...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...
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Jun 13
publicado por mpgpadre, às 09:00link do post | comentar |  O que é?

       1 – A liturgia da Palavra para hoje traz-nos a boa notícia do PERDÃO que há de levar-nos à conciliação com Deus e com os outros, connosco e com a vida. O perdão é uma atitude cuja iniciativa cabe àquele que perdoa. Não é uma questão de esquecimento, uma vez que a memória fixa de forma privilegiada a ofensa, é uma decisão firme da vontade que procura compreender o outro, aceitar as limitações próprias e alheias.

       2 – O amor e o perdão são duas faces da mesma moeda. A música de fundo é sempre o AMOR que implica a ternura, o perdão, a conciliação e a partilha. Quem ama sujeita-se a padecer. Quem ama compromete-se a lidar com a fragilidade, propõe-se aceitar e a conviver com a alegria e os dias luminosos mas também com a treva, o desamor, o desencontro, o pecado, a rutura.

       Amar e ser amado é muito humano. Errar é humano, mas é sobretudo um défice de amor. Mais humano é amar e fazer o bem. O pecado é uma quebra, rompe a relação saudável com os outros e com Deus, mina a segurança afetiva e emocional, afasta o nosso olhar e sobretudo o nosso coração do olhar e do coração do outro.

       A consciência da nossa frágil condição humana abre-nos à misericórdia de Deus, e faz-nos compreender os erros alheios. Perdoar é divino. Quando perdoamos transparecemos Deus.

       3 – O evangelho é por demais expressivo sobre a dinâmica do amor, que promove o perdão. Jesus é convidado por um fariseu.

       Entretanto, uma mulher, que vivia na cidade, pecadora, conhecida por todos, apressa-se e derrama um vaso de alabastro sobre os pés de Jesus, em simultâneo com a abundância de lágrimas, enxugando-lhe os pés com o cabelo.

       É um gesto que transpira uma grande humildade: esta mulher não receia os olhares discriminatórias, e sujeita-se a ser rejeitada de novo, exposta, expulsa daquela casa, apontada. Vai confiante. Ouviu falar de Jesus. O seu coração leva-a a Jesus.

       A vozearia espalha-se virulentamente. Como é que Jesus, sendo profeta, se deixa tocar por uma pecadora? Precisamente por isso, porque sendo pecadora ela precisa de ser reconhecida como pessoa, precisa de ser tocada pelo perdão, pela luz que vem de Deus, por um olhar de compreensão e de aceitação. Porque sabe, Jesus apresenta-a como exemplo de humildade e de delicadeza, como imagem do pobre que se dispõe a acolher Deus e começa a alterar a sua vida.

       Diz Jesus a Simão, o anfitrião: «Vês esta mulher? Entrei em tua casa e não Me deste água para os pés; mas ela banhou-Me os pés com as lágrimas e enxugou-os com os cabelos… não cessou de beijar-Me os pés… ungiu-Me os pés com perfume. Por isso te digo: São-lhe perdoados os seus muitos pecados, porque muito amou; mas aquele a quem pouco se perdoa, pouco ama».

       Jesus surpreende os presentes. Pela generosidade do perdão e pelo contraponto entre a atenção da mulher pecadora que reconhece Jesus, e do patrão da casa e do banquete, que se coloca a si mesmo como dignatário e centro da festa. Outro contraponto cultural e religioso: acompanham Jesus, no anúncio da boa nova do reino de Deus, os Doze e algumas mulheres, como Maria Madalena, de quem Jesus tinha expulsado sete demónios, e Joana, mulher de Cusa, administrador de Herodes, Susana e muitas outras. Servem-no com os seus bens. As mulheres merecem todo o cuidado de Jesus. Melhor, homens ou mulheres, são filhos de Deus.

       4 – Na primeira leitura, a figura de David, o grande Rei de Israel. Tendo o mundo a seus pés, ungido por Deus, através do profeta, não se coíbe de usar o poder para tomar a mulher de Urias, seu general e a quem provoca a morte. Deus desperta a consciência David. David esquecera a palavra de Deus e que o poder deveria ser um serviço a todo o povo.

       Através do profeta Natã, Deus alerta David. Reconhecer o pecado é o início da conversão. Deus perdoa-lhe tamanha desfaçatez, mas David precisa de alterar o seu proceder para que não se afaste dele a bênção de Deus. O perdão, para ser eficaz, precisa de ser acolhido e levar à mudança de vida. Assim com David, assim será com Pedro, assim será com todos. O perdão exige conversão e reparação.


Textos para a Eucaristia (ano C):

2 Sm 12,7-10.13; Sl 31; Gal 2,16.19-21; Lc 7,36 – 8,3.

 

 


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