...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...
15
Set 13
publicado por mpgpadre, às 09:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – «Ainda ele estava longe, quando o pai o viu: Enchendo-se de compaixão, correu a lançar-se-lhe ao pescoço, cobrindo-o de beijos. O pai disse aos servos: ‘Trazei depressa a melhor túnica e vesti-lha. Ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés. Trazei o vitelo gordo e matai-o. Comamos e festejemos, porque este meu filho estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado’».

       São Lucas presenteia-nos com uma parábola de Jesus que é uma pérola, na qual nos revela um que Deus Se faz próximo, tão próximo que reduz a Omnipotência para caber dentro da humanidade. Deus é Aquele que parte a cara, perde a vergonha, humilhando-Se diante dos filhos. Espera, respeita, acredita, liberta. Dá a vida e a herança. Não fica com nada e no entanto nada Lhe falta, nada Lhe faz falta. Só a distância e/ou a morte dos filhos O deixa de rastos.

       2 – Este Pai faz tudo ao contrário do que é expectável. O filho mais novo deseja-lhe a morte e nem assim deixa de o respeitar como filho. A herança é por morte. Pedir a herança aos pais  é desejar que nos deixem o que é seu, que morram rápido para podermos beneficiar dos seus haveres. O Pai faz a vontade ao filho, quando se espera que sejam os filhos a obedecer aos pais. Dá-lhe parte da herança. Dá-lhe do que é seu. Sem calculismos. A tristeza não vem do ficar sem os bens, vem da desfeita do filho, do querer sair de casa, abandonando a casa paterna, em troca de uma vida desconhecida, de uma casa alheia. O filho pode perder-se para sempre. Pode não saber o caminho de regresso e morrer antes de voltar.

       O Pai confia. Dá-lhe os bens. Deixa-o partir. Fica de coração despedaçado. Morre uma parte importante dentro de si, e que não pode ser substituída. Ama-o totalmente. Um filho não substitui o outro. Os pais sabem isso. Deus é Pai e é Mãe, como referia o papa João Paulo I. Os seus olhos estão pregados no horizonte. Todos os dias. Em todos os momentos. O coração fica bem apertadinho. Em espera constante e confiante. Do horizonte um dia o filho há de voltar. É o coração que lho diz. Amou-o tanto, tanto o ama, que um dia o filho vai lembrar-se desse amor, desse olhar, daquele abraço e terá saudades de casa e sobretudo do amor do Pai/Mãe.

       Quando o filho mais novo regressa, o Pai renasce. Recupera os anos perdidos em aflição. Com o filho nos braços, tudo o mais se torna relativo. O melhor vitelo para a festa. Devolve-lhe a dignidade de filho, colocando-lhe o anel no dedo, e vestindo-o com as roupas de príncipe. Não olha a gastos, porque tudo vale a recuperação do filho.

       3 – É tão grande o amor do Pai, que até custa compreender e aceitar. Não bastava acolhê-lo de volta em casa, e perdoá-lo, e, ainda por cima, uma festa grandiosa para o filho regressado?! Não pode ser! Nós a trabalhar, a poupar, a tentar amealhar mais algumas poupanças, e vem este teu filho e gastas uma fortuna com uma festa? Como é possível! E se um dia destes ele voltar a sair de casa?

       Seja, mas ele é meu filho, como tu és meu filho. Amo cada um com todo o meu coração. O meu amor por vós não se divide. Amo-vos por inteiro. Nenhum de vós substitui o outro. Amo-te do mesmo jeito de sempre, da única forma que sei amar, totalmente. Este teu irmão estava morto e voltou à vida. Estava perdido, e agora está connosco. Vem alegrar-te com o regresso do teu irmão. Partilha da minha alegria. A minha alegria também é tua. Tudo o que é meu é teu.

       O contexto desta e das parábolas anteriores é a resposta à crítica, mais ou menos clara, feita a Jesus por Ele comer com publicanos e pecadores, não fazendo distinção de pessoas. Vem sobretudo para os que precisam de cura e salvação.

       O reino de Deus está de portas abertas. As portas por onde sair, estão sempre abertas para regressar. Há que ir ao encontro da ovelha perdida. Como tem vindo a acentuar o papa Francisco, a Igreja, voltada para si mesma, corre o sério risco de se tranquilizar com a ovelha que está dentro, quando no exterior já estão as 99 ovelhas. Outra parábola, outra pérola. Dona de casa que perde uma das 10 dracmas. Procura-a. Encontra-a. Faz uma festa com amigas. Gasta mais do que o que recuperou. Assim é Deus, gasta tudo para nos encontrar. Envia o Seu próprio Filho. Sempre que alguém se converte, Deus faz uma festa enorme, coloca todos os anjos e santos a cantar e a dançar.


Textos para a Eucaristia (ano C): Ex 32,7-11.13-14; 1 Tim 1,12-17; Lc 15,1-32.


mais sobre mim
Relógio
Setembro 2013
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
11
12
13

16
17
18
20
21

24
25
28



Visitantes
comentários recentes
O mundo atual precisa do testemunho cristão. Livro...
Saudações fraternas. Claro que sim. Ao longo da Su...
Caríssimo, no texto que comento, anuncia a experiê...
Sofres do síndrome de última bolacha do pacote
Quero agradecer por essa linda história e texto po...
Gostei da trilogia.http://numadeletra.com/1q84-liv...
Olá!Caí neste comentário acerca deste último livro...
http://numadeletra.com/41791.html
também gostaria de o conhecer pessoalmente acho in...
Bom dia. Alguns elementos para o ofertório estão v...
Bom dia. Sou catequista na minha paróquia e estamo...
Mais uma vez, muitos parabéns por nos dar este bel...
Eu já sabia que não devemos menosprezar nunca o po...
Bom dia. Eu é que agradeço, pela presença, pelo in...
Bom dia Padre Manuel! É sempre com muito agrado qu...
arquivos
Pinheiros - Semana Santa
- 29 março / 1 de abril de 2013 -
Tabuaço - Semana Santa
- 24 a 31 de abril de 2013 -
Estrada de Jericó
pesquisar neste blog
 
Velho - Mafalda Veiga
Festa de Santa Eufémia
Pinheiros, 16/17 de setembro de 2012
Primeira Comunhão 2013
Tabuaço, 2 de junho
Papa Bento XVI
Profissão de Fé 2013
Tabuaço, 19 de maio
blogs SAPO