...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...
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Jul 13
publicado por mpgpadre, às 09:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – “Jesus entrou em certa povoação e uma mulher chamada Marta recebeu-O em sua casa. Ela tinha uma irmã chamada Maria, que, sentada aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra”.

       Primeira lição: o amor tem concretização. Não se vive genericamente. Amamos o mundo inteiro, mas precisamos de nos sentir acarinhados por alguém, um familiar, um amigo, uma pessoa que nos espera... Jesus vive a maior parte da sua vida com os pais. Vem para a humanidade inteira. Porém, nasce em Belém; seus pais são Maria e José; vive em Nazaré, e situa a Sua vida pública na Judeia e na Galileia, com algumas passagens pontuais pela Samaria.

       Segunda lição: Jesus não é o super-homem. Não é uma personagem esquisita, heroica, ao jeito das figuras televisivas ou cinematográficas. É um homem de carne e osso. Tem necessidade de comer, de descansar, de sentir a presença dos amigos.

       2 – «Marta, Marta, andas inquieta e preocupada com muitas coisas, quando uma só é necessária».

       Depois de mais uma jornada, Jesus entra numa povoação e Marta recebe-O em sua casa. Aprendamos com ela a receber Jesus em nossa casa. Mas depois de O acolhermos, é necessário darmos-Lhe atenção. Marta atarefa-se para receber bem. Entretanto vê que a sua irmã está sentada aos pés de Jesus a escutá-l'O. Forma sublime de acolher, com o ouvido, melhor, com o coração!

       «Senhor, não Te importas que minha irmã me deixe sozinha a servir?» Marta aproxima-se de Jesus e dá-lhe uma leve repreensão. Ele tinha obrigação de compreender. Sua irmã está ali “sem fazer nada”, quando poderia estar a ajudá-la.

       Na resposta, Jesus não recrimina Marta pelo carinho e generosidade com que O trata e como cuida da casa. No entanto alerta para algo mais importante. Jesus aponta para a escuta da Palavra, para a prioridade da oração, da contemplação, do estar junto d'Ele.

        3 – «Marta, Marta, andas inquieta e preocupada com muitas coisas».

       Como não revermo-nos neste alerta de Jesus?

       Vivemos numa luta permanente. Não há tempo para nada. Falta tempo para a família, para os pais brincarem com os filhos, para os filhos passarem tardes com os pais e os avós, ou participarem na Eucaristia, numa festa, um almoço ou jantar. Os filhos têm os seus compromissos, os horários dos pais não dão…

       Queremos fazer muitas coisas, estar em todo o lado, e acabamos por não estar em lado nenhum. Corremos, corremos, e parece que não saímos do mesmo lugar? Já alguém se sentiu assim? Com a vida a escapar-se como a areia entre os dedos das mãos?

        4 – «Uma só coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte».

       Justo equilíbrio, sem perder o norte, o ponto de partida, o chão que nos liga, a meta para onde nos dirigimos. Marta e Maria.

       E assim a Igreja! A melhor parte: estar aos pés do Senhor. Escutá-l'O. Primeiro, discípulos, e depois apóstolos. De novo a fé e as obras. Uma coisa leva à outra. Se corremos muito mas sem Deus, sem oração, sem ligação a um sentido maior, corremos o risco de nos perdermos. Por outro lado, fé com carne, com vida, com obras.

       Espaço e tempo para a contemplação, a beleza, o encontro com amigos, com a família, para o descanso, para participar em atividades lúdicas e culturais, para apreciar a natureza, para louvar e agradecer…

 

       5 – «Se agradei aos vossos olhos, não passeis adiante sem parar em casa do vosso servo».

       Na primeira leitura, vemos a delicadeza de Abraão. Pela hora de mais calor, está a descansar. Vê passar três homens e entende este encontro como sinal da presença de Deus, sinal de bênção.

       Abraão faz uma leitura muito rápida. Quem passa pela minha casa, à frente da minha porta, vem da parte de Deus, então é necessário tratá-lo como enviado de Deus.

       Que bela lição esta que Abraão nos dá. É necessário que aqueles que passam por nós deixem um pouco de si e levam um pouco de nós, como evoca Antoine de Saint-Exupéry, no Principezinho. O que fizerdes ao meu irmão, a Mim o fazeis…

 

       6 – “Cristo no meio de vós, esperança da glória. E nós O anunciamos…”

       Deus passa em nossa casa, mas não vai adiante sem antes bater à nossa porta, permitindo-nos a hospitalidade. Podemos abrir-lhe a porta e deixá-l’O entrar, mais e mais na nossa vida. Não podemos dar o que não temos. Damos Aquele que nos habita.


Textos para a Eucaristia (ano C): Gen 18, 1-10a; Col 1, 24-28; Lc 10, 38-42.

 


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