...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...
25
Ago 13
publicado por mpgpadre, às 09:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – Há últimos que serão dos primeiros e primeiros que serão dos últimos.

       Em Jesus, todos somos filhos de Deus e como irmãos devemos cuidar uns dos outros e sobretudo dos mais frágeis. Esta é uma forma privilegiada de encontrar Deus. Além disso, as sociedades tendem a gerar ódios e violências quando há uns que têm tudo e outros que não têm nada. Quem nada tem, nada tem a perder no meio do caos que se possa instalar.

       Os “privilegiados” pelo trabalho, pela herança patrimonial e/ou pela sorte devem sentir-se corresponsáveis, sabendo que há mais alegria em dar do que em receber. E “um obrigado” muitas vezes vale mais do que alguns milhares de euros. Na lógica do evangelho e da vida, o dom só tem sentido se partilhado. O pecado das origens tem muito a ver com isto, como recordava D. António Couto, aos jovens Crismandos, o pecado não está no colher o fruto da árvore, mas no arrebanhar esse fruto sem o partilhar, fechando as mãos. Só eu poderei colher os frutos daquela árvore. Eu. Eva e Adão. Mais ninguém. A árvore é para todos, também para os filhos e para as gerações futuras, e para outros casais. O que recebi não tenho o direito de reter…

       Curiosa aquela passagem da Sagrada Escritura a que se juntam as palavras de Caim: serei guarda do meu irmão? Egoísmo. Se alguém me faz frente ou sombra, excluo ou mato?! A palavra de Deus é clara: sou guarda do meu irmão, sou responsável por ele. Não matarás. Amarás o próximo como a ti mesmo.

       A este propósito, o povo Eleito tinha uma lei que repunha mais igualdade e justiça. A cada 7 anos, a terra, a vinha e olival descansavam e os pobres podiam alimentar-se (Ex 23, 10-11), e os escravos ser libertos (Ex 21, 1-11). Por outro lado, a contagem 7 X 7 anos, 49 anos, findos os quais se realizava o Jubileu, dia do grande Perdão: “Cada um de vós voltará à sua propriedade, e à sua família... Se o teu irmão cair na pobreza e vender uma parte da sua propriedade, a que tem direito de resgate, o seu parente mais próximo deve ir resgatar o que o seu irmão vendeu” (Lv 25, 8-34).

       2 – Há últimos que serão dos primeiros e primeiros que serão dos últimos.

       Reconhecemos os últimos do nosso tempo com demasiada facilidade: pobres, desempregados, deficientes, maltrapilhos, cada vez mais, os sem-abrigo, mulheres maltratadas, crianças sem família, pedintes, famintos, famílias endividadas (algumas por culpa própria, muitas pelo sistema económico-financeiro colapsado), devido a expectativas exacerbadas, ou consequência de falências danosas que geraram milhares de novos desempregados, os emigrantes (uns poucos por vontade própria, muitos porque não terem outro remédio), à procura de novas pátrias, muitos morrendo na travessia, como sublinhou a visita do Papa Francisco a Lampedusa, os idosos, uma franja significativa da sociedade que por vezes é esquecida como o casaco de inverno no bengaleiro durante a maior parte do ano…

       Se a bolsa de valores tiver uma ligeira queda, alerta o Papa, logo se gera um drama. Morrem milhares de pessoas por dia à fome, vítimas de violência doméstica, da droga, de guerras, de milícias populares, de rixas entre bandos… Paciência, é a vida!!!

 

       3 – Há últimos que serão dos primeiros e primeiros que serão dos últimos.

       Alguém se acerca de Jesus e pergunta: «Senhor, são poucos os que se salvam?». Resposta pronta de Jesus «Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, porque Eu vos digo que muitos tentarão entrar sem o conseguir». Não vos preocupeis com a quantidade dos que se salvam. É dom de Deus. Preocupais-vos em entrar pela porta estreita.

       Somos responsáveis pelos outros, mas não podemos obrigar os outros a agir desta ou daquela maneira. “Quem Me fez juiz das vossas partilhas?”

       O cuidado dos mais desfavorecidos não é uma opção do discípulo de Jesus, é uma exigência. A fé provoca as obras, exige compromissos concretos com o bem dos outros. O "salve-se quem puder" para os cristãos terá de ser salvação acolhida, vivida e celebrada em comunidade. Não posso obrigar os outros. Devo obrigar-me a mim, como seguidor de Jesus, esforçando-me por entrar pela porta estreita.

       Amar a Deus implica amar aqueles que Deus ama. Não se pode amar o Pai odiando os filhos. Amamos a Deus cuidando dos irmãos. Ou somos mentirosos. A fé sem obras é perfeitamente dispensável, é como árvore sem frutos, diria Bento XVI. As obras testam, explicitam e tornam a fé significativa e relevante.


Textos para a Eucaristia (ano C): Is 66, 18-21; Heb 12, 5-7.11-13; Lc 13, 22-30.

 


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