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Out 13
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – Só a humildade nos alcança a misericórdia e a verdadeira sabedoria, que nos é dada em Jesus Cristo, a Sabedoria por excelência. A soberba e a prepotência encerram-nos em nós. Se nos consideramos como referência, ficaremos para sempre na ignorância que gera arrogância. Os outros serão um inferno (Sartre). Ratzinger (Bento XVI), na sua Introdução ao Cristianismo (1968), contrapõe: “o inferno é a solidão experimentada por aquele que não quer aceitar nada, que se recusa a ser mendigo, para se enclausurar em si mesmo”.

       A palavra de Deus aguça o nosso espírito, desperta a nossa mente e o nosso coração. Jesus é Palavra que Se faz carne, Corpo, Pessoa, entre nós, um de nós, Deus connosco. É AMOR que nos guia para o Pai, assumindo-nos como irmãos, entregando-nos a Sua vida, dando-nos a Vida eterna.

       Sendo de condição divina, não Se arroga esse direito, identifica-Se connosco. Abaixa-Se para nos elevar. Faz-Se pobreza, profundamente humano, para nos engrandecer com a Sua riqueza.

       Como discípulos, não se espera outra opção que não seja o caminho de abertura e conversão.

       2 – Diante do Senhor não nos adianta ser o que não somos. Ele conhece-nos intimamente. Não precisamos de justificações, pois só a Sua misericórdia justifica a nossa vida.

       Ao templo, acorrem dois homens. Um fariseu, um homem de bem, considerado social e politicamente. Já se sente justificado. “Eu sou bom, Senhor, sou melhor que todos os outros. Os outros são maus, bêbados, prevaricadores. Ainda bem que não sou um deles”.

       O outro, um cobrador de impostos, publicano, inimigo da gente boa, excluído do jet-set social, religioso, político. Abre o seu coração para Deus. Não precisa de fingir. Mantém-se em atitude suplicante, à distância, sabendo da sua pequenez e do seu pecado, mas aberto à confiança num Deus compassivo e bom: «Ó Deus, tem piedade de mim, que sou pecador». O reconhecimento do nosso pecado coloca-nos na esteira da conversão.

       Jesus apresenta este último como o modelo do discípulo. Aqueles que se exaltam serão humilhados. Aqueles que se humilham serão exaltados. O fariseu não se quer misturar. Está muito à frente. Curiosamente, Jesus vem misturar-se com os pecadores, vem para ser um de nós, não à distância do Céu, mas a partir da terra dos homens, deste chão que nos irmana.

Olhemos para Maria, a cheia de graça. Não é Ela que assim se  apresenta. É Deus que A reconhece. A sua postura é a da pobreza: «O Senhor… pôs os olhos na humildade da sua serva». «Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra» (Lc 1, 38.48).

 

       3 – Nos regimes comunistas, com a luta de classes, procurava-se substituir os patrões, colocando no seu lugar os trabalhadores. Para elevar uns, destronavam-se os outros. Teoricamente a luta de classes visava a eliminação das mesmas. Na prática foi um desastre completo. Faltava-lhe a CARNE, o Amor, Alguém que superasse todo o egoísmo humano.

       Para os cristãos não é preciso anular uns para promover outros, exige-se, porém, maior responsabilização, maior equidade, e uma repartição mais efetiva de bens materiais e culturais, procurando que todos estejam bem, vivam dignamente, como irmãos, como família.

       Na verdade, “o Senhor é um juiz que não faz aceção de pessoas. Não favorece ninguém em prejuízo do pobre… Atende a prece do oprimido”. Na verdade, “o Senhor está perto dos que têm o coração atribulado… os justos clamaram e o Senhor os ouviu…” Deus a todos atende, mas são os doentes que precisam de médico, não os sãos.

 

       4 – A lógica é a da sempre. Na oração e na vida. Na fé e em tudo o que nos liga aos outros, diante de Deus. Humildade. Abertura. Serviço. Amor. Partilha de bens e de dons. Comunhão de irmãos em Cristo. Ele estará connosco. Sempre que estivermos ao serviço dos irmãos, sempre que em Seu nome nos reunirmos e fizermos o bem.

       Também a oração de Paulo é confiante. Consciência tranquila. Reconhece-se uma referência, mas como expressão da misericórdia de Deus, que o favoreceu, chamando-o e enviando-o.


Textos para a Eucaristia: Sir 35, 15b-17.20-22a; Sl 33 (34); 2 Tim 4, 6-8.16-18; Lc 18, 9-14

 

 

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