu alimento e a Sua vida: em tudo fazer a vontade do Pai. E a vontade do Pai é que todos se salvem.

Qual manso Cordeiro levado ao matadouro, inocente, arrastado para julgamento, condenado à morte, à ignomínia da Cruz, como malfeitor. Da Sua boca não se ouviram injúrias! Procurando-nos com o Seu olhar compassivo para nos manter vivos, como a Pedro ou a Judas; elevando o olhar, o coração e a vida para o Pai, nas mãos de Quem Se coloca por inteiro e em Quem nos coloca.

 

Publicado na Voz de Lamego, n.º 4408, de 18 de abril de 2017


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Não, não é a Cruz que mata Jesus.

Não, não é a Cruz que nos mata.

O que mata Jesus é o nosso pecado, o nosso egoísmo, o nosso desamor.

O que nos mata é a solidão, o colocar-nos como centro ou deixando que os outros nos endeusem. O que nos mata é a preguiça em amar e fazer o bem.

Mata Jesus a prepotência, a corrupção, a idolatria, a intolerância.

Morremos, não quando o coração falha ou o cérebro se desliga, mas quando deixamos de amar, quando deixamos de sentir a vida, o apelo dos outros, quando somos indiferentes ao sofrimento e necessidades dos irmãos.

É na Cruz que Jesus é morto, mas nem a Cruz O impede de nos encontrar. Jesus não dá as costas à Cruz, enfrenta-a, carrega-a, mas não foge. Ressuscitado, traz na Sua carne, na Sua vida, as marcas da crucifixão. Vede as minhas mãos e o meu lado, Sou Eu, não temais. E de forma ainda mais incisiva a Tomé: vê, toca, as minhas chagas, Sou Eu, não é um fantasma ou um espírito.

Poderíamos dizer, em contraponto, que não é a Cruz que nos salva, mas o amor de Jesus. Somos salvos por uma Cruz, mas não por uma cruz qualquer ou a cruz enquanto instrumento de tortura e de matança, mas por Aquele que leva o amor até às últimas consequências, até ao limite, enfrentando a injúria, os escarros e o escárnio, a flagelação e a morte cruenta na Cruz.

O cristão não vive sem a Cruz. Sem a Cruz não existe Igreja, não existem cristãos. Mas, em definito, quem nos salva é Jesus que morreu na Cruz. Quem nos salva é Jesus que volta à vida. Não é a cruz mas a ressurreição que ilumina o nosso caminho para Deus. A cruz é memória e promessa. Recorda-nos o imenso amor de Deus por nós manifestado em Jesus Cristo. É promessa que desemboca na Ressurreição. Aquele que vimos esmagado pelo sofrimento, agredido violentamente, obrigado a carregar o travessão da cruz, exausto pelas vergastadas e pela perda de sangue, voltou à vida. Deus Pai, a Quem Se confiou, não O desapontou, ressuscitou-O. Ele vive e está no meio de nós.

E de volta à vida, com as marcas da Paixão, Jesus carrega a mesma mensagem, enviando-nos: ide e anuncia o Evangelho a toda a criatura, curai os doentes, expulsai os demónios, comunicai a paz e a esperança, testemunhai o amor e a fidelidade de Deus, até ao fim do mundo.

 

Publicado na Voz de Lamego, n.º 4409, de 25 de abril de 2017


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Iniciámos a Semana Santa, a semana maior, pois nela se visualiza, de forma mais viva e intensa, o mistério maior da nossa fé, a paixão redentora de Jesus, que dá a vida por nós, e a Sua ressurreição gloriosa, certeza que a última palavra é da vida, é do amor, é de Deus. Até à Páscoa solene (anual) somos envolvidos nas últimas horas de vida de Jesus, centrados especialmente no processo rápido que O leva da ceia pascal ao Calvário, revelando-nos por inteiro o mistério de amor, de dádiva, de libertação, de resistência ao sofrimento, de priorização de Deus e da Sua vontade, de ousadia e de humildade, de perdão e de compaixão.

Jesus manda preparar a Páscoa. É um momento de festa, de convívio, de encontro e de memória. A comunidade reúne-se para celebrar a libertação; em família, relembra-se tudo quanto fez o Senhor, Deus de Israel, a favor do povo, para que as gerações vindouras vivam agradecidas e voltadas para o Senhor.

Quando a Ceia se aproxima do fim, Jesus antecipa a Sua morte e ressurreição, instituindo a Eucaristia: sempre que fizerdes isto, fazei-o em memória de Mim. Este é o Meu Corpo. Este é o Meu sangue, entregue por vós e a vós confiado para a salvação do mundo.

Terminada a refeição, Jesus sai com os discípulos para o Jardim das Oliveiras. A noite convida ao descanso. Mas não são horas para dormir, são horas de vigiar, de rezar com insistência. Pelo menos da parte de Jesus. Aproximam-se trevas densas, tenebrosas, mas mais do que a falta de luminosidade exterior é a falta de luz nos corações. Quem não tem luz no coração vive mergulhado na morte.

Naquela hora, Jesus penetra o sofrimento mais atroz. O desfecho está à vista. Um pouco mais, e ainda escuro, na noite de Judas e das lideranças judaicas, Jesus será preso, julgado, condenado à morte. Alguns minutos, algumas horas, e o fim virá! Pai, Pai, Pai, se é possível que passe de Mim esta hora, que passe rápido. Tanto sofrimento para um Homem só. Os gritos de Jesus levam os nossos gritos também. Pai, Pai, Pai, cumpra-se a Tua vontade. É mortal este caminho de entrega, é dom, mas é o caminho da salvação. Não há armas para lutar. A vida ganha-se pela fragilidade/força do amor, pela benevolência, pela misericórdia. O ódio, a guerra, a inveja, só geram mais discórdia, mais destruição, mais desumanização. Caminhemos com Jesus até ao calvário, até à cruz, e Ele nos mostrará a Luz!

 

Publicado na Voz de Lamego, n.º 4407, de 11 de abril de 2017


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É mais importante não comer carne à sexta-feira ou ir à Missa ao Domingo?

Há tradições que são expressão da religiosidade mais popular. Mas, por vezes, parecem não passar de uma superstição entre outras como ver um gato preto, passar debaixo de uma escada, sentar-se a uma mesa com treze pessoas. É crucial não comer carne nas sextas-feiras da Quaresma porque é pecado e, pelo sim pelo não, mais vale prevenir e cumprir, não vá Deus chatear-Se. Temor sim, medo não. Deus ama-nos. É Pai de Misericórdia. Um Pai por certo não está à espera que o filho erre para o castigar, quando muito educa-o, dá-lhe ferramentas, aponta direções, caminhos…

Perguntam-me se comer carne às sextas-feiras da Quaresma é pecado! Apetecia-me responder: é mais importante ir à Missa ao Domingo. Uma pessoa não vai à Missa há dois ou três anos, só entra na Igreja num funeral, e depois pergunta se é pecado comer carne à sexta-feira? Claro que há muitas outras coisas essenciais, cuidar da família, comprometer-se com a justiça e com a verdade, ser honesto, ajudar os mais frágeis… Mas se falamos numa proposta feita pela Igreja, de abster-se de alguma coisa que se gosta muito, e que pode muito bem ser a carne, e que esse gesto (sacrifício) possa beneficiar uma causa, pessoas mais carenciadas, então talvez faça sentido interrogar-se sobre o que é essencial na vivência e expressão da fé!

Dois belíssimos textos no início da Quaresma. «Rasgai os vossos corações e não as vossas vestes, convertei-vos ao Senhor, vosso Deus, porque Ele é clemente e compassivo, paciente e rico em misericórdia» (Joel 2, 12-13). «O jejum que me agrada é este: libertar os que foram presos injus­tamente, livrá-los do jugo que levam às cos­tas, pôr em liberdade os oprimidos, quebrar toda a espécie de opres­são, repartir o teu pão com os esfo­meados, dar abrigo aos infelizes sem casa, atender e vestir os nus e não des­prezar o teu irmão» (Is 58, 6-7).

Pergunta o Papa Francisco: como se pode pagar um jantar de duzentos euros e depois fazer de conta que não se vê um homem faminto à saída do restaurante? «Sou justo, pinto o coração mas depois discuto, exploro as pessoas… Eu sou generoso, darei uma boa oferta à Igreja… diz-me: tu pagas o justo às tuas colaboradoras domésticas? Aos teus empregados pagas o salário não declarado? Ou como a lei estabelece, para que possam dar de comer aos filhos?».

Desafia Jesus: «Ide aprender o que significa: prefiro a misericórdia ao sacrifício» (Mt 9, 13).

 

Publicado na Voz de Lamego, n.º 4405, de 28 de março de 2017


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Completam-se quatro anos da eleição do surpreende Cardeal Jorge Mario Bergoglio para a Cadeira de São Pedro. Com a escolha do nome, Francisco, na referência a São Francisco de Assis, a primeira marca do pontificado, a pobreza como caminho, “uma Igreja pobre para os pobres”, Igreja despojada ao serviço dos mais frágeis. Da América Latina, o papa argentino traz a teologia do povo, desligando a fé e a religião de qualquer tentativa de manipulação político-partidária. «A imagem da Igreja de que gosto é a do povo santo e fiel de Deus… Deus na história da salvação salvou um povo. Não existe plena identidade sem pertença a um povo. Ninguém se salva sozinho, como indivíduo isolado, mas Deus atrai-nos considerando a complexa trama de relações interpessoais que se realizam na comunidade humana. Deus entra nesta dinâmica do povo… E a Igreja é o povo de Deus a caminho na história, com alegrias e dores».

Cada Papa traz a sua marca espiritual, cultural, a sua riqueza pessoal, o seu amor à Igreja e a fidelidade a Jesus. Ao bom Papa João, que convocou o Concílio Vaticano II para “atualizar” o compromisso do Evangelho com o mundo, sucedeu o grande Papa Paulo VI, que concluiu o Concílio, enfrentando sérias dificuldades vincadas por uma cultura plural, livre, contestatária! Breve o pontificado de João Paulo I, mas significativo, o Papa do sorriso e da certeza de que Deus é Pai mas é mais Mãe. Logo o entusiasta João Paulo II, com a experiência de uma Igreja perseguida e silenciada, para uma presença global, nas viagens e nos meios de comunicação social, a ética, o corpo, a família, os jovens, a vida humana, a dignidade de cada pessoa. Pontificado mais curto, o do sábio Bento XVI, recentrando a Igreja e o mundo em Cristo, procurando fazer da Igreja a nossa casa, onde nos sentimos bem, atraindo outros para entrarem ou para regressarem, lançando pontes com a cultura e com a ciência. Há quatro anos, chegou a frescura de uma Igreja jovem, afetiva, próxima, vinda de uma região pobre… o Papa Francisco surpreendeu desde a primeira hora, com gestos de simplicidade, de alegria e de proximidade que continuam a conquistar pessoas.

Na primeira homilia, os propósitos: CAMINHAR, EDIFICAR, CONFESSAR: «Quando não se caminha, ficamos parados. Quando não se edifica sobre as pedras, que acontece? Acontece o mesmo que às crianças na praia quando fazem castelos de areia: tudo se desmorona, não tem consistência… Quando não se confessa Jesus Cristo, confessa-se o mundanismo do diabo, o mundanismo do demónio…».

 

Publicado na Voz de Lamego, n.º 4403, de 14 de março de 2017


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Quem tem familiaridade com o campo é possível que, por mais de uma vez, tenha encontrado a pele de uma cobra. Por vezes a pele encontra-se quase inteira, como se de repente a cobra despisse uma camisa e vestisse outra. A pele das cobras é constituída por escamas. Mudam de pele periodicamente. Uma das finalidades desta muda será remoção dos parasitas. Outra explicação plausível é que as cobras crescem constantemente e precisam de largar a pele que as aprisiona e limita por uma nova pele, maior, que as liberta para continuarem a crescerem.

A Quaresma encaminha-nos e prepara-nos para a Páscoa, vida nova, luz e salvação, a vastidão do Céu chega para toda a humanidade. Neste caminho somos desafiados à renúncia, à penitência. É um tempo de conversão e de esperança. É caminho (pessoal e comunitário) mas já iluminado pela ressurreição de Jesus. A mudança de vida é uma constante na vida do discípulo de Jesus Cristo. Fomos batizados na água e no Espírito Santo, tornamo-nos novas criaturas. A vida toda é esta configuração à nossa origem batismal. 

Um dos ritos do batismo é o da veste branca. “Agora és nova criatura e estás revestido de Cristo. Esta veste branca seja para ti símbolo da dignidade cristã”. Se voltarmos ao exemplo da renovação da pele na cobra, também esta veste nos reveste por inteiro. A cobra cresce e precisa de mudar de pele, libertando-se. Nós crescemos desde o batismo, precisamos de viver numa tensão permanente para fazer com que a nossa vida nos faça crescer na santidade, afeiçoando-nos a Cristo, isto é, adotando as feições de Cristo, ficando parecidos com Ele. Qual é a nossa pele antiga que nos aprisiona? Tudo o que nos impede de transparecer e testemunhar Jesus. Tudo o que nos afasta dos outros, o nosso egoísmo, o orgulho, a sobranceria, a avareza, a prepotência a inveja, o endeusamento do nosso ego.

Mas alguém poderá perguntar: se é só a pele que muda então nada muda interiormente? Se nos fixarmos no exemplo da cobra talvez tenhamos alguma razão. Contudo, o desprendimento da pele velha expressa o seu crescimento e, portanto, todo o corpo da cobra cresce, além de se libertar dos parasitas. Como cristãos revestimo-nos de Cristo para que toda a nossa vida se transforme, libertando-nos dos parasitas que nos impedem de ser imagem e semelhança de Deus, rosto e presença de Jesus Cristo para as pessoas do nosso tempo.

 

Publicado na Voz de Lamego, n.º 4404, de 21 de março de 2017


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A Quaresma recentra-nos tradicionalmente em três dinâmicas para melhor vivermos a Páscoa do Senhor: a oração, o jejum e a esmola. São vistas como expressões da conversão interior, da adesão decidida a Jesus e ao Seu Evangelho, como concretização do nosso compromisso em nos tornarmos discípulos missionários, identificando-nos com o Mestre da Docilidade para, como Ele e com Ele, nos fazermos próximos dos outros e os acolhermos como irmãos.

A oração é o ponto de partida e o chão que nos move para Deus. E se a oração é autêntica levar-nos-á a querer o que Deus quer. Na oração predispomo-nos a encontrar a vontade de Deus para nós. A referência é Jesus Cristo, cuja vontade paterna é o Seu programa de vida, o Seu alimento. Eu venho, ó Deus, para fazer a Vossa vontade. Faça-se não o que Eu quero, mas o que Tu queres! A oração não é fácil. Ou nem sempre é fácil, sobretudo quando a vida não corre de feição. Ainda assim não devemos deixar de rezar, de suplicar, de louvar, de agradecer a Deus, a chuva e o sol, o vento e a névoa!

Alguns modelos de oração combativa: Abraão, Jacob, Moisés, Ana, Job, David, Jesus.

Abrão “negoceia” com Deus, insistindo até ao limite, com veemência, tentando proteger a cidade de Sodoma e de Gomorra. É um dos exemplos muito queridos ao Papa Francisco. Jacob é aquele que luta com Deus pela noite dentro e, por isso, o seu nome é mudado para Israel, porque lutou com Deus e venceu. Moisés eleva os braços, o coração, a vida para Deus, intercedendo uma e outra vez pelo povo, de dura servis, mas ainda assim o povo que Deus lhe confiou. Ana, mãe de Samuel, que persiste na oração até que Deus lhe concede o que deseja. Job, na imensidão do mistério de Deus, no confronto com a desgraça pessoal e familiar, não desiste de se dirigir a Deus, convocando-O à justiça. E Deus responde-lhe. David, grande Rei – o Papa Francisco invoca-o como São David – apesar do grave pecado contra o próximo, tomando a mulher de Urias e provocando-lhe a morte, não deixa de dialogar com Deus, penitente, arrependido, assumindo as consequências do seu pecado, protegendo o povo. E, claro, a oração de Jesus. Em todos os momentos cruciais da Sua vida, Jesus respira oração, suplicando, louvando, agradecendo, oferecendo. A sua vida faz-se oração, mas Jesus reserva momentos específicos para orar a Deus Pai: antes da vida pública, antes de escolher os apóstolos, na realização de milagres, antes do Calvário… e na Cruz!

 

Publicado na Voz de Lamego, n.º 4406, de 4 de abril de 2017


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No diálogo bem conhecido com os discípulos (cf. Jo 14, 1-6), Jesus responde diretamente a Tomé: «Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por Mim. Se Me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai. Mas desde agora já O conheceis e já O vistes». E logo de seguida a Filipe: «Quem Me vê, vê o Pai».

Iniciamos o ciclo da Páscoa neste ano pastoral 2016-2017. O tempo santo da Quaresma encaminha-nos e prepara-nos para a Páscoa, envolvendo-nos na vivência mais consciente da Liturgia da Palavra, comprometendo-nos com o mundo atual em que vivemos, para chegarmos a ser, nas palavras de Jesus, sal da terra e luz do mundo.

No caminho da Quaresma a oração, o jejum e a esmola (cf. Mt 6, 1-18). A oração para nos sintonizar com Deus e com a Sua palavra, na certeza que a proximidade a Deus nos impele ao encontro dos irmãos.

O jejum como gesto e oportunidade de tomarmos consciência que a vida não depende só daquilo que comemos, mas tem como referencial e fundamento o próprio Deus (cf. Mt 6, 25ss). A vida é um dom inalienável. Recebemo-la de Outro, através dos nossos pais, pelo que o direito sobre a vida, a nossa e a dos outros, não nos pertence. O que nos pertence é a missão de viver e viver em abundância (cf. Jo 10, 10). O jejum não é dieta, o jejum balança-nos para outros. «Tornando mais pobre a nossa mesa aprendemos a superar o egoísmo para viver na lógica da doação e do amor; suportando as privações de algumas coisas – e não só do supérfluo – aprendemos a desviar o olhar do nosso «eu», para descobrir Alguém ao nosso lado e reconhecer Deus nos rostos de tantos irmãos nossos. Para o cristão o jejum nada tem de intimista, mas abre em maior medida para Deus e para as necessidades dos homens, e faz com que o amor a Deus seja também amor ao próximo (cf. Mc 12, 31)» (Bento XVI).

Decorrente da vivência do Jejum, que nos recorda que o pão de cada dia deve chegar a todos, a prática da caridade, cuja esmola continua a ser uma belíssima tradição que não dispensa de refletir e lutar por mais justiça social e pela transformação das estruturas, humanizando-as. «A prática da esmola é uma chamada à primazia de Deus e à atenção para com o próximo, para redescobrir o nosso Pai bom e receber a sua misericórdia» (Bento XVI).

 

Publicado na Voz de Lamego, n.º 4401, de 28 de fevereiro de 2017


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O Cardeal Joseph Ratzinger (Bento XVI), há uma vintena de anos, sublinhava que para o reino de Deus há tantos caminhos quantas as pessoas, o que obviamente não anula o facto de Jesus ser o Caminho, a Verdade e a Vida (cf. Jo 14, 6). Com efeito, o meu caminho, o teu caminho, há de levar-nos a Jesus, há de levar-nos ao Pai. Sendo assim, quanto mais perto eu estiver de Jesus e quanto mais perto tu estiveres de Jesus, mais perto vamos estar um do outro. E se estamos próximos poderemos apoiar-nos mutuamente, ajudar-nos, incentivar-nos quando um de nós estiver a fraquejar.

A Quaresma é reconhecidamente tempo de conversão e de penitência, tempo de esperança e de mudança de vida. É caminho de santidade, de aperfeiçoamento, ou seja, caminho de humanização. Preparamo-nos ao longo de toda a vida para entrarmos na morada eterna no Pai. Caminhamos mas não sozinhos. Seguem connosco todos os que Deus colocou à nossa beira e que coincidem connosco no tempo e no espaço. Mas também nos acompanham os santos, aqueles que vieram antes de nós e nos ensinaram, imitando Jesus, o caminho da docilidade, da bondade, do serviço à pessoa e à humanidade e, agora junto de Deus, atraem-nos e desafiam a viver no bem que nos irmana. Com a ajuda de Deus e dos irmãos eles chegaram lá, nós também havemos de lá chegar. E o caminho começa AGORA na nossa vida diária.

No Reino de Deus não há excluídos (à partida), todos fomos criados por amor, para vivermos em abundância e sermos felizes (=santos). Por conseguinte, estamos "condenados" a aproximar-nos uns dos outros. Na verdade, diz-nos Jesus, Deus é Pai de todos e «faz nascer o sol sobre bons e maus e chover sobre justos e injustos» (Mt 5, 45). A bênção recai sobre todos. Temos afinidades, mas nem por isso estamos dispensados de amarmos até os nossos inimigos, os que nos são indiferentes, os que desprezamos. Aliás, questiona Jesus, que vantagem haveria em amar aqueles que nos amam? Isso todos podem fazer. Os discípulos de Jesus são desafiados ao máximo. E o máximo é Deus. «Portanto, sede perfeitos, como o vosso Pai celeste é perfeito» (Mt 5, 48).

A vinda de Jesus ao mundo, Deus que Se faz Homem, tem como missão reconciliar-nos uns com os outros e com Deus. Pelo mistério da Sua morte e da Sua ressurreição, Jesus resgata-nos das trevas, do pecado e da morte, para nos reconduzir ao Coração do Pai.

 

Publicado na Voz de Lamego, n.º 4402, de 7 de março de 2017


29
Abr 17
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1 – Dois dos discípulos regressam a casa, desencantados. Jesus vem e coloca-Se com eles a caminho. Primeiro momento. Jesus vem ao nosso encontro nas circunstâncias da nossa vida e todos os momentos são propícios. Há de haver um tempo que depende de nós reconhecê-l'O e acolhê-l'O ou ignorá-l'O.

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2 – Pelo caminho, Jesus vai-lhes explicando as Escrituras, preparando-os para o que está para vir, para O reconhecerem.

«Não tinha o Messias de sofrer tudo isso para entrar na sua glória?». A pergunta provocatória de Jesus, lança pontes para a Sua vida pública, em que tinha anunciado o sofrimento e a perseguição se prosseguisse com o seu programa de vida, denunciando a prepotência, a arrogância, o autoritarismo, a intolerância e optando pelos mais pobres, pelos excluídos, pelos mais pequeninos, pelos publicanos e pecadores, pelas mulheres e pelas crianças, incluindo, promovendo, devolvendo a dignidade perdida, revelando-lhes o amor de Deus, tratando-os como irmãos. Esta postura criou inveja, ciúme, gerou ódios que que viriam a custar-Lhe a vida. Como tinha previsto. Chegar à meta sem esforço e sem sacrifícios não é possível.

Jesus serve-se da Sagrada Escritura para lhes mostrar as intuições da Lei e dos Profetas no que ao Messias diz respeito. Aproximam-se da sua povoação e Jesus faz menção de seguir adiante. Ele vem até nós, mas não Se impõe, dá-nos a liberdade para O acolhermos, ou para O deixarmos prosseguir para outras bandas. Os discípulos de Emaús sentem-se impelidos a deixar que Ele permaneça: «Ficai connosco, porque o dia está a terminar e vem caindo a noite».

 

3 – Há momentos de dúvida, de hesitação e até de treva. Mas não desistamos. Deus manifesta-Se também na noite da nossa fé e da nossa vida. Assim no-lo garantem muitos santos. Jesus dá-nos uma sugestão para O encontrarmos: vendo e tocando as Suas chagas presentes nos irmãos. Quando cuidamos dos outros por amor a Jesus Cristo, a nossa fé exprime-se e amadurece, mesmo que com incertezas. A fé fortalece-se com o amor e cuidado aos outros.

Hoje Jesus mostra-nos outra forma de O reconhecermos. Pôs-se à mesa com eles, "tomou o pão, recitou a bênção, partiu-o e entregou-lho". Abrem-se os olhos, melhor, o entendimento e reconhecem-n’O. A fração do pão, da forma como Jesus no-lo dá, a Eucaristia, faz-nos irmãos, aproxima-nos, abre-nos a compreensão.

Jesus está no pão a partilhar e anunciar. Partem imediatamente. À Eucaristia levamos tudo o que arde cá dentro, os nossos projetos e angústias, os nossos sonhos e as nossas alegrias. A Eucaristia abre-nos os olhos e o coração e a vida e envia-nos em missão.

 

4 – A comunidade garante e fortalece a fé. Os dois discípulos regressam ao seio da comunidade, para testemunharem o encontro com Jesus e para escutarem e absorverem o testemunho dos outros discípulos. Também na dúvida, na incerteza, a comunidade dos crentes deve ser o espaço e o tempo em que descobrimos Jesus. Onde dois ou três estiverem reunidos em Meu nome estarei no meio deles.


Textos para a Eucaristia (ano A):  Atos 2, 14. 22-33; Sl 15 (16); 1 Pedro 1, 17-21; Lc 24, 13-35.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE


22
Abr 17
publicado por mpgpadre, às 16:30link do post | comentar |  O que é?

1 – Na tarde daquele primeiro dia, Jesus apresenta-Se no MEIO deles. É Jesus que toma a iniciativa. Vem ao nosso encontro e assume o lugar que Lhe pertence. É assim que Ele Se coloca, é assim que devemos colocá-l'O se verdadeiramente queremos ser Seus discípulos. E, obviamente, se estamos voltados para Jesus, se Ele sustenta a nossa vida, começa então a comunhão com todos aqueles e aquelas que se voltam para Jesus e fazem d’Ele o centro.

A Ressurreição marca o início de um tempo novo, é o primeiro dia da nova criação, é o Dia por excelência em que nasce a Igreja, Corpo de Cristo. É nesse mesmo dia que Jesus aparece aos discípulos.

Oito dias depois, Jesus volta a encontrar-Se com os Seus discípulos, coloca-Se novamente no meio deles. No primeiro domingo, Tomé não estava, desta feita, no segundo domingo, já está em comunidade. É em comunidade que faz a experiência de encontro com Jesus. Os outros cumpriram a sua missão, contaram-lhe o que havia sucedido, mas Tomé precisa de tempo e de se deixar encontrar por Jesus. Nem todos temos o mesmo ritmo. Cada pessoa faz o seu caminho, mas se cada um se encaminhar para Cristo, n’Ele nos encontraremos.

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2 – Não, não é a Cruz que mata Jesus. Não, não é a Cruz que nos mata. Matam Jesus os nossos pecados, o nosso egoísmo; o que nos mata é a solidão, o colocar-nos como centro ou deixando que nos endeusem. O que nos mata é a preguiça em amar e fazer o bem. Mata Jesus a prepotência, a corrupção, a intolerância. Morremos, não quando o coração falha ou o cérebro se desliga, mas quando deixamos de amar, quando deixamos de sentir a vida e o apelo dos outros.

É na Cruz que Jesus é morto, mas nem a Cruz O impede de nos encontrar. Jesus não dá as costas à Cruz, enfrenta-a, carrega-a, mas não foge. Ressuscitado, traz na Sua carne, na Sua vida, as marcas da crucifixão. Vede as minhas mãos e o meu lado, Sou Eu, não temais. E de forma ainda mais incisiva a Tomé: vê, toca, as minhas chagas, Sou Eu, não é um fantasma ou um espírito.

A continuidade é no Corpo, na mensagem e no envio.

A descontinuidade é absoluta, é divina. A ressurreição é algo de novo, nunca visto, não faz parte da biologia humana. As aparições de Jesus geram alegria, mas também surpresa e temor. Aquele que vimos esmagado pelo sofrimento, agredido violentamente, obrigado a carregar o travessão da cruz, exausto pelas vergastadas e pela perda de sangue, pela desidratação, voltou à vida. Deus Pai, a Quem Se confiou, não O desapontou, ressuscitou-O. Ele vive e está no meio de nós.

 

3 – «Meu Senhor e Meu Deus». Confissão de fé tão breve e tão intensa e clarificadora. Não é preciso muito mais. Há momentos para os quais não encontramos palavras. É o que acontece com Tomé. Já tinha ouvido dizer... mas agora depara-se com Jesus e com as marcas da Paixão, com as marcas do amor. Quem se sujeita a amar, sujeita-se a padecer. O amor imenso e intenso de Jesus fazem-n'O assumir as nossas dores e levar ao Calvário os nossos sofrimentos, para nos redimir, para nos livrar da morte eterna.

Agora é a nossa vez. «Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos». Dou-vos a paz, deixo-vos a paz. Levai a paz a toda a criatura. Eu estarei convosco até ao fim dos tempos. Se passardes por momentos de dúvida e hesitação tocai as minhas feridas, as minhas chagas, então sabereis que Eu vivo. O que fizerdes ao mais pequeno dos meus irmãos, a Mim o fareis.


Textos para a Eucaristia (ano A):  Atos 2, 42-47; Sl 117 (118); 1 Ped 1, 3-9; Jo 20, 19-31.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE


10
Abr 17
publicado por mpgpadre, às 11:48link do post | comentar |  O que é?

A vida da comunidade também se faz de memória agradecia. O Boletim Paroquial serve para fixar momentos, recordar celebrações, sublinhar vivências, desafiar a novos compromissos.

Este trimestre destaque para a Festa da Apresentação de Jesus, bênção das crianças e de mulhers grávidas; festa do Pai-nosso em Dia do Pai; Vigília de oração pelos doentes; GJT no cinema; Visita aos Doentes, conferência da Irmã Ângela Coelho em Moimenta da Beira, por ocasião do Centenário das Aparições.

Texto e fotos, para recordar, para guardar, para fazer memória, para preservar... e continuar a viver, a participar, a gastar a vida com e pelos outros, como Jesus.

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O Boletim poderá ser lido a partir da página da Paróquia de Tabuaço, ou fazendo o download:


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BENTO XVI (2016). Conversas Finais, com Peter Seewald. Alfragide: Publicações Dom Quixote. 288 páginas.

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Decorria o ano de 1993, ainda seminarista quando tive a oportunidade de ler o livro-entrevista com os mesmos protagonistas, sob o título, Sal da Terra (1992), Peter Seewald à conversa com o então Cardeal Joseph Ratzinger. Além de todas as perguntas e respostas sobre a vida, a vocação, os tempos atuais, a Igreja nos nossos dias, como criança e jovem, como sacerdote, Bispo, Cardeal e Prefeito da Congregação da Doutrina da Fé, duas ideias ficaram-me gravadas na memória: para chegar a Cristo há tantos caminhos quantas as pessoas. O Cardeal respondia dessa forma a uma questão sobre se único caminho para Cristo era a Igreja. Outra ideia que surge também nesta obra é o facto da Igreja poder ser constituída por minorias. Bento XVI volta a reafirmar esta "profecia" sobretudo na Europa, sublinhando que não é algo de negativo ou desmotivador, pelo contrário, como no início da Igreja poderá levar os que são crentes a serem mais convictos, mais autênticos, mais missionários. "Os crentes terão de se esforçar ainda mais por continuarem amoldar e serem portadores da reflexão sobre os valores e a vida... a responsabilidade torna-se maior".

Como seminarista recorri a outros textos do então Cardeal Ratzinger, como leitura e para trabalhos a realizar no curso de teologia. É sempre um desafio ouvir ou ler Ratzinger e/ou Bento XVI. Esta esta entrevista não é exceção. Clareza, simplicidade, transparência, sem fugir às perguntas, sem falsas modéstias, reconhecendo decisões ou momentos em que falhou, em que foi ingénuo ou acreditou nas informações que lhe chegaram. Há muitos motivos para ler Conversas Finais, talvez por isso mesmo, por serem finais. O Papa da eleição, da sua e da do Papa Francisco, do oito anos de pontificado, e da frescura de Francisco, fala da infância, da juventude, do jovem sacerdote e professor, de perito do Vaticano II, Arcebispo de Munique, fala da ligação ao Papa João Paulo II e como tentou regressar ao sossego da investigação teológica, fala dos escândalos na Igreja e como os enfrentou. Tudo isso pode ser motivo para ler esta obra. Mas destacaria algumas curiosidades:

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  • O Pai era polícia e como tal tiveram que mudar de casa umas 14 vezes;
  • Família manifestamente contrária ao poder nazi. O pai era profundamente católico e contrário ao proceder de Hitler; o pai achava que a Igreja deveria ter uma intervenção mais ativa contra o nacional-socialismo, cardeais e papa...
  • depois da reforma do pai, a mãe teve que ir trabalhar para poder sustentar a casa, e possibilitar que os três irmãos pudessem estudar; o pai teve que aprender a cozinhar e a fazer a lide de casa;
  • Com a iminência da guerra que se adivinhava, os pais decidem comprar casa;
  • Nenhum dos irmãos tirou a carta de condução, embora fosse vontade expressa do pai que todos a tirassem;
  • Integrou o exército alemão, como todos os jovens alemãs que estivessem aptos. Ficou na retaguarda, acabando por desertar. Ainda assim foi preso pelos americanos... dormiam no chão, no exterior, passaram vários dias sem comer;
  • Não era muito bom em desporto, mas aguentava-se muito tempo a caminhar, pois percorria grandes distâncias ora a pé ora de bicicleta.
  • O ano mais feliz da sua vida, também dos mais dramáticos, foi o ano como vigário paroquial, um desafio... todos os sábados confessava umas duas horas...
  • A habilitação à docência universitária gerou a discussão entre dois dos seus mestres, elementos do júri, que em vez de fazerem perguntas e discutirem com Ratzinger, discutiram entre eles;
  • Uma das preocupações nesta habilitação era continuar a ajudar os pais;
  • Como teólogo sempre se considerou como progressista, com o recurso predominante à Sagrada Escritura e aos Padres da Igreja (Patrística). Os conservadores eram sobretudo escolásticos. Mais, muito mais Santo Agostinho que São Tomás de Aquino;
  • Obediência dialogada... recusou mudar de universidade, ainda que fosse o seu Bispo a pedir-lhe, adiou a ida para Roma, logo em 1979, um ano depois da eleição de João Paulo II, porém viria a aceitar o convite do Papa polaco em 1982. Comunicavam em alemão, que era a segunda língua de João Paulo II;
  • Chegou a ser acusado de maçónico e coisas do género... e até acusado de trair o Cardeal Frings, de que era conselheiro, acusação que não aceita...
  • Escreveu o texto para a Audiência Geral, na qual João Paulo II iria sancionar e identificar-se com o documento da Congregação da Doutrina da Fé, Dominus Iesus... foi então dito que o Papa se afastava do documento, quanto tinha sido o próprio a solicitar o texto... Curiosamente, diz Bento XVI, nunca escreveu nenhum texto da Congregação... «É obvio que colaborei e também reformulei criticamente o texto e assim. Mas eu próprio não escrevi nenhum dos documentos, nem sequer a Dominus Iesus».
  • Teve um papel importante no Vaticano II, como conselheiro do Cardeal Frings e depois como perito...
  • Os bispos alemãos, com os austríacos, terão tido um peso importante na eleição de João Paulo II... mais à frente, Bento XVI diz claramente que era favorável à eleição de João Paulo II...
  • Desde 1997 que Bento XVI tem um pacemaker...
  • Em 1994 perdeu por completo a visão do olho direito, em consequência de alguns derrames cerebrais. Em 1991 teve uma hemorragia cerebral, consequências sentidas nos anos seguintes...
  • Amigo de Hans Küng, cooperaram algum tempo, depois distanciaram-se, pois Küng foi-se radicalizando contra o Concílio e o primado do Papa... porém quando lhe perguntaram a opinião, respondeu: «Deixem-no». Mais tarde sancionou, com outros Bispos alemães, a decisão tomada pela Congregação da Doutrina da Fé pelo seu afastamento... O Cardeal Franjo Sper, Prefeito da Congregação da Doutrina da Fé foi decidido: há quinze anos que a Igreja está a ser destruída e nós não fazemos nada...
  • No conclave para eleger o Sucessor de João Paulo II, o Cardeal Ratzinger estava sossegado, certo que iria finalmente descansar e dedicar-se ao estudo teológico, mas logo no primeiro dia de votações percebeu que poderia vir a ser o 265.º Papa da Igreja Católica... Bento XVI fala também das profecias de Malaquias...
  • Renovação do Papado, no ecumenismo e no diálogo inter-religioso, ambiente que lhe era familiar enquanto sacerdote e professor e como Arcebispo...
  • As Audiências Gerais agregaram multidões para o escutarem... discursos aclamados, por exemplo na Sede das Nações Unidas, milhões de pessoas leram as suas Encíclicas... 
  • Aquando da eleição não aceitou ficar no apartamento mandado construir por João XXIII, tendo preferido ficar em Santa Marta, até que algumas obras foram feitas no Palácio Apostólico... mandou tirar a alcatifa... ou chão ou alcatifa...
  • Dificuldade em usar os botões de punho, que não gostava de usar... "Irritavam-me bastante, tanto que cheguei a pensar que quem os inventou tinha de ir parar ao fundo do purgatório (ri)".
  • Precisa de dormir 7 a 8 horas...
  • Na Alemanha foi onde teve a maior contestação... num discurso falou na necessidade da "desmundanização" da Igreja... tema agora querido e explicitado pelo Papa Francisco...
  • Na Missa matinal, o Papa João Paulo II tinha sempre convidados, pessoas diferentes... com Bento XVI as Missas matinais passaram a ser em recolhimento, pois não se sentia preparado para ver todos os dias novos rostos, precisava de celebrar tranquilamente...
  • Não se considera místico... para escrever precisa de silêncio...
  • Na questão da pedofilia, chamou a Si, à Congregação da Doutrina da Fé, para que os processos fossem mais céleres, modificou a legislação, o que permitiu, já como Papa afastar 400 sacerdotes, reduzindo-os ao estado laical...
  • Em relação ao lobby gay, considera que foi desmantelado...
  • No caso Williamson, Bispo da Fraternidade de São Pio X, a quem o papa levantou a excomunhão... só foi informado depois de tudo ter acontecido... "Não compreendo como é que, sendo um caso tão conhecido, nenhum de nós deu por ele. Para mim é incompreensível, inconcebível"... "Na altura houve uma batalha propagandística gigante contra mim. Quem estava contra mim teve finalmente o pretexto para dizer «ele é incapaz, não é o homem certo para o lugar». Foi por conseguinte uma hora negra e um tempo difícil, mas as pessoas acabaram por compreender que eu não tinha sido realmente informado".
  • Em relação a Vatileaks, com o próprio mordomo a revelar documentos... "Não consigo compreender como é que se pode querer algo assim... Eu nem sequer o conhecia. Ele passou pelo crivo do sistema, passou todas as provas e em tudo parecia o homem certo".
  • "O lado político foi para mim o mais penoso" do pontificado...

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"Diria que tentei sobretudo ser um pastor, o que implica naturalmente também uma relação apaixonada com a Palavra de Deus, ou seja aquilo que um professor tem de fazer. Implica, além disso, ser um professante, um confessor. Os termos professor e confessor, filologicamente, significam mais ou menos o mesmo, sendo que a missão está naturalmente mais próxima da de confessor"....

"A direção prática não é bem a minha qualidade..."

"É preciso continuar a aprender o que a fé nos dia neste nosso tempo. É preciso aprender a ser mais humilde, mais simples, mais sofredor e a ter mais coragem para resistir; e, por outro lado, aprender a ser sincero e a estar disponível para continuar a caminhar".


08
Abr 17
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

1 – O Domingo de Ramos remete-nos para o centro da nossa fé, com o mistério de entrega de Jesus a favor da humanidade inteira, logo a favor de cada um de nós, mistério de amor, de dádiva, de libertação, de resistência ao sofrimento, de priorização de Deus e da Sua vontade, de ousadia e de humildade, de perdão e de compaixão.

Entrada triunfal de Jesus na cidade santa de Jerusalém, montando num jumentinho. É o Príncipe da Paz, o filho de Deus, o Filho da Promessa. Não traz com Ele um exército, traz uma multidão desorganizada de maltrapilhos, pobres, galileus, adeptos, simpatizantes, discípulos, mulheres, publicanos. É uma multidão barulhenta, feliz, esperançosa. Aclamam, talvez, não a uma só voz ou na mesma direção, mas aclamam com júbilo, preparando-se exterior e interiormente para a Festa da Páscoa. Há rostos com lágrimas, há olhares apreensivos, há sorrisos rasgados e rostos fechados. Há quem esteja totalmente ali e quem esteja apenas por curiosidade, arrastados pelo ajuntamento.

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2 – A noite disfarça e esconde muita coisa. Depois da Ceia, Jesus sai com os discípulos para o Jardim das Oliveiras. A noite permite também o silêncio e, até certo ponto, o descanso. Mas não são horas para dormir, são horas de vigiar, de rezar com insistência. Pelo menos da parte de Jesus. Aproximam-se as trevas densas, tenebrosas, mas mais do que a falta de luminosidade exterior é a falta de luz nos corações. Quem não tem luz no coração vive mergulhado na morte.

Naquela hora, Jesus penetra o sofrimento mais atroz. O desfecho está à vista. Um pouco mais, e ainda escuro, na noite de Judas e das lideranças judaicas, será preso, julgado, condenado à morte. Resta pouco tempo. Alguns minutos, algumas horas, e o fim virá! Pai, Pai, Pai, se é possível que passe de Mim esta hora, que passe rápido que não aguento mais, ou passe adiante, porque é de mais, tanto sofrimento para um Homem só. Os gritos de Jesus levam os nossos gritos também. Pai, Pai, Pai, cumpra-se a Tua vontade. É mortal este caminho de entrega, é dom, mas é o caminho da salvação, a afirmação da verdade, da vida, da compaixão. São horas de levantar do sono, já se aproxima aquele que vai entregar o Filho do Homem.

 

3 – Em menos de nada, Jesus é condenado à morte, sem tempo para que alguém lance dúvidas ou ponderações. É açoitado, cuspido, injuriado, escarnecido. Colocam-se uma coroa, de espinhos, que se espetam na carne. Põem-Lhe aos ombros a trave da cruz. Pesada a cruz, difícil o caminho, fisicamente Jesus vai ficando esgotado.

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4 – Entre apupos, sobe a encosta do calvário, a arrastar-se, faz das tripas coração, das fraquezas forças. Os açoites violentos fizeram com que perdesse muito sangue, ficando em carne viva quase por todo o corpo, com músculos gravemente feridos. Segue mais morto que vivo. Mas avança decidido conforme as forças Lhe permitem. E se arrastam um Simão para ajudar a Cruz é por alguma compaixão ou simplesmente para apressar o desfecho, pois também os soldados veem que Jesus já não pode mais. Os amigos vão ficando para trás, escondendo-se entre a multidão e só as mulheres O seguem de perto, com Maria, Sua Mãe, no Seu encalço.

Completamente esgotado, a respirar a custo e ainda assim não O deixam sossegado, recebendo mais injúrias. A Sua oração ao Pai respira este aparente abandono – «Meu Deus, meu Deus, porque Me abandonastes?». É o início do longo Salmo que termina confiando, entregando-se e suplicando a Deus. «Mas Vós, Senhor, não Vos afasteis de mim, sois a minha força, apressai-Vos a socorrer-me».


Textos (ano A): (Ramos:) Mt 21, 1-11 (Ramos); Is 50, 4-7; Sl 21 (22); Filip 2, 6-11; Mt 26, 14 – 27, 66.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE


03
Abr 17
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SUSAN SPENCER-WENDEL, com Bret Witter (2013). Antes do Adeus. Lisboa: Editora Pergaminho. 384 páginas.

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Susan Spencer-Wendel é uma mulher adulta, 44 anos, jornalista reconhecida, satisfeita da vida, casa, mãe de três filhos. A vida é uma correria. A mão esquerda começa a ficar paralisada e começam as interrogações, os médicos, os exames e a negação do que começa a ser óbvio: esclerose lateral amiotrófica (ELA). O diagnóstico é uma sentença de morte, pois é uma doença terminal, três a cinco anos de vida, não há cura nem forma de retardar o seu avanço.

Que fazer diante de uma notícia tremenda? A autora vai-nos dizendo. Uma fase de negação. Mas chega o momento que não há como fugir à inevitabilidade da doença. O corpo começa a deixar de funcionar, os comandos (cerebrais) não são correspondidos. Há consciência, mas o músculos vão atrofiando e deixando de obedecer e de funcionar. Até articular palavras se torna uma luta gigantesca.

É conhecida a expressão de Tolstoi: as famílias são iguais, as famílias tristes sofrem cada uma à sua maneira. Susan opta por viver e viver feliz, procurando criar memórias para os filhos, para o marido e para os amigos.

O seguro de vida permite-lhe pagar a hipoteca da casa, viajar como sempre gostou de fazer, com a melhor amiga, Nancy, (para ver a aurora boreal), com o marido, numa espécie de segunda lua de mel, ir com a filha, de 14 anos, a Nova Iorque e vê-la provar um vestido de noiva, pois já não estará por cá quando ela casar, vai proporcionando aos filhos os seus pedidos.

Entretanto decide escrever, enquanto é possível. Chega um momento que escreve apenas com um dedo num iphone, mas escreve, dedicando tempo. É um legado para os filhos, para o marido, para a famílias, para os amigos. Não se revolta. Procura viver cada momento, numa atitude zen, aceitando o que tem que ser, o que não está ao seu alcance modificar. Claro que sofre, chora, por ver o mundo avançar, os filhos a crescerem, certa que não estará cá para os ver crescer, querer fazer as coisas e não poder, a dependência de todos e em tudo. Chora. Mas não perde tempo a lamentar-se.

Adotada, procura as suas raizes, para apaziguar o seu passado e ligar-se, ao marido e aos filhos, à família biológica, nomeadamente à sua ascendência grega.

"Antes do Adeus tem momentos profundamente tristes - trata-se, afinal, de uma despedida -, mas sem um traço de amargura ou de raiva. Em cada página, sente-se otimismo, a alegria de viver e o sentido de humor de uma mulher grata pela vida. Um livro sobre a morte, mas cheio de vida. Um livro que nos recorda que temos sempre a opção de sorrir. E que, como ensina a autora, «cada dia é melhor se for vivido com alegria»" (contracapa).

Outro dos aspetos bem vincados ao longo de todo o livro, é a sua fé em Deus. Os pais (adotivos) são batistas, a autora nem por isso, mas acredita em Deus, acredita que se irá encontrar com o Pai biológico já falecido. E que o fim não será definitivo.

"Acenda uma vela em vez de amaldiçoar a escuridão".

"Acredito em Deus. Acredito em forças que nos transcendem de prodígios que escapam ao entendimento humano".

"Tomei a resolução de escrever sobre a força e não sobre a doença, sobre a alegria e não sobre o desespero".

"As minhas capacidades vão-se desprendendo do meu ser como uma medalha se desprende de um fio".
"Desde o diagnóstico, os estados depressivos tornaram-se menos frequentes. Desde que aceitei a minha condição, a angústia aproxima-se de mim ao de leve, como uma borboleta, e poisa silenciosamente como as borboletas poisam nas plantas à volta da cabana. Observo os seus rodopios, admiro a sua complexidade, sinto o seu peso por um breve instante, e depois... passa! Esa tristeza tem uma beleza intrínseca que me faz sentir sempre viva, e isso ainda me interessa, ainda é importante para mim".
"Regozija-te com o que tens e com a forma como as coisas são. Quando te deres conta de que não há nada em falta, o mundo inteiro será teu".
"Removendo a necessidade, removo também o sofrimento".
"Há que aceitar a vida conforme ela se desenrola. É importante que sonhemos e nos esforcemos por alcançar os nossos sonhos, mas também há que aceitar. Não faz sentido forçarmos o mundo a ser aquele que sonhámos. A realidade é muito melhor que isso".
"Não faz qualquer sentido ansiar por algo inalcançável, pois esse é o caminho direto para a loucura".
"Procurem-me nos vossos corações, meus filhos. Sintam-me aí e sorriam... procurem-me nos ocasos... sei que o meu fim está próximo, mas não desespero".
 
A autora terá morrido em 4 de junho de 2014.
(Informações colhidas na Internet)
 


27
Mar 17
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AURA MIGUEL (2017). Conversas em Altos Voos. Encontros e entrevista com o Papa Francisco. Lisboa: Paulus Editora. 146 páginas.

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"A matéria-prima deste livro é a entrevista de uma hora que o Papa Francisco concedeu à Rádio Renascença, a 8 de Setembro de 2015, na Casa Santa Marta. Mas este livro inclui detalhes inéditos sobre como é viajar com o Papa Francisco e como é o seu estilo descontraído, dentro do avião e não só; há várias peripécias documentadas em muitas fotos, aqui reproduzidas, bem como minuciosos relatos dos bastidores. Mas o motivo principal deste livro relaciona-se com a próxima visita do primeiro Papa latino-americano a Fátima. A nossa esperança é que estas páginas ajudem a conhecer melhor o ilustre peregrino que aí vem e reforcem o amor dos portugueses pelo Sucessor de Pedro, tão inseparavelmente ligado à Mensagem que a Virgem, há cem anos, confiou a três crianças portuguesas" (contracapa).

Aura Miguel é "vaticanista", isto é, jornalista, da Rádio Renascença, e que está creditada junto da Santa Sé (Vaticano), acompanhando o Papa nas suas viagens apostólicas. Já conta mais de 80 viagens no avião que transporta o Papa para diversos países. Acompanhou João Paulo II, Bento XVI e agora Francisco. São muitas as histórias e as curiosidades. Neste livro conta o primeiro encontro com o Papa Francisco, como lhe solicitou uma entrevista para a Rádio Renascença e como Francisco respondeu num novo voo, numa nova Viagem Apostólica, seis meses depois, entregando-lhe um envelope, com a data para entrevista, o lugar e a hora.

A entrevista realizou-se a 8 de setembro de 2015, Natividade de Nossa Senhora, na Casa de Santa Marta, por ocasião da Visita Ad Limina dos Bispos portugueses, com início a 7 de setembro.

A publicação do livro e da entrevista, disponível digitalmente na Rádio Renascença, prepara e antecipa a Visita do Papa Francisco a Portugal como Peregrino de Fátima.

A entrevista começa precisamente por falar do conhecimento que o Papa tem dos portugueses, falando também encontro com os Bispos portugueses, com a acentuação nos jovens e na catequese, partindo depois para outros temas como a surpresa da eleição, as periferias, os jovens e a Europa envelhecida, os valores e a educação, a paz em que sente apesar de tamanha responsabilidade, o Jubileu da Misericórdia, a cultura do encontro, a criatividade na educação, os direitos e os deveres, os direitos com a verdade, a felicidade e os problemas a enfrentar, o empenho político e o cuidado pela criação, a preferência de uma Igreja acidentada que uma Igreja doente por não sair...

Além de outras curiosidades que constam do livro, o facto do Papa Francisco, juntamente com o envelope, ter entregado a Aura Miguel duas pagelas, uma de Santa Teresa do Menino Jesus e outra de São José.


26
Mar 17
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PAPA FRANCISCO (2015). (2.ª Edição). A Verdade é um Encontro. Homilias em Santa Marta. Prior Velho: Paulinas Editora. 568 páginas.

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Uma das novidades do pontificado do Papa Francisco, eleito a 13 de março e iniciando oficialmente o pontificado a 19 de março de 2017, foi a celebração quotidiana da Eucaristia na Capela de Casa de Santa Marta onde fixou a sua residência.

Todos os dias, pela manhã, o Papa celebra com outros sacerdotes e para diversas pessoas, de paróquias, comunidades, grupos, funcionários do Vaticano, alunos dos colégios, congregações. Funciona como uma Missa paroquial, aos dias de semana, à mesma hora, para começar bem o dia. A diferença está nos fiéis que mudam de dia para dia e no facto de o pároco ser o Papa.

As homilias diárias são familiares, íntimas, expressivas, com diversas imagens, exemplos, com muitas perguntas, com expressões que imediatamente circulam pelo mundo inteiro. É, de algum modo, um laboratório, já que as pistas de reflexão são muitas vezes desenvolvidas em discursos, mensagens, nos documentos pontifícios e aprofundadas nas Homilias em Eucaristias solenes.

Logo após a celebração da Eucaristia, a Santa Sé, pelos órgãos competentes, faz chegar um breve resumo das palavras do Papa, acompanhadas de uma imagem, um pequeno vídeo...

Não é a homilia inteira, como é explicado na apresentação do livro, não faria muito sentido, pois é um comentário a partir das leituras, procurando desafiar, propor, refletir, com pausas, interrogações, aproximando-se quase de uma conversa familiar. O acesso a estes trechos está disponível na plataformas da Internet da Santa Sé, mas também em muitas páginas ligadas a Dioceses, paróquias, comunidades, partilhadas, espalhadas. O livro tem a vantagem de ser sublinhado e mastigado. Quando lemos num ecrã, pelo menos para mim é assim, quase sempre o fazemos a correr, ou se for em vídeo, ouvimos e já estamos a fazer outra coisa, o livro ajuda a tomar mais atenção (claro que também há distrações).

Este volume, na segunda edição, contém as "homilias" do primeiro ano de pontificado. Lendo, percebe-se melhor as intervenções mais públicas do Papa: pecadores mas não corruptos... misericórdia... cristãos aguados (água das rosas)... humildes mas não ingénuos... perdão... adoração de Deus (cuja dificuldade é notória nas pessoas e nas comunidades)... economia e os pobres... a riqueza e a avareza... pecadores concretos (e não abstratos, genéricos)... obras de misericórdia e juízo final, a fé vive-se, é concreta... cristãos alegres, na certeza que Deus nos ama ao ponto de em Jesus dar a vida por nós... a contradição dos cristãos da sexta-feira santa sem a Páscoa, tristes, melancólicos, sempre a protestar por tudo e por nada... incapazes de sorrir, de levantar a cabeça... pessoas com cara de santinhos mas que na verdade são hipócritas... perfeitos, pessoas boas, sem levantar ondas, como o jovem do Evangelho, certinho mas que no final não segue Jesus, pelo Seu caminho... Conhecer, confiar em Jesus, seguir Jesus pelo Seu caminho... ainda que com dificuldades e perseguição... a cruz é parte essencial da vida do cristão e da Igreja... Igreja em saída... ir às periferias... rezar com coragem, lutando com Deus como fizeram Abraão, Jacob, Moisés, David... fieis a Deus e ao povo... o encontro com Jesus na Eucaristia.. Lamentar-se faz mal ao coração... a fé não se negoceia... o perigo de falar dos outros... os mexericos matam... não maquilhar a vida, mas aceitar o bem e o mal... cristãos mornos fazem mal à Igreja... A Igreja é mãe, é uma história de amor... Um bom cristão não se lamenta... um cristão que se lamenta continuamente, deixa de ser um bom cristão: é o senhor ou a senhora "lamúrias"... o problema não é sermos pecadores: o problema é não nos arrependermos do pecado, não termos vergonha daquilo que fizemos... cultura do encontro, construtores de pontes e não de muros... a originalidade cristã não é a uniformidade...

Seguir Jesus, caminhar com Jesus, adorar Jesus...


25
Mar 17
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1 – Domingo da Alegria e da luz, da unção e da vida nova trespassada, presença de Deus na minha e na tua vida. Deserto e tentações, pão e palavra de Deus. Montanha e altura, Jesus e apóstolos, vislumbre da eternidade, luz vinda do Céu. Sede e água, Samaritana e Água Viva que é Jesus e um alimento maior que toda a fome.

Mais forte que toda a cegueira, a Luz de Cristo, que nos eleva para Deus e nos faz reconhecer os outros como irmãos. É conhecida a estória do sábio que pergunta aos seus discípulos qual o momento exato em que a noite dá lugar ao dia. Respostas: quando conseguimos ver o chão que pisamos, quando distinguimos as pessoas das árvores, quando surge o primeiro raio de sol no horizonte! Passa a ser dia, conclui o sábio, no momento em que olhamos para os outros e os reconhecemos como irmãos.

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2 – Jesus encontrou um cego de nascença. Neste encontro a proximidade de Jesus e a distância dos seus discípulos. Se ele está cego, alguma coisa fez de errado. Ou ele ou os pais. Infelizmente, ainda na atualidade, o obscurantismo da fé é gigante, manifestando falsa resignação: foi Deus que quis, paciência! Como se Deus quisesse o nosso mal, como se um Pai tivesse gosto em ver os filhos a sofrer.

Jesus não se interroga nem explica esta fragilidade, simplesmente intervém para curar, para salvar, para sanar todo o mal. «É preciso trabalhar, enquanto é dia, nas obras d’Aquele que Me enviou. Vai chegar a noite, em que ninguém pode trabalhar. Enquanto Eu estou no mundo, sou a luz do mundo».

Para os judeus, e para muitos de nós, a cegueira é sinal de maldição de Deus. Este homem é desprezado e excluído . Não bastava a falta de vista quanto mais a exclusão social e religiosa. Jesus inclui-o. Não de forma mágica, mas com o poder de Deus e a unção da terra e da vida (terra e saliva), e com a água que lava e purifica.

 

3 – Diante do assombro, o medo ou a conversão, a maledicência ou o silêncio, a indiferença ou o testemunho, a negação e o cinismo ou a abertura ao mistério. Mais cego é aquele que não quer ver.

O cego de nascença foi curado. Os vizinhos e os que o tinham visto a mendigar interrogam-se e interrogam-no, incrédulos, atónitos.

Entram em cena os fariseus e o preconceito. Por todas as formas tentam desacreditar o milagre, mas como são muitas as pessoas que conheciam o cego de nascença e testemunham a cura, arranjam outra desculpa para não aceitarem Jesus. Afinal, Ele curou o cego, mas em dia de sábado! O mal passa a ser o dia da cura. Não querem ver e portanto arranjam desculpas como aqueles que não vão à Missa e justificam-se dizendo que os que lá vão são piores!

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4 – A cura é um primeiro passo, a conversão vem a seguir é mais demorada, leva uma vida inteira. Na maioria das vezes Jesus exige a fé (prévia) para intervir curando. No relato desta cura não se faz qualquer referência à fé deste homem. Deus toma a iniciativa e a Sua misericórdia ultrapassa a nossa vontade. Cabe-nos acolher ou recusar a Sua bondade e Suas maravilhas.

Tendo conhecimento do que os fariseus e doutores da Lei fizeram a este homem, Jesus veio ao seu encontro e, então sim, desafia-o à fé: «Tu acreditas no Filho do homem?». A fé é muito mais que um conjunto de ideias, ainda que credíveis, a fé é um encontro. Deus vem ao nosso encontro e em Jesus Cristo encontra-nos no nosso peregrinar, no nosso caminho. A fé decide-se diante Jesus: «Eu vim a este mundo para exercer um juízo: os que não veem ficarão a ver; os que veem ficarão cegos».


Textos para a Eucaristia (A): 1 Sam 16, 1b. 6-7. 10-13a; Sl 22 (23); Ef 5, 8-14; Jo 9, 1-41.

 

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24
Mar 17
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GEORGES BERNANOS (2016). Diário de um pároco de aldeia. Prior Velho: Paulinas Editora. 264 páginas.

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O título já deixa antever um conjunto de vivências num lugar em que as pessoas se conhecem, em que as novidades, os boatos, as insinuações se espalham rapidamente, onde a privacidade é muito relativa. O padre, numa pequena aldeia, rústica, vai escrevendo um diário com as suas impressões, encontros, dificuldades, tornando visível a intriga e o mau-estar entre o pároco, vindo de uma família simples, o senhor conde, benemérito da paróquia e que tem outros familiares mais bem colocados, com outros contacto, como um tio padre.

Padre jovem, por um lado, e acabado de chegar, as dificuldades cedo se fazem notar. No catecismo ou na celebração da Eucaristia, por vezes com poucas pessoas, outras vezes desinteressadas. Os jovens, em fase adolescente, provocam-no e gozam com ele. As condições sócio-económicas são mínimas. Alimenta-se mal. Por vezes a refeição é vinho aquecido com pão. Pouco mais. As dívidas são do conhecimento da povoação. Os sacerdotes amigos tentam alertá-lo, chamá-lo à razão. De algum modo, até pode ter razão e iniciativa, mas o melhor é não levantar ondas nem enfrentar os poderes instituídos.

O conde, a esposa e a filha são o rosto mais visível da oposição ao padre. Os pecados que escondem, e talvez para os esconder, voltam-se contra o padre. Ora o convidam ora o alertam para não se meter em determinados assuntos, que não lhe dizem respeito.

Querendo ser fiel ao ministério sacerdotal não deixa de ouvir, de exortar, de intervir. A saúde é que não ajuda. E os comentários sobre a sua conduta também não. É considerado um bêbado, ainda que não se considere tal. A fraqueza, a batina gasta, uma cor de meter dó, amarelo, sumido, faz pena vê-lo assim e assim se vê, ainda que a bebida (vinho aquecido com pão) seja o único que o seu frágil estômago vai aguentando. Adia a ida ao médico. Quando vai ao médico, a revelação de cancro deixa-o de rastos. Não há muito a fazer.

Mas não é a doença terminal que mais o afeta, mas o silêncio de Deus. Há muito que vive com dificuldades em falar com Deus, em rezar, em se colocar confiante nas mãos de Deus. Os que se aproximam dele, desabafam, falam e voltam a falar e, no entanto, há um silêncio e um vazio que o preenchem. Faz com que os outros se abram, mas fecha-se, discreto, como que desejando apagar-se. Até a morte quer que seja silenciosa. "A minha morte está ali. É uma morte igual a qualquer outra, e eu entrarei nela com os sentimentos de um homem muito comum, muito vulgar. É mesmo mais que certo que não saberei morrer melhor do que soube governar a minha pessoa. Vou ser na morte tão desastrado, tão acanhado como na vida... Meu Deus dou-te tudo, de boa vontade. Simplesmente, não sei dar, dou como quem deixa que lhe tirem as coisas. O melhor que tenho a fazer é estar sossegado. Pois se eu não sei dar, Tu, Tu sabes tirar... E no entanto teria gostado de ser, pelo menos uma vez, uma só vez, liberal para contigo... O heroísmo à minha medida está em não ter heroísmo, visto que me faltam as forças, agora o que eu queria é que a minha morte fosse pequena, o mais pequena possível, que se não distinguisse dos outros acontecimentos da minha vida. No fim de conta é a minha natural inépcia..."

 

Para leituras próximas outras sugestões:

Obviamente que são livros muito diferentes, Tomáš Halík e Timothy Radcliffe ajduam-nos a refletir em Deus e na Sua presença amoroso na nossa vida, também nos momentos difíceis e até obscuros, apontando para um Deus que em Jesus Cristo Se revela dócil, compreensivo, próximo, exigente.

Cormac McCarthy mostra que a fé pode ser ténue, mas a força do amor é inabalável, até ao fim. Shusaku Endo, no seu romance com fundo histórico e que deu origem ao filme com o mesmo nome, questiona até que ponto a fé é sustentável nas adversidades e nas monstruosidades. Todos os títulos nos falam da busca de Deus, do questionamento de Deus, da fé e do amor, da vida e da generosidade, da noite e da dúvida e da treva, mas com aquela réstia de esperança que tudo possa ser diferente.

 

Não deixe de ler o seguinte o comentário ao livro:

Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura.


18
Mar 17
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1 – «Dá-Me de beber». Junto ao poço de Sicar, Jesus encontra uma Mulher, samaritana. Judeus e samaritanos não se davam. Jesus não deixa que a nacionalidade seja um impedimento para lhe pedir água, ainda que ela se admire por tal atrevimento. Jesus prossegue: «Se conhecesses o dom de Deus e quem é Aquele que te diz: ‘Dá-Me de beber’, tu é que Lhe pedirias e Ele te daria água viva».

Mas como é possível tirar água de um poço fundo sem um balde? Dá que pensar! Será que está bom da cabeça? Será Ele maior que Jacob? Porém, Jesus não despega e reafirma o DOM: «Todo aquele que bebe desta água voltará a ter sede. Mas aquele que beber da água que Eu lhe der nunca mais terá sede: a água que Eu lhe der tornar-se-á nele uma nascente que jorra para a vida eterna».

Como um de nós, a Samaritana entrevê uma oportunidade: «Senhor, dá-me dessa água, para que eu não sinta mais sede e não tenha de vir aqui buscá-la». A Samaritana está fixa numa necessidade básica, urgente e fundamental, mas biológica. Jesus deu um passo em frente, está a falar de sentido e de uma saciedade que nos humaniza, nos apazigua e, simultaneamente, nos compromete com os outros. A água recebida, como todo o dom, é água partilhável. Assim a vida. Recebeste de graça, dai de graça!

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2 – O diálogo continua e apercebemo-nos que Jesus entra na nossa vida sem invadir a nossa liberdade. Propõe-nos um caminho de felicidade, vida abundante, abertura aos outros, compromisso e "obediência" (= escuta) a Deus, por forma a garantir que os outros são DOM e não são dispensáveis.

A Samaritana é uma mulher insaciável. Que fazer quando estamos insatisfeitos com a nossa vida? Enfartamo-nos ou vamos às compras. Preenchemos tempo e alguns vazios que nos esgotam. Esta mulher não está bem com a vida que leva. Nada a satisfaz. A sua sede fá-la perder-se com as pessoas.

Jesus não assume uma atitude invasiva. Não há n'Ele palavras recriminatórias, tão-somente uma constatação que resulta da escuta, da atenção, do Seu cuidado para com esta mulher. Jesus não lhe pergunta pelos pecados, pergunta-lhe pela vida e pelo sentido da vida. Para Jesus, o caminho da felicidade passa pela adoração, em espírito e verdade, a adoração de Deus que é Pai. Não há fronteiras, há opções. Não há privilegiados, há pessoas que abrem o seu coração a Deus!

 

3 – O verdadeiro encontro com Jesus realiza a conversão, a mudança de vida. A mulher sai transformada da presença de Jesus. Disponível para dar testemunho. Com efeito, parte e vai à cidade anunciar o Messias: «Ele disse-me tudo o que eu fiz». A conversão faz-se a partir do anúncio e do testemunho recebido, mas só se torna decisivo no encontro com Jesus. Muitos vierem ao Seu encontro, com sede própria e pediram-Lhe que ficasse algum tempo. Jesus fica com eles durante dois dias. No final o testemunho deste encontro transformador: «Já não é por causa das tuas palavras que acreditamos. Nós próprios ouvimos e sabemos que Ele é realmente o Salvador do mundo».

E nós? Que transformações se operam na nossa vida no encontro com Jesus? Há diferenças na minha, na tua, na nossa vida por sermos cristãos? Experimentamos a alegria de pertencermos a Cristo? Anunciamos Jesus aos outros ou guardamos a fé só para nós?

Quem se aproxima de Jesus é iluminado pelo Seu olhar, pelo Seu amor. E quando alguém se aproxima de nós, pressente a presença de Deus, a Sua luz e o Seu amor? Ou somos velas já sem chama?


Textos para a Eucaristia (A): Ex 17, 3-7; Sl 94 (95); Rom 5, 1-2. 5-8; Jo 4, 5-42.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

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07
Mar 17
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JOSÉ DE CARVALHO (2017). Nossa Senhora de Fátima e o poder da Oração. No centenário das Aparições (1917-2017). Lisboa: Paulus Editora. 180 páginas.

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Durante as celebrações do Centenário das Aparições, contando com o antes e com o depois, muitos textos serão escritos, muitas orações elaboradas e rezadas, muitos livros publicados, muitas perguntas, muitas conversões por certo, por intercessão da Bem Aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe, Rainha e Padroeira de Portugal, Senhora da Azinheira, Virgem de Fátima.

Este é um dos livros que poderá ser sugerido como leitura. O autor situa as aparições de Fátima, no contexto português e no mundo, a proximidade das Guerras Mundiais, os erros espalhados pela Rússia comunista. Descreve-nos brevemente o perfil dos Pastorinhos e das suas famílias, o ambiente cristão do povo português, o processo à volta das aparições, com a resistência das famílias, sobretudo a de Lúcia, das autoridades civis e o cuidado da autoridade eclesial. As aparições "particulares" a Jacinta e, posteriormente, a Lúcia. Jacinta e Francisco morreram com a pneumónica, doença que ceifou a vida a muitos portugueses. Lúcia ficou para contar a história, como sói dizer-se.

A consagração do mundo inteiro ao Imaculado Coração de Maria, a devoção dos primeiros 5 sábados, a devoção do Rosário e do Imaculado Coração, são algumas das tarefas que Lúcia têm que levar por diante. Outras serão a construção da Capelinha das Aparições e a difusão da Mensagem da Senhora de Fátima.

A história de Fátima assenta nas Aparições, mas também no Milagre do Sol, mas também no número crescente de pessoas que se deslocam a Fátima e se convertem de coração a Cristo, passando a levar uma vida mais evangélica. A devoção a Nossa Senhora atravessa gerações, estratos sociais, desde Papa, Bispos, Médicos, pessoas do campo e da cidade. Além das curas físicas, muitos milagres de conversão, de mudança de vida, de arrependimento.

O autor reserva muitas páginas a falar da força da oração e como o pedido de Nossa Senhora: rezai o terço todos os dias, pela conversão dos pecadores, se reitera em todas as aparições de Nossa Senhora, como manancial de graças e de salvação. Ela deu-nos Jesus, o Filho de Deus, e depois deu-nos o Rosário. Rosário vem de rosas. Por cada avé-maria uma rosa, um terço é uma coroa de rosas a Nossa Senhora. Para desagravar os Sagrados Corações de Jesus e de Maria. E sobretudo para obter a salvação para a humanidade inteira.

São publicadas as orações específicas de Fátima, ensinadas pelo Anjo e por Nossa Senhora e outras orações que acompanham a oração do Rosário e propostas pequenas reflexões para cada um dos mistérios, para ajudar a meditar a vida de Jesus e de Nossa Senhora. São também apresentadas graças pedidas e agradecidas.

É um livro que se lê com agrado e permite ter uma visão fidedigna sobre a devoção a Virgem Rainha, Senhora de Fátima, e perceber também a importância de rezar o rosário individualmente, em família e nas comunidades.

Recorda-se também no texto, a Coroa, que é colocada na Imagem de Nossa Senhora nas ocasiões mais solenes, e que tem incrustada a bala que atingiu e quase matou o Papa João Paulo II, e que foi oferecida pelas mulheres portugueses, por Nossa Senhora nos ter livrado da Guerra, em 13 de outubro de 1942. A construção do monumento ao Cristo Rei, pelo mesmo motivo: os Bispos Portugueses, reunidos em Fátima, em 20 de abril de 1940, no final do retiro anual, se Portugal fosse poupado à Guerra ergue-se-ia, em Lisboa, um monumento em honra do Sagrado Coração de Jesus, "sinal visível de como Deus, através do Amor, deseja conquistar para Si toda a humanidade".

Refira-se ainda que o livro, além do texto, contém variadíssimas fotos, que ilustram o que se afirmam e nos presenteiam plasticamente com a devoção a Nossa Senhora do Rosário de Fátima.


06
Mar 17
publicado por mpgpadre, às 11:00link do post | comentar |  O que é?

JOSÉ ANTONIO PAGOLA (2015). Ide e Curai. Evangelizar o mundo da saúde e da doença. Lisboa: Paulus Editora. 312 páginas.

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A doença e o sofrimento que acarreta nos próprios e na família e nos amigos é um tema de sempre. Poder-se-á dizer que é no sofrimento que se conhece o ser humano na sua profundidade. Os amigos e a resiliência da família e dos amigos testa-se no sofrimento, na doença crónica, nas doenças oncológicas, na SIDA, na toxicodependência, no alcoolismo, nas depressões profundas. Por vezes a persistência e a duração da doença são um autêntico desafio à coragem, à compaixão e ao amor. Mas não é fácil explicar, muito menos passar por algumas das situações dolorosas, para os próprios e para aqueles e aquelas que estão à sua volta.

A referência e o fundamento de qualquer compromisso cristão é Jesus Cristo, a força da Sua graça, a Sua postura e docilidade. O ministério de Jesus é um ministério de cura e de evangelização. Ide e evangelizai. Ide e batizai. Ide e curai. Tudo integra a missão de Jesus Cristo. Anuncia o Evangelho, a Boa Nova aos pobres, cura os doentes e todas as enfermidades, liberta os que são oprimidos pelos espíritos impuros. O desafio é igual para os seus discípulos e para a Igreja: Ide e anunciai o Evangelho, curai os enfermos, expulsai os demónios. Recebeste de graça, dai de graça.

A dimensão curativa foi sendo esquecida. A missão de Jesus inclui sempre a dimensão sanadora, curando e restaurando a dignidade dos esquecidos da sociedade e da própria religião. Neste livro, que agrega textos do autor escrito ao longo dos anos, indicações, sugestões, fundamentação bíblico-teológico. A caridade, nomeadamente na Cáritas, tem-se desenvolvido, mas muitas vezes falta maior organização, incluindo a pessoa como um todo, e não apenas a assistência às necessidades pontuais. A visita aos doentes e os visitadores é um dos aspetos que o autor sublinha, como início, mas não esquecendo que a pastoral da saúde e da doença deve incluir e comprometer toda a comunidade, interagindo com outras instituições, com Hospitais e Lares, dialogando com médicos e enfermeiros e outros agentes hospitalares, empenhando-se sobretudo em ir ao encontro dos doentes mais frágeis, excluídos, esquecidos, os que sugerem maior afastamento, com determinadas doenças, como, por exemplo, os doentes mentais. A preocupação com os doentes há estender-se também às famílias.

O autor propõe o conhecimento da realidade e dos doentes que existem no espaço territorial da paróquia, atendendo a todos, sabendo em que condições se encontram, se é ou não necessário pôr-se em contacto com a Cáritas, vendo quais as necessidades, mas também a atenção e o cuidado à família. A visita aos doentes deve resultar do compromisso de toda a comunidade e quem está comprometido com a pastoral da saúde deve estar envolvido na comunidade.

Tão importante como visitar um doente, é telefonar-lhe, escrever-lhe, fazer com que vizinhos e familiares se aproximem. A celebração dos sacramentos, da Unção dos Enfermos e do Viático, deve acontecer naturalmente, para quem tem fé, para quem não tem pode ajudá-la a rezar, franquear-lhe a possibilidade mas não forçar. A presença, a escuta, a atenção é mais importante.

Por um lado, deve promover-se a celebração comunitária a Unção dos Enfermos. Por outro, os doentes também devem participar, quanto possível, na vida da comunidade. Por conseguinte, além de celebrações específicas, como Unção dos Doentes, o Dia Mundial do Doente, preparadas também com os doentes, eliminar, por exemplo, as barreiras arquitetónicas...


03
Mar 17
publicado por mpgpadre, às 11:00link do post | comentar |  O que é?

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A lei do amor não torna mais fácil a nossa vida. Jesus não revoga os preceitos da Lei de Moisés. Não tem o propósito de alijar, iludir, facilitar, mas de elevar, aperfeiçoar, plenizar. Jesus é a Carne viva da Lei, o Corpo e a Vida. Mas a carne, o corpo e a vida são delicados e temos que os tratar como tal, com delicadeza e cuidado, prestando a máxima atenção para não ferir, não magoar, para não danificar. Quando cuidamos da carne do outro, do seu corpo e da sua vida, estamos a entrar no seu mundo, estamos a reconhecê-lo como parte essencial do nosso mundo. Quando tocamos as feridas e as chagas do outro, como nos lembra a Santa Teresa de Calcutá, tocamos os ferimentos de Jesus.

Não precisamos de leis nem de regras, desde que amemos de todo o coração! Por certo! Como diria Santo Agostinho, ama e faz o que quiseres! Só que quem ama cuida, sofre, ampara, acolhe, serve, acarinha, gasta-se, respeita, dá-se, entrega-se. A não ser que amar seja apenas uma palavra dita da boca para fora e gasta pelo muito e/ou mau uso da mesma. A não ser que amar seja apenas gozar, sentir prazer, tirar proveito do outro, servir-se do outro enquanto é útil e satisfazer os próprios interesses e caprichos. Amar exige muito de mim. Exige tudo. Não se ama a meio termo, a meio gás, com condições ou reservas. A vida não é branco e preto, também é cinzenta e vermelha, castanha e amarela. No entanto, ou se ama ou não se ama. “Amar muito” não acrescenta, já está dentro do amar. Amar exige tudo de mim e de ti. Exige que gastemos as forças, o corpo e o espírito a favor do outro, de quem, pelo amor, me faço próximo, me faço irmão. Amar é dar a vida. É gastar a vida. É confiar ao outro a própria vida. Foi isso que Jesus fez connosco, comigo e contigo, com a humanidade inteira. Por amor, gastou-Se até à última gota de sangue.

É o amor e o serviço que nos salvam, permitindo-nos sair potenciar o melhor de nós, como filhos bem-amados de Deus e acolher tudo o bem que vem de Deus através dos outros.

As palavras de Jesus entram-nos pelos ouvidos dentro até chegarem ao coração. Outrora poderíamos ainda ter desculpas, não saber, estarmos a caminhar e a amadurecer. Mas agora é tempo de viver, de amar e servir.

 

Publicado na Voz de Lamego, n.º 4400, de 21 de fevereiro de 2017


25
Fev 17
publicado por mpgpadre, às 19:08link do post | comentar |  O que é?

1 – Atravessamos ainda uma crise económico-financeira, sem fim à vista, pressupondo uma outra crise, de valores e de opções pela vida, pelas pessoas, pela dignidade humana.

Como tem alertado o Papa Francisco, as pessoas, na sua fragilidade, tornam-se descartáveis a partir do momento em que nos colocam dificuldades, nos incomodam e "atrasam" a nossa vida, desde as crianças não nascidas até aos idosos esquecidos como capotes nos bengaleiros durante a primavera e verão; doentes e pessoas com deficiência passíveis de serem enquadrados em leis que "resolvam" o seu sofrimento; os refugiados e os medos ancestrais que tornem mais difícil a nossa vida e mais débil a nossa segurança, no meio do poderio económico e financeiro que estrangula pessoas, famílias e pequenas e médias empresas. Percentagens, lucros, precariedade no emprego e no trabalho, mão-de-obra barata ou escravizável, maior produtividade, olhando para números e abdicando das pessoas.

O Bispo de Fátima, em reunião com os hoteleiros, na proximidade da Visita Apostólica do Papa Francisco a Fátima, pediu-lhes que fizessem de Fátima uma "casa de acolhimento, de ternura e de festa" e praticassem preços honestos, evitando inflações exageradas.

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2 – Contextualizamos o Evangelho com estas duas situações: a crise económico-financeira e a elevada inflação do comércio, da restauração e da hotelaria, em Fátima e nos arredores, por ocasião da Visita do Papa Francisco.

Na Montanha soam claras a palavras de Jesus: «Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro». Claro como a água. E continua Jesus: «Não vos preocupeis, quanto à vossa vida, com o que haveis de comer, nem, quanto ao vosso corpo, com o que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento e o corpo mais do que o vestuário? Olhai para as aves do céu: não semeiam nem ceifam nem recolhem em celeiros; o vosso Pai celeste as sustenta. Não valeis vós muito mais do que elas?»

Por momentos ficamos estupefactos! Como? Optamos pela ociosidade à espera que outros trabalhem para nós, à espera que a comida e o mais caiam do Céu? Deus vestir-nos-á? Alimentar-nos-á? Ou vamos andar todos nus como os homens das cavernas?

Em nenhuma parte do Evangelho ouvimos Jesus a apelar à irresponsabilidade, à demissão, à ociosidade e à preguiça! Nem pouco mais ou menos. Entre outras expressões podemos ouvi-lo: dai-lhes vós de comer! Aquando das tentações, Jesus recusa-Se a transformar as pedras em pão, deixando claro que o pão é fruto do trabalho honesto e esforçado. Em todo o caso, o pão não é um fim em si mesmo! O dinheiro não é um fim em si mesmo! Os bens materiais não são um bem em si mesmo! O bem é a pessoa e todas as pessoas. O dinheiro, o trabalho, a riqueza, os bens materiais são um meio para que as pessoas vivam melhor, mais harmoniosamente, devem ser meios para aproximar, não para dividir. O que divide é diabólico. Muitas vezes o dinheiro, a riqueza, os bens materiais, as heranças, dividem, diabolizam as pessoas e as famílias, geram guerras e disputas, conflitos e retiram a saúde e o discernimento.

No mundo em que vivemos e da forma como a sociedade está organizada precisamos de dinheiro, de bens materiais para vivermos com dignidade. O acesso à cultura e à educação, aos bens de consumo e à saúde, só são possíveis com dinheiro. É possível que algumas amizades também sejam influenciadas pelo estatuto socioeconómico. Mas o decisivo são as amizades puras, a saúde ou os cuidados e a atenção na doença, a família, a paz. O que nos torna humanos são os afetos, a ligação aos outros. O mais importante para Deus são as pessoas.

E assim deve ser também para nós...


Textos para a Eucaristia (A): Sir 15, 16-21 (15-20); Sl 118 (119); 1 Cor 2, 6-10; Mt 5, 17-37.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE


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