...espaço de discussão, de formação, de cultura, de curiosidades, de interacção. Poderemos estar mais próximos. Deus seja a nossa Esperança e a nossa Alegria...
09
Set 17
publicado por mpgpadre, às 15:00link do post | comentar |  O que é?

1 – Deus nunca desiste de nós. Esta é a história de Deus com os homens. A história da criação e da salvação. Deus não desiste de nós. Criou-nos por amor e por amor nos sustenta na vida. Quer-nos bem, tão bem como um Pai, como um Mãe a um/a filho/a.

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2 – Perdoar? Sempre. 70X7. Em todas as ocasiões. Só o pecado contra o Espírito Santo não tem perdão, ou por outras palavras, o orgulho, a autossuficiência, a sobranceria, o ensimesmamento, o fechar-se conscientemente a qualquer luz, a toda a verdade, a toda a ajuda.

Perdoar uma vez é razoável. Perdoar duas vezes é bondade. Perdoar três vezes é abuso. Jesus vai muito além. Sete vezes é perdoar sempre. Perdoar 70X7? É melhor não fazer as contas! Jesus também não as faz. Por alguma razão dizemos que errar é humano e perdoar é divino. Ainda que humano seja amar e errar seja, muitas vezes, desumano. Perdoar eleva-nos, projeta-nos para outro nível de compromisso, que nos obriga a superar gostos e preferências, a tolerar nos outros o que gostávamos que tolerassem em nós, a compreender as fragilidades alheias e amar além dos defeitos e insuficiências.

As comunidades cristãs dos primeiros tempos procuram ser fieis à mensagem de Jesus: perdoar sempre. Não julgueis. Não condeneis. A quem te bater numa face oferece também a outra. Reza por aqueles que te maldizem. Abençoa os que te perseguem. A quem te pedir a capa dá também a túnica. Não matarás. Não te irrites contra o teu irmão. Se o teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa a tua oferta no altar e vai reconciliar-te com ele. A Eucaristia reconcilia-nos, senta-nos à mesa com Jesus, une-nos aos outros. A Eucaristia vale também enquanto nos converte, nos irmana e nos faz dar passos concretos para vivermos em harmonia, apesar das diferenças.

 

3 – O Evangelho exprime não apenas a Mensagem de Jesus, mas o acolhimento das Suas palavras por parte da comunidade cristã.

A comunidade procura ver, traduzir, atualizar e concretizar tudo o que vem da parte do Senhor Jesus: «Se o teu irmão te ofender, vai ter com ele e repreende-o a sós. Se te escutar, terás ganho o teu irmão. Se não te escutar, toma contigo mais uma ou duas pessoas, para que toda a questão fique resolvida pela palavra de duas ou três testemunhas. Mas se ele não lhes der ouvidos, comunica o caso à Igreja; e se também não der ouvidos à Igreja, considera-o como um pagão ou um publicano».

Aqueles que se apresentam como discípulos de Jesus têm de considerar (sempre) a opção pelo perdão, pelo serviço, pela reconciliação. Uma e outra vez. E outra vez ainda! Descrição. Bom senso. Equilíbrio. Respeito pela pessoa que está à frente. Já me cansei de repetir que quem enche a boca com a própria frontalidade, entendida como dizer sempre tudo o que dá na real gana, independentemente de quem esteja à frente, não passa de uma criança mimada, uma criança a quem tiraram o brinquedo. Mas a criança é criança, é ingénua, está a aprender, a crescer. No adulto essa atitude revela infantilidade. Quem está à nossa frente não é um saco de boxe em quem descarregamos a nossa azia, o nosso azedume com a vida. Ser frontal não é isso. Ser frontal é ser verdadeiro, mas respeitar o outro como pessoa, como rosto e presença de Deus. A azia com que tratamos os outros, não é azia com que tratemos Jesus.

Correção fraterna. Se tens que corrigir, corrige a sós, discretamente. Se não houver avanços, pede ajuda a uma ou duas pessoas. Não desistas nem à primeira nem à segunda. Recorre à Igreja, será mais uma ajuda. A comunidade cristã daqueles dias percebe que terá que dar segundas e terceiras oportunidades e não desistir às primeiras dificuldades e contratempos.


Textos para a Eucaristia (ano A): Jer 20, 7-9; Sl 62 (63); Rom 12, 1-2; Mt 16, 21-27.

 

REFLEXÃO DOMINICAL COMPLETA na página da Paróquia de Tabuaço

e no nosso outro blogue CARITAS IN VERITATE


publicado por mpgpadre, às 11:00link do post | comentar |  O que é?

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Depois de Pedrógão Grande, tragédia que abalou o país, outros incêndios e muitos fogos ateados pela comunicação social, pelos políticos e por muitas pessoas de boa vontade, pelo menos ao nível das intenções.

Sobre alguns assuntos todos opinam, mesmo desconhecendo o contexto, a raiz, as responsabilidades. Já muito se disse sobre incêndios. Uns desculpam-se. Outros atacam, acusam, lançam farpas. Outros remetem para o passado, a estruturação da floresta, a orgânica das autoridades, a fiabilidade das comunicações. Outros delimitam o tempo no presente. Calor intenso, erros na abordagem aos incêndios, desconhecimento do terreno, falta de coordenação, escassez de meios e de pessoas. E, claro, há quem supostamente ganhe muito dinheiro com isto! Pois, dizem, os incêndios mexem com muitos interesses, fazem gerar a economia.

É importante discutir a ordenação florestal, a estruturação dos meios e a hierarquização das responsabilidades. É preciso olhar para hoje e para amanhã. As raízes ajudam a enfrentar o vendaval. Há que avaliar e ponderar as fraquezas e as potencialidades, para que no futuro não se cometam erros semelhantes.

Porém, o que aqui me traz não são essas questões, por mais importantes que sejam. Esta semana, ainda que outros já o tenham feito, gostaria de falar sobre generosidade, voluntariado, serviço e dedicação ao próximo. Também aqui houve situações que não correram da forma mais adequada, perante a grandeza da calamidade, a rapidez, e a resposta de centenas, de milhares de pessoas, prontas para dar alimentos e roupas, prontas para ir ao local ajudar as pessoas, as famílias que foram afetadas.

É, todavia, um primeiro aspeto a sublinhar: prontidão na ajuda perante a espetacularidade das imagens que (ainda) comoveram as pessoas. Um dos perigos a que Francisco tem feito referência amiúde é o facto da repetição de imagens de violência, desgraças e miséria, sangue, crianças na valeta, criarem pessoas indiferentes. Sublinha o Papa: quando a Bolsa de Valores desce um ponto percentual, logo a comunicação social, os economistas e os políticos se agitam. Morrem centenas de crianças à fome e já faz parte da paisagem.

Na maioria dos meios de comunicação deu-se mais importância à flatulência de Salvador Sobral que aos milhares de voluntários dispostos a ajudar e aos milhões de euros recolhidos por diversas instituições. Longos minutos para a crítica, para denúncias... e quase despercebida a imensa multidão de pessoas lançadas para minorar o sofrimento das vítimas dos incêndios… Mas como sói dizer, o bem não faz barulho… uma árvore a cair faz muito mais barulho que uma floresta inteira a crescer…

 

Publicado na Voz de Lamego, n.º 4422, de 25 de julho de 2017


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