...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...
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Ago 13
publicado por mpgpadre, às 09:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – “Onde estiver o vosso tesouro, aí estará o vosso coração”.

       Bem pode ser uma divisa que nos acompanha na reflexão da palavra de Deus e em toda a nossa vida, como cristãos, comprometidos com Deus e com os irmãos.

       Em continuação lógica do domingo precedente, Jesus clarifica a opção dos discípulos:

“Fazei bolsas que não envelheçam, um tesouro inesgotável nos Céus, onde o ladrão não chega nem a traça rói. Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará o vosso coração. Tende os rins cingidos e as lâmpadas acesas. Sede como homens que esperam o seu senhor ao voltar do casamento, para lhe abrirem logo a porta, quando chegar e bater”.

       Podemos ter o mundo inteiro dentro da nossa carteira, mas esta não nos garante a felicidade, não nos permite comprar a paz, a amizade, não nos livra de sofrimento, de angústia, não nos resguarda da escuridão, não nos protege da solidão nem da morte. Obviamente que viver dignamente implica bens materiais, mas sem extremismos. A ganância faz-nos mal, obscurece o essencial. Em função de números, de novo, sacrificamos a dignidade humana ao capital, acumulação desmedida, além das necessidades básicas, centrados na riqueza como um fim em si mesmo e não como meio facilitador.

       Na nossa carteira cabem notas, fotos, documentos e até memória, mas não cabem pessoas, sentimentos, o olhar de um rosto, de uma presença amiga, não cabe o toque, o sorriso, um aperto de mão, a força de um abraço, um beijo, o carinho de um afago, não cabe a gratuidade. Com a carteira recheada, como o filho mais velho da parábola, poderemos até comprar companhia, mas só disfarçará a solidão, sem preencher o coração. Só a gratuidade nos eleva.

 

       2 – “Onde estiver o vosso tesouro, aí estará o vosso coração”.

       Desengane-se, porém, quem interpreta as palavras de Jesus como renúncia aos bens materiais e como defesa da indigência das pessoas. Pelo contrário, o desafio a fazer bolsas que não envelheçam, é forte apelo à partilha solidária, a tratar o próximo com delicadeza, e sobretudo os mais pobres. Aquilo que fizerdes aos meus irmãos mais pequeninos é a Mim que o fazeis. Dai-lhes vós de comer. Como Eu fiz fazei vós também. O primeiro mandamento: amar a Deus. O segundo decorre do primeiro: amar o próximo como a si mesmo.

       Continuemos a escutar as palavras do Senhor: «Felizes esses servos, que o senhor, ao chegar, encontrar vigilantes».

       O administrador vigilante é aquele que não usurpa o lugar do seu senhor e, na sua ausência, cuida da riqueza e da casa. Assim nós também, como administradores a quem Deus confia a Sua casa, deveremos estar vigilantes, procurando que os dons que nos dá sejam valorizados, multiplicados, e não ciosamente guardados para cada um de nós. Quando Ele vier pedir-nos-á contas do nosso serviço, da nossa bondade, e o Seu património, as bolsas que não se rompem, passa pela caridade, pela partilha, pelo cuidado dos mais frágeis.

 

        3 – “Onde estiver o vosso tesouro, aí estará o vosso coração”.

       É preciso que o nosso tesouro seja Deus e que o nosso coração esteja em Deus. Esta é a garantia que a nossa vida não será em vão, que o nosso amor aos outros, no caminho com os outros, não será instrumentalizado. Só um AMOR maior, definitivo, aberto até à eternidade nos garante a salvação para lá do sofrimento e da morte.

 

       4 – “Onde estiver o vosso tesouro, aí estará o vosso coração”.

       Os nossos pais colocaram em Deus a Sua confiança e pela fé souberam caminhar, como povo, em direção à eternidade.

“A noite em que foram mortos os primogénitos do Egipto foi dada previamente a conhecer aos nossos antepassados, para que, sabendo com certeza a que juramentos tinham dado crédito, ficassem cheios de coragem. Ela foi esperada pelo vosso povo, como salvação dos justos e perdição dos ímpios... que os justos seriam solidários nos bens e nos perigos”.

       A fé nas realidades futuras, no futuro de Deus, leva o povo ao compromisso com o presente.

       Enquanto é tempo, trabalhemos pela instauração do Reino de Deus, promovendo os dons que Ele nos dá, na partilha fraterna, na proximidade com os mais frágeis dos frágeis.


Textos para a Eucaristia (ano C): 

Sab 18, 6-9; Sl 32 (33); Hebr 11, 1-2.8-19; Lc 12, 32-48.


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